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18 de junho de 2018

“Хай живе вільна Україна” (ucraniana)


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Esta linda canção folclórica ucraniana se chama “Хай живе вільна Україна” (Khai zhyve vilna Ukraina), Que viva a Ucrânia livre, e tem letra de Mykola Shaposhnyk e melodia de Iuri Marshtupa. Há quem diga, porém, que a letra é popular, e a melodia foi composta por Petro Protsko. Eu criei duas montagens legendadas com base em áudios diferentes que achei no YouTube: um mais devagar, de um ótimo canal que tem muito mais canções folclóricas eslavas, e outro mais rápido, de um canal que tem outros materiais sobre a Ucrânia atual.

Esta composição faz parte de um conjunto que não tem tradução e se chama em ucraniano povstanski pisni, isto é, músicas que num sentido amplo são dedicadas às lutas ucranianas de libertação nacional na primeira metade do século 20. Em sentido estrito, fazem parte do repertório do Exército Insurgente Ucraniano, força paramilitar fundada em 1942, de caráter nacionalista, que lutou contra soviéticos, nazistas, tchecos e poloneses, cometendo muitas atrocidades até 1954. Muitas das canções, como esta, são de caráter cossaco, e também eram cantadas pelos insurretos. Infelizmente, são associadas a banderistas e extremistas de então e da Ucrânia atual, mas nas montagens inseri figuras que fizessem associação neutra à cultura ucraniana.

Como diversas músicas populares, há variações na letra, e pra esta mesma são conhecidas outras estrofes, mas não as pesquisei, nem procurei áudios equivalentes. A primeira versão mais lenta é a mais conhecida e reproduzida, enquanto a segunda mais rápida se difere em apenas alguns versos ou inserção de palavras. Há muitos termos históricos que vale a pena explicar. “Tsarehrad”, nome arcaico que existe em russo e outras línguas eslavas, designava a cidade de Constantinopla, a capital do Império Bizantino, e depois do Império Otomano. Ela só seria renomeada Istambul em 1930, quando já tinha sido instaurada a república. Busurman ou busurmanin, em russo basurman, designava um estrangeiro ou inimigo em geral, sobretudo muçulmano, com quem o Império Russo sempre travou inúmeras guerras. Não se admirem com as penas capitais: pendurar alguém num gancho (pelas costelas), queimar vivo amarrado num pau (como na Inquisição) ou fritar com piche (algo repetido pelo Estado Islâmico).

Atenção ainda ao significado figurado de bilenky, diminutivo de bily (branco), indicando algo bom, gracioso, terno, agradável. A canção deve datar mais ou menos do século 20 mesmo, no máximo (se é mesmo popular) do século 19, por isso a tradução foi bem fácil, e a pronúncia, próxima do padrão, está bem clara. Um dos prováveis autores da melodia é Petro Mykolaiovych Protsko (n. 1929), regente do Coral Popular de Chernihiv de 1984 a 1986. Detém a condecoração de Artista de Honra da Ucrânia. Mas é mais certo que os autores sejam Mykola Danylovych Shaposhnyk (1934-2009, letra), escritor, jornalista e compositor, e Iuri Vasyliovych Marshtupa (n. 1951 ou 1952, melodia), famoso com seu irmão Vasyl pela difusão e preservação da cultura cossaca. Estes dois artistas são da cidade ucraniana de Cherkasy. No primeiro vídeo, quem está cantando e tocando é o conjunto Lvivski Muzyky, mas no segundo não foi possível identificar.

Eu copiei a letra ucraniana desta página, mas no vídeo original com a segunda versão, um comentarista apontou as mudanças, bem como transcreveu a fala inserida no meio. Eu mesmo traduzi direto do ucraniano, montei os vídeos e legendei. Coloquei legendas bilíngues, com a parte ucraniana transliterada conforme meu próprio sistema, pra conforto de vocês: vejam os vídeos duas vezes, lendo uma língua de cada vez! Seguem abaixo as duas legendagens, que postei no canal Eslavo (YouTube), a letra em alfabeto cirílico e a tradução. As palavras inseridas na segunda versão, assim como os versos diferentes, estão entre colchetes, e ao final está o trecho falado no segundo áudio:




____________________


1. Як у Цареграді, славних козаченьків,
Вражі бусурмани, вішали на гак.
Глянувши востаннє на цей світ біленький,
У смертну годину козак мовив так:
[В останню хвилину козак мовив так:]

Приспів:
Хай живе, [хай] живе вільна Україна.
Хай живуть, [хай] живуть вічно козаки.
Хай цвіте, хай цвіте червона калина.
Нехай згинуть воріженьки на вічні віки.
Нехай згинуть воріженьки на вічні віки.

2. Як вороги кляті нас на кіл саджали,
Як живцем палили, у смолі пекли,
Козаки у ката життя не благали
Про долю країни думи їх були.
[Про долю Вкраїни думи їх були.]

(Приспів)

3. Хто живе на світі і хто жити буде,
Хто шляхи козацькі буде ще топтать,
Щоб буяла воля, щоб раділи люди, –
Дай, Бог, їм востаннє ці слова сказать:
[Дай, Бог, їм востаннє нам слово сказать:]

(Приспів)

Хай ніколи не побачить сонця той, хто зрадив Батьківщину, як Каїну, першому вбивці на землі, ніколи не було, нема і не буде прощення. Хай так і не буде прощення тим, хто заради лакомства проклятого, вбив у серці своїм волелюбний дух народу нашого, відцурався віри християнської!

____________________


1. Quando em Constantinopla os inimigos muçulmanos
Penduravam em ganchos os gloriosos cossaquinhos,
Olhando pela última vez para esse mundinho bom
Na hora de morrer um cossaco falava assim:
[No minuto derradeiro um cossaco falava assim:]

Refrão:
Que viva, que viva a Ucrânia livre.
Que vivam, que vivam os cossacos para sempre.
Que floresça, floresça o viburno vermelho.
Que a corja inimiga pereça para a eternidade.
Que a corja inimiga pereça para a eternidade.

2. Quando malditos inimigos nos botavam em estacas,
Nos queimavam vivos, nos fritavam no piche,
Os cossacos não pediam ao carrasco pela vida,
Mas estavam pensando no destino de seu país.
[Mas estavam pensando no destino da Ucrânia.]

(Refrão)

3. A quem já está nascido, a quem virá ao mundo,
A quem ainda vai traçar as trilhas dos cossacos,
Pela liberdade vigorosa, pela felicidade do povo,
Deus permita exclamar estas últimas palavras:
[Deus permita exclamar a última palavra a nós:]

(Refrão)

Que nunca veja o Sol quem trair a Pátria, como Caim, o primeiro assassino da Terra, nunca teve, tem ou terá perdão. E que também não tenha perdão quem, por maldita avareza, matou em seu coração o espírito libertário de nosso povo e renegou a fé cristã!




16 de junho de 2018

Hino Nacional da Suíça: versão de 2015


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Pesquisando sobre o hino nacional do primeiro adversário que o Brasil terá na Copa do Mundo na Rússia, descobri um fato interessante. Em 2014 promoveu-se na Suíça um concurso pra escolher uma nova letra do hino nacional, porque dizia-se que o velho texto era muito pesado e não correspondia mais à atual realidade do país. O hino nacional se chama O Salmo Suíço ou O Cântico Suíço, e escrito pela primeira vez em alemão (Schweizerpsalm), foi traduzido pros outros três idiomas nacionais, poeticamente: francês (Cantique suisse), italiano (Salmo svizzero) e romanche (Psalm svizzer).

Em 1841, O Salmo Suíço foi composto por Alberich Zwyssig (melodia) e Leonhard Widmer (letra em alemão), inicialmente como um hino eclesiástico. Cantado frequentemente em acontecimentos patrióticos, o Conselho Federal da Suíça (a presidência coletiva) sempre evitou, porém, adotá-lo como hino nacional. Para tanto, existia a canção Rufst du, mein Vaterland, escrita em 1811 e adotada oficialmente nos anos 1850, com a melodia de God Save the Queen. Em 1961, esse hino foi provisoriamente substituído pelo Salmo Suíço, mas apenas em 1981 a situação se oficializou. Em épocas diferentes, foram acrescentadas a letra francesa (Charles Chatelanat), italiana (Camillo Valsangiacomo) e romanche (Flurin Camathias).

A letra original nunca se tornou plenamente popular e faz menção à natureza, Deus, piedade e bênçãos. Das várias tentativas de mudar a letra, considerando sobretudo que a Suíça estava se tornando um país irreligioso, a que mais foi pra frente foi lançada em 2014 pela Sociedade Suíça de Utilidade Pública. Ela recebeu muitas letras, até que em 2015 foi enfim escolhido o poema em alemão de Werner Widmer, economista originário de Zurique. Trata-se apenas de uma estrofe, e foi traduzida pras outras três línguas nacionais. O conjunto em quatro idiomas formaria o hino total, mas foi feita também uma “estrofe federal” ou “estrofe suíça”, misturando as quatro línguas, que seria adicionada à versão atual ou cantada como versão resumida. Mesmo essa novidade, contudo, foi recebida com indiferença numa Suíça avessa a símbolos patrioteiros, e nem o governo até agora chegou a oficializar as novas letras. Porém, um canal do YouTube foi todo dedicado à difusão do concurso e das versões que iam vencendo.

As vencedoras estão em vídeos gravados pelo Coral Suíço de Jovens, com as quatro versões e a letra poliglota. Eu mesmo traduzi direto das quatro línguas oficiais da Suíça, usando pro romanche dois dicionários em alemão e em francês. Também montei o primeiro vídeo com o áudio da “estrofe federal”, com os versos em alemão (1 a 3), francês (4 e 5), romanche (6 e 7) e italiano (8 e 9); e o segundo vídeo com os áudios nas quatro línguas na ordem em que são mais faladas: alemão, francês, italiano e romanche. Legendei ainda em português, e vocês podem ver cada vídeo duas vezes, lendo uma legenda de cada vez!

Eu achei o texto francês sem sintonia com a melodia, e o italiano sem criatividade. Mas vocês mesmos podem julgar, tendo abaixo as duas legendagens postadas no meu canal Eslavo (YouTube), as letras em cada língua (primeiro a “estrofe federal”) e as traduções em português:




____________________


Weisses Kreuz auf rotem Grund,
unser Zeichen für den Bund:
Freiheit, Unabhängigkeit, Frieden.
Ouvrons notre cœur à l’équité
et respectons nos diversités.
Per mintgin la libertad
e per tuts la gistadad.
La bandiera svizzera,
segno della nostra libertà.

Alemão:
Weisses Kreuz auf rotem Grund,
unser Zeichen für den Bund:
Freiheit, Unabhängigkeit, Frieden.
Offen für die Welt, in der wir leben,
lasst uns nach Gerechtigkeit streben!
Frei, wer seine Freiheit nützt,
stark ein Volk, das Schwache stützt.
Weisses Kreuz auf rotem Grund,
unser Zeichen für den Schweizer Bund.

Francês:
Sur fond rouge la croix blanche,
symbole de notre alliance,
signe de paix et d’indépendance.
Ouvrons notre cœur à l’équité
et respectons nos diversités.
À chacun la liberté
dans la solidarité.
Notre drapeau suisse déployé,
symbole de paix et de liberté.

Italiano:
Croce bianca: unità,
campo rosso: libertà,
simboli di pace e d’equità.
Forti se aiutiamo i deboli,
servi della libertà, liberi.
Siamo aperti al mondo,
siamo aperti al sogno:
La bandiera svizzera,
segno della nostra libertà.

Romanche:
Sin fund cotschen ina crusch,
Svizr’unida, ferma vusch.
Pasch, independenza e libertad.
Ferm in pievel che dat grond sustegn
a tut ils umans che han basegn.
Per mintgin la libertad
e per tuts la gistadad.
Sin fund cotschen ina crusch,
Svizr’unida cun ferma vusch.

____________________


Estrofe federal:
Cruz branca em fundo vermelho,
Nosso signo para a Confederação:
Liberdade, independência e paz.
Abramos os corações à equidade,
Respeitemos nossas diversidades.
Para cada um a liberdade
E para todos a justiça.
A bandeira suíça é
Signo de nossa liberdade.

Alemão:
Cruz branca em fundo vermelho,
Nosso signo para a Confederação:
Liberdade, independência e paz.
Abertos ao mundo que habitamos,
Batalhemos todos pela justiça!
Livre é quem desfruta a liberdade,
Povo forte é o que sustém o fraco.
Cruz branca em fundo vermelho,
O signo para nossa Suíça Federal.

Francês:
Cruz branca em fundo vermelho,
Símbolo de nossa aliança,
Signo de paz e independência.
Abramos os corações à equidade,
Respeitemos nossas diversidades.
A cada um a liberdade
Dentro da solidariedade.
Nossa bandeira suíça desfraldada,
Símbolo de paz e de liberdade.

Italiano:
A cruz branca é unidade,
O fundo vermelho, liberdade,
Símbolos de paz e equidade.
Fortes se ajudamos os fracos,
Livres se servimos a liberdade.
Somos abertos ao mundo,
Somos abertos ao sonho:
A bandeira da Suíça é
Signo de nossa liberdade.

Romanche:
Uma cruz sobre fundo vermelho,
Suíça unida com voz alta.
Paz, independência e liberdade.
Povo forte que dá grande apoio
A todas as pessoas que precisam.
Para cada um a liberdade
E para todos a justiça.
Uma cruz sobre fundo vermelho,
A Suíça unida tem voz alta.




14 de junho de 2018

O rito da posse de Vladimir Putin (2018)


Link curto para esta postagem: fishuk.cc/putin2018




O vídeo sem legendas de mais de 52 minutos lançado em 7 de maio por uma emissora de TV russa, com o cerimonial completo da posse de Vladimir Putin em seu quarto mandato como Presidente da Rússia, rendeu tanto material que resolvi dividir as postagens. Na primeira parte, a condução dos principais símbolos presidenciais ao palco e a chegada das principais autoridades do Estado russo; na segunda, a filmagem da ida direta de Putin a partir de seu gabinete até a cerimônia de posse, andando a pé pelos corredores do palácio executivo, depois pegando um carro e andando de novo no palácio cerimonial; na terceira, a rápida parada militar cerimonial, em honra do “novo” governo, feita pela Guarda Presidencial dentro das muralhas do Kremlin; na quarta (por ordem de upload, não de filmagem), Putin sai da tribuna após a parada militar em honra de sua posse e vai cumprimentar um seleto grupo de jovens espectadores.

A cerimônia de posse se deu dentro do complexo da fortaleza do Kremlin, onde além de muitas igrejas, encontram-se os principais prédios, palacianos ou não, da administração nacional. O edifício em questão é o Grande Palácio do Kremlin, que o presidente usa como residência principal e espaço de recepções estatais e diplomáticas e de cerimônias oficiais. Segundo o ritual estabelecido em 2000, passam primeiramente pelos salões Georgiev e Aleksandrov soldados da Guarda Presidencial, até o Salão Andreiev, onde se dá a solenidade. Trazem a bandeira nacional e o estandarte presidencial da Rússia, e depois um exemplar da Constituição de 1993 e a insígnia presidencial (como a faixa brasileira e o bastão argentino). Após subirem ao palco os presidentes do Conselho da Federação, da Duma Estatal e do Tribunal Constitucional, entra o presidente eleito, ingressando pelo Portão do Salvador e subindo a escada principal ao som da marcha “Наш президент” (Nosso Presidente) de P. Ovsiannik. Após a primeira batida do carrilhão do Kremlin ao meio-dia, ele passa pelos mesmos referidos salões, sob a Marcha da Coroação de Chaikovski.

Estavam presentes a presidenta do Conselho da Federação, Valentina Ivanovna Matvienko, o presidente da Duma Estatal, Viacheslav Viktorovich Volodin, e o presidente do Tribunal Constitucional da Federação Russa, Valeri Dmitrievich Zorkin. A Assembleia Federal equivale ao Congresso Nacional do Brasil, e tem duas câmaras, com processos diferentes de eleição: a alta, o Conselho da Federação, equivalente ao nosso Senado Federal, e a baixa, a Duma Estatal, equivalente à Câmara dos Deputados. O Tribunal Constitucional, na maioria dos países, como Portugal, equivale ao Supremo Tribunal Federal brasileiro. É como reunirem agora no Brasil o senador Eunício de Oliveira, o deputado Rodrigo Maia e a ministra Cármen Lúcia.

Postei à parte o trecho após a posse com o Hino Nacional da Rússia, que vocês já conhecem bem, e vou traduzir e legendar em breve o discurso de posse, que vem logo depois. Achei inútil e uma perda de tempo transcrever a fala dos repórteres pelo YouTube ou legendá-la, porque explicam apenas a maior parte do que escrevi acima e não acrescentam nada de mais às lindíssimas imagens, que podem ser entendidas e desfrutadas independente de se conhecer ou não a língua russa. Eu mesmo traduzi direto do russo, legendei e recortei as cenas, e elas seguem abaixo, com as explicações necessárias e, se for o caso, a transcrição dos diálogos e sua tradução em português. Todos os vídeos estão no meu canal Eslavo (YouTube):



No segundo vídeo, talvez o mais interessante do conjunto, algumas imagens jamais foram mostradas ou traduzidas na videosfera brasileira ou portuguesa. Vemos a ida de Putin do gabinete até a entrada do Palácio do Senado, onde ele está localizado, e a entrada no carro pra um cortejo que o conduzirá até o Grande Palácio, tudo dentro das muralhas do Kremlin. Eu suprimi esse cortejo, que nada de importante adicionava. Temos então a entrada pelo Portão do Salvador, a subida das escadas, a travessia dos três palácios, o juramento presidido por Zorkin (no cargo desde 2003), a execução do hino nacional, o discurso de posse e a saída pra parada militar solene.

Todos os prédios do Kremlin foram internamente restaurados pro seu estilo original entre 1994 e 1999. Embora literalmente se trate de “Regimento Presidencial” ou “Regimento do Kremlin”, traduzi como “Guarda Presidencial” pra ficar mais claro. Se vocês notarem bem, a Marcha da Coroação também é tocada no início da gravação oficial do último discurso público de Stalin. Ao fim da cerimônia, nota-se também bem na primeira fila Gerhard Schröder, antecessor de Angela Merkel, cumprimentado por Putin. Leia os textos cerimoniais em russo:

Major Khlebnikov: Товарищ Президент Российской Федерации. Комендант Московского Кремля генерал-майор Хлебников. Здравия желаю!

Camarada Presidente da Federação Russa. O comandante do Kremlin de Moscou, major-general Khlebnikov. Desejo saúde! (Zdravie é uma forma antiga de zdorovie = saúde.)

Juiz Zorkin: В соответствии с частью первой статьи 82-й Конституции Российской Федерации при вступлении в должность президент Российской Федерации приносит присягу, утверждённую Конституцией Российской Федерации. Уважаемый Владимир Владимирович, прошу Вас принести присягу.

Em respeito ao parágrafo 1 do artigo 82 da Constituição da Federação Russa, ao tomar posse o presidente da Federação Russa presta o juramento estabelecido pelo texto constitucional. Estimado Vladimir Vladimirovich, peço-lhe que preste o juramento.

O texto lido por Putin está fixado na Constituição de 1993:

«Клянусь при осуществлении полномочий президента Российской Федерации уважать и охранять права и свободы человека и гражданина, соблюдать и защищать Конституцию Российской Федерации, защищать суверенитет и независимость, безопасность и целостность государства, верно служить народу».

“Eu juro, ao exercer o mandato de presidente da Federação Russa, manter e respeitar os direitos e liberdades da pessoa e do cidadão, observar e defender a Constituição da Federação Russa, defender a soberania e a independência, a segurança e a integridade do Estado, servir fielmente ao povo.”

Locutor ao final: Владимир Владимирович Путин вступил в должность президента России. (Vladimir Vladimirovich Putin tomou posse como presidente da Rússia.)



Na terceira etapa, Putin simplesmente se retira da sala em que foi empossado, percorre mais alguns corredores e aparece, por outra porta, diante do público. Como vocês podem ver, a semelhança da Guarda Presidencial é muito mais com tropas do exército do que com corpos policiais. Ao iniciar-se a cerimônia, o atual comandante da guarda, coronel O. P. Galkin, dirige-se ao presidente Putin:

Товарищ президент Российской Федерации, Президентский полк в честь вступления в должность президента Российской Федерации построен. Командир Президентского полка, полковник Галкин.

Camarada presidente da Federação Russa, a Guarda Presidencial, em honra da posse no cargo de presidente da Federação Russa, está em formação. O comandante da Guarda Presidencial, coronel Galkin.

Em seguida, o chefe de Estado saúda as tropas:

Здравствуйте, товарищи! Поздравляю с 82-й годовщиной со дня образования полка. (Salve, camaradas! Felicito-os pelos 82 anos de fundação da guarda.)

Elas respondem com o famoso «Ура, ура, ураааа!» (Urá, urá, uráááá!)



No quarto vídeo com a “média entre os jovens”, percebe-se como o público parece bem escolhido e aprovado, com Putin indo procurá-lo naturalmente, sem qualquer receio asséptico. As falas deles também parecem bem ensaiadas, e tratam essencialmente de agradecimentos quanto a visitas ou presenças em determinadas áreas geográficas ou de atuação social. Infelizmente, as falas são muito cortadas, e algumas têm partes inaudíveis, por isso pus apenas as imagens sem legendas. No final, algumas garotas pedem pra que ele entre numa foto coletiva.

Em meu canal do YouTube, este vídeo está aberto à contribuição com legendas livres. Por isso, quem entende muito mais russo do que eu, ou quem pode pedir que uma russa ou russo transcreva e/ou traduza as falas, faça isso por mim, por favor:



12 de junho de 2018

Coral do Ministério do Interior – “Конь”


Link curto para esta postagem: fishuk.cc/kon-cavalo


Esta canção, embora remeta mais ao nacionalismo russo do que à vitória na 2.ª Guerra Mundial, não deixa de ser uma homenagem aos bravos soldados do Exército Vermelho e outros defensores da pátria. Trata-se de “Конь” (Kon), O cavalo ou apenas Cavalo, composta por Aleksandr Alekseievich Shaganov (n. 1965, letra) e Igor Igorevich Matvienko (notável ativista pró-Putin, n. 1960, melodia) em 1994, especialmente pra execução da banda Liubé. O vídeo sem legendas, gravado em fevereiro de 2014 (eu errei a data na legendagem!) nos estúdios da rádio Vesna FM, é uma apresentação do coral das antigas Tropas Internas do Ministério do Interior.

A canção O cavalo se tornou extremamente popular na Rússia e virou inclusive patrimônio de culturas familiares. Inicialmente tinha sido destinada a um outro projeto, mas na última hora decidiu-se destiná-la à gravação pela banda, com Shaganov refazendo a letra pra esse fim específico. Ela integra a trilha sonora de um filme chamado Zona Liubé, produzido por Dmitri Zolotukhin também em 1994, e cujo nome é o mesmo do álbum que comporta a faixa. O clipe da música, inclusive, é o trecho exato em que ela aparece no filme. Segundo uma pesquisa, a popularidade de seus versos ultrapassa até mesmo a do hino da antiga URSS, e muitos até consideram O cavalo um tipo de hino não oficial da Rússia.

Os temas do campo (sobretudo de cereais), da aurora, do cavalo e de seu companheirismo com o homem formam parte da lírica russa mais geral, que inclusive inspirou a canção do Liube por meio de versos poéticos tradicionais. O fato de ter sido aí executada pelo Coral do Ministério do Interior (ou Coral do MVD) só reforça o conservadorismo da peça. As Tropas Internas do Ministério do Interior da Federação Russa tiveram um papel paramilitar de forças policiais de 1811 a 2016, quando Vladimir Putin as incluiu na recém-formada Guarda Nacional da Rússia (Rosgvardia), uma das integrantes da segurança nacional. Lembremos que o Ministério do Interior, chamado GPU, OGPU, NKVD e MVD nos tempos soviéticos, era então responsável pela repressão política, e dele surgiu o KGB, Comitê para Segurança Estatal.

A partir da página com a letra completa, eu mesmo traduzi direto do russo e legendei o vídeo. A letra russa também pode ser lida abaixo, tal como é cantada pelo coral, junto com a legendagem que postei no meu canal Eslavo (YouTube) e a tradução em português:


____________________


Выйду ночью в поле с конём,
Ночкой тёмной тихо пойдём.
Мы пойдём с конём по полю вдвоём,
Мы пойдём с конём по полю вдвоём.

Ночью в поле звёзд благодать...
В поле никого не видать.
Только мы с конём по полю идём,
Только мы с конём по полю идём.

Сяду я верхом на коня,
Ты неси по полю меня.
По бескрайнему полю моему,
По бескрайнему полю моему.

Дай-ка я разок посмотрю –
Где рождает поле зарю.
Аль брусничный цвет, алый да рассвет,
Али есть то место, али его нет.

Полюшко моё, родники,
Дальних деревень огоньки,
Золотая рожь да кудрявый лён –
Я влюблён в тебя, Россия, влюблён.

Будет добрым год-хлебород,
Было всяко, всяко пройдёт.
Пой, златая рожь, пой кудрявый лён,
Пой о том, как я в Россию влюблён!
Пой, златая рожь, пой кудрявый лён...
Мы идём с конём по полю вдвоём...

____________________


Vou sair à noite no campo com o cavalo,
Pela noite escura vamos em silêncio.
Vou andar pelo campo junto com o cavalo,
Vou andar pelo campo junto com o cavalo.

As estrelas são a bênção da noite no campo...
Não se enxerga ninguém no campo.
Apenas o cavalo e eu andamos pelo campo,
Apenas o cavalo e eu andamos pelo campo.

Vou montar em cima do cavalo,
Leve-me cavalgando pelo campo.
Através do meu campo ilimitado,
Através do meu campo ilimitado.

Acho que só vou olhar uma vez
Onde o campo dá à luz a aurora.
Se há a luz vermelha do amanhecer escarlate,
Se esse lugar existe ou não existe.

Meu campozinho, as nascentes,
As centelhas dos povoados distantes,
O centeio dourado e o linho frondoso,
Me apaixonei por você, Rússia, apaixonei.

Será um ano rico no cultivo de cereais,
Tudo deu certo, tudo vai dar certo.
Cante, centeio dourado, cante, linho frondoso,
Cante sobre como me apaixonei pela Rússia!
Cante, centeio dourado, cante, linho frondoso...
Cavalgo pelo campo junto com o cavalo...




10 de junho de 2018

Exército Vermelho – “В путь!” (Vamos!)


Link curto para esta postagem: fishuk.cc/vput-vamos


Esta foi minha primeira contribuição em 2018 pra lembrar o Dia da Vitória dos exércitos aliados sobre o eixo nazifascista na 2.ª Guerra Mundial, em 9 de maio de 1945. Os soviéticos, e depois os russos, bielo-russos e ucranianos (estes passando a se alinhar com o Ocidente em 2014), comemoram a vitória no dia 9, e não 8, como o resto da Europa, porque no fuso horário de Moscou, a notícia do fim da guerra chegou no “dia seguinte”.

Esta canção me foi pedida há muito tempo sob o título inglês Let’s go!, mas só há algum tempo eu pesquisei e traduzi. Eu já conhecia a bonita versão instrumental, mas descobri que em russo essa marcha se chama “В путь!” (V put!), literalmente “Para o caminho!”, “Rumo ao caminho!”, “Tomar caminho!”. Dentro da música, resolvi traduzir mesmo como em inglês: Vamos! Esta apresentação foi feita pelo Coral Aleksandrov do Exército Russo (antigo Coral do Exército Vermelho) no Palácio Estatal do Kremlin, em 23 de fevereiro de 2016, por ocasião do Dia dos Defensores da Pátria. Antiga sede dos congressos do PC soviético, o palácio hoje é usado, sobretudo, como teatro.

Ela foi composta em 1954 pelo poeta, tradutor, jornalista e correspondente de guerra Mikhail Aleksandrovich Dudin (1916-1993, letra) e pelo compositor Vasili Pavlovich Soloviov-Sedoi (1907-1979, melodia). Integrou a trilha sonora do filme Maksim Perepelitsa (1955), comédia falada em russo e ucraniano que fala de um jovem atrapalhado em seu vilarejo natal, mas com habilidades inventivas demonstradas no serviço militar. A música se tornou, por isso, a mais popular nos quartéis do Exército Vermelho e rendeu a Soloviov-Sedoi o Prêmio Lenin (antigo Prêmio Stalin) em 1959.

Eu mesmo traduzi direto do russo e legendei, tirando ainda umas pequenas bordas pretas. Na própria descrição do vídeo sem legendas está a letra integral da canção, mas o coral não canta a última estrofe. Ela também segue abaixo, junto com a legendagem que postei no meu canal Eslavo (YouTube) e a tradução em português:


____________________


1. Путь далёк у нас с тобою,
Веселей, солдат, гляди!
Вьётся, вьётся знамя полковое,
Командиры впереди.

Припев:
Солдаты – в путь, в путь, в путь!
А для тебя, родная,
Есть почта полевая.
Прощай, труба зовёт!
Солдаты – в поход!

2. Каждый воин - парень бравый,
Смотрит соколом в строю.
Породни-роднились мы со славой,
Славу добыли в бою.

(Припев)

3. И теперь для нас настали
Дни учёбы, дни труда
Чтоб потом спокойно расцветали,
Наши сёла, города.

(Припев)

4. Пусть враги запомнят это –
Не грозим, а говорим:
Мы прошли, прошли с тобой полсвета.
Если надо – повторим.

(Припев 2x)

____________________


1. Caminho longo o meu e seu,
Alegre-se, soldado, olhe!
Tremula a bandeira do regimento,
Os comandantes vão à frente.

Refrão:
Soldados, vamos, vamos, vamos!
E para você, querida,
Tem o correio militar,
Adeus, o clarim chama!
Marchemos, soldados!

2. Cada lutador é um cara bravo,
Olha como falcão enfileirado.
Somos aparentados à glória,
Nós a conquistamos lutando.

(Refrão)

3. E agora começaram para nós
Dias de estudo, dias de trabalho
Para depois florescerem em paz
Nossas aldeias e cidades.

(Refrão)

4. Que os inimigos lembrem isto,
Não ameaçamos, mas dizemos:
Eu e você cruzamos meio mundo
E se preciso, fazemos de novo.

(Refrão 2x)




8 de junho de 2018

“Passarinho quer dançar”: Gugu e SBT


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Muito por acaso, encontrei uma canção eslovena que tinha a mesma melodia do Baile dos passarinhos (“Passarinho quer dançar, o rabicho balançar...”), conhecida na voz do apresentador Gugu Liberato (canal SBT) entre os anos 80 e 90. Quem era então criança, como eu, vai lembrar. Pesquisando melhor, descobri que era uma antiga melodia alemã tocada nas Oktoberfests, composta nos anos 50 pelo alemão Werner Thomas. O nome original era Der Ententanz (A dança dos patos), mas nos anos 70 passou a ser conhecida como Vogeltanz (A dança do pássaro) ou Vogerltanz (A dança do passarinho). Apesar de vários músicos a terem gravado e até escrito algumas letras, nada disso fez grande sucesso, nem mesmo nos EUA.

Somente em 1980, o conjunto holandês De Electronica’s regravou a melodia com o nome De Vogeltjesdans (A dança dos passarinhos), que se tornou um baita hit no Ocidente, sendo gravada em muitos países, com diversos títulos e, agora, letras. Mas mesmo uma primeira letra em holandês não emplacou. Na própria Alemanha, o cantor Frank Zander gravou sua própria versão (com letra dele, mais Terry Rendall e Renee Marcard) em 1981, reintitulada Ja, wenn wir alle Englein wären (Sim, se fôssemos todos anjinhos), num álbum assinado como “Fred Sonnenschein und seine Freunde (e seus amigos)”. Essa música se tornou um dos hits mais famosos e tocados da história da Alemanha, e o vídeo sem legendas, que está no canal do próprio cantor, foi gravado na transmissão de 17 de novembro de 1996 do programa Musik liegt in der Luft, apresentado por Dieter Thomas Heck de 1991 a 1998.

Frank Kurt Zander é cantor, ator, apresentador, músico e compositor e alemão nascido em 1942. Louco por futebol, começou sua carreira como vocalista e guitarrista de uma banda, mas nos anos 70 entrou na carreira solo. A referida dança, que também foi apresentada por Gugu, é uma brincadeira de Oktoberfest chamada “Kükentanz” (Dança da galinha), e tem uma coreografia específica, como vocês podem ver num vídeo caseiro. Em vários países, o título recebe o nome de aves diversas: pato, pássaro, galinha etc., e como nosso apresentador é especialista em aves de duplo sentido... A versão brasileira, segundo vi num vídeo, foi escrita por Edgard Poças, mas Roberto Leal também tem uma letra portuguesa, igualmente um hit da nostalgia infantil.

Fico pensando como as crianças digeriam uma letra tão “politicamente incorreta”, o que também ocorria no Brasil, onde nos anos 80 Gretchen chegava a rebolar e “gemer” (embora com mais roupa) no programa da Mara Maravilha. A versão de Zander nos transmite a interessante mensagem de que não podemos ser certinhos o tempo todo, embora, claro, sejam apenas traquinagens leves, e não crimes. Mais ou menos como se diz que temos de forma complementar “vícios e virtudes”. A antiga dupla austríaca Franz & Ferdl também fez sua própria versão. Eu mesmo traduzi direto do texto alemão, cortei o quadro e legendei. Seguem abaixo a legendagem, que postei no canal Eslavo (versão reserva do Vimeo), a letra em alemão e a tradução em português:


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(Shh, seid doch mal ruhig,
Onkel Fred hat uns was wichtiges zu erzählen...)

1. Gestern Abend im Verein
Trank ich zu viel roten Wein
(Hättst du das bloß nicht gemacht, hahahaha)
Das Theater das war groß,
Fiel der Wirtin auf den Schoß
(Doch der Wirt hat nicht gelacht, hohohoho)
Mann, ich war total im Tran,
Und kam nie zu Hause an
(Und wo warst du über Nacht-Nacht-Nacht-Nacht-Nacht?)
Wachte auf im fremden Bett,
Doch das fand man gar nicht nett
(Wer hätte das von dir gedacht, hahahaha).

Refrain:
Ja, wenn wir alle Englein wären,
Dann wär die Welt nur halb so schön.
Wenn wir nur auf die Tugend schwören,
Dann könnten wir doch gleich schlafen gehn.

2. Mit Diät und Dauertrab
Nahm ich sieben Kilo ab
(Hättst du das bloß nicht gemacht, hahahaha)
Ich trank nur noch Selta pur,
Kannte jede Schlankheitskur
(Was hast du dir dabei gedacht? Hohohoho)
Doch dann kam Besuch aus Bonn,
Ich träum heute noch davon
(Hättst du bloß nicht aufgemacht, hahahaha)
Jeden Abend Riesenschmaus,
Keinen Nachtisch ließ ich aus
Und der Bauch kam wieder raus,
(Hahahaha) Ja.

(Refrain)

3. Auf der Reise nach Paris
Ging es mir im Flugzeug mies
(Hättst du bloß auf mich gehört! Hihihihi)
Und die Blonde Stewardess
Hatte meinetwegen Stress
(Und bestimmt auch umgekehrt. Hohohoho)
Ich war so dankbar und galant
Und bat sie um ihre Hand
(Das war ganz und gar verkehrt hahahaha)
Doch dann vor dem Traualtar
War sie plötzlich nicht mehr da
Nahm den ersten besten Flug nach Kanada.

(Refrain)

Ja, wenn wir alle Englein wären,
Dann wär die Welt nur halb so schön.
Wenn wir nur auf die Tugend schwören,
Dann könnten wir doch schlafen gehn.

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(Shiu, sem barulho!
Tio Fred tem que falar uma coisa...)

1. Essa noite no clube
Bebi muito vinho tinto
(Você não faria só isso, ha ha ha ha)
Paguei um baita mico,
Caí no colo da dona
(Mas o dono não gostou, ho ho ho ho)
Meu, tava tão bêbado
Que nem achei minha casa
(E onde passou a noite-te-te-te-te?)
Acordei em cama estranha,
Isso não é nada bom
(Quem te viu, quem te vê, ha ha ha ha).

Refrão:
Se fôssemos todos anjinhos,
O mundo só seria meio legal.
Se vivêssemos só na virtude,
Só saberíamos deitar e dormir.

2. Com dieta e corrida
Emagreci sete quilos
(Você não faria só isso, ha ha ha ha)
Só bebia água com gás,
Conhecia cada dieta
(O que você se pretendia? Ho ho ho ho)
Mas saí de Bonn em visita,
Hoje sonho só com isso
(Você não teria só partido, ha ha ha ha)
Cada noite um banquete,
Comi todas sobremesas
E a pança ressuscitou
(Ha ha ha ha) Sim.

(Refrão)

3. Voando para Paris
Não gostei do avião
(Você ia ter me ouvido! Hi hi hi hi)
E a aeromoça loira
Se estressou comigo
(Mas também vice-versa. Ho ho ho ho)
Fui tão grato e gentil
E pedi-lhe sua mão
(Algo totalmente errado, ha ha ha ha)
Mas da frente do altar
Ela sumiu de repente,
Pegou o primeiro voo ao Canadá.

(Refrão 2x)




6 de junho de 2018

A Marcha dos Defensores de Moscou


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Esta é uma linda canção militar chamada “Марш защитников Москвы” (Marsh zaschitnikov Moskvy), a Marcha dos defensores de Moscou composta em 1942 pelo poeta e escritor Aleksei Surkov (letra) e pelo músico e instrumentista Boris Mokrousov (melodia). Pra comemorar a vitória aliada na 2.ª Guerra Mundial, postei este ano no canal Eslavo (YouTube) duas versões desta música que foi feita em pleno conflito, como parte da mobilização ideológica da população. A defesa de Moscou contra o cerco nazista foi uma das batalhas mais heroicas já registradas na história humana. O primeiro áudio foi gravado pelo célebre Coral Aleksandrov do Exército Vermelho, mas não tenho certeza quanto ao ano, e a montagem com imagens de documentário foi feita por este youtuber. O segundo áudio foi feito pro documentário A derrota das tropas alemãs em torno de Moscou, lançado no início de 1942, e a montagem com imagens de época foi feita por este youtuber.

O poema foi publicado pela primeira vez na edição de 3 de novembro de 1941 da Krasnoarmeiskaia pravda, jornal do Front Ocidental do Exército Vermelho, e depois de uma semana também apareceu na Vecherniaia Moskva. Foi deste periódico que tiraram a canção pra tocarem a primeira vez na exibição do referido documentário de 1942, pro qual foi feita especialmente a melodia. Seu nome inicial era Canção dos defensores de Moscou, não Marcha dos... Como diversas outras músicas populares da URSS, os versos variam em diversas ocasiões, dependendo de como são usados.

Aleksei Aleksandrovich Surkov (1899-1983) combateu na Guerra Civil Russa de 1918-20, formou-se em literatura em 1934 e atuou na Guerra Russo-Finlandesa de 1939. Na Segunda Guerra, foi correspondente dos jornais Krasnoarmeiskaia pravda e Krasnaia Zvezda, em 1944 foi redator-chefe da Literaturnaia gazeta, e de 1945 a 1953 da revista Ogoniok. Boris Andreievich Mokrousov (1909-1968) aprendeu na escola a tocar balalaica, bandolim e violão, e aos 13 anos aprendeu piano sozinho, de ouvido. Já tendo então tentado compor melodias, completou nos anos 20 e 30 sua formação musical, e embora com forte conhecimento clássico, preferiu centrar-se em canções. Suas melhores peças surgiram na Guerra Patriótica e nos primeiros anos depois, tendo-se tornado hits populares interpretados pelos melhores corais e cantores de então. Ganhou o Prêmio Stalin em 1948.

As letras dos dois vídeos estão levemente diferentes, e eu mesmo as traduzi direto do russo e legendei. Desta vez não cortei os quadros, pra não perder as preciosas informações visuais. Nem sempre as traduções estão estritamente literais, mas passam todo o sentido imprescindível. Na segunda versão omite-se a terceira estrofe, e vou indicar entre colchetes o que ela possui de diferente, sem alterar, contudo, a mensagem global. Eu copiei os textos em russo do site SovMusic.ru, e eles podem ser lidos abaixo, após as legendagens e junto com as traduções em português:




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1. В атаку стальными рядами
Мы поступью твёрдой идём.
Родная столица за нами,
За нами – родимый наш дом.
[Рубеж наш назначен Вождём.]

Припев:
Мы не дрогнем в бою за столицу свою,
Нам родная Москва дорога.
Нерушимой стеной, обороной стальной
Разгромим, уничтожим врага!
Нерушимой стеной, обороной стальной
Разгромим, уничтожим врага!

2. На марше равняются взводы,
Гудит под ногами земля,
За нами – родные заводы
И красные звёзды Кремля.

(Припев)

3. Для счастья своими руками
Мы строили город родной.
За каждый расколотый камень
Отплатим мы страшной ценой.

(Припев)

4. Не смять богатырскую силу,
Могуч наш заслон огневой.
Загоним фашистов в могилу
[Мы выроем немцу могилу]
В туманных полях под Москвой.

(Припев 2x)

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1. Ao ataque com fileiras de aço
Seguimos com passo firme.
A capital natal vai nos seguindo,
Nosso lar natal vai nos seguindo.
[O Chefe indica nossa posição.]

Refrão:
Não tremeremos na luta pela nossa capital,
Nossa querida Moscou natal.
Com muralha inquebrável, com defesa férrea
Destruamos, aniquilemos o inimigo!
Com muralha inquebrável, com defesa férrea
Destruamos, aniquilemos o inimigo!

2. Na marcha os pelotões se alinham,
A terra uiva sob nossos pés,
Nos seguem as fábricas natais
E as estrelas vermelhas do Kremlin.

(Refrão)

3. Para ser felizes construímos
A cidade natal com nossas mãos.
Para cada pedra despedaçada
Devolveremos um preço terrível.

(Refrão)

4. Mantendo uma força hercúlea,
Nossa cobertura bélica é potente.
Enterremos os fascistas nos campos
[Enterremos os alemães nos campos]
Nebulosos ao redor de Moscou.

(Refrão 2x)