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13 de dezembro de 2017

“Казачья песня” (Canção do cossaco)


Link curto para esta postagem: fishuk.cc/kazachia


Esta linda canção que me pediram pra legendar no meu canal Eslavo (YouTube) se chama “Казачья песня” (Kazachia pesnia), A canção do cossaco ou A canção cossaca, e provavelmente quem está cantando é o Coral do Exército Vermelho. Ela faz parte da ópera Terras virgens desbravadas, composta e estreada pelo músico Ivan Dzerzhinski em 1937, que compôs, portanto, a melodia, enquanto a letra é do poeta Aleksandr Churkin. As imagens fazem parte do filme Tikhi Don (literalmente, O tranquilo rio Don), traduzido em inglês como And Quiet Flows the Don e filmado em três partes em 1957-58.

Esta canção mostra de novo a diversidade da experiência cossaca, tanto no tempo quanto no espaço. Aqui, estamos falando dos cossacos que viviam às margens do rio Don, relativamente próximo à atual fronteira ucraniana, e que partilham, portanto, vários elementos linguísticos com os ucranianos. A ópera Terras virgens desbravadas, assim como outra ópera de Dzerzhinski também chamada Tikhi Don, foi inspirada no romance igualmente de nome Tikhi Don, escrito em quatro volumes de 1925 a 1932 e em 1940, por Mikhail Sholokhov. O livro trata de uma família de cossacos do Don, os Melekhov, que vive uma trágica história amorosa nos anos da 1.ª Guerra Mundial, da Revolução Russa e da Guerra Civil Russa. Retrata-se, pois, a decadência e desmonte da instituição cossaca pelos bolcheviques. Com várias mudanças, o filme Tikhi Don, dirigido por Sergei Gerasimov em 1957 e 1958, relata a mesma história e, por isso, foi muito premiado até no exterior.

Ivan Ivanovich Dzerzhinski (1909-1978) foi um compositor soviético laureado com o Prêmio Stalin de terceiro grau (1950), membro do PC soviético desde 1942 e Artista Popular da RSFS da Rússia desde 1977. Compunha óperas e canções comuns, e recebeu ainda outros prêmios estatais durante sua vida. Aleksandr Dmitrievich Churkin (1903-1971) foi um poeta soviético que serviu no Exército Vermelho e se dedicou ao gênero do “realismo socialista”. Ele também escrevia canções, era membro do Partido desde 1949 e recebeu, entre outras condecorações, a Ordem da Insígnia de Honra. Mikhail Aleksandrovich Sholokhov (1905-1984), autor de Tikhi Don, foi um escritor, roteirista, jornalista e correspondente de guerra, laureado com o Nobel de Literatura em 1965. Também ganhou os prêmios Lenin (1960) e Stalin (1941), foi membro do PC soviético desde 1932 e de seu Comitê Central desde 1961. Contudo, foi várias vezes acusado de plágio, inclusive no caso de seu Tikhi Don, por A. Solzhenitsyn e outros.

O vídeo sem legendas com o filme e a canção está nesta página, e a letra em russo pode ser consultada neste site, onde há muitas outras canções cossacas. Neste vídeo, outra montagem interessante mistura cenas de filme com a atuação do Coral do Exército Vermelho. Eu mesmo traduzi, legendei e mudei o enquadramento, e seguem abaixo a legendagem, a letra em russo e a tradução em português (nas legendas, o texto foi encurtado, sem mudar o sentido):


____________________


Шли по степи полки казачьи с Дону,
Один казак лишь голову склонил.
Ой, заскучал один казак по дому.
Коню на гриву повод уронил.
Ой, заскучал один казак по дому.
Коню на гриву повод уронил.

Эх, разлетались кудри врассыпную.
О доме думка мучила его.
Лижь в даль глядел он синюю степную,
А в той дали не видно ничего.
Лижь в даль глядел он синюю степную,
А в той дали не видно ничего.

Тряхнул казак чубатой головою,
Сказал своим товарищам с тоской:
Эх, изболелось сердце молодое,
Ой, как мне братцы, хочется домой.
Эх, изболелось сердце молодое,
Ой, как мне братцы, хочется домой.

Лети скорей дороженька-дорога,
Развей казачью думу и тоску.
Эх, на дыбы поднял коня лихого,
И свистнул саблей острой на скаку.
Эх, на дыбы поднял коня лихого,
И свистнул саблей острой на скаку.

А по степи полки со славой громкой,
Всё шли и шли спевая соловьём.
Ковыльная, родимая сторонка,
Прими от красных конников поклон.
Ковыльная, родимая сторонка,
Прими от красных конников поклон.

____________________


Iam pela estepe tropas cossacas do Don,
Somente um cossaco deu-se por vencido.
Ei, um cossaco se cansou e foi para casa.
Deixou a rédea cair pela crina do cavalo.
Ei, um cossaco se cansou e foi para casa.
Deixou a rédea cair pela crina do cavalo.

Ah, as madeixas voaram em debandada.
Ficar pensando na casa o fazia torturado.
Ele só olhava pra longínqua estepe azul,
Mas nessa imensidão não podia ver nada.
Ele só olhava pra longínqua estepe azul,
Mas nessa imensidão não podia ver nada.

O cossaco sacudiu a cabeça com topete,
E disse com melancolia aos camaradas:
Ah, meu jovem coração está extenuado,
Ei, maninhos, queria tanto ir para casa.
Ah, meu jovem coração está extenuado,
Ei, maninhos, queria tanto ir para casa.

Voe depressa, caminho, caminhozinho,
Desembarace mente e peito do cossaco.
Ah, fiz meu cavalo impetuoso empinar,
E no galope, meu sabre agudo assobiou.
Ah, fiz meu cavalo impetuoso empinar,
E no galope, meu sabre agudo assobiou.

E pela estepe, os regimentos em frente
Seguiam, com glória muito retumbante.
Minha cara terra natal, cheia de mato,
Deixe a saudarem os nobres cavaleiros.
Minha cara terra natal, cheia de mato,
Deixe a saudarem os nobres cavaleiros.




10 de dezembro de 2017

Eduard Khil – Лесорубы (Lenhadores)


Link curto para esta postagem: fishuk.cc/lesoruby


No último dia 4 de setembro, comemorando os 83 anos do nascimento do grande Mr. Trololo, os quais até o Google lembrou, enviei no meu canal Eslavo (YouTube) este presente pros fanáticos pela cultura soviética. Na verdade, já tinham me pedido essa música há muitos anos, e eu só estava esperando ter tempo pra legendá-la. É a canção “Лесорубы” (Lesoruby), Os lenhadores, cantada pelo grande barítono Eduard Khil. A melodia é do compositor Arkadi Ostrovski, e a letra é do poeta Mikhail Tanich. O texto fala sobre a vida dos lenhadores, profissão aparentemente banal num país como o Brasil, onde a madeira não é parte essencial de sua formação social. No hemisfério norte, dada a escassez de inúmeros outros recursos naturais e o clima frio, a construção de casas de madeira, além de outras utilidades, é parte essencial de suas culturas.

Talvez os adolescentes de hoje não o conheçam, mas Eduard Anatolievich Khil (1934-2012) foi um célebre cantor soviético, intérprete de muitas canções populares e românticas. Sua marcante voz de barítono o destaca dentro de um grupo seleto de cantores da antiga URSS, amplamente condecorados e favorecidos por um ambiente que promovia a alta cultura e a arte de qualidade. Contudo, no resto do mundo (que quase não conhecia o outro lado da “cortina de ferro”), e até na Rússia atual, poucos conheciam Khil, popularizado apenas quando viralizou no YouTube em 2010 um clipe seu dos anos 70, em que fazia uma espécie de exercícios vocálicos. A canção, na verdade, teve censurada a letra sobre um caubói americano que vivia com sua amada, e ficaram só os “trololós” que deram o apelido ao cantor. Esse fenômeno lhe rendeu uma súbita fama a posteriori, a qual ele infelizmente pôde aproveitar pouco.

Reparem que o cenário deste clipe é exatamente o mesmo em que ele gravou o célebre vídeo do “trololó”: deve ter sido feito na mesma leva, quem sabe até no mesmo dia. Eu baixei o vídeo sem legendas, postado há muitos anos já, deste canal pessoal, e tirei a letra em russo deste site, onde também há muitas outras canções. Eu mesmo traduzi, legendei e mudei o enquadramento do vídeo, e seguem abaixo a legendagem, a letra em russo e a tradução em português:


____________________


1. Лесорубы – ничего нас не берёт:
Ни пожары, ни морозы!
Поселился наш обветренный народ
Между ёлкой и берёзой.
Эге-гей!

Припев:
Привыкли руки к топорам,
Только сердце непослушно докторам,
Если иволга поёт по вечерам,
Если иволга поёт по вечерам.

2. Лесорубы – сорок семь холостяков,
Валим кедры в три обхвата.
Нам влюбиться – просто пара пустяков,
Да не едут к нам девчата...
Эге-гей, эге-гей!

(Припев)

3. Лесорубы, наша родина тайга,
Дед Морозу мы соседи.
Нас боятся и февральская пурга,
И лохматые медведи!
Эге-гей!

(Припев)

4. Лесорубы, на делянке у костров
Мы умеем веселиться!
И на стройках эхо наших топоров
Слышны в сёлах и столицах!
Эге-гей!

(Припев)

____________________


1. Nós, lenhadores, não tombamos,
Nem com incêndios ou nevascas!
Nosso povo moldado pelo vento
Fixou-se entre o abeto e a bétula.
Tro-lo-lóóó! [Ehe-hei!]

Refrão:
Mãos se adequaram a machados,
Só o coração ignora os médicos
Se o papa-figos canta toda noite,
Se o papa-figos canta toda noite.

2. Somos 47 lenhadores solteiros,
Tolhemos cedros em 3 braçadas.
Não gostamos de nos apaixonar,
Por isso a mulherada nos foge...
Tro-lo-lóóó! [Ehe-hei! Ehe-hei!]

(Refrão)

3. Nosso país de lenhador é a taiga,
O Papai Noel é o nosso vizinho.
Assustamos até os ursos peludos
E a nevasca de fevereiro!
Tro-lo-lóóó! [Ehe-hei!]

(Refrão)

4. Sabemos fruir como lenhadores
Das fogueiras no meio da terra!
Nosso machado das obras ecoa
Até ouvirem em vilas e capitais!
Tro-lo-lóóó! [Ehe-hei!]

(Refrão)




6 de dezembro de 2017

Livros grátis de história e comunismo


Link curto para esta postagem: fishuk.cc/bibliobras



Esta é outra iniciativa pra tentar compartilhar livros pessoais e públicos sobre os mais diversos assuntos culturais. Agora, estou divulgando também uma grande pasta aberta, que fiz ao mesmo tempo como forma de fazer backup do que eu já tenho em meu computador e como um patrimônio coletivo pra quem tem os mesmos interesses que eu.

Eu chamei essa grande pasta pública de Biblioteca Brasil, e é destinada principalmente a quem se interessa por ciências humanas, história e comunismo soviético. Pra quem gosta de estudar idiomas sozinho, em grupo ou com orientação, peço que veja esta postagem já famosa, em que se podem baixar arquivos completos em formato RAR com gramáticas, manuais e dicionários em diversos formatos digitais. Neste outro endereço, é possível ler e baixar a maioria das obras que acumulei durante minha pós-graduação: tinyurl.com/bibliobras.

A pasta principal e todas as suas subpastas estão alocadas numa das minhas contas no Google Drive. Uma boa parte dos arquivos está em PDF ou DOC, mas outros estão em formato DJVU, um formato mais leve, moderno e eficiente, cuja leitura exige programas especiais, como o WinDjView, que sempre uso sem problemas. Não é preciso nenhum cadastro ou login especial pra acessá-los. Dica importante: caso deseje baixar um arquivo, fique logado no Drive com apenas uma conta, pois tenho tido problemas ao logar com todas ao mesmo tempo.

As pastas e o conteúdo disponíveis são os seguintes:

  • Curso de russo TOPE – São os arquivos que usei como guia ou explicações pra um minicurso da língua russa que dei na Unicamp em outubro e no começo de novembro. O arquivo Power Point logo visível é um interessante resumo sobre a história da língua russa, com mapas e manuscritos bonitos. Existe também uma pasta com material didático de russo em inglês e francês, e outra em português!
  • Documentação comunista em russo – Coletâneas de documentos publicadas na antiga URSS e na Rússia atual, muitos deles permanecidos longamente secretos, com atas de congressos e conferências partidárias e resoluções estatais confidenciais. Destaco os livros ligados ao PC soviético e à Comintern, mas há muito mais coisas.
  • Livros de história – Obras sobre a história do Brasil e do mundo, sobretudo das relações internacionais, dos partidos comunistas e das revoluções socialistas, bem como de teorizações sobre historiografia. Escritos em português, inglês, espanhol, francês, alemão, italiano e russo.
  • Livros em russo sobre comunismo – Obras de um só autor, de dois ou de vários, obras coletivas, revistas acadêmicas ou até mesmo escritos de personagens de época sobre os fatos em questão. Abrangem as mais variadas posições políticas, desde os liberais até os stalinistas.
  • Matemática – Quatro livros básicos e isolados, em português, espanhol e italiano, de uma coleção que quero aumentar com o tempo, sobre um interesse em que desejo gradualmente me aperfeiçoar!
  • Miscelânea de humanas – Livros de filosofia ou outras reflexões sociais, escritos por humanistas e não ligados diretamente à história. Vocês podem baixar aí a coleção completa das Cartas do cárcere e dos Cadernos do cárcere, de Antonio Gramsci, em italiano!
  • Textos de história social – Livros ou artigos digitais que eu copiei da faculdade ou fui pesquisando e adquirindo por conta própria durante meu primeiro semestre de doutorado. Conta principalmente com obras já traduzidas em português, mas cujo original eu quis achar pra ajudar minha professora. De particular utilidade pra quem pesquisa dentro da área de história social do curso de pós-graduação da Unicamp ou de outras universidades. Escritos em português, inglês, francês e italiano.
  • Discursos de Lenin e Stalin em MP3 (arquivo RAR) – Possibilidade de baixar um arquivo de 75 MB com áudios de todos os discursos dos dois maiores líderes soviéticos que chegaram a ser gravados. Não há transcrição impressa, mas alguns de Stalin eu já traduzi, e todos os áudios e textos de Lenin podem ser escutados e lidos (em russo e português) nesta postagem.
  • História do stalinismo (arquivo RAR) – Coletânea gigante em 353 MB, editada na Rússia (portanto, toda em russo) e com os mais recentes avanços na historiografia sobre o período alto da URSS, ladeados diretamente pela documentação arquivística recém-liberada em Moscou.

A maioria desses livros já estava disponível online pra que se pudesse baixar livremente, portanto eu espero não enfrentar problemas com os tubarões dos direitos autorais!




3 de dezembro de 2017

Стадион моей мечты (Olimpíada 1980)


Link curto para esta postagem: fishuk.cc/stadion


Um fã muito especial do meu canal Eslavo (YouTube) pediu com insistência que eu legendasse esta canção. Quando consegui uma brecha no meu doutorado, não pensei duas vezes: traduzi a letra e baixei um vídeo adequado. A música se chama “Стадион моей мечты” (Stadion moiei mechty), literalmente O estádio do(s) meu(s) sonho(s), mas que traduzi como O estádio com que sonhei. A voz é do cantor azerbaijano Muslim Magomaiev, a letra foi composta por Nikolai Dobronravov e a melodia por sua esposa, Aleksandra Pakhmutova. Eles são um casal muito famoso por comporem diversas canções ufanistas dos tempos soviéticos.

Aparentemente, este foi um dos temas, ou ao menos o tema de abertura, dos Jogos Olímpicos de Moscou de 1980, famoso pelo mascote Misha, um simpático ursinho marrom. Pena que nesta filmagem ele não aparece. O trecho em vídeo, assim como a canção, fazem parte do documentário soviético O sport, ty – mir! (Ó, esporte, você é paz!), lançado em 1981. Esse título advém de um poema de Pierre de Coubertin, fundador dos jogos modernos, chamado “Ode ao esporte” (1912), e pode ser lido em francês e alemão nesta página. Encomendado pelo Comitê Olímpico Internacional, o documentário expressa a visão oficial soviética sobre a instituição e a prática do esporte, ou seja, como um meio de promover a paz entre os povos e de aperfeiçoar a saúde corporal. Toda a trilha sonora foi produzida por Pakhmutova e lançada no LP Ptitsa schastia (O pássaro da sorte).

Como eu já informei em outra postagem, Muslim Magometovich Magomaiev (1942-2008) nasceu em Baku, capital do Azerbaijão, numa família com várias gerações de músicos e artistas, tendo o pai morrido na 2.ª Guerra Mundial. Fez estudos em conservatório musical e nos anos 60 começou a embalar sua carreira, tendo inclusive se apresentado no exterior, não sem chios da emigração anticomunista. Foi condecorado Artista Popular da URSS (1973), Artista Popular da RSS do Azerbaijão (1971) e com a Ordem da Honra (2002) pelo próprio Putin. Em 1998 encerrou voluntariamente a carreira, tendo se dedicado à pintura e a correspondências até morrer do coração.

Eu baixei o vídeo sem legendas desta página, mas no YouTube há várias montagens da mesma canção com outras cenas de O sport, ty – mir! ou outras filmagens esportivas da antiga URSS. Eu fiquei com dó de cortar o vídeo pra proporção 16:9, porque ia perder muita informação visual. Por isso ele está assim, bem quadradão. A letra completa em russo pode ser lida nesta página, e eu mesmo a traduzi e depois legendei o vídeo. Seguem abaixo a legendagem, a letra em russo e a tradução em português:


____________________


Здравствуй, самый лучший на свете
Стадион моей мечты!
Одержимость – путь к победе,
Спорта нет без красоты.

Жажда счастья, жажда рекорда
И борьбы прекрасный миг –
Мастера большого спорта
Учат рыцарству других.

Здравствуй, стадион,
Где мечты состязаются.
Здравствуй, стадион,
Где рекорды сбываются.

2x:
Нам с тобой вручён
Этот мир солнечной радости.
Спорт отвагой рождён.
Вся страна – это наш стадион!

Звёздный миг борьбы грандиозной
Верен огненным сердцам.
Слава дерзким виртуозам,
Вдохновенным мастерам!

Гордый свет имён легендарных,
Блеск характеров стальных,
Пусть пока им нету равных –
Мы равняемся на них.

Здравствуй, стадион,
Где мечты состязаются.
Здравствуй, стадион,
Где рекорды сбываются.

2x:
Нам с тобой вручён
Этот мир солнечной радости.
Спорт отвагой рождён.
Вся страна – это наш стадион!

Здравствуй, самый лучший на свете
Стадион моей мечты!
Нас любовь ведёт к победе.
Спорта нет без красоты.

Сердцем чутким, сердцем влюблённым
Слышим гордый зов судьбы,
Зов родного стадиона,
Песню пламенной борьбы.

Нам с тобой вручён
Этот мир солнечной радости.
Спорт отвагой рождён.
Вся страна – это наш стадион!

____________________


Salve, ó, melhor do mundo,
O estádio com que sonhei!
A persistência leva à vitória,
O esporte tem lá sua beleza.

A sede de vitórias e recordes
E o belo momento da luta:
Os esportistas profissionais
Ensinam o fair play a todos.

Te saudamos, ó, estádio,
Onde os sonhos rivalizam.
Te saudamos, ó, estádio,
Onde se batem recordes.

2x:
A mim e você foi confiado
Esse mundo de alegria radiante.
O esporte é fruto da bravura.
O país todo é nosso estádio!

A hora estrelada da magna luta
É fiel aos corações ardentes.
Glória aos gênios audaciosos
E aos craques entusiasmados!

Luz altiva de nomes lendários,
Brilho de indivíduos férreos,
Enquanto ninguém os alcança,
Equiparemo-nos nós a vocês!

Te saudamos, ó, estádio,
Onde os sonhos rivalizam.
Te saudamos, ó, estádio,
Onde se batem recordes.

2x:
A mim e você foi confiado
Esse mundo de alegria radiante.
O esporte é fruto da bravura.
O país todo é nosso estádio!

Salve, ó, melhor do mundo,
O estádio com que sonhei!
O amor nos conduz à vitória.
O esporte tem lá sua beleza.

De peito solícito e amoroso
Ouvimos chamar altivo o destino,
O apelo do querido estádio,
Canção de uma luta ardorosa.

A mim e você foi confiado
Esse mundo de alegria radiante.
O esporte é fruto da bravura.
O país todo é nosso estádio!



“Desejo boa sorte!”

29 de novembro de 2017

Там шли два брата (Lá iam 2 colegas)


Link curto para esta postagem: fishuk.cc/colegas


Esta é a canção “Там шли два брата” (Tam shli dva brata), Lá iam dois irmãos, falando de uma das inúmeras guerras do Império Russo tsarista contra o Império Otomano. O autor não é conhecido, e provavelmente trata de uma das inúmeras guerras mútuas que ocorrem desde o século 16, mais exatamente no século 19, dentre as quais não consegui identificar, mas que em geral terminaram em vitória russa. A expressão brata (literalmente “irmãos”) também alude a dois amigos, colegas ou companheiros de uma jornada, mais exatamente ao nosso “manos” genérico. O destino indicado na canção é um dos vários comuns, que infelizmente se multiplicariam no trágico século 20.

As músicas cossacas são reconhecíveis pelo vocabulário arcaico e pela pronúncia regionalista, bem como pela alternância de narradores, ou seja, tem hora que os versos indicam a fala de um narrador, outra hora do protagonista, e outra hora de outros personagens, sem se marcar a mudança de sujeito. No começo, por exemplo, diz-se “Lá iam, iam dois colegas”, isto é, o compositor está narrando. Nas estrofes seguintes, o “eu” é o soldado ferido, e em alguns momentos, são inseridas frases da esposa e dos filhos do moço. Também se percebe a inserção de várias vogais fracas entre consoantes enquanto se canta, o que lembra a ortografia do eslavo antigo, ou antes, a pronúncia do proto-eslavo (língua reconstituída), que não teria tantas consoantes encavaladas. Outro traço: onde se fala “outra”, que em russo é drugaia, pronuncia-se à ucraniana: “druhaia” (druhy/druha em ucraniano significa “2.º/2.ª”).

Eu fiz duas legendagens dessa música e as postei em meu canal Eslavo (YouTube), a primeira sendo com a garota russa Iulia Matiukina. Ela bombou na rede em 2015 cantando uma canção cossaca na sala de aula, e aparece nesta versão legendada com outra música do tipo. Mas isso foi em fevereiro de 2017, ou seja, nesse meio-tempo ela aproveitou o sucesso do primeiro vídeo pra produzir outros. Desde o primeiro vídeo, também descobri a identidade de Iulia, ou seja, além de seu nome, que ela tinha 19 anos na época do primeiro vídeo e estudava no colégio militar do Serviço Penitenciário Federal da Rússia (“ФСИН России”, FSIN Rossii). Na Academia desse serviço, ela é definida como kursantka, ou seja, aluna de colégio militar em geral (o masculino é kursant). Ela tem uma conta pessoal no VK, e infelizmente parece que ela não fala inglês.

O segundo vídeo é de uma apresentação comemorando os 200 anos do Coral Cossaco de Kuban (Кубанский казачий хор), gravada em 2011 e postada na internet no começo de 2012. Esse grupo folclórico, fundado em 1811, é um dos mais fortes do país, canta em russo e ucraniano e remonta às tradições da região de Kuban, no sul da Rússia, fronteiriça ao Cáucaso. Ao contrário do Coral Aleksandrov do Exército Vermelho, ele se foca na tradição da Rússia antiga. O vídeo original sem legendas está nesta página. Quanto a Iulia, foi certamente filmada numa casa privada, e o vídeo original, sem esse recorte aproximado que eu fiz, está neste canal de Aliona Semenovskaia, que deve ser uma amiga dela.

Eu mesmo traduzi a letra em russo, que pode ser lida nesta página, e legendei os dois vídeos. Seguem abaixo as legendagens, a letra em russo e a tradução em português (lado a lado, pra poupar espaço):




____________________


Там шли, шли два брата
С турецкого фронта
С турецкого фронта домой

Лишь только преступили
Мы польскую границу
Ударил поляк три раза

Ударил, ударил
Он в грудь меня поранил
Болят мои ранки, болят

Одна нарывает,
Другая заживает
От третьей я должен умереть

А дома детишки
Жена молодая
Всё ждут поджидают меня

Сестрица родная
Дай чистой мне бумаги
Родным я письмо напишу

Отец прочитает
А мать того не знает
У сына нет правой руки

Детишки возроснут
У матери спросят
А где же отец наш родной?

2x:
А мать отвернётся
Слезами зальётся
Убит на турецкой войне.

2x:
Там шли, шли два брата
С турецкого фронта
С турецкого фронта домой...

Lá iam, iam dois colegas
Vindos do front turco
Vindos do front turco para casa

Nós mal ultrapassamos
A fronteira polonesa
Um polaco atirou 3 vezes

Deu tiros, deu tiros
Que feriram o meu peito
Doem, doem as feridinhas

Uma está inflamando
Outra vai cicatrizando
E talvez a terceira me mate

E em casa os filhinhos
E minha jovem esposa
Ainda me esperam, aguardam

Querida enfermeira
Me dê um papel em branco
Vou escrever para a família

Meu pai vai ler
Minha mãe não sabe que
O filho perdeu o braço direito

Meus filhos crescidos
Vão perguntar à mãe
Onde está nosso querido pai?

2x:
E a mãe vai se virar
E dizer em lágrimas
Que morreu na guerra turca

2x:
Lá iam, iam dois colegas
Vindos do front turco
Vindos do front turco para casa...




26 de novembro de 2017

“Как родная меня мать провожала”


Link curto para esta postagem: fishuk.cc/rodnaia


Outra canção falando de um jovem russo que vai pra guerra, que parecia ser um tema corrente na Rússia. Ela é mais conhecida sob o nome “Как родная меня мать провожала” (Kak rodnaia menia mat provozhala), Enquanto mamãe se despedia de mim, mas às vezes também é chamada, igual a uma postagem anterior, “Проводы” (Provody). Essa palavra, pois, designa a despedida de um moço que vai prestar o serviço militar, tema idêntico nos dois vídeos. Apenas na tradução que estou postando agora é que interpretei como uma guerra verdadeira, e não apenas nosso famoso Tiro de Guerra.

O poema original, que contém menções à União Soviética e ao Exército Vermelho, foi escrito pelo poeta, escritor, publicista e político Demian Bedny, que a compôs em 1918, no front da guerra civil em Sviazhsk (o título era Provody). Em 1928, o compositor Dmitri Vasiliev-Buglai adaptou ao poema a melodia da canção popular ucraniana Komaryk, que fala de tema diferente e também era conhecida entre os ciganos russos como Komarichko. Demian Bedny (1883-1945) era o pseudônimo de Iefim Alekseievich Pridvorov, que nasceu na atual região central da Ucrânia, pertenceu ao partido comunista até ser expulso em 1938 e praticou o “realismo socialista”. A letra de Bedny conheceu várias adaptações populares, e uma delas é a deste vídeo, que não faz menções ao bolchevismo.

Esta apresentação foi feita em 24 de fevereiro de 2015 na Casa da Música de Moscou, pelo Coral Popular Público Russo M. Ie. Piatnitski (ou apenas Coral Popular Piatnitski), fundado em 1911 pelo músico, compositor e folclorista que deu nome ao conjunto. Os artistas se dedicam essencialmente a cantar músicas na língua russa, mas também há, como vimos, alguns passos de dança, e por vezes essa canção é mesmo dançada. O Coral Piatnitski, que teve vários diretores ao longo do século 20, tem um site oficial. Deve-se saber, pra entender a canção: ela é como um diálogo, em que o jovem soldado começa a primeira estrofe, e as seguintes são feitas por um ou mais membros da família. Na parte assinalada com travessões, a fala da(do) parente é interrompida pela dança, e depois é o moço quem completa a música. O poema trata da Guerra Civil Russa do Exército Vermelho contra os “brancos”, mas esta versão pode ser aplicada em qualquer caso.

Existem nesta página algumas das variantes da letra e a história da canção, e a letra cantada no vídeo pode ser lida nesta página, onde também é possível baixar uma versão em estúdio. Eu baixei o vídeo sem legendas deste canal, onde há outros vídeos da mesma noite, e eu mesmo traduzi e legendei. Seguem abaixo a legendagem no meu canal Eslavo (YouTube), a letra em russo e a tradução em português:


____________________


Как родная меня мать
Провожала,
Тут и вся моя родня
Набежала.

Ах, куда ж ты, паренёк,
Ах, куда ты?
Не ходил бы ты, Ванёк,
Во солдаты!

Мать, страдая по тебе,
Поседела,
А во поле и в избе
Столько дела!

Как дела теперь пошли:
Любо-мило!
Сколько сразу нам земли
Привалило!

Притеснений прежних нет
И в помине.
Лучше б ты женился, свет,
На Арине.

– С молодой бы жил женой,
Не ленился!
– Тут я матери родной
Поклонился.

Поклонился всей родне
У порога.
Не грустите вы по мне
За ради Бога!

Для родной своей земли
Расстараюсь.
Честь России защищать
отправляюсь!

____________________


Enquanto mamãe de mim
Se despedia,
Todos meus parentes aqui
Apareceram.

Ai, aonde vai, rapazinho,
Ai, aonde vai?
Ah, se pudesse, Ivanzinho,
Não ir à guerra!

Triste por você, mamãe
Envelheceu,
E no campo e na casinha,
Tantos afazeres!

Como tudo se deu agora
Dá gosto de ver!
Tanto de uma vez da terra
Nós colhemos!

Nem sombra há da opressão
Do passado.
Você, bem, devia ter casado
Com Arina.

– Viveria com a jovem esposa,
Não vadiaria!
– Aqui mandei à mamãezinha
Lembranças.

Mandei a toda a família
No portão.
Não se aflijam por mim,
Pelo amor de Deus!

Pela minha terra natal
Vou batalhar.
Em prol da honra da Rússia
Estou partindo!




22 de novembro de 2017

Во саду дерево цветёт: canto cossaco


Link curto para esta postagem: fishuk.cc/vosadu


Linda canção cossaca russa, que há muitos anos me pediram pra legendar, mas só há algum tempo fiz isso. Ela se chama “Во саду дерево цветёт” (Vo sadu derevo tsvetiot), Uma árvore floresce no jardim, às vezes também intitulada Da v sadu derevo tsvetiot. É mais uma composição que não tem autor e época definidos, mas faz parte do patrimônio cultural dos cossacos.

A cultura dos soldados cossacos livres é comum à Rússia e à Ucrânia, nesta tendo uma presença ainda mais forte. Muitas de suas músicas sobrevivem e são executadas até hoje, por grupos folclóricos (e também pelo exército russo) que incrementaram ainda mais a parte musical e coreográfica. Esse trânsito mútuo entre russos e ucranianos faz com que muitas letras, embora escritas formalmente em russo, tenham muitas características do sul do país, ou seja, muito próximas às da língua ucraniana.

Vou dar alguns exemplos. O uso da preposição u no lugar de v indicando alvo de movimento é muito mais comum no ucraniano do que no russo, embora neste haja uma evidente intenção eufônica. Ou seja, u pokhod (pra marcha), e não v pokhod. Devka ao invés de devushka (moça) também é dialetal e antigo, às vezes designando uma prostituta, como ocorre na ambiguidade que os brasileiros dão ao termo “rapariga”. O uso de kari no lugar de karie (castanhos) lembra igualmente a terminação de adjetivos ucranianos no plural. O verbo pobachit empregado como uvidet (ver, olhar) é outro decalque direto do ucraniano. E enfim, o que parece ser mais evidente: a pronúncia de gore ne beda (não adianta lamentar) no refrão como hore ne beda, dando pronúncia ucraniana padrão à letra Г (que, de fato, às vezes também é falada “g” no ucraniano do leste).

Eu mesmo traduzi e legendei, tendo postado meu vídeo no meu canal Eslavo (YouTube). A filmagem sem legendas, postada em 2012, consiste numa apresentação de artistas do Teatro Dramático Popular de Irkutsk, em evento folclórico lembrando os 75 anos da Província de Irkutsk, no museu Taltsy (Тальцы). Eu tirei a letra em russo do site do conjunto Kazachi Krug, onde também pode-se ouvir sua própria gravação. Seguem abaixo a legendagem, a letra em russo e a tradução em português:


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Да в саду дерево цветёт,
Да казак у поход идёт.
Раз-два, горе не беда,
Да казак у поход идёт.
Раз-два, горе не беда,
Да казак у поход идёт.

Ой, да казак у поход идёт,
Да за ним девка слёзы льёт.
Раз-два, горе не беда,
Да за ним девка слёзы льёт.
Раз-два, горе не беда,
Да за ним девка слёзы льёт.

Эй, да не плачь, девка, не рыдай,
Да кари очи не стирай.
Раз-два, горе не беда,
Да кари очи не стирай.
Раз-два, горе не беда,
Да кари очи не стирай.

Ой, да тогда, девка, заплачешь,
Да как у строю побачешь.
Раз-два, горе не беда,
Да как у строю побачешь.
Раз-два, горе не беда,
Да как у строю побачешь.

Да как у строю, у строю,
Да на вороненьком коню.
Раз-два, горе не беда,
Да на вороненьком коню.
Раз-два, горе не беда,
Да на вороненьком коню.

Да на вороненьком коне,
Да на казачем на седле.
Раз-два, горе не беда,
Да на казачем на седле.
Раз-два, горе не беда,
Да на казачем на седле.

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Uma árvore floresce no jardim,
O cossaco está indo em marcha.
Um, dois, não adianta lamentar,
O cossaco está indo em marcha.
Um, dois, não adianta lamentar,
O cossaco está indo em marcha.

O cossaco está indo em marcha,
Atrás dele uma mocinha chora.
Um, dois, não adianta lamentar,
Atrás dele uma mocinha chora.
Um, dois, não adianta lamentar,
Atrás dele uma mocinha chora.

Não chore, menina, não soluce,
Enxugue seus olhos castanhos.
Um, dois, não adianta lamentar,
Enxugue seus olhos castanhos.
Um, dois, não adianta lamentar,
Enxugue seus olhos castanhos.

Então, menina, você vai chorar
Quando for olhar para as tropas.
Um, dois, não adianta lamentar
Quando for olhar para as tropas.
Um, dois, não adianta lamentar
Quando for olhar para as tropas.

Olhar para as tropas, as tropas
E olhar para o cavalinho negro.
Um, dois, não adianta lamentar,
E olhar para o cavalinho negro.
Um, dois, não adianta lamentar,
E olhar para o cavalinho negro.

Ao olhar para o cavalinho negro,
Ao olhar para a sela do cossaco.
Um, dois, não adianta lamentar
Ao olhar para a sela do cossaco.
Um, dois, não adianta lamentar
Ao olhar para a sela do cossaco.