Melhores canções de Pavel Novák (1)


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Após o fim do meu canal Pan-Eslavo Brasil no YouTube, finalmente estou republicando minhas traduções de músicas do famoso cantor checo Pavel Novák, que é muito pouco conhecido no Brasil, assim como Karel Gott, que já apareceu várias vezes aqui. Novák nasceu em 1944 e morreu em 2009, com câncer de próstata, tendo sido o difusor do rock na antiga Checoslováquia comunista. Coincidentemente, os dois nasceram quando a República Checa era o Protetorado Checo e Morávio, controlado pelos nazistas e separado da Eslováquia até o fim da 2.ª Guerra Mundial. Apesar do controle comunista, a antiga Checoslováquia desenvolveu uma rica cultura fonográfica e traduziu muito rock e pop então estourando no Ocidente. A mesma excelência em se tratando de música popular, superando inclusive a extinta URSS, se deu com a Polônia, outro país onde o comunismo nunca se enraizou, e a ex-Iugoslávia, de modelo social bastante divergente.

A primeira canção foi gravada em 1970 com o título Asi (Talvez), e é a tradução do grande sucesso Bad Moon Rising, lançado pela banda Creedence Clearwater Revival no ano anterior (o antigo conjunto da Califórnia pode ser visto também numa filmagem ao vivo). O engraçado é que, mantendo a batida desse rock mais country, Pavel Novák traduziu apenas a sonoridade da letra de John Fogerty, perdendo-se o sentido original de apocalipse noturno, mas o resultado foi exatamente um texto campestre!

Eu mesmo traduzi a letra checa diretamente, o que foi um trabalho meio difícil, pois havia muitas expressões coloquiais, incluindo estrangeirismos. O primeiro vídeo se encontra neste ótimo canal com canções checas e checoslovacas, e o segundo vídeo está neste canal, desta vez com uma versão ao vivo que deve datar da década de 1990. Novak até tenta imitar as dancinhas do clipe original de 1970, mas a essa altura já é impossível dar aquela pirueta... Seu filho, Pavel Novák Jr., também seguiu carreira na música e pode inclusive ser visto em primeiro plano, de blusa bege, quando dão um close nos back vocals.

A segunda canção foi gravada em 1967 com o título Malinká (Minha pequena, no caso a namorada), e é a tradução de uma canção hoje aparentemente pouco conhecida. Ela se chama Little Girl e foi gravada por Casey Jones & The Governors no ano anterior. O autor original foi Casey Jones, pseudônimo de Brian Casser, e a versão checa é de Eduard Krečmar, cujo lançamento é descrito em checo pela gravadora Supraphon. Malinká foi um dos maiores sucessos da carreira de Pavel Novák, mas como várias de suas versões do Ocidente, traduziu-se apenas a sonoridade da letra, perdendo-se o sentido original de um casal que estava em crise e iria se separar pela descrição de um rapaz que esperava sua namorada, “minha pequenina”, visitá-lo em casa à noite. Novák gravou ainda muitas traduções dos Beatles e outros rocks da época, como a faixa Ton vět mi lál, versão de Don’t Let Me Down!

Eu mesmo traduzi do checo e legendei o primeiro vídeo com o clipe original televisivo de 1967, que encurta, porém, o solo instrumental. Também legendei o segundo vídeo, que está no mesmo canal citado de música checa: Novák se apresentou com um playback na TV em 1994 e não tinha mais a “forma” de antigamente. É muito legal essa dancinha nostálgica que lembra o Silvio Santos ou o Gugu, além da voz e estilo musical, próximos da nossa “jovem guarda”, sobretudo Wanderley Cardoso!

A terceira canção que traduzi direto do checo é Pihovatá dívka (Garota sardenta/com sardas), de 1967, desta vez uma composição própria de Novák, e não a tradução de algum hit ocidental. O primeiro vídeo é tal como foi apresentado pro especial televisivo Gramohit, que mostrava os maiores sucessos de cada ano na antiga Checoslováquia comunista (edição completa). A tosquice da cenografia, dos visuais e das próprias letras faz jus à cultura comunista da Europa Central e Oriental pré-1989, não sendo diferente, por exemplo, do que era exibido na antiga Alemanha Oriental. A beleza fica por conta do ritmo, inspirado nos rocks da época que atraíam jovens do mundo todo, semelhante à “jovem guarda” brasileira da década de 1960. Ou da coreografia e vestes de Pavel Novák, misto de Silvio Santos com Eduard “Trololo” Khil...

O segundo vídeo é o clipe propriamente dito: pelo que se vê, ele está apaixonado por uma loirinha/ruivinha de sardas, com ar intelectual ou nerd, talvez até meio bobinha, e ela não parece lhe dar a mínima. A produção apresenta os mais inusitados elementos, como Novák quase caindo numa piscina vazia, a protagonista que parece a Chiquinha do seriado Chaves e os dois lutadores de espadas que aparecem do nada. Um “humor” bem típico da Europa comunista, que também fica por conta das dancinhas saltitantes de Novák e sua parceira, hahaha.




Talvez eu alugue um par de cavalos,
Talvez também uma carroça bacana,
Talvez eu risque uma linha pelo mapa,
Opa, talvez haja um amanhã pra mim.

E eu, vou pôr nas rodas
Dois enfeitinhos coloridos,
Vou decorar aqueles cavalos.

Pode ser que as pessoas morram de raiva,
Pode ser que elas fiquem censurando,
Talvez eu então só tenha sucesso
E aí talvez insista na minha escolha.

Eu vou pôr nas rodas
Dois enfeitinhos coloridos,
Vou decorar aqueles cavalos.

Os idiotas são um problema diário,
Vou os afogar totalmente num rio,
Vejo que não há nada tão terrível,
Logo vou entender todas as coisas.

E eu, vou pôr nas rodas
Dois enfeitinhos coloridos,
Vou decorar aqueles cavalos.

Eu vou pôr nas rodas
Dois enfeitinhos coloridos,
Vou decorar aqueles cavalos.

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Asi pár koní najmu,
Asi i kočár fajnovej,
Asi přes plány škrtnu lajnu,
Asi mi bude zítra hej.

Já, na kola si dám
Dvě fangle zbarvení,
Pár těch koní vystrojím.

Možná lidé zlostí prasknou,
Možná budou důtky plést,
Asi teda slíznu mastnou
Asi však budu svou si vést.

Na kola si dám
Dvě fangle zbarvení,
Pár těch koní vystrojím.

Hloupí jsou trable každodenní,
Se vším je v řece utopím,
Vidím, že nic tak strašný není,
Každou věc záhy pochopím.

Já, na kola si dám
Dvě fangle zbarvení,
Pár těch koní vystrojím.

Na kola si dám
Dvě fangle zbarvení,
Pár těch koní vystrojím.




A campainha vai tocar oito vezes,
Minha pequena vai vir em casa,
Estou sozinho em casa,
Vou pôr a água no café
Assim que ela chamar na porta.

Não posso ficar muito fora,
Pois hoje pouco depois das oito
Minha pequena vai vir em casa,
Minha pequena vai vir em casa.

Sei que de casa minha pequena
Foi aguardar na cabeleireira,
O salão vai fechar às seis
E em duas horas vai vir em casa
Quando escurecer pela cidade.

E graças aos vizinhos
O prédio todo também vai saber
Quem a pequena anda visitando,
Quem a pequena anda visitando.

O frio rasteja na chegada
E também tortura minha pequena,
A pobrezinha tem frio nas pernas
Antes dela chamar na porta.

Quero aquecê-la
E arder como ferro em brasa
Logo que a pequena chegar em casa,
Minha pequena vai vir em casa,
Minha pequena vai vir em casa.

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Zvon osmkrát zaklinká,
K nám přijde má malinká,
Jsem doma sám,
Na kafe vodu dám,
Až nám u dveří zacinká.

Ven málo smí,
Však dnes něco po osmý,
K nám přijde má malinká,
K nám přijde má malinká.

Znám z domu svou maličkou,
Je v přízemí holičkou,
V šest zavře krám
A dvě hodiny půjde k nám
Jak stín podle zdi po špičkách.

Dík sousedům
Však stejně pozná celej dům,
Kam chodí má maličká,
Kam chodí má maličká,

Mráz prolézá uličkou,
Trápí i mou maličkou,
Jí ubohý je zima na nohy,
Než nám u dveří zacinká.

Já chci hřát
A plát jako žhavej drát
A až přijde má malinká,
K nám přijde má malinká,
K nám přijde má malinká.




Tenho um arco-íris pro meu dia,
E de novo estrelas pra minha noite.
De manhã sou encantado,
Todo dia experimento essa força.

Seus olhos são pra mim
Um arco-íris de cores atraentes.
As sardas, o escuro de setembro,
São como estrelas na cabeça.

Toda hora procuro uma rima
Já faz umas dez vezes.
Por que fico bobo e sempre
Sonho com essa garota sardenta?

Por que ela me ignora?
Só devo então sonhar com ela?
Por que ela me ignora?
Só nos sonhos posso tê-la.

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Mám duhu pro svůj den,
Hvězdy zase pro svou noc.
Ráno jsem okouzlen,
Denně poznávám tu moc.

Tvé oči pro mě jsou
Duhou barev lákavou.
Tvé pihy září tmou
Jako hvězdy nad hlavou.

Hledám stále, hledám rým
Už podesáté.
Proč já blázen, pořád sním
O té dívce pihovaté?

Proč si mě nevšímá?
Což musím o ní jen snít?
Proč si mě nevšímá?
Jenom ve snách smím ji mít.