Há alguns dias, terminei a leitura da coletânea O garimpeiro dos cantos e antros de Campinas: homenagem a José Roberto do Amaral Lapa, organizada por Olga Rodrigues de Moraes von Simson e publicada em 2000 pela Editora da Unicamp. Inicialmente concebida como um presente-surpresa pra marcar a aposentadoria compulsória do querido professor do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH), ocorrida quando ele completou 70 anos em 1999, acabou se tornando um monumento póstumo, já que o docente viria a falecer em plena preparação do livro. Idealizada pelo Centro de Memória-Unicamp (CMU) que ele ajudou a fundar, reúne transcrições de entrevistas dadas por Lapa em anos bem diferentes, fotos de vários momentos da carreira, depoimentos de ex-colegas, ex-funcionários e ex-estudantes (em alguns dos quais foi mantido o tempo presente, dado o inesperado de sua morte), artigos sobre temas de sua predileção e uma lista exaustiva de seus cargos, livros, artigos científicos e jornalísticos, entrevistas e prêmios.
Embora ele fosse historiador, não conheci o “professor Lapa”, ou simplesmente “o Professor”, como diziam que ele era chamado, pois só ingressei na graduação em 2006, e mesmo que tenha ouvido falar seu nome de passagem, não o associei à pessoa, só agora totalmente conhecida por mim. Nascido em Campinas em 1929, formou-se em História e em Direito no que seria a futura PUC de Campinas, lecionou na Unesp de Marília e foi um dos primeiros professores do IFCH, onde concluiu sua carreira, tendo realizado seu sonho de voltar à terra natal. Após publicar muitas obras seminais sobre a economia colonial brasileira, Lapa realizou outro grande sonho de se tornar “o historiador” por excelência de Campinas, quando lançou A cidade: os cantos e os antros em 1995, com excelente reimpressão apenas em 2008. Apaixonado pela história local, esse livro se tornou referência obrigatória de toda uma prolífica área que se formaria, mas seu papel na fundação do CMU, iniciado com arquivos do Judiciário quase incinerados e no qual ele trabalhou até falecer, foi a realização maior de sua paixão de sempre.
Em meio à listagem exaustiva de suas entrevistas, consta na p. 324 uma participação na edição de 21 de janeiro de 1994 do antigo programa Globo Ciência (1984-2014) da TV Globo (onde mais?), sem mais detalhes. Há muitas outras participações suas em jornais e programas da EPTV, a afiliada da Globo em Campinas e região (mas não em Bragança Paulista, abarcada pela TV Vanguarda). Nunca assisti ao Globo Ciência assiduamente, mas sempre escutava falar, sobretudo nos intervalos comerciais, e seu próprio formato me dá um pouco de nostalgia da infância, quando a TV aberta era mais rica em conteúdo educativo e quando nos aferrávamos aos poucos suportes existentes pra nos informar, na ausência da saturante abundância da internet contemporânea. Apesar da imagem de benevolência passada por fundações de financiamento como a de Roberto Marinho e a do Banco do Brasil, o pouco destaque dado a esse tipo de conteúdo, influindo no generalizado atraso cultural do país atual, se nota pelo tempo dedicado (menos de meia hora) e aos horários na grade (sábado ou domingo no começo da manhã).
Todavia, não posso dizer que esse modelo não deixou frutos nas mídias modernas, em especial o YouTube, os quais, além de terem sido inspirados por mitos como Carl Sagan, Susan Greenfield, Neil deGrasse Tyson e, em menor medida, Richard Dawikins, certamente tinham idade (não tô chamando de velhos, rs!) e disposição pra assistir a essas relíquias. Entre muitos divulgadores de ciência e conhecimento, longe de fazer uma lista exaustiva, presto minha homenagem ao Pirulla, ao também unicamper Sérgio Sacani, a Átila Iamarino, Natália Pasternak, Dráuzio Varella, Marcelo Gleiser, a Leon e Nilce, bem com aos canais mais recentes “Olá Ciência” e “Nunca vi 1 cientista” e os que agora também avançam a outras ciências além das exatas e biológicas. Confesso que, mesmo eu sendo “dotô”, essa não é uma seara que assisto com tanta frequência quanto boletins de notícias, youtubers de atualidades e alguns semanários geopolíticos. Portanto, se você quer lembrar algum outro divulgador ou mídia (sem esquecer as revistas da própria Editora Globo...) que marcou ou marca sua juventude, escreva nos comentários, por favor. E faça teu próprio merchã, se quiser!
Voltando ao assunto: boa parte das informações sobre o Globo Ciência vem da Wikipédia, mas também há um bom texto de 2021 com as mesmas informações, reorganizadas e acrescidas de dois vídeos da abertura, no próprio portal Memória Globo. Em 2011, o programa foi incorporado ao Globo Cidadania, chamado de “bloco” (sequer de programa!) e conduzido por Sandra Annenberg (hoje no Globo Repórter com o mítico William Bonner). Finalmente esse “bloco” foi fundido em 2014 com vários outros “Globo alguma nerdice” no esquecido Como Será, sob a mesma liderança e, embora mais longo, sob o mesmo horário sonífero de começo das manhãs de sábado. Ele mesmo foi extinto em 2019 e reprisado até 2022, quando foi substituído por reprises do próprio Globo Repórter.

Conhece essa careca? Rs.
Entre as várias mudanças de horário e formato, a edição com o professor Lapa, que falava sobre a preservação de arquivos e também abordou instituições no Rio de Janeiro, foi feita no período aberto em 1991, quando o Globo Ciência foi relegado ao domingo cedinho, e fechado em outubro de 1995, quando voltou aos sábados. Mais exatamente, desde 1992 era apresentado pela simpática jornalista Anna Terra, que aparece no vídeo abaixo, e contava com apenas uma ou duas reportagens. Curiosamente, o dia citado na coletânea caiu numa sexta-feira, o que poderia indicar que se trata da data de gravação, e não de exibição. A edição disponível mais próxima que localizei foi a de 16 de janeiro de 1994, realmente um domingo, sendo plausível, pois, que o CMU possa ter aparecido no dia 23, uma semana depois, e não 21.
Sem muita expectativa, procurei por esse episódio no YouTube (sabia que talvez fosse praticamente impossível achar pelos arquivos públicos da própria Globo), e entre as poucas edições completas, achei uma sem data, nem mesmo o ano. E eis que, apesar da imagem passável com um áudio bem nítido, encontro na segunda metade do vídeo o professor Lapa, eternizado pelo herói Rodolfo Paes, que acredito ser o dono do canal! Não tentei discernir outras características do vídeo que pudessem confirmar a data certa, mas não há dúvidas de que seja o episódio mencionado na coletânea em sua homenagem. Pra que a descoberta se torne pública, e como minha própria homenagem a quem fez grande diferença em nossa historiografia e no IFCH, mesmo eu não o tendo conhecido, segue o episódio completo, seguido da transcrição da reportagem sobre os centros de documentação. Após um oferecimento comercial das Americanas com a cômica e saudosa Nair Bello, ela começa aos 14 min 05 seg, enquanto o próprio Lapa aparece aos 26 min 14 seg.
Infelizmente não localizei nada a respeito de Anna Terra, ainda mais que há várias homônimas, sobretudo no Instagram, e com a profissão parecida. O único registro fiável parece ser esta publicação de janeiro de 2012 no blog do jornalista cearense Wilson Ibiapina, cujas últimas postagens antecedem em pouco sua própria morte, em 2023. Anna é descrita como gaúcha e incluída com o próprio Wilson e outros quatro ex-colegas entre “globais dos anos 80”, tendo ela trabalhado na emissora em Brasília e então residindo em São Paulo. Os seis teriam se reunido na capital federal pra um almoço, e Anna aparece à frente, de blusa branca. Único registro online da profissional, nenhuma menção ao Globo Ciência no texto... Quanto ao repórter Wilson Ferreira Junior (se não falarmos ainda do cinegrafista João de Andrade), ele parece ter tido bem mais êxito, a julgar por seu LinkedIn e Instagram, que acredito serem dele devido à semelhança física.
Pra aumentar o mistério, buscando no Google pelo nome do repórter, achei o que se apresenta como parte do anuário de produções da Unicamp, relacionado à participação dos docentes do Departamento de História do IFCH em diversos tipos de eventos em 1993. Há uma menção ao professor Lapa, com a seguinte observação (acredito que redigida em primeira pessoa): “Recebemos no dia 29/10 [deve ser isso, há um ele minúsculo no lugar do número um], uma equipe do Programa Globo Ciência, da TV Globo, chefiada pelo jornalista Wilson Ferreira Júnior, que veio produzir uma matéria sobre todos os serviços que este Centro presta à Unicamp e à comunidade, Centro de Memória-Unicamp.” Era possível na época produzir algo em outubro e só exibir em janeiro? Como alguém acostumado ao imediatismo das lives, me parece estranho, o que deixa este texto ainda mais aberto a contribuições e correções externas, se necessárias!
Anna Terra: Fotografias, filmes, documentos, jornais. Sem esses registros do passado e do presente, os pesquisadores não podem reconstruir a história das cidades, dos países, das civilizações. A reportagem principal do Globo Ciência de hoje mostra três instituições brasileiras especializadas na preservação da memória do nosso país. São arquivos privados e públicos que estão abertos a especialistas e também a qualquer um de nós. O repórter Wilson Ferreira Junior e o cinegrafista João de Andrade trabalharam no Rio de Janeiro e em Campinas para mostrar como funcionam os centros de documentação.
Wilson Ferreira Junior: Nos primeiros anos do século 20, um prefeito do Rio de Janeiro mudou a cara da cidade. Pereira Passos, o prefeito, construiu grandes avenidas, derrubou as casas velhas do Centro, encomendou novos quiosques e até banheiros públicos. O que Pereira Passos fez trouxe consequências para o Rio e para o país, já que a cidade era capital da República. O saneamento melhorou, diminuiu a incidência de doenças infectocontagiosas e a cidade ficou mais parecida com as capitais europeias.
Essa história só pode ser contada porque existem fotos, documentos e outros registros guardados em arquivos como o da cidade do Rio de Janeiro. São os arquivos que permitem aos historiadores [e ao público em?] geral reconstituírem e analisarem a história de sua cidade, de seu próprio país. Mas isso não é um privilégio de profissionais. A Constituição brasileira garante a todos o acesso à informação: qualquer cidadão que estiver interessado pode recorrer aos arquivos públicos para fazer consultas a respeito do que quiser. Desde fatos importantes da história até simples curiosidades, como saber, por exemplo, qual era a cara desse lugar onde estamos agora há mais ou menos 90 anos.
Esta foto faz parte do acervo do Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro, que guarda 30 mil fotos, 40 mil negativos e 1 220 metros de documentos, além de outros tipos de material que reconstituem trechos da história da cidade desde o século 17 até a década passada [de 1980]. O acervo do Arquivo da Cidade do Rio de Janeiro, de certa forma, conta a história da própria cidade. E nesse acervo existem documentos muito antigos, alguns deles muito valiosos, que datam inclusive do tempo em que o Brasil era um Império. Esses documentos, os mais valiosos, estão guardados num cofre. E nós vamos ter a oportunidade de conhecer alguns desses documentos agora com a ajuda do Roberto Paulo, que é um museólogo aqui do Arquivo da Cidade do Rio de Janeiro. Vamos, portanto, abrir o cofre e vamos dar uma olhada nesses documentos. Vamos lá, Roberto!
Aqui há um auto de juramento da coroação de Dom Pedro 1.º. 1.º de dezembro de 1822, quando ele jurou a coroa depois da Independência. Aqui nós temos outros documentos: esse, por exemplo, assinado por José Bonifácio de Andrade e Silva. Veja aqui a assinatura.
Roberto Paulo Freire: Aqui é a respeito do matadouro lá em Santa Cruz. Inclusive Dom Pedro 1.º ia a cavalo até Santa Cruz.
WFJ: Além desses livros, que basicamente datam da época do Império, existem muitas outras... né?
RPF: Muitos outros que estão à disposição aqui no nosso arquivo, vários assuntos quem contam nossa história...
WFJ: O arquivo da cidade está completando 100 anos de vida, mas as pessoas que o procuram não têm acesso a todos os documentos do acervo. Isso porque só estão identificados e catalogados 25% deles. O resto permanece em depósitos e vai sendo colocado à disposição do público a conta-gotas.
José Maria Jardim: 75% do acervo não se sabe ainda. E isso que nós estamos fazendo no momento: de que se trata, como chegaram e como estão. O nosso esforço nesse momento é de abrir essa caixa-preta. Mas essa caixa-preta só é compreensiva se nós abrirmos também uma outra dimensão dessa caixa-preta, que é o que se encontra, na verdade, nos arquivos da prefeitura. Reverter isso significa uma política arquivística, significa o reconhecimento desses acervos que se encontram nos órgãos da administração municipal, o recolhimento imediato daqueles que são de valor histórico, de valor para a pesquisa científica e, mais do que isso, uma política de intervenção na produção da documentação hoje.
Locutor: Uma vida a serviço do Brasil. [Toca parte do refrão Hino à Bandeira.] Getúlio Vargas, em contato direto com os trabalhadores do Brasil, presta conta dos atos do seu governo, num exemplo do mais puro sentimento democrático e prova de respeito e amor ao povo.
WFJ: Você e todos nós podemos ver esse filme hoje porque o Centro de Pesquisa e Documentação da Fundação Getúlio Vargas o conservou. O CPDOC, ao contrário do arquivo da cidade, que guarda documentos públicos, é especializado em guardar arquivos pessoais de homens públicos brasileiros que tiveram projeção nacional a partir de 1930. Aqui se pode ver um dossiê sobre o nazismo no Rio Grande do Sul, que pertencia ao general Cordeiro de Farias, ou a carta de demissão de João Goulart do cargo de ministro do Trabalho, ou ainda o manuscrito do discurso escrito por Amaral Peixoto quando da fusão dos estados do Rio e da Guanabara. São mais de 1,5 milhão de documentos que pertenceram a 110 pessoas importantes, principalmente políticos.
Suely Braga: São os documentos que essas pessoas julgaram interessante em algum momento da vida preservar. São os documentos pessoais, como cartas, telegramas, discursos, tem originais de discursos, tem manuscritos, nós temos muitas fotografias, discos, filmes, impressos. Quer dizer, toda a natureza, todo o documento que se julgou por bem, por um motivo ou por outro, guardar ao longo do exercício da sua vida pública.
WFJ: É comum, então, que pesquisadores procurem aqui arquivos pessoais de políticos, de pessoas proeminentes para fazer um confronto com arquivos públicos, por exemplo?
SB: A natureza do documento privado, pessoal, é diferente. É um documento muito mais solto, muito mais fluido. Quer dizer, não teve toda a pressão que tem o documento público, que ele tem que estar num formato, num padrão, você tem regras de como se pronunciar, como expressar uma ideia. No arquivo privado, não. Você vai ver o político falando livremente sobre determinado assunto. Você vai ver o original de um discurso que muitas vezes não é exatamente a versão que ele proferiu em plenário. Quer dizer, esse trabalho de confronto, poder ter esses vários tipos de fonte, é fundamental para o desenvolvimento de qualquer pesquisa.
WFJ: Apertado em um andar do prédio da GV [a FGV, Fundação Getúlio Vargas] no Rio, o CPDOC tem 50 funcionários, dos quais 33 são pesquisadores. Fundado em 1973, recebe pesquisadores externos e também promove pesquisas próprias.
Alzira Abreu: Houve uma primeira parte das atividades dos primeiros anos [em que] nós trabalhamos muito com os anos 30, 37. Houve um outro período que trabalhamos já com os anos 50, e nesse momento nós estamos muito voltados já para o período 64, que nós estamos trabalhando com o regime militar. Não só com a articulação do regime, da revolução de 64, do golpe, mas também como é que ele se desenvolveu.
WFJ: Todos os arquivos, museus, bibliotecas e instituições que lidam com documentos históricos têm uma preocupação permanente com a conservação e a restauração desses documentos. Tanto que várias dessas instituições têm laboratórios próprios de restauração. É o caso do Centro de Memória da Unicamp, em Campinas, que tem no seu laboratório técnicos especializados em mexer com documentos como esses, que ilustram, aliás, as causas mais frequentes de deterioração, como mordidas de roedores, ação de insetos, de fungos e de inundações. Aqui no laboratório de restauração, documentos como esses são totalmente recuperados e se transformam em documentos como esse daqui, já totalmente recuperado e pronto para ser manuseado pelos pesquisadores.
O processo de restauração começa com uma limpeza feita com pincel largo e bisturi. Nos documentos mais sujos, os restauradores aplicam também pó de borracha. Depois de limpos, os papéis passam por três banhos diferentes: um com água destilada aquecida a 50 °C, o segundo com hidróxido de cálcio para diminuir a acidez do papel – a acidez é a responsável pela fragilidade dos papéis velhos –, o terceiro com uma cola à base de celulose, que impede o ressecamento e devolve a maciez ao documento. O próximo passo é a secagem natural. O processo termina na mesa de luz, onde é feita a reconstituição estética com tiras de papel natural e cola neutra.
Quanto tempo se leva, em média, para restaurar um livro daqueles que nós vimos todos deteriorados, para transformar num livro reconstituído?
Dulce Fernandes Barata: Olha, depende muito dos materiais disponíveis. Depende inclusive dos equipamentos. Eu acredito que de seis meses a um ano.
WFJ: E as técnicas de restauro, elas são sempre artesanais, como a senhora faz aqui, com o seu pessoal no laboratório, ou já existem equipamentos modernos que podem fazer isso em substituição ao trabalho manual?
DFB: Ah, existe com certeza, em outras instituições nacionais e internacionais. As pessoas têm usado muito o que eles chamam de restauração em massa, usado principalmente com auxílio das máquinas, máquina de obturação de papel, tem as máquinas, as câmeras de desacidificação de papéis, e isso auxilia enormemente, a produção do trabalho ganha muito na qualidade e no tempo. Porque se os trabalhos são feitos artesanalmente, nós vamos ter uma luta contra o tempo, ao passo que se tiver equipamentos, tecnologias avançadas como várias instituições têm, então a restauração vai ganhar demais em termos de quantidade e qualidade.
WFJ: Os documentos que são restaurados no Centro de Memória da Unicamp fazem parte de um acervo que reúne material histórico de Campinas e região dos últimos 200 anos. São processos do Tribunal de Justiça, arquivos da Santa Casa local, registros de escravos, da Estrada de Ferro Mogiana e das antigas fazendas de café. As fotos, negativos e todo o material visual também são conservados caprichosamente. Tudo é arquivado em sala especial, com temperatura e umidade controladas, embalado em papel neutro. Além de conservar o arquivo, o Centro de Memória tem um setor de publicações que divulga o acervo através de livros, revistas e boletins. O diretor do Centro diz que instituições como a sua ajudam a diminuir os efeitos de um dos grandes problemas brasileiros: a falta de memória.
Qual é o papel dos arquivos e centros de memória nessa resistência contra a perda do patrimônio cultural brasileiro?
José Roberto Lapa: Simplesmente recolher a documentação escrita, a documentação que pode ser por via oral, a documentação, no sentido mais largo que possa ter a palavra, representa muito, mas não tudo. A preservação da memória deve envolver forçosamente o direito e cidadania de acesso à informação. Isto é, se nós recolhermos o acervo que está correndo perigo, que está correndo o risco de se perder, não nos basta depositar esse acervo e salvá-lo. É preciso organizá-lo, é preciso acessá-lo da maneira mais ágil, mais fácil que se consiga. É preciso universalizar o seu uso e, sobretudo, transformá-lo num gerador de conhecimento, a fim de que o documento na sua frieza, o documento muitas vezes até naquilo que não está nele escrito, naquilo que ele deixa implícito, possa ter uma dinâmica e ir ao encontro do interessado e permitir a ele que a partir do documento, através do documento, além do documento, ele possa ter conhecimento histórico e contribuir para que, com esse conhecimento histórico, ele possa, quem sabe, até mudar para melhor a sociedade em que ele vive.

Não, “camarada Rubio” não se trata do historiador bananeiro defensor de Putin e popular nas redes sociais por fazer cosplay de Kim Jong-un, rs. Trata-se do novo secretário-geral do Comitê Central (CC) do Partido Comunista de Cuba (o famoso “PCC”), Marquito Rubio, filho de imigrantes cubanos que se torna o primeiro “ehtadunidense” a comandar a ilha do Fidélio. Escolhido por unanimidade quase unânime pelos cumpanhêros na última reunião plenária do “cecê”, era conhecido na clandestinidade como “Oreja” e vai seguir firme junto com o povo e com o dinero de Moscú en el camino del Tchê hasta la victoria.
En un día como hoy, en 1902, la bandera cubana ondeó por primera vez sobre un país independiente. Pero sé que hoy ustedes, quienes llaman a la Isla su hogar, atraviesan dificultades inimaginables.





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