quinta-feira, 18 de julho de 2024

“Filósofo” Dugin enlouqueceu de vez


Link curto pra esta publicação: fishuk.cc/dugin-crooks

Se havia alguma dúvida de que esse “Raspútin de Carvalho” é um doente mental, agora não devia mais haver. Esta publicação em sua cloaca no Telegram apareceu logo depois da tentativa de assassinato de Trump, e o nível de desvario é tal que este senhor, que tem bajuladores até no Brasil, devia ser mantido fora dos padrões de civilidade intelectual. Chamar esse panfleteiro de “anti-imperialista”, “alternativo” ou “soberanista” ignora qualquer racionalidade, mesmo ele curiosamente querendo ser mais rápido e eficaz do que as investigações do FBI...

Seguem abaixo um print da publicação em seu canal no Telegram e a tradução que fiz primeiro pelo Google, com estranhezas óbvias corrigidas, pra divulgação imediata, e depois corrigi e fixei em definitivo, acrescentando notas explicativas entre colchetes. O destaque em negrito também é meu, e os termos estrangeiros estão em itálico:


Estou convencido de que quem tentou matar Trump foram exatamente as mesmas pessoas e forças que estão atentando contra nós, povo russo, soldados russos, crianças russas e mulheres russas. É um único continuum terrorista globalista e liberal-esquerdista. E se esse desgraçado atacar alguém, as vítimas estão do lado certo. Alguém na internet notou imediatamente a estranha semelhança fisionômica e estilística entre Crooks e a terrorista [Daria] Trepova [que entregou um busto explosivo a um blogueiro pró-guerra num bar]. Quem atacou Fico, quem atacou Trump, quem nos atacou, é uma só pessoa, uma só rede, é um único nó em que o nazismo ucraniano está inextricavelmente ligado ao liberalismo e ao marxismo cultural (a comunidade LGBT, [Klaus] Schwab [fundador e presidente do Fórum Econômico Mundial em Davos], [Mark] Zuckerberg [fundador do Facebook], [Yuval] Harari [historiador israelense], [Raymond] Kurzweil [cientista e escritor americano] e com o Deep State [em inglês no original: Estado Profundo] americano. Não é por acaso que as redes sociais de Crooks estão cheias de propaganda pró-Ucrânia. É uma frente unida de assassinos mundiais. E se esse desgraçado atacou Trump, quer dizer que ele [Trump] está do lado certo. E qualquer um que tente relativizar isto, consciente ou inconscientemente está fazendo o jogo dos assassinos democratas. Em qualquer país, não somos indiferentes a quem está certo e quem é o inimigo. Não deveríamos ser indiferentes. Conhecemos Biden pelos feitos, crimes e rios de sangue, e somente um russo com a consciência atrofiada ou sem raciocínio pode não desejar a esse velho besta uma morte rápida e/ou um fracasso vergonhoso nas eleições. Mas Trump, pelo contrário, desperta apenas simpatia. Como é brilhante sua persistência. A um milímetro da morte.


E apesar dos horrores políticos e geopolíticos, aquele apoio e torcida dos amigos e conhecidos, mesmo do mundo virtual, sempre dá um tempero especial pra vida, rs. “A gente se sente tão querido!”


terça-feira, 16 de julho de 2024

A política mundial tá toda KHda


Link curto pra esta publicação: fishuk.cc/mix-politica13


A Festa Nacional de 14 de Julho na França (tomada da Bastilha) talvez tenha sido este ano uma das mais sem-graça dos últimos tempos. A Olim-Piada em Paris impôs várias restrições, como o uso de outra avenida no lugar da Champs-Élysées, a redução dos efetivos na parada, a limitação do público e a ausência de um convidado especial internacional, chefe de Estado ou de governo que está sempre ao lado do presidente da República e tem o direito de ver um pedaço de suas tropas desfilando com as locais. Algo que tem particularmente me irritado é que nos últimos anos, Macron também tem tirado do roteiro a bela execução coral do Chant des partisans, hino da resistência à ocupação alemã. É verdade, claro, que ele continua sendo cantado em solenidades pontuais, como os recentes jubileus dos eventos da 2.ª Guerra Mundial e a introdução de personalidades finadas no Panteão nacional.

O contexto não deixa de ser ruim, pois se a dissolução da Assembleia Nacional (câmara baixa do Parlamento) já tinha deixado o povão apavorado com a possibilidade de uma vitória da extrema-direita, o resultado que botou esta em terceiro, o campo macronista em segundo e a Nova Frente Popular de esquerda em primeiro, mas longe da maioria absoluta, não resolveu as coisas. O “macronismo”, como disseram alguns, já acabou, pois aquele “centro” que compunha a “maioria presidencial” já se voltou contra o presidente, está dividindo entre alas que aceitam alianças com a esquerda moderada e alas que não as aceitam, e não chega a um consenso pra saber quem vai ser o líder da própria bancada! Já a NFP, que foi feita no corre, como eu já disse aqui, com elementos que não se dão, está a ponto de ruir (outra bola que cantei), mas ainda se arroga a exclusividade de escolher o primeiro-ministro. Você acha que eles já chegaram a um nome consensual?...

Se o Plano Procu pra enrabar a França pode estar sendo executado em etapas, igual ao Plano Real que completou 30 anos, outro objetivo pode estar sendo alcançado: a RN já se tornou, tomado como partido isolado, a maior bancada da Assembleia (a LFI em torno da qual gravita a NFP tem bem menos), e isso deixa Doña La Peña ainda mais emphoderada pra querer suceder Macron. Seu boneco tiktoker que queria alugar Matignon pode ter se desculpado pelos “erros” na campanha (na verdade, um bando de maluco que não conseguiu esconder o fascismo ou nazismo enrustido), mas em vista dos resultados, sem contar seu wishful thinking, até que não se pode criticar totalmente... Em todo caso, outra fase acaba de ser concluída no último domingo: nos rastros de um Napoleão fake carregando a tocha, encher o país de vosta de cabalo, rs:





Axel de Tarlé, um dos apresentadores do programa diário C dans l’air, foi vítima de uma infeliz coincidência entre uma tomada de seu rosto que pude fazer e o resumo da campanha presidencial de Biden antes mesmo da tentativa de assassinato contra Trump. Só que essa pequena frase também podia servir muito bem pra França, rs:


Aliás, falando no atentado contra Trump: que tomadas maldosas apresentou então o plantão noticiário da Dona Jacira, hein? Até a boleta voando...




E quando pensávamos que o tal Monark tinha sumido de vez da consciência coletiva dos viciados em Équis... Eis que uma correspondente da Globo mostra este print que ela fez dos assuntos mais comentados do momento, aparentemente seguindo o Brasil como localização. Incrível como até nesse momento, e até no canal mais visto do país, o nome dessa “não personalidade” consegue brotar do nada, por alguma titica que ele falou ou naquela hora, ou no passado!


E pra terminar com leveza, sem qualquer menção ao caso da Dani Tempestade que quase tirou a Galinha Ruiva do páreo, uma piadinha leve enviada por um amigo, rs (a imagem não é de uma conversa nossa):


sábado, 13 de julho de 2024

Biden e o presidente ucraniano Putin


Link curto pra esta publicação: fishuk.cc/biden-otan


No alto de seus 75 anos e mais testada do que nunca pela agressão de Putin à Ucrânia, a idosa OTAN tá parecendo aqueles modões de viola com humor de tiozão: “é véia, mais funciona”, “enverga, mais num quebra”... Que diga a premiê romana Janja Melão, cujas fotos fazendo caretas enquanto se encontrava com outros líderes nos EUA viralizaram nas redes sociais e nos jornais. Essa cara de entojo coincidiu com uma pequena distância física de Viktor Orbán, teoricamente seu parceiro húngaro de ideias, mas nada como a “virada de zóio” que pode ser facilmente encontrada no Google. Se Biden parece claudicar por causa da idade, a Sorella d’Italia pode ter sofrido na hora errada efeitos colaterais de remédios, rs.

Contudo, o maior “sucesso” que eu não podia deixar de eternizar aqui, mesmo com as muitas versões que circularam na internet, foram as duas gafes de Biden que quase o tiraram de vez da corrida pela White House, mas que por sua gigantesca dimensão, vão entrar pra sempre pro anedotário geopolítico. Durante o encerramento da cúpula da organização, em Washington, o presidente ucraniano Zelensky não podia deixar de comparecer, como em qualquer evento internacional em que ele se presta à celebridade pop. Porém, na presença dos outros governantes, Biden encerrou seu discurso convidando a tomar a palavra “o presidente Putin”, embora o ex-comediante não parecesse demonstrar irritação. Com direito até à gargalhada alta de um presente que parecia Ciro Gomes quando Soraya Thronicke chamou Kelmon Souza de “candidato padre” no debate da TV Globo, o gerontocrata logo tentou emendar, dizendo que “eles estavam combatendo Putin, a maior preocupação deles”.

Não transcrevi o diálogo, mas sua sequência cômica pode ser vista abaixo com as legendas do Jornal Nacional. Obviamente, Volodymyr não podia se irritar, sob o risco de perder a ajuda bilionária prometida pelos membros do tratado, mas seu maior sentimento era de medo, pois se Biden perder a reeleição ou deixar a disputa, um governo Trump 2 pode cortar toda a ajuda militar e se entender com o Kremlin, embora o humor do magnata falido seja imprevisível. Igualmente, os outros líderes presentes não ousaram falar da saúde do anfitrião, pois também temem a volta daquele que ameaçou escangalhar a estrutura de segurança da Europa (hoje terceirizada pros EUA, bem entendido). Mas se o plano era mostrar que o democrata tinha condições de concorrer, o plano foi por água abaixo: após chamar Stalin de Hitler Zelensky de Putin, Biden chamou Kamala Harris de “vice-presidente Trump” durante sua coletiva de imprensa que fechou os trabalhos. Esse ele não teve tempo, nem se deu ao trabalho, de corrigir...

Se até um Lula-Alckmin elegemos em 2022, impensável em 2006, talvez ainda tenhamos a esperança de uma dobradinha que enfim vai reconciliar os EUA, rs. Sem mais delongas, seguem os trechos com pequenas edições, tirados do Telegraph, da CNN americana e do Jornal Nacional, além da gafe sobre a vice no Jornal Hoje:









terça-feira, 9 de julho de 2024

Mélenchon, líder da esquerda britânica


Link curto pra esta publicação: fishuk.cc/franca2024


Este meme interessante, que faz uma paródia com o quadro A Liberdade guiando o povo, geralmente confundido com a revolução de 1789, mas na verdade retratando uma em 1830, se refere à tomada de posição de muitos astros da música e do esporte a respeito das eleições extraordinárias francesas do último domingo, algo não muito comum nos pleitos. A maioria pura e simplesmente pediu pro povo não votar na extrema-direita, outros só pediram pra “irem votar”, enquanto o futebolista Mbappé pediu pra “não votarem nos extremos”. O campeão, porém, acabou comemorando nas redes a derrota da Reunião Nacional dos Le Pen, cujo bloco ficou em terceiro lugar, e “sua máscara caiu”. Daí o aparecimento daquela montagem em várias contas do Équis, mas na verdade já ouvi falar de uma canção de um grupo pop francês com o mesmo título há alguns anos, mesmo antes do bicampeonato da seleção.

Após a “vitória” do grande bloco de esquerda, a lacração idiota começou a cantar vitória muito cedo na Banânia. Embora a Nova Frente Popular (em referência à Frente Popular antifascista que ocupou brevemente o poder em 1936 e 1938) tenha obtido a maioria relativa dos votos, a RN ampliou consideravelmente sua presença na Assembleia Nacional e conseguiu mesmo passar A França Insubmissa de Jean-Luc Mélenchon, se esta for tomada isolada e fora da NFP. Além disso, todos os outros três componentes da frente (socialistas, comunistas e verdes) têm alguma birra com a LFI, portanto, meu receio é que em breve essa união emergencial se esfacele e que eles não consigam indicar um nome consensual pra ser o novo primeiro-ministro de Emmanuel Macron.

Nos últimos anos, Melocoton conseguiu superar os índices de rejeição da La Peña, de tão autoritário, grosseiro e polêmico (flertes com Putin e com o Hamas e arroubos antissemitas) que se revelou após chegar em terceiro nas eleições presidenciais de 2022. Mesmo os outros partidos de esquerda têm medo de o indicar pra liderança do governo, e as demais legendas (do centro que parece direita à extrema-direita que na verdade é fascista) sequer querem conversa com ele. Isso abriu a crise política na França, à véspera das Olim-Piadas, diante da previsível dificuldade de formar um novo governo, que inclusive impeliu Macron a manter Gabriel Attal por um tempo no Palácio de Matignon.


No Jornal Hoje de 8 de julho, também nos primeiros dias do novo governo trabalhista de Keir Starmer no Reino Unido (após 14 anos de domínio conservador), o correspondente Rodrigo Carvalho deve estar com os miolos tão abarrotados de informações sobre a política europeia que sem querer chamou Melocoton de líder de uma das principais forças da esquerda britânica, a chamada França Insubmissa (na verdade, muito mais pra um Jeremy Corbyn...). Primeiro, ela não é “chamada”, mas esse é o nome do partido e ponto. E segundo, uma França Insubmissa dentro do Reino Unido seria uma inusitada pegadinha de Joana d’Arc a partir do além, rs. Se a véia da Casa do Pão de Queijo tem arroubos de ditador, acho que ainda tá cedo pra ele tentar atravessar a Mancha na pele de Napoleão:


Poema de banheiro (ou a adaptação de um modelo famoso) sobre o “suspiro retido” nas eleições francesas:


Se a vitória da esquerda tivesse se dado no Brasil (em resumo, uma presidência ou uma utópica maioria parlamentar do PT), com certeza os bozos teriam dito que este meme, viralizado nos últimos dias, estaria fazendo parte do programa dos primeiros anos de alfabetização do MEC, inspirado nos ensinamentos de Paulo Freire (que era católico!), igual à mamadeira de pinto atribuída a Haddad em 2022:


sábado, 6 de julho de 2024

Pezeshkiyа̄n será presidente do Irã


Link curto pra esta publicação: fishuk.cc/peze


Ontem, sexta-feira, terminaram as “eleições presidenciais” no Irã, ditadura teocrática onde quem tem a verdadeira última palavra é o “guia supremo”, o aiatolá Ali Khamenei, um idoso particularmente sádico e recalcado à frente do grande país há sôfregos 35 anos. Após o assassinato por um agente do Mossad, Eli Kopter, do presidente Ebrа̄him Raisi, que não passava de uma versão piorada de Khamenei e se preparava exatamente pra o suceder como “guia supremo”, foram convocadas novas eleições pra presidência, que dada a natureza do regime, não passaram de uma encenação. A começar pelo fato de que vários candidatos, sem motivo aparente, sempre têm sua participação interditada por uma comissão estrita de outros velhos igualmente sádicos e recalcados.

Como eu disse na publicação anterior, ocorreu um raro segundo turno entre um candidato considerado “ultraconservador” (que bateu outros quatro que eram ainda piores do que ele) e outro considerado “progressista”, seja lá o que isso queira dizer num meio totalitário. E como também brinquei aqui, foi praticamente uma turnê da nova dupla sertaneja Moderado & Linha Dura, rs. Como era de se esperar numa votação farsesca, compareceram apenas 40% da população apta a votar no primeiro turno, e pouco menos da metade no segundo turno. Mas surpreendentemente, segundo os resultados anunciados hoje, o “Moderado” ganhou e vai fazer carreira solo: seu nome é Mas’ud Pezeshkiyа̄n (transliteração que prefiro, no lugar da mais comum Masoud Pezeshkian), cirurgião sem experiência política que já foi ministro da Saúde no começo do século e, ao menos de boca, prega uma reaproximação com os EUA e um relaxamento da repressão às mulheres sem véu ou com véu mal colocado.

Outros dados são ainda mais curiosos: sua esposa, ginecologista, morreu num acidente de carro e ele criou sozinho seus quatro filhos, não tendo se casado de novo. Seus pais são de origem azerbaijana, “minoria-maioria” que vive na fronteira do Azerbaijão propriamente dito, algo tanto mais notável quanto Raisi e outros dignatários morreram exatamente enquanto voltavam daquele país, após encontro com o ditador Ilham Aliyev. Quer mais? Além do persa, ele também é fluente em azerbaijano e curdo (talvez nas duas maiores variantes, kurmanji e sorani?), lembrando que Jîna Emînî, inspiração da grande revolta em 2022-23, era exatamente curda e residente na região do Curdistão iraniano. Dou um prêmio pra quem se oferecer a ensinar um pouco de inglês pro “Vovô Pezê”, mas em todo caso, também tive outra ideia de montagem pra essa ocasião diferente, rs:



Aproveitando a ocasião, embora o Irã não seja um país de língua e cultura árabes, seguem alguns resultados de meu estudo de árabe, conforme o volume 4 do manual Gateway to Arabic, do querido professor Imran Hamza Alawiye. São dois pequenos diálogos em inglês apresentados pra versão, seguidos das respectivas versões em árabe que eu mesmo fiz e das versões vocalizadas (sinais que não são usados o tempo todo, os harakaat, em vermelho). Apenas no segundo texto não vocalizado, infelizmente esqueci de pôr o ponto sobre uma consoante enfática “daad”, que sem ele é pronunciada como a outra enfática “saad”. Não repeti os nomes das personagens:












terça-feira, 2 de julho de 2024

Eleições 2029, “dois mil vinte e quê”...


Link curto pra esta publicação: fishuk.cc/yadali


Estão dizendo que 2024 está sendo o ano com mais eleições de nível nacional, incluindo presidenciais, ocorrendo simultaneamente em vários países: presidenciais na Rússia, nos EUA, na Venezuela, no México, no Egito, no Irã, na Mauritânia, parlamentares na Índia, na União Europeia, no Reino Unido, na França, na Coreia do Sul, na Geórgia... mesmo que ocorram em contextos praticamente autoritários, com pouco peso das urnas sobre ou contra o poder central! Sem contar, claro, países onde possa estar havendo eleições municipais ou locais, como é o caso do Brasil em outubro próximo.

Devido ao acidente de helicóptero, perfeitamente evitável, que livrou a humanidade do presidente iraniano Ebrahim Raisi (na verdade, um boneco do aiatolá Khamenei) em maio, o Irã teve de convocar eleições suplementares marcadas pra última sexta-feira. Caso raro, a farsa foi pro segundo turno, e na frente está um médico e ex-ministro da Saúde, candidato considerado “moderado” por defender alguns retoques na diplomacia, na economia e no tratamento das mulheres, embora tenha defendido a repressão sangrenta aos protestos de 2022 após o assassinato da jovem curda Jîna Emînî pela polícia da “moralidade”. Os outros três aceitos na disputa são considerados pela mídia ocidental “ultraconservadores”, ou seja, é de fanático, misógino e carniceiro pra baixo, e foi um deles que passou em segundo.

Os analistas também chamam os ultraconservadores de “linha-dura”, de forma que se um candidato é moderado e o outro é linha-dura, temos formada talvez a primeira dupla sertaneja de origem iraniana: Moderado & Linha Dura, rs!

Mas o principal astro desta publicação é o simpático âncora do jornal em francês das 22h na principal TV da Mauritânia, país de maioria árabe na África Ocidental, mas com outras etnias, como os negros uolofes. Yadali Hacen apresentou a edição de 29 de junho de 2024, quando ocorreu a eleição presidencial no país de história marcada por vários golpes militares, muitos anos de ditadura (como a do primeiro presidente pós-independência, que reinou de 1961 a 1978) e apenas uma transição pacífica de poder. O atual presidente, que buscava um segundo mandato, foi justamente o participante dessa primeira transição pacífica e, se confirmados os números de domingo à noite (quando estou editando este texto), está reeleito no primeiro turno. No primeiro trecho, o velhinho tenta dizer “2024” em francês (deux-mille-vingt-quatre), mas erra duas vezes: primeiro, chama o corrente ano de “2029”, e depois, até tenta falar o “quatro”, mas acaba saindo “quoi”, que em francês significa “quê”.

No segundo trecho, ele está prestes a repetir as principais manchetes do dia, mas seu celular toca de repente e ele precisa parar a chamada urgentemente, ao que acaba entrando a vinheta com as cenas externas, depois narradas por Hacen. É um encerramento incômodo pro que ele mesmo chamou de “jornada muito eleitoral”! Muito estranho alguém trazer um telefone pra bancada de um telejornal, e ainda por cima não ligar o modo silencioso, mas curiosamente esse celular parece nem ser um smartphone, por causa do formato, do toque e do jeito que ele o pega pra apertar o botão de desativação. Ou o país é pobre, ou o âncora é minimalista, ou ele simplesmente é um “vovozão antitecnologia”, rs:


Et bienvenue à votre [journal des] 22 heures de ce samedi, 29 juin 2029 [deux-mille-vingt-neuf], une journée électorale par excellence. Et pour cause, puisqu’aujourd’hui c’était l’élection présidentielle, donc, deux-mille-vingt-quoi. Ils étaient plus d’un million neuf-cents [mille] électrices et électeurs…

E bem-vindos a seu [jornal das] 22 horas deste sábado, 29 de junho de 2029, uma jornada eleitoral por excelência. Não é por menos, pois hoje foi a eleição presidencial, então, de dois mil e vinte e quê. Foram mais de um milhão e novecentas [mil] eleitoras e eleitores…


Donc, ce journal est à présent terminé, merci à vous… [Le portable sonne] Merci à vous, mesdames, mesdemoiselles et messieurs de l’avoir suivi…

Então, este jornal está agora terminando... [Toca o telefone] Obrigado a vocês, senhoras, senhoritas e senhores, por o terem assistido…


E pra terminar, este meu comentário sobre a foto do discurso que Gabriel Attal, primeiro-ministro da França, fez logo após o primeiro turno das eleições legislativas, somente pra dizer que “temos de barrar a extrema-direita”. Cê é burro, moleque, esse negócio de “o outro não”, ainda mais quando teu presidente tá totalmente desacreditado, é um sinal reverso pro povo votar exatamente “no outro”!