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domingo, 31 de maio de 2015

O que é o Poder Soviético?


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Discurso de Vladimir Ilich Ulianov (Lenin) gravado em disco no final de março de 1919, traduzido diretamente do russo e legendado. Acompanham breve introdução, informações técnicas e a versão em russo. Clique aqui para consultar o índice completo dos 14 discursos, sob a tag “Discursos de Lenin”.

Neste discurso muito breve, o que faz dispensar longas apresentações, Lenin resume a essência do “Poder Soviético” ao governo dos trabalhadores para os próprios trabalhadores, não mais sob o jugo dos mais ricos ou dos capitalistas. Experiência inédita no mundo, o poder dos sovietes era lançado na Rússia e se tornava uma experiência simpática a vários movimentos operários e cujo sucesso global o líder bolchevique cria infalível e para muito em breve. Reconhecendo os problemas que o governo bolchevique ainda enfrentava em finais dos anos 1910 e o longo tempo ainda restante para resolvê-los, Lenin conclui chamando o “Poder Soviético” de meio de transição para o socialismo, meio de insurgência e autogoverno dos oprimidos, correto por ter sido escolhido por eles próprios.


Título completo: O que é o Poder Soviético?
Título em russo: Что такое Советская власть? [Chto takoie Sovetskaia vlast?]
Fonte: Obras completas (em russo), 5. ed., tomo 38, Moscou, Politizdat, 1969, pp. 238-239
Em outras línguas: inglês, espanhol, francês, italiano, alemão


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O que é o Poder Soviético? Qual é a essência dessa nova forma de poder que as pessoas ainda não querem ou não podem compreender na maioria dos países? Sua essência, que está atraindo cada vez mais operários de todos os países, consiste no fato de o Estado, antes governado, de uma forma ou de outra, pelos ricaços ou pelos capitalistas, ser agora governado, pela primeira vez e ainda em número massivo, justamente pelas classes que o capitalismo oprimia. Mesmo na mais livre e democrática república, enquanto subsistirem o domínio do capital e a propriedade privada da terra, o Estado sempre será governado por uma pequena minoria, composta em nove décimos por capitalistas ou por ricaços.

É em nossa Rússia que, pela primeira vez no mundo, o poder de Estado está sendo organizado de forma que apenas os operários e trabalhadores do campo, e não os exploradores, componham os Sovietes, organizações de massas às quais se está transferindo todo esse poder. Eis por que, por mais que os representantes da burguesia de todos os países caluniem a Rússia, por todo o mundo a palavra “Soviete” se tornou não apenas natural, mas também popular e cara aos operários e a todos os trabalhadores. E eis por que, sejam quais forem as perseguições aos partidários do comunismo nos vários países, o Poder Soviético, de forma fatal e inevitável, triunfará em todo o mundo num futuro próximo.

Sabemos bem que ainda existem muitas carências na organização de nosso Poder Soviético. De fato, ele não é um talismã mágico nem suprime de uma vez as mazelas do passado, o analfabetismo, a incultura, as consequências de uma guerra brutal e a herança do capitalismo espoliador. Mas, em compensação, ele possibilita a transição ao socialismo, a sublevação dos oprimidos e que estes tomem cada vez mais em suas próprias mãos toda a direção do Estado, da economia e da produção.

O Poder Soviético é o caminho encontrado pelas massas trabalhadoras para chegar ao socialismo e, por isso, é um caminho justo e invencível.

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Что такое Советская власть? В чем заключается сущность этой новой власти, которой не хотят или не могут понять еще в большинстве стран? Сущность ее, привлекающая к себе рабочих каждой страны все больше и больше, состоит в том, что прежде государством управляли так или иначе богатые или капиталисты, а теперь в первый раз управляют государством, притом в массовом числе, как раз те классы, которых капитализм угнетал. Даже в самой демократической, даже в самой свободной республике, пока остается господство капитала, пока земля остается в частной собственности, государством всегда управляет небольшое меньшинство, взятое на девять десятых из капиталистов или из богатых.

Первый раз в мире власть государства построена у нас в России таким образом, что только рабочие, только трудящиеся крестьяне, исключая эксплуататоров, составляют массовые организации — Советы, и этим Советам передается вся государственная власть. Вот почему, как ни клевещут на Россию представители буржуазии во всех странах, а везде в мире слово «Совет» стало не только понятным, стало популярным, стало любимым для рабочих, для всех трудящихся. И вот почему Советская власть, каковы бы ни были преследования сторонников коммунизма в разных странах, Советская власть неминуемо, неизбежно и в недалеком будущем победит во всем мире.

Мы хорошо знаем, что у нас еще много недостатков в организации Советской власти. Советская власть не чудесный талисман. Она не излечивает сразу от недостатков прошлого, от безграмотности, от некультурности, от наследия дикой войны, от наследия грабительского капитализма. Но зато она дает возможность переходить к социализму. Она дает возможность подняться тем, кого угнетали, и самим брать все больше и больше в свои руки все управление государством, все управление хозяйством, все управление производством.

Советская власть есть путь к социализму, найденный массами трудящихся и потому — верный и потому — непобедимый.


domingo, 24 de maio de 2015

Sobre os camponeses médios


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Discurso de Vladimir Ilich Ulianov (Lenin) gravado em disco no final de março de 1919, traduzido diretamente do russo e legendado. Acompanham breve introdução, informações técnicas e a versão em russo. Clique aqui para consultar o índice completo dos 14 discursos, sob a tag “Discursos de Lenin”.

Tal como no discurso dirigido ao Exército Vermelho, Lenin aborda aqui o campesinato, especialmente na figura dos camponeses médios e dos camponeses ricos, mas desta vez com maior profundidade e especificidade. O líder bolchevique, em meio à implantação do sistema soviético na Rússia, muito custosa também por causa do contexto da guerra civil, tira a dúvida dos outros militantes sobre a natureza do campesinato médio, sobre o qual ele afirma ser uma camada que não explora o trabalho camponês alheio e que, embora possa dificilmente se voltar de modo imediato para o lado do socialismo, deve ser gradualmente convencida a se aliar aos comunistas. Ao contrário dos kulaks, os camponeses ricos, aos quais Lenin reserva um combate sem tréguas por conta de seu papel na exploração fundiária da era tsarista, os camponeses médios, segundo ele, deveriam ser alvo de uma propaganda amistosa e paciente, para que aderissem à nova ordem e passassem a colaborar com os revolucionários, a fim de auxiliarem o Poder Soviético a implantar a aliança operário-camponesa como base do regime e, assim, lançar as bases para o sucesso de outras revoluções vermelhas que estavam ocorrendo na Europa e, quiçá, que poderiam ocorrer no resto do mundo.


Título completo: Sobre os camponeses médios
Título em russo: О крестьянах-середняках [O krestianakh-seredniakakh]
Fonte: Obras completas (em russo), 5. ed., tomo 38, Moscou, Politizdat, 1969, pp. 236-237
Em outras línguas: inglês


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A questão mais importante que se coloca hoje diante do Partido Comunista, a que atraiu as atenções para si mais do que qualquer outra coisa no último congresso partidário, é a questão dos camponeses médios.

Naturalmente, a primeira pergunta que se costuma fazer é: quem são os camponeses médios?

E naturalmente, os camaradas do Partido têm nos contado como lhes perguntavam isso várias vezes no campo, ao que respondemos: o camponês médio é o camponês que não explora nem vive do trabalho de outros e não se aproveita de forma alguma, em nenhuma ocasião, dos frutos do esforço alheio, mas ganha a vida por seu próprio mérito.

Sob o capitalismo, os camponeses médios eram mais raros do que agora, pois a maioria dos camponeses era extremamente pobre, e apenas uma ínfima minoria, tanto antes como hoje, era de kulaks, de exploradores, de camponeses ricos.

O número de camponeses médios tem crescido após a abolição da propriedade privada da terra, e assim, o Poder Soviético decidiu firmemente estabelecer com eles, a todo custo, relações plenamente pacíficas e harmoniosas. É claro que o camponês médio não vai aderir imediatamente ao socialismo, pois ele tem hábitos fortemente arraigados, é cauteloso com qualquer tipo de novidade, verifica antes na prática tudo aquilo que lhe propõem e não resolve mudar sua vida enquanto não se convence de que isso seja absolutamente necessário.

Eis a razão exata pela qual devemos conhecer, assimilar e pôr em prática formas de os operários comunistas, ao irem atuar no campo, buscarem e estabelecerem relações de camaradagem com os camponeses médios, terem em mente que os trabalhadores que não exploram o trabalho alheio são camaradas do operariado e que podemos e devemos chegar com eles a uma união voluntária, plenamente sincera e confiante. As diversas medidas que o poder comunista apresenta aos camponeses médios devem ser vistas como simples conselhos, indicações, propostas de adesão à nova ordem.

E somente um trabalho conjunto que teste essas medidas na prática, repare seus defeitos, elimine possíveis falhas e alcance um acordo com os camponeses médios assegurará a união entre operários e camponeses. É uma união que compõe, além da força e apoio principais do Poder Soviético, a garantia de que as causas da transformação socialista, do triunfo sobre o capital e da eliminação de todo tipo de exploração serão conduzidas por nós até a vitória final.

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Теперь самым главным вопросом, который стоит перед партией коммунистов, который больше всего привлек к себе внимания на последнем партийном съезде, является вопрос о крестьянах-середняках.

Естественно, что первым вопросом задается обыкновенно, что такое крестьянин-середняк.

Естественно, что партийные товарищи рассказывали не раз, как в деревне их спрашивали, кто такой середняк. И на это мы отвечаем: середняк — это такой крестьянин, который не эксплуатирует чужого труда, не живет чужим трудом, не пользуется ни в какой мере никоим образом плодами чужого труда, а работает сам, живет собственным трудом.

Таких крестьян было меньше, чем теперь, при капитализме, потому что большинство принадлежало к совсем нуждающимся, и только ничтожное меньшинство, как тогда, так и теперь, принадлежало к кулакам, к эксплуататорам, к богатым крестьянам.

Средних крестьян становится больше, после того как отменена частная собственность на землю. И вот со средним крестьянином Советская власть твердо решила во что бы то ни стало установить отношения полного мира и согласия. Понятно, что средний крестьянин не может сразу стать на сторону социализма, потому что он твердо стоит на том, к чему привык, осторожно относится ко всяким новшествам, проверяет сначала делом, практикой то, к чему его зовут, не решается изменить свою жизнь, пока не убедится в том, что это изменение необходимо.

Именно поэтому мы должны знать и помнить и проводить в жизнь, что рабочие-коммунисты, появляющиеся в деревне, обязаны искать товарищеских отношений со средним крестьянином, обязаны устанавливать товарищеское отношение с ним, обязаны помнить, что трудящийся, который не эксплуатирует чужого труда, есть товарищ рабочего и с ним можно и должно достигнуть добровольного, полного искренности, полного доверия союза. На всяческие меры, которые предлагает коммунистическая власть, надо смотреть таким образом, что они являются лишь советом, указанием среднему крестьянину, предложением ему перейти к новому порядку.

И только совместной работой, испытывающей эти мероприятия на практике, проверяющей их ошибки, устраняющей возможные ошибки, достигающей соглашения со средним крестьянином, — только такой работой будет обеспечен союз рабочих и крестьян. В этом союзе — вся главная сила и опора Советской власти, в этом союзе — залог того, что дело социалистического преобразования, дело победы над капиталом, дело устранения всякой эксплуатации будет доведено нами до победного конца.


domingo, 17 de maio de 2015

Apelo ao Exército Vermelho


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Discurso de Vladimir Ilich Ulianov (Lenin) gravado em disco a 29 de março de 1919, traduzido diretamente do russo e legendado. Acompanham breve introdução, informações técnicas e a versão em russo. Clique aqui para consultar o índice completo dos 14 discursos, sob a tag “Discursos de Lenin”.

Dirigindo-se aos soldados do Exército Vermelho, tropas bolcheviques que defendiam o regime recém-instaurado na Rússia, Lenin os incentiva a prosseguir na luta da Guerra Civil Russa, que durou aproximadamente de 1918 a 1922, contra as chamadas “tropas brancas”, coalizão de exércitos de potências ocidentais com militares locais contrários ao novo regime que visavam derrubar o Partido Comunista do poder e, em alguns casos, restaurar o mando do próprio tsar. Lenin ressalta as vitórias “vermelhas” já conquistadas até então, a qualidade de seu exército unido e forte, e proclama o combate aos camponeses ricos (“kulaks”), considerados exploradores do campesinato mais pobre e sabotadores do regime. Por fim, recorda a luta pelo poder que os comunistas estavam travando em toda a Europa naquele momento, em especial na Hungria já dominada pelo “Poder Soviético”, e deixa uma mensagem de esperança na vitória mundial da revolução socialista.


Título completo: Apelo ao Exército Vermelho
Título em russo: Обращение к Красной Армии [Obraschenie k Krasnoi Armii]
Fonte: Obras completas (em russo), 5. ed., tomo 38, Moscou, Politizdat, 1969, pp. 234-235
Em outras línguas: inglês


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Camaradas do Exército Vermelho! Os capitalistas ingleses, americanos e franceses estão guerreando contra a Rússia, vingando-se dessa República Operária e Camponesa Soviética por ela ter derrubado os latifundiários e capitalistas do poder e ter dado, assim, o exemplo para todos os povos da Terra. Os capitalistas ingleses, franceses e americanos estão fornecendo dinheiro e provisões aos latifundiários russos que conduzem contra o Poder Soviético tropas da Sibéria, do Don e do Cáucaso Setentrional, desejando recolocar no poder o tsar, os latifundiários, os capitalistas. Não, isso não há de acontecer! O Exército Vermelho consolidou-se, reforçou-se, expulsou do Volga as tropas latifundistas e os oficiais brancos, reconquistou Riga e quase toda a Ucrânia, e está se aproximando de Odessa e Rostov. Mais alguns reforços e alguns meses de combate ao inimigo, e a vitória será nossa. O Exército Vermelho é forte por lutar consciente e unânime pela terra aos camponeses, pelo poder operário e camponês, pelo Poder Soviético.

O Exército Vermelho é invencível, pois uniu milhões de trabalhadores do campo aos operários que agora aprenderam a lutar, aprenderam a disciplina camaradesca, que não desanimam, temperam-se nas pequenas derrotas e avançam cada vez mais corajosos sobre o inimigo, sabendo que estão próximos de derrotá-lo totalmente.

Camaradas do Exército Vermelho! A união dos operários e camponeses em nossas tropas é sólida, estreita e indissolúvel. Os kulaks e os camponeses mais ricos estão buscando organizar rebeliões contra o Poder Soviético, mas eles são uma ínfima minoria: raramente e por pouco tempo conseguem enganar os camponeses, pois estes sabem que somente vencerão os latifundiários se se unirem aos operários. Por vezes, nos vilarejos, autodenominam-se comunistas os piores inimigos do operariado, opressores aferrados ao poder por interesse próprio e que se permitem agir na base das enganações, injustiças e ofensas aos camponeses médios. O governo operário-camponês decidiu combater com firmeza essa gente e eliminá-la do campo. O camponês médio não é um inimigo, mas um amigo dos operários e do Poder Soviético. Ele é considerado pelos operários conscientes e pelos verdadeiros soviéticos como um camarada que não espolia o trabalho alheio nem enriquece às custas de outros, como fazem os kulaks, mas que ganha a vida com seu próprio esforço. O Poder Soviético esmagará os kulaks, eliminará do campo os que cometem injustiças contra os camponeses médios e efetuará, custe o que custar, a união entre os operários e todos os trabalhadores do campo, sejam estes pobres ou medianos.

Essa união está crescendo no mundo inteiro. A revolução está se aproximando e se intensificando por toda parte, tendo triunfado há poucos dias na Hungria, onde foi estabelecido o Poder Soviético, o governo operário, destino inevitável de todos os povos.

Camaradas do Exército Vermelho! Permaneçam firmes, fortes e unidos! Avancem corajosos sobre o inimigo, pois a vitória será nossa! O poder dos latifundiários e capitalistas, derrotado na Rússia, também o será no mundo inteiro!

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Товарищи красноармейцы! Капиталисты Англии, Америки, Франции ведут войну против России. Они мстят Советской рабочей и крестьянской республике за то, что она свергла власть помещиков и капиталистов и дала тем пример для всех народов земли. Капиталисты Англии, Франции и Америки помогают деньгами и военными припасами русским помещикам, которые ведут против Советской власти войска из Сибири, Дона, Северного Кавказа, желая восстановить власть царя, власть помещиков, власть капиталистов. Нет. Этому не бывать. Красная Армия сплотилась, поднялась, прогнала помещичьи войска и белогвардейских офицеров от Волги, отвоевала Ригу, отвоевала почти всю Украину, подходит к Одессе и к Ростову. Еще немного усилий, еще немного месяцев борьбы с врагом, и победа будет за нами. Красная Армия сильна тем, что сознательно и единодушно идет в бой за крестьянскую землю, за власть рабочих и крестьян, за Советскую власть.

Красная Армия непобедима, ибо она объединила миллионы трудовых крестьян с рабочими, которые научились теперь бороться, научились товарищеской дисциплине, не падают духом, закаляются после небольших поражений, смелее и смелее идут на врага, зная, что близко полное его поражение.

Товарищи красноармейцы! Союз рабочих и крестьян Красной Армии — прочен, тесен, нерасторжим. Кулаки и очень богатые крестьяне пытаются устраивать восстания против Советской власти, но их ничтожное меньшинство. Не надолго и редко удается им обмануть крестьян. Крестьяне знают, что только в союзе с рабочими одолеют они помещика. Иногда называют себя коммунистами в деревнях худшие враги рабочего народа, насильники, прилипшие к власти ради корыстных целей и действующие обманом, позволяющие себе несправедливости и обиды против среднего крестьянина. Рабоче-крестьянское правительство твердо решило бороться с такими людьми и очистить от них деревню. Средний крестьянин не враг, а друг рабочего, друг Советской власти. К среднему крестьянину сознательные рабочие и действительно советские люди относятся как к товарищу. Средний крестьянин не грабит чужого труда, не наживается на чужой счет, как кулаки, средний крестьянин трудится сам, живет своим трудом. Советская власть подавит кулаков, очистит деревню от тех, кто несправедливо относится к средним крестьянам, проведет во что бы то ни стало союз рабочих со всем трудящимся крестьянством — и беднейшим и средним.

Этот союз растет во всем мире. Революция близится, нарастает везде. На днях она победила в Венгрии. В Венгрии установлена Советская власть — рабочее правительство. К этому неминуемо придут все народы.

Товарищи красноармейцы! Стойте крепко, стойко, дружно! Смело вперед против врага! За нами будет победа. Власть помещиков и капиталистов, сломленная в России, будет побеждена во всем мире!


domingo, 10 de maio de 2015

Conversações com Béla Kun


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Discurso de Vladimir Ilich Ulianov (Lenin) gravado em disco no final de março de 1919, traduzido diretamente do russo e legendado. Acompanham breve introdução, informações técnicas e a versão em russo. Clique aqui para consultar o índice completo dos 14 discursos, sob a tag “Discursos de Lenin”.

Neste discurso, Lenin conta como recebeu de Béla Kun a notícia da instauração da República Soviética Húngara pelos comunistas locais e quais eram as perspectivas que reservava para o evento, inserido então na onda revolucionária europeia consecutiva à Revolução Russa de Outubro de 1917, onda que se extinguiria entre 1920 e 1921 sob a feroz repressão dos governos conservadores ou social-democratas nacionais.

A República Soviética Húngara foi proclamada a 21 de março de 1919, em substituição ao governo do presidente Mihály Károlyi e do primeiro-ministro Dénes Berinkey, que cederam seus postos a uma coalizão de sociais-democratas de esquerda e centro e de comunistas, estes detendo o poder de fato. Os dois antigos governantes falharam em manter a integridade do território húngaro imediatamente posterior à 1.ª Guerra Mundial, que agora era redistribuído entre vários países vizinhos, enquanto os comunistas angariavam popularidade em parte com a promessa de restaurar a antiga fronteira com o apoio da Rússia soviética, a qual, porém, deu-lhes pouca atenção por já estar envolvida em guerra civil. O governo de esquerda reformou a educação, nacionalizou as indústrias, aboliu a aristocracia e separou a Igreja do Estado, mas o terror que impuseram a boa parte da população e as derrotas militares para a Tchecoslováquia e a Romênia em disputas de território levaram ao fim da efêmera república soviética a 1.º de agosto.

Béla Kun nasceu em família judia com o sobrenome “Kohn”, a 20 de fevereiro de 1886, numa cidade hoje pertencente à Romênia, trabalhando boa parte da vida como jornalista e lutando na 1.ª Guerra Mundial pela Áustria-Hungria, quando foi feito prisioneiro de guerra na Rússia em 1916 e se tornou comunista. Membro do PC russo, como outros húngaros, lutou na Guerra Civil Russa pelos bolcheviques e retornou à Hungria em 1918, onde encabeçou forte propaganda contra o governo republicano local, até sua demissão, em 1919, quando se instaurou um governo “soviético” do qual Kun foi o principal líder. Tendo caído a República Soviética Húngara, tornou-se figura importante na Internacional Comunista dos anos 1920 e atuou na Áustria e na Alemanha, até ser preso pelos próprios soviéticos em meio aos “grandes expurgos” em 1937 sob acusação de “trotskismo” e ser finalmente fuzilado nos arredores de Moscou, a 29 de agosto de 1938.


Título completo: Comunicado sobre as conversações radiotelegráficas com Béla Kun
Título em russo: Сообщение о переговорах по радио с Бела Кун [Soobschenie o peregovorakh po radio s Bela Kun]
Fonte: Obras completas (em russo), 5. ed., tomo 38, Moscou, Politizdat, 1969, pp. 232-233
Em outras línguas: inglês


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O camarada Béla Kun já era bom conhecido meu em seus tempos de prisioneiro de guerra na Rússia e me visitava com frequência para conversarmos a respeito do comunismo e da revolução comunista. Por isso, quando recebemos o comunicado sobre a eclosão da revolução comunista húngara, ainda mais assinado pelo camarada Béla Kun, quisemos falar com ele para que nos esclarecesse melhor sobre qual era o estado de coisas por lá.

As primeiras notícias sobre o ocorrido nos impuseram alguma cautela, pois poderia ser uma enganação da parte dos chamados socialistas ou social-traidores contra os comunistas, os quais, além de tudo, encontravam-se presos. E então, no dia seguinte ao recebimento do primeiro comunicado sobre a revolução húngara, enviei uma mensagem a Budapeste pedindo a Béla Kun que se aproximasse do aparelho de radiotelegrafia, fiz-lhe perguntas que me permitissem verificar se era ele mesmo quem estava ali e lhe questionei sobre as garantias reais em relação ao caráter do governo e à sua política efetiva. A resposta enviada pelo camarada Béla Kun foi plenamente satisfatória e dissipou todas as nossas dúvidas.

Ocorrera que os socialistas de esquerda vieram à prisão consultar Béla Kun para a formação do novo governo, em cuja composição participaram somente esses socialistas, solidários aos comunistas, e os centristas, enquanto os socialistas de direita, social-traidores, por assim dizer intransigentes e incorrigíveis, abandonaram o partido, sem atrair consigo um operário sequer.

Os comunicados seguintes mostraram quão firme e comunista era a política do governo húngaro: enquanto na Rússia começamos pelo controle operário das indústrias e apenas gradualmente as socializamos, Béla Kun, com seu prestígio e sua confiança no apoio das vastas massas, pôde imediatamente fazer aprovarem uma lei de apropriação social de todas as empresas industriais da Hungria administradas de forma capitalista.

Passados dois dias, estávamos plenamente convencidos de que a revolução húngara, de um modo extraordinariamente rápido, havia seguido a trilha dos comunistas: a própria burguesia lhes havia entregado o poder, mostrando ao mundo inteiro que não consegue governar quando sobrevém uma grave crise e a nação corre perigo; e que não há senão um poder realmente popular, realmente amado pelo povo: o poder dos Sovietes de Deputados Operários, Soldados e Camponeses.

Viva o Poder Soviético na Hungria!

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Товарищ Бела Кун хорошо знаком был мне еще тогда, когда он был военнопленным в России и не раз приходил ко мне беседовать на темы о коммунизме и коммунистической революции. Поэтому, когда пришло сообщение о венгерской коммунистической революции и притом сообщение, подписанное товарищем Бела Кун, нам захотелось поговорить с ним и выяснить точнее, как обстояло дело с этой революцией.

Первые сообщения о ней заставляли несколько опасаться, не было ли обмана со стороны так называемых социалистов или социал-предателей, не обошли ли они коммунистов, тем более, что те сидели в тюрьме. И вот, на другой день после первого сообщения о венгерской революции, я послал радиотелеграмму в Будапешт, прося Бела Кун прийти к аппарату, задавая ему вопросы такого рода, чтобы проверить, он ли там присутствует, и спрашивая его, какие реальные гарантии имеются относительно характера правительства, его действительной политики. Ответ, который дал товарищ Бела Кун, был вполне удовлетворительным и рассеял все наши сомнения.

Оказалось, что в тюрьму к Бела Кун пришли совещаться для образования правительства левые социалисты. И только эти левые социалисты, сочувствовавшие коммунистам, да еще люди центра, образовали новое правительство, а правые социалисты, социал-предатели, так сказать, непримиримые и неисправимые, совсем ушли из партии и ушли, не взяв с собой никого из рабочих.

Дальнейшие сообщения показали, что политика венгерского правительства была самая твердая и в коммунистическом направлении настолько, что если мы начали с рабочего контроля и лишь постепенно переходили к социализации промышленности, то Бела Кун своим авторитетом, своей уверенностью в том, что за него стоят громадные массы, мог сразу провести закон о переходе в общественную собственность всех промышленных предприятий Венгрии, которые велись капиталистически.

Два дня прошло, и мы вполне убедились в том, что венгерская революция сразу, необыкновенно быстро стала на коммунистические рельсы. Буржуазия сама сдала власть коммунистам Венгрии. Буржуазия показала всему миру, что, когда наступает тяжелый кризис, когда нация в опасности, буржуазия управлять не может. И лишь только одна действительно народная, действительно любимая народом власть — власть Советов рабочих, солдатских и крестьянских депутатов.

Да здравствует Советская власть в Венгрии!


sábado, 2 de maio de 2015

A 3.ª Internacional, Comunista


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Discurso de Vladimir Ilich Ulianov (Lenin) gravado em disco no final de março de 1919, traduzido diretamente do russo e legendado. Acompanham breve introdução, informações técnicas e a versão em russo. Clique aqui para consultar o índice completo dos 14 discursos, sob a tag “Discursos de Lenin”.

Tendo sido recém-fundada a Internacional Comunista, Lenin traça um panorama da história das outras duas Internacionais, liga-as aos fatos históricos e apresenta a Internacional soviética como uma continuidade necessária à luta dos trabalhadores após a falência da social-democracia na Europa. A revolução na Rússia, segundo Lenin, dera ensejo a uma virada crucial no movimento operário mundial, enquanto o clima de otimismo é confirmado pelo sucesso momentâneo de outras insurreições vermelhas na Europa e da perspectiva de se formar uma federação internacional de repúblicas soviéticas.


Título completo: A 3.ª Internacional, Comunista
Título em russo: III (Третий), Коммунистический Интернационал [III (Treti), Kommunisticheski Internatsional]
Fonte: Obras completas (em russo), 5. ed., tomo 38, Moscou, Politizdat, 1969, pp. 230-231
Em outras línguas: inglês, espanhol


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Em março deste ano de 1919 realizou-se em Moscou o congresso internacional dos comunistas, que fundou a 3.ª Internacional, Comunista, a união dos trabalhadores do mundo que aspiram ao estabelecimento do Poder Soviético em todos os países.

Fundada por Marx, a Primeira Internacional existiu de 1864 a 1872, e a derrota dos heroicos operários parisienses da célebre Comuna de Paris assinalou sua falência. Essa inesquecível Internacional se eternizou na história das lutas dos trabalhadores por sua libertação, pois lançou os alicerces da república socialista mundial que estamos tendo a honra de construir.

A Segunda Internacional existiu de 1889 até a guerra de 1914. Esse foi um período sem grandes revoluções e do desenvolvimento mais tranquilo e pacífico do capitalismo. O movimento operário fortaleceu-se então e amadureceu em vários países, mas seus líderes, na maioria dos partidos, acomodados aos tempos de paz, perderam a aptidão para a luta revolucionária. Em 1914, ao começar a guerra que por quatro anos cobriu a Terra de sangue – guerra entre capitalistas pela partilha dos lucros e pelo domínio sobre os povos pequenos e fracos –, esses socialistas passaram para o lado de seus governantes. Eles traíram os trabalhadores, ajudaram a prolongar a carnificina, tornaram-se inimigos do socialismo, passaram para o lado dos capitalistas.

As massas operárias viraram as costas a esses traidores do socialismo, iniciando em todo o mundo uma virada em direção à luta revolucionária. A guerra mostrou que o capitalismo morreu, que uma nova ordem está lhe sucedendo e que os traidores do socialismo desonraram a velha palavra “socialismo”.

Os trabalhadores ainda fiéis à missão de derrubar o jugo do capital hoje se autodenominam comunistas. A união deles está crescendo em todo o mundo, e em vários países o Poder Soviético já triunfou. Muito em breve, veremos o comunismo vencer no mundo inteiro e formar-se uma República Federativa Mundial dos Sovietes.

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В марте текущего, 1919, года в Москве состоялся международный съезд коммунистов. Этот съезд основал III, Коммунистический Интернационал — Союз рабочих всего мира, стремящихся к установлению Советской власти во всех странах.

Первый Интернационал, основанный Марксом, существовал с 1864 по 1872 год. Поражение геройских парижских рабочих, знаменитой Парижской Коммуны, означало конец этого Интернационала. Он незабываем, он вечен в истории борьбы рабочих за свое освобождение. Он заложил фундамент того здания всемирной социалистической республики, которое мы имеем теперь счастье строить.

Второй Интернационал существовал с 1889 по 1914 год, до войны. Это время было временем наиболее спокойного и мирного развития капитализма, временем без великих революций. Рабочее движение окрепло и возмужало за это время в ряде стран. Но вожди рабочих в большинстве партий, привыкнув к мирному времени, потеряли способность к революционной борьбе. Когда началась в 1914 году война, залившая землю кровью в течение четырех лет, война между капиталистами из-за дележа прибылей, из-за власти над малыми и слабыми народами, эти социалисты перешли на сторону своих правительств. Они изменили рабочим, они помогли затянуть бойню, они стали врагами социализма, они перешли на сторону капиталистов.

Массы рабочих отвернулись от этих изменников социализма. Во всем мире начался поворот к революционной борьбе. Война показала, что капитализм погиб. Ему на смену идет новый порядок. Старое слово социализм опозорили изменники социализма.

Теперь рабочие, оставшиеся верными делу свержения ига капитала, называют себя коммунистами. Во всем мире растет союз коммунистов. В ряде стран победила уже Советская власть. Еще недолго и мы увидим победу коммунизма во всем мире, мы увидим основание Всемирной Федеративной Республики Советов.