Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Comintern e América Latina (resenha)


Link curto para esta postagem: fishuk.cc/ic-america


Esta é uma resenha escrita pela russa I. V. Selivanova à coletânea documental A Comintern e a América Latina (Коминтерн и Латинская Америка), organizada pela Academia Russa de Ciências (Moscou, Nauka, 1998) e que traz documentos até então inéditos e desconhecidos à maioria dos historiadores sobre as relações entre a Internacional Comunista (ou 3.ª Internacional) e os partidos comunistas latino-americanos, guardados nos antigos arquivos soviéticos. A resenha saiu em russo no Latinoamerikanski istoricheski almanakh (Almanaque Histórico Latino-Americano), Moscou, n. 1, 2000, pp. 214-216, e traduzi em junho para dois professores interessados do meu instituto. Como achei que outros leitores curiosos poderiam se interessar pelas informações, decidi publicar aqui também e manter as mesmas notas de rodapé que fiz, sem acrescentar outras. A revista em formato DJVU com o texto em russo pode ser baixada nesta página.


A coletânea A Comintern e a América Latina foi preparada pelos colaboradores do Centro de Pesquisas Latino-Americanas dentro de um amplo projeto de publicação de documentos dos arquivos da 3.ª Internacional, realizado pelo Instituto de História Universal da Academia Russa de Ciências e pelo Centro Russo de Conservação e Estudo de Documentos da História Contemporânea. (1) Os estudiosos têm a possibilidade inédita de conhecer documentos únicos, relativos às atividades da organização comunista internacional, a Comintern, e os historiadores, tendo acesso aos materiais guardados no RTsKhIDNI, (2) veem-se ante a tarefa de sistematizar, trabalhar e generalizar novas fontes. Os colaboradores do Centro de Pesquisas Latino-Americanas realizaram com êxito essa tarefa, e como fruto de um meticuloso trabalho veio a lume a coletânea documental A Comintern e a América Latina.

Dada a enorme quantidade de documentos e a dimensão limitada da publicação, a coletânea só traz uma pequena parte do que foi trabalhado. A inclusão de material da mais ampla origem (atas de reuniões, informes, cartas, balanços financeiros) guiou-se por buscar a mais completa apresentação das diversas faces do trabalho da organização.

Ao dispor os documentos, os organizadores seguiram o princípio cronológico, o que lhes permitiu o máximo êxito em mostrar a lógica da interação entre a Comintern e o movimento comunista nos países da América Latina.

Numa primeira etapa a Comintern buscou promover a organização de partidos comunistas na América, e para formar uma ligação direta com eles foi criada a Agência Pan-Americana da Comintern. Seu representante Henry Allen, em informe sobre a situação na América do Sul, é claro quanto à conveniência e necessidade “de uma propaganda e agitação intensivas e da criação de uma série de partidos comunistas na região” (A Comintern e a América Latina, p. 31). À medida que surgiam e evoluíam novos partidos comunistas nos países da América Latina, veio a tarefa de reforçar as ligações entre a Comintern e o movimento comunista no continente. Os documentos “Tarefas e plano de organização da Seção Latino-Americana do Secretariado da Comintern” (28 de setembro de 1921) e “Circular do Secretariado do CEIC sobre a criação do Secretariado Sul-Americano” (18 de fevereiro de 1925) definem com nitidez as tarefas dos órgãos dirigentes da Comintern criados em Moscou e Buenos Aires.

Na coletânea têm forte realce os materiais das três conferências dos partidos comunistas latino-americanos, em que se elaboraram a estratégia e tática do movimento na América Latina e avaliou-se o trabalho organizativo de criar partidos e formar quadros marxistas-leninistas. Os organizadores visaram ao retrato mais objetivo de como evoluiu o movimento comunista nos países da região e como interagiam os partidos comunistas e as estruturas dirigentes da Comintern. Na coletânea, as atas da “Reunião do Secretariado (3) Latino-Americano” (24 de março de 1934) trazem graves questões ao pesquisador sobre como as diretivas da Comintern se refratavam na realidade concreta dos partidos comunistas e países da América Latina, e contêm um discurso de Sinani (4) sobre o informe de balanço de A. Guralski, um dos líderes da delegação do CEIC no Birô Sul-Americano da Comintern. Avaliando no geral de forma positiva a direção do birô sobre os partidos latino-americanos, Sinani apontou algumas falhas na atuação do órgão e indicou que a Comintern devia resolver as questões nacional, camponesa e sindical e que a criação de sovietes devia guiar-se pelas peculiaridades do progresso de cada país. Sinani destacou ser precisa uma nova tática para os partidos comunistas ante o prestismo no Brasil, o radicalismo na Argentina, a APRA no Peru e outros partidos pequeno-burgueses. Incluído na coletânea, apresenta especial interesse o estenograma do discurso de Sinani, dirigente do Secretariado Latino-Americano da Comintern, na 3.ª Conferência dos Partidos Comunistas Latino-Americanos (1934). Enquanto evoluíam os partidos comunistas na América Latina e apareciam os órgãos dirigentes da Comintern para cooperar com suas seções locais, surgia ante os líderes da Internacional o problema de elaborar a estratégia de ação em cada país do continente. No discurso Sinani apresentou aos colegas a tarefa de lutar pela criação da frente única nas condições concretas dos países latino-americanos.

Outros destaques da obra são os documentos da Comintern relativos ao combate ao trotskismo durante a segunda metade da década de 1930. No texto “Visões de extração trotskista com difusão entre os partidos comunistas da América Latina” (1937) criticam-se as orientações trotskistas surgidas nos partidos da região, e em outros se atacam visões esquerdistas sobre a luta revolucionária, como, em 1937, no “Projeto de Resolução do Secretariado Político do CEIC sobre as tarefas do Partido Comunista do Brasil” e nas “Notas de A. Marty sobre a situação nos países da América Latina”.

No final da coletânea estão documentos dos últimos anos da Comintern, entre eles as “Conclusões da discussão sobre a questão da Internacional Comunista e os partidos latino-americanos” (março de 1938) e o “Relatório de Vittorio Codovilla sobre a situação nos PCs da América Latina, 26 de outubro de 1940”. Com eles se comprova que nessa época as ligações dos partidos latino-americanos com a Comintern foram tomando um caráter mais equilibrado, com as seções passando a orientar sua atividade cada vez mais pelas próprias avaliações. Os documentos finais consistem em interessante material sobre a evolução do movimento comunista nos principais países da América Latina ao findar a década de 1930 e começar a de 1940.

Os organizadores da coletânea tiveram um grande trabalho ao decifrar os pseudônimos e apelidos, mas em vários casos não foi possível desvendá-los, como se indica em notas, e nem sempre se conseguiu definir a data exata dos documentos. Um auxílio essencial aos pesquisadores que estudam esse material são os comentários que o acompanham, nos quais se elucidam os eventos de que tratam os documentos e se leem breves informações sobre seus participantes. A coletânea possui um anexo com as biografias dos maiores ativistas do movimento comunista na América Latina, cujos nomes aparecem nos documentos. Há revolucionários nunca antes biografados, e não raro reunir dados sobre suas vidas rendeu aos organizadores toda uma pesquisa à parte.

Sem dúvida essa coletânea muito contribuirá para se estudar a história da Comintern e a evolução do movimento comunista e operário na América Latina. Tendo em vista as possibilidades limitadas da publicação, os organizadores só incluíram uma pequena parte dos documentos trabalhados, ficando de fora o que foi descoberto nos arquivos da Comintern sobre a história econômica e política dos diversos países da região. Porém, o que foi publicado ilumina as etapas mais importantes da evolução da Comintern e de suas relações com os partidos latino-americanos, concernindo a quase todos os países do subcontinente. O volume do material de arquivo hoje acessível pode se tornar a base para irem surgindo novas coletâneas documentais e pesquisas tratando da história do movimento revolucionário nos países da América Latina e do papel da Comintern na formação e desenvolvimento dos partidos comunistas latino-americanos.

___________________

Notas do tradutor
(Clique no número para voltar ao texto)

(1) Hoje é o Arquivo Público Russo de História Social e Política.

(2) É o centro/arquivo citado acima, cuja sigla atual é RGASPI.

(3) “Ländersekretariat” ou “secretariado regional”, na terminologia específica.

(4) Georgi Borisovich Skalov (1896-1936), instrutor e depois subchefe do Secretariado Latino-Americano da IC a partir de 1930, combateu o “prestismo” em voga no PCB, integrou a comissão para questões latino-americanas criada no Secretariado Político da IC em março de 1934 e chefiada por Dmitri Manuilski, participou da 3.ª Conferência dos Partidos Comunistas da América do Sul e Central (outubro) e publicou vários livros e artigos sobre a América Latina sob seu pseudônimo.




domingo, 28 de agosto de 2016

Desfiles de Primeiro de Maio na URSS


Link curto para esta postagem: fishuk.cc/pervomai


Assistindo a estes dois vídeos, podemos comparar como eram as comemorações do Primeiro de Maio, o Dia do Trabalho (que os russos nomeiam com uma palavra só, Pervomai), naquela que chamava a si mesma de “pátria dos trabalhadores”, a União Soviética, em dois momentos históricos muito diferentes. O primeiro é a cobertura especial, feita pelo próprio governo, do desfile e comemorações pela data em 1950, no ápice do regime de Iosif Stalin; um documento histórico de primeira ordem, com imagens raras de uma época que ainda nos resta entender profundamente. O segundo traz os principais momentos do desfile e comemorações em 1983, em transmissão feita pela televisão estatal soviética, mas que eu retirei de uma reportagem televisiva da Rússia atual, a respeito da data. Tanto o vídeo de 1950 quanto o vídeo de 1983 estão no YouTube, onde também postei no meu canal O Eslavo suas versões legendadas.

Em 1950, o regime chegava ao apogeu porque depois da devastação da Segunda Guerra, a União Soviética estava sendo reconstruída, com os trunfos de ter ascendido à condição de superpotência ao lado dos EUA e de ter sido a principal responsável pela derrota dos nazistas alemães. Stalin governava absoluto desde 1924, e sem contestações desde 1929, e nem mesmo as transformações democráticas no resto do mundo haviam abalado seu domínio e as estruturas do bloco de países socialistas criado na antiga zona de ocupação europeia do Eixo. No período chamado pelos historiadores de “alto stalinismo” (ente 1945 e 1953), o Estado ameaçava com novas ondas de perseguições, mas a propaganda oficial passava ao estrangeiro a imagem de um país estável e desburocratizado.

Apesar do clima sombrio que ainda reinava antes do “degelo”, é certo que boa parte da população, especialmente os operários que viveram o flagelo da guerra e até pegaram a época bem menos próspera do tsarismo, sentiam como um progresso aquilo que havia sido construído, uma conquista que se traduzia em ver a classe operária como tema central do poder, embora ela não fosse a real governante.




1983 é outro momento muito importante na história da União Soviética. No ano anterior havia morrido Leonid Brezhnev, um de seus líderes mais duradouros, e governava o frágil Iuri Andropov, que nem aparece nas filmagens. O país estava vivendo o início de sua terrível crise econômica e descrédito internacional, e já durava quatro anos a guerra no Afeganistão. Mesmo assim, a festa de Primeiro de Maio, ao lado do aniversário da Revolução Bolchevique (7 de novembro), permaneceu como data central do calendário celebrativo soviético. Era uma forma de prolongar na memória as antigas lutas operárias socialistas, das quais a própria “pátria dos trabalhadores” não podia se esquecer.

Como se deve ter deduzido, o repórter de rua menciona a ilha Sacalina e a península de Kamchatka para se referir ao extremo oriental da URSS, onde o sol nasce primeiro. Infelizmente, não consegui encontrar a música que toca em boa parte do vídeo: provavelmente deve ter sido composta especialmente para a ocasião, e por isso talvez não figure em letra e áudio nos grandes acervos virtuais.



quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Todas as obras: Lenin, Trotsky e Stalin


Link curto para esta postagem: fishuk.cc/sochinenia



Estou postando algo do qual talvez muita gente sinta falta: links com as coleções completas de todas as obras de Vladimir Lenin, Iosif Stalin e Leon Trotsky, as três principais figuras da Revolução Bolchevique. Eu sei que este não é especificamente um blog militante ou de comunismo, mas como muitos leitores se interessam pelo assunto, e como eu também posto aqui direto traduções dessas coisas, julguei que esta lista seria útil. Infelizmente quase tudo está em russo, mas tem algumas coisas em outras línguas também.

Essas coleções se chamam em russo Sochinenia (Obras) ou Polnoie sobranie sochinenii (Obras completas), daí a URL que fiz para a postagem. Para uma boa quantidade de seus textos em português, recomendo a versão correspondente do famoso e magnífico acervo do MIA (Arquivo Marxista na Internet). O administrador dessa seção é muito gente-fina, sempre aceita novas colaborações minhas! Seguem os links das bibliotecas com obras completas dos líderes, a maioria no original em russo, com os respectivos formatos de arquivo. Se tiverem mais alguma sugestão de link, é só postar um comentário:


LENIN

  • Em russo, formato DOC, inclui índices completos com a lista de obras em ordem alfabética ou sob outros critérios de classificação.
  • Em russo, disponibiliza em arquivos ZIP as versões em DOC, PDF ou DJVU (para ler este formato, recomendo o programa WinDJView), bem como alguns escritos separados e outros guias de referência.


TROTSKY

  • Em russo, pouca coisa em outras línguas, a única coleção livre de todos os seus escritos, em HTML. Só é um pouco difícil de pesquisar, porque está em ordem alfabética, e não conforme um índice cronológico, nem mesmo de acordo com o que já havia sido publicado na URSS até 1929.
  • Em espanhol, formato HTML, seus escritos (acredito que todos) de 1929 até sua morte, em 1940, facilmente pesquisáveis. O site, claro, é argentino, pois o país é um dos maiores focos atuais de cultivo e difusão da doutrina.
  • Em espanhol, disponível para baixar nos formatos EPUB e PDF, seção com as principais obras no site de livros Lectulandia, incluindo os escritos de 1929 a 1940 e outros textos avulsos (autobiografia, memórias, agitação, teoria).


STALIN

  • Em russo, uma das mais famosas coleções de suas obras completas, digitalizadas em HTML. Contém os quase 20 tomos tradicionais, bem como outros escritos separados, alguns só publicados recentemente. Se abrir um janelão com propaganda, espere alguns segundos e depois feche clicando no X acima à direita.
  • Em russo, disponibiliza em arquivos ZIP as versões em RTF, PDF ou DJVU, bem como alguns escritos separados (incluindo cartas íntimas, poemas e as famosas Questões do leninismo) e outros guias de referência.
  • Em inglês, é um pouco desorganizado por ser já um site antigo, mas é bastante rico em material traduzido em inglês, basta xeretar com calma. São as Obras completas e vários outros escritos, incluindo correspondência com estadistas como Truman, Attlee e Churchill. Algumas coisas estão em formato HTML, outras em DOC e outras em PDF.



domingo, 21 de agosto de 2016

Escreva os nomes de chefes soviéticos


Link curto para esta postagem: fishuk.cc/nomes-urss


Existe uma absoluta falta de unidade e consenso quanto à escrita dos nomes dos principais líderes e políticos da União Soviética (URSS), bem como da Rússia contemporânea, no alfabeto latino, de forma que sejam imediatamente reconhecíveis e mais ou menos pronunciáveis. Esse foi um problema com que sempre me deparei nas pesquisas acadêmicas e traduções, desde minha graduação na Unicamp, e que tentei resolver criando sucessivos sistemas próprios de transliteração do alfabeto cirílico para o alfabeto latino, o último deles explicado aqui, abarcando todos os idiomas eslavos escritos em cirílico, exceto o servo-croata, que tem um sistema latino intercambiável.

Meu sistema é baseado essencialmente na transliteração corrente na língua inglesa, mais conhecida internacionalmente, com algumas soluções adotadas também pelos idiomas românicos, especialmente o português, muitas das quais não são necessariamente lógicas ou unívocas, mas se reforçaram pela tradição. Para usá-lo, não é preciso um conhecimento prévio dos idiomas concernidos, mas recomendo uma leitura atenta das regras, e ofereço também diversas informações linguísticas adicionais para os mais curiosos. Ancorado nesse sistema, posto abaixo os nomes completos de alguns grandes líderes políticos e sociais da antiga URSS e dos atuais países eslavos, na minha transliteração latina e no cirílico da respectiva língua. Não os julgo obrigatórios, mas uma orientação razoável a quem está inseguro:


VLADIMIR ILICH ULIANOV (LENIN)
Владимир Ильич Ульянов (Ленин)
IAKOV MIKHAILOVICH SVERDLOV
Яков Михайлович Свердлов
IOSIF VISSARIONOVICH DZHUGASHVILI (STALIN, KOBA, SOSELO)
Иосиф Виссарионович Джугашвили (Сталин, Коба, Сосело)
LEV DAVIDOVICH BRONSHTEIN, por vezes BRONSTEIN (TROTSKY)
Лев Давидович Бронштейн (Троцкий) - versão russa do nome do ucraniano
Rakovski:
- Em russo: KHRISTIAN (ou CHRISTIAN) GEORGIEVICH RAKOVSKI - Христиан Георгиевич Раковский
- Em búlgaro: KRASTIO GEORGIEV STANCHEV (RAKOVSKI) - Кръстьо Георгиев Станчев (Раковски)
NADEZHDA KONSTANTINOVNA KRUPSKAIA
Надежда Константиновна Крупская
ALEKSANDRA MIKHAILOVNA KOLLONTAI
Александра Михайловна Коллонтай
NIKOLAI IVANOVICH BUKHARIN
Николай Иванович Бухарин
GRIGORI IEVSEIEVICH ZINOVIEV
Григорий Евсеевич Зиновьев
VIACHESLAV MIKHAILOVICH SKRIABIN (MOLOTOV)
Вячеслав Михайлович Скрябин (Молотов)
KLIMENT IEFREMOVICH VOROSHILOV
Климент Ефремович Ворошилов
GEORGI KONSTANTINOVICH ZHUKOV
Георгий Константинович Жуков
ANDREI ALEKSANDROVICH ZHDANOV
Андрей Александрович Жданов
Manuilski:
- Em russo: DMITRI ZAKHAROVICH MANUILSKI - Дмитрий Захарович Мануильский (o que geralmente uso em trabalhos acadêmicos)
- Em ucraniano: DMYTRO ZAKHAROVYCH MANUILSKY - Дмитро Захарович Мануїльський
Dimitrov:
- Em russo: GEORGI MIKHAILOVICH DIMITROV - Георгий Михайлович Димитров
- Em búlgaro: GEORGI DIMITROV MIKHAILOV - Георги Димитров Михайлов
VALKO VELIOV CHERVENKOV
Вълко Вельов Червенков
TODOR KHRISTOV ZHIVKOV
Тодор Христов Живков
NIKITA SERGEIEVICH KHRUSCHOV
Никита Сергеевич Хрущёв
IURI ALEKSEIEVICH GAGARIN
Юрий Алексеевич Гагарин
LEONID ILICH BREZHNEV
Леонид Ильич Брежнев
ALEKSANDR ISAIEVICH SOLZHENITSYN
Александр Исаевич Солженицын
IURI VLADIMIROVICH ANDROPOV
Юрий Владимирович Андропов
KONSTANTIN USTINOVICH CHERNENKO
Константин Устинович Черненко
MIKHAIL SERGEIEVICH GORBACHOV
Михаил Сергеевич Горбачёв
BORIS NIKOLAIEVICH IELTSIN
Борис Николаевич Ельцин
VLADIMIR VLADIMIROVICH PUTIN
Владимир Владимирович Путин
DMITRI ANATOLIEVICH MEDVEDEV
Дмитрий Анатольевич Медведев
GENNADI ANDREIEVICH ZIUGANOV
Геннадий Андреевич Зюганов
VLADIMIR VOLFOVICH ZHIRINOVSKI
Владимир Вольфович Жириновский
Lukashenko:
- Em russo (mais usado): ALEKSANDR GRIGORIEVICH LUKASHENKO - Александр Григорьевич Лукашенко
- Em bielo-russo: ALIAKSANDR RYGORAVICH LUKASHENKA - Аляксандр Рыгоравіч Лукашэнка
LEONID DANYLOVYCH KUCHMA
Леонід Данилович Кучма
VIKTOR FEDOROVYCH IANUKOVYCH
Віктор Федорович Янукович
VIKTOR ANDRIOVYCH IUSHCHENKO
Віктор Андрійович Ющенко
IULIA VOLODYMYRIVNA TYMOSHENKO
Юлія Володимирівна Тимошенко
OLEKSANDR VALENTYNOVYCH TURCHYNOV
Олександр Валентинович Турчинов
PETRO OLEKSIOVYCH POROSHENKO
Петро Олексійович Порошенко
ARSENI PETROVYCH IATSENIUK
Арсеній Петрович Яценюк (ex-premiê da Ucrânia)
VOLODYMYR BORYSOVYCH HROISMAN
Володимир Борисович Гройсман (atual premiê da Ucrânia)

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

L’ epoko kaj la mondo niaj (poema meu)


Link curto para esta postagem: fishuk.cc/epoko


Este é mais um poema que escrevi em esperanto, não me lembro exatamente se em 2007 ou 2008. Lembro apenas que estava visitando meu melhor amigo, que mora no meu bairro, e num momento em que ele conversava com outras pessoas, comecei a compor os versos na minha cabeça... Eu era meio doido, não? Eu o publiquei pela primeira vez também numa nota de Facebook, na manhã de 7 de agosto de 2011. A rítmica dos versos é: ta TA ta TA ta TA ta TA ta (isso deve ter um nome técnico, mas não conheço), e em cada estrofe o primeiro verso rima com o terceiro, e o segundo com o quarto. Seguem abaixo minha voz o recitando, o texto em esperanto e um rascunho de tradução. Espero que você gostem!

Ĉi tiu estas alia poemo, kiun mi skribis en Esperanto, mi ne precize memoras, ĉu en 2007 aŭ 2008. Mi memoras nur, ke unu tagon mi vizitis mian plej intiman amikon, kiu loĝas en mia kvartalo, kaj en momento, kiam li babilis kun aliaj personoj, mi komencis enkape komponi la versojn... Mi estis iom freneza, ĉu ne?... Mi publikigis ĝin unuafoje ankaŭ en Facebook matene la 7-an de Aŭgusto 2011. La ritmo de la versoj estas: ta TA ta TA ta TA ta TA ta (tio verŝajne havas faknomon, sed mi ne konas ĝin), kaj en ĉiu strofo la rimoj okazas inter la unua kaj la tria versoj, kaj inter la dua kaj la kvara. Ĉi-sube sekvas mia voĉo deklamanta ĝin, la teksto en Esperanto kaj skiza traduko al la portugala lingvo. Mi esperas, ke vi ŝatos ĝin!


____________________


La junularo ne plu sonĝas,
Ne oni agas komunume.
La utopioj funde plonĝas
Kaj kapitalo regas dume.

Labora nia sangodono
Nur nutras la ĉefulojn brutajn,
Ĉar ni satiĝas per duono,
Dum ili havas aĵojn tutajn.

Popoloj ŝatas naivecon,
Ol la konscio pri problemoj
Damnantaj ĉiun vivospecon
Pro la detruaj homaj emoj.

Militoj sen kialoj iaj
Plenigas la povulajn mensojn
Kaj interesoj tre naciaj
Korodas la tutmondajn pensojn.

Pri am’ ne estas plu reguloj,
Ne la etiko plu ekzistas,
Ĉar nin malamas l’ aliuloj
Kaj forte la sinlu’ rezistas.

Poluas la aŭtomobilo,
Ĉielen fumon ĝi direktas;
Murdotajn arbojn de hakilo
La politiko ne protektas.

Rasisme, krime, antaŭjuĝe:
Jen nia vivomaniero.
Gentetojn, kiuj vivas fuĝe,
Forlasis tute la espero.

La bonsatuloj nur bedaŭras
Pro la porcioj multekostaj,
Dum l’ akra manĝomanko daŭras
Eĉ en urbetoj la plej frostaj.

La solvojn oni prete kreis,
Sed la problemoj sekve venas:
Aŭ la bonuloj jam pereis,
Aŭ juston la truduloj ĝenas.

Finante, dir’ instruistina:
“Sen pac’ en nia propra rondo”,
Admonas la proverbo ĉina,
“Ne estos paco en la mondo”.

____________________


A juventude não sonha mais,
Não se age mais em comunidade.
As utopias submergem fundo
E enquanto isso reina o capital.

No trabalho doamos nosso sangue
Que só alimenta os chefes brutais,
Pois nos satisfazemos com metade,
Enquanto eles têm coisas inteiras.

Os povos gostam da ingenuidade
Mais do que da consciência dos problemas
Que prejudicam todo tipo de vida
Devido às tendências humanas destrutivas.

Guerras sem nenhum tipo de motivo
Preenchem as mentes dos poderosos
E interesses muito nacionais
Corroem os pensamentos mundiais.

Não há mais regras sobre o amor,
A ética não existe mais,
Pois as outras pessoas nos odeiam
E o aluguel de si mesmo resiste com força.

O automóvel polui,
Ele direciona fumaça ao céu;
Árvores a serem mortas pelo machado
Não são protegidas pela política.

Com racismo, crime, preconceito:
Eis nosso modo de viver.
Pequenos povos que vivem em fuga
Foram totalmente deixados pela esperança.

Os bem nutridos só lamentam
Por causa das porções caras,
Enquanto segue a falta aguda de comida
Até nas cidadezinhas mais geladas.

Criaram-se prontamente as soluções,
Mas os problemas vêm na sequência:
Ou as pessoas boas já pereceram,
Ou os opressores atrapalham a justiça.

Para acabar, um dizer de professora:
“Sem paz em nosso próprio círculo”,
Adverte o provérbio chinês,
“Não haverá paz no mundo”.




domingo, 14 de agosto de 2016

Dzmitry Sholakhau – Мой край (Torrão)


Link curto para esta postagem: fishuk.cc/torrao


Procurando na rede poesia bielo-russa para ler e ocasionalmente traduzir (acho essa língua muito bonita!), achei por acaso o site Vershy.ru, que está todo em bielo-russo e tem poemas de vários autores, a maioria talvez não profissional, classificados pelo nome do escritor ou pelo tema de que tratam. Gostei muito de navegar nele, vi muitos poemas legais e dignos de ser trabalhados!

Um deles que julguei legal, curtinho e fácil o suficiente para uma iniciativa rápida foi o poema “Мой край” (Moi krai), que literalmente significa Minha terra e foi escrito por Dzmitry Sholakhau (Дзмітрый Шолахаў), sobre quem não encontrei mais informações na rede. O único fato interessante de que fiquei sabendo foi que a versão russa do nome, Dmitry Sholokhov, é usada por outro bielo-russo, um designer de moda que vive em Nova York. Até porque talvez seja um nome comum em Belarus, e porque não vi referências ao radicado como poeta, não tive por que crer serem os dois a mesma pessoa.

O poema de Sholakhau está nesta página, e clicando em seu nome pode-se ler outros escritos seus. Abaixo também fiz uma tabela com quatro composições: o texto bielo-russo em cirílico e na transliteração para o alfabeto latino conforme meu sistema, e a tradução literal com uma tradução poética minha, para vocês assimilarem a essência do trabalho. Além disso, antes da tabela coloquei um vídeo que está no meu canal O Eslavo no YouTube e que mostra minha leitura em voz alta do poema em bielo-russo, para os curiosos de como soa a língua, e na tradução poética, acompanhados de legendas:





Мой край
Дзмітрый Шолахаў

Край мой мілы, край мой светлы,
Добры, безумоўна,
І такі да ўсіх прыветлы,
І такі цудоўны,

Што няма яму узораў,
Прыкладаў бяспрэчных.
І над ім лятаюць зоры
Ўсіх сузор’яў лепшых.

Край мой родны, край любімы –
Нівы і азёры,
Ты – адна мая Радзіма
Ў сонечным прасторы.

І нікому, край мой мілы,
Не аддам ніколі
Твае моры, небасхілы,
Руні ў родным полі.

Moi krai
Dzmitry Sholakhau

Krai moi mily, krai moi svetly,
Dobry, bezumouna,
I taki da usikh pryvetly,
I taki tsudouny,

Shto niama iamu uzorau,
Prykladau biasprechnykh.
I nad im liataiuts zory
Usikh suzoriau lepshykh.

Krai moi rodny, krai liubimy –
Nivy i aziory,
Ty – adna maia Radzima
U sonechnym prastory.

I nikomu, krai moi mily,
Ne addam nikoli
Tvaie mory, nebaskhily,
Runi u rodnym poli.


Minha terra
(tradução literal)

Minha terra querida, minha terra iluminada,
Boa, incondicional,
E tão amigável para todos,
E tão maravilhosa,

Que dela não há modelos,
Exemplos irrefutáveis.
E sobre ela voam as estrelas
De todas as mais belas constelações.

Minha terra natal, terra amada –
Campos arados e lagos,
Você é minha única Pátria
Na vastidão ensolarada.

E a ninguém, minha terra querida,
Nunca vou entregar
Seus mares, horizontes,
Sementeiras no campo natal.

Torrão
(tradução poética)

Meu torrão amado e raro,
Bom, inseparável,
Para todos tão preclaro,
Tão brilhante, afável,

Que não há igual no mundo,
Ímpar o estrelado.
Voam lampas no rotundo
Céu, feitiço armado.

Meu torrão natal querido –
Campos e lagoas,
Pátria sob o sol renhido,
Só à qual dou loas.

Vou guardar em meu torrão
Mares, hortas, vistas,
Nunca outros roubarão
Do meu berço as cristas.





quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Sertanejo meloso legendado em russo


Link curto para esta postagem: fishuk.cc/sertanejo



Por que não também legendar em russo ou em francês material histórico e cultural em português para que possa ser compreendido por estrangeiros, e não fazer apenas o caminho contrário, que é o mais habitual no meu canal O Eslavo no YouTube? Pois foi pensando nisso que há tempos tenho ideias de canções e vídeos históricos brasileiros que receberiam legendas numa língua estrangeira (os tradutores costumam chamar esse caminho de “versão”), principalmente russo, trazendo a outros povos a possibilidade de nos entender, bem como atiçando a curiosidade dos brasileiros!

Começando por canções bem simples, minha primeira tentativa foi a música Lágrimas, do cantor paulista Marcelo Aguiar, gravada em 1993. Mas o que ela tem de especial? Quem é esse cara? Bem, vou traduzir aqui algumas informações que escrevi em russo no YouTube... Após mais de vinte anos, estava com saudade de reescutar essa música, que eu ouvia bastante pelo rádio quando era pequeno e ainda morava em Guarulhos - SP, e em 2015 simplesmente resolvi legendar em russo! Talvez alguns cidadãos ainda se lembrem que no início dos anos 1990 Marcelo Aguiar fez algum sucesso nacional no sertanejo romântico, então muito na moda e fruto da urbanização e enriquecimento da velha música “caipira”. Zezé Di Camargo, que compôs muitas de suas músicas (a semelhança de estilo é notável), foi um de seus vários promotores, e Marcelo também gravaria o tema principal da novela Estrela de fogo da TV Record.

Atualmente Marcelo Aguiar não é muito conhecido pelos amantes do sertanejo, mas tendo se tornado evangélico em 2000, passou a um grande sucesso no gospel. Hoje ele também é deputado federal e, como lhes parece óbvio, mas não aos russos, ele percorreu um caminho comum a outras celebridades sumidas: algum sucesso nacional passageiro, contato com e conversão ao protestantismo, passagem ao estilo gospel e sucesso restrito a ele, e enfim eleição para o legislativo e defesa política de bandeiras cristãs.

O primeiro vídeo, para cuja versão recebi a ajuda do amigo Volodymyr Tkach, não foi um grande sucesso, mas ainda assim gostei da experiência e desejei repeti-la na primeira ocasião. E assim foi com uma breve aparição de Leandro & Leonardo na TV goiana em 1983, uma das primeiras da dupla, cantando a música Dupla traição de seu primeiro LP. Expliquei aos russos que eles foram muito famosos aqui nas décadas de 1980 e 1990, e que após a morte de Leandro em 1998, Leonardo prosseguiu exitosa carreira na música romântica.

Ressaltei também que o tema da traição aparecia muito em nossas músicas que falam de amor, e que a canção demonstrava influência de outros ritmos latino-americanos, em especial da Argentina e México. Expliquei ainda, pasmem, a conotação erótica do motel no Brasil, porque tanto na Rússia quanto nos EUA geralmente não passa de um hotel de beira de estrada (motel = motor + hotel)...

Infelizmente eu ainda não domino a técnica de escrita em cirílico no Subtitle Workshop, programa que uso pra legendar (aparecem apenas ponto de interrogação ao invés de letras...), e mesmo tendo guardado algumas notas a respeito que copiei da rede, ainda não tive tempo de ler com atenção. Portanto, o que vocês verão são os resultados possibilitados pelo velho Windows Movie Maker! No primeiro caso, eu só tinha o áudio e fiz uma seleção inspirada de imagens, e no segundo, temos o clipe. Os títulos das canções nos vídeos em russo foram vertidos literalmente, e no caso de Lágrimas temos “Sliozy”, e no caso de Dupla traição, “Dvoinaia izmena”. Não consegui achar de jeito nenhum quem compôs a primeira música (áudio aqui), mas a segunda é de Sandoval Arantes e Ligeirinho, e pode ser assistida sem legendas neste endereço. Depois de cada vídeo tem a letra em português e a versão em russo, igual à das legendas:



1. Caminhando contra o vento vou lembrando
As loucuras que fizemos, vou chorando
De saudade.
Te vejo em todos os lugares,
Te vejo em todos os olhares,
Te vejo linda do meu lado.
Na ilusão dessa miragem,
Na solidão, bicho selvagem,
Meu coração é devorado.

Refrão:
Lágrimas vão no vento,
Lágrimas de amor.
É pena que o vento
Não leva a minha dor.
Lágrimas vão no vento,
Lágrimas de amor.
É pena que o vento
Não leva a minha dor.

2. Caminhando pelas ruas da cidade,
Vejo quanto vale a minha liberdade:
Vale nada.
Te vejo em tudo o que eu faço,
Eu não sou dono dos meus passos,
Caminho sem destino certo.
Perdido em meio a essa gente
Que vai passando indiferente,
Me sinto em pleno deserto.

(Refrão)

Lágrimas vão no vento,
Lágrimas de amor.
É pena que o vento
Não leva a minha dor.

____________________


1. Я брожу против ветра, вспоминаю
Наши безумные поступки и плачу
От тоски.
Я вижу тебя повсюду,
Я вижу тебя во всех взглядах,
Я вижу тебя красивой рядом со мной.
Этот мираж обманывает меня,
И одиночество, дикий зверь,
Проглатывает моё сердце.

Припев:
Слёзы идут по ветру,
Слёзы любви.
Жаль, что ветер
Не уносит моего горя.
Слёзы идут по ветру,
Слёзы любви.
Жаль, что ветер
Не уносит моего горя.

2. Я брожу по улицам города
И вижу, сколько стоит моя свобода:
Ничего не стоит.
Я вижу тебя в каждом моём действии,
Я не владею моими шагами,
Я брожу без определённой цели.
Потерянный среди этих людей,
Кто безразлично проходят,
Я чувствую себя средь пустыни.

(Припев)

Слёзы идут по ветру,
Слёзы любви.
Жаль, что ветер
Не уносит моего горя.



Veja amigo amargando coração
O preço de uma traição
E de um destino cruel
Um dia deste saí pela madrugada
Com uma amante comprada
Fui parar em um motel
No outro dia
Ao sair pra ir embora
Dei de cara lá de fora
Com minha esposa fiel

Ela saía com outro alguém
E eu com outra também
Talvez dando o que falar
Infelizmente tive que ficar calado
Pois eu também estava errado
Saindo do mesmo lugar

____________________


Смотри, мой друг,
Как огорчают моё сердце
Наказание за измену
И суровая судьба.
На днях я выехал
Ночью из дому,
Заплатил за любовницу
И мы попали в мотель.
На другой день,
Когда мы уезжали оттуда,
Я случайно встретился
С моей верной женой...

Она уезжала с другим мужчиной,
А я, с другой женщиной,
Наверное возбуждал толки.
К сожалению я должен был молчать,
Я тоже поступил неправильно
При пребывании там же...

domingo, 7 de agosto de 2016

Священная война (A guerra sagrada)


Link curto para esta postagem: fishuk.cc/voina


Um belo monumento que postei no meu canal O Eslavo no YouTube para comemorar mais um aniversário do Dia da Vitória na Segunda Guerra Mundial foi o hino da resistência soviética à invasão nazista, a marcha militar “Священная война” (Sviaschennaia voina), Guerra sagrada, assim chamada com justeza face ao terror que a URSS vivia. Foi gravada em 28 de junho de 1941, com melodia de Aleksandr Aleksandrov e letra de Vasili Lebedev-Kumach, do qual já falei várias vezes como de um verdadeiro trovador da Era Stalin.

O poema de Lebedev-Kumach foi publicado em jornais dois dias após o início da invasão nazista, ou seja, 24 de junho de 1941. O famoso músico militar Aleksandrov, que também compôs a melodia do hino da URSS, igual à do atual hino da Rússia, logo criou uma melodia, mas após a gravação, os rádios só começaram a tocá-la amplamente a partir de 15 de outubro, quando a invasão nazista se tornou realmente trágica. A canção deu formidável ânimo às tropas soviéticas combatentes e continuou popular mesmo depois da guerra, sendo muito executada até hoje.

Esta apresentação, dirigida por Viktor Fiodorov, foi feita em 1998 pelo Conjunto Aleksandrov do Exército Russo, também conhecido como Coral do Exército Vermelho, em comemoração aos 70 anos do conjunto, fundado em 1928 pelo próprio Aleksandrov. No YouTube está o vídeo sem legendas, e a letra em russo tirei de uma página de música, mas ela também segue abaixo do vídeo legendado, junto com a tradução, que não foi encurtada para compor as legendas:


____________________


1. Вставай, страна огромная,
Вставай на смертный бой,
С фашистской силой тёмною,
С проклятою ордой.

Припев:
Пусть ярость благородная
Вскипает, как волна.
Идёт война народная,
Священная война.

2. Дадим отпор душителям
Всех пламенных идей,
Насильникам, грабителям,
Мучителям людей.

(Припев)

3. Гнилой фашистской нечисти
Загоним пулю в лоб,
Отродью человечества
Сколотим крепкий гроб.

(Припев)

4. Вставай, страна огромная,
Вставай на смертный бой
С фашистской силой тёмною,
С проклятою ордой.

(Припев)

____________________


1. De pé, país colossal,
De pé lutar mortalmente
Contra a negra força fascista,
Essa horda abominável.

Refrão:
Que a nobre ferocidade
Comece a ferver, como onda.
Segue a guerra popular,
Uma guerra sagrada.

2. Rechacemos quem suprime
Todas as ideias ardorosas,
Rechacemos tiranos, ladrões
E assassinos de pessoas.

(Refrão)

3. Da imunda gentalha fascista
Vamos dar uma bala na testa,
Essa escória da humanidade
Vamos trancar num caixão.

(Refrão)

4. De pé, país colossal,
De pé lutar mortalmente
Contra a negra força fascista,
Essa horda abominável.

(Refrão)




quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Ouça, Leningrado (Вечерняя песня)


Link curto para esta postagem: fishuk.cc/leningrad


Esta é uma linda canção russo-soviética da época em que os compositores eram realmente poetas proletários, dedicados exclusivamente a criar a arte nacional. Seu nome oficial é “Вечерняя песня” (Vecherniaia pesnia), Canção noturna, mas é mais conhecida na Rússia por um de seus trechos, “Слушай, Ленинград” (Slushai, Leningrad), Ouça, Leningrado, considerada um hino não oficial da hoje conhecida como a cidade de São Petersburgo. A música tem letra de Aleksandr Churkin e melodia de Vasili Soloviov-Sedoi.

A canção foi interpretada por vários cantores renomados, inclusive nosso conhecido Eduard “Trololo” Khil, mas logo que veio a público já caiu no gosto popular e se tornou patrimônio oral. Embora fosse considerada um hino não oficial da então Leningrado, e hoje de São Petersburgo, ainda hoje é ludicamente adaptada para celebrar outras cidades, e de fato já foram escritas várias paródias, como o hino dos torcedores do time de futebol Zenit, de 1981, feito por Aleksei Temnikov e Andrei Solntsev. A canção celebra a beleza da paisagem urbana e o rio Neva que corta a cidade, e evoca ainda os trágicos tempos da defesa bélica contra a invasão nazista.

Vocês podem ver abaixo duas versões legendadas dessa canção, que postei no meu canal O Eslavo no YouTube. O primeiro vídeo é uma apresentação feita pelo cantor Georg Ots no Ano Novo de 1961 no Palácio dos Congressos do Kremlin, hoje Palácio Estatal do Kremlin, que havia sido inaugurado naquele mesmo ano. O segundo vídeo tem gravação na voz do cantor Iegor Koroviov (não consegui identificar o ano) e tem cenas do filme Leningrad (1978), de A. Uchitel.

O barítono estoniano Georg Karlovich Ots, cantor popular e lírico, nasceu em 1920 na então Petrogrado, que se tornaria a Leningrado que ele homenageia. Foi nadador, teve formação militar, participou da Segunda Guerra e dirigiu várias escolas musicais. Membro do Partido Comunista soviético desde 1946, foi deputado do Soviete Supremo, ganhou dois Prêmios Stalin (1950 e 1952), o Prêmio Estatal da URSS (1968) e o título de Artista Popular da URSS (1960). Faleceu em Tallin, capital da Estônia, em 1975.

Quanto aos compositores, Vasili Pavlovich Soloviov-Sedoi nasceu em 1907 numa família humilde e desde cedo aprendeu a tocar sozinho vários instrumentos. Fez diversos cursos musicais, tornou-se compositor, comandou trupes teatrais nos fronts da Segunda Guerra e presidiu importantes associações musicais. Apesar da formação erudita, ficou muito mais famoso por suas difundidas canções populares. Faleceu em 1979. Aleksandr Dmitrievich Churkin nasceu em 1903 numa família de camponeses do norte e cedo entrou para o Exército Vermelho. Em seguida, trabalhou em jornais e, mais tarde, como literato e poeta. Escreveu muitos livros de poesia, mas ficou nacionalmente famoso por suas letras de canções. Morreu em 1971.

Gostaria ainda de esclarecer alguns aspectos vocabulares e tradutórios. Na segunda estrofe, aparece a palavra “Komsomol”, que na verdade traduz o adjetivo concernente a ela, komsomolski. É o acrônimo russo para a União da Juventude Comunista do Partido soviético, divisão de jovens existente em qualquer partido comunista, como no Brasil temos a UJC do PCB e a UJS do PC do B. O verso que traduzi “Íamos juntos, com a mesma idade” seria literalmente “Meus coetâneos iam a meu lado”: a palavra rovesnik, em russo, é corrente, mas “coetâneo” (pessoa que tem a mesma idade), em português, não.

Tanto o vídeo na voz de Ots quanto o vídeo na voz de Koroviov eu baixei do YouTube, sem legendas. Há informações sobre os autores, a história da canção e a letra em russo nesta página, infelizmente em russo, e abaixo dos vídeos estão essa letra e a tradução:




____________________


Город над вольной Невой,
Город нашей славы трудовой,
Слушай, Ленинград, я тебе спою
Задушевную песню свою.
Слушай, Ленинград, я тебе спою
Задушевную песню свою.

Здесь проходила, друзья,
Юность комсомольская моя.
За родимый край с песней молодой
Шли ровесники рядом со мной.
За родимый край с песней молодой
Шли ровесники рядом со мной.

С этой поры огневой
Где бы вы не встретились со мной,
Старые друзья, в вас я узнаю
Беспокойную юность свою.
Старые друзья, в вас я узнаю
Беспокойную юность свою.

Песня летит над Невой,
Засыпает город дорогой,
В парках и садах липы шелестят...
Доброй ночи, родной Ленинград!
В парках и садах липы шелестят...
Доброй ночи, родной Ленинград.

____________________


Cidade à beira do livre Neva,
Cidade de nossa glória laboral,
Ouça, Leningrado, vou lhe cantar
Minha canção afetuosa.
Ouça, Leningrado, vou lhe cantar
Minha canção afetuosa.

Amigos, aqui eu passei
A juventude no Komsomol.
Pela terra natal, com jovem canção,
Íamos juntos, com a mesma idade.
Pela terra natal, com jovem canção.
Íamos juntos, com a mesma idade.

Desde essa época incendiária,
Onde quer que nos encontremos
Reconheço em vocês, velhos amigos,
Minha aflitiva juventude.
Reconheço em vocês, velhos amigos,
Minha aflitiva juventude.

A canção sobrevoa o rio Neva,
A querida cidade adormece,
Nos parques e jardins as tílias murmuram...
Boa noite, amada Leningrado!
Nos parques e jardins as tílias murmuram...
Boa noite, amada Leningrado!