domingo, 27 de fevereiro de 2022

64 foi golpe, foi ditadura e teve tortura


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Trecho perto do final de uma live produzida pela ANPUH (Associação Nacional de História) em 2 de julho de 2020, em que o professor doutor Rodrigo Patto Sá Motta desmonta alguns mitos sobre o golpe de Estado de 1964, a ditadura militar que se seguiu, o apoio e a rejeição ao presidente deposto João Goulart e o negacionismo histórico que tem tomado conta da esfera pública brasileira.

É claro que em alguns minutos o assunto não poderia ser esgotado, então peço que você veja a live inteira, “História e negacionismo: E agora, ANPUH?”. E, claro, procure mais sobre a produção do Rodrigo, que é muito rica, consistente e objetiva, mais focada no discurso anticomunista produzido no Brasil no século 20, mas também abordando os antecedentes e o decorrer da ditadura de 1964-85. Um de seus livros se chama As universidades e o regime militar, mas seu clássico é Em guarda contra o perigo vermelho, uma adaptação sobre sua tese, que foi defendida em 2000, como mostra esta notícia antiga.

O dono desta página, historiador de formação, partilha completamente das conclusões do professor Rodrigo. Divulgue o máximo que puder, pois é disto mesmo que a ANPUH precisa: ver sua mensagem chegando aonde for preciso. Aliás, acho que esse corte ficou tão bom que merecia uma transcrição: quem quiser me ajudar digitando o texto, pode me mandar um e-mail, por favor? Quanto aos reacinhas de fraldas que por vezes brotam na internet, podem chorar à vontade, pois são os sites desinformados contra a produção de um pesquisador.



sexta-feira, 25 de fevereiro de 2022

Ciro Gomes: Lula could send me to pqp


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Por sugestão de um conhecido meu, estou pondo esta pérola que o eterno candidato cangaceiro Ciro Gomes proferiu em 15 de junho de 2018, numa entrevista coletiva na Suécia, quando era candidato à presidência da República. Provavelmente o evento era destinado a estrangeiros, por isso o uso da língua inglesa, que talvez estivesse enferrujada na cabeça do “neo-coroné”.

Contexto: um repórter petista (pelo que disseram) pergunta também em inglês ao Ciro se, caso fosse eleito, concederia o perdão presidencial a Lula, que na época estava preso por causa dos processos na Operação Lava-Jato. O político do PDT respondeu (e aqui já traduzo a ideia) que Lula certamente não aceitaria o indulto, porque se considerava inocente e, assim, esperaria a decisão final do STF em prol de sua alegada inocência. Porém, além de atropelar-se no vocabulário e na sintaxe, Ciro misturou palavras em português, sobretudo xingamentos, como quando ele disse que Lula, caso Ciro lhe oferecesse indulto, “could send me to puta-que-pariu” (podia me mandar pra PQP).

Ressalto já que não existe em inglês a palavra (to) indult com o sentido de “indulto”, “perdão presidencial” ou “indultar”. A expressão correta é (to) pardon, literalmente “perdão” ou “perdoar”, que no contexto jurídico tem a mesma ideia. Do vídeo citado, mantive apenas as partes mais imprescindíveis. Segundo matérias da época, o pedetista também inseriu palavrões e xingamentos em outros trechos fora desse vídeo, mas eu não quis ser exaustivo, nem ficar criticando o inglês do Ciro. Vários youtubers já fizeram o serviço pertinente. Deixo apenas a tradução aproximada do que ele pode ter tentado dizer, e quem tiver uma transcrição melhor, favor entrar em contato comigo:

“Se eu for o próximo presidente e oferecer o indulto, eu poderia imaginar que Lula, da cadeia, poderia me mandar à PQP. Se eu me torno seu adversário – não sou do PT, sou do PDT –, então estou concorrendo à presidência contra ele... e se eu disser: se eu for eleito, vou indultar Lula, ele vai dizer: por que você vai me indultar? Eu sou inocente!”

Em seguida, delicie-se com um surto de Ciro Gomes durante encontro de militantes de esquerda numa universidade brasileira, em maio de 2019 (não lembro as coordenadas exatas). Até a deputada federal Maria do Rosário se encontra no chiqueiro, e olha que ela já encarou bicho pior! Com esse vídeo, você fica sabendo por que o ex-ministro sempre será uma das minhas últimas opções pra presidente...









quarta-feira, 23 de fevereiro de 2022

Bolsonaro elogia Collor e ataca Renan


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Marajás


Fernando Collor de Mello está bem velhinho e elogia Bolsonaro em inauguração de obra, mas continua com a mesma voz imponente e o mesmo vocabulário empolado. E, claro, o nariz também cresceu não só por conta da velhice, mas porque todo político experiente sofre da “síndrome de Pinóquio”. O que também adquiriu com o tempo foi realismo e cabeça fria, pois deixou de enfrentar os “marajás” e passou a compor com presidentes de todo o espectro político, desde Lula da Silva e Dilma Rousseff até Jair Bolsonaro. Foi assim na inauguração de um bairro popular residencial em Maceió, capital das Alagoas e curral eleitoral de Collor, em 13 de maio de 2021.

Se você é jovem, só deve ter conhecido o Collor moço, ex-presidente da República e atual senador, por vídeos e por relatos de pais, tios ou avós. Inclusive, minha intenção era fazer uma montagem comparando o loucão da década de 1990 com o sereno de agora, mas fiquei com uma baita preguiça. Após o fim da ditadura militar em 1985, ele foi o primeiro presidente desde 1960 eleito pelo voto popular, nas eleições de 1989, quando o Brasil vivia uma grave crise econômica e uma hiperinflação descontrolada.

Como Bolsonaro, ele venceu com a promessa de “virar o sistema de cabeça pra baixo”, mas só trouxe desilusão, pois embora tenha promovido uma abertura econômica e industrial, antecedendo nosso acesso moderno à alta tecnologia, Collor não controlou os preços e se viu envolvido em escândalos de corrupção. A bem da verdade, os valores então concernidos não são nada perto do que PT, PSDB, MDB, PP/Progressistas e Bolsonaros esbanjaram nas últimas décadas, mas no fim das contas, após ser deposto pelo Congresso Nacional, só teve os direitos políticos cassados por 8 anos e não recebeu outras punições.



No fim da mesma transmissão, Bolsonaro fez um breve discurso em que chamou o ex-presidente Lula de “Nove Dedos”, acusando-o de dar prejuízo à Caixa, e o senador Renan Calheiros, então relator da CPI da Covid, de “vagabundo” e “sem moral”. Enquanto isso, ouve-se ao fundo o gado bradando em coro: “Renan... Vagabundooo!!!”. Quando vi por cima uma manchete dizendo que “Ain, o Bolsonaro proferiu um monte de ofensas”, corri pra ver o que era, mas me impressionei que naquele dia ele sequer falou um palavrão ou xingou a mídia!

Claro que em 2021 o presidente estava com a popularidade em baixa e acuado pela investigação no Senado. Mas infelizmente as “esquerdas” estão voltando a passar pano no intragável Renan, como Haddad fez com Maluf em 2012, e assim a “réia pulitca” retoma seu curso normal na Banânia. As capotadas que a Terra Plana dá nos permitem ver inclusive o Mito e o Caçador de Marajás trocando afagos, este obviamente se precavendo muito mais de entrar em temas sensíveis, dada sua experiência.

Mas os dois ex-políticos da ARENA/PP/Progressistas nem sempre foram todo amor. Como publicou o jornal Extra em 2020, Bolsonaro, então recém-alçado a deputado federal perpétuo, acusou Collor em 1991 de não cumprir promessas pra militares e disse que não era pessoa “digna” de ser presidente. Tempos depois declarou: “Aprendi, na caserna, que o Chefe que mente não merece credibilidade. E o Sr. Presidente da República, Chefe do Supremo das Forças Armadas, não deixa de ser um grande mentiroso”. Em setembro de 1992, no curso do impeachment contra Collor, Bolsonaro disse que ele impunha “grande sacrifício” ao povo e assim o descreveu: “Luto com todas as minhas forças para tirar o Presidente que aí está, sem moral para governar o país.”

Nesse universo de morde-e-assopra, quem aí também sempre torce pela briga?


segunda-feira, 21 de fevereiro de 2022

Beatificação do pau do papa (TV Globo)


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Ressuscitando um antigo meme meio esquecido. O então papa Bento 16 declarou em 2011 a beatificação do papa mais popular da história, João Paulo 2.º, o ex-cardeal Karol Wojtyła, processo que antecedeu sua canonização, ou seja, proclamação como santo da Igreja Católica Romana. Criticada como rápida demais pros padrões comuns, a proclamação foi feita em 2 de maio, e no dia 1.º anterior a jornalista Poliana Abritta noticiou o fato quando apresentava o Jornal Hoje, cujo cenário ainda tinha bem menos tecnologia, como vemos.

Na correria por estar cobrindo os sábados dos apresentadores principais e não ser então acostumada às bancadas, Poliana terminou omitindo palavras e deve ter pensado em “beatificação do Paulo 2.º”, porém foi retificar seu erro na pior hora. Ao perceber que tinha pulado direto pro “Paulo”, cortou a palavra logo após dizer “pau” e produziu uma das gafes jornalísticas mais famosas da internet: a “beatificação do pau do papa João Paulo 2.º”. Na época, pouca gente usava YouTube com frequência, o Orkut ainda existia e o Facebook era considerado “coisa de estrangeiro”, resultando que entre os vários uploads do trecho, editado ou não, o mais visto (minha fonte) não alcançou nem 15 mil visualizações, em quase 11 anos.

Como minha missão também é não deixar as memórias morrerem, este é meu presente pros jovens nascidos desde 2000! Poliana também fez a gafe de chamar o festival Lollapalooza de “Lollapazoola” na mesma época, e até pouco estava comandando o Fantástico. Enquanto isso, a Igreja foi devastada por escândalos de pedofilia no alto clero, pela retração do catolicismo no Brasil e tem agora um papa comunista ou ao menos filoesquerdista...

E se você chegou até aqui, saiba que tem bônus! Depois da Poliana, repostei esta compilação feita (acredito) por um italiano, que mostra os anúncios das escolhas de novos papas da Igreja Católica de 1939 (posse de Pio 12) a 2013 (posse de Francisco), ocasião sempre revestida de grande solenidade. Eu apenas recortei o quadro pra que ficasse mais adequado às telas modernas. Os papas sempre são escolhidos após um conclave de todos os cardeais na Cidade-Estado do Vaticano, encravada em Roma, e então é expelida fumaça branca de uma chaminé, depois da qual o nome (civil e religioso) do novo pontífice é anunciado de uma sacada.

Um dos cardeais pronuncia ao povo reunido na Praça São Pedro a famosa frase em latim: Anuncio vobis gaudium magnum: habemus papam! (Anuncio a vocês uma grande alegria: temos um papa!) A sequência de papas cujo anúncio pôde ser filmado e/ou transmitido é a seguinte: Pio 12 (1939), João 23 (1958), Paulo 6.º (1963), João Paulo 1.º (1978, só ficou 33 dias), João Paulo 2.º (1978), Bento 16 (2005) e Francisco (2013).




sábado, 19 de fevereiro de 2022

Emil Dimitrov – “Стела” (Stella), 1970


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Esta canção é a que considero uma das mais lindas do artista búlgaro Emil Dimitrov, que faleceu em 2005 e era muito celebrado no país. Ela se chama “Стела”, que é apenas a transliteração do nome Stella em cirílico e foi toda composta pelo próprio Dimitrov, e inclusive os arranjos também são dele. Provavelmente ela foi gravada em búlgaro em 1970, porque em 1969, quando Dimitrov fazia sucesso na França cantando em francês, foi gravada a melodia com letra em francês de Patricia Carli, chamada À quel printemps viendras-tu, ma belle ? (Em que primavera você virá, minha bela?). O cantor David Alexandre Winter estourou com esse hit.

Emil Dimitrov seria o artista búlgaro mais vendido da história nacional, com 65 milhões de discos vendidos no mundo inteiro, 40 milhões deles apenas na antiga URSS e nos países comunistas europeus. Foi o primeiro cantor a introduzir na Bulgária temas folclóricos às canções populares. Passou vários anos na França, onde gravou várias músicas em francês, e cantou em búlgaro vários hits famosos, como Datemi un martello e Melody Lady, conhecido no Brasil em versão de Sidney Magal. Casou-se duas vezes, tendo inclusive se casado novamente em 2000 com a mesma mulher de quem tinha se separado em 1991, e seu único filho também se chama Emil Dimitrov (n. 1970). Sofreu um derrame em 1999, que interrompeu sua carreira após limitar sua fala e movimentos e de cujas consequências morreria em 2005. Sua última aparição pública, em cadeira de rodas, foi num grande show em sua homenagem, em 2002.

Não consegui achar a letra em búlgaro, mas o administrador do canal do áudio original felizmente fez um rascunho de tradução pro russo, a pedido de um internauta, e foi a partir dela que traduzi, comparando com o áudio. Eu mesmo também fiz a montagem e as legendas, e pra quem ficar curioso, o texto russo segue depois do vídeo, com pequenas edições minhas. Apenas um verso (entre colchetes) que estava faltando eu consegui tirar de ouvido do búlgaro, mas fiquei com preguiça de tentar transcrever a letra toda:


1. Stella, como eu te amo.
Stella, acredite, Stella.
Stella, não vou esconder.
Acredite, estou amando pela primeira vez.

Amo a vida, a primavera,
As pessoas, os pássaros, as flores.
E todo o amor do mundo
Eu vou lhe dar.

Refrão:
De você, quero que ame
Como estou amando agora.
Temos 20 anos de idade
E descobrimos o amor.

Quero cantar, quero gritar
Que a alegria poderá me encontrar.
Acredite, Stella, Stella, Stella,
Como acredito no amor.

2. Stella, me dê sua mão.
Stella, como é sagrado
Esse amor que desconhecemos.
Stella, que eu guarde esse amor.

E que não nos seja triste,
Que não haja solidão.
E que todos amem assim
Como estou amando.

(Refrão)

Lá, lá, lá...
Acredite, Stella, Stella, Stella,
Como acredito no amor.

____________________


1. Стела, как я тебя люблю.
Стела, вери меня, Стела.
Стела, я не буду прятать.
Вери меня, впервьи раз я люблю.

Я люблю жизнь, весну,
Людей, птиц и цветы.
И я дам тебе всю
Эту любовь мира.

Припев:
Я хочу от тебя, чтобы ты любила,
Как я люблю сейчас.
Нам 20 лет
И мы нашли любовь.

Я хочу петь, я хочу кричать,
Что радость сможет найти меня.
Вери мне, Стела, Стела, Стела,
Как я верю в любви.

2. Стела, дай мне свою руку.
Стела, как свята
Эта любовь для нам незнакома.
[Verso que peguei de ouvido]

И пусть не будет в нас печаль,
И не будет одиночества.
И пусть все любят
Так, как я люблю.

(Припев)

Ла, ла, ла...
Вери мне, Стела, Стела, Стела,
Как я верю в любви.




quinta-feira, 17 de fevereiro de 2022

Co jsem měl dnes k obědu; Její láska


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Este programa especial de fim de ano na antiga Checoslováquia comunista, o Gramohit, apresentava as músicas que faziam mais sucesso a cada ano. A edição de 1967, por exemplo, é uma fábrica infinita de memes, como talvez a de outros anos. Além das animadas e bonitas músicas de Pavel Novák, não pude deixar de traduzir e legendar uma canção cômica executada por Jiří Šlitr (1924-1969), um de seus compositores junto com Jiří Suchý (n. 1931). Ela se chama Co jsem měl dnes k obědu (O que comi hoje no almoço), e embora o tema seja bem banal, a graça está na letra estrambólica e na ausência de pausas entre os rápidos versos. A música mesma foi lançada em 1965.

Šlitr e Suchý, às vezes conhecidos como “os Jiří”, realizaram grandes parcerias que influíram fortemente no teatro e música populares checos da década de 1960. Apareceram juntos nos filmes Bylo nás deset (Éramos dez, 1963) e Kdyby 1000 klarinetů (Se 1000 clarinetes, 1964), e em 1968 Šlitr reencenou sua peça Ďábel z Vinohrad (O diabo de Vinohrady, 1966) como resposta ao esmagamento da Primavera de Praga. Juntos “os Jiří” também assinaram naquele ano o Manifesto das Duas Mil Palavras, anticomunista, redigido por Ludvík Vaculík.

Embora não fatigante, traduzir essa canção me exigiu baita pesquisa! São citados vários nomes e comidas e pratos: alguns só existem na Chéquia e na Eslováquia ou nos países ao redor; outros até existem no Brasil ou têm nome em português, mas são bem raros no consumo diário. Alguns pratos checos, com pouca variação, também são consumidos na Alemanha e entre nossa imigração alemã: por isso usei os nomes alemães, mas com o plural em “s”, e não original, pra simplificar. Outros eu apenas adaptei pra coisas mais conhecidas, por isso a letra parece não fazer sentido, até porque a intenção foi mais zoar mesmo, e não passar coerência lógica. Em muitos pontos foi preciso adaptar, mas acredito que o espírito de diversão foi passado!

O pessoal é capaz de fazer piada com o comunismo, dizendo que lá devia haver “fome”, embora a Checoslováquia fosse relativamente rica, e por isso os Jiří faziam uma apologia à comida... Engraçado é que Šlitr consegue segurar o ar durante o canto, mas a prisão favorece depois esse “efeito especial" no fim! Eu mesmo traduzi e legendei direto do checo, copiando este texto que precisou de umas correções. Eu cortei essa versão do programa Gramohit, mas há também esta gravação mais longa feita ao vivo no Teatro Semafor.

A segunda canção é Její láska (O amor dela), uma tradução do schlager alemão gravado em 1965 por Drafi Deutscher, Marmor, Stein und Eisen bricht, e lançada pelo cantor Jaromír Mayer em 6 de janeiro de 1967. A letra original foi escrita por Günter Loose, a melodia composta por Christian Bruhn, e a versão checa criada por Ivo Fischer, letrista nacional muito célebre. Mayer nasceu em Praga em 1943, ainda sob o domínio nazista, e em 1986 emigrou pra Alemanha Ocidental, e depois pro Canadá. Devido a problemas vocais, há muitos anos já não canta, mas tinha uma banda no Canadá, na qual tocava ocasionalmente. Marmor, Stein... chegou a estar no topo das paradas da antiga Alemanha Ocidental, e até mesmo nos EUA recebeu uma versão em inglês, Marble Breaks and Iron Bends.

O primeiro vídeo é do mesmo Gramohit em 1967, no qual ele parece um clone do deputado estadual paulista Frederico D’Ávila. Eu mesmo traduzi direto do checo utilizando esta página como fonte, e também legendei e cortei o quadro, repetindo a própria canção.

No segundo vídeo, legendei a canção inteira, incluindo as estrofes que eu já tinha traduzido no outro vídeo, mas ficaram fora das legendas. E eu mesmo também procurei as fotos na internet e fiz a montagem.


Imaginem, imaginem
O que comi hoje no almoço,
Imaginem, imaginem
O que comi hoje no almoço:

Knödels com couve,
Com uma couve azeda.
Aí comi junto à mesa
Gelatina de sei lá o quê.
Comi repolho cozido
Junto com Mariazinha.
Eu mesmo fiz no forno
Uma carne de cordeiro.
Devorei como um louco
Mohnnudels gordinhas.
Eu comprei em Londres
Um esturjão com alcaravia
Que defumado na ervilha
Eu atirei pro meu irmão,
Engoli na base da água
Pãozinhos com zabaglione,
Achei na minha cueca
Mirtilos com toucinho,
Uma torta, panquequinhas,
Batatas, pratos com porco
[Lit. “Batatas, porcarias”],
O que é muito, isso é muito,
Queijo de Olomouc,
Pão com queijo Romadur
Da Madame de Pompadour,
Estou abrindo agora mesmo
Uma conserva de espinafre,
Os pastores abocanharam
Carne de porco cozida,
Iogurte zincica de Levoca
Célebre no sul da Boêmia,
Uma boa senhorinha deu
Copos de chá de endro,
Me afoguei no uísque
Com lábios de coelho,
Me trouxeram de Fleky
Rabo de marta no bacon,
Frango frito, mas
Já sem Mariazinha.

Vocês estão vendo,
Vocês estão vendo,
Hoje comi isso no almoço.

____________________


Představte si, představte si,
Co jsem měl dnes k obědu,
Představte si, představte si,
Co jsem měl dnes k obědu:

Knedlíky se zelím,
Se zelím kyselým.
Pak jsem jed u stolu
Kdo ví co v rosolu.
Kapustu vařenou
Jedli jsme jí s Mařenou.
Sám jsem si za pecí
Zadělal telecí.
Škubánky maštěný
Baštil jsem jak praštěný.
Uzený na hráchu,
Střílel jsem ho na bráchu,
Jeseter na kmíně,
Koupil jsem ho v Londýně,
Buchtičky se šodó,
Zapíjel jsem je vodó,
Borůvky na sádle,
Našel jsem je ve prádle,
Pirožku, blinčiky,
Portofěly, svinčičky,
Co je moc, to je moc,
Syrečky from Olomóc,
Na chlebě romadur
Od madam de Pompadur,
Špenátovou konzervu,
Teďka všechno rozervu,
Vařené bravčové,
Sežrali ho bačové,
Žinčica z Levoče,
Zná ji každý Jihočech,
Koprovou vode dna
Dala tetka hodná,
Zaječí pysky
Zapíjel jsem whisky,
Kuní ocas na špeku,
Přinesli mě od Fleků,
Kuřata smažený,
Ale už bez Mařeny.

To koukáte, to koukáte,
To jsem měl dnes k obědu.





Adendo (19/5/2024): Achei esta apresentação de Jaromír Mayer muito por acaso, dublando no fim de março de 2024 Její láska em playback no programa eslovaco Hudba bez hraníc (Música sem fronteiras), que também traz justamente muitos antigos astros checos, relembrando quando a Checoslováquia era um só país. Embora, como podemos ver bem no fim do vídeo, sua voz esteja muito longe daquela dos áureos tempos, ele também aparece em outros vídeos do canal recordando outros sucessos e até dando uma pequena entrevista. Recomendo uma visita, pra ver como está Mayer hoje:

1. No mínimo por um ano e meio,
Dam-dam, dam-dam,
Fui com um buquê ver Marlene,
Dam-dam, dam-dam.

Refrão:
O amor dela está enferrujando,
Sei lá com quem ela anda saindo,
Não gosto, não gosto mais dela,
Não há por que insistir.

2. Aí eu quis comprar pra loira Cris,
Dam-dam, dam-dam,
Um par de aliancinhas douradas,
Dam-dam, dam-dam.

(Refrão 2x)

3. Quem tenho agora fora Paulinha,
Dam-dam, dam-dam,
Gozo a vida com ela sem veneno,
Dam-dam, dam-dam.

4. O amor dela ignora limites,
Cheira melhor que sabugueiro,
Mal sabe, mal sabe mentir
E eu gosto dela.

O amor dela ignora limites,
Cheira tal sabugueiro em maio,
Mal sabe, sequer sabe mentir
E eu gosto dela.

____________________


1. Celý rok a půl nejméně,
Dam dam, dam-dam
Chodil jsem s kytkou k Marléně
Dam-dam, dam-dam.

Refrén:
Její láska chytá rez,
Kdoví, s kým pak se toulá dnes,
Už jí nemám, nemám rád,
Není o co stát.

2. Pak jsem chtěl pro blond Kristýnku,
Dam-dam, dam-dam,
Koupit pár zlatých prstýnků,
Dam-dam, dam-dam.

(Refrén 2x)

3. Co mám teď ale Pavlínu,
Dam-dam, dam-dam,
Chutnám s ní život bez blínu,
Dam-dam, dam-dam.

4. Její láska nezná mez,
Voní líp než to umí bez,
Stěží, stěží umí lhát,
A já jí mám rád.

Její láska nezná mez,
Voní líp než májový bez,
Stěží, jenom stěží umí lhát,
A já jí mám rád.




terça-feira, 15 de fevereiro de 2022

Karel Gott: “Léta prázdnin” e “V máji”


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Hoje estou postando ao mesmo tempo duas canções gravadas pelo grande astro checo Karel Gott, que foram traduzidas do francês e do italiano a esse idiomas eslavo. A primeira, gravada em 1975, mesma data do show, chama-se Léta prázdnin (Anos de férias), e é a tradução da faixa Le moribond (O moribundo), composta e lançada pelo belga Jacques Brel e cuja letra tem um sentido quase todo diferente. O letrista checo Zdeněk Borovec (como na maioria das músicas de Gott) manteve a estrutura textual e trocou a despedida do cara que ia morrer pela partida de um jovem que estava se casando, acrescendo ainda o pai e o irmão (brácha tem sentido coloquial, como “mano”). A batida e a letra foram mais inspiradas na versão em inglês Seasons In The Sun, na voz de Terry Jacks, mas mesmo aí há referência à morte. Será que no comunismo todo mundo devia ser alegre, e as referências melancólicas eram desencorajadas?

Eu mesmo traduzi direto do checo a letra e legendei o vídeo que se encontra neste ótimo canal com canções checas e checoslovacas. Trata-se do festival Bratislavská lýra 1975, contando com a orquestra de Ladislav Štaidl e o coro de Jarmila Gerlová, Vlasta Kahovcová e Jitka Zelenková. Ouça também a versão estúdio, álbum Karel Gott ’76.

A segunda música é uma tradução de Il mondo, imortalizada na voz do Jimmy Fontana e cuja melodia foi composta por ele, Lilli Greco e Carlo Pes. Karel Gott gravou uma tradução em checo ainda em 1966, no comecinho da carreira, com o arranjo métrico um pouco alterado, o nome V máji (Em maio) e texto de Jiří Štaidl. As imagens do primeiro vídeo são do programa de TV Přehlídkový koncert, em 1966, no qual tocam o conjunto de Lubomír Pánek e o TOČR dirigido por Josef Vobruba. Há também o clipe oficial da Supraphon, com a qual Gott quase sempre gravou. As imagens do segundo são de um show que Gott gravou em 1985, no ápice de sua carreira, demonstrando já as muitas influências internacionais que absorveu nos anos 70 e 80 (esse é o vídeo completo, e V máji começa mais ou menos aos 46 minutos.

Il mondo foi lançada em 1965 num compacto de Enrico Sbriccoli (1934-2013), que adotou Jimmy Fontana como pseudônimo. Ele a cantou no antigo festival Un disco per l’estate em 1965, e mesmo tendo ficado em quinto lugar, muito de longe foi a que mais obteria sucesso no futuro. Tendo se incorporado à cultura popular italiana, foi posteriormente traduzida pra muitas línguas (nas quais também ficava no topo das paradas) e regravada por vários outros conterrâneos, de modo a tornar-se a marca registrada de Fontana. Ele pode ser considerado o famoso “artista de um hit só”, se não contarmos sua composição Che sarà, que também estourou.

Às vezes é estranho traduzir músicas checas pro português, porque a estrutura simbólica e de pensamento deles é muito diferente. Atesta-o o fato de ser aceita numa canção de tal envergadura a descrição de um homem “plantando bananeira” ou “andando de cabeça pra baixo” (literalmente, “caminhando com as mãos”), o que de fato devia ser comum em jardins quentes entre jovens magrelos de países comunistas. Além disso, colegas locais de estilo, como Pavel Novák, apareciam constantemente fazendo ginástica em clipes. Eu mesmo também traduzi a letra de V máji, legendei e cortei o quadro do vídeo original, tendo encontrado a letra no Google Play Music.

Karel Gott (1939-2019) nasceu durante a ocupação nazista e foi grande sucesso também nos países de língua alemã, na qual ele também cantava (Gott significa “Deus” em alemão). Ele também era pintor amador, e sua formação foi como eletricista, mas ficou célebre por meio da música, começando a carreira de cantor profissional em 1960. O deslanche de sua trajetória foi na década de 1970, tendo gravado muitos álbuns e inclusive sendo lançado na URSS em 1977, em cujos futuros países ele também seria admirado. Gott encerrou a carreira em 1990, mas retornou em 1993, embora naquela década se focasse mais na pintura e nas exposições que realizou. Faleceu em 1.º de outubro de 2019, vítima de leucemia, mas seu site oficial em checo persiste. Apesar do controle comunista, a antiga Checoslováquia desenvolveu uma rica cultura fonográfica e traduziu muito rock e pop então estourando no Ocidente. A mesma excelência em se tratando de música popular, superando inclusive a extinta URSS, se deu com a Polônia, outro país onde o comunismo nunca se enraizou, e a antiga Iugoslávia, de modelo social bastante divergente.


1. Dê adeus, mano, aos anos da infância,
Você era melhor em contas, eu em leitura,
Há muito a neve cobriu tudo isso,
Você bebia das minhas mãos, eu das suas,
Uma só nascente, uma só risada.

Então adeus, mano, tenho que ir,
Pois nossa pequenez só dura um instante,
E aí já acabam os anos de brincadeiras,
Acabam para todos, e isso é justo,
Então entenda isso, aceite isso.

Refrão:
O mundo era legal, o mundo era nosso,
Anos de férias, sol e praia,
A risada das salas de aula está longe,
Agora já preciso ser de alguém.

2. Adeus, papai, você se esforçou
Pra que meu sono fosse despreocupado
E muitas vezes brigava comigo,
Enquanto eu ficava mais na gandaia,
Só indo ver os pais ao ter problemas.

Então adeus, papai, tenho que ir,
Pois nossa pequenez só dura um instante,
E aí já está longe a infância,
Já tenho eu mesmo que cuidar de mim,
Vou aonde a necessidade me levar.

(Refrão 2x)

3. Adeus, minha querida, se cuide,
Você foi a garota de quem mais gostei
E agora partindo como um jogador,
Vou lhe provocar este choro,
E você ao menos vê pra que sirvo.

Então adeus, querida, tenho que ir,
Pois nossa pequenez só dura um instante,
E amadurecer é faca de dois gumes,
Não fique triste, seja mais falante,
Pois rapazes desinibidos são a maioria.

(Refrão 2x)

____________________


1. Buď sbohem brácho z dětských let,
Byl’s lepší v počtech a já zas lépe čeť,
To všechno dávno pokryl sníh,
Pil jsem z dlaní tvých, ty z mých,
Jeden pramen, jeden smích.

Tak sbohem brácho, musím jít,
Vždyť malí můžeme jen chvíli být
A pak už končí léta her,
Končí všem a to je fér,
Tak to chápej, tak to ber.

Refrén:
Svět byl fajn, svět byl náš,
Léta prázdnin, slunce, pláž,
Pryč je smích školních tříd,
Teď už musím něčím být.

2. Buď sbohem táto, ty ses dřel,
Abych já bezstarostný spánek měl
A byl to se mnou leckdy kříž,
Já jsem do větru byl spíš,
Rodičům jen na obtíž.

Tak sbohem táto, musím jít,
Vždyť malí můžeme jen chvíli být
A pak už dětství je to tam,
Už se musím starat sám,
Kudy v nouzi, kudy kam.

(Refrén 2x)

3. Buď sbohem lásko, tak se měj,
Měl jsem tě ze všech děvčat nejraděj
A teď odcházím jak hráč,
Nechám tě tu ronit pláč,
No aspoň vidíš, co jsem zač.

Tak sbohem lásko, musím jít,
Vždyť malí můžeme jen chvíli být
A zrání má svůj rub i líc,
Nebuď smutná, dej si říct,
Vždyť kluků k světu, těch je víc.

(Refrén 2x)




Estou ansioso, estou ansioso
Já estou sentindo no ar
Umidade e degelo da primavera
E então me levanto
Porque estou ansioso
Porque hoje ao amanhecer
A primavera chegou até nós

Somente em maio
O amor nasce em mim
Em maio
Plantando bananeira
Eu caminho em maio
Plantando bananeira
Eu caminho atrás de você

Somente em maio
Minha canção protege a amada
Mas a Lua crescente no céu
A corta, só por um mês
Vou ser seu
Somente em maio...

____________________


Nemám stání, nemám stání
Ve vzduchu už cítím
Jarní vláhu, jarní tání
A tak vstávám
Neboť nemám stání
Neboť dneska za svítání
Jaro přišlo k nám

Jen v máji
Se láska ve mně rodí
V máji
Já po rukou
Si chodím v máji
Já po rukou si
Chodím za tebou

Jen v máji
Má píseň moji lásku hájí
Však srpek na nebi
Ji krájí, měsíc jen
Budu tvůj
Jen v máji...

domingo, 13 de fevereiro de 2022

Vice Vukov – “Mamma” (Mamãe), 1990


Link curto pra esta postagem: fishuk.cc/mamma



A primeira vez em que publiquei esta tradução tinha sido no Dia das Mães de 2020, quando muitos já não podiam se reunir em família, ou mesmo perderam suas mães, avós e bisavós, e quando muitas mulheres perderam filhos, netos e bisnetos pra negligência humana. Temos de novo Vice Vukov, o cantor nacional croata e, na minha opinião, um dos maiores da história, desta vez cantando em italiano o clássico Mamma (Mamãe), que muitos conhecem na voz do saudoso tenor Luciano Pavarotti.

A canção, contudo, é bem antiga, quando em 1940 Bixio Cherubini escreveu a letra e Cesare Andrea Bixio compôs a melodia. A primeira gravação em italiano foi de Beniamino Gigli, como parte da trilha sonora do filme Mamma (1941), dirigido por Guido Brignone e que também conheceu êxito mundial. Além de Pavarotti, também a gravaram Toto Cutugno, Andrea Bocelli e até mesmo Muslim Magomaiev, sem contar as traduções em outras línguas (como a americana de 1946, por Harold Barlow e Phil Brito). Pelas pesquisas que fiz, acredito que Vice Vukov gravou a canção pela primeira vez no álbum Majci..., de 1990, que inclui duetos com sua filha Ivana, então criança. A faixa também apareceu na coletânea Bella Italia, de 2003, que tem outras músicas em italiano.

Já publiquei aqui outras vezes, mas vale a pena retomar um pouco da biografia de Vice Vukov. Nascido Vinko Vukov (1936-2008), ganhou fama instantânea em 1959 e durante os anos 60 se tornou um dos mais célebres cantores da Iugoslávia. Esteve no concurso Eurovision em 1963 e 1965, mas em 1972 teve sua carreira nacional interrompida por ter sido associado ao movimento nacionalista croata de protesto. Só em 1989 circulou um novo álbum seu sem assinatura, e com o fim do comunismo Vukov pôde retornar triunfalmente aos palcos. Foi eleito deputado federal em 2003, mas em 2005 sofreu uma queda que lhe feriu a cabeça e o deixou em longa agonia.

A antiga Iugoslávia sempre foi celeiro de grandes talentos musicais, sobretudo cantores, com destaque pras repúblicas da Croácia e da Bósnia e Herzegóvina, mesmo havendo bons nomes sérvios, como Zdravko Čolić. Os dialetos daquelas duas regiões são muito parecidos, e a pronúncia peculiar torna a musicalidade muito bonita. Além disso, o que vale especialmente pra Croácia e seu extenso litoral no Adriático, os iugoslavos sempre foram influenciados pela Itália, por si só uma potência cultural mundial.

Às informações das Wikipédias em italiano e inglês, adiciono o link com a letra em italiano, a partir da qual fiz a tradução direta e depois a montagem legendada. Assista duas vezes, lendo uma legenda de cada vez! Logo no comecinho, tem uma surpresa de que talvez nem todo mundo goste... Seguem as legendas, o texto original e a tradução:


1. Mamma, son tanto felice
Perché ritorno da te.
La mia canzone ti dice
Ch’è il più bel giorno per me.
Mamma son tanto felice,
Viver lontano, perché?

Ritornello:
Mamma, solo per te
La mia canzone vola.
Mamma, sarai con me,
Tu non sarai più sola.
Quanto ti voglio bene!
Queste parole d’amore
Che ti sospira il mio cuore
Forse non si usano più.

Mamma,
Ma la canzone mia più bella sei tu,
Sei tu la vita
E per la vita non ti lascio mai più.

2. Sento la mano tua stanca
Cerca i miei riccioli d’or.
Sento e la voce ti manca
La ninnananna d’allor.
Oggi la testa tua bianca
Io voglio stringere al cuor.

(Ritornello)

Mamma,
Ma la canzone mia più bella sei tu,
Sei tu la vita
E per la vita non ti lascio mai più.
Mamma, mai più...

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1. Mamãe, estou tão feliz
Por estar voltando à sua casa.
Minha canção te fala
Que é o dia mais belo pra mim.
Mamãe, estou tão feliz,
Por que viver longe?

Refrão:
Mamãe, só pra você
Minha canção voa.
Mamãe, estarei contigo,
Você não ficará mais sozinha.
Eu te amo tanto, tanto!
Essas palavras de amor
Que meu coração te suspira
Talvez não são mais usadas.

Mamãe
Mas você é minha canção mais bela,
Você é a vida
E nunca mais na vida te deixarei.

2. Escuto sua mão cansada
Buscando meus cachos dourados.
E escuto sua voz esquecendo
A antiga canção de ninar.
Hoje sua cabeça branca
Quero apertar em meu peito.

(Refrão)

Mamãe,
Mas você é minha canção mais bela,
Você é a vida
E nunca mais na vida te deixarei.
Mamãe, nunca mais...




sexta-feira, 11 de fevereiro de 2022

Roberto Carlos em italiano (parte 2)


Link curto pra esta postagem: fishuk.cc/roberto2


Em 1968 (e talvez também 1969), Roberto Carlos se apresentou na rede de TV italiana RaiTre com algumas canções suas, já consagradas no Brasil, traduzidas pro italiano, língua na qual podia se comunicar razoavelmente. As três que traduzi e legendei aqui, antes hospedadas no meu antigo canal Pan-Eslavo Brasil (YouTube), foram compostas por ele e por Erasmo Carlos, e traduzidas em italiano por Daniele Pace (1935-1985). Segundo a Wikipédia em italiano, este cantor, letrista, compositor e ator nascido e falecido em Milão também traduziu dos brasileiros La donna di un amico mio (Namoradinha de um amigo meu) e Jesus Cristo, antes de morrer precocemente de infarto.

Há alguns anos também postei aqui as canções Un gatto nel blu, que é originalmente italiana, e a referida La donna di un amico mio, com clipes gravados na mesma ocasião. Na época, eu tinha a perspectiva de logo traduzir outras gravações do “Rei” em italiano, mas acabei demorando por razões acadêmicas. Uns meses antes de minha expulsão do YouTube (agosto de 2021), os vídeos enfim vieram, mas desde então eles ficaram indisponíveis ao público. Portanto, considero que a postagem de hoje continua a de alguns anos atrás, e espero que não seja a última!

O primeiro vídeo é datado de 1968, ano em que o cantor ganhou junto com Sergio Endrigo o célebre Festival de Sanremo e estava badalado na Itália, como um jovem artista sul-americano. Este é um playback sem público de sua música Eu te amo, eu te amo, eu te amo e traduzida por Pace como Io ti amo. O segundo, ao qual Adailton Moura, que também posta outros materiais do astro, inseriu um áudio remasterizado em estúdio nas imagens originais da TV, representa Por isso corro demais traduzida como A che serve volare. E o terceiro vídeo traz Eu disse adeus sob a versão Io dissi addio. Obviamente não são traduções literais dos textos em português, embora em muitos versos isso tenha realmente sido possível.

Existem também algumas gravações de Roberto Carlos em francês, como La guerre des gosses, versão de sua A guerra dos meninos. Isso só mostra sua versatilidade e boa recepção no exterior, embora nem todos gostem do seu estilo ou, sobretudo, de seu caráter. Por enquanto fiquem com minhas fontes das letras do primeiro, do segundo (que tem apenas um verso diferente do que aparece no áudio) e do terceiro vídeos. Abaixo, além das legendas, estão também os mesmos textos italianos e suas traduções:


Son finiti i bei tempi
Dei sorrisi e dell’amore,
Io ricordo che una volta
Ero sempre innamorato.

Il telefono non suona più,
La mia casa è nel silenzio.
Ti ricordi, amore mio,
Quante ore abbiam passato
Al telefono io e te?
“Io ti amo, io ti amo” mi dicevi!

Giravamo per le strade,
Ogni notte fino all’alba,
Quando poi tornavo a casa
E salivo le mie scale,
Il telefono suonava,
Eri tu che mi chiamavi.

Ti ricordi, amore mio,
Quante ore abbiam passato,
Quante volte hai detto a me:
“Io ti amo, io ti amo, io ti amo”.

Ma l'amore, l’amore,
Perché m’ha lasciato?
Perché m’ha tradito?
Mai più sentirò la voce di lei,
Di lei che mi dice:
“Io ti amo, io ti amo, io ti amo”.

Il telefono suonava,
Eri tu che mi chiamavi.
Ti ricordi, amore mio,
Quante ore abbiam passato,
Quante volte hai detto a me:
“Io ti amo, io ti amo, io ti amo”.

Ma l'amore, l’amore,
Perché m’ha lasciato?
Perché m’ha tradito?
Mai più sentirò la voce di lei,
Di lei che mi dice:
“Io ti amo, io ti amo, io ti amo”.

“Io ti amo, io ti amo, io ti amo”.

____________________


Acabaram os belos tempos
Dos sorrisos e do amor,
Eu me lembro que uma vez
Estava sempre apaixonado.

O telefone não toca mais,
Minha casa está em silêncio.
Você se lembra, meu amor,
Quantas horas passamos
Eu e você no telefone?
“Eu te amo, eu te amo”, você me dizia!

Passeávamos pelas ruas,
Cada noite até amanhecer,
Quando depois voltava pra casa
E subia minhas escadas,
O telefone tocava,
Era você ligando pra mim.

Você se lembra, meu amor,
Quantas horas passamos,
Quantas vezes você me disse:
“Eu te amo, eu te amo, eu te amo”.

Mas o amor, o amor,
Por que me deixou,
Por que me traiu?
Nunca mais vou ouvir a voz dela,
A voz dela me dizendo:
“Eu te amo, eu te amo, eu te amo”.

O telefone tocava,
Era você ligando pra mim.
Você se lembra, meu amor,
Quantas horas passamos,
Quantas vezes você me disse:
“Eu te amo, eu te amo, eu te amo”.

Mas o amor, o amor,
Por que me deixou?
Por que me traiu?
Nunca mais vou ouvir a voz dela,
A voz dela me dizendo:
“Eu te amo, eu te amo, eu te amo”.

“Eu te amo, eu te amo, eu te amo”.


Veloce come il vento
Io correvo verso te,
La strada sempre uguale
Scompariva agli occhi miei.

Ma a che serve volare,
Sempre volare,
Quando l’amore
Non aspetta più te.

Ti vedevo nello specchio,
Eri bella come allora,
Sembravi la regina
Del tramonto e dell’aurora.
[Della notte e dell’aurora.]

Ma a che serve volare,
Sempre volare,
Quando l’amore
Non aspetta più te.

Ma nel fondo di ogni uomo
La speranza sempre c’è,
Per questo che correvo
Come il vento verso te.

Io volevo credere
A un miracolo, chissà,
Io volevo credere
A un miracolo, ma.

Ma a che serve volare,
Sempre volare,
Quando l’amore
Non aspetta più te.

Io tornavo lentamente
Dopo aver visto te,
La strada nel ritorno
Era lunga come mai.

Ma a che serve volare,
Sempre volare,
Tanto il mio amore
Non mi vuole mai più.

Se veloce come il vento
Io correvo verso te,
Piangendo come un bimbo
Io tornavo a casa mia.

Ma a che serve volare,
Sempre volare,
Quando l’amore
Non aspetta più me.

A cosa serve volare!
A cosa serve volare!

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Rápido como o vento
Eu corria até você,
A estrada sempre igual
Sumia da minha vista.

Mas pra que serve voar,
Sempre voar,
Quando o amor
Não espera mais você?

Eu via você no espelho,
Estava bela como então,
Parecia-se com a rainha
Do pôr-do-sol e do amanhecer.
[Da noite e do amanhecer.]

Mas pra que serve voar,
Sempre voar,
Quando o amor
Não espera mais você?

Mas no fundo de todo homem
Existe sempre a esperança,
Era por isso que eu corria
Como o vento até você.

Eu gostaria de acreditar
Num milagre, quem sabe,
Eu gostaria de acreditar
Num milagre, mas...

Mas pra que serve voar,
Sempre voar,
Quando o amor
Não espera mais você?

Eu voltava devagar
Depois de ter visto você,
E na volta a estrada estava
Mais longa do que nunca.

Mas pra que serve voar,
Sempre voar,
Ainda mais que meu amor
Não gosta mais de mim?

Se rápido como o vento
Eu corria até você,
Chorando como criança
Eu voltava pra minha casa.

Mas pra que serve voar,
Sempre voar,
Quando o amor
Não me espera mais?

Pra que serve voar?
Pra que serve voar?


Io dissi addio
Sapevo di sbagliare
Ma dissi addio
E vidi sulla terra
Tutti i sogni miei
Io dissi addio
Alle illusioni
E ai sogni miei

Io dissi addio
E vidi il mondo intero
Che cadeva giù
Volevo esser felice
E son finito qui
Son condannato ormai
Tra i suoi ricordi
Tra i suoi ricordi

La nostra casa è sempre uguale
Tutto, tutto quello che era di noi due
Ma è stato meglio dire addio in quel momento
Per poi non pianger più

Io dissi addio
Adesso non ci credo
Ma dissi addio
Addio alle illusioni e ai sogni miei
Io piango la mia donna, ma le dissi addio
Le dissi addio

La nostra casa è sempre uguale
Tutto, tutto quello che era di noi due
Ma è stato meglio dire addio in quel momento
Per poi non pianger più

Io dissi addio alle mie illusioni
Io dissi addio al, pianto
A tutto dissi addio

____________________


Eu disse adeus
Sabia que estava errado
Mas disse adeus
E vi caírem por terra
Todos os meus sonhos
Eu disse adeus
Às ilusões
E aos meus sonhos

Eu disse adeus
E vi o mundo inteiro
Cair ladeira abaixo
Eu queria ser feliz
E agora acabei aqui
Ficarei condenado
Por entre os resquícios dele
Por entre os resquícios dele

A nossa casa é sempre igual
Tudo, tudo o que era de nós dois
Mas foi melhor dizer adeus naquela hora
Pra depois não chorar mais

Eu disse adeus
Não estou acreditando nisso
Mas disse adeus
Adeus às ilusões e aos meus sonhos
Choro por minha amada, mas lhe disse adeus
Lhe disse adeus

A nossa casa é sempre igual
Tudo, tudo o que era de nós dois
Mas foi melhor dizer adeus naquela hora
Pra depois não chorar mais

Eu disse adeus às minhas ilusões
Eu disse adeus ao choro
A tudo eu disse adeus

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2022

O Hino da União Soviética em inglês


Link curto pra esta postagem: fishuk.cc/urss-ingles

A despeito da zoeira, achei muito legal esta montagem feita com o mapa dos EUA adornado com o que na prática é a bandeira da China comunista. Porém, a canção tem um significado histórico bem mais profundo, pois trata-se de uma tradução poética estadunidense do Hino Nacional da URSS, conforme a versão que vigorou de 1944 a 1956. Paul Robeson (1898-1976), afro-americano que escreveu a nova letra e cantou sobre a melodia original de Aleksandr Aleksandrov, foi um conhecidíssimo músico de voz grave, ativista de movimentos sociais e simpatizante do comunismo. Sua defesa incondicional da URSS, mesmo no período de Stalin, levou-o até a fazer shows nesse país, onde teria gravado esta versão do hino em 1945, auge de sua carreira. Quanto ao significado, Robeson conseguiu manter muito do texto russo de Sergei Mikhalkov e Gabriel El-Registan, embora em inglês haja bem mais palavras devido ao tamanho menor delas.

Ex-jogador de futebol americano, o cantor lamentava muito o regime de segregação racial vigente nos EUA e afirmou não haver preconceito contra os negros na URSS, quando visitou o país pela primeira vez em 1931. Por suas ligações com o comunismo, embora nunca fosse filiado ao PC dos EUA, sofreu várias perseguições nas décadas de 1940 e 1950, sobretudo sob a vigência do chamado “macarthismo”. Essa pressão afetou gradualmente sua saúde mental, o que junto a problemas de circulação levou-o a passar seus últimos anos recluso, sem participação ativa no movimento dos direitos civis da década de 1960, o qual, porém, Robeson apoiava fortemente. Seu alinhamento a Moscou chegou inclusive ao ponto de apoiar a intervenção de Khruschov na Hungria, comparando os rebeldes de 1956 com o levante militar de Franco na Espanha.

Eu mesmo traduzi a letra diretamente a partir da versão dada na Wikipédia em inglês e pus legendas no referido vídeo. Os “Estados Unidos da China” podem até ser zoeira agora, mas quem sabe não arrisque se tornar uma realidade em futuro próximo, sobretudo após a pandemia? Paranoia capaz de pirar qualquer reacinha vira-lata no Brasil latifundiário... Seguem abaixo o vídeo legendado, o texto original em inglês e a tradução:


1. United forever
In friendship and labor,
Our mighty republics
Will ever endure.
The Great Soviet Union
Will live through the ages.
The dream of a people,
Their fortress secure!

Chorus:
Long live our Soviet motherland,
Built by the people's mighty hand.
Long live our people, united and free!
Strong in our friendship tried by fire,
Long may our crimson flag inspire,
Shining in glory for all men to see!

2. Through days dark and stormy
Where Great Lenin led us,
Our eyes saw the bright sun
Of freedom above,
And Stalin, our leader,
With faith in the people,
Inspired us to build up
The land that we love!

(Chorus)

3. We fought for the future,
Destroyed the invader,
And brought to our Homeland
The Laurels of Fame.
Our glory will live
In the memory of nations,
And all generations
Will honour her name!

(Chorus)

____________________


1. Unidas para sempre
Na amizade e trabalho,
Nossas poderosas repúblicas
Durarão eternamente.
A Grande União Soviética
Viverá através das eras.
O sonho de um povo,
Sua fortaleza segura!

Refrão:
Viva nossa pátria soviética,
Construída pela mão poderosa do povo.
Viva nosso povo, unido e livre!
Forte em nossa amizade provada no fogo,
Nossa bandeira vermelha inspire longamente,
Brilhando na glória para toda pessoa ver!

2. Por entre escuros dias tempestuosos
Onde o grande Lenin nos guiou
Nossos olhos viram no alto
O Sol da liberdade brilhando,
E Stalin, nosso líder,
Com fé no povo,
Inspirou-nos a erguer
O país que nós amamos!

(Refrão)

3. Lutamos pelo futuro,
Destruímos o invasor,
E trouxemos à nossa Pátria
Os Louros da Fama.
Nossa glória viverá
Na memória das nações,
E todas as gerações
Honrarão o nome da URSS!

(Refrão)



“Let’s go, Brandon!”

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2022

“Glória a nosso País Soviético” (1942)


Link curto pra esta postagem: fishuk.cc/gloria-urss

Esta canção é mais uma das raridades que pude encontrar YouTube afora, embora eu não lembre muito bem se foi algum dos meus inscritos que me recomendou. Ela se chama “Славься, Советская наша страна” (Slavsia, Sovetskaia nasha straná), Glória a nosso País Soviético, gravada em 1943 e composta em 1942 pelo compositor, pedagogo e maestro militar Semion Aleksandrovich Chernetski (1881-1950; melodia) e pelo poeta e letrista Vasili Ivanovich Lebedev-Kumach (1898-1949; letra). Originalmente foi um dos muitos hinos criados pra animar o moral das tropas e da população soviética na 2.ª Guerra Mundial (chamada por eles de Grande Guerra Patriótica), mas quando foi lançada também concorreu à famosa disputa pelo novo Hino Nacional da URSS, que seria enfim adotado em 1944.

É notável que tenha sido rejeitada uma letra com a firma de Lebedev-Kumach, que considero um “trovador de Stalin”, autor da maioria das canções soviéticas mais famosas de apologia ao ditador e ao regime comunista. Esse seu papel de protagonismo seria tomado, a partir dos anos Khruschov, pelo casal Nikolai Dobronravov (poeta) e Aleksandra Pakhmutova (musicista). Ao invés de Glória a nosso País Soviético seria adotada a melodia de Aleksandr Aleksandrov e a letra de Sergei Mikhalkov, ironicamente também autor da letra do hino atual da Rússia, todas as quais já conhecemos bem. Este filme de época também mostra a canção com um clipe de cenas contemporâneas.

Eu mesmo traduzi e legendei o vídeo citado inicialmente. Parecem estranhas essas legendas dançantes, mas elas traduzem os versos russos que você pode ir seguindo junto, sem estarem cobertos, e espero que não tenha desagradado. De qualquer forma, seguem o vídeo, a letra original que copiei do site SovMusic.ru e a tradução:


Мы гордые люди державы народной,
Тверда наша воля и поступь тверда.
Советских республик Союз благородный –
Отчизна свободы, наук и труда.

Лениным основана,
Сталиным упрочена,
Правдой народной крепка и сильна,
Славься, великая,
Славься, могучая,
Славься, Советская наша страна!

Бессмертное знамя советской державы
Врагам не склонить и не смять никогда.
Сияет над миром наш герб величавый,
Победно горит боевая звезда!

Лениным основана,
Сталиным упрочена,
Правдой народной крепка и сильна,
Славься, великая,
Славься, могучая,
Славься, Советская наша страна!

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Somos gente orgulhosa de uma potência popular,
Nossa vontade e nosso caminhar são rígidos.
A valorosa União das Repúblicas Soviéticas
É a pátria da liberdade, ciências e trabalho.

Fundado por Lenin,
Consolidado por Stalin,
Sólido e forte da verdade popular,
Glória ao grande,
Glória ao poderoso,
Glória a nosso País Soviético!

A bandeira imortal da potência soviética
Jamais os inimigos arrancarão nem esmagarão.
Nosso brasão grandioso reluz sobre o mundo,
A estrela combativa brilha vitoriosamente.

Fundado por Lenin,
Consolidado por Stalin,
Sólido e forte da verdade popular,
Glória ao grande,
Glória ao poderoso,
Glória a nosso País Soviético!




sábado, 5 de fevereiro de 2022

Trololó e as crianças – “Пять колец”


Link curto pra esta postagem: fishuk.cc/cincoaneis

Este é o célebre cantor soviético Eduard Khil, mais conhecido no Ocidente como “Mr. Trololó”, que gravou a canção e o clipe com o Grande Coral Infantil soviético, “Пять колец” (Piat kolets), Cinco anéis, em alusão ao símbolo dos Jogos Olímpicos. Como neste ano de 2022 também estão ocorrendo os Jogos Olímpicos de Inverno em Pequim, capital da China, fica aqui também uma lembrança e homenagem!

A canção foi composta por Mikhail Iosifovich Riabinin (1931-1995), que também participou da criação de outros sucessos de Khil. O clipe é de 1981, fazendo alusão às Olimpíadas de Moscou, que tinham acontecido em 1980, evento que representou grande abertura da URSS pro resto do mundo. O evento foi algo tão inédito pra eles, que nunca mais lhes saiu da memória, como o mascote Misha, o ursinho que aparece no cartaz. Houve até a chamada “geração da Olimpíada”, que nasceu de relacionamentos entre atletas soviéticos e esportistas de outros países!

Já Eduard Anatolievich Khil (1935-2012) é um show à parte. Com sua simpatia e performance humorística, ele se tornou um célebre cantor da era soviética, mas ficou conhecido no resto do mundo por um vídeo seu, gravado na década de 1970 e que caiu na rede em 2010, vocalizando uma canção sem letras. Parecendo que a única letra era “Trololó, lololó”, ele ficou conhecido como “Mr. Trololó” e deu origem a montagens e outros memes. Pra quem era criança na época e não lembra ou não usava YouTube, aqui está um “meme raiz” (que na época chamava “viral”).

Eu mesmo traduzi direto do russo e fiz as legendas em duas línguas: assista ao vídeo duas vezes, lendo um texto após o outro! Seguem o clipe legendado, o original russo e a tradução:


Пять колец, пять колец,
Пять колец пяти цветов
Это пять, это пять
Это пять материков
И опять, и опять
На спортивный честный бой
Сыновей, дочерей
Посылает шар земной
Сыновей, дочерей
Посылает шар земной

На спортивных куртках, шлемах
Олимпийская эмблема
На эмблеме как венец,
На эмблеме как венец
Олимпийских пять колец

Пять колец, пять колец,
Пять колец пяти цветов
Это пять, это пять
Это пять материков
И опять, и опять
На спортивный честный бой
Сыновей, дочерей
Посылает шар земной
(Весь шар земной)
Сыновей, дочерей
Посылает шар земной

Как прекрасно быть спортсменом
Сильным, ловким и умелым
Снится каждому, что он
Снится каждому, что он
Олимпийский чемпион

Пять колец, пять колец...

Пять колец пяти цветов!

Это пять материков!

И опять, и опять
На спортивный честный бой
Сыновей, дочерей
Посылает шар земной
(Весь шар земной)
Сыновей, дочерей
Посылает шар земной

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Cinco anéis, cinco anéis,
Cinco anéis de cinco cores,
São os cinco, são os cinco,
São os cinco continentes
E de novo, e de novo
À gloriosa luta esportiva
O globo terrestre envia
Seus filhos e filhas
O globo terrestre envia

Nas jaquetas e capacetes esportivos
Está o emblema olímpico
E no emblema, coroando,
E no emblema, coroando
Os cinco anéis olímpicos

Cinco anéis, cinco anéis,
Cinco anéis de cinco cores
São cinco continentes
E de novo, e de novo
À gloriosa luta esportiva
O globo terrestre envia
Seus filhos e filhas
(Todo o globo terrestre)
O globo terrestre envia
Seus filhos e filhas

Que maravilha é ser um atleta
Forte, ágil e corajoso
Todos sonham com que ele
Todos sonham com que ele
Seja um campeão olímpico

Cinco anéis, cinco anéis...

Cinco anéis de cinco cores!

São cinco continentes!

E de novo, e de novo
À gloriosa luta esportiva
O globo terrestre envia
Seus filhos e filhas
Todo o globo terrestre
O globo terrestre envia
Seus filhos e filhas




quinta-feira, 3 de fevereiro de 2022

“Sbejħa Patrija” (Bela Pátria), Malta


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Em minhas pesquisas sobre o arquipélago de Malta, achei por acaso esta bela marcha militar cantada, chamada Sbejħa Patrija (Bela Pátria), cujo título já dá uma ideia da constante mistura entre o árabe e o italiano na língua maltesa. Ela serve de hino do Partit Nazzjonalista (Partido Nacionalista de Malta), maior partido conservador de direita do micropaís e que faz oposição ao Partit Laburista (Partido Trabalhista), que atualmente é o governo naquele regime parlamentarista. Aliás, se reclamamos que temos mais de 30 partidos no Congresso Nacional, lá só esses dois têm assento, opondo-se tal como PT e PSDB (mesmo este tendo origem de centro-esquerda) na história recente do Brasil.

Com letra de Carmelo Mifsud Bonnici e melodia do maestro Josie Mallia Pulvirenti, você pode ter percebido alguma semelhança com a música de Giovinezza, o hino fascista italiano. Pois sim, embora a fundação do PN remonte ao fim do século 19, quando parte da população local rejeitou leis de assimilação impostas pela colonização inglesa, os nacionalistas se inspiraram mais tarde na simbologia fascista, abusando das marchas militares, usando um fundo preto em sua bandeira e buscando inspiração na Giovinezza. O vídeo original foi postado há muitos anos, e eu recortei o quadro e tentei melhorar a qualidade o quanto pude.

Eu mesmo traduzi a partir do maltês, usando quase sempre o Google Tradutor, e às vezes o Wiktionary em inglês. No caso da frase “Ta’ Kattoliċi, ta’ Latini, Maltin veri! Naħilfuħ!”, pensei em colocar a tradução literal que o Google sugeria, mas acabei encontrando este artigo, que dava outra versão. Seguem o vídeo legendado e o texto da tradução:


Ó, bela Pátria, somos seus filhos
Do Partido Nacionalista
Queremos que você possa
Sair da opressão dos inimigos.

Vitoriosa e triunfante,
Monumento de nossa glória.
Juramos ser verdadeiros
Malteses, católicos, latinos!

Nossa Malta,
Quando você desejar
Vertemos nosso sangue
Pela liberdade.

Prontos para tudo
Se você desejar
Unimos nossas almas
Em uma só.

Vamos, nacionalistas,
Vamos, com milhares dos seus,
Com bandeiras junto a você
Neste momento de combate.

Das cidades e do campo
À luta de nossa terra.
Vamos, pois Deus está conosco,
Vamos, nossa vitória é certa!

terça-feira, 1 de fevereiro de 2022

Rita Pavone: “Sapore di sale” (1983)


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Este vídeo estava abandonado no YouTube, então decidi resgatá-lo pra enfim expor uma tradução em português da famosa canção de Gino Paoli, Sapore di sale (É sabor de sal). Pra fazer algo diferente do velho áudio do cantor, trago Rita Pavone, a famosa garota joãozinho de Datemi un martello, cantando ao vivo no antigo programa Pronto, Raffaella?, do canal italiano Rai 1, em 1983. A música de fato é de autoria de Gino Paoli (n. 1934), de quem ela foi o maior sucesso e foi gravada pela primeira vez em 1963.

Segundo o compositor, a inspiração veio na cidade de Capo d’Orlando, numa casa deserta ao lado de uma praia deserta. Ele estava aí pra participar de concertos com seu grupo, e a convite dos proprietários, os barões Milio, lá se hospedou por 15 dias. Há rumores de que a musa inspiradora foi a atriz Stefania Sandrelli, mas Paoli sempre os negou. Curiosamente, enquanto Sapore di sale alcançava o topo das paradas na Itália, o cantor tentou o suicídio com um tiro na altura do peito, em julho de 1963. Estava com dificuldades pessoais e tinha sido deixado pela mulher, mas a bala não chegou a alcançar órgãos vitais. No fim da década, Paoli também teria problemas com drogas, mas depois se recuperaria.

Eu mesmo traduzi do italiano a partir deste texto, que indica falsamente, porém, Peppino di Capri como cantor (algo parecido ocorre com Tornerò, em que a voz dos I Santo California é confundida com a dele). Não está literal em alguns pontos, pra que pudesse soar melhor em português, mas transmite a ideia da letra original. Seguem abaixo o vídeo que legendei, o texto em italiano e a tradução:


Sapore di sale
Sapore di mare
Che hai sulla pelle
Che hai sulle labbra
Quando esci dall’acqua
E ti vieni a sdraiare
Vicino a me, vicino a me

Sapore di sale
Sapore di mare
Un gusto un po’ amaro
Di cose perdute
Di cose lasciate
Lontano da noi
Dove il mondo è diverso
Diverso da qui

Il tempo è nei giorni
Che passano pigri
E lasciano in bocca
Il gusto del sale
Ti butti nell’acqua
E mi lasci a guardarti
E rimango da solo
Nella sabbia e nel sole

Poi torni vicino
E ti lasci cadere
Così nella sabbia
E nelle mie braccia
E mentre ti bacio
Sapore di sale
Sapore di mare
Sapore di te!

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É sabor de sal
É sabor de mar
Que você tem na pele
Que você tem nos lábios
Quando sai da água
E vem se deitar
Do meu lado, do meu lado

É sabor de sal
É sabor de mar
Um gosto um pouco amargo
De coisas perdidas
De coisas deixadas
Longe de nós
Onde o mundo é diferente
Diferente daqui

O tempo está nos dias
Que passam preguiçosos
E deixam na boca
O gosto do sal
Você se joga na água
E me deixa te olhando
E eu fico sozinho
Na areia e no sol

Aí você volta ao meu lado
E se deixa cair
Assim na areia
E nos meus braços
E enquanto te beijo
É sabor de sal
É sabor de mar
É sabor de você!