terça-feira, 7 de fevereiro de 2023

Macron imitou Lula antes de vencer


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Garimpando algumas fotos pelo Google Imagens, acabei descobrindo que no início de 2017, quando estava oficializando sua primeira candidatura à presidência da República, o banqueiro francês Mané Marcão Emmanuel Macron, que tinha acabado de renunciar ao Ministério da Economia do presidente François Hollande pra lançar seu próprio partido (no início “En Marche !” – Em Marcha! –, hoje “Renaissance” – Renascimento), usou uma rasa barba por algum tempo. Como pudemos ver, nos dias da eleição e da posse, ele já a tinha raspado, mas é interessante saber como ele quis “lular” pouco antes da primeira vitória, tanto mais que de 2006 a 2009 ele tinha sido membro do Partido Socialista, rs. Enfim, um pouco de conhecimento inútil nesta publicação extra pra alegrar sua semana!

E como brinde, várias suposições de como Macron ficará quando for velho (se chegar até lá, claro...), feitas com o FaceApp, um aplicativo popular há alguns anos que podia fazer a cara de uma pessoa retroceder ou avançar em idade. A curiosidade era tão maior devido ao fato dele ter assumido relativamente jovem (39 anos), o mais novo dos presidentes franceses empossados, ainda mais quando lembramos que, por exemplo, François Mitterrand e Jacques Chirac já eram bem anciãos quando assumiram o cargo.














Universo paralelo: o “véio da lancha” com sua novinha kkkkk





Em algumas projeções da velhice, Macron até mesmo parece alguém aparentado à família Bush, sobretudo ao ramo dos presidentes George pai e filho. Na origem desta foto, há uma piada dizendo que Macron ia seguir o exemplo de sua própria reforma da previdência e trabalhar até os 64 anos. É essa tentativa de mudar a idade mínima de 62 pra 64 anos que tem parado a França em novas greves esses dias...


Existe uma lenda segundo a qual esta foi a primeira frase que a mãe de Macron disse a ele quando soube que o filho adolescente estava apaixonado pela professora, rs!


segunda-feira, 6 de fevereiro de 2023

Os russos e os ursos (alerta de fofura)


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Como parte dos estereótipos ocidentais (basicamente europeus e estadunidenses) sobre a Rússia como um lugar inóspito, gelado, selvagem e ainda meio bárbaro, sempre circulam memes de russos que têm ursos marrons mais ou menos selvagens como animais de estimação ou que, no cotidiano rural, lidam com eles como nós brasileiros lidamos com qualquer bichinho menor que venha do mato (exceto onças, é claro...). Há alguns ursos que realmente são domesticados desde o nascimento e praticamente não oferecem perigo a seu criador, enquanto outros já parecem acostumados à vizinhança humana, ou foram os humanos que aprenderam a lidar com a presença das feras...

Obviamente a maioria dos exemplos aqui publicados, que estou restaurando de meu extinto canal Pan-Eslavo Brasil no YouTube, é de fofura e respeito, mas apenas o primeiro noticia um caso de agressão animal e de provável mau trato prévio. Urso de circo, uma coisa que já não deveria mais existir. Bom divertimento!


O circo itinerante Schapito Anschlag estava planejando uma turnê pela região da Carélia, norte da Rússia, pra mostrar seu trabalho. Em 24 de outubro de 2019, um domador estava conduzindo um urso pelo palco quando de repente o animal o atacou ferozmente. O pior de tudo é que o ajudante tentou contornar o fato dando chutes no bichinho, mas, sem obter resultado, terminou o afastando por meio de choques elétricos! As imagens foram filmadas pela russa Galina Gurieva, que as postou em sua conta do VK.

Outras bizarrices: havia crianças assistindo, todos entraram em pânico mesmo havendo apenas uma só porta pra fuga, não havia grades de proteção entre a plateia e o picadeiro e, pra não deixar de ser Rússia, o domador sequer foi pro hospital e continuou fazendo outros números. Porém, houve grandes manifestações na internet pedindo o boicote das apresentações, enquanto o circo na manhã seguinte sumiu do local sem deixar nenhum rastro. Os russos foram unânimes nos comentários: parabéns ao “Misha” (urso)!

Eu cortei o quadro e repeti a exibição, tendo baixado o vídeo e copiado as informações desta página. Devemos ser contra os circos que insistem em usar animais nas apresentações!


Hola, me llamo Pável, este es mi oso. Dima, viene acá!

Urso amestrado toca corneta, brinca de bambolê e faz outras gracinhas (Rússia, 2013). Temos um vídeo em que um domador brinca com seu urso amestrado e o manda fazer várias gracinhas em frente à câmera, recompensando-o com comida! Eu não identifiquei a cidade e o nome (Pavel? E o urso Dima? rs) do rapaz, mas esta versão foi a que usei como base, apenas fazendo uma pequena introdução e aumentando o volume. Existe outra publicação com a mesma gravação, mas sem edições, e que talvez seja a original.


Os russos e os ursos: cada povo tem os pets que consegue (seleção de memes). Alguns ursos nas regiões mais frias são mais ou menos domesticados ou mesmo mansos, e rapazes mais experientes podem lidar com eles de maneira mais tranquila, mesmo que não sejam totalmente adestrados.

Nem sempre podemos ver sinais de maus tratos, abandono ou agressão, e ao contrário do que pensa o senso comum ocidental, essa relação pode ser muito mais carinhosa do que se imagina. Pra entendermos melhor, basta vermos como tanta gente se dá bem com bichos de estimação mais ou menos estranhos na Floresta Amazônica ou na Mata Atlântica do Brasil. Em certos países, até jacarés podem servir como “pets”!

Vídeos originais:
http://youtu.be/4-1DSNJly1I
http://youtu.be/MKkSDPJ5SyY
http://youtu.be/bDg50Tzh8uA


Funcionários russos brincando com um urso marrom em região fria, mostrando a relação dos homens com os ursos selvagens das regiões norte ou siberiana. Parece que o bichinho gosta de brincadeiras, e os funcionários públicos, talvez gente ligada às forças militares, ficam zoando com ele e o segurando por todos os lados. Realmente, está claro que os caras não estão fazendo mal ao urso, que cai na brincadeira, mas não parece nada agradável o modo como seguram seus braços, cabeça e boca, e até mesmo prendem seu pescoço...


Outro vídeo mostra um dia normal de produção de conteúdo audiovisual por Drew Hammond, desta vez à beira do rio McNeil, no Alasca, que já sabemos ter feito parte do Império Russo. De repente um urso simplesmente aparece ao lado da cadeira, se senta um pouco na relva e sai sossegadamente, sem incomodar ou assustar o profissional. Parece que a fonte original não está mais disponível, embora haja várias cópias pelo YouTube, mas apenas coloquei uma polca eslovena ao fundo, a título de embelezamento.


domingo, 5 de fevereiro de 2023

Crise dos coaches e dos bolsominions


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Nesta nova publicação extra com material aleatório e reflexões, decidi “hackear” um artigo da Folha de S. Paulo de forma diferente, ou seja, usando prints ao invés do texto copiado. Pra efeitos de facilitação da busca, ele se chama “Gracyanne para de malhar e Marie Kondo de organizar. É o fracasso dos influencers?”, escrito por Flávia Boggio e publicado no último dia 1.º de fevereiro. Subscrevo todas as suas observações, mas apenas acrescento: ela poderia ser mais sutil e usar a abreviação “K-gay” ou K mais o emoji com a bandeira do orgulho. E só fica claro como as pessoas de hoje, sobretudo adultos jovens, que não têm mais senso crítico nem sabem criar seus próprios valores, precisam de guias messiânicos não só pra dizerem o que devem ou não fazer, mas também pra terem a quem adular e até por quem brigar, numa sociedade sempre menos religiosa. No passado, função semelhante cumpriam os livros de “autoajuda”, que de “auto” não tinham nada, ou muito menos do que onde ele realmente funciona, ou seja, no Gnōthi seauton, o célebre... “Conheça a si mesmo”.









Falando em letras homoafetivas, poderíamos supor que BolsoGuedes, caso tivessem sido reeleitos, poderiam abrir aqui um Banco de Bosta Boston, de cuja moeda corrente o Mito seria um grande fornecedor, não só pelo orifício de baixo, mas, sobretudo, pelo de cima!


O Carnaval está chegando, portanto, se previnam!


Falando em “ré”, muito engraçada essa rivalidade entre o Ronaldo Fenômeno e o Craque Neto, que tá sempre ameaçando o camisa 9 de revelar “o que acontecia em Presidente Prudente”... Não sei se é porque vi o comentarista recentemente dando seus chiliques na Band, mas as duas recomendações apareceram lado a lado. E vejam a diferença na data em que foram carregadas!


Nas últimas semanas, o que realmente me impressionou foi o quanto “bombou” minha publicação sobre os bolsominions dando chilique e xingando policiais e jornalistas em Londres em pleno velório da rainha Elizabeth 2.ª, como se tivessem totalmente alheios ao motivo do ex ter viajado pra lá! Eles parecem apêndices do Capitão: não importa aonde e por que ele se desloque, eles vão atrás, como que grudados e carregados... Realmente uso a palavra “bombar” pras minhas publicações, porque acho que “viralizar” é um exagero, mesmo pros padrões desta pobre página, que já são bastante baixos. Não sei se blogs também funcionam no sistema de algoritmo, já que o Google sempre dava a dica de “publicar mais pra ter mais visualizações”, mas às vezes podem ser fatores externos “mecânicos”: alguém compartilhou pra uma grande audiência, o assunto do material tá em voga no momento, ele realmente agradou ao público que chegou aqui e, portanto, compartilhou com mais gente etc.


Sempre desconfie quando falarem de “ódio de esquerda” ou “foi o PT que começou a polarização, ou o nós contra eles”, ou simplesmente vire as costas e mande a pessoa ir praquele lugar. A extrema-direita brucutu jamais reagiu a alguma opressão ou necessidade pungente, e sim aproveitou a crise das esquerdas pra destilar todo seu preconceito e ódio mantido por muitos anos, talvez décadas. O Brasil é governado pela mesmo elite latifundária e seus descendentes desde sua formação como Estado, nunca houve a remota iminência de haver aqui um governo comunista nem sequer operário-camponês. Vejamos o primeiro caso: tudo bem que o moço escreve mal, mas me admira é que não tenha apanhado de nenhum dos atores... No segundo caso, a máscara caiu completamente. Mas pelo menos, a hora da diplomação serviu de refresco contra aqueles que ascenderam, mas de forma oportunista instrumentalizando o combate à corrupção, que não é partidária, mas sistêmica, rs.








Vera Magalhães combate “radicalismo” petista e leva do radicalismo bolsonarista

sábado, 4 de fevereiro de 2023

Melhor pior execução do hino brasileiro


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A Era Lula estava chegando ao fim. As últimas zoeiras antes das redes sociais de massa e dos smartphones estavam sendo desfrutadas. A desilusão com a Seleção Brasileira de Futebol Masculino (CBF) só estava começando, e o clima de “primeira copa na África”, com suas incômodas vuvuzelas, ainda elevava o moral da população. Ainda era raro que os vídeos com grandes micos da televisão e da mídia viralizassem no YouTube, no Facebook e menos ainda no finado Orkut, como este que mostra a execução do Hino Nacional Brasileiro por uma banda militar de Harare, capital do Zimbábue, na abertura de um amistoso. Da postagem original (já começa do hino), na qual se pode assistir à partida completa, apenas cortei o quadro e selecionei o trecho. Podem passar os anos, mas este vídeo não perde a graça!

Tratava-se do último amistoso do Brasil antes da Copa da África do Sul, em junho e julho de 2010, jogado com o Zimbábue em 2 de junho daquele ano. Quando você tá louco pra cantar bem forte o hino ao som da potente orquestra... eis a decepção! Na época, o assunto foi muito visto e comentado, mas parece que depois não entrou pro nosso folclore. Foram feitas muitas comparações com a cantora Vanusa, que tinha cantado o hino nacional num evento da Assembleia Legislativa de São Paulo em novembro de 2009 de forma que parecia estar bêbada (soube-se depois que era o efeito de remédios pra sua doença neurológica, da qual faleceria em 2020). Em todo caso, não sabemos como foram “treinados” ou “ensaiaram” os músicos do Zimbábue, e podemos nos divertir vendo as caras desnorteadas de antigos ídolos de nosso futebol, como Kaká, Robinho (que até zoam entre si), Luís Fabiano, Júlio César, Lúcio (que parece desconcertado) e Elano!

A contraposição com nosso atual patrioteirismo neurótico é evidente: apesar do constrangimento, os brasileiros que foram ao estádio só queriam aproveitar o momento, fotografavam com suas câmeras digitais (celular? selfie? tsc, tsc, tsc...) e vibravam gritando por qualquer coisa, quando eles mesmos ou os maiores craques apareciam no telão! O pior foi ouvir a fanfarronada em dose dupla, com repetição inusitada pro padrão FIFA, hahaha.



quinta-feira, 2 de fevereiro de 2023

Festa de 40 anos da Alemanha Oriental


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Estou postando hoje vários trechos separados de cenas da celebração de 40 anos da República Democrática Alemã (Deutsche Demokratische Republik), também conhecida como RDA, DDR ou Alemanha Oriental, fundada na antiga zona alemã de ocupação soviética, após a derrota dos nazistas na 2.ª Guerra Mundial, em 7 de outubro de 1949. Essa grande festa ficou marcada não só pela grandiosidade das manifestações, mas também porque logo após um grande protesto que sacudiria o país socialista levaria à derrubada do Muro de Berlim, que dividia os dois lados da antiga capital imperial, e à unificação das duas Alemanhas em 3 de outubro do ano seguinte.

Após a unificação de vários pequenos Estados germânicos, a Alemanha moderna foi fundada em 1871 como um Estado Imperial e se transformou em república em 1918, após a derrota no 1.ª Guerra Mundial e a perda de vários territórios, sobretudo em prol da Polônia. Em 1933, ao tomar o poder, Adolf Hitler decretou o Terceiro Reich, ou seja, nem monarquia, nem república, e em sucessivas guerras tentou ampliar o território alemão. Com a derrota na Segunda Guerra, em 1945, a Alemanha perdeu ainda mais territórios pra outros países e se viu dividida em zonas de ocupação pelos principais Aliados vitoriosos: EUA, França, Reino Unido e URSS. Porém, em 23 de maio de 1949, os trê setores “capitalistas” se uniram unilateralmente pra formar a República Federal da Alemanha (Bundesrepublik Deutschlands) – RFA/BRD ou Alemanha Ocidental –, portanto antes da proclamação da RDA. Sua capital de jure era Bonn, enquanto Berlim também foi dividida em duas, sendo capital da RDA a parte oriental (tipo Jerusalém Oriental pros palestinos...).

O muro mesmo só seria construído em 1961 pelo ditador Walter Ulbricht, com a anuência do líder soviético Nikita Khruschov (e não de Stalin), pra tentar conter a sangria de pessoal especializado pro Ocidente. Tecnicamente, portanto, podemos dizer que em 1990, não houve uma “unificação” ou “reunificação” a princípio, pois na verdade a Alemanha Oriental foi anexada pela Ocidental, não resultou algo terceiro ou intermediário no processo. Além disso, era a primeira vez que, com essa delimitação territorial, aparecia uma só Alemanha, já que, antes de ser bipartida, ela tinha perdido um pouco de território a cada Guerra Mundial da qual saía (perdedora).

A partir do vídeo completo da parada militar pelos 40 anos da RDA (eu não apoio a invasão da Ucrânia, como o idiota dono do canal), há várias partes interessantes que podem ser vistas separadas. O primeiro vídeo é a execução instrumental pela banda do NVA (Exército Popular Nacional) de Auferstanden aus Ruinen (Ressurgindo das Ruínas), o Hino Nacional da RDA. Estavam presentes o ditador Erich Honecker (o vovô de chapéu preto e óculos), sucessor de Ulbricht, Mikhail Gorbachov (da URSS) a seu lado e muitos outros líderes comunistas ou anticapitalistas da época, como Jaruzelski, Ceaușescu, Zhivkov e Arafat. O contexto de então é muito bem retratado no filme Adeus, Lenin! (2005), embora com picadas cômicas e mercadológicas. Neste vídeo eu apenas cortei o quadro, aumentei o volume e repeti 3 vezes a execução instrumental.


O segundo vídeo contém a revista completa das tropas pelos comandantes das Forças Armadas, antes que a parada começasse, com a execução instrumental pela banda do NVA da Marcha de Apresentação do NVA. E o terceiro vídeo exibe toda a parte em que as tropas desfilam a pé, de todas as Forças Armadas, até a retirada final da banda musical. Durante a maior parte do procedimento pode-se ouvir a Marcha do NVA para Desfilar em Parada, e eu cortei a passagem de tanques, mísseis e outras máquinas, que você pode ver na postagem original. Nesses dois últimos, há até mesmo um grande cartaz escrito Es lebe die Deutsche Demokratische Republik – unser sozialistisches Vaterland! (Viva a República Democrática Alemã, nossa Pátria socialista!), e eu não cortei o quadro, pra que você pudesse desfrutar completamente da riqueza visual, presente nas bandeiras, nas tropas, nos carros, nas máquinas e no público.




quarta-feira, 1 de fevereiro de 2023

Morre estudiosa do nazismo tropical


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Esta mensagem foi enviada por meio eletrônico à comunidade acadêmica da Unicamp, tendo sido redigida pela Prof.ª Dr.ª Suely Kofes, em nome do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social, como um obituário de Adriana Abreu Magalhães Dias, pesquisadora aí formada, que produziu trabalhos de referência tanto sobre o neonazismo no Brasil quanto sobre a deficiência e a acessibilidade. Também fez parte dos setores de direitos humanos ligados ao recente governo de transição de Lula. Foi ela, por exemplo, quem descobriu em 2021 uma carta de Bolsonaro escrita em dezembro de 2004 e agradecendo a militantes neonazistas pelo apoio que eles concediam a seu mandato. Na época, o texto foi publicado apenas em páginas ligadas a esses militantes (todas elas hoje extintas, por ação da Adriana), e em mais nenhum lugar. Republico aqui devido à importância desse trabalho e de meu pertencimento ao mesmo instituto da Unicamp.


Se um obituário é uma escrita biográfica, melhor seria não começar pelas datas, as convencionais do nascimento e morte. Uma vida continua nos vestígios que permanecem entre os vivos. Pelo nome, comecemos pelo nome, Adriana.

Adriana Abreu Magalhães Dias formou-se como antropóloga na Unicamp. Concluiu a sua graduação em Ciências Sociais com a defesa de uma monografia baseada em uma pesquisa pioneira, no tema e na “área etnográfica”: Os Anacronautas do teutonismo virtual: uma etnografia do neonazismo na internet (2005). Com um considerável conhecimento da deep web, observou postagens não reconhecíveis ao leigo, as publicações dos neonazistas, e continuou assim a sua pesquisa para o mestrado (PPGAS, Unicamp), concluído com a dissertação intitulada Os Anacronautas do teutonismo virtual: uma etnografia do neonazismo na internet (2007). Finalmente, em 2018, defendeu a sua tese de doutorado: Observando o ódio: entre uma etnografia do neonazismo e a biografia de David Lane.

As suas pesquisas acadêmicas, monografia, dissertação e tese, são imprescindíveis para o estudo das concepções e ações neonazistas e sobre pesquisas antropológicas na internet. Quem faz antropologia neste campo de estudos no Brasil precisa necessariamente reconhecer seu pioneirismo e a importância de suas pesquisas.

Adriana é uma ativista, radicalizou os supostos de uma antropologia pública. Pelos seus artigos, pelos debates e ações jurídicas contra neonazistas. Pela coordenação do Comitê “Deficiência e Acessibilidade” da ABA [Associação Brasileira de Antropologia], organizou também na ABA o I Seminário Nacional de Políticas Públicas para Mulheres com Deficiência, pela criação e realização de GTs [grupos de trabalho] relativos aos estudos sobre as pessoas com deficiência. Na elaboração do projeto de lei para o Dia Nacional das Doenças Raras.

Ao criar o Instituto Baresi, um fórum nacional associando “pessoas com doenças raras, deficiências e outros grupos de minoria”, enfatizava a sua luta contra desigualdades e pela justiça. Não foi possível ainda me envolver pela evocação dos nossos momentos comuns.

Pela dor, mas também pelas centenas de testemunhos da vida e do trabalho e das ações políticas de Adriana que leio desde o dia vinte e oito de janeiro de 2023, quando foi anunciado o seu falecimento. Um mês depois de seu aniversário. Adriana não apenas pesquisou sobre e agiu contra as redes de neonazistas.

Criou um meshwork de afetos, tecido pelas suas lutas e pela sua generosidade. Onde quer que estivesse, no IFCH, Unicamp, em outras universidades, em reuniões científicas, em lugares aos quais era convidada a debates, no cotidiano, reivindicava condições de acesso aos portadores de deficiências, inclusive para si mesma.

Como li em algumas mensagens sobre ela, Adriana foi pioneira também nas reivindicações de acessibilidade nos ambientes acadêmicos e com uma qualidade própria, a de insistir nos problemas. Sensível esta relação entre os seus temas de pesquisa em antropologia, os de seus ativismos e entre estes e a sua vida, breve. Uma antropóloga, uma ativista. Acompanhei as suas pesquisas desde a monografia de graduação até o seu doutorado. Nos separamos no ativismo e nos aproximávamos intensamente nas leituras em antropologia, nas conversas sobre as suas pesquisas, e por um intenso afeto.

Quando Adriana concluiu o seu doutorado, tornei-me uma mensageira que endereçava a ela os tantos e-mails de jornalistas e movimentos por direitos humanos procurando-me para obter o seu endereço de e-mail. Pode-se dizer da vida de Adriana Abreu Magalhães Dias, que ela se fez distribuindo o bem e na procura da justiça. Que este seja o seu legado permanente.

Até sempre e obrigada, Adriana.



O consumo conjunto de copos de leite é um dos símbolos alheios aos leigos.

terça-feira, 31 de janeiro de 2023

Flávio Dino no “Roda Viva” em 2019


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O jurista Flávio Dino, eleito governador do Maranhão por duas vezes logo no primeiro turno (em 2014 e 2018), pertencia então ao Partido Comunista do Brasil (PC do B) e quebrou décadas de hegemonia da família Sarney no estado, por vezes apoiada até mesmo pelo PT. No dia 26 de setembro de 2019, já em seu segundo mandato, ele foi sabatinado no programa Roda Viva da TV Cultura pela jornalista Daniela Lima e por outros convidados. Em 2022, agora filiado ao Partido Socialista Brasileiro (PSB), que integra a base de apoio à terceira presidência de Lula, Dino foi eleito senador por seu estado e escolhido como ministro da Justiça e Segurança Pública. Nesse cargo, está tendo papel destacado no combate e desmonte à rede de desinformação e financiamento pró-Bolsonaro que levou à quebradeira na Praça dos Três Poderes no último 8 de janeiro.

Na época, eu vi o programa inteiro porque já admirava sua capacidade comunicativa, o bom conteúdo de seus discursos e o fato dele ser um progressista consequente, e fui informado de que a maioria dos maranhenses realmente o aprovava (de fato, ele também elegeu o governador sucessor no primeiro turno). Por isso, independente de partido, esperava que Dino fosse candidato à presidência da República em 2018 (quando eu poderia votar nele no lugar de Haddad) ou 2022, mas ele terminou optando pelo Senado e, enfim, por um ministério de Lula. Além disso, quando eu tinha o canal Pan-Eslavo Brasil no YouTube, que reunia inscritos dos mais diversos pontos do espectro político, publiquei os trechos como vídeos individuais. Dada a importância da figura pro Brasil atual, creio ser oportuna a recuperação das imagens e descrições que fiz na plataforma, acrescidas de algumas notas pessoais sobre o que vimos nos anos seguintes.


Reforma tributária é uma urgência – Flávio Dino critica o atual modelo de impostos, que é injusto, segundo ele, porque está focado apenas no consumo, e não na renda ou nas fortunas, o que indiretamente onera os mais pobres, mas alivia os mais ricos. Segundo ele, o Brasil é um dos poucos países capitalistas grandes que adota o chamado “modelo regressivo”, não existente na Europa rica, e isso precisaria mudar pra arranjar uma arrecadação mais sólida pro Estado. Flávio Dino vê na reforma tributária um instrumento de justiça social, mas diz que é preciso vontade política pra implementá-la a fundo, algo fora da agenda do atual governo Bolsonaro [e que de fato não se concretizou em seu tenebroso mandato].


Soluções pra economia ressurgir – Flávio Dino recusa as noções de desmonte e cortes promovidos no Estado pelo governo Jair Bolsonaro, dizendo que o investimento estatal é que pode revigorar uma economia falida como a brasileira. Ele acusa interesses privatistas pelo fechamento de várias iniciativas governamentais e afirma que o Brasil tem bastante dinheiro (reservas internacionais) que, se usado com inteligência, cobriria vários buracos. Flávio Dino não acredita que a “fé no mercado” pura e simples tenha poder pra mudar as coisas e defende várias políticas adotadas nos governos do PT, mas que deviam apenas ser retificadas, e não pura e simplesmente travadas. [Sabemos como esse desmonte foi fatal durante a pandemia da covid-19 e, agora, com a crise dos ianomâmis.]


Sobre segurança pública – Flávio Dino explica sua opinião sobre as atuais políticas de segurança pública e combate à criminalidade do presidente Jair Bolsonaro e do governador Wilson Witzel (RJ) [deposto em 2021 e substituído pelo vice Cláudio Castro, que acabou se elegendo em 2022], enquanto responde às perguntas dos participantes. Ele é contra a ideia de que ataques indiscriminados e execuções sumárias possam resolver o problema a fundo, e aposta em ressocialização, educação e melhores condições de vida pra população pobre. Na sequência da fatalidade ocorrida com a menina carioca Ágatha, Flávio Dino diz preferir uma abordagem humanizada e “empática”, pois pra ele a “violência indiscriminada” só serve de instrumento pra promoções eleitoreiras e populistas. [Mais do que isso, a liberação indiscriminada do armamento de fogo no mandato de Bolsonaro aumentou ainda mais os homicídios, sobretudo por motivos banais e direcionados contra setores historicamente discriminados.]

Eu cortei na minha seleção, mas logo a seguir o governador é questionado sobre uma recente ação de reintegração de posse executada no Maranhão, em que teria havido violência policial desproporcional.


Sobre sua religião pessoal e Estado laico – Flávio Dino responde à pergunta sobre qual é sua religião pessoal e sobre sua opinião ante o aumento da influência religiosa na política. Ele se afirma “católico apostólico romano, admirador do papa Francisco e devoto de são Francisco de Assis”, mas defende que a crença permaneça no domínio privado, sem impor os próprios interesses aos outros cidadãos por meio do Estado. [Durante as eleições de 2022, vimos o inimaginável de bolsonaristas ofendendo padres católicos, em plenas missas e até mesmo na Basílica de Aparecida durante o feriado de 12 de Outubro. Tudo porque a CNBB, mesmo não se referindo nominalmente a Bolsonaro, criticou muitas de suas políticas sociais e de direitos humanos.]


“O bolsonarismo não é um lava-jatismo” – Flávio Dino alerta que a Operação Lava-Jato tinha abusos sim, por parte de juízes, delegados e procuradores, ao contrário daqueles que a defendiam cegamente, e se felicita por estar havendo essa dissociação entre postura crítica e defesa da corrupção. Ele afirma que o “bolsonarismo” nunca foi um “lava-jatismo”, porque Jair Bolsonaro nunca teria sido um entusiasta da Lava-Jato, mas o “lava-jatismo”, sobretudo na forma da adoração do então juiz Sergio Moro, levou ao “bolsonarismo” como idolatria do salvador. O comunista pensa que está havendo um “casamento entre bolsonarismo e lava-jatismo”, mas por causa dos atritos da família Bolsonaro com os investigadores, esse casamento está se fragilizando. Flávio Dino defende uma lei contra o abuso de autoridade, mas igualmente o combate intransigente à corrupção, cuja autocrítica, porém, não devia ser feita só pelas esquerdas, e sim por todos os grupos políticos envolvidos.

[Desde o caso da vazada reunião ministerial de 22 de abril de 2020, vimos as coisas mais patéticas. Primeiro, Bolsonaro disse que “acabei com a Lava-Jato porque não tem mais corrupção no meu governo”: de fato, o que houve foi um desmonte dos órgãos fiscalizadores e sucessivas tentativas de interferir na Polícia Federal. O escândalo da “vaza-jato”, revelando áudios que provam o conluio de Moro com o procurador Deltan Dallagnol pra inculpar o PT e absolver outros, só comprovou como o processo estava todo viciado. Segundo, oportunamente, no auge do negacionismo na pandemia, Moro se afastou de Bolsonaro, renunciou ao ministério da Justiça e tentou lançar seu próprio movimento político visando, talvez, à candidatura à presidente. Falhou tremendamente, e vimos então inusitadas brigas de rua entre tiozões do Zap que ainda se mantinham “bolsominions” ou que estavam virando “morominions”. E terceiro, apesar das ilegalidades, de Dallagnol ter feito vídeos desesperados com a corda no pescoço e de Moro ter se apinhado no saco do ex-patrão na última hora e dado uma facada nas costas de Álvaro Dias pra lhe roubar a chance de ser senador, eles foram eleitos pro Congresso Nacional pelo Paraná. Assim, provaram que o crime compensa e que o discurso anticorrupção cínico, messiânico e moralista, isolado de todo contexto social maior, ainda rende votos nesta Terra de Santa Cruz...]


“Governabilidade” e alianças com vários partidos – Flávio Dino diz não ter ilusões quanto àqueles que querem governar de forma “pura”, sem chapas nem alianças, dizendo rechaçar o “toma lá, dá cá” e a negociação de cargos no governo. Ele reprova Bolsonaro por ter sido eleito se apoiando falsamente nesse discurso, o que estaria levando às constantes travadas em votações e obtenções de maioria, mas ainda assim afirma ser prioritário o combate à corrupção e rebate as acusações de “fisiologismo” na administração do governo do Maranhão. Pra Flávio Dino, as combinações entre partidos ainda são o modo mais viável de aprovar reformas, e enquanto o “presidencialismo de coalizão” não for superado, não pode também ser largado de vez, “não se deixando nada no lugar”. [Vimos que Bolsonaro não só se agarrou descaradamente ao “toma lá, dá cá” como tábua de salvação pra sua incompetência e falta de projeto, como também elevou sua nocividade a novos patamares com o “orçamento secreto” e nomeações abertamente partidárias. Além, claro, das suas trocas de partido quando lhe convém...]


segunda-feira, 30 de janeiro de 2023

A Chéquia tem um novo presidente


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Lembrando que “ontem” significa “sábado passado”, dia 28 de janeiro, pois fiz este story no WhatsApp ontem. A posse vai ocorrer no dia 9 de março. Sobre Zeman e alguns vídeos engraçados dele, eu já fiz há alguns meses esta publicação, mas é sempre válido lembrar que Pavel é apenas o segundo presidente eleito pelo voto popular direto na história da Chéquia pós-comunista, pois antes de Zeman, a eleição era indireta. Seguem abaixo duas versões do discurso da vitória (infelizmente ainda não achei nem tradução pro inglês), a primeira começando logo no início da fala, e a segunda cortando parte do final, mas com áudio melhor:




domingo, 29 de janeiro de 2023

Cenas engraçadas do filme “For All”


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Certo dia, me lembrei desta cena do filme For All: O Trampolim da Vitória, gravado em 1997 e lançado em 1998, que assisti numa tarde de domingo da TV Globo quando eu era criança. De modo romantizado, o premiado e elogiado filme trata da chegada de soldados norte-americanos ao Rio Grande do Norte durante a 2.ª Guerra Mundial, quando formaram aí a então maior base militar dos EUA fora do país pra combater as forças do Eixo nazifascista. Recomendo muito que historiadores e curiosos assistam ou exibam, pois é uma riqueza esquecida da nossa cultura!

Este maravilhoso longa conta com o brilho de muitos astros de nosso cinema, TV e teatro, como Edson Cellulari, Diogo Vilela, Betty Faria e Ney Latorraca, bem como de alguns já partidos da Terra (José Wilker, Luiz Carlos Tourinho e Caio Junqueira). Óbvio que pelas cenas picantes e palavrões seria hoje classificado pra maiores de 16 anos, mas ele foi exibido em pleno horário nobre! For All... mostra um lado cultural da presença dos EUA que não se amarra na crítica do imperialismo e do capitalismo, mas se foca nos aportes linguísticos, musicais, materiais e amorosos. Note-se bem que há muitas cenas com bailes de forró, e que se supõe como uma das origens do nome “forró” a expressão inglesa for all, indicando essas festas “para todos”.

Nesta cena, o jornalista e poeta João Marreco, que tem a mesma pinta do professor Girafales do seriado Chaves, está dando uma aula de português pros soldados, ofício pro qual ele foi encarregado durante a estadia deles. Ele é apaixonado por Iracema, filha do italiano pró-fascista Giancarlo Sandrini, que o vê como melhor genro, mas ela acaba gostando do tenente norte-americano Robert Collins, posteriormente morto em combate. Nesta cena, João acaba descobrindo que um dos militares é Robert, e no impulso o chama de “filho da p...”. Questionado, acaba tendo que traduzir o son of a bitch na cara do rival confuso, e assim começa a zoeira dos Marines.


Depois de ter procurado e achado aquela cena, acabei achando outras que poderiam muito bem virar ótimos memes! Nesta outra, novamente João Marreco aparece dando uma aula de português pros soldados, e Luiz Carlos Tourinho interpreta Sandoval, que arrumou um emprego de faxineiro na base militar, lugar procurado também por outros moradores locais. Embora seja gay, Sandoval tem profunda admiração pela cantora e atriz estadunidense Jay Francis, que também veio ao Brasil, e pede a João que lhe ajude a escrever pra ela uma carta em inglês. Diante da recusa, Sandoval sai da sala nervoso dizendo: “O senhor pode seguir a sua reta, mas a Terra é redonda.”

Ou seja, um sujeito simples no início da década de 1940, interpretado num filme dos anos 90, poderia receber com escárnio a ideia hoje ruminada de que nosso planeta é plano/chato! Ele de cara e inocentemente “refuta” os atuais terraplanistas, rs. Curiosamente, fiquei sabendo esses dias numa curta entrevista com o autor de um livro francês sobre teorias da conspiração nas redes sociais que 1 em cada 6 jovens franceses até 24 ou 30 anos “julga possível” que a Terra seja plana. A tese é a de que haja uma fratura geracional em que os jovens estejam se informando cada vez mais por “fontes” ruins, como o TikTok, mas que a vulnerabilidade ao conspiracionismo seja forte igualmente em outras gerações, sobretudo se a escolaridade é menor.


Nesta última cena, Miguel Sandrini (interpretado por Caio Junqueira), que ao que tudo indica é um moço virjão, está praticando o onanismo vendo uma revista com a foto da atriz e cantora estadunidense Carol Byington com um maiô curto e apertado. Miguel é filho de Giancarlo Sandrini (papel de José Wilker), italiano residente no Brasil e que apoia o regime fascista de Benito Mussolini, ficando assustado com a perseguição aos compatriotas pela ditadura de Getúlio Vargas. Depois fiz inclusive um corte, passando logo pra outra cena em que Miguel encontra Carol pessoalmente, numa das festas promovida na base militar pra entreter os combatentes.

Interessante que nem na década de 1940 nem na de 1990 nenhum marmanjo se vitimizava como incel, culpando a sociedade por não transar: ou mandava no 5 contra 1 mesmo, ou saía por aí dando a cara a tapa.

Nas três cenas, eu fiz o corte do quadro e aumentei um pouco o volume do vídeo original completo. Só consegui fazer a segunda e a terceira descrições com a ajuda da tese de doutorado de Thiago Gobet Spada sobre a trilha musical de For All... e desta reportagem da Folha Ilustrada sobre o lançamento do filme.


sábado, 28 de janeiro de 2023

DITADOR GENOCIDA AZERBAIJANO


Mais uma postagem extra hoje, com material que achei numa rede social de armênios e com a tradução que fiz quando reproduzi nos stories do meu WhatsApp. Só pra complementar o que publiquei outro dia sobre a região caucasiana do Artsakh!





sexta-feira, 27 de janeiro de 2023

Hinos do Brasil Comuno-Bolsonarista


Link curto pra esta postagem: fishuk.cc/comunaro


NOTA: Estes vídeos e textos são a republicação de material que apareceu no meu antigo canal Pan-Eslavo Brasil no YouTube em 2019 e, portanto, reflete a situação política e partidária de então, sem levar em conta mudanças conjunturais e na própria laia que circundava Jair Bolsonaro. Portanto, mesmo que grande parte das piadas não correspondam mais à realidade (sobretudo após a covid-19), considere pelo menos como um material humorístico!

Todos de pé pra execução do recém-adotado novo Hino Nacional da República Federa... ops, o nome mudou também: o Hino Nacional dos Estados Unidos do Brazil-zil-zil. Com “z” mesmo e repetindo como na vinheta do futebol! Agora que estamos numa Nova Era com uma Nova Política governada pelo Mito, nada mais justo do que jogar fora os símbolos do passado, como a bandeira, o hino e o nome do país.

A melodia desta obra-prima foi toda baseada no Canto Patriótico de nosso Grande Irmão do Norte, cujas relações com o Brazil serão exclusivamente privilegiadas. Cante junto comigo:

Oh, sei que ele é sim nosso Mito a salvar
O Brasil do PT, socialismo corruptor.
Bolsonaro, Mourão, Sergio Moro e Bivar,
Contra a Globo e o kit gay do PSOL lacrador!
Vamos privatizar, conter doutrinação,
Amazônia queimou, vive o laranjal.
Com Olavo, sem Frota, Macron e traição.
Mister Trump, I love you, quero ser seu quintal!


Pra quem não sabe, Bolsonaro é de esquerda, viu? Ele só tá esperando a direita e o PSL relaxarem um pouco pra implantar o Soviete de Brasília, soltar o Lula e proclamar a URSAL! E todo mundo achou que ele ia caçar os “vermelhos”... colocando Aras na PGR? Bobinhos. Tirei a melodia instrumental deste vídeo.

Pros desiludidos e pros que gostam de ver o pau comendo, temos o Decreto n.º 1 do Conselho de Comissários do Bolso (nos dois sentidos, rs) mudando o hino nacional e o nome do Brasil pra União das Repúblicas Bolsonaristas Antiéticas. A letra foi amplamente inspirada na tradução literal do hino nacional da antiga URSS, mas por coincidência esta também é a melodia do atual Hino Nacional da Rússia!

“Reacionários de todos os matizes, uni-vos!” Olavo de Carvalho será nosso Lenin, Bernardo Küster será nosso Molotov e Nando Moura será nosso Andrei Zhdanov. Cantem comigo:

1. O sonho do Império Brasil restaurado
Formou a união de direitas hostis.
Que vivam Jair Bolsonaro e seus filhos,
Varões piedosos portando fuzis!

Refrão:
Glória à República de Curitiba,
Sólido esteio anticorrupção!
Partido de Bivar, força do laranjal,
Leva-nos rumo ao Evangelistão!

2. Brilhou nas tormentas Macedo e o Silvio,
Olavo Carvalho clareou nosso andar,
Da tia do Zap e do tio do churrasco,
Igual a manada nos fez militar!

(Refrão)

3. O nosso futuro, sem Globo e sem Folha,
Nós vemos com Trump, sem Kirchner e Macron.
Vendemos da Pátria até a bandeira,
Não tem Amazônia, ninguém faz cocô!

(Refrão)

P.S. A versão original tinha as legendas com a letra acima, mas infelizmente não sei onde foi parar o vídeo. Como eu ainda tinha o áudio e a imagem e fundo, refiz parte da montagem, e espero que minha voz horrível ainda possa satisfazê-lo!


quinta-feira, 26 de janeiro de 2023

Ucranianos pedem apoio de Lula


Link curto pra esta postagem: fishuk.cc/lula-ucrania

Estou fazendo esta publicação extra pra divulgar uma carta que meu amigo Claudio, do Paraná, me passou pelo WhatsApp. É um pedido assinado em 20 de janeiro de 2023 por Vitorio Sorotiuk, presidente da Representação Central Ucraniano-Brasileira, e por Paul Grod, presidente do Congresso Mundial dos Ucranianos, pra que o presidente Lula apoie mais explicitamente os esforços de paz do presidente ucraniano Volodymyr Zelensky e as tentativas internacionais de condenação e punição da invasão de Vladimir Putin à Ucrânia e sua decorrente carnificina.

Infelizmente, não tenho grandes esperanças de progresso, dado que a atual elite diplomática, de matiz notadamente esquerdista, é muito ignorante quanto a assuntos de países eslavos, e que o agronegócio (que alimenta mais a China e a Europa do que o Brasil, convenhamos) vai chiar ante a possível restrição de produtos químicos se Moscou e Minsk se sentirem muito contrariadas. Em todo caso, recomendo que passe esta publicação pro máximo possível de contatos, ou pelo menos as imagens abaixo que aqui estão contidas:





quarta-feira, 25 de janeiro de 2023

Poroshenko radiativo: soldados caem


Link curto pra esta postagem: fishuk.cc/poroshenko


Em 2014, uma insurreição popular que quase foi apropriada por neonazistas e xenófobos derrubou o então presidente da Ucrânia (fantoche da Rússia), Viktor Ianukovych, e enquanto não ocorriam novas eleições, o presidente do Parlamento comandou o país. Em face de uma guerra civil explodida logo em março no leste tradicionalmente russo do país, foi eleito por voto popular Petró Poroshenko, industrial do ramo chocolateiro e apoiado pelo Ocidente em sua fúria contra a Rússia. Inicialmente apoiado pela onda nacionalista que se comoveu com o que seria uma intervenção de Putin e sua invasão da Crimeia, Poroshenko não conseguiu reverter o vertiginoso empobrecimento da Ucrânia e perdeu fragorosamente pro opositor Volodymyr Zelensky, quando tentou a reeleição em 2019. Mesmo nas províncias mais conservadoras do oeste, o novato conseguiu ficar à frente no segundo turno por cifras não desprezíveis.

Durante o mandato de Poroshenko, houve uns 5 ou 6 casos (mostro apenas alguns aqui) de desmaios de guardas presidenciais em cerimônias oficiais, a começar em sua própria posse, quando um soldado quase caiu em sua frente, mas acabou desabando fora das vistas do eleito. O presidente entraria no Parlamento e parece não ter reparado ou dado importância à cena, mas no fim do ritual, segundo depoimentos, ele teria questionado sobre o estado do militar. Os russos, claro, fizeram a festa, dizendo que os ucranianos (que realmente há muito já eram bem pobres) já passavam fome com Ianukovych, e assim continuariam com Poroshenko, sendo que nem os militares eles estariam conseguindo alimentar!

Eu apenas recortei os quadros, não fazendo alterações no áudio ou na própria duração dos vídeos. Como bônus, também saído da TV em russo, uma cena de desmaio do ex-presidente de Portugal, Aníbal Cavaco Silva, durante a festa nacional de 10 de Junho em 2014, quando afirmam que ele estava ouvindo palavras de ordem bradadas pelos sindicalistas! E de fato, era uma época em que os portugueses estavam bem mal... Fontes (por ordem de exibição):

http://youtu.be/iuzMT0YXu7k
http://youtu.be/QV7EiWKqslM
http://youtu.be/tYm8zH6LUIo



segunda-feira, 23 de janeiro de 2023

Putin falando em francês (2007 e 2019)


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Duas raríssimas vezes em que o Ditador de Todas as Rússias, Vladimir Putin, falou algumas palavras em francês. Ele parece não ser fluente na língua, mas conseguiu decorar certas frases ou expressões!

A primeira vez foi em 4 de julho de 2007, na Guatemala, quando o Comitê Olímpico Internacional escolheria a cidade russa de Sochi como sede dos Jogos de Inverno de 2014. Na ocasião, o presidente Putin foi pessoalmente ao evento pedir diretamente aos membros do comitê:

“Monsieur le Président, membres du CIO, mesdames et messieurs ! Soutenez, s’il vous plait, le rêve olympique de millions de ‘rousses’ [Russes] qui attendent votre décision avec l’espoir. Je vous remercie.” Depois em inglês: “Sank [thank] you!”

(Senhor Presidente, membros do COI, senhoras e senhores! Apoiem, por favor, o sonho olímpico de milhões de russos que esperam sua decisão com [a] esperança. Eu lhes agradeço.)

Curiosamente, ele pronuncia Russes (russos/as) como rousses, que em francês significa “ruivas”!

E novamente, em 19 de agosto de 2019, Putin começou a visitar o presidente francês Emmanuel Macron em sua residência oficial de Brégançon. Após uma longa conferência de imprensa em que ambas as línguas tiveram intérpretes, o russo fez a gentileza de dizer ao final, quase sem ninguém notar, enquanto tirava o fone: “Merci bain [bien], merci bain [bien] !” (Muito obrigado, muito obrigado!) Em mais uma alteração fônica, Putin diz “bén”, que significa “banho”, ao invés de “byén” (“bem”, aqui usado como “muito”).

O que acham de tomar um “banho com ruivas” no castelo francês? “Muitos russos” gostariam!



domingo, 22 de janeiro de 2023

Diário Político do Centro da Rabeta


Link curto pra esta postagem: fishuk.cc/rabeta

Os eventos políticos destes primeiros 22 dias do agitado ano de 2023 (como se as desgraças de 2022 já não fossem poucas!) já geraram tantos memes e situações engraçadas, que não pude deixar neste domingo de fazer uma publicação extra com algumas coisas que encontrei por aí ou que li da minha (assaz peculiar) maneira.


Uma infeliz montagem de uma fotojornalista da Folha de S. Paulo, que saiu bem na capa e ainda fez o favor de “desenhar” a legenda, foi suficiente pra esquerda tuiteira pedir a cabeça da profissional, acusando-a de sugerir o assassinato do Molusco com um tiro no coração. Segundo Gabriela, a sugestão era uma tentativa de “matar” a democracia, mas sem sucesso, pois lá estava Lula novamente a sorrir, se arrumar e trabalhar. Essa mesma esquerda já pediu a morte de não sei quantas personalidades políticas, passou pano pras piores ditaduras (presentes e passadas) e, na era pré-2013, simplesmente se recusava a dialogar com quem se declarava de direita. Sim, não era conservador, bolsonarista, pró-milicos ou monarquista: você era tratado como cidadão de segunda categoria nas universidades e nas redes sociais, imputável dos piores crimes, simplesmente por se declarar de direita! Em todo caso, pra evocar uma “democracia fraturada”, acho que até o print que fiz de uma reportagem do Fantástico, sem nenhuma montagem, e postei entre os memes do “Capitólio brasileiro”, ficaria melhor!


Christian Lynch é um cientista político brasileiro que está ganhando proeminência nas redes sociais como crítico feroz do bolsonarismo e já apareceu por aqui quando reproduzi seu célebre fio do Twitter explicando a invenção do conceito de Nordeste brasileiro. Este seu último tuíte resumindo o último governo com suas próprias opiniões é uma verdadeira obra de poesia em prosa! Ele tem literalmente “lynchado” os minions, rs.


Uma amostra/exemplo do que o professor disse acima.


Enrico Mentana, icônico apresentador do principal jornal às 20h de Roma do canal televisivo La7, ficou brevemente com essa cara de alívio + felicidade logo após o fim da exibição da reportagem que relatava como foi preso Matteo Messina Denaro (“U Siccu”), o último grande chefe mafioso, ou boss dei boss, que ainda estava solto após encomendar o assassinato dos juízes antimáfia Falcone e Borsellino, em 1992.


Falou a “ex-”admiradora de Mussolini que tem um amiguinho do Mito no governo, rs: “O que está ocorrendo no Brasil não pode nos deixar indiferentes. As imagens da irrupção nas sedes institucionais são inaceitáveis e incompatíveis com qualquer forma de dissenso democrático. É urgente um retorno à normalidade e expressamos solidariedade às Instituições brasileiras.”


Diretamente do Túmulo de Grant (Pica-Pau referências, rs), o fundador dos EUA vem desfazer um equívoco... (A data está com essa correção fuleira porque achei que a bomba plantada perto do caminhão-tanque tinha sido posta no dia 8 de janeiro do quebra-quebra!)


Espero que tudo tenha acabado bem, pelo menos por enquanto... Vamos ficar com esta linda obra partilhada pelo escritor e lambe-saco da família Castro Fernando Morais.


Bolsominions adoram um carro importado, e falam mais do assunto do que de céquiço propiamente dito. Porém, em sua decadência alegada pelas esquerdas, a Folha de S. Paulo precisava anunciar uma pesquisa científica pra descobrir algo que minha trisavó vêneta, nascida por volta de 1882, já dizia do alto de sua sabedoria (“Homem que não tem carro, não tem pinto”)???


Falando em masculinidade tóxica, quase morri quando vi as legendas do que esse menino checheno falou num documentário de 2000 sobre a guerra na década de 1990, rs. Isso me lembrou quando há uns cinco meses um senador uruguaio causou burburinho quando disse que a Argentina estava ruim porque estava “cheia de argentinos”...


E pra terminar, ainda em conexão com o antigo espaço soviético, gostaria de fazer um alerta a todo mundo que chega a esta pobre página: neste momento, na região independentista do Artsakh (ou Nagorno-Karabakh), encravada no oeste do Azerbaijão, o governo deste país está cometendo um genocídio de armênios, com a ajuda da Turquia, no nariz dos soldados russos lá deslocados (cujo próprio governo está cometendo um genocídio de ucranianos...) e com total complacência dos EUA e da União Europeia, que tá chorando pelo petróleo e gás do ditador Aliyev!