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18 de outubro de 2018

Le romanophonos non usa Interlingua


Link curto para esta postagem: fishuk.cc/iala-roma


NOTA: Eu escrevi este breve texto reflexivo em setembro de 2012 e o gravei lendo em áudio pra que fosse transmitido pela Radio Interlingua, iniciativa conduzida pelo húngaro Péter Kovács e apoiada pela União Mundial de Interlíngua (UMI), órgão internacional que gere a defesa dessa língua auxiliar. Ele se chama “Proque le romanophonos non usa Interlingua?” (Por que os falantes de línguas românicas não usam a interlíngua?), e com ele pretendi explicar por que, apesar da enorme semelhança, os italianos, portugueses, brasileiros, espanhóis e latino-americanos, bem como franceses, romenos e outros falantes destes idiomas, não demonstram muito entusiasmo pela chamada “interlíngua da IALA”. Como já citei nesta página outras vezes, ela foi lançada em 1951 pela Associação Internacional por uma Língua Auxiliar (IALA), sediada nos EUA, como alternativa mais “naturalista” ao esperanto, o qual muitos julgam artificial na ortografia, pronúncia, vocabulário e gramática. Por ser muito próxima das maiores línguas românicas e do latim, publico aqui o texto não traduzido, embora eu não escreveria mais nesse estilo hoje, e no podcast eu tenha lido muito rápido. Minha gratidão a Kovács pelas correções no escrito e no áudio.



Proque le romanophonos non usa Interlingua?

On ha frequentemente dicite in Radio Interlingua que apparentemente al romanophonos non place multo usar Interlingua inter se pro communication international. Isto, de facto, es ver. Secundo mi experientia in Brasil, io pote dicer que il ha plure motivos cultural pro isto.

Le prime esserea que le duo linguas romanic le plus parlate, le espaniol e le portugese, es multo simile inter se, e quando on non los ha apprendite in avantia, on pote practicamente communicar per medio de un sorta de “portuniol”, plus o minus efficace conforme al particularitates del region a ubi on viagia. Obviemente il existe multo del assi nominate “false amicos”, ma in general illos non prejudica gravemente le comprension.

Super le italiano, le cosa non es troppo differente, malgrado su notabile particularitates, ma le gente qui sole vader a Italia quasi sempre ha apprendite le lingua in avantia, si illes va habitar o studiar la, o simplemente non lo apprende, o apprende elementos basic, si illes es touristas. Illes non senti le necessitate de un instrumento neutral de communication.

On poterea ancora dicer alco super le francese e le romaniano, le quales ha un grande distantia morphologic e grammatic del latino, ma non solmente iste facto facerea justemente le gente apprender iste linguas profundemente como tamben le relative distantia cultural e ethnic ab le altere paises romanophone non permitterea que iste populos pote reguardar se como un sol grande unitate; al minus il pare esser isto le caso. On trova poco in iste gruppo un sentimento simile al “pan-slavismo” que pare resurger specialmente sur Internet e que demanda, inter altere cosas, un lingua commun extrahite ab un fonte commun.

Ultra isto, le idea de un lingua planate pro tote le mundo sole esser absolutemente estranie al pragmatic brasilianos, si desirose de includer se a in le joco del mercato e del media de massa, cuje symbolo, totes sape ben, es le anglese. Ci on vermente pensa que illo es le sol lingua que ja joca e que potera jocar longemente le mesme rolo como Interlingua. Isto indica clarmente un forte influentia de nostre quasi vicinos statounitese...

De maniera resumite, io crede que forsan le paises romanophone hodie, malgrado lor honorabile hereditage, non lo ha ben conservate, como on pote vider in paises como Brasil, ubi ora le inseniamento del latino e le greco classic es restricte al cursos universitari de philologia, linguistica e philosophia. Nostre governamentos, e mesmo le populo, ha pensate que esser moderne es copiar sin criticas le cosas ephemere del cultura de massas. On non sape que instrumentos como Interlingua pote facer reviver le fructuose base humanistic del mundo occidental e dar al scientia, le diplomatia e le politica le lingua commun que on besonia pro realisar le sonio de un humanitate unite e un juventute intelligente.



16 de outubro de 2018

“Esperanto, ciência e história” (inédito)


Link curto para esta postagem: fishuk.cc/esperanto


NOTA: Este artigo deveria integrar a versão inaugural em português da revista Heroldo de Esperanto, fundada nessa língua auxiliar em 1920, reestruturada e hoje editada pelo meu amigo Fabrício Valle. Escrevi-o em novembro de 2017, e ele deveria sair no começo deste ano ou um pouco depois, mas o redator disse que a publicação seria adiada, por causa do não atendimento de alguns padrões, e depois não deu mais satisfação. Sinto-me na liberdade de publicar o texto aqui pela primeira vez e sem alterações, pois ele contém minhas reflexões mais maduras sobre a natureza do esperanto e da interlinguística em geral. Inclusive, uma de minhas preocupações pra um futuro não muito distante seria recomeçar a reflexão sobre o esperanto dentro da óptica das ciências humanas atuais, sobretudo a história. Perdoem-me pelos parágrafos grandes e pelas frases longas.



Nos quadros desta tão louvável iniciativa de trazer o esperanto de volta à realidade terrena, projeto central da revista Heroldo renovada, nada melhor do que dissertar a respeito das relações que esta língua, ao longo de sua existência centenária, manteve com as concepções predominantes sobre o que eram o fazer científico e as reflexões historiográficas. A língua internacional nasceu num cenário intelectual marcado exatamente por estas duas linhas mestras: a ciência como fornecedora de saber incontestável e a história como guia moral e identitário para as empreitadas humanas.

Zamenhof iniciou o esperanto em 1887, quando os cientistas e pensadores de todas as áreas julgavam que a realidade empírica era una, inequívoca e refletida sem mediações em nossos cérebros. Caberia à ciência, portanto, refinar os melhores meios para encontrarmos essa “verdade” oculta a nossos olhos viciados por ideologias e preconceitos, até que um dia tudo saberíamos e empregaríamos para o bem geral e contra todo dissenso. Por trás da ideia esperantista, encontra-se o pressuposto de que é possível alcançar artificialmente uma língua lógica, racional, exata e de estruturação matemática, cujos elementos se articulariam sem margem a gírias, calões ou ambiguidades. A língua internacional seria o grande código a unir no futuro, após longo progresso retilíneo, uma civilização humana dona de si e de seus meios de produção e reprodução. Era o momento propício para belas frases de efeito, como “Para cada povo uma língua, e para todos o esperanto” ou “Nem uma centena de grandes invenções fará tão bem à humanidade quanto a adoção de uma língua internacional” (Zamenhof).

As décadas posteriores, e a primeira metade do século 20 em especial, desmentiram essas esperanças do modo mais brutal possível. A sacrossanta ciência multiplicou os morticínios, a história não tinha visto jamais tamanho barbarismo e desprezo pelas liberdades individuais, os códigos e tecnologias de diversas naturezas que tornavam mais fáceis as comunicações mútuas não barraram as hostilidades, e o esperanto, desprezado pelos donos das grandes potências, foi perseguido, estigmatizado e interditado por várias ditaduras. Em resumo, a ciência já não era mais fiadora da “verdade” universal, e a história não orientava automaticamente nenhum rumo possível. Como poderia o esperanto, num mundo de incertezas e desilusões, continuar a atrair adeptos, ou mesmo provar sua utilidade para os fins a que desde o início se propôs?

As boas ideias não morrem jamais, como prova o fato de há muitos séculos os melhores pensadores terem levantado o problema de uma língua universal, ou pelo menos internacional. Apesar das intensas transformações geopolíticas e no modo de vida das comunidades urbanas, o esperanto continuou e continua a despertar interesse e ver seu movado crescendo, enquanto outros projetos de línguas auxiliares internacionais simplesmente desapareceram ou foram relegados a uma digna marginalidade. Obviamente, algumas crenças anteriores foram retificadas: a ciência se tornou um discurso cujos significados são disputados a cada momento, e cujos consensos provisórios constituem sua validade, mas também sua possibilidade de avanço; a história passou de um mero rol descritivo dos feitos, acontecimentos e heróis pretéritos para um conjunto de indagações, problemas e métodos destinados não a reconstituições exatas, mas à compreensão dos usos e abusos que os mais diversos grupos fazem dos resquícios do passado; e os idiomas tombaram de sua condição de reflexo exato da realidade para um campo de conflitos simbólicos onde o significado não é uma essência escondida, mas um momento fugaz, consentido e historicamente datado.

Nada disso poupou a língua universal. Como numa simbiose bem informada, o esperanto aos poucos se absteve de sua pretensão racionalista, admitiu sua natureza humana, inexata, equívoca e dialetológica, incorporou com cuidado as novas realidades novecentistas e, o que foi mais importante, proliferou-se pelas redes sociais, grupos de mensagem e outras conquistas das telecomunicações. De fato, certo dogmatismo ainda predomina nas gerações mais velhas, mas ele é justamente reflexo desse mundo sacralizado, quadrado, hoje derretido pelos jovens multiconectados. O mais importante é que o esperanto, mesmo não se dizendo dono da história, possui sua própria história, e uma comunidade na qual vive e se ancora, comunidade viva da qual nenhuma bela abstração pode prescindir.

Os estudos interlinguísticos ainda estão para dar conta das facetas social, gramatical, política, lógica e psicológica que permitiram o relativo sucesso do esperanto. Mas, nascido como portador da “verdade”, sua resistência num mundo sem verdades científicas e históricas é um milagre.



14 de outubro de 2018

Orações faladas em latim eclesiástico


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Nesta postagem, vocês podem aprender as seguintes orações, escritas e recitadas na língua oficial do Vaticano, a versão eclesiástica da língua latina: o Sinal da Cruz, o Credo (Creio), o Pai-Nosso, a Ave-Maria, o Glória, a Oração de Fátima e o Salve-Rainha. Todas essas preces constituem o conjunto geralmente chamado Santo Rosário ou, como parte dele, o Terço Mariano. Recitei ainda dois apêndices com os nomes de todos os Mistérios do Rosário em latim e o texto do chamado Credo de Niceia, ou “símbolo niceno-constantinopolitano”, ainda rezado tradicionalmente em missas. A ortografia está atualizada conforme os padrões estabelecidos na Idade Moderna, e a pronúncia segue o padrão romano, ou seja, baseado essencialmente na língua italiana contemporânea. O latim eclesiástico (que se desenvolveu em 2 mil anos de uso pelos católicos) tem algumas diferenças com o latim clássico (calcado na língua culta escrita no século 1 a.C.), principalmente a sintaxe mais simples e o vocabulário mais próximo dos atuais idiomas românicos ou neolatinos.

O Pai-Nosso é baseado numa oração que Jesus Cristo teria enunciado em seu Sermão da Montanha, cujo relato começa no capítulo 5 do Evangelho segundo são Mateus. A Ave-Maria, cuja tradição se iniciou na cristandade bem depois e que reúne trechos de evocações proféticas feitas no Antigo Testamento, é conservada, sobretudo, pela Igreja Católica, que lhe deu a versão latina final. Nos primeiros séculos, a liturgia cristã era feita em grego, língua na qual também foi escrito o Novo Testamento (variante koiné comum, e não o antecessor ático clássico dos séculos 6 a 4 a.C.). Mas com o gradual aumento da primazia de Roma, o latim passou a ser cada vez mais usado, conservando o idioma que já não era mais falado após a queda do Império Romano do Ocidente.

A pronúncia da língua latina entre os romanos variou muito, pois a língua também era diversa, conforme a classe social, origem geográfica e época em questão. A chamada pronúncia reconstituída, que teria sido usada pelos romanos cultos no século 1 a.C., pronuncia, por exemplo, a palavra Caesar como “káiçar”, e tem uma abrangência muito limitada. Ao longo dos séculos, a pronúncia real do latim pós-romano também variou muito, e essencialmente cada região onde ele ainda era usado como idioma culto o pronunciava conforme os vernáculos regionais. Além disso, até o século 19, a pronúncia eclesiástica em nada diferia da usada na ciência, tecnologia, filosofia, artes e literatura: o latim era considerado um só, cada país pronunciando conforme peculiaridades locais. Apenas no final do século 19 a pronúncia dita “romana” (Caesar = “tchézar”) se consolidou entre os católicos, mas na liturgia os vernáculos ganhavam cada vez mais espaço, deixando de ser obrigatória em 1961 a missa tridentina (em latim).

Nesta postagem eu apresentei a vocês o vídeo que montei, ensinando a pronúncia do latim eclesiástico (romano), e as regras citadas foram aplicadas também aqui. Minhas duas principais fontes pros textos das orações foram este blog que faz apologia à reza em latim e este blog que ensina a rezar o Terço na língua litúrgica. Mas a correção e completação finais das preces devo a este ótimo site inglês, que contém ainda as traduções em vernáculo. Eu mesmo não traduzi, porque são orações conhecidas e fáceis de pesquisar em suas versões modernas; apenas o Pater Noster usa a variante, menos comum em português, “perdoai as nossas dívidas, assim como nós perdoamos os nossos devedores”. Da mesma forma, não ensino aqui como rezar o Rosário ou o Terço, porque compete aos fiéis aprendê-los.

Vou fazer algumas observações sobre a linguagem. Minha escolha mais evidente foi o uso da letra “j” pro som do “i” semivocálico, e o uso das ligaturas “æ” e “œ” no lugar das letras “ae” e “oe” separadas. Neste segundo caso, as ligaturas indicam os ditongos “ái” e “ói” clássicos, que na língua medieval passaram a pronunciar-se “é” aberto. Inclusive, optei por escrever apenas cœlum (céu), que é padrão nos textos medievos, segundo o Wiktionary, e não cælum, embora esta também apareça na liturgia. A escolha pelo “j” explica por que se leem, por exemplo, Jesus, judicare, Jordanem, bajulavit (Jesus, julgar, Jordão, carregou – cf. “bajular”), e não Iesus, iudicare, Iordanem, baiulavit. Apenas escrevi errado no vídeo eius (seu, dele) e Eia (eia!), que em coerência deveriam ser ejus e Eja. Lembre-se, então: a letra “i” é sempre vogal, nunca consoante, então dizemos “fi-li-us”, e não “fi-lius”, “ter-ti-a”, e não “ter-tia”, “ho-di-e”, e não “ho-die”.

Notavelmente, na Nova Vulgata (a Bíblia latina autorizada pelo Vaticano), a expressão panem nostrum quotidianum (o pão nosso de cada dia) traz supersubstantialem como adjetivo. Ele é um decalque do original grego epioúsios, mas mesmo neste caso não se sabe exatamente o que o autor quis dizer, porque a palavra não aparece fora desse texto (ou seja, seria um hapax). Sugerem-se como traduções “essencial”, “substancial”, “diário” ou “sustento para a vida”. Sobre a Oração de Fátima, um dos autores dos blogs citados escreveu: “Existem algumas variações para a tradução desta oração, mas preferimos traduzir ‘conduzi’ por pérduc e não cónduc pois o verbo perdúco, -ere tem sentido mais forte do que condúco, -ere, significando conduzir até o fim. O termo misericórdiae túa às vezes se encontra como misericórdia túa, sendo ambas corretas, uma vez que o verbo indigeo, -ére pode reger tanto ablativo quanto genitivo.” E atenção: inferi, aqui declinado como inferos, significa “almas dos mortos” ou “mundo dos mortos”, e não “inferno”! Por isso, em muitas traduções aparece como “mansão dos mortos”.

Concluindo, a sílaba tônica está bem audível na pronúncia dos vídeos, mas ela também vem marcada com um acento agudo nas transcrições abaixo. Textos latinos, mesmo os eclesiásticos, em geral, não levam sinais diacríticos, mas pra comodidade do leitor, acentuei todas as palavras com duas ou mais sílabas, mesmo parecendo evidente, exceto a ligatura “œ”, por razões técnicas, mas que aqui é sempre tônica. Eu falo o “a” sempre aberto, o “e” (ou “æ” e “œ”) e “o” abertos em sílaba tônica, e o “e” (ou “æ” e “œ”) e “o” fechados em sílaba átona. Também removi a distinção entre vogais curtas e longas, não as indicando nem com braquia, nem com mácron. Desta forma, perde-se a diferença entre terra (nominativo) e in terrā (ablativo).

Integrando os dois vídeos que carreguei no meu canal Eslavo (YouTube) hoje mesmo e em julho do ano passado, este material é utilizável tanto por católicos ou cristãos em geral, quanto por estudiosos ou simples curiosos. Sei que muitos tradicionalistas não concordam com a criação dos “mistérios luminosos” (ou “da luz”) pelo papa São João Paulo 2.º, mas inseri-os aqui por mero fim de documentação. Consegui a tradução deles em português no manual Terço na mão e fé no coração!, de Sônia Venâncio, publicado pela Canção Nova e disponível no Google Books. A música de fundo no primeiro vídeo são partes da Marcha da Igreja (instrumental), composta por David Julien.






SINAL DA CRUZ

Per sígnum Crúcis de inimícis nóstris líbera nos, Déus nóster. In nómine Pátris, et Fílii, et Spíritus Sáncti. Ámen.


CREDO (CREIO)

Crédo in Déum Pátrem omnipoténtem, Creatórem cœli et térræ. Et in Jésum Chrístum, Fílium éjus únicum, Dóminum nóstrum, qui concéptus est de Spíritu Sáncto, nátus ex María Vírgine, pássus sub Póntio Piláto, crucifíxus, mórtuus, et sepúltus, descéndit ad ínferos, tértia díe resurréxit a mórtuis, ascéndit ad cœlos, sédet ad déxteram Déi Pátris omnipoténtis, índe ventúrus est judicáre vívos et mórtuos. Crédo in Spíritum Sánctum, sánctam Ecclésiam cathólicam, sanctórum communiónem, remissiónem peccatórum, cárnis resurrectiónem, vítam ætérnam. Ámen.


PAI-NOSSO

Páter Nóster, qui es in cœlis, sanctificétur nómen túum. Advéniat régnum túum. Fíat volúntas tua, sícut in cœlo et in térra. Pánem nóstrum quotidiánum da nóbis hódie, et dimítte nóbis débita nóstra sícut et nos dimittímus debitóribus nóstris. Et ne nos indúcas in tentatiónem, sed líbera nos a málo. Ámen.


AVE-MARIA

Áve María, grátia pléna, Dóminus técum. Benedícta tu in muliéribus, et benedíctus frúctus véntris túi, Jésus. Sáncta María, Máter Déi, óra pro nóbis peccatóribus, nunc, et in hóra mórtis nóstræ. Ámen.


GLÓRIA

Glória Pátri, et Fílio, et Spíritui Sáncto. Sícut érat in princípio, et nunc, et sémper, et in sǽcula sæculórum. Ámen.


ORAÇÃO DE FÁTIMA

O píe Jésu, dimítte nóbis débita nóstra, líbera nos ab ígne inférni, pérduc in cœlum ómnes ánimas, præsértim íllas, quæ máxime indígent misericórdiæ túæ.

*Às vezes também se inicia O mi (píe) Jésu, “Ó meu (bom) Jesus”.


SALVE-RAINHA

Sálve, Regína, máter misericóridiæ, víta, dulcédo, et spes nóstra, sálve. Ad te clamámus éxsules fílii Évæ. Ad te suspirámus, geméntes et fléntes in hac lacrimárum válle. Éja, érgo, advocáta nostra, íllos túos misericórdes óculos ad nos convérte. Et Jésum, benedíctum frúctum véntris túi, nóbis post hoc exsílium osténde. O clémens, O pía, O dúlcis, Vírgo María. Ámen. Ora pro nóbis, sáncta Déi Génetrix. Ut dígni efficiámur promissiónibus Chrísti.


CREDO DE NICEIA (SÍMBOLO NICENO)

Crédo in únum Déum, Pátrem omnipoténtem, factórem cœli et térræ, visibílium ómnium et invisibílium. Et in únum Dóminum Jésum Chrístum, Fílium Déi unigénitum, et ex Pátre nátum ánte ómnia sǽcula. Déum de Déo, Lúmen de Lúmine, Déum vérum de Déo véro, génitum non fáctum, consubstantiálem Pátri; per quem ómnia fácta sunt. Qui própter nos hómines et própter nóstram salútem descéndit de cœlis. Et incarnátus est de Spíritu Sáncto ex María Vírgine, et hómo fáctus est. Crucifíxus étiam pro nóbis sub Póntio Piláto, pássus et sepúltus est, et resurréxit tértia díe, secúndum Scriptúras, et ascéndit in cœlum, sédet ad déxteram Pátris. Et íterum ventúrus est cum glória, judicáre vívos et mórtuos, cújus régni non érit fínis. Et Spíritum Sánctum, Dóminum et vivificántem, qui ex Pátre Filióque procédit. Qui cum Pátre et Fílio símul adorátur et conglorificátur: qui locútus est per prophétas. Et únam, sánctam, cathólicam et apostólicam Ecclésiam. Confíteor únum baptísma in remissiónem peccatórum. Et expécto ressurrectiónem mortuórum, et vítam ventúri sǽculi. Ámen.

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Os dias da semana em latim eclesiástico:

domínica, féria secúnda, féria tértia, féria quárta, féria quínta, féria séxta, sábbatum.


Mystéria Gaudiósa (Mistérios Gozosos)
In féria secunda et sábbato (Às segundas e sábados)

1. Quem, Vírgo, concepísti
(Aquele que, virgem, concebeste)

2. Quem visitándo Elísabeth portásti
(Aquele que, visitando Isabel, portaste)

3. Quem, Vírgo, genuísti
(Aquele que, virgem, deste à luz)

4. Quem in témplo præsentásti
(Aquele que, no templo, apresentaste)

5. Quem in témplo invenísti
(Aquele que, no templo, encontraste)


Mystéria Luminósa (Mistérios Luminosos)
In féria quínta (Às quintas)

1. Qui ápud Jórdanem baptizátus est
(Aquele que foi batizado no rio Jordão)

2. Qui ípsum revelávit ápud Canénse matrimónium
(Aquele que se revelou nas bodas de Caná)

3. Qui Régnum Déi annuntiávit
(Aquele que anunciou o Reino de Deus)

4. Qui transfigurátus est
(Aquele que foi transfigurado)

5. Qui Eucharístiam instítuit
(Aquele que instituiu a Eucaristia)


Mystéria Dolorósa (Mistérios Dolorosos)
In féria tértia et féria séxta (Às terças e sextas)

1. Qui pro nóbis sánguinem sudávit
(Aquele que, por nós, suou sangue)

2. Qui pro nóbis flagellátus est
(Aquele que, por nós, foi flagelado)

3. Qui pro nóbis spínis coronátus est
(Aquele que, por nós, foi coroado de espinhos)

4. Qui pro nóbis crúcem bajulávit
(Aquele que, por nós, carregou a cruz)

5. Qui pro nóbis crucifíxus est
(Aquele que, por nós, foi crucificado)


Mystéria Gloriósa (Mistérios Gloriosos)
In féria quárta et domínica (Às quartas e domingos)

1. Qui resurréxit a mórtuis
(Aquele que ressuscitou dos mortos)

2. Qui in cœlum ascéndit
(Aquele que subiu aos céus)

3. Qui Spíritum Sánctum mísit
(Aquele que enviou o Espírito Santo)

4. Qui te assúmpsit
(Aquele que te ascendeu aos céus)

5. Qui te in cœlis coronávit
(Aquele que nós céus te coroou)



12 de outubro de 2018

Клен зелений (Smuglianka ucraniana)


Link curto para esta postagem: fishuk.cc/klenzeleny




Faz tempo que me pediram pra postar este vídeo no meu canal Eslavo (YouTube), e penso que esta semana é ideal por causa de seu tom feminista e antifascista. Esta canção gravada pelo conjunto ucraniano Made in Ukraine tem o título “Клен зелений” (Klen zeleny), O bordo verde, e consiste numa adaptação, pro idioma ucraniano e em ritmo techno-pop, da célebre música soviética “Смуглянка” (Smuglianka), A morena em russo, por Ol’ha Pavelets, uma das integrantes da banda. Os autores originais de 1940 são Iakov Zakharovich Shvedov (letra) e Anatoli Grigorievich Novikov (melodia). A letra ucraniana data de 2010, mas este clipe, dedicado ao Dia da Vitória, surgiu em 2014, quando explodiram os protestos de Maidan.

A Smuglianka russa foi considerada em 2015 pela revista sociológica Russki reportior a 24.º letra mais popular do país, colocando-a assim, também, como clássico mundial. Falando sobre uma jovem guerrilheira da Guerra Civil Russa (1918-1921), ela integra uma série composta por Shvedov e Novikov, dirigida ao conjunto do Distrito Militar Especial de Kyiv. Mas a forma hoje conhecida não era tocada antes da guerra, pois a partitura inicial pra piano se perdeu, ficando apenas rascunhos. Só em 1943 Novikov se lembrou dela, quando Aleksandr Aleksandrov, autor da melodia do hino da URSS e da Rússia atual, solicitou novas composições pra serem tocadas pelo Coral do Exército Vermelho. Por um acaso, Novikov pôs Smuglianka na lista, e justamente ela agradou a Aleksandrov, que a reelaborou pra coro e solistas.

Cantada ao vivo pela primeira vez em 1944 pelo solista Nikolai Ustinov, que deve muito a isso seu sucesso, Smuglianka logo se tornou famosa ao ser transmitida pelo rádio, sendo ouvida inclusive nas retaguardas e fronts da guerra mundial. A música falava de uma jovem moldávia que tinha a pele morena, e embora se referisse à guerra civil, também foi tomada como uma descrição da libertação da Moldávia pelo Exército Vermelho. Entrou na trilha sonora de muitos filmes soviéticos depois de 1945 e foi regravada por cantores como o pró-Putin Iosif Kobzon e a ucraniana Sofia Rotaru.

Lembro mais uma vez que eu não traduzi aqui a Smuglianka a partir da língua russa, mas a reelaboração feita por Pavelets, imbuída de um propósito diferente. Isso de deu em 2010, quando a Ucrânia celebrou os 65 anos da vitória na 2.ª Guerra Mundial, ou seja, no célebre Dia da Vitória comemorado na Europa. Intitulada Klen zeleny (O bordo verde), árvore que também figura no original russo (klion zeliony), só em 2014 teve clipe com o Made in Ukraine, dirigido por Oleksandr Filatovych. No próprio começo da filmagem aparece escrito “Dedicado ao Dia da Grande Vitória”, mas pra quem prefere escutar apenas o áudio, vá ao próprio canal da banda.

O grupo ucraniano Made in Ukraine existe desde 1996 e se dedica em especial ao eurodance, europop, pop-folk e techno. Sua especialidade é dar arranjos dançantes a músicas conhecidas do folclore ucraniano, e desde o começo a principal cantora, que aparece à frente, é Tetiana Dehtiariova. Ainda ativo em toda a Ucrânia, o grupo gravou 11 álbuns de 1996 a 2013, e outros nove clipes, além deste, de 1998 a 2002, tendo filmado outro em 2016. Em 2014, ele se apresentou em vários comícios de defesa do movimento Euromaidan, inclusive no centro de Kyiv. Ajudem a incrementar a página das moças no Facebook, que ainda tem poucas curtidas. Em seu site oficial, infelizmente todo em ucraniano, estão listadas outras redes sociais.

“Bordo” é o nome de uma árvore do gênero Ácer, nativa da América do Norte, mas também comum na Europa, raríssima no Brasil. Por vezes, só era possível saber que a protagonista era uma mulher pela flexão verbal do passado, que nas línguas eslavas também indica o gênero do sujeito. Por isso, em alguns casos, pra apontar essa “feminilidade”, inseri adjetivos femininos em frases de significado igual. Eu mesmo traduzi direto do ucraniano (bem como a estrofe 3 cantada em russo, mas ausente da Smuglianka primordial), partindo desta página com o texto e me apoiando nas traduções bielo-russa, inglesa, romena, russa e sérvia também presentes aí. Seguem abaixo minha legendagem, a letra em ucraniano/russo e a tradução em português:


____________________


1. Літній ранок, роси грають,
Я зайшла в зелений сад.
Там зустріла партизана,
Коли рвала виноград.
Ти дивився в очі палко
Наче серцем промовляв:
“Так би літні ранки
Лиш з тобою би стрічав.”

Приспів 1:
Клен зелений,
Кучеряве листя в’ється,
А до мене
Зачаровано сміється
Хлопець бравий,
Та чорнобровий
Хлопець молодий.

Приспів 2:
Клен зелений,
Кучеряве листя в’ється,
А до неї
Зачаровано сміється
Хлопець бравий,
Та чорнобровий
Хлопець молодий.

2. Тихий вечір ліг на плечі,
Ми стояли в тім саду.
Я з тобою, чорнобровий,
Вже нікуди не піду.
Ми з тобою, партизани,
Батьківщина в нас одна.
Різними шляхами
Нас покликала вона.

(Приспів 1)

3. Раскудрявый клён зелёный,
Лист резной.
Здесь у клёна
Мы расстанемся с тобой,
Клён зелёный, да клён кудрявый,
Да раскудрявый резной.

(Приспів 1)

4. Повернулася я гордо,
А стежина в ліс вела
І образа серце крає
Що нас доля розвела.
Неспокійний час минає
І в сурові дні війни
Тільки серце знає,
Що зустрінемося ми.

(Приспів 1)
(Приспів 2)

____________________


1. Manhã de verão, orvalho reluz,
Fui rápida ao jardim verde.
Enquanto lá eu colhia uvas,
Fui olhada por um partisan.
Você fitou fogoso meus olhos
Como que dizendo de coração:
“Quem dera só com você
Encontrar manhãs de verão.”

Refrão 1:
As folhas do bordo verde
Estão mexendo frondosas,
Está sorrindo para mim
De modo encantador
Um rapaz corajoso,
Sobrancelhas pretas,
É um homem jovem.

Refrão 2:
As folhas do bordo verde
Estão mexendo frondosas,
Está sorrindo para ela
De modo encantador
Um rapaz corajoso,
Sobrancelhas pretas,
É um homem jovem.

2. Com noite calma nos ombros,
Ficamos de pé nesse jardim.
Suas sobrancelhas pretas
Não vão mais sair comigo.
Apoiamos vocês, partisans,
Residimos na mesma pátria.
Ela nos chamou à luta
Por estradas diferentes.

(Refrão 1)

3. As folhas do bordo frondoso
São todas verdes e esculpidas.
Aqui sob esse bordo
Vamos nos despedir.
O bordo verde, frondoso,
E com folhas esculpidas.

(Refrão 1)

4. Retornei bem orgulhosa
Num atalho para a floresta
De coração magoado, pois
Tivemos destinos separados.
O tempo passa na aflição
E nos duros dias de guerra
Só meu coração sabe que
Vamos nos ver novamente.

(Refrão 1)
(Refrão 2)




10 de outubro de 2018

O melhor dos eslavos: humor e música


Link curto para esta postagem: fishuk.cc/meme-eslavo




No meu canal Eslavo (YouTube), como eu disse na postagem anterior, às vezes gosto de carregar imagens engraçadas do mundo eslavo, ou montagens que eu mesmo invento com teor humorístico, que chamo genericamente de “memes”, mas nem todos os inscritos gostam. Em geral priorizo o mundo eslavo, porque muita coisa é digna de ficar conhecida, mas quem fala português quase sempre tem essa barreira da língua. Nem sempre minha tentativa de ser um “canal SAM” dá certo, mas eu continuo tentando!

Nesta e em outras postagens, farei coleções com os melhores memes que tentei criar no meu canal. Nem todos vêm de países eslavos, e muitos constituem verdadeiras montagens cômicas, mas eles deviam possuir um espaço, além das próprias playlists a que pertencem no YouTube, pra ser reunidos, exibidos e comentados. Hoje, apresento aqui material da antiga União Soviética e dos países eslavos que a ela pertenceram ou não antes de 1991, exceto da antiga Iugoslávia, já abordada aqui. Faço exceção à Moldávia, nação de língua romena criada em 1945 e que integrou a URSS até sua dissolução. São montagens, pequenos trechos e “falsas traduções” que decidi publicar pra mostrar ao visitante minha interpretação cômica sobre certos fatos!



Arrochando em plena madrugada, porque mandei este vídeo quase à meia-noite, na pressa, terminando-o com muito custo. “Mijador com mijador” bem numa terça-feira! Esse gênero sérvio se chama kolo, dançado em roda (kolo = roda, anel), muito típico principalmente em festas e casamentos, e que tem várias formas de execução. Algumas, como esta, parecem muito com o forró lambado do Nordeste brasileiro.

Na época da montagem (maio de 2017), os gêneros que misturavam o forró cearense, o arrocha e outras breguices até estavam no ápice do sucesso, daí algumas referências no começo do vídeo. Eu tirei o áudio deste endereço, onde a melodia, aparentemente tocada em teclado (daí a semelhança também com nossos forrozeiros “dos teclados” dos anos 90 e 2000), é chamada Kolo Crnogorka. Por isso, usei também imagens relacionadas à recém-fundada república de Montenegro.



Em geral, não gosto de postar vídeos por postar, copiando de outros e sem fazer nenhuma alteração, ao contrário das minhas legendagens. Um dia desses, tive que fazer uma gloriosa exceção. Procurando ao acaso vídeos com o hopak (гопак), a dança nacional ucraniana (em russo, também falada gopak), achei esta pérola, a mais linda que vi até hoje, provavelmente gravada nos anos 90 em algum teatro da Ucrânia. Trata-se do Honorável Conjunto Nacional Acadêmico de Dança da Ucrânia Pavlo Virsky, de Kyiv (Kiev), e deve ser desse patrono o rosto azul que ilustra o cenário (palco).

O vídeo original foi postado em 2009 num canal ucraniano, e embora ele tenha quase 592 mil visualizações, o canal ainda tem muito poucos inscritos: vamos dar uma força? Vejam muito mais vídeos típicos lá, além dos relacionados ao lado pelo próprio YouTube. Eu fiz um recorte que, embora tire algumas partes da imagem, mantém o essencial e se ajusta melhor às telas modernas. Aproveitem, assistam bastante e divulguem, pois essas pérolas da dança ucraniana são raríssimas de se achar. E esta é mesmo uma das mais próximas do estilo autêntico.



Um vídeo postado por um falante de inglês anuncia o “autêntico Mr. Trololo”: trata-se de Muslim Magomaiev, outro mito da canção popular soviética, como Eduard Khil, entoando exatamente a mesma “música”. Já o postei aqui cantando As janelas de Moscou num antigo show preto e branco, mas eu não me satisfiz e fiz a busca no YouTube por “магомаев вокализ” (ou seja: “Вокализ”, na verdade, costuma ser o nome técnico da canção, embora também costume ser chamada pelo nome comprido Estou muito feliz, porque etc.). Isso foi o que achei: sua aparição num antigo programa da TV estatal da URSS, chamado “Голубой огонёк” (Goluboi ogoniok), A centelha azul, de variedades semanais e que depois passou a ser exibido só em datas especiais.

O vídeo original foi postado ainda em junho de 2009, ou seja, antes de Khil bombar mundialmente como Mr. Trololo, e diz-se ter sido tirado diretamente do site pessoal de Magomaiev. Não há precisão de data (apenas se diz “anos 60”), mas pela Wikipédia russa, sabemos que a canção foi composta em 1966 por Arkadi Ilich Ostrovski, originalmente com letra do poeta Vadim Semernin. A versão que popularizou mesmo foi apenas a vocalização da melodia, sem a letra, e a gravação de Khil que seria postada em 2009 e bombaria em 2010 só foi feita em 1976. O contexto da gravação de Khil foi todo diferente, mas imagino que cafonice devia ser esse programa na época do Muro de Berlim. Algo remotamente parecido só vi quando Sergio Günther, o “irmão alemão” de Chico Buarque, ficou conhecido no Brasil, pela filmagem de um programa alemão oriental de cunho “humorístico” símile na época. Infelizmente, a íntegra original foi removida, mas sobrou a parte em que aparece o “bastardo”.

Outro problema posto: na Rússia, quando alguém sem conhecimento prévio é posto pra ouvir simultaneamente áudios com Magomaiev e Khil, em geral não consegue distinguir de cara os dois barítonos. E pra piorar, é provável que uma legendagem que atribuí a Khil e que publiquei aqui há algum tempo também seja de Magomaiev, e não de Khil. Isso porque, embora eu tenha achado o MP3 como de Khil, vários russos me alertaram sobre essa autoria real, além do que não achei nenhuma menção direta ao Mr. Trololo como intérprete dessa música. Pelo contrário, na rede social de um russo, vi-o comentando que numa homenagem lá na Rússia mesmo, tocaram a canção como sendo de Khil, pra ele erroneamente. Outros contatos comentaram a postagem confirmando as assertivas do russo, e desde então tenho dúvidas.

Com esse vídeo de Muslim Magomaiev também fazendo o “Trololo”, ficou ainda mais evidente a similaridade de voz, roupagem e estilo dele com Eduard Khil. Há quem diga que Khil, tendo “uniformizado a letra” (?), fez a melhor das versões, ainda mais comparado com Magomaiev, que mistura “trololó”, “hm-hm-hm”, “dururu”, “auêa” e assobios. Mas vocês é que dão a última palavra a si mesmos! Notavelmente, embora tenha sido postado na mesma época, o upload do inglês só chegou a ter pouco mais de 2 milhões de visualizações. Infelizmente, agora ele foi deletado do YouTube!



Muito por acaso, descobri que o programa televisivo Goluboi ogoniok, transmitido com interrupções e reelaborações até hoje na Rússia, pode ser uma mina de videomemes soviéticos. Inicialmente, o programa passava todo fim de semana, e reunia num tipo de café cenográfico shows de dança, diálogos jocosos, números musicais com cantores e instrumentistas e a participação de figuras destacadas na sociedade soviética, como cientistas, escritores, astronautas, gente condecorada etc. Algum tempo depois, passou a ser exibido somente em datas festivas e feriados, mas ficaria mais conhecido com o formato que mantém atualmente: um show transmitido na véspera do Ano Novo e reexibido no Ano Novo ortodoxo (13 dias depois).

Topei com ele enquanto fazia a busca pelo Trololó, e de repente achei a referida gravação de Muslim Magomaiev. Num dos programas que baixei, encontrei esta linda pérola: um dançarino soviético ao estilo cabaré ocidental, antecedendo o que poderíamos hoje relacionar a Pabllo Vittar ou Ney Matogrosso, porém com muito mais roupas. Só faltou bater a cartola, isto é, o cabelo: que ginga, que swing! Parece irônico, mas “голубой”, literalmente “azul celeste” (em contraposição a “синий”, “azul escuro”), na gíria russa significa “gay”, “homossexual”, “boiola”. Do vídeo completo, de quase duas horas, apenas extraí o tempo correspondente e tirei as margens pretas em excesso.



Este vídeo foi originalmente feito em 2012, numa edição do programa de TV Slovenija ima talent (A Eslovênia tem talento), e o conjunto executa uma polca de autoria de Slavko Avsenik e arranjos de seu irmão Vilko Avsenik. Ela foi composta em 1954 e gravada pela primeira vez em 1955, sendo considerada uma das melodias mais reproduzidas do mundo hoje. Na Golici se refere ao monte Golica (Kahlkogel em alemão), localizado na fronteira entre a Eslovênia e a Áustria, mais exatamente sobre a cidade eslovena de Jesenice. Por isso a aparente semelhança com a música austríaca ou mesmo alemã (o país já foi parte do Império Austro-Húngaro e da Itália).

Ô loco, meu! Quarenta feras fazendo graça com sanfona? Brincadeira! No vídeo original, sem cortes ou legendas, pus apenas umas legendas zoeiras pra vocês captarem o espírito da coisa!



Este vídeo é um trecho de uma reportagem que achei bem por acaso, provavelmente de uma TV do Cazaquistão que também transmite em língua russa. A matéria se intitula “Por que os russos estão estudando a língua cazaque?”, e sugiro que vocês deem uma olhada, mesmo se entenderem nada ou nem tudo.

A transmissão se centra no motivo que estaria levando alguns jovens estudantes russos a estudarem a língua cazaque, que é da mesma família do turco, ao contrário da língua russa. Esses jovens, em suma, querem buscar mais oportunidades profissionais, já que o Cazaquistão é um grande parceiro estratégico da Rússia (a começar pelo mesmo pertencimento à União Eurasiática), e estudar um idioma totalmente diferente dos indo-europeus. De fato, quase todos os jovens sempre buscam primeiro inglês e espanhol, e depois francês e alemão, pondo de lado as línguas dos países vizinhos.

Estas jovens do vídeo são estudantes da Universidade de Linguística de Moscou (MGLU), e estão continuando uma sequência de cantos em língua cazaque que também aparecem tocados em violão no meio da reportagem. Eu resolvi cortar só esse trecho e aproximar o quadro, pra fazer uma brincadeirinha. Os russos sempre foram especialistas em estudar academicamente as línguas “exóticas” das antigas repúblicas soviéticas e dos povos minoritários que habitam a Rússia atual. Quem deseja se aventurar nesses idiomas vai infelizmente achar, mais do que tudo, material em russo.



O amor é lindo, e entre Leonid e Erich as coisas eram bem íntimas. A URSS e a RDA nunca iam deixar se separar com uma ligação tão calorosa! E assim continuou o bloco socialista até 1989, numa lua-de-mel só. O vídeo completo consiste numa reportagem sobre a visita soviética a Berlim.

Nota essencial: o beijo entre homens, que sempre foi motivo de piada no Ocidente, era um cumprimento formal comum até há algum tempo. Atualmente, as novas e médias gerações não fazem mais isso, então não é mais comum ver “homens se beijando” na Rússia e nunca é recomendável fazer isso com um estranho.



Achei um vídeo noticiário por acaso e decidi compartilhar: trata-se de um boletim emitido em 3 de julho pelo canal NTV da Moldávia. Uma das reportagens relata a mensagem mandada pelo presidente Igor Dodon ao presidente de Belarus, Aleksandr Lukashenko, felicitando-o pelo aniversário da independência deste país.

Na Moldávia (também chamada Moldova), antiga república soviética, também se fala romeno entre grande parte da população, mas eles mesmos chamam a própria língua de “moldávio”, a qual é inclusive o tema central do hino nacional. Nos tempos da URSS, o idioma chegou a ser escrito num alfabeto cirílico adaptado, que acho horrível.

Neste vídeo vocês podem assistir duas vezes à mensagem lida por um narrador e ao texto passado simultaneamente na tela. Aproveitem a rara oportunidade pra descobrir como soa o romeno... ou moldávio? Algumas coisas são compreensíveis, sobretudo pra quem sabe italiano e latim, mas não entendo tudo: se alguém souber traduzir, sinta-se à vontade pra comentar no YouTube.

A música final se chama Alunelul, mas integra o folclore da Romênia. P.S. Escrevi errado no vídeo: segundo o VOLP, não existe o adjetivo “moldavo”, mas apenas “moldávio”.



O jornalismo da remota Moldávia realmente rende muitos memes: aproveitando o mesmo telejornal, tentei novamente dar uma de SAM com a vovozinha cheia das vodcas. Busquei retomar também a velha tradição das montagens toscas do Jiraya e do Daileon!


8 de outubro de 2018

Memes da Iugoslávia e o Marechal Tito


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No meu canal Eslavo (YouTube), às vezes gosto de carregar imagens engraçadas do mundo eslavo, ou montagens que eu mesmo faço com teor humorístico, que chamo genericamente de “memes”, mas nem todos os inscritos gostam. Em geral priorizo o mundo eslavo, porque muita coisa é digna de ser conhecida, mas quem fala português quase sempre tem essa barreira da língua. Nem sempre minha tentativa de ser um “canal SAM” dá certo, mas eu continuo tentando!

Nesta e em outras postagens, farei coleções com os melhores memes que tentei criar no meu canal. Nem todos vêm de países eslavos, e muitos constituem verdadeiras montagens cômicas, mas eles deviam possuir um espaço, além das próprias playlists a que pertencem no YouTube, pra ser reunidos, exibidos e comentados. Hoje, posto três vídeos interessantes que fiz sobre a antiga Iugoslávia e seu ditador, Josip Broz, ou Marechal Tito. Infelizmente, não domino a língua servo-croata e suas variantes nacionais, mas algumas coisas consegui achar por acaso e, independente do idioma, pude trazer ao meu público.



Não é nada engraçado, mesmo com um ditador, mas postei por mera curiosidade histórica. Por um lado, Tito, que governou a Iugoslávia de 1945 a 1980, teve uma política bastante aberta para com o Ocidente, ao contrário de outros países comunistas da Europa. Por outro lado, os primeiros-ministros social-democratas, trabalhistas ou esquerdistas, em países democráticos, buscaram fortalecer laços e ouvir mais as nações do antigo Leste europeu.

Foi o caso do social-democrata Olof Palme, que governou a Suécia de 1969 a 1976 e de 1982 a 1986, ano em que foi assassinado ao sair de um cinema. Em 1976, ele e outros dignatários locais receberam Tito em Estocolmo, capital da Suécia, e na hora em que o marechal saiu da limusine, teve seus dedos prensados pela porta da frente (passageiro) ao sair um oficial que não identifiquei. Isso se deu porque Tito resolveu se apoiar na lateral direita ao sair, e colocou os dedos bem no vão da porta dianteira. O oficial não viu essa cena, e fechou a porta com tudo.

Obviamente, como se nota em algumas das versões que uni no vídeo, o marechal berrou de dor, repreendeu o colega e saiu corajosamente em direção a Olof Palme, que ou era um bobo-alegre, ou fez carinha de que se divertiu com o incidente. Mais pra frente, outra tomada mostra Tito com Palme e os companheiros, fazendo gestos como se estivesse explicando a fechada de porta. Notam-se também alguns dedos com o que parece ser um curativo.

É bizarro como em alguns programas suecos, o caso foi tratado como uma videocassetada do Faustão, gerando risos histéricos e nenhuma empatia, como era o caso no que pareciam ser os anos 90. A atitude foi bem besta, e vários simpatizantes de Tito no território moderno da antiga Iugoslávia xingaram os suecos no YouTube, dizendo que ele não era ditador e que ver alguém se ferindo não era nada hilário. Por outro lado, sérvios que abominam o comunismo adoraram vê-lo sofrer.

Eu mesmo fiz a montagem, tendo recortado os vídeos pra ficarem com o quadro retangular. Originalmente, estão nos respectivos endereços:

http://youtu.be/7hZHgMsDim0
http://youtu.be/D4eaimOSxvk
http://youtu.be/i89A4od3ayU
http://youtu.be/5AJoYzp6ne4



Até pro lindo casal presidencial iugoslavo Josip e Jovanka Broz tem dia, lugar e tem hora! Pra serem felizes numa casa de campo, fazendo artesanato e tomando café. Mas não é em 1977, e sim em 1962. Achei por acaso um curto vídeo documental de Tito e sua mulher passando uma tarde no que parece ser uma propriedade deles, e num dos momentos, o presidente enche uma xícara com uma máquina de café expresso, e vai fumar um charuto e conversar ao lado dela.

Na minha opinião, Dia, lugar e hora, um sucesso do cantor brasileiro Luan Santana, casou direitinho com essa cena! Então, brinquei que ele estaria cantando Pesem o Titu (Canção para Tito), um sertanejo comunista. Mas na verdade, nem sequer fala do Tito: é apenas o referido trecho com seu som original tirado, substituído pela maior parte do refrão da música do Luan (só tirei uma frase pra que as durações coincidissem). Não vou transcrever a letra do hit, mas vocês podem assistir acima, pra julgar se fiz algo interessante!



Apesar da estranha miniatura que montei, este é o pequeno excerto de um episódio do programa infantil iugoslavo “Полетарац” (Poletarac), exibido na primeira metade de 1980 (este episódio é de 19 de março, e eu já legendei o tema de abertura). Gravado com diversos atores, incluindo músicas, piadas e contos, propunha-se apresentar “as coisas básicas da vida e do mundo ao redor”. No vídeo completo, o trecho em questão começa aos 15’55”.

A palavra servo-croata poletarac tem um equivalente em inglês, que é fledgling. Ambas designam um passarinho que está saindo do ninho, aprendendo a voar, e figuradamente um iniciante ou novato em alguma coisa. Como os atuais puritanos no Brasil, poderíamos dizer: “Era o marxismo cultural apresentando essas obscenidades às crianças!” Mas podemos ver também por um lado não erotizado, que é a meta do programa. A maldade está nos olhos de quem vê. Não vou reescrever a tradução, mas segue o texto das falas nos alfabetos latino e cirílico:

– Da li znaš, ko je najmlađi stanovnik Socijalističke Federativne Republike Jugoslavije? A?
– To je najmlađi stanovnik Socijalističke Federativne Republike Jugoslavije.

– Да ли знаш, ко је најмлађи становник Социјалистичке Федеративне Републике Југославије? А?
– То је најмлађи становник Социјалистичке Федеративне Републике Југославије.




6 de outubro de 2018

Ramzan Kadyrov, um bailarino amador


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Quando eu postar em meu canal Eslavo (YouTube) algo da Rússia não relacionado aos povos eslavos, penso em chamar isso “Projeto Outras Rússias”, mas não tenho nada certo. Em agosto, estava pesquisando sobre música tártara no YouTube e de repente encontrei este vídeo por acaso. O protagonista é Ramzan Akhmadovich Kadyrov, desde 2007 presidente da Chechênia, república autônoma da Rússia localizada no Cáucaso com a qual o governo de Moscou travou uma guerra brutal nos anos 90 pra evitar sua independência. Outrora combatente nas fileiras separatistas, Kadyrov, filho de outro político tradicional, aliou-se a Vladimir Putin, ingressou nas fileiras do partido Rússia Unida e ficou conhecido pela restauração da paz e pela reconstrução de Grozny, a capital local. Me impressiona muito, pelo menos na minha visão, sua semelhança facial com o personagem infantil Fofão, famoso no Brasil dos anos 70 e 80 e cujo criador já faleceu.

Contudo, Kadyrov é notado internacionalmente pela sua mão de ferro, autoritarismo e perseguição a minorias, sobretudo à população LGBT da região. E é este homem que vemos soltando a franga numa festa de 2016, certamente mais um dos rega-bofes que compõem sua vida de luxo e ostentação. O ritmo tocado é a lezginka, de raiz georgiana, mas conhecido e praticado em todo Cáucaso, como tivemos a ocasião de saber quando eu trouxe a canção Oisia ty oisia à página. A cantora contratada é Elina Murtazova, executando a música Vada day, lançada no ano anterior. A língua chechena pertence à família caucasiana do nordeste, uma das famílias primárias de línguas do mundo, abarcando a Chechênia, Daguestão e outras regiões próximas. O georgiano, por sua vez, pertence à família cartevélica, enquanto o tártaro, junto com o azerbaijano, o cazaque e o turco, pertence à túrquica.

Não pude deixar de fazer uma comparação cômica com Sidney Magal, o cigano de araque célebre por ser o rei do rebolado entre os anos 80 e 90. Ele é mais conhecido por seus sucessos Sandra Rosa Madalena e O meu sangue ferve por você, mas esta canção, Me chama que eu vou, estourou quando foi usada em 1990 na abertura da novela Rainha da sucata na Rede Globo. Embora os ritmos do Cáucaso não tenham relação direta com ciganos, esse gingado parece algo universal. Pra aumentar a saudade, enxertei o final da abertura da novela Explode coração, de 1995, em que aparece a hoje apresentadora Ana Furtado. Se bem que no começo dos 90, a febre era da lambada, mas em se tratando do Magal, vale tudo pra até o tirânico Kadyrov cair na dança! Vocês podem achar em pesquisa no YouTube os vídeos completos, que apenas cortei, reenquadrei e encaixei juntos:



Por outro lado, ontem fui brindado pela coincidência. Em 5 de outubro temos dois grandes aniversários na Chechênia: os 42 anos de idade de Ramzan Kadyrov e os 200 anos da fundação de Grozny, iniciada como uma fortaleza. Embelezando o show, a cantora chechena Makka Sagaipova, que neste vídeo de 2005 tinha só 18 anos. Infelizmente, não descobri a ocasião da gravação, mas trata-se da canção “Хаза кӏант” (Xaza khant), que se pronuncia mais ou menos “rrazá kant” e significa Cara bonito ou Um rapaz bonito. Não descobri também quem compôs a letra e a melodia.

Mais uma vez, agora sem montagem, temos aqui Kadyrov soltando a franga com a lezginka. Paradoxalmente, um cara que parece tão gente boa, tão descontraído, está atualmente permitindo uma perseguição e encarceramento sem precedentes da população LGBT da Chechênia, alvos da censura internacional. Mesmo assim, ao contrário do Brasil, parece que o gingado masculino desinteressado lá não é associado a nenhuma preferência sexual. Playboyzinho e ostentador, Kadyrov não se importa em gastar rios de dinheiro com espetáculos e aniversários públicos: não por acaso tem até um “momento Silvio Santos” do nada.

A beleza artística fica por conta do dançarino típico de lezginka, que brota subitamente no palco pulando que nem uma perereca. Talvez uma das danças mais complexas do mundo, ele reveza passadas na ponta do pé, como uma bailarina clássica, com rápidos e simétricos movimentos corporais. Como de praxe, o presidente Fofão gosta de aparecer, e Sagaipova não esconde o espanto com a atitude, em meio à sua bonita exibição vocal e corporal. Makka Umarovna Sagaipova nasceu em 1987 em Grozny, e também faz parte do grupo Lovzar de dança chechena. Filha de um acordeonista, começou a cantar aos seis anos de idade e a dançar aos oito, e tem sua carreira amplamente financiada pelo marido milionário, Malik Saidullaiev.

Tremendo sucesso na época, Sagaipova talvez tenha sumido depois, pois esta música foi gravada em seu álbum de estreia Sou sua filha, Chechênia! (2004), e seu único álbum posterior foi Amor (2005). Ela também tem uma conta no Instagram, onde posta fotos e vídeos de agora, fala sobre sua escola de lezginka e reitera seu apoio político a Kadyrov, um perfil pessoal no VK e uma página de fãs na mesma rede. Baixei deste canal o vídeo sem legendas, que tem muitos comentários e visualizações (não cortei o quadro pra não perder conteúdo). Como não sei checheno, fiz uma tradução indireta do russo, cujo texto pode ser acessado junto ao original. Esse site é muito bom, e tem muita informação sobre a Chechênia, e frases e canções traduzidas.

Existe uma peculiaridade na versão chechena do alfabeto cirílico: ele usa as mesmas letras do alfabeto russo, mais uma letra adicional que parece um “i” maiúsculo ou um “L” minúsculo, com diversas funções. Contudo, ao longo da história, por causa das limitações tipográficas, essa letra foi escrita de várias formas, incluindo com um algarismo 1, como ainda é usual na internet. De conteúdo extremamente profundo e encoberta por essa batidinha viciante, como vocês perceberam, vejam abaixo minha legendagem, a letra corrigida em checheno, a tradução russa e a tradução em português:


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Син кӏераме гул дела ду,
Хаза сюре вай хьура ю.
Вай безамаш хоржура бу,
Шайна везарг кӏастура ву.
Вай безамаш хоржура бу,
Шайна везарг кӏастура ву.

До ӏаш волу и хаза кӏант,
И мял хаза хета суна.
Хьо кхечунга дхьа ма хьежа,
Со уоайлане ӏахь ма ита.
Хьо кхечунга дхьа ма хьежа,
Со уоайлане ӏахь ма ита.

Ала соьга мичхьара ву,
Милхач нахах шьа вялла ву.
Синач стигал ялла ёлу,
Везчу Дели выеха ёлу.
Синач стигал ялла ёлу,
Везчу Дели выеха ёлу.

Со хьоьга бям яха лур яц,
Хьо воцчунг со яха лур яц.
Безам бухург хала хум ду,
И массера лазама бу...
Безам бухург хала хум ду,
И массера лазама бу...

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Мы собрались на вечеринку,
Мы хорошо проведем вечер.
Мы определимся с симпатиями
И выберим того, кого любим.
Мы определимся с симпатиями
И выберим того, кого любим.

Вон тот парень, который сидит,
Как он мне нравится.
Ты на других не смотри,
А то буду ревновать тебя.
Ты на других не смотри,
А то буду ревновать тебя.

Скажи, парень, откуда ты,
От каких людей ты вышел.
Я уже готова на синее небо забраться
И у Аллаха просить его себе.
Я уже готова на синее небо забраться
И у Аллаха просить его себе.

Я смогу только за тебя выйти замуж,
Ни с кем кроме тебя жить не смогу.
Любовь штука сложная,
И у всех она боль есть...
Любовь штука сложная,
И у всех она боль есть...

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Nos reunimos numa balada,
Vamos tendo uma boa noite.
Vamos ver quem é atraente
E aí escolher um namorado.
Vamos ver quem é atraente
E aí escolher um namorado.

Aquele rapaz sentado ali,
Eu gostei tanto, tanto dele.
Não fique olhando as outras,
Vou ficar com ciúme de você.
Não fique olhando as outras,
Vou ficar com ciúme de você.

Gato, de onde você veio?
Qual sua origem e família?
Pronta para ir ao céu azul,
Vou pedir você para Alá.
Pronta para ir ao céu azul,
Vou pedir você para Alá.

Só poderei casar com você,
Só poderei viver com você.
O amor é complexa brincadeira
Que traz dor a todo mundo...
O amor é complexa brincadeira
Que traz dor a todo mundo...

Breves observações: como a própria língua russa tem vasta diferença expressiva em relação ao checheno, o primeiro tradutor já teve que adicionar algumas explicações sobre suas escolhas menos precisas. Já no primeiro verso, traduzido como “Мы собрались на вечеринку” (literalmente “Nos reunimos/Nos dirigimos a uma festa”), ele esclarece quanto à “festa”: “ну так сказать... типа веселье” (literalmente “hm, como dizer... uma diversão desse tipo”). No verso “От каких людей ты вышел” (literalmente “De que tipo de pessoas você saiu/veio”), diz-se que quanto a essas pessoas, “имеется в виду род” (literalmente “tem-se em vista o clã, tribo, raça, linhagem”). Além disso, em outra página com tradução semelhante, a única diferença é que no lugar do verso “А то буду ревновать тебя” aparece “Не вгоняй меня в раздумье” (literalmente “Não me deixe viver com dúvidas”).



Love is blind. Amor cæcus est.