Eis aqui o mais recente pronunciamento de Rezā Pahlavi, filho do último xá do Irã, Mohammad Rezā Pahlavi (que fugiu da turba em fúria em 1979, covarde igual ao tsar Nicolau 2.º, e não foi “deposto”, como dizem na mídia), logo depois do fim do “líder supremo”. Como de costume, ele manda o povo ir lutar na rua, protegido em seu conforto nova-iorquino, toda vez que ocorre uma crise maior. É mais um representante das incontáveis casas monárquicas inexistentes, dentre as quais se destaca, por sua lacração online, a Família Irreal Bananeira, cuja “membra” mais visível tem sido a princesa Gabiroba.
Não quero arrogar a certeza sobre qual é o futuro ideal pro Irã, mas verdade seja dita: por mais que entre grande parte dos exilados e entre camadas jovens ainda no país o príncipe herdeiro seja popular, sua figura, muito menos uma possível volta da monarquia, estão longe de fazer unanimidade. Não só o reinado do último xá foi marcado por uma repressão comparada à atual, mas também seu pai, que “inaugurou a dinastia”, enquanto militar, dando um golpe em seu antecessor, procurou assimilar outras etnias aos persas dominantes e foi derrubado por não se curvar à sede de petróleo dos EUA. Mohammad não queria nem estava preparado pra reinar, o que o levou a tomar as piores decisões durante os protestos populares; e justamente hoje, o aspirante a rei é contestado por seu alinhamento incondicional a Israel, que o quer no lugar da “república islâmica” a qualquer preço (enquanto o próprio Laranjão não bate o martelo).
Eu traduzi o discurso usando o Google por meio da versão em inglês, já que ela deve ter sido feita pela equipe a partir do original persa e ficaria mais confiável do que se eu usasse este último no tradutor. Mesmo assim, comparei o resultado com o texto de partida e, quando necessário, consultei a respectiva palavra em persa:
Meus compatriotas,
Ali Khamenei, o Zahhāk [personificação do mal na mitologia iraniana] de nossos tempos – o demônio que, há poucas semanas, ordenou o massacre de dezenas de milhares dos melhores filhos e filhas do Irã –, se foi.
Com sua morte vergonhosa, e a de muitos de seus nomeados e aliados, a República Islâmica está dando seus últimos suspiros. Por meio da vontade e coragem de vocês, em breve ela vai ser relegada à lata de lixo da história. A grande nação do Irã busca a queda completa da República Islâmica, e nós vamos derrubar este regime demoníaco.
Minha mensagem aos funcionários remanescentes desta república do terror é esta: rendam-se à nação iraniana. Declarem sua lealdade a meu plano e a nossa estrutura de transição, e entreguem o poder sem mais derramamento de sangue.
Qualquer tentativa dos remanescentes do regime de nomear um sucessor pra Khamenei está fadada ao fracasso desde o início. Quem quer que eles coloquem em seu lugar não apenas vai carecer de legitimidade, mas também ser cúmplice dos crimes deste regime.
Aos militares, às forças policiais e de segurança, eu digo: suas armas devem ser usadas pra defender a grande nação do Irã, não a república do crime, da brutalidade e de seus criminosos anti-iranianos. Unam-se ao povo do Irã e à Revolução do Leão e do Sol. Usem suas armas pra proteger os iranianos contra os mercenários da República Islâmica, pra que este pesadelo de 47 anos termine mais rapidamente.
A morte do criminoso Khamenei, embora não pague o sangue derramado, pode acalmar os corações feridos de pais e mães, cônjuges e filhos, irmãs e irmãos enlutados; um consolo pras famílias orgulhosas dos mártires da Revolução do Leão e do Sol do Irã.
Povo honrado e corajoso do Irã,
A morte do déspota de nosso tempo, embora marque o início de nossa grande celebração nacional, não é o fim da jornada. Permaneçam vigilantes. Estejam preparados. A hora de uma presença ampla e decisiva nas ruas está muito próximo.
Peço a vocês que, mantendo-se em segurança, demonstrem sua satisfação e apoio ao esmagamento da República Islâmica por meio de cânticos noturnos e que gritem suas exigências pro futuro do Irã. Minha força provém da força e do apoio de vocês.
Peço aos iranianos no exterior – que durante semanas, sem cansaço nem pausa, têm trabalhado como a voz poderosa de nossos compatriotas no Irã – que intensifiquem seus esforços. Forcem o mundo a ouvir o apoio do povo iraniano a esta intervenção humanitária e nossa exigência da queda completa do regime.
Temos dias sensíveis pela frente. Juntos, vamos trilhar o caminho da vitória e derrubar a República Islâmica.
Viva o Irã.
Rezā Pahlavi

Este ano que já começou turbulento na geopolítica e em comoções internas tem assuntos que mereceriam uma publicação cada um. Porém, como não estou em condições de os desenvolver em separado (exceto pela montagem que publiquei ontem sobre o Saddam Tropical), acabei juntando coisas mais ou menos cômicas que vão me chegando por acaso. A primeira delas, obviamente, se relaciona a mais uma onda violenta de protestos no Irã contra a ditadura teocrática, motivados por um aumento monstro nos preços de itens essenciais. Não posso dizer que talvez não haja interferência ianque ou israelense pra estimular alguns elementos mais violentos, mas motivos pra insurgência não faltam, e em toda explosão surge tão previsível e agendada quanto a “piada do pavê” a figura do filho do último xá persa.









O príncipe herdeiro Rezā Pahlavi, filho do último xá do Irã monárquico (que fugiu do país em 1979 após a revolução que se transformou em “islâmica”), apareceu mais uma vez no 

