“Дети войны” (As crianças da guerra)


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Minha amiga Isabella Martins, de Viçosa, MG, me pediu pra traduzir esta linda apresentação. Vocês já conhecem os vídeos da linda belarussa Angelina Pipper cantando quando ainda era criança, no começo da década de 2010. Mas eu não tinha legendado nada dela já adulta ou mais crescida.

Ela está cantando com uma emocionada interpretação “Дети войны” (Déti voiný), As crianças da guerra, cuja letra foi escrita pelo poeta e letrista Iliá Rakhmilievich Reznik e cuja melodia foi composta pela musicista e compositora Olga Leonidovna Iudakhina. Não sei de quando é a canção, mas ambos os autores ainda estão vivos. O show fez parte do 20.º Festival “Zvezdá” (Estrela) de Canções Militares, transmitido pela televisão em 2017 de Minsk, capital de Belarus. A playlist completa dessa edição está no YouTube.

Curiosamente, há uma música gravada pelo falecido cantor francês de origem armênia, Charles Aznavour, chamada Les enfants de la guerre, literalmente a mesma coisa, de que gosto muito e que também cita essa perda da infância e endurecimento precoce. Eu já falei outras vezes aqui da Angelina Pipper, mas vale relembrar algumas coisas. Jovenzinha, nasceu em 14 de maio de 2000 e sua língua principal de trabalho é o russo, embora também cante em belarusso. Natural da cidade de Brest (Belarus), já ganhou vários prêmios, tendo sido inclusive finalista do Festival de Sanremo Junior. Continua muito ativa e sempre se renovando, e após algum tempo usando o nome de trabalho “Jolya Pi”, Angelina mudou-se pra Cidade do México, por causa do marido que arranjou lá um emprego. Soube desta última informação ao encontrar por acaso um artigo em russo datado de março de 2020, durante pesquisa de fotos.

O conceito de “filhos/crianças da guerra”, em inglês “war children”, também se refere a nascimentos derivados de relações entre soldados de forças ocupantes e mulheres dos países invadidos. É usado, sobretudo, pra crianças geradas por soldados nazistas no norte da Europa, e a discriminação que em geral sofrem não leva em conta situações de estupro ou de entrega ao inimigo por necessidade de sobreviver. Eu mesmo traduzi o texto direto do russo e legendei o vídeo baixado diretamente do canal do festival Zvezdá. Infelizmente, nem tudo foi literalmente traduzido, e também encurtei algumas frases pra adaptar ao audiovisual, mas o sentido essencial ficou intacto:


Дети войны,
Смотрят в небо глаза воспаленные.
Дети войны,
В сердце маленьком горе бездонное.

В сердце, словно отчаянный гром,
Ленинградский гремит метроном,
Неумолчный гремит метроном.

Дети войны
Набивались в теплушки открытые.
Дети войны
Хоронили игрушки убитые.

Никогда я забыть не смогу
Крошки хлеба на белом снегу.
Крошки хлеба на белом снегу.

Вихрем огненным, черным вороном
Налетела нежданно беда,
Разбросала нас во все стороны,
С детством нас разлучив навсегда.

Дети войны
В городках, в деревеньках бревенчатых.
Дети войны,
Нас баюкали русские женщины.

Буду помнить я тысячи дней
Руки близких чужих матерей.
Руки близких чужих матерей.

Застилала глаза ночь кромешная,
Падал пепел опять и опять,
Но спасением и надеждою
Нам была только Родина-мать.

Дети войны,
Стали собственной памяти старше мы.
Наши сыны,
Этой страшной войны не видавшие,
Пусть счастливыми будут людьми!
Мир их дому, да сбудется мир!
Мир их дому, да сбудется мир!

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As crianças da guerra
Olham ao céu com olhos inflamados.
As crianças da guerra
Têm mágoa incontável no coraçãozinho.

No peito, como trovão apavorado,
Ressoa um metrônomo de Leningrado,
Ressoa um metrônomo incalável.

As crianças da guerra
Se espremiam em vagões abertos.
As crianças da guerra
Enterravam brinquedos assassinados.

Nunca vou poder esquecer
Os pingos de gente na neve branca.
Os pingos de gente na neve branca.

Tal cortina de fogo ou corvo negro,
A desgraça aportou sem aviso,
Nos dispersou pra todos os lados,
Apartando-nos pra sempre da infância.

As crianças da guerra
Nas cidadelas, nas aldeolas de madeira.
As crianças da guerra,
As mulheres russas nos acalentaram.

Vou lembrar por milhares de dias
As mãos das íntimas mães estranhas.
As mãos das íntimas mães estranhas.

A noite escura nos encobria os olhos,
As cinzas caíam de novo e de novo,
Mas a salvação e a esperança
Pra nós foi apenas a Mãe-Pátria.

As crianças da guerra,
Ficamos mais velhos que a própria memória.
Que nossos filhos,
Que não viram essa guerra terrível,
Sejam pessoas felizes!
Que a paz se realize em seus lares!
Que a paz se realize em seus lares!




Anarquistas e socialistas na URSS


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Recebi esta mensagem pela lista de e-mails da revista internacional inglesa Journal of Historical Materialism, dedicada ao marxismo em todas as suas expressões e aplicações nas disciplinas de ciências humanas, às diferentes correntes e movimentos socialistas e de esquerda e a eventos, publicações e chamadas de artigos sobre os temas mencionados. Dada sua importância pra documentação e pesquisa históricas, resolvi a traduzir em português e republicar aqui:

O website em língua russa socialist.memo.ru foi lançado em 2004 por um grupo de historiadores russos de esquerda, interessados em reviver a memória dos socialistas não bolcheviques e dos anarquistas que combateram o regime soviético e foram vítimas de sua repressão. O site, que está baseado no enorme trabalho de pesquisa da organização Memorial sobre as vítimas do regime soviético, constitui um ponto de encontro para quem pesquisa a resistência de esquerda contra o governo soviético. Além de uma excelente bibliografia com publicações relevantes na língua russa, de cópias completas de muitas publicações, de memórias e documentos organizados por assunto, o site inclui uma base de dados biográfica, elaborada para pesquisa, de socialistas e anarquistas que foram vítimas do regime soviético. Ela também inclui instruções detalhadas para parentes próximos desses socialistas e anarquistas, interessados em percorrer a ficha policial do perseguido.

Os dados disponíveis no site estão divididos em inúmeras categorias para garantir que os acadêmicos possam encontrar facilmente as informações de que eles precisarem.

Documentos, memórias e publicações estão organizados de acordo com o período de tempo (antes e depois de 1917) e com os assuntos. Os assuntos pré-1917 incluem os vários partidos socialistas, a polícia política e seu trabalho contra o movimento revolucionário, prisões, trabalho forçado e exílio, julgamentos e formas de protesto e solidariedade. Os assuntos pós-1917 incluem as Guerras Revolucionária e Civil, a oposição ao regime soviético, as repressões, prisões, exílio, os campos de trabalho, julgamentos e formas de protesto e solidariedade.

Há também seções adicionais para textos integrais de livros e artigos que não se enquadram nessas categorias, bem como textos integrais de memórias de socialistas ou anarquistas russos. Além disso, há uma seção dedicada a memórias e outros livros publicados da década de 1920 à de 1950 e que estão atualmente indisponíveis em outros lugares a não ser este website. O website também inclui publicações originais de historiadores, bem como seções dedicadas a cópias integrais de importantes documentos de arquivo, fotos e biografias detalhadas dos mais importantes ativistas socialistas e anarquistas.

Além desses textos e documentos, o site contém uma detalhada bibliografia geral, bem como bibliografias sobre socialistas revolucionários (SR), sobre os SR de esquerda e grupos anarquistas após 1917. Ele também inclui bibliografias de publicações anarquistas pré-1917, uma geral e outra específica para jornais anarquistas. As bibliografias incluem trabalhos de historiadores, bem como memórias e coleções publicadas de documentos.

O site, devido a seu pretendido papel de ponto de encontro para historiadores que pesquisam sobre o assunto, também contém os textos de relevantes polêmicas históricas e as gravações da série de seminários “The Left in Russia: Past and Present” (2012-2017), bem como entrevistas, resenhas de livros e links para outros sites que podem ser úteis aos pesquisadores.

Acima de tudo, este site é um excelente ponto de partida para todos os que se interessam em trabalhar com a história do socialismo e do anarquismo russos após 1917, bem como um espaço em que acadêmicos que pesquisam o socialismo ou o anarquismo antes de 1917 podem encontrar muitas informações úteis.

Por que Rússia não invadirá Ucrânia?


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Na edição de 19 de janeiro de 2022, um dos telejornais do canal privado francês TV5 Monde trouxe, como de praxe, uma crônica de Slimane Zeghidour, cientista político e escritor nascido na Argélia. Ele explica por que é praticamente improvável que a Rússia invada a Ucrânia pelo leste, como estão apregoando vários meios de comunicação brasileiros. Esta minha tradução do francês não tem por objetivo defender Putin, mas trazer um contraponto à nossa mídia vira-lata que quase toda só papagueia o que diz os EUA:

Mohamed Kaci: Essa novela não tem mais fim e já está durando semanas, na verdade meses. Então, sim ou não, existe um risco da Rússia invadir seu vizinho ucraniano?

Slimane Zeghidour: Logicamente, nenhum. Por quê? Por que a Rússia não tem necessidade de invadir a Ucrânia. Olhe pro mapa: a Rússia está direta e concretamente presente na Ucrânia. Primeiro, de todos os 44 milhões de ucranianos, praticamente oito milhões são russos ou se sentem russos.

Olhe pra parte laranja a leste do país: Lugansk e Donetsk. Essa parte é o Donbass, é a bacia mineira do Donbass. Ela é majoritariamente russa, e a população russa e que fala russo criou duas repúblicas: a República de Lugansk e a de Donetsk, que são repúblicas fantoches, que não são reconhecidas por nenhum Estado, assim como a República do Norte do Chipre, turca, ou a do Nagorno-Karabakh. Mas elas existem, e além disso quase dez por cento da população ucraniana está nessa zona laranja. E ainda por cima a Rússia já lhe distribuiu quase um milhão de passaportes.

Assim, temos pessoas que falam russo, que querem se juntar de novo à Rússia, que não querem mais viver na Ucrânia e que agora têm passaportes russos. Portanto, por que a Rússia correria o risco de realizar uma invasão militar em pleno coração da Europa?


Mohamed Kaci: Ce feuilleton n’en finit pas et dure depuis des semaines, voire des mois. Alors, oui ou non, y a-t-il un risque que la Russie envahisse son voisin ukrainien ?

Slimane Zeghidour: Logiquement, aucun. Pourquoi ? Parce que ce n’est pas nécessaire pour la Russie d’envahir l’Ukraine. Regardez sur la carte : la Russie est-elle directement et concrètement présente en Ukraine. D’abord, pratiquement 8 [huit] millions d’Ukrainiens sur les 44 [quarante-quatre] millions sont Russes ou se sentent Russes.

Regardez la partie orange à l’est du pays : Lougansk et Donetsk. Cette partie, c’est le Donbass, c’est le bassin minier du Donbass. Il est majoritairement russe et la population russe et russophone a créé deux républiques : la République de Lougansk et celle de Donetsk, qui sont des républiques fantoches, qui ne sont reconnues par aucun État, à l’instar de la République Chipre Nord, turque, ou du Haut-Karabakh. Mais elles sont là, et en plus de cela, à peu près dix pour cent de la population ukrainienne est dans cette zone orange. Et la Russie en plus l’aura distribué presque un million de passeports.

Donc, on a des gens qui sont russophones, qui veulent être rattachées à la Russie, qui ne veulent plus vivre en Ukraine et qui ont maintenant des passeports russes. Alors, pourquoi la Russie prendrait-elle le risque de faire une invasion militaire en plein cœur de l’Europe ?


’O sole mio (Roberto Carlos e Pavarotti)


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Este canal nos deu como presente o upload completo do show “Roberto Carlos: O grande encontro”, gravado pela Rede Globo no Estádio Beira Rio, em Porto Alegre (4 de abril de 1998), em que o “Rei” divide o palco com o célebre tenor italiano Luciano Pavarotti (1935-2007). Ao som da orquestra sinfônica da capital gaúcha, eles cantaram separados a maioria das músicas, mas ao final interpretaram em dueto Ave Maria e ’O sole mio.

’O sole mio (O meu sol) uma das mais famosas canções italianas, mas escrita na língua napolitana, nativa da região em torno da cidade meridional de Nápoles e de regiões contíguas. O napolitano é muito parecido com o chamado italiano padrão, mas quem só aprende este terá dificuldade pra entender as línguas regionais. Em napolitano ficaram famosas no mundo as primeiras músicas populares e românticas da Itália, antes mesmo que o italiano unificado criasse toda uma cultura nacional em torno de si. A diferença já está no artigo definido masculino: ’o, com apóstrofo, em napolitano, il em italiano.

’O sole mio foi composta em 1898 por Giovanni Capurro (letra), Eduardo Di Capua e Alfredo Mazzucchi (melodia), e já recebeu tradução pra inúmeras línguas, como It’s Now Or Never de Elvis Presley e Agora ou nunca do sertanejo Dalvan. Por décadas se acreditou que a melodia era apenas de Di Capua, que a teria composto em Odesa (Ucrânia), durante uma turnê com a banda de seu pai. Porém, descobriu-se que a melodia era uma entre 23 peças que Di Capua tinha comprado do músico Mazzucchi em 1897. Em 1972, pouco após a morte deste, sua filha entrou com processo pra que ele fosse reconhecido como coautor de 18 das canções de Di Capua, entre as quais ’O sole mio. Apenas em 2002 uma juíza de Turim reconheceu esse direito, alegando que Mazzucchi tinha dado uma autorização escrita a Di Capua pra fazer uso livre daquelas melodias. Portanto, pela lei vigente na maioria dos países, ’O sole mio só cairá em domínio público em 2042.

De tantos cantores que a gravaram (incluindo nosso conhecido Vitas, do Cham Dram Brendam), é inútil listá-los todos, valendo a pena citar uma curiosidade: nas Olimpíadas de 1920, durante a premiação do corredor Ugo Frigerio, a banda tocou ’O sole mio no lugar do hino da Itália. Ao que parece, ela tinha perdido ou não recebido a partitura, e recebeu a ordem do maestro, já que todos a conheciam de memória. O público, ao invés de se revoltar, até cantou junto, num grande coro ressoado pelo estádio. Pavarotti tinha razão... (A maior parte dessas informações está na Wikipédia em inglês, mas na versão italiana há a história mais completa, além do enredo correto do caso de 1920.)

O texto da tradução é meu, mas me baseei na versão da Wikipédia em português, tendo feito várias correções. Cotejei com as traduções em inglês (mais fiel), italiano e espanhol, havendo na Wikipédia inglesa explicações melhores sobre o significado. Por exemplo, que oi, ne na verdade é a forma apocopada de oi, nenna (ó, menina; com sentido afetivo), causando confusão em muitos. Os próprios Roberto e Pavarotti oscilam entre formas do padrão e do napolitano, havendo ainda outras variantes de acordo com o que o cantor entende. Do Wikisource em napolitano tirei a letra fixa:


1. Que coisa linda é um dia ensolarado,
Um tempo calmo após uma tempestade!
Pelo ar fresco já parece uma festa...
Que coisa linda é um dia ensolarado!

Refrão:
Mas um outro sol
Mais lindo, menina,
O meu sol
Está em seu rosto...
O sol, o meu sol
Está em seu rosto,
Está em seu rosto.

2. Os vidros da sua janela brilham,
Uma lavadeira canta com orgulho...
E enquanto torce, estende e canta,
Os vidros da sua janela brilham.

(Refrão)

3. Quando anoitece e o sol se põe
Uma melancolia quase me toma;
Eu ficaria embaixo da sua janela
Quando anoitece e o sol se põe.

(Refrão)

____________________

1. Che bella cosa è na jurnata ’e sole,
N’aria serena doppo na tempesta!
Pe’ ll’aria fresca pare già na festa...
Che bella cosa na jurnata ’e sole.

Riturnello:
Ma n’atu sole cchiù bello, oi ne’,
’O sole mio sta nfronte a te!
’O sole, ’o sole mio
Sta nfronte a te, sta nfronte a te!

2. Luceno ’e llastre d’’a fenesta toia;
’Na lavannara canta e se ne vanta
E pe’ tramente torce, spanne e canta,
Luceno ’e llastre d’’a fenesta toia.

(Riturnello)

3. Quanno fa notte e ’o sole se ne scenne,
Me vene quasi ’na malincunia;
Sotta ’a fenesta toia restarria
Quanno fa notte e ’o sole se ne scenne.

(Riturnello)



Agora o bônus! Segundo os créditos ao final do programa, essa versão da Ave Maria é atribuída ao compositor francês Charles Gounod (1818-1893), com influência de Bach. Como se nota bem, Roberto a canta em italiano, e Pavarotti em latim, nesta língua havendo a tradução literal da famosa oração católica, embora não em sua totalidade. Eu mesmo traduzi de ambas as línguas, já tendo decorado de longa data o texto latino e tendo achado a letra italiana (com algumas incorreções) nesta página, cantada só a primeira metade.

Dada a falta de clareza da redação, e sem ter percebido uma inversão de sujeito e objeto logo na terceira estrofe, esta tradução inglesa feita por uma italiana me ajudou nas dúvidas. Seguem a letra corrigida em italiano e o texto em latim da primeira parte da Ave-Maria:

Ave Maria
Vergin celeste
La prece mia si volge a te
Il Genitore mi toglie il fato
A te il mio cuore chiede mercé
Sì, chiede mercé

Per tanto affanno prego a tuoi piedi
Giammai non hanno tregua i dolori
Il dolor mio dal cielo tu vedi
Deh, salva, oh Dio! il Genitor
Ave Maria...

Ave Maria, gratia plena, Dominus tecum, benedicta tu in mulieribus, et benedictus fructus ventris tui, Jesus. (Embora no Brasil seja mais corrente o uso de “vós”, traduzi com “tu” pra unificar com o italiano, e mudei um pouco o texto em prol da clareza.)

Sérgio Estrada, um cantor bragantino


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Foto retirada do canal do Sergio Estrada no YouTube

Estou retomando a ocasião pra divulgar coisas raras do Brasil, sobretudo músicas. Este é o cantor sertanejo Sérgio Estrada, sobre o qual não há quase nada nem no YouTube. Ele era dono do Auto Posto Tasca, de Bragança Paulista, SP, quando pertencia à Esso antes de se tornar Shell. Localiza-se no começo da Rodovia Capitão Bardoino, que dá acesso às cidades de Pedra Bela, Pinhalzinho e Socorro, onde ainda se chama Avenida Dr. Plínio Salgado.

Não tive mais notícias dele, mas me parece que sua carreira era bem autobancada, ou seja, pagava seus próprios CDs e apresentações. Lembro que uma vez até cantou na Expoagro (“Festa do Peão”), por volta de 2005, quando seu sucesso regional Jogo de truco estava bombando nas rádios. Estou repostando aqui porque, além de ser raridade, é música de boa qualidade (bem ao contrário do lixo “universitário” e “feminejo” que temos agora) e fruto de nossa “Terra da Linguiça”! A ficha técnica está no encarte dos vídeos.


1. Estrelas na cabeça


2. Jogo de truco


3. No dia que eu te encontrei


4. Acusações


5. Lenha molhada


6. Canção, viola e rodeio


7. Rico e pobre


8. Madrugada, madrugada


9. Tabela (Meu desespero) (famosa na voz de João Mineiro & Marciano)


10. Te amo, te amo, te amo (famosa na voz de Dalvan)


11. Chave da alegria


Melhores hits de Romuald Figuier (1)


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Novamente estou dando um suporte pras traduções do antigo canal Pan-Eslavo Brasil, agora trazendo também as letras traduzidas em formato texto. Esta é a primeira leva de canções do grande intérprete francês Romuald Figuier, mais conhecido apenas como Romuald, nascido em 1938 na cidade bretã de Saint-Pol-de-Léon. Infelizmente, e não sei por quê, ele parece ter saído de evidência desde a década de 1980, inclusive na França, mesmo cantando lindamente e sendo até bem-afeiçoado. Na verdade, a única razão de eu o ter conhecido foi a descoberta ocasional da primeira música, Cœur de papillon (Coração de borboleta), uma versão francesa do célebre hino da ditadura militar brasileira, Eu te amo, meu Brasil, cantado pelos irmãos Eustáquio e Eduardo Gomes de Farias, a dupla Dom & Ravel. O assunto da letra, porém, é completamente diferente.

Seu compositor foi Dom/Eustáquio, e ela estourou na voz da banda Os Incríveis na década de 1970. A pegajosa melodia marcial também parece ter encantado os europeus, tanto que além desta letra escrita por um certo Stanislas Beldone, foi gravada uma segunda, Cœur de mon pays (Coração do meu país), pela banda Les Scarabées, que guarda muito mais semelhança com o original na letra e nos arranjos. Porém, faltam-me informações sobre o contato de Romuald com Eu te amo, meu Brasil ou mesmo com Dom & Ravel, mas sei que ele teve uma passagem pelo Brasil, talvez entre suas idas a festivais de música sul-americanos, como o de Viña del Mar, no Chile.

De fato, apesar de algumas de suas gravações serem realmente bonitas, era difícil achar um áudio de Cœur de papillon na internet além deste raro vídeo no Dailymotion. O primeiro vídeo autoral (áudio) no YouTube data somente de 2 de setembro de 2021... Cantor obscuro, música obscura, tanto que o compacto com a canção na faixa 1 e Comment vivre sans amour na faixa 2 não parece muito badalado. Tanto que só achei a letra numa das poucas páginas com informações e uma imagem decente da capa. Peço desculpas se algumas expressões ficaram mal traduzidas.

A segunda canção tem melodia muito emocionante, e curiosamente Romuald representou com ela o Principado de Mônaco no concurso musical Eurovision (Eurovisão) em 1974, ficando em 4.º lugar na classificação geral. Embora muitas línguas sejam faladas em Mônaco, a oficial ainda é o francês. O título é Celui qui reste et celui qui s’en va (Aquele que fica e aquele que vai embora), cuja letra foi escrita por Michel Jourdan e cuja melodia foi composta por Jean-Pierre Bourtayre. Ela saiu no mesmo ano num compacto de Romuald com o mesmo nome, junto com a canção Sur la pointe des pieds, sur la pointe du cœur (Na ponta dos pés, na ponta do coração), dos mesmos autores com o próprio Romuald. O cantor já tinha representado Mônaco no Eurovisão em 1964, e também Luxemburgo em 1969, sempre com letras em francês.

Parece óbvio, mas vale lembrar, segundo o verbete na Wikipédia em português, que Celui qui reste... parte da perspectiva de um homem deixado pela mulher, sempre havendo no fim de uma relação a “metade” que não quer se separar (“aquele que fica”). Afora esta observação, as outras informações são da Wikipédia em francês, que eu mesmo traduzi, assim como a letra, retirada deste site sempre útil. Não fui literal em alguns pontos, e inclusive optei por deixar “aquele” em todas as partes, mesmo podendo se pressupor um casal hétero (por que não podia ser homo?).

A terceira canção tem por título Où sont-elles passées ?, que não pode ser traduzido literalmente como Onde/Aonde elas passaram?, mas tem o sentido de O que terá sido delas? ou, mais informalmente, Onde elas foram (teriam ido) parar? Está questionando sobre o paradeiro de algo ou alguém, no caso os amores da juventude, porque com o passar da idade (segundo a Wikipédia em português), a alegria e o mistério dos primeiros romances não existem mais.

Seguindo agora com informação da Wikipédia francesa, Où sont-elles passées ? tem letra de Pierre Barouh e melodia de Francis Lai, tendo sido gravada por Romuald como single num compacto de 1964. No mesmo ano, ele concorreu ao Eurovision ocorrido em Copenhague, representando Mônaco, como foi o caso de 1974, como sabemos. Mas o desempenho tinha sido bem melhor, pois das 16 canções na disputa, terminou em terceiro lugar. Ao traduzir o original francês, não fui literal em boa parte das passagens, a começar pelo título, mas mantive o significado pretendido, com expressões mais correntes no português coloquial do Brasil e completamente entendíveis em toda a lusofonia.

E por fim, a quarta canção foi interpretada no Eurovision realizado em Madri, Espanha, em 29 de março de 1969. Chama-se Catherine e fala de um amor da infância que o homem adulto jamais esqueceu. Ela tem letra de André Pascal (André di Fusco) e melodia de Paul Mauriat e André Borly, e ficou apenas em 11.º lugar na disputa. Romuald, que desta vez representaria Luxemburgo como país (o francês é uma das línguas oficiais), também gravou a música em alemão, inglês e italiano.

A primeira gravação original saiu ainda em 1969, num EP com quatro canções, entre as quais Catherine era a primeira faixa. O processo de escolha interna em Luxemburgo foi produzido pelo canal Télé Luxembourg, e a regência da orquestra no concurso coube ao espanhol Augusto Algueró. A música foi logo a segunda a ser apresentada naquele 29 de março, após a da antiga Iugoslávia e antes da concorrente espanhola. Eu traduzi a partir deste texto, que porém não bate em alguns pontos com o áudio.

Ainda me pergunto como duas crianças de dez anos estavam frequentando o “jardim de infância” (conceito equivalente ao de maternal ou de Kindergarten), e não consegui uma tradução exata de tartine, um pedaço de pão cortado pela metade, ou uma fatia mesma de pão, sempre coberta de manteiga, margarina, maionese etc. e às vezes com temperos. Nossa realidade (Brasil) conhece mais “lanche” ou “sanduíche”, imprecisos demais, e “canapé” não se come em escola e é em geral pequeno. Virou “pãozinho” mesmo, podendo aludir ao próprio pão recheado ou a qualquer tipo de lanche rápido.



1. Meu coração está leve como borboleta
Não estou a fim de voltar pra casa
Minha mulher está furiosa
E a mãe dela cria caso com isso
É um verdadeiro veneno

Meu coração está leve como borboleta
Meus olhos se amarraram num rabo-de-saia
Devia ter escutado meu pai
Nunca ter me casado
Ele estava muito certo

Refrão:
Quero dar a volta pelo mundo
Mais cidades, de corações a corpos
Quero desfrutar a vida
Quero dar a volta pelo mundo
Faço isso sonhando sozinho na minha cama

2. Meu coração está leve como borboleta
Desde que uma menina deu bola pra mim
Bebo da água límpida de seu sorriso
Me sinto atordoado
Perdendo a razão

Meu coração está colorido como um lampião
O amor está alegre, isso é tão bom
Meu céu se ilumina com mil fogos
Quando estou apaixonado
Me torno uma borboleta

(Refrão)

3. Meu coração está coberto de borboletas
Azuis, verdes, vermelhas e amarelo-claro
O amor é cavalo de brinquedo
O carrossel das minhas alegrias
Que deixa tonto, e isso é bom

(Refrão)

____________________

1. J’ai le cœur léger commme un papillon
Je n’aime pas rentrer à la maison
Ma femme est en colère
Sa mère en fait toute une affaire
C’est une vraie poison

J’ai le cœur léger comme un papillon
Dès que mes yeux s’accrochent à un jupon
J’aurais dû écouter mon père
Rester célibataire
Il avait bien raison

Refrain :
Je veux faire le tour de la terre
De villes encore, de cœurs à corps
Je veux profiter de ma vie
Je veux faire le tour de la terre
Et je le fais en rêvant tout seul dans mon lit

2. J’ai le cœur léger comme un papillon
Dès qu’une fille me chante sa chanson
Je bois l’eau claire de son sourire
Je me sens défaillir
À perdre la raison

J’ai le cœur bariolé comme un lampion
L’amour est à la fête et c’est si bon
Mon ciel s’embrase de mille feux
Quand je suis amoureux
Je deviens papillon

(Refrain)

3. J’ai le cœur affublé de papillons
Des bleus, des verts, des rouges et des citrons
L’amour est un cheval de bois
Le manège de mes joies
Qui me grise et c’est bon

(Refrain)



1. Quando um amor acaba, quem fica é o perdedor
Quem vai embora sabe que alguém já o espera
Quando um amor acaba, na hora do último olhar
Sempre há, sempre há em algum lugar da Terra

Refrão (2x):
Aquele que fica e aquele que vai embora
Aquele que fala e aquele que não ousa
Aquele que chora, aquele que baixa a vista
Sempre há, sempre há na hora de um adeus

Aquele que fica e aquele que vai embora
Aquele que trai e aquele que não sabe
Aquele que logo vai conseguir esquecer
E o outro que ficará sozinho a vida toda
A vida toda

2. Te entendo, devíamos chegar a esse ponto
Você tem forças pra partir, eu não tenho
Claro que entendo, nem estou bravo com você
Mas agora “nós” já nos tornamos “eu e você”

(Refrão 2x)

Aquele que fica e aquele que vai embora...

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1. À la fin d’un amour, celui qui reste est le perdant
Celui qui part sait déjà que quelqu’un l’attend
À la fin d’un amour, à l’instant du dernier regard
Il y a toujours, toujours sur terre quelque part

Refrain (2x) :
Celui qui reste et celui qui s’en va
Celui qui parle et celui qui n’ose pas
Celui qui pleure, celui qui baisse les yeux
Il y a toujours, toujours à l’instant d’un adieu

Celui qui reste et celui qui s’en va
Celui qui triche et celui qui ne sait pas
Celui qui va très bientôt trouver l’oubli
Et l’autre qui restera seul toute sa vie
Toute sa vie

2. Bien sûr je te comprends, il fallait en arriver là
Tu as la force de partir, je ne l’ai pas
Bien sûr que je comprends, bien sûr que je ne t’en veux pas
Mais déjà “nous” voilà devenus “toi et moi”

(Refrain 2x)

Celui qui reste et celui qui s’en va...



O que terá sido delas, que me fizeram acreditar
Na história bonita do fruto proibido
Quanto tempo se passou com a espera inútil
Por abraços incertos, quanto tempo perdido
O coração transbordando de tanta ternura
Por minhas trapalhadas, escondia sua angústia

Na rua carinhosamente ela pegava minha mão
Nós dois a sós, ela dizia seriamente, amanhã
Quando penso nisso hoje, eu sorrio prudente
Do tempo, tempo que passei caindo nessa história

O que terá sido delas, que me fizeram acreditar
Na história bonita do fruto proibido
Mas esse tempo passado que parecia loucura
Quanta saudade terá deixado em mim
Pois na época, as moças tinham o mistério
Dos primeiros amores perdidos pra sempre

O que terá sido delas, que me fizeram acreditar
Na história bonita do fruto proibido!

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Où sont-elles passées, celles qui m’ont fait croire
À la belle histoire du fruit défendu
Que de temps ont passé dans l’attente vaine
D’étreintes incertaines, que de temps perdu
Le cœur débordant de tant de tendresse
Par mes maladresses, gardait son tourment

Dans la rue tendrement elle prenait ma main
Seul à seul, gravement elle disait, demain
Quand j’y pense aujourd’hui, prudent, moi je souris
Du temps, du temps passé, à croire à cette histoire

Où sont-elles passées, celles qui m’ont fait croire
À la belle histoire du fruit défendu
Mais ce temps passé qui semblait folie
Que de nostalgie il m’aura valu
Car les filles alors, avaient le mystère
Des amours premières à jamais perdues

Où sont-elles passées celles qui m’ont fait croire
À la belle histoire du fruit défendu!



Catherine, Catherine, tínhamos dez anos
Você se lembra, Catherine, no jardim de infância
Eu lhe oferecia meus pãezinhos e meus chocolates
Com meu coração, Catherine, já apaixonado

E quando à noite o jardim fechava
Meu coração de criança ficava partido
Você me deixava sozinho com meu pesar
Você sonhava com o príncipe encantado

Mesmo rindo, Catherine, eu tinha no coração
Muitos risos, Catherine, tristes como choros

Onde estão você e o príncipe encantado,
Você o descobriu afinal?
Nossos corações e nomes ainda estão
Gravados na árvore do jardim.

Catherine, Catherine, no jardim de infância
Catherine, Catherine, tínhamos dez anos
Catherine, Catherine, sempre fico sonhando
Na frente de outros, Catherine, no jardim de infância

Catherine, Catherine, e apesar do tempo
Eu a espero, Catherine, como antes
No jardim de infância, Catherine.

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Catherine, Catherine, nous avions dix ans
Souvenez-vous, Catherine, au jardin d’enfants
Je vous offrais mes tartines et mes chocolats
Avec mon cœur, Catherine, amoureux déjà

Et quand la nuit refermait le jardin
Se brisait mon cœur d’enfant
Vous me laissiez seul avec mon chagrin
Vous rêviez au prince charmant

Si je riais Catherine, j’avais dans le cœur
Bien des rires, Catherine, tristes comme des pleurs

Où êtes-vous et le prince charmant
L’avez-vous découvert enfin ?
Il y a toujours nos cœurs et nos prénoms
Gravés sur l’arbre du jardin

Catherine, Catherine, au jardin d’enfants
Catherine, Catherine, nous avions dix ans
Catherine, Catherine, je rêve souvent
Devant d’autres Catherine au jardin d’enfants

Catherine, Catherine et malgré le temps
Je vous attend Catherine comme avant
Au jardin d’enfant, Catherine.

Melhores canções de Pavel Novák (1)


Link curto para esta postagem: fishuk.cc/pavelnovak1


Após o fim do meu canal Pan-Eslavo Brasil no YouTube, finalmente estou republicando minhas traduções de músicas do famoso cantor checo Pavel Novák, que é muito pouco conhecido no Brasil, assim como Karel Gott, que já apareceu várias vezes aqui. Novák nasceu em 1944 e morreu em 2009, com câncer de próstata, tendo sido o difusor do rock na antiga Checoslováquia comunista. Coincidentemente, os dois nasceram quando a República Checa era o Protetorado Checo e Morávio, controlado pelos nazistas e separado da Eslováquia até o fim da 2.ª Guerra Mundial. Apesar do controle comunista, a antiga Checoslováquia desenvolveu uma rica cultura fonográfica e traduziu muito rock e pop então estourando no Ocidente. A mesma excelência em se tratando de música popular, superando inclusive a extinta URSS, se deu com a Polônia, outro país onde o comunismo nunca se enraizou, e a ex-Iugoslávia, de modelo social bastante divergente.

A primeira canção foi gravada em 1970 com o título Asi (Talvez), e é a tradução do grande sucesso Bad Moon Rising, lançado pela banda Creedence Clearwater Revival no ano anterior (o antigo conjunto da Califórnia pode ser visto também numa filmagem ao vivo). O engraçado é que, mantendo a batida desse rock mais country, Pavel Novák traduziu apenas a sonoridade da letra de John Fogerty, perdendo-se o sentido original de apocalipse noturno, mas o resultado foi exatamente um texto campestre!

Eu mesmo traduzi a letra checa diretamente, o que foi um trabalho meio difícil, pois havia muitas expressões coloquiais, incluindo estrangeirismos. O primeiro vídeo se encontra neste ótimo canal com canções checas e checoslovacas, e o segundo vídeo está neste canal, desta vez com uma versão ao vivo que deve datar da década de 1990. Novak até tenta imitar as dancinhas do clipe original de 1970, mas a essa altura já é impossível dar aquela pirueta... Seu filho, Pavel Novák Jr., também seguiu carreira na música e pode inclusive ser visto em primeiro plano, de blusa bege, quando dão um close nos back vocals.

A segunda canção foi gravada em 1967 com o título Malinká (Minha pequena, no caso a namorada), e é a tradução de uma canção hoje aparentemente pouco conhecida. Ela se chama Little Girl e foi gravada por Casey Jones & The Governors no ano anterior. O autor original foi Casey Jones, pseudônimo de Brian Casser, e a versão checa é de Eduard Krečmar, cujo lançamento é descrito em checo pela gravadora Supraphon. Malinká foi um dos maiores sucessos da carreira de Pavel Novák, mas como várias de suas versões do Ocidente, traduziu-se apenas a sonoridade da letra, perdendo-se o sentido original de um casal que estava em crise e iria se separar pela descrição de um rapaz que esperava sua namorada, “minha pequenina”, visitá-lo em casa à noite. Novák gravou ainda muitas traduções dos Beatles e outros rocks da época, como a faixa Ton vět mi lál, versão de Don’t Let Me Down!

Eu mesmo traduzi do checo e legendei o primeiro vídeo com o clipe original televisivo de 1967, que encurta, porém, o solo instrumental. Também legendei o segundo vídeo, que está no mesmo canal citado de música checa: Novák se apresentou com um playback na TV em 1994 e não tinha mais a “forma” de antigamente. É muito legal essa dancinha nostálgica que lembra o Silvio Santos ou o Gugu, além da voz e estilo musical, próximos da nossa “jovem guarda”, sobretudo Wanderley Cardoso!

A terceira canção que traduzi direto do checo é Pihovatá dívka (Garota sardenta/com sardas), de 1967, desta vez uma composição própria de Novák, e não a tradução de algum hit ocidental. O primeiro vídeo é tal como foi apresentado pro especial televisivo Gramohit, que mostrava os maiores sucessos de cada ano na antiga Checoslováquia comunista (edição completa). A tosquice da cenografia, dos visuais e das próprias letras faz jus à cultura comunista da Europa Central e Oriental pré-1989, não sendo diferente, por exemplo, do que era exibido na antiga Alemanha Oriental. A beleza fica por conta do ritmo, inspirado nos rocks da época que atraíam jovens do mundo todo, semelhante à “jovem guarda” brasileira da década de 1960. Ou da coreografia e vestes de Pavel Novák, misto de Silvio Santos com Eduard “Trololo” Khil...

O segundo vídeo é o clipe propriamente dito: pelo que se vê, ele está apaixonado por uma loirinha/ruivinha de sardas, com ar intelectual ou nerd, talvez até meio bobinha, e ela não parece lhe dar a mínima. A produção apresenta os mais inusitados elementos, como Novák quase caindo numa piscina vazia, a protagonista que parece a Chiquinha do seriado Chaves e os dois lutadores de espadas que aparecem do nada. Um “humor” bem típico da Europa comunista, que também fica por conta das dancinhas saltitantes de Novák e sua parceira, hahaha.




Talvez eu alugue um par de cavalos,
Talvez também uma carroça bacana,
Talvez eu risque uma linha pelo mapa,
Opa, talvez haja um amanhã pra mim.

E eu, vou pôr nas rodas
Dois enfeitinhos coloridos,
Vou decorar aqueles cavalos.

Pode ser que as pessoas morram de raiva,
Pode ser que elas fiquem censurando,
Talvez eu então só tenha sucesso
E aí talvez insista na minha escolha.

Eu vou pôr nas rodas
Dois enfeitinhos coloridos,
Vou decorar aqueles cavalos.

Os idiotas são um problema diário,
Vou os afogar totalmente num rio,
Vejo que não há nada tão terrível,
Logo vou entender todas as coisas.

E eu, vou pôr nas rodas
Dois enfeitinhos coloridos,
Vou decorar aqueles cavalos.

Eu vou pôr nas rodas
Dois enfeitinhos coloridos,
Vou decorar aqueles cavalos.

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Asi pár koní najmu,
Asi i kočár fajnovej,
Asi přes plány škrtnu lajnu,
Asi mi bude zítra hej.

Já, na kola si dám
Dvě fangle zbarvení,
Pár těch koní vystrojím.

Možná lidé zlostí prasknou,
Možná budou důtky plést,
Asi teda slíznu mastnou
Asi však budu svou si vést.

Na kola si dám
Dvě fangle zbarvení,
Pár těch koní vystrojím.

Hloupí jsou trable každodenní,
Se vším je v řece utopím,
Vidím, že nic tak strašný není,
Každou věc záhy pochopím.

Já, na kola si dám
Dvě fangle zbarvení,
Pár těch koní vystrojím.

Na kola si dám
Dvě fangle zbarvení,
Pár těch koní vystrojím.




A campainha vai tocar oito vezes,
Minha pequena vai vir em casa,
Estou sozinho em casa,
Vou pôr a água no café
Assim que ela chamar na porta.

Não posso ficar muito fora,
Pois hoje pouco depois das oito
Minha pequena vai vir em casa,
Minha pequena vai vir em casa.

Sei que de casa minha pequena
Foi aguardar na cabeleireira,
O salão vai fechar às seis
E em duas horas vai vir em casa
Quando escurecer pela cidade.

E graças aos vizinhos
O prédio todo também vai saber
Quem a pequena anda visitando,
Quem a pequena anda visitando.

O frio rasteja na chegada
E também tortura minha pequena,
A pobrezinha tem frio nas pernas
Antes dela chamar na porta.

Quero aquecê-la
E arder como ferro em brasa
Logo que a pequena chegar em casa,
Minha pequena vai vir em casa,
Minha pequena vai vir em casa.

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Zvon osmkrát zaklinká,
K nám přijde má malinká,
Jsem doma sám,
Na kafe vodu dám,
Až nám u dveří zacinká.

Ven málo smí,
Však dnes něco po osmý,
K nám přijde má malinká,
K nám přijde má malinká.

Znám z domu svou maličkou,
Je v přízemí holičkou,
V šest zavře krám
A dvě hodiny půjde k nám
Jak stín podle zdi po špičkách.

Dík sousedům
Však stejně pozná celej dům,
Kam chodí má maličká,
Kam chodí má maličká,

Mráz prolézá uličkou,
Trápí i mou maličkou,
Jí ubohý je zima na nohy,
Než nám u dveří zacinká.

Já chci hřát
A plát jako žhavej drát
A až přijde má malinká,
K nám přijde má malinká,
K nám přijde má malinká.




Tenho um arco-íris pro meu dia,
E de novo estrelas pra minha noite.
De manhã sou encantado,
Todo dia experimento essa força.

Seus olhos são pra mim
Um arco-íris de cores atraentes.
As sardas, o escuro de setembro,
São como estrelas na cabeça.

Toda hora procuro uma rima
Já faz umas dez vezes.
Por que fico bobo e sempre
Sonho com essa garota sardenta?

Por que ela me ignora?
Só devo então sonhar com ela?
Por que ela me ignora?
Só nos sonhos posso tê-la.

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Mám duhu pro svůj den,
Hvězdy zase pro svou noc.
Ráno jsem okouzlen,
Denně poznávám tu moc.

Tvé oči pro mě jsou
Duhou barev lákavou.
Tvé pihy září tmou
Jako hvězdy nad hlavou.

Hledám stále, hledám rým
Už podesáté.
Proč já blázen, pořád sním
O té dívce pihovaté?

Proč si mě nevšímá?
Což musím o ní jen snít?
Proč si mě nevšímá?
Jenom ve snách smím ji mít.