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sábado, 28 de fevereiro de 2026

Sergio Endrigo cantou em grego (2)

Depois do clássico com minhas traduções de duas músicas do italiano Sergio Endrigo cantadas em croata, que publiquei em 2018 e já foram até incorporadas pela inteligência artificial do Google, chegou a hora da tradução de outras quatro pérolas que o mito gravou em grego! Ele lançou canções em muitos idiomas, inclusive português, algumas delas traduções de seus próprios sucessos em italiano, como é o caso das apresentadas aqui, traduzidas pelo jornalista, diretor e produtor de rádio ateniense Níkos Mastorákis (n. 1941). O verbete da Wikipédia em grego sobre Endrigo remete a esse Mastorákis, embora eu tenha dúvidas sobre sua identidade: se correta, trata-se de um pioneiro da TV nacional, que ajudou a fundar muitos canais e radioemissoras, mas ficou manchado por seu apoio à junta dos coronéis que tomou o poder em 1967.

Há muitos anos escuto essas músicas privadamente, mas só agora tive a ideia de procurar suas letras na internet. Infelizmente, é uma missão bastante difícil, e apenas das faixas do primeiro compacto (1965), que publiquei ontem, existem textos mais ou menos encontráveis numa busca. Aliás, um dos objetivos desta publicação é justamente tornar a procura mais fácil, deixando-os disponíveis ao público que sabe grego. No caso das duas canções de hoje, gravadas num compacto de 1966, me vali da versão gratuita de uma ferramenta online de IA que transcreve com mais ou menos perfeição a partir de diversas línguas, e das legendas baixadas do YouTube (quando disponíveis), ambas sendo comparadas.

O nome delas é “Και τώρα ναι” (Kai tóra naí), versão da Adesso sì composta toda por Endrigo e que só ganhou uma conjunção no título original: E agora sim; e “Όλα τα κορίτσια και τ’ αγόρια του κόσμου” (Óla ta korítsia kai t’ agória tou kósmou), Todas as meninas e meninos do mundo, versão de Girotondo intorno al mondo, poema do francês Paul Fort traduzido e musicalizado por Endrigo. Eu traduzi as quatro canções com a ajuda do Google, pois não há traduções literais em nenhum lugar. Como não sei se nem a tradução nem a transcrição estão corretas, sinta-se livre pra fazer qualquer sugestão ou correção nos comentários! A divisão dos versos é minha, inspirada na sonoridade do canto, e em cada linha também decidi tirar a maioria da pontuação no final e sempre colocar as primeiras letras em maiúsculas no começo.

Sergio Endrigo dispensa apresentações, mas hoje tem uma surpresa! Nessas buscas, acabei encontrando por acaso o cantor grego Lákis Tzordanélli (ou Tzorntanélli, um pseudônimo talvez adaptado de “Giordanelli”), nascido em 1948 e que fez sucesso nas décadas de 1960 e 1970 com um estilo parecido com o de nossa “jovem guarda”. Não por acaso, um dos lados de seu compacto de 1968 se chama “Το κορίτσι του φίλου μου” (To korítsi tou fílou mou), mesmo significado do original Namoradinha de um amigo meu de Roberto Carlos, mas traduzido por Kóstas Tserónis a partir do italiano La donna di um amico mio, gravado pelo próprio “Rei” e que eu mesmo traduzi ainda em 2017. O primeiro vídeo é do detentor dos direitos autorais, e o segundo tem legendas colocadas por um fã:


E agora sim
Que você está indo
Pra outros mundos
Vou fazer chover orvalho
Com suas lágrimas

Porque é tarde demais
Pra encontrar novamente
Algumas palavras
Porque com o tempo
Tudo acaba
E não choramos
Mais como antes

Agora você vai partir
Pra muito longe sem mim
E vai se envolver
Num mundo que não conhece
E talvez encontre
Entre estranhos
Um coração

E agora sim
Que você está indo
Pra outros mundos
Envio o pensamento
De companheirismo
Vou estar onde quer
Que você vá

____________________


Και τώρα ναι
Τώρα που πας
Σε κόσμους άλλους
Εγώ θα φτιάξω
Από τα δάκρυα
Τη δροσιά της βροχής

Γιατί αργά πια
Να ξαναβρούμε
Λίγες λέξεις
Γιατί την ώρα
Όλα τελειώνουν
Και δεν κλαίμε
Όπως πριν

Τώρα θα πας
Πολύ μακριά χωρίς εμένα
Και θα μπλεχτείς
Μέσα σε κόσμο που δεν ξέρεις
Κ’ ίσως να βρεις
Μέσα στους ξένους
Κάποιο πρωί
Μια καρδιά

Και τώρα ναι
Τώρα που πας
Σε κόσμους άλλους
Στέλνω την σκέψη
Για συνδροφία
Θα ’μαι εκεί εγώ
Όπου κι αν πας


Se todas as meninas
As meninas do mundo
Dessem as mãos
Dessem as mãos
Formariam um círculo de amor
Ao redor de nossa terra
Que pertence a elas

E se todos os meninos
Os meninos do mundo
Crescessem em dignidade
E entregassem seus corações
Nossa terra se encheria de amor
E então se tornaria
Uma nova esperança

E se todos nós, estranhos
Nos tornássemos amigos
E déssemos as mãos
Não seria mentira
Faríamos uma mão, uma chama
E um verão
Ao redor do mundo

____________________


Αν όλα τα κορίτσια
Τα κορίτσια του κόσμου
Αν έδιναν τα χέρια
Αν έδιναν τα χέρια
Θα φτιάχναν έναν κύκλο απ’ αγάπη
Γύρω απ’ τη γη μας
Που είναι δική τους

Κι αν όλα τα αγόρια
Τα αγόρια του κόσμου
Μεγάλωναν τον κύρο
Και χάριζαν την καρδιά τους
Θα χαίμιζε η γη μας απ’ αγάπη
Και θα γίνει όταν
Καινούργια ελπίδα

Κι αν όλοι εμείς οι ξένοι
Πίνομαστε φίλοι
Και δίναμε τα χέρια
Δεν θα ήταν ψέμα
Θα φτιάχναμε ένα χέριο και μια φλόγα
Και καλοκαίρι
Γύρω απ’ τον κόσμο




Preciso te contar o que está acontecendo
Comigo, porque estou enlouquecendo
Sei que é errado
Mas não sei como cheguei a isso

Estou apaixonado
Por uma garota de um amigo
Aquela garotinha abriu uma ferida em mim

Não sei mais o que fazer
Nenhum dos dois deveria saber
Preciso esquecer
O olhar dela que me enlouqueceu

E agora estou tentando
Embora fique triste
Afastar a figura que me machuca

Vou tentar encontrar
Outra pessoa pra amar
Que não pertença a ninguém
Que os arrependimentos desapareçam
E eu me alegre um pouco
Que não pertença a ninguém
Que os arrependimentos desapareçam
E eu me alegre um pouco

____________________


Αυτό που τώρα μου συμβαίνει
Πρέπει να σας πω γιατί θα τρελαθώ
Ξέρω ότι είναι λάθος
Μα δεν ξέρω πώς το έπαθα αυτό

Ερωτευμένος ζω
Για το κορίτσι αυτό
Του φίλου μου η μικρή μ’ άνοιξε πληγή.

Δεν ξέρω πλέον τι να κάνω
Δεν θα πρέπει να το μάθουνε κι οι δυο
Πρέπει να ξεχάσω
Το βλέμμα της αυτό που μ’ έκανε τρελό

Και τώρα προσπαθώ
Αν και θα λυπηθώ
Να διώξω πια τη μορφή που πονώ

Θα ψάξω για να βρω
Μιαν άλλη ν’ αγαπώ
Σε κανέναν να μην ανήκει
Να φύγουνε οι τύψεις λίγο να χαρώ
Σε κανέναν να μην ανήκει
Να φύγουνε οι τύψεις λίγο να χαρώ



quarta-feira, 18 de dezembro de 2024

When Brazil’s capital is Buenos Aires

I’m not very used to write in English on my page, but since the story has once again evolved in English, I didn’t want to translate into and explain all of it in Portuguese, hehe. In this amazing edition of an NPR’s program about Latino music, an emotional story about Roberto Carlos’ song Amigo (Friend) is brought by Felix Contreras, in which he tells how a woman got moved by its lyrics in Spanish.

Yes, Roberto has composed most of his songs in Portuguese (he’s recognized as the most prominent Brazilian popular singer), and a great part of them has also been translated into Spanish to attract the rest of Latin America population. However, Contreras presented it as if it were originally written in Spanish and does not relate Roberto and his work to their actual movement, that is, the broad Brazilian ‘MPB.’ After making some corrections, I decided to publish here a letter I sent to NPR’s production, pointing out some major mistakes and omissions:



I have been very delighted this morning in listening to such a kind tribute to the simply most prolific and talented singer, composer, and musician of all Brazilian history. It is also an honor that Roberto Carlos has recorded tracks in so many languages as Spanish, Italian, and French, making him very loved by our friend Hispanic neighbors.

However, even if the woman in the story found Amigo a life-change masterpiece, I cannot help making some remarks on imprecisions and omissions about Roberto and that song, what prevents listeners to find out all complexity behind the topic.

First, you did not even mention that the original language of the song is PORTUGUESE, and I guess you know, as most of Americans, that Brazil’s official language is not Spanish. Fortunately, most of Roberto’s songs were translated into this language to be enjoyed also in the Hispanic world.

Second, ‘Carlos’ is not his last name (or surname), but a second name. His last name is Braga, but Erasmo Esteves (died in 2022) was such a close friend of Roberto’s that they regarded themselves as brothers (irmão or hermano, following the first verse of Amigo). Thus, Erasmo chose ‘Erasmo Carlos’ as his stage name, and that makes no sense in saying that ‘They are not related, despite sharing the same name.’

And third, there is also not a single mention to the movement which Roberto is really linked to, that is, the ‘MPB’ (Brazilian Popular Music), a concept too broad and of complex definition. What I can say is that, despite the undeniable Hispanic influences, any attempt to bound MPB to ‘Latino’ music in general is quite problematic, so is the relationship between Brazilian cultures and the broader Hispanic world.

Indeed, the recent tendence of Brazilians, especially students and scholars, living in the US to identify themselves as ‘Latinos,’ ignoring possible confusions with the Hispanic world, has been rather political than cultural. (But do not understand me wrongly: I do not mean Brazilians cannot anyway be considered ‘Latinos,’ but the point is the total absence of MPB in your story, which is far more relevant to describe Roberto’s work than any affiliation to ‘Latinoity.’ I guess, after all, translating his songs have had much more a financial than an intercultural sense...)

And despite much criticism, mostly against the way he treats other people, Roberto is simply considered the ‘King’ of the MPB, what is not without relevance in Brazil!


sexta-feira, 11 de fevereiro de 2022

Roberto Carlos em italiano (parte 2)


Link curto pra esta postagem: fishuk.cc/roberto2


Em 1968 (e talvez também 1969), Roberto Carlos se apresentou na rede de TV italiana RaiTre com algumas canções suas, já consagradas no Brasil, traduzidas pro italiano, língua na qual podia se comunicar razoavelmente. As três que traduzi e legendei aqui, antes hospedadas no meu antigo canal Pan-Eslavo Brasil (YouTube), foram compostas por ele e por Erasmo Carlos, e traduzidas em italiano por Daniele Pace (1935-1985). Segundo a Wikipédia em italiano, este cantor, letrista, compositor e ator nascido e falecido em Milão também traduziu dos brasileiros La donna di un amico mio (Namoradinha de um amigo meu) e Jesus Cristo, antes de morrer precocemente de infarto.

Há alguns anos também postei aqui as canções Un gatto nel blu, que é originalmente italiana, e a referida La donna di un amico mio, com clipes gravados na mesma ocasião. Na época, eu tinha a perspectiva de logo traduzir outras gravações do “Rei” em italiano, mas acabei demorando por razões acadêmicas. Uns meses antes de minha expulsão do YouTube (agosto de 2021), os vídeos enfim vieram, mas desde então eles ficaram indisponíveis ao público. Portanto, considero que a postagem de hoje continua a de alguns anos atrás, e espero que não seja a última!

O primeiro vídeo é datado de 1968, ano em que o cantor ganhou junto com Sergio Endrigo o célebre Festival de Sanremo e estava badalado na Itália, como um jovem artista sul-americano. Este é um playback sem público de sua música Eu te amo, eu te amo, eu te amo e traduzida por Pace como Io ti amo. O segundo, ao qual Adailton Moura, que também posta outros materiais do astro, inseriu um áudio remasterizado em estúdio nas imagens originais da TV, representa Por isso corro demais traduzida como A che serve volare. E o terceiro vídeo traz Eu disse adeus sob a versão Io dissi addio. Obviamente não são traduções literais dos textos em português, embora em muitos versos isso tenha realmente sido possível.

Existem também algumas gravações de Roberto Carlos em francês, como La guerre des gosses, versão de sua A guerra dos meninos. Isso só mostra sua versatilidade e boa recepção no exterior, embora nem todos gostem do seu estilo ou, sobretudo, de seu caráter. Por enquanto fiquem com minhas fontes das letras do primeiro, do segundo (que tem apenas um verso diferente do que aparece no áudio) e do terceiro vídeos. Abaixo, além das legendas, estão também os mesmos textos italianos e suas traduções:


Son finiti i bei tempi
Dei sorrisi e dell’amore,
Io ricordo che una volta
Ero sempre innamorato.

Il telefono non suona più,
La mia casa è nel silenzio.
Ti ricordi, amore mio,
Quante ore abbiam passato
Al telefono io e te?
“Io ti amo, io ti amo” mi dicevi!

Giravamo per le strade,
Ogni notte fino all’alba,
Quando poi tornavo a casa
E salivo le mie scale,
Il telefono suonava,
Eri tu che mi chiamavi.

Ti ricordi, amore mio,
Quante ore abbiam passato,
Quante volte hai detto a me:
“Io ti amo, io ti amo, io ti amo”.

Ma l'amore, l’amore,
Perché m’ha lasciato?
Perché m’ha tradito?
Mai più sentirò la voce di lei,
Di lei che mi dice:
“Io ti amo, io ti amo, io ti amo”.

Il telefono suonava,
Eri tu che mi chiamavi.
Ti ricordi, amore mio,
Quante ore abbiam passato,
Quante volte hai detto a me:
“Io ti amo, io ti amo, io ti amo”.

Ma l'amore, l’amore,
Perché m’ha lasciato?
Perché m’ha tradito?
Mai più sentirò la voce di lei,
Di lei che mi dice:
“Io ti amo, io ti amo, io ti amo”.

“Io ti amo, io ti amo, io ti amo”.

____________________


Acabaram os belos tempos
Dos sorrisos e do amor,
Eu me lembro que uma vez
Estava sempre apaixonado.

O telefone não toca mais,
Minha casa está em silêncio.
Você se lembra, meu amor,
Quantas horas passamos
Eu e você no telefone?
“Eu te amo, eu te amo”, você me dizia!

Passeávamos pelas ruas,
Cada noite até amanhecer,
Quando depois voltava pra casa
E subia minhas escadas,
O telefone tocava,
Era você ligando pra mim.

Você se lembra, meu amor,
Quantas horas passamos,
Quantas vezes você me disse:
“Eu te amo, eu te amo, eu te amo”.

Mas o amor, o amor,
Por que me deixou,
Por que me traiu?
Nunca mais vou ouvir a voz dela,
A voz dela me dizendo:
“Eu te amo, eu te amo, eu te amo”.

O telefone tocava,
Era você ligando pra mim.
Você se lembra, meu amor,
Quantas horas passamos,
Quantas vezes você me disse:
“Eu te amo, eu te amo, eu te amo”.

Mas o amor, o amor,
Por que me deixou?
Por que me traiu?
Nunca mais vou ouvir a voz dela,
A voz dela me dizendo:
“Eu te amo, eu te amo, eu te amo”.

“Eu te amo, eu te amo, eu te amo”.


Veloce come il vento
Io correvo verso te,
La strada sempre uguale
Scompariva agli occhi miei.

Ma a che serve volare,
Sempre volare,
Quando l’amore
Non aspetta più te.

Ti vedevo nello specchio,
Eri bella come allora,
Sembravi la regina
Del tramonto e dell’aurora.
[Della notte e dell’aurora.]

Ma a che serve volare,
Sempre volare,
Quando l’amore
Non aspetta più te.

Ma nel fondo di ogni uomo
La speranza sempre c’è,
Per questo che correvo
Come il vento verso te.

Io volevo credere
A un miracolo, chissà,
Io volevo credere
A un miracolo, ma.

Ma a che serve volare,
Sempre volare,
Quando l’amore
Non aspetta più te.

Io tornavo lentamente
Dopo aver visto te,
La strada nel ritorno
Era lunga come mai.

Ma a che serve volare,
Sempre volare,
Tanto il mio amore
Non mi vuole mai più.

Se veloce come il vento
Io correvo verso te,
Piangendo come un bimbo
Io tornavo a casa mia.

Ma a che serve volare,
Sempre volare,
Quando l’amore
Non aspetta più me.

A cosa serve volare!
A cosa serve volare!

____________________


Rápido como o vento
Eu corria até você,
A estrada sempre igual
Sumia da minha vista.

Mas pra que serve voar,
Sempre voar,
Quando o amor
Não espera mais você?

Eu via você no espelho,
Estava bela como então,
Parecia-se com a rainha
Do pôr-do-sol e do amanhecer.
[Da noite e do amanhecer.]

Mas pra que serve voar,
Sempre voar,
Quando o amor
Não espera mais você?

Mas no fundo de todo homem
Existe sempre a esperança,
Era por isso que eu corria
Como o vento até você.

Eu gostaria de acreditar
Num milagre, quem sabe,
Eu gostaria de acreditar
Num milagre, mas...

Mas pra que serve voar,
Sempre voar,
Quando o amor
Não espera mais você?

Eu voltava devagar
Depois de ter visto você,
E na volta a estrada estava
Mais longa do que nunca.

Mas pra que serve voar,
Sempre voar,
Ainda mais que meu amor
Não gosta mais de mim?

Se rápido como o vento
Eu corria até você,
Chorando como criança
Eu voltava pra minha casa.

Mas pra que serve voar,
Sempre voar,
Quando o amor
Não me espera mais?

Pra que serve voar?
Pra que serve voar?


Io dissi addio
Sapevo di sbagliare
Ma dissi addio
E vidi sulla terra
Tutti i sogni miei
Io dissi addio
Alle illusioni
E ai sogni miei

Io dissi addio
E vidi il mondo intero
Che cadeva giù
Volevo esser felice
E son finito qui
Son condannato ormai
Tra i suoi ricordi
Tra i suoi ricordi

La nostra casa è sempre uguale
Tutto, tutto quello che era di noi due
Ma è stato meglio dire addio in quel momento
Per poi non pianger più

Io dissi addio
Adesso non ci credo
Ma dissi addio
Addio alle illusioni e ai sogni miei
Io piango la mia donna, ma le dissi addio
Le dissi addio

La nostra casa è sempre uguale
Tutto, tutto quello che era di noi due
Ma è stato meglio dire addio in quel momento
Per poi non pianger più

Io dissi addio alle mie illusioni
Io dissi addio al, pianto
A tutto dissi addio

____________________


Eu disse adeus
Sabia que estava errado
Mas disse adeus
E vi caírem por terra
Todos os meus sonhos
Eu disse adeus
Às ilusões
E aos meus sonhos

Eu disse adeus
E vi o mundo inteiro
Cair ladeira abaixo
Eu queria ser feliz
E agora acabei aqui
Ficarei condenado
Por entre os resquícios dele
Por entre os resquícios dele

A nossa casa é sempre igual
Tudo, tudo o que era de nós dois
Mas foi melhor dizer adeus naquela hora
Pra depois não chorar mais

Eu disse adeus
Não estou acreditando nisso
Mas disse adeus
Adeus às ilusões e aos meus sonhos
Choro por minha amada, mas lhe disse adeus
Lhe disse adeus

A nossa casa é sempre igual
Tudo, tudo o que era de nós dois
Mas foi melhor dizer adeus naquela hora
Pra depois não chorar mais

Eu disse adeus às minhas ilusões
Eu disse adeus ao choro
A tudo eu disse adeus

quinta-feira, 20 de janeiro de 2022

’O sole mio (Roberto Carlos e Pavarotti)


Link curto pra esta postagem: fishuk.cc/osolemio


Este canal nos deu como presente o upload completo do show “Roberto Carlos: O grande encontro”, gravado pela Rede Globo no Estádio Beira Rio, em Porto Alegre (4 de abril de 1998), em que o “Rei” divide o palco com o célebre tenor italiano Luciano Pavarotti (1935-2007). Ao som da orquestra sinfônica da capital gaúcha, eles cantaram separados a maioria das músicas, mas ao final interpretaram em dueto Ave Maria e ’O sole mio.

’O sole mio (O meu sol) uma das mais famosas canções italianas, mas escrita na língua napolitana, nativa da região em torno da cidade meridional de Nápoles e de regiões contíguas. O napolitano é muito parecido com o chamado italiano padrão, mas quem só aprende este terá dificuldade pra entender as línguas regionais. Em napolitano ficaram famosas no mundo as primeiras músicas populares e românticas da Itália, antes mesmo que o italiano unificado criasse toda uma cultura nacional em torno de si. A diferença já está no artigo definido masculino: ’o, com apóstrofo, em napolitano, il em italiano.

’O sole mio foi composta em 1898 por Giovanni Capurro (letra), Eduardo Di Capua e Alfredo Mazzucchi (melodia), e já recebeu tradução pra inúmeras línguas, como It’s Now Or Never de Elvis Presley e Agora ou nunca do sertanejo Dalvan. Por décadas se acreditou que a melodia era apenas de Di Capua, que a teria composto em Odesa (Ucrânia), durante uma turnê com a banda de seu pai. Porém, descobriu-se que a melodia era uma entre 23 peças que Di Capua tinha comprado do músico Mazzucchi em 1897. Em 1972, pouco após a morte deste, sua filha entrou com processo pra que ele fosse reconhecido como coautor de 18 das canções de Di Capua, entre as quais ’O sole mio. Apenas em 2002 uma juíza de Turim reconheceu esse direito, alegando que Mazzucchi tinha dado uma autorização escrita a Di Capua pra fazer uso livre daquelas melodias. Portanto, pela lei vigente na maioria dos países, ’O sole mio só cairá em domínio público em 2042.

De tantos cantores que a gravaram (incluindo nosso conhecido Vitas, do Cham Dram Brendam), é inútil listá-los todos, valendo a pena citar uma curiosidade: nas Olimpíadas de 1920, durante a premiação do corredor Ugo Frigerio, a banda tocou ’O sole mio no lugar do hino da Itália. Ao que parece, ela tinha perdido ou não recebido a partitura, e recebeu a ordem do maestro, já que todos a conheciam de memória. O público, ao invés de se revoltar, até cantou junto, num grande coro ressoado pelo estádio. Pavarotti tinha razão... (A maior parte dessas informações está na Wikipédia em inglês, mas na versão italiana há a história mais completa, além do enredo correto do caso de 1920.)

O texto da tradução é meu, mas me baseei na versão da Wikipédia em português, tendo feito várias correções. Cotejei com as traduções em inglês (mais fiel), italiano e espanhol, havendo na Wikipédia inglesa explicações melhores sobre o significado. Por exemplo, que oi, ne na verdade é a forma apocopada de oi, nenna (ó, menina; com sentido afetivo), causando confusão em muitos. Os próprios Roberto e Pavarotti oscilam entre formas do padrão e do napolitano, havendo ainda outras variantes de acordo com o que o cantor entende. Do Wikisource em napolitano tirei a letra fixa:


1. Que coisa linda é um dia ensolarado,
Um tempo calmo após uma tempestade!
Pelo ar fresco já parece uma festa...
Que coisa linda é um dia ensolarado!

Refrão:
Mas um outro sol
Mais lindo, menina,
O meu sol
Está em seu rosto...
O sol, o meu sol
Está em seu rosto,
Está em seu rosto.

2. Os vidros da sua janela brilham,
Uma lavadeira canta com orgulho...
E enquanto torce, estende e canta,
Os vidros da sua janela brilham.

(Refrão)

3. Quando anoitece e o sol se põe
Uma melancolia quase me toma;
Eu ficaria embaixo da sua janela
Quando anoitece e o sol se põe.

(Refrão)

____________________

1. Che bella cosa è na jurnata ’e sole,
N’aria serena doppo na tempesta!
Pe’ ll’aria fresca pare già na festa...
Che bella cosa na jurnata ’e sole.

Riturnello:
Ma n’atu sole cchiù bello, oi ne’,
’O sole mio sta nfronte a te!
’O sole, ’o sole mio
Sta nfronte a te, sta nfronte a te!

2. Luceno ’e llastre d’’a fenesta toia;
’Na lavannara canta e se ne vanta
E pe’ tramente torce, spanne e canta,
Luceno ’e llastre d’’a fenesta toia.

(Riturnello)

3. Quanno fa notte e ’o sole se ne scenne,
Me vene quasi ’na malincunia;
Sotta ’a fenesta toia restarria
Quanno fa notte e ’o sole se ne scenne.

(Riturnello)



Agora o bônus! Segundo os créditos ao final do programa, essa versão da Ave Maria é atribuída ao compositor francês Charles Gounod (1818-1893), com influência de Bach. Como se nota bem, Roberto a canta em italiano, e Pavarotti em latim, nesta língua havendo a tradução literal da famosa oração católica, embora não em sua totalidade. Eu mesmo traduzi de ambas as línguas, já tendo decorado de longa data o texto latino e tendo achado a letra italiana (com algumas incorreções) nesta página, cantada só a primeira metade.

Dada a falta de clareza da redação, e sem ter percebido uma inversão de sujeito e objeto logo na terceira estrofe, esta tradução inglesa feita por uma italiana me ajudou nas dúvidas. Seguem a letra corrigida em italiano e o texto em latim da primeira parte da Ave-Maria:

Ave Maria
Vergin celeste
La prece mia si volge a te
Il Genitore mi toglie il fato
A te il mio cuore chiede mercé
Sì, chiede mercé

Per tanto affanno prego a tuoi piedi
Giammai non hanno tregua i dolori
Il dolor mio dal cielo tu vedi
Deh, salva, oh Dio! il Genitor
Ave Maria...

Ave Maria, gratia plena, Dominus tecum, benedicta tu in mulieribus, et benedictus fructus ventris tui, Jesus. (Embora no Brasil seja mais corrente o uso de “vós”, traduzi com “tu” pra unificar com o italiano, e mudei um pouco o texto em prol da clareza.)

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

A música popular brasileira em russo


Link curto para esta postagem: fishuk.cc/mpb-russo


No final de junho, fiz uma das maiores inovações em minha carreira cultural. Eu já tinha feito traduções poéticas do russo, belarusso e ucraniano pro português, e cheguei a legendar algumas canções brasileiras em russo, mas traduzidas literalmente (ou quase). Como vocês também sabem, sempre gostei de compor poesia diretamente em esperanto ou traduzir musicalmente canções brasileiras pro esperanto. A única tradução artística que eu tinha escrito (e cantado!) do português pra um idioma estrangeiro foi uma esquecida versão de 2012 em esperanto e interlíngua do então hit de Michel Teló Ai, se eu te pego. Na época, eu tinha Facebook, e me lembro que até os sérvios estavam debatendo-o na internet e cantando na TV!

No final de junho agora, como um jeito de “descansar mentalmente” do trabalho de fim de semestre que eu estava fazendo pro doutorado, comecei de súbito a mentalizar, enquanto passeava no jardim de casa ou fazia tarefas domésticas, versões em russo de vários clássicos da música popular brasileira. Dois deles grudaram tanto em minha cabeça que não resisti em logo passar o pensado pro papel, e depois elaborar com mais rigor! Infelizmente, não acredito que muita coisa da atualidade, em especial o que está bombando na mídia, mereça tradução poética pro russo, ou pra qualquer idioma que seja. Mas duas canções que me acompanham desde criança mereceram atenção.

A primeira é o sucesso mais conhecido do cantor Gilliard, hoje praticamente desconhecido das nova gerações, mas cuja voz me acompanha no rádio desde a tenra infância: Pouco a pouco. Como um belo rapaz, Gilliard ascendeu nos anos 1980 com suas músicas românticas, melodias doces e misturas de ritmos latinos e populares, tendo muito aparecido no SBT sob a batuta de Silvio Santos. Ainda o admiro muito, e fazem falta figuras assim em nosso enjoativo mainstream! A segunda canção, bem como seu intérprete e compositor, nem precisam de apresentações: Como é grande o meu amor por você, de Roberto Carlos, cuja cantarolagem eslava foi colando no meu cérebro! Além da escritura, resolvi também retomar a iniciativa de 2012 e gravar minha própria voz, com um karaokê ao fundo, mas com montagens em vídeo bilíngues e bem mais decentes.

A canção Pouco a pouco tem letra de César Augusto e Martinha, e Gilliard a gravou em 1981. Roberto Carlos, letrista de Como é grande o meu amor por você junto com Erasmo Carlos, gravou-a pela primeira vez em 1967 e muitos anos depois fez a regravação que mais conhecemos atualmente. O público-alvo principal de minhas gravações no YouTube deveriam ser os falantes de russo, mas inevitavalmente haveria uma maioria de brasileiros visualizando, então naquele site, as duas descrições consistem de breves textos bilíngues. Nesta página vocês podem escutar a versão original de Gilliard, e quanto a Roberto Carlos, estão disponíveis a de 1967 e a mais moderna. Vejam também as páginas de onde tirei a melodia karaokê (com letra em português) de Gilliard e de Roberto Carlos.

O resultado deu nas respectivas canções “Постепенно” (Postepenno), mesma coisa literalmente (escrita em 26 e 27 de junho), e “Люблю я очень тебя” (Liubliu ia ochen tebia), Eu amo muito você (composta em 28 de junho). Eu mesmo traduzi do português pro russo (versão poética, ou seja, respeita as métricas e os esquemas de rima) e montei os vídeos gravando minha voz por cima das melodias. As legendas são bilíngues, ou seja, pode-se comparar minha tradução com a letra dos compositores em português. Seguem abaixo as montagens, as traduções em russo e as letras em português. Espero ter colaborado pro enriquecimento cultural e o diálogo curioso entre os povos!


Постепенно

Постепенно
Всё вело нас без тревога
Впереди была дорога
И вместе мы пошли

Постепенно
Всё нас твёрдо убеждало
И, как ты меня узнала
Был тобой порог открыт

Постепенно
Ты держала моё тело
Незаметно мне хотелось
Тебе броситься в объятья

Постепенно
То росло златое чувство
В нашей жизни, вроде чуда
Ничего почти не пусто

Постепенно
Я довольно смог понять
Отличается желанье от любви
И сегодня, если очень
Любишь ты честно меня
Мне, понятно, мало нравишься не ты

____________________


Pouco a pouco
Tudo foi nos conduzindo
Sem querer nós fomos indo
Pra mesma direção

Pouco a pouco
Tudo foi nos convencendo
Você foi me conhecendo
E me abriu seu coração

Pouco a pouco
Você foi me aprendendo
Sem querer eu fui querendo
Ficar preso nos teus braços

Pouco a pouco
Esse amor que foi crescendo
Ocupou em nossas vidas
Quase todos os espaços

Pouco a pouco
Foi que eu pude perceber
Que gostar é diferente de querer
E agora pelo muito
Que você gosta de mim
Não é pouco o que eu gosto de você

Fonte: clique aqui


Люблю я очень тебя

Мне бы хотелось
Тебе сказать
Многое устно
Но не легко
Люблю я очень
Тебя, и горе
Далеко

И не сравнима
Моя любовь
Ни с чем на свете
Всё неравно
Люблю я очень
Тебя, и горе
Далеко

Даже не горы
Даже не небо
Даже не море
Даже не вечер
Ясней, красивей
Чем та любовь
Они не крепче

Я беспокоюсь
Придумывая
Чтоб объявить
Лучи-слова
Люблю я очень
Тебя, и горе
Далеко

Не забывая
Всё время помни
Горенье твёрже
Моё, чем камни
Люблю я очень
Тебя, и горе
Далеко

 

Eu tenho tanto
Pra lhe falar
Mas com palavras
Não sei dizer
Como é grande
O meu amor
Por você

E não há nada
Pra comparar
Para poder
Lhe explicar
Como é grande
O meu amor
Por você

Nem mesmo o céu
Nem as estrelas
Nem mesmo o mar
E o infinito
Nada é maior
Que o meu amor
Nem mais bonito

Me desespero
A procurar
Alguma forma
De lhe falar
Como é grande
O meu amor
Por você

Nunca se esqueça
Nem um segundo
Que eu tenho o amor
Maior do mundo
Como é grande
O meu amor
Por você

Fonte: clique aqui



quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Mais Roberto Carlos em italiano (1972)


Link curto para esta postagem: fishuk.cc/roberto


Essa não era minha prioridade, mas quando eu estava pesquisando interpretações em vídeo da Canzone per te pelo Roberto Carlos (as quais eu já postei aqui), achei um vídeo em que ele faz um pot-pourri na Itália em 1972, filmado no Teatro 10 pelo canal RAI, de algumas músicas da época e de versões italianas de músicas suas. A versão da própria Canzone per te não achei adequada pra legendar, mas duas das músicas julguei bonitas e interessantes, por isso traduzi-as e legendei-as.

A primeira é La donna di un amico mio (A mulher/namorada de um amigo meu), que, como alguns já devem ter pressuposto, é a tradução de seu sucesso Namoradinha de um amigo meu, e por isso tem essa batida de “jovem guarda”. Quem escreveu essa versão foi Daniele Pace, e fala de um dilema que ficará óbvio a todos ao assistirem ao vídeo. Lembra aquele ditado brasileiro “Mulher de amigo meu pra mim é homem”, mas a resposta que o Roberto dá é inversa, por exemplo, à da dupla nordestina Caju e Castanha, que fez sucesso com uma canção a respeito nos anos 2000... A segunda canção é Un gatto nel blu (Um gato no céu), com letra de Giancarlo Bigazzi e melodia de Totò Savio, composta pra disputar o famoso Festival de Sanremo de 1972. Roberto Carlos já tinha vencido o concurso em 1968, com a Canzone per te, e dessa vez ele não levou, mas por muito tempo o hit ficou no topo das paradas, inclusive em tradução pra outras línguas.

Essa apresentação deve ter sido pra um programa de TV específico, e não pro Festival de Sanremo. Nota-se no vídeo que, sendo começo dos anos 70, o Roberto estava numa fase de transição do estilo “jovem guarda” mais loucão, típico dos anos 60 (a canção mesmo tem um pouco da batida desse gênero), pra aquele estilo brega-romântico que o caracterizou nos anos 70 e parte dos 80. É algo visível no famoso medalhão redondo que ele tanto usou por um tempo, bem como no cabelo mais armado e nas roupas mais cheias de acessórios, mas já mais “adultas” (calça boca de sino etc.). Roberto estava então consolidando sua carreira como grande cantor brasileiro da MPB e muito famoso no exterior, já aí enriquecendo seu repertório com canções em diversos idiomas.

Existe uma história curiosa quanto à versão em espanhol da música Un gatto nel blu, que também foi gravada pelo Rei logo depois e igualmente vendeu pra caramba. O título é Un gato en la oscuridad, e num dos versos do refrão canta-se “El gato que está triste y azul...”. Por décadas não se entendeu por que o gato “estava azul”, mas segundo alguns, foi um “erro de tradução” decorrente da tradução literal do italiano blu como “azul”, quando na verdade é uma metáfora designando o céu. No caso, ajudaria a manter a rima, mas pra outros, poderia ter a ver também com a gíria inglesa to be blue, ou seja, “estar triste”, o que explica a denominação do estilo do blues. Este artigo de um blogueiro espanhol dá mais detalhes sobre a polêmica.

Quanto aos compositores de Un gatto nel blu, Gaetano Savio (1937-2004), mais conhecido como Toto ou Totò Savio, era músico, cantor, letrista, produtor fonográfico e arranjador. Guitarrista, fundador e componente de várias bandas, teve seus primeiros sucessos bombados na segunda metade dos anos 60, e na década seguinte continuou prolífico trabalho na composição, na televisão e num duo com a esposa. Nos anos 80, entre outros trabalhos e sucessos no Festival de Sanremo, dirigiu a orquestra do canal RAI em vários programas, mas nos anos 90 sofreu com um câncer na garganta, cuja operação lhe causou a perda da voz, e com uma cirrose hepática. Sofreria com doenças e hospitais até sua morte. Giancarlo Bigazzi (1940-2012), às vezes usando o pseudônimo Katamar, também foi compositor, produtor e letrista, e chegou a participar por um tempo da banda Squallor junto com Savio. Desde muito novo já teve sucessos estourados, e escreveu muitas letras famosíssimas, por vezes em colaboração com a esposa. Atuou com outros grandes nomes em diversas iniciativas artísticas, muitas delas rompidas depois, e também ajudou no êxito de vários cantores iniciantes.

Eu mesmo traduzi as duas canções (no primeiro caso, uma retradução da tradução...), cortei os vídeos pra um formato mais moderno e legendei. Nesta página está o vídeo com todas as músicas e sem legendas. As letras de La donna di un amico mio e Un gatto nel blu eu tirei de um site musical, mas me apoiei apenas parcialmente nas traduções que são apresentadas. Pra vocês compararem no primeiro caso, leiam a canção original em português, e no segundo caso, uma versão em português feita por Carlos Colla (Um gato que vai) e gravada por Daniel em 2002. Abaixo, seguem as legendagens, as letras em italiano e a tradução em português (no vídeo, a primeira canção não é cantada inteira):



La donna di um amico mio

Perché mi sono innamorato
Proprio della donna
Di un amico mio?

Con tante donne al mondo,
Proprio della donna
Di un amico mio.

È proprio vero che
L’amore fa così
Non guarda in faccia mai a nessuno, mai.

Mi sono innamorato
Proprio della donna
Di un amico mio.

Ma occhi così belli
In tutta la mia vita
Non ne ho visti mai.

Il mondo è grande ma
Diventa piccolo
Se tu conosci una donna così.

Non dite niente a lui,
Né a lui,
Né ad altri, mai.

2x:
Non voglio dire al mondo
Che amo la ragazza
Di un amico mio.

E adesso cosa faccio,
Meglio stare zitti,
Non sognare più.

Se sono un vero amico
Io soffro nel silenzio
E non ci penso più.

È proprio vero che
Bisogna piangere
E dire addio alla felicità.

Non dite niente a lui,
Né a lui,
Né ad altri, mai.

Non voglio dire al mondo
Che amavo la ragazza
Di un amico mio.

Non voglio dire al mondo
Che amo la ragazza
Di un amico mio.

____________________


Namorada de um amigo meu

Por que fui me apaixonar
Justo pela namorada
De um amigo meu?

Com tanta mulher no mundo,
Justo pela namorada
De um amigo meu?

É mesmo verdade que
O amor tem dessas coisas
Nunca escolhe quem quer atingir.

Eu fui me apaixonar
Justo pela namorada
De um amigo meu.

Mas olhos tão bonitos
Em toda a minha vida
Eu nunca tinha visto.

O mundo é grande, mas
Se torna pequeno
Ao se conhecer uma mulher assim.

Não falem nada pra ele,
Nem pra ele,
Nem pra mais ninguém.

2x:
Não quero que todos saibam
Que amo a namorada
De um amigo meu.

E agora o que faço?
Melhor ficar calado,
E não sonhar mais.

Se sou um amigo de verdade
Vou sofrer em silêncio
E não pensar mais nisso.

É mesmo verdade que
Vou ter que chorar
E dar adeus à felicidade.

Não falem nada pra ele,
Nem pra ele,
Nem pra mais ninguém.

Não quero que todos saibam
Que eu amava a namorada
De um amigo meu.

Não quero que todos saibam
Que amo a namorada
De um amigo meu.



Un gatto nel blu

Quand’ero bambino, che allegria
Giocare alla guerra per la via
Saltare un cancello io e te e poi
Una mela, l’emozione, gli occhi tuoi

Le rose, l’amore, casa mia
E un gatto per farci compagnia
Ma da quando è finita io non so perché
La finestra è piu grande senza te

Un gatto nel blu guarda le stelle
Non vuol tornare in casa senza te
Sapessi quaggiù che notte bella
Chissà se un gran dolore si cancella

Un gatto nel blu, ecco che tu
Spunti dal cuore, mio caro amore
Fra poco sarai negli occhi miei
Anche stasera una lacrima sei

Bambina, bambina, vita mia
Profumo di tiglio che va via
Se amare é uno sbaglio, colpa mia, però
Io, in fondo, della vita che ne so?

Un gatto nel blu guarda le stelle
Non vuol tornare in casa senza te
Sapessi quaggiù che notte bella
Chissà se un gran dolore si cancella

Un gatto nel blu, ecco che tu
Spunti dal cuore, mio caro amore
Fra poco sarai negli occhi miei
Lacrima chiara di primavera

Un gatto nel blu, ecco che tu
Anche stasera una lacrima sei

2x:
Un gatto nel blu, ecco che tu
Spunti dal cuore, mio caro amore
Fra poco sarai negli occhi miei
Lacrima chiara di primavera

____________________


Um gato no céu

Quando era menino, que alegre
Eu brincava de guerra pela rua
Pulava um portão, eu e você, e depois
Uma maçã, a emoção, seus olhos

As rosas, o amor, minha casa
E um gato nos fazendo companhia
Mas desde que acabou, não sei por que
A janela ficou maior sem você

Um gato no céu olha as estrelas
Não quer vir pra casa sem você
Se você visse a linda noite aqui
Talvez uma grande dor findasse

Um gato no céu, e súbito você
Surge no meu peito, querido amor
E logo vai estar nos meus olhos
Ainda esta noite, é uma lágrima

Menina, menina, vida minha
Perfume de tília indo embora
Se amar é errado, me culpo, porém
O que eu, no fundo, sei da vida?

Um gato no céu olha as estrelas
Não quer vir pra casa sem você
Se você visse a linda noite aqui
Talvez uma grande dor findasse

Um gato no céu, e súbito você
Surge no meu peito, querido amor
E logo vai ser nos meus olhos
Uma lágrima clara de primavera

Um gato no céu, e súbito você
Ainda esta noite, é uma lágrima

2x:
Um gato no céu, e súbito você
Surge no meu peito, querido amor
E logo vai ser nos meus olhos
Uma lágrima clara de primavera




quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Roberto Carlos – “Canzone per te”


Link curto para esta postagem: fishuk.cc/canzone2

Primeiro, me desculpem pela ausência no domingo e pelo atraso de hoje. Estava finalizando minha dissertação de mestrado! Há algum tempo, publiquei no blog a tradução e duas legendagens da canção italiana Canzone per te (Canção para você), interpretadas pelo grande e saudoso Sergio Endrigo. Na época, mencionei que nosso Roberto Carlos a tinha interpretado de forma vitoriosa no Festival de Sanremo, em 1968, e eu também tinha feito as legendas pra uma dessas atuações dele.

Mas a letra que O Rei costuma cantar há muitos anos em seus shows é levemente diferente, e eu queria há muito tempo tê-la legendado também. Demorei um pouco pra achar uma versão legal em vídeo, fiquei muito ocupado com tarefas acadêmicas, e enfim consegui traduzir e legendar no começo do ano. Essa é a que tem uma interpretação mais clara e completa da letra, e mesmo assim cortei alguns trechos que não achei interessantes no começo e no fim, e além disso tem umas marcas chatas da pessoa que editou e postou... O vídeo completo e sem legendas está nesta página.

A Canzone per te foi composta por Luis Bacalov, Sergio Bardotti e Sergio Endrigo, e provavelmente essa apresentação, tirada de uma fita VHS, é o trecho de um dos especiais de fim de ano que há décadas ele faz na Rede Globo, por volta dos anos 70, quando ele usava esse visual. Como eu já disse na outra postagem, achei muito bonita a descrição que a Wikipédia em italiano faz da música: “A letra fala de um amor tão belo que não consegue se acabar. O desejo é que a dor devida ao fim desse amor possa terminar para que os dois consigam amar outra pessoa.” No Festival de Sanremo de 1968, Roberto Carlos ficou consagrado internacionalmente pela bela atuação que fez, abrindo caminho à brilhante carreira que faria no Brasil, mas as versões com Endrigo são igualmente lindas.

Curiosamente, existe essa diferença na letra de Endrigo e na letra atual do Roberto. Dizem que há toda uma história por trás dessa distinção, mas nunca achei nada na internet. As traduções disponíveis em português são tão ruins que nem me incomodei em cotejar, e fiz minha própria versão, usando alguns trechos da outra letra que já tinha legendado. Eu tirei a letra em italiano do Letras.mus.br, mas tinha dois problemas: havia muitos erros de digitação e estava flexionada no feminino, pois a intérprete indicada era Zizi Possi. Assim, eu mesmo fiz também a transcrição em italiano, que segue abaixo, depois dos dois vídeos legendados e antes da tradução em português:




La festa appena cominciata
È già finita
Il cielo non è più con noi
Il nostro amore era l’invidia di chi è solo
La mia ricchezza
La tua allegria

Perchè giurare che sarai
L’ultima volta?
Il cuore non ti crederà
Qualcuno ti darà la mano
E con un bacio
Un’altra storia nascerà

E tu, tu mi dirai
Che sei felice
Come non sei stata mai
E a un altra io dirò
Le cose che dicevo a te

Ma oggi devo dire che
Ti voglio bene
Per questo canto e canto te
La solitudine che tu mi hai regalato
Io la coltivo come a un fiore

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A festa mal começou
E já acabou
O céu não está mais com a gente
O nosso amor fazia inveja nos sozinhos
Era minha riqueza
E sua alegria

Por que jurar que será
Sua última vez?
Seu coração não vai acreditar
Um qualquer vai te dar a mão
E com um beijo
Vai nascer uma outra história

E você vai me dizer
Que está feliz
Como nunca antes
E a outra eu vou dizer
As coisas que eu te dizia

Mas hoje devo dizer que
Te amo muito
Por isso te exalto sem parar
Você me presenteou com solidão
E hoje a cultivo como uma flor



Adendo (16/7/2023): Parece que finalmente solucionei o mistério das letras diferentes entre as gravações de Endrigo e de Roberto Carlos! Encontrei por acaso esta tesi di laurea (equivalente ao TCC brasileiro) defendida por Antonio Mercogliano em 2007, sob a orientação do Prof. Maurizio Griffo, intitulada Politica, società e costume nelle canzoni di Sergio Endrigo (Política, sociedade e costumes nas canções de Sergio Endrigo). Concernente à especialização em história das doutrinas políticas na Faculdade de Letras e Filosofia da Universidade de Nápoles “Federico 2.º”, revela ainda um Endrigo crítico da sociedade burguesa e simpatizante do mundo comunista, mesmo nunca tendo se filiado formalmente ao PCI nem lido os clássicos do marxismo, e sempre afetado psiquicamente por sua infância muito pobre.

Nas páginas 76 e 77, Mercogliano relata a vitória com Canzone per te no Festival de Sanremo de 1968, a qual, segundo o cantor, não teria tido tanta importância pra ele, enquanto pra Roberto Carlos fê-lo ser recebido como herói após voltar da Itália e propulsionado na carreira brasileira. Citando as páginas 64 e 65 do texto “Sergio Endrigo, le sue canzoni... e altro”, escrito por Luciano Ceri pro livro Sergio Endrigo. La voce dell’uomo (Sergio Endrigo. A voz do homem, Roma, Edizioni Associate, 2002), organizado por Doriano Fasoli e Stefano Crippa, traz este trecho do que deve ser uma entrevista com Endrigo: após o fracasso em convidar Astrud Gilberto e Iva Zanicchi pra acompanhá-lo,

No final alguém sugeriu o nome de Roberto Carlos, então lhe mandamos uma amostra de áudio [provino] e ele aceitou. Depois, ele a gravou tendo como orientação o texto da amostra, enquanto nesse meio-tempo eu e Bardotti tínhamos modificado ligeiramente a letra, e por isso sua versão em disco é diferente da que eu mesmo gravei. Quando Roberto Carlos voltou ao Brasil após a vitória de Sanremo, havia milhares de pessoas o esperando no aeroporto, como se fosse um ídolo da seleção de futebol. Vencer Sanremo talvez tenha sido mais útil pra ele do que pra mim.