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17 de agosto de 2019

Soluções políticas (texto Ensino Médio)


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Geopolítica em 2005: Blair e Bush


NOTA: Decidi republicar neste meu blog o pequeno texto “Soluções políticas”, que é na verdade uma pequena redação pedida como um exercício da matéria de Geografia à minha classe no 3.º ano do Ensino Médio. Pela data do manuscrito que digitalizei, eu a escrevi em 9 de setembro de 2005 e foi corrigida pelo meu professor, José Augusto de Souza Bueno, um dos melhores que tive e que, com a professora Flávia de história, me inspiraram a seguir a carreira em que estou até hoje! Não sei exatamente se foi uma atividade sugerida pelo próprio “Zé” ou por nosso livro editado pelo Pueri Domus, sistema pioneiro em criar várias apostilas, mas pequenas, divididas nas hoje célebre “três áreas do conhecimento” do ENEM (hoje minha própria escola nem o usa mais). Eu gostava muito tanto das matérias de História, Sociologia e Geografia quanto dos professores José Augusto e Flávia, tanto que eu me formaria no fim do ano, na Viverde Escola de Educação Básica (Bragança Paulista), e logo depois ingressaria no curso de História da Unicamp. Segue abaixo minha redação com umas poucas correções, cujas ideias hoje parecem bem bizarras dado o desenvolvimento do Brasil e do mundo e minhas opiniões atuais.


É de espantar que não só o Brasil, mas também países desenvolvidos sofrem com a descrença nos políticos. Além disso, a política econômica neoliberal atiça essa onda de indiferença, pois há uma fome por poder e posses ilimitadas.

Assim, podemos refletir sobre o que ocorreu com o capitalismo e com os governos liberais nas primeiras décadas do século 20: após a grande crise [de 1929], houve também uma descrença generalizada no sistema vigente, que levou à ascensão de regimes socialistas ou, no caso da Europa pós-2.ª Guerra [Mundial], social-democratas. Enquanto o capitalismo levou séculos para perceber seus erros, o socialismo (agora se referindo a sistemas de filosofia semelhante) desapareceu mais rapidamente, logo percebendo seus erros e tendo a chance de se arrepender. O neoliberalismo volta a vigorar, com a chance de melhorar, porém não o fez e oprime de modo mais cruel o trabalhador, só que mais pelo lado financeiro.

Portanto, como em um ciclo, podemos prever que o socialismo, ou governos semelhantes, voltará totalmente modificado, apenas com limitação das grandes propriedades e a centralização do Estado, sem a necessidade da ditadura e sem a obrigação de se chegar ao comunismo.



Geopolítica em 2019: Kim e Trump...

15 de agosto de 2019

Enver Hoxha, chefe militar e histórico


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Nos últimos tempos, como sempre pedem os visitantes do meu canal TV Eslavo (YouTube), tenho conseguido reunir mais alguns vídeos informativos e documentais sobre a Albânia comunista no período em que Enver Hoxha a governou. É raro achar material que esteja traduzido ou explicado em português, mas ainda assim estou sem tempo pra estudar a fundo a língua albanesa, que acho muito bonita e que seria essencial pra eu traduzir essas coisas direto do original. Por isso, tenho me contentado em postar materiais alheios que já estejam em português ou coisas antigas lançadas na internet, mas das quais só pude melhorar a qualidade de áudio e vídeo.

Na última sexta-feira, por exemplo, o Globo Repórter, apresentado por Glória Maria (que foi até o país) e Sérgio Chapelin, fez uma visita e contou parte da história da Albânia, nação encravada entre Sérvia, Montenegro, Macedônia e Grécia, tendo o lindo mar Adriático como litoral. Sua topografia é incomumente montanhosa, e a língua não tem nenhum parentesco próximo com outras da Europa, mas possui muitas belezas e riquezas culturais ainda pouco tocadas pelos estrangeiros.

Uma das razões desse desconhecimento, assim como com a maioria dos países dos Bálcãs, foi a existência de um regime comunista autoritário entre 1943, ano em que os partisans expulsaram os nazistas e fascistas, e 1992, quando ocorreram as primeiras eleições multipartidárias (mesmo com o abrandamento do regime desde 1990). Valendo-se de seu prestígio de libertador, o professor Enver Hoxha (lê-se “rôdja”) instaurou uma ditadura brutal, mais do que as outras do antigo Leste europeu (exceto, talvez, a cleptocrática Romênia), apoiado no prestígio que adquiriu junto a Iosif Stalin e Mao Zedong. À medida que esses líderes morriam e a URSS e China se livravam de suas piores heranças, Hoxha rompia com essas potências e os países que orbitavam em torno delas, isolando a Albânia de contatos externos sob o pretexto de manter a pureza do “marxismo-leninismo”.

Hoxha só morreu em 1985, e desde então começaram as ondas de refugiados albaneses em outros países, sobretudo na tão próxima Itália. A ditadura era tão estrita que se você fosse pego com calça jeans ou Coca-Cola, ou captando o sinal de TV de outros países, podia ser imediatamente preso. As religiões foram proibidas e o Estado se declarou “ateu” (algo que não ocorreu nem mesmo na “revisionista” URSS), e 1/5 da população já chegou a estar presa ou encerrada em campos de “reeducação”. A paranoia de Hoxha com invasões externas povoou a paisagem com inúmeros bunkers, os famosos “iglus” que chegavam a custar o preço de uma casa popular e hoje são usados até como “motel” dos pobres. Nos anos 90, o saldo foi de uma Albânia, dizia-se, “paracapitalista”, como escreveu Suely Forganes à Istoé, ou seja, em que nada se produzia, mas se comprava e vendia de tudo, até os próprios bens e objetos velhos no meio da rua.

É claro que a análise dos regimes comunistas em conjunto deve ser bem matizada, pois havia muitas diferenças entre os países e até as ideologias, enquanto muitos arquivos ainda estão sendo abertos e pessoas entrevistadas. Porém, é sempre bom lembrar pra esses moleques retardados de classe média, que ainda defendem Hoxha e outros carrascos semelhantes em seus smartphones, como era “boa” a vida sob o comunismo europeu: só os russos sentem saudades, porque eles parasitavam a economia de meia Europa, e os húngaros, porque depois de 1956 permitiu-se uma forma de regime mais branda após uma quase guerra civil contra as tropas do Pacto de Varsóvia! “Ain, mas o Bozonaro é fascista...” Até agora tem cubano, congolês, angolano e venezuelano correndo pra cá, achando o melhor dos mundos essa “ditadura machista, racista e homofóbica”, como se deleitam em chamá-la os franceses. “Ain, mas a Globolixo é anticomunista, imperialista e apoiou a ditadura militar...” Claro que reportagem com mais fins turísticos que outra coisa (porque é de turistas e visitantes que a Albânia justamente precisa!) é sem dúvida parcial, mas os fatos são doloridos e a maioria deles vai contra Hoxha: pergunta pros velhinhos se gostavam dessa época, façam propaganda pra eles das “façanhas do Partido do Trabalho da Albânia”...

Esta repostagem, em que selecionei os melhores trechos abordando o “Paraíso” comunista da Albânia, tem o mero fim de documentação e curiosidade. É claro que quem quiser saber mais vai pros livros ou pesquisar na internet. Só não respondi no YouTube às pregações e “refutações” de quem se cega lendo somente material oficial, cujas opiniões ignorei solenemente, e confesso que desta vez meu julgamento estava fechado. Só acho legal que o povo me peça mídia dessas épocas, mesmo que nem sempre eu tenha tempo de procurar. Mas pra quem gosta de cultura e história, divirta-se:



Se algum de vocês é tarado pela história do comunismo ou pela Albânia de Enver Hoxha, já deve ter se deparado há muitos anos em vários canais com um vídeo chamado Enver Hoxha nderon dëshmorët e Atdheut (Enver Hoxha homenageia os mártires da Pátria). Eu particularmente sempre fui fascinado pelo breve desfile militar que aparece no segundo e terceiro minutos, um dos raros registros de paradas daquele local e época. Tentei então fazer a experiência de baixar o vídeo original e o melhorar usando o programa VirtualDub Portable, que conheço melhor, e melhorar o áudio pelo Audacity.

Como o vídeo-fonte já era muito ruim, consegui apenas melhorar a cor e o brilho e o deixar menos embaçado, e com o áudio consegui tirar o chiado e aumentar o volume. Nesta postagem, deixei apenas a parte em que é cantado o Hino Nacional da Albânia e o rápido desfile militar, no qual acho muito bonita a postura dos soldados. É notável que no regime de Enver Hoxha, a saudação oficial não era nem uma continência, nem um elevar de braços, mas o leve erguimento do punho direito fechado, mais ou menos na altura da orelha. Esse gesto, inclusive, era repetido por todos os que passavam pelo caixão no funeral de Hoxha, em 1985.

Pra aumentar o prazer de vocês, ainda repeti o desfile militar, dispensando a necessidade de voltar o filme. Espero que gostem e que me perdoem pelos erros de minha incipiente carreira de editor de vídeos! Depois, leiam também outra postagem minha com vídeos e textos sobre o culto à pessoa de Enver Hoxha:



13 de agosto de 2019

Tradução da “Internacional” em iídiche


Link curto para esta postagem: fishuk.cc/intern-iidiche




Achei por acaso um áudio com este vídeo, e com a letra nos dois alfabetos na descrição, e resolvi fazer uma montagem rápida, mesmo sem traduzir. É o famoso hino A Internacional, dos movimentos socialista, anarquista e comunista, em iídiche, língua germânica derivada do alemão medieval, majoritária entre os judeus da Europa até o Holocausto. Depois, muitos deles foram dizimados, e os que foram pra Israel optaram por usar o hebraico moderno, por influência do movimento sionista. Como lembra a Wikipédia, o iídiche, junto com o alemão, inglês, holandês, frísio, luxemburguês, africâner, pomerano, limburguês e ânglico escocês, é classificado como uma língua germânica ocidental, e em registros antigos era chamado “judeo-alemão”. Deve-se lembrar que Lenin, um cara bastante mestiço, tinha parte da ascendência judaica, e que bolcheviques proeminentes, como Leon Trotsky (sobrenome original Bronshtein), Iakov Sverdlov (nome original Solomon), Grigori Zinoviev (nascido Hirsch Apfelbaum) e Lev Kamenev (nascido Leo Rosenfeld), eram de famílias judias. Consultem este artigo de Mark Weber saído em 1994, destacando a proeminência judaica entre os primeiros líderes bolcheviques.

Segundo a Enciclopédia Britannica, o iídiche (ou ídiche) é a língua dos judeus asquenazes, ou seja, que viviam na Europa Central e Oriental, assim como seus descendentes, escrita com o alfabeto hebraico. Tornada uma das línguas mais difundidas do mundo, presente nos países onde havia população judia no século 19, é uma das três principais línguas literárias da histórica dos judeus, junto com o hebraico e o aramaico. Surgindo no século 9, mas começando a se escrever só no século 12, o iídiche se formou com a fusão de uma maioria gramatical e lexical do alemão meridional com elementos hebraicos e aramaicos pós-clássicos e alguns românicos, mais tarde ainda adquirindo palavras eslavas. Entre os muitos dialetos, o ocidental floresceu gradualmente como língua literária, mas virtualmente extinto com a formação da Alemanha, deu espaço ao dialeto oriental no século 19. Mesmo na União Soviética de Stalin, o iídiche sofreu perseguição oficial, assim como o esperanto.

Quem canta nesta gravação é Karsten Troyke, segundo a fonte de onde baixei o áudio. Daí eu também tirei a letra em iídiche, nos alfabetos hebraico e latino, e só fiz leves correções. Troyke (n. 1960) nasceu em Berlim e é um ator, locutor e cantor de músicas judaicas. De mãe não judia e pai judeu, trabalhou também como jardineiro e cuidador de crianças deficientes, e começou a atuar em 1982. Especializou-se na gravação e estudo de canções em iídiche, tendo as gravado em muitos álbuns solo e em conjunto, e ministrando aulas e oficinas sobre o assunto. Também montei o vídeo com as legendas nas duas escritas, sem tradução, porque me parece que o sentido é quase igual ao das versões francesa, russa e portuguesa, que vocês já conhecem. Essa bandeira não existe de verdade, eu é que montei de brincadeira: viva a República Socialista Soviética dos Judeus, hahaha.

Em iídiche, o célebre hino A Internacional se chama Der Internatsyonal (דער אינטערנאַציאָנאַל), mas não sei quem fez a tradução. Vocês podem nesta postagem minha aprender a ortografia iídiche (latina e hebraica), e no link citado acima sobre o hino em russo, há também a história completa da letra. Seguem a legendagem que postei na TV Eslavo (YouTube) e a letra em iídiche nos dois alfabetos:




1. Shtayt oyf, ir ale, ver vi shklafn,
In hinger leybn miz, in noit!
Der gayst ‒ er kokht, er rift tsi vafn
In shlakht indz firn iz er greyt.
Di velt fin gvaldtatn in laydn
Tseshtern veln mir in dan:
Fin frayheyt, glaykhheyt a Gan-Aydn
Bashafn vet der arbetsman.

Refrão (2x):
Dus vet zayn shoyn der letster
In antshaydener shtrayt!
Mit dem Internatsyonal
Shtayt oyf, ir arbetsleyt!

2. Nayn, kayner vet indz nisht bafrayen:
Nisht Got alayn in nisht kayn held ‒
Mit indzer eygenem kley-zayin
Derleyzung brengen mir der velt.
Arup dem yokh! Genig gelitn,
Genig fargosn blit in shvays!
Tsebluzt dus fayer, lomir shmidn
Kol-zman dus ayzn iz nokh hays!

(Refrão 2x)

3. Der arbetsman vet zayn memshule
Farshpraytn oyf der gantser erd,
In parazitn di mapule
Bakimen veln fin zayn shverd.
Di groyse shturemteg zay veln
Nor far tiranen shreklekh zayn;
Zay konen ober nisht farshteln
Far indz di hele zinen-shayn.

(Refrão 2x)

____________________


1. שטײט אױף, איר אַלע, װער ווי שקלאַפֿן,
אין הונגער לעבן מוז, אין נױט!
דער גײַסט - ער קאָכט, ער רופֿט צו װאָפֿן
אין שלאַכט אונדז פֿירן איז ער גרײט!
די װעלט פֿון גװאַלדטאַטן און לײדן
צעשטערן װעלן מיר און דאַן
פֿון פֿרײַהײט, גלײַכהײט אַ גַן־עֵדֶן
באַשאַפֿן װעט דער אַרבעטסמאַן!

Refrão (2x):
דאָס װעט זײַן שױן דער לעצטער
און ענטשידענער שטרײַט!
מיט דעם אינטערנאַציאָנאַל
שטײט אױף, איר אַרבעטסלײַט!

2. ניין, קיינער וועט אונדז נישט באַפֿרײַען
נישט גאָט אליין און נישט קיין העלד!
מיט אונדזער אייגענעם כּלֵי־זַיִן ‬
.דערלייזונג ברענגען מיר דער וועלט
.אַראָפ דעם יאָך! גענוג געליטן
!גענוג פֿאַרגאָסן בלוט און שווייס
צעבלאָזט דעם פֿײַער, לאָמיר שמידן ‬
!כּל־זמאַן דאָס אײַזן איז נאָך הייס

(Refrão 2x)

3. דער ארבעטסמאַן וועט זײַן מֶמשָלָה ‬
,פֿערשפרייטן אויף דער גאַנצער ערד‬
און פאַראַזיטן די מַפָּלָה ‬
באַקומען וועלן פֿון זײַן שווערד
די גרויסע שטורעם־טעג זיי וועלן ‬
;נאָר פֿאַר טיראַנען שרעקלעך זײַן
זיי קאָנען אָבער נישט פֿאַרשטעלן ‬
.פֿון אונדז די העלע זונען־שײַן

(Refrão 2x)




11 de agosto de 2019

Vídeo que me gravei falando em russo


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Atendendo a um pedido que muitos já faziam na minha TV Eslavo (YouTube) há tempos, gravei um vídeo meu falando na língua russa, um texto improvisado, mas elaborado de cabeça com alguma antecedência. Os tropeços foram inevitáveis, já que não uso oralmente o idioma há algum tempo, mas seria sacanagem recomeçar a todo momento algo que estivesse razoável... Assim, espero provar aos internautas que não apenas leio ou traduzo do russo, mas conheço a língua de fato e posso usar com alguma liberdade na vida cotidiana!

Infelizmente, como era de se esperar, passou só um errinho que reparei depois de ter gravado o vídeo: quando ao terminar a abertura falo “представить себе” (predstávit sebé), na verdade é “представить себя” (predstávit sebiá), ou seja, com o pronome reflexivo no acusativo, e não no dativo. Mas no resto, acho que não fiquei devendo nada na pronúncia, no vocabulário e na construção. Espero que os russos aprovem, e que vocês também tenham gostado e se animado a estudar uma língua tão complexa. Outra coisa: eu desejei uma boa quinta-feira (chetvérg) porque eu tinha gravado no último dia 8, mas só ontem, no sábado, tive tempo de editar e enviar!

Seguem o vídeo legendado, o texto transcrito em cirílico e a tradução conforme as legendas que eu inseri, mas sem as marcas de oralidade. Os algarismos também estão indicados por extenso:



Всем привет! Добрый день! Поскольку многие посетители моего канала сильно просили меня говорить что-то на русском, тогда я решил снять это краткое сообщение, чтобы показать вам мои знания русского языка и представить себя.

Вот, меня зовут Эрик Фишук, мне 31 (тридцать один) год, я бразилец, живу в городе Браганса Паулиста, на севере штата Сан-Паулу, но я родился в городе Гуарульос, в том же штате. Живу с мамой и бабой, потому что мои родители развелись ещё в 88 (восемьдесят восьмом) году, и у меня есть подруга: её зовут Ана Лусия, ей 29 (двадцать девять) лет, она психолог по специальности и живёт в другом городе, Морунгаба, недалеко от Брагансы.

Я ‒ историк, с дипломом Университета Кампинаса, то есть Уникамп, и в настояще время в том же ВУЗе занимаюсь исследованием о связях между Коммунистическим Интернационалом и Коммунистической партией Бразилии с 1924 (тысяча девятьсот двадцать четвёртого) года по 1943 (тысяча девятьсот сорок третий) год. Кроме науки я тоже интересуюсь чтением, политикой, природой, музыкой (особенно народной музыкой из других стран) и, конечно, самостоятельным изучением иностранных языков.

Я изучал русский язык 3 (три) года в университете, но мне не было очень трудно, потому что до поступления в университет я уже знал немного русского языка. Я советую вам учить русский язык, потому что он красивый и благозвучный язык и очень важный в современных международных отношениях. Кроме того, русскую литературу знают во всём мире и она всё ещё является источником красоты и учения.

Но... это было моё сообщение, я надеюсь, что оно вам понравилось, и спасибо за терпение и внимание, и до скорой встречи, хорошего четверга! Пока-пока!


Olá a todos, boa tarde! Visto que muitos visitantes do meu canal me pediram firmemente pra falar alguma coisa em russo, decidi então filmar esta curta mensagem pra mostrar a vocês meus conhecimentos de língua russa e me apresentar.

Bem, meu nome é Erick Fishuk, tenho 31 anos, sou brasileiro, moro na cidade de Bragança Paulista, no norte do estado de São Paulo, mas nasci na cidade de Guarulhos, no mesmo estado. Moro com minha mãe e minha avó porque meus pais se separaram ainda em 88, e tenho uma namorada: o nome dela é Ana Lúcia, tem 29 anos, é psicóloga de profissão e mora em outra cidade, Morungaba, perto de Bragança.

Sou historiador formado pela Universidade de Campinas, isto é, a Unicamp, e atualmente me dedico na mesma IES a uma pesquisa sobre as ligações entre a Internacional Comunista e o Partido Comunista do Brasil dos anos de 1924 a 1943. Além de ciência, me interesso também por leitura, política, natureza, música, sobretudo música folclórica de outros países, e claro, pelo estudo autodidata de línguas estrangeiras.

Estudei a língua russa por 3 anos na universidade, mas pra mim não foi muito difícil, porque antes de entrar na universidade eu já sabia um pouco da língua russa. Aconselho vocês a aprenderem a língua russa, porque é uma língua bonita e sonora e muito importante nas relações internacionais modernas. Além disso, a literatura russa é conhecida no mundo todo e ela continua sendo uma fonte de beleza e ensinamentos.

Mas... essa foi minha mensagem, espero que vocês tenham gostado dela, e obrigado pela paciência e atenção. Até a próxima, e boa quinta. Tchau, tchau!



“Eu falo russo!!!”

9 de agosto de 2019

A graça da vida (redação Ensino Médio)


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NOTA: Decidi republicar na página o pequeno texto “A graça da vida”, que é na verdade uma redação atendendo a questão proposta à minha classe no 3.º ano do Ensino Médio. Pela data do manuscrito que digitalizei, eu a escrevi em 14 de outubro de 2005 e foi corrigida pela minha professora de Português, Graça Betânia Moraes Hosokawa, renomada escritora e pesquisadora. Como vocês perceberam, o título é uma alusão humorística ao nome dela, e de fato ela me deu, além da nota alta, a seguinte observação escrita: “Adorei o texto! Boa argumentação! Parabéns!”. Ela é uma pessoa muito bondosa e uma profissional muito séria, por isso garanto que o resultado não derivou de nenhuma babação de ovo, hahaha. Eu me formaria no fim do ano, na Viverde Escola de Educação Básica (Bragança Paulista), e logo depois ingressaria no curso de História da Unicamp. Seguem abaixo a questão oferecida pelo simulado, tirada de algum vestibular antigo, e minha redação, ambas com a ortografia atualizada.



Prova de redação: A surrada frase “rir é o melhor remédio” parece ter cada vez mais sentido para a ciência. O cardiologista Michael Miller, da Universidade de Maryland, Estados Unidos, liderou uma pesquisa sobre os benefícios do riso para a saúde do coração. Chegou a resultados surpreendentes. Comparando as atitudes diante da vida de 150 pessoas com histórico de enfarto com o mesmo número de pessoas sadias, descobriu que aquelas que nunca tinham sofrido com problemas no coração eram as que demonstravam bom humor constante. Para evitar problemas cardíacos, Miller recomenda combinar a velha receita de saúde (exercícios físicos regulares e dieta balanceada) com algumas gargalhadas durante o dia. (Revista Superinteressante, n. 173, fev. 2002, adaptado.)

REDIJA um texto dissertativo, explicitando a ideia proposta nesse trecho e acrescentando outras vantagens do bom humor.


Comprovou-se cientificamente que o bom humor faz bem ao coração, mas a ciência é desnecessária para mostrar que ele é benéfico na vida das pessoas, o que é feito pela vivência cotidiana, a maior escola de todas.

O humor é um cartão de visita pessoal, ajudando ou atrapalhando nas primeiras impressões. Pessoas de temperamento aberto, que não apresentam aparência carrancuda ou extremamente séria, ganham mais simpatia e confiança. Se ao longo de uma convivência passam o tipo de humor que faz rir e descontrair, elas reforçam com os outros os mais diversos tipos de laços e aumentam seu círculo de relacionamentos, obtendo, assim, numerosas vantagens materiais e sociais.

O prazer gerado pelo riso causa uma sensação de bem-estar que melhora a autoestima das pessoas e lhes dá mais ânimo e forças para encarar as mais diversas situações, inclusive as mais difíceis, porém sem apagar o respeito que uma certa ocasião exige, em especial uma tragédia. No que resta, ironizar pode ser a saída para que se fique menos chocado com fatos corriqueiros, como a corrupção. É essa ironia que caracteriza o bom humor do brasileiro, que sempre satiriza diversos empecilhos ao desenvolvimento do país.

“Estar de bem com a vida” exige uma boa dose de descontração a fim de melhorar a saúde, a vida social, a imagem perante as pessoas e a força diante dos problemas.




7 de agosto de 2019

“Morrer de catapora” e gírias de época


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Como eu achei bastante interessante esta reflexão que fiz na minha TV Eslavo (YouTube), e como outros internautas também gostaram, decidi transformar num texto, e ainda oferecer um bônus! Um tempo atrás chegou até mim um sticker (figurinha) pelo WhatsApp com o Pica-Pau, famoso desenho animado norte-americano dos anos 60 e 70, comendo alpiste em sua casinha na árvore e dizendo: “Quero morrer de catapora!”. Pesquisando, descobri que se tratava de um trecho do episódio em que um urso fabricante de bolas de boliche tenta derrubar a árvore em que o pássaro mora, mas cujo trabalho vai ser todo estorvado pelo nosso astro. Quando o Pica-Pau começa a sentir que sua árvore está tremendo, ainda sem saber que é por causa das machadadas do urso, ele exclama: “Quero morrer de catapora!”.

Nunca ninguém entendeu essa piada, que parece algo meio sem sentido ou feito de propósito só pra zoar, pelo menos quem viu nos últimos anos. A cena, por isso, virou meio que um meme em alguns meios, embora de alcance não tão amplo. Continuando a busca no YouTube, achei uma canção interpretada por Ângela Maria, gravada em 1970 em ritmo de marchinha de Carnaval antiga, que chamava exatamente Quero morrer de catapora! O refrão diz assim: “Quero morrer de catapora se eu não contar que você comeu amora... Quero morrer de catapora se eu não contar que você namora...” Ou seja, tempos em que namoros e sexo ainda eram tratados como tabu, sobretudo sem autorização dos pais, com a expressão “quero morrer de catapora” significando, essencialmente, que a pessoa não acredita de jeito nenhum que o acontecimento em sua expectativa possa não acontecer. O acontecimento seria tão certo que a pessoa metaforicamente arrisca sua vida se houvesse possibilidade de falhar.

Se bem que “catapora”, no senso comum (ainda mais que hoje é muito mais rara do que no passado), não parece ser uma causa de morte muito brutal ou heroica... tanto que esse foi o motivo da piada dos internautas. Entre os comentários, estava o de que “eis que você é um sadboy, mas só tem 9 anos”. Acontece que no fim do século 20, parece que a maioria dos cartuns “infantis” era destinada mais a adultos do que a crianças, não só porque eles entendiam as referências à cultura de massas (algo bem verdadeiro pra Turma da Mônica), mas também porque as obras eram cheias de conteúdo “politicamente incorreto”. É fato que muitos adultos consumiam, sim, desenhos e gibis infantis, porque não eram tão açucarados, inocentes ou direcionados quanto a produção atual, e porque a variedade de opções na TV aberta e o baixo preço das revistinhas os tornavam mais acessíveis, e até interessantes.

Mas acredito também que no passado, como é meu caso, as crianças compartilhavam mais o mundo com os adultos, dada a variedade menor de entretenimentos, faltando os canais a cabo, canais do YouTube, livros inteiros, smartphones e toda uma cultura que fechou os pequeninos dentro de uma “bolha” em que só encontram seus semelhantes. Isso, claro, se estendeu a outros domínios da vida que, como no passado, nos obrigavam mais a viver cara a cara com pessoas diferentes. Com o passar do tempo, a produção infantil passou a ser mais “peneirada”, pra evitar o que seriam choques desnecessários, ainda mais que hoje, na verdade, o mundo adulto está é mais violento, letal e intolerante. No meu tempo, éramos educados “na marra”, vivendo muitas coisas iguais ou semelhantes às dos adultos, como músicas, novelas, programas de TV, revistas etc., muitas vezes contendo até sexo quase explícito. As novas tecnologias, na verdade, aumentaram a possibilidade de controle, portanto de assepsia. Por isso, discordo do Nando Moura quando ele falava que Xuxa e Angélica levavam a uma “sexualização precoce” (como assim? hahaha): acho apenas que eram tempos diferentes.

A partir do upload que citei acima, segue a montagem que eu mesmo fiz e na qual inseri a canção de Ângela Maria e repeti várias vezes o “Quero morrer de catapora”:



Esta velha manchete do Jornal Nacional ficou perdida por uns anos e depois se fixou no YouTube. Lembro que em algum momento dos anos 2000 recebi esse vídeo por e-mail, relembrando a matéria que eu tinha visto pela televisão, mas não o salvei. Agora, em novo resgate dos recônditos do YouTube, estou mostrando a vocês pra saber o que acham dessa doideira.

Pela imprensa da época (já online) que consegui achar no Google, o padre se chamava (pasmem!) Francisco de Assis, tinha 38 anos e foi afastado de suas funções após agredir uma fiel, deficiente mental, no meio de um batizado na paróquia São José em Ituiutaba, MG. Ele teria sido transferido pra São Paulo e lá submetido a tratamento psiquiátrico, já que o fato teria se repetido antes em outra paróquia da região.

O padre, que batizava 26 crianças num domingo e era filmado por um cinegrafista amador (figura comum antes do advento dos smartphones), veio do Rio Grande do Norte e há mais de um ano atuava na região. Identificada como Milena Silvéria, a mulher negra se colocou ao lado da pia batismal e começou a discutir com o padre, que começou a xingá-la e mandar que se afastasse, proferindo a célebre frase: “Paiaço é você, idiota!”. A hora que ela resolveu dar uma sacolada nele, Francisco de Assis estourou, jogou água benta nela e começou a esmurrá-la.

Essas informações são da Folha de Londrina (Paraná) de 12 de dezembro de 1997. Já segundo o caderno Cotidiano da Folha de S. Paulo de 11 de dezembro, o motivo da expulsão teria sido o fato dela não ter sido convidada pra participar da cerimônia (já que os batizados eram familiares). Os moradores da cidade que fica a cerca de 695 km de Belo Horizonte afirmaram que Francisco não gostava de Silvéria porque era teria o costume de “falar alto” durante as missas.

Um blog anticlerical, por sua vez, misturou os fatos, dizendo que a irritação tinha sido porque ela estava falando alto durante o batizado, e ainda adicionou que ela tinha problemas mentais. O site vem com essa história de dízimo e não sei o quê, mas é notável como em muitas igrejas do interior (SP, MG, GO) parece sempre ter essa figura de uma pessoa um pouco deficiente que está sempre frequentando as missas, ou ao menos ajudando.

Outras fontes que consultei chamavam Francisco de Assis de “Padre Ryu”, hahaha. Mas em todo caso, não soube o que aconteceu depois com ele, já que os periódicos diziam que o alto clero decidiria seu destino enquanto estivesse em São Paulo. Muitas das repostagens, como a que baixei, são de 2006, logo que o YouTube surgiu, mas outras são de depois. Eu apenas recortei o quadro, melhorei o áudio e a imagem e adicionei as famosas repetições:



5 de agosto de 2019

Cresce nicho do detox digital (França)


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NOTA: Enquanto eu navegava no site da Rádio França Internacional (RFI) e escutava as notícias em francês, encontrei por acaso este artigo de tecnologia, do qual gostei muito e resolvi traduzir o quanto antes pra postar aqui. Seu título é: O “detox digital”: quando a desconexão se torna urgente. Publicado em 3 de agosto de 2019, a autoria é do jornalista David Pauget, que discorre sobre o crescente vício dos franceses em tecnologias digitais, sobretudo a internet nos smartphones, e o crescente mercado de serviços com atividades e tratamentos alternativos pra reduzir os efeitos da fadiga e ansiedade dos e-mails e redes sociais. O chamado “detox digital”, que não é novidade no Brasil, convida pra que nessas férias do verão europeu os leitores repensem seu uso viciante de celulares e computadores, aprendendo a gerir o escasso tempo livre em prol da conservação da saúde mental e corporal. Nossa modernidade é tão paradoxal que precisamos oferecer tratamentos (às vezes caros) contra os efeitos colaterais de tecnologias que tinham vindo facilitar nossas vidas e, a princípio, tornar-nos mais felizes! E além dos mais velhos já viciados, estão chegando as gerações que praticamente vivem mais ou só a vida paralela criada como escape dentro da internet.



Três em cada quatro franceses afirmam ser dependentes de seus aparelhos conectados

E-mails profissionais, SMS, redes sociais… Para alguns, as férias de verão são o momento ideal para tentar se desconectar e se revigorar. Uma abstinência que se revela cada vez mais difícil numa sociedade hiperconectada.

Antes de sair de férias, Alexandre, 30 anos, tinha prometido largar tudo: não consultar mais seus e-mails profissionais, não correr ao celular após a menor notificação e parar de atualizar o tempo todo seu feed do Twitter. Dois dias depois, o resultado é implacável: um fracasso.

“O celular devora minha vida. Ele está direto na minha mão, desde a hora em que acordo até quando eu me deito. Impossível passar sem ele”, suspira exausto esse funcionário de uma grande empresa. O vício é forte demais, e a culpa é do trabalho, segundo ele. “Meus colegas confiam tudo para mim. Alguns usam e abusam disso. Tenho que responder no mesmo instante, senão vou ficar por fora de todo o trabalho”.

Riscos para a saúde ‒ Como Alexandre, muitos são os que tentam retomar o controle de seus aparelhos eletrônicos, cientes de terem se tornado viciados neles. Três em cada quatro franceses, portanto, dizem ser dependentes de seus aparelhos conectados, segundo um estudo publicado em junho passado pelo instituto de pesquisas BVA.



Três quartos (73%) dos franceses dizem ser dependentes face a seus aparelhos conectados: não responderam (azul, 1%), nada dependentes (verde-claro, 5%), pouco dependentes (verde-escuro, 21%), um tanto dependentes (rosa, 50%), totalmente dependentes (vermelho, 23%).


Há dois anos, Clémence, gerente de projetos numa ONG, foi diagnosticada com TAG (transtorno de ansiedade generalizada). Para reagir à angústia e à ansiedade que a preocupavam, seu terapeuta lhe sugeriu que passasse menos tempo na frente das telas. “Eu desinstalei meu e-mail profissional do celular para não o consultar fora do horário de trabalho. Nos fins de semana e durante as férias, eu também desativo os aplicativos do Instagram e do Facebook”, ela explica.

“O fato de estar o tempo todo conectada, sendo chamada à ordem para compartilhar e esquematizar minhas atividades também pelo Instagram, não me deixava separar um só minuto para gerir melhor o estresse do meu dia a dia”, explica a moça de 24 anos que, desde que começou a dieta digital, se dedica ainda à música e ao desenho.

A que corresponde exatamente o termo “detox digital”? Virginie Boutin, coach profissional e coautora do livro 2h chrono pour se déconnecter (2h no cronômetro para se desconectar), prefere falar de “consciência ou regulação digital”. Segundo ela, o importante não é conseguir uma abstinência 2.0 total, mas um equilíbrio justo: “Precisamos fazer a triagem entre o que nos beneficia no emprego do digital e o que nos cansa e nos irrita, o que come nosso tempo e devora nossa energia [ce qui est chronophage et énergivore]. E depois, cuidar para mantermos só os usos benéficos, como ficar em contato com a família, e tirarmos ou reduzirmos o resto o quanto pudermos”. O “detox digital” também permitiria retomarmos uma capacidade de concentração, de criatividade e de inovação.

Pressão social para estar conectado ‒ “Sou muito reativa quando recebo uma notificação, e mesmo no caso contrário, sou propensa a passar de aplicativo em aplicativo procurando conteúdo novo: feed do Facebook ou Instagram, stories, e-mails...”, explica Myriam, graduanda em ciência política. Para ela, é impensável não consultar ao menos uma vez por dia seus e-mails e mensagens, “por medo de perder as informações”, o famoso FOMO (fear of missing out, “medo de ficar por fora” em inglês).

“Há uma pressão social pela conexão perpétua. Mesmo de férias, é preciso explicar a seus próximos, a seus colegas sobre por que não se estava conectado. Estamos numa sociedade em que o imediatismo comunicativo se tornou a norma para administrarmos o tempo”, analisa Francis Jauréguiberry, sociólogo dos usos das tecnologias de comunicação na Universidade de Pau.

Nesse contexto, a desconexão aparece como uma provação certamente dolorosa, mas no longo prazo benéfica. “Querer reintroduzir o tempo, cabines temporais em que haja silêncio, por que não tédio... É o fruto de nossa vontade. Se a tentativa dá certo, isso sempre se traduz em uma imensa satisfação”, explica Francis Jauréguiberry. Três em cada quatro franceses, aliás, reconhecem que limitar o tempo passado diante das telas faria bem para sua saúde.



Três quartos (72%) dos franceses julgam que a desconexão é benéfica: nada benéfica (vermelho, 3%), pouco benéfica (laranja, 25%), bastante benéfica (verde-claro, 48%), muito benéfica (verde-escuro, 24%).


Um negócio em expansão ‒ Uma coisa é certa: com tantas pessoas viciadas em suas telas, o mercado da desconexão tem belos dias pela frente. Os hotéis, acostumados a receber hóspedes que buscam se desconectar, estão propondo agora mais e mais tratamentos. “Esgotado, estressado, sobrecarregado? Desconecte-se temporariamente da internet para preservar sua saúde”, indica, por exemplo, o folheto do programa de “detox digital” do Vichy Célestins Spa Hotel. Logo ao chegar, o cliente é convidado a colocar seus aparelhos eletrônicos numa caixa-forte. São oferecidas atividades esportivas e de relaxamento por um custo total de 1035 euros por três noites.

São ofertas que encontramos igualmente nas pousadas. É o caso do Château La Gravière, no sudoeste da França, que propõe um acompanhamento personalizado durante toda a estadia e põe à disposição, entre outras coisas, bicicletas e jogos de tabuleiro. A tarifa sobe para 210 euros o dia, porém sem incluir alojamento e refeições.

Start-ups também estão entrando nesse nicho, como a Into the Tribe, agência de “detox digital” criada em 2015. Ela oferece palestras de desconexão para empresas, bem como cursos e conferências. “A maioria dos participantes vem da zona urbana e são jovens que têm entre 25 e 45 anos. Eles estão em empregos que exigem conexão e passam muito tempo diante das telas, mesmo em suas vidas pessoais”, detalha Vincent Dupin, fundador da start-up. Os preços são combinados dependendo do orçamento e das exigências das empresas.

Antes de chegar ao ponto de pagar uma nota por uma abstinência digital, alguns experimentam seus próprios truques para o verão. Baptiste, professor de 25 anos, decidiu assim deixar seu smartphone em casa. No lugar, ele saiu de férias com um velho celular Nokia, sem internet. “É para poder ligar em caso de emergência, mas antes de tudo para evitar qualquer tentação.”