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sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Votos de Rumen Radev pra 2026

Em mensagem gravada, presidente búlgaro faz seus últimos votos antes das eleições que vão designar seu sucessor em junho de 2026, no mais tardar. Sua insatisfação com a classe política se deve grandemente ao fato do regime ser parlamentarista, ou seja, a presidência é muito mais um papel cerimonial e protocolar. Ontem o país também foi notícia por ter sido o mais recente membro da União Europeia a adotar o euro, abandonando a tradicional moeda lev (ou leve). Fonte do texto original: portal da presidência da República da Bulgária.


Caros compatriotas,

Estamos contando os últimos minutos pro fim do ano que se encerra. No conforto do lar, entre convidados e amigos há muito esperados, ou em praças repletas de gente, voltamos juntos nosso olhar pro novo ano de 2026 com a esperança comum de que seja melhor pra nossos entes queridos e pra Bulgária.

O ano que passou foi dramático pro mundo. Guerras ceifaram a vida de milhares de pessoas, mas também surgiram as primeiras esperanças de seu fim. Acredito que nosso país deve apoiar inequivocamente os esforços pela paz na Ucrânia. O risco de acirramento do conflito ainda persiste, e não devemos depender de ninguém pra defender nossos interesses se não formos capazes de o fazer por nós mesmos.

Em poucos minutos, a Bulgária vai ser notícia no mundo todo. A decisão de adotar a moeda única europeia é uma escolha estratégica num momento controverso. A introdução do euro é o último marco na integração da Bulgária à União Europeia – um lugar que nos pertence por direito, fruto das conquistas de nossa cultura milenar e da contribuição civilizatória de nosso país. Estou convencido que o abandono de nossa moeda nacional deveria ter sido feita após consulta popular, mas os governantes não quiseram ouvir os cidadãos. Esse abandono foi um dos sintomas mais dramáticos da profunda ruptura entre a classe política e o povo, confirmada pelos protestos em massa por todo o país.

Eles puniram a arrogância dos governantes. O primeiro orçamento em euros se revelou pra eles uma tarefa impossível e desencadeou a insatisfação acumulada com o modelo injusto, a corrupção, a inflação e a arbitrariedade das autoridades.

Mas os protestos também mostraram que os jovens búlgaros já não desejam se salvar individualmente, mas se questionam sobre como ajudar a Pátria. Os veteranos da transição [do socialismo pro capitalismo em 1989-90] também tomaram as praças, e este é o grande evento político de 2025: nasceu um consenso popular contra a máfia. A tentativa de os manipular com interpretações geracionais ou desviar o foco pra outros temas fracassou. O povo exigiu democracia, justiça, eleições justas, imprensa objetiva, uma verdadeira perspectiva europeia e uma vida digna.

Caros compatriotas,

Temos eleições parlamentares à vista e, no outono, também vamos eleger um novo presidente. Cabe a nós não repetir os erros do passado e parar de andar em círculos. Pra reconquistar a democracia, não podemos desperdiçar a energia e a esperança que nasceram nas praças, nem a oportunidade de mudar a Bulgária.

Estamos prontos, podemos e vamos conseguir!

Mostremos hoje e em todos os dias do novo ano que somos um povo digno, não só pelas conquistas de nossos brilhantes artistas, cientistas, esportistas e jovens talentos, mas também por nossas ações diárias, pela provação de sermos humanos.

Me permitam desejar a todos vocês saúde, alegria e inspiração! Que a paz, o amor e a prosperidade reinem em seus lares. Em tempos difíceis, a família e os amigos são nossa esperança. Desejo que eles tragam conforto e apoio a vocês.

Que nos próximos meses vocês realizem seus sonhos pessoais e se realize nosso sonho comum de uma Bulgária pacífica, livre, próspera e justa!

Feliz Ano Novo de 2026 a todos!



segunda-feira, 6 de outubro de 2025

Canções partisans balcânicas (4)



Em tese, minha publicação com traduções de algumas das chamadas “canções partisans” iugoslavas seria a última, por isso, sugiro que a visite pra poder ter todos os detalhes a respeito desse gênero. Porém, fiquei com vontade de traduzir outras duas, a primeira porque acho importante, e a segunda porque acho muito bonita e tocante. A primeira, em servo-croata, se chama Uz Maršala Tita (Com o Marechal Tito), e a segunda, em búlgaro, se chama “Партизан се за бой стяга” (Partizán se za boi stiága), Um partisan se prepara pra luta (ou ainda “combate”, se quiser). Embora “Iugoslávia” signifique originalmente “terra dos eslavos do sul”, e os búlgaros também sejam eslavos meridionais, a Bulgária só não se uniu ao vizinho por pouco. Portanto, mesmo mantendo a numeração, intitulei estas canções como “balcânicas”.

Na Wikipédia em inglês, achei a história da canção Uz Maršala Tita, a tradução literal em inglês e a versão poética em outros idiomas iugoslavos. Porém, mesmo não tendo feito como no passado (jogar o original no Google Tradutor), me baseei essencialmente nessa tradução, procurando também as palavras no Wikcionário, quando necessário. Isso porque tanto no caso do servo-croata quanto do búlgaro, as letras são bastante simples e conheço razoavelmente os dois idiomas. No caso de Partizan se za boi stiaga, achei o texto original e uma tradução italiana neste famoso portal de canções de protesto, que já utilizei muito no passado. Aí também, fiz várias buscas no Wikcionário.

A canção iugoslava, que tem claros traços dialetais croatas (notadamente o uso de -(i)je- ao invés de e, como em smjelo, osjetiti e svijest), também é conhecida como Pjesma o pesti (Canção sobre o punho) sendo “pjesma” também croata típico. Ela foi composta em 1943 por Vladimir Nazor (letra, um croata) e Oskar Danon (melodia, um judeu bósnio), originalmente começando com o verso “Uz Tita i Staljina, dva junačka sina” (Com Tito e Stalin, dois filhos heroicos). Segundo Danon, o povo espontaneamente “rebatizou” a canção, até a versão original ser oficialmente proibida com a ruptura entre Tito e Stalin, em 1948. A referência aos godos se deve à ideia corrente entre os fascistas croatas pró-Hitler, segundo a qual seu povo teria mais origens góticas do que eslavas, algo refutado pelos comunistas. Enquanto essa era uma peça do culto à personalidade do marechal, Partizan se za boi stiaga tem autoria anônima, datando essa gravação de 1974 pelo Coral do Comitê de Televisão e Rádio da Bulgária socialista.

Escolhi usar a palavra partisan em francês, mais adequada ao contexto de 1939-45 e mais abrangente, equivalente ao eslavo meridional partizan (com “z”) e ao italiano partigiano Em francês, significa literalmente “partidário” ou “relativo a partido(s)”, mas evitei “guerrilheiro”, que às vezes é justamente traduzido como partisan fora do contexto europeu, porque a meu ver os partisans era apenas alguns dos adeptos, como vários em outros tempos e lugares, da “tática de guerrilha”. Não sei se também foi o Partizanski pevski zbor que gravou a canção iugoslava, mas o mesmo áudio está em vários vídeos, inclusive algumas traduções pro português que ignorei. Um dos vídeos em búlgaro tem a letra original, e o outro, em tom um pouco distinto, apenas o áudio lançado com direitos autorais:


Com o filho heroico Marechal Tito,
Nem o inferno vai nos deter.
Andamos valentes, de cabeça erguida
E punho fortemente cerrado.
Andamos valentes, de cabeça erguida
E punho fortemente cerrado.

Somos todos de antiga linhagem, não godos,
Somos partes dos eslavos seculares.
Quem diz outra coisa, calunia e mente,
E vai sentir nosso punho.
Quem diz outra coisa, calunia e mente,
E vai sentir nosso punho.

Todos os dedos nas mãos, na miséria e tormento
A consciência partisan se consolidou.
E agora se preciso, pro Sol ou pro céu
Erguemos o punho bem alto.
E agora se preciso, pro Sol ou pro céu
Erguemos o punho bem alto.

____________________


Uz maršala Tita, junačkoga sina
Nas neće ni pakao smest’.
Mi dižemo čelo, mi kročimo smjelo
I čvrsto stiskamo pest.

Rod prastari svi smo, a Goti mi nismo,
Slavenstva smo drevnoga čest.
Ko drukčije kaže, kleveće i laže,
Našu će osjetit’ pest.

Sve prste na ruci u jadu i muci
Partizanska složila je svijest.
Pa sad kad i treba, do sunca do neba
Visoko mi dižemo pest.

____________________


Уз маршала Тита, јуначкога сина
Нас неће ни пакао смест’.
Ми дижемо чело, ми крочимо смјело
И чврсто стискамо пест’.
Ми дижемо чело, ми крочимо смјело
И чврсто стискамо пест’.

Род прастари сви смо, а Готи ми нисмо
Славенства смо древнога чест.
Ко друкчије каже, клевеће и лаже
Нашу ће осјетит’ пест.
Ко друкчије каже, клевеће и лаже
Нашу ће осјетит’ пест.

Све прсте на руци у јаду и муци
Партизанска сложила је свијест.
Па сад кад и треба, до сунца до неба
Високо ми дижемо пест.
Па сад кад и треба, до сунца до неба
Високо ми дижемо пест.




Um partisan se prepara pra luta,
Joga um fuzil sobre o ombro!
“Adeus, mamãe, adeus, papai,
Adeus, querida irmãzinha!
Adeus, mamãe, adeus, papai,
Adeus, querida irmãzinha!”

“Estou indo à luta feroz,
Lá onde se morre e é morto!”
Seis meses se passaram,
A mãe ainda não viu o filho.
Seis meses se passaram,
A mãe ainda não viu o filho.

Certa manhã chegou uma carta.
A mãe pensa que o filho escreveu,
E na carta, duas-três linhas,
Comunicam do monte Chumerna:
E na carta, duas-três linhas,
Comunicam do monte Chumerna:

“Seu filho já foi morto
Na luta feroz contra o inimigo!
Foi um bom camarada nosso
E um excelente partisan.
Foi um bom camarada nosso
E um excelente partisan.”

A mãe, ao invés de chorar,
Ergueu orgulhosa sua cabeça,
Pois foi assim que educou o filho –
Pra que morresse pela pátria.
Pois foi assim que educou o filho –
Pra que morresse pela pátria.

____________________


Партизан се за бой стяга,
Мята пушка на рамо!
“Сбогом, майко, сбогом, татко,
Сбогом, мила сестрице!
Сбогом, майко, сбогом, татко,
Сбогом, мила сестрице!”

“Аз отивам в боя люти,
Де се гине, де се мре!”
Шест месеца изминаха,
Майка сина не виде.
Шест месеца изминаха,
Майка сина не виде.

Една сутрин писмо стига.
Майка мисли син пише,
А в писмото два-три реда,
От Чемерник съобщават:
А в писмото два-три реда,
От Чемерник съобщават:

“Твоят син е веч загинал
В боя люти със врага!
Той ни беше добър другар
И отличен партизан.
Той ни беше добър другар
И отличен партизан.”

Вместо майка да заплаче,
Гордо вдигна тя глава,
Че отгледа такъв сина –
За родината да мре,
Че отгледа такъв сина –
За родината да мре.

____________________


Partizan se za boi stiaga,
Miata pushka na ramó!
“Sbogom, maiko, sbogom, tatko,
Sbogom, mila sestritsé!
Sbogom, maiko, sbogom, tatko,
Sbogom, mila sestritsé!”

“Az otivam v boia liuti,
De se gine, de se mre!”
Shest mesetsa izminakha,
Maika sina ne vidé.
Shest mesetsa izminakha,
Maika sina ne vidé.

Edna sutrin pismo stiga.
Maika misli sin pishé,
A v pismoto dva-tri reda,
Ot Chemernik sâobshtavat:
A v pismoto dva-tri reda,
Ot Chemernik sâobshtavat:

“Tvoiat sin e vech zaginal
V boia liuti sâs vragá!
Toi ni beshe dobâr drugar
I otlichen partizan.
Toi ni beshe dobâr drugar
I otlichen partizan.”

Vmesto maika da zaplache,
Gordo vdigna tiá glavá,
Che otgleda takâv sina –
Za rodinata da mre,
Che otgleda takâv sina –
Za rodinata da mre.



sexta-feira, 3 de janeiro de 2025

Votos de Rumen Radev pra 2025


Endereço curto: fishuk.cc/novagodina2025


Presidente búlgaro faz seus votos em mensagem gravada. Fonte do texto original: portal da presidência da República da Bulgária.


Caros compatriotas,

Estamos a poucos minutos do Ano Novo de 2025. Vamos o receber com pessoas próximas de nossos corações, com esperanças e bons desejos. Com a crença comum de que vai trazer saúde e prosperidade.

O mundo traz um ano cheio de riscos. As guerras se intensificam, a democracia está vivendo um período difícil e no horizonte despontam novos desafios. A paz, a estabilidade, a liberdade e as eleições justas que até ontem pareciam garantidas na Europa, estão hoje em causa. Aqui, as eleições parlamentares também não abriram uma perspectiva estratégica pra sairmos da crise política crônica.

As crises nos ensinam que o futuro está em nossos esforços conjuntos, na posição ativa de cada um de nós perante cada escolha na política e na vida. Sem a participação e controle dos cidadãos, o Estado se enfraquece e não consegue lhes garantir necessidades básicas, as relações públicas e mesmo as pessoais se tornam tensas, nosso enorme potencial enquanto nação permanece inexplorado e nosso futuro se torna refém de interesses oligárquicos e grupais.

Juntos, é hora de procurarmos juntos um caminho pra além da fraqueza política, da corrupção e da incerteza. Juntos, é hora de estabelecermos objetivos elevados. Todos os dias, milhares de concidadãos – cientistas, engenheiros, artistas e educadores, nossos atletas olímpicos – com espírito, vontade e diligência escrevem as novas páginas da história da Pátria e nos tornam confiantes de que podemos fazer muito mais.

Quero expressa minha profunda gratidão aos dignos búlgaros de todos os cantos, religiões e profissões, que realizam seus sonhos criativos com trabalho honesto e habilidade e fazem nosso país avançar. A todos os pais que criam e educam os filhos da Bulgária.

Ao enchermos as taças, não esqueçamos os que estão trabalhando na noite festiva pra proteger nossa vida, saúde e segurança: médicos, policiais, militares e plantonistas.

Caros compatriotas,

O ano de 2025 vai nos apresentar novos desafios. Estou convencido de que vamos encontrar sabedoria e força pra lidar com eles. Vamos perceber que, numa era de abalos globais, a unidade é o caminho pra proteger a Pátria. Acredito que temos talento e vontade pra confirmar a Bulgária como um país forte, soberano e próspero no mapa da Europa.

Lhes desejo paz, saúde e fé nas coisas boas! Que todos os empreendimentos dignos sejam abençoados e que o Ano Novo traga alegria e luz a todos! Que entremos nele com pensamentos claros e saiamos dele com a cabeça bem erguida enquanto pessoas e enquanto búlgaros.

Feliz Ano Novo de 2025!



quarta-feira, 11 de setembro de 2024

Arquivos da tirania comunista búlgara


Endereço curto: fishuk.cc/invasao-bg



“Nunca mais!”


Este conteúdo não vai ser encontrado nas redes sociais da “ex-querda bananeira”, porque ela segue acriticamente o que a extinta URSS dizia, mas nem nas redes da dita “direita conservadora e patriota”, porque ela é muita burra pra chegar nesse conteúdo e prefere remoer os antigos espantalhos. No último 9 de setembro, os búlgaros lembraram os 80 anos da entrada das tropas soviéticas no país, durante a expulsão dos nazistas na 2.ª Guerra Mundial, quando a monarquia local já tinha passado pro lado dos Aliados, após um tempo alinhada com o Eixo fascista.

Até hoje, o fato divide opiniões, pois enquanto a ditadura pró-Moscou na “guerra fria” e os comunistas (tornados socialistas) sustentavam e seguem sustentando que a ação do Exército Vermelho colaborou pra libertação da Bulgária, outros lembram que os soviéticos também roubaram, estupraram e sumariamente fuzilaram pessoas a torto e a direito, mesmo sem um motivo aparente. Muito parecido com certa potência que está atualmente invadindo um país vizinho... Assim como nos países bálticos (que foram de fato anexados pela URSS), alguns búlgaros vivem o fato como uma “ocupação estrangeira”, sucedida por um regime fantoche da segunda superpotência global. As tropas soviéticas ficariam no país balcânico até 1947.

O clima esquentou no ano passado, quando na onda de indignação contra a invasão da Ucrânia, o governo liberal pró-Europa (a Bulgária tem um regime parlamentarista) ordenou a retirada de um monumento ao Exército Vermelho construído em 1958 na capital Sófia. Lá, o regime socialista ainda traz a lembrança de estabilidade geopolítica e segurança social, mas os babacas daqui inventam que há um “projeto deliberado de desmonte da memória antifascista nos antigos países do bloco soviético”. Enfim, cada um com seus delírios...

Por ocasião da data, a Agência Estatal de Arquivos lançou uma exposição virtual com documentos há pouco digitalizados e desclassificados sobre os fatos em questão, intitulada “A ocupação soviética da Bulgária, 1944-1947”. Infelizmente, nem a exposição nem o próprio site dos arquivos está abrindo, talvez por questões de manutenção ou de excesso de visitas (usar um VPN, talvez?), mas pode ser que quando você estiver lendo este texto, ela já tenha voltado. Usando o Google Tradutor e revisando manualmente, traduzi este artigo da Rádio Nacional Búlgara, que tem também uma entrevista em áudio de 7 minutos com o prof. Mílko Palangúrski, e este artigo em inglês da agência Sofia Globe, mais longo e mais informativo.

Seguem também fotos do site em inglês, com minhas traduções dos cartazes carregados pelos manifestantes, e outras atualidades políticas em imagens que também resolvi inserir aqui, pois que ligadas com o imperialismo moscovita “bonzinho” e “anti-imperialista”:



“80 anos do 9 de setembro de 1944. 80 anos de mentiras, propaganda e esquecimento! Mas nós lembramos!”


80 anos após o golpe de 9 de setembro, foi publicada uma lista das vítimas do Exército Vermelho (por Marta Mladénova)

80 anos após o golpe de 9 de Setembro, que marcou o início da ocupação do Reino da Bulgária pela União Soviética, foi publicada pela primeira vez uma lista das vítimas do Exército Vermelho.

A coleção de 1 472 documentos com 2 670 imagens, muitas das quais estão sendo apresentadas ao público pela primeira vez, pode ser encontrada no site temático “Ocupação Soviética na Bulgária (1944-1947)”, criado pela Agência Estatal “Arquivos”.

O professor associado Mikhaíl Grúev, presidente da agência, explicou que durante décadas, com relação a esse período, foram estudados apenas os acontecimentos históricos até a entrada do Exército Vermelho na Bulgária.

Em 5 de setembro, isto é, quatro dias antes do golpe de 1944, Moscou declarou guerra à Bulgária e, na noite de 8 para 9 de setembro, foi derrubado o governo de Konstantín Muravíev. O poder foi tomado pela Frente Patriótica e o novo governo foi chefiado por Kimón Georgíev.



“Fora RúZZia, império do mal!”


Nos 80 anos da invasão soviética, divisões sobre a história persistem na Bulgária (da redação)

Em 9 de setembro de 2024, a Bulgária estava mais dividida do que nunca em sua história, por ocasião dos 80 anos da invasão soviética que abriu caminho para décadas de mando comunista.

Como ocorre há décadas, alguns búlgaros amaldiçoam a invasão de setembro de 1944 por ter inaugurado décadas de opressão por Moscou e seus asseclas comunistas búlgaros, enquanto os situados no campo pró-Kremlin saúdam a “libertação” da Bulgária no fim da 2.ª Guerra Mundial.

Na noite de 9 de setembro deste ano, foi realizado um protesto perto do monumento desmantelado ao Exército Soviético, no centro de Sófia, demonstrando o entusiasmo pelo pertencimento da Bulgária moderna à OTAN e à União Europeia e destacando a brutalidade do regime que tomou o poder em 1944 e o conservou até a queda do Muro de Berlim.

Os participantes seguravam bandeiras da Bulgária, da OTAN, da UE e da Ucrânia.

Em declaração, o partido reformista “Da Bâlgária” (Sim Bulgária), integrante da coalizão pró-Ocidente PP-DB (“Continuamos a Mudança-Bulgária Democrática”, segundo maior grupo no Parlamento da Bulgária), disse que depois de 1944, “os 45 anos seguintes de morte, terror, repressão, espionagem, propaganda, prisão em campos de concentração e mudanças de nome marcaram, mas não quebraram, o povo búlgaro e sua busca pela liberdade”.

A Agência Estatal de Arquivos da Bulgária lançou um site com cerca de 1 500 documentos, intitulado “Ocupação Soviética na Bulgária, 1944-1947”.

Um total de 1 472 documentos com 2 670 imagens estão no site, muitos sendo publicados pela primeira vez. Os documentos foram coletados de 27 arquivos, incluindo o Arquivo Estatal Central.

O site tem uma lista de vítimas do Exército Vermelho na Bulgária: “Ele permite que seus parentes e concidadãos saibam mais especificamente qual foi o destino dessas pessoas”, disse o Arquivo Estatal.

“O objetivo da Agência Estatal ‘Arquivos’ é preencher uma lacuna importante e essencial no conhecimento de toda a nossa sociedade sobre o passado recente, e suas expectativas são encontrar sua continuação lógica na pesquisa acadêmica, em documentários e no jornalismo.”

Segundo o Arquivo Estatal, a intenção da equipe de composição é que o acervo seja periodicamente expandido e enriquecido com novos documentos.

Em contraste, no site oficial do partido minoritário pró-Kremlin “Vâzrazhdáne” (Renascimento), seu líder Kostadín Kostadínov disse que há 80 anos “a Bulgária sofreu um golpe que se transformou numa revolução social que transformou completamente o país.”

“Milhões de búlgaros foram retirados de sua secular condição social e receberam uma oportunidade de começar a vida de forma equânime, às custas de milhares que perderam sua posição privilegiada, propriedade, dinheiro e, em alguns casos, até suas vidas”, disse Kostadinov.

As classes na sociedade búlgara foram “destruídas”, e o país começou uma rápida industrialização combinada com a coletivização da agricultura, disse.

“A Bulgária deixou de ser um país atrasado e subdesenvolvido pra se tornar um país com energia nuclear e sua própria tecnologia espacial. Educação e assistência médica se tornaram gratuitas, acessíveis e de qualidade”, segundo Kostadinov.

Atanás Zafírov, líder interino do Partido Socialista Búlgaro, o segundo menor grupo no Parlamento atual, disse: “80 anos desde este dia memorável, o dia em que as esperanças de milhões de pessoas em nosso país se tornaram realidade”.

“Nestes dias, pra mostrar que ninguém é esquecido e nada é esquecido, vamos visitar os monumentos a nossos camaradas que deram suas vidas pra que a Bulgária pudesse existir”, disse Zafirov.

“Nos curvamos à memória dos que permaneceram fiéis a suas convicções e ideais e estavam, ao mesmo tempo, cheios de amor por nossa Pátria.”

“Graças a seu autossacrifício, à resistência antifascista em nosso país e a nossa participação na derrota do fascismo na Europa no fim da 2.ª Guerra Mundial, a Bulgária foi salva de outra catástrofe nacional, as fronteiras de nosso país foram preservadas intactas e o Tratado de Paz de Paris foi concluído”, disse.

Em busca desse mundo novo, desse sonho, os que permaneceram vivos depois do 9 de Setembro criaram o feito da construção socialista: “Eles transformaram a Bulgária de um país irremediavelmente atrasado num país que forneceu a todos os seus cidadãos a oportunidade de uma vida digna”, disse Zafirov.

“Mas hoje, após 35 anos de transição, a Bulgária se parece muito com a de antes de 1944. Mais uma vez, a vasta maioria da população está afundada na miséria. Mais uma vez, o governo de direita está levando nosso país à beira de uma grave catástrofe nacional, desta vez demográfica”, disse Zafirov, acrescentando que “hoje, a Bulgária mais uma vez precisa de uma mudança revolucionária: a formação de um ideal nacional que uniria nosso povo”.

Nem Kostadinov nem Zafirov mencionaram o “Tribunal Popular” comandado pelos comunistas no pós-guerra, que condenou à morte ou a longas penas de prisão milhares de búlgaros e foi sucedido por décadas de confinamento de inimigos políticos em campos de concentração cujas condições eram brutais, se não fatais.

Pros socialistas búlgaros, sucessores lineares do Partido Comunista Búlgaro que por décadas manteve o controle do país, o dia 9 de setembro de 2024 dificilmente foi também uma ocasião pra sua tradicional alegria pela invasão soviética, dada a atual guerra civil dentro do próprio partido socialista.

Até a noite de 9 de setembro, não havia nenhuma referência ao jubileu no site oficial ou nas redes sociais da embaixada da Rússia de Putin, que declarou a Bulgária um Estado inimigo.




A mãe de Ekaterina Kotrikadze, jornalista russo georgiana exilada, foi morta num atentado a bomba num prédio residencial em Moscou, na noite de 9 de setembro de 1999, quando a profissional tinha apenas 15 anos de idade. Um terrorista apoiador da causa chechena, desaparecido desde 2002, foi formalmente acusado pelas autoridades, mas muitos especialistas suspeitam que tudo tenha sido forjado (pois é...) pelos próprios serviços especiais de Putin, então primeiro-ministro de Ieltsin, como pretexto pra começar a segunda guerra contra a Chechênia.

Em seu Instagram pessoal, Kotrikadze publicou uma foto sua quando criança junto de sua mãe (que era a cara dela!) por ocasião dos 25 anos de sua morte. Traduzo a tocante mensagem publicada em russo: “Minha mãe Lika Bakhtadze foi pra mim a melhor amiga, principal conselheira e rochedo que me protegia de todo mal e desconhecido. Quando nos mudamos pra Moscou, ela literalmente me ensinou tudo o que perdi na escola georgiana nos primeiros cinco anos. E quando, aos 15 anos, eu estava apaixonada por Leonardo Di Caprio, ela confortava e secava pacientemente meus rios de lágrimas. Me lembro que temia muito a perder, num pânico como se estivesse esperando por alguma coisa. Ela era forte, inteligente e bonita. Ela só tinha 37 anos, menos do que eu tenho agora. Um minuto antes de 9 de setembro de 1999, ela morreu num apartamento do quarto andar, entrada 4, rua Guriánov, prédio 19. Estava indo dormir. Já faz 25 anos que mamãe se foi, mas quando choro, chamo por ela.”


E pra terminar, delicie este avanço ucraniano na província russa de Kursk, segundo o Instituto de Estudos da Guerra (ISW). O dia 10 de agosto criou até anteninhas, rs:








quarta-feira, 14 de fevereiro de 2024

Não adianta dançar sobre o leite derramado


Link curto pra esta publicação: fishuk.cc/leite-bg




Durante o fim do mês de janeiro e ao longo do mês de fevereiro, protestos de agricultores contra as perdas impostas pela intrincada legislação da União Europeia e pela concorrência considerada desleal com a Ucrânia, cujos grãos têm chegado ao mercado europeu mais rapidamente e menos caros em solidariedade humanitária (e porque os portos no mar Negro estão quase todos bloqueados), pipocaram em diversos países de toda a Europa. Tudo começou na França, onde os fazendeiros consideram totalmente impraticáveis as normas ambientais, sobretudo as relacionadas ao uso de pesticidas, normas muito mais leves nos países do Mercosul, cuja produtividade, pois, seria muito maior e esmagaria a concorrência com a produção local. Essa teria sido uma das razões pela qual, pela segunda vez (em 2019, Macron alegou que Bolsonaro estava devastando a Amazônia), o governo francês bloqueou o acordo comercial entre a UE e o Mercosul.

Porém, como em outros países do bloco europeu as preocupações são outras e muito variadas, o movimento tomou impulso na Europa Central e Meridional, quando já estava se encerrando na França. Na Bulgária, por exemplo, há mais de uma semana os agricultores estão bloqueando as principais rodovias do país e conseguiram o fazer, entre outras, na principal artéria nacional, a “Trákia”. Porém, no dia 12 de fevereiro, os jornais do meio-dia de canais como a BNT (TV nacional) e a NOVA registraram algo inusitado no vilarejo de Polikráishte (Поликраище), na região de Velíko Târnovo, durante o bloqueio da estrada que liga as cidades de Pléven a Rúse, e esta à cidade que dá nome à região. Enquanto os fazendeiros jogavam na pista 16 toneladas de leite fresco só pra não o botarem no mercado, uma música tradicional gravada soava ao fundo, o que pode ser ouvido nas duas transmissões, feitas a partir do mesmo ponto.

Na versão que coloquei primeiro, a da BNT, alguns manifestantes ao fundo estão dançando de mãos dadas, modo que é muito comum nos países dos Bálcãs. Pra alguém de fora do país, parece interessante ouvir esse tipo de música, mas deve ser ainda mais engraçado ver que, enquanto leite é jogado na estrada, ao invés de alimentar tantas crianças necessitadas na própria Bulgária, um punhado de agricultores dança alegremente em rede nacional. Os bloqueios também tem por objetivo forçar a renúncia do ministro da Agricultura, Kiríl Bâtev, que como todo político do país em qualquer época, é acusado de todo tipo de coisa. Não traduzi nenhuma fala ao pé da letra, nem legendei, mas apenas fiz as montagens nos momentos específicos pra que você possa “curtir as imagens”. Mudando um pouco o ditado, “não adianta dançar sobre o leite derramado”, ainda mais que no fim quem sofre é o povo pobre, nesses tempos de inflação. Divirta-se:



quarta-feira, 3 de janeiro de 2024

Votos de Rumen Radev pra 2024


Link curto pra esta publicação: fishuk.cc/novagodina2024


Presidente da Bulgária faz seus votos em mensagem gravada. Fonte do texto original: vídeo do pronunciamento no canal da TV nacional búlgara (BNT)


Queridos concidadãos,

Alguns minutos nos separam do Ano Novo de 2024. Ele vai trazer novas possibilidades e esperanças. Vai nos colocar diante de decisões importantes para nós, nossos entes queridos e a Bulgária.

Nós, búlgaros, junto com o mundo inteiro, desejamos que o novo ano seja pacífico e mais próspero do que o que passou: fraturado e dividido entre a criação e o receio de que as setas da história estejam voltando para trás. Um ano de agravamento de conflitos militares, desvalorização da vida humana, crises e incerteza econômica que afetaram todos os lares búlgaros, de uma queda inédita da confiança no Estado. Portanto, não devemos esquecer que a prosperidade de uma nação se mede sobretudo por seus fundamentos morais, seu esclarecimento e sua coragem, sem os quais a prosperidade material também é impossível.

O progresso da Bulgária é impossível em uma atmosfera de divisão e guerra contra os símbolos nacionais e a memória histórica. Não podemos nos desenvolver como uma democracia europeia livre com amnésia e hipocrisia política, com corrupção e impunidade, com censura e apatia, com degradação da soberania nacional e recusa à dignidade.

Precisamos de unidade e liderança que fortaleçam o Estado, a soberania e a legalidade, preservem a paz e garantam a segurança de todos os cidadãos búlgaros, promovam a educação, a ciência e a cultura como verdadeira prioridade, caminhem sem volta rumo ao amanhã, a nosso futuro europeu, à modernização e crescimento acelerado da economia e dos salários.

Em sua história milenar, nosso povo superou todo tipo de provações, sempre encontrou o caminho para a liberdade e o progresso e deixou uma brilhante marca no desenvolvimento cultural da Europa e um exemplo de Estado esclarecido. Juntos temos as forças para enfrentarmos os desafios atuais, sermos mais ambiciosos, sonharmos com mais coragem e conseguirmos mais.

Queridos compatriotas, aquecidos pelo calor do aconchego doméstico e pelo amor dos entes queridos, nas luminosas festas de Natal e Ano Novo lembramos que as pontes invisíveis do espírito e da bondade são mais duradouras ​​​​do que as construídas pela mão humana. Nosso povo sempre seguiu o caminho certo: o da humanidade, empatia e respeito mútuo. Ao enchermos nossas taças, não nos esqueçamos dos que contam com nosso apoio. Também devemos homenagear as equipes de plantão que passam a festa em seus cargos e locais de trabalho.

Embora tenhamos diferentes idades, profissões e crenças, onde quer que estejamos no mundo, vamos sempre estar ligados pelo fio invisível do espírito búlgaro, por nossas festas e tradições nacionais, pelo tribágrenik [a bandeira tricolor] natal – símbolo de nossa unidade e soberania, e pela esperança em uma Bulgária próspera e digna. Nossas raízes, nosso lar e nossa responsabilidade permanecem aqui.

Que desejemos, sob o brilho dos fogos de artifício festivos, fazer com que os filhos da Bulgária não busquem a felicidade em um lugar distante, mas a encontrem na pátria, que ela garanta seus direitos e lhes abra oportunidades para desenvolverem seu talento. Sejamos dignos da Bulgária, onde as próximas gerações poderão viver realizadas e tranquilas.

Que o Ano Novo traga saúde e prosperidade a todos os lares búlgaros!

Feliz Ano Novo de 2024!



quinta-feira, 6 de abril de 2023

Graça na desgraça do mundo eslavo


Link curto pra esta publicação: fishuk.cc/meme-eslavo2



Como dizem nossas avós: nunca aceite doces de inimigos do povo estranhos, rs.


A primeira vez em que fiz uma publicação exclusiva com memes de países eslavos ou vizinhos foi em outubro de 2018, e mesmo assim a graça deles tá bem duvidosa... Até porque alguns deles tinham sido publicados pela primeira vez num extinto YouTube meu uns anos antes, ou seja, eu não dominava boas tecnologias, a plataforma ainda não tinha alcançado monopólio, minha internet era um lixo e eu tinha pouco contato com canais locais, devido ao conhecimento incipiente de idiomas.

Hoje eu me sinto mais seguro pra fazer certas brincadeiras, ainda mais que sem a perseguição do YouTube, sou mais livre pra postar o que quiser nesta página. Porém, os tempos eram mais pacíficos, e hoje o mundo todo, e não só os eslavos, está dilacerado por causa da brutal invasão de Vladimir Putin à Ucrânia. O que já era uma rivalidade histórica entre russos e ucranianos se tornou ódio aberto, por ação de um ditador imperialista. Apesar disso, com alguma cautela, podemos brincar com certas situações que, involuntariamente, se tornaram um caos na geopolítica geral e nos países eslavos em particular. Nestes, algumas coisas estranhas têm acontecido nos últimos dias!

Sem mais rodeios, eu queria começar pelo atentado a bomba que matou o blogueiro russo pró-guerra Vladlen Tatarski, pseudônimo de Maksim Fomin, antigo combatente no Donbás que acabou sendo preso pelos ucranianos e depois fugiu. Ele ficou mais conhecido apenas no dia em que se filmou na cerimônia de anexação ilegal do Donbás e de parte do sul da Ucrânia à Federação Russa, depois do que chegou a reunir mais de 500 mil seguidores em seu canal no Telegram. Porém, a notoriedade mundial se daria justamente após sua morte, durante a explosão de uma bomba num café de São Petersburgo pertencente a Ievgeni Prigozhin, também líder do infame grupo paramilitar Wagner.

No último 2 de abril, uma moça de nome Daria Trepova (bem irônico...) entrou pra lhe presentear com um busto representando o próprio Vladlen em trajes militares e capacete. Após abrir a caixa, expressar gratidão e guardar o presente, ocorre uma grande explosão em que apenas ele morre e os outros saem feridos. Soube-se que a bomba estava na estátua presenteada, e com a análise das câmeras de segurança, chegou-se a Trepova, que já tinha participado de manifestações pró-Aleksei Navalny e contra a guerra na Ucrânia. Por isso, logo após sua detenção, o governo russo começou a acusar Navalny e seus apoiadores de estarem por trás do atentado, embora eles neguem vínculos da moça com suas organizações. Teme-se que as acusações ao dissidente subam de “extremismo” a “terrorismo”, piorando sua situação já precária e as poucas brechas de expressão na Rússia.

Nenhuma grande mídia, mesmo dissidente e em russo, mostrou as imagens até a hora da explosão, e apenas meu amigo Cláudio me enviou um vídeo pelo WhatsApp, a partir de grupos opositores. Pra decorar, fiz questão de pôr ao fundo uma “versão russa” em acordeão da canção tecno Astronomia, conhecida por seu uso no célebre “meme do caixão”, criada pelo Lord Vinheteiro pra um vídeo com a mesma música como se fosse executada em vários países. Bom proveito, glória à Ucrânia e morte aos invasores:


Em 31 de março, o ditador belarusso Aliaksandr Lukashenka (que já assume com todas as letras e sem ironia que é um ditador e que pretende se eternizar no trono) fez seu discurso anual à Assembleia Nacional, um simulacro de parlamento cujos membros precisam assistir ao seu show de piadas sem-graça e, às vistas das próprias câmeras, rir da cara do velhaco. Isso, pelo menos, é uma inovação quanto à mumificada Rússia, em que até Medvedev perdeu seu encanto de “American Boy”... Ano passado, viralizou seu trecho em que um participante lhe pergunta como seria a “democracia à belarussa”, e Lukashenka lhe responde em tom de ironia (vai se saber, né): “Mas eu sou um ditador, não tem como eu falar de democracia”, causando riso generalizado.

Não haveria qualquer motivo pra assistir a esse catatau de quase cinco horas, não fosse meu interesse por treinar russo, estar informado do que se passa na região (ainda mais que Lukashenka é um fantoche de Putin) e topar por acaso com alguns memes potenciais. E de fato foi o que aconteceu neste trecho, em que um político se mostra igualzinho ao cantor sertanejo Marrone, segunda voz da dupla com Bruno, tanto na cara (mas careca) quanto na voz! Comprove:


Pela quinta vez em dois anos, a Bulgária está indo às urnas pra renovar o parlamento, já que os partidos jamais se entendem pra fazer uma sólida coalizão de governo e a crise política, portanto, se torna interminável. A Turquia é o país do mundo com o maior número de imigrantes búlgaros, e fora da própria Bulgária (mas não no cômputo geral) foi justamente o partido DPS, conhecido por ser ligado aos búlgaros de etnia turca, que levou mais votos no último 2 de abril. Numa reportagem do canal privado de notícias NOVA, vemos alguns idosos residentes na Turquia que justamente nem sabem mais quais são os cargos em disputa, tamanha a bagunça eleitoral! Abaixo segue minha montagem com tradução:


Este é Nelsinho Padovani, mais conhecido como Deputado Padovani, representante federal do Paraná pelo União Brasil. Louvamos sua nobre iniciativa, por ocasião da inauguração do Memorial Ucraniano na cidade de Cascavel, no último 26 de março, de homenagear os ucranianos que sofrem com a agressão de Putin e de condenar esta como injustificável. Porém, pra não dar munição pra certa extrema-esquerda que idolatra ditadores, ele poderia ter se informado um pouco mais pra não dizer coisas como: os primeiros imigrantes ucranianos chegaram ao Brasil entre os séculos 18 e 19; “o bol-che-vic” (que ele não pronuncia direito porque nem deve saber do que se trata) foi o fundador de um “movimento socialista comunista (?)” no qual “mataram ucranianos que fugiram do seu país” (imagine se não tivessem fugido!); e a cereja do bolo, “o bolchevic deu o movimento (?) do Olomo... Olomo domor... Olodomur”, a fome que matou mais de 6 milhões de pessoas (acho que os melhores números são de 3 a 5 milhões).

Padovani fecha com chave de ouro dizendo que o Brasil tem 1% de toda a água potável do mundo, quando na verdade apenas 1% de toda a água do mundo é apta pra consumo, e desta o Brasil guarda 12%... Grato de novo ao Cláudio por apresentar o “Olodum ucraino”, rs.


Sessão fotos: pasmem, mas o governo Talibã foi recebido junto com o ex-presidente afegão Hamid Karzai, boneco dos EUA, pelo ministro do Exterior da Rússia. Os elementos são tão díspares que, se eu não soubesse que o Kremlin tinha chegado ao fundo do poço civilizatório, juro que pensaria ser uma tela pintada pela Dilma, rs.


E pra terminar, uma reflexão sobre a França!


sábado, 24 de setembro de 2022

Golpe de Estado contra Xi Jinping?


Link curto pra esta postagem: fishuk.cc/golpe-xi

Rumores baseados neste tuíte de jornalista chinesa anticomunista e exilada dariam conta de que Pequim, capital da China, estaria sendo cercada por veículos militares, cortando a comunicação com o exterior, e vários voos teriam sido cancelados. Além disso, Xi Jinping, presidente da China comunista, estaria em prisão domiciliar devido à insatsifação de certos grupos dentro do Partido Comunista, sobretudo a decretação da prisão perpétua de vários membros renomados. Neste vídeo de 26 minutos, a mesma jornalista continua relatando o que sabe em seu canal do YouTube, mas realmente nada foi confirmado ainda, vindo a maioria das informações de sites indianos bem suspeitos, e pouca coisa ainda da mídia de outros países, nada do Brasil nem em português.

Nada foi confirmado oficialmente na mídia estatal chinesa. Mesmo assim, comecei traduzindo este artigo do jornal espanhol La Política Online, depois trouxe mais informações ao longo deste sábado, de páginas em outras línguas que já tinham mais detalhes. Peço que repasse esta publicação ao máximo possível de pessoas, mas vamos nos precaver e esperar que as mídias consagradas mais sérias deem a palavra final a respeito.

Atualização (25/9/2022): Assisti ao boletim noticiário China Today ao vivo do canal estatal CCTV, no período das 21h às 22h de Pequim (10h às 11h de Brasília), e embora eu conheça muito pouco o mandarim, consigo identificar vários elementos, sobretudo quanto ao assunto tratado. Xi Jinping (cujo nome também não ouvi citado) e a preparação pro congresso do Partido Comunista não apareceram em nenhum momento, o que parece incomum num regime autoritário e personalista, embora eu não saiba se Xi aparece direto. Mesmo assim, sempre que eu abria notícias num horário aleatório, sua imagem aparecia em pelo menos alguns momentos. Apareceram notícias do mundo todo, e bem pouco da política chinesa, apenas o ministro do Exterior falando na ONU. Os intelectuais exilados Jennifer Zeng e Gordon Chang insistem que não é comum um líder supremo da China sumir por tanto tempo do público e da mídia (neste caso, desde o dia 16 de setembro), mas que realmente, embora as notícias pareçam desagradáveis, não há como saber ao certo o que se passa, o que pode ser desde um problema de saúde até a deposição mesma de Xi.

Os dois tuiteiros não raro recebem muitos comentários negativos, sendo acusados de divulgar notícias falsas ou simplesmente ofendidos, o que diz mais sobre o desespero do que defendem do que sobre o conteúdo daqueles a quem atacam. Tais contas podem nem ser sequer de pessoas ou cérebros reais. Chang chegou a assumir numa entrevista que um golpe de Estado é pouco provável, mas que algo anormal está acontecendo no PCCh. Alguns comentários do YouTube levantam suspeitas interessantes: o segredo pode ser, ao contrário, o indício da preparação de uma repressão ainda mais brutal, um dos motivos podendo ser a situação instável nos aliados Rússia e Irã; outros dizem que pode ser ainda uma preparação a um eventual conflito com Taiwan (e de fato, nesse período em que vi a CCTV, Taiwan foi muito citada, mas não sei em que contexto); outro ainda disse, no caso dos veículos militares, que pode ser apenas uma preparação pros festejos do feriado da revolução de 1.º de outubro.

Em todo caso, como os dois escritores mesmos dizem, são apenas rumores, mas não é porque são apenas rumores que não devem ser tratados como indícios de algo anormal na China. Ainda mais que ela passa por vários problemas (lockdown terrorista, bolha imobiliária por estourar, crescimento estagnado, pressão demográfica e insatisfação no partido com o pretenso terceiro mandato inédito de Xi), e que vivemos tempos totalmente incomuns na geopolítica. Vários líderes na ONU disseram mesmo que estamos passando, sem exagero, por um “divisor de águas”.



Rumores de golpe de Estado na China contra Xi Jinping agitam as redes, mas fontes diplomáticas desmentem

As versões sobre um complô pela insatisfação dentro do Partido Comunista Chinês semanas antes de Xi conquistar seu terceiro mandato agitaram as redes. A embaixada argentina em Pequim desmentiu.

Nesta sexta-feira, ganharam força rumores sobre a suposta prisão do Xi Jinping após um golpe de Estado na China. As versões não puderam ser confirmadas até o momento, mas também não foram desmentidas por Pequim. Todavia, fontes da embaixada argentina na China as desmentiram de maneira categórica.

Por outro lado, o cancelamento de 60% dos voos na potência asiática, segundo relatou a plataforma local de viagens Flight Master, fez crescer o rumor em torno da suposta detenção de Xi. Porém, as fontes consultadas pelo La Política Online explicaram que foram suspensos devido a um exercício militar que tinha sido previamente anunciado.

Uma das versões que circularam nas últimas horas nas redes (em sua maioria de perfis anti-China) sustentava que o complô teria sido organizado por forças especiais do Exército Popular de Libertação que obedecem ao general Li Qiaoming, a cargo do Comando do Teatro do Norte, um dos cinco do Exército chinês. Li tinha sido nomeado membro do 19.º Comitê Central do Partido Comunista da China em outubro de 2017.

No próximo 16 de outubro será realizado o Congresso Nacional do Partido Comunista Chinês, o órgão máximo do país, que elege os membros do Comitê Central e renova as altas autoridades, como é o caso de Xi. Supõe-se que aí será consagrado um terceiro mandato para o atual líder, que se transformou assim no governante mais poderoso desde Mao Zedong, revertendo a dinâmica mais colegiada que a China comunista moderna tinha.

De acordo com essa versão, Xi esteve ausente do seminário sobre Defena Nacional e Reforma Militar na última quarta-feira, embora já tivesse voltado de sua primeira viagem internacional após a pandemia no âmbito da Organização de Cooperação de Xangai no Usbequistão, onde se reuniu com seu homólogo russo Vladimir Putin. Também esteve ausente o chanceler Wang Yi, em viagem para Nova York em razão da Assembleia Geral da ONU.

Ainda segundo essa versão, quem assistiu ao seminário foi Li Qiaoming, que se sentou junto a Liu Zhenli, comandante do Exército. A questão é que Xi está se preparando para assumir seu terceiro mandato numa concessão extraordinária que estaria incomodando setores da cúpula do Partido Comunista.

La jornalista e ativista de direitos humanos chinesa Jennifer Zeng, dissidente e ex-membro do PCCh, tuitou um vídeo onde se podem ver “veículos militares do EPL que estavam se dirigindo a Pequim em 22 de setembro”. “Começando desde o condado de Huanlai, perto de Pequim, e terminando na cidade de Zhangjiakou, província de Hebei, uma procissão inteira de no máximo 80 quilômetros”, continuou.

A narrativa dos perfis que fazem oposição ao regime argumentam que o suposto golpe teria sido planejado por militares e membros superiores do partido descontentes com a liderança férrea de Xi. Nesta mesma sexta-feira, o ex-vice-ministro da Segurança Pública, Sun Lijun, foi condenado a uma pena de morte deixada em suspenso (pode optar pela prisão perpétua) pelo Tribunal Popular Intermediário de Changchun, devido a uma suposta cobrança de propinas. Sun era acusado pelo círculo do presidente de liderar uma máfia dentro do partido que se opunha a Xi.

Também foram presos cinco ex-chefes de polícia por seus vínculos com Sun, no maior expurgo do aparelho de segurança da China e poucas semanas antes do congresso partidário em que se prevê a reeleição de Xi.


China cancela mais de 6 mil voos no país: possível golpe de Estado? (Lilia Chaleva para o jornal búlgaro Dir.bg)

Rumores sobre a deposição de Xi Jinping tomaram o Twitter

Relatos não confirmados vindos da China revelam uma chocante informação a respeito do presidente da nação sul-asiática, Xi Jinping. Embora as mídias chinesas não tenham confirmado os rumores, tuítes de perfis chineses sugerem que o presidente Xi Jinping foi posto em prisão domiciliar pelo Exército Popular de Libertação (EPL). A informação chega um dia depois de a agência Bloomberg ter comunicado que um tribunal chinês condenou o ex-vice-ministro da Segurança à prisão perpétua, completando a repressão contra a “clique política” que ele lideraria contra Xi Jinping, apenas uma semana antes de uma mudança decisiva no Partido Comunista, informa a HW News [um jornal indiano], destacando que a notícia não foi verificada por fontes independentes.

Jennifer Zeng, ativista chinesa pelos direitos humanos que vive atualmente nos EUA, publicou um vídeo em seu Twitter, no qual ela afirma que o EPL estaria se deslocando para Pequim.

[Traduzi do inglês] “Veículos militares do EPL se deslocando para Pequim em 22 de setembro. Partindo do condado de Huanlai, próximo a Pequim, e terminando na cidade de Zhangjiakou, na província de Hebei, toda uma procissão de cerca de 80 km. Enquanto isso, circulam rumores de que Xi Jinping estaria em prisão domiciliar após veteranos do PCCh o terem removido da liderança do EPL.” Relatos também sugerem que quase 60% dos voos na China teriam sido suspensos na sexta-feira, sem qualquer explicação.

O escritor chinês Gordon Chang, que também está radicado nos EUA, citou o vídeo de Zeng no Twitter e escreveu [traduzi do inglês]: “Este vídeo de veículos militares se deslocando para Pequim chega logo após o cancelamento de 59% dos voos no país e as prisões de funcionários veteranos. Há muita fumaça, o que significa que há fogo em algum lugar dentro do PCCh. A China está instável.”

No momento em que esse relato foi apresentado, apenas voos domésticos com tráfego menor do que o normal foram vistos voando no espaço aéreo chinês, como mostra o site Flightradar.

Os rumores também afirmam que Li Qiaoming, o general a serviço do EPL, pode ter substituído Xi Jinping como primeiro-ministro.

Entre os líderes políticos indianos, Subramanian Swamy escreveu no Twitter: “Um novo rumor que exige ser verificado: estaria Xi Jinping em prisão domiciliar em Pequim? Quando há pouco Xi esteve em Samarkand, os líderes do PCCh exigiram que Xi fosse afastado do comando partidário do Exército. Depois disso veio a prisão domiciliare. Assim diz o rumor”, observou Swamy, que mencionou tuítes sobre a notícia.

O canal de televisão russo Insider UA também mencionou os rumores e escreveu no Telegram: “Algo estranho está acontecendo na China. Há rumores massivos no Twitter sobre um golpe militar na China e a renúncia prematura de Xi do posto. Há muitas dessas publicações e de diferentes publicadores/mídias. Tropas foram massivamente enviadas a Pequim, foi notada uma coluna com 80 km de comprimento. Além disso, a China cancelou mais de 6000 (!) voos domésticos e internacionais. Além disso, todas as passagens vendidas para o trem de alta velocidade estão suspensas e o tráfego ferroviário foi totalmente suspenso.”

Por enquanto, nenhum rumor sobre um golpe militar na China teve sua autenticidade comprovada.

[Seguem-se informações que não traduzi sobre o aumento das tensões entre China e EUA a respeito de Taiwan.]


Ataque a Xi Jinping: fake news ou realidade? (Leopoldo Gasbarro para o Wall Street Italia)

Verdade ou fake news? A China está em alerta? Ou trata-se apenas de uma armação midiática?

Tudo começou em alguns sites indianos, segundo os quais Xi Jinping estaria passando por péssimos bocados. Inúmeras considerações e detalhes alarmantes sobre a situação interna do país são sustentadas por imagens e notícias que começam a se suceder uma após outra.

As primeiras notícias “estranhas”, ainda não verificáveis a partir da fonte, apareceram em alguns sites indianos. Também foram relatadas por alguns canais do Telegram relacionados à Rússia, e amplificadas pelo Twitter. Caso se trate de fake news, elas estão em curso de ser alimentadas.

Para uma informação correta, nos dirigimos a especialistas do assunto e do país. De Giuliano Noci, pró-reitor do politécnico de Milão para a China, a Riccardo Monti, presidente do grupo Triboo, a Piero Guseo, especialista em vendas institucionais e responsável para o mercado italiano da Leverage Shares. Todos souberam das referências feitas na Índia e na China sem receber nenhuma confirmação merecida por tais notícias publicadas nos sites indianos.

Dada a abundância de detalhes e informações, reproduzimos o artigo de Dailyindia.net, cuja tradução segue logo abaixo:

Segundo notícias não confirmadas, Xi Jinping há muito tempo não se encontra nem sequer com os dirigientes máximos do PCCh, e pela primeira vez em dois anos Xi Jinping foi visto deixando o país ao participar da cúpula da Organização para a Cooperação de Xangai (OCX) em Samarkand. Ao mesmo tempo, em junho deste ano também foi cancelada a visita de Xi Jinping à Arábia Saudita, para a qual Riad tanto tinha se preparado. Ao mesmo tempo, mesmo sendo um membro fundador da OCX, o líder chinês não participou ativamente da cúpula. Não fez nenhum discurso memorável na abertura da cúpula nem se encontrou com Narendra Modi ou outros líderes destacados da organização além de Putin. Porém, se recusou a participar do jantar com Putin e o motivo apresentado estava ligado à covid-19. Na sequência, foi revelado que Xi Jinping tinha acabado de partir para Pequim antes do encerramento oficial da cúpula da OCX. ufficiale del vertice SCO. Talvez estivesse preocupado e amedrontado com algo grave e assustador.

Milhares de pessoas estão escrevendo nas mídias sociais chinesas que Pequim tinha sido militarmente ocupada e que Xi Jinping tinha sido deposto, mas o mondo não tem ideia do que esteja ocorrendo, já que a cidade foi cortada do resto do mundo. Segundo o News Highland Vision, o ex-presidente chinês Hu Jintao e o ex-primeiro-ministro chinês Wen Jiabao tinham retomado o controle do Escritório Central de Segurança (ECS) do PCCh, satisfazendo ao ex-membro do Comitê Permanente, Song Ping. A função do ECS é fornecer segurança aos membros do Comitê Permanente do Birô Político do PCCh e a outros líderes do partido. O ECS também é responsável pela segurança do presidente chinês Xi Jinping, e se qualquer outra pessoa tomar o controle do ECS, isso é considerado um golpe de Estado militar.

Xi Jinping em prisão domiciliar em 16 de setembro? Embora ainda não tenha sido feito nenhum anúncio oficial, as mídias sociais chinesas, monituradas de perto pelo governo, receberam milhares de publicações sobre o golpe de Estado militar, indicando que algo não estava certo. Segundo o relato, não somente Hu Jintao e Wen Jiabao teriam retomado o controle do ECS, como também Jiang Zeng e membros do Comitê Central de Pequim teriam sido informados por telefone. sono stati informati telefonicamente. Os membros originários do Comitê Permanente teriam posto fim à autoridade militar de Xi Jinping bem naquele instante. Xi Jinping teria voltado a Pequim na noite de 16 de setembro, depois de ter sabido a verdade. Porém, teria sido preso no aeroporto e provavelmente segue agora em prisão domiciliar em Zhongnanhai.

O mapa do percurso já estaria pronto? Segundo relatos não confirmados, Hu Jintao teria tomado o controle do poder chinês e, se acreditarmos nas notícias, esse é um dos maiores incidentes na China desde a descoberta do coronavírus em 2019. Nos últimos dez dias, as reuniões políticas ocorreram a portas fechadas e em segredo absoluto. Nas notícias provindas da China, também foram dadas informações sobre tudo o que teria nos últimos dez dias. Esses dois vice-presidentes teriam chefiado a reunião de reforma do comitê de finalização em 8 de setembro, informou o FTI Global News. O presidente das operações, fiel a Xi, teria sido retirado da reunião. Enquanto esteve ali, o comandante Li Qiaoming, um general do EPL, teria se sentado no centro da primeira fila antes do palco para participar da reunião.

Como ocorreu o golpe de Estado na China? Segundo o FTA Global News, Hu Jintao e Wen Ki Song Ping teriam se encontrado quando o presidente estava fora do país para participar da cúpula da OCX e Wen teria sido convencido a agir contra Xi Jinping, que está se preparando para assegurar seu terceiro mandato no poder. Enquanto estava ali, Wen teria aceitado e então Xi Jinping teria sido mantido em custódia pelos seus próprios guardas do ECS. Os ex-líderes do PCCh teriam previsto que os lealistas de Xi Jinping sem dúvida usariam a força para evitar sua detenção, mas isso não teria ocorrido. Então, o comandante Li Qiaoming teria transformado Pequim em uma fortaleza militar. Um grande comboio de 80 km teria entrado em Pequim e todas as entradas possíveis para a cidade teriam sido fechadas. Segundo a fonte o EPL estaria bloqueando as rodovias, e no momento está se falando de prisão dos manifestantes. Quando as desordens em Pequim teriam sido notadas pela inteligência russa, a gigante energética russa Gazprom teria interrompido temporariamente o fluxo de gás para a usina do oleoduto Sibéria, que envia o gás russo à China. Embora a Rússia tenha justificado os cortes como “serviços de manutenção programada”, pode-se deduzir claramente que tenha feito isso em apoio a Xi Jinping como um protesto furioso.

Rebelião contra Xi Jinping? Além disso, os cidadãos chineses estão escrevendo nas mídias sociais da China que o aeroporto de Pequim teria cancelado mais de 6 mil voos domésticos e internacionais nos últimos dois dias. Ao mesmo tempo, as passagens do trem de alta velocidade também teriam sido canceladas, e desses trens, os que vão à capital chinesa teriam sido totalmente parados até segunda ordem. Horas depois, a aviação civil chinesa teria mandado as companhias aéreas com aviões Boeing Max retomarem as operações. Ao mesmo tempo, a defesa nacional teria sido discutida na reunião da Comissão Militar de 22 de setembro. Também estaria presente na reunião Shenyang Kang, que foi demitido pelo governo de Xi Jinping. Ao mesmo tempo, Li Qiaoming, que se ocupava da segurança do presidente, estaria de novo sentado no centro da primeira fila. Ao mesmo tempo, Song Ping, o mais antigo membro do PCCh, também estaria presente nesse encontro. Song, que tem 105 anos e é considerado um opositor de Xi Jinping, também teria levantado a voz contra Xi durante o encontro. Segundo o relato, Song Ping teria afirmado que o país devia sofrer uma transformação e se abrir ao mondo. Segundo ele, o PCCh deveria lhes dar prioridade máxima pelo bem da nação. Ao mesmo tempo, quase todos os líderes conhecidos do PCCh estariam presentes na sala da memória, exceto Xi Jinping e seu ministro do Exterior, Wang Yi.

Wang Yi se encontrou com Henry Kissinger. Ao mesmo tempo, o incidente recente mais suspeito foi a visita improvisada de Wang Yi, ministro do Exterior chinês, a Nova York. Encontrou-se com Henry Kissinger. Em 21 de setembro, enquanto Song Ping estaria externando seu protesto contra Xi Jinping, o ministro Wang Yi se encontrou com o ex-secretário de Estado americano. O ministro Wang Yi surpreendeu Kissinger por ocasião de seu iminente centésimo aniversário, descrevendo-o como um velho e com amigo do povo chinês. Kissinger tem proximidade com os membros veteranos do PCCh e deu uma contribuição histórica à instauração e desenvolvimento das relações entre China e EUA. Esse encontro improvisado não lança dúvidas sobre o real objetivo por trás disso? Contudo, nada está sendo revelado sobre o que está ocorrendo na China. Mas, com base no comportamento de Xi Jinping nos últimos dois anos, parece que Xi sempre tenha assumido que os veteranos do PCCh estivessem contra ele. Esses gigantes estavam exortando Xi a mudar seu comportamento intransigente. Contudo, a fome de poder de Xi foi inegavelmente obstada. Se esse relato for correto, então podemos dizer que o mandato de Xi terminou e que o ex-presidente Hu Jintao seria responsável por isso.

Termina aqui o artigo publicado pelo site indiano, mas nós mesmos também investigamos diretamente, sobretudo quanto à situação dos voos e trens no país.

Um artigo online publicado no The Epoch Times cita exatamente o cancelamento massivo de quase 60% dos voos na China. Mas o que pode realmente ter acontecido? Estão aparecendo no Twitter muitas imagens abordando a notícia, caso se trate realmente de uma notícia, já que tudo ainda resta a ser verificado. Uma dessas imagens parecia ter filmado um aparato militar entrando em Pequim [o vídeo citado de Jennifer Zeng]. Será verdade ou uma fake news? Em qualquer um dos casos, saberemos mais coisas nas próximas horas.



sábado, 19 de fevereiro de 2022

Emil Dimitrov – “Стела” (Stella), 1970


Endereço curto: fishuk.cc/stella


Esta canção é a que considero uma das mais lindas do artista búlgaro Emil Dimitrov, que faleceu em 2005 e era muito celebrado no país. Ela se chama “Стела”, que é apenas a transliteração do nome Stella em cirílico e foi toda composta pelo próprio Dimitrov, e inclusive os arranjos também são dele. Provavelmente ela foi gravada em búlgaro em 1970, porque em 1969, quando Dimitrov fazia sucesso na França cantando em francês, foi gravada a melodia com letra em francês de Patricia Carli, chamada À quel printemps viendras-tu, ma belle ? (Em que primavera você virá, minha bela?). O cantor David Alexandre Winter estourou com esse hit.

Emil Dimitrov seria o artista búlgaro mais vendido da história nacional, com 65 milhões de discos vendidos no mundo inteiro, 40 milhões deles apenas na antiga URSS e nos países comunistas europeus. Foi o primeiro cantor a introduzir na Bulgária temas folclóricos às canções populares. Passou vários anos na França, onde gravou várias músicas em francês, e cantou em búlgaro vários hits famosos, como Datemi un martello e Melody Lady, conhecido no Brasil em versão de Sidney Magal. Casou-se duas vezes, tendo inclusive se casado novamente em 2000 com a mesma mulher de quem tinha se separado em 1991, e seu único filho também se chama Emil Dimitrov (n. 1970). Sofreu um derrame em 1999, que interrompeu sua carreira após limitar sua fala e movimentos e de cujas consequências morreria em 2005. Sua última aparição pública, em cadeira de rodas, foi num grande show em sua homenagem, em 2002.

Não consegui achar a letra em búlgaro, mas o administrador do canal do áudio original felizmente fez um rascunho de tradução pro russo, a pedido de um internauta, e foi a partir dela que traduzi, comparando com o áudio. Eu mesmo também fiz a montagem e as legendas, e pra quem ficar curioso, o texto russo segue depois do vídeo, com pequenas edições minhas. Apenas um verso (entre colchetes) que estava faltando eu consegui tirar de ouvido do búlgaro, mas fiquei com preguiça de tentar transcrever a letra toda:



Adendo (9/10/2025): Ontem achei por acaso esta montagem com duas partes do que seria um clipe da canção Stella, mas inicialmente desconfiei que fosse falsa por aparente descompasso labial. Porém, seguindo um dos selos do programa de TV, verifiquei que parte vinha mesmo deste especial de 2021, cujo original, porém, tem um áudio diferente. No próprio vídeo oficial da canção, o administrador diz que foi difícil achar a gravação original, que tinha se tornado raridade. Seguem então a montagem e o trecho de áudio diferente, com Emil Dimitrov trajado ao estilo Chitãozinho & Xororó no início da década de 1990 e as dançarinas do Bolinha em trajes espetaculosos:



1. Stella, como eu te amo.
Stella, acredite, Stella.
Stella, não vou esconder.
Acredite, estou amando pela primeira vez.

Amo a vida, a primavera,
As pessoas, os pássaros, as flores.
E todo o amor do mundo
Eu vou lhe dar.

Refrão:
De você, quero que ame
Como estou amando agora.
Temos 20 anos de idade
E descobrimos o amor.

Quero cantar, quero gritar
Que a alegria poderá me encontrar.
Acredite, Stella, Stella, Stella,
Como acredito no amor.

2. Stella, me dê sua mão.
Stella, como é sagrado
Esse amor que desconhecemos.
Stella, que eu guarde esse amor.

E que não nos seja triste,
Que não haja solidão.
E que todos amem assim
Como estou amando.

(Refrão)

Lá, lá, lá...
Acredite, Stella, Stella, Stella,
Como acredito no amor.

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1. Стела, как я тебя люблю.
Стела, вери меня, Стела.
Стела, я не буду прятать.
Вери меня, впервьи раз я люблю.

Я люблю жизнь, весну,
Людей, птиц и цветы.
И я дам тебе всю
Эту любовь мира.

Припев:
Я хочу от тебя, чтобы ты любила,
Как я люблю сейчас.
Нам 20 лет
И мы нашли любовь.

Я хочу петь, я хочу кричать,
Что радость сможет найти меня.
Вери мне, Стела, Стела, Стела,
Как я верю в любви.

2. Стела, дай мне свою руку.
Стела, как свята
Эта любовь для нам незнакома.
[Verso que peguei de ouvido]

И пусть не будет в нас печаль,
И не будет одиночества.
И пусть все любят
Так, как я люблю.

(Припев)

Ла, ла, ла...
Вери мне, Стела, Стела, Стела,
Как я верю в любви.




domingo, 14 de novembro de 2021

Idosa búlgara engole cédula eleitoral


Link curto pra esta postagem : fishuk.cc/engole


Hoje, dia 14 de novembro de 2021, ocorreram eleições nacionais duplas na Bulgária, pequena nação eslava no sul da Europa: as presidenciais, na qual o atual presidente Rumen Radev concorre a seu terceiro mandato, e as parlamentares, estas pela terceira vez em sete meses. A dificuldade de formar um governo estável e a disparada dos casos de covid, diante da baixa cobertura vacinal, após uma reação inicial relativamente exemplar, estão gerando crise política no país.

Mas um cômico incidente localizado se destacou no meio dos procedimentos. Na Bulgária eles estão usando uma máquina de votar diferente da brasileira, pois ela imprime o voto, mas você deve depositar seu comprovante (que vale, portanto, como cédula) numa urna física, e ele pode ser auditado por meio de um QR code impresso junto. O voto também fica registrado na máquina, pois qualquer discrepância pode ser verificada quando o registro é comparado com as assinaturas da lista de presença em cada seção.

Porém, o que confundiu muitos, sobretudo idosos, é que raramente as eleições presidenciais e parlamentares coincidem (“2 em 1”), e muitos não sabiam que o comprovante único representava os dois votos, e não apenas um. Assim, concluíam seu voto sem ter votado ou no deputado, ou no presidente. No Brasil, como sabemos, temos num ano a eleição dos políticos estaduais e federais, e dois anos depois a dos políticos municipais. Tem gente que por vezes se confunde com a urna eletrônica, mas todos sabem que o combo já fica registrado lá.

Na capital nacional Sófia, uma dessas velhinhas reclamou que queria votar de novo, pois tinha se confundido. A regra não permite refazer seu voto, nem colocar mais de um comprovante na urna, mas só na cidade foram relatados pelo menos 100 casos de eleitores que conseguiram refazer após dar chilique na seção eleitoral. O inusitado é que em estado de confusão, a mulher saiu correndo pro andar de baixo da escola, e ao ser detida na porta por policiais, levou a cédula à boca, mastigou-a e engoliu-a.

Aparentemente não houve nenhuma punição, e nem mesmo as funcionárias tinham visto antes algo parecido. Como o voto dela foi considerado anulado, o escalão superior recomendou que passassem um corretivo por cima de sua assinatura na lista de presença e escrevessem “Изяде разписката” (iziade razpiskata), “comeu o comprovante”. A notícia passou no jornal do meio-dia na Televisão Nacional Búlgara (BNT).

Eu tirei o vídeo abaixo desta página, cujo texto também traduzi e pode ser visto depois. Além deste, traduzi o texto de outro jornal, que traz mais detalhes narrados pelas testemunhas, e desta matéria peguei uma parte, em que uma funcionária do serviço eleitoral comenta as complexidades enfrentadas no processo em si. Eu legendei o vídeo com base nas informações obtidas, pois não entendo 100% búlgaro, por isso me desculpem por quaisquer erros ou falhas!


[Devemos lembrar que as SIK, comissões secionais, são subordinadas a uma RIK, comissão distrital, esta literalmente no nível de um raion. Por falta de conhecimento, exceto pra simplificar em alguns trechos do vídeo, não me arrisquei a traduzi-las como “zonas” e “seções” eleitorais do Brasil.]

BNT News, Mulher come a cédula da máquina após ter votado:

Desafios para as comissões eleitorais secionais (SIK) nas 23.ª e 24.ª Comissões Eleitorais Distritais (RIK) em Sófia.

Uma mulher engoliu seu comprovante de votação após ter votado em máquina no 9.º Liceu Francês de Sófia.

Ela fez sua escolha e recebeu o comprovante, mas pediu para votar com um segundo papel, o que não é possível. Por causa disso, a eleitora se irritou, começou a correr levando o comprovante e, nesse movimento, mastigou-o e engoliu-o.

“Até o momento nunca tínhamos visto algo assim”, informou a comissão eleitoral.

Em muitos postos de votação da 23.ª RIK em Sófia foi dado mais de um comprovante de votação, após atritos com eleitores que perderiam a chance de votar para presidente e para o Parlamento.

Infoteka, Mulher come o comprovante da máquina após ter votado:

Uma mulher em Sófia comeu seu comprovante de votação após ele ter saído da urna eletrônica.

“Comeu o comprovante” foi a anotação escrita na lista de presença, abaixo de seu nome e no lugar da assinatura.

Assim será justificada sua ausência em seu documento de votação pela SIK.

O motivo é que a senhora de idade confundiu-se ao votar e solicitou um segundo comprovante de votação. Após ele ter-lhe sido recusado, a eleitora se irritou e começou a correr levando o comprovante.

“Comecei a gritar: ‘Senhora, devolva o comprovante. A senhora precisa assinar. A senhora precisa pegar sua identidade de volta. Depois não dá mais’. Policiais a detiveram ao sair pelo térreo, e ela, na frente de todos eles simplesmente pegou e engoliu o comprovante”, contou Regina Shalagin, membro da SIK.

“Telefonei para a RIK. Eles pediram para que eu escrevesse que ela tinha comido o comprovante e que todos os membros assinassem. E assim procedemos. A meu ver, ela não votou. Ao contarmos os votos, vamos receber um número menor de cédulas, mas na RIK vamos nos justificar assim, pois esse é um caso único. Há 25 anos eu presido a SIK, é algo inacreditável”, acrescentou Snezhina Koleva, da comissão.

BNT News, Eleição 2 em 1 com máquinas confundiu parte do eleitorado (trecho):

“Essa é uma categórica violação das regras. Há diversos casos desse tipo. O que acontece? A única coisa que esperamos é que os cidadãos tenham votado em duas eleições diferentes. Mas caso alguém tenha agido de má-fé, a SIK irá comparar quantas assinaturas existem nas listas de eleitores e quantos votos confirmados pela máquina foram dados. Qual desses dados vai prevalecer? Muito difícil dizer na prática”, disse Nadia Angelova, membro da 23.ª RIK.

sábado, 6 de fevereiro de 2021

E. Dimitrov: “Meu país, minha Bulgária”

Novamente estou ampliando o repertório de países eslavos, trazendo um cantor búlgaro considerado um dos maiores de seu país, que fez grande sucesso nas décadas de 1960 a 1980. Emil Dimitrov nasceu em 1940 na cidade de Pleven e faleceu em 2005 na capital Sófia. Esta canção, considerada seu maior hit e uma espécie de hino nacional não oficial da Bulgária, se chama “Моя страна, моя България” (Moia straná, moia Balgaria), Meu país, minha Bulgária, lançada em 1970 no álbum Canta Emil Dimitrov. A melodia é do próprio Dimitrov, a letra é de Vasil Andreev, e os arranjos e regência são de Mitko Shterev. A música também é conhecida como “A canção búlgara do século 20”.

Moia straná... foi lançada inicialmente em francês, na França, onde se tornou um hit sob o nome Monica, mas com uma letra toda diferente. Esse texto foi escrito pela cantora e letrista francesa Manou Roblin (n. 1944), segundo o verbete a ela dedicado na Wikipédia em francês. A versão búlgara chegou inicialmente a fazer sucesso, mas logo a censura do então regime comunista a proibiu, alegando ter “influência burguesa e referências à emigração”. Dimitrov contaria mais tarde que essa referência teria sido mal interpretada na frase “Eu vou voltar”, enquanto num concurso nacional chegou a haver até uma mudança de regras pra que Moia straná... não ganhasse. Contudo, findo o comunismo, a canção retomaria a notoriedade e receberia várias outras gravações, de Dimitrov e vários outros cantores.

Emil Dimitrov seria o artista búlgaro mais vendido da história nacional, com 65 milhões de discos vendidos no mundo inteiro, 40 milhões deles apenas na antiga URSS e nos países comunistas europeus. Foi o primeiro cantor a introduzir na Bulgária temas folclóricos às canções populares. Passou vários anos na França, onde gravou várias músicas em francês, e cantou em búlgaro vários hits mundiais famosos, como Datemi un martello e Melody Lady, conhecido no Brasil em versão de Sidney Magal. Casou-se duas vezes, tendo inclusive se casado novamente em 2000 com a mesma mulher de quem tinha se separado em 1991, e seu único filho também se chama Emil Dimitrov (n. 1970). Sofreu um derrame em 1999, que interrompeu sua carreira após limitar sua fala e movimentos e de cujas consequências morreria em 2005. Sua última aparição pública, em cadeira de rodas, foi num grande show em sua homenagem, em 2002.

Eu mesmo fiz a tradução pro português, embora usando quase sempre as versões em russo, inglês e (apenas parte 1 e refrão) francês da Wikipédia, mas cotejando com o original búlgaro quando necessário. No primeiro vídeo, que tem legendas bilíngues, este áudio foi o melhor que achei, embora também haja um rico canal todo dedicado a Emil Dimitrov. Notas sobre a transliteração do cirílico: 1) Eu uso meu próprio sistema que abrange cinco idiomas diferentes; 2) Transliterei a vogal gutural “Ъ” como “a”, mas em sílabas tônicas “â” com circunflexo, pra aumentar a clareza; 3) Usei o acento agudo apenas nas vogais tônicas em fim de palavra, pra facilitar a pronúncia e o entendimento dos interessados. Dessa forma, temos algumas palavras femininas terminadas em consoante, com acento no artigo definido posposto, como liubov/liubovtá (amor/o amor), prast/prasttá (terra/a terra) e pesen/pesentá (canção/a canção).

No segundo vídeo, uma rara apresentação ao vivo de Emil Dimitrov em 1970. No terceiro vídeo, temos o cantor russo Iosif Kobzon, conhecido como “Frank Sinatra Soviético”, e o artista búlgaro Filip Kirkorov. O belo show foi transmitido pelo canal Rossia 1 em 14 de setembro de 2012, celebrando o aniversário de 75 anos de Kobzon.




1. Колко нощи аз не спах,
Колко друми извървях –
Да се върна.
Колко песни аз изпях,
Колко мъка изживях –
Да се върна.
В мойта хубава страна
Майка, татко и жена
Да прегърна.
Там под родното небе
Чака моето дете
Да се върна.

1. Kolko noshti az ne spakh,
Kolko drumi izvarviakh –
Da se vârna.
Kolko pesni az izpiakh,
Kolko mâka izzhiviakh –
Da se vârna.
V moita khubava straná
Maika, tatko i zhená
Da pregârna.
Tam pod rodnoto nebé
Chaka moeto deté
Da se vârna.

Припев:
Моя страна, моя България,
Моя любов, моя България.
Моя тъга, моя България,
При теб ме връща вечно любовта.

Pripev:
Moia straná, moia Balgaria,
Moia liubov, moia Balgaria.
Moia tagá, moia Balgaria,
Pri teb me vrâshta vechno liubovtá.

2. Даже нейде по света,
Неизвестен да умра,
Ще се върна.
В мойта хубава страна
И тревата, и пръстта
Да прегърна.
Нека стана стръкче цвят,
Нека вятъра познат
Ме прегърне.
Нека родните поля
Да ме срещнат с песента,
Щом се върна.

2. Dazhe neide po svetá,
Neizvesten da umrá,
Shte se vârna.
V moita khubava straná
I trevata, i prasttá
Da pregârna.
Neka stana strâkche tsviat,
Neka viatara poznat
Me pregârne.
Neka rodnite poliá
Da me sreshtnat s pesentá,
Shtom se vârna.

(Pripev)

Моя страна, моя България,
Моя прекрасна страна,
Ще се върна.

Moia straná, moia Balgaria,
Moia prekrasna straná,
Shte se vârna.

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1. Quantas noites não dormi,
Quantos caminhos percorri:
Tenho que voltar.
Quantas canções eu cantei,
Quantos tormentos eu passei:
Tenho que voltar.
No meu belo país,
Mãe, pai e esposa
Tenho que abraçar.
Lá, sob o céu natal,
Minha criança espera
Pela hora de eu voltar.

Refrão:
Meu país, minha Bulgária,
Meu amor, minha Bulgária,
Minha tristeza, minha Bulgária,
O amor sempre me traz de volta a você.

2. Mesmo se morrer desconhecido
Em qualquer lugar do mundo,
Eu vou voltar.
Em meu belo país,
A grama e a terra
Tenho que abraçar.
Que eu vire um talinho de flor,
Que o vento tão familiar
Me abrace.
Que os campos natais
Me recebam com uma canção
Assim que eu voltar.

(Refrão)

Meu país, minha Bulgária,
Meu país maravilhoso,
Eu vou voltar.


Kobzon diz no começo: “Конечно, я ещё не могу не вспомнить мою любимую страну, Болгарию, куда я впервые выехал из Москвы, впервые побывал за границей, и побывал в семье родных людей. И, конечно, очень рад, что у нас появился свой болгарин, Филипп Киркоров.” (Claro que não posso me esquecer de meu país preferido, a Bulgária, minha primeira estadia no exterior saindo de Moscou, junto a uma família de pessoas queridas. E, claro, estou muito feliz que apareceu entre nós um búlgaro amigável, Filip Kirkorov.)

Kirkorov diz no final: “Никакого болгарского слова, чтобы выразить благодарность, восхищение за то, что Вы сделали для всей музыки нашей страны, и взрастили мой вкус, и сегодня сделали так, что я имею честь и право выступать на Вашем юбилее. Спасибо Вам большое. С днём рождения!” (Não há palavra em búlgaro que expresse minha gratidão e admiração pelo que você fez por toda a música de nosso país, por ter educado meu gosto, e agora ter me dado a honra e o direito de cantar em seu jubileu. Muito obrigado. Feliz aniversário!) Kobzon: “Спасибо, Филипп Киркоров!” (Obrigado, Filip Kirkorov!)


domingo, 11 de março de 2018

“Мила Родино” (Bulgária comunista)


Endereço curto: fishuk.cc/milarodino


Esta é a versão do hino da Bulgária, chamado “Mила Родино” (Mila Rodino), Ó, querida Pátria, como foi adotado em 1964, quando o país ainda era uma república comunista. É baseado na canção “Горда Стара планина” (Gorda Stara planina), Os altivos montes Bálcãs, composta por Tsvetan Radoslavov em 1885, a caminho do campo de batalha na Guerra Servo-Búlgara ocorrida em novembro daquele ano. Essa música sofreu diversas alterações pra servir de hino nacional.

Antes de 1964, a Bulgária mudou várias vezes de hino, mesmo após 1945, até que Mila Rodino foi adotada com algumas modificações na letra, já antes constantemente mudada. Uma das alterações mais notáveis foi o acréscimo de uma terceira estrofe mencionando Moscou e o partido comunista. De fato, os búlgaros eram o povo mais atrelado à URSS, e as ligações entre o país e os russos são históricas, a começar pela língua, já que o eslavo eclesiástico, muito próximo do búlgaro antigo, foi a forma escrita que forjou o russo moderno. A última modificação no hino foi em 1990, após o fim do comunismo, quando só foram mantidas a primeira estrofe e o refrão.

Nesta página pode ser vista a versão comunista, mais longa, com legendas búlgaras, de onde eu baixei o áudio. Como diversos outros hinos nacionais de países eslavos, Mila Rodino tem uma letra bem simples e faz muitas referências à geografia local. É notável que o hino chama a Bulgária de zemen rai, ou seja, “paraíso na Terra”. Reparem que num momento o hino tcheco também fala em zemski raj, que é exatamente a mesma coisa! Nesta página também existe uma bela versão vocal, apenas com o refrão, a primeira e a segunda estrofes.

Eu mesmo traduzi a letra e montei o vídeo com uma legenda bilíngue (búlgaro e português), transliterando o alfabeto cirílico, pra conforto de vocês, conforme meu próprio sistema. Ouçam o hino duas vezes, primeiro lendo a letra em búlgaro, e depois em português! Pra traduzir as duas estrofes que faltavam, eu me baseei essencialmente nas traduções da Wikipédia em francês, italiano, russo, belarusso e alemão, só recorrendo ao dicionário búlgaro em caso de dúvida. Seguem abaixo as legendas, a letra em cirílico e a tradução em português:


1. Горда Стара планина,
до ней Дунава синей,
слънце Тракия огрява,
над Пирина пламеней.

Припев (2x):
О мила, мила Родино,
ти си земен рай,
твойта хубост, твойта прелест,
ах, те нямат край.

2. Паднаха борци безчет
за народа наш любим,
Майко, дай ни мъжка сила
пътя им да продължим.

(Припев 2x)

3. Дружно братя българи,
с нас Москва е в мир и бой,
партия велика води,
нашият победен строй.

(Припев 2x)

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1. Os altivos montes Bálcãs,
junto ao Danúbio azul,
o Sol ilumina a Trácia,
flameja nos montes Pirin.

Refrão (2x):
Ó, querida, querida Pátria,
você é o paraíso na Terra,
a sua beleza e o seu encanto,
ah, eles não têm limites.

2. Inúmeros lutadores caíram
Por nosso amado povo,
Mãe, dê-nos força viril para
Continuarmos o rumo deles.

(Refrão 2x)

3. Irmãos búlgaros, nossa amiga
É Moscou, na paz ou guerra,
O grande partido conduz
O nosso regime vitorioso.

(Refrão 2x)