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domingo, 16 de agosto de 2026

Mahi Binebine, o Bob Esponja marroquino

O escritor (sobretudo romancista), pintor e escultor marroquino Mahi Binebine, nascido em Marrakesh em 1959, é daquelas figuras pouco conhecidas no Brasil devido à barreira linguística, mas que certamente seria muito divertido encontrar. De origem pobre, a história de sua família foi usada no enredo de alguns romances, notadamente Le fou du roi (O bobo da corte) e La nuit nous emportera (A madrugada vai nos levar embora), ainda não traduzidos pro português. Ele justamente chama a trajetória dela de “shakespeariana”, pois seu pai foi exatamente bobo da corte do autoritário rei Hassan 2.º do Marrocos (pai do atual, Mohammad 6.º), a quem basicamente deveria contar histórias pra o entreter antes de dormir, e seu irmão participou de um golpe de Estado que fracassou em derrubar o monarca, obtendo com isso 20 anos na prisão.

Em 1980 Binebine se mudou pra Paris, onde estudou matemática e lecionou a disciplina por oito anos. Depois, passando a se ocupar como escritor e pintor, morou em Nova York de 1994 a 1999, onde seus quadros obtiveram grande sucesso. Em 2002 se instalou definitivamente em Marrakesh, mas partilha seu tempo entre o Marrocos, a França (cuja língua é a usada em sua obra) e os EUA. Em parceria com amigos, também trabalha na inserção psicossocial e econômica, por meio da arte e da cultura, de jovens marroquinos desfavorecidos. Autor de 13 romances (até agora), teve sua produção plástica e literária amplamente reconhecida e premiada nos dois lados do Atlântico e do Mediterrâneo.

Isso é o que a Wikipédia em francês diz sobre Mahi Binebine. O que fica pra conferência do próprio internauta, porém, é a posse de uma das risadas asmáticas mais engraçadas que alguém pode ter visto e a fina voz idêntica, ou quase, à do personagem de desenho Bob Esponja! Posso parecer maldoso, mas hoje trago uma seleção das melhores gargalhadas desse figura, a partir das seguintes fontes: uma conversa no antigo programa INA Arditube, uma entrevista ao jornalista Patrick Simonin no programa L’Invité da TV5MONDE, uma entrevista a Fatimata Wane, sua parceira de iniciativas, ao Journal de l’Afrique da France 24 e, a melhor de todas, uma entrevista com o apresentador marroquino Oussama B (de “Benjelloun”). Esta última deve ter se dado na língua oral marroquina (de forte extração amazigue), na qual, como podemos ver, abundam as palavras e frases inteiras em francês.

A fruição dessa pérola dispensa conhecer as línguas envolvidas, pois sua alegria contagia tanto quanto a do comediante espanhol Juan “El Risitas” Joya Borja, um dos maiores memes da história. Sua risada banguela num programa de entretenimento em 2002 foi publicada no YouTube pela primeira vez em 2007, e a Irmandade Muçulmana egípcia fez a primeira “falsa legenda” com ele pra zombar do ditador militar presidente As-Sissi em 2014. A partir daí, várias outras versões foram sendo feitas em diversas línguas sobre diversos assuntos, com o pico de popularidade atingido em 2015. Como eu mesmo não entendo árabe marroquino, o vídeo com Oussama B, em que Binebine ainda por cima parece muito mais à vontade, serve ainda mais a propósito parecido. Se você conhece francês, alguns fragmentos ainda podem ficar engraçados dentro do contexto.

Porém, cabe traduzir duas falas do Leandro Karnal gaulês, que deixei mais ou menos na íntegra e traduzem bem o sentimento despertado por um espírito como Mahi Binebine: “O riso é uma forma de sobrevivência, uma forma de resistência” (Ele responde: “Na África, quanto mais alguém afunda, mais dá risadakkkkkk”!); “Os que gostam de Mahi Binebine, o artista que tenho diante de mim, sabem que essa risada que escutamos testemunha uma força, mas também uma profunda humanidade dentro de você” (Resposta: “Foi a natureza que fez isso, oras”).

Nesta publicação deixo uma lembrança (e não tanto uma homenagem) aos pobres jovens marroquinos e de outros países africanos, sem perspectiva de emprego em sua terra natal e que, enganados por gente inescrupulosa nas redes sociais, acha que mais um “rolezão na praia” em Ceuta como o tencionado pra hoje pode resolver seus problemas. É o Magrebe pra além dos destinos paradisíacos ao estilo O Clone, esquecido pelos influenciadores nômades...



Opinião de dois jornalistas da Sky News sobre esta publicação:




segunda-feira, 15 de junho de 2026

Como seguir as atualizações da página

Se você realmente quiser pular a reflexão pessoal e ir direto ao aspecto prático que interessa, clique aqui.


Esta publicação tem um pouco de vários caracteres: informativo, planificador, comunicativo, reflexivo. Por que eu estaria preocupado com o modo como os leitores frequentes deste blog que prefiro chamar de “página” recebessem atualizações de conteúdo novo, e por que eu ainda não estaria satisfeito que as pessoas simplesmente encontrassem meus textos por acaso numa busca online? A questão não é tão simples, e quero abordar alguns assuntos que têm ocupado meus pensamentos nos últimos anos.

Definitivamente, os blogs decaíram com a ascensão das novas mídias sociais, porque ninguém mais tinha energia e inteligência pra ler e escrever tanto, e porque um Facebook, um Instagram ou um YouTube da vida são muito mais ágeis quanto à distribuição e notificação de conteúdo e à obtenção de público (no qual, potencialmente, já estão teus contatos usuais). Com o fracasso das experiências do Orkut e do Google+, a Alphabet investiu massivamente no “Você Transmite”, de forma que ele acabou perdendo sua essência original de “vlogueiros caseiros” e se tornou uma verdadeira Netflix semigratuita. Aliás, acariciados com o enganoso nome “canal” (Netinho de Paula que o diga!), os velhos “vloggers” que botavam a boca no trombone se tornaram “youtubers” que morriam pra se encaixar na cultura de massas, e depois “influenciadores”, cópias ruins uns dos outros, que catequizam (por isso sendo em número bem mais restrito) os bilhões de gados dopados por seus smartphones.

Exemplo dessa negligência são os muitos usuários que criam seus blogs e, quando param ou mudam de plataforma, não o apagam nem deixam uma mensagem de adeus. Mari Moon deletou o seu, mas Viih Tube não posta desde 6 de fevereiro de 2015, e ainda podemos nos divertir com álbuns completos de sua puberdade. Uns poucos heróis, talvez por comodismo ou praticidade, se ativeram ao Blogger, antigo Blogspot, o serviço de “diários digitais” do próprio Google, a exemplo meu mesmo e da ativista e professora “Escreva Lola Escreva” Aronovich, que está há muito mais tempo na praça e, claro, chegou muito mais longe. Mas se excetuarmos uma única grande mudança técnica ocorrida uns anos atrás, o Blogger é um serviço praticamente abandonado pela casa-mãe, e estou esperando a hora em que ele pode ser subitamente fechado sob a desculpa de “não estar dando lucro”. Acho pouco provável que esse momento chegue, mas se chegar, ainda pode demorar bastante, pois a capacidade de monetizar esses dinossauros pelo Adsense lhes dá uma sobrevida, mesmo que os fins sejam os mais escusos possíveis.

Exceto pelo Wordpress, outro idoso que sempre foi o queridinho de um público mais seleto, serviços mais modernos chegaram pra reabilitar e recauchutar a “blogagem”, entre os quais o Medium e o Substack. Porém, também limitados a um nicho de usuários com outros hábitos e mentalidades, não chegam aos pés das atuais redes sociais ou “mídias digitais” onipresentes, cada vez mais poderosas e tóxicas. Não vou entrar no mérito do Twitter, que aqui chamo carinhosamente de “Équis” e se popularizou chamado de “rede de microblogs”, mas que hoje se parece muito mais com os serviços da Meta, porém com menos funcionalidades. Por enquanto não falei de notificações, mas de conteúdo, e esta foi realmente a essência de uma de minhas mudanças: após anos usando assiduamente as redes tradicionais, em 2015 (quando a discussão sobre vício ainda estava começando e ninguém falava de violência e conteúdo enganoso!) parei de ter perfis fixos ou manipulados diariamente, exceto por alguns intervalos entre 2019 e 2022, em que cheguei a usar Instagram com alguma frequência.

Como já escrevi outras vezes, e como alguns amigos e conhecidos meus já sabem, criei no YouTube o canal Pan-Eslavo Brasil em 20 de novembro de 2010 como uma simples plataforma pra carregar os vídeos históricos que eu traduzia e legendava. Nunca considerei “youtuber” uma profissão nem jamais pretendi “influenciar” ninguém. Após maturação relativamente longa, este blog que chamo de página veio mais tarde, em 1.º de agosto de 2014, quando o Blogger ainda não tinha caído no esquecimento e eu pretendia ter também uma plataforma pra meus textos escritos, fossem eles originais ou traduções de terceiros. Entre 2009 e 2011, também cheguei a escrever textos em blogs pouco divulgados e de vida curta, e de 2012 a 2014 usei o Materialismo.net pra divulgação de ideias pessoais; a criação de um espaço próprio também reuniria escritos já prontos que eu achasse interessante relançar, com pouca ou nenhuma modificação.

Pra quem não se lembra, e pra informação dos jovens, no início da década de 2010, o canal do YouTube era automaticamente vinculado a nosso perfil no Google+, onde novos vídeos eram divulgados na hora (se alguém seguia nosso perfil, em dinâmica semelhante ao Instagram) e onde devíamos fazer as mudanças (foto, nome, descrição) que se refletiriam na plataforma. Somente mais tarde surgiu a possibilidade de desvincular os dois serviços e, se quiséssemos, de apagar nosso Google+, até finalmente aparecer nosso familiar YouTube Studio. Também devo confessar que por falta de ousadia, nunca experimentei outras plataformas de blog, já que ter uma conta do Google (como foi meu caso a partir da criação do Pan-Eslavo Brasil, e tive várias além daquela) dava acesso imediato ao serviço do Blogger. Somente em algumas semanas de teste, a primeira versão do que seria meu primeiro blog, o “Pensadores Libertos” (2009-10), foi hospedada no UOL, que assinei de 2000 a 2011.

Nunca busquei vincular diretamente o canal ou a página ao Orkut (que em 2012 quase ninguém mais usava), Facebook ou Instagram, no sentido de criar um espaço dedicado especialmente a eles. No caso do Facebook, eu postava meus novos vídeos ou textos no próprio perfil pessoal ou, o que era mais arriscado, em grupos a que pertencia, mas de cujas regras nem sempre lembrávamos ou cujos administradores eram mais sensíveis a certos conteúdos... Pra ser mais exato, a primeira vez que fiz uma página do Facebook dedicada ao canal foi em meados de 2014, quando reaproveitei uma página inicialmente dedicada ao historiador Edgard Carone, mas jamais alimentada. Como interagia muito e tinha muitos contatos com os mesmos interesses que eu (mesmo que politicamente discordantes), a página cresceu espantosamente e em poucos dias chegou a ter mais de dois mil seguidores! Pra efeito de comparação, no início de 2015 o próprio canal mal reunia 1,5 mil almas... Por motivo que até hoje desconheço, decidi apagar perto do fim de 2014 aquela que poderia ter sido um sucesso de público e, quem sabe, reunido até 1 milhão de facebookers ao longo do tempo.

Nunca mais repeti a façanha. É claro que minha decepção emocional com aquele site (já que eu quase não usava o aplicativo no smartphone) de alguma forma me levaria a jogar tudo pro ar de qualquer jeito; ou quem sabe a manutenção e sucesso da página me levariam a pensar duas vezes. Em todo caso, mantive depois páginas no Facebook dedicadas ao canal ou à página por curtos períodos, sem reunir muitos seguidores e logo “enjoando” de cuidar de sua administração. O mesmo ocorreu com o Instagram, no qual cheguei a ter perfis pessoais e/ou dedicados ao canal e/ou à página, mas que não durariam muito nem chegariam ao mesmo sucesso da pioneira no Facebook em 2014, quando o fenômeno da rede social tinha chegado ao ápice; muito menos aos números do próprio canal, que alcançou os 10 mil inscritos durante a Copa na Rússia em 2018 e “faleceu” em 11 de agosto de 2021, após passar os 42 mil fãs.

O que quero dizer com toda essa digressão? Quero dizer que, exceto pelos meios muito limitados que o Blogger ainda oferece pra notificação de novas publicações a eventuais interessados, sem que eles precisem ficar visitando a página o tempo todo, jamais mantive outras mídias que as pessoas frequentassem mais e, assim, pudessem saber imediatamente das novidades. Às vezes foi falta de paciência (preferir manter o foco na alimentação da própria página), às vezes frustração (usar também como rede pessoal, mas não sentir o mesmo calor humano do passado), mas quase sempre consciência de que o império do algoritmo tornava as coisas cada vez mais difíceis pra quem (re)começava do zero, e não estava já no pedaço há um bom tempo. Se você não se engajasse com outras contas, fosse seguindo, curtindo ou comentando, nem publicasse o máximo possível, você ficaria invisível, mesmo que outros porventura procurassem exatamente o tipo de conteúdo que você publica. E mesmo querendo manter um “espaço fixo” que pudesse crescer gradualmente, com publicação ocasional, a ânsia de querer logo mais inscritos e a insatisfação com as interações pessoais minavam a possibilidade de qualquer acúmulo.

Quem conhece as principais plataformas de blogs sabe que o meio mais frequente e natural de seguir novas publicações é... tornar-se um seguidor, ora bolas! De fato, esta página não foi criada na atual conta do Google que a hospeda, datada de 2016 ou 2017, mas na conta destinada a abrigar o Pan-Eslavo Brasil e aberta na mesmíssima data em que criei o canal e carreguei o primeiro vídeo. Aliás, em novembro de 2010, após o fim de meu primeiro blog, eu estava sem conta do Google, sobretudo porque eu usava o e-mail do UOL, e não o Gmail ainda. Só recriei uma conta aqui pra poder usar o YouTube, e era justamente aquela vinculada ao correio eletrônico com nome de usuário pensamentoliberto, de que alguns conhecidos se lembram e que só abri em 2011 por causa do abandono do UOL.

Na primeira versão da página, lançada em 2014, cheguei a ter mais de 70 seguidores, alguns dos quais conhecidos que já não vejo há tempos, e (pouco até pra quase oito anos) mais de 900 mil visualizações únicas de página. Com o fim do Pan-Eslavo, em 2021, não vi sentido em manter duas contas do Google, mesmo que fosse só pra manter os inscritos da página, tanto mais que sequer podia fazer outro canal no YouTube com ela. Além disso, tinha se tornado uma conta “velha” com resquícios de recursos “velhos” que eu nem sequer conseguia apagar. Até pra “esquecer” afetivamente esse passado, resolvi transferir a página pra nova conta (esta que vocês veem agora), apesar do trabalhão que deu e, pior, da impossibilidade de manter ou comunicar aqueles mais de 70 inscritos! Verdade seja dita: muita gente ao longo dos anos criou contas no Blogger só pra seguir blogs, mas deve ter parado de os ler e simplesmente “largado” lá, o que as torna de fato seguidoras em número, e não em conteúdo.

Lançada pra valer em junho de 2022 (o espaço já estava público desde fevereiro, mas aguardando o apagamento da conta do Google 2010-2022), a versão da página nesta nova conta teve uma fortuna contraditória. Em seu pico, salvo se houver nova tendência de crescimento, alcançou apenas 26 ou 28 seguidores, o que organicamente não é irrisório, levando-se em conta que não fiz mais divulgação sistemática em redes sociais (mesmo em grupos de terceiros) e que poucos são os que hoje fazem perfis no Blogger. Contudo, em bem menos tempo, ultrapassei o 1,9 milhão de visualizações únicas, estando não muito longe de chegar a 2 milhões. Isso se deve, claro, ao aumento de usuários da internet, que chegam aqui usando inclusive ferramentas de IA, aos visitantes antigos que continuaram vindo e, talvez, divulgando, e à variação do conteúdo com ocasionais acelerações no número de novas publicações. Porém, alguém pode me corrigir, mas suspeito que haja tráfego “não orgânico”, como se fossem bots vindos não sei de onde e que também agem em redes sociais. Até porque, exceto se for caso de VPN ou imigração, boa parte desse tráfego está localizada nos EUA e outros países aos quais meu conteúdo não interessaria amplamente. Mas não é algo que me incomoda tanto.

É interessante e comovente que alguns jovens têm trilhado na contramão e criado perfis somente pra seguir determinados blogs, como é o caso da própria Lola Aronovich, bem como do meu, cuja caixinha localizada do lado direito da tela conta também com outros antigos conhecidos que “reapareceram”, rs:



O RSS é um instrumento tão arcaico e desusado que nem sequer resolvi incorporar aqui. Também não há mais a possibilidade de seguir por e-mail, e a outra possibilidade que é eu mesmo inserir manualmente os e-mails nas configurações exige, primeiramente, que a criatura aceite o convite (e alguns que eu julgava “amigos” ousaram recusar!), e ainda por cima é limitada a dez endereços, pode isso? Alguns contatos próximos recebiam essas atualizações, mas também desativei, porque essa limitação tirava toda a graça do recurso. Antes que você pergunte: sim, quando fazia páginas do Facebook pra divulgar o conteúdo, eu as incorporava aqui, mas agora você sabe o que eu terminava fazendo.

Afinal das contas, se tenho gradualmente abandonado as redes sociais, sobretudo na busca por manter um “perfil baixo”, se meu objetivo tem sido publicar mais pra ter um patrimônio cultural público do que pra adquirir engajamento e se, com o passar dos anos, tenho dado bem menos prioridade à produção de conteúdo e mesmo à tradução em geral, como era o caso na década de 2010, pra buscar ou me dedicar a atividades profissionais acadêmicas ou burocráticas... Afinal de contas, pra que me preocupar sobre como as pessoas vão seguir minha página (não tenho nenhuma pretensão de voltar ao YouTube!) se elas podem vir aqui a qualquer momento? Bem, isso implica contar sobre meus planos futuros.

Se você chegou até aqui sem pular parágrafos, ou você é um herói ou heroína “fora de seu tempo”, ou você realmente gosta muito de mim e/ou de meu conteúdo: a esmagadora maioria da “sociedade de massas” viciada em redes sociais, figurinhas coloridas e videozinhos curtos não aguentaria mais de dez linhas, quem sabe menos! Realmente, toda essa volatilidade quanto a espaços em redes sociais se deve exatamente à incerteza sobre o papel que elas podem ter em minha vida pessoal, profissional e cultural (relacionada a esta página). Afinal, até o Gemini deduziu (depois que digitei “Erick Fishuk”...) que, depois da queda do Pan-Eslavo, resolvi “centralizar” aqui todas as minhas traduções, rs. Havia também a possibilidade de, pagando ou não, publicar textos e vídeos maiores em redes tradicionais, depois de terem tecnicamente avançado muito, mas não só não desejo alimentar o modelo de negócio delas, como também tem a questão do “comodismo”: se já estou no Blogger, pra que republicar tudo “alhures” ou publicar as mesmas novidades duas vezes?

Obviamente eu uso um pingo de redes sociais: WhatsApp, porque é vital pra sobreviver nessa semicolônia latifundista e agroexportadora, e Telegram, como reserva pra qualquer hecatombe na Meta, pra outros países que o usem mais e porque acho bem mais rico em recursos. (OK, tenho usado secretamente uma conta do Instagram pra conversar com um punhado de amigos, mas até o fim de junho já tô querendo apagar de novo, então nem tente me procurar.) Pra se ter uma noção, desde que conheço o Telegram ele permite um nome de usuário particular, o que até agora nem o onipotente Zuckerberg conseguiu copiar! Além do conhecido grupo que mantive no WhatsApp de 2018 a 2020 (mais destinado, é verdade, à socialização), várias vezes criei canais nos dois aplicativos como alternativas de divulgação, mas logo perdia a paciência e apagava.

Confesso que o grande problema era a própria falta de plano de longo prazo pra manter esses espaços: primeiro, eu não tinha paciência de esperar vê-los crescerem; segundo, publicava muitos conteúdos aleatórios, inclusive links de notícias e vídeos que caberiam mais a mensagens privadas pra amigos; e terceiro, a relação com o conteúdo já existente, fossem arquivos de vídeo ou publicações escritas, era muito mal definida. Além de um desabafo, um “auxílio à memória” e um informativo histórico pra interessados, este texto, como eu disse lá no começo, também visa anunciar algumas estratégias pra retomar os meios “decentes” de divulgação e explicar como tem funcionado minha política de contatos pra falar comigo.

Por muitos anos, não permiti que as publicações recebessem comentários, justamente porque meu objetivo era fazer com que a página funcionasse exatamente como um site “puro”, isto é, apenas transmissora de conteúdo. (O já referido trabalhão somado à falta de tempo me impediu justamente que eu transferisse tudo pra outro serviço de hospedagem, como o Google Sites; essa hipótese pode ocorrer só em caso de emergência extrema.) Porém, de uns tempos pra cá, reabri essa possibilidade, em primeiro lugar pra ampliar o engajamento, mas também pra deixar as pessoas elogiarem ou agradecerem, não dar a impressão de ser antidemocrático e permitir eventuais correções ou sugestões de enriquecimento do texto. Não temo mais spams ou haters, pois eles podem ser facilmente apagados ou bloqueados. Mas está claro que essa é apenas uma forma de comunicação, e não de atualização. Assim, de alguma forma, sempre apresentei a possibilidade de entrar em contato pessoal direto comigo, em algum lugar na célebre barra direita.

Se você já observou o canto superior direito, pode ver estes três círculos que, da esquerda pra direita, se tratam respectivamente de meu Linktree (conjunto de links pessoais, tipo um miniportfólio), meu Currículo Lattes (exigido pra todo mundo que trabalha com pesquisa no Brasil) e meu perfil no Gravatar, que é multiuso pra alguns sites (incluindo o Wordpress), mas que realmente não é amplamente difundido:



Gostaria que você focasse sua atenção no Linktree, que não por acaso tem um ícone estilizado em forma de árvore, isto é, “tree”. A maioria dos links listados no perfil consiste em trabalhos acadêmicos, traduções publicadas, artigos culturais e vídeos do YouTube em que dou entrevista ou apareço como palestrante principal ou secundário. Na parte de cima, em forma de ícones, há meus principais contatos pessoais (que, exatamente por isso, não reproduzo de novo aqui): WhatsApp, e-mail, a própria página e outras redes ocasionalmente ativas (mas que podem sumir a qualquer momento).

Portanto, a instrução básica é a seguinte: sempre que houver algum contato meu disponível ou alguma rede social ativa, ela vai aparecer ali; se não aparecer, é porque ela existe, e se você vir alguma rede em meu nome, mas que não apareça ali, é falsa. A essa altura de minha vida, ninguém vai querer se passar por mim, mas é melhor prevenir do que remediar, né? Dito isso, é possível que nos próximos dias eu estruture um canal no WhatsApp (desse modelo novo, agora localizável por busca, e não do antigo modelo de grupo em que só admins podem mandar mensagem) e outro no Telegram, cujos links vão aparecer no Linktree. Então, fique alerta!

Quanto ao roteiro de atualizações, ele vai ser retroativo e progressivo. Retroativo, porque todo dia planejo publicar links antigos, o que pode inclusive proporcionar o encontro de material que boa parte dos leitores ainda não conhecia. E progressivo, porque cada nova publicação daqui pra frente também vai aparecer por lá, embora o retorno da regularidade ainda esteja em suspenso. Além de alguns concursos públicos e do estudo de idiomas, também tenho dedicado meu tempo livre, sobretudo os fins de semana, a ajudar alguns amigos com tarefas técnicas e a reorganizar meu próprio arquivo digital, o que pode ainda levar um tempão. Porém, sem prejudicar as obrigações cotidianas, há a possibilidade de eu fazer um pedaço de novas publicações por dia e, à medida que forem ficando prontas, ir programando-as pra um futuro em que eu possa garantir uma regularidade inquebrável das publicações (a cada um ou dois dias).

Outro ponto importante: os possíveis novos canais no WhatsApp e no Telegram vão conter apenas links pra publicações da página, e não vídeos antigos do Pan-Eslavo nem outros conteúdos não relacionados, como reportagens, vídeos do YouTube ou memes. Obviamente, sobretudo se já tiver algum público, posso abrir uma exceção pra serviços solidários ou notícias urgentes, caso alguém me peça pessoalmente, mas não vai ser regra. Finalmente, se o plano já estiver bem desenhado, eu deixo os canais crescendo organicamente e recebendo postagens “monótonas”, como citei acima, resistindo pra não os apagar, como infelizmente amigos meus já perceberam tantas vezes quando eram incluídos no WhatsApp “na maior festa” e, dias depois, percebiam tudo apagado...

Essa decisão firme, anunciada e detalhada de possivelmente manter canais fixos no WhatsApp e no Telegram se deve ao fato de ser importante manter ao menos um “canto” em algumas das principais redes sociais, já que hoje são quase o meio exclusivo pelo qual alguém é descoberto, e do Blogger já não oferecer mais ferramentas funcionais pro compartilhamento de conteúdo. Assim, não só os usuários comuns de internet e redes sociais, sobretudo os mais jovens, não precisam fazer uma conta no Blogger pra receber notificações nem ficar entrando na página ocasionalmente, mas também o compartilhamento entre interessados, geralmente já frequentando aquelas redes, fica bem mais fácil. Além disso, ao contrário de alguns anos atrás, o WhatsApp se tornou uma das mídias mais usadas no mundo, junto com Face e Insta (os três com o mesmo dono, claro...), o que o obrigou a se modernizar, incluindo a cópia do recurso de canais do Telegram e a possibilidade de os encontrar mesmo sem serem verificados. E, claro, a cada conteúdo compartilhado, vai um link do canal junto pra que o contato também possa entrar!

Pra terminar, vale a pena sumarizar alguns pontos a respeito dos planos futuros pra página e de minha visão sobre redes sociais:

  • Se eu abrir redes públicas, além do próprio Linktree ou Gravatar, vai ser apenas WhatsApp e Telegram (canais), que são mais práticos e estão entre os mais usados. Meu Instagram ainda disponível pode sumir a qualquer momento, e perfis em outras redes (YouTube, Facebook, Reddit, Twitter/X, TikTok, Bluesky etc.) com meu nome pessoal ou com o usuário erickfishuk não vão aparecer. Também abandonei a monetização e a possibilidade de doação por meio de pix ou PayPal, pois, além de um feed pessoal “à sua maneira”, a página não deve ser um meio de vida, e sim um complemento a qualquer outro meio de vida relacionado a minha formação em História.
  • As novas publicações estão aparecendo com a indicação do domínio “blogspot.com” porque, embora o “fishuk.cc” ainda esteja disponível, pretendo o tirar do ar em 2029, quando expirar a compra. Não é tanto uma questão de economia, já que mesmo a reserva por cinco anos não é cara demais. É uma questão de domínios curtos e/ou personalizados já não terem tanta força quanto no passado, já que são os motores de busca, agora turbinados pela IA, que avançam o conteúdo. É também uma questão de “valorizar” a marca, ou seja, exibir explicitamente o Blogspot (nome antigo do Blogger) pra mostrar que não se está acriticamente “seguindo o fluxo das massas”.
  • A página não vai “morrer”, mas, como sempre digo, ocasionalmente dou pausas ou diminuo a frequência das publicações pra dar conta das obrigações pessoais. É muito conteúdo publicado que já presta um baita serviço de utilidade pública pra sumir de uma hora pra outra, e mesmo que precise desparecer (ocasional extinção do Blogger ou, como ocorreu, derrubada do canal Pan-Eslavo), vai ressurgir de alguma outra forma. O Linktree, que é serviço confiável, serve justamente pra indicar onde estou e o que estou fazendo. De qualquer forma, nada substitui aquela visita ocasional e aquela compartilhada a algum conhecido: com ou sem café e bolo de fubá, sempre vou estar de braços abertos!

quinta-feira, 16 de abril de 2026

FARMAR AURA


Hoje começamos com o alto astral dessa moçada bacana e pé-quente rumo ao Équiça, expressando meus votos pra essa Copa de Vinte e Seis, rs. Mas o assunto principal é outro: há uns dias, o portal Jeum lançou uma interessante matéria sobre “farmar aura”, uma gíria das gerações Z (nascida a partir de 1996) e alfa (nascida a partir de 2010 – haja alfabeto pra tanto capirotinho!) que eu mesmo, obviamente, não conhecia. Só cheguei no “tankar” e olhe lá:


Eles só se esqueceram de dizer que já entre 2004 e 2014, quando o computador de mesa ainda dominava sobre os smartphones, o povo já “farmava aura” no Orkut com as famosas pontuações de carinha (simpático), gelo (legal, ou seja, cool) e coração (atraente):


Esta publicação teve o patrocínio da Charcutaria Beirute. Frios, embutidos e tudo pro seu lanche com o Chico Anysio levantino, rs:


sexta-feira, 13 de março de 2026

Quer estudar russo? Comece aqui!

Apresento hoje uma seleção de diversas publicações que estão marcadas com o rótulo “Língua russa”, entre as mais importantes pro estudo mais ou menos aprofundado do idioma. Grande parte delas consiste em restos do minicurso livre de introdução ao russo que ministrei no programa TOPE da Unicamp no 2.º semestre de 2017, e como só recentemente editei alguns, não tive tempo de comparar com o que já estava online, portanto, me responsabilizo por eventuais repetições e redundâncias.

Infelizmente, não é um material pra iniciantes, e sim uma sistematização de noções pra quem já começou a aprender russo, embora também possa ser lido por curiosos que consigam tirar proveito de algumas das explicações dadas. A lista inclui textos que vêm sendo publicados desde 2016 com dificuldades sobre pontos específicos da pronúncia e da gramática e mais algumas coisinhas, e agora ficam mais fáceis pra ser localizados, sem depender apenas do referido rótulo, e pra ser compartilhados em redes sociais.

Esta publicação pode soar paradoxal, já que há quatro anos venho combatendo a invasão da Ucrânia por Vladimir Putin e que sou um crítico feroz da imposição da língua e cultura russas aos territórios ocupados, bem como a seu uso no exterior como uma espécie de soft power capenga pra esconder os crimes de Moscou contra a humanidade. Porém, não devemos esquecer que nem todos os russos apoiam a guerra e que muitos deles, pessoas de alto valor científico, artístico e literário, vivem hoje exilados em países capitalistas desenvolvidos.

Por isso mesmo, conhecer a língua russa, e não somente a ucraniana, pode ser uma ferramenta crucial pra entendermos o regime terrorista atualmente em vigor na Rússia e obtermos informações objetivas sobre a agressão contra o vizinho meridional, onde muitos ainda dominam o “idioma de Pushkin” e os soldados da frente de batalha costumam ser mil vezes mais sinceros que a propaganda oficial. Além disso, desde o século 19 e mais ainda sob o período soviético, a língua russa tem uma longa trajetória no campo da ciência, o que a torna essencial pra ter acesso a um vasto material de pesquisa e conhecimento. Sem contar outros “nichos” culturais, sociais, artísticos etc. que tornam sua compreensão quase indispensável.

Reitero que, apesar de meu desejo, não estou disponível pra dar aulas virtuais de qualquer língua que seja, mas posso passar indicações de profissionais disponíveis (também pra inglês, francês etc.), bem como não é difícil os encontrar em diversas redes especializadas. Apenas recomendo que evite professores omissos ou simpáticos à guerra de Putin, pois ocasionais apologias nacionalistas ou patrióticas são abjetas nesse contexto; se ele falar português, mas estiver num dos próprios países que realizam a agressão, então duvide mais ainda, e de preferência rejeite.



sexta-feira, 6 de março de 2026

Verdades sobre a vida

Um amigo meu quis fazer besteira com IA (até agora não entendi o que passou pela cabeça dele), mas acabei tendo outra ideia:



É como reza a sabedoria popular: a beleza passa...



... mas a virtude e o caráter...



... sempre permanecem!


quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

JAIREKSEI BOLSONAVALNY


Se as eleições parlamentares fossem hoje no Reino Unido, segundo o canal de TV Sky News, baseado em pesquisas anteriores, este seria o resultado: Reform UK (de Nigel Farage, rotulado como extrema-direita), trabalhistas, conservadores, verdes e liberais-democratas.


Ligando o modo “caçador de sósias”, como diz um amigo meu. Descobri quem era na vida real o Zunim Zoião, famoso personagem infantil dos bonecões do programa Nas garras da patrulha, da TV Diário no Ceará! Infelizmente, descobri uma versão atualizada do Zunim, mais recente, mas que não guarda nada da beleza original desta linda criança:


Ekaterina Kotrikadze entrevista Geraldo Alckmin pra nossa querida e familiar TV Rain (Telekanal Dozhd). Ele está na Conferência de Segurança de Munique e teve a cabeça, já bastante calva, completamente raspada. Não quer mais ser confundido com Mao Zedong, rs. Falando nisso, em seu programa de política internacional da última terça-feira, chamou a atenção seu look country estilo Chitãozinho, ou melhor... Chorãozinho:




E pra terminar com bom humor: eis que tô limpando os registros de minha mãe no Google e descubro que ela já usou o YouTube com a cabeça ligada “no piloto automático”!


domingo, 15 de fevereiro de 2026

Viva a Federação Haitiana de Esqui!

Não, “haitiski” não é uma russificação humorística do gentílico do Haiti, e não, isso não é um meme, a Federação Haitiana de Esqui (e de esportes de inverno em geral) realmente existe. Que tal dar uma conferida em sua conta no Instagram? Selecionei também o melhor de seu conteúdo:



Veja a mensagem que a federação tem pro público (traduzida do francês pelo Google) e não perca a programação das modalidades em que nossos dois bravos atletas vão participar! (Não sei o que é “não treme”, saiu por acidente.)




Este é um print que fiz do curto vídeo com a tomada de ambos entrando na cerimônia de abertura. Pena que a equipe haitiana tenha se reduzido tanto em relação aos pioneiros dos Jogos de Inverno de Pequim (2022), que trouxeram o país pro circuito gelado com incríveis cinco membros (TBT recente do próprio Instagram):




Porque no Haiti, pra além das “Boas Festas 2025” (na verdade, votos pra 2026), eles esquiam em cachoeira, patinam na areia, hasteiam bandeira em coqueiro e você pode passar direto das picas levadas dos picos nevados pra floresta tropical, né? Rs:


Mas sem brincadeira, fico tocado como no site oficial eles usam o esporte pra tentar promover boas causas em seu país, tão assolado por violência, fome, corrupção e descaso internacional (a começar por nossa ex-querda bananeira, quenga de ditador e terrorista, passando pelo Zesteite, que sempre vendeu arma pras gangues). A culpa é minha por não ter localizado “Contina” no mapa, mas além do espírito artístico peculiar, vale a pena você dar uma lida no conteúdo, mesmo que esteja na língua de Molière:


terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Turismo na República Checa (2026)

Este folheto de 12 páginas veio junto com uma revista de viagens da Editora Europa que minha mãe assina. Coloquei o ano porque se alguém chegar aqui no futuro, algumas informações podem ter envelhecido, descontados os dados culturais em geral. Não é meu objetivo nem fui pago pra fazer propaganda da agência nem do consulado checo no Brasil, apenas achei as imagens bonitas e decidi reproduzir aqui, rs. Quem sabe você mesmo não ache útil o conteúdo? Portanto, bom proveito!

De fato, existe essa oscilação na ortografia e na nomenclatura. O gentílico “tcheco” imita a pronúncia original, mas como o som “tch” não é nativo do português, tem sido habitual assimilar pra “checo”; ambas as formas são consideradas corretas, embora eu sempre prefira tudo o que seja o mais assimilado possível. Quanto ao país, “República (T)Checa” sempre foi comum, porque ela só existe separada da Eslováquia desde 1993 e nos acostumamos ao nome oficial. A forma abreviada, mais prática, já é comum em inglês (Czechia) e em alguns idiomas da região e está ganhando espaço no português; portanto, apesar do título desta publicação, sempre que possível uso e vou usar Chéquia na página.

























sábado, 11 de outubro de 2025

A boiafake que você gosta (meme)

Embora gramaticalmente a frase correta seria “A mina de que você gosta”, resolvi adotar a forma coloquial que se tornou mais difundida. Se você usa a “rede mundial” e não vive dentro de uma caverna, deve ter se deparado com o meme “A mina que você gosta”, que começa com uma moça ou mulher muito bonita de um determinado setor da sociedade e termina com “Você”, geralmente moço ou homem que encarna a antítese ou “ovelha negra” desse mesmo setor.

Já encontrei tantas montagens geniais (uma delas com o nome “No Japão é assim”, rs) que decidi fazer uma partindo da Ana Castela, maior “ídola” atual do que insistem em chamar de “sertanejo”, acabando com o humorista Barnabé e passando, além de algumas “participações especiais”, por vários astros e estrelas sertanejos de várias épocas. Alguns já faleceram e muitos não são amplamente conhecidos, mas gosto muito de vários deles, ao contrário dos “arteiros” que povoam hoje esse universo...

Uma das coisas com que tentei caracterizar é exatamente a presença do chapéu, embora nem sempre isso tenha sido possível (num dos casos, inclusive, saiu muito melhor do que se tivesse!). Além de aludir a sua ridícula autonomeação como “boiadeira”, me lembra uma das cenas do Chaves em que Seu Madruga o critica porque “não tira esse boné nem pra dormir”. Alguns são muito óbvios, mas não vou nomear todos, e se você quiser “jogar bingo” comigo, tenho uma sugestão. Compartilhe a foto (ou melhor ainda, a publicação) numa rede social sua, liste todas as pessoas na descrição (não precisa batizar a galinha e a vaca, rs) e me mande um print pra eu publicar aqui. Ou simplesmente me mande um e-mail ou um “Zap” com os nomes que você conseguiu encontrar!

Agora vou ser sincero: não gosto da música da Ana Castela, e não é hate de pós-adolescente incel mesmo, porque ela é realmente muito bonita quando produzida. Mesmo assim, sou mais acostumado com o “modaum” antigo e com o romântico dos anos 90 e começo dos 2000, cresci com isso e virou memória afetiva. Pra mim, a Ana simboliza aquela porção da geração Z que cresceu com redes sociais e valoriza muito mais a lata, com toda a apelação e dancinhas inúteis de TikTok, do que a sardinha. Além disso, pessoalmente penso que, dependendo da tomada, ela tem, sim, uma carinha meio acabadinha. Não posso a julgar pelo excesso de trabalho ou por possíveis diversões pouco saudáveis, mas enfim.

Um dado impreciso é que Ana Castela era nova demais pra ter votado na primeira eleição do Jeno, pois não tinha nem 15 anos. Até pensei em colocar 2022 e 2026, mas não só pareceria um suposto apoio descarado meu à Jararaca, como também suponho (me arriscando um pouco em teoria literária) que a protagonista seja sempre uma personagem atemporal e sem idade definida. Fique agora com o “meme”, cujo humor e escolhas podem ser completamente duvidosos, mas fiz um esforço pra parecer “descolado”. E não se esqueça: mesmo se você conseguir a pegar, você tem que suportar “a mina que você gosta” exatamente do jeito que ela acorda... e vestindo uma camiseta com o retrato do sogrão, rs:





segunda-feira, 25 de agosto de 2025

A bomba atômica artística de Bush


Endereço curto: fishuk.cc/bush-pintor

Eu estava procurando uma simples cópia do retrato oficial da primeira presidência de Vladimir Putin pra fazer uma correção na página, quando me deparo com este troço. Sim, a vítima retratada é facilmente identificável, mesmo após passar uma temporada num balneário em Chornobyl. Mas o contexto não é tão simples assim, e se pra mim foi uma descoberta interessante, pra você não sei, caso já soubesse dessa curiosa “habilidade”.

George W. Bush, membro do Partido Republicano dos EUA (mas saudavelmente afastado de Trump) e, por dois mandatos (2001-2009), um dos piores presidentes que o país já teve, parece ter começado uma carreira de artista plástico amador, depois de ter se retirado da política. Se julgarmos por suas redes sociais, algumas pinceladas em seu peculiar estilo contemporâneo não parecem tão intragáveis. Porém, após uma pesquisa mais demorada no Google, li alguns internautas comparando as obras a desenhos infantis ou de jovens com pouca habilidade.

Claro que a arte, sobretudo depois que nos aposentamos ou sofremos um grave problema de saúde, pode ser uma ótima terapia, como mostra o trabalho de minha amiga psicóloga Patrícia, de linha vygotskiana e cujo foco, não exclusivo, são as crianças. Mas se você der uma olhada melhor no referido perfil do Flickr (quem ainda usa isso?...) que indiquei, o conhecido vingador do Onze de Setembro e invasor do Afeganistão e do Iraque chegou a dedicar uma exposição inteira a vários chefes de Estado e de governo que ele conheceu pessoalmente, e o pior de tudo: pintados nesse mesmo estilo... na falta de um nome melhor, Cecilia Giménez. Se houve um, como teria ficado o do Lula?



O bizarro é que em meio a prováveis crises diplomáticas em potencial, a foto no Flickr, tirada por Grant Miller, traz a seguinte legenda (Google adaptado): “Trabalhei duro pra ter uma relação pessoal com Vladimir Putin, de modo que, quando discuto coisas com ele, posso encontrar pontos de acordo, mas também tenho uma relação que me permite, sem romper contatos, levantar pontos que preocupam.” (I’ve worked hard to have a personal relationship with Vladimir Putin so that when I discuss things with him, I can find areas of agreement – but I’ve also got a relationship such that I can bring up areas of concern without rupturing relations.)

Exceto pela estética, que ele talvez considerasse “arte degenerada”, poderia ser muito bem assinado pelo Laranjão sem tirar nem pôr uma vírgula, não?





Estranhamente, não é a primeira vez que um criminoso de guerra que levou seu país à crise, em algum momento de sua vida, revela dons artísticos não reconhecidos por todos. No caso do americano, foi bem depois de sua atuação pública e, ao que parece, não esteve entre as motivações de suas ações posteriores...