terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

O que Sergey falou em russo no Domingão

Após meses de espera de acordo com as regras do quadro, este peculiar Homo sovieticus chamado Sergey (ou Sergio) Loewitz finalmente participou do “Quem quer ser um milionário?”, apresentado por Luciano Huck em seu Domingão. Professor de idiomas e casado com uma brasileira, com quem tem uma filha e mora em Niterói, é falante nativo de russo e nasceu na antiga RSS da Moldávia, atualmente a República da Moldova independente. Embora o país seja multicultural, o romeno (chamado pelos soviéticos de “moldávio”) é a língua predominante e o russo, falado desde a ocupação tsarista da Bessarábia histórica (século 19), ainda tem um papel relevante; é majoritário, por exemplo, na região separatista da Transnístria.

Volta e meia escrevo aqui na página sobre esse pequeno país, mas essa é mais uma ocasião pra eu pegar no pé de quem faz pouca ou nenhuma pesquisa sobre o que está falando. O Gonzo, por exemplo, ao invés de fazer uma breve leitura sobre a história recente da Moldova, repetiu várias vezes a versão russa do nome (“Moldávia”), usada predominantemente na Rússia e em sua mídia estatal, enquanto mesmo entre os moldovos russófonos se usa “Moldova”. Pra quem combate o colonialismo do Kremlin e convive diariamente com o assunto, soa como o arranhar de um disco ouvir “Moldávia” o tempo todo, ou pior, ocasionalmente misturando as duas formas e soltando um “Moldóvia”! Não sei se o Trololó fluminense o “assessorou” de alguma forma, mas nem ele deve entender ou sequer ligar pra essas “minúcias”.

Em todo caso, ao contrário de minha bisavó Tekla, que nasceu justamente na Bessarábia histórica e era o cão chupando manga, a inocência e bom coração de Sergey evocam muito mais meu bisavô Basílio, nascido, porém, em Kyiv. Como os dois se casaram e tiveram uma penca de filhos, só a NASA explica. Porém, fiquei muito tocado com sua iniciativa de dedicar o dinheiro ganho no Domingão distribuindo bolsas a alunos pobres, embora não tenha ganhado o prêmio máximo e, pior, errado uma pergunta sobre biquíni! Mesmo assim, seu Instagram pessoal, que passou de pouco mais de 600 seguidores pra mais de 29 mil até a tarde da segunda-feira seguinte, se tornou um registro permanente da aguardada façanha.

No encerramento do quadro, depois de Sergey ter errado uma das perguntas, ele pediu pra mandar um recado pra sua família, acredito que pra sua mãe e seu irmão, embora ele não os tenha mencionado antes. Embora ele também fale romeno, sua mãe só fala russo, e nessa língua ele pediu pra se comunicar, ocasião que aproveitei, obviamente, pra fazer uma “média” no WhatsApp entre meus amigos, rs: filmei com o celular a transmissão no Globoplay após voltar alguns minutos em meu computador e espalhei o vídeo com a transcrição (como acredito que deve ser) e a tradução. Foi uma pena que não consegui lançar esta publicação ainda ontem.

O que me chamou a atenção foi a palavra “taliánchik”, que tirei de ouvido e não sabia se estava certa, porque parecia algo relacionado à “Itália”. De fato, o significado mais corrente é o de “qualquer pedra ou cristal precioso”, “ametista”, “quartzo puro”, e em russo dialetal (não descobri o lugar exato) é um sinônimo de “querido”, “amado”, ou seja, faz sentido neste contexto. Se você tem outra tradução, favor escrever nos comentários. Além disso, pra obter uma versão de melhor qualidade, infelizmente o vídeo baixado da fonte original com a extensão que costumo usar ficou danificado exatamente no trecho concernido, e acabei usando outra extensão que “despedaçou” o vídeo e tive de juntar as partes desejadas. Apesar de não estar límpido como sempre, vale muito a pena pra nossos fins:


“Мамочка, люблю тебя! Братишка-тальянчик, спасибо вам огромное за всё, за жизнь, за любовь вашу. Люблю тебя, мамуля!” (Mámochka, liubliú tebiá! Brátishka-taliánchik, spasíbo vam ogrómnoie za vsió, za zhizn, za liubóv váshu. Liubliú tebiá, mamúlia!)

“Mamãe, eu te amo! Meu irmãozinho querido, muito obrigado por tudo, pela vida, pelo amor de vocês. Eu te amo, mãezinha!”


Aliás, aproveitando a ocasião pra descarregar um print cômico: numa das edições do jornal diário Vot Tak Moldova, transmitido em russo a partir da Polônia, a apresentadora com um dos deputados do PAS, partido de Maia Sandu, parece a Ana Castela entrevistando o Zohran Mamdani, rs.


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