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31 de janeiro de 2018

Aleksandr Lukashenko diz “Feliz 2018”


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No começo do ano, eu estava procurando os votos de feliz 2018 feitos por Emmanuel Macron (França) e Vladimir Putin (Rússia), mas por acaso achei também as felicitações de outros dois chefes de Estado falando em russo: Aleksandr Lukashenko (Belarus) e Nursultan Nazarbayev (Cazaquistão). Baixei os quatro, mas decidi legendar antes os dois últimos, pois a um(a) brasileiro(a) parecem material interessante e inusitado. Neste vídeo, o líder bielo-russo fala apenas na língua russa, majoritária em seu país, enquanto o presidente cazaque falou primeiro na língua local, e depois em russo. Eu mesmo traduzi o texto e adaptei enquanto legendava.

Lukashenko reconhece que Belarus está passando por graves problemas econômicos, mas põe fé nas reformas recém-iniciadas e pede pra população, de todas as idades e profissões, colaborar na volta do crescimento. Ele elogia todas as categorias de trabalhadores, aponta o capital humano como o principal patrimônio nacional e exige do povo manter-se unido e pôr a casa em ordem. É que pra 2019, como ele cita, a capital Minsk foi escolhida como sede dos Jogos Europeus, uma espécie de Olimpíada regional que inclui também a Turquia e os países do Cáucaso. A primeira sede, em 2015, foi justamente Baku, capital da antiga república soviética do Azerbaijão.

De fato, os três países que compõem o espaço eslavo oriental (Rússia, Ucrânia e Belarus) tiveram em 2017 uma queda em seu IDH, segundo dados de 2015, alinhando-se a nações em situação de guerra ou catástrofe política, como Venezuela, Iêmen, Síria, Líbia, Sudão do Sul e Suriname. Não são poucos os analistas que comentam a piora do nível de vida russo há meses consecutivos, certamente por conta das sanções econômicas ocidentais e da queda do preço internacional do petróleo, grande responsável pelas exportações de Putin. Mas acredito que outro fator seja o crescente gasto militar, com sua intervenção no leste ucraniano e a anexação da Crimeia, que até a população da Rússia vê como um ralo de dinheiro.

Na Ucrânia, não preciso mencionar a guerra civil e o caos político, mas creio que as medidas “pró-Europa” de Poroshenko só estão gerando uma austeridade empobrecedora. Esse país, como Belarus, também depende muito da economia russa, então se esta cai, muitos vizinhos tombam. A Moldávia foi outro país, já muito pobre, cujo IDH piorou em 2017. O do Brasil congelou, não subiu nem caiu. Tanto na Rússia quanto em Belarus houve recentes protestos contra o autoritarismo e a carestia de vida, mas os governos os reprimiram duramente.

Embora a língua bielo-russa seja oficial em Belarus e boa parte da população seja bilíngue, o idioma predominante nos centros urbanos, Estado e negócios é o russo, no qual se pronunciou Aleksandr Lukashenko (em bielo-russo, Aliaksandr Lukashenka) ao findar 2017. O bielo-russo é uma língua linda, mas considerada provinciana, típica das zonas rurais ou interioranas, onde também se falam por vezes misturas idiomáticas. Certa vez, Iryna Tumilovich me disse que Lukashenko falava com forte sotaque bielo-russo, mas não acreditei, porque parecia muito nativo. Mas quando estudei a fundo as fonéticas do russo e do bielo-russo, percebi o quanto a fonética deste influenciava a pronúncia daquele, ou seja, a um ouvido estudado, o discurso de Lukashenko soa com forte sotaque.

Em breve, pretendo legendar também a parte russa do discurso do cazaque Nazarbayev. Em seu país, que também é muito imbricado à Rússia e tem uma vasta imigração daí, a língua russa exerce forte influência e tem uso na política, ciência e cultura, às vezes até gerando discriminações. Não vou legendar agora os de Putin e Macron pra 2017-18, pois minha intenção é criar playlists específicas pros votos dos presidentes da França (desde 1994) e da Rússia (desde 2000), começando pelo mais antigo. O discurso sem legendas, lançado por uma agência de notícias bielo-russa, está nesta página, e o mesmo serviço fornece também o texto em russo, a partir do qual eu traduzi. Seguem abaixo a legendagem, que postei no meu canal Eslavo (YouTube), e a tradução em português, paragrafada segundo o original e sem as adaptações feitas pras legendas:


____________________


Caros amigos!

Parece que não, mas está começando confiante e irreversível o Ano Novo de 2018. Nestes minutos percebemos bem como o tempo voa rápido.

Sim, a principal distinção de nosso tempo é seu correr impetuoso. Andar devagar equivale hoje a parar, e deter-se significa andar para trás. Constantemente corremos para algum lugar, devemos alcançar muita coisa para vislumbrar à frente aquele resultado desejado.

Entretanto, na agitada corrente desta vida, às vezes também é preciso desacelerar, mesmo por um instante, para olhar, avaliar, refletir sobre o que importa e dizer palavras boas.

Os últimos minutos do ano são exatamente esse instante. Agora que falta muito pouco para o relógio bater, lembramos o principal, pensamos no futuro.

No ano que passou, tomamos medidas decisivas para aperfeiçoar a economia, o que traz inevitável mudança em nossa sociedade. Arriscamos olhar além do horizonte, colocamos diante do país metas para o amanhã. Atingi-las levará muitos anos!

Quanto a isso, apelo à juventude: inovem, inventem! Todas as portas lhe estão abertas! É dever de vocês tomar essa altura muitíssimo difícil. O futuro do país é de vocês!

E não adianta, geração mais velha, pensarem em quietude. Agora é que precisamos de vocês, de sua experiência, conhecimento, sabedoria. São vocês que devem ajudar os jovens no complexo processo de avanços, protegê-los do esforço infundado em realizar tudo num segundo, do perigo de apartar-se da vida real e esbanjar o tempo com futilidades.

Cada dia agora é precioso para o trabalho construtivo. À nossa frente estão muitas tarefas graves em todas as esferas da vida do país.

E o próximo ano será a véspera de grandes eventos esportivos de alcance internacional. Nós acolheremos milhares de hóspedes. E como autênticos senhores da terra bielo-russa, vamos nos unir e pôr nosso lar comum na devida ordem.

Pois Belarus sempre foi famosa pela limpeza, pela comodidade das cidades e vilas, pela hospitalidade do povo. Mas agora precisamos superar a nós mesmos, tornar exemplar o país. Cada hóspede deverá muito tempo guardar na alma boas lembranças dele. Temos que poder nos orgulhar ainda mais de nossa Pátria, arrumada, gostosa de viver, amigável e estimada no mundo.

E foi por esse país, livre e independente, que nossos avós lutaram, para sermos, vivendo nesta terra, seus verdadeiros senhores.

Continuidade, respeito aos méritos de cada pessoa, igualdade e justiça são os princípios básicos de nosso Estado.

Belarus é um país voltado para o futuro! A base de nosso desenvolvimento é a alta tecnologia, a ciência. É isso! Mas sempre será exigido o labor do operário e do camponês. Graças a seus esforços, estamos hoje sentados numa rica mesa festiva.

Caros amigos!

O maior patrimônio da terra bielo-russa foram e são as pessoas. Por trás de toda conquista estão vocês, inteligentes, talentosos, obstinados:

que lutam diariamente pela vida e saúde de cada paciente;

que velam pela lei e pela ordem, defendem as fronteiras, garantem a defesa e segurança de nosso país, guarnecem postos estatais;

que trabalham na mineração, indústria, construção civil ou agricultura;

que educam e criam as crianças, instruem com êxito nos ensinos básico e superior, fazem a ciência avançar;

que enaltecem a Pátria com sucessos artísticos ou esportivos.

Felicito em especial os que passam o Ano Novo não na mesa familiar, mas no local de trabalho. Que esta noite seja para vocês tranquila e festiva.

Caros amigos!

Dentro de poucos segundos abriremos um novo capítulo de nossas vidas. As próximas 365 páginas ainda estão em branco. E o que será inscrito em nossa história depende de cada um de nós.

Desejo de todo coração que este novo ano seja de paz, sucesso e prosperidade.

Tenham sentimentos generosos, deem a seus parentes e próximos o mais valoroso: coração caloroso, atenção e cuidados. E que seus lares se encham com a luz do amor e do bem!

Felicidades, caros amigos!

Feliz Ano Novo, Belarus!



28 de janeiro de 2018

Emmanuel Macron festeja vitória (2017)


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Apenas vários meses após a gravação eu terminei de legendar o vídeo em que Emmanuel Macron faz seu discurso da vitória no pátio em frente ao Museu do Louvre. Desde a própria semana da votação do 2.º turno, que ocorreu em 7 de maio de 2017, eu já tinha começado a fazer a legendagem, mas a chegada dos trabalhos finais de semestre e a necessidade de reescrever meu projeto de pesquisa do doutorado me obrigaram a parar por um tempo. Macron, comemorando sua vitória, falou ao povo à noite, no famoso ponto turístico, aludindo não apenas à posse, que ocorreria no dia 14, mas também às eleições legislativas nacionais de 11 e 18 de junho. Quando ele fala em “bancada”, quer dizer na verdade uma “maioria parlamentar”, que lhe seria necessária pra governar.

A França estava triste com crise econômica, desemprego e terrorismo sob Sarkozy e Hollande, dos dois partidos principais, e queria uma real alternância. Marine Le Pen, do Front National, parecia ser uma saída à extrema-direita, e Emmanuel Macron, do En Marche!, a renovação europeísta, internacionalista e de centro. A insatisfação também era com o sistema político, pois no 2.º turno, 74,56% dos votantes qualificados compareceram: haviam sido 80,35% em 2012 e 77,77% no primeiro turno de 2017 (o voto não é obrigatório). Nas legislativas, que lá ocorrem em dois turnos, foi ainda pior: 48,71% dos votantes aptos no dia 11, e 42,64% no dia 18. Emmanuel Macron ganhou com 66,1% dos votos válidos, e seu (renomeado) La République en marche! reuniu 313 deputados entre os 577 da Assembleia Nacional.

Desde o princípio, seu primeiro-ministro é Édouard Philippe (Les Républicains), cujo anúncio foi aguardado até o último instante e que até agora já formou duas composições ministeriais, de grande heterogeneidade partidária. Já de início, Macron pôs em prática as amplas reformas do Estado e da vida pública, que ele anunciou neste discurso, e foi visto por muitos como uma espécie de oposto de Donald Trump e de sua política nacionalista e agressiva. Não houve grandes conflitos quando os dois líderes se viram pela primeira vez, e geopoliticamente eles continuam próximos. Segundo as forças anti-hegemônicas, Macron é o candidato dos bancos que, na prática, permitiu uma reacomodação do mesmo antigo sistema, contra o qual os franceses se sublevaram. Em 21 de dezembro, Macron fez 40 anos, tendo sido o mais jovem presidente da República eleito, e sua esposa Brigitte, que foi sua professora de colegial, tem 64 anos.

Eu baixei o vídeo sem legendas do canal BFMTV, que o postou logo depois do evento, no mesmo dia. Eu mesmo traduzi e legendei, pelo famoso método “3 em 1”: escutei, traduzi e legendei ao mesmo tempo. No site do partido de Macron, há também a transcrição integral da fala em francês. Eu achei muito engraçado como meu vídeo com o discurso de Macron em estúdio, que eu legendei logo após sua vitória, de alguma forma “bombou” pra escala que pode ser aplicada pro meu canal. O motivo simplesmente foi que ele aparecia relacionado a algum dos inúmeros vídeos com teorias conspiratórias que chamam o presidente de... illuminati e anticristo.

Não por acaso, toca-se durante a chegada de Macron o Hino à Alegria, que é também hino da União Europeia. Seguem abaixo a legendagem postada no meu canal Eslavo (YouTube) e a tradução em português, paragrafada conforme o texto em francês na página do partido:


____________________


Obrigado, pessoal!

Agradeço-os por aqui estarem esta noite! Vocês são dezenas de milhares, mas só posso ver alguns rostos. Obrigado, valeu por estarem aqui, por terem lutado com coragem e boa vontade por tantos meses. Porque sim, vocês venceram esta noite, a França venceu! O que fizemos, depois de tantos e tantos meses, não tem precedentes, nem equivalentes. Todo mundo nos dizia que era impossível, mas eles não conheciam a França!

Obrigado pela confiança, pelo tempo que vocês deram, obrigado a todas e todos pelo compromisso. Obrigado a alguns que correram riscos. Eu sei deles. Esta confiança me dá deveres, sou seu depostário a partir de agora. Não os decepcionar, estar à altura dessa confiança e levar, durante os próximos cinco anos, o impulso de vocês, impulso que vocês encarnam!

Quero também esta noite dar uma palavra aos franceses que votaram em mim, sem adotar nossas ideias. Vocês se engajaram, e sei que não se trata de uma carta branca. Quero dar uma palavra aos franceses que votaram apenas para salvar a República face ao extremismo. Sei como discordamos, vou respeitá-los. Mas serei fiel a este compromisso que assumi: proteger a República.

E quero enfim dar uma palavra aos que votaram hoje em Marine Le Pen. Não os vaiem! Eles exprimiram hoje uma raiva, uma angústia, por vezes suas convicções. Eu os respeito. Mas farei tudo nos próximos cinco anos para que eles não mais tenham nenhum motivo para votar nos extremos.

Esta noite, há as francesas e os franceses apenas, o povo da França reunido, e o que vocês esta noite representam, aqui no Louvre, é um entusiasmo, um fervor, é a energia do povo da França! E este lugar em que nos encontramos diz isso. Ele testemunhou nossa história: do Antigo Regime à Libertação de Paris, da Revolução Francesa à audácia desta pirâmide. É o lugar de todos os franceses, de todas as francesas! Este lugar é o da França, que o mundo está olhando, pois esta noite é a Europa, é o mundo que estão nos olhando!

A Europa e o mundo esperam que defendamos em todo canto o espírito iluminista, sob ameaça em tantos lugares. Eles esperam que defendamos sempre as liberdades, que protejamos os oprimidos. Eles esperam que tragamos uma nova esperança, o novo humanismo de um mundo mais seguro, de um mundo com liberdades defendidas, de um mundo com crescimento, mais justiça e mais ecologia. Eles esperam, enfim, que sejamos nós mesmos!

A tarefa que nos aguarda, meus caros concidadãos, é imensa. Ela começará a partir de amanhã. Ela exigirá moralização da vida pública, a defesa de nossa vitalidade democrática, o reforço de nossa economia, a construção das novas proteções desse mundo em nosso entorno, a cessão de um lugar a cada um pela escola, trabalho e cultura, a refundação de nossa Europa e a garantia da segurança a todos os franceses.

Essa tarefa que nos aguarda é imensa, e ela exigirá que continuemos audaciosos. Sim, esta noite ganhamos um direito que nos responsabiliza. Vocês escolheram a audácia, praticaremos essa audácia, e a cada novo dia continuaremos praticando, pois isso é o que as francesas e franceses esperam, isso é o que a Europa e o mundo esperam de nós! Eles esperam que a França os impressione de novo, que a França seja ela mesma, e é isso que vamos fazer!

Nossa tarefa é imensa, meus amigos. Ela exigirá o empenho de cada um, o empenho das forças armadas, de nossas forças policiais, de todos os nossos serviços públicos, de cada uma e cada um de vocês, dos políticos, das associações, dos assalariados, dos patrões, dos sindicatos, servidores públicos, artesãos, comerciantes, agricultores, estudantes, aposentados.

Nossa tarefa é imensa, e ela exigirá que se imponha a verdade, se encoraje a verdade, o que durante esta campanha nós fizemos constantemente, e que continuarei fazendo por vocês. Nossa tarefa é imensa. Ela exigirá que construamos a partir de amanhã uma bancada majoritária, uma bancada forte. Essa bancada de mudança é o que o país deseja, e é o que ele merece. Essa bancada de mudança é o que espero de vocês daqui a seis semanas, pois precisarei cada vez mais de vocês!

Meus caros concidadãos! Vocês todas e todos que estão aqui junto a mim há tantos e tantos dias, tantas e tantas noites. Povo da França, aqui reunido no Louvre, nós temos a força, nós temos a energia, nós temos a vontade, aquela que nos levou, aquela que nos fez assim. É isso que orientará nosso futuro. Em nada cederemos ao medo, em nada cederemos à divisão, não cederemos em nada à mentira, não cederemos em nada nem à ironia, às panelinhas, ao amor pelo declínio ou derrota alheios. Sei desse fervor que vocês estão carregando, eu sei do que devo a vocês, e esta noite sei o que devo a meus companheiros de jornada, a meus amigos, minha família e aos meus íntimos.

Nem todo dia será fácil. Eu sei disso. A tarefa será árdua. Vou sempre dizer a vocês a verdade. Mas o fervor, a energia e a coragem de vocês sempre me levarão! Vou proteger vocês ante as ameaças. Vou combater por vocês a mentira, o imobilismo, a ineficácia, pela melhoria da vida de cada um. Vou respeitar cada uma e cada um em seus valores e em seus pensamentos. Vou unir e reconciliar, pois desejo a unidade de nosso povo e de nosso país. E enfim, meus amigos, vou servir a vocês com humildade, com força. Vou servir a vocês em nome de nosso lema: Liberdade, Igualdade, Fraternidade. Vou servir a vocês sendo fiel à confiança que vocês me depositaram. Vou servir vocês com amor.

Viva a República! Viva a França!



Como diz o sertanejo Serge Rois, “casserole vieille est qui fait bon repas”.

24 de janeiro de 2018

“Los Muchachos Peronistas” (marcha)


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Essa foi uma ideia que eu tive, mas também foi pedida por Leonardo Cupertino. É mais uma canção patriótica do século 20, que se chama Marcha Peronista, ou Los Muchachos Peronistas (Os Garotos/Jovens Peronistas), e como parece evidente, homenageia Juan Domingo Perón, um dos mais queridos líderes argentinos. Militar, político e escritor (1895-1974), foi Presidente da República de 1946 a 1955 e de 1973 a 1974, e em torno de seu Partido Justicialista congregou o movimento político mais influente do país no século 20, baseado em amplas reformas sociais que ele implantou. O PJ, partido de Carlos Menem e do casal Kirchner, ainda hoje tem muita força política.

Esta canção é o principal hino do peronismo, ou “justicialismo”, e afirma-se ter sido cantada pela primeira vez na Casa Rosada em 17 de outubro de 1948. Em tese, não se sabe ao certo quem compôs letra e melodia da música (embora há quem afirme ser a letra de Rafael Lauría e a melodia de Vicente Coppola), mas a gravação mais famosa, ouvida abaixo, foi feita pelo cantor Hugo del Carril em 1949. A marcha surgiu provavelmente em 1948, quando apareceram as primeiras referências, tendo por base a letra e a melodia de duas canções populares, uma que baseou as três estrofes (cujo enxerto “Viva Perón, viva Perón” também é de autoria incógnita) e outra que inspirou o refrão. Desde então, foi gravada por diversos cantores, em diversos estilos. O epíteto “primeiro trabalhador” dado a Perón foi tirado de uma fala pública do dirigente sindical socialista José Domenech.

A letra foi facílima de traduzir, mamão com açúcar! Vocês vão até me xingar por eu não ter feito várias partes literais. O traço mais notável do linguajar é o voseo, típico do espanhol argentino, em que se usa o pronome vos pra tratar uma pessoa só. Daí as forma verbais sos, valés (com correção, sois e valéis), que me desdobrei pra traduzir como “você” (e não como “tu” ou “vós”). Eu tirei o áudio deste vídeo, e a letra em espanhol e as informações históricas são da Wikipédia espanhola. Eu mesmo traduzi, legendei e montei o vídeo, e seguem abaixo a legendagem postada no meu canal Eslavo (YouTube), a letra em espanhol e a tradução em português:


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1. Los muchachos peronistas,
Todos unidos triunfaremos,
Y como siempre daremos
Un grito de corazón:
¡Viva Perón, viva Perón!

Por ese gran argentino
Que se supo conquistar
A la gran masa del pueblo,
Combatiendo al capital.

Estribillo:
¡Perón, Perón, qué grande sos!
¡Mi general, cuánto valés!
Perón, Perón, gran conductor,
Sos el primer trabajador.

2. Por los principios sociales
Que Perón ha establecido,
El pueblo entero está unido
Y grita de corazón:
¡Viva Perón, Viva Perón!

Por ese gran argentino
Que trabajó sin cesar
Para que reine en el pueblo
El amor y la igualdad.

(Estribillo)

3. Imitemos el ejemplo
De este varón argentino
Y siguiendo su camino
Gritemos de corazón:
¡Viva Perón, Viva Perón!

Porque la Argentina grande
Con que San Martín soñó
Es la realidad efectiva
Que debemos a Perón.

(Estribillo)

____________________


1. Nós, garotos peronistas,
Venceremos todos juntos,
E daremos como sempre
Um grito do coração:
Viva Perón, viva Perón!

Por esse grande argentino
Que aprendeu a cativar
A grande massa do povo,
Combatendo o capital.

Refrão:
Perón, como você é grande!
Meu general, tão valoroso!
Você, Perón, grande condutor,
É o primeiro trabalhador.

2. Em torno das leis sociais
Que Perón estabeleceu,
Todo o povo está unido
E grita de coração:
Viva Perón, viva Perón!

Por esse grande argentino
Que trabalhou sem parar
Para reinar entre o povo
O amor e a igualdade.

(Refrão)

3. Imitemos o exemplo
Deste valente argentino
E seguindo seu caminho
Gritemos de coração:
Viva Perón, viva Perón!

Porque a Argentina grande
Sonhada por San Martín
Agora é realidade efetiva
Graças ao labor de Perón.

(Refrão)




21 de janeiro de 2018

O saudoso hábito da escrita


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Por Erick Fishuk

O que está acontecendo com a comunicação entre as pessoas no mundo? Por que parecemos não compreender mais nem mesmo nossos compatriotas? O mundo digital multiplicou as possibilidades e potenciais de transmissão, armazenamento e pesquisa, mas nosso modo de nos relacionar e expressar não evoluiu no mesmo ritmo. Parecemos hominídeos ou animais primitivos que pegam numa arma ou ferramenta avançada, mas sem saber o que fazer com ela, sacudem-na e avariam-na.

Antigamente, tínhamos ideais muito diferentes de compreensão, aprendizado e ambições. Não quero parecer saudosista, mas apenas pontuar a diferença. Ensinavam-nos desde a escola que devíamos buscar a paz entre os povos, aceitar e entender as diferenças entre línguas e culturas. Inculcavam-nos a busca constante por saber coisas novas e diziam-nos que quanto mais aprendêssemos, menos o mundo pareceria obscuro e misterioso, e alcançaríamos melhores posições na sociedade. Enfim, já se considerava que saber era poder, mas o conhecimento, consolidado pela prática incessante da escrita e da leitura, era valorizado como um passaporte à cidadania e ao bem-estar. Cientistas e escritores eram estimados e promovidos como a glória das nações.

O que estimamos e promovemos hoje? Por um lado, como valores, preferimos a celebridade instantânea, a egolatria, a satisfação acelerada de necessidades, o esforço mínimo, o consumismo e desfrute desenfreados, o desprezo pelos professores e pelo estudo, a zombaria em detrimento da empatia. Por outro lado, como ídolos, celebramos ricaços esbanjadores, artistas ostentadores, esportistas encrenqueiros, gente da mídia e da internet que ganha pão ou atenção com opiniões arrogantes sobre assuntos e grupos que conhece mal, desconhecidos e desqualificados que fazem estripulias impensáveis (“virais”) apenas para saturar de conteúdo superficial e efêmero a comunicação.

Hoje, poucos ou ninguém escreve de maneira articulada, correta e coerente. Até mesmo os ditos “intelectuais” apenas curtem, compartilham, comentam, respondem com “gifs” e carinhas, retrucam sem sequer se dar ao trabalho de reler postagens com quatro linhas impulsivas. Se por vezes maldizemos a “inclusão digital” e as mensagens das pessoas comuns, com suas cores, luzinhas e desarticulação, nem reparamos que as matérias online dos grandes veículos já estão saindo com erros grosseiros de digitação. Inclusive doutorandos e professores universitários andam não conseguindo produzir um parágrafo sem escorregar na ortografia, concordância ou sintaxe.

O que está ocorrendo com nossa capacidade de redigir, articular ideias, fazer-nos entendidos, compreender a posição do outro sem atacar a pessoa ou o simples ato de nos confrontar? Claro que as redes sociais e os aplicativos de mensagem têm seu papel na desagregação das comunicações, fazendo pensar que a reação rápida substitui a aptidão em expressar sensações e argumentos. Quem os usa conforme a própria lógica visada pelas empresas, afeta os próprios hábitos duramente adquiridos de reflexão, estruturação e esclarecimento. Mas o uso excessivo dessas ferramentas tem suprimido todo espaço de diálogo e olho-no-olho, tornando “árduo” ou “desnecessário” o sangue-frio, a análise da reação alheia e a atenção à forma. O interlocutor é um perfil, um telefone.

A pior consequência não é a guerra entre “coxinhas” e “mortadelas”, mas toda uma geração de políticos e estudantes desprovidos da capacidade empática, da ciência quanto à diversidade nacional-cultural e da paciência para sanar problemas. É curioso, pois, que o fim das fronteiras físicas tenha favorecido o erguimento de muros virtuais.

Não há como escapar desses novos utilitários eletrônicos, já incorporados ao cotidiano urbano e ocidental. Mas não devemos permitir a seu modo de operação abalar precisamente os alicerces da civilização: escrita, argumento, diálogo e coesão.


Bragança Paulista, 11 de janeiro de 2018



17 de janeiro de 2018

Marcha das Malvinas (ilhas Falklands)


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Esta é a Marcha de las Malvinas (Marcha das Falklands), que tem letra de Carlos Obligado e melodia de José Tieri. Foi composta em 1940 e dedicada à reivindicação que a Argentina faz desde o século 19 da soberania sobre as ilhas Malvinas, no extremo sul do Atlântico. Os ingleses chamam o pequeno arquipélago de “Falkland Islands”, ou apenas “Falklands”. Ainda hoje é tocada nas escolas e em todos os atos oficiais de reivindicação da soberania.

Desde 2001, celebram-se todos os anos o Dia dos Veteranos e dos Tombados na Guerra das Malvinas em 2 de abril, data em que começou a guerra promovida pelo ditador militar Leopoldo Galtieri em 1982. Mas a ideia da música é anterior, pois em 1939 se criou a “Junta de Recuperação das Malvinas”, pra conscientizar o povo sobre o assunto. Também se organizou então um concurso poético-musical, e no início de 1941 esta canção ganhou o prêmio. E óbvio, a música foi popularizada na guerra fracassada com o Reino Unido em 1982.

O homem da imagem no começo e no fim do vídeo é o próprio Galtieri, que usou a guerra pra levantar o moral da população num tempo de declínio do regime militar. O conflito foi providencial pra Margaret Thatcher, que alcançou nova popularidade ao disfarçar suas políticas recessivas, mas marcou o fim da última ditadura argentina, humilhada pelas inúmeras baixas inúteis. Esta canção é um dos símbolos do “irredentismo argentino”, ideário que prega a soberania da Argentina em vários territórios disputados com os vizinhos, inclusive, claro, as Malvinas, que chamei de “Falklands” no vídeo só pra provocar...

Eu baixei o áudio deste vídeo, que tem também algumas imagens relacionadas e a legenda em espanhol. O discurso de Galtieri foi feito durante a declaração de guerra, no sábado de Aleluia (véspera da Páscoa), e pode ser visto na íntegra nesta página. No final da minha montagem, eu colei a famosa parte em que ele diz: “Se querem vir (os britânicos), que venham, ofereceremos batalha!” Eu mesmo traduzi, legendei e montei o novo vídeo, tendo tirado a letra original e a informação histórica da Wikipédia em espanhol. Vejam a montagem duas vezes, lendo uma legenda de cada vez! Seguem abaixo a legendagem, que está postada no meu canal Eslavo (YouTube), o poema original e a tradução em português:


____________________


Tras su manto de neblinas,
No las hemos de olvidar.
“¡Las Malvinas, Argentinas!”,
Clama el viento y ruge el mar.

Ni de aquellos horizontes
Nuestra enseña han de arrancar,
Pues su blanco está en los montes
Y en su azul se tiñe el mar.

Por ausente, por vencido,
Bajo extraño pabellón,
Ningún suelo más querido
De la Patria en la extensión.

¿Quién nos habla aquí de olvido,
De renuncia, de perdón?
¡Ningún suelo más querido,
De la Patria en la extensión!

¡Rompa el manto de neblinas,
Como un sol, nuestro ideal,
Las Malvinas, Argentinas
En dominio ya inmortal!

Y ante el sol de nuestro emblema,
Pura, nítida y triunfal,
Brille ¡oh Patria! en tu diadema,
La perdida perla austral.

¡Para honor de nuestro emblema,
Para orgullo nacional,
Brille ¡oh Patria! en tu diadema,
La perdida perla austral.

____________________


Ocultas em manto nevoado,
Nunca iremos as esquecer.
“Falklands são argentinas!”,
Grita o vento e ruge o mar.

Nem daqueles horizontes
Irão arrancar nossa insígnia,
Pois seu branco está nos montes
E seu azul colore o mar.

Mesmo ausente ou vencido,
Sob uma bandeira estranha,
Não há solo mais querido
Na extensão de toda Pátria.

Quem está falando em esquecer,
Em renunciar ou perdoar?
Não há solo mais querido
Na extensão de toda Pátria!

Nosso ideal, como um sol,
Rompa o manto de neblinas,
Falklands são Argentinas
Num domínio já imortal!

Face ao sol de nosso emblema,
Pura, nítida e triunfante,
Brilhe, ó Pátria, em sua coroa
A pérola perdida do sul!

Para honrar nosso emblema,
Para orgulhar a nação,
Brilhe, ó Pátria, em sua coroa
A pérola perdida do sul!



Tão nem aí pra quem governa esse Paraíso...

14 de janeiro de 2018

“Ĝi doloras tre”, o brega em esperanto


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Finalmente esta é minha última tradução ao esperanto de canções brasileiras e internacionais que eu ainda não tinha publicado. Já estão no blog diversos poemas que traduzi a partir de 2011, mas este também era o último da primeira leva que fiz na minha adolescência. Hoje vocês vão conhecer minha tradução de Dói demais, que o baiano Cristiano Neves compôs e cantava. A canção é bem simplória, mas fiquei com vontade de traduzi-la por causa da batidinha viciante, e fiz isso em 23 de março de 2006. Ela é marcante porque traduzi bem no começo da graduação em História, e depois fiquei muitos anos sem traduzir de novo. Como nesse período me dediquei com afinco ao russo e ao francês, só retomei o esperanto com alguma regularidade em 2011. Além disso, Ĝi doloras tre (o novo título) foi a última tradução que publiquei num antigo site de esperanto; talvez em 2009, eu o desativei, e as traduções pós-2011 sairiam apenas no Facebook. Esta tradução não é literal, mas se aproxima muito do que Cristiano Neves quis dizer. Seguem abaixo um vídeo com a gravação em estúdio e as letras em esperanto e português.

Jen finfine mia lasta traduko al Esperanto de brazilaj kaj internaciaj kanzonoj, kiun mi ankoraŭ ne estis publikiginta. En la blogo estas jam diversaj poemoj, kiujn mi tradukis ekde 2011, sed ĉi tiu estis ankaŭ la lasta de la unua grupo, kiun mi faris dum la adolesko. Hodiaŭ vi ekkonos mian tradukon de Dói demais, kiun la bahiano Cristiano Neves komponis kaj kantis. La kanzono estas tro simpla, sed mi ekvolis traduki ĝin pro la altiranta ritmo, kaj mi faris tion la 23-an de marto 2006. Ĝi estas rimarkinda, ĉar mi tradukis ĝin en la ĝusta komenco de mia fakultato de Historio, kaj poste mi restis netradukante dum longaj jaroj. Ĉar tiuepoke mi fervore dediĉiĝis al la rusa kaj la franca lingvoj, mi reprenis iel konstantan praktikon de Esperanto nur en 2011. Krom tio, Ĝi doloras tre (la Esperanta titolo) estis la lasta traduko, kiun mi publikigis en estinta retejo de Esperanto; verŝajne en 2009, mi fermis ĝin, kaj la tradukoj post 2011 aperus nur en Facebook. Ĉi tiu traduko ne estas laŭlitera, sed estas tre proksima de la senso, kiun intencis Cristiano Neves. Ĉi-sube estas video kun la studi-versia kanzono kaj la poemoj en Esperanto kaj la portugala.


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Ĝi doloras tre

2x:
Ĝi doloras tre,
Ĝi doloras tre,
Konsistas ne mia
Koro je ŝtono,
Ĝi doloras tre!

Ekspliku vian stultan agon
Forlasi vian koramaton.
Ĉu via cerbo freneziĝis?
Vi subite malboniĝis
Kaj min faris malzorgato.
Ĉu via cerbo freneziĝis?
Vi subite malboniĝis
Kaj min faris malzorgato.

Ĝi doloras tre,
Ĝi doloras tre,
Konsistas ne mia
Koro je ŝtono,
Ĝi doloras tre!

Dói demais

2x:
Dói, dói, dói demais,
Dói, dói, dói demais,
Meu coração não é
Feito de pedra,
Dói, dói, dói demais.

Pra que fazer esta loucura,
Deixar sozinho quem te ama?
O que deu nessa cabecinha?
Você era boazinha,
Hoje está me maltratando.
O que deu nessa cabecinha?
Você era boazinha,
Hoje está me maltratando.

Dói, dói, dói demais,
Dói, dói, dói demais,
Meu coração não é
Feito de pedra,
Dói, dói, dói demais.



10 de janeiro de 2018

“Marcha de San Lorenzo” (Argentina)


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Eu postei no meu canal Eslavo (YouTube) esta legendagem numa época em que eu estava com muita curiosidade sobre a história da Argentina, portanto saí à pesquisa. É a chamada Marcha de San Lorenzo, com melodia do compositor Cayetano Alberto Silva (1901) e letra do escritor, poeta e professor Carlos Javier Benielli (1907). Ela relembra o combate de San Lorenzo (cidade da província de Santa Fe), travado em 3 de fevereiro de 1813 entre as tropas do coronel José de San Martín, patrono da independência argentina, e os soldados realistas que defendiam o domínio pela Espanha.

Numa zona quase desértica próxima ao Convento de San Carlos Borromeo, a canção começa com a saída do Sol (“Febo” – Phoebus, Apolo ou Helios, conforme a representação mitológica grega) e termina com o assassínio do granadeiro independentista Juan Bautista Cabral, que morreu com apenas 22 anos com o posto de sargento. Cabral tornou-se um herói nacional mitificado ao ter socorrido San Martín, cujo cavalo tinha caído durante o combate, que representou o “batismo de fogo” do Exército Argentino.

Esta obra se tornou uma das mais famosas da música militar, tanto que as tropas nazistas a tocaram quando invadiram Paris, em 1940, e anos depois o próprio general Eisenhower também a fez soar quando os aliados da Segunda Guerra aí entraram. As bandas militares do Brasil, Uruguai, Polônia e outros países incorporaram-na, inclusive, em seu repertório. Eu baixei o áudio deste vídeo, que tem também uma interessante montagem com figuras históricas e a letra em espanhol. Eu mesmo traduzi, legendei e montei o novo vídeo, tendo tirado a letra original e a informação histórica da Wikipédia em espanhol. Seguem abaixo a legendagem, o poema original e a tradução em português:


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Febo asoma; ya sus rayos
iluminan el histórico convento;
tras los muros, sordos ruidos
oír se dejan de corceles y de acero.

Son las huestes que prepara
San Martín para luchar en San Lorenzo;
el clarín estridente sonó
y la voz del gran jefe
a la carga ordenó.

Avanza el enemigo
a paso redoblado,
al viento desplegado
su rojo pabellón.

Y nuestros granaderos,
aliados de la gloria,
inscriben en la historia
su página mejor.

Cabral, soldado heroico,
cubriéndose de gloria,
cual precio a la victoria,
su vida rinde, haciéndose inmortal.

Y allí salvó su arrojo,
la libertad naciente
de medio continente.
¡Honor, honor al gran Cabral!

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O Sol sobe; seus raios já
clareiam o histórico convento;
atrás dos muros, sons baixos
de cavalo e espada se ouvem.

São tropas que San Martín
prepara à luta em San Lorenzo;
o clarim estridente soou
e a voz do grande chefe
ordenou o ataque.

O inimigo avança
em passo acelerado,
com bandeira vermelha
desdobrada ao vento.

E nossos granadeiros,
ajudados pela glória,
escrevem na história
a melhor página dela.

Cabral, soldado heroico,
cobrindo-se de glória,
como preço pela vitória,
entrega a vida, tornando-se imortal.

E ali sua coragem salvou
a liberdade nascente
de meio continente.
Honra, honra ao grande Cabral!




3 de janeiro de 2018

Hymne national argentin (2 sous-titres)


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Feliz Ano Novo! / Bonne Année !

J’ai d’abord traduit cet hymne vers le portugais (Brésil) pour ma chaine Eslavo (YouTube), et ensuite j’ai décidé aussi de le traduire vers le français, pour que plus de gens puissent prendre connaissance de cette belle chanson patriotique. En outre, je suppose aussi que les Français ont une admiration particulière envers l’Argentine, comme résultat des anciennes relations politiques et culturelles entre la France et ce pays sud-américain. Enfin, j’espère que mon français ne soit pas mal, puisque n’est pas ma langue maternelle !

L’Hymne national argentin a les paroles écrites par Vicente López y Planes en 1812, et la musique composée par Blas Parera y Moret en 1813. Il a été commandé par l’Assemblée générale constituante, qui gouvernait alors l’actuelle République argentine. Il est connu aussi comme Marche patriotique ou Chanson patriotique, et parfois de façon erronée, à l’étranger, par ses premiers mots, ¡Oíd, mortales!. Ce n’est qu’en 1847 qu’il a été publié sous le titre Himno Nacional Argentino, et comme ça il est devenu connu. En 1860, Juan Pedro Esnaola a fait quelques changements dans la musique, basés sur quelques notes laissées par Blas Parera.

Dotée autrefois d’un poème beaucoup plus long, l’exécution de l’hymne pouvait durer 20 minutes, mais en 1900 l’actuel texte raccourci a été imposé, et en 1924 une nouvelle adaptation mélodique a réduit la duration à moins de 4 minutes. Toutefois, ce n’est que le 24 avril 1944 qu’un décret a institué cette marche comme l’hymne national officiel. Le président de la République était alors Edelmiro Farrell, un militaire qui exerçait le pouvoir de facto, sans avoir été élu, lors de la dictature imposée par un coup en 1943.

On trouve sur cette page la vidéo sans sous-titres. Elle avait déjà les sous-titres en espagnol, mais sa synchronie est différente de celle de mon texte. J’ai décidé de ne pas les effacer, à fin de rendre plus riche la vidéo, bien que son espagnol aille quelques erreus de graphie. Moi-même ai traduit et sous-titré en français, à partir du texte donné sur la Wikipédia, mais quelque peu modifié. Regardez ci-dessous mon sous-titrage, le poème en espagnol et la traduction française :


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¡Oíd, mortales!, el grito sagrado:
¡libertad!, ¡libertad!, ¡libertad!
Oíd el ruido de rotas cadenas;
ved en trono a la noble igualdad.
¡Ya su trono dignísimo abrieron
las Provincias Unidas del Sud!
Y los libres del mundo responden:
¡al gran pueblo argentino, salud!
¡Al gran pueblo argentino, salud!
Y los libres del mundo responden:
¡al gran pueblo argentino, salud!
Y los libres del mundo responden:
¡al gran pueblo argentino, salud!

Sean eternos los laureles
que supimos conseguir,
que supimos conseguir:
coronados de gloria vivamos,
¡o juremos con gloria morir!
¡O juremos con gloria morir!
¡O juremos con gloria morir!

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Mortels, écoutez le cri sacré :
liberté, liberté, liberté !
Écoutez les chaines se briser;
voyez trônée la noble égalité.
Les Provinces-Unies du Sud
ont déjà une digne souveraineté !
Les peuples libres répondent :
salut au grand peuple argentin !
Salut au grand peuple argentin !
Les peuples libres répondent :
salut au grand peuple argentin !
Les peuples libres répondent :
salut au grand peuple argentin !

Soyez éternels, les lauriers
que nous réussîmes à obtenir,
que nous réussîmes à obtenir :
vivons couronnés de gloire,
ou jurons de mourir glorifiés !
Ou jurons de mourir glorifiés !
Ou jurons de mourir glorifiés !