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9 de janeiro de 2019

Karel Gott – Měl jsem rád a mám (1975)


Link curto para esta postagem: fishuk.cc/gostei




Estou continuando a coleção lançada no início de 2018 no meu canal Eslavo (YouTube), com nosso célebre croata Vice Vukov, após notar que a música brasileira em 2017 tinha se tornado um verdadeiro lixo. E, pelo que constatei, ela piorou ainda mais em 2018, sem perspectiva boa pra 2019, por isso decidi seguir minha missão. Vou redescobrindo pérolas populares e românticas do mundo eslavo, pra que possam inspirar nossos artistas e agradar a todo brasileiro.

Esta é a primeira canção que traduzi diretamente do tcheco, se não contarmos o próprio hino da República Tcheca, pro qual, porém, contei também com outras traduções. Desta vez eu mesmo traduzi do próprio original, sem cotejar com outras versões, usando minha experiência de estudo autodidata desde outubro de 2017 e o conhecimento adquirido após ter traduzido uma peça teatral completa do tcheco de outubro a dezembro de 2018. O nome desta música, surgida ainda na extinta Tchecoslováquia, é Měl jsem rád a mám (Gostei e ainda gosto), na voz de Karel Gott, considerado o maior cantor nacional.

A versão original de 1974, chamada Soleado, era apenas melódica, e foi composta pelos italianos Ciro Dammicco (n. 1947) e Dario Baldan Bembo (n. 1948), baseada em outra composição deles de 1972, Le rose blu, com letra de Alberto Salerno (n. 1949) e Francesco Specchia (n. 1929). A mais recente foi gravada primeiro pelo conjunto italiano Daniel Sentacruz, do qual Dammicco era integrante, mas a “letra” era apenas vocalização das mulheres. Em seguida, a canção se tornou um sucesso internacional, e em 1974 recebeu em alemão a primeira letra, à qual seguiriam as de outras línguas. Em tcheco, a letra foi escrita por Zdeněk Borovec (1932-2001) e gravada por Karel Gott em 1975.

Gott (n. 1939), que nasceu durante a ocupação nazista, é considerado o maior cantor masculino de língua tcheca, mas com grande sucesso também nos países de língua alemã, na qual ele também canta (Gott significa “Deus” na língua alemã). Ele também é pintor amador, e sua formação foi como eletricista, mas ficou célebre por meio da música, começando a carreira de cantor profissional em 1960. O deslanche de sua trajetória foi nos anos 70, tendo gravado muitos álbuns e inclusive sendo lançado na URSS em 1977, em cujos futuros países ele seria também admirado. Gott, que tem um site oficial em tcheco, encerrou a carreira em 1990, mas retornou em 1993, embora naquela década se focasse mais na pintura e nas exposições que realizou.

Eu copiei a letra original desta página, mas tive ainda que fazer umas poucas correções. Nesta página, especializada em resgatar originais que depois foram muitos traduzidos, encontrei algumas informações adicionais sobre a canção. Este outro site também tem muita coisa de Karel Gott, como biografia, fotos, letras de música, pinturas etc. Em 1975, Moacyr Franco também gravou sua própria versão no Brasil.

Seguem abaixo minha legendagem dupla com montagem em tcheco e em português, o texto original tcheco e a tradução em português. Vejam o vídeo duas vezes, lendo uma legenda de cada vez:



Há também outro vídeo, que baixei sem legendas e cortei apenas o começo e o término sem música, em que Gott está participando do programa de TV especial Karel Gott opět ve Slaném (Karel Gott novamente em Slaný, 1994), com banda regida por Pavel Větrovec (veja a íntegra). Nesse ano, o antigo país já tinha se desmembrado em República Tcheca (capital Praga) e Eslováquia (capital Bratislava). O nome do programa faz referência a uma transmissão regular em que Gott era a estrela principal, de 1973 a 1978, Karel Gott ve Slaném, gravado no teatro da cidade de Slaný:




Na kterou z vás vzpomínám si říct,
Na kterou z vás, netroufám si říct.
Óo, lásky mé, čas mě táhne k vám,
Váš smích i pláč měl jsem rád a mám.

Já fotek tvých plnou měl jsem skříň,
Jak jsem byl stár? Sedmnáct či míň?
Óo, lásko má, kde teď jsou, se ptám,
Jen úsměv tvůj měl jsem rád a mám.

Ty vílo z hor, měňavá jak sníh,
Tvůj vzdech se vpil do polštářů mých,
Óo, lásko má, pak jsem spal v nich sám,
Jen povzdech tvůj měl jsem rád a mám.

Ty krásko zlá, zvyklá pouze brát,
Dík tobě já poznal jsem i pád.
Óo, lásko má, tisíckrát mě zklam,
Vždyť vůni tvou měl jsem rád a mám.

Ty kvítku můj, o němž se mi zdá,
Snad někdy též zklamal jsem tě já.
Óo, lásko má, vinu svou už znám,
Tím víc tvou tvář měl jsem rád a mám.

Na kterou z vás vzpomínám teď víc,
Na kterou z vás, netroufám si říct.
Óo, lásky mé, čas mě táhne k vám,
Váš smích i pláč měl jsem rád a mám.

Óo, lásky mé, čas mě táhne k vám,
Váš smích i pláč měl jsem rád a mám!

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Com qual de vocês me lembro de falar,
Com qual de vocês, eu não ouso falar.
Oh, meus amores, o tempo me puxa a vocês,
Gostei e ainda gosto dos seus risos e choros.

Eu tinha o armário cheio de fotos suas,
Qual era minha idade? Dezessete ou menos?
Oh, meu amor, pergunto onde estão agora,
Mas gostei e ainda gosto do seu sorriso.

Oh, fada dos montes, brilhante como a neve,
Meus travesseiros absorveram seu suspiro,
Oh, meu amor, depois dormi neles sozinho,
Mas gostei e ainda gosto da sua respiração.

Oh, beldade má, habituada a ter tudo,
Agradeço a você até mesmo pela queda.
Oh, meu amor, me desaponte mil vezes,
Mas gostei e ainda gosto do seu cheiro.

Oh, florzinha minha, que vejo em sonho,
Talvez um dia também desapontei você.
Oh, meu amor, já sabendo de sua culpa,
Tanto mais gostei e ainda gosto da sua face.

De qual de vocês mais me lembro agora,
De qual de vocês, eu não ouso falar.
Oh, meus amores, o tempo me puxa a vocês,
Gostei e ainda gosto dos seus risos e choros.

Oh, meus amores, o tempo me puxa a vocês,
Gostei e ainda gosto dos seus risos e choros.