sábado, 18 de julho de 2026

Sorria: a Argentina pode estar roubando


erickfishuk.blogspot.com/pessi



Este meme resume a publicação. Pesquise a respeito.


Se já não disse aqui, escrevo agora: não gosto nem de jogar nem de assistir a futebol e só me interesso por ele na medida em que se relaciona a temas de minha predileção, como história, política, geopolítica, culturas e idiomas. E humor também, claro. E pra minha alegria, cada Copa do Mundo tem se tornado sempre mais geopolítica, sendo a deste ano o ápice do processo. A começar por se realizar em três países ao mesmo tempo, sendo que um deles, o Zesteite, se situa “de sanduíche” entre os outros dois, os quais, pra piorar, estão com as relações diplomáticas azedadas com o primeiro. E sempre pode ficar ainda pior: os três logo caíram fora do torneio, e o Canadá está literalmente “esfumaçando” a final que vai se realizar no vizinho do sul.

A coisa fica ainda mais divertida com a popularização das redes sociais, hoje facilmente portáveis nos smartphones a um bolso de distância. Mesmo quem não as usa acaba recebendo respingos das intermináveis discussões, com seus memes, polêmicas e virais de todo tipo, um novo modo de expressão a ser estudado pela história cultural. Por essas razões, mesmo em se tratando da campanha abominável da çelessão Canalhinha, ela se torna assunto entre todos os jornalistas e figuras públicas e condiciona a relação do gado trouxa público com o resto da competição. E o que pode mais eriçar um tupiniquim senão um sucesso da eterna rival Argentina, pior, sua segunda chegada consecutiva ao final do certame? Por alguns instantes a crônica bananeira se precipitou em comparar o que “nós” erramos com o que “eles” acertaram, mas mesmo do exterior podemos perceber que a coisa não é direta assim.

Quero testemunhar a impressão positiva que me têm despertado os textos de Milly Lacombe no UOL, a besta-fera da Machosfera horrorizada com sua intromissão “woke” num âmbito outrora monopolizado por bovinos de barrigão Pilsen e pinto murcho. Reconheço que também sou “uouquista” (não “oquista”, atenção!), mas não sou radical, e também julgo que a Milly não é. Concomitantes ao avanço da horda do Méçi Careca de fase em fase, começaram a aparecer vídeos de youtubers lixo tentando dissertar “Por que a Argentina é um país tão racista?”, sugeridos até junto a programas estrangeiros nada a ver com o assunto e que sigo regularmente. Pra meu alívio e agrado, a Milly fez um ótimo contraponto a esse antirracismo freestyle, dizendo que nossa história teve um racismo muito mais violento materializado na escravidão e que ele continua até hoje estruturando nossas relações sociais. Eu acrescentaria que justamente o fato de nossa equipe, ao contrário da argentina, contar com muitos jogadores de cor (até porque técnico negro nunca vi; feliz foi Pelé que não enveredou pela mesma cilada do Marabola!), assistidos por um público majoritariamente descorado, só mostra que esse foi um dos poucos espaços em que lhes foi permitido alcançar destaque, em detrimento da política, da economia e da ciência.

O destino me pegou de surpresa: e não é que jornalistas de outros países começaram justamente a apontar a dimensão inaudita do racismo na torcida platina, sem contar outros trambiques que estariam favorecendo os tricampeões? De fato, exceto casos isolados que ocorrem em nossos próprios campeonatos nacionais, nunca vi os fanáticos amarelentos imitarem símios, jogarem bananas ou gritarem ofensas contra a melanina alheia. Isso não limpa a ignomínia de como o tecido social do Gigante Adormecido (e jamais despertado) foi construído, mas talvez eu (e a Milly?) tenha subestimado a vergonha alheia que os hermanos despertam em quem compartilha com eles a mesma arquibancada. E dois artigos da mídia estrangeira me despertaram justamente pra essa reflexão, além de trazer elementos interessantíssimos pra deixarem as neymarzetes com a pulga atrás da orelha.

O primeiro é uma reportagem de Adèle Léron publicada na RFI francesa e intitulada “Copa do Mundo de 2026: por que a Argentina é alvo de suspeitas de favoritismo?”, e o segundo é uma entrevista dada pelo escritor Adam Elder ao jornalista George Louis Martínez, da americana NPR e intitulada “Por que muitos fãs de futebol podem torcer contra a Argentina na final da Copa?”. De família equatoriana, George usa o apelido “A Martínez” (assim mesmo, sem ponto, lê-se “ei Martínez”), mas aqui me referi a ele como “George Martínez” por praticidade. Também não mantive os links do original francês nem adicionei notas explicativas pra certas pessoas e coisas. Sugiro uma pesquisa à parte, especialmente o caso de IShowSpeed.

Da série “traduzi sem autorização, phodasse”, no caso da entrevista, como ela não veio com uma transcrição, obtive-a usando esta ferramenta online quase perfeita, devendo ter o resultado cotejado com o áudio, sobretudo quando as pessoas falam meio rápido, o que ocorreu na conversa. Pra fins de pesquisa e registro histórico de raridades, mantive a transcrição do áudio da NPR, após revisar a redação, em especial a divisão de parágrafos, que o site faz de modo totalmente aleatório. Se alguém mais entendido que eu em termos técnicos do ludopédio quiser sugerir alguma escolha melhor pra tradução, sobretudo se souber um pouco de inglês e francês, comente à vontade. Boa leitura e, pra quem for assistir, boa final:



Após se classificar pras semifinais da Copa do Mundo de 2026 com uma campanha considerada fácil e marcada por diversas decisões controversas da arbitragem, a Argentina se tornou alvo de acusações de favorecimento. No centro das críticas está Lionel Messi, pra quem esta Copa, apresentada como a última, alimenta fantasmas, teorias e desconfiança com relação à FIFA.

“Lionel Messi consegue seu juiz favorito pra semifinal Inglaterra-Argentina.” A manchete do Daily Mail dá o tom. Na véspera do confronto entre as duas seleções, o tabloide britânico reacende as acusações de favoritismo contra o time argentino.

Apresentado como “o juiz favorito” do capitão argentino , a nomeação do americano Ismail Elfath reforça em muitos a crença de que Lionel Messi estaria obtendo um tratamento preferencial nesta Copa do Mundo.

Essas teorias surgiram antes mesmo do início da Copa. Em 5 de dezembro de 2025, durante o sorteio, internautas já expressavam surpresa com os adversários oferecidos à Argentina. Um passeio, segundo alguns. A Albiceleste enfrentaria Argélia, a Jordânia e, enfim, a Áustria. Depois, Cabo Verde nos 16 avos de final [sim, esse é o nome oficial em português da bizarrice inventada por Infantino...], o Egito nas oitavas e, finalmente, a Suíça nas quartas. Esse trajeto alimentou suspeitas: até as semifinais, Lionel Messi e seus companheiros não teriam enfrentado nenhuma seleção entre as dez melhores da classificação da FIFA. Isso seria, aliás, inédito na história das Copas.

De forma inversa, os outros semifinalistas tiveram um torneio mais difícil. A França enfrentou o Senegal (3x1) e o Marrocos (2x0), ambos finalistas da última Copa Africana de Nações, além da Noruega, que eliminou o Brasil. A Espanha se livrou de Portugal e depois da Bélgica, enquanto a Inglaterra precisou derrotar o México antes de eliminar a Noruega de Erling Haaland.

No papel, portanto, o caminho da Argentina parece bem mais suportável que o de seus principais concorrentes.

Arbitragem polêmica – Um sorteio favorável, mas também decisões da arbitragem que estão sendo criticadas.

Logo na primeira partida contra a Argélia, Messi escapou de qualquer punição após esmagar o tornozelo de Aïssa Mandi na primeira meia-hora de jogo. No entanto, o ex-árbitro internacional Bruno Derrien considera que o camisa 10 “podia ter sido expulso”. Amplamente dominada, a Argélia acabou perdendo por 3x0, e seu técnico anunciou que iria exigir explicações da FIFA.

As partidas seguintes reforçaram ainda mais essa impressão entre alguns torcedores. A partir das fases eliminatórias, a Argentina teve dificuldades pra vencer. Em três ocasiões, os campeões do mundo foram atropelados, chegando a ficar atrás no placar. E em todas elas, as decisões da arbitragem inverteram o rumo dos jogos.

Primeiro, contra Cabo Verde. Incapaz de superar a 64.ª colocada na classificação mundial, a Albiceleste se beneficiou de várias intervenções controversas: uma falta na entrada da área em Hélio Varela que não foi punida, um toque de mão de Cristian Medina que também passou imune e uma falta cobrada às pressas por Lionel Messi enquanto o goleiro Vozinha ainda tomava posição na trave. A Argentina acabou vencendo por 3x2 nos acréscimos.

Os técnicos tomam partido – No jogo contra o Egito, o cenário se repetiu. Perdendo por 2x0 até os 79 minutos, a Albiceleste conseguiu virar (3x2). Após o jogo, o técnico egípcio exigiu a demissão do juiz francês François Letexier. Ele citou especificamente um pênalti não marcado após um puxão na camisa de Hamdy Fathy, um contato entre Mohamed Salah e Julián Álvarez na área e a anulação de um gol egípcio após revisão do VAR.

Finalmente, contra a Suíça. Dominada durante grande parte do jogo, a Argentina se aproveitou de um inesperado empurrão do destino. Aos 71 minutos, após revisão do VAR, o juiz português João Pinheiro anulou o cartão amarelo do argentino Paredes e o deu a Breel Embolo por simulação.

Já com esse cartão, o atacante suíço foi expulso e deixou o campo, deixando seu time com dez jogadores. Após o jogo, o técnico suíço denunciaria “cotoveladas, cabeçadas e soladas” que ficaram impunes.

À medida que a Argentina avança na Copa, apanhados de decisões controversas se multiplicam no TikTok e no X. Uma delas, intitulada “Uma compilação de nove minutos de faltas cometidas pela Argentina contra a Suíça sem consequências”, já soma centenas de milhares de visualizações.

Outros internautas também se surpreenderam com os meros três minutos de acréscimo concedidos contra Cabo Verde, enquanto outros jogos da Copa obtiveram seis ou até dez minutos, devido às pausas pra hidratação.

Messi no centro das teorias – Essas suspeitas não são novas. Ainda durante a vitória da Argentina no Catar em 2022, diversas decisões da arbitragem alimentaram o debate. A Albiceleste, em particular, foi beneficiada com cinco pênaltis, mais que qualquer outra seleção naquela Copa.

É principalmente a figura de Lionel Messi que alimenta essas teorias. Em 2017, Gianni Infantino declarou ao La Nación que “seria injusto Messi se aposentar sem ter conquistado uma Copa do Mundo”, acrescentando que o argentino precisava “marcar sua época”, tal como Diego Maradona tinha feito.

Aos 39 anos, esta edição é apresentada como a última Copa do camisa 10. A conquista do título selaria definitivamente seu espaço entre os maiores jogadores da história. Com ou sem a ajuda dos juízes...



George Martínez – Não é difícil adivinhar que os torcedores da seleção espanhola de futebol vão torcer contra a Argentina este fim de semana, quando os dois times se enfrentarem na final da Copa do Mundo, mas há muito mais gente ao redor do mundo torcendo pra que a Argentina perca. Adam Elder é um escritor especializado em esportes e cultura. Adam, o que há no estilo de jogo da Argentina que, historicamente, gera tanta rejeição?

Adam Elder – Pois é, há muita coisa envolvida aí. A Argentina ganhou três Copas, mas sempre teve um estilo que divide opiniões. Eles conseguem jogar com talento e, claro, têm Lionel Messi, mas também sabem jogar com brutalidade, digamos, chutando o adversário, subindo nas costas, derrubando com força, pressionando o juiz. Tudo isso é comum na América Latina. Tanto é que escrevi sobre isso num livro meu, mas a questão é que ninguém faz isso melhor que a Argentina.

Eles basicamente conseguem jogar tanto em alto nível quanto de forma muito baixa, e com frequência os vemos fazendo as duas coisas. Além disso, há episódios bem documentados de racismo da parte de torcedores e jogadores, com músicas e outras manifestações, especialmente contra pessoas negras; seja contra a seleção francesa, composta em grande parte por jogadores negros, ou espectadores famosos, como o streamer IShowSpeed na Copa deste ano.

GM – É, houve muito disso, o que anda prejudicando a imagem da Argentina, mas quatro anos atrás a situação parecia diferente. Parecia que as pessoas queriam ver Lionel Messi ganhar uma Copa. Então, o que realmente mudou de lá para cá?

AE – Muita coisa mudou durante esta edição. Eles chegaram como os atuais campeões, e a trajetória tem sido incrível. Lionel Messi, aos 39 anos, liderando o time na reta final de sua carreira. Ele marcou seis gols, se não me engano, nos três primeiros jogos, e as partidas têm parecido eventos quase religiosos. A emoção é avassaladora: a paixão, o barulho. É uma grande história.

O problema é que muitos têm a impressão de que a FIFA, entidade vilã que comanda o futebol, também gosta muito dessa narrativa, se você olhar de um certo ângulo. É quase como se as coisas tivessem tomado outro rumo após a fase de grupos – depois que a Argentina por pouco superou Cabo Verde, a indiscutível zebra da Copa –, pois, nos três jogos seguintes, muitos torcedores diriam que a Argentina foi beneficiada por decisões generosas da arbitragem, pelo uso muito generoso do VAR e também pela falta de uso dele quando talvez fosse necessário.

Então, como acabei de dizer, a FIFA já aparece por si só como vilã; junte a isso o estilo de jogo peculiar da Argentina, as viradas incríveis que a seleção protagonizou e, talvez, uma arbitragem favorável, e chegamos ao cenário atual.

GM – Há décadas existe o sentimento, entre muitos latino-americanos, de que os argentinos se consideram superiores de alguma forma, o que faz com que sempre torçam contra eles. Mas o que você acha da ironia de que, neste caso, os latino-americanos prefiram torcer pra Espanha, nação que por séculos colonizou a América Latina?

AE – Pois é, esse é só um dos aspectos. Parece que sob vários pontos de vista vai ser um grande confronto. Obviamente há implicações ligadas à colonização e, veja bem, se a Argentina jogar como tem jogado em toda esta Copa – algo que, como discutimos, tem se desenvolvido mais ou menos por cinco semanas –, vai ser um jogo realmente interessante. Não vejo a hora de assistir e, pra ser claro, acho que tudo isso faz dos esportes algo bem melhor. Adoro ter um vilão. Claro, sou escritor, mas pessoalmente adoro isso.



George Martínez – It’s an easy assumption that fans of Spain’s national soccer team will be rooting against Argentina this weekend when the two teams face off in the World Cup final, but there are a lot more people around the world hoping Argentina loses. Adam Elder is a sports and culture writer. Adam, so what’s about the way Argentina plays that’s historically been unpopular?

Adam Elder – Oh boy, there’s so much going on here. Well, Argentina’s won three World Cups, but they’ve always had a style that’s very polarizing. You know, they can play with flair, and of course they have Lionel Messi, but they can also play with brutality, let’s say, kicking you, climbing on you, chopping you down, working the ref. This stuff is common throughout Latin America. In fact, I wrote about it in a book of mine, but the thing is, no one does this stuff better than Argentina.

They can essentially play at the highest levels or the lowest, and often you’ll see them doing both. Now, there’s also been some well-documented racism by fans and players and songs and whatnot, particularly towards black people; whether it’s about the French national team made up largely of black players or famous spectators like the streamer IShowSpeed at this year’s World Cup.

GM – Yeah, so there’s been a lot of that which hasn’t helped Argentina lately, but it seemed like four years ago things were different. It seemed like people wanted to see Lionel Messi win a World Cup. So what really has changed between then and now?

AE – A lot’s changed within this tournament. They came in as the defending champions, and it’s been this great story. Lionel Messi, aged 39, leading the team, twilight of his career. He scored six goals, I believe, in the first three games, and their matches have resembled these quasi-religious events. It’s emotionally overwhelming, the passion, the noise. It’s a great story.

The problem is, it appears to many that FIFA, soccer’s villainous governing body, likes that storyline a lot as well, if you look at it from a certain angle. It’s almost as if things took a turn after group play, after Argentina barely got past Cape Verde, the tournament’s undisputed Cinderella team, because in their next three matches, a lot of fans watching would contend that Argentina benefited from some generous calls, some very generous use of VAR, the video assistant referee, and also the non-use of it when perhaps it was needed.

So FIFA is, as I just said, such this great villainous organization on their own, and you combine now with Argentina’s occasional style of play and these incredible comebacks they’ve staged and, you know, perhaps generous refereeing, and this is where we are right now.

GM – You know, there’s been a decades-long feeling by many Latin Americans that Argentines believe themselves to be superior somehow, so that means they’ll always root against them. But what do you think of the irony that in this case, Latin Americans would rather root for Spain, the nation that colonized Latin America for hundreds of years?

AE – Yeah, I mean, that’s just one layer of it. It’s looking like a great matchup in so many ways. There’s obviously some colonial implications and, you know, if Argentina show up the way they’ve been playing throughout this tournament, which, as we talked about, has changed in the past five weeks or so, it’s going to be a really interesting game. I’m looking forward to it, and to be clear, I think all this stuff makes sports much better. I love having a villain. Of course, I’m a writer, but I personally love this stuff.


terça-feira, 14 de julho de 2026

Prevenção da demência 2: os supercaminhantes

Minha primeira tradução de um artigo no site da National Public Radio (NPR) dos Estados Unidos sobre a prevenção da demência foi um sucesso, o que me deixou muito alegre. Felizmente, em 6 de julho passado, Alisson Aubrey veio novamente com uma reportagem, que pode ser ouvida em formato podcast na própria página, sobre a relação entre exercício físico e fortalecimento cerebral. Em tradução livre pro português, seu título poderia ser “Um estudo descobriu que pessoas com mais de 80 anos que caminham em ritmo acelerado reduzem pela metade o risco de declínio cognitivo” e fala de novos estudos relacionando a manutenção da acuidade cerebral em pessoas com mais de 80 anos que mantêm o hábito da caminhada rápida.

Não são aqueles anúncios “pegadinha” miraculosos que pululam no Google, mas estudos sérios que achei por bem partilhar aqui, mesmo sem autorização da NPR, rs. A maior contribuição do artigo é o conceito de “super mover”, que o tradutor inicialmente transformou em “supermoventes”, mas deu inúmeras soluções díspares ao longo do texto. Assim, joguei na busca tanto “supermoventes” pra ver se era um termo corrente quanto “super mover em português” pra achar alguma relação com estudos existentes. O termo era realmente novo e o Gemini, IA do Google, acabou sugerindo “supercaminhantes” a partir de diversas fontes, uma delas um recente artigo da revista Veja que por coincidência abordou o mesmo tema. Porém, o texto trata quase exclusivamente do trabalho de só um dos cientistas envolvidos, enquanto aqui você pode conhecer o esforço completo!

Tendo usado o Google Tradutor pra obter a base do texto, fiz o que se tornou ainda mais imprescindível depois da multiplicidade de traduções pra “super movers”: revisar manualmente, sobretudo termos médicos, pra não ficar algo antinatural ou simplesmente passado “na máquina”... Além disso, imprimi ao conjunto meu próprio estilo de redação e simplifiquei o que fosse possível, mesmo que o resultado “robótico” permanecesse aceitável. Desta vez, com uma única exceção, não mantive os links originais pra outros artigos, trabalhos e sites. Finalmente, como fiz outras vezes, sugiro a leitura do artigo (entrevista) da pesquisadora Gislene Nogueira sobre o conceito de public radio na legislação americana, no qual se encaixa a NPR, uma empresa privada sem fins lucrativos que sobrevive de doações de indivíduos, empresas e organizações e de repasses do Estado (estes cortados por Trump em 2025).



Palavras cruzadas e quebra-cabeças são há muito tempo considerados maneiras de manter a mente afiada. Mas um novo estudo aponta pra outra estratégia que pode ser igualmente importante: manter a rapidez nos pés.

Pesquisadores descobriram que pessoas na faixa dos 80 anos que mantêm um ritmo de caminhada excepcionalmente rápido, apelidadas de “supercaminhantes”, também são muito mais propensas a manter a mente afiada em comparação com seus coetâneos que se movem mais lentamente.

“Um supercaminhante é alguém com mais de 80 anos que apresenta um desempenho muito superior ao de seus coetâneos”, afirma a dra. Sofiya Milman, do Albert Einstein College of Medicine, uma das autoras do estudo.

Milman e seus colaboradores analisaram dados de cerca de 4 mil idosos inscritos num estudo de longo prazo sobre envelhecimento. Os participantes realizaram um teste de caminhada cronometrada, e os 9% mais rápidos – que apresentaram uma velocidade de marcha pelo menos 1,5 desvios padrão acima da média de seus pares da mesma idade – foram classificados como supercaminhantes. Esses indivíduos também apresentaram uma probabilidade significativamente menor de sofrer declínio cognitivo.

“A principal conclusão foi que os supercaminhantes têm cerca de 50% menos probabilidade de desenvolver declínio cognitivo que seus coetâneos que não são supercaminhantes, o que é muito impressionante”, diz Milman. Os resultados foram publicados na revista médica Neurology.

A conexão com a saúde muscular – Caminhar bem exige equilíbrio, coordenação e força, e todos esses fatores dependem de músculos saudáveis, afirma Bonnie Tsui, redatora científica e autora de On Muscle: The Stuff That Moves Us and Why It Matters (em tradução livre, Sobre músculos: o que nos move e a importância disso).

“Acho que a descoberta não é surpreendente, porque sabemos que a saúde muscular está muito correlacionada com a saúde cognitiva, especialmente à medida que envelhecemos”, diz Tsui. “O exercício faz seus músculos crescerem, mas também faz seu cérebro crescer.”

Pesquisas anteriores associaram a prática regular de exercícios físicos a um maior volume do hipocampo, o centro do cérebro responsável pela memória e pela orientação. O novo estudo descobriu que os supercaminhantes tendiam a preservar o volume do hipocampo à medida que envelheciam.

Tsui afirma que os benefícios estão relacionados ao que acontece dentro dos músculos em contração durante o exercício.

“O músculo é um tecido endócrino, o que significa que, quando nos movemos, nossos músculos liberam moléculas sinalizadoras que afetam outros sistemas do corpo, incluindo o estímulo ao crescimento de células cerebrais e a regulação do metabolismo”, diz ela. “Portanto, saúde muscular é saúde cognitiva.”

Entre essas moléculas de sinalização está uma proteína conhecida como fator neurotrófico derivado do cérebro, ou BDNF, que ajuda a regular a glicose e desempenha um papel importante na sobrevivência e manutenção dos neurônios, auxiliando na memória e na função cognitiva.

A rede de um corpo em funcionamento – O dr. Amit Saini, geriatra do consórcio de saúde Kaiser Permanente no norte da Califórnia, afirma que caminhar e manter a capacidade de caminhar bem são indicadores de boa saúde, pois diversos sistemas do corpo são empregados simultaneamente. Ele diz que caminhar beneficia a saúde cardiovascular e pulmonar.

“Ao caminhar, seu coração bate mais rápido e, quando o coração bate mais rápido, ele bombeia sangue não só pros músculos, mas também pro cérebro, nervos e outros sistemas do corpo”, diz Saini. “Seus pulmões também respiram um pouco mais rápido, o que, por sua vez, os mantém mais leves e saudáveis.”

Uma das descobertas mais surpreendentes do estudo: alguns supercaminhantes apresentaram placas e emaranhados neurofibrilares no cérebro, proteínas anormais associadas à doença de Alzheimer e à demência, apesar de não apresentarem sintomas. Os pesquisadores afirmam que isso sugere que o movimento e todos os benefícios de se manter ativo podem ajudar o cérebro a permanecer resiliente, mesmo sofrendo alterações relacionadas à idade.

A genética e o estilo de vida também são importantes – A genética provavelmente desempenha um papel importante em quem se torna um supercaminhante. Um estudo recente descobriu que a genética é responsável por cerca de 50% da expectativa de vida humana, e Milman afirma que, entre os superidosos – pessoas que estão bem aos 80 anos ou mais –, o papel da genética pode ser ainda maior.

No entanto, os autores enfatizam que os hábitos de vida, incluindo as decisões diárias sobre alimentação, priorização do sono e tempo dedicado ao relaxamento e à convivência com amigos e familiares, são todos importantes. De fato, pesquisas mostram que cerca de metade de todos os casos de demência podiam ser prevenidos ou adiados com a intervenção em 14 fatores de risco modificáveis.

As pessoas têm poder de influência sobre suas chances de envelhecer com saúde, e uma maneira de avaliar seus riscos pessoais e tomar medidas pra os reduzir é calcular sua Pontuação de Cuidado Cerebral. É uma ferramenta online gratuita, desenvolvida por médicos do Hospital Geral de Massachusetts, pra calcular teus riscos e sugerir medidas, por meio de mudanças nos hábitos diários, que podem ajudar a diminuir o risco de AVC, demência, doenças cardíacas e câncer.

“Caminhar rápido é um indicador de que o cérebro e o corpo estão envelhecendo bem”, diz Joe Verghese, chefe do Departamento de Neurologia da Stony Brook Medicine em Nova York e um dos autores do estudo. “Mas também é possível que as pessoas que caminham mais rápido, ao se envolverem nessas atividades, também protejam a saúde do cérebro por meio de diversos mecanismos, reduzindo inflamações, melhorando a saúde cardiovascular e promovendo o crescimento cerebral em áreas essenciais pra manter a função cognitiva à medida que envelhecemos.”

Verghese afirma que as descobertas trazem uma mensagem pra pessoas de todas as idades e níveis de condicionamento físico.

“Uma das principais mensagens é: mantenha-se ativo”, diz ele. “Faça exercícios regularmente, pois isso pode te colocar no caminho pra se tornar um supercaminhante à medida que envelhecer.”

Seja caminhando, nadando ou pedalando, os pesquisadores afirmam que a forma do movimento importa menos que sua consistência. É um hábito que pode trazer benefícios tanto pros músculos quanto pra memória no longo prazo.



domingo, 12 de julho de 2026

Russos, remadores e Haaland


erickfishuk.blogspot.com/remador-ru

Veja também “Sobre o significado de Rus”:
erickfishuk.blogspot.com/rus-urss



Neste sábado, o inutilismo geopolítico do Jeum nos saiu com essa que, na verdade, me divertiu muito mais do que a semelhança física em si entre os dois seres humanos. Nem abri a matéria, mas a primeira coisa que me veio à mente foi a relação entre a “remada” comemorativa dos noruegos durante os certames da Cópula e a origem nórdica do gentílico “russo”, que no norte da Europa viria da palavra “remar”.

Como indiquei no início da publicação, já falei outras vezes da origem da palavra “Rússia” e de sua relação problemática com o termo Rus’ (a confederação medieval dos eslavos orientais), reapropriada pelo império moscovita no início do século 18 pra designar o próprio país. Dos séculos 9 a 13, ainda não havia clara diferenciação entre os povos russo, belarusso e ucraniano (e russino, se quisermos), por isso, a associação da Rus e de seu nome apenas com os atuais russos é malvista pelos vizinhos eslavos. Não quero voltar à polêmica, mas a viralização da “remada viking” e o significado de “remar” (a mesma remada nórdica!) como fonte das palavras “Rus” e “Rússia” são ótimos motivos de reflexão.



Tudo em história que é reapropriado pelo presente sempre vai gerar polêmica, e a “remada viking”, assim como a própria trajetória dos vikings, não foi exceção nesse Torneio do Laranjão. Neste ótimo short da Deutsche Welle Brasil, historiadores colocam a remada em seu devido lugar, mas o UOL também lançou um longo artigo esclarecedor, ainda mais incisivo. Recomendo abri-los, mas resumo pros preguiçosos: o ato de remar estaria muito mais relacionado aos suecos, que navegavam em rios e nos mares europeus internos, do que aos noruegueses, que, tendo velejado mais em pleno Atlântico e até chegado à América bem antes de Cristóvam Buarque, dependeriam muito mais do vento sobre as velas do que do impulso manual. Além disso, veio à tona o lado sombrio dos vikings, que também pilhavam, matavam e destruíam vilarejos (como qualquer povo da época, aliás), tornando problemática a associação com eles.

Os falsos críticos do politicamente correto já desancaram no UOL vociferando que “a matéria é besta e tudo agora é motivo de polêmica; o povo tem mesmo é que se divertir”. Sou historiador e garanto que nesse caso não há lacração: trocando em miúdos com a situação do Centro-Sul bananeiro, é como se um grande clube esportivo começasse a reivindicar os bandeirantes ou algum gesto racista outrora inocente, como o blackface. Tudo bem que forcei um pouco a barra, porque não é toda região tupiniquim que se identifica com um Fernão Dias ou Anhanguera da vida, e nada vai forçar à renomeação de logradouros com nomes de bandeirantes ou, digamos, de Getúlio Vargas, um dos ditadores mais corruptos e assassinos que esse país já conheceu. Mas um pouco de informação histórica a mais é sempre bom, pra não deixarmos nossa imaginação no “piloto automático” o tempo todo.

Inclusive, a julgarmos pela etimologia dada pelo Wiktionary e que traduzi logo abaixo, a origem do nome “Rus” realmente remete a finlandeses que encontraram suecos, os maiores inimigos do império tsarista durante séculos, e não bacalhaus, rs. Portanto, mesmo que os próprios especialistas digam que isso pode ser birra dos vizinhos que logo caíram fora da disputa, há um fundo de verdade histórica na associação. Ou, como diria Maria Putinieta: “O povo quer gasolina? Então que ande de barco!”


Do latim medieval Russia, do antigo eslavo oriental Русь (Rusĭ) – de onde vem o árabe رُوس (rūs) e o grego bizantino Ῥῶς (Rhôs ) –, que originalmente se referia a um grupo de varegues que se estabeleceram perto de Kyiv no século 9 e comandaram a “Rus de Kyiv”; provavelmente do proto-fínico *roocci, do nórdico antigo oriental *roþs- (“relacionado a remar”); relacionado ao nórdico antigo Roþrslandi (“a terra do remo”), uma denominação mais antiga de Roslagen, onde os finlandeses encontraram os suecos pela primeira vez. Em última análise, do nórdico antigo róðr (“remo de direção”), do proto-germânico *rōþrą (“leme”), do proto-indo-europeu *h₁reh₁- (“remar”).


Trilha sonora e patrocínio desta publicação:


Agora me deixe ir embora, pois eu mesmo tenho mais o que fazer, rs:


sexta-feira, 10 de julho de 2026

Rep. Islâmica do Japão e Volodymyr Putin

Por esta montagem por IA bastante sugestiva feita por aquele amigo que volta e meia colabora com esta página xexelenta, mas sugeriu que esperasse o Vlad falecer antes que eu a publicasse (rs), cheguei novamente pra relembrar mais um adágio: Quem com ferro ferre, com ferro será ferido ou, em latim, Hodie mihi, cras tibi (lit. “Hoje pra mim, amanhã pra você”). Se em 2024, como publiquei aqui, Biden cometeu o crime de “lesa-majestade” de chamar Zelensky de Putin, agora foi a vez de Trump incorrer no mesmo sacrilégio em outra cúpula da OTAN. Se o republicano acusava o democrata de ser velho e senil demais, estamos vendo que o imobiliário falido incorre nos mesmos males... com a desvantagem de ainda ter mais de meio mandato pela frente!


Mais uma situação que deixa qualquer estadunidense tão vexado e desconfortável como a polímata EnfastYalda Hakim quando visitou Havana há algumas semanas e não achou papel higiênico. E foi da edição de 8 de julho de seu programa The World que tirei o recorte abaixo, em que novamente “Volodymyr se torna Vladimir”, e não só isso! O Laranjão estava tão confuso nas rimas que chamou de “República Islâmica do Japão” seu inimigo contra o qual está lutando pelo controle do Golfo. Reconheçamos que a distância fonética entre “Japan” e uma das pronúncias aceitas de “Iran” é menor do que entre “Japão” e “Irã”. Ainda assim, o número de muçulmanos nipônicos está longe de justificar tal fenômeno. (Esse é o vídeo mais novo que achei, existem muitos outros que aparecem numa rápida busca.)



Não adianta, “nosso homem em Washington” sempre tem o ex-espião do KGB na cabeça, é obsessão mesmo devido à afinidade de gênios. Em Ancara, talvez era isto que ele tinha em mente:


Que não é muito diferente disto, esteja o Adolfo localizado na Casa Branca ou no Kremlin (o crédito das ótimas montagens é sempre ao programa semanal de Mikhail Fishman na TV Rain!):


E finalmente, pra distrair um pouco, um gênero que já virou “crácico” depois de toda eliminação do Braziu (todas as vezes, na verdade): o campeão frustrado Craque Neto trovejando na Band, desta vez com muito mais ódio e palavrão, mas tirando todas as palavras de nossa boca! Quem é que não pensou exatamente as mesmas coisas, até a ambígua pronúncia correta do nome “Haaland”?


quarta-feira, 8 de julho de 2026

Joãozinho Xará: “Fif lamitê fhancô ciriân!”

Quase meio ano depois de sua primeira aparição com Ray-Ban em ambientes fechados, o que suscitou dúvidas sobre sua vida privada, o copríncipe de Andorra Mané Marcão voltou a usar o acessório em público durante a primeira visita à Assíria de um presidente gaulês desde 2009, último encontro entre o Sarkolula amigo de ditadores e a Girafa de Damasco. Desta vez, ele finalmente vai encontrar in loco seu novo parça Joãozinho Xará (que antes era Joãozinho e agora é Xará), ex-corno e ex-jihadista que tomou o lugar de um regime esfarinhado.

A geopolítica tá tão maluca que nem mesmo os analistas mais calejados estão dando conta. Se antes brincávamos que nosso “subcontinente” podia ser chamado de “América Latrina”, agora parece que cada vez mais nos encaminhamos pra um Oriente Mérdio. Não que a região nunca tivesse sido um barril de pólvora acendido pelo emperializmu mauvadaum ossidentau, mas até mesmo as monarquias absolutistas árabes que tentavam se passar por ilhas de calmaria vendendo petróleo pro Til Çan sofrem com os rebosteios da Pérsia despirocada. A dinastia Al-Asad, com o aporte financeiro e militar da antiga URZZ e da atual Moscóvia, parecia irremovível, mas com um bombardeio do Bibi do Hamas aqui e um revés da “República Islâmica” ali, Joãozinho Xará pôde passear tranquilamente do norte ao sul.



Se ele não vestiu o conjunto do Toninho do Diabo como a Yalda Musa Hakim enquanto entrevistava Sucker Tarlson, o agente transatlântico do Kremlin – o cenário mesmo por ele preparado parecendo mais uma liturgia pro KPta –, pelo menos inicialmente adotou o viralizado look Fidel Castro e agora está se “desdemonizando” pra encher o rabo de euro$$$... Durante a recente visita que lhe fez o ex-banqueirinho, Xará até reciclou seu francês do colegial pra dar um “Viva à amizade franco-síria”.

Se ele não achou que estivesse encarnando o General Wojciech Jaruzelski nem apanhou de novo de sua “mãe-lher”, tanto mais que recentemente houve uma fofoca de caso extraconjugal com uma atriz de origem iraniana, o extremo-centrista também parece ter trazido de volta o artigo óptico deixado pra trás pelo tirano apeado durante a fuga. Não é a coisa mais engraçada do mundo, mas achei interessante deixar pro registro, sobretudo porque nos lembra o vetusto adágio: Diz-me com quem andas e dir-te-ei quem és. E neste caso é recíproco...



terça-feira, 23 de junho de 2026

Mentiras sobre biolaboratórios na Ucrânia

Desde a anexação ilegal da Crimeia e o início da incursão terrorista no Donbás em 2014, a propaganda ligada à ditadura de Vladimir Putin tem espalhado pelo mundo uma história sobre biolaboratórios secretos mantidos pelos EUA na Ucrânia. Por supostamente produzirem armas químicas, o Kremlin se achou no direito de começar sua intervenção militar pra debelar essa “ameaça ocidental”, omitindo que não só esses laboratórios eram de conhecimento público, mas também não produziam nada pra destruição em massa. Bem ao contrário do ditador sírio Bashaar al-Asad, que jogou gás tóxico num bairro opositor inteiro com apoio logístico russo...

É difícil comprovar laços diretos entre Donald Trump e os serviços secretos da antiga URSS e da Rússia, mas não se pode negar uma confluência de interesses entre a extrema-direita MAGA e o expansionismo reacionário putinista. Enquanto os adeptos atlânticos de teorias da conspiração miram contra as “elites globalistas” e os “destruidores dos valores tradicionais”, o novo tsar se aproveita de qualquer força política que possa desestabilizar a fauna política dos países inimigos, esteja ela à direita ou à esquerda. Tulsi Gabbard, escolhida pelo presidente como diretora da Inteligência Nacional dos EUA, renunciou há alguns dias devido a sua discordância quanto à condução da atual guerra contra o Irã, embora tenha alegado “razões familiares”.

Em seu vídeo de “despedida” nas redes sociais, pra não negar a estirpe, a trumpista exumou do nada o fantasma dos “biolaboratórios americanos secretos” espalhados pela Ucrânia, dizendo que o governo (Biden, suponho?) tentou fazer de tudo pra negar sua existência. Se você tem um amigo “anti-imperialista” e “anti-OTAN” (no Hemisfério Sul!) que espalha bobagens semelhantes, plantando a discórdia e não explicando o resto, mande isto pra ele: na última edição de seu programa semanal de geopolítica na TV Dozhd, Ekaterina Kotrikadze exibe uma reportagem produzida por Daria Levchuk explicando exatamente do que se trata.

Os biolaboratórios ianques existem, como existem em dezenas de países. Porém, as informações sobre eles são públicas, além do que são instalações com fins médicos e científicos, e não militares. Nunca se esqueça que tudo o que vem do Kremlin atualmente é 200% mentiroso, a não ser que façamos uma leitura “a contrapelo” de seus discursos e descubramos como realmente funciona essa ditadura terrorista. Seguem o vídeo incorporado diretamente do canal de Kotrikadze, a tradução em português e, pra não desperdiçar o material, o texto em russo:


Ekaterina Kotrikadze – Os biolaboratórios secretos dos EUA na Ucrânia, uma das principais teorias da conspiração com que a propaganda russa tenta justificar a guerra. A diretora da Inteligência Nacional dos EUA também entrou nessa história. Na véspera de sua renúncia, Tulsi Gabbard anunciou sobre uma rede global de biolaboratórios financiados por Washington e acusou seu próprio Estado de esconder a verdade sobre o que realmente estava escrito em seus documentos. Que tipo de laboratórios operavam na Ucrânia e por que a publicação de Gabbard já está sendo considerada um presente político pro Kremlin? Daria Levchuk traz os detalhes.

Tulsi Gabbard – Eles não apenas mentiram, mas também ameaçaram quem tentasse dizer a verdade.

Daria Levchuk – Centenas de manchetes russas foram publicadas com a mesma redação: os EUA admitiram manter mais de 40 biolaboratórios na Ucrânia, sobre os quais mentiram pro mundo durante anos. No final de maio, a diretora da Inteligência Nacional dos EUA, Tulsi Gabbard, anunciou sua renúncia. Em seu discurso de despedida, em 12 de junho, falou sobre uma rede global de biolaboratórios financiados por Washington.

Apresentador do Canal 1 – A inteligência americana divulgou novos materiais sobre a investigação das atividades dos biolaboratórios financiados pelo orçamento dos EUA. Mais de 40 deles estão na Ucrânia.

TG – A publicação de hoje revela, pela primeira vez, informações sobre a existência, localização e financiamento desses biolaboratórios financiados pelos EUA. Todas essas informações foram deliberadamente ocultadas por muito tempo por pessoas influentes que afirmavam que tais laboratórios jamais existiram.

DL – O comunicado oficial do gabinete de Gabbard consiste em apenas quatro páginas de um documento com texto parcialmente editado. Ele descreve laboratórios em centros regionais de diagnóstico na Ucrânia, ou seja, os locais habituais onde os patógenos são armazenados e estudados. Outro detalhe notável: o mapa dos biolaboratórios mostra incorretamente a localização de Kyiv e indica cidades inexistentes: Cherniv [Chernov, em russo] e Zakarpattia. Afirma ainda que laboratórios ucranianos supostamente existiriam também na Crimeia, território ocupado pela Rússia.

Igor Slabykh, especialista em EUA – Gabbard está no cargo há mais de um ano. E, no fim, tudo o que conseguiu encontrar foram quatro documentos. O cabeçalho diz que um laboratório veterinário em Kharkiv foi alvo de desinformação por parte da Rússia. Bem, é exatamente disso que todos estão falando. Sim, aí realmente há informações sobre o que foi financiado. Sim, ninguém o nega. Sim, há informações sobre quanto dinheiro foi alocado. Mas aí não há informações sobre quais armas biológicas específicas estavam sendo desenvolvidas; esses dados não existem. Certo. Mas quais experimentos específicos foram conduzidos? Não há informações. Portanto, é propaganda pura e simples.

DL – A publicação do gabinete da diretora de Inteligência Nacional dos EUA afirma que informações sobre o financiamento americano pra laboratórios foram anteriormente “ocultadas deliberadamente por indivíduos influentes, em particular o imunologista Anthony Fauci e representantes do governo do ex-presidente americano Joe Biden. Isso diz respeito a aproximadamente 120 instalações em 30 países, incluindo mais de 40 na Ucrânia”. No entanto, as informações contidas no comunicado já são conhecidas há muito tempo. Os EUA de fato ajudaram a Ucrânia a modernizar laboratórios de diagnóstico e referência nos quadros do programa Biological Thread Reduction (Redução de Ameaças Biológicas), ligado à Convenção sobre as Armas Biológicas, segundo confirmou o Ministério da Saúde da Ucrânia.

Ministério da Saúde da Ucrânia – A essência do acordo é combater a ameaça de surtos de doenças infecciosas perigosas. Esse acordo é público e não menciona nenhum programa biológico militar nem o envolvimento de quaisquer recursos do Ministério da Defesa da Ucrânia.

Aleksandra Filippenko, americanista – O programa, lançado em 1991, existiu de forma totalmente transparente. Não havia segredo militar nem qualquer tipo de segredo em geral. Além disso, os sites oficiais das embaixadas americanas descrevem detalhadamente esse programa conjunto de combate a ameaças, o Programa Nunn-Lugar. Basicamente, tratava-se de um programa criado pra neutralizar diversos laboratórios que estavam sendo instalados nos territórios das então repúblicas soviéticas e, posteriormente, nos países pós-soviéticos, devido ao fato que, após a dissolução da URSS, ninguém tinha recursos pra os manter.

William Moser, diplomata – Os EUA têm interesses humanitários que vão além de questões de poder e influência. E acredito que seja importante que os EUA continuem esse trabalho.

DL – No entanto, pra propaganda russa, esses quatro slides estão se tornando a prova do que eles vêm afirmando desde 2022: a Ucrânia é um campo de testes pro desenvolvimento de armas biológicas americanas.

Maria Zakharova – Agora os americanos também vão verificar tudo aquilo que anteriormente, como eu já disse, a comunidade internacional supostamente civilizada negava.

Kirill Dmitriev – A verdade russa sobre os biolaboratórios de Obama e Biden na Ucrânia, que colocaram o mundo em perigo e cuja existência era anteriormente negada pelo deep state e pela mídia tradicional, foi confirmada em pleno Dia da Rússia.

Mikhail Favorov, epidemiologista – O financiamento terminou após a construção e o treinamento. Eles mantiveram o nível de anticorpos por seis meses e, depois disso, o financiamento direto pra manutenção dos laboratórios foi interrompido. Agora, o financiamento é direcionado aos países onde os laboratórios foram criados. E isso faz parte do acordo.

DL – A propaganda russa transformou o tema dos biolaboratórios ucranianos em uma verdadeira teoria da conspiração. Mesmo antes da invasão em larga escala, agências de inteligência e a mídia controlada já construíam uma narrativa sobre laboratórios secretos dos EUA. E de acordo com uma investigação do Insider, uma unidade do GRU esteve envolvida na elaboração desse conceito, sistematicamente o integrando em companhias de informação, desde mosquitos de combate até armas que visam exclusivamente o gene dos russos.

Apresentador da REN TV – O Ministério da Defesa divulgou hoje novos dados assustadores sobre os biolaboratórios na Ucrânia. Descobriu-se que vários programas secretos estavam sendo simultaneamente implementados sob controle dos EUA. Por exemplo, eles estavam estudando a transmissão de doenças de morcegos pra humanos. A possibilidade da infecção se espalhar por meio de aves também foi investigada.

Apresentador da TVTs – O Pentágono admitiu que estavam transformando mosquitos em armas biológicas. Os insetos estavam se tornando vetores dos vírus da febre amarela, zika e chicungunha.

Dmitri Medvedev – A maior ameaça agora vem dos biolaboratórios em território ucraniano. Ao longo da operação militar especial [nome oficial da invasão à Ucrânia], foram obtidas evidências de que componentes de armas biológicas estavam realmente sendo produzidos perto de nossas fronteiras.

DL – A diretora de Inteligência Nacional, Tulsi Gabbard, vem falando sobre biolaboratórios na Ucrânia desde o início da invasão russa.

TG – Existem mais de 25 biolaboratórios financiados pelos EUA operando na Ucrânia. Se o trabalho deles for destruído, isso pode levar ao vazamento e à disseminação de patógenos mortais pelo território americano e pelo mundo. Portanto, eles devem ser protegidos pra evitar o surgimento de novas pandemias.

DL – Após uma enxurrada de críticas, ela esclareceu que não estava falando de armas biológicas. No entanto, isso não a impediu de divulgar comentários de políticos americanos de direita, contrastando as garantias anteriores do governo Biden com as declarações atuais de autoridades de inteligência.

Jen Psaki, secretária de imprensa de Biden – A Rússia tem um histórico de espalhar mentiras descaradas desse tipo, incluindo alegações de que os EUA ou a Ucrânia estariam supostamente desenvolvendo programas de criação de armas químicas e biológicas.

TG – Pessoas influentes vêm afirmando há anos que esses laboratórios não existem.

DL – A presença desses laboratórios na Ucrânia é um problema? Sim, mas, segundo especialistas, não do tipo que os talk shows russos estão discutindo.

MF – Quando há uma guerra, todos correm risco. É um perigo muito sério. Não se trata apenas de exposição bacteriológica. Pode ser sobre eletricidade, sei lá, ou um depósito de lixo nuclear. Existe risco? Sim. De que tipo? As pessoas que trabalham aí são as que correm maior risco. Se os laboratórios forem bombardeados, elas podem adoecer. Se adoecerem, podem infectar outras pessoas.

AF – Parece que isso é um presente pra Rússia, um presente pro Kremlin, um presente pra Putin, um presente pra propaganda russa, que, naturalmente, começou a afirmar que todas as preocupações da Rússia com relação aos biolaboratórios na Ucrânia são justificadas.

DL – Tulsi Gabbard está deixando o cargo de diretora de Inteligência Nacional, sem nunca ter se tornado uma voz efetiva da comunidade de inteligência sob Trump. Após seu desentendimento com o atual governo sobre o Irã e uma série de outras questões de política externa, ela foi gradualmente afastada de reuniões importantes e de qualquer influência real nas decisões. E agora, tendo renunciado, volta à esfera pública no cômodo papel de denunciante. E os produtos que surgiram com o slogan “Vance-Gabbard 2028” sugerem que a história dos laboratórios pode se tornar apenas o primeiro episódio de sua futura carreira política.

AF – A questão principal é financeira. E é isso que Tulsi Gabbard enfatiza. E é a isso que ela apela. Ela está falando sobre como o dinheiro dos contribuintes americanos foi gasto nuns laboratórios em algum lugar, sabe-se lá pra quê.

Megyn Kelly, jornalista – Tulsi Gabbard poderia se candidatar à presidência em 2028?

TG – Eu nunca descarto nenhuma oportunidade de servir a meu país.



Екатерина Котрикадзе – Секретные биолаборатории США в Украине, одна из главных теорий заговора, которыми российская пропаганда пытается объяснить войну. К этой истории подключилась и глава американской Нацразведки. Накануне в своей отставке Тулси Габбард заявила о глобальной сети биолабораторий, финансируемых Вашингтоном и обвинила собственное государство в сокрытии правды о том, что на самом деле написано в её документах. Что за лаборатории такие работали в Украине и почему публикацию Габбард уже называют политическим подарком Кремлю? В материале Дарьи Левчук.

Тулси Габбард – Они не просто лгали, они угрожали тем, кто пытался рассказать правду.

Дарья Левчук – Сотни российских заголовков вышли с одинаковой формулировкой: США признали, что содержали более 40 биолабораторий в Украине, о которых годами врали миру. В конце мая директор Национальной разведки США Тулси Габбард объявила о своей отставке. На прощание 12 июня она сообщила о глобальной сети биолабораторий, финансируемых Вашингтоном.

Ведущий Первого канала – Американская разведка обнародовала новые материалы о расследовании деятельности биолабораторий, которые финансировались из бюджета США. Более 40 из них на Украине.

ТГ – Сегодняшняя публикация впервые раскрывает информацию о существовании, местонахождении и финансировании этих биолабораторий, финансируемых США. Все эти сведения долгое время намеренно скрывались влиятельными людьми, которые утверждали, что таких лабораторий вообще не существует.

ДЛ – Официальный релиз офиса Габбард – это всего четыре страницы документа с частично отредактированным текстом. В нём описываются лаборатории при областных диагностических центрах Украины, то есть обычные места, где хранят и изучают патогены. Примечательно другое: на карте биолабораторий неправильно показано расположение Киева и обозначены несуществующие города: Чернов и Закарпатье. А также указано, что украинские лаборатории якобы есть и в оккупированном России и Крыму.

Игорь Слабых, эксперт по США – Габбард работает на своём посту больше года. И в итоге всё, что она смогла найти – это четыре документа. В шапке его говорится о том, что ветеринарная лаборатория в Харькове стала объектом дезинформации со стороны России. Ну, как бы это как раз вот о том, о чём все и говорят. Да, действительно, там есть информация о том, что спонсировалось. Да, никто это не отрицает. Да, есть информация, сколько денег выделялось. Но нет информации там о том, какое конкретно биологическое оружие разрабатывалось, информации этой нету. Хорошо. А какие конкретные эксперименты проводились? Информации этой нету. Ну, то есть это это чистой воды пропаганда.

ДЛ – В публикации офиса директора Нацразведки США заявляется, что ранее информация об американском финансировании лабораторий “умышленно замалчивалась влиятельными лицами, в частности, иммунологом Энтони Фаучи и представителями администрации экс-президента США Джо Байдена. Речь идёт примерно о 120 объектах в 30 странах мира, из них более 40 в Украине”. Но изложенное в релизе уже давно известно. США действительно помогали Украине модернизировать диагностические и референс-лаборатории в рамках программы Biological Thread Reduction, связанной с конвенцией о запрете биологического оружия, что подтверждал Минздрав Украины.

Минздрав Украины – Суть сделки – противодействие угрозе вспышек опасных инфекционных заболеваний. Это соглашение есть в публичном доступе, и в нём вообще речь не идёт о военно-биологических программах или привлечении любых мощностей Минобороны Украины.

Александра Филиппенко, американист – Программа, которая была запущена в 1991 году, а существовала совершенно в открытую. Никакой военной тайны и вообще никакой тайны в этом не было. Более того, на официальных сайтах американских посольств подробно описана вот эта программа совместное противодействие угрозам, Программа Нанна-Лугара. Ну, вообще это программа, которая была создана для того, чтобы обезвредить разные лаборатории, которые создавались на территории стран, тогда ещё советских, а потом уже вот постсоветских стран, в связи с тем, что после развала Советского Союза ни у кого не было денег на их консервацию.

Уильям Мозер, дипломат – У Соединённых Штатов есть гуманитарные интересы, которые выходят за рамки вопросов силы и влияния. И я считаю, что для США важно продолжать такую работу.

ДЛ – Тем не менее, эти четыре слайда становятся для российской пропаганды доказательством того, о чём они твердили с 2022 года. Украина – полигон для разработки американского биологического оружия.

Мария Захарова – Теперь будут американцы ещё проверять всё то, что раньше, как я уже сказала, мировое сообщество вот это самое якобы цивилизованное отрицало.

Кирилл Дмитриев – Российская правда о биолабораториях Обамы и Байдена в Украине, которые подвергали мир опасности и существование которых ранее отрицали глубинное государство и традиционные СМИ, получило подтверждение в День России.

Михаил Фаворов, эпидемиолог – Финансирование закончилось после строительства и после обучения. Там это полгода они поддерживали титра и потом это финансирование прямого для сохранения лабораторий больше не было никогда. Они переходят на финансирование стран, где они были созданы. И это входит в договор.

ДЛ – Российская пропаганда превратила тему украинских биолабораторий в полноценную теорию заговора. Ещё до полномасштабного вторжения спецслужбы и подконтрольные медиа выстраивали сюжет о секретных лабораториях США. А по данным расследования Инсайдер, к разработке этой концепции было причастно подразделение ГРУ, которое системно встраивало её в информационные компании, от боевых комаров до оружия, поражающего уникальный ген русского человека.

Ведущая РЕН ТВ – Новые жуткие данные о биолабораториях на Украине сегодня сообщили в Министерстве обороны. Выяснилось, что под контролем США шла реализация сразу нескольких секретных программ. К примеру, изучали передачу заболевания от летучих мышей к человеку. Также следовалась возможность распространения инфекции с помощью птиц.

Ведущий ТВЦ – В Пентагоне сознали, что делали из комаров биооружие. Насекомые становились переносчиками жёлтой лихорадки и вирусов зика и чикунгунья.

Дмитрий Медведев – Наибольшая угроза сейчас исходит из биолабораторий на территории Украины. В ходе СВО были получены доказательства, что рядом с нашими границами фактически производились компоненты биологического оружия.

ДЛ – Глава Нацразведки Тулси Габбард говорит о биолабораториях в Украине ещё с начала российского вторжения.

ТГ – В Украине действует более 25 биолабораторий, финансируемых США. Если их работа будет нарушена, это может привести к утечке и распространению смертельно опасных патогенов по территории США и всего мира. Поэтому их необходимо обезопасить, чтобы предотвратить возникновение новых пандемий.

ДЛ – После шквала критики она уточнила, что речь идёт не о биологическом оружии. Однако это не мешало ей распространять комментарии правых американских политиков, которые противопоставляют прежние заверения администрации Байдена нынешним выступлением представителей разведки.

Джен Псаки, пресс-секретарь Байдена – У России есть история распространения откровенной лжи подобного рода, включая утверждения о том, что США или Украина якобы ведут программы по созданию химического и биологического оружия.

ТГ – Влиятельные люди годами утверждали, что этих лабораторий не существует.

ДЛ – Есть ли вообще проблема в наличии таких лабораторий в Украине? Да, но, по мнению экспертов, не та, о которой говорят российские ток-шоу.

МФ – Когда идёт война, риск есть у всех. Это очень серьёзная опасность. Это не только относится к бактериологическому воздействию. Это может относиться к электричеству, я не знаю, к хранилищу ядерных отходов. Риск есть? Да. Какой? Люди, которые там работают, вот кто под большим риском. Если по лабораториям бомбят, они могут заболеть. Если они заболеют, они могут заразить других.

АФ – Кажется, что это подарок России, подарок Кремлю, подарок Путину, подарок российской пропаганде, которая, конечно же, естественно стала говорить о том, что оправданы совершенно все опасения России относительно биолабораторий в Украине.

ДЛ – Тулси Габбард уходит с поста директора Национальной разведки, так и не став полноценным голосом разведсообщества при Трампе. После её несогласия с действующей администрацией по Ирану и ряда других внешнеполитических тем, её постепенно отстранили от ключевых совещаний и реального влияния на решение. Теперь же, уйдя в отставку, она возвращается в публичное поле в удобной для себя роли разоблачительницы. А появившийся мерч с надписью “Vance-Gabbard 2028” намекает, что история с лабораториями может стать лишь первой серией в её дальнейшей политической карьере.

АФ – Главный вопрос финансовый. И на это делает упор Тулси Габбард. И к этому она апеллирует. Она говорит о том, что вот деньги американских налогоплательщиков тратились на какие-то лаборатории где-то, непонятно зачем.

Мегин Келли, журналистка – Может ли Тулси Габбард баллотироваться в президенты в 2028 году?

ТГ – Я никогда не исключаю ни одной возможности послужить своей стране.



sábado, 20 de junho de 2026

Entrevista del Che em francês (1964)

Esta rara entrevista está online no canal da RTS (Rádio e Televisão Suíça em francês) há quase 19 anos, mas não chegou a 1,4 milhão de visualizações, enquanto vídeos muito mais fúteis e ultrajantes chegam a muito mais do que isso em poucas horas nos canais grandes. Pra se ter uma noção, a imagem ainda tem o selo da então existente TSR (Televisão Suíça Romanda), que em 2010 se fundiria com a RSR (Rádio Suíça Romanda) pra criar a rede pública RTS. Descobri sua existência após assistir à última edição do programa semanal Géopolitis da mesma RTS, sobre a história do bloqueio a Cuba pelos EUA e da atual escalada da crise entre os dois países, sobretudo a penúria geral que assola a ilha caribenha. A apresentadora disse que a entrevista de Ernesto “Che” Guevara à mídia suíça era “inédita”, mas entendi que ela nunca tinha ido ao ar (foi mostrado um trecho exíguo). Quando localizei algo parecido com a íntegra no próprio YouTube, pensei como o Pica-Pau: “Fui tapeado!”

Se nem na própria Helvécia o vídeo era muito conhecido, que dirá nesta Terra de Santa Cruz? Hora de fazer mais uma tradução que pudesse fazer sucesso entre meus compatriotas, sobretudo aqueles vestidos de camiseta com a cara descabelada do revolucionário argentino e braço direito de Fidel Castro! Segundo a RTS, a conversa ocorreu em Genebra, em abril de 1964, conduzida por René Burri pro programa Point, apresentado pelo jornalista Jean Dumur. Então ministro da Indústria de Cuba, El Che minimiza os efeitos até então visíveis do embargo imposto por Washington e notavelmente mostra hesitação em tomar partido na disputa sino-soviética, o maior racha do mundo socialista até então. (Havana finalmente tomaria o partido de Moscou e de sua gorda mesada, mas essa é outra história.)

Considera-se que esse seja o único registro público do francês falado por Ernesto Guevara, que teria, segundo comentários à publicação de 2007, passado boa parte de sua juventude lendo renomados escritores franceses no original, devido ao repouso prolongado imposto por sua condição de asmático. Eis aqui, então, mais uma tentativa de contribuir pra tradução da história do comunismo em português, ressaltando que editei profundamente o texto em francês das legendas que baixei por meio de um site. Em grande parte, não corresponde à fala, mas tenta passar as ideias originais mantendo o máximo do estilo, e o resultado segue depois da tradução. A base desta saiu do Google Tradutor, que deu várias soluções interessantes, mas o resultado foi atentamente cotejado com minha transcrição editada.

Adicionei notas explicativas entre colchetes e links pra páginas relacionadas quando necessário, nas duas versões, e realmente a conversa parece “começar no meio”, subentendendo-se já estar em discussão um assunto. Se havia um trecho gravado antes disso ou se foi um mero cacoete linguístico de René Burri, jamais saberemos:


Mas, em sua opinião, houve alguma mudança na atitude dos EUA com relação a Cuba?

Talvez, eu lhe digo, seja difícil lhe responder diretamente. De qualquer forma, não baseamos nossa posição escutando ou observando o que os EUA fazem ou o que os EUA querem. Bem, conduzimos nossa política internacional e, naturalmente, observamos atentamente o que eles fazem porque é nosso inimigo, estão perto de nós, são muito poderosos.

Hoje, nos últimos dias, há algumas vozes americanas, nós as conhecemos, o senador [James William] Fulbright [presidente do Comitê de Relações Exteriores do Senado dos EUA], por exemplo, que falaram numa linguagem completamente diferente. Mas imediatamente, o sr. [David Dean] Rusk [secretário de Estado dos EUA], o sr. Thomas Mann [diplomata americano que forjou a política de intervenção direta nos países latino-americanos], falaram na linguagem usual, e não podemos saber se a atitude de Fulbright, por exemplo, reflete realmente uma mudança na posição dos EUA ou se é simplesmente uma voz isolada.

O bloqueio econômico imposto pelos EUA tem afetado a vida em Cuba?

Sim, antes de mais nada, tem mudado completamente a vida em Cuba. Mudamos nossas fontes de suprimento, que passaram a ser a Europa, especialmente os países socialistas. Mudamos nosso próprio estilo de vida, e os artigos de luxo, bens de consumo durável, digamos assim – não sei o termo em francês –, quase desapareceram em Cuba. Havia muitas coisas em falta. Nossas indústrias passaram por um período bastante longo sem peças de reposição, e às vezes era preciso parar. Não conseguíamos as manter funcionando, mas essa situação até forçou nossa industrialização no setor mecânico.

E neste momento podemos nós mesmos suprir quase todos os suprimentos mecânicos essenciais, isto é, peças de reposição e, naturalmente, tudo o que não podemos comprar de países socialistas ou outros países da Europa. Pois devemos considerar que Cuba é um país onde quase toda a indústria, toda a técnica e toda a tecnologia dependiam dos EUA e das fábricas dos EUA, e mudar tudo isso é algo muito difícil. Conseguimos fazer isso e, desde o ano passado, o bloqueio já é realmente um completo fracasso.

Mas você está satisfeito com a atual situação econômica de Cuba?

Não, nunca podemos estar satisfeitos. Aspiramos a muito mais, mas o ano passado foi o pior, especialmente no início, quando a economia estava em seu ponto mais baixo. Desde esse momento, começamos a expandir nossa indústria e agricultura, e podemos dizer que essa é a direção geral que a economia está tomando, uma melhora gradual e sustentada. Infelizmente, não é algo maravilhoso, mas todos os dias podemos ver os resultados concretos do que estamos fazendo, e pro povo isso é encorajador.

A ajuda soviética a Cuba é necessária pra vocês?

Naturalmente é necessária. Acho que a ajuda de todos os povos é necessária. Se você que saber se é indispensável, acho que não. Mas precisamos esclarecer bem o que estamos chamando de ajuda, pois sempre há alguns erros, alguns equívocos. Por exemplo, os americanos falam da ajuda soviética em termos comerciais, e temos um comércio bilateral muito forte em ambos os lados. Isso não é ajuda. A ajuda soviética consiste em alguns acordos de longo prazo, como os acordos sobre a cana-de-açúcar e os acordos pra fornecer empréstimos de longo prazo pra conclusão de empresas industriais. Isso é muito importante pra nosso desenvolvimento. E digo que a URSS, você me perguntou, não sei se você está se referindo especificamente à URSS ou aos países socialistas. Mas temos esse tipo de relacionamento com todos os países socialistas.

Mas ainda há soldados soviéticos em Cuba?

Técnicos, mais exatamente. Eles estão lá, sim.

Vocês precisam deles?

Eles são nossos instrutores em algumas áreas.

Em quais áreas?

Na área de tecnologia de defesa avançada. Abatemos um U-2: só a URSS consegue fazer isso, a China também, acredito, e naturalmente é uma técnica muito difícil. Até agora não a dominamos.

Qual é a posição de Cuba diante do conflito que opõe Moscou a Pequim?

Lamentamos profundamente essas questões. Até agora não nos pronunciamos sobre isso nem vamos nos pronunciar oficialmente.

O sr. Khrushchov deseja convocar uma conferência comunista mundial pra resolver esse conflito de uma forma ou de outra. Se essa conferência acontecer, Cuba vai participar?

Esta pergunta está irmanada à anterior. Não vamos nos pronunciar sobre esse assunto. De qualquer forma, não considero este momento oportuno.

Quais são atualmente as relações de Cuba com o resto da América Latina?

São fracas. Mantemos relações diplomáticas com cinco países e relações comerciais com apenas dois ou três. Elas não são significativas. O bloqueio americano foi imposto aos países latino-americanos, creio eu, de forma mais eficaz que em outras regiões do mundo. Os países americanos [i.e. das três Américas] nos condenaram em Punta del Este, no Uruguai, numa conferência em 1962. Fomos expulsos da Organização dos Estados Americanos e muitos países romperam suas relações diplomáticas e comerciais conosco. Essa situação permanece até hoje.

Você acha que existem atualmente países na América Latina maduros, prontos pra uma revolução do tipo castrista, do tipo cubano?

Existem alguns onde a luta já está em curso. Não se fala disso aqui, mas há luta na Venezuela, na Guatemala e talvez em outros países onde o povo pegou em armas. Aconteceu conosco: lutamos por muitos anos e ninguém falava de nós.

Você mencionou a Venezuela e a Guatemala, mas Cuba está ajudando os revolucionários desses países?

Apenas moralmente. Cuba considera que a luta deles é justa, mas só os ajuda até esse ponto.


Mais d’après vous, est-ce qu’il y a quelque chose de changé dans l’attitude des États-Unis à l’endroit du Cuba ?

Peut-être je vous dis, c’est difficile à vous répondre directement. En tout cas, nous ne fixons pas notre position en écoutant, en regardant ce que les États-Unis font ou ce que les États-Unis veulent. Bon, nous faisons notre politique internationale et naturellement nous regardons avec attention ce qu’ils font parce que c’est notre ennemi, ils sont près de nous, ils sont très forts.

Aujourd’hui, dans ces derniers jours, il y a quelques voix américaines, on les connait, le sénateur [James William] Fulbright [président de la Commission des affaires étrangères du Sénat des États-Unis], par exemple, qui a parlé un langage absolument différent. Mais immédiatement monsieur [David Dean] Rusk [secrétaire d’État des États-Unis], monsieur Thomas Mann [diplomate américain qui a forgé la politique d’intervention directe dans les pays latino-américaines] ont parlé dans le langage habituel, et nous ne pouvons pas savoir si l’attitude de Fulbright, par exemple, correspond vraiment à un changement de la position des États-Unis ou si elle n’est qu’une voix isolée.

Est-ce que le blocus économique imposé par les États-Unis a affecté la vie à Cuba ?

Oui, en premier lieu, il a fait changer absolument toute la vie à Cuba. Nous avons changé nos sources de ravitaillement, qui se sont déplacées vers l’Europe, surtout vers les pays socialistes. Nous avons changé toute notre vie même, et les articles de luxe, les articles de consommation à long terme, on peut dire – je ne connais pas le mot en français –, et ça a presque disparu à Cuba. Il y avait beaucoup de choses qui manquent. Nos industries sont passées par une période assez longue où il n’y avait pas de pièces de rechange, il a fallu s’arrêter quelquefois. Nous ne pouvons pas les mettre en fonctionnement, mais cette condition même a forcé notre industrialisation dans la mécanique.

Et en ce moment nous pouvons fournir presque tous les ravitaillements essentiels de type mécanique, c’est-à-dire des pièces de rechange par notre propre main, et naturellement ce que nous ne pouvons pas acheter dans des pays socialistes ou dans d’autres pays de l’Europe. Parce qu’on doit considérer que Cuba est un pays où presque toute l’industrie, toute la technique et toute la technologie dépendaient des États-Unis et des usines des États-Unis, et changer tout ça, c’est une chose assez difficile. Nous l’avons pu faire, et depuis cette dernière année, le blocus est déjà vraiment un échec absolu.

Mais vous êtes satisfait de la situation économique actuelle à Cuba ?

Non, jamais on ne peut être satisfait. Nous aspirons à beaucoup plus, mais l’année dernière a été l’année plus basse, surtout dans les premières parties de l’année, où l’économie était dans le moment le plus bas. Depuis ce moment, nous avons commencé à accroitre notre industrie, notre agriculture, et ça c’est, on peut dire, la direction générale que suit l’économie, c’est-à-dire, une amélioration progressive, soutenue. Malheureusement ce n’est pas une chose merveilleuse, mais chaque jour on peut voir concrètement les choses que nous faisons, et c’est encourageant pour le peuple.

L’aide soviétique à Cuba, est-ce qu’elle vous est nécessaire ?

Naturellement qu’il est nécessaire. Je pense que l’aide de tous les peuples est nécessaire. Si vous demandez si elle est indispensable, je pense que non. Mais on doit préciser bien ce qu’on appelle l’aide, parce qu’il y a toujours quelques erreurs, quelques tromperies. Par exemple, les Américains parlent de l’aide soviétique en ce qui concerne le commerce, et nous avons un très fort commerce sur une base bilatérale de part et d’autre. Ça n’est pas de l’aide. L’aide soviétique, ce sont quelques accords à long terme, comme les accords pour la canne à sucre et les accords pour fournir des crédits à long terme aux entreprises industrielles complètes. C’est très important pour notre développement. Et je dis, l’Union soviétique, vous m’avez demandé, je ne sais pas si vous parlez précisément de l’Union soviétique ou des pays socialistes. Mais c’est avec tous les pays socialistes que nous avons ce type de relation.

Mais est-ce qu’il y a encore des soldats soviétiques à Cuba ?

Nous disons, techniciens. Ils sont là, oui.

Ils vous sont nécessaires ?

Ils sont nos professeurs dans quelques domaines.

Dans quels domaines ?

Dans le domaine de la technique supérieure de la défense. Nous avons fait tomber un U-2, seulement l’Union soviétique peut le faire, la Chine aussi, je crois, et naturellement c’est une technique très difficile. Nous ne la dominons pas jusqu’à ce moment.

Quelle est la position de Cuba face au conflit qui oppose Moscou à Pékin ?

Ces questions, nous les déplorons beaucoup. Nous n’en avons pas parlé jusqu’à ce moment et nous n’en parlerons pas officiellement.

Monsieur Khrouchtchov désire réunir une conférence communiste mondiale pour résoudre d’une façon ou d’une autre ce conflit. Si cette conférence a lieu, est-ce que Cuba y participera ?

Cette question est frère de la précédente. Nous ne parlerons pas de cette question. Je ne trouve pas ce moment opportun, en tout cas.

Quels sont les rapports actuellement de Cuba avec le reste de l’Amérique latine ?

Ils sont faibles. Nous avons des relations diplomatiques avec cinq pays et nous avons des relations commerciales avec deux ou trois seulement. Elles ne sont pas importantes. Le blocus américain s’est imposé aussi aux pays de l’Amérique latine, je pense, plus efficacement que dans d’autres régions du monde. Les pays américains [c.à.d. des trois Amériques] nous ont condamné à Punta del Este, en Uruguay, lors d’une conférence en 1962. Nous avons été expulsés de l’Organisation des États américains et beaucoup de pays ont coupé leurs relations diplomatiques et commerciales avec nous. C’est la situation jusqu’à ce moment.

Pensez-vous qu’il y a, à l’heure actuelle, en Amérique latine des pays mûrs, prêts pour une révolution du type castriste, du type cubain ?

Il y en a quelques-uns où il y a déjà la lutte. Ici on n’en parle pas, mais la lutte existe au Venezuela, au Guatemala et peut-être dans d’autres pays où le peuple lutte avec les armes. Ça s’est passé avec nous : nous avons lutté pendant de longues années et personne ne parlait de nous.

Vous avez parlé du Venezuela et du Guatemala, mais est-ce que Cuba aide les révolutionnaires de ces pays ?

Moralement seulement. Il considère que leur lutte est juste, mais il ne les aide que jusqu’à ce point.



El Che usando a boca pra verificar se essa Coca é Fanta.

segunda-feira, 15 de junho de 2026

Como seguir as atualizações da página

Se você realmente quiser pular a reflexão pessoal e ir direto ao aspecto prático que interessa, clique aqui.


Esta publicação tem um pouco de vários caracteres: informativo, planificador, comunicativo, reflexivo. Por que eu estaria preocupado com o modo como os leitores frequentes deste blog que prefiro chamar de “página” recebessem atualizações de conteúdo novo, e por que eu ainda não estaria satisfeito que as pessoas simplesmente encontrassem meus textos por acaso numa busca online? A questão não é tão simples, e quero abordar alguns assuntos que têm ocupado meus pensamentos nos últimos anos.

Definitivamente, os blogs decaíram com a ascensão das novas mídias sociais, porque ninguém mais tinha energia e inteligência pra ler e escrever tanto, e porque um Facebook, um Instagram ou um YouTube da vida são muito mais ágeis quanto à distribuição e notificação de conteúdo e à obtenção de público (no qual, potencialmente, já estão teus contatos usuais). Com o fracasso das experiências do Orkut e do Google+, a Alphabet investiu massivamente no “Você Transmite”, de forma que ele acabou perdendo sua essência original de “vlogueiros caseiros” e se tornou uma verdadeira Netflix semigratuita. Aliás, acariciados com o enganoso nome “canal” (Netinho de Paula que o diga!), os velhos “vloggers” que botavam a boca no trombone se tornaram “youtubers” que morriam pra se encaixar na cultura de massas, e depois “influenciadores”, cópias ruins uns dos outros, que catequizam (por isso sendo em número bem mais restrito) os bilhões de gados dopados por seus smartphones.

Exemplo dessa negligência são os muitos usuários que criam seus blogs e, quando param ou mudam de plataforma, não o apagam nem deixam uma mensagem de adeus. Mari Moon deletou o seu, mas Viih Tube não posta desde 6 de fevereiro de 2015, e ainda podemos nos divertir com álbuns completos de sua puberdade. Uns poucos heróis, talvez por comodismo ou praticidade, se ativeram ao Blogger, antigo Blogspot, o serviço de “diários digitais” do próprio Google, a exemplo meu mesmo e da ativista e professora “Escreva Lola Escreva” Aronovich, que está há muito mais tempo na praça e, claro, chegou muito mais longe. Mas se excetuarmos uma única grande mudança técnica ocorrida uns anos atrás, o Blogger é um serviço praticamente abandonado pela casa-mãe, e estou esperando a hora em que ele pode ser subitamente fechado sob a desculpa de “não estar dando lucro”. Acho pouco provável que esse momento chegue, mas se chegar, ainda pode demorar bastante, pois a capacidade de monetizar esses dinossauros pelo Adsense lhes dá uma sobrevida, mesmo que os fins sejam os mais escusos possíveis.

Exceto pelo Wordpress, outro idoso que sempre foi o queridinho de um público mais seleto, serviços mais modernos chegaram pra reabilitar e recauchutar a “blogagem”, entre os quais o Medium e o Substack. Porém, também limitados a um nicho de usuários com outros hábitos e mentalidades, não chegam aos pés das atuais redes sociais ou “mídias digitais” onipresentes, cada vez mais poderosas e tóxicas. Não vou entrar no mérito do Twitter, que aqui chamo carinhosamente de “Équis” e se popularizou chamado de “rede de microblogs”, mas que hoje se parece muito mais com os serviços da Meta, porém com menos funcionalidades. Por enquanto não falei de notificações, mas de conteúdo, e esta foi realmente a essência de uma de minhas mudanças: após anos usando assiduamente as redes tradicionais, em 2015 (quando a discussão sobre vício ainda estava começando e ninguém falava de violência e conteúdo enganoso!) parei de ter perfis fixos ou manipulados diariamente, exceto por alguns intervalos entre 2019 e 2022, em que cheguei a usar Instagram com alguma frequência.

Como já escrevi outras vezes, e como alguns amigos e conhecidos meus já sabem, criei no YouTube o canal Pan-Eslavo Brasil em 20 de novembro de 2010 como uma simples plataforma pra carregar os vídeos históricos que eu traduzia e legendava. Nunca considerei “youtuber” uma profissão nem jamais pretendi “influenciar” ninguém. Após maturação relativamente longa, este blog que chamo de página veio mais tarde, em 1.º de agosto de 2014, quando o Blogger ainda não tinha caído no esquecimento e eu pretendia ter também uma plataforma pra meus textos escritos, fossem eles originais ou traduções de terceiros. Entre 2009 e 2011, também cheguei a escrever textos em blogs pouco divulgados e de vida curta, e de 2012 a 2014 usei o Materialismo.net pra divulgação de ideias pessoais; a criação de um espaço próprio também reuniria escritos já prontos que eu achasse interessante relançar, com pouca ou nenhuma modificação.

Pra quem não se lembra, e pra informação dos jovens, no início da década de 2010, o canal do YouTube era automaticamente vinculado a nosso perfil no Google+, onde novos vídeos eram divulgados na hora (se alguém seguia nosso perfil, em dinâmica semelhante ao Instagram) e onde devíamos fazer as mudanças (foto, nome, descrição) que se refletiriam na plataforma. Somente mais tarde surgiu a possibilidade de desvincular os dois serviços e, se quiséssemos, de apagar nosso Google+, até finalmente aparecer nosso familiar YouTube Studio. Também devo confessar que por falta de ousadia, nunca experimentei outras plataformas de blog, já que ter uma conta do Google (como foi meu caso a partir da criação do Pan-Eslavo Brasil, e tive várias além daquela) dava acesso imediato ao serviço do Blogger. Somente em algumas semanas de teste, a primeira versão do que seria meu primeiro blog, o “Pensadores Libertos” (2009-10), foi hospedada no UOL, que assinei de 2000 a 2011.

Nunca busquei vincular diretamente o canal ou a página ao Orkut (que em 2012 quase ninguém mais usava), Facebook ou Instagram, no sentido de criar um espaço dedicado especialmente a eles. No caso do Facebook, eu postava meus novos vídeos ou textos no próprio perfil pessoal ou, o que era mais arriscado, em grupos a que pertencia, mas de cujas regras nem sempre lembrávamos ou cujos administradores eram mais sensíveis a certos conteúdos... Pra ser mais exato, a primeira vez que fiz uma página do Facebook dedicada ao canal foi em meados de 2014, quando reaproveitei uma página inicialmente dedicada ao historiador Edgard Carone, mas jamais alimentada. Como interagia muito e tinha muitos contatos com os mesmos interesses que eu (mesmo que politicamente discordantes), a página cresceu espantosamente e em poucos dias chegou a ter mais de dois mil seguidores! Pra efeito de comparação, no início de 2015 o próprio canal mal reunia 1,5 mil almas... Por motivo que até hoje desconheço, decidi apagar perto do fim de 2014 aquela que poderia ter sido um sucesso de público e, quem sabe, reunido até 1 milhão de facebookers ao longo do tempo.

Nunca mais repeti a façanha. É claro que minha decepção emocional com aquele site (já que eu quase não usava o aplicativo no smartphone) de alguma forma me levaria a jogar tudo pro ar de qualquer jeito; ou quem sabe a manutenção e sucesso da página me levariam a pensar duas vezes. Em todo caso, mantive depois páginas no Facebook dedicadas ao canal ou à página por curtos períodos, sem reunir muitos seguidores e logo “enjoando” de cuidar de sua administração. O mesmo ocorreu com o Instagram, no qual cheguei a ter perfis pessoais e/ou dedicados ao canal e/ou à página, mas que não durariam muito nem chegariam ao mesmo sucesso da pioneira no Facebook em 2014, quando o fenômeno da rede social tinha chegado ao ápice; muito menos aos números do próprio canal, que alcançou os 10 mil inscritos durante a Copa na Rússia em 2018 e “faleceu” em 11 de agosto de 2021, após passar os 42 mil fãs.

O que quero dizer com toda essa digressão? Quero dizer que, exceto pelos meios muito limitados que o Blogger ainda oferece pra notificação de novas publicações a eventuais interessados, sem que eles precisem ficar visitando a página o tempo todo, jamais mantive outras mídias que as pessoas frequentassem mais e, assim, pudessem saber imediatamente das novidades. Às vezes foi falta de paciência (preferir manter o foco na alimentação da própria página), às vezes frustração (usar também como rede pessoal, mas não sentir o mesmo calor humano do passado), mas quase sempre consciência de que o império do algoritmo tornava as coisas cada vez mais difíceis pra quem (re)começava do zero, e não estava já no pedaço há um bom tempo. Se você não se engajasse com outras contas, fosse seguindo, curtindo ou comentando, nem publicasse o máximo possível, você ficaria invisível, mesmo que outros porventura procurassem exatamente o tipo de conteúdo que você publica. E mesmo querendo manter um “espaço fixo” que pudesse crescer gradualmente, com publicação ocasional, a ânsia de querer logo mais inscritos e a insatisfação com as interações pessoais minavam a possibilidade de qualquer acúmulo.

Quem conhece as principais plataformas de blogs sabe que o meio mais frequente e natural de seguir novas publicações é... tornar-se um seguidor, ora bolas! De fato, esta página não foi criada na atual conta do Google que a hospeda, datada de 2016 ou 2017, mas na conta destinada a abrigar o Pan-Eslavo Brasil e aberta na mesmíssima data em que criei o canal e carreguei o primeiro vídeo. Aliás, em novembro de 2010, após o fim de meu primeiro blog, eu estava sem conta do Google, sobretudo porque eu usava o e-mail do UOL, e não o Gmail ainda. Só recriei uma conta aqui pra poder usar o YouTube, e era justamente aquela vinculada ao correio eletrônico com nome de usuário pensamentoliberto, de que alguns conhecidos se lembram e que só abri em 2011 por causa do abandono do UOL.

Na primeira versão da página, lançada em 2014, cheguei a ter mais de 70 seguidores, alguns dos quais conhecidos que já não vejo há tempos, e (pouco até pra quase oito anos) mais de 900 mil visualizações únicas de página. Com o fim do Pan-Eslavo, em 2021, não vi sentido em manter duas contas do Google, mesmo que fosse só pra manter os inscritos da página, tanto mais que sequer podia fazer outro canal no YouTube com ela. Além disso, tinha se tornado uma conta “velha” com resquícios de recursos “velhos” que eu nem sequer conseguia apagar. Até pra “esquecer” afetivamente esse passado, resolvi transferir a página pra nova conta (esta que vocês veem agora), apesar do trabalhão que deu e, pior, da impossibilidade de manter ou comunicar aqueles mais de 70 inscritos! Verdade seja dita: muita gente ao longo dos anos criou contas no Blogger só pra seguir blogs, mas deve ter parado de os ler e simplesmente “largado” lá, o que as torna de fato seguidoras em número, e não em conteúdo.

Lançada pra valer em junho de 2022 (o espaço já estava público desde fevereiro, mas aguardando o apagamento da conta do Google 2010-2022), a versão da página nesta nova conta teve uma fortuna contraditória. Em seu pico, salvo se houver nova tendência de crescimento, alcançou apenas 26 ou 28 seguidores, o que organicamente não é irrisório, levando-se em conta que não fiz mais divulgação sistemática em redes sociais (mesmo em grupos de terceiros) e que poucos são os que hoje fazem perfis no Blogger. Contudo, em bem menos tempo, ultrapassei o 1,9 milhão de visualizações únicas, estando não muito longe de chegar a 2 milhões. Isso se deve, claro, ao aumento de usuários da internet, que chegam aqui usando inclusive ferramentas de IA, aos visitantes antigos que continuaram vindo e, talvez, divulgando, e à variação do conteúdo com ocasionais acelerações no número de novas publicações. Porém, alguém pode me corrigir, mas suspeito que haja tráfego “não orgânico”, como se fossem bots vindos não sei de onde e que também agem em redes sociais. Até porque, exceto se for caso de VPN ou imigração, boa parte desse tráfego está localizada nos EUA e outros países aos quais meu conteúdo não interessaria amplamente. Mas não é algo que me incomoda tanto.

É interessante e comovente que alguns jovens têm trilhado na contramão e criado perfis somente pra seguir determinados blogs, como é o caso da própria Lola Aronovich, bem como do meu, cuja caixinha localizada do lado direito da tela conta também com outros antigos conhecidos que “reapareceram”, rs:



O RSS é um instrumento tão arcaico e desusado que nem sequer resolvi incorporar aqui. Também não há mais a possibilidade de seguir por e-mail, e a outra possibilidade que é eu mesmo inserir manualmente os e-mails nas configurações exige, primeiramente, que a criatura aceite o convite (e alguns que eu julgava “amigos” ousaram recusar!), e ainda por cima é limitada a dez endereços, pode isso? Alguns contatos próximos recebiam essas atualizações, mas também desativei, porque essa limitação tirava toda a graça do recurso. Antes que você pergunte: sim, quando fazia páginas do Facebook pra divulgar o conteúdo, eu as incorporava aqui, mas agora você sabe o que eu terminava fazendo.

Afinal das contas, se tenho gradualmente abandonado as redes sociais, sobretudo na busca por manter um “perfil baixo”, se meu objetivo tem sido publicar mais pra ter um patrimônio cultural público do que pra adquirir engajamento e se, com o passar dos anos, tenho dado bem menos prioridade à produção de conteúdo e mesmo à tradução em geral, como era o caso na década de 2010, pra buscar ou me dedicar a atividades profissionais acadêmicas ou burocráticas... Afinal de contas, pra que me preocupar sobre como as pessoas vão seguir minha página (não tenho nenhuma pretensão de voltar ao YouTube!) se elas podem vir aqui a qualquer momento? Bem, isso implica contar sobre meus planos futuros.

Se você chegou até aqui sem pular parágrafos, ou você é um herói ou heroína “fora de seu tempo”, ou você realmente gosta muito de mim e/ou de meu conteúdo: a esmagadora maioria da “sociedade de massas” viciada em redes sociais, figurinhas coloridas e videozinhos curtos não aguentaria mais de dez linhas, quem sabe menos! Realmente, toda essa volatilidade quanto a espaços em redes sociais se deve exatamente à incerteza sobre o papel que elas podem ter em minha vida pessoal, profissional e cultural (relacionada a esta página). Afinal, até o Gemini deduziu (depois que digitei “Erick Fishuk”...) que, depois da queda do Pan-Eslavo, resolvi “centralizar” aqui todas as minhas traduções, rs. Havia também a possibilidade de, pagando ou não, publicar textos e vídeos maiores em redes tradicionais, depois de terem tecnicamente avançado muito, mas não só não desejo alimentar o modelo de negócio delas, como também tem a questão do “comodismo”: se já estou no Blogger, pra que republicar tudo “alhures” ou publicar as mesmas novidades duas vezes?

Obviamente eu uso um pingo de redes sociais: WhatsApp, porque é vital pra sobreviver nessa semicolônia latifundista e agroexportadora, e Telegram, como reserva pra qualquer hecatombe na Meta, pra outros países que o usem mais e porque acho bem mais rico em recursos. (OK, tenho usado secretamente uma conta do Instagram pra conversar com um punhado de amigos, mas até o fim de junho já tô querendo apagar de novo, então nem tente me procurar.) Pra se ter uma noção, desde que conheço o Telegram ele permite um nome de usuário particular, o que até agora nem o onipotente Zuckerberg conseguiu copiar! Além do conhecido grupo que mantive no WhatsApp de 2018 a 2020 (mais destinado, é verdade, à socialização), várias vezes criei canais nos dois aplicativos como alternativas de divulgação, mas logo perdia a paciência e apagava.

Confesso que o grande problema era a própria falta de plano de longo prazo pra manter esses espaços: primeiro, eu não tinha paciência de esperar vê-los crescerem; segundo, publicava muitos conteúdos aleatórios, inclusive links de notícias e vídeos que caberiam mais a mensagens privadas pra amigos; e terceiro, a relação com o conteúdo já existente, fossem arquivos de vídeo ou publicações escritas, era muito mal definida. Além de um desabafo, um “auxílio à memória” e um informativo histórico pra interessados, este texto, como eu disse lá no começo, também visa anunciar algumas estratégias pra retomar os meios “decentes” de divulgação e explicar como tem funcionado minha política de contatos pra falar comigo.

Por muitos anos, não permiti que as publicações recebessem comentários, justamente porque meu objetivo era fazer com que a página funcionasse exatamente como um site “puro”, isto é, apenas transmissora de conteúdo. (O já referido trabalhão somado à falta de tempo me impediu justamente que eu transferisse tudo pra outro serviço de hospedagem, como o Google Sites; essa hipótese pode ocorrer só em caso de emergência extrema.) Porém, de uns tempos pra cá, reabri essa possibilidade, em primeiro lugar pra ampliar o engajamento, mas também pra deixar as pessoas elogiarem ou agradecerem, não dar a impressão de ser antidemocrático e permitir eventuais correções ou sugestões de enriquecimento do texto. Não temo mais spams ou haters, pois eles podem ser facilmente apagados ou bloqueados. Mas está claro que essa é apenas uma forma de comunicação, e não de atualização. Assim, de alguma forma, sempre apresentei a possibilidade de entrar em contato pessoal direto comigo, em algum lugar na célebre barra direita.

Se você já observou o canto superior direito, pode ver estes três círculos que, da esquerda pra direita, se tratam respectivamente de meu Linktree (conjunto de links pessoais, tipo um miniportfólio), meu Currículo Lattes (exigido pra todo mundo que trabalha com pesquisa no Brasil) e meu perfil no Gravatar, que é multiuso pra alguns sites (incluindo o Wordpress), mas que realmente não é amplamente difundido:



Gostaria que você focasse sua atenção no Linktree, que não por acaso tem um ícone estilizado em forma de árvore, isto é, “tree”. A maioria dos links listados no perfil consiste em trabalhos acadêmicos, traduções publicadas, artigos culturais e vídeos do YouTube em que dou entrevista ou apareço como palestrante principal ou secundário. Na parte de cima, em forma de ícones, há meus principais contatos pessoais (que, exatamente por isso, não reproduzo de novo aqui): WhatsApp, e-mail, a própria página e outras redes ocasionalmente ativas (mas que podem sumir a qualquer momento).

Portanto, a instrução básica é a seguinte: sempre que houver algum contato meu disponível ou alguma rede social ativa, ela vai aparecer ali; se não aparecer, é porque ela existe, e se você vir alguma rede em meu nome, mas que não apareça ali, é falsa. A essa altura de minha vida, ninguém vai querer se passar por mim, mas é melhor prevenir do que remediar, né? Dito isso, é possível que nos próximos dias eu estruture um canal no WhatsApp (desse modelo novo, agora localizável por busca, e não do antigo modelo de grupo em que só admins podem mandar mensagem) e outro no Telegram, cujos links vão aparecer no Linktree. Então, fique alerta!

Quanto ao roteiro de atualizações, ele vai ser retroativo e progressivo. Retroativo, porque todo dia planejo publicar links antigos, o que pode inclusive proporcionar o encontro de material que boa parte dos leitores ainda não conhecia. E progressivo, porque cada nova publicação daqui pra frente também vai aparecer por lá, embora o retorno da regularidade ainda esteja em suspenso. Além de alguns concursos públicos e do estudo de idiomas, também tenho dedicado meu tempo livre, sobretudo os fins de semana, a ajudar alguns amigos com tarefas técnicas e a reorganizar meu próprio arquivo digital, o que pode ainda levar um tempão. Porém, sem prejudicar as obrigações cotidianas, há a possibilidade de eu fazer um pedaço de novas publicações por dia e, à medida que forem ficando prontas, ir programando-as pra um futuro em que eu possa garantir uma regularidade inquebrável das publicações (a cada um ou dois dias).

Outro ponto importante: os possíveis novos canais no WhatsApp e no Telegram vão conter apenas links pra publicações da página, e não vídeos antigos do Pan-Eslavo nem outros conteúdos não relacionados, como reportagens, vídeos do YouTube ou memes. Obviamente, sobretudo se já tiver algum público, posso abrir uma exceção pra serviços solidários ou notícias urgentes, caso alguém me peça pessoalmente, mas não vai ser regra. Finalmente, se o plano já estiver bem desenhado, eu deixo os canais crescendo organicamente e recebendo postagens “monótonas”, como citei acima, resistindo pra não os apagar, como infelizmente amigos meus já perceberam tantas vezes quando eram incluídos no WhatsApp “na maior festa” e, dias depois, percebiam tudo apagado...

Essa decisão firme, anunciada e detalhada de possivelmente manter canais fixos no WhatsApp e no Telegram se deve ao fato de ser importante manter ao menos um “canto” em algumas das principais redes sociais, já que hoje são quase o meio exclusivo pelo qual alguém é descoberto, e do Blogger já não oferecer mais ferramentas funcionais pro compartilhamento de conteúdo. Assim, não só os usuários comuns de internet e redes sociais, sobretudo os mais jovens, não precisam fazer uma conta no Blogger pra receber notificações nem ficar entrando na página ocasionalmente, mas também o compartilhamento entre interessados, geralmente já frequentando aquelas redes, fica bem mais fácil. Além disso, ao contrário de alguns anos atrás, o WhatsApp se tornou uma das mídias mais usadas no mundo, junto com Face e Insta (os três com o mesmo dono, claro...), o que o obrigou a se modernizar, incluindo a cópia do recurso de canais do Telegram e a possibilidade de os encontrar mesmo sem serem verificados. E, claro, a cada conteúdo compartilhado, vai um link do canal junto pra que o contato também possa entrar!

Pra terminar, vale a pena sumarizar alguns pontos a respeito dos planos futuros pra página e de minha visão sobre redes sociais:

  • Se eu abrir redes públicas, além do próprio Linktree ou Gravatar, vai ser apenas WhatsApp e Telegram (canais), que são mais práticos e estão entre os mais usados. Meu Instagram ainda disponível pode sumir a qualquer momento, e perfis em outras redes (YouTube, Facebook, Reddit, Twitter/X, TikTok, Bluesky etc.) com meu nome pessoal ou com o usuário erickfishuk não vão aparecer. Também abandonei a monetização e a possibilidade de doação por meio de pix ou PayPal, pois, além de um feed pessoal “à sua maneira”, a página não deve ser um meio de vida, e sim um complemento a qualquer outro meio de vida relacionado a minha formação em História.
  • As novas publicações estão aparecendo com a indicação do domínio “blogspot.com” porque, embora o “fishuk.cc” ainda esteja disponível, pretendo o tirar do ar em 2029, quando expirar a compra. Não é tanto uma questão de economia, já que mesmo a reserva por cinco anos não é cara demais. É uma questão de domínios curtos e/ou personalizados já não terem tanta força quanto no passado, já que são os motores de busca, agora turbinados pela IA, que avançam o conteúdo. É também uma questão de “valorizar” a marca, ou seja, exibir explicitamente o Blogspot (nome antigo do Blogger) pra mostrar que não se está acriticamente “seguindo o fluxo das massas”.
  • A página não vai “morrer”, mas, como sempre digo, ocasionalmente dou pausas ou diminuo a frequência das publicações pra dar conta das obrigações pessoais. É muito conteúdo publicado que já presta um baita serviço de utilidade pública pra sumir de uma hora pra outra, e mesmo que precise desparecer (ocasional extinção do Blogger ou, como ocorreu, derrubada do canal Pan-Eslavo), vai ressurgir de alguma outra forma. O Linktree, que é serviço confiável, serve justamente pra indicar onde estou e o que estou fazendo. De qualquer forma, nada substitui aquela visita ocasional e aquela compartilhada a algum conhecido: com ou sem café e bolo de fubá, sempre vou estar de braços abertos!