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2 de março de 2021

Idiomas de Lenin e nomes da MGU


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Eu estava com estes textos guardados há alguns meses, mas sem tempo pra traduzir e postar. Agora que a oportunidade chegou, apresento uma espécie de miscelânea criada pra mera satsifação de curiosidades, embora uma coisa não tenha nada a ver com a outra.

A ideia de postar os nomes da Universidade de Moscou veio após eu descobrir, durante a leitura da biografia do historiador Mikhaíl Pokróvski, que ele deu seu nome à instituição por um tempo. Foi uma homenagem após a morte desse marxista e bolchevique russo, considerado o pai dos estudos históricos na antiga URSS e das primeiras análises marxistas da história da Rússia. Após 1940, foram acrescentados oficialmente alguns epítetos e as “condecorações” que a MGU recebeu, porém sem mudar o núcleo original, por isso eu os omiti na lista. O conteúdo está na Wikipédia russa.

Há algum tempo também me pairava a dúvida sobre que línguas falava Vladímir Ilích Uliánov, o Vladímir Lênin da Revolução de Outubro. Eu sabia de seu conhecimento de várias línguas, mas não de quais e quantos. Há muitos textos falando a respeito, mas os melhores que encontrei, mesmo que citem poucas fontes, foram o de um pequeno blog chamado Zeitgeist e o de um site educativo, ambos não muito antigos. As traduções com adaptações são minhas, e concluímos resumidamente que Lenin era fluente em russo, alemão, francês e inglês, lia ou entendia latim, grego antigo e moderno, eslavo eclesiástico, checo, polonês e italiano e podia comunicar-se com o básico de grego moderno, checo, polonês e (talvez) italiano

Nesta página há outro texto em russo que fala dos conhecimentos linguísticos de Lenin, mas não o utilizei porque não acrescentava novidades. Porém, recomendo aos interessados, pois fala também, entre outros, de Lomonósov (filólogo que era praticamente um Google!), a imperatriz Catarina, Stalin, Khruschov e Vladimir Zhirinovski!

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Desde sua fundação, a Universidade de Moscou já mudou várias vezes de nome oficial:

  • 23 de janeiro de 1755 a 8 de março de 1917 (datas no calendário gregoriano): Universidade Imperial de Moscou.
  • Março a novembro de 1917: Universidade de Moscou.
  • A partir do fim de 1917: Universidade Estatal de Moscou (MGU).
  • A partir de 1918: Primeira Universidade de Moscou.
  • A partir de setembro de 1930: Universidade Estatal de Moscou.
  • A partir de 20 de outubro de 1932: Universidade Estatal de Moscou “M. N. Pokróvski”.
  • A partir de 11 de novembro de 1937: Universidade Estatal de Moscou.
  • Desde 7 de maio de 1940: Universidade Estatal de Moscou “M. V. Lomonósov”.

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Quantas línguas estrangeiras Lenin sabia? (Zeitgeist)

Na Rússia pré-revolucionária, qualquer um que saísse do curso ginasial com notas máximas dominava perfeitamente algumas línguas vivas e mortas. Naqueles tempos, a qualidade do Ensino Médio era muitíssimo maior do que a que temos hoje, e as pessoas saíam do curso ginasial realmente instruídas. Já o nível do Ensino Superior russo correspondia totalmente aos melhores padrões europeus, algo com que hoje podemos apenas sonhar.

Por isso, responder à pergunta sobre quantas línguas Vladimir Lenin sabia é bastante simples, sendo suficiente olhar para seu boletim:

(Na ordem em que aparecem: Ensino Religioso, Língua e Literatura Russas, Lógica, Língua Latina, Grego [Antigo], Matemática, História, Geografia, Física e Geografia Matemática, Língua Alemã e Língua Francesa. Ainda hoje a conceituação russa vai até 5 – “piatiórka” –, e não até 10, como a nossa.)

Partindo deste documento, podemos concluir que o jovem Ulianov dominava perfeitamente cinco línguas: eslavo eclesiástico (não indicado à parte, mas incluído nos cursos de Língua Russa e Ensino Religioso), latim, grego antigo, alemão e francês.

O ensino de línguas no ginásio tsarista estava posto num nível superior, do qual não chega nem perto a profanação constituída pelo ensino de línguas estrangeiras em nossa escola moderna. À guisa de exemplo, trazemos um pequeno fragmento de um manual ginasial, cujo nível de estudo linguístico na Rússia atual só é alcançado nas faculdades de Letras, e ainda assim nas melhores instituições de Moscou:

(O texto consiste num parágrafo explicando em russo, ortografia pré-1918, o significado e função dos artigos definidos – nossos “o, a, os, as” – em grego antigo. Como exemplo explicativo, são usados seus equivalentes em alemão e francês, além de frases em grego traduzidas em alemão, francês e, com observações intercaladas, russo.)

Por isso, as notas máximas de Lenin em línguas não são nossas falsas notas máximas depois das quais as pessoas passam anos gastando dinheiro em escolas de idiomas. São notas máximas de verdade, um domínio perfeito.

Contudo, Lenin não se deteve nessas línguas. Durante o exílio, melhorou sua conversação em alemão e francês, já que apesar de tudo um meio linguístico não é uma sala de aula, e também aprendeu inglês. Além disso, ele lia em italiano, polonês e checo, e entendia sueco. Nadézhda Krúpskaia, esposa de Lenin, aprendeu italiano, e observando a esposa, ele adquiriu nessa língua um conhecimento de leitura e de comunicação cotidiana mínima. Não foi algo extremamente difícil, levando-se em conta seus conhecimentos de francês e latim.

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Quais línguas Lenin sabia? (Kratkoe.com)

Vladimir Lenin sabia perfeitamente as línguas francesa e alemã. Ele as aprendeu enquanto estudava no ensino ginasial, no qual também se ensinavam grego antigo e latim. Lenin sabia grego antigo e moderno num nível cotidiano: entendia o que lhe falavam e podia explicar-se. Vale ressaltar que o líder falava alemão perfeitamente, pois viveu por muito tempo na Áustria-Hungria, na Suíça e na Alemanha levando uma vida política bastante ativa que incluía proferir informes, cursos e discursos políticos.

Lenin aprendeu inglês sozinho. Ele conversava fluentemente sem tradutor com o coronel Robins, adido militar americano, e com o cônsul britânico Lockhart.

Lenin procurava ler jornais italianos e aprendeu um punhado de frases prontas graças à ópera italiana. Aliás, sua própria esposa, Nadezhda Krupskaia, estudava italiano, e o marido aprendeu algumas coisas com ela.

Fontes também afirmam que Lenin podia com facilidade ler polonês e entender checo e sueco. Mas seu nível de compreensão de línguas estrangeiras e sua velocidade de leitura nunca foram testados. Podemos crer que quando esteve na Itália, o líder se comunicava com os italianos, mas não sabemos com que fluência e exatidão.

Em suma, tendo estudado suas anotações em publicações estrangeiras, os acadêmicos concluíram que Vladimir Lenin sabia 11 línguas.


28 de fevereiro de 2021

“Determinação do tema de pesquisa”


Link curto para esta postagem: fishuk.cc/tema-pesquisa


Eu tomei a liberdade de republicar este artigo, com algumas revisões na redação, mas sem grande mutilação do texto original, escrito pela pesquisadora Anna Maria Marques Cintra. Seu título é “Determinação do tema de pesquisa”, foi publicado em 1982 na revista Ciência da Informação (Brasília, volume 11, número 2, páginas 13 a 16) e baixei-o em PDF em 2012 após ver a referência no livro Metodologia do trabalho científico, de Antônio Joaquim Severino, que já ganhou inúmeras edições. Na época, eu estava pensando sobre que tema pesquisar num futuro mestrado, e lia muitos livros sobre metodologia da ciência e da pesquisa. Tanto que decidi fazer um minucioso exercício de fichamento daquele artigo, que aparece no final desta postagem e tem vários detalhes sobre meu procedimento de trabalho. Com as devidas retificações, como na indicação de notas, que ainda não sei se está toda certa, ainda acho o artigo útil e interessante pros jovens de hoje.

Com longa carreira acadêmica, educacional e autoral, Cintra foi professora da ECA/USP e na época do artigo era pesquisadora do IBICT. De 2012 a 2016 foi reitora da PUC-SP, tendo sido escolhida por dom Odilo Scherer mesmo ficando em terceiro lugar na lista tríplice. A greve de professores e estudantes contra sua nomeação, que foi bastante turbulenta, tomou repercussão midiática nacional, mas acabou derrotada na Justiça.



Resumo: A escolha de um tema de pesquisa depende dos valores do pesquisador, de sua relação com o universo. Em qualquer nível, a pesquisa exige independência, criatividade e a integração do tema no dia a dia do pesquisador. Os guias para pesquisas auxiliam na parte formal. Entretanto não existe e é pouco provável que venha a existir um método que permita a reconstrução lógica de novas idéias.
Descritores [palavras-chave]: Pesquisa cientifica; Determinação do tema de pesquisa.

Abstract: The choice of a research topic depends on the researcher’s own values, it depends on the relationship he keeps with his environment. At any level, a research project requires independence, creativity, and integration of the research topic with the researcher’s day-to-day life. Research guides can help only with the development of the formal part of a research project. But one does not find, and probably never will find, a method that leads to the logical rebuilding of new ideas.


“Eu sustento que a única
finalidade da ciência está em aliviar
a miséria da existência humana”. (Brecht)

Decidir sobre um tema de pesquisa é tarefa relativamente fácil para quem está envolvido numa determinada área. Entretanto, aquele que se inicia na vida científica tem de suportar o conflito entre a aquisição de novos conhecimentos e os prazos acadêmicos. Em muitos casos falta tempo e experiência para uma boa opção.

Na tentativa de encontrar coordenadas que nos deem a dimensão do problema, faremos algumas reflexões sobre ciência e pesquisa científica.

O procedimento científico, segundo Nagel, (1) orienta-se simultaneamente por três princípios: o controle prático da Natureza, o conhecimento sistemático e seguro dos fatos e um método próprio.

Sem muito esforço, podemos imaginar que o controle prático da Natureza leva ao avanço tecnológico e a uma melhoria das condições de vida, embora com o risco de ser o cientista tomado como uma espécie de feiticeiro.

Em virtude da complexidade do Universo, cabe ao cientista encontrar formas para organizar o conhecimento, para descobrir os fenômenos. E isto é feito através de raciocínio sistemático.

Os fenômenos a serem estudados para controle devem ser submetidos a uma metodologia bem definida, que corresponde a um caminho delineado para a execução de uma pesquisa.

Paradoxalmente, a ciência que persegue objetivamente um conhecimento sistemático e seguro dos fatos está continuamente por se fazer, e só a existência de um método garante o controle ordenado do Universo, uma vez que os fenômenos são tratados por raciocínios que seguem, aproximadamente, os mesmos princípios de objetividade e testabilidade. É, no entanto, a própria objetividade que impõe o estado sempre provisório de todo o conhecimento.

Mesmo com os riscos de feitiçaria, por razões éticas, não podemos aceitar a ciência pela ciência, (2) pois se o homem busca através do raciocínio organizar de alguma forma os fenômenos do Universo, há de ser para dominá-los, para conhecer-lhes as regras e assim orientar sua relação com e no Universo.

Identificar algo como objetivo de pesquisa não é das coisas mais difíceis. A dificuldade maior reside em manter coerentemente um tratamento metodológico rigoroso. Daí que frequentemente o comportamento científico acaba sendo confundido com o rigor metodológico, em detrimento da importância do objeto, do tema e do próprio conhecimento produzido a partir da pesquisa. (3)

Longe de nós tentar colocar em dúvida a importância do método. O que julgamos indispensável, no entanto, é aliar o rigor metodológico a uma avaliação da relevância da pesquisa, pois questões de total irrelevância, como conhecer a cor da camisa dos universitários brasileiros em dia de prova, pode receber tratamento rigoroso.

“[...] o ponto inicial de uma pesquisa não pode e não deve ser a metodologia, mas antes a relevância do problema”. (4)

Assim, antes de qualquer coisa, torna-se necessário decidir sobre os problemas que devem ser pesquisados e é preciso observar que essa capacidade de discriminar entre o relevante e o irrelevante não nos vem da ciência. Esta “só nos pode oferecer métodos para explorar, organizar, explicar e testar problemas previamente escolhidos”. (5)

A escolha prévia do problema depende do pesquisador. É em função de seus valores, de sua relação com o universo que nascem seus temas de pesquisa. Isso é que faz do ato de pesquisa um ato político.

E no caso específico da pesquisa acadêmica, como se passam as coisas?

Uma tese de doutorado assim se define por ser volumosa, ou por ter algumas qualidades inerentes à pesquisa científica?

Temos visto com frequência que um mesmo tipo de pesquisa serve a mestrado ou doutorado. E a diferença está, muitas vezes, no volume de dados analisados.

Não podemos concordar com critérios apenas de volume. Na prática, o que ocorre é que há dissertações de mestrado com traços nítidos de uma tese e vice-versa, acorrentadas apenas por razões meramente formais da vida acadêmica.

Na verdade a tese de doutorado deve marcar o grande salto do principiante para a vida de pesquisador independente e, desta maneira o mestrado tem de ser tomado como um exercício que abarca desde a opção temática e o rigor metodológico, até o envolvimento pessoal com relação ao tema.

Trata-se, pois, de uma fase de iniciação à pesquisa, portanto à vida científica. E partindo da definição mesma de mestrado, observamos, em linhas gerais, que os orientadores assumem posições diversas.

Para alguns, a dissertação de mestrado deve versar sobre assunto de interesse do orientador. Normalmente ele responde por uma ou mais pesquisas, sendo possível escolher um aspecto sobre o qual se dedicará o mestrando.

Para outros, o mestrado, como fase de aprendizado, deve demonstrar segurança metodológica, sendo secundário o próprio tema. Desta forma, o aspecto básico a ser considerado é o cumprimento de determinadas etapas, supostamente indispensáveis ao trabalho científico.

Outros ainda, entendem que a dissertação já deve conter em germe a disposição do novo pesquisador para associar firmeza metodológica a uma ação criativa.

Evidentemente, é em decorrência da concepção do orientador que acontecem os temas e mesmo a forma do trabalho acadêmico, que vai desde os formatos calcados em modelos prévios, em que tudo é pré-determinado, até a uma liberdade total, marcada pela inserção dos componentes tidos como básicos – objetivos, metodologia, hipóteses – em situações fora dos modelos.

Vale lembrar que para decisões relativas à parte formal, o principiante dispõe de vários guias, de sorte a poder escolher aquela forma mais adequada a seu trabalho e a seu gosto pessoal. (6)

Mas para decidir sobre o tema de pesquisa, a menos que o orientador forneça um assunto, o principiante não encontra nenhuma orientação específica.

Mas seria possível elaborar com certa precisão um roteiro que levasse à descoberta do tema?

Embora haja bons exemplos de trabalhos oriundos do desenvolvimento de parte de pesquisas do orientador, julgamos que a dissertação de mestrado deve propiciar algumas condições que posteriormente serão exigidas do pesquisador independente. Por isso vemos como salutar ao desenvolvimento da vida científica, que o mestrado sirva de exercício, de sorte a permitir experiência tanto no nível metodológico quanto no nível de definição do tema, ou mesmo de validade de pesquisa.

Nossa concepção tem um pressuposto básico: qualquer pesquisa, em qualquer nível, exige do pesquisador um envolvimento tal, que seu objeto de investigação passa a fazer parte de sua vida. Ou o pesquisador assume o problema que se dispõe a aclarar como seu, integrando seu dia a dia, ou apenas cumprirá preceitos acadêmicos.

Mas aqui entram dois novos conceitos de difícil exploração: independência e criatividade.

Acreditamos que só é possível independência de pesquisa na medida em que o pesquisador assume com liberdade seu objeto de análise e submete-o, por ensaio e erro, a uma verificação.

A criatividade, por seu turno, manifesta-se na escolha do tema (originalidade) ou na tradução do resultado da análise em linguagem verbal.

Mas tudo isso pouco nos ajuda a perceber como se chega ao tema de pesquisa.

Concordamos com Popper quando diz que “o conhecimento só começa a partir da tensão entre conhecimento e ignorância”. (7) De fato, só este tipo de tensão permite a percepção de algo obscuro e justifica nossa iniciativa em tentar clarear.

Evidentemente aquilo que já se sabe, que já se conhece, não precisa ser pesquisado. Em contrapartida, nem tudo o que não se sabe deve ser pesquisado.

Em A Prática da Pesquisa, (8) C. de Moura Castro indica três fatores que devem se associar para que aconteça um trabalho de pesquisa: originalidade, importância (a que chamamos relevância) e viabilidade do tema.

Na verdade os três fatores estão de tal forma associados, que o prejuízo de um [deles] põe em risco a própria pesquisa.

Originalidade não se confunde com novidade, não decorre do fato acidental de ser nova ou inédita a pesquisa. Original é o que vai às origens, à essência das coisas. (9)

Importância liga-se à necessidade da pesquisa dar ou encaminhar uma resposta para determinada questão prática ou teórica do homem, da sociedade, da natureza. A importância como fator associado à pesquisa científica, ressalta claramente o caráter político da ciência. Não parece justo o pesquisador dedicar-se a um mero exercício inconsequente.

Viabilidade refere-se ao tempo, aos custos, ao preparo específico do pesquisador, à obtenção de dados e bibliografia. A pesquisa inviável corresponde a enorme perda de tempo, tanto para o pesquisador quanto para a sociedade.

Mas ainda estamos contornando o problema sem chegar à questão básica: como nasce o tema de pesquisa?

Quando dissemos que tomávamos como pressuposto o envolvimento pessoal do pesquisador com sua pesquisa, tínhamos claro que acima de tudo é preciso gostar do que pesquisamos, já que durante longo tempo será nosso ser inteiro que irá se voltar para aquele objeto.

“É melhor começar, creio, lembrando aos principiantes que os pensadores mais admiráveis dentro da comunidade intelectual que escolheram não separam seu trabalho de suas vidas. Encaram a ambos demasiado a sério para permitir tal dissociação e desejam usar cada uma dessas coisas para o enriquecimento da outra [...] A erudição é uma escolha de como viver e ao mesmo tempo uma escolha de carreira; quer o saiba ou não, o trabalhador intelectual forma seu próprio eu à medida que se aproxima da perfeição de seu ofício”. (10)

Com certeza poderíamos prosseguir com novas reflexões. No entanto, a questão básica está em que não haverá receitas ou modelos para a criação humana, sob pena de ser decretada a sua morte.

Não existe ainda, e é pouco provável que venha a existir, um método que permita a reconstrução lógica do nascimento de novas ideias. Desta forma, o nascimento do tema de pesquisa é um trabalho artesanal de criação que exige do pesquisador a descoberta de seus valores pessoais, um posicionamento crítico e inquieto diante do Universo e uma disciplina de trabalho que permita equacionar valores pessoais com o objeto e o ato da pesquisa.


Notas (clique no número pra voltar ao texto)

(1) NAGEL, E. Ciência: natureza e objetivo. In: MORGENBESSER, S. Filosofia da Ciência. São Paulo: Cultrix, 1971.

(2) ALVES, R. Conversas com quem gosta de ensinar. 2. ed. São Paulo: Cortez, 1981, p. 69.

(3) “O ‘método’ procura explicar o seu objeto, quer ser o ‘caminho’ de descoberta do seu ‘objeto’, mas [...] já é hora de pensar num ‘método’ que leve em conta o seu ‘fracasso metodológico’ como momento necessário ao seu próprio êxito”. Cf. KOTHE, Flávio R. Caminhos e descaminhos da crítica; encontro marcado com Heidegger. Reflexão, Campinas, v. 4, n. 15, p. 67-71, set.-dez. 1979.

(4) Ibidem.

(5) ALVES, R. Conversas com quem gosta de ensinar. 2. ed. São Paulo: Cortez, 1981, p. 69.

(6) Destacamos, dentre vários trabalhos, os de: ACOSTA HOYOS, Luís E. Guía práctica para la investigación y redacción de informes. 2. ed. Buenos Aires: Paidós, 1972; ASTI VERA, Armando. Metodologia da pesquisa cientifica. Porto Alegre: Globo, 1973; CASTRO, Cláudio de Moura. Estrutura e apresentação de publicações cientificas. São Paulo: Mc Graw-Hill, 1976; Idem, A prática da pesquisa. São Paulo: Mc Graw-Hill, 1977; MANZO, Abelardo J. Manual para la preparación de monografias. Buenos Aires: Humanitas, 1973; SEVERINO, Antônio Joaquim. Metodologia do trabalho científico. 3. ed. São Paulo: Cortez e Moraes, 1978; SPINA, Segismundo. Normas gerais para os trabalhos de grau: breviário para o estudante de pós-graduação. São Paulo: Fernando Pessoa, 1974.

(7) POPPER, K. A lógica das Ciências Sociais. Rio: Tempo Brasileiro, 1978, p. 14.

(8) CASTRO, Cláudio de Moura. A prática da pesquisa. São Paulo: Mc Graw-Hill, 1977, p. 5.

(9) GOMES, R. Crítica da razão tupiniquim. 4. ed. São Paulo: Cortez, 1980, p. 24.

(10) MILLS, W. A imaginação sociológica. Rio de Janeiro: Zahar, 1980, p. 211.

__________________

CINTRA, Ana Maria Marques. “Determinação do tema de pesquisa”. Ciência da Informação, Brasília, 11 (2), pp. 13-16, 1982.

(Artigo citado por Antônio Joaquim SEVERINO, Metodologia do trabalho científico, 22. ed. rev. e ampl., São Paulo, Cortez, 2002, p. 145.)

Lido, grifado e dividido em itens e subitens a 21 de setembro de 2012.
Fichado entre 25 e 26 de setembro de 2012.


P. 13

Introdução geral

Escolher um tema de pesquisa é relativamente fácil a quem tem inserção numa certa área, mas o iniciante à vida científica geralmente sofre o conflito entre a assimilação de conhecimentos e os prazos acadêmicos, faltando tempo e experiência para uma boa escolha. Refletir sobre ciência e pesquisa científica ajuda a achar coordenadas para dimensionar o problema.


I. Papel e diretrizes do fazer científico

Introdução – Ernest Nagel (1901‒1985) define como princípios do fazer científico:

  1. O controle prático da Natureza;
  2. O conhecimento sistemático e seguro dos fatos;
  3. O método próprio.

Desenvolvimento

  1. O controle prático da Natureza faz a tecnologia avançar e melhora as condições de vida, o que, porém, arrisca o cientista a ser visto como um tipo de feiticeiro.
  2. O Universo é complexo, por isso o cientista se vale do raciocínio sistemático para organizar o conhecimento e descobrir os fenômenos.
  3. Os fenômenos a controlar devem enquadrar-se numa metodologia bem delineada, como parte do caminho para a elaboração de uma pesquisa. Porém, ao mesmo tempo, a ciência que busca conhecer segura e sistematicamente os fatos está sempre se fazendo, e só um método que garanta o controle organizado do Universo pode tratar os fenômenos com a mesma testabilidade e objetividade, a qual, no entanto, impõe a própria provisoriedade de qualquer conhecimento.

Conclusão ‒ Apesar do risco de mistificação do cientista, a “ciência pela ciência” é inaceitável, pois sua função real é conhecer as regras dos fenômenos do Universo para que o ser humano possa coordenar sua relação com ele.


II. Relação entre rigor metodológico e relevância do objeto de pesquisa

Introdução ‒ Mais difícil do que determinar um objeto de pesquisa é manter uma postura metodológica rigorosa e coerente, o que geralmente faz confundir-se comportamento científico com rigor metodológico, e não com o objeto em si.

Nota com citação do artigo de Flávio R. KOTHE, “Caminhos e descaminhos da crítica: encontro marcado com Heidegger”: Um “método” busca explicar seu objeto, mas deve-se hoje pensar num “método” que considere seu “fracasso metodológico” como importante para seu próprio êxito.

P. 13-14

Desenvolvimento ‒ Aqui não se julga que o método não seja importante, mas que é indispensável aliar rigor metodológico e verificação da relevância da pesquisa, já que questões irrelevantes também podem ser rigorosamente abordadas. Em todo caso, é antes pela relevância do problema do que pela metodologia que se deve começar.

P. 14

Conclusão ‒ Por isso, o ponto inicial é a decisão sobre os problemas a serem pesquisados, cuja relevância não é discernida pela própria ciência, a qual só oferece os métodos de exploração, organização, explicação e teste dos problemas. [Ligação com a introdução seguinte.]


III. Responsabilidade pela escolha do tema

Introdução – Na verdade, são os valores e a relação do pesquisador com o Universo que ajudam a escolher previamente o problema, o que torna a pesquisa um ato político.

Desenvolvimento

1. Diferença entre mestrado e doutorado

Introdução ‒ No caso da pesquisa acadêmica em si, surgem questões como: a tese de doutorado é definida por seu volume extenso ou por certas qualidades científicas? De fato, uma mesma pesquisa serve tanto a mestrado quanto a doutorado, diferindo apenas o volume de dados analisados.

Desenvolvimento – O critério de volume não define nada, pois há dissertações com claros traços de tese, e vice-versa, as quais são atadas por mera formalidade acadêmica. O doutorado, na verdade, marca um salto da iniciação para a pesquisa independente, sendo o mestrado um exercício de rigor metodológico, escolha do tema e envolvimento pessoal com ele.

Conclusão e Introdução do próximo item – Assim, o mestrando está se introduzindo na pesquisa e na vida científica, fase em que os orientadores tomam posturas diferentes.

2. Postura do orientador perante o mestrando

Desenvolvimento

  1. Alguns pensam que o assunto do mestrado deve ser de interesse do orientador, que coordena uma ou mais pesquisas e escolhe um aspecto a que a dissertação deve se ater.
  2. Outros julgam mais importante a segurança metodológica, secundarizando o tema e transformando o trabalho científico num mero cumprimento de etapas definidas.
  3. outros ainda consideram a dissertação como o germe de um novo pesquisador que associe corretamente firmeza metodológica e ação criativa.

Conclusão do item III e do subitem 2 – Obviamente os pressupostos do orientador definem os temas e mesmo a forma do trabalho, que obedece desde modelos prévios até a inserção livre de objetivos, metodologia, hipóteses etc. fora de predefinições, enquanto os vários guias, com formatos a escolher, podem muito bem orientar o principiante na parte formal.


IV. Condições subjetivas para o amadurecimento do tema

Introdução – A não ser que o orientador ofereça um tema, o principiante não tem orientações específicas para decidir sobre ele. Mas poderia existir um roteiro preciso para auxiliá-lo?

P. 14-15

Desenvolvimento

1. O mestrado como um aprendizado da autonomia

Mesmo havendo bons mestrados que integram pesquisas do próprio orientador, o ideal é que se cultivem desde já propriedades exigidas depois pela pesquisa independente. Assim, a dissertação deve ser um exercício de experiência na metodologia, na escolha do tema e na consecução de uma pesquisa válida.

P. 15

2. O objeto de pesquisa como parte da vida pessoal

Grandes resultados são obtidos se a pesquisa fizer o objeto integrar o cotidiano, a própria vida do pesquisador, se ele for algo considerado seu, caso contrário, haverá a prisão a meras formalidades acadêmicas.

3. Conceitos de independência e criatividade

Nesse tipo de pesquisa entram dos conceitos novos:

  1. Independência: o pesquisador adota livremente seu objeto e o submete a uma verificação por tentativa e erro.
  2. Criatividade: o pesquisador escolhe um tema original e/ou traduz os resultados numa linguagem verbal adequada.

Conclusão do item IV ‒ Apesar dessas orientações, permanece um mistério o caminho ao tema de pesquisa.


V. Condições objetivas para o amadurecimento do tema

Introdução – Karl Popper está certo ao escrever que o conhecimento surge apenas quando entram em tensão o que se sabe e o que não se sabe, ocorrendo a vontade de clarear o que estava obscuro. Por isso, não se precisa pesquisar o que já se sabe, todavia, nem tudo o que se desconhece merece ser objeto de pesquisa.

Desenvolvimento – Cláudio de Moura Castro, no livro A prática da pesquisa, aponta três vetores a convergirem na execução de um trabalho de pesquisa, os quais se associam de forma que todos sejam imprescindíveis:

  1. Originalidade: não consiste na novidade, mas na propriedade de perscrutar as origens, a essência do objeto.
  2. Importância: a pesquisa é importante se responde a alguma questão prática ou teórica de caráter humano, social ou natural, o que lhe confere um caráter político e a interdição de consistir num simples exercício inconsequente.
  3. Viabilidade: concerne a tempo, custos, preparo do pesquisador, bibliografia e obtenção de dados, que devem ser bem equacionados para não apenas se perder tempo.

Conclusão – Mesmo assim, ainda não se esclareceu sobre o nascimento do tema de pesquisa.


VI. O tema como uma escolha pessoal não quantificável

Introdução – O envolvimento pessoal com a pesquisa exige, antes de tudo, o gosto por ela, pois ocupará grande parte do tempo e das energias do estudioso. De fato, como Wright Mills, concorda-se que os melhores pensadores não separam o trabalho da vida geral, os quais se enriquecem mutuamente e colaboram para a correlação entre formação do eu e perfeição do ofício.

Desenvolvimento ‒ Em todo o caso, a criação humana jamais se submete ou se submeterá a receitas e modelos, pois, do contrário, poderá morrer.

Conclusão do item VI e do texto inteiro – Da mesma forma, reconstruir logicamente o nascimento de novas ideias prossegue imune a métodos, sendo o nascimento do tema de pesquisa, assim, uma espécie de criação artesanal que exige a descoberta dos valores pessoais do pesquisador, uma atitude crítica e inquieta perante o Universo e um trabalho disciplinado que equacione valores pessoais com o objeto e a execução da pesquisa.



26 de fevereiro de 2021

Hilde van Ooijen, cantora de Holambra


Link curto para esta postagem: fishuk.cc/ooijen




Em mais uma iniciativa inovadora de disponibilizar músicas e álbuns raros, esta é a holandesa Hilde van Ooijen, cuja profissão é enfermeira, mas também canta nas horas vagas. Moradora da cidade de Holambra, SP, conhecida internacionalmente pelo riquíssimo mercado de flores e plantas e pela comunidade de imigrantes holandeses que chegou ao Brasil no fim da década de 1940. Ela é esposa do proprietário do Parque e Fazenda Lindenhof, que se não me engano já encerrou suas atividades.

Certo dia, em princípios do ano 2000, minha família e eu fizemos uma rápida visita ao local, sem ficar muito tempo, e compramos este CD que por acaso estavam vendendo no local. Os funcionários disseram que Hilde, ausente na ocasião, fazia shows nos fins de semana, quando o parque estava com mais gente passeando e fazendo suas refeições. Desde então, nunca mais tivemos notícias do Lindenhof nem da popstar vetusta, cuja memória só parece ter sido eternizada nesta relíquia da fonografia holambrense.

Só há alguns meses tive a ideia de escanear o material da capa do CD pra fazer uma playlist com vídeos no meu canal, tendo eu já há alguns anos passado as faixas pra arquivos MP3. As músicas em geral já são conhecidas na Holanda (Países Baixos) e na parte da Bélgica em que se fala holandês (lá chamado “flamengo”). Mas só aqui você conhece com exclusividade as peculiares interpretações e as fotos pitorescas de flores, roupas típicas e animais!

Coloquei abaixo todas as letras em holandês que consegui encontrar, embora eu não tenha podido traduzi-las. Os títulos que figuram na internet nem sempre coincidem com os que são dados no CD, portanto os primeiros vão entre parênteses após os segundos. As informações técnicas (fichas) estão nas imagens dos vídeos. Bom divertimento!



Risico’s

1. Wie huilt noemt men zielig
Of sentimenteel
En wie z’n gevoelens uit
Zegt soms teveel
Wie lacht wordt niet zelden
Versleten voor gek
En wie iets probeert
Gaat misschien op z’n bek

Refrão:
Wil je leven
Of blijf je beven
Om toe te geven
Aan je schrik of zo
Wil je leven
Neem het risico
Want aan het eind van de reis
Betaal je altijd de prijs

2. Wie liefde geeft
Krijgt niet altijd iets terug
En wie vertrouwt
Krijgt soms het mes in de rug
Wie hoopt, krijgt de wanhoop
Vaak op de koop toe
En wie de eerste stap zet
Moet zelf zoeken hoe

(Refrão)

3. Wie eerlijk is
Geraakt niet altijd hogerop
En wie iets begint
Loopt de kans op een flop
Wie zegt wat hij denkt
Geeft zich vaak teveel te bloot
Maar ook wie niet durfde
Te leven gaat dood

(Refrão 2x)



Vrijdag

1. Op een avond in de winter
Leek de hele wereld kil
En ik dacht: “Wat ben ik eenzaam
Het lijkt wel of ’r niemand met me praten wil”
Maar dan opeens ging zoet en zacht de telefoon
’t Was m’n liefste in persoon
Hij zei: “Ik vlieg vanavond weg uit Katmandoe
En vrijdag kom ik ijlings naar je toe”

Refrão:
Vrijdag
Ik-en-jij-dag
Wanneer we weer zo helemaal tesamen zijn
Vrijdag
Ik-ben-blij-dag
Van morgenzon en vogelzang tot maneschijn
Vrijdag
Ik-en-jij-dag
Het rikketikt en tintelt door m’n hele lijf
Vrijdag
Vrij-met-mij-dag
En ’k heb bedacht dat ik vannacht maar bij je blijf

2. O, op vrijdag is het leven
’s Morgens vroeg al triomfant
Want op vrijdag komt mijn vriendje
Het geeft niet waarvandaan, New York of Griekenland
Die warmte als ik weerom in z’n armen val
Die diepe liefde bovenal
Op vrijdag stromen hete tranen in de wijn
Van vreugde dat we weerom samen zijn

(Refrão)



Illusie

1. Ach wat ben je nu stil
’k Weet niet goed wat je wil
’t Is eenmaal gebeurd
Was gewoon zo’n onozele ruzie
Er is niets aan te doen,
Geef me gauw weer een zoen
Het leven gaat soms over rozen
En soms ook weer eventjes niet
Paradijs is misschien een illusie

Refrão:
Alle dagen zouden zoet moeten zijn
Alle zomers langer
Wat je wenst en verwacht
Alles lukt alles lacht
Idealen zo heerlijk bedacht
Alle nachten zouden zwoel moeten zijn
Alle liefde liever
Ieder woord een gebaar
Niet te licht niet te zwaar
Het is alleen illusie

2. Na een jaar bij elkaar
Is het heus niet zo raar
Wanneer je van meing verschild
En zoals ik het nu zie
Ben je toch wie ik wou
Hou ik zielsveel van jou
Gelukkig je lacht weer,
Je bent het ineens
Met me eens zo te zien
Paradijs is misschien een illusie

(Refrão)



Zie jou dansen (Als ik jou zie wil ik dansen)

1. Ik heb heel de dag de tijd
Toch raak ik jou niet kwijt uit mij gedachten
Want ik denk overdag
Hoe je naast me lag en lief lachte
Het was toch weer zo fijn
Om met jou te zijn is een heerlijk gevoel
Ik krijg nooit genoeg van jou
Want bij jou voel ik dat ik weer tot leven kom

Refrão:
Ja, als ik jou zie wil ik dansen
Wil ik jouw armen om me heen
Dan wil ik samen met je zweven
Zo heerlijk, dat kan jij alleen
Ja, als ik jou zie wil ik dansen
Niemand die jou toch evenaart
Ik voel me zo gelukkig samen met jou
Oh, dat is mij toch alles waard

2. En ’s morgens ga je weg
Maar niet voordat je zegt dat je houdt van mij
Ik bel zo gauw het kan
Jou op je werk en dan voel ik me blij
Je zegt die woorden weer
Waar ik zo graag op teer
Dat je geeft om mij
Ik krijg nooit genoeg van jou
Want jij zorgt dat ik verlangend naar jou uit blijf zien

(Refrão)

Oh, ik wil samen met je zweven
Zo heerlijk, dat kan jij alleen

(Refrão)


In de zon



Suikerspinnen (Dat ben jij)

1. Suikerspinnen van een kind
En luchtkastelen in de wind
De witte wolken in het blauw
Dat is waar ik van hou
Maar wolken schuiven voor de zon
Soms regent het op mijn balkon
Dan kleurt de hele hemel grijs
En raak ik van de wijs

Refrão:
Ik heb de wolken innig lief
Al ken ik heus de wolken niet
Zo vele keren toonde zij
Een ongekende kant aan mij

2. Fluister woorden in mijn oor
Een zoete kus, een jubelkoor
En hand in hand bij de fontein
Zo mag het altijd zijn
Maar soms ga jij bij mij vandaan
Dan trek ik jouw pyjama aan
En staar weemoedig in het vuur
Dan tel ik ieder uur

(Refrão)

3. Telkens weer een nieuwe dag
Een vogel zingt, er waait een vlag
Het leven heeft een blij gezicht
En alles danst in het licht
Maar leven kent ook tegenslag
Soms moet ik vechten voor een lach
Toch hou ik vast aan mijn gevoel
Mijn leven heeft een doel

Ik heb het leven innig lief
Al ken ik heus het leven niet
Oh alle dagen toont het mij
De mooiste kant en dat ben jij



Als de zon ondergaat (Zomernachtsdromen)

Refrão:
Als de zon ondergaat
’n Gouden glans achterlaat
Droom ik weer van die uren met jou
Wij tweetjes wandelen fijn
In de heldere maneschijn
In mijn zomernachtsdromen van jou

1. Wij liepen langs het witte strand
Enkel sterren om ons heen
Bij het licht van de maan
Waren wij daar heel alleen
Deze droom van die nacht
Heeft ons geluk gebracht
Die zomeravond vol liefde voor ons twee

(Refrão)

2. Wij gingen daar hand in hand
Ik zong ’n liedje voor jou
In dat verre vreemde land
Zei ik dat ik van je hou
Ik droom nog vaak van die nacht
Die ons samenbracht
Die zomeravond vol liefde voor ons twee

(Refrão)


Hoe zal ik naar je kijken



Dansende vleugels (Vleugels)

Alles wat ik jou ooit wilde zeggen
Hoef ik niet uit te leggen
Want jij en ik we horen bij elkaar
Maar jij moet nu ook beseffen

’t Is dat verliefde gevoel
Wat bijna is bevroren
Ik wil weer door dat vuur met jou
Omdat ik zoveel van je hou

Ik wil weer dansen met jou
Op die vleugels van toen
Ook al duurt dat maar
Heel even dat gevoel
Dan wil ik jou beminnen
Met warmte diep van binnen
Het is zolang geleden,
Maar dit is wat ik jou zeggen wou

Met heel m’n hart en ziel hou ik van jou
’k Zou jou nooit willen ruilen
Maar af en toe dan voel ik weer die sleur
Waarvoor ik me wil verschuilen

Oh, dat verliefde gevoel
Het zit zo diep van binnen
Ik ga weer door die muur voor jou

Ik wil weer dansen met jou
Op die vleugels van toen
Ook al duurt dat maar
Heel even dat gevoel
Dan wil ik jou beminnen
Met warmte diep van binnen
Omdat ik zoveel van je hou

Ik wil weer dansen met jou
Op die vleugels van toen
Ook al duurt dat maar
Heel even dat gevoel
Dan wil ik voor jou zingen
Over warme dingen
Dit is wat ik jou zeggen wou

Hou me vast, heel even maar
Voel je nu wat ik bedoel
Oh, deze warmte heb ik lang niet meer gekend



Zomernachten

1. Op het gloeiende zand
Liggen wij zij aan zij
Op het gloeiende zand
Bij de ruisende zee

Met je hand in mijn hand
Dromen wij urenlang
Van de komende nacht
Die op ons wacht

Refrão:
Zomernachten, zomernachten
Zijn zo mooi voor verliefden als wij
Maar als je gelukkig bent
Gaat de tijd zo snel voorbij
Zomernachten, zomernachten
Er is niets waar ik zoveel van hou
En ik wens me duizend en één
Zomernachten met jou

2. De zon heeft niet gestaakt
Want ze heeft heel de maand overuren gemaakt
En langs duinen en strand
Heel wat ruggen verbrand
En we liggen languit
In een piepkleine schuit
Tot de zon ondergaat
En de eerste ster aan de hemel staat

(Refrão)

3. Als zo’n magische nacht
Ons wonderzacht
In z’n blauwe mantel hult
Weten wij dat onze liefdesdroom zich gauw vervult

(Refrão)


Ballalaika



Er is muziek

1. De weg is lang, het zuiden lokt en lonkt,
De warme zomer gloeit
We zijn verlangend naar de horizon,
Maar eindeloos vermoeid
Nu word het nacht, we zijn verdwaald misschien
Er is geen stad en geen hotel te zien.
Maar ergens rinkelt de ritmiek
Daar in de verte is muziek

Refrão:
Daar is muziek
Bij maneschijn
De menden dansen
Op het plein
Het pakt je beet
Van lieverlee
En voor jet het weet
Dan dans je mee

2. De muzikanten spelen zuidelijk
En duidelijk vol vuur
De noten tuimelen naar buiten
Toe op zoek naar avontuur
Het is al nacht maar alles deint en doet
Waardoor je voelt dat je wel dansen moet
Met zoveel vreugde in de lucht
Gaat alle weemoed op de vlucht

(Refrão)

3. Dikwijls heb ik terug gedacht
Aan die vakantie en dat dorp, die nacht
En was die liefde met elkaar
Nu maar voor de heel de wereld waar

(Refrão)


In ale dingen



Dak van de wereld (Op het dak van de wereld)

1. Ik heb vandaag zo’n wonderlijk gevoel
Slechts verliefden weten echt wat ik bedoel
Helder blauw is de lucht en ik straal van geluk
Want mijn leven heeft nu eindelijk een doel
Al m’n lege dagen zijn voorbij
En de zon schijnt dag en nacht alleen voor mij
Tot in ’t diepst van mijn hart
Dat op jou heeft gewacht
En nu dat je hier bent, voel ik me zo blij

Refrão:
’k Zit op het dak van de wereld
En ik kijk naar beneden
Waar er niets of niemand mij nog raken kan
’k Zit nooit meer aan de grond
Sinds de dag dat ik je vond
Zit ik heerlijk op het dak van de wereld

2. Alles wat ik droomde is gebeurd
En ’t is net of alles zich daarom verheugd
Elke bloem, ieder blad lijkt zo glanzend en glad
En de toekomst heeft ee nieuwe roze kleur
Er is nog een ding dat ik vraag
Dat je morgen van me houdt zoals vandaag
Als je voor eeuweig lang
Dicht bij mij blijven kan
Is er echt niets anders meer dat ik verlang

(Refrão 2x)



Kleine paradijs

Als de regen onze liefde blust
En de hemel op mijn schouders rust
Wil ik naar een land
Aan de andere kant
Naar een land hier ver vandaan
Naar een ander land
Aan de overkant
Waar de wolken niet bestaan.

Als een vogel wil ik vliegen dan
Veel verder dan ik dromen kan
Als het even kan wil ik naar de zon
Wil ik heel ver weg op reis
Op een klein balkon
In de avondzon
In een heerlijk paradijs

Maar dan weet ik dat mijn hart verlangt
Naar de regen van dit kleine land
Waar ook jij mijn hart verwarmen kan
Ja, mijn hele leven lang
Want al is de hemel soms heel grauw

Als je houdt van mij en ik van jou
Ben je rijker dan
Ik ooit wensen kan
In dit kleine paradijs
Ook al is het koud
Als je van me houdt
Is het hier het paradijs

Van een hele kleine luchtballon
Maken wij een reuze grote zon
Als de liefde brandt
In dit kleine land
Is het hier het paradijs
Als de liefde brandt
In dit kleine land
Is het hier het paradijs

Nu de sterren aan de hemel staan
En ons hart verwarmd wordt door de maan
Nu we samen zijn
Niemand krijgt ons klein
In dit kleine paradijs

Kom we zingen tot de ochtend komt
En we dansen samen in het rond
Als de liefde brandt
In dit kleine land
Is het hier het paradijs
Als de liefde brandt
In dit kleine land
Is het hier het paradijs



Regen van geluk

1. ’k Was ooit verliefd, verstrooit en verdwaald
Als een kind dat geen gevaren kent
Oneindig ver op zoek naar jou
Steeds weer opnieuw met maar die ene wens

Zomaar opeens kwam jij in mijn leven
Zomaar een mens waar ik van hou
Jij bent voor mij
Alles wat ik ooit wou

Refrão:
Want iedere keer als jij me aankijkt
Voel ik een regen van geluk
Iedere keer als jij zomaar naar me lacht
Weet ik dat ik jouw nooit laat gaan
Dat ik jouw nooit laat gaan

2. ’t Is de kracht die jij me nu geeft
Jij voelt precies dat geen waar ik voor leef
Diep in de nacht ben ik soms even bang
Heel even bang hoe ik naar jou verlang
Zomaar opeens liet jij me weer zweven
Van dat geluk was ik vervreemd
Jij sprak die taal, de taal die mijn hart
Weer deed leven

(Refrão)

Jij bent het beste wat mij ooit overkwam
Hou me vast en laat me nooit meer los

(Refrão)



Voel me goed vandaag

1. ’k Voel me goed vandaag
En alles valt mee, vandaag
De zon en de zee
Alles lui en traag,
Ik ga maar te voet
Misschien ga je mee?

2. Niks dat moet vandaag,
Alleen of met twee, vandaag
Dat is ook ok
Wil je niet zo graag,
Je ziet wat je doet.

3. Ik heb vandaag geen ander doel
Dan te voelen wat ik voel, binnenin
En ik doe mijn zin
Ik voel me goed als jij eens wist
Als jij kon weten wat het is, dat je mist
Dan kwam je gelopen

4. ’k Voel me goed vandaag
En alles valt mee, vandaag
Als jet het heel mooi vraagt
Dan mag je nog mee

(Repete o 3)

5 (2x). ’k Voel me goed vandaag
En alles valt mee, vandaag
De zon en de zee
Als je ’t heel mooi vraagt
Dan mag je nog mee
Dan mag je nog mee
Dan mag je nog mee



Adios

1. Zoals een onweer in de tropen
Zoals een plotse gave bui
Is onze liefde uitgebroken
En iedereen stond er bij
Ja, iedereen heeft kunnen merken
Hoe alles tussen ons begon
We konden het ook niet verbergen
We straalden beide als de zon

Refrão:
Tranen verdriet en spijt, adios adios
Uren van somberheid adios
Dagen van eenzaamheid, adios adios
Tranen verdriet en spijt, adios
Adios adios, adios adios

2. Met jou te leven vind ik heerlijk
Met jou lijkt alles zo uniek
Ik ben gelukkig ik weet het
Mijn hart is open voor muziek
Het leeg gevoel dat ik eeens kende
Is dankzij jou voor goed voorbij
De tijd van twijfels en ellende
Ligt nu als eeuwen achter mij

(Refrão)

22 de fevereiro de 2021

Anthem of Covid-19 in GR PT EN FR RU


Short link to this post: fishuk.cc/covid-gr




Um dia encontrei por acaso esta animada canção em grego, de pouco menos de 1 minuto. O nome informado é “Ο Ύμνος Του Κορονοϊού” (O Ýmnos Tou Koronoioú), Hino do Coronavírus, o que à primeira vista pode parecer um pouco mórbido. Na verdade, é apenas uma da série de músicas e paródias humorísticas que surgiu no mundo todo quando a pandemia da covid ainda estava começando. Tanto que o compositor alerta tratar-se de uma “canção meramente humorística” (como se precisasse explicar), embora hoje ninguém mais ache graça nenhuma.

A letra é do jovem músico grego Dimítris Klotsotýris, mais conhecido nas redes e em seu próprio canal como Treloikariotis, e a melodia foi composta por ele, junto com um tal de “Petrit”. Petrit também fez os arranjos, e temos a pérola que você está vendo agora mesmo. Embora o compositor diga que “é proibido postar o vídeo em outros canais”, taquei o dane-se, traduzi com a ajuda do Google Tradutor e legendei nas duas línguas (com transliteração). Usei o Google pra traduzir e até comparei com o resultado em outras línguas, mas a palavra final foi minha, sobretudo em “terror nos canais”, que podia parecer estranho ou ambíguo em português.



1. Προσοχή στον κορονοΐο
Πάρε το αυτοκίνητο και ξέχνα το Μετρό
Φορά και τη μάσκα να μοιάζεις με γιατρό
Και βράδυ κανε μπάνιο με το αντισηπτικό
(Prosochí ston koronoío
Páre to aftokínito kai xéchna to Metró
Forá kai ti máska na moiázeis me giatró
Kai vrády kave bánio me to antisiptikó)

2. Ήρθε ο Ιός κατευθείαν από την Κίνα
Και όλο τον πλανήτη έβαλε σε καραντίνα
Άδειασανε τα ράφια, τρόμος στα κανάλια
Και σ’ όλη την Ελλάδα ακύρωσαν καρναβάλια
(Írthe o Iós kateftheían apó tin Kína
Kai ólo ton planíti évale se karantína
Ádeiasane ta ráfia, trómos sta kanália
Kai s’ óli tin Elláda akýrosan karnavália)

1. Cuidado com o coronavírus
Ande de carro e esqueça o metrô
Use a máscara pra parecer um médico
E à noite tome banho com antisséptico

2. O vírus veio diretamente da China
E pôs todo o planeta em quarentena
Prateleiras esvaziadas, terror na TV
E carnavais cancelados por toda a Grécia

____________________

One day I found by chance this joyful song in Greek, with just over one minute. Its title was “Ο Ύμνος Του Κορονοϊού” (O Ýmnos Tou Koronoioú), The Anthem of Coronavirus, that at first glance may seem quite morbid. Actually, it’s only one of the several humorous songs and parodies that appeared around the world when the covid pandemic was still beginning. In fact, the composer even advises that it’s a “merely humorous song” (as if this had to be pointed out), though today no one else finds it funny.

The lyrics were written by the young Greek musician Dimítris Klotsotýris, known on the medias and on his own channel as Treloikariotis, and the melody was composed by him together with a guy called “Petrit”. Petrit also made the arrangement. Although the composer wrote that “posting the video on other channels is forbidden”, I didn’t care about it, translated the text using Google Translator, brought some personal corrections and made the subtitles in two languages (with transliteration).



1. Προσοχή στον κορονοΐο
Πάρε το αυτοκίνητο και ξέχνα το Μετρό
Φορά και τη μάσκα να μοιάζεις με γιατρό
Και βράδυ κανε μπάνιο με το αντισηπτικό
(Prosochí ston koronoío
Páre to aftokínito kai xéchna to Metró
Forá kai ti máska na moiázeis me giatró
Kai vrády kave bánio me to antisiptikó)

2. Ήρθε ο Ιός κατευθείαν από την Κίνα
Και όλο τον πλανήτη έβαλε σε καραντίνα
Άδειασανε τα ράφια, τρόμος στα κανάλια
Και σ’ όλη την Ελλάδα ακύρωσαν καρναβάλια
(Írthe o Iós kateftheían apó tin Kína
Kai ólo ton planíti évale se karantína
Ádeiasane ta ráfia, trómos sta kanália
Kai s’ óli tin Elláda akýrosan karnavália)

1. Beware of the coronavirus
Use your car and forget the subway
Wear the mask to look like a doctor
In the evening take an antiseptic bath

2. The virus came directly from China
And quarantined the whole planet
Store shelves emptied, terror on TV
And carnivals canceled all over Greece

____________________

Un jour j’ai trouvé par hasard cette chanson animée en grec, d’un peu plus d’une minute. Le titre présenté est “Ο Ύμνος Του Κορονοϊού” (O Ýmnos Tou Koronoioú), L’Hymne du coronavirus, ce qui au premier regard peut paraitre un peu morbide. En vérité, ce n’est qu’une des plusieurs chansons et parodies humoristiques apparues partout dans le monde quand la pandémie de la covid était encore au début. D’autant plus que le compositeur souligne qu’il s’agit d’une “chanson simplement humoristique” (comme s’il fallait l’expliquer), bien qu’aujourd’hui plus personne n’y trouve aucun amusement.

Les paroles sont du musicien grec Dimítris Klotsotýris, plus connu sur les réseaux et sur sa propre chaine comme Treloikariotis, et la mélodie a été composée par lui, ensemble avec un certain “Petrit”. Petrit a aussi fait les arrangements, et vouz avez ce génial chef-d’œuvre. Bien que le compositeur dise qu’il est “interdit de publier la vidéo dans d’autres chaines”, je m’en ai fiché, je l’ai traduite avec l’aide du Google Traducteur et sous-titrée dans les deux langues (avec translitération). J’ai utilisé le Google pour traduire et même comparé le résultat vers d’autres langues, mais moi-même ai pris la décision finale.



1. Προσοχή στον κορονοΐο
Πάρε το αυτοκίνητο και ξέχνα το Μετρό
Φορά και τη μάσκα να μοιάζεις με γιατρό
Και βράδυ κανε μπάνιο με το αντισηπτικό
(Prosochí ston koronoío
Páre to aftokínito kai xéchna to Metró
Forá kai ti máska na moiázeis me giatró
Kai vrády kave bánio me to antisiptikó)

2. Ήρθε ο Ιός κατευθείαν από την Κίνα
Και όλο τον πλανήτη έβαλε σε καραντίνα
Άδειασανε τα ράφια, τρόμος στα κανάλια
Και σ’ όλη την Ελλάδα ακύρωσαν καρναβάλια
(Írthe o Iós kateftheían apó tin Kína
Kai ólo ton planíti évale se karantína
Ádeiasane ta ráfia, trómos sta kanália
Kai s’ óli tin Elláda akýrosan karnavália)

1. Attention au coronavirus
Prenez la voiture et oubliez le métro
Portez le masque pour ressembler à un médecin
Et le soir prenez un bain avec antiseptique

2. Le virus est venu directement de Chine
Et a mis toute la planète en quarantaine
Des étagères vidées, du terreur à la télé
Et des carnavals annulés partout en Grèce

____________________

Один день я нашел случайно эту радостную песню на греческом языке, чуть меньше за 1 минуту. Его данное имя – “Ο Ύμνος Του Κορονοϊού” (O Ýmnos Tou Koronoioú), “Гимн коронавируса”, что первоначально может казаться немного болезненным. На самом деле, это только одна из ряд песен и пародий, которые появились в мире, когда пандемия covid19 только что начиналась. Оказалось, что сам композитор посчитал необходимым подчеркнуть, что его сочинение было “просто юмористической песней” (как будто ему должно было это объяснить), хотя сегодня больше ничего не считает это смешным.

Слова написал молодой греческий музыкант Димитрис Клоцотириц, который чаще представляется в соцсетях и на своем канале как “Treloikariotis”, а музыку сложил он, вместе с каким-то “Petrit”. Петрит тоже создал аранжировку, а вот чудо, которое вы сейчас смотрите. Несмотря на то, что композитор говорит, что “загрузка на другие каналы запрещена”, я не заботился об этом, перевел с помощю Google Translate и сделал субтитры на двух языках (с транслитерацией на латинице). Я использовал Google, чтобы перевести, и даже сравнил с результатом на других языках, но я сам принял окончательное решение.



1. Προσοχή στον κορονοΐο
Πάρε το αυτοκίνητο και ξέχνα το Μετρό
Φορά και τη μάσκα να μοιάζεις με γιατρό
Και βράδυ κανε μπάνιο με το αντισηπτικό
(Prosochí ston koronoío
Páre to aftokínito kai xéchna to Metró
Forá kai ti máska na moiázeis me giatró
Kai vrády kave bánio me to antisiptikó)

2. Ήρθε ο Ιός κατευθείαν από την Κίνα
Και όλο τον πλανήτη έβαλε σε καραντίνα
Άδειασανε τα ράφια, τρόμος στα κανάλια
Και σ’ όλη την Ελλάδα ακύρωσαν καρναβάλια
(Írthe o Iós kateftheían apó tin Kína
Kai ólo ton planíti évale se karantína
Ádeiasane ta ráfia, trómos sta kanália
Kai s’ óli tin Elláda akýrosan karnavália)

1. Остерегайтесь коронавируса
Возьмите машину и забудьте про метро
Наденьте маску, чтобы выглядеть как врач
А вечером примите ванну с антисептиком

2. Вирус пришёл прямо из Китая
И поместил в карантин всю планету
Полки опустошены, ужас по телевизору
И по всей Греции карнавалы отменены

20 de fevereiro de 2021

Marche des Volontaires: hymne chinois


Lien raccourci vers ce billet : fishuk.cc/volontaires




Je vous présente aujourd’hui l’hymne national du pays le plus peuplé du monde, qui a actuellement la deuxième économie la plus grande de la planète. Le titre originel de la chanson est La Marche des Volontaires (Yìyǒngjūn Jìnxíngqǔ, 义勇军进行曲), dont les paroles ont été écrites en 1934 par Tian Han et la musique a été composée en 1935 par Nie Er. L’hymne avait déjà été adopté peu avant la victoire finale de la révolution communiste, mais il a subi un long processus légal avant de devenir finalement officiel.

Au 20e siècle, la Chine a changé trop souvent d’hymne national : depuis 1911, encore sous la monarchie, quand la dynastie Qing a adopté le premier hymne national, la Chine continentale a eu sept hymnes nationaux, officiels ou pas, originels ou peu modifiés ! La république a été proclamée le 1er janvier 1912, et depuis lors le pays n’a pas connu de gouvernement uni et fort, car la plupart du territoire était contrôlée par les soi-disant “seigneurs de la guerre”. L’un d’eux était Jiang Jieshi, plus connu comme Chiang Kai-shek, qui commandait le mouvement nationaliste Guomindang, ou Parti national populaire, depuis la seconde moitié des années 1920, et a alors commencé à commander de facto la Chine et entamé la guerre civile contre les communistes. En 1928 le Guomindang a adopté Trois principes du peuple comme l’hymne national, jusqu’à présent utilisé à Taïwan, officiellement la “République de Chine” non reconnue par les communistes de Pékin.

Le poète et dramaturge Tian Han (1898-1968) a écrit les paroles en 1934, d’abord comme un poème dramatique, mais en 1935 le musicien Nie Er (né Nie Shouxin, 1912-1935) leur a composé une mélodie pour que la chanson soit jouée dans le film patriotique Children of Troubled Times. Le gouvernement communiste provisoire de Chine a adopté la chanson déjà le 27 septembre 1949 de façon transitoire, jusqu’au jour où l’hymne a enfin été enfin ratifié le 4 décembre 1982. Il n’a entré dans la Constitution que lors de la révision que ce texte légal a subie le 14 mars 2004, et enfin son usage a été reglé le 1er octobre 2017. Bien que l’hymne soit plus connu en Occident comme La Marche des Volontaires, la traduction littérale de son titre en chinois est Armée vertueuse et courageuse en allusion à la guerre civile des communistes contre le Guomindang et l’invasion et occupation japonaises dans les années 1930 et 1940. Les armées de Mao et Jiang ont combattu ensemble le Japon, mais la chanson n’a jamais été populaire chez les nationalistes.

Curieusement, Tian Han a été arrêté en 1966, quand débutait la “Révolution” culturelle en Chine, à cause d’une pièce (de 1961 !) réputée “venimeuse” par le gouvernement, et a fini par mourir en prison en 1968. De 1966 à 1970, la chanson communiste Dōngfāng Hóng (东方红, L’Orient est rouge) a été utilisée comme hymne national non officiel, jusqu’au moment où La Marche des Volontaires est revenue à être utilisée, mais sans paroles. En 1978, de nouvelles paroles ont été adoptées, avec mentions à Mao, au Parti communiste et à la Longue marche, mais en 1982 les paroles originelles, que vous lisez sur la vidéo, ont été reprises lors de l’adoption de politiques libéralisantes par Deng Xiaoping. La Marche des Volontaires diffère des hymnes précédents en ce qu’ils ont été écrits en chinois populaire, et non pas dans la langue classique ancienne.

J’ai téléchargé de cette page la vidéo qui semble être l’ouverture du programme TV. Moi-même ai fait les sous-titres, mais j’ai copié la traduction de la Wikipédia. Paroles en chinois dans les caractères traditionnels et simplifiés et dans la translitération pinyin, et traduction :



Chinois simplifié :
起来!不愿做奴隶的人们!
把我们的血肉,
筑成我们新的长城!
中华民族到了最危险的时候,
每个人被迫着发出最后的吼声。
起来!起来!起来!
我们万众一心,
冒着敌人的炮火,前进!
冒着敌人的炮火,前进!
前进!前进!进!

Chinois traditionnel :
起來!不願做奴隸的人們!
把我們的血肉,
築成我們新的長城!
中華民族到了最危險的時候,
每個人被迫著發出最後的吼聲。
起來!起來!起來!
我們萬衆一心,
冒著敵人的炮火,前進!
冒著敵人的炮火,前進!
前進!前進!進!

Translitération pinyin :
Qǐlai! Bùyuàn zuò núlì de rénmen!
Bǎ wǒmen de xuèròu,
Zhúchéng wǒmen xīn de chángchéng!
Zhōnghuá mínzú dàole zuì wēixiǎn de shíhou.
Měi ge rén bèi pòzhe fāchū zuìhòu de hǒushēng.
Qǐlai! Qǐlai! Qǐlai!
Wǒmen wànzhòngyīxīn,
Màozhe dírén de pàohuǒ, qiánjìn!
Màozhe dírén de pàohuǒ, qiánjìn!
Qiánjìn! Qiánjìn! Jìn!

Traduction française :
Debout ! Les gens qui ne veulent plus être des esclaves !
C’est avec notre chair que nous bâtirons
[notre nouvelle Grande Muraille !
La Nation connaît son plus grand danger,
Chacun doit pousser un dernier cri.
Debout ! Debout ! Debout !
Nous, qui ne faisons plus qu’un,
Bravons les tirs ennemis, marchons !
Bravons les tirs ennemis, marchons !
Marchons ! Marchons ! Marchons !




18 de fevereiro de 2021

Hymne national de Grèce depuis 1865


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Je vous présente la chanson utilisée à présent comme l’Hymne national de Grèce (République hellénique): Ύμνος εις την Ελευθερίαν (Ýmnos eis tin Eleftherían), L’Hymne à la Liberté. Les paroles ont été écrites comme un poème par Dionýsios Solomós en 1823 et elles ont reçu une musique par Nikólaos Mántzaros en 1828. Elle a été adoptée comme l’hymne de la Grèce indépendante (Elláda) en 1865, et comme l’hymne de la partie grecque de l’ile de Chypre en 1966. Le poème original est beaucoup plus long (158 couplets au tout), et seulement la première partie est utilisée dans l’hymne.

Solomós (1798-1857) est né dans l’ile de Zante et s’est inspiré de la lutte pour l’indépendance que la Grèce a arrachée en 1821 à l’Empire ottoman. En 1824 le roi Georges 1er a décrété le poème comme hymne national, présenté dans sa version courte avec deux couplets. Mántzaros (1795-1873) est né dans l’ile de Corfou, en mer Ionienne, et a étudié la musique en Italie pendant plusieurs années. Seulement en 1865 l’hymne a été officialisé, avec les 24 premiers couplets du poème, bien qu’on n’en joue que les deux premiers lors d’évènements officiels.

J’ai téléchargé de cette vidéo l’audio chanté, et le morceau avec l’hymne instrumental se trouve dans cette vidéo. Montage à trois sous-titres : dans l’orthographe grecque moderne, dans la translitération la plus courante et dans la traduction en français. Lisez ci-dessous les paroles en grec dans l’orthographe moderne et dans l’orthographe “polytonique” utilisée jusqu’en 1982 (2) :



1) Σε γνωρίζω από την κόψη
του σπαθιού την τρομερή,
σε γνωρίζω από την όψη
που με βία μετράει τη γη.

Απ’ τα κόκαλα βγαλμένη
των Ελλήνων τα ιερά,
και σαν πρώτα ανδρειωμένη,
χαίρε, ω χαίρε, Ελευθεριά!

2) Σὲ γνωρίζω ἀπὸ τὴν κόψι
τοῦ σπαθιοῦ τὴν τρομερή,
σὲ γνωρίζω ἀπὸ τὴν ὄψι,
ποὺ μὲ βιά μετράει τὴν γῆ.

Ἀπ’ τὰ κόκκαλα βγαλμένη
τῶν Ἑλλήνων τὰ ἱερά,
καὶ σὰν πρῶτα ἀνδρειωμένη,
χαῖρε, ὢ χαῖρε, Ἐλευθεριά!

____________________

Je te reconnais au tranchant
De ton glaive redoutable ;
Je te reconnais à ce regard
Rapide, dont tu mesures la terre.

Sortie des ossements
Sacrés des Hellènes,
Et forte de ton antique courage,
Je te salue, je te salue, ô Liberté !

16 de fevereiro de 2021

National Anthem of Greece since 1865


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This is the song currently used as the national anthem of Greece (Hellenic Republic): Ύμνος εις την Ελευθερίαν (Ýmnos eis tin Eleftherían), the Hymn to Liberty or Hymn to Freedom. The lyrics were written as a poem by Dionýsios Solomós in 1823 and they received a melody by Nikólaos Mántzaros in 1828. It was adopted as the anthem of the independent Greece (“Elláda”) in 1865, and as the anthem of the Greek part of the island of Cyprus in 1966. The original poem is much longer (158 stanzas in total), and only its first part is used as the anthem.

Solomós (1798-1857) was born in the island of Zante and was inspired by the fight for independence, finnaly obtained by Greece in 1821 from the Ottoman Empire. In 1824 the king George I decreed the poem as the national anthem, displayed in its short version with two stanzas. Mántzaros (1795-1873) was born in the island of Corfu, in the Ionian Sea, and studied music in Italy for many years. Only in 1865 the anthem was officialized, with the first 24 stanzas of the poem, although only the two first ones are played in official events.

I downloaded from this video the audio with singers. The video with the instrumental version is here. My video has three subtitles: in the modern Greek spelling, in one of the many ways of transliterating, and in English translation. Read below the lyrics in the modern Greek spelling (1) and in the “polytonic” spelling, official until 1982 (2):




1) Σε γνωρίζω από την κόψη
του σπαθιού την τρομερή,
σε γνωρίζω από την όψη
που με βία μετράει τη γη.

Απ’ τα κόκαλα βγαλμένη
των Ελλήνων τα ιερά,
και σαν πρώτα ανδρειωμένη,
χαίρε, ω χαίρε, Ελευθεριά!

2) Σὲ γνωρίζω ἀπὸ τὴν κόψι
τοῦ σπαθιοῦ τὴν τρομερή,
σὲ γνωρίζω ἀπὸ τὴν ὄψι,
ποὺ μὲ βιά μετράει τὴν γῆ.

Ἀπ’ τὰ κόκκαλα βγαλμένη
τῶν Ἑλλήνων τὰ ἱερά,
καὶ σὰν πρῶτα ἀνδρειωμένη,
χαῖρε, ὢ χαῖρε, Ἐλευθεριά!

____________________

I recognize you by the fearsome
Sharpness of the sword,
I recognize you by your face
That hastefully defines the land.
[i.e. the land’s borders]

From the sacred bones,
Of the Hellenes arisen,
And valiant as you once were,
Hail, o hail, Liberty!

14 de fevereiro de 2021

Димитров: Моя страна, моя Болгария


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Этот болгарский певец был одним из более знаменитых в своей стране, особенно в 1970-х и 1980-х годах: Эмил (Емил) Димитров, рожденный в 1940 г. в городе Плевен и умерший в 2005 г. в столице Софья. Эта патриотическая песня, его самый важный успех, называется “Моя страна, моя България” (Моя страна, моя Болгария), записанная в 1970 г. в альбоме “Поет Эмил Димитров”. Димитров сам сложил музыку, Васил Андреев написал слова и Митко Штерев был дирижером. Песню считают тоже “Болгарской Песней 20-го века” или вроде “Неофициальным госгимном Болгарии”.

“Моя страна...” была впервые написана на французком языке, с совсем другим текстом. Французский текст написала певица Ману Роблен (Manou Roblin). Болгарская версия тоже стал успехом, но цензура ее запретила из-за “буржуазной влиянии и намеков на эмиграцию”. После несколько лет, Димитров рассказал, что цензура неправильно понял фразу “Я вернусь” как намек на эмиграцию, но в посткоммунистических годах песня снова распростанилась и многие певцы ее записывали.

Эмил Димитров продал 65 миллионов альбомов во всем мире (40 миллионов из них только в СССР и в коммунистической Европе), больше, чем все другие болгарсие певцы. Сын – Эмил Димитров, рожденный в 1970 г. Димитров перестал карьеру в 1999 г. из-за последствий инсульта.

Для первого видео, с двухязычными субтитрами, здесь находится аудио с лучшим качеством, но есть и другой канал, посвещенный Димитрову. На втором видео, редкий спектакль (прямой эфир) Эмила Димитрова в 1970 году. На третьем видео, Иосиф Кобзон и болгарский певец Филипп Киркоров поют 14 сентября 2012 г.: красивый юбилейный спектакль был передан каналом Россия 1, посвещенный 75-ому дню рождения Кобзона. Этот русский перевод находится в Википедии, но для всех видео я сделал некоторые изменения. Читайте оригинальные слова на болгарском языке, перевод на русский и, как бонус, английский перевод песни:






1. Колко нощи аз не спах,
Колко друми извървях –
Да се върна.
Колко песни аз изпях,
Колко мъка изживях –
Да се върна.
В мойта хубава страна
Майка, татко и жена
Да прегърна.
Там под родното небе
Чака моето дете
Да се върна.

Припев:
Моя страна, моя България,
Моя любов, моя България.
Моя тъга, моя България,
При теб ме връща вечно любовта.

2. Даже нейде по света,
Неизвестен да умра,
Ще се върна.
В мойта хубава страна
И тревата, и пръстта
Да прегърна.
Нека стана стръкче цвят,
Нека вятъра познат
Ме прегърне.
Нека родните поля
Да ме срещнат с песента,
Щом се върна.

(Припев)

Моя страна, моя България,
Моя прекрасна страна,
Ще се върна.

____________________

1. Сколько ночей я не спал,
Сколько прошёл дорог –
Я хотел бы вернуться.
Сколько песен я спел,
Сколько мучений претерпел –
Я хотел бы вернуться.
В моей красивой стране
Мать, отца и жену
Я хотел бы обнять.
Там, под родным небом,
Мой ребёнок ждёт,
Когда я вернусь.

Припев:
Моя страна, моя Болгария,
Моя любовь, моя Болгария,
Моя печаль, моя Болгария,
К тебе меня всегда возвращает любовь.

2. Даже если на свете
Где-то неизвестным умру,
Я вернусь.
В моей красивой стране
И траву, и землю
Я хотел бы обнять.
Пусть станет стебелёк цветком,
Пусть знакомый ветер
Меня обнимет.
Пусть родные поля
Встретят меня с песней,
Когда я вернусь.

(Припев)

Моя страна, моя Болгария,
Моя прекрасная страна,
Я вернусь.

____________________

1. I didn’t sleep so many nights
I walked so many roads
I must come back
I sang so many songs
I suffered so many torments
I must come back
In my beautiful country
Mother, father and wife
I must embrace
There, under my native sky
My child is waiting
For my return

Chorus:
My country, my Bulgaria
My love, my Bulgaria
My sadness, my Bulgaria
Love always brings me back to you

2. Even if I die unknown
Elsewhere in the world
I’ll come back
In my beautiful country
The grass and the earth
I must embrace
May I become a flower blade
May the familiar wind
Embrace me
May my native fields
Meet me with the song
As soon as I come back

(Chorus)

My country, my Bulgaria
My wonderful country
I’ll come back



Кобзон, в начале ролика: “Конечно, я ещё не могу не вспомнить мою любимую страну, Болгарию, куда я впервые выехал из Москвы, впервые побывал за границей, и побывал в семье родных людей. И, конечно, очень рад, что у нас появился свой болгарин, Филипп Киркоров.”

Киркоров, в конце ролика: “Никакого болгарского слова, чтобы выразить благодарность, восхищение за то, что Вы сделали для всей музыки нашей страны, и взрастили мой вкус, и сегодня сделали так, что я имею честь и право выступать на Вашем юбилее. Спасибо Вам большое. С днём рождения!” А Кобзон: “Спасибо, Филипп Киркоров!”

12 de fevereiro de 2021

Emil Dimitrov: “Mon pays, ma Bulgarie”


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Aujourd’hui je vous présente un des chanteurs bulgares les plus célèbres dans son pays, qui a été un star dans les années 60, 70 et 80 : Emil Dimitrov, né en 1940 dans la ville de Pleven et mort en 2005 dans la capitale Sofia. Cette chanson, considérée son plus grand hit et presque un “hymne national non-officiel de Bulgarie”, s’appelle “Моя страна, моя България” (Moia strana, moia Bâlgaria), Mon pays, ma Bulgarie, lancée en 1970 dans son album Chante Emil Dimitrov. Dimitrov même en a fait la mélodie, Vasil Andreev en a écrit les paroles et Mitko Shterev a dirigé et arrangé l’orchestre. On l’appelle aussi “La chanson bulgare du 20e siècle”.

Moia strana... a été d’abord lancée en français, en France, où elle est devenue un hit sous le nom Monica, mais avec de tout autres paroles. Ce texte a été écrit, d’après Wikipédia, par la chanteuse et parolière française Manou Roblin (n. 1944). La version bulgare a connu un succès rapide, mais la censure du régime communiste l’a bientôt interdite, sous l’accusation d’avoir “de l’influence bourgeoise et des allusions à l’émigration”. Dimitrov raconterait plus tard que cette allusion aurait été mal interprétée dans la phrase “Je retournerai”, et dans un concours national il y aurait même eu un changement des règles pour que Moia strana... ne gagnait pas. Toutefois, fini le communisme, la chanson retrouverait la célébrité d’avant et serait enregistrée de nouveau par Dimitrov et beaucoup d’autres chanteurs.

Emil Dimitrov a été le chanteur bulgare le plus réussi dans l’histoire nationale, avec 65 millions d’albums vendus dans le monde entier, dont 40 millions seulement dans l’URSS et les pays communistes d’Europe. Il a été le premier artiste en Bulgarie à introduire des thèmes folkloriques dans la chanson populaire. Il a longtemps vécu en France, où il a enregistré plusieurs chansons en français, et a chanté en bulgare plusieurs hits étrangers célèbres, comme Datemi un martello et Melody Lady. Il s’est marié deux fois et son seul fils s’appelle aussi Emil Dimitrov (n. 1970). Il a subi un AVC en 1999, ce qui a brisé sa carrière après l’avoir limité la parole et les mouvements et dont les conséquences le feraient mourir en 2005. Sa dernière apparition publique, en chaise roulante, s’est passée lors d’un grand show en son hommage, en 2002.

Moi-même ai traduit cette chanson vers le français, et même si je n’ai trouvé que la traduction du premier couplet et du refrain sur la Wikipédia française, je leur ai apporté quelques corrections, et j’ai traduit tout le deuxième couplet. Quand nécessaire, j’ai fait aussi des comparaisons avec les traductions russe et anglaise sur Wikipédia et avec l’original bulgare. J’ai utilisé mon propre système de transliteration de l’alphabet cyrillique vers le latin et employé la combinaison “â” pour transcrire la voyelle “Ъ”, même si d’habitude je ne le fais pas.

Pour la première vidéo, avec des sous-titres bilingues, cette audio est la meilleure que j’ai pu trouver, bien qu’il y aille une chaine toute dédiée à Emil Dimitrov. Dans la deuxième vidéo, un rare spectacle en direct d’Emil Dimitrov en 1970. Dans la troisième vidéo, le chanteur russe Iosif Kobzon, appelé parfois “le Frank Sinatra soviétique”, et l’artiste bulgare Filip Kirkorov. Le beau spectacle a été une émission de la chaine Rossia 1, le 14 septembre 2012, pour célébrer l’anniversaire de 75 ans de Kobzon.






1. Колко нощи аз не спах,
Колко друми извървях –
Да се върна.
Колко песни аз изпях,
Колко мъка изживях –
Да се върна.
В мойта хубава страна
Майка, татко и жена
Да прегърна.
Там под родното небе
Чака моето дете
Да се върна.

1. Kolko noshti az ne spakh,
Kolko drumi izvârviakh –
Da se vârna.
Kolko pesni az izpiakh,
Kolko mâka izzhiviakh –
Da se vârna.
V moita khubava strana
Maika, tatko i zhena
Da pregârna.
Tam pod rodnoto nebe
Chaka moeto dete
Da se vârna.

Припев:
Моя страна, моя България,
Моя любов, моя България.
Моя тъга, моя България,
При теб ме връща вечно любовта.

Pripev:
Moia strana, moia Bâlgaria,
Moia liubov, moia Bâlgaria.
Moia tâga, moia Bâlgaria,
Pri teb me vrâshta vechno liubovta.

2. Даже нейде по света,
Неизвестен да умра,
Ще се върна.
В мойта хубава страна
И тревата, и пръстта
Да прегърна.
Нека стана стръкче цвят,
Нека вятъра познат
Ме прегърне.
Нека родните поля
Да ме срещнат с песента,
Щом се върна.

2. Dazhe neide po sveta,
Neizvesten da umra,
Shte se vârna.
V moita khubava strana
I trevata, i prâstta
Da pregârna.
Neka stana strâkche tsviat,
Neka viatâra poznat
Me pregârne.
Neka rodnite polia
Da me sreshtnat s pesenta,
Shtom se vârna.

(Pripev)

Моя страна, моя България,
Моя прекрасна страна,
Ще се върна.

Moia strana, moia Bâlgaria,
Moia prekrasna strana,
Shte se vârna.

____________________

1. Je n’ai pas dormi tant de nuits
J’ai parcouru tant de chemins
J’ai besoin de retourner
J’ai chanté tant de chansons
J’ai supporté tant de peine
J’ai besoin de retourner
Dans mon beau pays
Mère, père et femme
Je veux serrer dans mes bras
Là, sous mon ciel natal
Mon enfant attend
Que je revienne

Refrain:
Mon pays, ma Bulgarie
Mon amour, ma Bulgarie
Ma tristesse, ma Bulgarie
L’amour me ramène toujours vers toi

2. Même si dans le monde
Je meurs inconnu
Je retournerai
Dans mon beau pays
Et l’herbe, et la terre
Je veux serrer dans mes bras
Que je devienne un limbe de fleur
Que le vent familier
Me serre dans ses bras
Que mes champs nataux
Me retrouvent avec la chanson
Quand je retournerai

(Refrain)

Mon pays, ma Bulgarie
Mon pays merveilleux
Je retournerai



Kobzon dit au début: “Конечно, я ещё не могу не вспомнить мою любимую страну, Болгарию, куда я впервые выехал из Москвы, впервые побывал за границей, и побывал в семье родных людей. И, конечно, очень рад, что у нас появился свой болгарин, Филипп Киркоров.” (Bien sûr, je ne peux pas oublier mon pays préféré, la Bulgarie, mon premier séjour à l’étranger après être sorti de Moscou, chez une famille de gens estimés. Et, bien sûr, je suis très heureux qu’ a apparu parmi nous un Bulgare amical, Filip Kirkorov.)

Kirkorov dit à la fin: “Никакого болгарского слова, чтобы выразить благодарность, восхищение за то, что Вы сделали для всей музыки нашей страны, и взрастили мой вкус, и сегодня сделали так, что я имею честь и право выступать на Вашем юбилее. Спасибо Вам большое. С днём рождения!” (Aucun mot en bulgare ne peut exprimer ma gratitude et admiration pour ce que vous avez fait pour toute la musique de notre pays, pour avoir éduqué mon gout musical, et maintenant pour m’avoir donné l’honneur et le droit de chanter dans votre jubilé. Merci beaucoup. Bon anniversaire !) Kobzon: “Спасибо, Филипп Киркоров!” (Merci, Filip Kirkorov !)

10 de fevereiro de 2021

National Anthem of China since 1982


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This is the Chinese patriotic song March of the Volunteers (Yìyǒngjūn Jìnxíngqǔ, 义勇军进行曲), used today as the national anthem of the People’s Republic of China (communist). Lyrics by Tian Han (1934) and music by Nie Er (1935). English translation from Wikisource. Source video from YouTube.

Since 1911, when China was still a monarchy and the Qing dynasty adopted the first national anthem, the country (excluding Taiwan) has had seven national anthems, officially or not! In 1928, Jiang Jieshi’s (Chiang Kai-shek) Guomindang/People’s National Party, government adopted Three Principles of the People as the national anthem, still today used in Taiwan, the “Republic of China” not recognized by the Communists in Beijing. Tian Han (1898-1968) wrote the lyrics in 1934, originally as a dramatic poem, but in 1935 Nie Er (born Nie Shouxin, 1912-1935) composed a music to it, in order to make a song to the patriotic movie Children of Troubled Times.

The provisional government of China adopted temporarily this song still on 27 September 1949, until the anthem was finally officialized on 4 December 1982. It would be mentioned in the Constitution only after 14 March 2004, and its use was regulated on 1 October 2017. Although the best known title of the song in the West is March of the Volunteers, its litteral translation from Chinese is Righteous and Brave Army, a reference to the civil war between the Communist Party and the Guomindang, and to the Japanese invasion and occupation (1930’s and 1940’s). Mao’s and Jiang’s armies fighted Japan together, but the song never became popular among the nationalists.

Ironically, Tian Han was arrested in 1966 and died in prison in 1968. From 1966 to 1970, the communist song The East Is Red (Dōngfāng Hóng, 东方红) was used as a non-official national anthem, until the March of the Volunteers was again adopted, but without lyrics. In 1978 new lyrics were adopted, with references to Mao, the Communist Party and the Long March, but in 1982 the original lyrics (on the video) were restored during Deng Xiaoping’s reforms. The March of the Volunteers differs from the precedent anthems in having been written in popular Chinese, and not in the old classical language.



Simplified Chinese:
起来!不愿做奴隶的人们!
把我们的血肉,
筑成我们新的长城!
中华民族到了最危险的时候,
每个人被迫着发出最后的吼声。
起来!起来!起来!
我们万众一心,
冒着敌人的炮火,前进!
冒着敌人的炮火,前进!
前进!前进!进!

Traditional Chinese:
起來!不願做奴隸的人們!
把我們的血肉,
築成我們新的長城!
中華民族到了最危險的時候,
每個人被迫著發出最後的吼聲。
起來!起來!起來!
我們萬衆一心,
冒著敵人的炮火,前進!
冒著敵人的炮火,前進!
前進!前進!進!

Pinyin transliteration:
Qǐlai! Bùyuàn zuò núlì de rénmen!
Bǎ wǒmen de xuèròu,
Zhúchéng wǒmen xīn de chángchéng!
Zhōnghuá mínzú dàole zuì wēixiǎn de shíhou.
Měi ge rén bèi pòzhe fāchū zuìhòu de hǒushēng.
Qǐlai! Qǐlai! Qǐlai!
Wǒmen wànzhòngyīxīn,
Màozhe dírén de pàohuǒ, qiánjìn!
Màozhe dírén de pàohuǒ, qiánjìn!
Qiánjìn! Qiánjìn! Jìn!

English translation from Wikisource:
Arise, ye who refuse to be slaves!
With our flesh and blood, let us build a new Great Wall!
As China faces its greatest peril
From each one the urgent call to action comes forth.
Arise! Arise! Arise!
Millions of but one heart
Braving the enemies’ fire! March on!
Braving the enemies’ fire! March on!
March on! March, march on!