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24 de setembro de 2018

Amor, Komsomol, Primavera: URSS ’78


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Outro pedido recente de um visitante do meu canal Eslavo (YouTube), eis mais um exemplo de canção patriótica composta pelo nosso já conhecido casal Nikolai Dobronravov (letra) e Aleksandra Pakhmutova (ritmo). Chama-se “Любовь, Комсомол и Весна” (Liubov, Komsomol i Vesna), Amor, Komsomol e Primavera, e foi lançada em 1978 como homenagem aos jovens soviéticos, sobretudos os filiados na União da Juventude Comunista (Komsomol) do partido único. Este áudio foi gravado pelo Grande Coral Infantil da URSS, sob a regência de Viktor Popov, e tem solo de Igor Manashirov, cantor conhecido na Rússia.

Já que a música não tem uma história especial nem específica, vou falar um pouco mais dos envolvidos. Como sabemos, esta é mais uma das obras que o casal fazia em massa, sobretudo na Era Brezhnev, visando instilar um fervor nacionalista em jovens cada vez mais alheios à ideologia comunista e à história do bolchevismo. Por isso mesmo, as letras eram bastante simplórias e o ritmo, bem agitado, flertando com estilos da música ocidental. Acho que após Vasili Lebedev-Kumach, que escreveu a letra da maioria das canções patrióticas sob Stalin, Dobronravov e Pakhmutova seriam os mais dignos de ser estudados como agentes da propaganda musical soviética. Mesmo havendo, de fato, muitos outros poetas e compositores valorosos e de renome.

O Grande Coral Infantil foi fundado em 1970, no seio do Comitê Estatal Russo de Rádio e Televisão, sendo diretor artístico e principal regente Viktor Sergeievich Popov, professor, pedagogo e condecorado Artista Popular da URSS em 1989. O coral fazia sucesso na antiga URSS e sobrevive até hoje, sob nova direção, inclusive com site próprio onde se acham fotos, vídeos, áudios e outras informações. Popov (1934-2008) começou a estudar canto coral aos 10 anos e depois continuou sua formação musical em conservatórios. Especializado em atividades com crianças, fundou o Grande Coral Infantil que atualmente leva seu nome, escreveu muitos manuais e livros didáticos e dirigiu outros coros infantis. A Academia de Coral Artístico, que ele fundou em 1991, leva hoje seu nome também.

Nikolai Nikolaievich Dobronravov (n. 1928) é um poeta, ator, professor e compositor nascido em Leningrado (hoje São Petersburgo). Estudou teatro e pedagogia nos anos 40 e 50, e suas letras se tornaram muito famosas na antiga URSS e no exterior comunista, sobretudo aquelas compostas junto com a esposa, Aleksandra Nikolaievna Pakhmutova. Mas ele também compôs com outras parcerias, e suas canções foram gravadas pelos maiores cantores e grupos soviéticos. Dobronravov, que hoje vive em Moscou, tem a obra marcada pelo clima tenso da “guerra fria” e pelas maiores conquistas esportivas e tecnológicas da URSS, e desde os anos 90 tem se deixado influenciar pela religião. Pakhmutova (n. 1929), com quem é casado desde 1956, nasceu em Stalingrado (hoje Volgogrado), fez mais de 400 melodias e também é ativista social. Musicista precoce, fez as primeira melodias aos 3 anos e a primeira peça de piano aos 5, mas só começou estudos formais aos 7. Após formação superior em conservatórios, passou por vários gêneros musicais, mas se especializou nas canções populares que lhe renderam a celebridade. Muito premiado, o casal não tem filhos.

Eu mesmo traduzi e legendei a canção, tendo copiado a letra do ótimo site de material soviético SovMusic.ru e baixado o vídeo sem legendas antes de cortar o quadro de parte dele. Minha tradução não está toda literal, mas ela conserva o sentido básico que se pretendeu passar. Seguem abaixo minha legendagem, o texto russo original e a tradução:


____________________


Звени, отваги колокол!
В дороге все, кто молоды.
Нам карта побед вручена.

2x:
Отчизне в дар останутся
Рабочей славы станции.
Запомните их имена:
Любовь, Комсомол и Весна.

Дорога, вдаль идущая, –
Наш первый шаг в грядущее.
И звёзд, и земли целина...

2x:
Мечты края безбрежные,
Твоя улыбка нежная...
В душе, что отвагой полна, –
Любовь, Комсомол и Весна.

Мы сами – ритмы Времени.
И нам с тобой доверены
И песни, и ночи без сна...

2x:
И снова вьюги кружатся,
И песня учит мужеству,
И с нами на все времена –
Любовь, Комсомол и Весна.

И с нами на все времена –
Любовь, Комсомол и Весна,
Любовь, Комсомол и Весна,
Любовь, Комсомол и Весна!

____________________


Ressoe, sino da bravura!
Todo jovem está a caminho.
Já temos o mapa das vitórias.

2x:
Os pontos da glória operária
Vão ser ofertados à Pátria.
Decorem os nomes deles:
Amor, Komsomol, Primavera.

O caminho indo ao longe
É nossa estreia no futuro,
Estrelas e terras intocadas...

2x:
Limites infindos do sonho,
Você sorrindo ternamente...
Na alma toda valente estão
Amor, Komsomol, Primavera.

Ritmamos o Tempo mesmo.
A mim e você foram confiadas
As canções, as noites insones...

2x:
E de novo ondulam nevascas,
As canções ensinam coragem
E sempre vão estar conosco
Amor, Komsomol, Primavera.

E sempre vão estar conosco
Amor, Komsomol, Primavera,
Amor, Komsomol, Primavera,
Amor, Komsomol, Primavera!




22 de setembro de 2018

Mina – Tintarella di luna (Banho de Lua)


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É evidente que traduções sempre enriquecem uma cultura, e no caso do Brasil, a versão de músicas italianas dos anos 50 a 70 fez nossa história, sobretudo pelo estilo da “jovem guarda”. Eu queria saber se vocês reconhecem esta canção, que talvez muitos nem saibam que foi traduzida do italiano, mas que a maioria dos jovens hoje nem deva conhecer. Portanto, mostre o vídeo pro seu avô ou sua avó, e espere a resposta. Eles se lembraram da canção Banho de lua, que estourou na voz de Celly Campello? Pois acertaram!

Esta linda moça, que parece estar recebendo um caboclo e parece um clone da atriz e youtuber Kéfera Buchmann, se chama Mina Anna Maria Mazzini, mais conhecida pelo nome artístico Mina. Ela gravou Tintarella di luna (literalmente, Bronzeado de Lua ou Bronzeada pela Lua) num compacto de 1959, junto com a faixa Mai (Nunca). A letra é de Franco Migliacci e a melodia é de Bruno De Filippi, com arranjos de Tony De Vita. Mina, que também tem nacionalidade suíça desde 1989 e se especializou em pop e na chamada “música leve”, começou sua carreira em 1958, aos 18 anos. Tornada com os anos a mais exitosa cantora italiana, adotou vários ritmos, gravou mais de 1500 músicas, vendeu mais de 150 milhões de discos entre álbuns e compactos e também atuou no rádio, no cinema e em programas de TV. Atuou com artistas consagrados do mundo inteiro, teve uma agitada vida privada (embora sempre se esforçasse por guardar discrição) e foi pioneira nos costumes: além dessa roupa e cabelo que seriam modernos ainda hoje, Mina foi a primeira na Itália a usar minissaia na mídia.

Meio ao estilo de um “hino dos supremacistas brancos” ou no mínimo um “consolo às meninas branquelas”, numa cultura que valoriza as peles bronzeadas sexy (tanto lá como aqui), Mina faz também um trocadilho com os dois sentidos de cândida, que são “branca”, “alva”, e “pura”, “imaculada”. Outras bandas já a executavam em seus shows, mas ao ouvir a primeira vez, Mina se apaixonou pela canção e pediu permissão pra gravar, já parecendo que tinha sido feita especialmente pra ela. A faixa termina sendo sua marca registrada, lança a garota nacionalmente e a distingue entre tantas artistas parecidas, na véspera do boom econômico dos anos 60. A melodia foi composta primeiro, e então deixada à genialidade de Franco Migliacci, já consagrado com Domenico Modugno como coautor da celebérrima Nel blu dipinto di blu. Além da própria trama incomum, criou o “tin tin tin” que deveriam ser os “raios de Lua” batendo no corpo da moça.

A canção também foi traduzida em francês como Un petit clair de lune, e em português como Banho de Lua (versão de Fred Jorge), gravada em 1969 pelo grupo tropicalista brasileiro Os Mutantes, mas celebrada já em 1960 quando nascia a “jovem guarda”, na voz de Celly Campello (nome artístico, 1942-2003), eternizada como “Namoradinha do Brasil”. Cantando e atuando no rádio e TV desde criança, Celly estourou no país com Estúpido Cupido em 1959 e se tornou a precursora do rock nacional. Coisas do destino: encerrou a carreira no auge, aos 20 anos, pra se casar e ir morar em Campinas, perdendo, por isso, a chance de apresentar o mítico programa Jovem Guarda de Roberto e Erasmo Carlos. Todas as vezes em que tentou relançar-se, inclusive em 1976, na época da novela Estúpido Cupido, quando voltou aos holofotes, não obteve sucesso, e terminou falecendo de câncer de mama.

Eu mesmo traduzi e legendei, tendo copiado o texto italiano do ótimo site musical Rockol.it e baixado este vídeo sem legendas. Seguem abaixo a legendagem no meu canal Eslavo (YouTube), o original em italiano e a tradução em português:


____________________


Abbronzate, tutte chiazze,
Pelli rosse un po’ paonazze
Son le ragazze che prendono il sol,
Ma ce n’è una
Che prende la luna.

Tintarella di luna,
Tintarella color latte
Tutta notte sopra il tetto,
Sopra al tetto come i gatti.
E se c’è la luna piena,
Tu diventi candida.

Tintarella di luna,
Tintarella color latte
Che fa bianca la tua pelle,
Ti fa bella tra le belle.
E se c’è la luna piena,
Tu diventi candida.

Tin tin tin,
Raggi di luna,
Tin tin tin,
Baciano te.
Al mondo nessuna è candida come te.

____________________


Bronzeadas, bem manchadas,
Peles vermelhas, meio roxas
São as meninas que tomam Sol,
Mas uma delas
Toma banho de Lua.

Bronzeada pela Lua,
Bronzeada cor-de-leite
Toda noite no telhado,
No telhado como os gatos.
E se a Lua está cheia,
Você se torna cândida.

Bronzeada pela Lua,
Bronzeada cor-de-leite
Que deixa sua pele branca
E te faz a mais bela mulher.
E se a Lua está cheia,
Você se torna cândida.

Tim, tim, tim,
Raios de Lua,
Tim, tim, tim,
Beijam você.
Ninguém no mundo é cândida como você.




20 de setembro de 2018

Воевать мы мастера: música da URSS


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Há uns dias estavam reclamando que meu canal Eslavo (YouTube) “não estava eslavo”, por causa das legendagens em outras línguas. Então, “arrebentei a boca do balão” e mandei algo ao mesmo tempo em russo, comunista e da 2.ª Guerra Mundial. Mais um fã do canal também me pediu esta por meio do título em inglês, e descobri que se tratava de “Воевать мы мастера” (Voievat my masterá), que pode ser traduzido como Somos mestres em guerrear. É mais uma canção de propaganda nacional com letra de Vasili Lebedev-Kumach, o “trovador de Stalin”, desta vez com melodia de Tikhon Khrennikov, ao que tudo indica, datada de 1941.

No canal do vídeo sem legendas há muito mais material documental da época, e trata-se de um cinejornal musicado, e não de um longa-metragem, ilustrando o esforço antinazista. É interessante que, pra mobilizar a população, Stalin só podia usar o nacionalismo patriótico e a mitologia dos heróis militares russos, extensamente repetidos ao longo da canção. Como ele ia mover as massas, já combalidas com fome, violência, produção acelerada e outras guerras, recorrendo à retórica ultrapassada de “defender a revolução mundial” e “ajudar o proletariado de outros países”?

Aparentemente, mesmo entre os russos, essa canção não era popular, nem conhecida fora do material onde ela foi gravada: o chamado “Боевой киносборник № 6” (Coleção de Cinema de Guerra, episódio 6), um dos rolos de uma série de filmes feita pras forças armadas da URSS, certamente depois de junho de 1941, quando os alemães se lançaram à invasão ao país. Em outros uploads feitos na Rússia, há o mesmo trecho cantado, bem como a crônica inteira e a informação de que, sobre a voz do ator à frente, canta o artista Vladimir Zakharov. Choca a linguagem ofensiva com que são chamados os “cachorros” (псы) alemães, remetendo a outras guerras que os dois povos já tinham travado no passado. Destaque pra trechos do filme Aleksandr Nevski (também escrito “Alexander Nevsky”), um dos mais famosos do cinema histórico soviético.

Há um artigo muito interessante em russo, escrito por Ie. V. Baraban, chamado “A Mãe-Pátria no cinema soviético, 1941-1945”, do qual eu copiei a fala inicial dos atores, ausente da música. A apresentadora começa assim: “За наших матерей и сестёр, за наших отцов и братьев, за смерть, принесённую тобой в нашу страну, Красная Армия отплатит сторицей” (Por nossas mães e irmãs, por nossos pais e irmãos, pela morte que você trouxe ao nosso país, o Exército Vermelho responderá cem vezes pior). O ator continua: “Отплатим, товарищи. Русский народ никогда не оставался в долгу врага” (Responderemos, camaradas. O povo russo nunca ficou em dívida com o inimigo).

P.S. Reparem no soldado mais à esquerda dando um leve escorregão na escada aos 4 min 52 seg: foi uma pena que deixei essa escapar, na hora de montar a legendagem. Eu mesmo traduzi direto do russo e legendei, tendo copiado o texto desta página. Seguem abaixo minha legendagem, o original russo e a tradução em português:


____________________


1. Эй, герои! Разве не с кого
Брать нам в доблести пример?
Вспомним ратный подвиг Невского,
Боевой его манер.
Брал отвагой молодецкою
Он на озере Чудском,
И остались псы немецкие
Под холодным русским льдом!

Припев:
Воевать мы мастера,
И сегодня, как вчера,
По-геройски бьются русские бойцы.
И сегодня, как вчера,
Под могучее «ура»
Сыновья идут на битву, как отцы!
И сегодня, как вчера,
Под могучее «ура»
Сыновья идут на битву, как отцы!

2. Не задаром распеваются
Нами песни про Петра,
В каждом сердце отзывается
Та великая пора.
Все пути, что были пройдены,
Помнит храбрый наш народ.
Боевая слава Родины
Нас на подвиги зовёт.

(Припев)

3. Люди мы такого норова,
Что дерёмся до конца.
Мы – наследники Суворова,
Полководца и бойца.
Славы русской не забыли мы
И суворовских побед,
В сердце свято сохранили мы
Боевой его завет.

(Припев)

4. Честь, и храбрость, и достоинство
Русских воинов-отцов
Носит в сердце наше воинство
Краснозвёздных храбрецов.
И звезда красноармейская
Прежней славою горит.
Разгромим орду злодейскую,
Враг, как прежде, будет бит!

(Припев)

____________________


1. Ei, herói! Por acaso não temos
Ninguém para imitar em bravura?
Lembremos a façanha bélica de Nevski,
Suas maneiras lutadoras.
Ele atacou no lago Chud
Com intrépida valentia,
E os alemães cachorros ficaram
Sob o resfriante gelo russo!

Refrão:
Somos mestres em guerrear,
Tanto hoje quanto ontem,
Combatentes russos são heroicos.
Tanto hoje quanto ontem,
Sob um poderoso “hurra”
Os filhos vão lutar, como os pais!
Tanto hoje quanto ontem,
Sob um poderoso “hurra”
Os filhos vão lutar, como os pais!

2. Não é em vão que entoamos
Canções sobre Pedro, o Grande,
Em cada coração repercutem
Aqueles tempos grandiosos.
Nosso povo corajoso rememora
Todos os caminhos percorridos.
A glória lutadora da Pátria
Nos chama a realizar façanhas.

(Refrão)

3. Somos pessoas tão obstinadas
Que pelejamos até o final.
Somos herdeiros de Suvorov,
O comandante e soldado.
Não esquecemos a glória russa
Nem as vitórias de Suvorov,
Mantemos no peito com devoção
Seus preceitos para a guerra.

(Refrão)

4. A honra, a coragem e o valor
Dos pais russos que combateram
Está no peito de nosso corajoso
Exército com Estrela Vermelha.
E a estrela do Exército Vermelho
Brilha com as glórias passadas.
Destruamos a horda abominável,
Como antes, o inimigo perecerá!

(Refrão)




18 de setembro de 2018

Andrés do Barro: Corpiño xeitoso, 1970


Link curto para esta postagem: fishuk.cc/xeitoso


Outra canção que traduzi e legendei a partir da língua galega, a mais próxima do português, desta vez cantada pelo já falecido artista galego Andrés do Barro. Ela se chama Corpiño xeitoso, que podemos traduzir, obviamente, como Corpinho jeitoso, mas também Corpinho elegante, e foi composta pelo próprio Andrés. No ocaso da ditadura de Francisco Franco, que perseguiu as minorias linguísticas, o sucesso de Andrés do Barro foi algo excepcional, tanto com este clipe, gravado em 1970, quanto com outra música sua, O tren (O tren que me leva pola beira do Miño/Me leva, me leva polo meu camiño...), que estourou na Espanha.

Idiomas quase iguais são interessantes, e podemos entender o galego escrito, mas seria difícil traduzir literalmente as palavras ao português e ter algo que soasse palatável. Segundo as teorias modernas, uma tradução não deve ser apenas “compreensível” na língua-alvo, mas também parecer que foi escrita na língua-alvo. Isso porque um idioma não consiste só de palavras-tijolos unidas numa estrutura-gramática, mas compõe-se, sobretudo, de “modos de dizer”, que fazem com que certas combinações, embora logicamente corretas, soem estranhas devido à falta de uso. Essa é a perspectiva da linguística histórica, que há alguns anos emprego neste site e no meu canal Eslavo (YouTube).

Por isso, mais do que decalcar elementos do galego que tenham um cognato em português (o qual, porém, pode ser arcaizante ou pouco usado, sobretudo no Brasil), busquei outras formas de dizer a mesma coisa, mais comuns no português brasileiro. Até porque Andrés do Barro foi um poeta capcioso nesta canção, por criar combinações que obedecessem à métrica e à rima, e utilizar interessantes metáforas. Inclusive, às vezes também gosto de provocar vocês e, bem brasileiro, traduzi balance, que poderia ser “balanço”, como “gingado”, muito comum em nossa cultura popular pra mesma situação. Lembremos que em Garota de Ipanema, Vinícius de Moraes também usa “O seu balançado é mais que um poema”.

A música Corpiño xeitoso saiu como faixa 2 do álbum de estreia Me llamo Andrés Lapique do Barro (1970), lançado com o selo da RCA. Ator, cantor e compositor, Andrés do Barro (1947-1989) foi o cantor pioneiro em alçar sucessos em galego ao topo das paradas, apesar das dificuldades culturais dessa língua. Além de vários compactos, gravou outros dois LPs em 1971 e 1974, e no começo dessa década, ápice de seu êxito, chegou a dar shows na Argentina, Brasil e México, bem como em alguns países da Europa. Aos poucos, seus discos iam tendo menos sucesso, chegou a viver no México de 1976 a 1980 e enfim retornou a La Coruña. Atuou algum tempo no rádio, mas morreu jovem (câncer no fígado), já sofrendo de problemas financeiros. Com a esposa Paula López, a qual deixou alguns anos antes de morrer, teve três filhos e duas filhas.

Andrés do Barro cantava em galego, espanhol e italiano, mas ganhou fama por levar a cultura da Galiza pra além de suas fronteiras. Nos anos 2000, um movimento conhecido como “dobarrismo” começou a resgatar sua memória e relançar vários de seus sucessos, tornando a canção galega ouvida em outros países, sobretudo com o advento da internet. Escutando músicas de Andrés, podemos perceber alguns traços de espanhol, que era sua língua materna, como a pronúncia do LL como “i” (idêntica à pronúncia “caipira” do LH no Brasil) ou “dj”. A transcrição da letra de Corpiño xeitoso varia muito entre sites, quase sempre havendo a grafia primaveira pra primavera, errada até em galego. Outra peculiaridade é a fusão do infinitivo verbal ver com o artigo a, resultando em vela (erronemanete grafado ve-la), que muitos interpretam como “vê-la”. Mas na verdade, é fenômeno igual ao que acontece, por exemplo, com todos + os = tódolos.

Eu mesmo traduzi direto do galego e legendei, recortando o quadro, o vídeo desta página. Agora conheça este clone do ator Rafael Vitti na legendagem que segue abaixo, junto com a letra original e a tradução:


____________________


Que muller máis xeitosa que eu encontrei,
Doces foron as verbas que eu lle escoitei.
Ela ficaba na praia deitada na area,
Cos meus ollos abertos eu ollei pra ela.
Eu lle dixen “¡Ven!”
E me dixo “¿Que?”.

Déixame verche o corpo dourado
Polo sol primeiro do mes de abril.
Ergue as túas mans ata que cheguen ó ceo,
Colle as estrelas, foron feitas pra ti.

Teu corpo xeitoso indo sobre a area,
O teu movemento é coma as ondas do mar,
Teu doce balance coma o vento che leva,
Teu corpo xeitoso quer botarse a voar.

Que feitura levaba no seu camiñar,
Confundín o seu paso co meu palpitar.
Cando ela chamoume fun á súa beira,
Abondaba o seu corpo pra vela primavera.
Eu lle dixen “¡Ven!”
E me dixo “¿Que?”.

Déixame verche o corpo dourado
Polo sol primeiro do mes de abril.
Ergue as túas mans ata que cheguen ó ceo,
Colle as estrelas, foron feitas pra ti.

Teu corpo xeitoso indo sobre a area,
O teu movemento é coma as ondas do mar,
Teu doce balance coma o vento che leva,
Teu corpo xeitoso quer botarse a voar.

____________________


Que mulher mais elegante que eu encontrei,
Foram doces as palavras que escutei dela.
Ela ficava na praia deitada na areia,
Com vista arregalada eu olhei pra ela.
Eu lhe disse: “Vem!”
Ela respondeu: “Quê?”.

Deixe-me ver seu corpo bronzeado
Pelo primeiro Sol que saiu em abril.
Levante as mãos até chegarem ao céu,
Pegue as estrelas, foram feitas pra você.

Seu corpo elegante anda sobre a areia,
Você se movimenta como as ondas do mar,
Como o vento, seu lento gingado te leva,
Seu corpo elegante quer levantar voo.

Ela caminhava de maneira bonita,
Meu coração batia seguindo seus passos.
Quando ela me chamou, fui a seu lado,
Seu corpo bastava pra enxergar a primavera.
Eu lhe disse: “Vem!”
Ela respondeu: “Quê?”.

Deixe-me ver seu corpo bronzeado
Pelo primeiro Sol que saiu em abril.
Levante as mãos até chegarem ao céu,
Pegue as estrelas, foram feitas pra você.

Seu corpo elegante anda sobre a areia,
Você se movimenta como as ondas do mar,
Como o vento, seu lento gingado te leva,
Seu corpo elegante quer levantar voo.




16 de setembro de 2018

Julio Iglesias: Un canto a Galicia (1972)


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Um dos meus cantores preferidos, Julio Iglesias gravou em 1972 Un canto a Galicia (Um canto/Uma canção à Galiza), na língua galega e de sua própria autoria, como seu primeiro sucesso internacional. Julio José Iglesias de la Cueva honrou suas origens cantando no idioma nativo da região mais pobre da Espanha, muito próximo do português. As duas línguas mesmas fazem parte de uma mesma sub-ramificação dos idiomas ibero-românicos, que é a galego-portuguesa. Isto era um único idioma até o meio da Idade Média, e então se dividiu em dois, sobretudo com a precoce formação do Estado português (1140).

O cantor nasceu em Madrid, em 1942, e seu pai, Julio Iglesias Puga (“Iglesias” é o sobrenome paterno de ambos), que viveu entre 1915 e 2005, nasceu na cidade galega de Ourense, capital da província de mesmo nome (a Galiza, como um todo, é considerada “comunidade autônoma”). A mãe do cantor era filha de um jornalista andaluz e de uma porto-riquenha, quando a ilha ainda pertencia à Espanha. Quando jovem, jogou pelo Real Madrid e estudou Direito, mas teve a carreira e a faculdade interrompidas por um grave acidente de carro em 1962. Durante o tratamento, aprendeu a tocar violão, e sabemos no que isso foi dar (curiosamente, retomou estudos de Direito nos anos 90). Tinha começado a carreira em 1968 e já alcançado a fama em 1970-71.

Un canto a Galicia ocupou o primeiro lugar nas paradas da Espanha, vários países da América Latina e na Holanda, França e Bélgica, além da posição 12 na Alemanha Ocidental (onde ganhou a versão Wenn Ein Schiff Vorüberfährt) e espaço de destaque na África do Norte e Oriente Médio. Gravado inicialmente em compacto, entrou também no disco Suspiros de España, de Manolo Escobar, em dueto com Iglesias. O astro também a incluiu em outras coletâneas e cantou também em italiano e português (Um canto a minha terra). Não sendo a língua materna do Julio, o texto foge um pouco do padrão culto, a começar pela peculiar pronúncia de pai e nai como pae e nae. Além disso, a forma normal de de esos (desses) é deses, bem como soidade é mais empregado que saudade. Uma grande polêmica rodeia leixos (longe): variante regional, nenhum dicionário oficial a registra, e ela quase não aparece nos corpora da língua. Uma espécie de cognata evolutiva do espanhol lejos, é por isso reputada “castelhanismo” e substituída por lonxe, em raros registros aparecendo a forma híbrida lexos.

Pelo que parece, Julio Iglesias “corrigiu” esses pontos em gravações posteriores. Esta matéria em espanhol do jornal La Voz de Galicia tem um relato interessante do dia em que ele estreou a música em público. Na internet, só aparecem as letras “corrigidas”, mas consegui achar o texto mais fiel ao aúdio no livro Writing Galicia into the World: New Cartographies, New Poetics, de Kirsty Hooper (Liverpool, Liverpool University Press, 2011), p. 54, disponível no Google Livros. A autora destaca o vínculo da canção com o sentimento de nostalgia da vasta imigração galega pelo mundo, mas outros analistas contrastam essa melancolia com a vivacidade do ritmo, ao menos nesta gravação. Pra piorar, há uma polêmica sobre se o galego é ou não idioma separado do português, tanto que há falantes que usam uma versão muito mais próxima deste, apenas com algumas alterações morfológicas. É meio o caso do polonês e do cachubo, este tido como dialeto do primeiro. Mas a variante mais comum tem fonética semelhante à espanhola e usa a ortografia do espanhol, que é o caso de Un canto a Galicia.

Julio Iglesias sempre destacou que a Galiza lhe é muito querida, e não raro lhe dedica esta música quando se apresenta. Eu mesmo traduzi e legendei, fazendo uma legenda bilíngue galego (em cima) e português (embaixo). Nesta página pode ser lida a letra alterada, gravada anos depois, mas seguem abaixo a legendagem carregada no meu canal Eslavo (YouTube), o texto do áudio e a tradução em português:


____________________


Eu quéroche tanto,
E aínda non o sabes...
Eu quéroche tanto,
Terra do meu pai.

Quero as túas ribeiras
Que me fan lembrare
Os teus ollos tristes
Que fan me chorare.

Un canto a Galicia, hey,
Terra do meu pai.
Un canto a Galicia, hey,
Miña terra nai.

Teño morriña, hey,
Teño saudade,
Porque estou leixos
De esos teus lares.

Teño morriña, teño saudade,
Porque estou leixos de esos teus lares
De esos teus lares, de esos teus lares,
¡Teño morriña! ¡Teño saudade!

____________________


Eu amo tanto você,
E você ainda não sabe...
Eu amo tanto você,
Terra do meu pai.

Amo os seus riozinhos
Que me fazem recordar
Os seus olhos tristes
Que me fazem chorar.

Uma canção à Galiza, ei,
Terra do meu pai.
Uma canção à Galiza, ei,
Minha terra-mãe.

Eu sinto falta, ei,
Tenho saudade,
Porque estou longe
Dessas suas casas.

Eu sinto falta, tenho saudade,
Porque estou longe dessas suas casas.
Dessas suas casas, dessas suas casas,
Eu sinto falta! Tenho saudade!




14 de setembro de 2018

“Гандзя” (Handzia), canção ucraniana


Link curto para esta postagem: fishuk.cc/handzia


Esta tinha sido a primeira contribuição de Tiago Rocha Gonçalves pro meu canal Eslavo (YouTube), bem como a primeira tradução de um “visitante” que aí carreguei. Ele traduziu diretamente do ucraniano a canção popular “Гандзя” (Handzia), personagem feminina jovem que habita o folclore, tal como a “Marússia” da cultura russo-ucraniana. O autor foi Denys Bonkovsky, e no áudio está sendo cantada pelo Coral Aleksandrov do Exército Russo, o famoso Coral do Exército Vermelho.

Dionisi Fedorovych Bonkovsky, mais célebre como Denys Bonkovsky (1816-1881), foi um poeta, compositor e tradutor ucraniano. De origem polonesa, deixou uma vasta obra cultural, inclusive muitas traduções ucranianas a partir da língua polaca. Em 1869, fez o famoso artigo “Sobre a musicalidade das canções populares” (Про музику народних пісень), em que ele enumerou as particularidades do folclore musical ucraniano. Por muitos anos trabalhou no serviço público do tsarismo russo, mas na Ucrânia ainda é estimado por seus versos e melodias.

“Handzia” é uma forma afetiva do prenome feminino Hanna (às vezes “Ganna” em russo), que vem do alemão e equivale a Anna. Há outras canções tendo Handzia como personagem principal já conhecidas no século 18. Essa onipresença se nota até junto ao escritor ucraniano Ivan Frankó, um dos mais celebrados do país, como no conto “Mavka” (nome de moça mitológica). No meio culto russo, como na ocidental São Petersburgo, Handzia (ou Gandzia) era conhecida como peça de piano baseada no folclore da “Pequena Rússia” (Malo-Rossia).

Como eu disse, o próprio Tiago traduziu diretamente do ucraniano e pôs legendas nesta montagem. Ele também copiou a letra original de um comentário feito na própria página, e eu apenas cortei o quadro pra deixar com o tamanho da tela moderna. Pessoalmente não me agrada a montagem usando o brasão da URSS, que é extremamente ofensivo à maioria dos ucranianos. Mas se considerarmos que os eslavos orientais têm uma longa história juntos, e que não apenas o Coral do Exército Vermelho, mas também outras instituições soviéticas atuaram pra preservar a cultura da Ucrânia (ainda que sob o rígido controle da Rússia), não precisamos criar caso.

Além da própria Wikipédia em ucraniano, tirei informações sobre o autor e a canção deste blog dedicado à cultura ucraniana e deste site repleto de letras e explicações de canções populares da Ucrânia. Também não fiz nenhuma correção na tradução, mas quem quiser dar uma sugestão ou opinião, pode escrever direto pro tradutor. Seguem abaixo a legendagem do Tiago no meu canal, os trechos da letra em ucraniano que são cantados no áudio e a tradução em português:


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1. Чи є в світі молодиця,
Як та Гандзя білолиця?
Ох, скажіте, добрі люди,
Що зі мною тепер буде?
Ох, скажіте, добрі люди,
Що зі мною тепер буде?

Приспів:
Гандзя душка, Гандзя любка,
Гандзя мила, як голубка.
Гандзя рибка, Гандзя птичка,
Гандзя цяця-молодичка.

2. Як на мене щиро гляне –
Серце моє, як цвіт в’яне,
А як стане щебетати –
Сам не знаю, що діяти...
А як стане щебетати –
Сам не знаю, що діяти...

(Приспів)

3. Гандзю моя, Гандзю мила,
Чим ти мене напоїла?
Чи любистком, чи чарами,
Чи солодкими словами?
Чи любистком, чи чарами,
Чи солодкими словами?

(Приспів)

4. Чи є в світі молодиця,
Як та Гандзя білолиця?
Ох, скажіте, добрі люди,
Що зі мною тепер буде?
Ох, скажіте,
Що зі мною тепер буде?

(Приспів)

Гандзя рибка, Гандзя птичка,
Гандзя молодичка!

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1. Há alguma outra no mundo
Tão bonita como a Handzia?
Pois me falem, meu bom povo,
O que será de mim agora?
Pois me falem, meu bom povo,
O que será de mim agora?

Refrão:
Handzia, meu doce, meu amor,
Handzia querida como um pássaro.
Meu peixinho, meu passarinho,
Handzia, minha jovenzinha.

2. Como no meu sincero olhar
E como o canto dos pássaros,
Meu coração como flor despedaça
E não sei o que fazer.
Meu coração como flor despedaça
E não sei o que fazer.

(Refrão)

3. Handzia minha, Handzia querida,
O que me dará para beber?
Algo com amor, algo mágico,
Algo com palavras doces?
Algo com amor, algo mágico,
Algo com palavras doces?

(Refrão)

4. Há alguma outra no mundo
Tão bonita como a Handzia?
Pois me falem, meu bom povo,
O que será de mim agora?
Me falem,
O que será de mim agora?

(Refrão)

Meu peixinho, meu passarinho,
Handzia jovenzinha!




12 de setembro de 2018

Steg Partije (Bandeira do Partido), 1948


Link curto para esta postagem: fishuk.cc/steg


Como um admirador das minhas traduções me pedia há tempos esta canção, dediquei-a a ele. Composta em servo-croata, chama-se Steg Partije (A Bandeira do Partido), em alfabeto cirílico “Стег Партије”, também chamada Stijeg Partije (Стијег Партије) no dialeto ijekavica. A letra é de Čedomir Minderović, a melodia é de Oskar Danon e foi feita em 1948 como réplica à briga da recém-fundada Iugoslávia comunista contra a União Soviética. Segundo a Wikipédia sérvia, o Cominform, birô que reunia os principais partidos comunistas e meio que sucedeu à Comintern após a Guerra Mundial, emitiu resolução subestimando a luta de libertação nacional antifascista dos partisans iugoslavos.

Era quando o marechal Josip Broz Tito, por causa de discordâncias geopolíticas e ideológicas, estava rompendo com Iosif Stalin e saindo gradualmente da zona de influência soviética. Também edificando sua própria ditadura, Tito incentivou a composição de músicas em louvor à Resistência, aos partisans e a ele mesmo. Só esta canção recebeu oito melodias, até ser enfim escolhida uma e gravada pela primeira vez com arranjos do conjunto Dubrovački Poklisari (não sei se é eles que estão no áudio). Na versão dos vídeos, a quarta estrofe não é cantada, o que nos possibilita trocar “Tito” por “Lula” e começar uma bagunça.

Eu mesmo traduzi direto do servo-croata e legendei duas montagens: a primeira, feita por um canal muito bom com muito material sobre a antiga Iugoslávia, e a segunda, por outro canal menos conhecido, que acrescentou também a letra em alfabeto latino. No caso da primeira montagem, eu também cortei o enquadramento: trata-se do filme A batalha de Sutjeska, ou apenas Sutjeska, gravado pelos iugoslavos em 1973 e narrando essa batalha ocorrida em 1943, a maior travada pelos partisans, contra exércitos alemães, italianos, búlgaros e da Croácia fascista. Eu só legendei uma segunda versão porque pensei também em quem não curte diversões “cruentas”, violência ou filmes de guerra.

Quando se fala “Plano” no texto, indica o plano de desenvolvimento econômico lançado pelo Estado, do tipo dos quinquenais na URSS. Por isso, vocês podem ver a tradução “explicativa” que dei à quarta estrofe, que não aparece nos vídeos. Seguem as duas legendagens, que carreguei no meu canal Eslavo (YouTube), a letra em servo-croata com as diferenças da variante ijekavica indicadas entre parênteses (o áudio é cantado em ekavica, e após cada estrofe em cirílico, coloquei em alfabeto latino itálico) e a tradução em português. Nas legendas, o texto está um pouco abreviado, sem mudança no sentido:




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1. С Титом, за тобом, кроз јурише пламне
Пошли смо у одлучни бој!
Партијо наша – из пустоши тамне,
– Ст(иј)ег нас је водио Твој!
Партијо наша – из пустоши тамне,
– Ст(иј)ег нас је водио Твој!
S Titom, za tobom, kroz juriše plamne
Pošli smo u odlučni boj!
Partijo naša – iz pustoši tamne,
– St(ij)eg nas je vodio Tvoj!
Partijo naša – iz pustoši tamne,
– St(ij)eg nas je vodio Tvoj!

2. Дух храбро палих, у теби, у нама,
Жив је и никад не мре!
Партијо наша – Твој см(ј)ели дух слама
Препреке поб(ј)едно све!
Партијо наша – Твој см(ј)ели дух слама
Препреке поб(ј)едно све!
Duh hrabro palih, u tebi, u nama,
Živ je i nikad ne mre!
Partijo naša – Tvoj sm(j)eli duh slama
Prepreke pob(j)edno sve!
Partijo naša – Tvoj sm(j)eli duh slama
Prepreke pob(j)edno sve!

3. Слободан радник – и града и села –
Живот сад стварају нов!
Партијо наша – за велика д(ј)ела
Снажи нас моћни Твој зов!
Партијо наша – за велика д(ј)ела
Снажи нас моћни Твој зов!
Slobodan radnik – i grada i sela –
Život sad stvaraju nov!
Partijo naša – za velika d(j)ela
Snaži nas moćni Tvoj zov!
Partijo naša – za velika d(j)ela
Snaži nas moćni Tvoj zov!

4. Сад борац гради – и д(ј)ела јунака,
Слободно зари сад дан!
Партијо наша – к’о гранит си јака,
– Другови! Напр(иј)ед за План.
Партијо наша – к’о гранит си јака,
– Другови! Напр(иј)ед за План.
Sad borac gradi – i d(j)ela junaka,
Slobodno zari sad dan!
Partijo naša – k’o granit si jaka,
– Drugovi! Napr(ij)ed za Plan.
Partijo naša – k’o granit si jaka,
– Drugovi! Napr(ij)ed za Plan.

5. Народи братски, будућност нас зове
С Титом – за План – сад у бој!
Партијо наша – у поб(ј)еде нове,
Дижемо славни ст(иј)ег Твој!
Партијо наша – у поб(ј)еде нове,
Дижемо славни ст(иј)ег Твој!
Narodi bratski, budućnost nas zove
S Titom – za Plan – sad u boj!
Partijo naša – u pob(j)ede nove,
Dižemo slavni st(ij)eg Tvoj!
Partijo naša – u pob(j)ede nove,
Dižemo slavni st(ij)eg Tvoj!

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1. Com Tito, seguindo você, por entre disparos,
Marchamos à luta decidida!
Ó, partido nosso, sua bandeira
Nos tirou do deserto obscuro!
Ó, partido nosso, sua bandeira
Nos tirou do deserto obscuro!

2. A alma dos caídos vive corajosa
Em mim e você, nunca morrerá!
Ó, partido nosso, sua alma valente
Rompe vitoriosa todos os obstáculos!
Ó, partido nosso, sua alma valente
Rompe vitoriosa todos os obstáculos!

3. Os operários e os camponeses livres
Edificam agora uma vida nova!
Ó, partido nosso, para grandes obras
Seu chamado potente nos reforça!
Ó, partido nosso, para grandes obras
Seu chamado potente nos reforça!

4. Agora o soldado constrói, o herói produz,
Agora o dia brilha livremente!
Ó, partido nosso, você é duro como granito,
Camaradas! Avante planejar a economia.
Ó, partido nosso, você é duro como granito,
Camaradas! Avante planejar a economia.

5. Povos fraternos, o futuro nos chama
Com Tito, pelo Plano, à luta agora!
Ó, partido nosso, a novas vitórias
Elevamos sua bandeira gloriosa!
Ó, partido nosso, a novas vitórias
Elevamos sua bandeira gloriosa!