No ano passado, iniciei a coleção completa da tradução dos discursos com os votos de Feliz Ano Novo dos presidentes da Federação Russa a partir de 2000, isto é, Vladimir Putin e Dmitri Medvedev, ambos do partido Rússia Unida. Anteriormente eu já tinha publicado os votos de Boris Ieltsin pro ano 2000 transmitidos em 1999, que tiveram enorme importância porque ele os usou pra anunciar sua renúncia do cargo e logo depois foi sucedido pelos votos de Putin, que, enquanto primeiro-ministro, assumia interinamente até as próximas eleições. A lacuna que ficou e exigia maior pesquisa eram os votos de Ano Novo de Ieltsin ao longo da década de 1990, e hoje continuo a preenchendo. Por razões óbvias, não vou recuar ainda mais e trazer todos os discursos de 31 de dezembro dos líderes soviéticos.
Quando fazemos a busca no site do Kremlin, notamos um material extremamente organizado, mas só encontramos os discursos de Ano Novo a partir de 1999/2000, justamente quando Putin assumiu pela primeira vez. Os votos do antecessor e mentor devem ser buscados em outras fontes, entre elas o YouTube ou o portal oficial do Centro Ieltsin, sediado em Iekaterinburg, seu antigo feudo político. No arquivo oficial dos canais estatais de TV, também há uma coleção incompleta, incluindo alguns vídeos com Ieltsin, mas infelizmente eles não têm uma transcrição que facilitasse o trabalho de tradução. Pra nossa alegria, com raras exceções, a versão russa do Wikiquote traz as transcrições de todos os discursos presidenciais de Ano Novo da Rússia pós-soviética.
Na verdade, quase todos: no Wikiquote, não há o de 1991/1992, o de 1994/1995 está incompleto e o de 1992/1993... Há várias contradições em torno dele. Segundo esta coletânea completa, embora não traduzida, de todos os discursos presidenciais de Ieltsin, Putin e Medvedev desde 1991, não teria havido transmissão de discurso, mas apenas uma vinheta celebrativa. Porém, nos arquivos do Centro Ieltsin, existe um documento impresso, com algumas anotações à mão, com duas versões ligeiramente diferentes do que seria um possível discurso desejando um feliz 1993. A segunda versão é bem mais “dura” e “sincera”, ambas, porém, exagerando no otimismo de Ieltsin e diminuindo o fracasso que foram a liberação dos preços de mercado (2 de janeiro) e o andamento das reformas em geral em 1992, emperradas pelo bloqueio político das duas casas legislativas herdadas da era soviética, o Congresso dos Deputados do Povo e o Soviete Supremo.
Pra piorar, muito por acaso só ontem consegui achar o que seria o discurso de 1992/1993, gravado em 30 de dezembro e transmitido aqui, sem dublagem, pelo canal americano C-SPAN. E pelo que pude perceber, a fala de Ieltsin, que leva quase meia hora por causa do tom arrastado, não coincide em tudo com ambos os rascunhos escritos. Obviamente não retranscrevi comparando com o vídeo, mas trago abaixo minhas traduções dos dois rascunhos, incluindo as notas manuscritas e eliminando o que foi rabiscado. Embora não haja registros de transmissão pública, afirma-se (e há o selo na imagem) que foi transmitido pelo Canal 1 “Ostánkino”, TV pública que substituiu a soviética em 1991 e foi ela mesma substituída pela ORT em 1995 e, finalmente, pelo atual Canal 1 (Pérvy kanál) em 2002.
Versão 1:
Caros cidadãos da Rússia!
O ano velho está chegando ao fim. Estamos no limiar do novo ano de 1993.
Segundo uma boa tradição, nestas horas as pessoas se reúnem em suas casas, nas casas de seus parentes e entes queridos ou de seus amigos.
Elas se reúnem pra homenagear o tempo que passou, como quer que ele tenha sido. Afinal, esse tempo fez parte de nossas vidas. Elas se reúnem pra olhar pro futuro com esperança.
Em 2 de janeiro de 1992, terminou na Rússia uma era inteira na qual várias gerações de nossos cidadãos viveram, e começou uma nova era.
Juntos, decidimos fazer mudanças, juntos iniciamos um projeto que pode se tornar o mais importante pra Rússia no século 20. Espero sinceramente que seja bem-sucedido.
A expectativa de milagres sempre fez parte do caráter russo. Por muitos anos, esperávamos que algo extraordinário acontecesse e que todos os nossos problemas fossem resolvidos de uma só vez.
Agora começamos a entender que o único milagre com o qual uma pessoa pode realmente contar é sua mente, suas mãos e sua persistência no trabalho.
Milhões de russos já se convenceram disso – e não apenas os empreendedores privados. Isso inclui agricultores, trabalhadores que se tornaram donos de seus próprios negócios, aqueles que abrem suas pequenas oficinas próprias, escolas particulares, salões de cabeleireiro e muitos outros negócios nos setores de manufatura e serviços.
Eles provam com suas ações: o sucesso na vida e a prosperidade no lar são possíveis e acessíveis a qualquer um que não espere por uma dádiva divina, mas trabalhe por si mesma.
Ao longo do ano que passou, ficamos repetidamente com medo da fome, do frio, da devastação completa e do desemprego de milhões.
Essas previsões não se concretizaram. A catástrofe não ocorreu e estou convencido de que não vai ocorrer. A Rússia está trabalhando e vivendo. E vai continuar vivendo e trabalhando.
Hoje, o fim da prolongada recessão econômica já está à vista. Juntos, conseguimos retomar a produção. Neste outono, pela primeira vez em muitos meses, surgiram os primeiros sinais não de um declínio, mas de um aumento na produção.
Agora estamos produzindo uma gama cada vez mais ampla de bens do que há apenas um ou dois meses.
Durante os meses de outono, conseguimos reduzir drasticamente o déficit orçamentário e a emissão monetária. Conseguimos evitar uma espiral hiperinflacionária.
Esta é uma prova direta de que a estabilização começou. A Rússia não rejeitou o mercado; ela o abraçou. O primeiro passo pra sair da crise foi dado. Agora, o mais importante é seguir de forma consistente e firme o caminho escolhido e não se desviar dele.
Minha mais profunda gratidão a vocês, caros cidadãos da Rússia, pela notável fortaleza que demonstraram em 1992, por suportarem todas as dificuldades do ano que passou e por não seguirem aqueles que convocaram barricadas, greves, aqueles que, como antes, clamaram pela destruição dos russos [Rus].
É precisamente porque o país viveu uma vida tensa e laboriosa ao longo de 1992 que podemos dizer que temos todos os motivos pra esperar pelo melhor.
Muitas pessoas hoje dizem que é mais fácil suportar a brutalidade da crise econômica do que a criminalidade desenfreada. Considero o fortalecimento da lei e da ordem uma prioridade máxima.
Os gastos militares da Rússia foram drasticamente reduzidos. Os fundos liberados vão ser usados principalmente pra resolver esse problema. E não apenas dinheiro, mas também equipamentos e materiais.
Os quadros de funcionários do Ministério do Interior, da Procuradoria e dos tribunais vão ser ampliados. Muitos militares provavelmente vão estar dispostos a se transferir pros órgãos de aplicação da lei. As fábricas de defesa vão receber mais encomendas de equipamentos policiais.
Em resumo, vamos fazer em 1993 tudo a nosso alcance pra lançar uma forte ofensiva contra a corrupção, o suborno e o crime em geral, pra que os russos possam se sentir mais tranquilos em suas casas e nas ruas.
Caros cidadãos da Rússia!
O período de doloroso desmantelamento do antigo está terminando. Chegou a hora de limpar as ruínas e construir novas casas. Mas ainda existe um forte desejo de explorar as imperfeições do Estado russo pra bloquear as reformas e reverter o progresso do país.
Politicamente, 1993 vai ser um ano difícil. Isso foi demonstrado pelo 7.º Congresso dos Deputados do Povo, que decidiu realizar um referendo sobre as principais disposições da nova Constituição. Sei que nossos cidadãos já estão bastante fartos de medidas políticas. Mesmo assim, esse referendo é particularmente significativo.
É por meio de um referendo que vamos poder subordinar as relações entre os poderes do Estado a normas constitucionais claras e pôr fim aos conflitos que atualmente abalam a existência do Estado russo. Isso vai fortalecer efetivamente a estabilidade e a ordem políticas no país.
Apelo a vocês, cidadãos da Rússia, pra que demonstrem responsabilidade cívica e compareçam ao referendo em 11 de abril. O Presidente, o Congresso [dos Deputados do Povo], o Conselho Supremo e o Tribunal Constitucional vão ser obrigados a acatar a escolha de vocês.
1993 também vai ser um ano importante pra nós no fortalecimento da Federação Russa. Preservar uma Rússia unida é a vontade da maioria esmagadora dos russos.
Temos um Tratado Federal. Funciona de forma estável o Conselho de Chefes das Repúblicas da Rússia. A linha estratégica da nossa política tem sido e continua sendo a expansão da autonomia das repúblicas, territórios e regiões e o desenvolvimento da língua, cultura e tradições de cada povo.
Temos experiência na prevenção e resolução de conflitos interétnicos [lit. “entre nações ou nacionalidades”] sem infringir os interesses de nenhuma das partes.
Tudo isso proporciona uma base sólida pro fortalecimento da Federação Russa.
Temos muito em comum com os Estados da CEI, os Estados Bálticos e a Geórgia, e inevitavelmente vamos cooperar estreitamente. Mas sempre vamos nos lembrar de que milhões de nossos compatriotas vivem nesses Estados. Proteger seus interesses é um direito e um dever da Rússia.
Quem sabe, talvez um dia nossos povos desejem estabelecer laços ainda mais estreitos. Mas nunca mais vai haver violência ou subjugação entre nossos países. O período imperial da história da Rússia acabou.
Hoje, estamos reconstruindo nosso país, e não estamos começando “do zero”. Temos recursos inestimáveis, enraizados em tradições muito ricas.
Foram sendo reunidos pouco a pouco por cada geração. Mesmo nos tempos mais sombrios, o povo viveu, criou e preservou o melhor do legado de seus ancestrais.
Nós, especialmente nossa juventude, enfrentamos uma tarefa tremenda: reviver uma grande Rússia, fortalecer nossa cultura, garantir uma vida normal pra nosso povo em seu próprio país e dar à Rússia um lugar digno e respeitado na comunidade global.
Temos tudo de que precisamos pra isso: um povo trabalhador, cientistas talentosos, uma grande história e uma grande cultura respeitada no mundo todo.
Nosso país vai se tornar civilizado e próspero. Sua história tem páginas gloriosas. O povo trabalhou com habilidade e destreza. Os engenheiros russos competiram em pé de igualdade com seus colegas alemães e britânicos.
Moscou e São Petersburgo eram centros reconhecidos de ciência e cultura. Talentos de todo o mundo eram atraídos pra nosso país. A voz da Rússia ressoava poderosamente na política europeia e global.
Isso porque, apesar de todas as suas conhecidas deficiências, o bom senso, a inteligência e a engenhosidade russas prevaleceram em nossas vidas. E, acima de tudo, os interesses nacionais da Rússia e a preocupação com seu próprio povo prevaleceram.
Minha esperança pra 1993 é que a Rússia finalmente retorne ao caminho do bom senso e dos valores reais. Nossa Pátria ingressou no século 20 como um grande país. Ela avançou poderosamente rumo ao progresso e foi uma das forças motrizes do desenvolvimento global.
Não é culpa da Rússia ter sido desviada desse caminho e transformada num campo de testes pro comunismo. Hoje, nos libertamos desse delírio.
Estamos retomando conceitos simples e acessíveis a todos: esforço próprio, casa própria, terra própria, negócio próprio, dinheiro próprio, e não auxílios do governo.
E estamos vendo esses conceitos entrar em nossas vidas e as transformar.
Caros concidadãos!
Sei que vocês não vão acreditar em mim se eu pintar 1993 em termos róseos. Todos nós entendemos bem: não vai ser um ano fácil.
Todos nós, por mais diferentes que sejamos, hoje enfrentamos um inimigo principal, um adversário principal: a crise profunda e debilitante, da qual todos estamos bastante fartos. Devemos reconhecer isso plenamente e agir de acordo. Estou convencido de que 1993 vai ser um ponto de virada.
Não estou incentivando vocês a trabalharem mais pro governo ou pra qualquer outra pessoa. Exorto vocês a fazerem pelo menos um pouco mais no próximo ano por vocês mesmos, por suas famílias, por seus filhos e pais. Isso vai significar que vocês estão trabalhando pelo país, pela Rússia.
O tempo está inexoravelmente nos aproximando do Ano Novo. Meus queridos compatriotas, quero lhes desejar de todo coração uma festa maravilhosa.
Que as tristezas que assolaram a Rússia permaneçam no ano passado. E que os erros e fracassos que cometemos em 1992 jamais se repitam. Que mães e filhos não adoeçam, soldados não morram e civis não sofram.
Que os veteranos mantenham a cabeça erguida; eles conquistaram nosso respeito e gratidão. E que os jovens acreditem em si mesmos, em sua força e capacidades. Com seu talento, sua vontade e seu trabalho, a Rússia vive e vai continuar vivendo.
Tenham saúde, queridos concidadãos! Sejam felizes! Desejamos o mesmo aos povos de todos os Estados, a toda a humanidade, porque uns não podem ser felizes enquanto outros forem infelizes.
Feliz Ano Novo, amigos! Feliz Ano Novo de 1993!
Versão 2:
Queridos amigos!
O ano velho está chegando ao fim. Estamos no limiar do novo ano de 1993.
A noite de Ano Novo não é o melhor momento pra fazer balanços. Além disso, vocês sabem tão bem quanto o Presidente o que este ano representou. Foi um ano difícil pra vocês, pro país, pro Presidente. Não foi um ano fácil pra Rússia.
E, no entanto, seguindo uma antiga tradição, as pessoas se reúnem nestas horas em suas casas, nas casas de seus parentes e entes queridos, em família ou entre amigos, não para suspirar. Temos bastante tempo pra suspirar.
Nos reunimos pra reverenciar o tempo que passou, como quer que ele tenha sido. Pois esse tempo fez parte de nossas vidas. Nos reunimos pra olhar pro futuro com esperança. Pois o futuro sem esperança é vazio.
O que eu queria lhes dizer hoje?
Antes de tudo, que temos todos os motivos pra manter a esperança. No ano que passou, fomos repetidamente ameaçados pela fome, pelo frio e pela completa devastação. Mas a Rússia trabalha e vive. E vai continuar vivendo e trabalhando.
Vocês vão dizer, com toda razão, que a vida está difícil, que sucessos reais não são visíveis nem na mesa da família nem no orçamento familiar, que nossas cidades estão inabitáveis e, em muitas delas, a criminalidade atingiu níveis alarmantes. Recebo milhares de cartas diariamente com milhares de perguntas dolorosas e amargas. Muitas vezes, essas cartas soam desesperadas. Tentamos ajudar de todas as maneiras possíveis. Tentamos proteger os mais vulneráveis. Mas você só pode dar o que tem no seu bolso. De um bolso vazio, você não consegue juntar nem o que é mais pobre.
Herdamos grandes dívidas e bolsos vazios da União Soviética. Este ano, conseguimos economizar um pouco. E isso nos dá a oportunidade de aumentar ligeiramente as pensões, as bolsas, os pagamentos pra crianças e mães solo. Mesmo assim, estamos muito endividados. Se pedirmos mais empréstimos, nossos filhos vão ter que pagar. Temos apenas um caminho pro bem-estar em nossas famílias e na Pátria. Trabalhar.
À medida que saímos da crise, o trabalho vai adquirir cada vez mais um significado verdadeiro. Não um emprego como recompensa simbólica por um salário nominal e um certificado de honra. Mas um esforço que nos permita sustentar nossas famílias e expandir nossos bens e nossa propriedade.
Queridos amigos!
Não olhemos com muita severidade pro ano que passou. Conseguimos realizar algumas coisas. Apesar das enormes dificuldades, este ano vimos o lançamento das bases de uma economia de mercado completamente nova. E ela já está dando seus primeiros frutos, ainda que modestos. As pessoas têm um desejo renovado de trabalhar e ganhar dinheiro. Há apenas um ano, nossas lojas apresentavam um cenário desolador: prateleiras vazias, filas intermináveis frustradas pela falta de mercadorias. Hoje, o mercado começou a se encher gradualmente. Tudo ainda está muito caro. Pra muitos russos, muitos produtos são simplesmente inacessíveis. Mas conseguimos colocar a produção em movimento. Esperamos que, no novo ano, a privatização – isto é, a devolução da propriedade às mãos do povo – nos ajude a expandir a produção de bens e alimentos – e, consequentemente, a reduzir gradualmente os preços.
Sabemos como as coisas estão difíceis hoje em dia pros idosos, aposentados e mães solo. Estamos tentando ajudá-los a suportar essas dificuldades com dignidade.
Mas nossos jovens já estão olhando pro futuro com confiança. A nova Rússia está oferecendo a nossos jovens uma chance real de se firmarem com segurança e firmeza, de conquistarem um lugar na vida onde possam ostentar com orgulho o nome dos russos.
Nós, especialmente a nossa juventude, enfrentamos uma tarefa imensa: reviver uma grande Rússia, fortalecer nossa cultura, restaurar nossa dignidade, garantir uma vida normal pro nosso povo em seu próprio país e dar à Rússia um lugar digno e respeitado na comunidade global.
Temos tudo de que precisamos para isso: um povo trabalhador, cientistas talentosos, uma grande história e uma grande cultura, invejada e admirada no mundo todo.
Hoje, é crucial superarmos a mentalidade de catástrofe dentro do país e dentro de nós mesmos. Essa mentalidade está sendo imposta por aqueles que não acreditam na capacidade da Rússia de superar a crise, implementar reformas e retornar à corrente principal seguida pelos países avançados do mundo. Estamos sendo implacavelmente convencidos de que o país está arruinado, que o povo está devastado, que estrangeiros estão no comando da Rússia e que apenas escuridão e devastação nos aguardam.
Eu acredito em outra coisa e quero que vocês acreditem comigo no verdadeiro futuro da Rússia.
Não há como retrocedermos.
A União Soviética ficou parada por muito tempo, permitindo que outros povos e países nos ultrapassassem. Éramos os primeiros apenas em mísseis, tanques, bombas atômicas e no número de soldados e generais. Tínhamos um orgulho perverso e falso. Nos orgulhávamos de ser temidos no mundo todo. Deveríamos nos orgulhar de sermos ricos, não de causarmos medo.
Nosso país vai se tornar rico.
E a Rússia – e eu acredito nisso – pode liderar o mundo na abundância de seus campos, na riqueza de seus mercados rurais, na diligência de seu povo, na força da família e na moralidade dos russos. Era assim!
A história da Rússia teve seus grandes momentos. O povo era bem alimentado, vestido e calçado, e trabalhava com habilidade e destreza. Os engenheiros russos competiam com sucesso com seus colegas alemães e britânicos. A ciência russa fazia parte da grande ciência europeia. Moscou e São Petersburgo eram centros reconhecidos de ciência e cultura. Talentos de todo o mundo eram atraídos pra nosso país.
A voz da Rússia ressoava poderosamente na política europeia e global. Isso porque a política e a economia russas, apesar de todas as suas conhecidas deficiências, eram dominadas não por uma teoria abstrata, nem por mitos sobre a luta de classes e a felicidade universal, mas pelo bom senso, pela inteligência e engenhosidade russas. E, acima de tudo, pelos interesses nacionais da Rússia e pela preocupação com seu próprio povo.
Minha esperança é que a Rússia esteja finalmente retornando ao caminho do bom senso e dos valores reais.
E esse bom senso, essa confiança não no dogma, mas nos interesses e necessidades reais do povo, já estão se fazendo sentir. Eu não acredito, e peço que vocês não acreditem, em quem afirma que nosso país não foi feito pra reformas, que reformas não são pra Rússia, que aqui elas nunca tiveram sucesso.
Isso não é verdade.
Foi precisamente graças às reformas e aos grandes reformadores que nosso país ingressou no século 20 como uma grande nação. Ele avançou poderosamente rumo ao progresso e foi uma das forças motrizes do desenvolvimento global. Não é culpa da Rússia ter sido desviada desse caminho e transformada num campo de testes pro comunismo por quase um século.
Hoje, nos libertamos desse delírio. Da ilusão da felicidade imerecida.
Estamos retornando a conceitos simples, acessíveis a todos: esforço próprio, casa própria, terra própria, negócio próprio, dinheiro próprio, e não auxílios do governo.
E estamos vendo esses conceitos naturais começarem a entrar em nossas vidas e as transformarem. Os primeiros brotos do sucesso já estão rompendo as profundezas das dificuldades.
Graças a rigorosas medidas de austeridade fiscal, reduções nos gastos militares e no Exército, e uma política de realismo, o governo, que havia sido alvo de tantas críticas durante um ano, conseguiu melhorar significativamente suas finanças. Nosso déficit orçamentário foi drasticamente reduzido. O rublo russo finalmente começou a render. Sim, ainda é fraco em comparação com as fortes moedas globais. Mas não é mais o rublo “de madeira” que foi ridicularizado ainda recentemente. Já se podem comprar bens reais com rublos russos. As pessoas estão ansiosas pra ganhar dinheiro com o rublo. O rublo está em alta, realmente sendo comprado e vendido em bolsas de valores e bancos. Essencialmente, alcançamos a conversibilidade interna do rublo. E estou confiante de que, à medida que a reforma ganhar impulso, vamos chegar a um ponto em que o rublo vai recuperar sua antiga fama e força globais.
Caros amigos e compatriotas!
Entre os russos [na Rusí] se diz: o dinheiro não traz felicidade. Concordo. A felicidade está na saúde, em filhos bons e honestos, num lar seguro e estável, em amigos gentis e leais. E para uma pessoa honesta – e essa é a grande maioria dos russos – a felicidade está no esforço tranquilo.
Me permitam lhes desejar tudo de melhor pro próximo ano. E, acima de tudo, felicidade e saúde. Felicidade pra vocês... Felicidade pra nossa pátria, nossa Rússia.
Obrigado. Feliz Ano Novo!

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