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28 de dezembro de 2016

Hino Nacional da Bósnia e Herzegóvina


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Este é o hino nacional da Bósnia e Herzegóvina, mais uma república que se separou da antiga Iugoslávia em 1992, mas viveu em guerra civil até 1995. Na sequência de uma reforma constitucional, o país adotou em 1998 os atuais brasão, bandeira e hino nacional, este consistindo numa melodia chamada Intermeco (Intermezzo), composta por Dušan Šestić e desacompanhada de letra. Ele substituía a canção anteriormente utilizada, Jedna si jedina (Você é única e unida), acusada de excluir sérvios e croatas aí vivendo, mas na verdade sem menção a nacionalidades.

O novo hino foi ratificado por lei em 1999, mas apenas em 2008 houve um concurso pra adotar um texto, e terminou vencendo a letra que se lê na legenda abaixo, composta também por Šestić e por Benjamn Isović. A letra foi aprovada por uma comissão parlamentar em 2009, mas até hoje aguarda sanção definitiva pelos poderes executivo e legislativo. Os próprios autores fizeram outras versões, mas esta é a mais usual e foi gravada pelo tenor Goran von Karkin, em versão que ficou famosa na internet. Esse hino vale para o país todo e não faz menção a nenhuma etnia local nem a ambas as entidades administrativas que compõem o país.

Eu fiz uma tradução direta, com a ajuda de um dicionário de sérvio e croata, mas também cotejei o resultado com traduções nas Wikipédias em outras línguas. Eu tirei o áudio deste endereço, no canal do próprio Goran von Karkin no YouTube, que cantou a letra, e depois montei meu vídeo com uma legenda bilíngue. Na Bósnia e Herzegóvina e em Montenegro são usados tanto o alfabeto cirílico quanto uma versão própria do latino (latinitsa), enquanto na Sérvia é preferido o cirílico e na Croácia só se usa o latino. Pra conforto de vocês, a legendagem abaixo, postada no meu canal O Eslavo, usa o alfabeto latino, mas em seguida há também a letra em cirílico, tendo eu modificado levemente ambos os textos pra corresponder mais à pronúncia real, e há também a tradução em português:


____________________


Ти си свjетлост душе
Вjечне ватре плам
Мајко наша земљо Босно
Теби припадам
Дивно плаво небо
Херцеговине
У срцу су твоjе риjеке
Tвоје планине
Поносна и славна
Краjина предака
Живјет ћeш у срцу нашем
Довијека
Покољењa твоја
Казуjу jедно:
Mи идемо у будућност
Заjедно!
Mи идемо у будућност
Заjедно!

____________________


Você é a luz da alma
Chama de fogo eterno
Ó, mãe nossa, terra bósnia
Eu pertenço a você
O magnífico céu azul
da Herzegóvina
Seus rios e suas montanhas
Estão no coração
Orgulhoso e célebre
Torrão dos antepassados
Viverá em nosso coração
Para sempre
As suas gerações
Clamam como um só:
Marchamos para o futuro
Todos juntos!
Marchamos para o futuro
Todos juntos!

25 de dezembro de 2016

Hino Nacional de Montenegro


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Este é o hino nacional de Montenegro, pequena república balcânica à beira do mar Adriático que há pouco se separou da Sérvia, em 2006, quando foi desmembrada a república de Sérvia e Montenegro, um dos últimos resquícios da antiga Iugoslávia. Eles chamam o próprio idioma de “montenegrino”, mas na verdade é uma das variantes do antigo servo-croata, hoje em geral chamado “BCS” (bósnio, croata e sérvio).

O hino se origina de uma canção que fazia parte de uma peça de teatro épica, representada pela primeira vez em Belgrado, em 1863, e que falava de Montenegro. Não se sabe ao certo se o autor da letra e da melodia foi o mesmo da peça, ou se foi outra pessoa. Mas a peça e a música foram apresentadas de novo em Belgrado, em 1870 e 1876, e pela primeira vez em Montenegro apenas em 1887, quando a canção começou a ser ensinada nas escolas.

Em 1937, Sekula Drljević, ativista do pequeno Partido Federalista Montenegrino, dentro do Reino da Iugoslávia, fez publicar uma versão própria de letra pra essa canção. Mas como muitos pensaram que ele fosse o verdadeiro compositor da peça, sua popularidade como canção folclórica montenegrina declinou, embora sem se extinguir, pois outras letras também eram correntes. De fato, Drljević liderou um breve Estado independente pró-Eixo durante a 2.ª Guerra Mundial, e na Iugoslávia baniu-se a canção, considerada “fascista”.

Em 1993 houve a primeira discussão para a adoção de um hino de Montenegro, mas não houve consenso, pois, embora várias letras tivessem sido propostas, muitos não gostavam da melodia. Em 2004 o país Sérvia e Montenegro estava se preparando pra se desmembrar, e Montenegro finalmente decidiu adotar essa canção, com novas alterações na letra e edição da melodia por Žarko Mirković, como hino de seu Estado independente, finalmente proclamado em 2006. O nome da canção dentro da peça do século 19 era Oj, Junaštva Svjetla Zoro, oj! (Ó, Heroica Aurora de Maio, ó!), e hoje, como hino, se chama Oj, svijetla majska zoro (Ó, clara aurora de maio).

Um aspecto que deve saltar aos olhos é eu ter traduzido “Mãe Montenegro”, sendo que “monte” é masculino. Deixei subentendida a condição de “Montenegro” como “pátria” feminina, sendo que via de regra os países eslavos têm nomes do gênero feminino, e o nome do país na língua local é “Crna Gora”, sendo “gora” (monte, montanha) feminino. Se traduzíssemos estritamente em português, teríamos “Serra Negra”, nome de um município paulista...

Eu traduzi a letra usando material de sérvio e croata, pois o montenegrino compartilha esses mesmos padrões linguísticos, e me vali também de traduções nas Wikipédias em outras línguas e do Google Tradutor. Eu tirei o áudio do vídeo que está neste endereço, e depois montei o vídeo legendado que está no meu canal O Eslavo no YouTube. Na Bósnia e Herzegóvina e em Montenegro são usados tanto o alfabeto cirílico quanto uma versão própria do latino (latinitsa), enquanto na Sérvia é preferido o cirílico e na Croácia só se usa o latino. Pra conforto de vocês, fiz a legendagem abaixo usando o latino, mas segue depois dela também a letra em cirílico, acompanhada da tradução em português:


____________________


Ој свијетла мајска зоро
Мајко наша Црна Горо
Синови смо твог стијења
И чувари твог поштења.

Волимо вас, брда тврда,
И стравичне ваше кланце
Који никад не познаше
Срамотнога ропства ланце.

Док ловћенској нашој мисли
Наша слога даје крила,
Биће горда, биће славна
Домовина наша мила.

Ријека ће наших вала,
Ускачући у два мора,
Глас носити океану,
Да је вјечна Црна Гора!

____________________


Ó, clara aurora de maio,
Nossa mãe Montenegro,
Viemos de suas rochas,
Mantemos sua honradez.

Amamos as duras serras
E os temíveis precipícios
Que nunca se desonraram
Em grilhões de escravidão.

Enquanto nossa união
Nos lembrar do monte Lovćen,
Soberba e gloriosa será
Nossa querida pátria.

O rio com ondas nossas
Adentrando os mares
Anunciará ao oceano
Que Montenegro é eterna!

21 de dezembro de 2016

Лети соко преко Равне Горе (chetnik)


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Não é minha primeira tradução do sérvio, mas é a primeira música “chetnik” que traduzi e legendei. Ela se chama “Лети соко преко Равне Горе”, em alfabeto latino Leti soko preko Ravne Gore, que significa Voa, falcão, para além de Ravna Gora. Trata do destino do comandante chetnik Dragoljub Mihailović, também conhecido como “Čiča Draža” (Tio Draža), após a 2.ª Guerra Mundial, quando os comunistas ocuparam sozinhos o poder na Iugoslávia e baniram todos os adversários políticos. Não achei informações sobre a autoria, nem em que época depois da guerra ela foi composta.

Os chetniks (em sérvio, “četnik” no singular e “četnici” no plural) eram um movimento armado, constituído na Iugoslávia durante a 2.ª Guerra Mundial para defender o governo do rei sérvio Petar 1.º, o qual, porém, no início do conflito, já havia suprimido liberdades civis e garantias constitucionais. O país havia sido invadido pelos nazistas, que criaram dentro do território um Estado croata fantoche, com a ajuda dos Ustaša, grupo ultranacionalista abertamente fascista. Como terceiro grupo armado que disputava o poder, estavam os partisans (partizani) de Tito, inimigos tanto dos chetniks quanto dos ustaša. Por vezes, chetniks e partisans lutavam juntos pra combater nazistas e ustaša, mas finalmente entraram em choque, até a vitória de Tito, que após consolidar seu mando, ordenou fuzilarem Mihailović, acusado de “traição”. O rei Petar se exilou na Inglaterra.

Os chetniks ainda sobrevivem na memória dos sérvios, como um grupo nacionalista, e por vezes são vistos pelos países vizinhos como a caricatura do patriotismo sérvio. Alguns contemporâneos ainda reivindicam seu legado, realizando cerimônias com suas roupas, bandeiras e hinos. O nome “četnik” vem da palavra sérvia “četa”, que significa “bando”, “grupo”, “pelotão”, “tropa”, e é comumente conhecido em sua forma anglicizada, “chetnik” e “chetniks”, valendo a forma singular também como adjetivo (em português, receberia a marca do plural). Em sérvio, o substantivo é “četnik” (sing.), “četnici” (pl.), e o adjetivo (masc. sing.) é “četnički”.

A rigor, eles não são fascistas ou pró-nazistas, ao contrário dos ustaša croatas, mas apenas nacionalistas, monarquistas, cristãos ortodoxos e ultraconservadores. Sua relação com os alemães era ambígua, embora em geral os combatessem, mas eram sempre anticomunistas, e inicialmente contavam com apoio dos Aliados ocidentais, até estes decidirem concentrar seu apoio nos partisans, mais fortes e estruturados; daí a referência à “traição” pelos ingleses, que deixaram Mihailović ser capturado por Tito. “Chetnik” se pronuncia “tchêtnic” mesmo, “četnici” é “tchêtnitsi” e “Čiča Draža” é “tchitcha draja”.

Além dessa, há outras referências históricas, como à Ravna Gora, altiplano na Sérvia onde surgiu o movimento chetnik e onde seguidores ainda se reúnem em sua honra. Os “voievodas” eram líderes militares eslavos, que tinham posições e missões variáveis no tempo e no espaço; a palavra sérvia “vojvoda” geralmente é traduzida como “duque”, que de fato designava no início o comandante militar de tropas romanas acampadas nas províncias (“duque” vem do latim “ducere”, “conduzir”, e “voditi” em sérvio também é “conduzir”), mas usei “voievoda” mesmo, que tem mais a ver com a realidade eslava.

Eu traduzi direto do sérvio por conta própria, e tirei trechos do áudio deste vídeo e deste outro. A melodia é uma das variantes do kolo, a dança nacional sérvia com amplo uso de acordeão e clarinete, e que se dança em roda. Pra comodidade de vocês, a legendagem que carreguei no meu canal O Eslavo no YouTube está com o sérvio no alfabeto latino, portanto, em seguida estão o texto em cirílico, mais comum na Sérvia, e a tradução em português:


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Лети соко преко Равне Горе
и дозива четничке војводе.
Лети соко преко Равне Горе
и дозива четничке војводе.

Глас се ори, крила не одмара,
ухватише Дражу ђенерала.
Глас се ори, крила не одмара,
ухватише Дражу ђенерала.

Усред горе кад не беше листа
превари га банда комуниста.
Усред горе кад не беше листа
превари га банда комуниста.

Ућуташе тешки митраљези,
Чича Дражу издаше Енглези.
Ућуташе тешки митраљези,
Чича Дражу издаше Енглези.

Издадоше српског великана,
на Балкану не беше му равна.
Издадоше српског великана,
на Балкану не беше му равна.

Комунисти, бандо без морала,
ви убисте Дражу ђенерала.
Комунисти, бандо без морала,
ви убисте Дражу ђенерала.

Чича Дражо, заклеле се чете,
четници ће тебе да освете!
Чича Дражо, заклеле се чете,
четници ће тебе да освете!

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Voa, falcão, para além de Ravna Gora
E convoque os voievodas chetniks.
Voa, falcão, para além de Ravna Gora
E convoque os voievodas chetniks.

Ressoe a voz, não descanse as asas,
Capturaram o general Draža.
Ressoe a voz, não descanse as asas,
Capturaram o general Draža.

Sem jornais no meio da montanha,
O bando comunista o enganou.
Sem jornais no meio da montanha,
O bando comunista o enganou.

Calaram-se as fortes metralhadoras,
Os ingleses traíram o Tio Draža.
Calaram-se as fortes metralhadoras,
Os ingleses traíram o Tio Draža.

Traíram um gigante sérvio,
Nos Bálcas ninguém o igualava.
Traíram um gigante sérvio,
Nos Bálcas ninguém o igualava.

Comunistas, bando de imorais,
Vocês mataram o general Draža.
Comunistas, bando de imorais,
Vocês mataram o general Draža.

Tio Draža, os pelotões chetniks
Juraram que vão vingar você!
Tio Draža, os pelotões chetniks
Juraram que vão vingar você!




18 de dezembro de 2016

Hino Nacional da Eslováquia


Link curto para esta postagem: fishuk.cc/eslovaquia



Este é o atual hino nacional da Eslováquia, cuja canção se chama Nad Tatrou sa blýska (Sobre os Tatras luzem) e teve a letra escrita pelo jovem estudante Janko Matúška no início de 1844, usando a melodia da canção popular Kopala studienku. Inúmeras cópias manuscritas, em geral com algumas alterações, foram feitas sem sua autorização, e assim a canção ficou popular entre outros estudantes nacionalistas, que no quadro do Império Austro-Húngaro se queixavam de como estimados professores acadêmicos eram demitidos por conta de suas ideias nacionalistas.

Em 1848 e 1849, voluntários de guerra tornaram a canção ainda mais conhecida, até ela ser impressa pela primeira vez em 1851 e popularizada por causa de suas referências aos montes Tatras, símbolo nacional cujos perigos inspirados lembravam aos eslovacos outros perigos, especialmente políticos, que corriam. Quando a Tchecoslováquia foi criada, após o fim do Império Austro-Húngaro, a primeira estrofe de Nad Tatrou sa blýska foi incorporada ao hino do novo país, junto com a primeira estrofe da canção tcheca Kde domov můj (Onde é meu lar). Isto é, o hino do país era escrito em duas línguas, e havia ainda traduções em alemão e húngaro, usadas até 1938 (desmembramento territorial por Hitler), pra contemplar as minorias étnicas da nação. Conheça esse hino misto nesta página.

Quando foi proclamada uma República Eslovaca atrelada à Alemanha nazista no curso da 2.ª Guerra Mundial, Nad Tatrou sa blýska chegou a servir de hino, mas as lideranças títeres preferiam Hej, Slováci, versão local do famoso hino pan-eslavo Ei, Eslavos. O velho hino tchecoslovaco sobreviveu à guerra, ao regime comunista e à derrubada da “cortina de ferro”, mas em 1993, com a divisão do país em República Tcheca e Eslováquia, cada parte do antigo hino passou a ser o hino de cada país, e o hino eslovaco incorporou também a segunda estrofe, sendo que a canção original possuía quatro. Até 1993, na parte eslovaca, também se usava o verso “Zastavme sa, bratia” (“Vamos esperar, irmãos”), mas depois se passou a usar “Zastavme ich, bratia” (“Vamos pará-los, irmãos”), que está no vídeo.

Eu traduzi a letra a partir do eslovaco com a ajuda de alguns dicionários online e baseado no que eu sabia de russo, ucraniano e tcheco, línguas com as quais ele guarda certa semelhança, e me vali também de traduções nas Wikipédias em outras línguas e no Google Tradutor. Eu tirei o áudio do vídeo que está neste endereço, e depois montei meu vídeo legendado, que está no meu canal O Eslavo no YouTube, com o texto em eslovaco e a tradução em português. Seguem abaixo a legendagem e o poema nestas duas línguas:


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Nad Tatrou sa blýska,
Hromy divo bijú,
Nad Tatrou sa blýska,
Hromy divo bijú.
Zastavme ich, bratia,
Ved’ sa ony stratia,
Slováci ožijú.
Zastavme ich, bratia,
Ved’ sa ony stratia,
Slováci ožijú.

To Slovensko naše
Posial’ tvrdo spalo,
To Slovensko naše
Posial’ tvrdo spalo,
Ale blesky hromu
Vzbudzujú ho k tomu,
Aby sa prebralo.
Ale blesky hromu
Vzbudzujú ho k tomu,
Aby sa prebralo.

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Sobre os Tatras fulguram
E batem forte os trovões,
Sobre os Tatras fulguram
E batem forte os trovões,
Vamos pará-los, irmãos,
Porque eles vão cessar
E os eslovacos renascerão.
Vamos pará-los, irmãos,
Porque eles vão cessar
E os eslovacos renascerão.

A nossa Eslováquia
Até agora dormia fundo,
A nossa Eslováquia
Até agora dormia fundo,
Mas os raios do trovão
Estão a acordando para
Que recobre o ânimo.
Mas os raios do trovão
Estão a acordando para
Que recobre o ânimo.

14 de dezembro de 2016

Hino Nacional da República Tcheca


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Este é o atual hino da República Tcheca, uma canção conhecida pelo nome Kde domov můj (Onde é meu lar), que também é seu primeiro verso. Ela foi composta em 1834 por František Škroup (melodia) e Josef Kajetán Tyl (letra), e inicialmente era parte da trilha sonora de uma comédia teatral escrita por J. K. Tyl, mas o tema ficou tão popular entre os tchecos que eles a adotaram como um hino nacional informal para ressaltar sua identidade dentro do Império Austro-Húngaro.

Originalmente a canção tinha duas estrofes, mas em 1918, quando a Tchecoslováquia foi criada após o desmembramento do referido império, apenas a primeira estrofe, com poucas modificações, foi incorporada ao hino do novo país, junto com a primeira estrofe da canção eslovaca Nad Tatrou sa blýska (Sobre os Tatras luzem). Isto é, o hino do país era escrito em duas línguas, e havia ainda traduções em alemão e húngaro, usadas até 1938 (desmembramento territorial por Hitler), pra contemplar as minorias étnicas da nação. Leia e assista a esse hino misto nesta página.

O hino tchecoslovaco passou ileso pela 2.ª Guerra Mundial, pelo regime comunista e pela derrubada da “cortina de ferro”. Mas em 1993, com a divisão do país em República Tcheca e Eslováquia, cada parte do antigo hino passou a ser o hino de cada país, e o hino eslovaco incorporou também uma segunda estrofe esquecida de sua canção nacional. Após a independência do novo país, não houve novas modificações na letra, que pode ser lida e ouvida no vídeo abaixo, com a legenda em tcheco e a tradução em português.

Tenho algum conhecimento de tcheco, por ter estudado sozinho por um tempo muito breve, mas ele compartilha amplo vocabulário com o russo, língua que conheço bem, e com o ucraniano, que sei razoavelmente. Além disso, também me apoiei em traduções das Wikipédias em outras línguas, no Google Tradutor e no Wiktionary. Eu tirei o áudio do vídeo que está neste endereço, e depois montei meu vídeo, que está no meu canal O Eslavo no YouTube. Mais adiante, há ainda o original e a tradução escritos:


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Kde domov můj, kde domov můj?
Voda hučí po lučinách,
bory šumí po skalinách,
v sadě skví se jara květ,
zemský ráj to na pohled!
A to je ta krásná země,
země česká domov můj,
země česká domov můj!

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Onde é meu lar? Onde é meu lar?
A água murmura pelos prados,
pinheiros chiam nos rochedos,
a flor primaveril reluz no jardim,
parece o Paraíso na Terra!
E é esta linda terra,
a terra tcheca, meu lar,
a terra tcheca, meu lar!

11 de dezembro de 2016

Hino Nacional da Eslovênia


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Este é o atual hino nacional da Eslovênia, pequeno país de 2 milhões de habitantes e espremido entre a Croácia e a Itália, no norte do mar Adriático. A canção se chama Zdravljica (Um brinde) e consiste num poema escrito em 1844 por France Prešeren, que só recebeu melodia de Stanko Premrl em 1905. O texto foi publicado pela primeira vez em 1848, durante a chamada “primavera dos povos”, mas de 1860 a inícios dos anos 1990 a canção historicamente considerada como hino dos eslovenos era Naprej, zastava slave (Avante, bandeira da glória).

O poema de Prešeren foi escrito de forma que os versos de cada estrofe, em alinhamento centralizado, formassem o desenho de uma taça, modelo muito comum na época; isso tem a ver com o fato do texto se chamar “Um brinde”. À diferença de outros hinos eslavos, a letra tem forte caráter internacionalista e a profissão do autor como um livre pensador, o que refletia seu projeto político pra uma Eslovênia livre, e por isso foi várias vezes censurado pelo Império Austro-Húngaro. Uma primeira melodia foi composta por Benjamin Ipavec e Davorin Jenko (o mesmo do hino da Sérvia) nos anos 1860, mas não tendo ela vindo a público, foi substituída pela de Stanko Premrl em 1905, executada pela primeira vez em 18 de novembro de 1917 e desde então conhecendo grande sucesso.

A Eslovênia só adotou Zdravljica como seu hino em 27 de setembro de 1989, ainda dentro do quadro da antiga Iugoslávia comunista, da qual se separou em 25 de junho de 1991, e o ratificou em 1994 na lei sobre os símbolos nacionais. Oficialmente, o poema todo é considerado o hino nacional, mas a prática é executar apenas a sétima estrofe, que está traduzida no vídeo abaixo, com a legenda em esloveno e a tradução em português.

Eu traduzi essencialmente a partir de versões nas Wikipédias em outras línguas, mas também usei o Google Tradutor e alguns dicionários online, que são bastante raros pro esloveno, e me vali de conhecimentos de russo e sérvio, que guardam várias semelhanças com essa língua. Eu tirei o áudio do vídeo que está neste endereço, e depois montei meu vídeo, que está no meu canal O Eslavo. Ele segue abaixo, antes da letra em esloveno e da tradução em português:


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Žive naj vsi narodi,
ki hrepene dočakat’ dan,
da, koder sonce hodi,
prepir iz sveta bo pregnan,
da rojak
prost bo vsak,
ne vrag, le sosed bo mejak!


(Notem o formato de taça)

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Que vivam todos os povos
que há muito esperam o dia
em que a discórdia será eliminada
da Terra e da trilha do sol,
e em que todo compatriota
será livre, e o fronteiriço
será só um vizinho, não um demônio!

7 de dezembro de 2016

Hino Nacional da Croácia


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Este é o atual hino nacional da Croácia, que se chama Lijepa naša domovino (Ó, bela pátria nossa), às vezes também dito apenas Lijepa naša (Nossa bela), título também usado amplamente como metonímia nomeando o país. A letra original foi escrita em 1835 por Antun Mihanović, e a melodia composta em 1861 por Josip Runjanin.

A canção de Mihanović se chamava inicialmente Hrvatska domovina (Pátria croata), e já em 1846 o músico amador Runjanin lhe forneceu uma primeira melodia, mas após ter sido aperfeiçoada por músicos e bandas profissionais, tem-se atualmente por perdida a batida original, por não terem sobrado registros. Desde que foi feita a última melhoria, em 1861, ela foi adotada como hino do povo croata sem caráter oficial, já a partir daí conhecida como Lijepa naša, e foi sofrendo ajustes menores em sua letra, que originalmente possuía 14 estrofes.

Partes da canção foram usadas como parte do hino misto do Reino dos Sérvios, Croatas e Eslovenos (1918), depois Reino da Iugoslávia, e na íntegra foi usada como hino oficial do Estado Independente da Croácia pró-nazista (2.ª Guerra Mundial, com poucas alterações no texto) e até mesmo por partisans croatas. No quadro da antiga Iugoslávia comunista, o hino foi oficializado por meio de emendas, adotadas em 29 de fevereiro de 1972, à Constituição da república federada da Croácia, e assim seguiu desde que estava para conquistar a independência, em 1990, embora já bem encurtado e com ainda mais modificações na letra.

O texto croata que aparece no vídeo foi composto conforme a fala do áudio, e pode diferir de algumas versões que aparecem na internet. Eu traduzi diretamente do croata com a ajuda de um dicionário e por vezes do Google Tradutor, mas também cotejei o resultado com traduções nas Wikipédias em outras línguas. Eu tirei o áudio do vídeo que está neste endereço, e depois montei meu vídeo, que está no meu canal O Eslavo no YouTube. Segue abaixo minha legendagem com a letra em croata (que, ao contrário do sérvio, não usa o alfabeto cirílico) e a tradução em português, e depois esses dois textos escritos:


____________________


Lijepa naša domovino,
Oj junačka zemljo mila,
Stare slave djedovino,
Da bi vazda sretna bila!
Mila kano si nam slavna,
Mila si nam ti jedina.
Mila, kuda si nam ravna,
Mila, kuda si planina!

Teci Savo, Dravo teci,
Nit’ ti Dunav silu gubi,
Sinje more svijetu reci,
Da svoj narod Hrvat ljubi
Dok mu njive sunce grije,
Dok mu hrašće bura vije,
Dok mu mrtve grob sakrije,
Dok mu živo srce bije!

____________________


Ó, bela pátria nossa,
Heroica terra querida,
Ó, torrão de glória antiga,
Seja feliz para sempre!
Nos é querida e gloriosa,
Querida e única para nós.
Querida onde é planície,
Querida onde há montes!

Fluam, rios Sava e Drava,
Não enfraqueça, Danúbio,
Diga ao mundo, mar azul,
Que um croata vai amar seu povo
Enquanto o sol lhe aquecer os campos,
Enquanto o vento lhe agitar os carvalhos,
Enquanto a tumba lhe encobrir os mortos,
Enquanto o coração lhe bater vivo!

4 de dezembro de 2016

Hino Nacional da Macedônia


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Este é o atual hino da República da Macedônia, um país muito jovem do sul da Europa que só obteve a independência da dissolvida Iugoslávia comunista no início dos anos 1990. A canção se chama “Денес над Македонија” (Denes nad Makedonia), Hoje sobre a Macedônia, e foi composta por Vlado Maleski (letra, 1941) e Todor Skalovski (melodia, 1943).

Depois da 2.ª Guerra Mundial, quando uma parte da Bulgária foi incorporada à Iugoslávia comunista pra compor a república federada da Macedônia, Denes nad Makedonia foi adotada como “canção nacional” da região, dentro do quadro mais amplo daquele país. Após ter obtido a independência em 1991, a Macedônia a tornou de fato seu hino nacional, mas além desta versão adotada em 11 de agosto de 1992, são conhecidas outras duas versões da letra, com ligeiras diferenças. O texto oficial omite uma última estrofe que havia antes.

De letra bem simples, além de referências à paisagem geográfica e natural local e a alguns heróis nacionais, o hino também cita a “República de Krushevo” (Krushevska republika), uma entidade política de curta duração dentro de agosto de 1903, formada por insurgentes dentro do então Império Otomano. Estabelecida em torno da cidade de mesmo nome, no território da atual Macedônia, é considerada por alguns como a primeira tentativa de estabelecer uma república independente nos Bálcãs, bem como a predecessora do atual Estado macedônio. Sua memória se fixou entre os macedônios por conta da brutal repressão que os otomanos desencadearam contra o levante, terminada em massacres contra os nativos.

Pra traduzir, eu usei em grande parte o Google Tradutor pra outras línguas eslavas, e me apoiei também no que sabia do búlgaro e do sérvio, que são línguas muito próximas, mas também consultei bastante as traduções das Wikipédias em outras línguas. Eu tirei o áudio do vídeo que está neste endereço, e depois montei meu vídeo com uma legenda bilíngue (macedônio e português), transliterando o alfabeto cirílico, pra conforto de vocês, conforme meu próprio sistema usado neste blog. A legendagem abaixo é do meu canal O Eslavo no YouTube, e em seguida estão a letra em cirílico e a tradução:


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Денес над Македонија се раѓа
ново сонце на слободата!
Македонците се борат
за своите правдини!
Македонците се борат
за своите правдини!

Одново сега знамето се вее
на Крушевската република!
На Гоце Делчев, Питу Гули,
Даме Груев, Сандански!
На Гоце Делчев, Питу Гули,
Даме Груев, Сандански!

Горите Македонски шумно пеат
нови песни, нови весници!
Македонија слободна,
слободнo живее!
Македонија слободна,
слободнo живее!

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Está raiando hoje na Macedônia
o novo sol da liberdade!
Os macedônios estão lutando
pelos seus direitos!
Os macedônios estão lutando
pelos seus direitos!

Está brandindo de novo o pendão
da República de Krushevo!
De Gotse Delchev, Pitu Guli
de Dame Gruev, Sandanski!
De Gotse Delchev, Pitu Guli
de Dame Gruev, Sandanski!

As matas macedônias vão entoando
alto novos cantos e notícias!
A Macedônia está livre
e vive em liberdade!
A Macedônia está livre
e vive em liberdade!



30 de novembro de 2016

Hino Nacional da Bulgária


Link curto para esta postagem: fishuk.cc/bulgaria



Este é o atual hino da Bulgária, chamado “Mила Родино” (Mila Rodino), Ó, querida Pátria, adotado em 1964, quando o país ainda era uma república comunista. É baseado na canção “Горда Стара планина” (Gorda Stara planina), Os altivos montes Bálcãs, composta por Tsvetan Radoslavov em 1885, a caminho do campo de batalha durante a Guerra Servo-Búlgara ocorrida em novembro daquele ano.

Antes de 1964 a Bulgária mudou várias vezes de hino, mesmo após 1945, até que Mila Rodino foi adotada com algumas modificações na letra, já antes constantemente mudada, uma delas sendo o acréscimo de uma terceira estrofe mencionando Moscou (os búlgaros eram o povo mais atrelado à URSS) e o partido comunista; ouça aqui com legendas, mas sem tradução. A última modificação foi em 1990, após o fim do comunismo, e só ficaram a primeira estrofe e o antigo refrão.

Como diversos outros hinos nacionais de países eslavos, Mila Rodino tem uma letra bem simples e faz muitas referências à geografia local. É notável que a canção chama a Bulgária de zemen rai, ou seja, “paraíso na Terra”, sendo que num momento o hino tcheco também fala em zemski raj, que significa exatamente a mesma coisa. A frase que está no brasão oficial (veja o vídeo) significa “A união faz a força”.

Eu traduzi parcialmente a partir do búlgaro, em especial com a ajuda dos meus conhecimentos de russo e sérvio, com o qual ele compartilha muita coisa, mas também me apoiei bastante nas traduções das Wikipédias em outras línguas. Eu tirei o áudio do vídeo que está neste endereço, e depois montei meu vídeo com uma legenda bilíngue (búlgaro e português), transliterando o alfabeto cirílico, pra conforto de vocês, conforme meu próprio sistema usado aqui no blog. A legendagem abaixo está no meu canal O Eslavo no YouTube, e em seguida estão a letra em cirílico e a tradução:


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Горда Стара планина,
до ней Дунава синей,
слънце Тракия огрява,
над Пирина пламеней.

О мила, мила Родино,
ти си земен рай,
твойта хубост, твойта прелест,
ах, те нямат край.

О мила, мила Родино,
ти си земен рай,
твойта хубост, твойта прелест,
ах, те нямат край.

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Os altivos montes Bálcãs,
junto ao Danúbio azul,
o Sol ilumina a Trácia,
flameja nos montes Pirin.

Ó, querida, querida Pátria,
você é o paraíso na Terra,
a sua beleza e o seu encanto,
ah, eles não têm limites.

Ó, querida, querida Pátria,
você é o paraíso na Terra,
a sua beleza e o seu encanto,
ah, eles não têm limites.

27 de novembro de 2016

Morte de Fidel Castro avisada por Raúl


Link curto para esta postagem: fishuk.cc/morre-fidel



O que parecia improvável, mas que todo mundo sabia que ia acontecer, finalmente aconteceu. Faleceu na noite da última sexta-feira (início da madrugada de sábado no Brasil) Fidel Alejandro Castro Ruz, advogado que liderou em Cuba o golpe de Estado contra o ditador Fulgencio Batista em 1.º de janeiro (data do meu aniversário!) de 1959 e se tornou ele mesmo o ditador da primeira república comunista das Américas. Apesar dos desmandos, seu regime, incluindo o período de mando efetivo de seu irmão Raúl Castro desde 2006, foi celebrizado pela esquerda radical por causa da erradicação do analfabetismo, do fim da miséria extrema (embora o povo ainda continuasse pobre), da prioridade ao esporte, da exportação de médicos e vacinas para o mundo subdesenvolvido e do apoio a causas revolucionárias e populares no mundo inteiro.

Raúl Castro fez um breve discurso na televisão cubana no início da madrugada de ontem, e vários canais do YouTube em língua espanhola carregaram o mesmo vídeo sem legendas. Um deles era o Martí Noticias, de onde baixei minha versão. Eu entendi de ouvido, então traduzi e legendei ao mesmo tempo, e depois carreguei no meu canal O Eslavo. São todos meus os créditos pelo texto em português. Até ontem à tarde, dois canais também publicaram um mesmo vídeo legendado, mas acredito que ele tenha sido crackeado de algum site de notícias, e não está conforme às normas profissionais de legendagem. Por isso, e como tenho muitos inscritos que me acompanham, resolvi fazer minha própria versão. Encontrei depois uma transcrição em matéria especial do jornal espanhol El Mundo, e é ela que reproduzo mais abaixo, com algumas correções, após a legendagem e junto com o texto em português.

E a polêmica ferve na mídia e nas redes sociais, trocam-se “ferpas” ideológicas o tempo todo. Como disse Reinaldo Azevedo, o legado de Fidel Castro não é “ambíguo”, pois de fato era uma ditadura violenta que empobreceu o país. Mas acho que os lados positivos, que (óbvio!) ele não ressalta e que devem ser tirados em comparação com a situação do resto do continente e da Cuba pré-1959, não têm qualquer relação com a presença ou ausência de democracia: há ditaduras prósperas, e há democracias famélicas. A relação de Fidel com Che também era problemática, pois foram os desentendimentos que levaram o argentino a se aventurar em matas e savanas ao invés de esclerosar na burocracia: deixou-se ir o pentelho, e Castro colheu os frutos da mitologização. Sua profissão de fé no comunismo (ou melhor, num bolchevismo que mesmo na URSS já não era o mesmo de 1917), o qual ele repudiava antes de tomar o poder, me leva a ratificar a opinião de um historiador do Rio que me confidenciou que talvez ele seja mais bem lembrado como líder nacionalista (tipo Nasser, Siad Barre, Machel) que se jogou nos braços soviéticos, assim como outros regimes pós-coloniais, por falta de opção.


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Querido pueblo de Cuba,

Con profundo dolor comparezco para informar a nuestro pueblo, a los amigos de nuestra América y del mundo que hoy, 25 de noviembre del 2016, a las 22.29 horas de la noche, falleció el Comandante en Jefe de la Revolución Cubana, FIDEL CASTRO RUZ.

En cumplimiento de la voluntad expresa del compañero Fidel, sus restos serán cremados.

En las primeras horas de mañana, sábado 26, la comisión organizadora de los funerales brindará a nuestro pueblo una información detallada sobre el homenaje póstumo que se le tributará al fundador de la Revolución Cubana.

¡HASTA LA VICTORIA! ¡SIEMPRE!

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Querido povo de Cuba,

Com profundo pesar venho informar ao nosso povo, aos amigos da nossa América e do mundo que hoje, 25 de novembro de 2016, às 10 horas e 29 minutos da noite, faleceu o Comandante-em-Chefe da Revolução Cubana, FIDEL CASTRO RUZ.

Em obediência ao desejo expresso do companheiro Fidel, seu corpo será cremado.

Nas primeiras horas da manhã de sábado 26 [talvez seja mesmo “Nas primeiras horas de amanhã, sábado 26”], a comissão que vai organizar o funeral concederá ao nosso povo um informativo detalhado sobre a organização da homenagem póstuma que será prestada ao fundador da Revolução Cubana.

ATÉ A VITÓRIA! SEMPRE!


23 de novembro de 2016

Hino Nacional da Sérvia


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Este é o atual hino nacional da República da Sérvia, cujo título oficial é “Боже правде”, em alfabeto latino Bože pravde (Ó, Deus de justiça) e que foi composto em 1872 por Davorin Jenko (melodia) e Jovan Đorđević (letra). Foi adotado pela primeira vez em 1878 pelo Principado da Sérvia, e depois pelo sucessor Reino da Sérvia, tendo passado por diversas modificações conforme o monarca que governava e o tipo de regime do país. Em 1918 passou a integrar o hino do recém-formado Reino dos Sérvios, Croatas e Eslovenos, mais tarde Reino da Iugoslávia, junto com as canções dessas nacionalidades, até o fim da monarquia em 1941.

Em 1992, com a desintegração da Iugoslávia comunista, outras canções foram propostas pra serem adotadas como hino sérvio, mas jamais houve aprovação oficial. Apenas em 8 de novembro de 2006, após separar-se de Montenegro, a Sérvia reconheceu novamente Bože pravde em sua Constituição, e em 11 de maio de 2009 o hino finalmente foi ratificado em lei. Até 2006 ele também servia de hino da República Sérvia (Republika Srpska, não confundir com a República da Sérvia), uma região de maioria sérvia constituinte da Bósnia e Herzegovina, mas seu uso foi proibido para não se discriminarem as outras nacionalidades aí residentes.

O atual hino oficial da Sérvia consiste em diversas estrofes, com vários versos modificados em relação à versão inicial pra tirar as referências à monarquia. Por exemplo, o último verso da segunda estrofe era “Srpskog kralja, srpski rod!” (O rei sérvio, o povo sérvio!), e foi trocado por “Srpske zemlje, srpski rod!” (As terras sérvias, o povo sérvio!), e assim em outros trechos. A versão mais corrente, que traduzi e legendei, é um encurtamento que usa apenas as duas primeiras estrofes, e costuma-se adicionar no final o verso “Moli ti se sav naš rod!” (É o que lhe roga todo nosso povo!), que traduzi no vídeo como “É a prece de todo nosso povo!”. Além disso, na segunda repetição do penúltimo verso, “Bože spasi, Bože hrani” (Deus salve, Deus proveja), às vezes se diz também “Bože spasi, Bože brani” (Deus salve, Deus proteja), mas no áudio que legendei não está assim.

Traduzi direto do sérvio com a ajuda de um dicionário, mas também cotejei o resultado com traduções nas Wikipédias em outras línguas. Eu tirei o áudio (encurtado) do vídeo que está neste endereço, e depois montei meu vídeo com uma legenda bilíngue (sérvio escrito em alfabeto latino e português). A legendagem abaixo está no meu canal O Eslavo, e em seguida estão a letra nos alfabetos latino e cirílico, e a tradução em português não encurtada pras legendas:


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Bože pravde, ti što spase
od propasti dosad nas,
čuj i odsad naše glase
i od sad nam budi spas.

Moćnom rukom vodi, brani
budućnosti srpske brod,
Bože spasi, Bože hrani,
srpske zemlje, srpski rod!
Bože spasi, Bože hrani,
moli ti se sav naš rod!

Боже правде, ти што спасе
од пропасти досад нас,
чуј и од сад наше гласе
и од сад нам буди спас.

Моћном руком води, брани
будућности српске брод,
Боже спаси, Боже xрани,
српске земље, српски род!
Боже спаси, Боже xрани,
моли ти се сав наш род!

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Ó, Deus de justiça, que até hoje
tem nos livrado da desgraça,
ouça nossas vozes ainda
agora e seja nossa salvação.

Guie, proteja com mão forte
o barco sérvio do futuro,
Deus salve, Deus proveja,
as terras sérvias, o povo sérvio!
Deus salve, Deus proveja,
é a prece de todo nosso povo!

20 de novembro de 2016

Hino Nacional da Polônia


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Este é o hino nacional da Polônia, chamado oficialmente Mazurek Dąbrowskiego (Mazurca de Dąbrowski), em alusão ao ritmo em que foi composta, mas também conhecida pelo seu primeiro verso, Jeszcze Polska nie zginęła (A polônia ainda não pereceu). Desde 1927 ela serve como hino do país recém-formado após a Primeira Guerra Mundial, cujo povo por mais de um século havia ficado sem Estado próprio, e teve a letra escrita por Józef Wybicki em 1797, sobre uma melodia popular de autor desconhecido.

A história do hino é muito comprida e complicada, então vou resumir aqui o que consegui ler. Na década de 1790 tropas polonesas estavam ajudando Napoleão Bonaparte em suas campanhas militares pela Europa, e uma de suas promessas era manter a existência e independência do Estado polonês, que na época existia na forma confederada da Comunidade Polaco-Lituana, ou Primeira República da Polônia. Citado na letra, Jan Henryk Dąbrowski (1755-1818), um general polonês muito respeitado e herói nacional, esteve entre os que ajudaram Napoleão nessas empreitadas. Józef Wybicki (1747-1822), jurista, poeta e ativista político e militar polonês, grande amigo de Dąbrowski, também participou das campanhas italianas das chamadas Guerras Revolucionárias Francesas, e quando estava em Reggio Emilia compôs a primeira versão das canção que se tornaria o hino da Polônia, e por isso ela também é conhecida como Canção das Legiões Polonesas na Itália. A letra faz referência a diversas passagens e personagens históricas (como o comandante militar Stefan Czarniecki), pontos geográficos (os rios Vístula e Varta) e figuras fictícias (Basia, ou Bárbara, e seu pai que lhe chora).

Tanto parte da letra quanto a melodia têm uso difundido na cultura dos países eslavos como elementos nacionalistas, e pode-se notar alguma semelhança entre o início do texto com o início dos hinos da Ucrânia e, um pouco menos, da antiga Iugoslávia, e entre sua melodia e a melodia deste último hino. A federação polonesa e lituana foi dissolvida por três potências estrangeiras em 1795, apesar de tentativas posteriores de restaurar a Polônia como Estado livre, e durante o século 19 a canção foi ganhando popularidade, até ser escolhida como hino da Polônia no final dos anos 1920 (com antigas partes do território alemão, russo e austro-húngaro o país havia sido recriado). A versão cantada hoje é encurtada e algo modificada, sendo que a original tinha inclusive referência aos Moskal, isto é, uma forma pejorativa de chamar os russos ainda hoje usada por ucranianos.

Eu não conheço polonês a fundo, por isso, embora conseguisse discernir alguns matizes e significados por meio da herança comum entre as línguas eslavas, traduzi essencialmente a partir do máximo de versões possíveis que achei nas Wikipédias em várias línguas. Até a época em que legendei o hino, não havia nenhuma tradução no YouTube, e mais ou menos um mês depois de eu ter carregado a minha, o canal Hinos Nacionais Cantados lançou sua versão própria, mas, sou sincero, de design bem inferior e letra bem infiel. Esse áudio, muito famoso, existe em várias fontes, mas eu baixei exatamente deste endereço. O vídeo abaixo está no meu canal O Eslavo, e em seguida estão a letra em polonês e a tradução em português:


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1. Jeszcze Polska nie zginęła,
Kiedy my żyjemy.
Co nam obca przemoc wzięła,
Szablą odbierzemy.

Refrão (2x):
Marsz, marsz, Dąbrowski,
Z ziemi włoskiej do Polski.
Za twoim przewodem
Złączym się z narodem.

2. Przejdziem Wisłę, przejdziem Wartę,
Będziem Polakami.
Dał nam przykład Bonaparte,
Jak zwyciężać mamy.

(Refrão 2x)

3. Jak Czarniecki do Poznania
Po szwedzkim zaborze,
Dla ojczyzny ratowania
Wrócim się przez morze.

(Refrão 2x)

4. Już tam ojciec do swej Basi
Mówi zapłakany –
Słuchaj jeno, pono nasi
Biją w tarabany.

(Refrão 2x)

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1. A polônia ainda não pereceu,
Já que continuamos vivos.
O que os de fora nos tiraram
Vamos retomar na espada.

Refrão (2x):
Marche, marche, Dąbrowski,
Da terra italiana à Polônia.
Sob a sua liderança vamos
Retornar ao nosso povo.

2. Vamos cruzar o Vístula e o Varta,
Vamos ser poloneses.
Napoleão nos deu o exemplo
De como devemos vencer.

(Refrão 2x)

3. Como Czarniecki até Poznań
Após a ocupação sueca,
Para salvar a pátria
Vamos voltar pelo mar.

(Refrão 2x)

4. Lá um pai já esta falando
Em prantos à sua Bárbara:
“Ouça, devem ser os nossos
Retumbando os tambores”.

(Refrão 2x)




16 de novembro de 2016

Hino Nacional de Belarus


Link curto para esta postagem: fishuk.cc/belarus


Acredito que este seja um dos hinos nacionais mais bonitos da Europa, o da República de Belarus, país de tamanho médio localizado entre a Polônia e a Rússia, fronteiriço a outros países eslavos e famoso por seu presidente Aleksandr Lukashenko, desde 1994 no poder, de estilo autoritário e criticado no estrangeiro por violações aos direitos humanos. A melodia da canção é a mesma do Hino Nacional da República Socialista Soviética (RSS) da Bielo-Rússia, quando o país pertencia à antiga URSS, e foi composta em 1944 por Nestser Sakalouski, com letra de Mikhas Klimkovich adotada apenas em 1955.

Esse hino prevaleceu até a independência da república, quando o antigo topônimo “Bielo-Rússia” foi trocado por “Belarus”; muitas línguas, como o francês, ainda usam a antiga forma, enquanto no português há oscilações, havendo no Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa apenas o adjetivo “bielo-russo”, e não o neologismo “belarussiano”, lido por vezes na rede. De 1995 a 2002, o hino, que também era e é conhecido como My, belarusy (Nós, bielo-russos), que são suas primeiras palavras, foi executado sem letra, até que em 2002 se adotou enfim uma reelaboração da letra original por Uladzimir Karyzna, que manteve várias expressões e retirou as alusões ao comunismo. Ainda assim, pode-se ver nessa manutenção da melodia soviética uma relutância em abandonar ou uma tendência a recuperar as antigas referências comunistas, alusivas a um passado reputado glorioso num contexto de franca oposição às potências ocidentais, como ocorreu na Rússia de Putin ao adotar em 2000 um novo hino nacional com a mesma melodia do hino da URSS, no lugar de uma Canção Patriótica extremamente associada ao governo Ieltsin.

Eu tirei o áudio desta página oficial (em russo) do governo de Belarus, onde há também a letra completa e outras informações sobre a legislação dos símbolos nacionais; embora a língua bielo-russa seja um símbolo da cultura nacional, a maioria da população usa a língua russa na vida cotidiana e familiar. No início de 2012 eu já havia postado no meu canal O Eslavo no YouTube uma legendagem sem técnica profissional, com várias imagens referentes ao país, mas há algum tempo fiz uma nova tradução e montei o vídeo com uma legenda bilíngue (bielo-russo e português), transliterando o alfabeto cirílico, pra conforto de vocês, conforme meu próprio sistema usado aqui no blog. Após as duas legendagens, seguem o texto bielo-russo em cirílico e a tradução mais recente em português:




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1. Мы, беларусы – мірныя людзі,
Сэрцам адданыя роднай зямлі,
Шчыра сябруем, сілы гартуем
Мы ў працавітай, вольнай сям’і.

Прыпеў:
Слаўся, зямлі нашай светлае імя,
Слаўся, народаў братэрскі саюз!
Наша любімая маці-Радзіма,
Вечна жыві і квітней, Беларусь!
Наша любімая маці-Радзіма,
Вечна жыві і квітней, Беларусь!

2. Разам з братамі мужна вякамі
Мы баранілі родны парог,
У бітвах за волю, бітвах за долю
Свой здабывалі сцяг перамог!

(Прыпеў)

3. Дружба народаў – сіла народаў –
Наш запаветны, сонечны шлях.
Горда ж узвіся ў ясныя высі,
Сцяг пераможны – радасці сцяг!

(Прыпеў)

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1. Nós, bielo-russos, gente pacífica,
Devotada de coração à terra natal,
Somos amigos leais unindo forças
Numa família livre e laboriosa.

Refrão:
Glória ao belo nome de nossa terra,
Glória à união fraterna dos povos!
Amada Mãe-Pátria nossa,
Viva e prospere sempre, Belarus!
Amada Mãe-Pátria nossa,
Viva e prospere sempre, Belarus!

2. Bravamente com irmãos por séculos
Nós defendemos a fronteira natal,
Em batalhas pela vontade e pela sorte
Ganhamos nossa bandeira vitoriosa!

(Refrão)

3. A amizade dos povos é a força deles
E nosso estimado caminho radioso.
Tremule altiva nas luminosas alturas,
Bandeira de alegria e triunfante!

(Refrão)




13 de novembro de 2016

Hino Nacional da Ucrânia (versão 1992)


Link curto para esta postagem: fishuk.cc/hino-ucrania2


Em postagem anterior sobre o Hino da Ucrânia, mostrei as duas legendagens da música atual que tinha carregado no meu canal O Eslavo no YouTube e escrevi a letra em ucraniano e a tradução do hino. Eu também tinha dito que até 2003 era usada uma letra mais longa, com três estrofes e um refrão, e que depois passou a ser cantada apenas a primeira estrofe e o refrão.

Pois bem, o que estou postando hoje é uma legendagem dessa versão longa anterior, em áudio raro que achei no YouTube, embora não de qualidade perfeita, e que fazia parte de um vídeo de propaganda, talvez feito pelo próprio governo. Até pensei em legendar esse vídeo mesmo, mas como eu quis completar no meu canal a coleção de hinos eslavos com o mesmo design da bandeira e da legenda bilíngue, usei apenas o som. Relembro que o poema original de Pavlo Chubynsky, publicado em 1863, tinha quatro estrofes e um refrão que tinha duas vezes o tamanho do atual; até 2003, era usada como hino não oficial a versão aqui apresentada, com três estrofes, apenas a primeira mantida como antes, e o refrão sem a segunda metade; desde então, como se lê na outra postagem, usa-se apenas a primeira estrofe, com ligeiras modificações, e o mesmo novo refrão.

Pra fins de simetria, repito algumas informações sobre a história do hino que já havia postado antes. Inspirado por algumas canções patrióticas eslavas (entre elas o atual hino da Polônia) que se cantavam então na Europa Central e Oriental, caldeirão étnico retalhado entre grandes impérios, o etnógrafo ucraniano Pavlo Chubynsky escreveu o poema Shche ne vmerla Ukraina (A Ucrânia ainda não morreu) em 1862. Publicado no ano seguinte, conheceu larga difusão, e o padre Mykhailo Verbytsky logo decidiu musicalizá-lo.

A nova canção foi executada em coral pela primeira vez no Teatro Ucrânia, em Lviv, em 1864, e assim se tornou patrimônio da cultura ucraniana. Gravada em disco pela primeira vez em Nova York, em 1916, ela se tornaria o hino nacional de repúblicas ucranianas independentes de curta duração entre 1917 e 1920 e em 1939. Banida totalmente pelos bolcheviques para “inibir o separatismo” (o hino da Ucrânia soviética, que também legendei, nunca ficou popular), teve a melodia adotada oficialmente como hino da Ucrânia independente em 15 de janeiro de 1992 e consagrada na Constituição de 1996. Mas a carta magna deixou que lei posterior fixasse a letra definitiva, o que só ocorreu em 6 de março de 2003, quando o parlamento finalmente aprovou a lei “Sobre o Hino da Ucrânia”.

Como brinde, estou anexando aqui uma legendagem do hino atual, que fiz depois das outras duas, na voz de estudantes e funcionários do Complexo de Educação Escolar da cidade de Velyka Omeliana, vila na região oeste da Ucrânia, parte do país conhecida por ser mais nacionalista e guardiã das tradições típicas (site da escola). O clipe oficial do qual tirei o primeiro áudio está nesta página, e o vídeo da escola sem as legendas está nesta página. Eu mesmo traduzi e legendei os dois vídeos, havendo no primeiro uma legenda bilíngue (ucraniano e português) com o alfabeto cirílico, pra conforto de vocês, transliterado conforme meu próprio sistema usado aqui no blog.

Depois dos vídeos, seguem a letra da versão de 1992 em ucraniano e sua tradução ao português. Enquanto nesta versão o segundo verso da primeira estrofe tinha por regra a expressão “браття українці” (irmãos ucranianos), na de 2003 ela é substituída por “браття молодії” (jovens irmãos), embora na apresentação escolar se tenha cantado, como antes, “браття українці” (irmãos ucranianos).




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1. Ще не вмерла Україна ні слава, ні воля.
Ще нам, браття українці, усміхнеться доля.
Згинуть наші воріженьки, як роса на сонці,
Запануєм і ми, браття, у своїй сторонці.

Приспів:
Душу й тіло ми положим за нашу свободу,
І покажем, що ми, браття, козацького роду.

2. Станем, браття, в бій кровавий від Сяну до Дону,
В ріднім краю панувати не дамо нікому;
Чорне море ще всміхнеться, дід Дніпро зрадіє,
Ще у нашій Україні доленька наспіє.

(Приспів)

3. А завзяття, щира праця свого ще докаже,
Ще ся волі в Україні піснь гучна розляже,
За Карпати відіб’ється, згомонить степами,
України слава стане поміж ворогами.

(Приспів 2x)

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1. A Ucrânia ainda não morreu, nem sua glória e vontade.
Ainda, irmãos ucranianos, o destino vai sorrir para nós.
Nossos inimigos se esvairão como o orvalho sob o sol,
Também vamos reinar, irmãos, em nossa própria terra.

Refrão:
Vamos sacrificar corpo e alma por nossa liberdade,
E vamos mostrar, irmãos, que temos linhagem cossaca.

2. Entraremos, irmãos, na luta sangrenta do Sian ao Don,
Em nossa terra natal a ninguém vamos deixar reinar;
O mar Negro ainda sorrirá, o velho Dnipro se alegrará,
Ainda em nossa Ucrânia a boa sorte vai prevalecer.

(Refrão)

3. E o trabalho sincero ainda vai provar sua coragem,
Esta sonora canção ao ânimo ainda ecoará na Ucrânia,
Vai se refletir nos Cárpatos, vai ressoar pelas estepes,
A glória da Ucrânia vai se erguer por entre os inimigos.

(Refrão 2x)




9 de novembro de 2016

Hino Nacional da Rússia


Link curto para esta postagem: fishuk.cc/russia


Este é o atual Hino Nacional da Federação Russa, um dos ícones do longo mando de Vladimir Putin, adotado no final do ano 2000 após muitas polêmicas. É uma das peças mais interessantes do mundo por causa de sua história, a começar por ter a mesma melodia do antigo hino da União Soviética, uma das duas superpotências do século 20.

Em outra postagem vou ter a ocasião de contar sobre o hino soviético, mas aqui lembro apenas que este, surgido em 1943 e adotado em 1944, em plena defesa patriótica na 2.ª Guerra Mundial, teve a melodia composta pelo músico militar Aleksandr Aleksandrov e a letra escrita pelos poetas e escritores Sergei Mikhalkov e Gabriel El-Registan. Em 1970 o mesmo Mikhalkov fez algumas correções na letra, tirando menções a Stalin e à guerra, e o hino, que desde 1956 era tocado sem texto, voltou a tê-lo em 1971, com ratificação em 1977. Em 1990 a Rússia soviética, que também usava o hino da URSS como o seu próprio, trocou-o pela chamada Canção Patriótica, uma melodia que ficou sem letra até 1999. Esse fato incomodava muito atletas e outros patriotas, e mesmo assim o novo texto não caiu no gosto do povo.

Tendo substituído Boris Ieltsin na presidência da República após sua renúncia, Putin abriu a discussão oficial e social pra adoção de um novo hino nacional, e muitas melodias e letras foram analisadas, poucas deixadas pra seleção final. Perto do final do ano, enfim, foi escolhida a antiga melodia do hino soviético composta por Aleksandrov, por sugestão do próprio Putin, que lamentava o sumiço de símbolos e valores edificantes após o fim do comunismo. Após alguma discussão, as instâncias parlamentares ratificaram por ampla maioria de votos essa melodia e uma letra novamente retrabalhada por Sergei Mikhalkov, que manteve o famoso primeiro verso do refrão, “Glória à nossa Pátria livre”. O conjunto enfim foi objeto de decreto de Putin em 30 de dezembro de 2000, e os cidadãos ouviram pela primeira vez o novo hino pela televisão, na noite do Ano Novo de 2001.

Após o abandono da Canção Patriótica, ela passou a ser ironicamente conhecida pelo povo como “Canção das oligarquias” e “Canção das privatizações”, em alusão ao árduo período de pobreza e crise econômica que os russos passaram sob Ieltsin. Este, claro, na trilha de muitas críticas que começaria a fazer a seu antigo vice Putin, criticou a adoção da melodia do hino da URSS, cujos símbolos deveriam ser enterrados junto com sua tirania e opressão. Outros partidos e correntes liberais expressaram a mesma opinião, mas a população em geral aprovou, e a nova canção se tornou popular, dado que a própria melodia nunca tinha deixado de ser estimada.

Estou postando abaixo duas legendagens que fiz após traduzir o hino: uma de 2011, com imagens referentes à história, cultura e cotidiano da Rússia, e outra de 2016, apenas com a bandeira e brasões atuais, mas o texto bastante revisado e uma legenda adicional em russo, transliterando o alfabeto cirílico, pra conforto de vocês, conforme meu próprio sistema usado aqui no blog. Em 2011, provavelmente retirei o áudio do antigo site Hymn.ru, o famoso “Museu dos hinos russos”, que infelizmente está hoje fora do ar, e usei o mesmo no novo vídeo. As duas legendagens estão no meu canal O Eslavo no YouTube, e em seguida estão a letra em cirílico e a tradução:




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1. Россия – священная наша держава,
Россия – любимая наша страна.
Могучая воля, великая слава –
Твоё достоянье на все времена!

Припев:
Славься, Отечество наше свободное,
Братских народов союз вековой,
Предками данная мудрость народная!
Славься, страна! Мы гордимся тобой!

2. От южных морей до полярного края
Раскинулись наши леса и поля.
Одна ты на свете! Одна ты такая –
Хранимая Богом родная земля!

(Припев)

3. Широкий простор для мечты и для жизни
Грядущие нам открывают года.
Нам силу даёт наша верность Отчизне.
Так было, так есть и так будет всегда!

(Припев)

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1. A Rússia é nosso Estado sagrado,
A Rússia é nosso amado país.
Firme vontade e grande glória
São seu eterno patrimônio!

Refrão:
Glória à nossa Pátria livre,
União secular de povos irmãos,
Saber popular vindo de gerações!
Glória, país que é nosso orgulho!

2. Dos mares do sul ao extremo polar
Se abriram nossas matas e campos.
Você é única no mundo! Tão única,
Terra natal guardada por Deus!

(Refrão)

3. Uma imensidão ao sonho e à vida
Os anos futuros nos abrem.
Dedicar-nos à Pátria nos dá forças.
Assim foi, assim é e vai ser sempre!

(Refrão)




6 de novembro de 2016

Когда мы были на войне (URSS 80’s)


Link curto para esta postagem: fishuk.cc/navoine


Esta canção no estilo “cossaco” é muito bonita e famosa, chama-se “Когда мы были на войне” (Kogda my byli na voine), Quando estávamos na guerra, embora originalmente o autor tenha lhe dado o nome “Песенка гусара” (Pesenka gusara), Canção do hussardo. Acontece mesmo que músicas muito populares na Rússia ficam sendo conhecidas pelo primeiro verso. Ela tem letra de David Samoilov e melodia de Viktor Stoliarov, tendo os versos antes saído na coletânea poética Golosa za kholmami (Vozes atrás das colinas), com escritos de 1981 a 1985, e a melodia sido composta ainda em meados da década.

Esta interpretação é muito peculiar, pois o YouTube me indicou por acaso um vídeo russo que estava com muitas visualizações e se chamava “A menina canta bem”, sem explicações sobre a garota ou a canção na descrição. Gravaram com celular uma garota na sala de aula, aparentemente em algum colégio militar, pois ela está de farda, mas embora ela apareça de corpo inteiro, sentada numa carteira, só ocupa o centro da tela por estar o aparelho na vertical. Realmente a voz dela é muito bonita, e só decidi traduzir, legendar e postar no meu canal O Eslavo por conta disso, só tendo mudado o enquadramento do vídeo e, assim, ampliado seu rosto.

Ao longo dos anos, cada artista que cantava a música mudava a letra em algum ponto, e mesmo a versão que a menina cantou parece exclusiva dela mesma. Felizmente um site musical publicou o vídeo (mas de um envio que já foi apagado) com o texto da letra quase exatamente como ela fez, tendo a chamado “unknown milita girl”, e eu apenas fiz uns reparos baseado em outras fontes. Nesta página está o vídeo sem as legendas e com a resolução de celular, de corpo inteiro. Sinceramente, embora ela seja bonitinha, não vi necessidade de manter o corpo, mas se você faz questão de ver, ajude o youtuber original com visualizações!

Seguem abaixo minha legendagem, depois a letra em russo e a tradução em português, que considero estar fiel (embora em tradutologia o conceito de “fidelidade” seja bem relativo), mas não literal, com tamanhos de verso que procurei encurtar pra caber bem na legenda e deixar a leitura menos cansativa:


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Когда мы были на войне,
Когда мы были на войне,
Там каждый думал о своей
Любимой или о жене.

И он, конечно, думать мог,
Да он, конечно, думать мог,
Когда на трубочку глядел,
На голубой её дымок,
Когда на трубочку глядел,
На голубой её дымок.

Но он не думал ни о чём,
Да он не думал ни о чём,
Он только трубочку курил
С турецким горьким табачком,
Он только трубочку курил
С турецким горьким табачком.

А помнишь как ты всё лгала,
А помнишь как ты всё лгала,
Что сердце девичье своё
Давно другому отдала?
Ты сердце девичье своё
Давно другому отдала?

И я решил: я пули жду,
Я только верной пули жду,
Чтоб утолить печаль свою
И чтоб пресечь нашу вражду,
Чтоб утолить печаль свою
И чтоб пресечь нашу вражду.

Когда мы будем на войне,
Когда мы будем на войне,
Навстречу пулям полечу
На вороном своём коне,
Навстречу пулям полечу
На вороном своём коне.

Но, видно, смерть не для меня,
Но, видно, смерть не для меня,
И снова конь мой вороной
Меня выносит из огня,
И снова конь мой вороной
Меня выносит из огня.

Когда мы были на войне,
Когда мы были на войне,
Там каждый думал о своей
Любимой или о жене,
Там каждый думал о своей
Любимой или...
Там каждый думал о своей
Любимой или о жене.

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Quando estávamos na guerra,
Quando estávamos na guerra,
Cada um pensava na sua
Namorada ou esposa.

E ele, claro, podia pensar,
Sim, claro, ele podia pensar
Enquanto olhava o cachimbo
E sua fumaça cinza-claro,
Enquanto olhava o cachimbo
E sua fumaça cinza-claro.

Mas ele não pensava em nada,
Sim, ele não pensava em nada,
Ele só fumava seu cachimbo
Com tabaco amargo turco,
Ele só fumava seu cachimbo
Com tabaco amargo turco.

E lembra como você só mentia,
E lembra como você só mentia,
Que seu coração de donzela
Há muito entregou a outro?
Que seu coração de donzela
Há muito você deu a outro?

E eu decidi esperar uma bala,
Esperar apenas uma bala fiel
Para aliviar minha tristeza
E dar fim às nossas brigas,
Para aliviar minha tristeza
E dar fim às nossas brigas.

Quando estivermos na guerra,
Quando estivermos na guerra,
Vou voar em direção às balas
Com meu cavalo negro,
Vou voar em direção às balas
Com meu cavalo negro.

Mas acho que a morte me foge,
Mas acho que a morte me foge,
E de novo meu cavalo negro
Me arrasta fora do fogo,
E de novo meu cavalo negro
Me arrasta fora do fogo.

Quando estávamos na guerra,
Quando estávamos na guerra,
Cada um pensava na sua
Namorada ou esposa,
Cada um pensava na sua
Namorada ou...
Cada um pensava na sua
Namorada ou esposa.




2 de novembro de 2016

Propaganda da ditadura, legenda russa


Link curto para esta postagem: fishuk.cc/ditadura



No meu canal O Eslavo no YouTube, às vezes gosto de postar também coisas brasileiras legendadas em russo, e inclusive com descrição em russo do vídeo, pra que partes da população da Europa e da Ásia que não falam inglês ou outras grandes línguas possam também conhecer um pouco do nosso país. Há alguns meses, por exemplo, postei aqui canções sertanejas antigas legendadas em russo, mas essa não era uma tendência que eu desejava seguir. Meu plano maior é legendar material histórico brasileiro em russo, como discursos, entrevistas, documentários etc., e já tenho muitas ideias.

Mas enquanto não tenho tempo, vou me contentando com peças bem menores que me chegam num insight como boas sugestões de legendagem. Um dia desses, por exemplo, legendei uma curtinha propaganda em desenho da época da ditadura militar brasileira (1964-1985) que vários canais postaram em qualidades variáveis de som e imagem. Escolhi a melhorzinha e legendei em russo no Windows Movie Maker, adicionando ainda umas poucas informações (abertura e créditos). Dei ao vídeo este título: Военная диктатура в Бразилии: пропагандистская песня (1976). Em português: Ditadura militar no Brasil: canção de propaganda (1976). Na verdade, era pra eu ter colocado o ano pelo menos como “1976 г.”, com um G que indica a palavra “ano”, mas não o fiz por razões de espaço.

Quem quiser visitar a página do vídeo e ler a descrição em russo, fique à vontade! Mas pra quem ainda não tem essa habilidade, vou resumir o que escrevi aos leitores de russo. Essa foi minha terceira legendagem do português ao russo, com uma curta propaganda passada na televisão em 1976 (ano que pude determinar por algumas descrições em português) e defendendo o regime militar, que começou no Brasil em 1964 após o golpe contra João Goulart e acabou em 1985, quando o último presidente-general passou o posto a um civil.

As musiquinhas oficiais eram simples, diretas e às vezes ingênuas, tentando convencer o povo de como o regime havia levado o Brasil a um amplo crescimento econômico e à manutenção da segurança e dos valores tradicionais, especialmente contra o “perigo maior” do comunismo, representado por dois partidos ilegais (o PCB e o PC do B) e pequenos grupos armados. Essa canção se chama Este é um país que vai pra frente, que em russo se diz “Это страна, что идёт вперёд” (Eto strana, chto idiot vperiod), e no mesmo ano foi gravada também pelo grupo Os Incríveis, autor de outras peças de propaganda, das quais a mais famosa era Eu te amo, meu Brasil, em russo “Я люблю тебя, моя Бразилия” (Ia liubliu tebia, moia Brazilia), símbolo maior de como se buscava esconder a opressão ante o povo.

Fiz diversas opções particulares de versão. O adjetivo “amiga”, por exemplo, traduzi como “druzheskie” (plural, porque em russo são “pessoas”), isto é, “amistosa”, “amigável”, “pacífica”, porque em russo um adjetivo não pode ter forma de substantivo (mas pode se dar o contrário), como ocorre com “amigo(a)”. A locução adjetiva “de grande valor”, no meu dicionário português-russo, estava traduzida como “talantlivy”, ou seja, “talentoso”, e foi assim que traduzi, ao invés de verter literalmente a locução, o que daria “bolshoi tsennosti” (no caso genitivo). Traduzi o verbo “trabalhar” como “truditsia”, que é reflexivo e foca mais o esforço e a laboriosidade (em geral “labor” se verte como “trud”), e não “rabotat”, intransitivo, talvez atido à tarefa ou serviço a cumprir, ou à condição de vender sua força de trabalho em troca de salário. E enfim, “do nosso amor”, outra locução da qual não conheço equivalente em russo, traduzi como “nami liubimaia”, literalmente “amada por nós” (“Brasil” é feminino em russo).

Eu baixei o vídeo desta página, depois verti o texto pro russo e fiz a legenda. Seguem abaixo a legendagem e os textos com a letra em português e a versão em russo:


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Este é um país que vai pra frente,
Ô, ô, ô, ô, ô...
De uma gente amiga e tão contente,
Ô, ô, ô, ô, ô...
Este é um país que vai pra frente,
De um povo unido, de grande valor.
É um país que canta,
Trabalha e se agiganta,
É o Brasil do nosso amor!

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Это страна, что идёт вперёд,
О-о-о-о-о...
Дружеских и таких довольных людей,
О-о-о-о-о...
Это страна, что идёт вперёд,
Единого, талантливого народа.
Это страна, что поёт,
Трудится и увеличивается,
Это Бразилия нами любимая!

30 de outubro de 2016

Mitterrand corrige o intérprete nos EUA


Link curto para esta postagem: fishuk.cc/mitt-eua



Respeitemos os intérpretes, pois nas mais diversas e opressivas situações eles passam perrengues ao ter de traduzir oralmente na hora ou pouco depois, do modo mais fiel possível, a fala de todo tipo de pessoa, seja em formação, sotaque, importância e outras peculiaridades próprias ou sociais. Alguns confessam mesmo: as condições são tão ruins que às vezes inventam a interpretação...

Mas infelizmente isso nem sempre dá certo. O moço convidado pra exercer o trabalho na ocasião deve ter pensado que tudo correria bem por se tratar de um presidente da França, cargo cujos ocupantes raramente falam um inglês fluente, e por ser interpretação consecutiva, dando um tempo pra pensar (e certamente o velhinho não ia entender o resultado). Porém, François Mitterrand, um dos mais notáveis presidentes da República franceses, surpreendeu mais uma vez retificando uma tradução não errada, mas imprecisa.

Em 26 de março de 1984 o socialista Mitterrand continuava sua viagem oficial aos Estados Unidos e em São Francisco, Califórnia, recebeu da prefeita Dianne Feinstein a chave da cidade e a proclamação dos dias 24, 25 e 26 de março “jornadas Mitterrand”. Ele terminou seu discurso em frente à prefeitura falando uma coisa e o intérprete modificou “um pouco”, mas ele não esperava que sua imprecisão seria cutucada de forma bem-humorada!

Eu cortei apenas a parte em que há o episódio, mas o vídeo completo é uma breve reportagem televisiva francesa jogada no YouTube pelo canal Ina Politique, do Instituto Nacional do Audiovisual francês, que publica muita coisa histórica e jornalística interessante. Pra quem entende a língua, recomendo visitar bastante! Depois eu mesmo transcrevi, traduzi, legendei e postei no meu canal O Eslavo no YouTube. Antes do vídeo legendado, as falas em francês e inglês:


– J’irai le répétant... sans cesse: nous aimons le peuple américain.

– The message is simple, that we love the United States.

– United States... and... American people!