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domingo, 26 de abril de 2015

Em memória de Iakov Sverdlov


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Discurso de Vladimir Ilich Ulianov (Lenin) gravado em disco no final de março de 1919, traduzido diretamente do russo e legendado. Acompanham breve introdução, informações técnicas e a versão em russo. Clique aqui para consultar o índice completo dos 14 discursos, sob a tag “Discursos de Lenin”.

Iakov Mikhailovich Sverdlov (1885-1919) foi um proeminente ativista bolchevique, próximo de Lenin, o qual tinha por ele muita admiração. De família judia, entrou para o Partido Operário Social-Democrata da Rússia em 1902, aliou-se à fração bolchevique, participou da Revolução Russa de 1905 e foi preso em 1906, tendo permanecido na cadeia ou no exílio a maior parte do tempo até 1917. Com papel destacado na Revolução de Outubro, presidiu o Secretariado do Partido Comunista da Rússia (bolchevique) e o Comitê Executivo Central do Congresso dos Sovietes Pan-Russo até sua morte prematura, cuja causa ainda é polêmica (oficialmente, teria sido gripe espanhola).

Considerado um ótimo organizador, enérgico, honesto e prático, Sverdlov esteve envolvido na execução dos membros da família imperial russa, a 16 de julho de 1918, em Iekaterinburg, mas com o papel disputado por vários especialistas, ora como o mandante, ora como o transmissor de ordens de Lenin.


Título completo: Em memória do camarada Iakov Mikhailovich Sverdlov, Presidente do Comitê Executivo Central Pan-Russo
Título em russo: Памяти Председателя Всероссийского Центрального Исполнительного Комитета, товарища Якова Михайловича Свердлова [Pamiati Predsedatelia Vserossiiskogo Tsentralnogo Ispolnitelnogo Komiteta, tovarischa Iakova Mikhailovicha Sverdlova]
Fonte: Obras completas (em russo), 5. ed., tomo 38, Moscou, Politizdat, 1969, p. 229
Em outras línguas: inglês


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Quem trabalhava dia a dia com o camarada Sverdlov sabe muito bem que seu excepcional talento como organizador nos garantia algo de que tínhamos o pleno direito de nos orgulharmos: a possibilidade de um trabalho harmonioso, racional e organizado, à altura das massas proletárias organizadas, sem o qual não teríamos obtido êxito e que respondia inteiramente às necessidades da revolução proletária. A memória do camarada Iakov Mikhailovich Sverdlov não será apenas um símbolo do revolucionário devotado a sua causa ou um modelo de combinação entre sensatez e competência práticas, total ligação com as massas e habilidade em dirigi-las, mas será também um aval de que as massas cada vez mais amplas do proletariado avançarão sem cessar rumo à vitória completa da revolução comunista.

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Кто работал изо дня в день с товарищем Свердловым, тем особенно ясно, что его исключительный организаторский талант обеспечивал нам то, чем мы гордились с полным правом. Он обеспечивал возможность дружной, целесообразной организованной работы, которая была бы достойна организованных пролетарских масс, той работы, без которой не могло бы быть успеха и которая всецело отвечала потребностям пролетарской революции. Память о товарище Якове Михайловиче Свердлове будет служить не только символом преданности революционера своему делу, не только образцом сочетания практической трезвости и практической умелости, полной связи с массами, с уменьем их направлять, но будет служить и залогом того, что все более и более широкие массы пролетариата пойдут все вперед и вперед к полной победе коммунистической революции.

Discursos de Lenin gravados (1919-21)


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Coleção concluída em 26 de julho de 2015


No início de 2013, descobri que Vladimir Ilich Ulianov, ou Vladimir Lenin (1870-1924), revolucionário bolchevique russo e primeiro dirigente da União Soviética, tinha gravado em disco 14 pequenos discursos sobre temas urgentes para a revolução na Rússia e o movimento comunista internacional, em três momentos cruciais: final de março de 1919 (fundação da Internacional Comunista), final de março de 1920 (início da derrota dos “exércitos brancos” na Guerra Civil) e 25 de abril de 1921 (implantação da NEP, o recuo estratégico ao mercado).

Com cada discurso, de abril de 2013 a março de 2015, primeiro traduzi o texto, depois montei um vídeo com o áudio ilustrado por fotos ou desenhos, e então legendei, sempre com leves alterações textuais conforme os padrões da leitura multimídia. Traduzi diretamente do russo, mas também cotejei com outras versões quando pude.

Os primeiros discursos estão em inglês numa seção especial do Arquivo Marxista na Internet (MIA), e os textos em russo também estão nas Obras completas de Lenin, que usei como matriz sempre que possível, e no imenso acervo de áudios SovMusic.ru. Dois discursos já tinham aparecido em português nas Obras escolhidas em três tomos da Progresso/Avante, mas em cada caso fiz as devidas referências.

Cada postagem traz os textos em português e russo, o vídeo anexado (todos no meu canal O Eslavo no YouTube), informações técnicas e uma breve introdução. Esta página tem a lista completa de todas as 14 postagens, sob a tag “Discursos de Lenin”, mas os administradores do MIA em português também lançaram uma seção especial com todos esses discursos, os vídeos e informações adicionais.

Os vídeos podem ser assistidos em sequência e por ordem de popularidade na playlist “Discursos de Lenin”, lembrando que o vídeo “Lenin discursa na Comintern” é o discurso “A 3.ª Internacional, Comunista”, que antes eu havia confeccionado sem dominar técnicas profissionais de tradução e legendagem.

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Final de março de 1919

1. Em memória do camarada Iakov Mikhailovich Sverdlov, Presidente do Comitê Executivo Central Pan-Russo

2. A 3.ª Internacional, Comunista

3. Comunicado sobre as conversações radiotelegráficas com Béla Kun

4. Apelo ao Exército Vermelho

5. Sobre os camponeses médios

6. O que é o Poder Soviético?

7. Como livrar para sempre os trabalhadores do jugo dos latifundiários e capitalistas

8. Sobre os pogroms contra os judeus


Final de março de 1920

9. Sobre a restauração dos transportes

10. Sobre a disciplina laboral


25 de abril de 1921

11. Apartidarismo e Poder Soviético

12. Sobre o imposto em espécie

13. Cooperativas de consumo e de produção

14. Concessões e estímulo do capitalismo




domingo, 19 de abril de 2015

Stalin e a vitória sobre a Alemanha


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Introdução (Erick Fishuk)

Nova tradução e primeira legendagem do discurso do líder soviético Iosif Stalin celebrando a capitulação total do exército alemão e a vitória da URSS e seus aliados na Segunda Guerra Mundial, a 9 de maio de 1945. Foi transmitido em russo pelo rádio a toda a população, e constitui um documento histórico da maior importância.

Stalin de início anuncia a vitória da URSS e seus aliados sobre as tropas nazistas e traça um breve histórico da rendição, desde as assinaturas preliminares até a desmobilização total dos alemães, inicialmente desconfiável, mas rapidamente efetivada. São lembrados ainda os sacrifícios dos soviéticos durante a guerra, finalmente coroados com o triunfo, e os planos de Adolf Hitler de desmembrar a União Soviética e destruir a Rússia, reputados como “malucos” e enterrados pela virada no conflito. Concluindo, Stalin alude ao tempo de crescimento pacífico que raiava na Europa, parabeniza os soldados pela defesa nacional e saúda a memória dos mortos em combate.

Dentro das Obras completas de Stalin, o discurso em russo pode ser lido no tomo 15 (Moscou, Pisatel, 1997), pp. 223-224. Seu título original é “Vystuplenie po radio, 9 maia 1945 goda”, porém é mais conhecido como “O pobede nad Germaniei” (A vitória sobre a Alemanha). No site Sovmusic.ru, além de ler o texto, pode-se baixar o áudio em MP3. Vários sites têm uma primeira tradução em português, cuja origem e autor desconheço, e com a qual cotejei meu trabalho, mas que apresenta vários defeitos. Abaixo você pode ver também montagem em vídeo que fiz com fotos e o áudio do discurso, e que legendei para meu canal O Eslavo no YouTube, sendo feitas no texto, como sempre, as necessárias adaptações a esse tipo de mídia:


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Camaradas!

Caros e caras compatriotas!

Chegou o grande dia da vitória sobre a Alemanha. Os fascistas alemães, forçados à rendição pelo Exército Vermelho e pelas tropas de nossos aliados, reconheceram a derrota e anunciaram sua capitulação incondicional.

A 7 de maio foi assinado na cidade de Reims o protocolo preliminar de rendição. A 8 de maio, os representantes do alto comando alemão, na presença dos representantes do Alto Comando das tropas aliadas e do Comando Supremo das tropas soviéticas, assinaram em Berlim a ata final de rendição, que iria entrar em vigor à meia-noite.

Cientes dos hábitos ferinos dos figurões alemães, que veem tratados e acordos como letra morta, não temos razões para crer apenas em suas palavras. Porém, desde hoje de manhã, as tropas alemãs, em cumprimento à ata de rendição, começaram em massa a depor armas e se entregar a nossas tropas. Isso não é mais letra morta, mas uma capitulação autêntica das forças armadas da Alemanha. É verdade que um grupo de tropas alemãs nos arredores da Tchecoslováquia continua resistindo a se render. Mas espero que o Exército Vermelho consiga lhe impor a realidade.

Agora podemos com toda razão declarar que chegou o dia histórico da derrota final da Alemanha, o dia da grande vitória de nosso povo sobre o imperialismo alemão.

Os grandes sacrifícios que fizemos em nome da liberdade e independência de nossa Pátria, as incontáveis privações e sofrimentos por que passou nosso povo durante a guerra, o intenso trabalho no front e na retaguarda consagrado no altar da Pátria, não ficaram por menos e culminaram na vitória total sobre o inimigo. A luta secular dos povos eslavos por sua existência e independência terminou na vitória sobre os agressores alemães e sua tirania.

Doravante sobre a Europa tremulará a grande bandeira da liberdade dos povos e da paz entre eles.

Três anos atrás Hitler declarou publicamente que entre suas tarefas estava desmembrar a União Soviética e arrancar dela o Cáucaso, a Ucrânia, a Bielo-Rússia, os Bálticos e outras regiões. Ele disse claramente: “Destruiremos a Rússia de forma que nunca mais possa se reerguer”. Isso faz três anos. Mas as ideias malucas de Hitler não tinham como se realizar, e o curso da guerra as reduziu a pó. Na prática ocorreu algo claramente contrário aos delírios dos hitleristas: a Alemanha sofreu uma derrota completa. As tropas alemãs estão capitulando, e a União Soviética celebrando a vitória, embora não tencione nem desmembrar, nem destruir a Alemanha.

Camaradas! A Grande Guerra Patriótica terminou com nossa vitória total. Acabou a época da guerra na Europa, começou um tempo de evolução pacífica.

Parabéns pela vitória, meus caros e caras compatriotas!

Glória a nosso heroico Exército Vermelho, que defendeu a independência de nossa Pátria e alcançou a vitória sobre o inimigo!

Glória a nosso grande povo, o povo vencedor!

Glória eterna aos heróis que pereceram combatendo o inimigo e consagraram sua vida pela liberdade e felicidade de nosso povo!



domingo, 12 de abril de 2015

Stalin invoca vitória final (6/11/1944)


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Este vídeo com a transcrição em russo é antes uma pequena nota, pois o trecho em questão é bem curtinho, mas dá ensejo a algumas reflexões. Trata-se do excerto de um informe de Iosif Stalin, líder soviético, à sessão solene do Soviete de Moscou de Deputados Trabalhadores com organizações partidárias e sociais da cidade de Moscou, ocorrida a 6 de novembro de 1944, informe cujo texto foi publicado na íntegra na edição do jornal Pravda do dia seguinte. Esse trecho foi pronunciado no final do discurso, em que Stalin conclama pela vitória final dos Aliados sobre os nazistas, após estes serem expulsos do território soviético.

Dentro das Obras completas de Stalin, o informe completo em russo pode ser lido no tomo 15, editado em Moscou pela Pisatel em 1997, pp. 192-203. Seu título original é “Doklad na torzhestvennom zasedanii Moskovskogo Soveta deputatov trudiaschikhsia s partiinymi i obschestvennymi organizatsiami goroda Moskvy, 6 noiabria 1944 goda”. Eu baixei o vídeo sem legendas desta página, e apenas acrescentei as legendas.

Hoje não vou colocar a tradução em português: ela deve ser lida no vídeo, já que as adaptações foram insignificantes. O vídeo está no meu canal O Eslavo no YouTube. Abaixo do vídeo, coloquei a transcrição em russo do que Stalin fala, e em seguida o trecho tirado do texto, finalizando com a comparação entre os dois excertos.


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Iosif Stalin pronuncia o seguinte:

“Красная Армия достойно выполнила свой патриотический долг и освободила нашу Отчизну от врага. Отныне и навсегда наша земля свободна от гитлеровской нечисти. Теперь за Красной Армией остаётся её последняя заключительная миссия, а именно довершить вместе с армиями наших союзников дело разгрома немецко-фашистских войск, добить фашистского зверя в его собственном логове и водрузить над Берлином знамя победы.”

Mas no Pravda saiu escrito o seguinte:

“Красная Армия достаточно выполнила свой патриотический долг и освободила нашу Отчизну от врага. Отныне и навсегда наша земля свободна от гитлеровской нечисти. Теперь за Красной Армией остаётся её последняя заключительная миссия: довершить вместе с армиями наших союзников дело разгрома немецко-фашистской армии, добить фашистского зверя в его собственном логове и водрузить над Берлином знамя победы.”

As diferenças com o texto escrito são que neste, “достойно” [dostoino] (dignamente) é substituído por “достаточно” [dostatochno] (com suficiência); “а именно” [a imenno] é trocado por dois pontos; e “немецко-фашистских войск” [nemetsko-fashistskikh voisk] (tropas fascistas alemãs) se torna “немецко-фашистской армии” [nemetsko-fashistskoi armii] (exército fascista alemão), se bem que “tropas” em russo é usado em geral como sinônimo de “exército”. Sabendo, aliás, que “войско” [voisko] em russo é “tropa”, e seu plural é “войска” [voiska], lembremos que em esloveno “exército” se diz “vojska”.



domingo, 5 de abril de 2015

Discurso: Stalin entra na 2.ª Guerra


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Cartaz de propaganda: “Sob a direção do grande Stalin, avante rumo ao comunismo!”


Introdução (Erick Fishuk)

Discurso que traduzi direto do russo para o português e legendei na íntegra. Faz parte de uma série de discursos de Stalin que pretendo lançar até o dia 9 de maio de 2015 em memória dos 70 anos do fim da Segunda Guerra Mundial na Europa.

No dia 22 de junho de 1941, apesar do Pacto Molotov-Ribbentrop de não agressão assinado entre os dois países em 1939, a Alemanha nazista invade a URSS a oeste. A incursão já era esperada pelos comunistas soviéticos, mas Hitler pegou os bolcheviques desmobilizados naquele momento. Após alguns dias de tensão na alta cúpula do Partido Comunista, Stalin decide pronunciar um discurso por rádio a todo o povo soviético, no dia 3 de julho seguinte.

Stalin inicia explicando a dimensão da invasão nazista pela mobilização antecipada dos alemães junto à fronteira, já que a URSS não queria ter rompido o pacto de 1939. Este é justificado pelo tempo adicional de paz que teria dado aos soviéticos para se prepararem melhor, sendo seu rompimento uma tragédia política para a Alemanha. Apontando a grandeza do perigo, Stalin conclama ao fim do relaxamento e da covardia, à militarização do cotidiano, a ajudarem o Exército Vermelho e a formarem guerrilhas, sabotagens e outras forças que estorvassem os nazistas. Por fim, Stalin exalta o caráter patriótico e salvador da guerra, ligada com a resistência da Europa e América e sua bem-vinda ajuda à URSS, e chama o povo a estar em torno do partido e do governo para vencer.

Dentro das Obras completas de Stalin, o discurso em russo pode ser lido no tomo 15 (Moscou, Pisatel, 1997), pp. 56-61. Seu título original é “Vystuplenie po radio, 3 iulia 1941 goda”. No site Sovmusic.ru, além de ler o texto é possível baixar o áudio em MP3. Existem ainda uma tradução parcial em espanhol e uma integral em francês que cotejei com meu trabalho para melhorá-lo. Depois que concluí tradução e legendagem, fui informado que uma primeira tradução em português já estava publicada no livro Stalin, de Emil Ludwig (Rio de Janeiro, Calvino, 1943), mas não fiz o cotejamento por falta de tempo.

Abaixo você pode ver também montagem em vídeo que fiz com fotos e o áudio do discurso, e que legendei para meu canal O Eslavo no YouTube, sendo feitas no texto, como sempre, as necessárias adaptações a esse tipo de mídia:


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Camaradas! Cidadãos! Irmãos e irmãs!

Combatentes de nosso exército e marinha!

É a vocês que me dirijo, meus amigos!

A traiçoeira agressão militar da Alemanha hitlerista à nossa Pátria, iniciada em 22 de junho, continua. Apesar da heroica resistência do Exército Vermelho, apesar das melhores divisões e melhores unidades de aviação inimigas já terem sido destruídas e perecido nos campos de batalha, o inimigo avança em sua incursão, lançando ao front novas forças. As tropas hitleristas conseguiram tomar a Lituânia, uma parte significativa da Letônia, o Oeste da Bielo-Rússia e parte do Oeste da Ucrânia. A aviação fascista está ampliando as áreas de operação de seus bombardeiros, submetendo a seu fogo Murmansk, Orsha, Magiliou, Smolensk, Kyiv, Odesa, Sevastopol. Nossa Pátria está correndo um sério perigo.

Como pôde ocorrer de nosso glorioso Exército Vermelho ter cedido às tropas fascistas tantas cidades e distritos nossos? Será que as tropas fascistas alemãs são realmente um exército invencível, como apregoa sem descanso a vaidosa propaganda fascista?

Claro que não! A história ensina que não há e nunca houve exércitos invencíveis. O exército de Napoleão se reputava invencível, mas foi destruído em sucessão por tropas russas, inglesas e alemãs. O exército alemão de Guilherme 2.º na época da primeira guerra imperialista também se reputava invencível, mas foi várias vezes derrotado pelas tropas russas e anglo-francesas e finalmente destruído por ingleses e franceses. Deve-se dizer hoje o mesmo sobre o exército fascista alemão de Hitler. Esse exército ainda não havia encontrado séria resistência no continente europeu, e apenas em nosso território se deparou com real oposição. E se por conta dessa resistência as melhores divisões do exército fascista alemão foram destruídas por nosso Exército Vermelho, significa que as tropas hitleristas também podem ser, e serão, destruídas, tal como o foram os exércitos de Napoleão e de Guilherme 2.º.

Quanto ao fato de parte de nosso território, mesmo assim, estar ocupada pelas tropas fascistas alemãs, a explicação principal é que a guerra da Alemanha fascista contra a URSS começou sob condições favoráveis às tropas alemãs e desfavoráveis às tropas soviéticas. Ocorre que a Alemanha, como país que conduz a guerra, já tinha as tropas inteiramente mobilizadas, e as 170 divisões alemãs lançadas contra a URSS e alocadas junto às nossas fronteiras se encontravam em estado de total prontidão, esperando apenas o sinal para avançar, enquanto as tropas soviéticas ainda deviam se mobilizar e se alocar nas fronteiras. Aqui também importou muito a circunstância da Alemanha fascista ter violado de forma inesperada e traiçoeira o pacto de não agressão que ela assinou em 1939 com a URSS, não contando que seria considerada pelo mundo inteiro como o lado agressor. É natural que nosso pacífico país, não querendo tomar para si a iniciativa de violar o pacto, não podia seguir o caminho da traição.

Pode-se perguntar: como pôde ocorrer do Governo Soviético ter-se posto a assinar um pacto de não agressão com pessoas tão traiçoeiras e monstruosas como Hitler e Ribbentrop? Não teria sido aqui cometido um erro da parte do Governo Soviético? Claro que não! O pacto de não agressão é um tratado de paz entre dois Estados, e foi exatamente algo assim que nos propôs a Alemanha em 1939. Podia o Governo Soviético recusar tal proposta? Penso que nenhum Estado pacífico pode recusar um acordo de paz com potência vizinha, mesmo que no comando dela se encontrem monstros e canibais como Hitler e Ribbentrop. E isso, claro, sob a condição obrigatória de que o acordo de paz não fira direta ou indiretamente a integridade territorial, a independência e a honra do Estado pacífico. Como se sabe, o pacto de não agressão entre a Alemanha e a URSS é exatamente dessa natureza.

O que nós ganhamos ao assinar com a Alemanha o pacto de não agressão? Garantimos paz a nosso país durante um ano e meio e a possibilidade de preparar suas forças para reagir, caso a Alemanha fascista se arriscasse a agredi-lo a despeito do pacto. É um ganho inegável para nós e uma perda para a Alemanha fascista.

O que ganhou e perdeu a Alemanha fascista ao romper traiçoeiramente o pacto e cometer a agressão à URSS? Ela alcançou situação um tanto vantajosa para suas tropas durante um curto prazo, mas perdeu politicamente, revelando-se aos olhos do mundo inteiro como uma agressora sanguinária. Não se pode duvidar que esse ganho militar passageiro para a Alemanha é apenas episódico, e que o imenso ganho político para a URSS constitui o fator sério e duradouro em cuja base devem se desdobrar os sucessos militares decisivos do Exército Vermelho na guerra contra a Alemanha fascista.



A cidade russa de Smolensk destruída após duro combate entre alemães e soviéticos.

É por isso que todo nosso valoroso exército, toda nossa valorosa marinha de guerra, todos os nossos pilotos-falcões, todos os povos de nosso país, toda a melhor gente da Europa, América e Ásia, enfim, toda a melhor gente da Alemanha repudiam as ações traiçoeiras dos fascistas alemães e demonstram simpatia pelo Governo Soviético, aprovam a conduta dele e veem que nossa causa é justa, que o inimigo será destruído, que nós devemos vencer.

Por força da guerra que nos foi imposta, nosso país entrou num embate mortal com seu pérfido e fidagal inimigo, o fascismo alemão. Nossas tropas estão combatendo heroicamente um adversário armado até os dentes com tanques e aviões. O Exército e a Marinha Vermelhos, superando inúmeras dificuldades, estão lutando abnegadamente por cada palmo da Terra Soviética. Estão entrando em combate as principais forças do Exército Vermelho, armadas com milhares de tanques e aviões. A bravura dos guerreiros do Exército Vermelho não tem paralelo. Nossa reação ao inimigo está ficando maior e mais forte. Junto ao Exército Vermelho está se erguendo em defesa da Pátria todo o povo soviético.

O que se exige para liquidar o perigo que nossa Pátria está correndo, e que medidas devemos tomar para derrotar o inimigo?

Antes de tudo, é indispensável que nosso povo, o povo soviético, entenda toda a profundidade do perigo que ameaça nosso país e renuncie à benevolência, ao relaxamento, aos humores da edificação pacífica, plenamente compreensíveis antes da guerra, mas atualmente nocivos, já que ela mudou radicalmente a situação. O inimigo é cruel e implacável. Ele tem por objetivo tomar nossas terras, regadas com nosso suor, tomar nossos cereais e nosso petróleo, produzidos com nosso esforço. Ele tem por objetivo restaurar o poder dos latifundiários e o tsarismo, destruir cultura e instituições nacionais de russos, ucranianos, bielo-russos, lituanos, letões, estonianos, usbeques, tártaros, moldávios, georgianos, armênios, azerbaijanos e outros povos livres da União Soviética, germanizar esses povos, transformá-los em escravos dos príncipes e barões alemães. Trata-se, assim, da vida ou morte do Estado Soviético, da vida ou morte dos povos da URSS e seu ingresso na liberdade ou na escravização. Os soviéticos precisam entender isso, deixar de ser descuidados, mobilizar-se e reorganizar todo seu trabalho de um jeito novo, bélico, que não inspire pena do inimigo.

É indispensável, a seguir, que em nossas fileiras não haja lugar para chorões e covardes, alarmistas e desertores, que nossa gente desconheça o temor na luta e vá abnegadamente à nossa Guerra Libertadora Patriótica contra os escravizadores fascistas. O grande Lenin, fundador de nosso Estado, dizia que as qualidades essenciais dos soviéticos deviam ser a bravura, a ousadia, a ausência de temor na luta, a disposição para combater junto ao povo os inimigos de nossa Pátria. É indispensável que essas excelentes qualidades de um bolchevique se tornem atributos dos milhões e milhões em nosso Exército e Marinha Vermelhos e em todos os povos da União Soviética.

Devemos desde já reorganizar todo nosso trabalho de um jeito bélico, submetendo tudo aos interesses do front e às tarefas que organizem a derrota do inimigo. Os povos da União Soviética veem agora que o fascismo alemão é irrefreável em seu rancor e ódio ensandecidos à nossa Pátria, a qual garantiu a todos os trabalhadores emprego livre e bem-estar. Os povos da União Soviética devem se erguer em defesa de seus direitos e de sua terra contra o inimigo.

O Exército e a Marinha Vermelhos e todos os cidadãos da União Soviética devem proteger cada palmo da Terra Soviética, brigar até a última gota de sangue por nossas cidades e povoados, demonstrar a coragem, iniciativa e astúcia próprias de nosso povo.

Devemos organizar uma ajuda multilateral ao Exército Vermelho, garantir o reforço intensivo de suas fileiras, garantir-lhe o abastecimento com todo o necessário, organizar o rápido avanço dos transportes de tropas e carga militar e uma ampla ajuda aos feridos.

Devemos fortalecer a retaguarda do Exército Vermelho, submetendo aos interesses dessa missão todo o nosso trabalho, garantir o funcionamento intensivo de todas as empresas, fabricar mais fuzis, metralhadoras, canhões, cartuchos, projéteis, aviões, organizar a salvaguarda das fábricas, centrais elétricas, serviços telefônicos e telegráficos, ajustar a defesa antiaérea local.



Histórica parada militar na Praça Vermelha a 7 de novembro de 1941, sob cerco nazista.

Devemos organizar uma luta sem trégua contra quaisquer desorganizadores da retaguarda, desertores, alarmistas, espalhadores de boatos, aniquilar os espiões, diversionistas, para-quedistas inimigos, prestando em tudo isso assistência rápida a nossos batalhões de extermínio. Precisamos ter em vista que o inimigo é pérfido, ardiloso, perito em enganar e espalhar falsos boatos. É preciso levar tudo isso em conta e resistir às provocações. Precisamos desde já julgar no tribunal de guerra todos os que estorvam com seu alarmismo e covardia a causa da defesa, sem qualquer distinção.

Em caso de retirada forçada das unidades do Exército Vermelho, devemos levar todo material ferroviário rodante, não deixar ao inimigo uma só locomotiva, um só vagão, não deixar ao adversário um só quilo de cereais, um só litro de combustível. Os kolkhozianos devem levar todo o gado, entregar os cereais à proteção dos órgãos estatais para serem transportados a regiões na retaguarda. Todos os bens valiosos, inclusive metais não ferrosos, cereais e combustível, que não puderem ser levados devem ser absolutamente destruídos.

Nas regiões ocupadas pelo inimigo, devemos criar grupos guerrilheiros de cavalaria e infantaria, criar grupos de sabotagem que combatam as unidades do exército inimigo, fomentem guerrilhas por toda parte, explodam pontes e estradas, avariem serviços telefônicos e telegráficos, incendeiem bosques, depósitos e comboios. Nas regiões ocupadas, devemos criar condições intoleráveis ao inimigo e todos os seus cúmplices, perseguir e aniquilá-los a cada passo, frustrar todas as suas iniciativas.

A guerra contra a Alemanha fascista não deve ser tida como uma guerra qualquer. Ela não é apenas uma guerra entre dois exércitos. Ela é, além disso, uma grande guerra de todo o povo soviético contra as tropas fascistas alemãs. O objetivo dessa Guerra Patriótica nacional contra os opressores fascistas não é apenas liquidar o perigo que nosso país está correndo, mas também ajudar todos os povos da Europa dobrados pelo jugo do fascismo alemão. Nessa guerra libertadora não estaremos sozinhos. Nessa grande guerra teremos aliados fiéis na figura dos povos da Europa e América, inclusive do povo alemão escravizado pelos figurões hitleristas. Nossa guerra pela liberdade da Pátria se confundirá com a luta dos povos da Europa e América por sua independência e pelas liberdades democráticas. Essa será uma frente única dos povos que defendem a liberdade, contra a escravização e a ameaça de escravização por parte dos exércitos fascistas de Hitler. Por essa razão, o histórico discurso do Sr. Churchill, premiê britânico, sobre a ajuda à União Soviética e a declaração do governo dos EUA sobre a disposição em prestar ajuda a nosso país, os quais só podem despertar um sentimento de gratidão nos corações dos povos da União Soviética, são plenamente compreensíveis e significativos.

Camaradas! Nossas forças são incalculáveis. O inimigo, cheio de presunção, logo deverá se convencer disso. Junto ao Exército Vermelho estão se erguendo milhares e milhares de operários, kolkhozianos e intelectuais para a guerra contra o inimigo agressor. Vão se levantar as massas de milhões de nosso povo. Os trabalhadores de Moscou e Leningrado já se puseram a formar aos milhares uma milícia popular em apoio ao Exército Vermelho. Em cada cidade que correr o perigo de invasão inimiga, devemos formar tal milícia popular, erguer todos os trabalhadores à luta para defender de corpo e alma sua liberdade, sua honra e sua Pátria em nossa Guerra Patriótica contra o fascismo alemão.

Para mobilizarmos rapidamente todas as forças dos povos da URSS e para conduzirmos a reação ao inimigo e sua agressão traiçoeira à nossa Pátria, criamos o Comitê Estatal de Defesa, em cujas mãos concentramos a plenitude do poder do Estado. O Comitê Estatal de Defesa se pôs a trabalhar e está conclamando todo o povo a cerrar-se em torno do partido de Lenin e Stalin, em torno do Governo Soviético para apoiar com abnegação o Exército e a Marinha Vermelhos, para derrotar o inimigo, para vencer.

Todas as nossas forças em apoio a nosso heroico Exército Vermelho, à nossa gloriosa Marinha Vermelha!

Todas as forças do povo à derrota do inimigo!

Avante, pela nossa vitória!



Guerrilheiras soviéticas na Frente Oriental de combate aos nazistas.