segunda-feira, 20 de julho de 2026

ACABOU, COPA: vai ter memes sim!

No último dia da Copa do Mundo do Catar, em 2022, também fiz uma coletânea dos melhores memes deixados pela competição, então coletados no Équis (que ainda se chamava Twitter) e em algumas outras fontes. Com minha conta secreta feita no “esgotão da internet” só pra acessar determinados conteúdos (já que hoje a maioria das redes antissociais limita a visibilidade sem fazer login), nem precisei realizar buscas por determinados termos ou clicar num trending topic pra saber “O que está acontecendo” (eterno slogan da empresa): o algarismo do Ilomasque é tão poderoso que a página inicial já jorrava conteúdos sobre a histórica final entre o Califado de Córdoba, que saiu vencedor, e as Províncias Unidas do Rio da Prata.

Porém, ao contrário daquele inusitado dezembro em que ocorria tal evento, meu foco hoje foi exatamente na final, com dois assuntos principais: as incontáveis remontagens da foto de 2007, em que Lionel Messi jovem dá banho em Lamine Yamal bebê pra uma campanha da UNICEF (o ibérico é filho de imigrantes, um marroquino e uma equato-guineense), e a raiva dos platinos pelas falhas no ataque e pela consequente derrota, com direito a ódio descontado no presidente “libertino” Javier Milei. Muito mais que os bananeiros, nossos vizinhos do sul resolveram ligar o desempenho do time com o contexto político e, nessa onde de fúria, aprendi a palavra “mufa” (que significa “azar” no lunfardo portenho, ou a tão tropical “zica”) e descobri que o locatário da Quinta de Olivos tem entre seus inimigos o apelido “La Gorda”, rs!

A própria análise das publicações já mostra um salto tecnológico enorme em relação a três anos e meio atrás. O primeiro aspecto evidente é a quantidade, isto é, ao contrário do que rezavam os mal-amados do Esquerdistão acadêmico, o Équis não faliu com sua aquisição pelo Quico dos Foguetes, mas cresceu bem mais do que antes, e a toxina não parou de aumentar, apesar do controle imposto por certos Estados devido a situações que já estavam degringolando. Outras gerações foram chegando, e lá estavam elas na “rede de microblogues”, e não apenas no Teco-Teco chinês; em todo caso, não posso comparar com outras redes, porque não as explorei. O segundo aspecto é a qualidade das montagens, visível pra quem vir minha publicação de 2022: antes podia se falar propriamente de “montagem” porque basicamente eram sobrepostos recursos gráficos já existentes, sobretudo bandeiras nacionais em cima de pessoas. Com o advento e popularização da inteligência artificial (IA) a partir de 2023, as próprias situações passaram a ser criadas (som, áudio e vídeo), graficamente não se distinguindo de algo realmente acontecido. Pra manipular notícias é péssimo, mas pra diversão e humor é maravilhoso!

Dado que a maior parte da polêmica se concentrou em torno do quase aposentado “Piponel” (desempenho, atitudes e suposto conluio com a FIFA), não pude deixar de repetir o “Pessi” no endereço curto pra esta publicação. Apesar da campanha heroica dos “hermanos”, essa degringolada diante da “Roja” não deixou de suscitar dúvidas sobre a probidade dos jogos anteriores, como bem levantei anteontem. Mas basicamente, meu objetivo ontem foi procurar “inversões” da citada foto de 2007, que inevitavelmente eu sabia que iam fazer, me poupando trabalho de tentar algo nessa direção. E como eu disse, o salto tecnológico não só multiplicou o número dessas iniciativas, mas também permitiu que até vídeos fossem inspirados na cena!

E a briga não para! Hoje mesmo no Équis, entre os perdedores há o sentimento de frustração com o chefe de Estado, pois muitos jogadores não teriam retornado por causa de suas declarações contra o uso do bordão “Las Malvinas son argentinas” no jogo contra os donos das Falklands. Segundo “La Gorda”, não seria com palavras de ordem “adolescentes” como essa que o arquipélago seria recuperado; confessemos, essa é a última das prioridades do admirador assumido de Margaret Thatcher. No mesmo esgotão, têm circulado imagens de policiais agredindo torcedores albicelestes no Rio de Janeiro, com comentários de conterrâneos criticando a “animalidade” de nossas forças da ordem. De fato, são tomadas tiradas de contexto, omitindo quem começava realmente as confusões...

Bem, mas vamos ao que interessa. Em primeiro lugar, a razão de ser desta publicação, que é a inusitada situação histórica de ver um bebê sendo banhando por um adulto ganhar uma final de Copa contra esse mesmo adulto anos depois, rs. A conta da qual tirei esta montagem que rodou o mundo é brasileira, mas as variações se multiplicaram:







Taí a Ousadia e Alegria que o Neymar NUNCA vai ter:


Qual desses é o verdadeiro “Méçi Careca” tratorado? Rs:

      


Aos 50 segundos, a cambalhota do nada, kkkkk:


Originalmente eu tinha baixado desta publicação, mas ela foi apagada por razões de direitos autorais e outra conta também publicou. Se alguém ainda subestimava a grosseria e violência do time e torcida da AFA, a afirmação viva está na cena deplorável após o apito final, num nível que nem a CBF, fosse ou não numa final, jamais desceu:


Alguns, infelizmente, tiveram muito o que perder com esta Cópula (eu jurava que, assim como nos bombardeios do Laranjão, ele tinha conseguido um “insider”, rs):


Agora, uma exploração mais detida do lado derrotado. Este print do canal Todo Noticias me lembra uma piada antiga que se fosse contada usando o jogo de ontem, ficaria da seguinte maneira: “E termina a final da Copa do Mundo, com vitória da Espanha por um gol e zero GOLAAAÇOS da Argentina!”


Eis a coleção de imprecações que misturaram decepção com o Pessi, ódio ao Javier Gerardo (por ideologia ou pela ausência supersticiosa do estádio – “é a cabala”...) e ironia porque o presidente já teria desejado “evitar o vexame”, rs:




“Hambrientina”: trocadilho entre “hambriento” (faminto) e “Argentina”.











Bardear al plantel” significa “ofender uma equipe esportiva”.



sábado, 18 de julho de 2026

Sorria: a Argentina pode estar roubando


erickfishuk.blogspot.com/pessi



Este meme resume a publicação. Pesquise a respeito.


Se já não disse aqui, escrevo agora: não gosto nem de jogar nem de assistir a futebol e só me interesso por ele na medida em que se relaciona a temas de minha predileção, como história, política, geopolítica, culturas e idiomas. E humor também, claro. E pra minha alegria, cada Copa do Mundo tem se tornado sempre mais geopolítica, sendo a deste ano o ápice do processo. A começar por se realizar em três países ao mesmo tempo, sendo que um deles, o Zesteite, se situa “de sanduíche” entre os outros dois, os quais, pra piorar, estão com as relações diplomáticas azedadas com o primeiro. E sempre pode ficar ainda pior: os três logo caíram fora do torneio, e o Canadá está literalmente “esfumaçando” a final que vai se realizar no vizinho do sul.

A coisa fica ainda mais divertida com a popularização das redes sociais, hoje facilmente portáveis nos smartphones a um bolso de distância. Mesmo quem não as usa acaba recebendo respingos das intermináveis discussões, com seus memes, polêmicas e virais de todo tipo, um novo modo de expressão a ser estudado pela história cultural. Por essas razões, mesmo em se tratando da campanha abominável da çelessão Canalhinha, ela se torna assunto entre todos os jornalistas e figuras públicas e condiciona a relação do gado trouxa público com o resto da competição. E o que pode mais eriçar um tupiniquim senão um sucesso da eterna rival Argentina, pior, sua segunda chegada consecutiva ao final do certame? Por alguns instantes a crônica bananeira se precipitou em comparar o que “nós” erramos com o que “eles” acertaram, mas mesmo do exterior podemos perceber que a coisa não é direta assim.

Quero testemunhar a impressão positiva que me têm despertado os textos de Milly Lacombe no UOL, a besta-fera da Machosfera horrorizada com sua intromissão “woke” num âmbito outrora monopolizado por bovinos de barrigão Pilsen e pinto murcho. Reconheço que também sou “uouquista” (não “oquista”, atenção!), mas não sou radical, e também julgo que a Milly não é. Concomitantes ao avanço da horda do Méçi Careca de fase em fase, começaram a aparecer vídeos de youtubers lixo tentando dissertar “Por que a Argentina é um país tão racista?”, sugeridos até junto a programas estrangeiros nada a ver com o assunto e que sigo regularmente. Pra meu alívio e agrado, a Milly fez um ótimo contraponto a esse antirracismo freestyle, dizendo que nossa história teve um racismo muito mais violento materializado na escravidão e que ele continua até hoje estruturando nossas relações sociais. Eu acrescentaria que justamente o fato de nossa equipe, ao contrário da argentina, contar com muitos jogadores de cor (até porque técnico negro nunca vi; feliz foi Pelé que não enveredou pela mesma cilada do Marabola!), assistidos por um público majoritariamente descorado, só mostra que esse foi um dos poucos espaços em que lhes foi permitido alcançar destaque, em detrimento da política, da economia e da ciência.

O destino me pegou de surpresa: e não é que jornalistas de outros países começaram justamente a apontar a dimensão inaudita do racismo na torcida platina, sem contar outros trambiques que estariam favorecendo os tricampeões? De fato, exceto casos isolados que ocorrem em nossos próprios campeonatos nacionais, nunca vi os fanáticos amarelentos imitarem símios, jogarem bananas ou gritarem ofensas contra a melanina alheia. Isso não limpa a ignomínia de como o tecido social do Gigante Adormecido (e jamais despertado) foi construído, mas talvez eu (e a Milly?) tenha subestimado a vergonha alheia que os hermanos despertam em quem compartilha com eles a mesma arquibancada. E dois artigos da mídia estrangeira me despertaram justamente pra essa reflexão, além de trazer elementos interessantíssimos pra deixarem as neymarzetes com a pulga atrás da orelha.

O primeiro é uma reportagem de Adèle Léron publicada na RFI francesa e intitulada “Copa do Mundo de 2026: por que a Argentina é alvo de suspeitas de favoritismo?”, e o segundo é uma entrevista dada pelo escritor Adam Elder ao jornalista George Louis Martínez, da americana NPR e intitulada “Por que muitos fãs de futebol podem torcer contra a Argentina na final da Copa?”. De família equatoriana, George usa o apelido “A Martínez” (assim mesmo, sem ponto, lê-se “ei Martínez”), mas aqui me referi a ele como “George Martínez” por praticidade. Também não mantive os links do original francês nem adicionei notas explicativas pra certas pessoas e coisas. Sugiro uma pesquisa à parte, especialmente o caso de IShowSpeed.

Da série “traduzi sem autorização, phodasse”, no caso da entrevista, como ela não veio com uma transcrição, obtive-a usando esta ferramenta online quase perfeita, devendo ter o resultado cotejado com o áudio, sobretudo quando as pessoas falam meio rápido, o que ocorreu na conversa. Pra fins de pesquisa e registro histórico de raridades, mantive a transcrição do áudio da NPR, após revisar a redação, em especial a divisão de parágrafos, que o site faz de modo totalmente aleatório. Se alguém mais entendido que eu em termos técnicos do ludopédio quiser sugerir alguma escolha melhor pra tradução, sobretudo se souber um pouco de inglês e francês, comente à vontade. Boa leitura e, pra quem for assistir, boa final:



Após se classificar pras semifinais da Copa do Mundo de 2026 com uma campanha considerada fácil e marcada por diversas decisões controversas da arbitragem, a Argentina se tornou alvo de acusações de favorecimento. No centro das críticas está Lionel Messi, pra quem esta Copa, apresentada como a última, alimenta fantasmas, teorias e desconfiança com relação à FIFA.

“Lionel Messi consegue seu juiz favorito pra semifinal Inglaterra-Argentina.” A manchete do Daily Mail dá o tom. Na véspera do confronto entre as duas seleções, o tabloide britânico reacende as acusações de favoritismo contra o time argentino.

Apresentado como “o juiz favorito” do capitão argentino , a nomeação do americano Ismail Elfath reforça em muitos a crença de que Lionel Messi estaria obtendo um tratamento preferencial nesta Copa do Mundo.

Essas teorias surgiram antes mesmo do início da Copa. Em 5 de dezembro de 2025, durante o sorteio, internautas já expressavam surpresa com os adversários oferecidos à Argentina. Um passeio, segundo alguns. A Albiceleste enfrentaria Argélia, a Jordânia e, enfim, a Áustria. Depois, Cabo Verde nos 16 avos de final [sim, esse é o nome oficial em português da bizarrice inventada por Infantino...], o Egito nas oitavas e, finalmente, a Suíça nas quartas. Esse trajeto alimentou suspeitas: até as semifinais, Lionel Messi e seus companheiros não teriam enfrentado nenhuma seleção entre as dez melhores da classificação da FIFA. Isso seria, aliás, inédito na história das Copas.

De forma inversa, os outros semifinalistas tiveram um torneio mais difícil. A França enfrentou o Senegal (3x1) e o Marrocos (2x0), ambos finalistas da última Copa Africana de Nações, além da Noruega, que eliminou o Brasil. A Espanha se livrou de Portugal e depois da Bélgica, enquanto a Inglaterra precisou derrotar o México antes de eliminar a Noruega de Erling Haaland.

No papel, portanto, o caminho da Argentina parece bem mais suportável que o de seus principais concorrentes.

Arbitragem polêmica – Um sorteio favorável, mas também decisões da arbitragem que estão sendo criticadas.

Logo na primeira partida contra a Argélia, Messi escapou de qualquer punição após esmagar o tornozelo de Aïssa Mandi na primeira meia-hora de jogo. No entanto, o ex-árbitro internacional Bruno Derrien considera que o camisa 10 “podia ter sido expulso”. Amplamente dominada, a Argélia acabou perdendo por 3x0, e seu técnico anunciou que iria exigir explicações da FIFA.

As partidas seguintes reforçaram ainda mais essa impressão entre alguns torcedores. A partir das fases eliminatórias, a Argentina teve dificuldades pra vencer. Em três ocasiões, os campeões do mundo foram atropelados, chegando a ficar atrás no placar. E em todas elas, as decisões da arbitragem inverteram o rumo dos jogos.

Primeiro, contra Cabo Verde. Incapaz de superar a 64.ª colocada na classificação mundial, a Albiceleste se beneficiou de várias intervenções controversas: uma falta na entrada da área em Hélio Varela que não foi punida, um toque de mão de Cristian Medina que também passou imune e uma falta cobrada às pressas por Lionel Messi enquanto o goleiro Vozinha ainda tomava posição na trave. A Argentina acabou vencendo por 3x2 nos acréscimos.

Os técnicos tomam partido – No jogo contra o Egito, o cenário se repetiu. Perdendo por 2x0 até os 79 minutos, a Albiceleste conseguiu virar (3x2). Após o jogo, o técnico egípcio exigiu a demissão do juiz francês François Letexier. Ele citou especificamente um pênalti não marcado após um puxão na camisa de Hamdy Fathy, um contato entre Mohamed Salah e Julián Álvarez na área e a anulação de um gol egípcio após revisão do VAR.

Finalmente, contra a Suíça. Dominada durante grande parte do jogo, a Argentina se aproveitou de um inesperado empurrão do destino. Aos 71 minutos, após revisão do VAR, o juiz português João Pinheiro anulou o cartão amarelo do argentino Paredes e o deu a Breel Embolo por simulação.

Já com esse cartão, o atacante suíço foi expulso e deixou o campo, deixando seu time com dez jogadores. Após o jogo, o técnico suíço denunciaria “cotoveladas, cabeçadas e soladas” que ficaram impunes.

À medida que a Argentina avança na Copa, apanhados de decisões controversas se multiplicam no TikTok e no X. Uma delas, intitulada “Uma compilação de nove minutos de faltas cometidas pela Argentina contra a Suíça sem consequências”, já soma centenas de milhares de visualizações.

Outros internautas também se surpreenderam com os meros três minutos de acréscimo concedidos contra Cabo Verde, enquanto outros jogos da Copa obtiveram seis ou até dez minutos, devido às pausas pra hidratação.

Messi no centro das teorias – Essas suspeitas não são novas. Ainda durante a vitória da Argentina no Catar em 2022, diversas decisões da arbitragem alimentaram o debate. A Albiceleste, em particular, foi beneficiada com cinco pênaltis, mais que qualquer outra seleção naquela Copa.

É principalmente a figura de Lionel Messi que alimenta essas teorias. Em 2017, Gianni Infantino declarou ao La Nación que “seria injusto Messi se aposentar sem ter conquistado uma Copa do Mundo”, acrescentando que o argentino precisava “marcar sua época”, tal como Diego Maradona tinha feito.

Aos 39 anos, esta edição é apresentada como a última Copa do camisa 10. A conquista do título selaria definitivamente seu espaço entre os maiores jogadores da história. Com ou sem a ajuda dos juízes...



George Martínez – Não é difícil adivinhar que os torcedores da seleção espanhola de futebol vão torcer contra a Argentina este fim de semana, quando os dois times se enfrentarem na final da Copa do Mundo, mas há muito mais gente ao redor do mundo torcendo pra que a Argentina perca. Adam Elder é um escritor especializado em esportes e cultura. Adam, o que há no estilo de jogo da Argentina que, historicamente, gera tanta rejeição?

Adam Elder – Pois é, há muita coisa envolvida aí. A Argentina ganhou três Copas, mas sempre teve um estilo que divide opiniões. Eles conseguem jogar com talento e, claro, têm Lionel Messi, mas também sabem jogar com brutalidade, digamos, chutando o adversário, subindo nas costas, derrubando com força, pressionando o juiz. Tudo isso é comum na América Latina. Tanto é que escrevi sobre isso num livro meu, mas a questão é que ninguém faz isso melhor que a Argentina.

Eles basicamente conseguem jogar tanto em alto nível quanto de forma muito baixa, e com frequência os vemos fazendo as duas coisas. Além disso, há episódios bem documentados de racismo da parte de torcedores e jogadores, com músicas e outras manifestações, especialmente contra pessoas negras; seja contra a seleção francesa, composta em grande parte por jogadores negros, ou espectadores famosos, como o streamer IShowSpeed na Copa deste ano.

GM – É, houve muito disso, o que anda prejudicando a imagem da Argentina, mas quatro anos atrás a situação parecia diferente. Parecia que as pessoas queriam ver Lionel Messi ganhar uma Copa. Então, o que realmente mudou de lá para cá?

AE – Muita coisa mudou durante esta edição. Eles chegaram como os atuais campeões, e a trajetória tem sido incrível. Lionel Messi, aos 39 anos, liderando o time na reta final de sua carreira. Ele marcou seis gols, se não me engano, nos três primeiros jogos, e as partidas têm parecido eventos quase religiosos. A emoção é avassaladora: a paixão, o barulho. É uma grande história.

O problema é que muitos têm a impressão de que a FIFA, entidade vilã que comanda o futebol, também gosta muito dessa narrativa, se você olhar de um certo ângulo. É quase como se as coisas tivessem tomado outro rumo após a fase de grupos – depois que a Argentina por pouco superou Cabo Verde, a indiscutível zebra da Copa –, pois, nos três jogos seguintes, muitos torcedores diriam que a Argentina foi beneficiada por decisões generosas da arbitragem, pelo uso muito generoso do VAR [o que inclusive fez os brasileiros criarem o apelido “VARgentina”!] e também pela falta de uso dele quando talvez fosse necessário.

Então, como acabei de dizer, a FIFA já aparece por si só como vilã; junte a isso o estilo de jogo peculiar da Argentina, as viradas incríveis que a seleção protagonizou e, talvez, uma arbitragem favorável, e chegamos ao cenário atual.

GM – Há décadas existe o sentimento, entre muitos latino-americanos, de que os argentinos se consideram superiores de alguma forma, o que faz com que sempre torçam contra eles. Mas o que você acha da ironia de que, neste caso, os latino-americanos prefiram torcer pra Espanha, nação que por séculos colonizou a América Latina?

AE – Pois é, esse é só um dos aspectos. Parece que sob vários pontos de vista vai ser um grande confronto. Obviamente há implicações ligadas à colonização e, veja bem, se a Argentina jogar como tem jogado em toda esta Copa – algo que, como discutimos, tem se desenvolvido mais ou menos por cinco semanas –, vai ser um jogo realmente interessante. Não vejo a hora de assistir e, pra ser claro, acho que tudo isso faz dos esportes algo bem melhor. Adoro ter um vilão. Claro, sou escritor, mas pessoalmente adoro isso.



George Martínez – It’s an easy assumption that fans of Spain’s national soccer team will be rooting against Argentina this weekend when the two teams face off in the World Cup final, but there are a lot more people around the world hoping Argentina loses. Adam Elder is a sports and culture writer. Adam, so what’s about the way Argentina plays that’s historically been unpopular?

Adam Elder – Oh boy, there’s so much going on here. Well, Argentina’s won three World Cups, but they’ve always had a style that’s very polarizing. You know, they can play with flair, and of course they have Lionel Messi, but they can also play with brutality, let’s say, kicking you, climbing on you, chopping you down, working the ref. This stuff is common throughout Latin America. In fact, I wrote about it in a book of mine, but the thing is, no one does this stuff better than Argentina.

They can essentially play at the highest levels or the lowest, and often you’ll see them doing both. Now, there’s also been some well-documented racism by fans and players and songs and whatnot, particularly towards black people; whether it’s about the French national team made up largely of black players or famous spectators like the streamer IShowSpeed at this year’s World Cup.

GM – Yeah, so there’s been a lot of that which hasn’t helped Argentina lately, but it seemed like four years ago things were different. It seemed like people wanted to see Lionel Messi win a World Cup. So what really has changed between then and now?

AE – A lot’s changed within this tournament. They came in as the defending champions, and it’s been this great story. Lionel Messi, aged 39, leading the team, twilight of his career. He scored six goals, I believe, in the first three games, and their matches have resembled these quasi-religious events. It’s emotionally overwhelming, the passion, the noise. It’s a great story.

The problem is, it appears to many that FIFA, soccer’s villainous governing body, likes that storyline a lot as well, if you look at it from a certain angle. It’s almost as if things took a turn after group play, after Argentina barely got past Cape Verde, the tournament’s undisputed Cinderella team, because in their next three matches, a lot of fans watching would contend that Argentina benefited from some generous calls, some very generous use of VAR, the video assistant referee, and also the non-use of it when perhaps it was needed.

So FIFA is, as I just said, such this great villainous organization on their own, and you combine now with Argentina’s occasional style of play and these incredible comebacks they’ve staged and, you know, perhaps generous refereeing, and this is where we are right now.

GM – You know, there’s been a decades-long feeling by many Latin Americans that Argentines believe themselves to be superior somehow, so that means they’ll always root against them. But what do you think of the irony that in this case, Latin Americans would rather root for Spain, the nation that colonized Latin America for hundreds of years?

AE – Yeah, I mean, that’s just one layer of it. It’s looking like a great matchup in so many ways. There’s obviously some colonial implications and, you know, if Argentina show up the way they’ve been playing throughout this tournament, which, as we talked about, has changed in the past five weeks or so, it’s going to be a really interesting game. I’m looking forward to it, and to be clear, I think all this stuff makes sports much better. I love having a villain. Of course, I’m a writer, but I personally love this stuff.


terça-feira, 14 de julho de 2026

Prevenção da demência 2: os supercaminhantes

Minha primeira tradução de um artigo no site da National Public Radio (NPR) dos Estados Unidos sobre a prevenção da demência foi um sucesso, o que me deixou muito alegre. Felizmente, em 6 de julho passado, Alisson Aubrey veio novamente com uma reportagem, que pode ser ouvida em formato podcast na própria página, sobre a relação entre exercício físico e fortalecimento cerebral. Em tradução livre pro português, seu título poderia ser “Um estudo descobriu que pessoas com mais de 80 anos que caminham em ritmo acelerado reduzem pela metade o risco de declínio cognitivo” e fala de novos estudos relacionando a manutenção da acuidade cerebral em pessoas com mais de 80 anos que mantêm o hábito da caminhada rápida.

Não são aqueles anúncios “pegadinha” miraculosos que pululam no Google, mas estudos sérios que achei por bem partilhar aqui, mesmo sem autorização da NPR, rs. A maior contribuição do artigo é o conceito de “super mover”, que o tradutor inicialmente transformou em “supermoventes”, mas deu inúmeras soluções díspares ao longo do texto. Assim, joguei na busca tanto “supermoventes” pra ver se era um termo corrente quanto “super mover em português” pra achar alguma relação com estudos existentes. O termo era realmente novo e o Gemini, IA do Google, acabou sugerindo “supercaminhantes” a partir de diversas fontes, uma delas um recente artigo da revista Veja que por coincidência abordou o mesmo tema. Porém, o texto trata quase exclusivamente do trabalho de só um dos cientistas envolvidos, enquanto aqui você pode conhecer o esforço completo!

Tendo usado o Google Tradutor pra obter a base do texto, fiz o que se tornou ainda mais imprescindível depois da multiplicidade de traduções pra “super movers”: revisar manualmente, sobretudo termos médicos, pra não ficar algo antinatural ou simplesmente passado “na máquina”... Além disso, imprimi ao conjunto meu próprio estilo de redação e simplifiquei o que fosse possível, mesmo que o resultado “robótico” permanecesse aceitável. Desta vez, com uma única exceção, não mantive os links originais pra outros artigos, trabalhos e sites. Finalmente, como fiz outras vezes, sugiro a leitura do artigo (entrevista) da pesquisadora Gislene Nogueira sobre o conceito de public radio na legislação americana, no qual se encaixa a NPR, uma empresa privada sem fins lucrativos que sobrevive de doações de indivíduos, empresas e organizações e de repasses do Estado (estes cortados por Trump em 2025).



Palavras cruzadas e quebra-cabeças são há muito tempo considerados maneiras de manter a mente afiada. Mas um novo estudo aponta pra outra estratégia que pode ser igualmente importante: manter a rapidez nos pés.

Pesquisadores descobriram que pessoas na faixa dos 80 anos que mantêm um ritmo de caminhada excepcionalmente rápido, apelidadas de “supercaminhantes”, também são muito mais propensas a manter a mente afiada em comparação com seus coetâneos que se movem mais lentamente.

“Um supercaminhante é alguém com mais de 80 anos que apresenta um desempenho muito superior ao de seus coetâneos”, afirma a dra. Sofiya Milman, do Albert Einstein College of Medicine, uma das autoras do estudo.

Milman e seus colaboradores analisaram dados de cerca de 4 mil idosos inscritos num estudo de longo prazo sobre envelhecimento. Os participantes realizaram um teste de caminhada cronometrada, e os 9% mais rápidos – que apresentaram uma velocidade de marcha pelo menos 1,5 desvios padrão acima da média de seus pares da mesma idade – foram classificados como supercaminhantes. Esses indivíduos também apresentaram uma probabilidade significativamente menor de sofrer declínio cognitivo.

“A principal conclusão foi que os supercaminhantes têm cerca de 50% menos probabilidade de desenvolver declínio cognitivo que seus coetâneos que não são supercaminhantes, o que é muito impressionante”, diz Milman. Os resultados foram publicados na revista médica Neurology.

A conexão com a saúde muscular – Caminhar bem exige equilíbrio, coordenação e força, e todos esses fatores dependem de músculos saudáveis, afirma Bonnie Tsui, redatora científica e autora de On Muscle: The Stuff That Moves Us and Why It Matters (em tradução livre, Sobre músculos: o que nos move e a importância disso).

“Acho que a descoberta não é surpreendente, porque sabemos que a saúde muscular está muito correlacionada com a saúde cognitiva, especialmente à medida que envelhecemos”, diz Tsui. “O exercício faz seus músculos crescerem, mas também faz seu cérebro crescer.”

Pesquisas anteriores associaram a prática regular de exercícios físicos a um maior volume do hipocampo, o centro do cérebro responsável pela memória e pela orientação. O novo estudo descobriu que os supercaminhantes tendiam a preservar o volume do hipocampo à medida que envelheciam.

Tsui afirma que os benefícios estão relacionados ao que acontece dentro dos músculos em contração durante o exercício.

“O músculo é um tecido endócrino, o que significa que, quando nos movemos, nossos músculos liberam moléculas sinalizadoras que afetam outros sistemas do corpo, incluindo o estímulo ao crescimento de células cerebrais e a regulação do metabolismo”, diz ela. “Portanto, saúde muscular é saúde cognitiva.”

Entre essas moléculas de sinalização está uma proteína conhecida como fator neurotrófico derivado do cérebro, ou BDNF, que ajuda a regular a glicose e desempenha um papel importante na sobrevivência e manutenção dos neurônios, auxiliando na memória e na função cognitiva.

A rede de um corpo em funcionamento – O dr. Amit Saini, geriatra do consórcio de saúde Kaiser Permanente no norte da Califórnia, afirma que caminhar e manter a capacidade de caminhar bem são indicadores de boa saúde, pois diversos sistemas do corpo são empregados simultaneamente. Ele diz que caminhar beneficia a saúde cardiovascular e pulmonar.

“Ao caminhar, seu coração bate mais rápido e, quando o coração bate mais rápido, ele bombeia sangue não só pros músculos, mas também pro cérebro, nervos e outros sistemas do corpo”, diz Saini. “Seus pulmões também respiram um pouco mais rápido, o que, por sua vez, os mantém mais leves e saudáveis.”

Uma das descobertas mais surpreendentes do estudo: alguns supercaminhantes apresentaram placas e emaranhados neurofibrilares no cérebro, proteínas anormais associadas à doença de Alzheimer e à demência, apesar de não apresentarem sintomas. Os pesquisadores afirmam que isso sugere que o movimento e todos os benefícios de se manter ativo podem ajudar o cérebro a permanecer resiliente, mesmo sofrendo alterações relacionadas à idade.

A genética e o estilo de vida também são importantes – A genética provavelmente desempenha um papel importante em quem se torna um supercaminhante. Um estudo recente descobriu que a genética é responsável por cerca de 50% da expectativa de vida humana, e Milman afirma que, entre os superidosos – pessoas que estão bem aos 80 anos ou mais –, o papel da genética pode ser ainda maior.

No entanto, os autores enfatizam que os hábitos de vida, incluindo as decisões diárias sobre alimentação, priorização do sono e tempo dedicado ao relaxamento e à convivência com amigos e familiares, são todos importantes. De fato, pesquisas mostram que cerca de metade de todos os casos de demência podiam ser prevenidos ou adiados com a intervenção em 14 fatores de risco modificáveis.

As pessoas têm poder de influência sobre suas chances de envelhecer com saúde, e uma maneira de avaliar seus riscos pessoais e tomar medidas pra os reduzir é calcular sua Pontuação de Cuidado Cerebral. É uma ferramenta online gratuita, desenvolvida por médicos do Hospital Geral de Massachusetts, pra calcular teus riscos e sugerir medidas, por meio de mudanças nos hábitos diários, que podem ajudar a diminuir o risco de AVC, demência, doenças cardíacas e câncer.

“Caminhar rápido é um indicador de que o cérebro e o corpo estão envelhecendo bem”, diz Joe Verghese, chefe do Departamento de Neurologia da Stony Brook Medicine em Nova York e um dos autores do estudo. “Mas também é possível que as pessoas que caminham mais rápido, ao se envolverem nessas atividades, também protejam a saúde do cérebro por meio de diversos mecanismos, reduzindo inflamações, melhorando a saúde cardiovascular e promovendo o crescimento cerebral em áreas essenciais pra manter a função cognitiva à medida que envelhecemos.”

Verghese afirma que as descobertas trazem uma mensagem pra pessoas de todas as idades e níveis de condicionamento físico.

“Uma das principais mensagens é: mantenha-se ativo”, diz ele. “Faça exercícios regularmente, pois isso pode te colocar no caminho pra se tornar um supercaminhante à medida que envelhecer.”

Seja caminhando, nadando ou pedalando, os pesquisadores afirmam que a forma do movimento importa menos que sua consistência. É um hábito que pode trazer benefícios tanto pros músculos quanto pra memória no longo prazo.



domingo, 12 de julho de 2026

Russos, remadores e Haaland


erickfishuk.blogspot.com/remador-ru

Veja também “Sobre o significado de Rus”:
erickfishuk.blogspot.com/rus-urss



Neste sábado, o inutilismo geopolítico do Jeum nos saiu com essa que, na verdade, me divertiu muito mais do que a semelhança física em si entre os dois seres humanos. Nem abri a matéria, mas a primeira coisa que me veio à mente foi a relação entre a “remada” comemorativa dos noruegos durante os certames da Cópula e a origem nórdica do gentílico “russo”, que no norte da Europa viria da palavra “remar”.

Como indiquei no início da publicação, já falei outras vezes da origem da palavra “Rússia” e de sua relação problemática com o termo Rus’ (a confederação medieval dos eslavos orientais), reapropriada pelo império moscovita no início do século 18 pra designar o próprio país. Dos séculos 9 a 13, ainda não havia clara diferenciação entre os povos russo, belarusso e ucraniano (e russino, se quisermos), por isso, a associação da Rus e de seu nome apenas com os atuais russos é malvista pelos vizinhos eslavos. Não quero voltar à polêmica, mas a viralização da “remada viking” e o significado de “remar” (a mesma remada nórdica!) como fonte das palavras “Rus” e “Rússia” são ótimos motivos de reflexão.



Tudo em história que é reapropriado pelo presente sempre vai gerar polêmica, e a “remada viking”, assim como a própria trajetória dos vikings, não foi exceção nesse Torneio do Laranjão. Neste ótimo short da Deutsche Welle Brasil, historiadores colocam a remada em seu devido lugar, mas o UOL também lançou um longo artigo esclarecedor, ainda mais incisivo. Recomendo abri-los, mas resumo pros preguiçosos: o ato de remar estaria muito mais relacionado aos suecos, que navegavam em rios e nos mares europeus internos, do que aos noruegueses, que, tendo velejado mais em pleno Atlântico e até chegado à América bem antes de Cristóvam Buarque, dependeriam muito mais do vento sobre as velas do que do impulso manual. Além disso, veio à tona o lado sombrio dos vikings, que também pilhavam, matavam e destruíam vilarejos (como qualquer povo da época, aliás), tornando problemática a associação com eles.

Os falsos críticos do politicamente correto já desancaram no UOL vociferando que “a matéria é besta e tudo agora é motivo de polêmica; o povo tem mesmo é que se divertir”. Sou historiador e garanto que nesse caso não há lacração: trocando em miúdos com a situação do Centro-Sul bananeiro, é como se um grande clube esportivo começasse a reivindicar os bandeirantes ou algum gesto racista outrora inocente, como o blackface. Tudo bem que forcei um pouco a barra, porque não é toda região tupiniquim que se identifica com um Fernão Dias ou Anhanguera da vida, e nada vai forçar à renomeação de logradouros com nomes de bandeirantes ou, digamos, de Getúlio Vargas, um dos ditadores mais corruptos e assassinos que esse país já conheceu. Mas um pouco de informação histórica a mais é sempre bom, pra não deixarmos nossa imaginação no “piloto automático” o tempo todo.

Inclusive, a julgarmos pela etimologia dada pelo Wiktionary e que traduzi logo abaixo, a origem do nome “Rus” realmente remete a finlandeses que encontraram suecos, os maiores inimigos do império tsarista durante séculos, e não bacalhaus, rs. Portanto, mesmo que os próprios especialistas digam que isso pode ser birra dos vizinhos que logo caíram fora da disputa, há um fundo de verdade histórica na associação. Ou, como diria Maria Putinieta: “O povo quer gasolina? Então que ande de barco!”


Do latim medieval Russia, do antigo eslavo oriental Русь (Rusĭ) – de onde vem o árabe رُوس (rūs) e o grego bizantino Ῥῶς (Rhôs ) –, que originalmente se referia a um grupo de varegues que se estabeleceram perto de Kyiv no século 9 e comandaram a “Rus de Kyiv”; provavelmente do proto-fínico *roocci, do nórdico antigo oriental *roþs- (“relacionado a remar”); relacionado ao nórdico antigo Roþrslandi (“a terra do remo”), uma denominação mais antiga de Roslagen, onde os finlandeses encontraram os suecos pela primeira vez. Em última análise, do nórdico antigo róðr (“remo de direção”), do proto-germânico *rōþrą (“leme”), do proto-indo-europeu *h₁reh₁- (“remar”).


Trilha sonora e patrocínio desta publicação:


Agora me deixe ir embora, pois eu mesmo tenho mais o que fazer, rs:


sexta-feira, 10 de julho de 2026

Rep. Islâmica do Japão e Volodymyr Putin

Por esta montagem por IA bastante sugestiva feita por aquele amigo que volta e meia colabora com esta página xexelenta, mas sugeriu que esperasse o Vlad falecer antes que eu a publicasse (rs), cheguei novamente pra relembrar mais um adágio: Quem com ferro ferre, com ferro será ferido ou, em latim, Hodie mihi, cras tibi (lit. “Hoje pra mim, amanhã pra você”). Se em 2024, como publiquei aqui, Biden cometeu o crime de “lesa-majestade” de chamar Zelensky de Putin, agora foi a vez de Trump incorrer no mesmo sacrilégio em outra cúpula da OTAN. Se o republicano acusava o democrata de ser velho e senil demais, estamos vendo que o imobiliário falido incorre nos mesmos males... com a desvantagem de ainda ter mais de meio mandato pela frente!


Mais uma situação que deixa qualquer estadunidense tão vexado e desconfortável como a polímata EnfastYalda Hakim quando visitou Havana há algumas semanas e não achou papel higiênico. E foi da edição de 8 de julho de seu programa The World que tirei o recorte abaixo, em que novamente “Volodymyr se torna Vladimir”, e não só isso! O Laranjão estava tão confuso nas rimas que chamou de “República Islâmica do Japão” seu inimigo contra o qual está lutando pelo controle do Golfo. Reconheçamos que a distância fonética entre “Japan” e uma das pronúncias aceitas de “Iran” é menor do que entre “Japão” e “Irã”. Ainda assim, o número de muçulmanos nipônicos está longe de justificar tal fenômeno. (Esse é o vídeo mais novo que achei, existem muitos outros que aparecem numa rápida busca.)



Não adianta, “nosso homem em Washington” sempre tem o ex-espião do KGB na cabeça, é obsessão mesmo devido à afinidade de gênios. Em Ancara, talvez era isto que ele tinha em mente:


Que não é muito diferente disto, esteja o Adolfo localizado na Casa Branca ou no Kremlin (o crédito das ótimas montagens é sempre ao programa semanal de Mikhail Fishman na TV Rain!):


E finalmente, pra distrair um pouco, um gênero que já virou “crácico” depois de toda eliminação do Braziu (todas as vezes, na verdade): o campeão frustrado Craque Neto trovejando na Band, desta vez com muito mais ódio e palavrão, mas tirando todas as palavras de nossa boca! Quem é que não pensou exatamente as mesmas coisas, até a ambígua pronúncia correta do nome “Haaland”?


quarta-feira, 8 de julho de 2026

Joãozinho Xará: “Fif lamitê fhancô ciriân!”

Quase meio ano depois de sua primeira aparição com Ray-Ban em ambientes fechados, o que suscitou dúvidas sobre sua vida privada, o copríncipe de Andorra Mané Marcão voltou a usar o acessório em público durante a primeira visita à Assíria de um presidente gaulês desde 2009, último encontro entre o Sarkolula amigo de ditadores e a Girafa de Damasco. Desta vez, ele finalmente vai encontrar in loco seu novo parça Joãozinho Xará (que antes era Joãozinho e agora é Xará), ex-corno e ex-jihadista que tomou o lugar de um regime esfarinhado.

A geopolítica tá tão maluca que nem mesmo os analistas mais calejados estão dando conta. Se antes brincávamos que nosso “subcontinente” podia ser chamado de “América Latrina”, agora parece que cada vez mais nos encaminhamos pra um Oriente Mérdio. Não que a região nunca tivesse sido um barril de pólvora acendido pelo emperializmu mauvadaum ossidentau, mas até mesmo as monarquias absolutistas árabes que tentavam se passar por ilhas de calmaria vendendo petróleo pro Til Çan sofrem com os rebosteios da Pérsia despirocada. A dinastia Al-Asad, com o aporte financeiro e militar da antiga URZZ e da atual Moscóvia, parecia irremovível, mas com um bombardeio do Bibi do Hamas aqui e um revés da “República Islâmica” ali, Joãozinho Xará pôde passear tranquilamente do norte ao sul.



Se ele não vestiu o conjunto do Toninho do Diabo como a Yalda Musa Hakim enquanto entrevistava Sucker Tarlson, o agente transatlântico do Kremlin – o cenário mesmo por ele preparado parecendo mais uma liturgia pro KPta –, pelo menos inicialmente adotou o viralizado look Fidel Castro e agora está se “desdemonizando” pra encher o rabo de euro$$$... Durante a recente visita que lhe fez o ex-banqueirinho, Xará até reciclou seu francês do colegial pra dar um “Viva à amizade franco-síria”.

Se ele não achou que estivesse encarnando o General Wojciech Jaruzelski nem apanhou de novo de sua “mãe-lher”, tanto mais que recentemente houve uma fofoca de caso extraconjugal com uma atriz de origem iraniana, o extremo-centrista também parece ter trazido de volta o artigo óptico deixado pra trás pelo tirano apeado durante a fuga. Não é a coisa mais engraçada do mundo, mas achei interessante deixar pro registro, sobretudo porque nos lembra o vetusto adágio: Diz-me com quem andas e dir-te-ei quem és. E neste caso é recíproco...