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17 de janeiro de 2018

Marcha das Malvinas (ilhas Falklands)


Link curto para esta postagem: fishuk.cc/malvinas


Esta é a Marcha de las Malvinas (Marcha das Falklands), que tem letra de Carlos Obligado e melodia de José Tieri. Foi composta em 1940 e dedicada à reivindicação que a Argentina faz desde o século 19 da soberania sobre as ilhas Malvinas, no extremo sul do Atlântico. Os ingleses chamam o pequeno arquipélago de “Falkland Islands”, ou apenas “Falklands”. Ainda hoje é tocada nas escolas e em todos os atos oficiais de reivindicação da soberania.

Desde 2001, celebram-se todos os anos o Dia dos Veteranos e dos Tombados na Guerra das Malvinas em 2 de abril, data em que começou a guerra promovida pelo ditador militar Leopoldo Galtieri em 1982. Mas a ideia da música é anterior, pois em 1939 se criou a “Junta de Recuperação das Malvinas”, pra conscientizar o povo sobre o assunto. Também se organizou então um concurso poético-musical, e no início de 1941 esta canção ganhou o prêmio. E óbvio, a música foi popularizada na guerra fracassada com o Reino Unido em 1982.

O homem da imagem no começo e no fim do vídeo é o próprio Galtieri, que usou a guerra pra levantar o moral da população num tempo de declínio do regime militar. O conflito foi providencial pra Margaret Thatcher, que alcançou nova popularidade ao disfarçar suas políticas recessivas, mas marcou o fim da última ditadura argentina, humilhada pelas inúmeras baixas inúteis. Esta canção é um dos símbolos do “irredentismo argentino”, ideário que prega a soberania da Argentina em vários territórios disputados com os vizinhos, inclusive, claro, as Malvinas, que chamei de “Falklands” no vídeo só pra provocar...

Eu baixei o áudio deste vídeo, que tem também algumas imagens relacionadas e a legenda em espanhol. O discurso de Galtieri foi feito durante a declaração de guerra, no sábado de Aleluia (véspera da Páscoa), e pode ser visto na íntegra nesta página. No final da minha montagem, eu colei a famosa parte em que ele diz: “Se querem vir (os britânicos), que venham, ofereceremos batalha!” Eu mesmo traduzi, legendei e montei o novo vídeo, tendo tirado a letra original e a informação histórica da Wikipédia em espanhol. Vejam a montagem duas vezes, lendo uma legenda de cada vez! Seguem abaixo a legendagem, que está postada no meu canal Eslavo (YouTube), o poema original e a tradução em português:


____________________


Tras su manto de neblinas,
No las hemos de olvidar.
“¡Las Malvinas, Argentinas!”,
Clama el viento y ruge el mar.

Ni de aquellos horizontes
Nuestra enseña han de arrancar,
Pues su blanco está en los montes
Y en su azul se tiñe el mar.

Por ausente, por vencido,
Bajo extraño pabellón,
Ningún suelo más querido
De la Patria en la extensión.

¿Quién nos habla aquí de olvido,
De renuncia, de perdón?
¡Ningún suelo más querido,
De la Patria en la extensión!

¡Rompa el manto de neblinas,
Como un sol, nuestro ideal,
Las Malvinas, Argentinas
En dominio ya inmortal!

Y ante el sol de nuestro emblema,
Pura, nítida y triunfal,
Brille ¡oh Patria! en tu diadema,
La perdida perla austral.

¡Para honor de nuestro emblema,
Para orgullo nacional,
Brille ¡oh Patria! en tu diadema,
La perdida perla austral.

____________________


Ocultas em manto nevoado,
Nunca iremos as esquecer.
“Falklands são argentinas!”,
Grita o vento e ruge o mar.

Nem daqueles horizontes
Irão arrancar nossa insígnia,
Pois seu branco está nos montes
E seu azul colore o mar.

Mesmo ausente ou vencido,
Sob uma bandeira estranha,
Não há solo mais querido
Na extensão de toda Pátria.

Quem está falando em esquecer,
Em renunciar ou perdoar?
Não há solo mais querido
Na extensão de toda Pátria!

Nosso ideal, como um sol,
Rompa o manto de neblinas,
Falklands são Argentinas
Num domínio já imortal!

Face ao sol de nosso emblema,
Pura, nítida e triunfante,
Brilhe, ó Pátria, em sua coroa
A pérola perdida do sul!

Para honrar nosso emblema,
Para orgulhar a nação,
Brilhe, ó Pátria, em sua coroa
A pérola perdida do sul!



Tão nem aí pra quem governa esse Paraíso...

14 de janeiro de 2018

Cristiano Neves brega em esperanto (2)


Link curto para esta postagem: fishuk.cc/doloras


Finalmente esta é minha última tradução ao esperanto de canções brasileiras e internacionais que eu ainda não tinha publicado. Já estão no blog diversos poemas que traduzi a partir de 2011, mas este também era o último da primeira leva que fiz na minha adolescência. Visitem a postagem anterior que escrevi sobre Cristiano Neves, pra conhecer a história dele. Hoje vocês vão conhecer minha tradução de Dói demais, que o mesmo cantor compôs e cantava. A canção é bem simplória, mas fiquei com vontade de traduzi-la por causa da batidinha viciante, e fiz isso em 23 de março de 2006. Ela é marcante porque traduzi bem no começo da graduação em História, e depois fiquei muitos anos sem traduzir de novo. Como nesse período me dediquei com afinco ao russo e ao francês, só retomei o esperanto com alguma regularidade em 2011. Além disso, Ĝi doloras tre (o novo título) foi a última tradução que publiquei num antigo site de esperanto; talvez em 2009, eu o desativei, e as traduções pós-2011 sairiam apenas no Facebook. Esta outra tradução também não é literal, mas se aproxima muito do que Cristiano Neves quis dizer. Seguem abaixo um vídeo com a gravação em estúdio e as letras em esperanto e português.

Jen finfine mia lasta traduko al Esperanto de brazilaj kaj internaciaj kanzonoj, kiun mi ankoraŭ ne estis publikiginta. En la blogo estas jam diversaj poemoj, kiujn mi tradukis ekde 2011, sed ĉi tiu estis ankaŭ la lasta de la unua grupo, kiun mi faris dum la adolesko. Por ekkoni la historion de Cristiano Neves, vizitu la antaŭan publikaĵon, kiun mi skribis pri li. Hodiaŭ vi ekkonos mian tradukon de Dói demais, kiun la sama kantisto komponis kaj kantis. La kanzono estas tro simpla, sed mi ekvolis traduki ĝin pro la altiranta ritmo, kaj mi faris tion la 23-an de marto 2006. Ĝi estas rimarkinda, ĉar mi tradukis ĝin en la ĝusta komenco de mia fakultato de Historio, kaj poste mi restis netradukante dum longaj jaroj. Ĉar tiuepoke mi fervore dediĉiĝis al la rusa kaj la franca lingvoj, mi reprenis iel konstantan praktikon de Esperanto nur en 2011. Krom tio, Ĝi doloras tre (la Esperanta titolo) estis la lasta traduko, kiun mi publikigis en estinta retejo de Esperanto; verŝajne en 2009, mi fermis ĝin, kaj la tradukoj post 2011 aperus nur en Facebook. Ankaŭ ĉi tiu alia traduko ne estas laŭlitera, sed estas tre proksima de la senso, kiun intencis Cristiano Neves. Ĉi-sube estas video kun la studi-versia kanzono kaj la poemoj en Esperanto kaj la portugala.


___________________


Ĝi doloras tre

2x:
Ĝi doloras tre,
Ĝi doloras tre,
Konsistas ne mia
Koro je ŝtono,
Ĝi doloras tre!

Ekspliku vian stultan agon
Forlasi vian koramaton.
Ĉu via cerbo freneziĝis?
Vi subite malboniĝis
Kaj min faris malzorgato.
Ĉu via cerbo freneziĝis?
Vi subite malboniĝis
Kaj min faris malzorgato.

Ĝi doloras tre,
Ĝi doloras tre,
Konsistas ne mia
Koro je ŝtono,
Ĝi doloras tre!

Dói demais

2x:
Dói, dói, dói demais,
Dói, dói, dói demais,
Meu coração não é
Feito de pedra,
Dói, dói, dói demais.

Pra que fazer esta loucura,
Deixar sozinho quem te ama?
O que deu nessa cabecinha?
Você era boazinha,
Hoje está me maltratando.
O que deu nessa cabecinha?
Você era boazinha,
Hoje está me maltratando.

Dói, dói, dói demais,
Dói, dói, dói demais,
Meu coração não é
Feito de pedra,
Dói, dói, dói demais.



10 de janeiro de 2018

“Marcha de San Lorenzo” (Argentina)


Link curto para esta postagem: fishuk.cc/sanlorenzo


Eu postei no meu canal Eslavo (YouTube) esta legendagem numa época em que eu estava com muita curiosidade sobre a história da Argentina, portanto saí à pesquisa. É a chamada Marcha de San Lorenzo, com melodia do compositor Cayetano Alberto Silva (1901) e letra do escritor, poeta e professor Carlos Javier Benielli (1907). Ela relembra o combate de San Lorenzo (cidade da província de Santa Fe), travado em 3 de fevereiro de 1813 entre as tropas do coronel José de San Martín, patrono da independência argentina, e os soldados realistas que defendiam o domínio pela Espanha.

Numa zona quase desértica próxima ao Convento de San Carlos Borromeo, a canção começa com a saída do Sol (“Febo” – Phoebus, Apolo ou Helios, conforme a representação mitológica grega) e termina com o assassínio do granadeiro independentista Juan Bautista Cabral, que morreu com apenas 22 anos com o posto de sargento. Cabral tornou-se um herói nacional mitificado ao ter socorrido San Martín, cujo cavalo tinha caído durante o combate, que representou o “batismo de fogo” do Exército Argentino.

Esta obra se tornou uma das mais famosas da música militar, tanto que as tropas nazistas a tocaram quando invadiram Paris, em 1940, e anos depois o próprio general Eisenhower também a fez soar quando os aliados da Segunda Guerra aí entraram. As bandas militares do Brasil, Uruguai, Polônia e outros países incorporaram-na, inclusive, em seu repertório. Eu baixei o áudio deste vídeo, que tem também uma interessante montagem com figuras históricas e a letra em espanhol. Eu mesmo traduzi, legendei e montei o novo vídeo, tendo tirado a letra original e a informação histórica da Wikipédia em espanhol. Seguem abaixo a legendagem, o poema original e a tradução em português:


____________________


Febo asoma; ya sus rayos
iluminan el histórico convento;
tras los muros, sordos ruidos
oír se dejan de corceles y de acero.

Son las huestes que prepara
San Martín para luchar en San Lorenzo;
el clarín estridente sonó
y la voz del gran jefe
a la carga ordenó.

Avanza el enemigo
a paso redoblado,
al viento desplegado
su rojo pabellón.

Y nuestros granaderos,
aliados de la gloria,
inscriben en la historia
su página mejor.

Cabral, soldado heroico,
cubriéndose de gloria,
cual precio a la victoria,
su vida rinde, haciéndose inmortal.

Y allí salvó su arrojo,
la libertad naciente
de medio continente.
¡Honor, honor al gran Cabral!

____________________


O Sol sobe; seus raios já
clareiam o histórico convento;
atrás dos muros, sons baixos
de cavalo e espada se ouvem.

São tropas que San Martín
prepara à luta em San Lorenzo;
o clarim estridente soou
e a voz do grande chefe
ordenou o ataque.

O inimigo avança
em passo acelerado,
com bandeira vermelha
desdobrada ao vento.

E nossos granadeiros,
ajudados pela glória,
escrevem na história
a melhor página dela.

Cabral, soldado heroico,
cobrindo-se de glória,
como preço pela vitória,
entrega a vida, tornando-se imortal.

E ali sua coragem salvou
a liberdade nascente
de meio continente.
Honra, honra ao grande Cabral!




7 de janeiro de 2018

Cristiano Neves brega em esperanto (1)


Link curto para esta postagem: fishuk.cc/pluveto


Outra criação bizarra que eu fiz quando eu era adolescente. O cantor Cristiano Neves nasceu na Bahia, mora há algumas décadas na cidade de São Paulo e, como muitos de seus conterrâneos, achou na música uma forma de sobrevivência. Ele é conhecido na comunidade migrante como um astro do brega, e embora ele ainda grave CDs e lance vídeos, seus maiores sucessos são dos anos 2000. Um deles é este, chamado Chuva de saudade, do qual eu gostava muito quando tinha 17 anos e decidi traduzir ao esperanto em 29 de janeiro de 2005. O novo nome da música ficou Pluveto saŭdada, mais literalmente “Garoa de saudade”, pra respeitar a métrica. Minha tradução não é literal, mas se aproxima muito do que os compositores Denilson Gomes e Cristiano Neves quiseram dizer. Seguem abaixo um vídeo com a gravação em estúdio, outro com uma gravação ao vivo e as letras em esperanto e português.

Alia bizara artaĵo, kiun mi kreis, kiam mi estis plenkreskanto. La kantisto Cristiano Neves naskiĝis en la brazila ŝtato Bahio, de kelkaj jardekoj loĝas en la urbo San-Paŭlo kaj, kiel multaj el liaj samŝtatanoj, trovis la muzikon kiel profesion. Li estas konata en la migrinta komunumo kiel muzikstelo de la stilo “brega”, kaj kvankam li ankoraŭ produktas KD-ojn kaj videojn, liaj plej grandaj sukcesoj aperis dum la 2000-aj jaroj. Chuva de saudade (Saŭdada/Nostalgia pluvo) nomiĝas unu el ili, kiun mi tre ŝatis, kiam mi estis 17-jara knabo kaj decidis traduki ĝin al Esperanto en la 29-a de januaro 2005. La nova nomo de la kanzono estas Pluveto saŭdada, por respekto al la metriko. Mia traduko ne estas laŭlitera, sed estas tre proksima de la senso, kiun intencis la komponistoj Denilson Gomes kaj Cristiano Neves. Ĉi-sube estas du videoj kun la kanzono (studia kaj spektakla versioj) kaj la poemoj en Esperanto kaj la portugala.




___________________


Pluveto saŭdada

Ho, stel’ de sonĝoj miaj,
Mi kion faru por
Vin tuj rekonkeradi,
Ĉe brak’ vin tenadi?
Al mi diru, do!

Dolorigis saŭdado min,
Doloris tre!
Dolorigis saŭdado min,
Doloris tre!

Dispeciĝis mia kor’,
La eroj restis for
Post longa solec’.
Dispeciĝis mia kor’,
La eroj restis for
Post longa solec’.

Rekantaĵo:
Falas la pluveto,
Malsekiĝas plank’.
La pluvet’ saŭdada,
Al la kor’ ne dank’.
Falas la pluveto,
Malsekiĝas plank’.
Min soleco vundas,
Likas mia sang’.

2x:
Revenu tuj,
Estu la uj’
De mia pasi’,
La stelo multkolora,
Kial’ de bato kora.
Sonĝ’ mia estas vi!

(Rekantaĵo)

2x:
Revenu tuj,
Estu la uj’
De mia pasi’,
La stelo multkolora,
Kial’ de bato kora.
Sonĝ’ mia estas vi!

(Rekantaĵo 2x)

Chuva de saudade

Estrela dos meus sonhos,
Preciso te encontrar.
Me diz o que eu faço
Pra tê-la em meus braços,
Pra me conquistar.

A saudade doeu em mim,
Doeu demais!
A saudade doeu em mim,
Doeu demais!

Machucou meu coração,
Deixou a solidão
Roubar minha paz.
Machucou meu coração,
Deixou a solidão
Roubar minha paz.

Refrão:
Tá caindo chuva,
Tá molhando o chão,
Chuva de saudade
No meu coração.
Tá caindo chuva,
Tá molhando o chão.
Não aguento mais
Tanta solidão.

2x:
Volta pra mim,
Me diz assim:
“Preciso te ver!”
Estrela colorida,
Razão da minha vida.
Meu sonho é você!

(Refrão)

2x:
Volta pra mim,
Me diz assim:
“Preciso te ver!”
Estrela colorida,
Razão da minha vida.
Meu sonho é você!

(Refrão 2x)



3 de janeiro de 2018

Hymne national argentin (2 sous-titres)


Lien court vers cette page : fishuk.cc/argentine


Feliz Ano Novo! / Bonne Année !

J’ai d’abord traduit cet hymne vers le portugais (Brésil) pour ma chaine Eslavo (YouTube), et ensuite j’ai décidé aussi de le traduire vers le français, pour que plus de gens puissent prendre connaissance de cette belle chanson patriotique. En outre, je suppose aussi que les Français ont une admiration particulière envers l’Argentine, comme résultat des anciennes relations politiques et culturelles entre la France et ce pays sud-américain. Enfin, j’espère que mon français ne soit pas mal, puisque n’est pas ma langue maternelle !

L’Hymne national argentin a les paroles écrites par Vicente López y Planes en 1812, et la musique composée par Blas Parera y Moret en 1813. Il a été commandé par l’Assemblée générale constituante, qui gouvernait alors l’actuelle République argentine. Il est connu aussi comme Marche patriotique ou Chanson patriotique, et parfois de façon erronée, à l’étranger, par ses premiers mots, ¡Oíd, mortales!. Ce n’est qu’en 1847 qu’il a été publié sous le titre Himno Nacional Argentino, et comme ça il est devenu connu. En 1860, Juan Pedro Esnaola a fait quelques changements dans la musique, basés sur quelques notes laissées par Blas Parera.

Dotée autrefois d’un poème beaucoup plus long, l’exécution de l’hymne pouvait durer 20 minutes, mais en 1900 l’actuel texte raccourci a été imposé, et en 1924 une nouvelle adaptation mélodique a réduit la duration à moins de 4 minutes. Toutefois, ce n’est que le 24 avril 1944 qu’un décret a institué cette marche comme l’hymne national officiel. Le président de la République était alors Edelmiro Farrell, un militaire qui exerçait le pouvoir de facto, sans avoir été élu, lors de la dictature imposée par un coup en 1943.

On trouve sur cette page la vidéo sans sous-titres. Elle avait déjà les sous-titres en espagnol, mais sa synchronie est différente de celle de mon texte. J’ai décidé de ne pas les effacer, à fin de rendre plus riche la vidéo, bien que son espagnol aille quelques erreus de graphie. Moi-même ai traduit et sous-titré en français, à partir du texte donné sur la Wikipédia, mais quelque peu modifié. Regardez ci-dessous mon sous-titrage, le poème en espagnol et la traduction française :


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¡Oíd, mortales!, el grito sagrado:
¡libertad!, ¡libertad!, ¡libertad!
Oíd el ruido de rotas cadenas;
ved en trono a la noble igualdad.
¡Ya su trono dignísimo abrieron
las Provincias Unidas del Sud!
Y los libres del mundo responden:
¡al gran pueblo argentino, salud!
¡Al gran pueblo argentino, salud!
Y los libres del mundo responden:
¡al gran pueblo argentino, salud!
Y los libres del mundo responden:
¡al gran pueblo argentino, salud!

Sean eternos los laureles
que supimos conseguir,
que supimos conseguir:
coronados de gloria vivamos,
¡o juremos con gloria morir!
¡O juremos con gloria morir!
¡O juremos con gloria morir!

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Mortels, écoutez le cri sacré :
liberté, liberté, liberté !
Écoutez les chaines se briser;
voyez trônée la noble égalité.
Les Provinces-Unies du Sud
ont déjà une digne souveraineté !
Les peuples libres répondent :
salut au grand peuple argentin !
Salut au grand peuple argentin !
Les peuples libres répondent :
salut au grand peuple argentin !
Les peuples libres répondent :
salut au grand peuple argentin !

Soyez éternels, les lauriers
que nous réussîmes à obtenir,
que nous réussîmes à obtenir :
vivons couronnés de gloire,
ou jurons de mourir glorifiés !
Ou jurons de mourir glorifiés !
Ou jurons de mourir glorifiés !




31 de dezembro de 2017

“Bela nigrulino”, o brega em esperanto


Link curto para esta postagem: fishuk.cc/negalinda


Após muito tempo decidi postar novamente uma de minhas antigas traduções de canções brasileiras pro esperanto. Esta pérola se chama Nega linda e foi composta por Edilson Morenno, um astro do brega do norte brasileiro nos anos 90. Eu conheci essa música quando comprei um CD com outras parecidas da mesma época, e confesso que realmente, quando eu era adolescente, gostava dessas músicas cafonas do Pará e Amazonas... Mas pra mim não bastava gostar: tinha que traduzir pro esperanto, a única língua estrangeira que eu dominava então! Realmente era uma atitude estranha, mas dessa forma eu também comecei a desenvolver minha veia poética. Como vocês devem imaginar, minha tradução não ficou literal, mas a métrica e o esquema de rimas são os mesmos. Como não há infelizmente outra página da internet que tenha publicado esse clássico, seguem abaixo as letras em esperanto e português. Ouçam também no vídeo o áudio com a gravação de Morenno. Eu traduzi em 31 de julho de 2005.

Post longa tempo mi decidis denove publikigi unu el miaj malnovaj tradukoj de brazilaj kanzonoj al Esperanto. Ĉi tiu perlo nomiĝas Nega linda (Bela nigrulino; nega = negra), kaj ĝin komponis Edilson Morenno, muzikstelo de la nordbrazila stilo “brega” (bizara) dum la 90-aj jaroj. Mi ekkonis ĝin, kiam mi aĉetis KD-on kun aliaj similaj kanzonoj, kaj mi konfesas, ke dum mia adolesko mi vere ŝatis tiajn strangajn verkojn el la ŝtatoj Parao kaj Amazonio... Sed por mi ne sufiĉis ŝati ilin: mi devus traduki ilin al Esperanto, la sola eksterlanda lingvo, kiun mi tiam regis! Tio ja estis nekutima iniciato, sed mi tiel komencis disvolvi mian poezian talenton. Kiel vi verŝajne supozas, mia traduko ne estas laŭlitera, sed mi konservis la metrikon kaj la riman strukturon. Ĉar bedaŭrinde ne estas alia interretpaĝo, en kiu oni publikigis ĉi tiun klasikaĵon, ĉi-sube vi legas la tekstojn en Esperanto kaj la portugala. Per la video, aŭskultu ankaŭ la registron de la kanzono de Morenno. Mi skribis mian poemon en la 31-a de julio 2005.


___________________


Bela nigrulino

2x:
Nigrulino,
La haŭt’ estas trezora,
La ridet’, orkolora,
Via ŝvito, miel’.
Bela, bela nigrulino,
La hararo risorta
Kaj l’ odor’, pek’ nevorta,
Venas el la ĉiel’.

Nigrulino, min brakumu
Por ke l’ tristo sin malsumu
Kaj solecon iu fumu,
Ho fidelanĝel’.
Nigrulin’, mi vin atendas,
Por kunesto via plendas,
Ĉar nur de mi vi amendas,
Mi amadu vin!

Bela, bela nigrulino,
Bela, bela, bela nigrulino,
Ho, fidelanĝel’.
Bela, bela nigrulino,
Bela, bela, bela nigrulino,
Ho, ĉieljuvel’.
Bela, bela nigrulino,
Bela, bela, bela nigrulino,
Volas mi nur vin.
Bela, bela nigrulino,
Bela, bela, bela nigrulino,
Mi amadu vin!

Nigrulino, min brakumu
Por ke l’ tristo sin malsumu
Kaj solecon iu fumu,
Ho fidelanĝel’.
Nigrulin’, mi vin atendas,
Por kunesto via plendas,
Ĉar nur de mi vi amendas,
Mi amadu vin!

Bela, bela nigrulino,
Bela, bela, bela nigrulino,
Ho, fidelanĝel’.
Bela, bela nigrulino,
Bela, bela, bela nigrulino,
Ho, ĉieljuvel’.
Bela, bela nigrulino,
Bela, bela, bela nigrulino,
Droni en la vol’.
Bela, bela nigrulino,
Bela, bela, bela nigrulino,
Estas ĝoja vol’!

Nega linda

2x:
Nega linda,
Tua pele é um tesouro,
Teu sorriso é de ouro,
Teu suor, doce mel.
Nega, nega, nega linda,
Teu cabelo enrolado,
O teu cheiro é um pecado
Que me leva pro céu.

Ó, neguinha, me abraça
Que a tristeza logo passa,
Solidão vira fumaça,
Meu anjo fiel.
Ó, neguinha, eu te espero,
Eu te amo, eu te venero,
Só você que eu tanto quero,
Deixa eu te amar!

Nega, nega, nega, nega,
Nega, nega, nega, nega linda,
Meu anjo fiel.
Nega, nega, nega, nega,
Nega, nega, nega, nega linda,
Me leva pro céu.
Nega, nega, nega, nega,
Nega, nega, nega, nega linda,
Quero só você.
Nega, nega, nega, nega,
Nega, nega, nega, nega linda,
Deixa eu te amar!

Ó, neguinha, me abraça
Que a tristeza logo passa,
Solidão vira fumaça,
Meu anjo fiel.
Ó, neguinha, eu te espero,
Eu te amo, eu te venero,
Só você que eu tanto quero,
Deixa eu te amar!

Nega, nega, nega, nega,
Nega, nega, nega, nega linda,
Meu anjo fiel.
Nega, nega, nega, nega,
Nega, nega, nega, nega linda,
Me leva pro céu.
Nega, nega, nega, nega,
Nega, nega, nega, nega linda,
Deixa eu te querer.
Nega, nega, nega, nega,
Nega, nega, nega, nega linda,
Meu louco prazer!



27 de dezembro de 2017

Discurso de Stalin “Dá prazer e alegria”


Link curto para esta postagem: fishuk.cc/stalin-prazer


Este pequeno trecho de discurso é o subproduto de uma cinecrônica soviética completa, que legendei há alguns dias na íntegra e postei no meu canal Eslavo (YouTube) e trata de fatos da era Iosif Stalin entre 1936 e 1939. Certa vez eu escrevi aqui que tinha acabado todos os discursos ao vivo do líder, mas pro “prazer e alegria” de vocês, achei mais este trecho que separei do vídeo completo do cinejornal. Trata-se da finalização de um longo discurso pronunciado na abertura do 8.º Congresso Nacional Extraordinário dos Sovietes, ocorrido em Moscou de 25 de novembro a 5 de dezembro de 1936, quando o domínio de Stalin chegava ao ápice.

A piada é pronta pros brasileiros de mente maldosa: mais uma vez, o Guia Genial dos Povos aparece molhando a goela com um refresco não identificado. Afinal, nenhum filho de Deus aguenta fazer discursos quilométricos sem refrescar a boca! Aos que já vêm pensando bobagem, acredito há muito tempo ser a famosa tubaína do interior de São Paulo, também conhecida por uma de suas marcas registradas, Turbaína, meio que uma mistura enjoativa de guaraná com essência de tutti-frutti. É costume dizer que os manifestantes pró-Lula só vão às caravanas “ganhando transporte gratuito, sanduíche de mortadela e turbaína vagabunda”. Será que Stalin foi o precursor dessa prática?

Além da brincadeira com a tubaína, joguei também com a tradução que fiz da expressão russa “приятно и радостно” (priatno i radostno), que Stalin usa duas vezes. Os dois advérbios vêm dos adjetivos que significam respectivamente “prazeroso” ou “agradável”, e “alegre” ou “feliz”, e são usados porque qualificam um verbo. Ficaria pesado (e até incorreto em português) traduzir como “prazerosa e alegremente”, e não soaria bonito começar as frases com “É prazeroso e alegre”. Por isso, pra unir com algum sentido as duas ideias em português, usei a expressão “Dá prazer e alegria”. Ou seja, se tivermos um pouco de criatividade, e boa dose de irreverência política, ela dá um sabor todo especial dentro do contexto político que a URSS vivia então! Sei que muitos não gostam dessa zoeira no material histórico (coxinhas de esquerda...), mas eu não resisto, porque ela jamais o inutiliza.

A transcrição completa do discurso em russo sairia no órgão oficial Pravda um dia depois, hoje integrando as Obras Completas de Stalin (Moscou, Pisatel, 1997), v. 14, pp. 119-147. Nesta página vocês podem assistir à cinecrônica completa sem legendas, começando a fala do líder aos 2min2seg. Seguem abaixo o trecho legendado do discurso, o texto dele em russo e a tradução em português. Nas legendas, encurtei um pouquinho pra facilitar a leitura, e em comparação com o vídeo, no livro aparece escrito “что она дала” ao invés de “а дала”, e “завоевания” ao invés de “достижения”:


____________________


(На Чрезвычайном VIII Всесоюзном Съезде Советов 25 ноября 1936 г.)

В результате пройденного пути борьбы и лишений приятно и радостно иметь свою Конституцию, трактующую о плодах наших побед. Приятно и радостно знать, за что бились наши люди и как они добились всемирно-исторической победы. Приятно и радостно знать, что кровь, обильно пролитая нашими людьми, не прошла даром, а [что она] дала свои результаты. Это вооружает духовно наш рабочий класс, наше крестьянство, нашу трудовую интеллигенцию. Это двигает вперёд и поднимает чувство законной гордости. Это укрепляет веру в свои силы и мобилизует на новую борьбу для достижения [завоевания] новых побед коммунизма.

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(No 8.º Congresso Nacional Extraordinário dos Sovietes, 25 de novembro de 1936)

Após percorrermos a via de lutas e privações, dá prazer e alegria ter a própria Constituição narrando os frutos de nossas vitórias. Dá prazer e alegria saber pelo que lutou nossa gente e como chegou à vitória de alcance histórico mundial. Dá prazer e alegria saber que o sangue vertido aos litros por nossa gente não foi em vão, mas [que ele] deu resultados. Isso aumenta o ânimo de nossa classe operária, nosso campesinato e nossos proletários intelectuais. Isso promove e eleva o sentimento de legítimo orgulho. Isso reforça a fé nas próprias forças e mobiliza para novas lutas visando a mais vitórias do comunismo.