domingo, 24 de maio de 2026

José Roberto do Amaral Lapa (Globo Ciência)

Há alguns dias, terminei a leitura da coletânea O garimpeiro dos cantos e antros de Campinas: homenagem a José Roberto do Amaral Lapa, organizada por Olga Rodrigues de Moraes von Simson e publicada em 2000 pela Editora da Unicamp. Inicialmente concebida como um presente-surpresa pra marcar a aposentadoria compulsória do querido professor do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH), ocorrida quando ele completou 70 anos em 1999, acabou se tornando um monumento póstumo, já que o docente viria a falecer em plena preparação do livro. Idealizada pelo Centro de Memória-Unicamp (CMU) que ele ajudou a fundar, reúne transcrições de entrevistas dadas por Lapa em anos bem diferentes, fotos de vários momentos da carreira, depoimentos de ex-colegas, ex-funcionários e ex-estudantes (em alguns dos quais foi mantido o tempo presente, dado o inesperado de sua morte), artigos sobre temas de sua predileção e uma lista exaustiva de seus cargos, livros, artigos científicos e jornalísticos, entrevistas e prêmios.

Embora ele fosse historiador, não conheci o “professor Lapa”, ou simplesmente “o Professor”, como diziam que ele era chamado, pois só ingressei na graduação em 2006, e mesmo que tenha ouvido falar seu nome de passagem, não o associei à pessoa, só agora totalmente conhecida por mim. Nascido em Campinas em 1929, formou-se em História e em Direito no que seria a futura PUC de Campinas, lecionou na Unesp de Marília e foi um dos primeiros professores do IFCH, onde concluiu sua carreira, tendo realizado seu sonho de voltar à terra natal. Após publicar muitas obras seminais sobre a economia colonial brasileira, Lapa realizou outro grande sonho de se tornar “o historiador” por excelência de Campinas, quando lançou A cidade: os cantos e os antros em 1995, com excelente reimpressão apenas em 2008. Apaixonado pela história local, esse livro se tornou referência obrigatória de toda uma prolífica área que se formaria, mas seu papel na fundação do CMU, iniciado com arquivos do Judiciário quase incinerados e no qual ele trabalhou até falecer, foi a realização maior de sua paixão de sempre.

Em meio à listagem exaustiva de suas entrevistas, consta na p. 324 uma participação na edição de 21 de janeiro de 1994 do antigo programa Globo Ciência (1984-2014) da TV Globo (onde mais?), sem mais detalhes. Há muitas outras participações suas em jornais e programas da EPTV, a afiliada da Globo em Campinas e região (mas não em Bragança Paulista, abarcada pela TV Vanguarda). Nunca assisti ao Globo Ciência assiduamente, mas sempre escutava falar, sobretudo nos intervalos comerciais, e seu próprio formato me dá um pouco de nostalgia da infância, quando a TV aberta era mais rica em conteúdo educativo e quando nos aferrávamos aos poucos suportes existentes pra nos informar, na ausência da saturante abundância da internet contemporânea. Apesar da imagem de benevolência passada por fundações de financiamento como a de Roberto Marinho e a do Banco do Brasil, o pouco destaque dado a esse tipo de conteúdo, influindo no generalizado atraso cultural do país atual, se nota pelo tempo dedicado (menos de meia hora) e aos horários na grade (sábado ou domingo no começo da manhã).

Todavia, não posso dizer que esse modelo não deixou frutos nas mídias modernas, em especial o YouTube, os quais, além de terem sido inspirados por mitos como Carl Sagan, Susan Greenfield, Neil deGrasse Tyson e, em menor medida, Richard Dawikins, certamente tinham idade (não tô chamando de velhos, rs!) e disposição pra assistir a essas relíquias. Entre muitos divulgadores de ciência e conhecimento, longe de fazer uma lista exaustiva, presto minha homenagem ao Pirulla, ao também unicamper Sérgio Sacani, a Átila Iamarino, Natália Pasternak, Dráuzio Varella, Marcelo Gleiser, a Leon e Nilce, bem com aos canais mais recentes “Olá Ciência” e “Nunca vi 1 cientista” e os que agora também avançam a outras ciências além das exatas e biológicas. Confesso que, mesmo eu sendo “dotô”, essa não é uma seara que assisto com tanta frequência quanto boletins de notícias, youtubers de atualidades e alguns semanários geopolíticos. Portanto, se você quer lembrar algum outro divulgador ou mídia (sem esquecer as revistas da própria Editora Globo...) que marcou ou marca sua juventude, escreva nos comentários, por favor. E faça teu próprio merchã, se quiser!

Voltando ao assunto: boa parte das informações sobre o Globo Ciência vem da Wikipédia, mas também há um bom texto de 2021 com as mesmas informações, reorganizadas e acrescidas de dois vídeos da abertura, no próprio portal Memória Globo. Em 2011, o programa foi incorporado ao Globo Cidadania, chamado de “bloco” (sequer de programa!) e conduzido por Sandra Annenberg (hoje no Globo Repórter com o mítico William Bonner). Finalmente esse “bloco” foi fundido em 2014 com vários outros “Globo alguma nerdice” no esquecido Como Será, sob a mesma liderança e, embora mais longo, sob o mesmo horário sonífero de começo das manhãs de sábado. Ele mesmo foi extinto em 2019 e reprisado até 2022, quando foi substituído por reprises do próprio Globo Repórter.



Conhece essa careca? Rs.


Entre as várias mudanças de horário e formato, a edição com o professor Lapa, que falava sobre a preservação de arquivos e também abordou instituições no Rio de Janeiro, foi feita no período aberto em 1991, quando o Globo Ciência foi relegado ao domingo cedinho, e fechado em outubro de 1995, quando voltou aos sábados. Mais exatamente, desde 1992 era apresentado pela simpática jornalista Anna Terra, que aparece no vídeo abaixo, e contava com apenas uma ou duas reportagens. Curiosamente, o dia citado na coletânea caiu numa sexta-feira, o que poderia indicar que se trata da data de gravação, e não de exibição. A edição disponível mais próxima que localizei foi a de 16 de janeiro de 1994, realmente um domingo, sendo plausível, pois, que o CMU possa ter aparecido no dia 23, uma semana depois, e não 21.

Sem muita expectativa, procurei por esse episódio no YouTube (sabia que talvez fosse praticamente impossível achar pelos arquivos públicos da própria Globo), e entre as poucas edições completas, achei uma sem data, nem mesmo o ano. E eis que, apesar da imagem passável com um áudio bem nítido, encontro na segunda metade do vídeo o professor Lapa, eternizado pelo herói Rodolfo Paes, que acredito ser o dono do canal! Não tentei discernir outras características do vídeo que pudessem confirmar a data certa, mas não há dúvidas de que seja o episódio mencionado na coletânea em sua homenagem. Pra que a descoberta se torne pública, e como minha própria homenagem a quem fez grande diferença em nossa historiografia e no IFCH, mesmo eu não o tendo conhecido, segue o episódio completo, seguido da transcrição da reportagem sobre os centros de documentação. Após um oferecimento comercial das Americanas com a cômica e saudosa Nair Bello, ela começa aos 14 min 05 seg, enquanto o próprio Lapa aparece aos 26 min 14 seg.

Infelizmente não localizei nada a respeito de Anna Terra, ainda mais que há várias homônimas, sobretudo no Instagram, e com a profissão parecida. O único registro fiável parece ser esta publicação de janeiro de 2012 no blog do jornalista cearense Wilson Ibiapina, cujas últimas postagens antecedem em pouco sua própria morte, em 2023. Anna é descrita como gaúcha e incluída com o próprio Wilson e outros quatro ex-colegas entre “globais dos anos 80”, tendo ela trabalhado na emissora em Brasília e então residindo em São Paulo. Os seis teriam se reunido na capital federal pra um almoço, e Anna aparece à frente, de blusa branca. Único registro online da profissional, nenhuma menção ao Globo Ciência no texto... Quanto ao repórter Wilson Ferreira Junior (se não falarmos ainda do cinegrafista João de Andrade), ele parece ter tido bem mais êxito, a julgar por seu LinkedIn e Instagram, que acredito serem dele devido à semelhança física.

Pra aumentar o mistério, buscando no Google pelo nome do repórter, achei o que se apresenta como parte do anuário de produções da Unicamp, relacionado à participação dos docentes do Departamento de História do IFCH em diversos tipos de eventos em 1993. Há uma menção ao professor Lapa, com a seguinte observação (acredito que redigida em primeira pessoa): “Recebemos no dia 29/10 [deve ser isso, há um ele minúsculo no lugar do número um], uma equipe do Programa Globo Ciência, da TV Globo, chefiada pelo jornalista Wilson Ferreira Júnior, que veio produzir uma matéria sobre todos os serviços que este Centro presta à Unicamp e à comunidade, Centro de Memória-Unicamp.” Era possível na época produzir algo em outubro e só exibir em janeiro? Como alguém acostumado ao imediatismo das lives, me parece estranho, o que deixa este texto ainda mais aberto a contribuições e correções externas, se necessárias!


Anna Terra: Fotografias, filmes, documentos, jornais. Sem esses registros do passado e do presente, os pesquisadores não podem reconstruir a história das cidades, dos países, das civilizações. A reportagem principal do Globo Ciência de hoje mostra três instituições brasileiras especializadas na preservação da memória do nosso país. São arquivos privados e públicos que estão abertos a especialistas e também a qualquer um de nós. O repórter Wilson Ferreira Junior e o cinegrafista João de Andrade trabalharam no Rio de Janeiro e em Campinas para mostrar como funcionam os centros de documentação.

Wilson Ferreira Junior: Nos primeiros anos do século 20, um prefeito do Rio de Janeiro mudou a cara da cidade. Pereira Passos, o prefeito, construiu grandes avenidas, derrubou as casas velhas do Centro, encomendou novos quiosques e até banheiros públicos. O que Pereira Passos fez trouxe consequências para o Rio e para o país, já que a cidade era capital da República. O saneamento melhorou, diminuiu a incidência de doenças infectocontagiosas e a cidade ficou mais parecida com as capitais europeias.

Essa história só pode ser contada porque existem fotos, documentos e outros registros guardados em arquivos como o da cidade do Rio de Janeiro. São os arquivos que permitem aos historiadores [e ao público em?] geral reconstituírem e analisarem a história de sua cidade, de seu próprio país. Mas isso não é um privilégio de profissionais. A Constituição brasileira garante a todos o acesso à informação: qualquer cidadão que estiver interessado pode recorrer aos arquivos públicos para fazer consultas a respeito do que quiser. Desde fatos importantes da história até simples curiosidades, como saber, por exemplo, qual era a cara desse lugar onde estamos agora há mais ou menos 90 anos.

Esta foto faz parte do acervo do Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro, que guarda 30 mil fotos, 40 mil negativos e 1 220 metros de documentos, além de outros tipos de material que reconstituem trechos da história da cidade desde o século 17 até a década passada [de 1980]. O acervo do Arquivo da Cidade do Rio de Janeiro, de certa forma, conta a história da própria cidade. E nesse acervo existem documentos muito antigos, alguns deles muito valiosos, que datam inclusive do tempo em que o Brasil era um Império. Esses documentos, os mais valiosos, estão guardados num cofre. E nós vamos ter a oportunidade de conhecer alguns desses documentos agora com a ajuda do Roberto Paulo, que é um museólogo aqui do Arquivo da Cidade do Rio de Janeiro. Vamos, portanto, abrir o cofre e vamos dar uma olhada nesses documentos. Vamos lá, Roberto!

Aqui há um auto de juramento da coroação de Dom Pedro 1.º. 1.º de dezembro de 1822, quando ele jurou a coroa depois da Independência. Aqui nós temos outros documentos: esse, por exemplo, assinado por José Bonifácio de Andrade e Silva. Veja aqui a assinatura.

Roberto Paulo Freire: Aqui é a respeito do matadouro lá em Santa Cruz. Inclusive Dom Pedro 1.º ia a cavalo até Santa Cruz.

WFJ: Além desses livros, que basicamente datam da época do Império, existem muitas outras... né?

RPF: Muitos outros que estão à disposição aqui no nosso arquivo, vários assuntos quem contam nossa história...

WFJ: O arquivo da cidade está completando 100 anos de vida, mas as pessoas que o procuram não têm acesso a todos os documentos do acervo. Isso porque só estão identificados e catalogados 25% deles. O resto permanece em depósitos e vai sendo colocado à disposição do público a conta-gotas.

José Maria Jardim: 75% do acervo não se sabe ainda. E isso que nós estamos fazendo no momento: de que se trata, como chegaram e como estão. O nosso esforço nesse momento é de abrir essa caixa-preta. Mas essa caixa-preta só é compreensiva se nós abrirmos também uma outra dimensão dessa caixa-preta, que é o que se encontra, na verdade, nos arquivos da prefeitura. Reverter isso significa uma política arquivística, significa o reconhecimento desses acervos que se encontram nos órgãos da administração municipal, o recolhimento imediato daqueles que são de valor histórico, de valor para a pesquisa científica e, mais do que isso, uma política de intervenção na produção da documentação hoje.

Locutor: Uma vida a serviço do Brasil. [Toca parte do refrão Hino à Bandeira.] Getúlio Vargas, em contato direto com os trabalhadores do Brasil, presta conta dos atos do seu governo, num exemplo do mais puro sentimento democrático e prova de respeito e amor ao povo.

WFJ: Você e todos nós podemos ver esse filme hoje porque o Centro de Pesquisa e Documentação da Fundação Getúlio Vargas o conservou. O CPDOC, ao contrário do arquivo da cidade, que guarda documentos públicos, é especializado em guardar arquivos pessoais de homens públicos brasileiros que tiveram projeção nacional a partir de 1930. Aqui se pode ver um dossiê sobre o nazismo no Rio Grande do Sul, que pertencia ao general Cordeiro de Farias, ou a carta de demissão de João Goulart do cargo de ministro do Trabalho, ou ainda o manuscrito do discurso escrito por Amaral Peixoto quando da fusão dos estados do Rio e da Guanabara. São mais de 1,5 milhão de documentos que pertenceram a 110 pessoas importantes, principalmente políticos.

Suely Braga: São os documentos que essas pessoas julgaram interessante em algum momento da vida preservar. São os documentos pessoais, como cartas, telegramas, discursos, tem originais de discursos, tem manuscritos, nós temos muitas fotografias, discos, filmes, impressos. Quer dizer, toda a natureza, todo o documento que se julgou por bem, por um motivo ou por outro, guardar ao longo do exercício da sua vida pública.

WFJ: É comum, então, que pesquisadores procurem aqui arquivos pessoais de políticos, de pessoas proeminentes para fazer um confronto com arquivos públicos, por exemplo?

SB: A natureza do documento privado, pessoal, é diferente. É um documento muito mais solto, muito mais fluido. Quer dizer, não teve toda a pressão que tem o documento público, que ele tem que estar num formato, num padrão, você tem regras de como se pronunciar, como expressar uma ideia. No arquivo privado, não. Você vai ver o político falando livremente sobre determinado assunto. Você vai ver o original de um discurso que muitas vezes não é exatamente a versão que ele proferiu em plenário. Quer dizer, esse trabalho de confronto, poder ter esses vários tipos de fonte, é fundamental para o desenvolvimento de qualquer pesquisa.

WFJ: Apertado em um andar do prédio da GV [a FGV, Fundação Getúlio Vargas] no Rio, o CPDOC tem 50 funcionários, dos quais 33 são pesquisadores. Fundado em 1973, recebe pesquisadores externos e também promove pesquisas próprias.

Alzira Abreu: Houve uma primeira parte das atividades dos primeiros anos [em que] nós trabalhamos muito com os anos 30, 37. Houve um outro período que trabalhamos já com os anos 50, e nesse momento nós estamos muito voltados já para o período 64, que nós estamos trabalhando com o regime militar. Não só com a articulação do regime, da revolução de 64, do golpe, mas também como é que ele se desenvolveu.

WFJ: Todos os arquivos, museus, bibliotecas e instituições que lidam com documentos históricos têm uma preocupação permanente com a conservação e a restauração desses documentos. Tanto que várias dessas instituições têm laboratórios próprios de restauração. É o caso do Centro de Memória da Unicamp, em Campinas, que tem no seu laboratório técnicos especializados em mexer com documentos como esses, que ilustram, aliás, as causas mais frequentes de deterioração, como mordidas de roedores, ação de insetos, de fungos e de inundações. Aqui no laboratório de restauração, documentos como esses são totalmente recuperados e se transformam em documentos como esse daqui, já totalmente recuperado e pronto para ser manuseado pelos pesquisadores.

O processo de restauração começa com uma limpeza feita com pincel largo e bisturi. Nos documentos mais sujos, os restauradores aplicam também pó de borracha. Depois de limpos, os papéis passam por três banhos diferentes: um com água destilada aquecida a 50 °C, o segundo com hidróxido de cálcio para diminuir a acidez do papel – a acidez é a responsável pela fragilidade dos papéis velhos –, o terceiro com uma cola à base de celulose, que impede o ressecamento e devolve a maciez ao documento. O próximo passo é a secagem natural. O processo termina na mesa de luz, onde é feita a reconstituição estética com tiras de papel natural e cola neutra.

Quanto tempo se leva, em média, para restaurar um livro daqueles que nós vimos todos deteriorados, para transformar num livro reconstituído?

Dulce Fernandes Barata: Olha, depende muito dos materiais disponíveis. Depende inclusive dos equipamentos. Eu acredito que de seis meses a um ano.

WFJ: E as técnicas de restauro, elas são sempre artesanais, como a senhora faz aqui, com o seu pessoal no laboratório, ou já existem equipamentos modernos que podem fazer isso em substituição ao trabalho manual?

DFB: Ah, existe com certeza, em outras instituições nacionais e internacionais. As pessoas têm usado muito o que eles chamam de restauração em massa, usado principalmente com auxílio das máquinas, máquina de obturação de papel, tem as máquinas, as câmeras de desacidificação de papéis, e isso auxilia enormemente, a produção do trabalho ganha muito na qualidade e no tempo. Porque se os trabalhos são feitos artesanalmente, nós vamos ter uma luta contra o tempo, ao passo que se tiver equipamentos, tecnologias avançadas como várias instituições têm, então a restauração vai ganhar demais em termos de quantidade e qualidade.

WFJ: Os documentos que são restaurados no Centro de Memória da Unicamp fazem parte de um acervo que reúne material histórico de Campinas e região dos últimos 200 anos. São processos do Tribunal de Justiça, arquivos da Santa Casa local, registros de escravos, da Estrada de Ferro Mogiana e das antigas fazendas de café. As fotos, negativos e todo o material visual também são conservados caprichosamente. Tudo é arquivado em sala especial, com temperatura e umidade controladas, embalado em papel neutro. Além de conservar o arquivo, o Centro de Memória tem um setor de publicações que divulga o acervo através de livros, revistas e boletins. O diretor do Centro diz que instituições como a sua ajudam a diminuir os efeitos de um dos grandes problemas brasileiros: a falta de memória.

Qual é o papel dos arquivos e centros de memória nessa resistência contra a perda do patrimônio cultural brasileiro?

José Roberto Lapa: Simplesmente recolher a documentação escrita, a documentação que pode ser por via oral, a documentação, no sentido mais largo que possa ter a palavra, representa muito, mas não tudo. A preservação da memória deve envolver forçosamente o direito e cidadania de acesso à informação. Isto é, se nós recolhermos o acervo que está correndo perigo, que está correndo o risco de se perder, não nos basta depositar esse acervo e salvá-lo. É preciso organizá-lo, é preciso acessá-lo da maneira mais ágil, mais fácil que se consiga. É preciso universalizar o seu uso e, sobretudo, transformá-lo num gerador de conhecimento, a fim de que o documento na sua frieza, o documento muitas vezes até naquilo que não está nele escrito, naquilo que ele deixa implícito, possa ter uma dinâmica e ir ao encontro do interessado e permitir a ele que a partir do documento, através do documento, além do documento, ele possa ter conhecimento histórico e contribuir para que, com esse conhecimento histórico, ele possa, quem sabe, até mudar para melhor a sociedade em que ele vive.



quarta-feira, 20 de maio de 2026

Camarada Rubio é o novo chefe do “PCC”

Não, “camarada Rubio” não se trata do historiador bananeiro defensor de Putin e popular nas redes sociais por fazer cosplay de Kim Jong-un, rs. Trata-se do novo secretário-geral do Comitê Central (CC) do Partido Comunista de Cuba (o famoso “PCC”), Marquito Rubio, filho de imigrantes cubanos que se torna o primeiro “ehtadunidense” a comandar a ilha do Fidélio. Escolhido por unanimidade quase unânime pelos cumpanhêros na última reunião plenária do “cecê”, era conhecido na clandestinidade como “Oreja” e vai seguir firme junto com o povo e com o dinero de Moscú en el camino del Tchê hasta la victoria.

Brinks à parte, não há imagens melhores do que estas, lançadas pelo site Ciber Cuba Noticias como memes após o Laranjão dizer em janeiro que ele daria um bom presidente de seu torrão natal, mas agora ilustrando um de seus raros discursos em espanhol dirigido aos exilados que comemoram a independência do país. Neste 20 de maio, Loiro praticamente se vê comandando as rédeas de La Habana, sonho acalentado há mais de 10 anos, quando disputou suas primeiras primárias à candidatura republicana pra Casita Blanca. Também hoje, Raúl “China” Castro, irmão del Comandante, foi condenado pelo Departamento de Justiça dos EUA por suposta ordem de matar aviadores ianques que despejavam folhetos antirregime sobre os carros e prédios decrépitos em 1996.

A transcrição em espanhol pode ser vista no Facebook do mesmo portal noticioso, mas a copiei caso a publicação original resolva sumir do nada. Como se precisasse pra nosotros, o vídeo tem legendas em americano, e incorporei várias outras montagens do Camarada Blond feitas por quem aparentemente tinha muito tempo de sobra. A avaliação do conteúdo fica a teu critério, mas pessoalmente achei sacanagem comparar “Florída” com a República Dominicana e a Jamaica, rs:


Neste dia, em 1902, a bandeira cubana tremulou pela primeira vez sobre um país independente. Mas eu sei que hoje vocês, que chamam a Ilha de lar, estão passando por dificuldades inimagináveis.

Hoje quero compartilhar com vocês a verdade sobre o motivo do seu sofrimento e lhes dizer o que nós, nos EUA, lhes oferecemos para os ajudar não só a aliviar a crise atual, mas também a construir um futuro melhor.

O motivo pelo qual vocês são obrigados a sobreviver até 22 horas por dia sem eletricidade não se deve a um embargo de petróleo da parte dos EUA. Como vocês sabem melhor do que ninguém, sofrem com apagões há anos.

O verdadeiro motivo da falta de eletricidade, combustível e comida é que aqueles que controlam seu país saquearam bilhões de dólares, e nada disso foi usado para ajudar o povo.

Trinta anos atrás, Raúl Castro fundou uma empresa chamada GAESA. Essa empresa pertence às Forças Armadas e é administrada por elas. Ela tem receitas três vezes maiores do que o orçamento do governo cubano.

Hoje, enquanto vocês sofrem, esses empresários controlam US$ 18 bilhões em ativos e dominam 70% da economia cubana.

Eles lucram com hotéis, construção civil, bancos, lojas e até mesmo com o dinheiro que seus parentes enviam dos EUA. Tudo passa pelas mãos deles.

Eles retêm uma porcentagem dessas remessas, mas nada dos lucros da GAESA chega ao povo cubano.

Em vez de usar esse dinheiro para comprar petróleo, como fazem outros países ao redor do mundo, eles dependeram durante anos do petróleo gratuito enviado por Hugo Chávez e Nicolás Maduro para embolsar o dinheiro.

Mas agora que não recebem mais esse petróleo gratuito, compram combustível para seus geradores e veículos, enquanto pedem que o povo continue se sacrificando.

Em vez de usar o dinheiro para manter e modernizar as centrais elétricas danificadas, eles o usam para construir mais hotéis para estrangeiros e enviar seus parentes para viver no luxo em Madri e até mesmo nos EUA.

Hoje, Cuba não é controlada por nenhuma revolução. Cuba é controlada pela GAESA: um Estado dentro do Estado que não presta contas a ninguém e que acumula os lucros de suas empresas para beneficiar uma pequena elite.

E o único papel que o chamado governo desempenha é exigir que vocês continuem se sacrificando e reprimir qualquer um que ouse protestar.

O presidente Trump está propondo uma nova relação entre os EUA e Cuba, mas ela deve ser direta com vocês, o povo cubano, e não com a GAESA.

Primeiro, estamos oferecendo US$ 100 milhões em alimentos e medicamentos para vocês, o povo, mas essa ajuda deve ser distribuída diretamente pela Igreja Católica ou outras organizações de caridade confiáveis, e não roubada pela GAESA para a vender em suas lojas.

Mas o povo cubano não está interessado em viver de caridade permanente.

Vocês querem a oportunidade de viver em seu próprio país como seus parentes vivem nos EUA e em outros países ao redor do mundo.

Hoje, da mídia ao entretenimento, dos negócios à política, da música aos esportes, os cubanos chegaram ao topo de praticamente todas as atividades em todos os países, exceto um: Cuba.

Hoje, em Cuba, apenas aqueles próximos ou pertencentes à elite da GAESA podem possuir negócios lucrativos.

Mas o presidente Trump está propondo um novo caminho entre os EUA e uma nova Cuba.

Uma nova Cuba onde vocês, cubanos comuns, e não apenas membros da GAESA, possam ser donos de um posto de gasolina, de uma loja de roupas ou de um restaurante.

Uma nova Cuba onde vocês, e não apenas membros da GAESA, possam abrir um banco ou serem dono de uma construtora.

Uma nova Cuba onde vocês, e não apenas o Partido Comunista, possam ser donos de um canal de TV ou de um jornal.

Uma nova Cuba onde as pessoas possam criticar um sistema falido sem medo de ser presas ou se ver forçadas a deixar a ilha.

E uma nova Cuba onde elas tenham a real possibilidade de escolher quem governa o país e votar para os substituir caso não desempenhem bem suas funções.

Isso não é impossível.

Tudo isso existe nas Bahamas, na República Dominicana, na Jamaica e até mesmo a apenas 145 quilômetros [90 milhas] de distância, na Flórida.

Se é possível ter seu próprio negócio e direito ao voto nos arredores de Cuba, por que não seria possível dentro de Cuba?

Nos EUA, estamos prontos para abrir um novo capítulo na relação entre nossos povos.

E hoje, a única coisa que barra o caminho rumo a um futuro melhor são aqueles que controlam seu país.


En un día como hoy, en 1902, la bandera cubana ondeó por primera vez sobre un país independiente. Pero sé que hoy ustedes, quienes llaman a la Isla su hogar, atraviesan dificultades inimaginables.

Hoy quiero compartirles la verdad sobre el motivo de su sufrimiento y contarles lo que nosotros, en Estados Unidos, les ofrecemos para ayudarlos no solo a aliviar la crisis actual, sino también a construir un futuro mejor.

La razón por la que se ven obligados a sobrevivir hasta 22 horas al día sin electricidad no se debe a un bloqueo petrolero por parte de Estados Unidos. Como ustedes saben mejor que nadie, llevan años sufriendo apagones.

La verdadera razón por la que no tienen electricidad, combustible ni alimentos es porque quienes controlan su país han saqueado miles de millones de dólares, y nada de eso ha sido utilizado para ayudar al pueblo.

Hace 30 años, Raúl Castro fundó una empresa llamada GAESA. Esta empresa pertenece a las Fuerzas Armadas y es operada por ellas. Tiene ingresos tres veces superiores al presupuesto del gobierno cubano.

Hoy, mientras ustedes sufren, estos empresarios controlan 18 mil millones de dólares en activos y dominan el 70 % de la economía cubana.

Obtienen ganancias de hoteles, construcciones, bancos, tiendas e incluso del dinero que sus familiares les envían desde Estados Unidos. Todo pasa por sus manos.

De esas remesas retienen un porcentaje, pero nada de las ganancias de GAESA llega al pueblo cubano.

En vez de usar ese dinero para comprar petróleo, como hacen otros países del mundo, dependieron durante años del petróleo gratuito enviado por Hugo Chávez y Nicolás Maduro para quedarse con el dinero.

Pero ahora que ya no reciben ese petróleo gratis, compran combustible para sus generadores y vehículos, mientras al pueblo se le pide que siga sacrificándose.

En vez de usar el dinero para mantener y modernizar las centrales eléctricas dañadas, lo utilizan para construir más hoteles para extranjeros y enviar a sus familiares a vivir con lujos en Madrid e incluso en Estados Unidos.

Hoy, Cuba no está controlada por ninguna revolución. Cuba está controlada por GAESA: un Estado dentro del Estado que no rinde cuentas a nadie y que acapara las ganancias de sus negocios para beneficiar a una pequeña élite.

Y el único papel que desempeña el llamado gobierno es exigirles a ustedes que continúen sacrificándose y reprimir a cualquiera que se atreva a protestar.

El presidente Trump ofrece una nueva relación entre Estados Unidos y Cuba, pero debe ser directamente con ustedes, el pueblo cubano, y no con GAESA.

Primero, estamos ofreciendo 100 millones de dólares en alimentos y medicinas para ustedes, el pueblo, pero esa ayuda debe ser distribuida directamente por la Iglesia Católica u otras organizaciones caritativas de confianza, no robada por GAESA para venderla en sus tiendas.

Pero al pueblo cubano no le interesa vivir de la caridad permanente.

Ustedes quieren la oportunidad de vivir en su propio país como viven sus familiares en Estados Unidos y en otros países del mundo.

Hoy, desde los medios de comunicación hasta el entretenimiento, desde los negocios hasta la política, desde la música hasta los deportes, los cubanos han llegado a la cima de prácticamente todas las industrias en todos los países, excepto en uno: Cuba.

Hoy, en Cuba, solo quienes están cerca de la élite de GAESA o forman parte de ella pueden tener negocios rentables.

Pero el presidente Trump ofrece una nueva vía entre Estados Unidos y una nueva Cuba.

Una nueva Cuba donde ustedes, los cubanos de a pie, y no solo GAESA, puedan ser dueños de una gasolinera, una tienda de ropa o un restaurante.

Una nueva Cuba donde ustedes, y no solo GAESA, puedan abrir un banco o tener una empresa constructora.

Una nueva Cuba donde ustedes, y no solo el Partido Comunista, puedan ser dueños de una estación de televisión o de un periódico.

Una nueva Cuba donde puedan criticar a un sistema que falla sin temor a ir a prisión o verse obligados a abandonar la Isla.

Y una nueva Cuba donde tengan la oportunidad real de elegir a quienes gobiernan el país y votar para reemplazarlos si no hacen bien su trabajo.

Esto no es imposible.

Todo eso existe en Bahamas, República Dominicana, Jamaica e incluso a solo 90 millas, en Florida.

Si tener un negocio propio y el derecho al voto es posible alrededor de Cuba, ¿por qué no puede ser posible dentro de Cuba?

En Estados Unidos estamos listos para abrir un nuevo capítulo en la relación entre nuestros pueblos.

Y hoy, lo único que se interpone en el camino hacia un futuro mejor son quienes controlan su país.