16 de janeiro de 2022

Melhores hits de Romuald Figuier (1)


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Novamente estou dando um suporte pras traduções do antigo canal Pan-Eslavo Brasil, agora trazendo também as letras traduzidas em formato texto. Esta é a primeira leva de canções do grande intérprete francês Romuald Figuier, mais conhecido apenas como Romuald, nascido em 1938 na cidade bretã de Saint-Pol-de-Léon. Infelizmente, e não sei por quê, ele parece ter saído de evidência desde a década de 1980, inclusive na França, mesmo cantando lindamente e sendo até bem-afeiçoado. Na verdade, a única razão de eu o ter conhecido foi a descoberta ocasional da primeira música, Cœur de papillon (Coração de borboleta), uma versão francesa do célebre hino da ditadura militar brasileira, Eu te amo, meu Brasil, cantado pelos irmãos Eustáquio e Eduardo Gomes de Farias, a dupla Dom & Ravel. O assunto da letra, porém, é completamente diferente.

Seu compositor foi Dom/Eustáquio, e ela estourou na voz da banda Os Incríveis na década de 1970. A pegajosa melodia marcial também parece ter encantado os europeus, tanto que além desta letra escrita por um certo Stanislas Beldone, foi gravada uma segunda, Cœur de mon pays (Coração do meu país), pela banda Les Scarabées, que guarda muito mais semelhança com o original na letra e nos arranjos. Porém, faltam-me informações sobre o contato de Romuald com Eu te amo, meu Brasil ou mesmo com Dom & Ravel, mas sei que ele teve uma passagem pelo Brasil, talvez entre suas idas a festivais de música sul-americanos, como o de Viña del Mar, no Chile.

De fato, apesar de algumas de suas gravações serem realmente bonitas, era difícil achar um áudio de Cœur de papillon na internet além deste raro vídeo no Dailymotion. O primeiro vídeo autoral (áudio) no YouTube data somente de 2 de setembro de 2021... Cantor obscuro, música obscura, tanto que o compacto com a canção na faixa 1 e Comment vivre sans amour na faixa 2 não parece muito badalado. Tanto que só achei a letra numa das poucas páginas com informações e uma imagem decente da capa. Peço desculpas se algumas expressões ficaram mal traduzidas.

A segunda canção tem melodia muito emocionante, e curiosamente Romuald representou com ela o Principado de Mônaco no concurso musical Eurovision (Eurovisão) em 1974, ficando em 4.º lugar na classificação geral. Embora muitas línguas sejam faladas em Mônaco, a oficial ainda é o francês. O título é Celui qui reste et celui qui s’en va (Aquele que fica e aquele que vai embora), cuja letra foi escrita por Michel Jourdan e cuja melodia foi composta por Jean-Pierre Bourtayre. Ela saiu no mesmo ano num compacto de Romuald com o mesmo nome, junto com a canção Sur la pointe des pieds, sur la pointe du cœur (Na ponta dos pés, na ponta do coração), dos mesmos autores com o próprio Romuald. O cantor já tinha representado Mônaco no Eurovisão em 1964, e também Luxemburgo em 1969, sempre com letras em francês.

Parece óbvio, mas vale lembrar, segundo o verbete na Wikipédia em português, que Celui qui reste... parte da perspectiva de um homem deixado pela mulher, sempre havendo no fim de uma relação a “metade” que não quer se separar (“aquele que fica”). Afora esta observação, as outras informações são da Wikipédia em francês, que eu mesmo traduzi, assim como a letra, retirada deste site sempre útil. Não fui literal em alguns pontos, e inclusive optei por deixar “aquele” em todas as partes, mesmo podendo se pressupor um casal hétero (por que não podia ser homo?).

A terceira canção tem por título Où sont-elles passées ?, que não pode ser traduzido literalmente como Onde/Aonde elas passaram?, mas tem o sentido de O que terá sido delas? ou, mais informalmente, Onde elas foram (teriam ido) parar? Está questionando sobre o paradeiro de algo ou alguém, no caso os amores da juventude, porque com o passar da idade (segundo a Wikipédia em português), a alegria e o mistério dos primeiros romances não existem mais.

Seguindo agora com informação da Wikipédia francesa, Où sont-elles passées ? tem letra de Pierre Barouh e melodia de Francis Lai, tendo sido gravada por Romuald como single num compacto de 1964. No mesmo ano, ele concorreu ao Eurovision ocorrido em Copenhague, representando Mônaco, como foi o caso de 1974, como sabemos. Mas o desempenho tinha sido bem melhor, pois das 16 canções na disputa, terminou em terceiro lugar. Ao traduzir o original francês, não fui literal em boa parte das passagens, a começar pelo título, mas mantive o significado pretendido, com expressões mais correntes no português coloquial do Brasil e completamente entendíveis em toda a lusofonia.

E por fim, a quarta canção foi interpretada no Eurovision realizado em Madri, Espanha, em 29 de março de 1969. Chama-se Catherine e fala de um amor da infância que o homem adulto jamais esqueceu. Ela tem letra de André Pascal (André di Fusco) e melodia de Paul Mauriat e André Borly, e ficou apenas em 11.º lugar na disputa. Romuald, que desta vez representaria Luxemburgo como país (o francês é uma das línguas oficiais), também gravou a música em alemão, inglês e italiano.

A primeira gravação original saiu ainda em 1969, num EP com quatro canções, entre as quais Catherine era a primeira faixa. O processo de escolha interna em Luxemburgo foi produzido pelo canal Télé Luxembourg, e a regência da orquestra no concurso coube ao espanhol Augusto Algueró. A música foi logo a segunda a ser apresentada naquele 29 de março, após a da antiga Iugoslávia e antes da concorrente espanhola. Eu traduzi a partir deste texto, que porém não bate em alguns pontos com o áudio.

Ainda me pergunto como duas crianças de dez anos estavam frequentando o “jardim de infância” (conceito equivalente ao de maternal ou de Kindergarten), e não consegui uma tradução exata de tartine, um pedaço de pão cortado pela metade, ou uma fatia mesma de pão, sempre coberta de manteiga, margarina, maionese etc. e às vezes com temperos. Nossa realidade (Brasil) conhece mais “lanche” ou “sanduíche”, imprecisos demais, e “canapé” não se come em escola e é em ger

al pequeno. Virou “pãozinho” mesmo, podendo aludir ao próprio pão recheado ou a qualquer tipo de lanche rápido.


1. Meu coração está leve como borboleta
Não estou a fim de voltar pra casa
Minha mulher está furiosa
E a mãe dela cria caso com isso
É um verdadeiro veneno

Meu coração está leve como borboleta
Meus olhos se amarraram num rabo-de-saia
Devia ter escutado meu pai
Nunca ter me casado
Ele estava muito certo

Refrão:
Quero dar a volta pelo mundo
Mais cidades, de corações a corpos
Quero desfrutar a vida
Quero dar a volta pelo mundo
Faço isso sonhando sozinho na minha cama

2. Meu coração está leve como borboleta
Desde que uma menina deu bola pra mim
Bebo da água límpida de seu sorriso
Me sinto atordoado
Perdendo a razão

Meu coração está colorido como um lampião
O amor está alegre, isso é tão bom
Meu céu se ilumina com mil fogos
Quando estou apaixonado
Me torno uma borboleta

(Refrão)

3. Meu coração está coberto de borboletas
Azuis, verdes, vermelhas e amarelo-claro
O amor é cavalo de brinquedo
O carrossel das minhas alegrias
Que deixa tonto, e isso é bom

(Refrão)

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1. J’ai le cœur léger commme un papillon
Je n’aime pas rentrer à la maison
Ma femme est en colère
Sa mère en fait toute une affaire
C’est une vraie poison

J’ai le cœur léger comme un papillon
Dès que mes yeux s’accrochent à un jupon
J’aurais dû écouter mon père
Rester célibataire
Il avait bien raison

Refrain :
Je veux faire le tour de la terre
De villes encore, de cœurs à corps
Je veux profiter de ma vie
Je veux faire le tour de la terre
Et je le fais en rêvant tout seul dans mon lit

2. J’ai le cœur léger comme un papillon
Dès qu’une fille me chante sa chanson
Je bois l’eau claire de son sourire
Je me sens défaillir
À perdre la raison

J’ai le cœur bariolé comme un lampion
L’amour est à la fête et c’est si bon
Mon ciel s’embrase de mille feux
Quand je suis amoureux
Je deviens papillon

(Refrain)

3. J’ai le cœur affublé de papillons
Des bleus, des verts, des rouges et des citrons
L’amour est un cheval de bois
Le manège de mes joies
Qui me grise et c’est bon

(Refrain)


1. Quando um amor acaba, quem fica é o perdedor
Quem vai embora sabe que alguém já o espera
Quando um amor acaba, na hora do último olhar
Sempre há, sempre há em algum lugar da Terra

Refrão (2x):
Aquele que fica e aquele que vai embora
Aquele que fala e aquele que não ousa
Aquele que chora, aquele que baixa a vista
Sempre há, sempre há na hora de um adeus

Aquele que fica e aquele que vai embora
Aquele que trai e aquele que não sabe
Aquele que logo vai conseguir esquecer
E o outro que ficará sozinho a vida toda
A vida toda

2. Te entendo, devíamos chegar a esse ponto
Você tem forças pra partir, eu não tenho
Claro que entendo, nem estou bravo com você
Mas agora “nós” já nos tornamos “eu e você”

(Refrão 2x)

Aquele que fica e aquele que vai embora...

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1. À la fin d’un amour, celui qui reste est le perdant
Celui qui part sait déjà que quelqu’un l’attend
À la fin d’un amour, à l’instant du dernier regard
Il y a toujours, toujours sur terre quelque part

Refrain (2x) :
Celui qui reste et celui qui s’en va
Celui qui parle et celui qui n’ose pas
Celui qui pleure, celui qui baisse les yeux
Il y a toujours, toujours à l’instant d’un adieu

Celui qui reste et celui qui s’en va
Celui qui triche et celui qui ne sait pas
Celui qui va très bientôt trouver l’oubli
Et l’autre qui restera seul toute sa vie
Toute sa vie

2. Bien sûr je te comprends, il fallait en arriver là
Tu as la force de partir, je ne l’ai pas
Bien sûr que je comprends, bien sûr que je ne t’en veux pas
Mais déjà “nous” voilà devenus “toi et moi”

(Refrain 2x)

Celui qui reste et celui qui s’en va...


O que terá sido delas, que me fizeram acreditar
Na história bonita do fruto proibido
Quanto tempo se passou com a espera inútil
Por abraços incertos, quanto tempo perdido
O coração transbordando de tanta ternura
Por minhas trapalhadas, escondia sua angústia

Na rua carinhosamente ela pegava minha mão
Nós dois a sós, ela dizia seriamente, amanhã
Quando penso nisso hoje, eu sorrio prudente
Do tempo, tempo que passei caindo nessa história

O que terá sido delas, que me fizeram acreditar
Na história bonita do fruto proibido
Mas esse tempo passado que parecia loucura
Quanta saudade terá deixado em mim
Pois na época, as moças tinham o mistério
Dos primeiros amores perdidos pra sempre

O que terá sido delas, que me fizeram acreditar
Na história bonita do fruto proibido!

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Où sont-elles passées, celles qui m’ont fait croire
À la belle histoire du fruit défendu
Que de temps ont passé dans l’attente vaine
D’étreintes incertaines, que de temps perdu
Le cœur débordant de tant de tendresse
Par mes maladresses, gardait son tourment

Dans la rue tendrement elle prenait ma main
Seul à seul, gravement elle disait, demain
Quand j’y pense aujourd’hui, prudent, moi je souris
Du temps, du temps passé, à croire à cette histoire

Où sont-elles passées, celles qui m’ont fait croire
À la belle histoire du fruit défendu
Mais ce temps passé qui semblait folie
Que de nostalgie il m’aura valu
Car les filles alors, avaient le mystère
Des amours premières à jamais perdues

Où sont-elles passées celles qui m’ont fait croire
À la belle histoire du fruit défendu!


Catherine, Catherine, tínhamos dez anos
Você se lembra, Catherine, no jardim de infância
Eu lhe oferecia meus pãezinhos e meus chocolates
Com meu coração, Catherine, já apaixonado

E quando à noite o jardim fechava
Meu coração de criança ficava partido
Você me deixava sozinho com meu pesar
Você sonhava com o príncipe encantado

Mesmo rindo, Catherine, eu tinha no coração
Muitos risos, Catherine, tristes como choros

Onde estão você e o príncipe encantado,
Você o descobriu afinal?
Nossos corações e nomes ainda estão
Gravados na árvore do jardim.

Catherine, Catherine, no jardim de infância
Catherine, Catherine, tínhamos dez anos
Catherine, Catherine, sempre fico sonhando
Na frente de outros, Catherine, no jardim de infância

Catherine, Catherine, e apesar do tempo
Eu a espero, Catherine, como antes
No jardim de infância, Catherine.

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Catherine, Catherine, nous avions dix ans
Souvenez-vous, Catherine, au jardin d’enfants
Je vous offrais mes tartines et mes chocolats
Avec mon cœur, Catherine, amoureux déjà

Et quand la nuit refermait le jardin
Se brisait mon cœur d’enfant
Vous me laissiez seul avec mon chagrin
Vous rêviez au prince charmant

Si je riais Catherine, j’avais dans le cœur
Bien des rires, Catherine, tristes comme des pleurs

Où êtes-vous et le prince charmant
L’avez-vous découvert enfin ?
Il y a toujours nos cœurs et nos prénoms
Gravés sur l’arbre du jardin

Catherine, Catherine, au jardin d’enfants
Catherine, Catherine, nous avions dix ans
Catherine, Catherine, je rêve souvent
Devant d’autres Catherine au jardin d’enfants

Catherine, Catherine et malgré le temps
Je vous attend Catherine comme avant
Au jardin d’enfant, Catherine.