quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Marcha das Malvinas (ilhas Falklands)


Link curto para esta postagem: fishuk.cc/malvinas



Tão nem aí pra quem governa esse Paraíso...


Esta é a Marcha de las Malvinas (Marcha das Falklands), que tem letra de Carlos Obligado e melodia de José Tieri. Foi composta em 1940 e dedicada à reivindicação que a Argentina faz desde o século 19 da soberania sobre as ilhas Malvinas, no extremo sul do Atlântico. Os ingleses chamam o pequeno arquipélago de “Falkland Islands”, ou apenas “Falklands”. Ainda hoje é tocada nas escolas e em todos os atos oficiais de reivindicação da soberania.

Desde 2001, celebram-se todos os anos o Dia dos Veteranos e dos Tombados na Guerra das Malvinas em 2 de abril, data em que começou a guerra promovida pelo ditador militar Leopoldo Galtieri em 1982. Mas a ideia da música é anterior, pois em 1939 se criou a “Junta de Recuperação das Malvinas”, pra conscientizar o povo sobre o assunto. Também se organizou então um concurso poético-musical, e no início de 1941 esta canção ganhou o prêmio. E óbvio, a música foi popularizada na guerra fracassada com o Reino Unido em 1982.

O homem da imagem no começo e no fim do vídeo é o próprio Galtieri, que usou a guerra pra levantar o moral da população num tempo de declínio do regime militar. O conflito foi providencial pra Margaret Thatcher, que alcançou nova popularidade ao disfarçar suas políticas recessivas, mas marcou o fim da última ditadura argentina, humilhada pelas inúmeras baixas inúteis. Esta canção é um dos símbolos do “irredentismo argentino”, ideário que prega a soberania da Argentina em vários territórios disputados com os vizinhos, inclusive, claro, as Malvinas, que chamei de “Falklands” no vídeo só pra provocar...

Eu baixei o áudio deste vídeo, que tem também algumas imagens relacionadas e a legenda em espanhol. O discurso de Galtieri foi feito durante a declaração de guerra, no sábado de Aleluia (véspera da Páscoa), e pode ser visto na íntegra nesta página. No final da minha montagem, eu colei a famosa parte em que ele diz: “Se querem vir (os britânicos), que venham, ofereceremos batalha!” Eu mesmo traduzi, legendei e montei o novo vídeo, tendo tirado a letra original e a informação histórica da Wikipédia em espanhol. Vejam a montagem duas vezes, lendo uma legenda de cada vez! Seguem abaixo a legendagem, que está postada no meu antigo canal do YouTube, o poema original e a tradução em português:


Tras su manto de neblinas,
No las hemos de olvidar.
“¡Las Malvinas, Argentinas!”,
Clama el viento y ruge el mar.

Ni de aquellos horizontes
Nuestra enseña han de arrancar,
Pues su blanco está en los montes
Y en su azul se tiñe el mar.

Por ausente, por vencido,
Bajo extraño pabellón,
Ningún suelo más querido
De la Patria en la extensión.

¿Quién nos habla aquí de olvido,
De renuncia, de perdón?
¡Ningún suelo más querido,
De la Patria en la extensión!

¡Rompa el manto de neblinas,
Como un sol, nuestro ideal,
Las Malvinas, Argentinas
En dominio ya inmortal!

Y ante el sol de nuestro emblema,
Pura, nítida y triunfal,
Brille ¡oh Patria! en tu diadema,
La perdida perla austral.

¡Para honor de nuestro emblema,
Para orgullo nacional,
Brille ¡oh Patria! en tu diadema,
La perdida perla austral.

____________________


Ocultas em manto nevoado,
Nunca iremos as esquecer.
“Falklands são argentinas!”,
Grita o vento e ruge o mar.

Nem daqueles horizontes
Irão arrancar nossa insígnia,
Pois seu branco está nos montes
E seu azul colore o mar.

Mesmo ausente ou vencido,
Sob uma bandeira estranha,
Não há solo mais querido
Na extensão de toda Pátria.

Quem está falando em esquecer,
Em renunciar ou perdoar?
Não há solo mais querido
Na extensão de toda Pátria!

Nosso ideal, como um sol,
Rompa o manto de neblinas,
Falklands são Argentinas
Num domínio já imortal!

Face ao sol de nosso emblema,
Pura, nítida e triunfante,
Brilhe, ó Pátria, em sua coroa
A pérola perdida do sul!

Para honrar nosso emblema,
Para orgulhar a nação,
Brilhe, ó Pátria, em sua coroa
A pérola perdida do sul!


domingo, 14 de janeiro de 2018

“Ĝi doloras tre”, brega em esperanto


Endereço curto: fishuk.cc/doloras


Finalmente esta é minha última tradução ao esperanto de canções brasileiras e internacionais que eu ainda não tinha publicado. Já estão no blog diversos poemas que traduzi a partir de 2011, mas este também era o último da primeira leva que fiz na minha adolescência. Hoje vocês vão conhecer minha tradução de Dói demais, que o baiano Cristiano Neves compôs e cantava. A canção é bem simplória, mas fiquei com vontade de traduzi-la por causa da batidinha viciante, e fiz isso em 23 de março de 2006. Ela é marcante porque traduzi bem no começo da graduação em História, e depois fiquei muitos anos sem traduzir de novo. Como nesse período me dediquei com afinco ao russo e ao francês, só retomei o esperanto com alguma regularidade em 2011. Além disso, Ĝi doloras tre (o novo título) foi a última tradução que publiquei num antigo site de esperanto; talvez em 2009, eu o desativei, e as traduções pós-2011 sairiam apenas no Facebook. Esta tradução não é literal, mas se aproxima muito do que Cristiano Neves quis dizer. Seguem abaixo um vídeo com a gravação em estúdio e as letras em esperanto e português.

Jen finfine mia lasta traduko al Esperanto de brazilaj kaj internaciaj kanzonoj, kiun mi ankoraŭ ne estis publikiginta. En la blogo estas jam diversaj poemoj, kiujn mi tradukis ekde 2011, sed ĉi tiu estis ankaŭ la lasta de la unua grupo, kiun mi faris dum la adolesko. Hodiaŭ vi ekkonos mian tradukon de Dói demais, kiun la bahiano Cristiano Neves komponis kaj kantis. La kanzono estas tro simpla, sed mi ekvolis traduki ĝin pro la altiranta ritmo, kaj mi faris tion la 23-an de marto 2006. Ĝi estas rimarkinda, ĉar mi tradukis ĝin en la ĝusta komenco de mia fakultato de Historio, kaj poste mi restis netradukante dum longaj jaroj. Ĉar tiuepoke mi fervore dediĉiĝis al la rusa kaj la franca lingvoj, mi reprenis iel konstantan praktikon de Esperanto nur en 2011. Krom tio, Ĝi doloras tre (la Esperanta titolo) estis la lasta traduko, kiun mi publikigis en estinta retejo de Esperanto; verŝajne en 2009, mi fermis ĝin, kaj la tradukoj post 2011 aperus nur en Facebook. Ĉi tiu traduko ne estas laŭlitera, sed estas tre proksima de la senso, kiun intencis Cristiano Neves. Ĉi-sube estas video kun la studi-versia kanzono kaj la poemoj en Esperanto kaj la portugala.


Ĝi doloras tre

2x:
Ĝi doloras tre,
Ĝi doloras tre,
Konsistas ne mia
Koro je ŝtono,
Ĝi doloras tre!

Ekspliku vian stultan agon
Forlasi vian koramaton.
Ĉu via cerbo freneziĝis?
Vi subite malboniĝis
Kaj min faris malzorgato.
Ĉu via cerbo freneziĝis?
Vi subite malboniĝis
Kaj min faris malzorgato.

Ĝi doloras tre,
Ĝi doloras tre,
Konsistas ne mia
Koro je ŝtono,
Ĝi doloras tre!

Dói demais

2x:
Dói, dói, dói demais,
Dói, dói, dói demais,
Meu coração não é
Feito de pedra,
Dói, dói, dói demais.

Pra que fazer esta loucura,
Deixar sozinho quem te ama?
O que deu nessa cabecinha?
Você era boazinha,
Hoje está me maltratando.
O que deu nessa cabecinha?
Você era boazinha,
Hoje está me maltratando.

Dói, dói, dói demais,
Dói, dói, dói demais,
Meu coração não é
Feito de pedra,
Dói, dói, dói demais.


quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

“Marcha de San Lorenzo” (Argentina)

Postei no meu antigo canal do YouTube esta legendagem numa época em que eu estava com muita curiosidade sobre a história da Argentina e então saí à pesquisa. É a chamada Marcha de San Lorenzo, com melodia do compositor Cayetano Alberto Silva (1901) e letra do escritor, poeta e professor Carlos Javier Benielli (1907). Ela relembra o combate de San Lorenzo (cidade da província de Santa Fe), travado em 3 de fevereiro de 1813 entre as tropas do coronel José de San Martín, patrono da independência argentina, e os soldados realistas que defendiam o domínio pela Espanha.

Numa zona quase desértica próxima ao Convento de San Carlos Borromeo, a canção começa com a saída do Sol (“Febo” – Phoebus, Apolo ou Helios, conforme a representação mitológica grega) e termina com o assassínio do granadeiro independentista Juan Bautista Cabral, que morreu com apenas 22 anos com o posto de sargento. Cabral tornou-se um herói nacional mitificado ao ter socorrido San Martín, cujo cavalo tinha caído durante o combate, que representou o “batismo de fogo” do Exército Argentino.

Esta obra se tornou uma das mais famosas da música militar, tanto que as tropas nazistas a tocaram quando invadiram Paris, em 1940, e anos depois o próprio general Eisenhower também a fez soar quando os aliados da Segunda Guerra aí entraram. As bandas militares do Brasil, Uruguai, Polônia e outros países incorporaram-na, inclusive, em seu repertório. Eu baixei o áudio deste vídeo, que tem também uma interessante montagem com figuras históricas e a letra em espanhol. Eu mesmo traduzi, legendei e montei o novo vídeo, tendo tirado a letra original e a informação histórica da Wikipédia em espanhol. Seguem abaixo a legendagem, o poema original e a tradução em português:



(Não achei o backup em português, mas o francês quebra o galho)


Febo asoma; ya sus rayos
iluminan el histórico convento;
tras los muros, sordos ruidos
oír se dejan de corceles y de acero.

Son las huestes que prepara
San Martín para luchar en San Lorenzo;
el clarín estridente sonó
y la voz del gran jefe
a la carga ordenó.

Avanza el enemigo
a paso redoblado,
al viento desplegado
su rojo pabellón.

Y nuestros granaderos,
aliados de la gloria,
inscriben en la historia
su página mejor.

Cabral, soldado heroico,
cubriéndose de gloria,
cual precio a la victoria,
su vida rinde, haciéndose inmortal.

Y allí salvó su arrojo,
la libertad naciente
de medio continente.
¡Honor, honor al gran Cabral!

____________________


O Sol sobe; seus raios já
clareiam o histórico convento;
atrás dos muros, sons baixos
de cavalo e espada se ouvem.

São tropas que San Martín
prepara à luta em San Lorenzo;
o clarim estridente soou
e a voz do grande chefe
ordenou o ataque.

O inimigo avança
em passo acelerado,
com bandeira vermelha
desdobrada ao vento.

E nossos granadeiros,
ajudados pela glória,
escrevem na história
a melhor página dela.

Cabral, soldado heroico,
cobrindo-se de glória,
como preço pela vitória,
entrega a vida, tornando-se imortal.

E ali sua coragem salvou
a liberdade nascente
de meio continente.
Honra, honra ao grande Cabral!






Curiosidade: execução de trechos da Marcha de San Lorenzo durante a visita do presidente Lula à Argentina (a primeira viagem de seu terceiro mandato) em 23 de janeiro de 2023. O primeiro vídeo foi feito na chegada de avião a Buenos Aires, quando a marcha é antecedida de outra melodia, e os dois segundos durante a homenagem ante o monumento a San Martín, herói nacional da independência.


quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Hymne national argentin (2 sous-titres)


Lien raccourci : fishuk.cc/argentine


J’ai d’abord traduit cet hymne vers le portugais (Brésil) pour mon ancienne chaine YouTube, et ensuite j’ai décidé aussi de le traduire vers le français, pour que plus de gens puissent prendre connaissance de cette belle chanson patriotique. En outre, je suppose aussi que les Français ont une admiration particulière envers l’Argentine, comme résultat des anciennes relations politiques et culturelles entre la France et ce pays sud-américain. Enfin, j’espère que mon français ne soit pas mal, puisque n’est pas ma langue maternelle !

L’Hymne national argentin a les paroles écrites par Vicente López y Planes en 1812, et la musique composée par Blas Parera y Moret en 1813. Il a été commandé par l’Assemblée générale constituante, qui gouvernait alors l’actuelle République argentine. Il est connu aussi comme Marche patriotique ou Chanson patriotique, et parfois de façon erronée, à l’étranger, par ses premiers mots, ¡Oíd, mortales!. Ce n’est qu’en 1847 qu’il a été publié sous le titre Himno Nacional Argentino, et comme ça il est devenu connu. En 1860, Juan Pedro Esnaola a fait quelques changements dans la musique, basés sur quelques notes laissées par Blas Parera.

Dotée autrefois d’un poème beaucoup plus long, l’exécution de l’hymne pouvait durer 20 minutes, mais en 1900 l’actuel texte raccourci a été imposé, et en 1924 une nouvelle adaptation mélodique a réduit la duration à moins de 4 minutes. Toutefois, ce n’est que le 24 avril 1944 qu’un décret a institué cette marche comme l’hymne national officiel. Le président de la République était alors Edelmiro Farrell, un militaire qui exerçait le pouvoir de facto, sans avoir été élu, lors de la dictature imposée par un coup en 1943.

On trouve sur cette page la vidéo sans sous-titres. Elle avait déjà les sous-titres en espagnol, mais sa synchronie est différente de celle de mon texte. J’ai décidé de ne pas les effacer, à fin de rendre plus riche la vidéo, bien que son espagnol aille quelques erreus de graphie. Moi-même ai traduit et sous-titré en français, à partir du texte donné sur la Wikipédia, mais quelque peu modifié. Regardez ci-dessous mon sous-titrage, le poème en espagnol et la traduction française :


¡Oíd, mortales!, el grito sagrado:
¡libertad!, ¡libertad!, ¡libertad!
Oíd el ruido de rotas cadenas;
ved en trono a la noble igualdad.
¡Ya su trono dignísimo abrieron
las Provincias Unidas del Sud!
Y los libres del mundo responden:
¡al gran pueblo argentino, salud!
¡Al gran pueblo argentino, salud!
Y los libres del mundo responden:
¡al gran pueblo argentino, salud!
Y los libres del mundo responden:
¡al gran pueblo argentino, salud!

Sean eternos los laureles
que supimos conseguir,
que supimos conseguir:
coronados de gloria vivamos,
¡o juremos con gloria morir!
¡O juremos con gloria morir!
¡O juremos con gloria morir!

____________________


Mortels, écoutez le cri sacré :
liberté, liberté, liberté !
Écoutez les chaines se briser;
voyez trônée la noble égalité.
Les Provinces-Unies du Sud
ont déjà une digne souveraineté !
Les peuples libres répondent :
salut au grand peuple argentin !
Salut au grand peuple argentin !
Les peuples libres répondent :
salut au grand peuple argentin !
Les peuples libres répondent :
salut au grand peuple argentin !

Soyez éternels, les lauriers
que nous réussîmes à obtenir,
que nous réussîmes à obtenir :
vivons couronnés de gloire,
ou jurons de mourir glorifiés !
Ou jurons de mourir glorifiés !
Ou jurons de mourir glorifiés !




Curiosité : on joue l’hymne argentin, et après l’hymne du Brésil, lors de la visite du président brésilien Lula da Silva en Argentine (la première de son troisième mandat) le 23 de janvier 2023. À l’occasion il faisait un hommage devant le monument à San Martín, le héros national de l’indépendance, à Buenos Aires.


domingo, 31 de dezembro de 2017

“Bela nigrulino”, o brega em esperanto


Link curto pra esta postagem: fishuk.cc/negalinda

Após muito tempo decidi postar novamente uma de minhas antigas traduções de canções brasileiras pro esperanto. Esta pérola se chama Nega linda e foi composta por Edilson Morenno, um astro do brega do norte brasileiro nos anos 90. Eu conheci essa música quando comprei um CD com outras parecidas da mesma época, e confesso que realmente, quando eu era adolescente, gostava dessas músicas cafonas do Pará e Amazonas... Mas pra mim não bastava gostar: tinha que traduzir pro esperanto, a única língua estrangeira que eu dominava então! Realmente era uma atitude estranha, mas dessa forma eu também comecei a desenvolver minha veia poética. Como vocês devem imaginar, minha tradução não ficou literal, mas a métrica e o esquema de rimas são os mesmos. Como não há infelizmente outra página da internet que tenha publicado esse clássico, seguem abaixo as letras em esperanto e português. Ouçam também no vídeo o áudio com a gravação de Morenno. Eu traduzi em 31 de julho de 2005.

Post longa tempo mi decidis denove publikigi unu el miaj malnovaj tradukoj de brazilaj kanzonoj al Esperanto. Ĉi tiu perlo nomiĝas Nega linda (Bela nigrulino; nega = negra), kaj ĝin komponis Edilson Morenno, muzikstelo de la nordbrazila stilo “brega” (bizara) dum la 90-aj jaroj. Mi ekkonis ĝin, kiam mi aĉetis KD-on kun aliaj similaj kanzonoj, kaj mi konfesas, ke dum mia adolesko mi vere ŝatis tiajn strangajn verkojn el la ŝtatoj Parao kaj Amazonio... Sed por mi ne sufiĉis ŝati ilin: mi devus traduki ilin al Esperanto, la sola eksterlanda lingvo, kiun mi tiam regis! Tio ja estis nekutima iniciato, sed mi tiel komencis disvolvi mian poezian talenton. Kiel vi verŝajne supozas, mia traduko ne estas laŭlitera, sed mi konservis la metrikon kaj la riman strukturon. Ĉar bedaŭrinde ne estas alia interretpaĝo, en kiu oni publikigis ĉi tiun klasikaĵon, ĉi-sube vi legas la tekstojn en Esperanto kaj la portugala. Per la video, aŭskultu ankaŭ la registron de la kanzono de Morenno. Mi skribis mian poemon en la 31-a de julio 2005.


Bela nigrulino

2x:
Nigrulino,
La haŭt’ estas trezora,
La ridet’, orkolora,
Via ŝvito, miel’.
Bela, bela nigrulino,
La hararo risorta
Kaj l’ odor’, pek’ nevorta,
Venas el la ĉiel’.

Nigrulino, min brakumu
Por ke l’ tristo sin malsumu
Kaj solecon iu fumu,
Ho fidelanĝel’.
Nigrulin’, mi vin atendas,
Por kunesto via plendas,
Ĉar nur de mi vi amendas,
Mi amadu vin!

Bela, bela nigrulino,
Bela, bela, bela nigrulino,
Ho, fidelanĝel’.
Bela, bela nigrulino,
Bela, bela, bela nigrulino,
Ho, ĉieljuvel’.
Bela, bela nigrulino,
Bela, bela, bela nigrulino,
Volas mi nur vin.
Bela, bela nigrulino,
Bela, bela, bela nigrulino,
Mi amadu vin!

Nigrulino, min brakumu
Por ke l’ tristo sin malsumu
Kaj solecon iu fumu,
Ho fidelanĝel’.
Nigrulin’, mi vin atendas,
Por kunesto via plendas,
Ĉar nur de mi vi amendas,
Mi amadu vin!

Bela, bela nigrulino,
Bela, bela, bela nigrulino,
Ho, fidelanĝel’.
Bela, bela nigrulino,
Bela, bela, bela nigrulino,
Ho, ĉieljuvel’.
Bela, bela nigrulino,
Bela, bela, bela nigrulino,
Droni en la vol’.
Bela, bela nigrulino,
Bela, bela, bela nigrulino,
Estas ĝoja vol’!

Nega linda

2x:
Nega linda,
Tua pele é um tesouro,
Teu sorriso é de ouro,
Teu suor, doce mel.
Nega, nega, nega linda,
Teu cabelo enrolado,
O teu cheiro é um pecado
Que me leva pro céu.

Ó, neguinha, me abraça
Que a tristeza logo passa,
Solidão vira fumaça,
Meu anjo fiel.
Ó, neguinha, eu te espero,
Eu te amo, eu te venero,
Só você que eu tanto quero,
Deixa eu te amar!

Nega, nega, nega, nega,
Nega, nega, nega, nega linda,
Meu anjo fiel.
Nega, nega, nega, nega,
Nega, nega, nega, nega linda,
Me leva pro céu.
Nega, nega, nega, nega,
Nega, nega, nega, nega linda,
Quero só você.
Nega, nega, nega, nega,
Nega, nega, nega, nega linda,
Deixa eu te amar!

Ó, neguinha, me abraça
Que a tristeza logo passa,
Solidão vira fumaça,
Meu anjo fiel.
Ó, neguinha, eu te espero,
Eu te amo, eu te venero,
Só você que eu tanto quero,
Deixa eu te amar!

Nega, nega, nega, nega,
Nega, nega, nega, nega linda,
Meu anjo fiel.
Nega, nega, nega, nega,
Nega, nega, nega, nega linda,
Me leva pro céu.
Nega, nega, nega, nega,
Nega, nega, nega, nega linda,
Deixa eu te querer.
Nega, nega, nega, nega,
Nega, nega, nega, nega linda,
Meu louco prazer!



quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Discurso de Stalin “Dá prazer e alegria”


Link curto para esta postagem: fishuk.cc/stalin-prazer


Este pequeno trecho de discurso é o subproduto de uma cinecrônica soviética completa, que legendei há alguns dias na íntegra e postei no meu antigo canal do YouTube e trata de fatos da era Iosif Stalin entre 1936 e 1939. Certa vez eu escrevi aqui que tinha acabado todos os discursos ao vivo do líder, mas pro “prazer e alegria” de vocês, achei mais este trecho que separei do vídeo completo do cinejornal. Trata-se da finalização de um longo discurso pronunciado na abertura do 8.º Congresso Nacional Extraordinário dos Sovietes, ocorrido em Moscou de 25 de novembro a 5 de dezembro de 1936, quando o domínio de Stalin chegava ao ápice.

A piada é pronta pros brasileiros de mente maldosa: mais uma vez, o Guia Genial dos Povos aparece molhando a goela com um refresco não identificado. Afinal, nenhum filho de Deus aguenta fazer discursos quilométricos sem refrescar a boca! Aos que já vêm pensando bobagem, acredito há muito tempo ser a famosa tubaína do interior de São Paulo, também conhecida por uma de suas marcas registradas, Turbaína, meio que uma mistura enjoativa de guaraná com essência de tutti-frutti. É costume dizer que os manifestantes pró-Lula só vão às caravanas “ganhando transporte gratuito, sanduíche de mortadela e turbaína vagabunda”. Será que Stalin foi o precursor dessa prática?

Além da brincadeira com a tubaína, joguei também com a tradução que fiz da expressão russa “приятно и радостно” (priatno i radostno), que Stalin usa duas vezes. Os dois advérbios vêm dos adjetivos que significam respectivamente “prazeroso” ou “agradável”, e “alegre” ou “feliz”, e são usados porque qualificam um verbo. Ficaria pesado (e até incorreto em português) traduzir como “prazerosa e alegremente”, e não soaria bonito começar as frases com “É prazeroso e alegre”. Por isso, pra unir com algum sentido as duas ideias em português, usei a expressão “Dá prazer e alegria”. Ou seja, se tivermos um pouco de criatividade, e boa dose de irreverência política, ela dá um sabor todo especial dentro do contexto político que a URSS vivia então! Sei que muitos não gostam dessa zoeira no material histórico (coxinhas de esquerda...), mas eu não resisto, porque ela jamais o inutiliza.

A transcrição completa do discurso em russo sairia no órgão oficial Pravda um dia depois, hoje integrando as Obras Completas de Stalin (Moscou, Pisatel, 1997), v. 14, pp. 119-147. Nesta página vocês podem assistir à cinecrônica completa sem legendas, começando a fala do líder aos 2min2seg. Seguem abaixo o trecho legendado do discurso, o texto dele em russo e a tradução em português. Nas legendas, encurtei um pouquinho pra facilitar a leitura, e em comparação com o vídeo, no livro aparece escrito “что она дала” ao invés de “а дала”, e “завоевания” ao invés de “достижения”:


(На Чрезвычайном VIII Всесоюзном Съезде Советов 25 ноября 1936 г.)

В результате пройденного пути борьбы и лишений приятно и радостно иметь свою Конституцию, трактующую о плодах наших побед. Приятно и радостно знать, за что бились наши люди и как они добились всемирно-исторической победы. Приятно и радостно знать, что кровь, обильно пролитая нашими людьми, не прошла даром, а [что она] дала свои результаты. Это вооружает духовно наш рабочий класс, наше крестьянство, нашу трудовую интеллигенцию. Это двигает вперёд и поднимает чувство законной гордости. Это укрепляет веру в свои силы и мобилизует на новую борьбу для достижения [завоевания] новых побед коммунизма.


(No 8.º Congresso Nacional Extraordinário dos Sovietes, 25 de novembro de 1936)

Após percorrermos a via de lutas e privações, dá prazer e alegria ter a própria Constituição narrando os frutos de nossas vitórias. Dá prazer e alegria saber pelo que lutou nossa gente e como chegou à vitória de alcance histórico mundial. Dá prazer e alegria saber que o sangue vertido aos litros por nossa gente não foi em vão, mas [que ele] deu resultados. Isso aumenta o ânimo de nossa classe operária, nosso campesinato e nossos proletários intelectuais. Isso promove e eleva o sentimento de legítimo orgulho. Isso reforça a fé nas próprias forças e mobiliza para novas lutas visando a mais vitórias do comunismo.


domingo, 24 de dezembro de 2017

Hino Nacional da Argentina desde 1944


Endereço curto: fishuk.cc/argentina


Há alguns meses, comecei a voltar meu interesse pra história recente da nossa vizinha Argentina e tive vontade de legendar e postar no meu extinto canal do YouTube algumas canções patrióticas locais, que achei bonitas e interessantes. Comecei, claro por aquele que considero um dos hinos mais bonitos da América Latina: não que eu também não adore o do Brasil, de fato, e confesso que também acho lindo o hino dos EUA. Meu plano seria depois legendar alguns discursos feitos durante a ditadura militar argentina, não porque simpatizo, mas por curiosidade com esse período histórico, só que ainda não tive tempo.

O Hino Nacional Argentino teve a letra escrita por Vicente López y Planes em 1812, e a melodia composta por Blas Parera y Moret em 1813. A encomenda foi feita pela Assembleia Geral Constituinte, que então governava a atual República Argentina. Ele passou também a ser conhecido como Marcha Patriótica ou Canção Patriótica, e por vezes erroneamente, no estrangeiro, pelas suas palavras iniciais, ¡Oíd, mortales! Apenas em 1847 apareceria publicado como Himno Nacional Argentino, e assim passou a ser conhecido. Em 1860, Juan Pedro Esnaola fez algumas modificações na melodia, baseando-se em anotações deixadas pelo compositor.

Com um poema originalmente bem mais extenso, o hino chegava a ser tocado por 20 minutos, mas em 1900 passou a valer a atual letra abreviada, e em 1924 nova adaptação melódica reduziu a duração pra menos de 4 minutos. Contudo, apenas em 24 de abril de 1944 um decreto determinou que essa marcha devia ser oficialmente o hino nacional. O presidente era Edelmiro Farrell, militar que exercia o poder de facto durante a ditadura instaurada por um golpe em 1943.

Eu baixei desta página o vídeo sem legendas, e a própria dona do canal deve ter sido quem inseriu as legendas espanholas, sem combinar em sincronia, porém, com as minhas. Eu resolvi deixá-las pra tornar o vídeo mais rico, embora elas tenham uns erros de grafia. Eu mesmo traduzi e legendei, tendo tirado da Wikipédia em espanhol a letra do hino e as informações históricas. Seguem abaixo minha legendagem, a letra em espanhol e a tradução em português:


¡Oíd, mortales!, el grito sagrado:
¡libertad!, ¡libertad!, ¡libertad!
Oíd el ruido de rotas cadenas;
ved en trono a la noble igualdad.
¡Ya su trono dignísimo abrieron
las Provincias Unidas del Sud!
Y los libres del mundo responden:
¡al gran pueblo argentino, salud!
¡Al gran pueblo argentino, salud!
Y los libres del mundo responden:
¡al gran pueblo argentino, salud!
Y los libres del mundo responden:
¡al gran pueblo argentino, salud!

Sean eternos los laureles
que supimos conseguir,
que supimos conseguir:
coronados de gloria vivamos,
¡o juremos con gloria morir!
¡O juremos con gloria morir!
¡O juremos con gloria morir!

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Ouçam, mortais, o grito sagrado:
liberdade, liberdade, liberdade!
Ouçam as correntes se quebrando;
vejam entronada a nobre igualdade.
Já alcançaram soberania digníssima
as Províncias Unidas do Sul!
E os livres do mundo respondem:
salve o grande povo argentino!
Salve o grande povo argentino!
E os livres do mundo respondem:
salve o grande povo argentino!
E os livres do mundo respondem:
salve o grande povo argentino!

Que sejam eternos os louros
que conseguimos conquistar,
que conseguimos conquistar:
vivamos coroados de glória,
ou juremos morrer com glória!
Ou juremos morrer com glória!
Ou juremos morrer com glória!




Curiosidade: execução do hino argentino, seguido do hino do Brasil, durante a visita do presidente Lula à Argentina (a primeira viagem de seu terceiro mandato) em 23 de janeiro de 2023. Ele estava então prestando uma homenagem ante o monumento a San Martín, herói nacional da independência, em Buenos Aires.


quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

’O surdato ’nnammurato (2 versões)


Endereço curto: fishuk.cc/surdato


Esta é uma canção que conheço desde a adolescência, da qual ela fez parte, porque integrava a trilha sonora da novela Terra nostra (1999-2000) da TV Globo, uma época gostosa em que as novelas “italianas macarrônicas” de imigrantes ainda faziam sucesso. Ela se chama ’O surdato ’nnammurato (O soldado apaixonado), que seria em italiano padrão Il soldato innamorato, mas na verdade é cantada em napolitano, um dos “dialetos” falados no sul da Bota. “Dialeto”, porque não há consenso sobre seu caráter de língua independente: os próprios italianos chamam assim, mas o napolitano tem muitas diferenças que dificultam a compreensão pra quem só estudou o padrão toscano-florentino. Uma das músicas napolitanas mais famosas, datada de 1915, tem letra do poeta Aniello Califano e melodia do musicista Enrico Cannio, entrou pra cultura popular e foi gravada por muitos artistas italianos de renome.

O primeiro vídeo é cantado por Massimo Ranieri, pseudônimo do napolitano Giovanni Calone (n. 1951), cantor, ator, apresentador e diretor teatral ainda ativo no pop, piano rock, canção napolitana e música leve. Um dos maiores vendedores italianos de disco no mundo, gravou seu primeiro álbum ao vivo ’O surdato ’nnammurato em 1972, mas pelo que consta no YouTube, esta apresentação é do mesmo ano, no programa de TV Canzonissima, existente na RAI de 1956 a 1975. No Brasil, ’O surdato ’nnammurato ficou conhecida na trilha sonora de Terra nostra, com a voz do cantor Netinho, rara vez em que não gravou axé. Pros jovens que não o conhecem, ele fez muito sucesso nos carnavais e em Salvador com músicas como Mila (“mil e uma noites de amor com você...”) e Total (“a ti prefiro uma cerveja...”), e a segunda metade dos anos 90 foi o ápice de sua carreira solo. Infelizmente, há alguns anos, ele teve problemas de saúde por causa de anabolizantes, mas ainda está vivo, pra nossa alegria.

Acho que a linda descrição na Wikipédia em napolitano diz tudo: ’A canzone parla ’e nu surdato luntano ’a l’ammore sujo, pecchè stà ’o fronte, a cumbattere duranne ’a primma guerra munniale (A canção fala de um soldado distante de seu amor, porque está no front combatendo durante a 1.ª Guerra Mundial). Califano (1870-1919) é autor de muitas outras letras napolitanas, e teve o privilégio de uma difícil publicação do Surdato em maio de 1915, em plenos combates. O pianista Cannio (1874-1949), tendo sempre vivido em Nápoles, também compôs muitas outras melodias regionais e foi reconhecido após a morte por sua ampla contribuição.

O napolitano, pra quem entende italiano, soa familiar, mas confesso uma coisa: acho uma das línguas mais bonitas do mundo, talvez por causa das reduções vocálicas em sílabas átonas, principalmente no fim da palavra. A sonoridade fica, assim, muito próxima da do romeno, outra língua que me agrada. Podem ver que, como um processo natural também ocorrente em vários falares brasileiros, o L antes de consoante por vezes vira R (rotacismo), e a vogal átona se reduz: soldato → sordato → surdato. Outro fenômeno que permite versos mais curtos é a elisão, com apóstrofo, de consoantes iniciais: a preposição de, por exemplo, vira ’e, e os artigos lo e la, ’o e ’a.

Eu não sei napolitano, então obviamente comparei várias traduções em italiano padrão. Uma delas, que acho boa, está nesta página. Pra traduzir, também cotejei com a tradução literal que a Wikipédia em alemão oferece (traduções alemãs costumam ser precisas). Eu baixei o vídeo de Ranieri desta página, e apenas traduzi, legendei e cortei o enquadramento. Quanto ao Netinho, baixei o áudio desta página, tendo eu mesmo depois montado e legendado o vídeo: vejam-no duas vezes, lendo uma legenda a cada vez!

Se vocês procurarem “netinho o surdato nnamurato” no YouTube, vão achar alguns vídeos em que ele aparece no Faustão cantando junto à Maria Fernanda Candido, de cuja personagem essa música era tema em Terra nostra. Como a novela estava bombando, Netinho conseguiu o feito inédito de aparecer dois domingos seguidos no Faustão. As duas legendas seguem abaixo, com a letra em napolitano e a tradução em português:





1. Staje luntana da stu core,
A te volo cu ’o penziero:
Niente voglio e niente spero
Ca tenerte sempe a fianco a me!
Si’ sicura ’e chist’ammore
Comm’i’ so’ sicuro ’e te...

Riturnello:
Oje vita, oje vita mia...
Oje core ’e chistu core...
Si’ stata ’o primmo ammore...
E ’o primmo e ll’ùrdemo sarraje pe’ me!

2. Quanta notte nun te veco,
Nun te sento ’int’a sti bbracce,
Nun te vaso chesta faccia,
Nun t’astregno forte ’mbraccio a me?!
Ma, scetánnome ’a sti suonne,
Mme faje chiagnere pe’ te...

(Riturnello)

3. Scrive sempe e sta’ cuntenta:
Io nun penzo che a te sola...
Nu penziero mme cunzola,
Ca tu pienze sulamente a me...
’A cchiù bella ’e tutt’’e bbelle,
Nun è maje cchiù bella ’e te!

(Riturnello 3x)

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1. Você está longe deste coração,
Voo até você em pensamento:
Eu quero e espero apenas que
Você sempre fique a meu lado!
Você confia neste amor
Como confio em você...

Refrão:
Oh, vida, oh, vida minha...
Oh, coração deste coração...
Você foi meu primeiro amor...
Primeiro e último será para mim!

2. Quantas noites não te vejo,
Não te sinto entre estes braços,
Não te beijo este rosto,
Não te abraço forte em mim?!
Mas despertar destes sonhos
Me faz chorar por você...

(Refrão)

3. Na carta você sempre está feliz:
E eu penso somente em você...
Um pensamento me consola,
Que você só pensa em mim...
A mais bela de todas as belas
Nunca é mais bonita que você!

(Refrão 3x)


domingo, 17 de dezembro de 2017

“Очи чёрные” (Olhos negros), canção


    Esta linda canção se chama “Очи чёрные” (Ochi chornye), Olhos negros, e consiste numa romança (canção sentimental) russa datada dos anos 1880. É uma das mais famosas canções tradicionais da Rússia, célebre também no exterior. Ela foi publicada em 1843 como um poema do escritor russo-ucraniano Ievhen Pavlovych Hrebinka (em russo, Ievgeni Pavlovich Grebionka, 1812-1848). O texto recebeu melodia de Florian German em 1884, mas a versão mais conhecida é do compositor ítalo-inglês Adalgiso Ferraris (1890-1968).

A canção se tornou mundialmente famosa a partir da década de 1930, foi gravada por muitos cantores e cantoras russos e traduzida pra muitas línguas. Talvez o artista mais famoso que a tenha gravado tenha sido Ivan Rebroff, que é, na verdade, de origem alemã. E muitos podem reconhecer aí uma parte da melodia de Nathalie, cantada e composta por Julio Iglesias nas versões em português e espanhol. Ela também apareceu em muitos filmes, bem como no jogo eletrônico Syberia. Um dos traços arcaicos da música consiste justamente no uso de ochi pra “olhos”, quando se esperaria glaza. Oko é uma forma antiga de glaz, ainda muito usada em outras línguas eslavas. Ela tem um plural dual (que indica par) resquicial, como costuma ocorrer com partes binárias do corpo: ochi. O plural regular seria oka. O mesmo ocorre com ukho (ouvido) → ushi (os dois ouvidos). Tem ainda o verbo tsarit (reinar), que remete a tsar, e não a korol (rei).

Eu tirei essas informações da Wikipédia em russo, assim como a letra da canção. Lá existe também a letra na ortografia russa pré-1918, no tempo em que o poema foi redigido. Eu baixei o vídeo sem legendas desta página, em que apenas se informa que essa apresentação do Coral Aleksandrov do Exército Russo (o famoso Coral do Exército Vermelho) foi feita em Paris, em 2003. Recomendo que também o vejam, pois ele tem toda uma parte instrumental no começo que cortei por razões de praticidade. Não consegui identificar o solista, que deve ter alguma formação de ator, porque de modo magistral faz parecer que ele mesmo está vivendo esse sofrimento. Eu mesmo traduzi e legendei, e seguem a legendagem, a letra em russo e a tradução:


Очи чёрные, очи жгучие,
Очи страстные и прекрасные!
Как люблю я вас! Как боюсь я вас!
Знать, увидел вас я не в добрый час!

Очи чёрные, жгуче пламенны!
И манят они в страны дальние,
Где царит любовь, где царит покой,
Где страданья нет, где вражде запрет

Не встречал бы вас, не страдал бы так,
Я бы прожил жизнь улыбаючись.
Вы сгубили меня, очи чёрные,
Унесли навек моё счастие.

Очи чёрные, очи жгучие,
Очи страстные и прекрасные.
Вы сгубили меня, очи страстные,
Унесли навек моё счастие...

Очи чёрные, очи жгучие,
Очи страстные и прекрасные!
Как люблю я вас! Как боюсь я вас!
Знать, увидел вас я не в добрый час!

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Olhos negros, olhos ardentes,
Olhos lindos e apaixonados!
Como amo vocês! Como temo vocês!
Acho que não os avistei em boa hora!

Olhos negros queimando em chamas!
Eles chamam a terras distantes
Onde reina o amor, onde reina a paz,
Onde ninguém sofre nem pode brigar!

Não os encontrasse, não sofreria tanto,
Eu passaria minha vida sorrindo.
Vocês me arruinaram, olhos negros,
Levaram para sempre minha alegria.

Olhos negros, olhos ardentes,
Olhos lindos e apaixonados!
Me arruinaram, olhos apaixonados,
Levaram para sempre minha alegria...

Olhos negros, olhos ardentes,
Olhos lindos e apaixonados!
Como amo vocês! Como temo vocês!
Acho que não os avistei em boa hora!


quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

“Казачья песня” (Canção do cossaco)


Link curto para esta postagem: fishuk.cc/kazachia


Esta linda canção se chama “Казачья песня” (Kazachia pesnia), A canção do cossaco ou A canção cossaca, e provavelmente quem está cantando é o Coral do Exército Vermelho. Ela faz parte da ópera Terras virgens desbravadas, composta e estreada pelo músico Ivan Dzerzhinski em 1937, que compôs, portanto, a melodia, enquanto a letra é do poeta Aleksandr Churkin. As imagens fazem parte do filme Tikhi Don (literalmente, O tranquilo rio Don), traduzido em inglês como And Quiet Flows the Don e filmado em três partes em 1957-58.

Esta canção mostra de novo a diversidade da experiência cossaca, tanto no tempo quanto no espaço. Aqui, estamos falando dos cossacos que viviam às margens do rio Don, relativamente próximo à atual fronteira ucraniana, e que partilham, portanto, vários elementos linguísticos com os ucranianos. A ópera Terras virgens desbravadas, assim como outra ópera de Dzerzhinski também chamada Tikhi Don, foi inspirada no romance igualmente de nome Tikhi Don, escrito em quatro volumes de 1925 a 1932 e em 1940, por Mikhail Sholokhov. O livro trata de uma família de cossacos do Don, os Melekhov, que vive uma trágica história amorosa nos anos da 1.ª Guerra Mundial, da Revolução Russa e da Guerra Civil Russa. Retrata-se, pois, a decadência e desmonte da instituição cossaca pelos bolcheviques. Com várias mudanças, o filme Tikhi Don, dirigido por Sergei Gerasimov em 1957 e 1958, relata a mesma história e, por isso, foi muito premiado até no exterior.

Ivan Ivanovich Dzerzhinski (1909-1978) foi um compositor soviético laureado com o Prêmio Stalin de terceiro grau (1950), membro do PC soviético desde 1942 e Artista Popular da RSFS da Rússia desde 1977. Compunha óperas e canções comuns, e recebeu ainda outros prêmios estatais durante sua vida. Aleksandr Dmitrievich Churkin (1903-1971) foi um poeta soviético que serviu no Exército Vermelho e se dedicou ao gênero do “realismo socialista”. Ele também escrevia canções, era membro do Partido desde 1949 e recebeu, entre outras condecorações, a Ordem da Insígnia de Honra. Mikhail Aleksandrovich Sholokhov (1905-1984), autor de Tikhi Don, foi um escritor, roteirista, jornalista e correspondente de guerra, laureado com o Nobel de Literatura em 1965. Também ganhou os prêmios Lenin (1960) e Stalin (1941), foi membro do PC soviético desde 1932 e de seu Comitê Central desde 1961. Contudo, foi várias vezes acusado de plágio, inclusive no caso de seu Tikhi Don, por A. Solzhenitsyn e outros.

O vídeo sem legendas com o filme e a canção está nesta página, e a letra em russo pode ser consultada neste site, onde há muitas outras canções cossacas. Neste vídeo, outra montagem interessante mistura cenas de filme com a atuação do Coral do Exército Vermelho. Eu mesmo traduzi, legendei e mudei o enquadramento, e seguem abaixo a legendagem, a letra em russo e a tradução em português (nas legendas, o texto foi encurtado, sem mudar o sentido):


Шли по степи полки казачьи с Дону,
Один казак лишь голову склонил.
Ой, заскучал один казак по дому.
Коню на гриву повод уронил.
Ой, заскучал один казак по дому.
Коню на гриву повод уронил.

Эх, разлетались кудри врассыпную.
О доме думка мучила его.
Лижь в даль глядел он синюю степную,
А в той дали не видно ничего.
Лижь в даль глядел он синюю степную,
А в той дали не видно ничего.

Тряхнул казак чубатой головою,
Сказал своим товарищам с тоской:
Эх, изболелось сердце молодое,
Ой, как мне братцы, хочется домой.
Эх, изболелось сердце молодое,
Ой, как мне братцы, хочется домой.

Лети скорей дороженька-дорога,
Развей казачью думу и тоску.
Эх, на дыбы поднял коня лихого,
И свистнул саблей острой на скаку.
Эх, на дыбы поднял коня лихого,
И свистнул саблей острой на скаку.

А по степи полки со славой громкой,
Всё шли и шли спевая соловьём.
Ковыльная, родимая сторонка,
Прими от красных конников поклон.
Ковыльная, родимая сторонка,
Прими от красных конников поклон.

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Iam pela estepe tropas cossacas do Don,
Somente um cossaco deu-se por vencido.
Ei, um cossaco se cansou e foi para casa.
Deixou a rédea cair pela crina do cavalo.
Ei, um cossaco se cansou e foi para casa.
Deixou a rédea cair pela crina do cavalo.

Ah, as madeixas voaram em debandada.
Ficar pensando na casa o fazia torturado.
Ele só olhava pra longínqua estepe azul,
Mas nessa imensidão não podia ver nada.
Ele só olhava pra longínqua estepe azul,
Mas nessa imensidão não podia ver nada.

O cossaco sacudiu a cabeça com topete,
E disse com melancolia aos camaradas:
Ah, meu jovem coração está extenuado,
Ei, maninhos, queria tanto ir para casa.
Ah, meu jovem coração está extenuado,
Ei, maninhos, queria tanto ir para casa.

Voe depressa, caminho, caminhozinho,
Desembarace mente e peito do cossaco.
Ah, fiz meu cavalo impetuoso empinar,
E no galope, meu sabre agudo assobiou.
Ah, fiz meu cavalo impetuoso empinar,
E no galope, meu sabre agudo assobiou.

E pela estepe, os regimentos em frente
Seguiam, com glória muito retumbante.
Minha cara terra natal, cheia de mato,
Deixe a saudarem os nobres cavaleiros.
Minha cara terra natal, cheia de mato,
Deixe a saudarem os nobres cavaleiros.