Além da recém-retraduzida Giovinezza, confesso que sempre achei bonitas as canções do período fascista da Itália (1922-43), quando ela se manteve formalmente como uma monarquia, mas na prática se tornou uma ditadura sob o primeiro-ministro Benito Mussolini. Fundador do Partido Nacional Fascista (PNF) e idealizador do fascismo (embora suas fontes intelectuais tenham sido diversas), ele tinha sido expulso do Partido Socialista Italiano por apoiar a participação do país na 1.ª Guerra Mundial e criou a matriz das extremas-direitas que tomariam o poder no período posterior, exacerbando o nacionalismo, destruindo o movimento operário independente e cultuando a guerra.
Melodias agradáveis, mas com cujo conteúdo e uso não posso concordar. Portanto, embora eventualmente apareçam por aqui adoradores do Duce (“guia, condutor”), estas traduções, que eu desejava fazer desde os tempos do Pan-Eslavo Brasil, meu finado canal no YouTube, têm um fim meramente educativo. Portanto, me abstenho de dizer mais, e apenas ressalto que por praticidade decidi não adicionar os nomes dos autores e que traduzi diretamente, deixando a linguagem mais informal e simples, sem mexer no conteúdo. Sempre que possível, incorporei os vídeos a partir de uma fonte mais antiga, que geralmente tem a legenda em italiano passando, e de outra que o Google gera automaticamente. Igualmente, apenas publiquei as traduções, e não as letras originais, que podem ser vistas nas respectivas fontes; coloquei todas as iniciais de linhas em maiúsculas e mantive a pontuação original quando possível.
A versão italiana do Wikisource tem uma seção só com letras de canções fascistas, embora esteja longe de ser exaustiva. Este blog publicou um ótimo trabalho sobre o hinário de Mussolini e trouxe ainda ampla ilustração sobre o colonialismo na África, com imagens particularmente racistas. Por outro lado, sempre há aqueles saudosistas que devemos citar de um jeito ou de outro, como esta coleção que inclui cantos de extrema-direita em geral e esta publicação cujo hospedeiro dispensa explicações.
As duas primeiras publicações são dedicadas à ideologia fascista de uma forma geral, e as duas últimas contêm letras com alusões à ocupação da Etiópia e da Somália, cujo arremedo de “império colonial” era crucial pra propaganda de Mussolini. As escolhas foram bem arbitrárias e, obviamente, não exaustivas. A primeira canção se chama In Africa si va (Vamos à África), a segunda se chama La marcia delle legioni (A marcha das legiões), e a terceira se chama Africa nostra (África nossa). Até aqui você já deve ter notado como, desde a saudação até a heráldica e a arquitetura, há uma obsessão por ressuscitar a cultura romana clássica: centúrias, legiões, o feixe de varas...
1. A trombeta do barbeiro já ressoou,
Refrão:
2. Uma velhinha, tremendo de emoção,
(Refrão) 3. E num dia não muito distante,
|
Roma reivindica o império,
|
1. Recolhidos de cem vizinhanças,
Avançam em terra africana,
Refrão:
2. Vai ser extirpado pela machadinha
No florescer de aço e de cantos solenes,
(Refrão) |
Nenhum comentário:
Postar um comentário