terça-feira, 23 de junho de 2026

Mentiras sobre biolaboratórios na Ucrânia

Desde a anexação ilegal da Crimeia e o início da incursão terrorista no Donbás em 2014, a propaganda ligada à ditadura de Vladimir Putin tem espalhado pelo mundo uma história sobre biolaboratórios secretos mantidos pelos EUA na Ucrânia. Por supostamente produzirem armas químicas, o Kremlin se achou no direito de começar sua intervenção militar pra debelar essa “ameaça ocidental”, omitindo que não só esses laboratórios eram de conhecimento público, mas também não produziam nada pra destruição em massa. Bem ao contrário do ditador sírio Bashaar al-Asad, que jogou gás tóxico num bairro opositor inteiro com apoio logístico russo...

É difícil comprovar laços diretos entre Donald Trump e os serviços secretos da antiga URSS e da Rússia, mas não se pode negar uma confluência de interesses entre a extrema-direita MAGA e o expansionismo reacionário putinista. Enquanto os adeptos atlânticos de teorias da conspiração miram contra as “elites globalistas” e os “destruidores dos valores tradicionais”, o novo tsar se aproveita de qualquer força política que possa desestabilizar a fauna política dos países inimigos, esteja ela à direita ou à esquerda. Tulsi Gabbard, escolhida pelo presidente como diretora da Inteligência Nacional dos EUA, renunciou há alguns dias devido a sua discordância quanto à condução da atual guerra contra o Irã, embora tenha alegado “razões familiares”.

Em seu vídeo de “despedida” nas redes sociais, pra não negar a estirpe, a trumpista exumou do nada o fantasma dos “biolaboratórios americanos secretos” espalhados pela Ucrânia, dizendo que o governo (Biden, suponho?) tentou fazer de tudo pra negar sua existência. Se você tem um amigo “anti-imperialista” e “anti-OTAN” (no Hemisfério Sul!) que espalha bobagens semelhantes, plantando a discórdia e não explicando o resto, mande isto pra ele: na última edição de seu programa semanal de geopolítica na TV Dozhd, Ekaterina Kotrikadze exibe uma reportagem produzida por Daria Levchuk explicando exatamente do que se trata.

Os biolaboratórios ianques existem, como existem em dezenas de países. Porém, as informações sobre eles são públicas, além do que são instalações com fins médicos e científicos, e não militares. Nunca se esqueça que tudo o que vem do Kremlin atualmente é 200% mentiroso, a não ser que façamos uma leitura “a contrapelo” de seus discursos e descubramos como realmente funciona essa ditadura terrorista. Seguem o vídeo incorporado diretamente do canal de Kotrikadze, a tradução em português e, pra não desperdiçar o material, o texto em russo:


Ekaterina Kotrikadze – Os biolaboratórios secretos dos EUA na Ucrânia, uma das principais teorias da conspiração com que a propaganda russa tenta justificar a guerra. A diretora da Inteligência Nacional dos EUA também entrou nessa história. Na véspera de sua renúncia, Tulsi Gabbard anunciou sobre uma rede global de biolaboratórios financiados por Washington e acusou seu próprio Estado de esconder a verdade sobre o que realmente estava escrito em seus documentos. Que tipo de laboratórios operavam na Ucrânia e por que a publicação de Gabbard já está sendo considerada um presente político pro Kremlin? Daria Levchuk traz os detalhes.

Tulsi Gabbard – Eles não apenas mentiram, mas também ameaçaram quem tentasse dizer a verdade.

Daria Levchuk – Centenas de manchetes russas foram publicadas com a mesma redação: os EUA admitiram manter mais de 40 biolaboratórios na Ucrânia, sobre os quais mentiram pro mundo durante anos. No final de maio, a diretora da Inteligência Nacional dos EUA, Tulsi Gabbard, anunciou sua renúncia. Em seu discurso de despedida, em 12 de junho, falou sobre uma rede global de biolaboratórios financiados por Washington.

Apresentador do Canal 1 – A inteligência americana divulgou novos materiais sobre a investigação das atividades dos biolaboratórios financiados pelo orçamento dos EUA. Mais de 40 deles estão na Ucrânia.

TG – A publicação de hoje revela, pela primeira vez, informações sobre a existência, localização e financiamento desses biolaboratórios financiados pelos EUA. Todas essas informações foram deliberadamente ocultadas por muito tempo por pessoas influentes que afirmavam que tais laboratórios jamais existiram.

DL – O comunicado oficial do gabinete de Gabbard consiste em apenas quatro páginas de um documento com texto parcialmente editado. Ele descreve laboratórios em centros regionais de diagnóstico na Ucrânia, ou seja, os locais habituais onde os patógenos são armazenados e estudados. Outro detalhe notável: o mapa dos biolaboratórios mostra incorretamente a localização de Kyiv e indica cidades inexistentes: Cherniv [Chernov, em russo] e Zakarpattia. Afirma ainda que laboratórios ucranianos supostamente existiriam também na Crimeia, território ocupado pela Rússia.

Igor Slabykh, especialista em EUA – Gabbard está no cargo há mais de um ano. E, no fim, tudo o que conseguiu encontrar foram quatro documentos. O cabeçalho diz que um laboratório veterinário em Kharkiv foi alvo de desinformação por parte da Rússia. Bem, é exatamente disso que todos estão falando. Sim, aí realmente há informações sobre o que foi financiado. Sim, ninguém o nega. Sim, há informações sobre quanto dinheiro foi alocado. Mas aí não há informações sobre quais armas biológicas específicas estavam sendo desenvolvidas; esses dados não existem. Certo. Mas quais experimentos específicos foram conduzidos? Não há informações. Portanto, é propaganda pura e simples.

DL – A publicação do gabinete da diretora de Inteligência Nacional dos EUA afirma que informações sobre o financiamento americano pra laboratórios foram anteriormente “ocultadas deliberadamente por indivíduos influentes, em particular o imunologista Anthony Fauci e representantes do governo do ex-presidente americano Joe Biden. Isso diz respeito a aproximadamente 120 instalações em 30 países, incluindo mais de 40 na Ucrânia”. No entanto, as informações contidas no comunicado já são conhecidas há muito tempo. Os EUA de fato ajudaram a Ucrânia a modernizar laboratórios de diagnóstico e referência nos quadros do programa Biological Thread Reduction (Redução de Ameaças Biológicas), ligado à Convenção sobre as Armas Biológicas, segundo confirmou o Ministério da Saúde da Ucrânia.

Ministério da Saúde da Ucrânia – A essência do acordo é combater a ameaça de surtos de doenças infecciosas perigosas. Esse acordo é público e não menciona nenhum programa biológico militar nem o envolvimento de quaisquer recursos do Ministério da Defesa da Ucrânia.

Aleksandra Filippenko, americanista – O programa, lançado em 1991, existiu de forma totalmente transparente. Não havia segredo militar nem qualquer tipo de segredo em geral. Além disso, os sites oficiais das embaixadas americanas descrevem detalhadamente esse programa conjunto de combate a ameaças, o Programa Nunn-Lugar. Basicamente, tratava-se de um programa criado pra neutralizar diversos laboratórios que estavam sendo instalados nos territórios das então repúblicas soviéticas e, posteriormente, nos países pós-soviéticos, devido ao fato que, após a dissolução da URSS, ninguém tinha recursos pra os manter.

William Moser, diplomata – Os EUA têm interesses humanitários que vão além de questões de poder e influência. E acredito que seja importante que os EUA continuem esse trabalho.

DL – No entanto, pra propaganda russa, esses quatro slides estão se tornando a prova do que eles vêm afirmando desde 2022: a Ucrânia é um campo de testes pro desenvolvimento de armas biológicas americanas.

Maria Zakharova – Agora os americanos também vão verificar tudo aquilo que anteriormente, como eu já disse, a comunidade internacional supostamente civilizada negava.

Kirill Dmitriev – A verdade russa sobre os biolaboratórios de Obama e Biden na Ucrânia, que colocaram o mundo em perigo e cuja existência era anteriormente negada pelo deep state e pela mídia tradicional, foi confirmada em pleno Dia da Rússia.

Mikhail Favorov, epidemiologista – O financiamento terminou após a construção e o treinamento. Eles mantiveram o nível de anticorpos por seis meses e, depois disso, o financiamento direto pra manutenção dos laboratórios foi interrompido. Agora, o financiamento é direcionado aos países onde os laboratórios foram criados. E isso faz parte do acordo.

DL – A propaganda russa transformou o tema dos biolaboratórios ucranianos em uma verdadeira teoria da conspiração. Mesmo antes da invasão em larga escala, agências de inteligência e a mídia controlada já construíam uma narrativa sobre laboratórios secretos dos EUA. E de acordo com uma investigação do Insider, uma unidade do GRU esteve envolvida na elaboração desse conceito, sistematicamente o integrando em companhias de informação, desde mosquitos de combate até armas que visam exclusivamente o gene dos russos.

Apresentador da REN TV – O Ministério da Defesa divulgou hoje novos dados assustadores sobre os biolaboratórios na Ucrânia. Descobriu-se que vários programas secretos estavam sendo simultaneamente implementados sob controle dos EUA. Por exemplo, eles estavam estudando a transmissão de doenças de morcegos pra humanos. A possibilidade da infecção se espalhar por meio de aves também foi investigada.

Apresentador da TVTs – O Pentágono admitiu que estavam transformando mosquitos em armas biológicas. Os insetos estavam se tornando vetores dos vírus da febre amarela, zika e chicungunha.

Dmitri Medvedev – A maior ameaça agora vem dos biolaboratórios em território ucraniano. Ao longo da operação militar especial [nome oficial da invasão à Ucrânia], foram obtidas evidências de que componentes de armas biológicas estavam realmente sendo produzidos perto de nossas fronteiras.

DL – A diretora de Inteligência Nacional, Tulsi Gabbard, vem falando sobre biolaboratórios na Ucrânia desde o início da invasão russa.

TG – Existem mais de 25 biolaboratórios financiados pelos EUA operando na Ucrânia. Se o trabalho deles for destruído, isso pode levar ao vazamento e à disseminação de patógenos mortais pelo território americano e pelo mundo. Portanto, eles devem ser protegidos pra evitar o surgimento de novas pandemias.

DL – Após uma enxurrada de críticas, ela esclareceu que não estava falando de armas biológicas. No entanto, isso não a impediu de divulgar comentários de políticos americanos de direita, contrastando as garantias anteriores do governo Biden com as declarações atuais de autoridades de inteligência.

Jen Psaki, secretária de imprensa de Biden – A Rússia tem um histórico de espalhar mentiras descaradas desse tipo, incluindo alegações de que os EUA ou a Ucrânia estariam supostamente desenvolvendo programas de criação de armas químicas e biológicas.

TG – Pessoas influentes vêm afirmando há anos que esses laboratórios não existem.

DL – A presença desses laboratórios na Ucrânia é um problema? Sim, mas, segundo especialistas, não do tipo que os talk shows russos estão discutindo.

MF – Quando há uma guerra, todos correm risco. É um perigo muito sério. Não se trata apenas de exposição bacteriológica. Pode ser sobre eletricidade, sei lá, ou um depósito de lixo nuclear. Existe risco? Sim. De que tipo? As pessoas que trabalham aí são as que correm maior risco. Se os laboratórios forem bombardeados, elas podem adoecer. Se adoecerem, podem infectar outras pessoas.

AF – Parece que isso é um presente pra Rússia, um presente pro Kremlin, um presente pra Putin, um presente pra propaganda russa, que, naturalmente, começou a afirmar que todas as preocupações da Rússia com relação aos biolaboratórios na Ucrânia são justificadas.

DL – Tulsi Gabbard está deixando o cargo de diretora de Inteligência Nacional, sem nunca ter se tornado uma voz efetiva da comunidade de inteligência sob Trump. Após seu desentendimento com o atual governo sobre o Irã e uma série de outras questões de política externa, ela foi gradualmente afastada de reuniões importantes e de qualquer influência real nas decisões. E agora, tendo renunciado, volta à esfera pública no cômodo papel de denunciante. E os produtos que surgiram com o slogan “Vance-Gabbard 2028” sugerem que a história dos laboratórios pode se tornar apenas o primeiro episódio de sua futura carreira política.

AF – A questão principal é financeira. E é isso que Tulsi Gabbard enfatiza. E é a isso que ela apela. Ela está falando sobre como o dinheiro dos contribuintes americanos foi gasto nuns laboratórios em algum lugar, sabe-se lá pra quê.

Megyn Kelly, jornalista – Tulsi Gabbard poderia se candidatar à presidência em 2028?

TG – Eu nunca descarto nenhuma oportunidade de servir a meu país.



Екатерина Котрикадзе – Секретные биолаборатории США в Украине, одна из главных теорий заговора, которыми российская пропаганда пытается объяснить войну. К этой истории подключилась и глава американской Нацразведки. Накануне в своей отставке Тулси Габбард заявила о глобальной сети биолабораторий, финансируемых Вашингтоном и обвинила собственное государство в сокрытии правды о том, что на самом деле написано в её документах. Что за лаборатории такие работали в Украине и почему публикацию Габбард уже называют политическим подарком Кремлю? В материале Дарьи Левчук.

Тулси Габбард – Они не просто лгали, они угрожали тем, кто пытался рассказать правду.

Дарья Левчук – Сотни российских заголовков вышли с одинаковой формулировкой: США признали, что содержали более 40 биолабораторий в Украине, о которых годами врали миру. В конце мая директор Национальной разведки США Тулси Габбард объявила о своей отставке. На прощание 12 июня она сообщила о глобальной сети биолабораторий, финансируемых Вашингтоном.

Ведущий Первого канала – Американская разведка обнародовала новые материалы о расследовании деятельности биолабораторий, которые финансировались из бюджета США. Более 40 из них на Украине.

ТГ – Сегодняшняя публикация впервые раскрывает информацию о существовании, местонахождении и финансировании этих биолабораторий, финансируемых США. Все эти сведения долгое время намеренно скрывались влиятельными людьми, которые утверждали, что таких лабораторий вообще не существует.

ДЛ – Официальный релиз офиса Габбард – это всего четыре страницы документа с частично отредактированным текстом. В нём описываются лаборатории при областных диагностических центрах Украины, то есть обычные места, где хранят и изучают патогены. Примечательно другое: на карте биолабораторий неправильно показано расположение Киева и обозначены несуществующие города: Чернов и Закарпатье. А также указано, что украинские лаборатории якобы есть и в оккупированном России и Крыму.

Игорь Слабых, эксперт по США – Габбард работает на своём посту больше года. И в итоге всё, что она смогла найти – это четыре документа. В шапке его говорится о том, что ветеринарная лаборатория в Харькове стала объектом дезинформации со стороны России. Ну, как бы это как раз вот о том, о чём все и говорят. Да, действительно, там есть информация о том, что спонсировалось. Да, никто это не отрицает. Да, есть информация, сколько денег выделялось. Но нет информации там о том, какое конкретно биологическое оружие разрабатывалось, информации этой нету. Хорошо. А какие конкретные эксперименты проводились? Информации этой нету. Ну, то есть это это чистой воды пропаганда.

ДЛ – В публикации офиса директора Нацразведки США заявляется, что ранее информация об американском финансировании лабораторий “умышленно замалчивалась влиятельными лицами, в частности, иммунологом Энтони Фаучи и представителями администрации экс-президента США Джо Байдена. Речь идёт примерно о 120 объектах в 30 странах мира, из них более 40 в Украине”. Но изложенное в релизе уже давно известно. США действительно помогали Украине модернизировать диагностические и референс-лаборатории в рамках программы Biological Thread Reduction, связанной с конвенцией о запрете биологического оружия, что подтверждал Минздрав Украины.

Минздрав Украины – Суть сделки – противодействие угрозе вспышек опасных инфекционных заболеваний. Это соглашение есть в публичном доступе, и в нём вообще речь не идёт о военно-биологических программах или привлечении любых мощностей Минобороны Украины.

Александра Филиппенко, американист – Программа, которая была запущена в 1991 году, а существовала совершенно в открытую. Никакой военной тайны и вообще никакой тайны в этом не было. Более того, на официальных сайтах американских посольств подробно описана вот эта программа совместное противодействие угрозам, Программа Нанна-Лугара. Ну, вообще это программа, которая была создана для того, чтобы обезвредить разные лаборатории, которые создавались на территории стран, тогда ещё советских, а потом уже вот постсоветских стран, в связи с тем, что после развала Советского Союза ни у кого не было денег на их консервацию.

Уильям Мозер, дипломат – У Соединённых Штатов есть гуманитарные интересы, которые выходят за рамки вопросов силы и влияния. И я считаю, что для США важно продолжать такую работу.

ДЛ – Тем не менее, эти четыре слайда становятся для российской пропаганды доказательством того, о чём они твердили с 2022 года. Украина – полигон для разработки американского биологического оружия.

Мария Захарова – Теперь будут американцы ещё проверять всё то, что раньше, как я уже сказала, мировое сообщество вот это самое якобы цивилизованное отрицало.

Кирилл Дмитриев – Российская правда о биолабораториях Обамы и Байдена в Украине, которые подвергали мир опасности и существование которых ранее отрицали глубинное государство и традиционные СМИ, получило подтверждение в День России.

Михаил Фаворов, эпидемиолог – Финансирование закончилось после строительства и после обучения. Там это полгода они поддерживали титра и потом это финансирование прямого для сохранения лабораторий больше не было никогда. Они переходят на финансирование стран, где они были созданы. И это входит в договор.

ДЛ – Российская пропаганда превратила тему украинских биолабораторий в полноценную теорию заговора. Ещё до полномасштабного вторжения спецслужбы и подконтрольные медиа выстраивали сюжет о секретных лабораториях США. А по данным расследования Инсайдер, к разработке этой концепции было причастно подразделение ГРУ, которое системно встраивало её в информационные компании, от боевых комаров до оружия, поражающего уникальный ген русского человека.

Ведущая РЕН ТВ – Новые жуткие данные о биолабораториях на Украине сегодня сообщили в Министерстве обороны. Выяснилось, что под контролем США шла реализация сразу нескольких секретных программ. К примеру, изучали передачу заболевания от летучих мышей к человеку. Также следовалась возможность распространения инфекции с помощью птиц.

Ведущий ТВЦ – В Пентагоне сознали, что делали из комаров биооружие. Насекомые становились переносчиками жёлтой лихорадки и вирусов зика и чикунгунья.

Дмитрий Медведев – Наибольшая угроза сейчас исходит из биолабораторий на территории Украины. В ходе СВО были получены доказательства, что рядом с нашими границами фактически производились компоненты биологического оружия.

ДЛ – Глава Нацразведки Тулси Габбард говорит о биолабораториях в Украине ещё с начала российского вторжения.

ТГ – В Украине действует более 25 биолабораторий, финансируемых США. Если их работа будет нарушена, это может привести к утечке и распространению смертельно опасных патогенов по территории США и всего мира. Поэтому их необходимо обезопасить, чтобы предотвратить возникновение новых пандемий.

ДЛ – После шквала критики она уточнила, что речь идёт не о биологическом оружии. Однако это не мешало ей распространять комментарии правых американских политиков, которые противопоставляют прежние заверения администрации Байдена нынешним выступлением представителей разведки.

Джен Псаки, пресс-секретарь Байдена – У России есть история распространения откровенной лжи подобного рода, включая утверждения о том, что США или Украина якобы ведут программы по созданию химического и биологического оружия.

ТГ – Влиятельные люди годами утверждали, что этих лабораторий не существует.

ДЛ – Есть ли вообще проблема в наличии таких лабораторий в Украине? Да, но, по мнению экспертов, не та, о которой говорят российские ток-шоу.

МФ – Когда идёт война, риск есть у всех. Это очень серьёзная опасность. Это не только относится к бактериологическому воздействию. Это может относиться к электричеству, я не знаю, к хранилищу ядерных отходов. Риск есть? Да. Какой? Люди, которые там работают, вот кто под большим риском. Если по лабораториям бомбят, они могут заболеть. Если они заболеют, они могут заразить других.

АФ – Кажется, что это подарок России, подарок Кремлю, подарок Путину, подарок российской пропаганде, которая, конечно же, естественно стала говорить о том, что оправданы совершенно все опасения России относительно биолабораторий в Украине.

ДЛ – Тулси Габбард уходит с поста директора Национальной разведки, так и не став полноценным голосом разведсообщества при Трампе. После её несогласия с действующей администрацией по Ирану и ряда других внешнеполитических тем, её постепенно отстранили от ключевых совещаний и реального влияния на решение. Теперь же, уйдя в отставку, она возвращается в публичное поле в удобной для себя роли разоблачительницы. А появившийся мерч с надписью “Vance-Gabbard 2028” намекает, что история с лабораториями может стать лишь первой серией в её дальнейшей политической карьере.

АФ – Главный вопрос финансовый. И на это делает упор Тулси Габбард. И к этому она апеллирует. Она говорит о том, что вот деньги американских налогоплательщиков тратились на какие-то лаборатории где-то, непонятно зачем.

Мегин Келли, журналистка – Может ли Тулси Габбард баллотироваться в президенты в 2028 году?

ТГ – Я никогда не исключаю ни одной возможности послужить своей стране.



sábado, 20 de junho de 2026

Entrevista del Che em francês (1964)

Esta rara entrevista está online no canal da RTS (Rádio e Televisão Suíça em francês) há quase 19 anos, mas não chegou a 1,4 milhão de visualizações, enquanto vídeos muito mais fúteis e ultrajantes chegam a muito mais do que isso em poucas horas nos canais grandes. Pra se ter uma noção, a imagem ainda tem o selo da então existente TSR (Televisão Suíça Romanda), que em 2010 se fundiria com a RSR (Rádio Suíça Romanda) pra criar a rede pública RTS. Descobri sua existência após assistir à última edição do programa semanal Géopolitis da mesma RTS, sobre a história do bloqueio a Cuba pelos EUA e da atual escalada da crise entre os dois países, sobretudo a penúria geral que assola a ilha caribenha. A apresentadora disse que a entrevista de Ernesto “Che” Guevara à mídia suíça era “inédita”, mas entendi que ela nunca tinha ido ao ar (foi mostrado um trecho exíguo). Quando localizei algo parecido com a íntegra no próprio YouTube, pensei como o Pica-Pau: “Fui tapeado!”

Se nem na própria Helvécia o vídeo era muito conhecido, que dirá nesta Terra de Santa Cruz? Hora de fazer mais uma tradução que pudesse fazer sucesso entre meus compatriotas, sobretudo aqueles vestidos de camiseta com a cara descabelada do revolucionário argentino e braço direito de Fidel Castro! Segundo a RTS, a conversa ocorreu em Genebra, em abril de 1964, conduzida por René Burri pro programa Point, apresentado pelo jornalista Jean Dumur. Então ministro da Indústria de Cuba, El Che minimiza os efeitos até então visíveis do embargo imposto por Washington e notavelmente mostra hesitação em tomar partido na disputa sino-soviética, o maior racha do mundo socialista até então. (Havana finalmente tomaria o partido de Moscou e de sua gorda mesada, mas essa é outra história.)

Considera-se que esse seja o único registro público do francês falado por Ernesto Guevara, que teria, segundo comentários à publicação de 2007, passado boa parte de sua juventude lendo renomados escritores franceses no original, devido ao repouso prolongado imposto por sua condição de asmático. Eis aqui, então, mais uma tentativa de contribuir pra tradução da história do comunismo em português, ressaltando que editei profundamente o texto em francês das legendas que baixei por meio de um site. Em grande parte, não corresponde à fala, mas tenta passar as ideias originais mantendo o máximo do estilo, e o resultado segue depois da tradução. A base desta saiu do Google Tradutor, que deu várias soluções interessantes, mas o resultado foi atentamente cotejado com minha transcrição editada.

Adicionei notas explicativas entre colchetes e links pra páginas relacionadas quando necessário, nas duas versões, e realmente a conversa parece “começar no meio”, subentendendo-se já estar em discussão um assunto. Se havia um trecho gravado antes disso ou se foi um mero cacoete linguístico de René Burri, jamais saberemos:


Mas, em sua opinião, houve alguma mudança na atitude dos EUA com relação a Cuba?

Talvez, eu lhe digo, seja difícil lhe responder diretamente. De qualquer forma, não baseamos nossa posição escutando ou observando o que os EUA fazem ou o que os EUA querem. Bem, conduzimos nossa política internacional e, naturalmente, observamos atentamente o que eles fazem porque é nosso inimigo, estão perto de nós, são muito poderosos.

Hoje, nos últimos dias, há algumas vozes americanas, nós as conhecemos, o senador [James William] Fulbright [presidente do Comitê de Relações Exteriores do Senado dos EUA], por exemplo, que falaram numa linguagem completamente diferente. Mas imediatamente, o sr. [David Dean] Rusk [secretário de Estado dos EUA], o sr. Thomas Mann [diplomata americano que forjou a política de intervenção direta nos países latino-americanos], falaram na linguagem usual, e não podemos saber se a atitude de Fulbright, por exemplo, reflete realmente uma mudança na posição dos EUA ou se é simplesmente uma voz isolada.

O bloqueio econômico imposto pelos EUA tem afetado a vida em Cuba?

Sim, antes de mais nada, tem mudado completamente a vida em Cuba. Mudamos nossas fontes de suprimento, que passaram a ser a Europa, especialmente os países socialistas. Mudamos nosso próprio estilo de vida, e os artigos de luxo, bens de consumo durável, digamos assim – não sei o termo em francês –, quase desapareceram em Cuba. Havia muitas coisas em falta. Nossas indústrias passaram por um período bastante longo sem peças de reposição, e às vezes era preciso parar. Não conseguíamos as manter funcionando, mas essa situação até forçou nossa industrialização no setor mecânico.

E neste momento podemos nós mesmos suprir quase todos os suprimentos mecânicos essenciais, isto é, peças de reposição e, naturalmente, tudo o que não podemos comprar de países socialistas ou outros países da Europa. Pois devemos considerar que Cuba é um país onde quase toda a indústria, toda a técnica e toda a tecnologia dependiam dos EUA e das fábricas dos EUA, e mudar tudo isso é algo muito difícil. Conseguimos fazer isso e, desde o ano passado, o bloqueio já é realmente um completo fracasso.

Mas você está satisfeito com a atual situação econômica de Cuba?

Não, nunca podemos estar satisfeitos. Aspiramos a muito mais, mas o ano passado foi o pior, especialmente no início, quando a economia estava em seu ponto mais baixo. Desde esse momento, começamos a expandir nossa indústria e agricultura, e podemos dizer que essa é a direção geral que a economia está tomando, uma melhora gradual e sustentada. Infelizmente, não é algo maravilhoso, mas todos os dias podemos ver os resultados concretos do que estamos fazendo, e pro povo isso é encorajador.

A ajuda soviética a Cuba é necessária pra vocês?

Naturalmente é necessária. Acho que a ajuda de todos os povos é necessária. Se você que saber se é indispensável, acho que não. Mas precisamos esclarecer bem o que estamos chamando de ajuda, pois sempre há alguns erros, alguns equívocos. Por exemplo, os americanos falam da ajuda soviética em termos comerciais, e temos um comércio bilateral muito forte em ambos os lados. Isso não é ajuda. A ajuda soviética consiste em alguns acordos de longo prazo, como os acordos sobre a cana-de-açúcar e os acordos pra fornecer empréstimos de longo prazo pra conclusão de empresas industriais. Isso é muito importante pra nosso desenvolvimento. E digo que a URSS, você me perguntou, não sei se você está se referindo especificamente à URSS ou aos países socialistas. Mas temos esse tipo de relacionamento com todos os países socialistas.

Mas ainda há soldados soviéticos em Cuba?

Técnicos, mais exatamente. Eles estão lá, sim.

Vocês precisam deles?

Eles são nossos instrutores em algumas áreas.

Em quais áreas?

Na área de tecnologia de defesa avançada. Abatemos um U-2: só a URSS consegue fazer isso, a China também, acredito, e naturalmente é uma técnica muito difícil. Até agora não a dominamos.

Qual é a posição de Cuba diante do conflito que opõe Moscou a Pequim?

Lamentamos profundamente essas questões. Até agora não nos pronunciamos sobre isso nem vamos nos pronunciar oficialmente.

O sr. Khrushchov deseja convocar uma conferência comunista mundial pra resolver esse conflito de uma forma ou de outra. Se essa conferência acontecer, Cuba vai participar?

Esta pergunta está irmanada à anterior. Não vamos nos pronunciar sobre esse assunto. De qualquer forma, não considero este momento oportuno.

Quais são atualmente as relações de Cuba com o resto da América Latina?

São fracas. Mantemos relações diplomáticas com cinco países e relações comerciais com apenas dois ou três. Elas não são significativas. O bloqueio americano foi imposto aos países latino-americanos, creio eu, de forma mais eficaz que em outras regiões do mundo. Os países americanos [i.e. das três Américas] nos condenaram em Punta del Este, no Uruguai, numa conferência em 1962. Fomos expulsos da Organização dos Estados Americanos e muitos países romperam suas relações diplomáticas e comerciais conosco. Essa situação permanece até hoje.

Você acha que existem atualmente países na América Latina maduros, prontos pra uma revolução do tipo castrista, do tipo cubano?

Existem alguns onde a luta já está em curso. Não se fala disso aqui, mas há luta na Venezuela, na Guatemala e talvez em outros países onde o povo pegou em armas. Aconteceu conosco: lutamos por muitos anos e ninguém falava de nós.

Você mencionou a Venezuela e a Guatemala, mas Cuba está ajudando os revolucionários desses países?

Apenas moralmente. Cuba considera que a luta deles é justa, mas só os ajuda até esse ponto.


Mais d’après vous, est-ce qu’il y a quelque chose de changé dans l’attitude des États-Unis à l’endroit du Cuba ?

Peut-être je vous dis, c’est difficile à vous répondre directement. En tout cas, nous ne fixons pas notre position en écoutant, en regardant ce que les États-Unis font ou ce que les États-Unis veulent. Bon, nous faisons notre politique internationale et naturellement nous regardons avec attention ce qu’ils font parce que c’est notre ennemi, ils sont près de nous, ils sont très forts.

Aujourd’hui, dans ces derniers jours, il y a quelques voix américaines, on les connait, le sénateur [James William] Fulbright [président de la Commission des affaires étrangères du Sénat des États-Unis], par exemple, qui a parlé un langage absolument différent. Mais immédiatement monsieur [David Dean] Rusk [secrétaire d’État des États-Unis], monsieur Thomas Mann [diplomate américain qui a forgé la politique d’intervention directe dans les pays latino-américaines] ont parlé dans le langage habituel, et nous ne pouvons pas savoir si l’attitude de Fulbright, par exemple, correspond vraiment à un changement de la position des États-Unis ou si elle n’est qu’une voix isolée.

Est-ce que le blocus économique imposé par les États-Unis a affecté la vie à Cuba ?

Oui, en premier lieu, il a fait changer absolument toute la vie à Cuba. Nous avons changé nos sources de ravitaillement, qui se sont déplacées vers l’Europe, surtout vers les pays socialistes. Nous avons changé toute notre vie même, et les articles de luxe, les articles de consommation à long terme, on peut dire – je ne connais pas le mot en français –, et ça a presque disparu à Cuba. Il y avait beaucoup de choses qui manquent. Nos industries sont passées par une période assez longue où il n’y avait pas de pièces de rechange, il a fallu s’arrêter quelquefois. Nous ne pouvons pas les mettre en fonctionnement, mais cette condition même a forcé notre industrialisation dans la mécanique.

Et en ce moment nous pouvons fournir presque tous les ravitaillements essentiels de type mécanique, c’est-à-dire des pièces de rechange par notre propre main, et naturellement ce que nous ne pouvons pas acheter dans des pays socialistes ou dans d’autres pays de l’Europe. Parce qu’on doit considérer que Cuba est un pays où presque toute l’industrie, toute la technique et toute la technologie dépendaient des États-Unis et des usines des États-Unis, et changer tout ça, c’est une chose assez difficile. Nous l’avons pu faire, et depuis cette dernière année, le blocus est déjà vraiment un échec absolu.

Mais vous êtes satisfait de la situation économique actuelle à Cuba ?

Non, jamais on ne peut être satisfait. Nous aspirons à beaucoup plus, mais l’année dernière a été l’année plus basse, surtout dans les premières parties de l’année, où l’économie était dans le moment le plus bas. Depuis ce moment, nous avons commencé à accroitre notre industrie, notre agriculture, et ça c’est, on peut dire, la direction générale que suit l’économie, c’est-à-dire, une amélioration progressive, soutenue. Malheureusement ce n’est pas une chose merveilleuse, mais chaque jour on peut voir concrètement les choses que nous faisons, et c’est encourageant pour le peuple.

L’aide soviétique à Cuba, est-ce qu’elle vous est nécessaire ?

Naturellement qu’il est nécessaire. Je pense que l’aide de tous les peuples est nécessaire. Si vous demandez si elle est indispensable, je pense que non. Mais on doit préciser bien ce qu’on appelle l’aide, parce qu’il y a toujours quelques erreurs, quelques tromperies. Par exemple, les Américains parlent de l’aide soviétique en ce qui concerne le commerce, et nous avons un très fort commerce sur une base bilatérale de part et d’autre. Ça n’est pas de l’aide. L’aide soviétique, ce sont quelques accords à long terme, comme les accords pour la canne à sucre et les accords pour fournir des crédits à long terme aux entreprises industrielles complètes. C’est très important pour notre développement. Et je dis, l’Union soviétique, vous m’avez demandé, je ne sais pas si vous parlez précisément de l’Union soviétique ou des pays socialistes. Mais c’est avec tous les pays socialistes que nous avons ce type de relation.

Mais est-ce qu’il y a encore des soldats soviétiques à Cuba ?

Nous disons, techniciens. Ils sont là, oui.

Ils vous sont nécessaires ?

Ils sont nos professeurs dans quelques domaines.

Dans quels domaines ?

Dans le domaine de la technique supérieure de la défense. Nous avons fait tomber un U-2, seulement l’Union soviétique peut le faire, la Chine aussi, je crois, et naturellement c’est une technique très difficile. Nous ne la dominons pas jusqu’à ce moment.

Quelle est la position de Cuba face au conflit qui oppose Moscou à Pékin ?

Ces questions, nous les déplorons beaucoup. Nous n’en avons pas parlé jusqu’à ce moment et nous n’en parlerons pas officiellement.

Monsieur Khrouchtchov désire réunir une conférence communiste mondiale pour résoudre d’une façon ou d’une autre ce conflit. Si cette conférence a lieu, est-ce que Cuba y participera ?

Cette question est frère de la précédente. Nous ne parlerons pas de cette question. Je ne trouve pas ce moment opportun, en tout cas.

Quels sont les rapports actuellement de Cuba avec le reste de l’Amérique latine ?

Ils sont faibles. Nous avons des relations diplomatiques avec cinq pays et nous avons des relations commerciales avec deux ou trois seulement. Elles ne sont pas importantes. Le blocus américain s’est imposé aussi aux pays de l’Amérique latine, je pense, plus efficacement que dans d’autres régions du monde. Les pays américains [c.à.d. des trois Amériques] nous ont condamné à Punta del Este, en Uruguay, lors d’une conférence en 1962. Nous avons été expulsés de l’Organisation des États américains et beaucoup de pays ont coupé leurs relations diplomatiques et commerciales avec nous. C’est la situation jusqu’à ce moment.

Pensez-vous qu’il y a, à l’heure actuelle, en Amérique latine des pays mûrs, prêts pour une révolution du type castriste, du type cubain ?

Il y en a quelques-uns où il y a déjà la lutte. Ici on n’en parle pas, mais la lutte existe au Venezuela, au Guatemala et peut-être dans d’autres pays où le peuple lutte avec les armes. Ça s’est passé avec nous : nous avons lutté pendant de longues années et personne ne parlait de nous.

Vous avez parlé du Venezuela et du Guatemala, mais est-ce que Cuba aide les révolutionnaires de ces pays ?

Moralement seulement. Il considère que leur lutte est juste, mais il ne les aide que jusqu’à ce point.



El Che usando a boca pra verificar se essa Coca é Fanta.

segunda-feira, 15 de junho de 2026

Como seguir as atualizações da página

Se você realmente quiser pular a reflexão pessoal e ir direto ao aspecto prático que interessa, clique aqui.


Esta publicação tem um pouco de vários caracteres: informativo, planificador, comunicativo, reflexivo. Por que eu estaria preocupado com o modo como os leitores frequentes deste blog que prefiro chamar de “página” recebessem atualizações de conteúdo novo, e por que eu ainda não estaria satisfeito que as pessoas simplesmente encontrassem meus textos por acaso numa busca online? A questão não é tão simples, e quero abordar alguns assuntos que têm ocupado meus pensamentos nos últimos anos.

Definitivamente, os blogs decaíram com a ascensão das novas mídias sociais, porque ninguém mais tinha energia e inteligência pra ler e escrever tanto, e porque um Facebook, um Instagram ou um YouTube da vida são muito mais ágeis quanto à distribuição e notificação de conteúdo e à obtenção de público (no qual, potencialmente, já estão teus contatos usuais). Com o fracasso das experiências do Orkut e do Google+, a Alphabet investiu massivamente no “Você Transmite”, de forma que ele acabou perdendo sua essência original de “vlogueiros caseiros” e se tornou uma verdadeira Netflix semigratuita. Aliás, acariciados com o enganoso nome “canal” (Netinho de Paula que o diga!), os velhos “vloggers” que botavam a boca no trombone se tornaram “youtubers” que morriam pra se encaixar na cultura de massas, e depois “influenciadores”, cópias ruins uns dos outros, que catequizam (por isso sendo em número bem mais restrito) os bilhões de gados dopados por seus smartphones.

Exemplo dessa negligência são os muitos usuários que criam seus blogs e, quando param ou mudam de plataforma, não o apagam nem deixam uma mensagem de adeus. Mari Moon deletou o seu, mas Viih Tube não posta desde 6 de fevereiro de 2015, e ainda podemos nos divertir com álbuns completos de sua puberdade. Uns poucos heróis, talvez por comodismo ou praticidade, se ativeram ao Blogger, antigo Blogspot, o serviço de “diários digitais” do próprio Google, a exemplo meu mesmo e da ativista e professora “Escreva Lola Escreva” Aronovich, que está há muito mais tempo na praça e, claro, chegou muito mais longe. Mas se excetuarmos uma única grande mudança técnica ocorrida uns anos atrás, o Blogger é um serviço praticamente abandonado pela casa-mãe, e estou esperando a hora em que ele pode ser subitamente fechado sob a desculpa de “não estar dando lucro”. Acho pouco provável que esse momento chegue, mas se chegar, ainda pode demorar bastante, pois a capacidade de monetizar esses dinossauros pelo Adsense lhes dá uma sobrevida, mesmo que os fins sejam os mais escusos possíveis.

Exceto pelo Wordpress, outro idoso que sempre foi o queridinho de um público mais seleto, serviços mais modernos chegaram pra reabilitar e recauchutar a “blogagem”, entre os quais o Medium e o Substack. Porém, também limitados a um nicho de usuários com outros hábitos e mentalidades, não chegam aos pés das atuais redes sociais ou “mídias digitais” onipresentes, cada vez mais poderosas e tóxicas. Não vou entrar no mérito do Twitter, que aqui chamo carinhosamente de “Équis” e se popularizou chamado de “rede de microblogs”, mas que hoje se parece muito mais com os serviços da Meta, porém com menos funcionalidades. Por enquanto não falei de notificações, mas de conteúdo, e esta foi realmente a essência de uma de minhas mudanças: após anos usando assiduamente as redes tradicionais, em 2015 (quando a discussão sobre vício ainda estava começando e ninguém falava de violência e conteúdo enganoso!) parei de ter perfis fixos ou manipulados diariamente, exceto por alguns intervalos entre 2019 e 2022, em que cheguei a usar Instagram com alguma frequência.

Como já escrevi outras vezes, e como alguns amigos e conhecidos meus já sabem, criei no YouTube o canal Pan-Eslavo Brasil em 20 de novembro de 2010 como uma simples plataforma pra carregar os vídeos históricos que eu traduzia e legendava. Nunca considerei “youtuber” uma profissão nem jamais pretendi “influenciar” ninguém. Após maturação relativamente longa, este blog que chamo de página veio mais tarde, em 1.º de agosto de 2014, quando o Blogger ainda não tinha caído no esquecimento e eu pretendia ter também uma plataforma pra meus textos escritos, fossem eles originais ou traduções de terceiros. Entre 2009 e 2011, também cheguei a escrever textos em blogs pouco divulgados e de vida curta, e de 2012 a 2014 usei o Materialismo.net pra divulgação de ideias pessoais; a criação de um espaço próprio também reuniria escritos já prontos que eu achasse interessante relançar, com pouca ou nenhuma modificação.

Pra quem não se lembra, e pra informação dos jovens, no início da década de 2010, o canal do YouTube era automaticamente vinculado a nosso perfil no Google+, onde novos vídeos eram divulgados na hora (se alguém seguia nosso perfil, em dinâmica semelhante ao Instagram) e onde devíamos fazer as mudanças (foto, nome, descrição) que se refletiriam na plataforma. Somente mais tarde surgiu a possibilidade de desvincular os dois serviços e, se quiséssemos, de apagar nosso Google+, até finalmente aparecer nosso familiar YouTube Studio. Também devo confessar que por falta de ousadia, nunca experimentei outras plataformas de blog, já que ter uma conta do Google (como foi meu caso a partir da criação do Pan-Eslavo Brasil, e tive várias além daquela) dava acesso imediato ao serviço do Blogger. Somente em algumas semanas de teste, a primeira versão do que seria meu primeiro blog, o “Pensadores Libertos” (2009-10), foi hospedada no UOL, que assinei de 2000 a 2011.

Nunca busquei vincular diretamente o canal ou a página ao Orkut (que em 2012 quase ninguém mais usava), Facebook ou Instagram, no sentido de criar um espaço dedicado especialmente a eles. No caso do Facebook, eu postava meus novos vídeos ou textos no próprio perfil pessoal ou, o que era mais arriscado, em grupos a que pertencia, mas de cujas regras nem sempre lembrávamos ou cujos administradores eram mais sensíveis a certos conteúdos... Pra ser mais exato, a primeira vez que fiz uma página do Facebook dedicada ao canal foi em meados de 2014, quando reaproveitei uma página inicialmente dedicada ao historiador Edgard Carone, mas jamais alimentada. Como interagia muito e tinha muitos contatos com os mesmos interesses que eu (mesmo que politicamente discordantes), a página cresceu espantosamente e em poucos dias chegou a ter mais de dois mil seguidores! Pra efeito de comparação, no início de 2015 o próprio canal mal reunia 1,5 mil almas... Por motivo que até hoje desconheço, decidi apagar perto do fim de 2014 aquela que poderia ter sido um sucesso de público e, quem sabe, reunido até 1 milhão de facebookers ao longo do tempo.

Nunca mais repeti a façanha. É claro que minha decepção emocional com aquele site (já que eu quase não usava o aplicativo no smartphone) de alguma forma me levaria a jogar tudo pro ar de qualquer jeito; ou quem sabe a manutenção e sucesso da página me levariam a pensar duas vezes. Em todo caso, mantive depois páginas no Facebook dedicadas ao canal ou à página por curtos períodos, sem reunir muitos seguidores e logo “enjoando” de cuidar de sua administração. O mesmo ocorreu com o Instagram, no qual cheguei a ter perfis pessoais e/ou dedicados ao canal e/ou à página, mas que não durariam muito nem chegariam ao mesmo sucesso da pioneira no Facebook em 2014, quando o fenômeno da rede social tinha chegado ao ápice; muito menos aos números do próprio canal, que alcançou os 10 mil inscritos durante a Copa na Rússia em 2018 e “faleceu” em 11 de agosto de 2021, após passar os 42 mil fãs.

O que quero dizer com toda essa digressão? Quero dizer que, exceto pelos meios muito limitados que o Blogger ainda oferece pra notificação de novas publicações a eventuais interessados, sem que eles precisem ficar visitando a página o tempo todo, jamais mantive outras mídias que as pessoas frequentassem mais e, assim, pudessem saber imediatamente das novidades. Às vezes foi falta de paciência (preferir manter o foco na alimentação da própria página), às vezes frustração (usar também como rede pessoal, mas não sentir o mesmo calor humano do passado), mas quase sempre consciência de que o império do algoritmo tornava as coisas cada vez mais difíceis pra quem (re)começava do zero, e não estava já no pedaço há um bom tempo. Se você não se engajasse com outras contas, fosse seguindo, curtindo ou comentando, nem publicasse o máximo possível, você ficaria invisível, mesmo que outros porventura procurassem exatamente o tipo de conteúdo que você publica. E mesmo querendo manter um “espaço fixo” que pudesse crescer gradualmente, com publicação ocasional, a ânsia de querer logo mais inscritos e a insatisfação com as interações pessoais minavam a possibilidade de qualquer acúmulo.

Quem conhece as principais plataformas de blogs sabe que o meio mais frequente e natural de seguir novas publicações é... tornar-se um seguidor, ora bolas! De fato, esta página não foi criada na atual conta do Google que a hospeda, datada de 2016 ou 2017, mas na conta destinada a abrigar o Pan-Eslavo Brasil e aberta na mesmíssima data em que criei o canal e carreguei o primeiro vídeo. Aliás, em novembro de 2010, após o fim de meu primeiro blog, eu estava sem conta do Google, sobretudo porque eu usava o e-mail do UOL, e não o Gmail ainda. Só recriei uma conta aqui pra poder usar o YouTube, e era justamente aquela vinculada ao correio eletrônico com nome de usuário pensamentoliberto, de que alguns conhecidos se lembram e que só abri em 2011 por causa do abandono do UOL.

Na primeira versão da página, lançada em 2014, cheguei a ter mais de 70 seguidores, alguns dos quais conhecidos que já não vejo há tempos, e (pouco até pra quase oito anos) mais de 900 mil visualizações únicas de página. Com o fim do Pan-Eslavo, em 2021, não vi sentido em manter duas contas do Google, mesmo que fosse só pra manter os inscritos da página, tanto mais que sequer podia fazer outro canal no YouTube com ela. Além disso, tinha se tornado uma conta “velha” com resquícios de recursos “velhos” que eu nem sequer conseguia apagar. Até pra “esquecer” afetivamente esse passado, resolvi transferir a página pra nova conta (esta que vocês veem agora), apesar do trabalhão que deu e, pior, da impossibilidade de manter ou comunicar aqueles mais de 70 inscritos! Verdade seja dita: muita gente ao longo dos anos criou contas no Blogger só pra seguir blogs, mas deve ter parado de os ler e simplesmente “largado” lá, o que as torna de fato seguidoras em número, e não em conteúdo.

Lançada pra valer em junho de 2022 (o espaço já estava público desde fevereiro, mas aguardando o apagamento da conta do Google 2010-2022), a versão da página nesta nova conta teve uma fortuna contraditória. Em seu pico, salvo se houver nova tendência de crescimento, alcançou apenas 26 ou 28 seguidores, o que organicamente não é irrisório, levando-se em conta que não fiz mais divulgação sistemática em redes sociais (mesmo em grupos de terceiros) e que poucos são os que hoje fazem perfis no Blogger. Contudo, em bem menos tempo, ultrapassei o 1,9 milhão de visualizações únicas, estando não muito longe de chegar a 2 milhões. Isso se deve, claro, ao aumento de usuários da internet, que chegam aqui usando inclusive ferramentas de IA, aos visitantes antigos que continuaram vindo e, talvez, divulgando, e à variação do conteúdo com ocasionais acelerações no número de novas publicações. Porém, alguém pode me corrigir, mas suspeito que haja tráfego “não orgânico”, como se fossem bots vindos não sei de onde e que também agem em redes sociais. Até porque, exceto se for caso de VPN ou imigração, boa parte desse tráfego está localizada nos EUA e outros países aos quais meu conteúdo não interessaria amplamente. Mas não é algo que me incomoda tanto.

É interessante e comovente que alguns jovens têm trilhado na contramão e criado perfis somente pra seguir determinados blogs, como é o caso da própria Lola Aronovich, bem como do meu, cuja caixinha localizada do lado direito da tela conta também com outros antigos conhecidos que “reapareceram”, rs:



O RSS é um instrumento tão arcaico e desusado que nem sequer resolvi incorporar aqui. Também não há mais a possibilidade de seguir por e-mail, e a outra possibilidade que é eu mesmo inserir manualmente os e-mails nas configurações exige, primeiramente, que a criatura aceite o convite (e alguns que eu julgava “amigos” ousaram recusar!), e ainda por cima é limitada a dez endereços, pode isso? Alguns contatos próximos recebiam essas atualizações, mas também desativei, porque essa limitação tirava toda a graça do recurso. Antes que você pergunte: sim, quando fazia páginas do Facebook pra divulgar o conteúdo, eu as incorporava aqui, mas agora você sabe o que eu terminava fazendo.

Afinal das contas, se tenho gradualmente abandonado as redes sociais, sobretudo na busca por manter um “perfil baixo”, se meu objetivo tem sido publicar mais pra ter um patrimônio cultural público do que pra adquirir engajamento e se, com o passar dos anos, tenho dado bem menos prioridade à produção de conteúdo e mesmo à tradução em geral, como era o caso na década de 2010, pra buscar ou me dedicar a atividades profissionais acadêmicas ou burocráticas... Afinal de contas, pra que me preocupar sobre como as pessoas vão seguir minha página (não tenho nenhuma pretensão de voltar ao YouTube!) se elas podem vir aqui a qualquer momento? Bem, isso implica contar sobre meus planos futuros.

Se você chegou até aqui sem pular parágrafos, ou você é um herói ou heroína “fora de seu tempo”, ou você realmente gosta muito de mim e/ou de meu conteúdo: a esmagadora maioria da “sociedade de massas” viciada em redes sociais, figurinhas coloridas e videozinhos curtos não aguentaria mais de dez linhas, quem sabe menos! Realmente, toda essa volatilidade quanto a espaços em redes sociais se deve exatamente à incerteza sobre o papel que elas podem ter em minha vida pessoal, profissional e cultural (relacionada a esta página). Afinal, até o Gemini deduziu (depois que digitei “Erick Fishuk”...) que, depois da queda do Pan-Eslavo, resolvi “centralizar” aqui todas as minhas traduções, rs. Havia também a possibilidade de, pagando ou não, publicar textos e vídeos maiores em redes tradicionais, depois de terem tecnicamente avançado muito, mas não só não desejo alimentar o modelo de negócio delas, como também tem a questão do “comodismo”: se já estou no Blogger, pra que republicar tudo “alhures” ou publicar as mesmas novidades duas vezes?

Obviamente eu uso um pingo de redes sociais: WhatsApp, porque é vital pra sobreviver nessa semicolônia latifundista e agroexportadora, e Telegram, como reserva pra qualquer hecatombe na Meta, pra outros países que o usem mais e porque acho bem mais rico em recursos. (OK, tenho usado secretamente uma conta do Instagram pra conversar com um punhado de amigos, mas até o fim de junho já tô querendo apagar de novo, então nem tente me procurar.) Pra se ter uma noção, desde que conheço o Telegram ele permite um nome de usuário particular, o que até agora nem o onipotente Zuckerberg conseguiu copiar! Além do conhecido grupo que mantive no WhatsApp de 2018 a 2020 (mais destinado, é verdade, à socialização), várias vezes criei canais nos dois aplicativos como alternativas de divulgação, mas logo perdia a paciência e apagava.

Confesso que o grande problema era a própria falta de plano de longo prazo pra manter esses espaços: primeiro, eu não tinha paciência de esperar vê-los crescerem; segundo, publicava muitos conteúdos aleatórios, inclusive links de notícias e vídeos que caberiam mais a mensagens privadas pra amigos; e terceiro, a relação com o conteúdo já existente, fossem arquivos de vídeo ou publicações escritas, era muito mal definida. Além de um desabafo, um “auxílio à memória” e um informativo histórico pra interessados, este texto, como eu disse lá no começo, também visa anunciar algumas estratégias pra retomar os meios “decentes” de divulgação e explicar como tem funcionado minha política de contatos pra falar comigo.

Por muitos anos, não permiti que as publicações recebessem comentários, justamente porque meu objetivo era fazer com que a página funcionasse exatamente como um site “puro”, isto é, apenas transmissora de conteúdo. (O já referido trabalhão somado à falta de tempo me impediu justamente que eu transferisse tudo pra outro serviço de hospedagem, como o Google Sites; essa hipótese pode ocorrer só em caso de emergência extrema.) Porém, de uns tempos pra cá, reabri essa possibilidade, em primeiro lugar pra ampliar o engajamento, mas também pra deixar as pessoas elogiarem ou agradecerem, não dar a impressão de ser antidemocrático e permitir eventuais correções ou sugestões de enriquecimento do texto. Não temo mais spams ou haters, pois eles podem ser facilmente apagados ou bloqueados. Mas está claro que essa é apenas uma forma de comunicação, e não de atualização. Assim, de alguma forma, sempre apresentei a possibilidade de entrar em contato pessoal direto comigo, em algum lugar na célebre barra direita.

Se você já observou o canto superior direito, pode ver estes três círculos que, da esquerda pra direita, se tratam respectivamente de meu Linktree (conjunto de links pessoais, tipo um miniportfólio), meu Currículo Lattes (exigido pra todo mundo que trabalha com pesquisa no Brasil) e meu perfil no Gravatar, que é multiuso pra alguns sites (incluindo o Wordpress), mas que realmente não é amplamente difundido:



Gostaria que você focasse sua atenção no Linktree, que não por acaso tem um ícone estilizado em forma de árvore, isto é, “tree”. A maioria dos links listados no perfil consiste em trabalhos acadêmicos, traduções publicadas, artigos culturais e vídeos do YouTube em que dou entrevista ou apareço como palestrante principal ou secundário. Na parte de cima, em forma de ícones, há meus principais contatos pessoais (que, exatamente por isso, não reproduzo de novo aqui): WhatsApp, e-mail, a própria página e outras redes ocasionalmente ativas (mas que podem sumir a qualquer momento).

Portanto, a instrução básica é a seguinte: sempre que houver algum contato meu disponível ou alguma rede social ativa, ela vai aparecer ali; se não aparecer, é porque ela existe, e se você vir alguma rede em meu nome, mas que não apareça ali, é falsa. A essa altura de minha vida, ninguém vai querer se passar por mim, mas é melhor prevenir do que remediar, né? Dito isso, é possível que nos próximos dias eu estruture um canal no WhatsApp (desse modelo novo, agora localizável por busca, e não do antigo modelo de grupo em que só admins podem mandar mensagem) e outro no Telegram, cujos links vão aparecer no Linktree. Então, fique alerta!

Quanto ao roteiro de atualizações, ele vai ser retroativo e progressivo. Retroativo, porque todo dia planejo publicar links antigos, o que pode inclusive proporcionar o encontro de material que boa parte dos leitores ainda não conhecia. E progressivo, porque cada nova publicação daqui pra frente também vai aparecer por lá, embora o retorno da regularidade ainda esteja em suspenso. Além de alguns concursos públicos e do estudo de idiomas, também tenho dedicado meu tempo livre, sobretudo os fins de semana, a ajudar alguns amigos com tarefas técnicas e a reorganizar meu próprio arquivo digital, o que pode ainda levar um tempão. Porém, sem prejudicar as obrigações cotidianas, há a possibilidade de eu fazer um pedaço de novas publicações por dia e, à medida que forem ficando prontas, ir programando-as pra um futuro em que eu possa garantir uma regularidade inquebrável das publicações (a cada um ou dois dias).

Outro ponto importante: os possíveis novos canais no WhatsApp e no Telegram vão conter apenas links pra publicações da página, e não vídeos antigos do Pan-Eslavo nem outros conteúdos não relacionados, como reportagens, vídeos do YouTube ou memes. Obviamente, sobretudo se já tiver algum público, posso abrir uma exceção pra serviços solidários ou notícias urgentes, caso alguém me peça pessoalmente, mas não vai ser regra. Finalmente, se o plano já estiver bem desenhado, eu deixo os canais crescendo organicamente e recebendo postagens “monótonas”, como citei acima, resistindo pra não os apagar, como infelizmente amigos meus já perceberam tantas vezes quando eram incluídos no WhatsApp “na maior festa” e, dias depois, percebiam tudo apagado...

Essa decisão firme, anunciada e detalhada de possivelmente manter canais fixos no WhatsApp e no Telegram se deve ao fato de ser importante manter ao menos um “canto” em algumas das principais redes sociais, já que hoje são quase o meio exclusivo pelo qual alguém é descoberto, e do Blogger já não oferecer mais ferramentas funcionais pro compartilhamento de conteúdo. Assim, não só os usuários comuns de internet e redes sociais, sobretudo os mais jovens, não precisam fazer uma conta no Blogger pra receber notificações nem ficar entrando na página ocasionalmente, mas também o compartilhamento entre interessados, geralmente já frequentando aquelas redes, fica bem mais fácil. Além disso, ao contrário de alguns anos atrás, o WhatsApp se tornou uma das mídias mais usadas no mundo, junto com Face e Insta (os três com o mesmo dono, claro...), o que o obrigou a se modernizar, incluindo a cópia do recurso de canais do Telegram e a possibilidade de os encontrar mesmo sem serem verificados. E, claro, a cada conteúdo compartilhado, vai um link do canal junto pra que o contato também possa entrar!

Pra terminar, vale a pena sumarizar alguns pontos a respeito dos planos futuros pra página e de minha visão sobre redes sociais:

  • Se eu abrir redes públicas, além do próprio Linktree ou Gravatar, vai ser apenas WhatsApp e Telegram (canais), que são mais práticos e estão entre os mais usados. Meu Instagram ainda disponível pode sumir a qualquer momento, e perfis em outras redes (YouTube, Facebook, Reddit, Twitter/X, TikTok, Bluesky etc.) com meu nome pessoal ou com o usuário erickfishuk não vão aparecer. Também abandonei a monetização e a possibilidade de doação por meio de pix ou PayPal, pois, além de um feed pessoal “à sua maneira”, a página não deve ser um meio de vida, e sim um complemento a qualquer outro meio de vida relacionado a minha formação em História.
  • As novas publicações estão aparecendo com a indicação do domínio “blogspot.com” porque, embora o “fishuk.cc” ainda esteja disponível, pretendo o tirar do ar em 2029, quando expirar a compra. Não é tanto uma questão de economia, já que mesmo a reserva por cinco anos não é cara demais. É uma questão de domínios curtos e/ou personalizados já não terem tanta força quanto no passado, já que são os motores de busca, agora turbinados pela IA, que avançam o conteúdo. É também uma questão de “valorizar” a marca, ou seja, exibir explicitamente o Blogspot (nome antigo do Blogger) pra mostrar que não se está acriticamente “seguindo o fluxo das massas”.
  • A página não vai “morrer”, mas, como sempre digo, ocasionalmente dou pausas ou diminuo a frequência das publicações pra dar conta das obrigações pessoais. É muito conteúdo publicado que já presta um baita serviço de utilidade pública pra sumir de uma hora pra outra, e mesmo que precise desparecer (ocasional extinção do Blogger ou, como ocorreu, derrubada do canal Pan-Eslavo), vai ressurgir de alguma outra forma. O Linktree, que é serviço confiável, serve justamente pra indicar onde estou e o que estou fazendo. De qualquer forma, nada substitui aquela visita ocasional e aquela compartilhada a algum conhecido: com ou sem café e bolo de fubá, sempre vou estar de braços abertos!

domingo, 24 de maio de 2026

José Roberto do Amaral Lapa (Globo Ciência)

Há alguns dias, terminei a leitura da coletânea O garimpeiro dos cantos e antros de Campinas: homenagem a José Roberto do Amaral Lapa, organizada por Olga Rodrigues de Moraes von Simson e publicada em 2000 pela Editora da Unicamp. Inicialmente concebida como um presente-surpresa pra marcar a aposentadoria compulsória do querido professor do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH), ocorrida quando ele completou 70 anos em 1999, acabou se tornando um monumento póstumo, já que o docente viria a falecer em plena preparação do livro. Idealizada pelo Centro de Memória-Unicamp (CMU) que ele ajudou a fundar, reúne transcrições de entrevistas dadas por Lapa em anos bem diferentes, fotos de vários momentos da carreira, depoimentos de ex-colegas, ex-funcionários e ex-estudantes (em alguns dos quais foi mantido o tempo presente, dado o inesperado de sua morte), artigos sobre temas de sua predileção e uma lista exaustiva de seus cargos, livros, artigos científicos e jornalísticos, entrevistas e prêmios.

Embora ele fosse historiador, não conheci o “professor Lapa”, ou simplesmente “o Professor”, como diziam que ele era chamado, pois só ingressei na graduação em 2006, e mesmo que tenha ouvido falar seu nome de passagem, não o associei à pessoa, só agora totalmente conhecida por mim. Nascido em Campinas em 1929, formou-se em História e em Direito no que seria a futura PUC de Campinas, lecionou na Unesp de Marília e foi um dos primeiros professores do IFCH, onde concluiu sua carreira, tendo realizado seu sonho de voltar à terra natal. Após publicar muitas obras seminais sobre a economia colonial brasileira, Lapa realizou outro grande sonho de se tornar “o historiador” por excelência de Campinas, quando lançou A cidade: os cantos e os antros em 1995, com excelente reimpressão apenas em 2008. Apaixonado pela história local, esse livro se tornou referência obrigatória de toda uma prolífica área que se formaria, mas seu papel na fundação do CMU, iniciado com arquivos do Judiciário quase incinerados e no qual ele trabalhou até falecer, foi a realização maior de sua paixão de sempre.

Em meio à listagem exaustiva de suas entrevistas, consta na p. 324 uma participação na edição de 21 de janeiro de 1994 do antigo programa Globo Ciência (1984-2014) da TV Globo (onde mais?), sem mais detalhes. Há muitas outras participações suas em jornais e programas da EPTV, a afiliada da Globo em Campinas e região (mas não em Bragança Paulista, abarcada pela TV Vanguarda). Nunca assisti ao Globo Ciência assiduamente, mas sempre escutava falar, sobretudo nos intervalos comerciais, e seu próprio formato me dá um pouco de nostalgia da infância, quando a TV aberta era mais rica em conteúdo educativo e quando nos aferrávamos aos poucos suportes existentes pra nos informar, na ausência da saturante abundância da internet contemporânea. Apesar da imagem de benevolência passada por fundações de financiamento como a de Roberto Marinho e a do Banco do Brasil, o pouco destaque dado a esse tipo de conteúdo, influindo no generalizado atraso cultural do país atual, se nota pelo tempo dedicado (menos de meia hora) e aos horários na grade (sábado ou domingo no começo da manhã).

Todavia, não posso dizer que esse modelo não deixou frutos nas mídias modernas, em especial o YouTube, os quais, além de terem sido inspirados por mitos como Carl Sagan, Susan Greenfield, Neil deGrasse Tyson e, em menor medida, Richard Dawikins, certamente tinham idade (não tô chamando de velhos, rs!) e disposição pra assistir a essas relíquias. Entre muitos divulgadores de ciência e conhecimento, longe de fazer uma lista exaustiva, presto minha homenagem ao Pirulla, ao também unicamper Sérgio Sacani, a Átila Iamarino, Natália Pasternak, Dráuzio Varella, Marcelo Gleiser, a Leon e Nilce, bem com aos canais mais recentes “Olá Ciência” e “Nunca vi 1 cientista” e os que agora também avançam a outras ciências além das exatas e biológicas. Confesso que, mesmo eu sendo “dotô”, essa não é uma seara que assisto com tanta frequência quanto boletins de notícias, youtubers de atualidades e alguns semanários geopolíticos. Portanto, se você quer lembrar algum outro divulgador ou mídia (sem esquecer as revistas da própria Editora Globo...) que marcou ou marca sua juventude, escreva nos comentários, por favor. E faça teu próprio merchã, se quiser!

Voltando ao assunto: boa parte das informações sobre o Globo Ciência vem da Wikipédia, mas também há um bom texto de 2021 com as mesmas informações, reorganizadas e acrescidas de dois vídeos da abertura, no próprio portal Memória Globo. Em 2011, o programa foi incorporado ao Globo Cidadania, chamado de “bloco” (sequer de programa!) e conduzido por Sandra Annenberg (hoje no Globo Repórter com o mítico William Bonner). Finalmente esse “bloco” foi fundido em 2014 com vários outros “Globo alguma nerdice” no esquecido Como Será, sob a mesma liderança e, embora mais longo, sob o mesmo horário sonífero de começo das manhãs de sábado. Ele mesmo foi extinto em 2019 e reprisado até 2022, quando foi substituído por reprises do próprio Globo Repórter.



Conhece essa careca? Rs.


Entre as várias mudanças de horário e formato, a edição com o professor Lapa, que falava sobre a preservação de arquivos e também abordou instituições no Rio de Janeiro, foi feita no período aberto em 1991, quando o Globo Ciência foi relegado ao domingo cedinho, e fechado em outubro de 1995, quando voltou aos sábados. Mais exatamente, desde 1992 era apresentado pela simpática jornalista Anna Terra, que aparece no vídeo abaixo, e contava com apenas uma ou duas reportagens. Curiosamente, o dia citado na coletânea caiu numa sexta-feira, o que poderia indicar que se trata da data de gravação, e não de exibição. A edição disponível mais próxima que localizei foi a de 16 de janeiro de 1994, realmente um domingo, sendo plausível, pois, que o CMU possa ter aparecido no dia 23, uma semana depois, e não 21.

Sem muita expectativa, procurei por esse episódio no YouTube (sabia que talvez fosse praticamente impossível achar pelos arquivos públicos da própria Globo), e entre as poucas edições completas, achei uma sem data, nem mesmo o ano. E eis que, apesar da imagem passável com um áudio bem nítido, encontro na segunda metade do vídeo o professor Lapa, eternizado pelo herói Rodolfo Paes, que acredito ser o dono do canal! Não tentei discernir outras características do vídeo que pudessem confirmar a data certa, mas não há dúvidas de que seja o episódio mencionado na coletânea em sua homenagem. Pra que a descoberta se torne pública, e como minha própria homenagem a quem fez grande diferença em nossa historiografia e no IFCH, mesmo eu não o tendo conhecido, segue o episódio completo, seguido da transcrição da reportagem sobre os centros de documentação. Após um oferecimento comercial das Americanas com a cômica e saudosa Nair Bello, ela começa aos 14 min 05 seg, enquanto o próprio Lapa aparece aos 26 min 14 seg.

Infelizmente não localizei nada a respeito de Anna Terra, ainda mais que há várias homônimas, sobretudo no Instagram, e com a profissão parecida. O único registro fiável parece ser esta publicação de janeiro de 2012 no blog do jornalista cearense Wilson Ibiapina, cujas últimas postagens antecedem em pouco sua própria morte, em 2023. Anna é descrita como gaúcha e incluída com o próprio Wilson e outros quatro ex-colegas entre “globais dos anos 80”, tendo ela trabalhado na emissora em Brasília e então residindo em São Paulo. Os seis teriam se reunido na capital federal pra um almoço, e Anna aparece à frente, de blusa branca. Único registro online da profissional, nenhuma menção ao Globo Ciência no texto... Quanto ao repórter Wilson Ferreira Junior (se não falarmos ainda do cinegrafista João de Andrade), ele parece ter tido bem mais êxito, a julgar por seu LinkedIn e Instagram, que acredito serem dele devido à semelhança física.

Pra aumentar o mistério, buscando no Google pelo nome do repórter, achei o que se apresenta como parte do anuário de produções da Unicamp, relacionado à participação dos docentes do Departamento de História do IFCH em diversos tipos de eventos em 1993. Há uma menção ao professor Lapa, com a seguinte observação (acredito que redigida em primeira pessoa): “Recebemos no dia 29/10 [deve ser isso, há um ele minúsculo no lugar do número um], uma equipe do Programa Globo Ciência, da TV Globo, chefiada pelo jornalista Wilson Ferreira Júnior, que veio produzir uma matéria sobre todos os serviços que este Centro presta à Unicamp e à comunidade, Centro de Memória-Unicamp.” Era possível na época produzir algo em outubro e só exibir em janeiro? Como alguém acostumado ao imediatismo das lives, me parece estranho, o que deixa este texto ainda mais aberto a contribuições e correções externas, se necessárias!


Anna Terra: Fotografias, filmes, documentos, jornais. Sem esses registros do passado e do presente, os pesquisadores não podem reconstruir a história das cidades, dos países, das civilizações. A reportagem principal do Globo Ciência de hoje mostra três instituições brasileiras especializadas na preservação da memória do nosso país. São arquivos privados e públicos que estão abertos a especialistas e também a qualquer um de nós. O repórter Wilson Ferreira Junior e o cinegrafista João de Andrade trabalharam no Rio de Janeiro e em Campinas para mostrar como funcionam os centros de documentação.

Wilson Ferreira Junior: Nos primeiros anos do século 20, um prefeito do Rio de Janeiro mudou a cara da cidade. Pereira Passos, o prefeito, construiu grandes avenidas, derrubou as casas velhas do Centro, encomendou novos quiosques e até banheiros públicos. O que Pereira Passos fez trouxe consequências para o Rio e para o país, já que a cidade era capital da República. O saneamento melhorou, diminuiu a incidência de doenças infectocontagiosas e a cidade ficou mais parecida com as capitais europeias.

Essa história só pode ser contada porque existem fotos, documentos e outros registros guardados em arquivos como o da cidade do Rio de Janeiro. São os arquivos que permitem aos historiadores [e ao público em?] geral reconstituírem e analisarem a história de sua cidade, de seu próprio país. Mas isso não é um privilégio de profissionais. A Constituição brasileira garante a todos o acesso à informação: qualquer cidadão que estiver interessado pode recorrer aos arquivos públicos para fazer consultas a respeito do que quiser. Desde fatos importantes da história até simples curiosidades, como saber, por exemplo, qual era a cara desse lugar onde estamos agora há mais ou menos 90 anos.

Esta foto faz parte do acervo do Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro, que guarda 30 mil fotos, 40 mil negativos e 1 220 metros de documentos, além de outros tipos de material que reconstituem trechos da história da cidade desde o século 17 até a década passada [de 1980]. O acervo do Arquivo da Cidade do Rio de Janeiro, de certa forma, conta a história da própria cidade. E nesse acervo existem documentos muito antigos, alguns deles muito valiosos, que datam inclusive do tempo em que o Brasil era um Império. Esses documentos, os mais valiosos, estão guardados num cofre. E nós vamos ter a oportunidade de conhecer alguns desses documentos agora com a ajuda do Roberto Paulo, que é um museólogo aqui do Arquivo da Cidade do Rio de Janeiro. Vamos, portanto, abrir o cofre e vamos dar uma olhada nesses documentos. Vamos lá, Roberto!

Aqui há um auto de juramento da coroação de Dom Pedro 1.º. 1.º de dezembro de 1822, quando ele jurou a coroa depois da Independência. Aqui nós temos outros documentos: esse, por exemplo, assinado por José Bonifácio de Andrade e Silva. Veja aqui a assinatura.

Roberto Paulo Freire: Aqui é a respeito do matadouro lá em Santa Cruz. Inclusive Dom Pedro 1.º ia a cavalo até Santa Cruz.

WFJ: Além desses livros, que basicamente datam da época do Império, existem muitas outras... né?

RPF: Muitos outros que estão à disposição aqui no nosso arquivo, vários assuntos quem contam nossa história...

WFJ: O arquivo da cidade está completando 100 anos de vida, mas as pessoas que o procuram não têm acesso a todos os documentos do acervo. Isso porque só estão identificados e catalogados 25% deles. O resto permanece em depósitos e vai sendo colocado à disposição do público a conta-gotas.

José Maria Jardim: 75% do acervo não se sabe ainda. E isso que nós estamos fazendo no momento: de que se trata, como chegaram e como estão. O nosso esforço nesse momento é de abrir essa caixa-preta. Mas essa caixa-preta só é compreensiva se nós abrirmos também uma outra dimensão dessa caixa-preta, que é o que se encontra, na verdade, nos arquivos da prefeitura. Reverter isso significa uma política arquivística, significa o reconhecimento desses acervos que se encontram nos órgãos da administração municipal, o recolhimento imediato daqueles que são de valor histórico, de valor para a pesquisa científica e, mais do que isso, uma política de intervenção na produção da documentação hoje.

Locutor: Uma vida a serviço do Brasil. [Toca parte do refrão Hino à Bandeira.] Getúlio Vargas, em contato direto com os trabalhadores do Brasil, presta conta dos atos do seu governo, num exemplo do mais puro sentimento democrático e prova de respeito e amor ao povo.

WFJ: Você e todos nós podemos ver esse filme hoje porque o Centro de Pesquisa e Documentação da Fundação Getúlio Vargas o conservou. O CPDOC, ao contrário do arquivo da cidade, que guarda documentos públicos, é especializado em guardar arquivos pessoais de homens públicos brasileiros que tiveram projeção nacional a partir de 1930. Aqui se pode ver um dossiê sobre o nazismo no Rio Grande do Sul, que pertencia ao general Cordeiro de Farias, ou a carta de demissão de João Goulart do cargo de ministro do Trabalho, ou ainda o manuscrito do discurso escrito por Amaral Peixoto quando da fusão dos estados do Rio e da Guanabara. São mais de 1,5 milhão de documentos que pertenceram a 110 pessoas importantes, principalmente políticos.

Suely Braga: São os documentos que essas pessoas julgaram interessante em algum momento da vida preservar. São os documentos pessoais, como cartas, telegramas, discursos, tem originais de discursos, tem manuscritos, nós temos muitas fotografias, discos, filmes, impressos. Quer dizer, toda a natureza, todo o documento que se julgou por bem, por um motivo ou por outro, guardar ao longo do exercício da sua vida pública.

WFJ: É comum, então, que pesquisadores procurem aqui arquivos pessoais de políticos, de pessoas proeminentes para fazer um confronto com arquivos públicos, por exemplo?

SB: A natureza do documento privado, pessoal, é diferente. É um documento muito mais solto, muito mais fluido. Quer dizer, não teve toda a pressão que tem o documento público, que ele tem que estar num formato, num padrão, você tem regras de como se pronunciar, como expressar uma ideia. No arquivo privado, não. Você vai ver o político falando livremente sobre determinado assunto. Você vai ver o original de um discurso que muitas vezes não é exatamente a versão que ele proferiu em plenário. Quer dizer, esse trabalho de confronto, poder ter esses vários tipos de fonte, é fundamental para o desenvolvimento de qualquer pesquisa.

WFJ: Apertado em um andar do prédio da GV [a FGV, Fundação Getúlio Vargas] no Rio, o CPDOC tem 50 funcionários, dos quais 33 são pesquisadores. Fundado em 1973, recebe pesquisadores externos e também promove pesquisas próprias.

Alzira Abreu: Houve uma primeira parte das atividades dos primeiros anos [em que] nós trabalhamos muito com os anos 30, 37. Houve um outro período que trabalhamos já com os anos 50, e nesse momento nós estamos muito voltados já para o período 64, que nós estamos trabalhando com o regime militar. Não só com a articulação do regime, da revolução de 64, do golpe, mas também como é que ele se desenvolveu.

WFJ: Todos os arquivos, museus, bibliotecas e instituições que lidam com documentos históricos têm uma preocupação permanente com a conservação e a restauração desses documentos. Tanto que várias dessas instituições têm laboratórios próprios de restauração. É o caso do Centro de Memória da Unicamp, em Campinas, que tem no seu laboratório técnicos especializados em mexer com documentos como esses, que ilustram, aliás, as causas mais frequentes de deterioração, como mordidas de roedores, ação de insetos, de fungos e de inundações. Aqui no laboratório de restauração, documentos como esses são totalmente recuperados e se transformam em documentos como esse daqui, já totalmente recuperado e pronto para ser manuseado pelos pesquisadores.

O processo de restauração começa com uma limpeza feita com pincel largo e bisturi. Nos documentos mais sujos, os restauradores aplicam também pó de borracha. Depois de limpos, os papéis passam por três banhos diferentes: um com água destilada aquecida a 50 °C, o segundo com hidróxido de cálcio para diminuir a acidez do papel – a acidez é a responsável pela fragilidade dos papéis velhos –, o terceiro com uma cola à base de celulose, que impede o ressecamento e devolve a maciez ao documento. O próximo passo é a secagem natural. O processo termina na mesa de luz, onde é feita a reconstituição estética com tiras de papel natural e cola neutra.

Quanto tempo se leva, em média, para restaurar um livro daqueles que nós vimos todos deteriorados, para transformar num livro reconstituído?

Dulce Fernandes Barata: Olha, depende muito dos materiais disponíveis. Depende inclusive dos equipamentos. Eu acredito que de seis meses a um ano.

WFJ: E as técnicas de restauro, elas são sempre artesanais, como a senhora faz aqui, com o seu pessoal no laboratório, ou já existem equipamentos modernos que podem fazer isso em substituição ao trabalho manual?

DFB: Ah, existe com certeza, em outras instituições nacionais e internacionais. As pessoas têm usado muito o que eles chamam de restauração em massa, usado principalmente com auxílio das máquinas, máquina de obturação de papel, tem as máquinas, as câmeras de desacidificação de papéis, e isso auxilia enormemente, a produção do trabalho ganha muito na qualidade e no tempo. Porque se os trabalhos são feitos artesanalmente, nós vamos ter uma luta contra o tempo, ao passo que se tiver equipamentos, tecnologias avançadas como várias instituições têm, então a restauração vai ganhar demais em termos de quantidade e qualidade.

WFJ: Os documentos que são restaurados no Centro de Memória da Unicamp fazem parte de um acervo que reúne material histórico de Campinas e região dos últimos 200 anos. São processos do Tribunal de Justiça, arquivos da Santa Casa local, registros de escravos, da Estrada de Ferro Mogiana e das antigas fazendas de café. As fotos, negativos e todo o material visual também são conservados caprichosamente. Tudo é arquivado em sala especial, com temperatura e umidade controladas, embalado em papel neutro. Além de conservar o arquivo, o Centro de Memória tem um setor de publicações que divulga o acervo através de livros, revistas e boletins. O diretor do Centro diz que instituições como a sua ajudam a diminuir os efeitos de um dos grandes problemas brasileiros: a falta de memória.

Qual é o papel dos arquivos e centros de memória nessa resistência contra a perda do patrimônio cultural brasileiro?

José Roberto Lapa: Simplesmente recolher a documentação escrita, a documentação que pode ser por via oral, a documentação, no sentido mais largo que possa ter a palavra, representa muito, mas não tudo. A preservação da memória deve envolver forçosamente o direito e cidadania de acesso à informação. Isto é, se nós recolhermos o acervo que está correndo perigo, que está correndo o risco de se perder, não nos basta depositar esse acervo e salvá-lo. É preciso organizá-lo, é preciso acessá-lo da maneira mais ágil, mais fácil que se consiga. É preciso universalizar o seu uso e, sobretudo, transformá-lo num gerador de conhecimento, a fim de que o documento na sua frieza, o documento muitas vezes até naquilo que não está nele escrito, naquilo que ele deixa implícito, possa ter uma dinâmica e ir ao encontro do interessado e permitir a ele que a partir do documento, através do documento, além do documento, ele possa ter conhecimento histórico e contribuir para que, com esse conhecimento histórico, ele possa, quem sabe, até mudar para melhor a sociedade em que ele vive.



quarta-feira, 20 de maio de 2026

Camarada Rubio é o novo chefe do “PCC”

Não, “camarada Rubio” não se trata do historiador bananeiro defensor de Putin e popular nas redes sociais por fazer cosplay de Kim Jong-un, rs. Trata-se do novo secretário-geral do Comitê Central (CC) do Partido Comunista de Cuba (o famoso “PCC”), Marquito Rubio, filho de imigrantes cubanos que se torna o primeiro “ehtadunidense” a comandar a ilha do Fidélio. Escolhido por unanimidade quase unânime pelos cumpanhêros na última reunião plenária do “cecê”, era conhecido na clandestinidade como “Oreja” e vai seguir firme junto com o povo e com o dinero de Moscú en el camino del Tchê hasta la victoria.

Brinks à parte, não há imagens melhores do que estas, lançadas pelo site Ciber Cuba Noticias como memes após o Laranjão dizer em janeiro que ele daria um bom presidente de seu torrão natal, mas agora ilustrando um de seus raros discursos em espanhol dirigido aos exilados que comemoram a independência do país. Neste 20 de maio, Loiro praticamente se vê comandando as rédeas de La Habana, sonho acalentado há mais de 10 anos, quando disputou suas primeiras primárias à candidatura republicana pra Casita Blanca. Também hoje, Raúl “China” Castro, irmão del Comandante, foi condenado pelo Departamento de Justiça dos EUA por suposta ordem de matar aviadores ianques que despejavam folhetos antirregime sobre os carros e prédios decrépitos em 1996.

A transcrição em espanhol pode ser vista no Facebook do mesmo portal noticioso, mas a copiei caso a publicação original resolva sumir do nada. Como se precisasse pra nosotros, o vídeo tem legendas em americano, e incorporei várias outras montagens do Camarada Blond feitas por quem aparentemente tinha muito tempo de sobra. A avaliação do conteúdo fica a teu critério, mas pessoalmente achei sacanagem comparar “Florída” com a República Dominicana e a Jamaica, rs:


Neste dia, em 1902, a bandeira cubana tremulou pela primeira vez sobre um país independente. Mas eu sei que hoje vocês, que chamam a Ilha de lar, estão passando por dificuldades inimagináveis.

Hoje quero compartilhar com vocês a verdade sobre o motivo do seu sofrimento e lhes dizer o que nós, nos EUA, lhes oferecemos para os ajudar não só a aliviar a crise atual, mas também a construir um futuro melhor.

O motivo pelo qual vocês são obrigados a sobreviver até 22 horas por dia sem eletricidade não se deve a um embargo de petróleo da parte dos EUA. Como vocês sabem melhor do que ninguém, sofrem com apagões há anos.

O verdadeiro motivo da falta de eletricidade, combustível e comida é que aqueles que controlam seu país saquearam bilhões de dólares, e nada disso foi usado para ajudar o povo.

Trinta anos atrás, Raúl Castro fundou uma empresa chamada GAESA. Essa empresa pertence às Forças Armadas e é administrada por elas. Ela tem receitas três vezes maiores do que o orçamento do governo cubano.

Hoje, enquanto vocês sofrem, esses empresários controlam US$ 18 bilhões em ativos e dominam 70% da economia cubana.

Eles lucram com hotéis, construção civil, bancos, lojas e até mesmo com o dinheiro que seus parentes enviam dos EUA. Tudo passa pelas mãos deles.

Eles retêm uma porcentagem dessas remessas, mas nada dos lucros da GAESA chega ao povo cubano.

Em vez de usar esse dinheiro para comprar petróleo, como fazem outros países ao redor do mundo, eles dependeram durante anos do petróleo gratuito enviado por Hugo Chávez e Nicolás Maduro para embolsar o dinheiro.

Mas agora que não recebem mais esse petróleo gratuito, compram combustível para seus geradores e veículos, enquanto pedem que o povo continue se sacrificando.

Em vez de usar o dinheiro para manter e modernizar as centrais elétricas danificadas, eles o usam para construir mais hotéis para estrangeiros e enviar seus parentes para viver no luxo em Madri e até mesmo nos EUA.

Hoje, Cuba não é controlada por nenhuma revolução. Cuba é controlada pela GAESA: um Estado dentro do Estado que não presta contas a ninguém e que acumula os lucros de suas empresas para beneficiar uma pequena elite.

E o único papel que o chamado governo desempenha é exigir que vocês continuem se sacrificando e reprimir qualquer um que ouse protestar.

O presidente Trump está propondo uma nova relação entre os EUA e Cuba, mas ela deve ser direta com vocês, o povo cubano, e não com a GAESA.

Primeiro, estamos oferecendo US$ 100 milhões em alimentos e medicamentos para vocês, o povo, mas essa ajuda deve ser distribuída diretamente pela Igreja Católica ou outras organizações de caridade confiáveis, e não roubada pela GAESA para a vender em suas lojas.

Mas o povo cubano não está interessado em viver de caridade permanente.

Vocês querem a oportunidade de viver em seu próprio país como seus parentes vivem nos EUA e em outros países ao redor do mundo.

Hoje, da mídia ao entretenimento, dos negócios à política, da música aos esportes, os cubanos chegaram ao topo de praticamente todas as atividades em todos os países, exceto um: Cuba.

Hoje, em Cuba, apenas aqueles próximos ou pertencentes à elite da GAESA podem possuir negócios lucrativos.

Mas o presidente Trump está propondo um novo caminho entre os EUA e uma nova Cuba.

Uma nova Cuba onde vocês, cubanos comuns, e não apenas membros da GAESA, possam ser donos de um posto de gasolina, de uma loja de roupas ou de um restaurante.

Uma nova Cuba onde vocês, e não apenas membros da GAESA, possam abrir um banco ou serem dono de uma construtora.

Uma nova Cuba onde vocês, e não apenas o Partido Comunista, possam ser donos de um canal de TV ou de um jornal.

Uma nova Cuba onde as pessoas possam criticar um sistema falido sem medo de ser presas ou se ver forçadas a deixar a ilha.

E uma nova Cuba onde elas tenham a real possibilidade de escolher quem governa o país e votar para os substituir caso não desempenhem bem suas funções.

Isso não é impossível.

Tudo isso existe nas Bahamas, na República Dominicana, na Jamaica e até mesmo a apenas 145 quilômetros [90 milhas] de distância, na Flórida.

Se é possível ter seu próprio negócio e direito ao voto nos arredores de Cuba, por que não seria possível dentro de Cuba?

Nos EUA, estamos prontos para abrir um novo capítulo na relação entre nossos povos.

E hoje, a única coisa que barra o caminho rumo a um futuro melhor são aqueles que controlam seu país.


En un día como hoy, en 1902, la bandera cubana ondeó por primera vez sobre un país independiente. Pero sé que hoy ustedes, quienes llaman a la Isla su hogar, atraviesan dificultades inimaginables.

Hoy quiero compartirles la verdad sobre el motivo de su sufrimiento y contarles lo que nosotros, en Estados Unidos, les ofrecemos para ayudarlos no solo a aliviar la crisis actual, sino también a construir un futuro mejor.

La razón por la que se ven obligados a sobrevivir hasta 22 horas al día sin electricidad no se debe a un bloqueo petrolero por parte de Estados Unidos. Como ustedes saben mejor que nadie, llevan años sufriendo apagones.

La verdadera razón por la que no tienen electricidad, combustible ni alimentos es porque quienes controlan su país han saqueado miles de millones de dólares, y nada de eso ha sido utilizado para ayudar al pueblo.

Hace 30 años, Raúl Castro fundó una empresa llamada GAESA. Esta empresa pertenece a las Fuerzas Armadas y es operada por ellas. Tiene ingresos tres veces superiores al presupuesto del gobierno cubano.

Hoy, mientras ustedes sufren, estos empresarios controlan 18 mil millones de dólares en activos y dominan el 70 % de la economía cubana.

Obtienen ganancias de hoteles, construcciones, bancos, tiendas e incluso del dinero que sus familiares les envían desde Estados Unidos. Todo pasa por sus manos.

De esas remesas retienen un porcentaje, pero nada de las ganancias de GAESA llega al pueblo cubano.

En vez de usar ese dinero para comprar petróleo, como hacen otros países del mundo, dependieron durante años del petróleo gratuito enviado por Hugo Chávez y Nicolás Maduro para quedarse con el dinero.

Pero ahora que ya no reciben ese petróleo gratis, compran combustible para sus generadores y vehículos, mientras al pueblo se le pide que siga sacrificándose.

En vez de usar el dinero para mantener y modernizar las centrales eléctricas dañadas, lo utilizan para construir más hoteles para extranjeros y enviar a sus familiares a vivir con lujos en Madrid e incluso en Estados Unidos.

Hoy, Cuba no está controlada por ninguna revolución. Cuba está controlada por GAESA: un Estado dentro del Estado que no rinde cuentas a nadie y que acapara las ganancias de sus negocios para beneficiar a una pequeña élite.

Y el único papel que desempeña el llamado gobierno es exigirles a ustedes que continúen sacrificándose y reprimir a cualquiera que se atreva a protestar.

El presidente Trump ofrece una nueva relación entre Estados Unidos y Cuba, pero debe ser directamente con ustedes, el pueblo cubano, y no con GAESA.

Primero, estamos ofreciendo 100 millones de dólares en alimentos y medicinas para ustedes, el pueblo, pero esa ayuda debe ser distribuida directamente por la Iglesia Católica u otras organizaciones caritativas de confianza, no robada por GAESA para venderla en sus tiendas.

Pero al pueblo cubano no le interesa vivir de la caridad permanente.

Ustedes quieren la oportunidad de vivir en su propio país como viven sus familiares en Estados Unidos y en otros países del mundo.

Hoy, desde los medios de comunicación hasta el entretenimiento, desde los negocios hasta la política, desde la música hasta los deportes, los cubanos han llegado a la cima de prácticamente todas las industrias en todos los países, excepto en uno: Cuba.

Hoy, en Cuba, solo quienes están cerca de la élite de GAESA o forman parte de ella pueden tener negocios rentables.

Pero el presidente Trump ofrece una nueva vía entre Estados Unidos y una nueva Cuba.

Una nueva Cuba donde ustedes, los cubanos de a pie, y no solo GAESA, puedan ser dueños de una gasolinera, una tienda de ropa o un restaurante.

Una nueva Cuba donde ustedes, y no solo GAESA, puedan abrir un banco o tener una empresa constructora.

Una nueva Cuba donde ustedes, y no solo el Partido Comunista, puedan ser dueños de una estación de televisión o de un periódico.

Una nueva Cuba donde puedan criticar a un sistema que falla sin temor a ir a prisión o verse obligados a abandonar la Isla.

Y una nueva Cuba donde tengan la oportunidad real de elegir a quienes gobiernan el país y votar para reemplazarlos si no hacen bien su trabajo.

Esto no es imposible.

Todo eso existe en Bahamas, República Dominicana, Jamaica e incluso a solo 90 millas, en Florida.

Si tener un negocio propio y el derecho al voto es posible alrededor de Cuba, ¿por qué no puede ser posible dentro de Cuba?

En Estados Unidos estamos listos para abrir un nuevo capítulo en la relación entre nuestros pueblos.

Y hoy, lo único que se interpone en el camino hacia un futuro mejor son quienes controlan su país.