quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Canções fascistas traduzidas (4)

Além da recém-retraduzida Giovinezza, confesso que sempre achei bonitas as canções do período fascista da Itália (1922-43), quando ela se manteve formalmente como uma monarquia, mas na prática se tornou uma ditadura sob o primeiro-ministro Benito Mussolini. Fundador do Partido Nacional Fascista (PNF) e idealizador do fascismo (embora suas fontes intelectuais tenham sido diversas), ele tinha sido expulso do Partido Socialista Italiano por apoiar a participação do país na 1.ª Guerra Mundial e criou a matriz das extremas-direitas que tomariam o poder no período posterior, exacerbando o nacionalismo, destruindo o movimento operário independente e cultuando a guerra.

Melodias agradáveis, mas com cujo conteúdo e uso não posso concordar. Portanto, embora eventualmente apareçam por aqui adoradores do Duce (“guia, condutor”), estas traduções, que eu desejava fazer desde os tempos do Pan-Eslavo Brasil, meu finado canal no YouTube, têm um fim meramente educativo. Portanto, me abstenho de dizer mais, e apenas ressalto que por praticidade decidi não adicionar os nomes dos autores e que traduzi diretamente, deixando a linguagem mais informal e simples, sem mexer no conteúdo. Sempre que possível, incorporei os vídeos a partir de uma fonte mais antiga, que geralmente tem a legenda em italiano passando, e de outra que o Google gera automaticamente. Igualmente, apenas publiquei as traduções, e não as letras originais, que podem ser vistas nas respectivas fontes; coloquei todas as iniciais de linhas em maiúsculas e mantive a pontuação original quando possível.

A versão italiana do Wikisource tem uma seção só com letras de canções fascistas, embora esteja longe de ser exaustiva. Este blog publicou um ótimo trabalho sobre o hinário de Mussolini e trouxe ainda ampla ilustração sobre o colonialismo na África, com imagens particularmente racistas. Por outro lado, sempre há aqueles saudosistas que devemos citar de um jeito ou de outro, como esta coleção que inclui cantos de extrema-direita em geral e esta publicação cujo hospedeiro dispensa explicações.

As duas primeiras publicações são dedicadas à ideologia fascista de uma forma geral, e as duas últimas contêm letras com alusões à ocupação da Etiópia e da Somália, cujo arremedo de “império colonial” era crucial pra propaganda de Mussolini. As escolhas foram bem arbitrárias e, obviamente, não exaustivas. A primeira canção se chama Ti saluto, vado in Abissinia (Te saúdo, vou à Abissínia, nome histórico da Etiópia e da Eritreia), a segunda se chama Avanti gloriose schiere (Avante, fileiras gloriosas) e a terceira se chama Faccetta nera (Rostinho negro).




1. Estão se formando as fileiras e os batalhões
Que vão marchando em direção à estação.
Deixaram seus vilarejos natais
Cantando ao vento um alegre refrão.
O trem parte e em cada janela
O soldado moço repete alegremente:

Refrão:
Eu te saúdo e vou à Abissínia,
Querida Virginia, mas vou voltar.
Assim que chegar ao acampamento
Vou te escrever do regimento.
Vou te mandar da África uma bela flor
Que nasce sob o céu [da linha] do equador.
Eu te saúdo e vou à Abissínia,
Querida Virginia, mas vou voltar.

2. Um jovem soldado é todo ardor,
Outro tem no peito os sinais da bravura,
Mas vão juntos cheios de alegria
Cantando os hinos da juventude.
O velho da infantaria que não pode partir
Lamenta no coração por não poder dizer:

(Refrão)

4. Dos Alpes ao mar, chegando até o equador
Vamos hastear a Tricolor por toda parte
Eu te saúdo e vou à Abissínia,
Querida Virginia, mas vou voltar.


1. Estou deixando a mamãe, a doce casinha,
Minha pequena filha amada,
E agarro o destino que está esperando
Assinalar meu coração de glória;
E nos peitos, nos sangues de todos,
Um só grito: o Império. Vamos o ter!

Refrão:
Avante, fileiras gloriosas,
Vamos fincar as bandeiras tricolores,
A África vai ter um único nome: Roma,
É o grande nome da civilização eterna.

2. Você me beija, ó, menina gentil,
E me diz: vou partir com você, só me dê
Teu amor e um fuzil,
A coragem e a fé eu vou ter.
Sou mulher da Itália e não abandono
Que vai dar um Império à Itália.

(Refrão)

3. E a lembrança dos velhos soldados,
Que conduz sobre o novo caminho,
Tantos aviadores inexperientes abraçados,
Todos ligados por um só destino,
Estão cantando Giovinezza, e essa canção
Nos dá força, amor e conquistas.

(Refrão)




1. Se do altiplano você olhar o mar,
Moreninha, que é escrava entre os escravos,
Você vai ver, como num sonho, muitos navios
E uma Tricolor tremulando por você.

Refrão:
Rostinho negro, bela abissínia,
Aguarde com esperança, pois está chegando a hora!
Quando estivermos junto a você,
Vamos te dar uma outra lei e um outro Rei.

2. Nossa lei é a escravidão do amor,
Nosso lema é liberdade e dever,
Nós, Camisas Negras, vamos vingar
Os heróis que tombaram ao te libertarem!

(Refrão)

3. Rostinho negro, pequena abissínia,
Vamos te levar, liberta, a Roma.
Você vai ser beijada por nosso Sol,
E você também vai vestir a Camisa Negra.

4. Rostinho negro, você vai ser romana,
Tua bandeira será apenas a italiana!
Vamos marchar junto com você
E desfilar diante do Duce e do Rei!



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