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terça-feira, 15 de fevereiro de 2022

Karel Gott: “Léta prázdnin” e “V máji”

Hoje estou postando ao mesmo tempo duas canções gravadas pelo grande astro checo Karel Gott, que foram traduzidas do francês e do italiano a esse idiomas eslavo. A primeira, gravada em 1975, mesma data do show, chama-se Léta prázdnin (Anos de férias), e é a tradução da faixa Le moribond (O moribundo), composta e lançada pelo belga Jacques Brel e cuja letra tem um sentido quase todo diferente. O letrista checo Zdeněk Borovec (como na maioria das músicas de Gott) manteve a estrutura textual e trocou a despedida do cara que ia morrer pela partida de um jovem que estava se casando, acrescendo ainda o pai e o irmão (brácha tem sentido coloquial, como “mano”). A batida e a letra foram mais inspiradas na versão em inglês Seasons In The Sun, na voz de Terry Jacks, mas mesmo aí há referência à morte. Será que no comunismo todo mundo devia ser alegre, e as referências melancólicas eram desencorajadas?

Eu mesmo traduzi direto do checo a letra e legendei o vídeo que se encontra neste ótimo canal com canções checas e checoslovacas. Trata-se do festival Bratislavská lýra 1975, contando com a orquestra de Ladislav Štaidl e o coro de Jarmila Gerlová, Vlasta Kahovcová e Jitka Zelenková. Ouça também a versão estúdio, álbum Karel Gott ’76.

A segunda música é uma tradução de Il mondo, imortalizada na voz do Jimmy Fontana e cuja melodia foi composta por ele, Lilli Greco e Carlo Pes. Karel Gott gravou uma tradução em checo ainda em 1966, no comecinho da carreira, com o arranjo métrico um pouco alterado, o nome V máji (Em maio) e texto de Jiří Štaidl. As imagens do primeiro vídeo são do programa de TV Přehlídkový koncert, em 1966, no qual tocam o conjunto de Lubomír Pánek e o TOČR dirigido por Josef Vobruba. Há também o clipe oficial da Supraphon, com a qual Gott quase sempre gravou. As imagens do segundo são de um show que Gott gravou em 1985, no ápice de sua carreira, demonstrando já as muitas influências internacionais que absorveu nos anos 70 e 80 (esse é o vídeo completo, e V máji começa mais ou menos aos 46 minutos.

Il mondo foi lançada em 1965 num compacto de Enrico Sbriccoli (1934-2013), que adotou Jimmy Fontana como pseudônimo. Ele a cantou no antigo festival Un disco per l’estate em 1965, e mesmo tendo ficado em quinto lugar, muito de longe foi a que mais obteria sucesso no futuro. Tendo se incorporado à cultura popular italiana, foi posteriormente traduzida pra muitas línguas (nas quais também ficava no topo das paradas) e regravada por vários outros conterrâneos, de modo a tornar-se a marca registrada de Fontana. Ele pode ser considerado o famoso “artista de um hit só”, se não contarmos sua composição Che sarà, que também estourou.

Às vezes é estranho traduzir músicas checas pro português, porque a estrutura simbólica e de pensamento deles é muito diferente. Atesta-o o fato de ser aceita numa canção de tal envergadura a descrição de um homem “plantando bananeira” ou “andando de cabeça pra baixo” (literalmente, “caminhando com as mãos”), o que de fato devia ser comum em jardins quentes entre jovens magrelos de países comunistas. Além disso, colegas locais de estilo, como Pavel Novák, apareciam constantemente fazendo ginástica em clipes. Eu mesmo também traduzi a letra de V máji, legendei e cortei o quadro do vídeo original, tendo encontrado a letra no Google Play Music.

Karel Gott (1939-2019) nasceu durante a ocupação nazista e foi grande sucesso também nos países de língua alemã, na qual ele também cantava (Gott significa “Deus” em alemão). Ele também era pintor amador, e sua formação foi como eletricista, mas ficou célebre por meio da música, começando a carreira de cantor profissional em 1960. O deslanche de sua trajetória foi na década de 1970, tendo gravado muitos álbuns e inclusive sendo lançado na URSS em 1977, em cujos futuros países ele também seria admirado. Gott encerrou a carreira em 1990, mas retornou em 1993, embora naquela década se focasse mais na pintura e nas exposições que realizou. Faleceu em 1.º de outubro de 2019, vítima de leucemia, mas seu site oficial em checo persiste. Apesar do controle comunista, a antiga Checoslováquia desenvolveu uma rica cultura fonográfica e traduziu muito rock e pop então estourando no Ocidente. A mesma excelência em se tratando de música popular, superando inclusive a extinta URSS, se deu com a Polônia, outro país onde o comunismo nunca se enraizou, e a antiga Iugoslávia, de modelo social bastante divergente.


1. Dê adeus, mano, aos anos da infância,
Você era melhor em contas, eu em leitura,
Há muito a neve cobriu tudo isso,
Você bebia das minhas mãos, eu das suas,
Uma só nascente, uma só risada.

Então adeus, mano, tenho que ir,
Pois nossa pequenez só dura um instante,
E aí já acabam os anos de brincadeiras,
Acabam para todos, e isso é justo,
Então entenda isso, aceite isso.

Refrão:
O mundo era legal, o mundo era nosso,
Anos de férias, sol e praia,
A risada das salas de aula está longe,
Agora já preciso ser de alguém.

2. Adeus, papai, você se esforçou
Pra que meu sono fosse despreocupado
E muitas vezes brigava comigo,
Enquanto eu ficava mais na gandaia,
Só indo ver os pais ao ter problemas.

Então adeus, papai, tenho que ir,
Pois nossa pequenez só dura um instante,
E aí já está longe a infância,
Já tenho eu mesmo que cuidar de mim,
Vou aonde a necessidade me levar.

(Refrão 2x)

3. Adeus, minha querida, se cuide,
Você foi a garota de quem mais gostei
E agora partindo como um jogador,
Vou lhe provocar este choro,
E você ao menos vê pra que sirvo.

Então adeus, querida, tenho que ir,
Pois nossa pequenez só dura um instante,
E amadurecer é faca de dois gumes,
Não fique triste, seja mais falante,
Pois rapazes desinibidos são a maioria.

(Refrão 2x)

____________________


1. Buď sbohem brácho z dětských let,
Byl’s lepší v počtech a já zas lépe čeť,
To všechno dávno pokryl sníh,
Pil jsem z dlaní tvých, ty z mých,
Jeden pramen, jeden smích.

Tak sbohem brácho, musím jít,
Vždyť malí můžeme jen chvíli být
A pak už končí léta her,
Končí všem a to je fér,
Tak to chápej, tak to ber.

Refrén:
Svět byl fajn, svět byl náš,
Léta prázdnin, slunce, pláž,
Pryč je smích školních tříd,
Teď už musím něčím být.

2. Buď sbohem táto, ty ses dřel,
Abych já bezstarostný spánek měl
A byl to se mnou leckdy kříž,
Já jsem do větru byl spíš,
Rodičům jen na obtíž.

Tak sbohem táto, musím jít,
Vždyť malí můžeme jen chvíli být
A pak už dětství je to tam,
Už se musím starat sám,
Kudy v nouzi, kudy kam.

(Refrén 2x)

3. Buď sbohem lásko, tak se měj,
Měl jsem tě ze všech děvčat nejraděj
A teď odcházím jak hráč,
Nechám tě tu ronit pláč,
No aspoň vidíš, co jsem zač.

Tak sbohem lásko, musím jít,
Vždyť malí můžeme jen chvíli být
A zrání má svůj rub i líc,
Nebuď smutná, dej si říct,
Vždyť kluků k světu, těch je víc.

(Refrén 2x)




Estou ansioso, estou ansioso
Já estou sentindo no ar
Umidade e degelo da primavera
E então me levanto
Porque estou ansioso
Porque hoje ao amanhecer
A primavera chegou até nós

Somente em maio
O amor nasce em mim
Em maio
Plantando bananeira
Eu caminho em maio
Plantando bananeira
Eu caminho atrás de você

Somente em maio
Minha canção protege a amada
Mas a Lua crescente no céu
A corta, só por um mês
Vou ser seu
Somente em maio...

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Nemám stání, nemám stání
Ve vzduchu už cítím
Jarní vláhu, jarní tání
A tak vstávám
Neboť nemám stání
Neboť dneska za svítání
Jaro přišlo k nám

Jen v máji
Se láska ve mně rodí
V máji
Já po rukou
Si chodím v máji
Já po rukou si
Chodím za tebou

Jen v máji
Má píseň moji lásku hájí
Však srpek na nebi
Ji krájí, měsíc jen
Budu tvůj
Jen v máji...

domingo, 13 de janeiro de 2019

Karel Gott – Tam, kam chodí vítr spát


Link curto para esta postagem: fishuk.cc/tamkam


Estou continuando a coleção lançada no início de 2018, com nosso célebre croata Vice Vukov, após notar que a música brasileira em 2017 tinha se tornado um verdadeiro lixo. E, pelo que constatei, ela piorou ainda mais em 2018, sem perspectiva boa pra 2019, por isso decidi seguir minha missão. Vou redescobrindo pérolas populares e românticas do mundo eslavo, pra que possam inspirar nossos artistas e agradar a todo brasileiro.

Esta é a segunda canção que traduzi diretamente do checo, se não contarmos o próprio hino da República Checa, pro qual, porém, contei também com outras traduções. De novo agora, eu mesmo traduzi do próprio original, sem outros cotejos, usando a prática de aprendizado autodidata desde outubro de 2017 e o conhecimento adquirido após traduzir uma peça teatral completa do checo de outubro a dezembro últimos. O nome da música, surgida ainda na antiga Checoslováquia, é Tam, kam chodí vítr spát (Lá aonde o vento vai dormir), interpretada por Karel Gott, considerado o maior cantor nacional.

Gott (n. 1939), que nasceu durante a ocupação nazista, é considerado o maior cantor masculino de língua checa, mas com grande sucesso também nos países de língua alemã, na qual ele também canta (Gott significa “Deus” na língua alemã). Ele também é pintor amador, e sua formação foi como eletricista, mas ficou célebre por meio da música, começando a carreira de cantor profissional em 1960. O deslanche de sua trajetória foi nos anos 70, tendo gravado muitos álbuns e inclusive sendo lançado na URSS em 1977, em cujos futuros países ele seria também admirado. Gott, que tem um site oficial em checo, encerrou a carreira em 1990, mas retornou em 1993, embora naquela década se focasse mais na pintura e nas exposições que realizou.

Tam, kam chodí vítr spát tem melodia de Ivan Kotrč e letra de Zbyněk Vavřín, e foi gravada pela primeira vez em 1965. Os arranjos ficaram por conta da orquestra de Karel Vlach, e o coral soando ao fundo tem a direção de Lubomír Pánek. O vídeo foi extraído do programa de TV Z levého rukávu, emitido em 1967, e tem um upload oficial da gravadora de Karel Gott no YouTube. Eu copiei a letra original desta página, cujo site também tem muita coisa de Gott, como biografia, fotos, letras de música, pinturas etc. Seguem abaixo minha legendagem, o texto em checo (original) e a tradução em português:


Tam, kam chodí vítr spát,
Tam já cestu znám,
Tam, kam chodí vítr spát,
V údolí svůj domov mám.

Tam, kam chodí vítr spát,
Tam svůj domov mám,
Tam, kam chodí vítr spát,
Tam i já se vracívám.

Měsíční gong po větru volá,
Měsíční gong svá hejna svolává,
Tomu, kdo sám, sám se toulá
Zpáteční lístek po větru posílá.

Tam, kam chodí vítr spát,
Tam já domov mám,
Zpátky každý se vrátí rád
Tam, kam vítr šel spát.

Měsíční gong po větru volá,
Měsíční gong svá hejna svolává,
Tomu, kdo sám, sám se toulá
Zpáteční lístek po větru posílá.

Tam, kam chodí vítr spát,
Tam já domov mám,
Zpátky každý se vrátí rád
Zpátky, kam vítr šel spát

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Lá aonde o vento vai dormir,
Lá eu conheço o caminho,
Lá aonde o vento vai dormir,
No vale, eu tenho meu lar.

Lá aonde o vento vai dormir,
Lá eu tenho meu lar,
Lá aonde o vento vai dormir,
Pra lá também volto às vezes.

O gongo da Lua chama no vento,
O gongo convoca suas revoadas,
Àquele que é um solitário errante
Manda no vento passagem de volta.

Lá aonde o vento vai dormir,
Lá eu tenho um lar,
Todos vão gostar de retornar
Lá aonde o vento foi dormir.

O gongo da Lua chama no vento,
O gongo convoca suas revoadas,
Àquele que é um solitário errante
Manda no vento passagem de volta.

Lá aonde o vento vai dormir,
Lá eu tenho um lar,
Todos vão gostar de retornar,
Voltar aonde o vento foi dormir.


Uma curiosidade: não sei quem foi o tradutor, mas Karel Gott também lançou uma versão em inglês dessa canção, que se tornou Home (Lar/Casa), com a letra bastante alterada. Veja que o estilo tenta imitar bem o Elvis Presley, febre na época. Quem quiser só o áudio, pode ver a versão cedida pelos donos dos direitos autorais. Eu mesmo traduzi de forma não literal, então não reclame dizendo que “tem coisas erradas”, “tá impreciso” e sei lá o quê. Até porque a versão escrita que achei tem mesmo uma redação estranha (o tradutor devia ser checo mesmo), e não entendi totalmente coisas como “ocupei/tomei uma Roma”. Não fiz legendas bilíngues pra deixar livres as imagens, e o texto em inglês também segue abaixo:

Home is where I want to be,
Home’s the place I sight for,
You, my love, are far away,
I’m so sad and all alone.

Home means everything to me,
Home’s the place I cried for,
I miss you more every day
And the happiness we’ve known.

I think of you
And all the luck ones back home,
I dream of you,
Though love I left behind,
And now I know
It’s time that I seesed [seized?] a Rome,
And so today
I’m riding to say
That I’m coming home.

Home, the place I long to see,
Home, the place I died for,
Now my wandering days are through,
I will come stright home to you!



quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

Karel Gott – Měl jsem rád a mám (1975)


Endereço curto: fishuk.cc/gostei


Estou continuando a coleção lançada no início de 2018 com nosso célebre croata Vice Vukov, após notar que a música brasileira em 2017 tinha se tornado um verdadeiro lixo. E, pelo que constatei, ela piorou ainda mais em 2018, sem perspectiva boa pra 2019, por isso decidi seguir minha missão. Vou redescobrindo pérolas populares e românticas do mundo eslavo, pra que possam inspirar nossos artistas e agradar a todo brasileiro.

Esta é a primeira canção que traduzi diretamente do checo, se não contarmos o próprio hino da Chéquia, pro qual, porém, contei também com outras traduções. Desta vez eu mesmo traduzi do próprio original, sem cotejar com outras versões, usando minha experiência de estudo autodidata desde outubro de 2017 e o conhecimento adquirido após ter traduzido uma peça teatral completa do checo de outubro a dezembro de 2018. O nome desta música, surgida ainda na extinta Checoslováquia, é Měl jsem rád a mám (Gostei e ainda gosto), na voz de Karel Gott, considerado o maior cantor nacional.

A versão original de 1974, chamada Soleado, era apenas melódica, e foi composta pelos italianos Ciro Dammicco (n. 1947) e Dario Baldan Bembo (n. 1948), baseada em outra composição deles de 1972, Le rose blu, com letra de Alberto Salerno (n. 1949) e Francesco Specchia (n. 1929). A mais recente foi gravada primeiro pelo conjunto italiano Daniel Sentacruz, do qual Dammicco era integrante, mas a “letra” era apenas vocalização das mulheres. Em seguida, a canção se tornou um sucesso internacional, e em 1974 recebeu em alemão a primeira letra, à qual seguiriam as de outras línguas. Em checo, a letra foi escrita por Zdeněk Borovec (1932-2001) e gravada por Karel Gott em 1975.

Gott (n. 1939), que nasceu durante a ocupação nazista, é considerado o maior cantor masculino de língua checa, mas com grande sucesso também nos países de língua alemã, na qual ele também canta (Gott significa “Deus” na língua alemã). Ele também é pintor amador, e sua formação foi como eletricista, mas ficou célebre por meio da música, começando a carreira de cantor profissional em 1960. O deslanche de sua trajetória foi nos anos 70, tendo gravado muitos álbuns e inclusive sendo lançado na URSS em 1977, em cujos futuros países ele seria também admirado. Gott, que tem um site oficial em checo, encerrou a carreira em 1990, mas retornou em 1993, embora naquela década se focasse mais na pintura e nas exposições que realizou.

Eu copiei a letra original desta página, mas tive ainda que fazer umas poucas correções. Nesta página, especializada em resgatar originais que depois foram muitos traduzidos, encontrei algumas informações adicionais sobre a canção. Este outro site também tem muita coisa de Karel Gott, como biografia, fotos, letras de música, pinturas etc. Em 1975, Moacyr Franco também gravou sua própria versão no Brasil.

Seguem abaixo minha legendagem dupla com montagem em checo e em português, o texto original checo e a tradução em português. Vejam o vídeo duas vezes, lendo uma legenda de cada vez:



Há também outro vídeo, que baixei sem legendas e cortei apenas o começo e o término sem música, em que Gott está participando do programa de TV especial Karel Gott opět ve Slaném (Karel Gott novamente em Slaný, 1994), com banda regida por Pavel Větrovec (veja a íntegra). Nesse ano, o antigo país já tinha se desmembrado em Chéquia (capital Praga) e Eslováquia (capital Bratislava). O nome do programa faz referência a uma transmissão regular em que Gott era a estrela principal, de 1973 a 1978, Karel Gott ve Slaném, gravado no teatro da cidade de Slaný:


Na kterou z vás vzpomínám si říct,
Na kterou z vás, netroufám si říct.
Óo, lásky mé, čas mě táhne k vám,
Váš smích i pláč měl jsem rád a mám.

Já fotek tvých plnou měl jsem skříň,
Jak jsem byl stár? Sedmnáct či míň?
Óo, lásko má, kde teď jsou, se ptám,
Jen úsměv tvůj měl jsem rád a mám.

Ty vílo z hor, měňavá jak sníh,
Tvůj vzdech se vpil do polštářů mých,
Óo, lásko má, pak jsem spal v nich sám,
Jen povzdech tvůj měl jsem rád a mám.

Ty krásko zlá, zvyklá pouze brát,
Dík tobě já poznal jsem i pád.
Óo, lásko má, tisíckrát mě zklam,
Vždyť vůni tvou měl jsem rád a mám.

Ty kvítku můj, o němž se mi zdá,
Snad někdy též zklamal jsem tě já.
Óo, lásko má, vinu svou už znám,
Tím víc tvou tvář měl jsem rád a mám.

Na kterou z vás vzpomínám teď víc,
Na kterou z vás, netroufám si říct.
Óo, lásky mé, čas mě táhne k vám,
Váš smích i pláč měl jsem rád a mám.

Óo, lásky mé, čas mě táhne k vám,
Váš smích i pláč měl jsem rád a mám!

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Com qual de vocês me lembro de falar,
Com qual de vocês, eu não ouso falar.
Oh, meus amores, o tempo me puxa a vocês,
Gostei e ainda gosto dos seus risos e choros.

Eu tinha o armário cheio de fotos suas,
Qual era minha idade? Dezessete ou menos?
Oh, meu amor, pergunto onde estão agora,
Mas gostei e ainda gosto do seu sorriso.

Oh, fada dos montes, brilhante como a neve,
Meus travesseiros absorveram seu suspiro,
Oh, meu amor, depois dormi neles sozinho,
Mas gostei e ainda gosto da sua respiração.

Oh, beldade má, habituada a ter tudo,
Agradeço a você até mesmo pela queda.
Oh, meu amor, me desaponte mil vezes,
Mas gostei e ainda gosto do seu cheiro.

Oh, florzinha minha, que vejo em sonho,
Talvez um dia também desapontei você.
Oh, meu amor, já sabendo de sua culpa,
Tanto mais gostei e ainda gosto da sua face.

De qual de vocês mais me lembro agora,
De qual de vocês, eu não ouso falar.
Oh, meus amores, o tempo me puxa a vocês,
Gostei e ainda gosto dos seus risos e choros.

Oh, meus amores, o tempo me puxa a vocês,
Gostei e ainda gosto dos seus risos e choros.