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21 de agosto de 2018

Novo Dia (Nossa Pátria é a Revolução)


Link curto para esta postagem: fishuk.cc/novodia


Como pedido de um fã do meu canal Eslavo (YouTube), apresento a canção “Новый день” (Novy den), Um novo dia, também chamada “Наша Родина – Революция” (Nasha Rodina – Revoliutsia), Nossa Pátria é a Revolução, de 1977, com letra de Nikolai Dobronravov (n. 1928) e melodia de Aleksandra Pakhmutova (n. 1929). Como eu disse outras vezes, esse casal foi famoso por compor músicas ufanistas soviéticas, num tempo em que a URSS já começava a viver de glórias passadas e recorria à sacralização de seus mitos, com consequente ar de catecismo dado à cultura política. Os dois vídeos têm o mesmo áudio, mas no segundo vocês podem ver os rostos cantando e uma tela em cores. Eu ia também legendar esta montagem (vejam que pôsteres lindos), ou fazer a minha própria com o áudio, gravado só pelo coral infantil, mas não quis saturar o público.

Esta canção podia muito bem ser usada em aulas de história política e cultural soviética. Nos anos 70, tornaram-se muito comuns músicas em estilo bélico, incorporando inclusive elementos do rock ocidental, com chamado à juventude pra apoiar o país em todas as ocasiões e manter o legado ideológico da revolução. Aquela década foi de crescente descrédito internacional da URSS e incipiente declínio econômico e social, e as alusões a Lenin, cada vez mais próximas da linguagem religiosa cristã, procuravam suprir a lacuna deixada pelo líder Leonid Brezhnev e sua burocracia cinzenta. E isso, envolvendo um conteúdo ateísta, como vemos em “Somos mestres e deuses no trabalho” e “Cremos em milagres humanos”: “humanos” que, literalmente, é o adjetivo pra “feitos/produzidos com as mãos”. Na evidente vitória americana da corrida espacial, a nostalgia ainda mastigava Gagarin e o sputnik, e a hipertrofia estatal contradizia a crença de Lenin que a Rússia seria o mero elo de uma cadeia: “Nossa Pátria é a Revolução”.

Quem canta nos vídeos é o famoso azerbaijano Muslim Magomaiev, junto com o Grande Coral Infantil soviético. Magomaiev (1942-2008) nasceu em Baku, capital da RSS do Azerbaijão, numa família com várias gerações de músicos e artistas, tendo o pai morrido na 2.ª Guerra Mundial. Fez estudos em conservatório musical e nos anos 60 começou a embalar sua carreira, tendo inclusive se apresentado no exterior, não sem chios da emigração anticomunista. Foi condecorado Artista Popular da URSS (1973), Artista Popular da RSS do Azerbaijão (1971) e com a Ordem da Honra (2002) pelo próprio Putin. Em 1998 encerrou voluntariamente a carreira, tendo se dedicado à pintura e a correspondências até morrer do coração.

Esta montagem foi feita com cenas de documentário (talvez de 1969) por um canal russo, enquanto a gravação ao vivo deve datar dos anos 80 ou do fim dos anos 70. Baixando os vídeos sem legendas, eu mesmo traduzi, legendei e cortei os quadros, e embora não em todos os pontos, minha tradução foi basicamente literal. Nas legendas tive que reduzir um pouco o texto pra cumprir os padrões do ofício ou tornar a leitura melhor, mas sem mudar o sentido. Seguem abaixo as duas legendagens, o texto em russo e a tradução em português:




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1. Новый день берёт своё начало
На бескрайних улицах Москвы.
Никогда у неба не бывало
Глаз такой влюблённой синевы.

Припев:
Светом солнца озарены,
Светом правды своей сильны.
Наша Родина – Революция,
Ей единственной мы верны.
Наша Родина – Революция,
Ей единственной мы верны.

2. Мы в труде и мастера, и боги.
Рукотворным верим чудесам.
Бесконечно дороги дороги,
Если их прокладываешь сам.

(Припев)

3. Мы улыбкой честной и открытой
Освещаем праздничный парад.
И от счастья светятся орбиты,
Где друзья Гагарина летят.

(Припев 2x)

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1. Está começando um novo dia
Nas infinitas ruas de Moscou.
Nunca esteve no céu
Um olho de azul tão amoroso.

Refrão:
A luz do Sol nos ilumina,
A luz de nossa verdade nos reforça.
Nossa Pátria é a Revolução,
Só a ela somos fiéis.
Nossa Pátria é a Revolução,
Só a ela somos fiéis.

2. Somos mestres e deuses no trabalho.
Cremos em milagres humanos.
Os caminhos são infinitamente queridos
Se você mesmo os constrói.

(Refrão)

3. Com um sorriso franco e aberto
Iluminamos o desfile festivo.
E de alegria brilham as órbitas
Onde voam os amigos de Gagarin.

(Refrão 2x)