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terça-feira, 1 de setembro de 2026

Octavio Brandão ataca PC do B (1963)

Em 28 de maio de 2015, segundo consta nos metadados dos dois arquivos de imagem que eu tinha guardados em meus backups, fotografei com a autorização do Arquivo Edgard Leuenroth da Unicamp (AEL/IFCH) o artigo datilografado “Dissidentes do PCB”, escrito por Octavio Brandão em 1.º de janeiro de 1963 e depositado no fundo que leva seu nome. Aquele ano era o segundo de meu mestrado e, assim como no doutorado, os papéis do comunista histórico brasileiro foram essenciais pra eu escrever minhas teses nos dois níveis, que tratavam das relações entre o Partido Comunista do Brasil (nome do PCB até 1961) e a Terceira Internacional (ou Comintern). Porém, por alguma razão, copiei o texto aparentemente inédito, mesmo sendo mais relacionado ao tema do TCC que defendi em fevereiro de 2012, ou seja, o impacto do “relatório Khruschov” de 1956 e da “desestalinização” soviética sobre o PCB de 1956 a 1961. Sobre este tema, já escrevi vários textos e já publiquei várias traduções aqui na página, portanto, vamos direto ao assunto.

Sem entrar no mérito teórico de sua interpretação do marxismo, mais precisamente do leninismo e da vulgata staliniana, Brandão teve uma vida venturosa antes e depois de seu ingresso no PCB. Farmacêutico de formação, o sertanejo alagoano fez vários estudos amadores sobre a geologia de seu estado e é considerado um dos pioneiros (esquecidos) na consideração da possibilidade de existir petróleo no subsolo brasileiro. Envolvido na militância anarquista após se mudar pro Rio de Janeiro, simpatizou com a revolução bolchevique e entrou no PCB meses após sua fundação. Foi o principal teórico do partido na década de 1920, quando tentou conciliar a revolução proletária com o envolvimento das classes médias radicalizadas, mas em 1929 caiu no ostracismo quando a Comintern impôs o exclusivismo classista e as insurreições imediatas.

Mesmo assim, Brandão conseguiu diversos postos técnicos voltados ao público latino-americano na Internacional, tendo fugido das precoces repressões de Getúlio Vargas e se exilado na URSS de 1931 a 1946. Lá, durante a invasão alemã, conheceu a evacuação pra distante cidade de Ufá, onde faleceu doente sua esposa, a poetisa Laura Brandão. De volta ao Brasil, sem jamais ter deixado ou sido expulso do PCB, Octavio nunca retomou postos de direção, e os diversos núcleos dirigentes que se sucederam parecem nunca ter reabilitado a importância de sua atuação. Porém, se analisarmos a abundante documentação deixada por ele, percebemos que sua colaboração política continuou frutífera e que talvez ele exagerasse a condição de pobreza e esquecimento da qual frequentemente se queixava em artigos na imprensa comunista. Seja como for, sofreu igual a todos os outros os golpes da repressão estatal, qualquer que fosse o regime, e faleceu em 1980, sempre fiel à linha pró-Moscou do “Partidão”.

Recentemente, sua biografia e sua obra teórica têm sido cada vez mais estudadas, embora o segundo volume de suas memórias, Combates e batalhas, que cobre o período posterior a 1945 e cujo manuscrito permanece no AEL, jamais tenha sido publicado. “Dissidentes do PCB”, cujas fotos também aparecem abaixo, é exemplar em vários aspectos, a começar pela menção nominal aos principais fundadores do futuro PC do B, que os exalta até hoje, em especial pela pena de historiadores como Osvaldo Bertolino e Augusto Buonicore. Também é notável que a cisão tenha começado pela tomada de um dos órgãos do partido, algo comum na história das esquerdas no século 20 e já tendo o precedente da discussão sobre o “relatório Khruschov”, iniciada sem a autorização “de cima” pela própria redação da Voz Operária.

É igualmente curioso como Brandão engole naturalmente as viradas moscovitas, como é o caso da relação com Stalin, falecido em 1953, que os “dissidentes” ainda veem como o único líder ainda certo, mas que o alagoano até tinha vergonha de citar, depois de cantar loas a sua pessoa por décadas. Outro destaque são as cisões antissoviéticas que começavam a ganhar força no mundo socialista: a China não é citada, mas a Albânia de Hoxha está aí (aliás, é o único caso em que vi Brandão o nomeando). E como cereja do bolo, as “contribuições” nos mostram a importância dos “fundões” quando não temos o almoço pago pela URSS... Atualizei a ortografia e parte da redação e adicionei umas poucas notas explicativas:





Os dissidentes do Partido Comunista do Brasil – Maurício Grabois, Pedro Pomar, João Amazonas e outros – foram expulsos como traidores e passaram a fazer uma série de manobras: realizaram uma “Conferência Nacional Extraordinária” em São Paulo, em fevereiro de 1962, adotaram o título de “Partido Comunista do Brasil”, lançaram um “manifesto-programa” e apropriaram-se d’A Classe Operária, órgão do PCB, jornal de tradições gloriosas desde 1925.

Esses dissidentes e traidores passaram a fazer uma obra de confusão. Atacaram, no papel, o revisionismo, o dogmatismo e o sectarismo, transcreveram opiniões de Lenin, fingiram defender o internacionalismo proletário, a União Soviética e a revolução cubana, lançaram frases contra o imperialismo norte-americano e a miséria dos operários e camponeses do Brasil.

Mas os dissidentes arrancaram a máscara, meses depois. Publicaram o retrato de Enver Hoxha na primeira página d’A Classe Operária de 1-15 de dezembro de 1962, com elogios a esse “talentoso e valente líder” e ao seu Partido do Trabalho da Albânia, “cuja fidelidade aos princípios do marxismo-leninismo não pode deixar de ser reconhecida por todos os que almejam o triunfo do socialismo no mundo inteiro”. Tais as palavras textuais.

A Classe Operária dissidente ignora o 20.º Congresso do PC da União Soviética. Em seu número de 16-31 de dezembro de 1962, canta um hino exaltado à personalidade de Stalin e transcreve um trecho do livro dele Sobre os Fundamentos do Leninismo. No mesmo número, os dissidentes hostilizam o compromisso da União Soviética e dos Estados Unidos, que evitou a invasão de Cuba e a guerra mundial termonuclear. Igualmente, no mesmo número d’A Classe Operária, aparece um artigo do antigo fascista-integralista Otto Alcides Olwheiler [sic pra Ohlweiler (1914-1991); deputado estadual pelo PCB do RS de 1947 a 1951, era químico e publicou também sobre filosofia política, sendo expurgado da UFRGS em 1968], segundo o qual, por ocasião do bloqueio de Cuba, “a paz momentânea foi paga à sanha dos imperialistas norte-americanos com o atendimento de seus caprichos”.

Na política brasileira, A Classe Operária dissidente ataca violentamente o governo João Goulart e prega a abstenção no plebiscito de 6 de janeiro de 1963 [que restaurou o presidencialismo em detrimento do parlamentarismo ad hoc imposto antes da posse de Goulart, em 1961]. Lança palavras de ordem “esquerdistas” e frases pomposas e vazias. Faz propaganda de “guerrilhas” prematuras e da “ação armada como meio de sobrevivência”. Não abre nenhuma perspectiva para o povo brasileiro, exceto uma “revolução” caída do céu. Afirma, em seu número de 1-15 de dezembro de 1962: “Única saída: a revolução do povo”. Sustenta no “manifesto-programa”: “Só a luta revolucionária dará ao povo um novo poder”.

Os dissidentes e traidores têm uma base financeira de origem duvidosa, publicam n’A Classe Operária listas de “contribuições” monetárias importantes, mas vagas e suspeitas...

1.º de janeiro de 1963



segunda-feira, 15 de junho de 2026

Como seguir as atualizações da página

Se você realmente quiser pular a reflexão pessoal e ir direto ao aspecto prático que interessa, clique aqui.


Esta publicação tem um pouco de vários caracteres: informativo, planificador, comunicativo, reflexivo. Por que eu estaria preocupado com o modo como os leitores frequentes deste blog que prefiro chamar de “página” recebessem atualizações de conteúdo novo, e por que eu ainda não estaria satisfeito que as pessoas simplesmente encontrassem meus textos por acaso numa busca online? A questão não é tão simples, e quero abordar alguns assuntos que têm ocupado meus pensamentos nos últimos anos.

Definitivamente, os blogs decaíram com a ascensão das novas mídias sociais, porque ninguém mais tinha energia e inteligência pra ler e escrever tanto, e porque um Facebook, um Instagram ou um YouTube da vida são muito mais ágeis quanto à distribuição e notificação de conteúdo e à obtenção de público (no qual, potencialmente, já estão teus contatos usuais). Com o fracasso das experiências do Orkut e do Google+, a Alphabet investiu massivamente no “Você Transmite”, de forma que ele acabou perdendo sua essência original de “vlogueiros caseiros” e se tornou uma verdadeira Netflix semigratuita. Aliás, acariciados com o enganoso nome “canal” (Netinho de Paula que o diga!), os velhos “vloggers” que botavam a boca no trombone se tornaram “youtubers” que morriam pra se encaixar na cultura de massas, e depois “influenciadores”, cópias ruins uns dos outros, que catequizam (por isso sendo em número bem mais restrito) os bilhões de gados dopados por seus smartphones.

Exemplo dessa negligência são os muitos usuários que criam seus blogs e, quando param ou mudam de plataforma, não o apagam nem deixam uma mensagem de adeus. Mari Moon deletou o seu, mas Viih Tube não posta desde 6 de fevereiro de 2015, e ainda podemos nos divertir com álbuns completos de sua puberdade. Uns poucos heróis, talvez por comodismo ou praticidade, se ativeram ao Blogger, antigo Blogspot, o serviço de “diários digitais” do próprio Google, a exemplo meu mesmo e da ativista e professora “Escreva Lola Escreva” Aronovich, que está há muito mais tempo na praça e, claro, chegou muito mais longe. Mas se excetuarmos uma única grande mudança técnica ocorrida uns anos atrás, o Blogger é um serviço praticamente abandonado pela casa-mãe, e estou esperando a hora em que ele pode ser subitamente fechado sob a desculpa de “não estar dando lucro”. Acho pouco provável que esse momento chegue, mas se chegar, ainda pode demorar bastante, pois a capacidade de monetizar esses dinossauros pelo Adsense lhes dá uma sobrevida, mesmo que os fins sejam os mais escusos possíveis.

Exceto pelo Wordpress, outro idoso que sempre foi o queridinho de um público mais seleto, serviços mais modernos chegaram pra reabilitar e recauchutar a “blogagem”, entre os quais o Medium e o Substack. Porém, também limitados a um nicho de usuários com outros hábitos e mentalidades, não chegam aos pés das atuais redes sociais ou “mídias digitais” onipresentes, cada vez mais poderosas e tóxicas. Não vou entrar no mérito do Twitter, que aqui chamo carinhosamente de “Équis” e se popularizou chamado de “rede de microblogs”, mas que hoje se parece muito mais com os serviços da Meta, porém com menos funcionalidades. Por enquanto não falei de notificações, mas de conteúdo, e esta foi realmente a essência de uma de minhas mudanças: após anos usando assiduamente as redes tradicionais, em 2015 (quando a discussão sobre vício ainda estava começando e ninguém falava de violência e conteúdo enganoso!) parei de ter perfis fixos ou manipulados diariamente, exceto por alguns intervalos entre 2019 e 2022, em que cheguei a usar Instagram com alguma frequência.

Como já escrevi outras vezes, e como alguns amigos e conhecidos meus já sabem, criei no YouTube o canal Pan-Eslavo Brasil em 20 de novembro de 2010 como uma simples plataforma pra carregar os vídeos históricos que eu traduzia e legendava. Nunca considerei “youtuber” uma profissão nem jamais pretendi “influenciar” ninguém. Após maturação relativamente longa, este blog que chamo de página veio mais tarde, em 1.º de agosto de 2014, quando o Blogger ainda não tinha caído no esquecimento e eu pretendia ter também uma plataforma pra meus textos escritos, fossem eles originais ou traduções de terceiros. Entre 2009 e 2011, também cheguei a escrever textos em blogs pouco divulgados e de vida curta, e de 2012 a 2014 usei o Materialismo.net pra divulgação de ideias pessoais; a criação de um espaço próprio também reuniria escritos já prontos que eu achasse interessante relançar, com pouca ou nenhuma modificação.

Pra quem não se lembra, e pra informação dos jovens, no início da década de 2010, o canal do YouTube era automaticamente vinculado a nosso perfil no Google+, onde novos vídeos eram divulgados na hora (se alguém seguia nosso perfil, em dinâmica semelhante ao Instagram) e onde devíamos fazer as mudanças (foto, nome, descrição) que se refletiriam na plataforma. Somente mais tarde surgiu a possibilidade de desvincular os dois serviços e, se quiséssemos, de apagar nosso Google+, até finalmente aparecer nosso familiar YouTube Studio. Também devo confessar que por falta de ousadia, nunca experimentei outras plataformas de blog, já que ter uma conta do Google (como foi meu caso a partir da criação do Pan-Eslavo Brasil, e tive várias além daquela) dava acesso imediato ao serviço do Blogger. Somente em algumas semanas de teste, a primeira versão do que seria meu primeiro blog, o “Pensadores Libertos” (2009-10), foi hospedada no UOL, que assinei de 2000 a 2011.

Nunca busquei vincular diretamente o canal ou a página ao Orkut (que em 2012 quase ninguém mais usava), Facebook ou Instagram, no sentido de criar um espaço dedicado especialmente a eles. No caso do Facebook, eu postava meus novos vídeos ou textos no próprio perfil pessoal ou, o que era mais arriscado, em grupos a que pertencia, mas de cujas regras nem sempre lembrávamos ou cujos administradores eram mais sensíveis a certos conteúdos... Pra ser mais exato, a primeira vez que fiz uma página do Facebook dedicada ao canal foi em meados de 2014, quando reaproveitei uma página inicialmente dedicada ao historiador Edgard Carone, mas jamais alimentada. Como interagia muito e tinha muitos contatos com os mesmos interesses que eu (mesmo que politicamente discordantes), a página cresceu espantosamente e em poucos dias chegou a ter mais de dois mil seguidores! Pra efeito de comparação, no início de 2015 o próprio canal mal reunia 1,5 mil almas... Por motivo que até hoje desconheço, decidi apagar perto do fim de 2014 aquela que poderia ter sido um sucesso de público e, quem sabe, reunido até 1 milhão de facebookers ao longo do tempo.

Nunca mais repeti a façanha. É claro que minha decepção emocional com aquele site (já que eu quase não usava o aplicativo no smartphone) de alguma forma me levaria a jogar tudo pro ar de qualquer jeito; ou quem sabe a manutenção e sucesso da página me levariam a pensar duas vezes. Em todo caso, mantive depois páginas no Facebook dedicadas ao canal ou à página por curtos períodos, sem reunir muitos seguidores e logo “enjoando” de cuidar de sua administração. O mesmo ocorreu com o Instagram, no qual cheguei a ter perfis pessoais e/ou dedicados ao canal e/ou à página, mas que não durariam muito nem chegariam ao mesmo sucesso da pioneira no Facebook em 2014, quando o fenômeno da rede social tinha chegado ao ápice; muito menos aos números do próprio canal, que alcançou os 10 mil inscritos durante a Copa na Rússia em 2018 e “faleceu” em 11 de agosto de 2021, após passar os 42 mil fãs.

O que quero dizer com toda essa digressão? Quero dizer que, exceto pelos meios muito limitados que o Blogger ainda oferece pra notificação de novas publicações a eventuais interessados, sem que eles precisem ficar visitando a página o tempo todo, jamais mantive outras mídias que as pessoas frequentassem mais e, assim, pudessem saber imediatamente das novidades. Às vezes foi falta de paciência (preferir manter o foco na alimentação da própria página), às vezes frustração (usar também como rede pessoal, mas não sentir o mesmo calor humano do passado), mas quase sempre consciência de que o império do algoritmo tornava as coisas cada vez mais difíceis pra quem (re)começava do zero, e não estava já no pedaço há um bom tempo. Se você não se engajasse com outras contas, fosse seguindo, curtindo ou comentando, nem publicasse o máximo possível, você ficaria invisível, mesmo que outros porventura procurassem exatamente o tipo de conteúdo que você publica. E mesmo querendo manter um “espaço fixo” que pudesse crescer gradualmente, com publicação ocasional, a ânsia de querer logo mais inscritos e a insatisfação com as interações pessoais minavam a possibilidade de qualquer acúmulo.

Quem conhece as principais plataformas de blogs sabe que o meio mais frequente e natural de seguir novas publicações é... tornar-se um seguidor, ora bolas! De fato, esta página não foi criada na atual conta do Google que a hospeda, datada de 2016 ou 2017, mas na conta destinada a abrigar o Pan-Eslavo Brasil e aberta na mesmíssima data em que criei o canal e carreguei o primeiro vídeo. Aliás, em novembro de 2010, após o fim de meu primeiro blog, eu estava sem conta do Google, sobretudo porque eu usava o e-mail do UOL, e não o Gmail ainda. Só recriei uma conta aqui pra poder usar o YouTube, e era justamente aquela vinculada ao correio eletrônico com nome de usuário pensamentoliberto, de que alguns conhecidos se lembram e que só abri em 2011 por causa do abandono do UOL.

Na primeira versão da página, lançada em 2014, cheguei a ter mais de 70 seguidores, alguns dos quais conhecidos que já não vejo há tempos, e (pouco até pra quase oito anos) mais de 900 mil visualizações únicas de página. Com o fim do Pan-Eslavo, em 2021, não vi sentido em manter duas contas do Google, mesmo que fosse só pra manter os inscritos da página, tanto mais que sequer podia fazer outro canal no YouTube com ela. Além disso, tinha se tornado uma conta “velha” com resquícios de recursos “velhos” que eu nem sequer conseguia apagar. Até pra “esquecer” afetivamente esse passado, resolvi transferir a página pra nova conta (esta que vocês veem agora), apesar do trabalhão que deu e, pior, da impossibilidade de manter ou comunicar aqueles mais de 70 inscritos! Verdade seja dita: muita gente ao longo dos anos criou contas no Blogger só pra seguir blogs, mas deve ter parado de os ler e simplesmente “largado” lá, o que as torna de fato seguidoras em número, e não em conteúdo.

Lançada pra valer em junho de 2022 (o espaço já estava público desde fevereiro, mas aguardando o apagamento da conta do Google 2010-2022), a versão da página nesta nova conta teve uma fortuna contraditória. Em seu pico, salvo se houver nova tendência de crescimento, alcançou apenas 26 ou 28 seguidores, o que organicamente não é irrisório, levando-se em conta que não fiz mais divulgação sistemática em redes sociais (mesmo em grupos de terceiros) e que poucos são os que hoje fazem perfis no Blogger. Contudo, em bem menos tempo, ultrapassei o 1,9 milhão de visualizações únicas, estando não muito longe de chegar a 2 milhões. Isso se deve, claro, ao aumento de usuários da internet, que chegam aqui usando inclusive ferramentas de IA, aos visitantes antigos que continuaram vindo e, talvez, divulgando, e à variação do conteúdo com ocasionais acelerações no número de novas publicações. Porém, alguém pode me corrigir, mas suspeito que haja tráfego “não orgânico”, como se fossem bots vindos não sei de onde e que também agem em redes sociais. Até porque, exceto se for caso de VPN ou imigração, boa parte desse tráfego está localizada nos EUA e outros países aos quais meu conteúdo não interessaria amplamente. Mas não é algo que me incomoda tanto.

É interessante e comovente que alguns jovens têm trilhado na contramão e criado perfis somente pra seguir determinados blogs, como é o caso da própria Lola Aronovich, bem como do meu, cuja caixinha localizada do lado direito da tela conta também com outros antigos conhecidos que “reapareceram”, rs:



O RSS é um instrumento tão arcaico e desusado que nem sequer resolvi incorporar aqui. Também não há mais a possibilidade de seguir por e-mail, e a outra possibilidade que é eu mesmo inserir manualmente os e-mails nas configurações exige, primeiramente, que a criatura aceite o convite (e alguns que eu julgava “amigos” ousaram recusar!), e ainda por cima é limitada a dez endereços, pode isso? Alguns contatos próximos recebiam essas atualizações, mas também desativei, porque essa limitação tirava toda a graça do recurso. Antes que você pergunte: sim, quando fazia páginas do Facebook pra divulgar o conteúdo, eu as incorporava aqui, mas agora você sabe o que eu terminava fazendo.

Afinal das contas, se tenho gradualmente abandonado as redes sociais, sobretudo na busca por manter um “perfil baixo”, se meu objetivo tem sido publicar mais pra ter um patrimônio cultural público do que pra adquirir engajamento e se, com o passar dos anos, tenho dado bem menos prioridade à produção de conteúdo e mesmo à tradução em geral, como era o caso na década de 2010, pra buscar ou me dedicar a atividades profissionais acadêmicas ou burocráticas... Afinal de contas, pra que me preocupar sobre como as pessoas vão seguir minha página (não tenho nenhuma pretensão de voltar ao YouTube!) se elas podem vir aqui a qualquer momento? Bem, isso implica contar sobre meus planos futuros.

Se você chegou até aqui sem pular parágrafos, ou você é um herói ou heroína “fora de seu tempo”, ou você realmente gosta muito de mim e/ou de meu conteúdo: a esmagadora maioria da “sociedade de massas” viciada em redes sociais, figurinhas coloridas e videozinhos curtos não aguentaria mais de dez linhas, quem sabe menos! Realmente, toda essa volatilidade quanto a espaços em redes sociais se deve exatamente à incerteza sobre o papel que elas podem ter em minha vida pessoal, profissional e cultural (relacionada a esta página). Afinal, até o Gemini deduziu (depois que digitei “Erick Fishuk”...) que, depois da queda do Pan-Eslavo, resolvi “centralizar” aqui todas as minhas traduções, rs. Havia também a possibilidade de, pagando ou não, publicar textos e vídeos maiores em redes tradicionais, depois de terem tecnicamente avançado muito, mas não só não desejo alimentar o modelo de negócio delas, como também tem a questão do “comodismo”: se já estou no Blogger, pra que republicar tudo “alhures” ou publicar as mesmas novidades duas vezes?

Obviamente eu uso um pingo de redes sociais: WhatsApp, porque é vital pra sobreviver nessa semicolônia latifundista e agroexportadora, e Telegram, como reserva pra qualquer hecatombe na Meta, pra outros países que o usem mais e porque acho bem mais rico em recursos. (OK, tenho usado secretamente uma conta do Instagram pra conversar com um punhado de amigos, mas até o fim de junho já tô querendo apagar de novo, então nem tente me procurar.) Pra se ter uma noção, desde que conheço o Telegram ele permite um nome de usuário particular, o que até agora nem o onipotente Zuckerberg conseguiu copiar! Além do conhecido grupo que mantive no WhatsApp de 2018 a 2020 (mais destinado, é verdade, à socialização), várias vezes criei canais nos dois aplicativos como alternativas de divulgação, mas logo perdia a paciência e apagava.

Confesso que o grande problema era a própria falta de plano de longo prazo pra manter esses espaços: primeiro, eu não tinha paciência de esperar vê-los crescerem; segundo, publicava muitos conteúdos aleatórios, inclusive links de notícias e vídeos que caberiam mais a mensagens privadas pra amigos; e terceiro, a relação com o conteúdo já existente, fossem arquivos de vídeo ou publicações escritas, era muito mal definida. Além de um desabafo, um “auxílio à memória” e um informativo histórico pra interessados, este texto, como eu disse lá no começo, também visa anunciar algumas estratégias pra retomar os meios “decentes” de divulgação e explicar como tem funcionado minha política de contatos pra falar comigo.

Por muitos anos, não permiti que as publicações recebessem comentários, justamente porque meu objetivo era fazer com que a página funcionasse exatamente como um site “puro”, isto é, apenas transmissora de conteúdo. (O já referido trabalhão somado à falta de tempo me impediu justamente que eu transferisse tudo pra outro serviço de hospedagem, como o Google Sites; essa hipótese pode ocorrer só em caso de emergência extrema.) Porém, de uns tempos pra cá, reabri essa possibilidade, em primeiro lugar pra ampliar o engajamento, mas também pra deixar as pessoas elogiarem ou agradecerem, não dar a impressão de ser antidemocrático e permitir eventuais correções ou sugestões de enriquecimento do texto. Não temo mais spams ou haters, pois eles podem ser facilmente apagados ou bloqueados. Mas está claro que essa é apenas uma forma de comunicação, e não de atualização. Assim, de alguma forma, sempre apresentei a possibilidade de entrar em contato pessoal direto comigo, em algum lugar na célebre barra direita.

Se você já observou o canto superior direito, pode ver estes três círculos que, da esquerda pra direita, se tratam respectivamente de meu Linktree (conjunto de links pessoais, tipo um miniportfólio), meu Currículo Lattes (exigido pra todo mundo que trabalha com pesquisa no Brasil) e meu perfil no Gravatar, que é multiuso pra alguns sites (incluindo o Wordpress), mas que realmente não é amplamente difundido:



Gostaria que você focasse sua atenção no Linktree, que não por acaso tem um ícone estilizado em forma de árvore, isto é, “tree”. A maioria dos links listados no perfil consiste em trabalhos acadêmicos, traduções publicadas, artigos culturais e vídeos do YouTube em que dou entrevista ou apareço como palestrante principal ou secundário. Na parte de cima, em forma de ícones, há meus principais contatos pessoais (que, exatamente por isso, não reproduzo de novo aqui): WhatsApp, e-mail, a própria página e outras redes ocasionalmente ativas (mas que podem sumir a qualquer momento).

Portanto, a instrução básica é a seguinte: sempre que houver algum contato meu disponível ou alguma rede social ativa, ela vai aparecer ali; se não aparecer, é porque ela existe, e se você vir alguma rede em meu nome, mas que não apareça ali, é falsa. A essa altura de minha vida, ninguém vai querer se passar por mim, mas é melhor prevenir do que remediar, né? Dito isso, é possível que nos próximos dias eu estruture um canal no WhatsApp (desse modelo novo, agora localizável por busca, e não do antigo modelo de grupo em que só admins podem mandar mensagem) e outro no Telegram, cujos links vão aparecer no Linktree. Então, fique alerta!

Quanto ao roteiro de atualizações, ele vai ser retroativo e progressivo. Retroativo, porque todo dia planejo publicar links antigos, o que pode inclusive proporcionar o encontro de material que boa parte dos leitores ainda não conhecia. E progressivo, porque cada nova publicação daqui pra frente também vai aparecer por lá, embora o retorno da regularidade ainda esteja em suspenso. Além de alguns concursos públicos e do estudo de idiomas, também tenho dedicado meu tempo livre, sobretudo os fins de semana, a ajudar alguns amigos com tarefas técnicas e a reorganizar meu próprio arquivo digital, o que pode ainda levar um tempão. Porém, sem prejudicar as obrigações cotidianas, há a possibilidade de eu fazer um pedaço de novas publicações por dia e, à medida que forem ficando prontas, ir programando-as pra um futuro em que eu possa garantir uma regularidade inquebrável das publicações (a cada um ou dois dias).

Outro ponto importante: os possíveis novos canais no WhatsApp e no Telegram vão conter apenas links pra publicações da página, e não vídeos antigos do Pan-Eslavo nem outros conteúdos não relacionados, como reportagens, vídeos do YouTube ou memes. Obviamente, sobretudo se já tiver algum público, posso abrir uma exceção pra serviços solidários ou notícias urgentes, caso alguém me peça pessoalmente, mas não vai ser regra. Finalmente, se o plano já estiver bem desenhado, eu deixo os canais crescendo organicamente e recebendo postagens “monótonas”, como citei acima, resistindo pra não os apagar, como infelizmente amigos meus já perceberam tantas vezes quando eram incluídos no WhatsApp “na maior festa” e, dias depois, percebiam tudo apagado...

Essa decisão firme, anunciada e detalhada de possivelmente manter canais fixos no WhatsApp e no Telegram se deve ao fato de ser importante manter ao menos um “canto” em algumas das principais redes sociais, já que hoje são quase o meio exclusivo pelo qual alguém é descoberto, e do Blogger já não oferecer mais ferramentas funcionais pro compartilhamento de conteúdo. Assim, não só os usuários comuns de internet e redes sociais, sobretudo os mais jovens, não precisam fazer uma conta no Blogger pra receber notificações nem ficar entrando na página ocasionalmente, mas também o compartilhamento entre interessados, geralmente já frequentando aquelas redes, fica bem mais fácil. Além disso, ao contrário de alguns anos atrás, o WhatsApp se tornou uma das mídias mais usadas no mundo, junto com Face e Insta (os três com o mesmo dono, claro...), o que o obrigou a se modernizar, incluindo a cópia do recurso de canais do Telegram e a possibilidade de os encontrar mesmo sem serem verificados. E, claro, a cada conteúdo compartilhado, vai um link do canal junto pra que o contato também possa entrar!

Pra terminar, vale a pena sumarizar alguns pontos a respeito dos planos futuros pra página e de minha visão sobre redes sociais:

  • Se eu abrir redes públicas, além do próprio Linktree ou Gravatar, vai ser apenas WhatsApp e Telegram (canais), que são mais práticos e estão entre os mais usados. Meu Instagram ainda disponível pode sumir a qualquer momento, e perfis em outras redes (YouTube, Facebook, Reddit, Twitter/X, TikTok, Bluesky etc.) com meu nome pessoal ou com o usuário erickfishuk não vão aparecer. Também abandonei a monetização e a possibilidade de doação por meio de pix ou PayPal, pois, além de um feed pessoal “à sua maneira”, a página não deve ser um meio de vida, e sim um complemento a qualquer outro meio de vida relacionado a minha formação em História.
  • As novas publicações estão aparecendo com a indicação do domínio “blogspot.com” porque, embora o “fishuk.cc” ainda esteja disponível, pretendo o tirar do ar em 2029, quando expirar a compra. Não é tanto uma questão de economia, já que mesmo a reserva por cinco anos não é cara demais. É uma questão de domínios curtos e/ou personalizados já não terem tanta força quanto no passado, já que são os motores de busca, agora turbinados pela IA, que avançam o conteúdo. É também uma questão de “valorizar” a marca, ou seja, exibir explicitamente o Blogspot (nome antigo do Blogger) pra mostrar que não se está acriticamente “seguindo o fluxo das massas”.
  • A página não vai “morrer”, mas, como sempre digo, ocasionalmente dou pausas ou diminuo a frequência das publicações pra dar conta das obrigações pessoais. É muito conteúdo publicado que já presta um baita serviço de utilidade pública pra sumir de uma hora pra outra, e mesmo que precise desparecer (ocasional extinção do Blogger ou, como ocorreu, derrubada do canal Pan-Eslavo), vai ressurgir de alguma outra forma. O Linktree, que é serviço confiável, serve justamente pra indicar onde estou e o que estou fazendo. De qualquer forma, nada substitui aquela visita ocasional e aquela compartilhada a algum conhecido: com ou sem café e bolo de fubá, sempre vou estar de braços abertos!

sexta-feira, 13 de março de 2026

Quer estudar russo? Comece aqui!

Apresento hoje uma seleção de diversas publicações que estão marcadas com o rótulo “Língua russa”, entre as mais importantes pro estudo mais ou menos aprofundado do idioma. Grande parte delas consiste em restos do minicurso livre de introdução ao russo que ministrei no programa TOPE da Unicamp no 2.º semestre de 2017, e como só recentemente editei alguns, não tive tempo de comparar com o que já estava online, portanto, me responsabilizo por eventuais repetições e redundâncias.

Infelizmente, não é um material pra iniciantes, e sim uma sistematização de noções pra quem já começou a aprender russo, embora também possa ser lido por curiosos que consigam tirar proveito de algumas das explicações dadas. A lista inclui textos que vêm sendo publicados desde 2016 com dificuldades sobre pontos específicos da pronúncia e da gramática e mais algumas coisinhas, e agora ficam mais fáceis pra ser localizados, sem depender apenas do referido rótulo, e pra ser compartilhados em redes sociais.

Esta publicação pode soar paradoxal, já que há quatro anos venho combatendo a invasão da Ucrânia por Vladimir Putin e que sou um crítico feroz da imposição da língua e cultura russas aos territórios ocupados, bem como a seu uso no exterior como uma espécie de soft power capenga pra esconder os crimes de Moscou contra a humanidade. Porém, não devemos esquecer que nem todos os russos apoiam a guerra e que muitos deles, pessoas de alto valor científico, artístico e literário, vivem hoje exilados em países capitalistas desenvolvidos.

Por isso mesmo, conhecer a língua russa, e não somente a ucraniana, pode ser uma ferramenta crucial pra entendermos o regime terrorista atualmente em vigor na Rússia e obtermos informações objetivas sobre a agressão contra o vizinho meridional, onde muitos ainda dominam o “idioma de Pushkin” e os soldados da frente de batalha costumam ser mil vezes mais sinceros que a propaganda oficial. Além disso, desde o século 19 e mais ainda sob o período soviético, a língua russa tem uma longa trajetória no campo da ciência, o que a torna essencial pra ter acesso a um vasto material de pesquisa e conhecimento. Sem contar outros “nichos” culturais, sociais, artísticos etc. que tornam sua compreensão quase indispensável.

Reitero que, apesar de meu desejo, não estou disponível pra dar aulas virtuais de qualquer língua que seja, mas posso passar indicações de profissionais disponíveis (também pra inglês, francês etc.), bem como não é difícil os encontrar em diversas redes especializadas. Apenas recomendo que evite professores omissos ou simpáticos à guerra de Putin, pois ocasionais apologias nacionalistas ou patrióticas são abjetas nesse contexto; se ele falar português, mas estiver num dos próprios países que realizam a agressão, então duvide mais ainda, e de preferência rejeite.



quinta-feira, 12 de março de 2026

Noções básicas da língua russa

Estas três últimas publicações podem soar paradoxais, já que há quatro anos venho combatendo a invasão da Ucrânia por Vladimir Putin e que sou um crítico feroz da imposição da língua e cultura russas aos territórios ocupados, bem como a seu uso no exterior como uma espécie de soft power capenga pra esconder os crimes de Moscou contra a humanidade. Porém, não devemos esquecer que nem todos os russos apoiam a guerra e que muitos deles, pessoas de alto valor científico, artístico e literário, vivem hoje exilados em países capitalistas desenvolvidos. Por isso mesmo, conhecer a língua russa, e não somente a ucraniana, pode ser uma ferramenta crucial pra entendermos o regime terrorista atualmente em vigor na Rússia e obtermos informações objetivas sobre a agressão contra o vizinho meridional, onde muitos ainda dominam o “idioma de Pushkin” e os soldados da frente de batalha costumam ser mil vezes mais sinceros que a propaganda oficial.

Na verdade, esta publicação e a anterior consistem em material que ainda restava do minicurso livre de introdução ao russo que ministrei no programa TOPE da Unicamp no 2.º semestre de 2017, mas que levou um pouco mais de tempo pra ser adaptado à página. Percebi que parte dele já tinha sido publicada em 2017 e 2018, também como dicas pra estudantes de russo, sob o mesmo rótulo “Língua russa” que se encontra no final do texto. Mas estes restos que achei faz pouco tempo são mais ricos em exemplos, e não tive tempo de ficar comparando, portanto, assumo a responsabilidade pelas repetições e redundâncias. Adaptei pouco o estilo e somente fiz algumas correções e acréscimos quando necessário.

A terceira publicação vai trazer justamente uma lista de outros textos sob o mesmo rótulo, selecionados por sua importância pro estudo mais ou menos aprofundado do idioma. Infelizmente, não é um material pra iniciantes, e sim uma sistematização de noções pra quem já começou a aprender russo, embora também possa ser lido por curiosos que consigam tirar proveito de algumas das explicações dadas. Por isso, comecei com as observações sobre pronúncia, cujo valor reside em apresentar detalhes de pontos geralmente difíceis até pro estudante avançado (sinas duro e brando, redução vocálica, realização das consoantes brandas), e agora passei pra noções gerais que fazem um apanhado das principais características do idioma, por vezes o comparando com o português.

Reitero que, apesar de meu desejo, não estou disponível pra dar aulas virtuais de qualquer língua que seja, mas posso passar indicações de profissionais disponíveis (também pra inglês, francês etc.), bem como não é difícil os encontrar em diversas redes especializadas. Apenas recomendo que evite professores omissos ou simpáticos à guerra de Putin, pois ocasionais apologias nacionalistas ou patrióticas são abjetas nesse contexto; se ele falar português, mas estiver num dos próprios países que realizam a agressão, então duvide mais ainda, e de preferência rejeite.


COMO FUNCIONA A LÍNGUA RUSSA

Assim como as outras línguas indo-europeias, o russo é essencialmente uma língua flexional, ou seja, a formação ou alteração de significado se marcam basicamente pela adição de prefixos e sufixos (incluídas aí as terminações de gênero, número, caso, grau etc.), pela alteração nos radicais e pela composição de palavras com radicais diferentes.

Prefixos e sufixos: Classificados na categoria geral de afixos, caracterizam-se por se justaporem antes do radical (prefixos) ou depois dele (sufixos). Veja como isso funciona: ходить (ir ou vir a pé, sem direção ou num caminho de ida e volta) > приходить (chegar a pé); плохо (mal) > неплохо (“não mal”, bem, passável); революция (revolução) > дореволюционный (pré-revolucionário); хорошая (boa) > хорошенькая (bonitinha, graciosa); студент (estudante universitário) > студентам (aos estudantes universitários); уважать (estimar, respeitar) > уважаемый (respeitável, estimado).

Alterações nos radicais: Isso é mais comum do que se pensa em português. Tomemos como exemplo o verbo “fazer”, que tem o A como vogal do seu radical, mas pode alterá-la em outras flexões: “ele faz”, “eu fiz”, “ele fez”, “feito”. O mesmo com a consoante: “eu faço”, “eu fazia”, “eu farei”, “feita”. Algumas alterações seguem regras fixas ou previsíveis, como a queda de uma vogal móvel em radicais: ложь (mentira) > лжи (mentiras); лев (leão) > львы (leões); ou a alternância consonantal em verbos: любить (amar) > я люблю (eu amo); платить (pagar) > я плачу (eu pago). Às vezes o contato com outros morfemas também provoca essa alteração: я иду (eu vou) > я пойду (eu irei); имя (nome) > безымянный (anônimo, sem nome); река (rio) > речка (riacho); Бог (Deus) > Божий (divino).

Composição: Mais comum do que no português, mas menos comum e sistemática do que, por exemplo, no alemão, consiste na junção de dois ou mais radicais, com mais ou menos alterações de forma, numa só palavra que contenha o significado pleno ou aproximado de todos eles (não é sistemático o uso do hífen para uni-los): обще.народный (nacional), много.численный (numeroso), электро.завод (usina elétrica), водо.провод (encanamento), сто.летие (século), слово.сочетание (grupo de palavras), трудно.доступный (de difícil acesso), справочно-информационный (informativo, de informações).

O russo compartilha várias características com o português. Por exemplo: divide os substantivos em gêneros (masculino e feminino) – que são, contudo, mera categoria gramatical, e não indicação de sexo –, flexiona os verbos em modos (infinitivo, indicativo, subjuntivo, imperativo) tempos (passado, presente, futuro) e pessoas (eu, tu, ele/ela etc.), e indica o número do substantivo (singular e plural).

Contudo, muitas coisas são diferentes, e algumas no sentido da simplificação. O russo, por exemplo, não tem artigos definidos (o, a, os, as) nem artigos indefinidos (um, uma, uns, umas), cujas funções são ocasionalmente cumpridas por outras palavras. Assim, por exemplo, a palavra мальчик pode significar “menino”, “o menino” ou “um menino”: o contexto é que definirá a melhor tradução.

O russo também não tem nossos sons nasais, do tipo “em”, “im”, “õe”, “ão” etc., nem distingue entre vogais abertas e fechadas (como em “sede” – sentimento e “sede” – lugar, “avô” e “avó”), o que torna, assim, a pronúncia bem mais previsível. Apesar das irregularidades, a formação do plural também não acarreta grandes modificações nas palavras, como em “aluguel” > “aluguéis”, “mal” > “males”, “farol” > “faróis”, “lápis” > “lápis”. Outra característica interessante é que, apesar de certas diferenças de pronúncia e vocabulário, não há grande dialetação na língua russa, que torne o estudante estrangeiro incompreendido em determinadas regiões; da mesma forma, com um nível avançado, é possível conversar praticamente com falantes de russo em todas as regiões da Europa e Ásia. Deve-se dizer ainda que, desde o século 18, houve poucas reformas na ortografia, sendo a mais significativa a de 1918, tornando os textos antigos, assim, não tão impenetráveis. Como se verá também, há numerosas palavras de origem ocidental, especialmente grega, latina, inglesa e francesa, ainda mais comum no domínio artístico, literário, científico e tecnológico. Em várias ocasiões, isso torna necessário apenas o conhecimento do alfabeto para a resolução de problemas.

Além disso, o sistema verbal é bem mais simples: há apenas duas conjugações (que, porém, não se indicam pelo infinitivo, mas pela forma como se flexiona o presente ou o futuro), os tempos passado, presente e futuro, não há o modo subjuntivo, há poucas formas compostas e o imperativo só tem duas formas (“tu/você” e “vós/vocês”). Quanto às irregularidades morfológicas, elas são bem menos frequentes, por vezes logo assimiláveis e em geral previsíveis.

Além da ausência de artigos, outra coisa deixa a frase russa mais sintética: a ausência dos verbos “ser” e “estar” no tempo presente. Frases do tipo “Eu sou estudante”, “Masha é bonita” ou “Eu estou doente” seriam feitas, respectivamente, “Я – студент” e “Маша красивая” (enquanto “A bonita Masha” seria “красивая Маша”) e “Я болен” (com a terminação adjetiva já dando a ideia de um estado momentâneo). Por um lado, uma forma resquicial da terceira pessoa do singular do presente (есть) é usada apenas para indicar presença ou existência (Есть люди, кто... – Há pessoas que...). Por outro lado, às vezes outros verbos podem suprir a ideia contida nos verbos ser ou estar: Яблоко является вкусным фруктом (A maçã é uma fruta gostosa – lit. “constitui”); Я уже два часа здесь стою (Já faz duas horas que estou aqui – lit. “estou de pé”).

Contudo, ao lado dessas facilidades, há elementos complicados para o aprendiz brasileiro. Eles serão vistos gradualmente ao longo do curso. Os gêneros em russo, por exemplo, não são apenas dois, mas três (masculino, feminino e neutro), e sua distribuição é arbitrária, especialmente para coisas, que podem ser dos três gêneros. Em geral, seres vivos do sexo masculino são designados com palavras masculinas, e seres vivos do sexo feminino, com palavras femininas. Algumas palavras gramaticalmente masculinas também designam mulheres: врач (médico/a), инженер (engenheiro/a), биолог (biólogo/a) etc.

Em geral, pode-se designar o gênero dos substantivos por meio de sua terminação:

  • Palavras terminadas em consoante não seguida de sinal brando, além da letra Й, sempre são masculinas: брат (irmão), рак (caranguejo, câncer), хлеб (pão), товарищ (camarada), палач (carrasco), падеж (caso gramatical), шалаш (choupana, cabana), музей (museu).
  • Palavras terminadas em О, Е ou Ё são sempre neutras: дело (causa, assunto, negócio), лицо (rosto, cara), поле (campo), бельё (roupa branca).
  • A maioria das palavras terminadas em А ou Я são femininas: девушка (moça, garota), кухня (cozinha), партия (partido), мама (mãe), тётя (tia). Algumas palavras terminadas em А ou Я indicam homens e são masculinas: папа (papai), дедушка (avô), дядя (tio), юноша (moço, jovem), мужчина (homem); as formas íntimas de nomes, como Петя (de Пётр/Pedro), Ваня (de Иван/Ivan), Вася (de Василий/Vasili, Basílio), Володя (de Владимир/Vladimir), Саша (de Александр/Alexandre), Паша (de Павел/Paulo) etc.
  • As palavras terminadas com sinal brando podem ser masculinas ou femininas, mas jamais neutras. A distribuição é arbitrária, mas: 1) os nomes de profissões masculinas são masculinos; 2) os substantivos abstratos (conceitos, ideias, abstrações etc.) em geral são femininos; 3) a maioria dos outros substantivos terminados em sinal brando é feminina.


DIFICULDADES DE PRONÚNCIA

O sinal duro (Ъ): É uma letra rara no russo moderno. Praticamente, serve apenas para separar um prefixo, composto por ou terminado em uma consoante, de um radical cuja primeira letra é uma vogal branda. Mais raramente, ocorre em palavras estrangeiras, em geral vocábulos científicos e filosóficos de origem greco-latina, que exigem essa realização sonora. Assim, a consoante será pronunciada dura e a vogal, com seu som iotado: съезд (congresso), объятие (abraço), отъезд (partida), съёмка (filmagem, tomada), подъём (subida, elevação), объектив (objetiva – óptica), субъект (sujeito – gramatical, filosófico ou figurado).

Pronúncias desviantes da letra Г: Em três casos, essa letra não terá o seu som gutural padrão, como em “gato”, mas se pronunciará da seguinte forma:

1. Antes das consoantes К e Ч, o que se restringe a uns poucos casos, mas frequentes, é pronunciado como Х: мягкий [мьахкий], лёгкий [льохкий], мягче [мьахчи], легче [льэхчи].

2. A palavra “Бог” (Deus) no nominativo singular não é pronunciada [бок], como era de se esperar, mas [бох]. Porém, quando declinada em outros casos, volta à pronúncia regular: Бога (de Deus), Богу (para Deus), с Богом (com Deus) etc.

3. Em todas as terminações adjetivas e pronominais do masculino e neutro genitivos (-ого ou -его), o Г é pronunciado como В: молодой > молодого [маладова], хороший > хорошего [харошыва], этого человека [этава чилавьэка] (deste homem), его нет [йиво ньэт] (ele não está), сегодня [сиводьньа] (hoje = сего + дня = neste dia), что > чего [чиво], кто > кого [каво], никто > никого [никаво], ничто > ничего [ничиво] etc.

Redução excepcional do А: Via de regra, antes da sílaba tônica e depois de Ч е Щ, o А é reduzido em И: часы [чисы], щадить [щидить]. Em alguns numerais declinados, o ЦА antes da sílaba tônica é pronunciado ЦЫ: двадцать (vinte) > genitivo “двадцати” [дватсыти].

Observação: Em poucas palavras, há também a redução do ША e do ЖА para ШЫ e ЖЫ: лошадь [лошать] (cavalo) > лошадей [лашыдьэй] (dos cavalos), жалеть [жыльэть] (queixar-se, lamentar), к сожалению [ксажыльэнийу] (infelizmente).

Em palavras corriqueiras, não eruditas, o encontro consonantal ЧН é em geral pronunciado ШН: конечно (é claro), прачечная (lavanderia), скучно (é chato), яичница (ovos fritos), булочная (padaria), молочная (leiteria, loja de laticínios).

Lembremos que a palavra что se pronuncia [што], assim como as derivadas: нечто (algo, um quê), ничто (nada), чтоб(ы) (que, para que, a fim de), что-то (algo, um tanto), что-нибудь, что-либо (algo, alguma coisa). Nas formas declinadas, contudo, volta a regra geral: ничего, почему, зачем, о чём...

Letras que, por praticidade, não são pronunciadas (em geral, nas palavras comuns):

  1. o primeiro В em ВСТВ: чувство (sentimento), здравствуйте (olá);
  2. o Д em ЗДН e nas seguintes palavras: праздник (feriado, festa), поздно (tarde), сердце (coração), ландшафт (paisagem);
  3. o Л em “солнце” (sol), que volta nos derivados: солнечный (solar, ensolarado);
  4. 4. o Т em СТН e СТЛ: грустный (triste), известный (conhecido, famoso), местный (local, do lugar), частный (privado), счастливый (feliz) etc.

ЖЧ, ЗЧ, СЧ pronunciam-se como a letra Щ: мужчина (homem), заказчик (cliente), считать (contar, considerar).

Em algumas palavras e nomes estrangeiros, o Е não palatiza a consoante anterior, e é pronunciado, portanto, como um Э depois de uma consoante dura: антенна (antena), бутерброд (sanduíche), стюардесса (aeromoça), интернет (internet), деградация (degradação), модернизация (modernização), кашне (cachecol), бизнес (negócio, empresa), фонетика (fonética), энергия (energia), шоссе (rodovia), кафе (café – lugar), теннис (tênis – esporte).



quarta-feira, 11 de março de 2026

Noções básicas de pronúncia do russo

As próximas três publicações podem soar paradoxais, já que há quatro anos venho combatendo a invasão da Ucrânia por Vladimir Putin e que sou um crítico feroz da imposição da língua e cultura russas aos territórios ocupados, bem como de seu uso no exterior como uma espécie de soft power capenga pra esconder os crimes de Moscou contra a humanidade. Porém, não devemos esquecer que nem todos os russos apoiam a guerra e que muitos deles, pessoas de alto valor científico, artístico e literário, vivem hoje exilados em países capitalistas desenvolvidos. Por isso mesmo, conhecer a língua russa, e não somente a ucraniana, pode ser uma ferramenta crucial pra entendermos o regime terrorista atualmente em vigor na Rússia e obtermos informações objetivas sobre a agressão contra o vizinho meridional, onde muitos ainda dominam o “idioma de Pushkin” e os soldados da frente de batalha costumam ser mil vezes mais sinceros que a propaganda oficial.

Na verdade, esta publicação e a seguinte consistem em material que ainda restava do minicurso livre de introdução ao russo que ministrei no programa TOPE da Unicamp no 2.º semestre de 2017, mas que levou um pouco mais de tempo pra ser adaptado à página. Percebi que parte dele já tinha sido publicada em 2017 e 2018, também como dicas pra estudantes de russo, sob o mesmo rótulo “Língua russa” que se encontra no final do texto. Mas estes restos que achei faz pouco tempo são mais ricos em exemplos, e não tive tempo de ficar comparando, portanto, assumo a responsabilidade pelas repetições e redundâncias. Adaptei pouco o estilo, fiz algumas correções e acréscimos quando necessário e mantive as explicações em russo que não faço ideia de por que coloquei no material pro curso.

A terceira publicação vai trazer justamente uma lista de outros textos sob o mesmo rótulo, selecionados por sua importância pro estudo mais ou menos aprofundado do idioma. Infelizmente, não é um material pra iniciantes, e sim uma sistematização de noções pra quem já começou a aprender russo, embora também possa ser lido por curiosos que consigam tirar proveito de algumas das explicações dadas. Por isso, comecei com estas observações sobre pronúncia, cujo valor reside em apresentar detalhes de pontos geralmente difíceis até pro estudante avançado (sinas duro e brando, redução vocálica, realização das consoantes brandas), e depois passo pra noções gerais que fazem um apanhado das principais características do idioma, por vezes o comparando com o português.

Reitero que, apesar de meu desejo, não estou disponível pra dar aulas virtuais de qualquer língua que seja, mas posso passar indicações de bons profissionais (também pra inglês, francês etc.), bem como não é difícil os encontrar em diversas redes especializadas. No caso do russo, apenas recomendo que evite professores omissos ou simpáticos à guerra de Putin, pois ocasionais apologias nacionalistas ou patrióticas são abjetas nesse contexto; se ele falar português, mas estiver num dos próprios países que realizam a agressão, então duvide mais ainda, e de preferência rejeite.


ПРОИЗНОШЕНИЕ РУССКОГО ЯЗЫКА
(A PRONÚNCIA DO RUSSO)

В русском языке гласные и согласные звуки (A língua russa possui vogais e consoantes).
Гласные звуки (vogais): А Е Ё И О У Ы Э Ю Я
Согласные звуки (consoantes): Б В Г Д Ж З К Л М Н П Р С Т Ф Х Ц Ч Ш Щ
Полугласный звук (semivogal): Й

Не обозначают звуков (Não representam nenhum som): Ъ (sinal duro), Ь (sinal brando)

Гласные звуки делятся на твердые и мягкие (As vogais se dividem entre duras e brandas).
Твёрдые гласные (vogais duras): А Э Ы О У
Мягкие гласные (vogais brandas): Я Е И Ё Ю

Согласные звуки делятся на звонкие и глухие (As consoantes se dividem entre sonoras e surdas).
Звонкие согласные (consoantes sonoras): Б В Г Д Ж З Л М Н Р (Й)
Глухие согласные (consoantes surdas): П Ф К Т Ш С Х Ц Ч Щ

Согласные звуки делятся на твердые и мягкие (As consoantes se dividem em duras e brandas).
Твёрдые согласные (consoantes duras): Б В Г Д З К Л М Н П Р С Т Ф Х Ж Ц Ш
Мягкие согласные (consoantes brandas): Б’ В’ Г’ Д’ З’ К’ Л’ М’ Н’ П’ Р’ С’ Т’ Ф’ Х’ Й Ч Щ
Всегда твёрдые (São sempre duras): Ж Ц Ш
Всегда мягкие (São sempre brandas): Й Ч Щ

Велярные согласные (consoantes velares): Г К Х
Шипящие согласные (consoantes chiantes): Ж Ч Ш Щ
После велярных согласных пишутся только (Após consoantes velares só podem ser escritas) А, Е, И, О, У.
После шипящих пишутся только (Após consoantes chiantes só podem ser escritas) А, Е, И, Ё, У, но произносятся (mas se pronunciam):

  1. [ЖА], [ЖЭ], [ЖЫ], [ЖО], [ЖУ], [ША], [ШЭ], [ШЫ], [ШО], [ШУ];
  2. [ЧЯ], [ЧЕ], [ЧИ], [ЧЁ], [ЧЮ], [ЩЯ], [ЩЕ], [ЩИ], [ЩЁ], [ЩЮ].


PALATIZAÇÃO

A palatização é um conceito fonético muito importante em russo. Ela se expressa por meio de uma articulação adicional durante a pronúncia das consoantes, em que o dorso da língua se eleva em direção ao palato mole. É como se um “i” semivocálico muito breve fosse pronunciado logo após a consoante, alterando sua natureza.

Quase todas as consoantes aparecem em pares de duras e brandas:

БВГДЗКЛМНПРСТФХ
Б’В’Г’Д’З’К’Л’М’Н’П’Р’С’Т’Ф’Х’

Três consoantes são duas por natureza: Ж, Ц, Ш.
Três consoantes são brandas por natureza: Й, Ч, Щ.

Há três maneiras de se indicar uma consoante branda:

1. Quando ela está antes de uma vogal branda. Neste caso, a vogal branda perde seu som “iotado” (Й) e se pronuncia como sua variante dura, precedida da consoante branda: воля [вольа], тело [тьэла], нёбо [ньоба].

Observação 1: No começo da palavra e após outras vogais, as vogais brandas são pronunciadas com seu som pleno, “iotado”: яблоко [йаблака], маяк [майак], если [йэсли], Краевский [крайэфский], ёлка [йолка], он поёт [он пайот], юг [йук], уютно [уйутна].

Observação 2: A rigor, as vogais Ы e И não se opõem como “iotada” e “não iotada”: não existe som consonantal brando antes de Ы, nem som consonantal duro antes de И.

2. Quando ela é sucedida do sinal brando (Ь).

3. Em algumas combinações, quando ela é sucedida por outra consoante branda (a chamada “dupla palatização”): песня [пьэсьньа], звонкий [звонький], здесь [зьдьэсь], шесть [шэсьть], свет [сьвьэт], дни [дьни], кончит [коньчить].

O sinal brando (Ь) jamais aparece após as seguintes consoantes: Г, К, Х, Ц.

Após as consoantes Ж, Ч, Ш e Щ, o sinal brando não promove nenhuma alteração fonética nessas letras, mas serve apenas como um sinal ortográfico:

1. Indicando o gênero feminino: ложь (mentira), ночь (noite), мышь (camundongo), вещь (coisa). Por outro lado, sempre que um substantivo terminar em chiantes não seguidas de sinal brando, ele será sempre masculino: нож (faca), мяч (bola), карандаш (lápis), плащ (capa de chuva).

2. Separando essas consoantes de vogais brandas que, dessa forma, pronunciam-se em sua forma plena com o som “iotado” (Я = [ЙА], Ё = [ЙО]) etc.: ружьё (espingarda), ночью (à noite), он шьёт (ele costura), с вещью (com um objeto).

Observação 1: No caso de outras consoantes que são seguidas do sinal brando e de uma vogal branda, essa consoante é palatizada e a vogal, pronunciada de forma iotada: семья (família), платье (vestido), он пьёт (ele bebe), я лью кофе (eu sirvo café).

Observação 2: Também é comum a letra И aparecer após o sinal brando: скамьи (bancos de praça, de escola etc.), чьи (cujos, dos quais; de quem, pl.).

3. Alguns verbos no infinitivo também terminam em ЧЬ: печь (assar, cozinhar), мочь (poder), жечь (queimar, arder), беречь (salvar, guardar), помочь (ajudar).


OUTROS ASPECTOS IMPORTANTES

Redução vocálica: Algumas vogais, por causa da menor tensão em sua pronúncia, mudam de qualidade sonora quando são átonas (isto é, quando não estão na sílaba tônica). Assim, sua pronúncia passa a ser diferente, nos seguintes casos:

1. Redução de О para А: a vogal О é sempre pronunciada А quando não está em sílaba tônica (a vogal desta está indicada com sublinhado): гора = [гара], тело = [тьэла], молоко = [малако], молодо = [молада]. O deslocamento da sílaba tônica numa flexão nominal ou verbal também faz valer essa regra: голова [галава] (cabeça) > головы [голавы] (cabeças); хороший [харошый] (bom) > хорошо [харашо] (bem); я смотрю [йа сматрьу] (eu olho) > он смотрит [он смотрит] (ele luta, combate).

Exceção: palavras estrangeiras em que o О aparece depois de outras vogais, quando o О manterá sua pronúncia regular: какао (cacau), радио (rádio), хаос (caos), трио (trio).

2. Redução de Е, Э e Я para И: as três vogais mencionadas têm seu som reduzido ao do И quando são átonas. Quando o Е e o Я estão depois de vogal ou no começo da palavra, vão se pronunciar como um И “iotado” (ou seja, [йи]): Елена [йильэна], поезда [пайизда], экзамен [игзамин], язык [йизык], Маяковский [майикофский].

Observação: Quando a letra Я átona está na posição final da palavra, ela é pronunciada como um [ьа] (após consoante) ou [йа] (após vogal) mesmo: дыня [дыньа], Зоя [зойа].

Pronúncia de И e Э iniciais como Ы: Quando as letras И e Э aparecem no começo da palavra, antecedida por outra que termine em consoante dura, elas vão se pronunciar como Ы, havendo ligação das duas palavras: в Италии [выталии], от имени [атымини], над экватором [надыкватарам].

Observação: Quando o Э for tônico, obviamente ele mantém seu som original: в этом году [вэтамгаду] (tonicidade secundária).

Vocalização e ensurdecimento de consoantes: Como visto acima, as consoantes russas não se opõem apenas entre brandas e duras, mas também entre surdas e sonoras. As consoantes surdas são emitidas sem vibração das cordas vocálicas, e as sonoras, com essa vibração. Muitas consoantes, com o mesmo ponto de articulação na boca, distinguem-se umas das outras apenas por essa presença ou ausência de vibração (vocalização). Essa distinção lhes faz serem distribuídas em pares:

SurdasSonoras
ПБ
КГ
ТД
ШЖ
СЗ
ФВ

É importante lembrar que as mudanças sonoras implicadas pelo contato entre essas consoantes não implicam qualquer alteração da ortografia. As consoantes Х, Ц, Ч e Щ são surdas por natureza (podem se sonorizar por influência de sons vizinhos), e as consoantes Л, М, Н e Р são sempre sonoras, portanto, não têm um equivalente, respectivamente, sonoro ou surdo.

As mudanças relativas a esse fenômeno de vocalização e ensurdecimento são as seguintes:

1. No final de uma palavra, as consoantes sonoras sempre serão pronunciadas como sua equivalente surda, o que vale tanto para as duras quanto para as palatais: год [гот], зуб [зуп], рог [рок], гараж [гараш], раз [рас], лев [льэф]. Mudanças flexionais que mudem essa condição anulam o ensurdecimento: два года (dois anos), зубы (dentes), рога (chifres), в гараже (na garagem), ни разу (nenhuma vez), льва (do leão).

Observação: Isso vale também para encontros consonantais no fim da palavra: поезд [пойист], mas поезда (trens); мозг [моск], mas мозги (cérebros).

2. Num encontro consonantal, se a última letra for surda, ela ensurdece as demais, caso sejam sonoras; e vice-versa, ou seja, se a última letra for sonora, ela vocaliza as demais, caso sejam surdas: водка [вотка], бывшый [быфшый], вторник [фторник], подскок [патскок], обсудить [апсудить]; отзыв [одзыф], футбол [фудбол], сдача [здача], также [тагжы], сгореть [згарьэть].

3. Observe que em russo, a maioria das preposições se une à palavra seguinte, formando uma só unidade de sentido e pronunciação. A consoante final delas é vocalizada ou ensurdecida, conforme a situação, o que é bem verdade para as preposições compostas de uma só consoante: в саду [фсаду], без тебя [бистибьа], из Киева [искиива], к дому [гдому], от Греции [адгрьэцыы], с дедом [здьэдам], над столом [натсталом].

4. A letra В é uma exceção: ela não sonoriza consoantes anteriores: квас (kvas, bebida fermentada), não [гвас]; ответ (resposta), não [адвьэт]; свадьба (casamento), não [звадьба]. As letras Л, М, Н e Р também não sonorizam as consoantes precedentes: слон (elefante), não [злон]; окно (janela), não [агно]; отмена (anulação, revogação), não [адмьэна].



terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Tentei instalar o aplicativo russo MAX

O aplicativo de mensagens MAX, que Vladimir Putin praticamente obrigou o serviço público a usar e pelo qual ele quer substituir o WhatsApp e o Telegram, só está disponível num punhado de países, a maioria deles antigas repúblicas da União Soviética ou membros da CEI, países ainda socialistas e alguns “párias” globais que ainda acham frequentável o ditador cuja crueldade só perde pra de Stalin. Isso, apesar da Jararaca ir até a Praça Vermelha lamber o saco do ex-espião, ornar-se com uma fita de são Jorge suja com o sangue dos ucranianos e frequentar a ritualmente esvaziada Parada da Vitória em 9 de maio de 2025, como se a Europa Oriental não estivesse neste exato momento sendo palco de alguns dos piores crimes contra a humanidade (sem contar República Democrática do Congo, Sudão, Mianmar, Iêmen, região do Sahel etc.).

Essa é a tela que encontramos quando queremos baixar pela Play Store “o aplicativo que pega até em garagem subterrânea”: indisponível na Banânia. Ora, mas quem é que precisa da intermediação de estadunidense monopolista imperialista capitalista sionista taxista onanista revista autopista? Vamos ligar o VPN como se estivéssemos na Moscóvia, usemos um navegador menos suspeito e entremos diretamente no website oficial pra baixar a versão pra computador! (Tá, confesso, tive uns enroscos com meu smartphone, mas acho que o resultado não ia ser diferente...)

Cinão vegemos: o MAX afirma nos oferecer “O máximo de possibilidades pra vida: um aplicativo rápido e leve pra se comunicar e resolver as tarefas do dia a dia”. Sinceramente, pra um regime xenofóbico como o putinista atual, me impressiono como ele tenha escolhido um nome latino pra batizar seu próprio WeChat (“Weixin”, ou “micromensagem”, na China). Em prol da coerência e conforme o significado, deveria se chamar Bolsh, que deve te evocar alguma coisa e, portanto, certamente faria um baita sucesso entre as viúvas ocidentais do stalinismo:



Após enjoar de ver tanta cara branca, magra, feminina, bem arrumada e feliz da vida nas animações de propaganda, rolo um pouco mais a tela e encontro as fontes possíveis pra baixar. Devemos obviamente escolher a última, “Para computador”, já que os GAFAM são “russofóbicos”, pela definição atual da Vulgata:


Chegando na tela “Bolsh MAX para computador”, devemos escolher nosso sistema operacional. Já que sou mais uma vítima do monopólio, preciso optar por baixar o programa pra Windows, pois a “Versão web” à direita e abaixo só funcionam, assim como o WhatsApp, escaneando um QR-code com o aplicativo já instalado no celular:


A uma incrível taxa de transferência, pouco menos de duas horas depois (eu acho, não calculei bem), baixei os enormes 296 MB, levando em conta, claro, o fato de estar com VPN, localizado na RSFSR etc...


Após nos saudar (rs), o instalador nos pergunta se queremos seguir adiante (dáleie) ou se queremos cancelar o processo (otména). Claro que quero entrar nesse novo mundo:


Tudo “aprontado”, temos a opção de “voltar pra trás” pra corrigirmos alguma coisa (nazád), instalar logo de uma vez (ustanovít) ou, mais uma vez, desistir enquanto temos tempo de escapar das malhas do FSB:


Enfim, a instalação está pronta! Com o botão “Pronto” (gotóvo), finalmente podemos desfrutar dessa belezura! Poderia ser mais fácil e intuitivo?


Só que não... O Máximo Bolchevique finalmente nos pergunta “Com que número de telefone você deseja entrar? Vamos enviar para ele um SMS com o código.” E pra nossa surpresa são permitidos apenas telefones de um punhado de países, além do próprio Império (copiei os prints do menu rolado numa imagem só): Belarus, Azerbaijão, Armênia, Vietnã, Geórgia, Indonésia, Cazaquistão, Camboja, Cuba, Quirguistão, Laos, Malásia, Moldova, Emirados Árabes Unidos, Tajiquistão, Tailândia, Turcomenistão, Turquia e Usbequistão.

Quase toda a rabeira do Índice Global de Democracia. Todos socialistas, “ex-soviéticos” ou muito hesitantes em condenar as agressões moscovitas. Nenhum país “ocidental”, exceto Cuba, muito menos da UE, nenhum país africano, que dirá a Pequena Rússia Ucrânia e sua “junta de Quiévi”. Nem mesmo a “amiga indestrutível” China. A Coreia do Norte só não tá porque eles têm intranet. A Turquia corta pra todo lado, com um hiperlateralismo que mais parece o símbolo do CHP da oposição kemalista do que o partido bolsoislâmico no poder. A Tailândia é um ninho de golpes (nos dois sentidos). A Moldova (milagre: não está escrito “Moldávia”, assim como está “Belarus”, e não “Bielorrússia”!), cuja situação conheço bastante bem, tem uma “minoria russa” considerável e ótima como fator de desestabilização das atuais tentativas de aproximar o país cada vez mais da adesão à UE:


E assim acabou minha aventura. Obrigado pela atenção, pessoal, e ótimo Carnaval, sem repressão nem aplicativos espiões!


quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Concurso de História da República (USP)

Este homem de boina é Lincoln Secco, professor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH/USP). Lindo, tesão, bonito e gostosão, todos já sabemos. Mas este é um momento peculiar: a aplicação da prova escrita, na manhã de 9 de dezembro de 2025, pro concurso de professor doutor em História do Brasil República no Departamento de História da mesma FFLCH. Sim, foi pouco antes do início da aplicação. Sim, o evento não era público. Sim, Lincoln não me deu autorização pra que eu o fotografasse. Porém, ele não está fazendo nada de mais (tipo usando uma sunguinha de onça), não estou revelando nenhum segredo protegido por contrato e não há qualquer montagem por IA, essa praga que hoje assola nossas relações sociais. Ele está apenas de pé, apoiado numa mesa e segurando seu exemplar do dia da Folha de S. Paulo com o novo tamanho zoomer.

Como se pode deduzir do que eu escrevi acima, participei do concurso: era a primeira vez que ia à FFLCH sozinho, de carro, desde maio de 2019, quando conheci o local ao ler uma comunicação num evento de Humanas. A prova escrita teve a peculiaridade de não ter “nenhuma chamada”, ou seja, sorteado um dos pontos anunciados no edital (neste caso o 9, isto é, “O uso da violência como política de Estado: fundamentação e políticas repressivas”), simplesmente tínhamos que nos virar. Minha primeira ideia foi fazer um texto dissertativo, no modelo de uma redação de vestibular, versando sobre o tema, com o tamanho e conteúdo que você pode ver abaixo. Novamente, pra tornar as coisas “mais rápidas”, não digitei nem digitalizei o texto, mas apaguei as rubricas dos cinco professores da banca, que estavam embaixo. Na primeira hora, antes de começarmos a redigir o texto final, pudemos consultar todo o material que conseguíssemos trazer; como na parte propriamente “histórica” eu achava que me garantia, tentei apenas trazer livros sobre temas “transversais”, como gênero, raça e esse ponto 9 que caiu.

Por sorte, me deu na cachola de trazer o Estratégias da ilusão, de Paulo Sérgio Pinheiro, sobre a estratégia da Comintern pra América Latina, mas que tem o famoso “livro dentro do livro” – um capítulo que trata da violência institucionalizada pelo Estado e seu recorte classista –, e duas coletâneas com artigos publicados pelo centro de pesquisa ao qual eu era afiliado na Unicamp, o CECULT, sobre cultura popular e manifestações sociais. Não tive problemas em redigir tudo à mão de uma vez, embora eu não ache ideal minha própria letra manuscrita; na verdade, ninguém nunca gosta da própria, mas garanto que se eu optasse pela cursiva que aprendemos na escola, ia sair muito pior do que esse estilo “americano”. À tarde, li esta cópia da prova, que me foi dada, em voz alta diante da banca, procedimento considerado arcaico e que muitas universidades já abandonaram.

No dia seguinte, as “leituras” continuariam, mas o primeiro imprevisto foi um acidente nesse mesmo dia 10 com uma das membras da banca, dia em que São Paulo também sofreu com uma ventania histórica como não se registrava desde a década de 1960. O processo foi imediatamente suspenso, e recebemos por e-mail o comunicado de que as outras leituras e o anúncio do resultado parcial tinham sido postergados pra 3 de fevereiro de 2026. Minha ansiedade continuou nesses quase dois meses, pois ainda por cima não sabia se valeria a pena estudar mais um pouco, mesmo não sabendo se passaria ou não pra segunda fase (arguição do dossiê e prova didática). No dia marcado, fui à capital só pra saber que eu tinha sido eliminado, portanto, acredito que tudo o que se encontra aqui pode “passar pra história”...

Se você não gosta de homens maduros de boina apoiados numa mesa e segurando um jornal, deixo outras duas imagens mais saborosas, antes do “saber sabor”: meus respectivos almoços dos dias 8 (estrogonofe) e 9 (lasanha) de dezembro no restaurante italiano que fica no subsolo do “prédio das Letras” da FFLCH e que recomendo fortemente, rs:



















quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

A ciência de viver bem... em 2006

Nunca assinei revistas, mas de 2003 a 2005 eu comprava na banca toda semana a revista Mundo Estranho, que inicialmente era mais voltada pra educação e curiosidades, mas depois foi se tornando um pastiche chato de entretenimento nerd (do qual nunca gostei). Ela era fininha, portanto, mais confortável de manejar e mais rápida de ler, mas depois fiz minha transição pra realmente densa Superinteressante, com matérias mais longas e mais exigentes de atenção, a qual comprei até 2007. Achei nela o mesmo conteúdo de que a Mundo Estranho, a meu ver, começou a carecer, mas com o tempo os temas também se tornaram desinteressantes ou apelativos e minhas horas livres pra concentração, agora dedicadas à graduação em História, foram escasseando.

Pode parecer estranho, mas não fui um nerd “típico” como se podia pensar de um adolescente da primeira metade dos 2000. Meu lance sempre foram os estudos normais e a busca por conhecer mais assuntos internacionais, e não diversões, filmes, jogos e literatura com conteúdo peculiar, fantástico ou complexo, em comparação com o padrão idiota de uma revista Capricho ou de uma MTV da vida. Por isso, curiosamente, assuntos que já em 2006-2007 não me atraíam muito eram incursões exaustivas em exatas e biológicas e até mesmo séries (incluindo as distópicas) estrangeiras! E quanto mais as revistas iam passando pra essa pegada de “cultura pop”, mais eu as ia deixando.

Mesmo assim, mantive pequenas coleções de ambas as revistas por alguns anos (eu tinha guardadas até mesmo umas Veja com matérias que tinham me agradado muito, rs), mas antes de me desfazer delas, escaneei esta matéria não muito longa, saída há pouco mais de 20 anos e que me impressionou muito na época. Eu guardo um afeto por ela porque exatamente nessa época fiz o vestibular e entrei na faculdade, olha só, duas décadas redondas! Com texto de uma tal Mariana Sgarioni e somada ao “descolado” editorial do jornalista Denis Russo (que se tornaria um objeto de ódio do finado Olavo de Carvalho no futuro), essa peça em pleno apogeu do Orkut e pouco anterior à era dos smartphones me impressiona em retrospecto por duas razões: a pertinência, até maior e muito mais comprovada, de vários dos conselhos citados e o abismo entre o tipo de sociedade a que leitores e editores aspiravam na época e o fosso civilizacional, com pitadas do velho apocalipse nuclear da “guerra fria”, em que parecemos nos encontrar em 2026!

Se “Está bom 2006” pra quem ainda se informava basicamente pela imprensa e pela TV, quando até os portais de notícias estavam engatinhando e Denis Russo externalizava seu humor de tiozão pra comemorar o sucesso de vendas, 2026 consegue estar medonho até pra quem, com o celular na chupeta (não aquele, claro, de telinha azul e que só suportava ligação e SMS!), já nasceu no início daquela década, quando mendigamos curtidas, visualizações e comentários num oceano de violência gratuita e, coroando a “era da pós-verdade”, montagens por IA. A passagem do tempo consegue tornar as coisas tão engraçadas ou constrangedoras que só a capa acima já traz elementos sobre os quais poderia passar horas dissertando:

  • A copa da Alemanha, quatro anos depois da euforia do “penta” sobre a mesma Alemanha e que inauguraria nossa “maldição das quartas” com aquela suspeita “arrumada na meia” por Roberto Carlos e a derrota por um único gol da França após esse arroubo estético.
  • Como assim, “Por que os gays são gays”??? Cada um faz o que quiser da vida, e hoje já nem cabe tanta letra no antigo “GLS”, pra não falar das “dezenas de gêneros” (como diria Putin) que atemorizam os criadores de formulários!
  • “A revolução do software livre”... caí de rir de minha cadeira! Esse era o mantra de meus conhecidos fissurados em Linux, mas depois dos GAFAM, foi mais um sonho que passou.
  • O melhor drone, ops, avião de papel do mundo... A Ucrânia não gostou nada disso!
  • “Você já quis matar alguém?” Melhor ficar quieto, ainda mais que hoje, com as redes antissociais, você não precisa “querer”, mas já ameaça alguém diretamente! E tenho um pensamento sério pelas cada vez mais frequentes vítimas de feminicídio.

Por preguiça e ânsia de produção, não copiei o texto de meu PDF codificado, mas apenas transformei o arquivo em várias imagens separadas. Se alguém se interessar pela cópia original, pode entrar em contato comigo por comentário ou outros meios, e eu repasso por e-mail. O legal é que o “Desligue a TV” me lembra muito uma comunidade orkutiana chamada “Desligue a TV e vá ler um livro”, que pelo jeito não deixou adeptos, rs. Não colar a cara no computador (que nem era visto como um “perigo”), então, nem previa o dano generalizado que os smartphones iam causar em nosso organismo. Pra não falar das vacinas.

Tire suas próprias conclusões sobre 2006 ou 2026 (e 2016, Dilma?) estar ou ter sido bom ou ruim... E lembre-se: use camisinha antes de comer macacos!























terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Turismo na República Checa (2026)

Este folheto de 12 páginas veio junto com uma revista de viagens da Editora Europa que minha mãe assina. Coloquei o ano porque se alguém chegar aqui no futuro, algumas informações podem ter envelhecido, descontados os dados culturais em geral. Não é meu objetivo nem fui pago pra fazer propaganda da agência nem do consulado checo no Brasil, apenas achei as imagens bonitas e decidi reproduzir aqui, rs. Quem sabe você mesmo não ache útil o conteúdo? Portanto, bom proveito!

De fato, existe essa oscilação na ortografia e na nomenclatura. O gentílico “tcheco” imita a pronúncia original, mas como o som “tch” não é nativo do português, tem sido habitual assimilar pra “checo”; ambas as formas são consideradas corretas, embora eu sempre prefira tudo o que seja o mais assimilado possível. Quanto ao país, “República (T)Checa” sempre foi comum, porque ela só existe separada da Eslováquia desde 1993 e nos acostumamos ao nome oficial. A forma abreviada, mais prática, já é comum em inglês (Czechia) e em alguns idiomas da região e está ganhando espaço no português; portanto, apesar do título desta publicação, sempre que possível uso e vou usar Chéquia na página.