Um amigo meu quis fazer besteira com IA (até agora não entendi o que passou pela cabeça dele), mas acabei tendo outra ideia:

É como reza a sabedoria popular: a beleza passa...

... mas a virtude e o caráter...

... sempre permanecem!
Um amigo meu quis fazer besteira com IA (até agora não entendi o que passou pela cabeça dele), mas acabei tendo outra ideia:

É como reza a sabedoria popular: a beleza passa...

... mas a virtude e o caráter...

... sempre permanecem!
Um amigo meu me mandou esta matéria da revista britânica The Economist, publicada na coluna Leaders da edição de 21 de fevereiro de 2026 e intitulada “Putin’s forever war”. A tradução do título, sugerida pelo Google, foi “A guerra sem fim de Putin”, mas eu prefiro chamar de guerra eterna, já que, além de soar mais elegante, forever de fato significa “pra sempre”. Como ficou óbvio, usei o Google pra poupar tempo de digitação, mas como sempre faço nesses casos – e reitero pra que ninguém esqueça –, confrontei o resultado com o original em inglês, já que a mão humana sempre deve finalizar os trabalhos automáticos. Salvo por algumas particularidades redacionais, optei por mexer o mínimo possível no resultado e não lhe imprimir meu famoso “estilo coloquial”.
Exceto pelas curtas notas, concordo em cada vírgula com o texto (que deve ser editorial), pois ele reflete inclusive as análises do jornalismo opositor russo mais próximo das realidades locais – em Moscou e em Kyiv – e de outras organizações ao redor do mundo dedicadas a monitorar os combates. A montagem abaixo, inclusive, vem de um print que fiz do programa analítico semanal de Mikhail Fishman na TV Rain. E é incrível como a mentalidade dos intelectuais e acadêmicos brasileiros continua muito alheia a isso, alegando “distância sanitária” do mundo “imperialista”. E mesmo que o imperialismo ocidental seja um dado irrefutável, como prova a intervenção israelo-americana no Irã iniciada ontem, ainda não programei materiais sobre o que pode futuramente acontecer na região.

O presidente da Rússia não consegue vencer a guerra, mas teme a paz
Você poderia pensar que, após quatro anos sangrentos, uma guerra que nenhum dos lados consegue vencer teria se extinguido sozinha. Mas não a guerra na Ucrânia. E a culpa recai sobre um único homem.
Vladimir Putin está preso em um dilema criado por ele mesmo. As chances de seus exércitos na Ucrânia produzirem algo que ele possa chamar de vitória estão diminuindo. Muitas pessoas esperam que as negociações de paz, que continuam em Genebra esta semana, lhe deem uma saída, porque o presidente Donald Trump forçará a Ucrânia a ceder território. Na verdade, essa rota de fuga está se tornando cada vez menos provável. E mesmo que um acordo de paz fosse concluído, as consequências dentro da Rússia poderiam causar instabilidade econômica e política, arruinando os planos de Putin de ser considerado um dos maiores tsares da história.
O primeiro problema para o presidente da Rússia é o campo de batalha. Na Grande Guerra Patriótica, de junho de 1941 a maio de 1945, o Exército Vermelho avançou 1 600 km de Moscou a Berlim. Nesta guerra prolongada, as forças russas em Donetsk, o foco principal, avançaram apenas 60 km – a mesma distância entre Washington e Baltimore.
A Rússia não conseguiu gerar força de combate suficiente para romper as linhas ucranianas. Na “zona de morte” de 10 a 30 km ao redor da linha de frente, vulnerável a drones e seus operadores oniscientes, soldados e equipamentos não podem se concentrar sem se tornarem alvos. Mesmo que as forças russas consigam romper as linhas ucranianas, elas têm dificuldades para explorar seu sucesso.
Na trajetória atual, Putin não conseguirá mudar isso. Nos primeiros três anos, a Rússia estava construindo seu exército. No final do ano passado, estava perdendo mais homens do que conseguia recrutar. Eles são mal treinados, o moral está baixo e as taxas de deserção estão mais altas do que nunca. A Starlink cortou o acesso das forças russas aos terminais contrabandeados dos quais dependiam para localizar alvos. Seu próprio governo cortou o Telegram, que eles usavam para se comunicar na linha de frente.
Putin terá dificuldades para aumentar a quantidade e a qualidade dos recrutas. A Rússia depende do dinheiro, e não do patriotismo, para alistar soldados. A probabilidade de morte ou ferimentos, a negligência com os veteranos e a tentativa do Estado de se esquivar do pagamento de indenizações [“coffing money”, entre aspas no original] às famílias dos soldados mortos estão elevando o custo do recrutamento. Desde junho de 2025, segundo o think tank Re: Russia [portal independente de análises e discussões], o bônus médio de alistamento aumentou meio milhão de rublos, chegando a 2,43 milhões de rublos (US$ 32 mil). Está cada vez mais difícil encontrar dinheiro. A conta anual de 5,1 trilhões de rublos para tudo isso equivale a 90% do déficit orçamentário federal. O restante da economia está encolhendo. Os pagamentos da dívida estão aumentando. A perspectiva para as receitas do petróleo é ruim.
O esforço de guerra da Rússia não está prestes a entrar em colapso. Putin pode atacar cidades e redes elétricas ucranianas para destruir o moral e a economia. Mas é improvável que ataques aéreos por si só levem à capitulação. Ele pode acreditar que a Europa abandonará a Ucrânia, mas o apoio europeu aumentou no ano passado. Sua maior esperança pode ser que a Ucrânia, sofrendo com grave escassez de mão de obra e equipamentos, passe por uma crise política ou comece a ficar sem combatentes e armas antes da Rússia. No entanto, a aposta de Putin no colapso ucraniano tem sido perdedora nos últimos quatro anos – e as probabilidades estão diminuindo.
Por que, então, ele não concorda com a paz? Se Putin pudesse consolidar os ganhos da Rússia e se reagrupar, ele sempre poderia atacar a Ucrânia novamente em algum momento no futuro.
Na verdade, é improvável que qualquer plano de paz satisfaça a Rússia. As negociações têm um caráter de fachada [Potemkin quality], ilustrado pela promessa absurda de um dividendo de paz de US$ 12 trilhões, grande parte a ser dividida entre a Rússia e os EUA (ver a seção Finanças). Também é improvável que elas deem a Putin o território que ele não conseguiu tomar pela força e que ele deseja para declarar vitória.
Para a Ucrânia, entregar seu território mais bem defendido seria um desastre estratégico. E embora Trump ainda tenha influência, sua capacidade de pressionar Volodymyr Zelensky, presidente da Ucrânia, a aceitar um mau acordo já passou de seu auge. É verdade que os EUA ainda vendem armas vitais para a Europa, que as repassa para a Ucrânia. Mas a Ucrânia agora depende menos da inteligência americana do que antes, e os EUA reduziram em 99% seu financiamento da guerra. Se, como parece provável, qualquer acordo de paz envolver garantias de segurança americanas para a Ucrânia que estejam consagradas em um tratado, o Senado terá que ratificá-lo. Isso também ajudará a evitar um acordo unilateral.
Outro motivo para Putin ser cauteloso quanto a um acordo é que a própria paz poderia desencadear uma crise na Rússia. Como explica nossa coluna de opinião, a Rússia desviou tantos recursos para a defesa, agora representando 8% do PIB, que o restante da economia está debilitado (ver a seção By Invitation). A ilegalidade do regime e a perspectiva de novas hostilidades afastarão novos investidores. O desafio de realocar recursos da guerra para a paz, incluindo encontrar trabalho para os soldados que retornam da frente de batalha, pode induzir uma profunda recessão.
A situação política também seria desagradável. Veteranos descontentes desestabilizam regimes, especialmente na Rússia, como aconteceu antes da revolução de 1917 e depois da guerra no Afeganistão na década de 1980. Pesquisas sugerem que os russos inicialmente receberiam bem o fim dos combates. Mas certamente surgiriam questionamentos: sobre a campanha mal conduzida, o desperdício de vidas e recursos e a humilhante dependência da Rússia em relação à China para apoio financeiro e militar em nome da preservação de sua própria civilização. Isso poderia limitar a capacidade de Putin de reiniciar a guerra. Poderia inclusive representar uma ameaça a seu poder.
Putin não pode desistir da guerra, mas o custo de mantê-la está aumentando. Se suas tentativas de gerar mais força de combate apenas enfraquecerem ainda mais a Rússia, isso poderá levar a uma crise. Caso contrário, a Ucrânia e a Rússia ficarão presas no conflito. Há algo que possa ser feito para acabar com isso? Investigar a frota secreta da Rússia e ativar um plano do Senado para punir os compradores de seu petróleo poderia limitar as receitas de exportação. Contrariar a propaganda de Putin de que os EUA e a Europa estão empenhados em destruir a Rússia ajudaria. Assim como corrigir suas alegações de uma inevitável vitória russa: ninguém, muito menos Trump, gosta de apoiar um perdedor.
É difícil forçar um ditador a agir. Em última análise, a disposição de Putin em continuar lutando depende da dor que ele está disposto a infligir. Mas quanto mais dor houver, mais claro ficará para os russos que ele está trazendo a ruína sobre eles.

Além da recém-retraduzida Giovinezza, confesso que sempre achei bonitas as canções do período fascista da Itália (1922-43), quando ela se manteve formalmente como uma monarquia, mas na prática se tornou uma ditadura sob o primeiro-ministro Benito Mussolini. Fundador do Partido Nacional Fascista (PNF) e idealizador do fascismo (embora suas fontes intelectuais tenham sido diversas), ele tinha sido expulso do Partido Socialista Italiano por apoiar a participação do país na 1.ª Guerra Mundial e criou a matriz das extremas-direitas que tomariam o poder no período posterior, exacerbando o nacionalismo, destruindo o movimento operário independente e cultuando a guerra.
Melodias agradáveis, mas com cujo conteúdo e uso não posso concordar. Portanto, embora eventualmente apareçam por aqui adoradores do Duce (“guia, condutor”), estas traduções, que eu desejava fazer desde os tempos do Pan-Eslavo Brasil, meu finado canal no YouTube, têm um fim meramente educativo. Portanto, me abstenho de dizer mais, e apenas ressalto que por praticidade decidi não adicionar os nomes dos autores e que traduzi diretamente, deixando a linguagem mais informal e simples, sem mexer no conteúdo. Sempre que possível, incorporei os vídeos a partir de uma fonte mais antiga, que geralmente tem a legenda em italiano passando, e de outra que o Google gera automaticamente. Igualmente, apenas publiquei as traduções, e não as letras originais, que podem ser vistas nas respectivas fontes; coloquei todas as iniciais de linhas em maiúsculas e mantive a pontuação original quando possível.
A versão italiana do Wikisource tem uma seção só com letras de canções fascistas, embora esteja longe de ser exaustiva. Este blog publicou um ótimo trabalho sobre o hinário de Mussolini e trouxe ainda ampla ilustração sobre o colonialismo na África, com imagens particularmente racistas. Por outro lado, sempre há aqueles saudosistas que devemos citar de um jeito ou de outro, como esta coleção que inclui cantos de extrema-direita em geral e esta publicação cujo hospedeiro dispensa explicações.
As duas primeiras publicações são dedicadas à ideologia fascista de uma forma geral, e as duas últimas contêm letras com alusões à ocupação da Etiópia e da Somália, cujo arremedo de “império colonial” era crucial pra propaganda de Mussolini. As escolhas foram bem arbitrárias e, obviamente, não exaustivas. A primeira canção se chama Ti saluto, vado in Abissinia (Te saúdo, vou à Abissínia, nome histórico da Etiópia e da Eritreia), a segunda se chama Avanti gloriose schiere (Avante, fileiras gloriosas) e a terceira se chama Faccetta nera (Rostinho negro).
1. Estão se formando as fileiras e os batalhões
Refrão:
2. Um jovem soldado é todo ardor,
(Refrão) 4. Dos Alpes ao mar, chegando até o equador
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1. Estou deixando a mamãe, a doce casinha,
Refrão:
2. Você me beija, ó, menina gentil,
(Refrão) 3. E a lembrança dos velhos soldados,
(Refrão) |
1. Se do altiplano você olhar o mar,
Refrão:
2. Nossa lei é a escravidão do amor,
(Refrão) 3. Rostinho negro, pequena abissínia,
4. Rostinho negro, você vai ser romana,
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Além da recém-retraduzida Giovinezza, confesso que sempre achei bonitas as canções do período fascista da Itália (1922-43), quando ela se manteve formalmente como uma monarquia, mas na prática se tornou uma ditadura sob o primeiro-ministro Benito Mussolini. Fundador do Partido Nacional Fascista (PNF) e idealizador do fascismo (embora suas fontes intelectuais tenham sido diversas), ele tinha sido expulso do Partido Socialista Italiano por apoiar a participação do país na 1.ª Guerra Mundial e criou a matriz das extremas-direitas que tomariam o poder no período posterior, exacerbando o nacionalismo, destruindo o movimento operário independente e cultuando a guerra.
Melodias agradáveis, mas com cujo conteúdo e uso não posso concordar. Portanto, embora eventualmente apareçam por aqui adoradores do Duce (“guia, condutor”), estas traduções, que eu desejava fazer desde os tempos do Pan-Eslavo Brasil, meu finado canal no YouTube, têm um fim meramente educativo. Portanto, me abstenho de dizer mais, e apenas ressalto que por praticidade decidi não adicionar os nomes dos autores e que traduzi diretamente, deixando a linguagem mais informal e simples, sem mexer no conteúdo. Sempre que possível, incorporei os vídeos a partir de uma fonte mais antiga, que geralmente tem a legenda em italiano passando, e de outra que o Google gera automaticamente. Igualmente, apenas publiquei as traduções, e não as letras originais, que podem ser vistas nas respectivas fontes; coloquei todas as iniciais de linhas em maiúsculas e mantive a pontuação original quando possível.
A versão italiana do Wikisource tem uma seção só com letras de canções fascistas, embora esteja longe de ser exaustiva. Este blog publicou um ótimo trabalho sobre o hinário de Mussolini e trouxe ainda ampla ilustração sobre o colonialismo na África, com imagens particularmente racistas. Por outro lado, sempre há aqueles saudosistas que devemos citar de um jeito ou de outro, como esta coleção que inclui cantos de extrema-direita em geral e esta publicação cujo hospedeiro dispensa explicações.
As duas primeiras publicações são dedicadas à ideologia fascista de uma forma geral, e as duas últimas contêm letras com alusões à ocupação da Etiópia e da Somália, cujo arremedo de “império colonial” era crucial pra propaganda de Mussolini. As escolhas foram bem arbitrárias e, obviamente, não exaustivas. A primeira canção se chama In Africa si va (Vamos à África), a segunda se chama La marcia delle legioni (A marcha das legiões), e a terceira se chama Africa nostra (África nossa). Até aqui você já deve ter notado como, desde a saudação até a heráldica e a arquitetura, há uma obsessão por ressuscitar a cultura romana clássica: centúrias, legiões, o feixe de varas...
1. A trombeta do barbeiro já ressoou,
Refrão:
2. Uma velhinha, tremendo de emoção,
(Refrão) 3. E num dia não muito distante,
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Roma reivindica o império,
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1. Recolhidos de cem vizinhanças,
Avançam em terra africana,
Refrão:
2. Vai ser extirpado pela machadinha
No florescer de aço e de cantos solenes,
(Refrão) |
Além da recém-retraduzida Giovinezza, confesso que sempre achei bonitas as canções do período fascista da Itália (1922-43), quando ela se manteve formalmente como uma monarquia, mas na prática se tornou uma ditadura sob o primeiro-ministro Benito Mussolini. Fundador do Partido Nacional Fascista (PNF) e idealizador do fascismo (embora suas fontes intelectuais tenham sido diversas), ele tinha sido expulso do Partido Socialista Italiano por apoiar a participação do país na 1.ª Guerra Mundial e criou a matriz das extremas-direitas que tomariam o poder no período posterior, exacerbando o nacionalismo, destruindo o movimento operário independente e cultuando a guerra.
Melodias agradáveis, mas com cujo conteúdo e uso não posso concordar. Portanto, embora eventualmente apareçam por aqui adoradores do Duce (“guia, condutor”), estas traduções, que eu desejava fazer desde os tempos do Pan-Eslavo Brasil, meu finado canal no YouTube, têm um fim meramente educativo. Portanto, me abstenho de dizer mais, e apenas ressalto que por praticidade decidi não adicionar os nomes dos autores e que traduzi diretamente, deixando a linguagem mais informal e simples, sem mexer no conteúdo. Sempre que possível, incorporei os vídeos a partir de uma fonte mais antiga, que geralmente tem a legenda em italiano passando, e de outra que o Google gera automaticamente. Igualmente, apenas publiquei as traduções, e não as letras originais, que podem ser vistas nas respectivas fontes; coloquei todas as iniciais de linhas em maiúsculas e mantive a pontuação original quando possível.
A versão italiana do Wikisource tem uma seção só com letras de canções fascistas, embora esteja longe de ser exaustiva. Este blog publicou um ótimo trabalho sobre o hinário de Mussolini e trouxe ainda ampla ilustração sobre o colonialismo na África, com imagens particularmente racistas. Por outro lado, sempre há aqueles saudosistas que devemos citar de um jeito ou de outro, como esta coleção que inclui cantos de extrema-direita em geral e esta publicação cujo hospedeiro dispensa explicações.
As duas primeiras publicações são dedicadas à ideologia fascista de uma forma geral, e as duas últimas contêm letras com alusões à ocupação da Etiópia e da Somália, cujo arremedo de “império colonial” era crucial pra propaganda de Mussolini. As escolhas foram bem arbitrárias e, obviamente, não exaustivas. A primeira canção se chama Duce a noi (Um guia/Duce pra nós). A segunda se chama Il canto degli italiani (O canto dos italianos), cujo título não deve ser confundido com um dos apelidos do hino nacional moderno. A terceira se chama Inno a Roma (Hino a Roma), por vezes acompanhada do nome de seu letrista, Fausto Salvatori, que a escreveu em 1919, portanto, antes da entronização de Mussolini.
1. Na Itália dos fascistas
As medalhas que portamos
Refrão:
O Duce [guia] de seus balilla
Um guia, um guia pra você! 2. Temos um belo mosquete
Se Balilla tinha uma pedra,
(Refrão) 3. Primavera dos povos,
Atados ao Duce, consagramos
(Refrão) |
Esta terceira parte está ausente da maioria dos registros. A única ocorrência dessa palavra dialetal “cioru” está num fórum italiano que alude a uma balsa a cabo usada pra facilitar o transporte de operários, muitos deles de origem camponesa, que partiam da Igreja da Gran Madre di Dio, em Turim, à fábrica da Fiat localizada no distrito de Lingotto. O prédio dessa mesma fábrica foi considerado um dos primeiros projetos futuristas importantes do fascista Marinetti. A ditadura inicialmente resistia, sem sucesso, a que camponeses migrassem pra trabalhar na cidade, mas com o tempo essa barreira foi sendo removida pra que eles substituíssem os trabalhadores mandados à guerra em 1940. Não sei ao certo se cioru se refere aos operários, aos camponeses ou ao trabalho em geral e seu transporte.
Nascemos como um crepúsculo escuro
|
1. Roma divina, a você sobre o Capitólio,
Refrão:
2. O céu inteiro é um voo de bandeiras
(Refrão) 3. Você abençoa o descanso e o cansaço
(Refrão) |
Além da recém-retraduzida Giovinezza, confesso que sempre achei bonitas as canções do período fascista da Itália (1922-43), quando ela se manteve formalmente como uma monarquia, mas na prática se tornou uma ditadura sob o primeiro-ministro Benito Mussolini. Fundador do Partido Nacional Fascista (PNF) e idealizador do fascismo (embora suas fontes intelectuais tenham sido diversas), ele tinha sido expulso do Partido Socialista Italiano por apoiar a participação do país na 1.ª Guerra Mundial e criou a matriz das extremas-direitas que tomariam o poder no período posterior, exacerbando o nacionalismo, destruindo o movimento operário independente e cultuando a guerra.
Melodias agradáveis, mas com cujo conteúdo e uso não posso concordar. Portanto, embora eventualmente apareçam por aqui adoradores do Duce (“guia, condutor”), estas traduções, que eu desejava fazer desde os tempos do Pan-Eslavo Brasil, meu finado canal no YouTube, têm um fim meramente educativo. Portanto, me abstenho de dizer mais, e apenas ressalto que por praticidade decidi não adicionar os nomes dos autores e que traduzi diretamente, deixando a linguagem mais informal e simples, sem mexer no conteúdo. Sempre que possível, incorporei os vídeos a partir de uma fonte mais antiga, que geralmente tem a legenda em italiano passando, e de outra que o Google gera automaticamente. Igualmente, apenas publiquei as traduções, e não as letras originais, que podem ser vistas nas respectivas fontes; coloquei todas as iniciais de linhas em maiúsculas e mantive a pontuação original quando possível.
A versão italiana do Wikisource tem uma seção só com letras de canções fascistas, embora esteja longe de ser exaustiva. Este blog publicou um ótimo trabalho sobre o hinário de Mussolini e trouxe ainda ampla ilustração sobre o colonialismo na África, com imagens particularmente racistas. Por outro lado, sempre há aqueles saudosistas que devemos citar de um jeito ou de outro, como esta coleção que inclui cantos de extrema-direita em geral e esta publicação cujo hospedeiro dispensa explicações.
As duas primeiras publicações são dedicadas à ideologia fascista de uma forma geral, e as duas últimas contêm letras com alusões à ocupação da Etiópia e da Somália, cujo arremedo de “império colonial” era crucial pra propaganda de Mussolini. As escolhas foram bem arbitrárias e, obviamente, não exaustivas. A primeira canção se chama All’armi siam fascisti (Às armas, sejamos fascistas), embora “siam(o)” possa ser traduzido tanto “somos” quanto “sejamos”; acho que ambas dão certo. A segunda se chama Vincere!, que é fácil, né: Vencer!
Às armas! Às armas! Às armas, sejamos fascistas E nós somos partes integrantes do Feixe,
Às armas! Às armas! Às armas, sejamos fascistas Todos sabemos qual é nosso objetivo:
Às armas! Às armas! Às armas, sejamos fascistas Vamos levar a vitória por toda parte
Às armas! Às armas! Às armas, sejamos fascistas Somos os adversários do bolchevismo
|
1. Fortalecida por mil paixões,
Refrão:
2. Capacete, punhal, mosquete,
(Refrão) |
Em seu boletim semanal ironicamente chamado Notícias Terríveis, o editor-chefe da Novaya Gazeta Evropa (exilada em Riga, capital da Letônia), Kirill Martynov, sumariza informações sobre os crimes de guerra da Rússia na Ucrânia, a escalada da repressão no próprio país natal e, pra dar alguma leveza, curiosidades mais ou menos ligadas à reconfiguração belicista do Estado moscovita e que beiram o ridículo. Uma dessas que publiquei há alguns dias foi a presidente do Senado russo, Valentina Matvienko, dizendo que a ajuda humanitária à URSS durante seu colapso, sobretudo a distribuição das famosas “coxinhas de Bush”, foi parte de uma “guerra híbrida” contra a perdedora da “guerra fria”. Matvienko é a mesma que há quase dois anos propôs a criação de um “Ministério da Felicidade”, imitando a iniciativa (fracassada) do Butão.
Desta vez foi o historiador Vladimir Medinski, assessor pessoal de Putler e presente em negociações diretas com a Ucrânia (nas quais, pelo nível da delegação de Kyiv, deviam estar no mínimo o próprio ditador ou o sumido Sergei Lavrov, ministro do Exterior), que passou ridículo até mesmo na agência oficial TASS e na agência privada RBC, que só segue o fluxo porque não tem alternativa. Segundo as manchetes, ele assumiu que até sua filha lhe mostrar fotos da internet, pensava que as capivaras eram bichinhos fofos criados como personagens fictícios, ao modo da “Cheburashka” soviética ou dos atuais “labubus” chineses. A diretora do Zoológico de Moscou não deu ponto sem nó e aproveitou a deixa pra dar aquela chupada de saco no poder, convidando Medinski pra um “passeio didático” junto às capivaras!
Realmente, não fosse talvez a própria margem que a imprensa amordaçada se dá pra zombar levemente do regime terrorista, seria uma “não notícia” que no máximo passaria pros livros de memórias a serem fuçados por historiadores do futuro e sem grande interesse geral. Os putinistas bananeiros da blogosfera lulaminion certamente vão me condenar por estar zoando de uma “curiosidade intelectual legítima”, que poderia ocorrer com qualquer pessoa longe de um continente com animais desconhecidos. Mas se fosse um político de direita ou extrema-direita, a começar pelo presidiário Jair Messias, ou o governante de uma democracia ocidental, ah, sem dúvida que a ex-querdalha hipócrita ia se refastelar!
Medinski não é apenas um capacho do Kremlin, mas um verdadeiro ideólogo da deturpação histórica realizada em prol do “mundo ruSSo” neste primeiro quarto de século. Até mesmo historiadores sérios já fizeram longos requisitórios condenando seu nacionalismo radical e apontando erros em sua própria tese de doutorado. Ele já apareceu por aqui, quando abordei sobre os novos manuais escolares de História que louvavam Putler (não faltando, claro, espaços com citações do Grande Líder), mentiam sobre a agressão à Ucrânia e apresentavam mapas como se as quatro regiões ilegalmente invadidas (mais a Crimeia) já integrassem inteiras o Império. Sobre a Cheburashka, apelidada de “Mickey soviético”, eu também já trouxe um vídeo em que Denis Morokhin mostra que a economia era tão mal planejada que faltava até esse bichinho preferido das crianças.
A situação, certamente edulcorando a dura realidade da anexação imperialista assassina e o grande GULAG a céu aberto em que está de novo se transformando o país, também foi lembrada em memes como este, após o qual seguem as respectivas matérias da TASS e da RBC:

Medinski falou sobre sua experiência de conhecer capivaras – O assessor do presidente da Rússia confidenciou que até recentemente não sabia que se tratava de animais de verdade.
Vladimir Medinski, assessor do presidente da Federação Russa e presidente da Sociedade Histórico-Militar da Rússia, contou à Agência TASS sobre sua experiência em conhecer capivaras, observando que até recentemente não sabia que eram animais de verdade.
“Antes eu pensava que a capivara era um bicho de pelúcia, algo peludinho [mokhnátoie] como a Cheburashka. Mas recentemente descobri que a capivara é um animal. Minha filha me esclareceu e me mostrou fotos”, confidenciou.
Ele disse que agora está planejando conhecer capivaras pessoalmente. “Por isso, ela e eu vamos agora fazer um passeio pra ver capivaras”, anunciou Medinski.
“Vivendo e aprendendo”, concluiu. [Essa frase consiste no ditado russo “Vek zhiví, vek uchís”, lieralmente “viva um século, aprenda um século”, que tem o mesmo sentido e se costuma traduzir como fiz acima. O Google também deu a curiosa tradução “Aprender com a experiência”.]
O Zoológico de Moscou convidou Medinski pra conhecer as capivaras
A diretora do Zoológico de Moscou, Svetlana Akulova, demonstrou interesse no desejo do assessor presidencial Vladimir Medinski de aprender mais sobre capivaras e convidou o político pra visitar o zoológico pessoalmente.
“Teríamos o maior prazer em lhe apresentar essas mesmas capivaras, lhe mostrar outros animais incríveis e simplesmente passar um ótimo momento juntos”, escreveu Akulova em seu canal no Telegram.
A diretora do zoológico também compartilhou a história de como conheceu Medinski: foi no Museu de História Militar da Sociedade Histórico-Militar da Rússia, instituição cujo presidente é Medinski.
“E como é ótimo quando nós, adultos, continuamos aprendendo e descobrindo mundos inteiros”, observou Akulova.
Achei fofo como Kirill Martynov terminou aquela edição das Notícias Terríveis, portanto, estou traduzindo a fala final dele após a “notícia” sobre Medinski e a “kapibara” (como a palavra entrou na língua russa). Onde diacho será que ele achou esse boneco de pelúcia?...
“Queria dizer a Medinski: as capivaras existem, existem capivaras, entende? São uma parte importante da fauna em geral. Na real, gaste mais tempo em autoaprendizagem, gaste menos tempo legitimando guerras agressivas. Embora isso talvez já não o ajude. Né, capivara?”
Uma curtinha pro feriado prolongado.
Há alguns meses, viralizou uma conversa (não tanto) em off entre Vladimir Putin e Xi Jinping, decifrada por leitura labial, em que o ditador moscovita lhe confidencia que a ciência estaria em medida de prolongar a vida humana até os 150 anos. Sabe-se lá de onde ele tirou esse delírio e qual é sua preocupação com isso, dado que o mundo tem muitos outros problemas urgentes pra resolver, esses sim, passíveis de encurtar a vida muito aquém do possível. O vídeo causou bastantes piadas, mas fico pensando se isso não é uma vontade própria, pessoal, pra aproveitar ao máximo toda a roubalheira que ele arrancou ao povo russo, o que não vai conseguir, por ser mortal e não ter verdadeiros amigos.
Povo russo que já está sentindo na carne as consequências da interminável invasão à Ucrânia e sofrendo com inflação, doenças mentais, liberdades tolhidas, perda de entes queridos e isolamento internacional. Discretamente, o canal opositor Sotavision (YouTube) entrevistou populares nas ruas do país pra saber o que eles pensam dessa maluquice do ditador. A maioria, obviamente, respondeu que não só seria antinatural, como também não valia a pena prolongar a vida. Mas esta resposta, que separei usando a republicação da Radio Svoboda, mostra a referida angústia, embora não se saiba qual é a idade da mulher e qual é sua situação geral:
– Vladimir Putin disse que as pessoas poderão viver até 150 anos. A senhora gostaria de viver até os 150?
– Com essa vida, prefiro é viver só até os 50.
– Mas o que há de errado?
– E o que NÃO HÁ de errado?
Na Rússia que conheceu Boris Ieltsin, até os robôs têm que cair de bêbados, rs!
Em tese, minha publicação com traduções de algumas das chamadas “canções partisans” iugoslavas seria a última, por isso, sugiro que a visite pra poder ter todos os detalhes a respeito desse gênero. Porém, fiquei com vontade de traduzir outras duas, a primeira porque acho importante, e a segunda porque acho muito bonita e tocante. A primeira, em servo-croata, se chama Uz Maršala Tita (Com o Marechal Tito), e a segunda, em búlgaro, se chama “Партизан се за бой стяга” (Partizán se za boi stiága), Um partisan se prepara pra luta (ou ainda “combate”, se quiser). Embora “Iugoslávia” signifique originalmente “terra dos eslavos do sul”, e os búlgaros também sejam eslavos meridionais, a Bulgária só não se uniu ao vizinho por pouco. Portanto, mesmo mantendo a numeração, intitulei estas canções como “balcânicas”.
Na Wikipédia em inglês, achei a história da canção Uz Maršala Tita, a tradução literal em inglês e a versão poética em outros idiomas iugoslavos. Porém, mesmo não tendo feito como no passado (jogar o original no Google Tradutor), me baseei essencialmente nessa tradução, procurando também as palavras no Wikcionário, quando necessário. Isso porque tanto no caso do servo-croata quanto do búlgaro, as letras são bastante simples e conheço razoavelmente os dois idiomas. No caso de Partizan se za boi stiaga, achei o texto original e uma tradução italiana neste famoso portal de canções de protesto, que já utilizei muito no passado. Aí também, fiz várias buscas no Wikcionário.
A canção iugoslava, que tem claros traços dialetais croatas (notadamente o uso de -(i)je- ao invés de e, como em smjelo, osjetiti e svijest), também é conhecida como Pjesma o pesti (Canção sobre o punho) sendo “pjesma” também croata típico. Ela foi composta em 1943 por Vladimir Nazor (letra, um croata) e Oskar Danon (melodia, um judeu bósnio), originalmente começando com o verso “Uz Tita i Staljina, dva junačka sina” (Com Tito e Stalin, dois filhos heroicos). Segundo Danon, o povo espontaneamente “rebatizou” a canção, até a versão original ser oficialmente proibida com a ruptura entre Tito e Stalin, em 1948. A referência aos godos se deve à ideia corrente entre os fascistas croatas pró-Hitler, segundo a qual seu povo teria mais origens góticas do que eslavas, algo refutado pelos comunistas. Enquanto essa era uma peça do culto à personalidade do marechal, Partizan se za boi stiaga tem autoria anônima, datando essa gravação de 1974 pelo Coral do Comitê de Televisão e Rádio da Bulgária socialista.
Escolhi usar a palavra partisan em francês, mais adequada ao contexto de 1939-45 e mais abrangente, equivalente ao eslavo meridional partizan (com “z”) e ao italiano partigiano Em francês, significa literalmente “partidário” ou “relativo a partido(s)”, mas evitei “guerrilheiro”, que às vezes é justamente traduzido como partisan fora do contexto europeu, porque a meu ver os partisans era apenas alguns dos adeptos, como vários em outros tempos e lugares, da “tática de guerrilha”. Não sei se também foi o Partizanski pevski zbor que gravou a canção iugoslava, mas o mesmo áudio está em vários vídeos, inclusive algumas traduções pro português que ignorei. Um dos vídeos em búlgaro tem a letra original, e o outro, em tom um pouco distinto, apenas o áudio lançado com direitos autorais:
Com o filho heroico Marechal Tito,
Somos todos de antiga linhagem, não godos,
Todos os dedos nas mãos, na miséria e tormento
____________________
Rod prastari svi smo, a Goti mi nismo,
Sve prste na ruci u jadu i muci
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Род прастари сви смо, а Готи ми нисмо
Све прсте на руци у јаду и муци
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Um partisan se prepara pra luta,
“Estou indo à luta feroz,
Certa manhã chegou uma carta.
“Seu filho já foi morto
A mãe, ao invés de chorar,
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“Аз отивам в боя люти,
Една сутрин писмо стига.
“Твоят син е веч загинал
Вместо майка да заплаче,
____________________
“Az otivam v boia liuti,
Edna sutrin pismo stiga.
“Tvoiat sin e vech zaginal
Vmesto maika da zaplache,
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Este texto publicado na imprensa russa online em 12 de janeiro de 2021 se chama em português “A história da canção Estou muito feliz, pois finalmente estou voltando pra casa (Vokalíz)”, faixa que ficou conhecida no Ocidente pelo meme apresentando o cantor soviético-russo Eduard Anatolievich Khil (1934-2012) num clipe cantarolado sem letras. Infelizmente, este artigo guardado em meus backups não tinha indicação de autoria nem o endereço original. Porém, consegui achar usando o Yandex (mas não o Google) uma cópia, ainda sem assinatura, nesta publicação aberta da rede social VK.
Os fanáticos pela cultura russa e pela história soviética devem estar cheios de ouvir falar do grande barítono que terminou seus dias (satisfeito, ao que parece!) conhecido como “Trololó” mundo afora. Mas o texto que acabo de traduzir traz alguns detalhes engraçados e comoventes, como a briga entre o autor da melodia e o ex-futuro letrista e a brincadeira que Khil fazia com a canção em shows no exterior, dizendo que ia cantar na língua local, rs. Além disso, ao longo dos anos já publiquei vários materiais relacionados a Khil e a produções derivadas do Vokaliz, mas nenhuma história completa, ao contrário do que fiz, por exemplo, com o “Dmitri descobre” e o “9999 Gold”. Divirta-se!

Eduard Khil cantou essa vocalização (vokalíz) pela primeira vez ainda em 1965 e então passou frequentemente a inclui-la nos repertórios dos shows que fazia na URSS e no exterior. O público sempre a recebia calorosamente, mas a composição só “estourou” de verdade em 2009, quando um vídeo musical com a faixa caiu no gosto dos internautas.
O interessante é que a thumb vocal do célebre cantor soviético e russo foi tornada um meme superpopular pela audiência anglófona que apelidou Khil de “Mr. Trololo”.
A história do Vokaliz de Eduard Khil – A melodia da obra foi composta por Arkadi Ostrovski. Pressupunha-se que seria uma canção com letra de Vadim Semernin, mas depois o compositor decidiu se virar sem o texto.
Eduard Khil compartilhou recordações sobre a história da composição da canção Estou muito feliz, pois finalmente estou voltando pra casa (Rossiiskaia gazeta, 2010):
A canção era bastante fácil de cantar. Ainda mais que não tinha letra... Embora de início uma letra tivesse sido planejada. Depois que Arkadi Ostrovski compôs a melodia dessa canção, por um longo tempo não conseguimos escolher os versos adequados. Alguns poetas tentaram escrever uma letra, mas todas as variantes propostas foram rejeitadas. A que mais nos agradou foi uma letra cômica sobre um caubói:“John em seu alazão [mustang], pelas vastidões da pradaria, corre para ver sua amada Mary, que vive no estado do Kentucky e está o esperando, tricotando meias de lã para ele...”
Mas na época soviética, não me permitiram cantar uma música com uma letra assim. No final, Ostrovski disse: “Nesse caso, que seja então uma vocalização!” E, de fato, foi o que fizemos. A única coisa que restou do texto inicial da canção foi o título Estou muito feliz, pois finalmente estou voltando pra casa.
Segue abaixo um vídeo da canção num velho registro de show.
Mikhail, filho do compositor Arkadi Ostrovski, afirmou que a censura não proibiu a letra da canção (Rossiiskaia gazeta, 2010):
Só que a história com o Vokaliz contada pelo Ed Khil não é toda verdade: ninguém proibiu a letra, meu pai simplesmente compôs a melodia num tempo em que estava brigado com o poeta Lev Oshanin. Este lhe disse que o principal numa canção era a letra e que sem o poeta, o compositor não era nada. E então meu pai lhe disse no calor da briga: “Então não preciso da tua letra pra nada, eu me viro”. Não sei pra quê Khil contou de outro jeito. Ou sua memória o traiu, ou a lenda assim o exige”.
Mais um trecho da entrevista de Mikhail Ostrovski:
O Vokaliz foi composto durante uma discussão com Lev Oshanin. Trabalhando, eles frequentemente brigavam, faziam as pazes e brigavam de novo. E eis que um belo dia, do fundo do peito, meu pai berrou: “E eu não preciso da tua letra pra canção, vou compor uma canção sem letra”. E assim nasceu o Vokaliz.
Decida você mesmo qual das duas versões da história da composição parece ser a mais verossímil.
A gravação e o lançamento do Vokaliz – O compositor não pensou muito até escolher um intérprete. Conta Mikhail Ostrovski (Rossiiskaia gazeta):
Mais do que tudo, a melodia animada combinava com Eduard Khil. Então ele a entregou a Khil. Inspirados, eles a ensaiaram longamente em casa. E quando foram gravar a canção com arranjos, nosso notabilíssimo maestro Iuri Silantiev, como contou o próprio Khil, se indignou: “Como que isso não tem letra???” Chamaram o poeta V. Semernin, com quem meu pai antes disso tinha composto Aist (A cegonha).
Eduard Khil frequentemente interpretava o Vokaliz em shows e não raro o cantava em turnês internacionais. Vamos ler as recordações do artista (Rossiiskaia gazeta, 2010):
Todas as canções de Ostrovski resultavam alegres… O Vokaliz contém em si o mesmo humor. Depois que o interpretei pela primeira vez na década de 1960, ele começou a se popularizar com bastante rapidez. Mesmo 40 anos atrás, invariavelmente o público reagia bem a essa canção na Rússia, na Suécia, na Alemanha... Por exemplo, me lembro que quando chegamos pra uma turnê na Holanda, eu entrei no palco e brinquei, falando à plateia: “Agora vou cantar pra vocês esta canção em holandês sem sotaque”, e comecei: “Lá, lá, lá...”.
Eduard Khil contou sobre o Vokaliz em apresentações no exterior (Life.ru):
Graças à ausência de letra na canção, podia interpretá-la em todas as línguas. Chegando à Alemanha, disse ao público que cantaria uma canção em alemão. As pessoas pensavam que seria realmente isso. Esperavam a hora de terminar esses inacabáveis “lá, lá, lá” na primeira estrofe, depois na segunda, e na terceira estrofe começavam a rir. Na Holanda eu dizia que ia cantar uma canção em holandês e assim por diante. E por coincidência, esse mesmo clipe que caiu na internet foi filmado na Suécia. E esse mesmo terno com o qual interpreto o hit eu comprei na Suécia.
O clipe Estou muito feliz, pois finalmente estou voltando pra casa – Fãs reuniram num único vídeo musical as famosas gravações do Vokaliz a partir de diversos shows de Eduard Khil. Assista ao clipe:
A história do “Trololó” – Por volta do fim de 2009, um clipe com o Vokaliz foi publicado na internet. Em literalmente poucos meses, o vídeo filmado pro especial de TV Canções de Arkadi Ostrovski. Canta Eduard Khil (1976) alcançou alguns milhões de visualizações.
Os internautas estrangeiros se apaixonaram pelo artista russo, que foi apelidado no Ocidente desenvolvido de “Mr. Trololo”. Eduard Khil ficou sabendo da popularidade inesperada graças ao neto:
Ele se aproximou da escola de começou a cantarolar: “Lalá, lalá, lalá! Urra-rá-rá”. Me lembro que então ainda estava espantado sobre por que foi que de repente ele se lembrou dessa canção. E ele correu até mim e disse: “Vovô, sua música se tornou um hit de novo! Eu vi na internet”. Disse que estavam até vendendo online camisetas e bótons com meus retratos.Reconheço que no começo fiquei confuso, mas depois liguei o computador e vi que era realmente isso. Por toda parte, vídeos feitos com essa canção: estudantes, donas de casa e empregados de escritório me imitavam e lançavam os vídeos na rede mundial.
Khil afirma que as paródias filmadas pelos fãs não o ofendem nem um pouquinho. Ele também contou de qual clipe mais gostou (Rossiiskaia gazeta, 2010):
É claro que foi do vídeo do ator Christoph Waltz! Não é todo dia que você vê um ganhador do Oscar te imitando. Ele encarnou bem o papel: parodiou não somente meu jeito de interpretar a canção, mas também tentou recriar a decoração do clipe.
Vamos assistir à paródia musical de Vokaliz, nomeada Der Humpink e gravada por Christoph Waltz:
Covers de Estou muito feliz... – A obra também foi interpretada por outros artistas. Eis Muslim Magomaiev cantando o Vokaliz:
O Vokaliz na versão de Valeri Obodzinski:
E agora o Vokaliz de János Koós, que cantou com uma letra em húngaro [veja minha tradução em português]:
Curiosidades:
Citações sobre a canção:
Já faz uns 40 anos que tenho amizade com o Ed. Meu pai o estimava muito. E se ele ainda estivesse vivo, teria ficado doido de felicidade com o sucesso mundial do Vokaliz. Pra ele, o principal prêmio sempre era não o dinheiro, mas a popularidade de suas canções. Vocês precisavam ver o que se passava com ele quando encontrava na rua um grupo de amigos entoando alto um hit seu. (Mikhail Ostrovski, Rossiiskaia gazeta, 2010)
Fico feliz que o humor contido no Vokaliz não se apagou, mas vive até hoje. (Eduard Khil, Rossiiskaia gazeta, 2010)
Tudo isso é muito bom. Agora posso me apresentar usando não o nome Eduard Khil, mas o pseudônimo “Trololoman”. Pelo menos, estou considerando essa hipótese. (Eduard Khil, RIA Novosti)

Embora meu primeiro serviço de tradução tenha sido publicado em 2017 na coletânea Manifestos vermelhos e outros textos históricos da Revolução Russa, sob a coordenação de Daniel Aarão Reis (a quem sempre vou ser grato por essa oportunidade), esta semana decidi trazer à página alguns dos textos que foram aí publicados, pois certamente sofreram alguma alteração dos editores e algum dia o livro pode se tornar raridade. Em 2022 eu já tinha publicado minhas traduções que não saíram na coletânea, mas agora trago meus outros originais, ainda que sob o risco de estar infringindo algum direito autoral. Infelizmente, nem todos os documentos em russo me foram fornecidos com a indicação da fonte, portanto, ela quase sempre vai estar ausente, mas quando a base mesma da tradução tiver sido conservada, ela vai aparecer após minha tradução ao português, com a ortografia atualizada.
Hoje temos minha tradução da “Declaração do Governo Provisório” (От Временного правительства), que expressa, como o título já diz, os planos do primeiro grupo que substituiu o governo imperial do tsar após sua renúncia, no início de março de 1917. Esse é o principal marco da chamada “Revolução de Fevereiro” (porque ainda era esse mês no antigo calendário), ainda controlada por velhos elementos, como o príncipe Lvov, mas possibilitada pela insurreição popular. Várias formações se sucederiam até o vácuo de poder aproveitado pelos bolcheviques em novembro de 1917. Como não tive tempo de fazer novas revisões, me responsabilizo por eventuais erros ou imprecisões. Qualquer observação é bem-vinda, bastando escolher um dos canais de comunicação que apresento no menu à direita da página.

Cidadãos!
O Comitê Provisório da Duma Estatal, com a ajuda e a aprovação das tropas e habitantes da capital, tem conseguido atualmente, sobre as obscuras forças do antigo regime, um grau de êxito que lhe permite lançar-se à mais sólida organização do Poder Executivo.
Com esse objetivo o Comitê Provisório da Duma Estatal designa como ministros do primeiro gabinete público as seguintes personalidades, cuja atividade social e política anterior lhes assegurou confiança dentro do país:
Príncipe G. Ie. Lvov, Presidente do Conselho de Ministros e Ministro do Interior; P. N. Miliukov, Ministro das Relações Exteriores; A. I. Guchkov, Ministro de Guerra e Mar; N. V. Nekrasov, Ministro das Comunicações; A. I. Konovalov, Ministro da Indústria e Comércio; M. I. Tereschenko, Ministro das Finanças; A. A. Manuilov, Ministro da Educação; V. N. Lvov, Procurador-Geral do Santíssimo Sínodo; A. I. Shingariov, Ministro da Agricultura; A. F. Kerenski, Ministro da Justiça.
Os fundamentos que nortearão a presente atividade do gabinete serão os seguintes:
O Governo Provisório considera seu dever acrescentar que em hipótese alguma ele tenciona aproveitar-se das circunstâncias da guerra para protelar a realização de qualquer uma das reformas e medidas supracitadas.
M. Rodzianko, Presidente da Duma Estatal; Príncipe Lvov, Presidente do Conselho de Ministros; Miliukov, Nekrasov, Manuilov, Konovalov, Tereschenko, V. Lvov, Shingariov e Kerenski, ministros.
Граждане!
Временный комитет Государственной думы при содействии и сочувствии столичных войск и населения достиг в настоящее время такой степени успеха над темными силами старого режима, который дозволяет ему приступить к более прочному устройству исполнительной власти.
Для этой цели Временный комитет Государственной думы назначает министрами первого общественного кабинета следующих лиц, доверие к которым страны обеспечено их прошлой общественной и политической деятельностью.
Председатель Совета министров и министр внутренних дел – князь Г.Е. Львов. Министр иностранных дел – П.Н. Милюков. Министр военный и морской – А.И. Гучков. Министр путей сообщения – Н.В. Некрасов. Министр торговли и промышленности – А.И. Коновалов. Министр финансов – М.И. Терещенко. Министр просвещения – А.А. Мануйлов. Обер-прокурор Святейшего Синода – В.Н. Львов. Министр земледелия – А.И. Шингарев. Министр юстиции – А.Ф. Керенский.
В своей настоящей деятельности кабинет будет руководствоваться основаниями:
Временное правительство считает своим долгом присовокупить, что оно отнюдь не намерено воспользоваться военными обстоятельствами для какого-либо промедления в осуществлении вышеизложенных реформ и мероприятий.
Председатель Государственной думы М.Родзянко. Председатель Совета министров кн. Львов. Министры: Милюков, Некрасов, Мануйлов, Коновалов, Терещенко, В.Львов, Шингарев, Керенский.

Embora meu primeiro serviço de tradução tenha sido publicado em 2017 na coletânea Manifestos vermelhos e outros textos históricos da Revolução Russa, sob a coordenação de Daniel Aarão Reis (a quem sempre vou ser grato por essa oportunidade), esta semana decidi trazer à página alguns dos textos que foram aí publicados, pois certamente sofreram alguma alteração dos editores e algum dia o livro pode se tornar raridade. Em 2022 eu já tinha publicado minhas traduções que não saíram na coletânea, mas agora trago meus outros originais, ainda que sob o risco de estar infringindo algum direito autoral. Infelizmente, nem todos os documentos em russo me foram fornecidos com a indicação da fonte, portanto, ela quase sempre vai estar ausente, mas quando a base mesma da tradução tiver sido conservada, ela vai aparecer após minha tradução ao português, com a ortografia atualizada.
Hoje temos um documento chamado Ordem do dia n.º 1, 1.º de março de 1917 (Приказ № 1, 1 марта 1917 года), que pode ser considerado o primeiro decreto do Governo Provisório instalado durante a queda do tsar, o monarca imperial russo. Como vimos anteontem, Nicolau 2.º renunciou em prol de outro membro da família real, visando sanar o que ele considerava uma “grande crise” pra poder salvar o regime. Porém, esta declaração mostra como o poder efetivo já estava nas mãos dos chamados “sovietes”, conselhos de autogestão formados por trabalhadores e militares de baixa patente. O mais importante deles era o de Petrogrado (Leningrado no período soviético, São Petersburgo atualmente), então capital do império. Por alguma razão, “prikáz” se tornou “ordem de trabalho” no livro, mas tem o mesmo sentido de “comando”, “ordem militar” etc.
Como não tive tempo de fazer novas revisões, me responsabilizo por eventuais erros ou imprecisões. Qualquer observação é bem-vinda, bastando escolher um dos canais de comunicação que apresento no menu à direita da página.

Da guarnição do Distrito Militar de Petrogrado a todos os soldados da guarda, do exército, da artilharia e da marinha para exato e imediato cumprimento, e aos operários de Petrogrado para conhecimento.
O Soviete de Deputados Operários e Soldados decreta:
1) Que em todas as companhias, batalhões, regimentos, parques de artilharia, baterias, esquadrões e serviços especiais com tipos diversos de direções militares, bem como nos tribunais da marinha de guerra, elejam-se imediatamente comitês com representantes escolhidos dentre as baixas patentes das unidades militares supracitadas.
2) Que cada unidade militar onde ainda não tenham sido eleitos representantes para o Soviete de Deputados Operários escolha um representante das companhias, o qual deverá também se dirigir com atestados escritos ao prédio da Duma Estatal às 10 horas da manhã do dia 2 de março do corrente.
3) Todas as manifestações políticas da unidade militar estão submetidas ao Soviete de Deputados Operários e Soldados e a seus próprios comitês.
4) As ordens do dia da comissão militar da Duma Estatal somente devem ser cumpridas se não estiverem em desacordo com os decretos e resoluções do Soviete de Deputados Operários e Camponeses.
5) Todo o tipo de armamento, tal como fuzis, metralhadoras, carros blindados e outros, deve encontrar-se à disposição e sob o controle dos comitês das companhias e batalhões, e em hipótese alguma deve ser entregue aos oficiais, mesmo se eles assim o exigirem.
6) Em seus postos e no exercício de suas funções, os soldados devem observar a mais severa disciplina militar, mas fora do serviço e do posto, em sua vida política, civil e privada, eles não devem gozar de nenhum direito a menos de que gozam todos os outros cidadãos.
Em particular, estão abolidas a posição de sentido e a continência obrigatória fora do serviço.
7) De forma idêntica, estão abolidas as fórmulas de tratamento aos oficiais: vossa excelência, vossa honra etc., que serão substituídas pelos apelativos: senhor general, senhor coronel etc.
Está proibido tratar grosseiramente os soldados de qualquer patente militar e, em particular, usar com eles o pronome “tu”, e sempre que isso for infringido, bem como nos casos de mal-entendidos entre oficiais e soldados, cumpre a estes últimos levá-los ao conhecimento dos comitês de companhia.
A presente ordem do dia deve ser lida em todas as companhias, batalhões, regimentos, tripulações, baterias e demais destacamentos de combate ou auxiliares.
По гарнизону Петроградского округа всем солдатам гвардии, армии, артиллерии и флота для немедленного и точного исполнения, а рабочим Петрограда для сведения.
Совет Рабочих й Солдатских Депутатов постановил:
1) Во всех ротах, батальонах, полках, парках, батареях, эскадронах и отдельных службах разного рода военных управлений и на судах военного флота немедленно выбрать комитеты из выборных представителей от нижних чинов вышеуказанных воинских частей.
2) Во всех воинских частях, которые еще не выбрали своих представителей в Совет Рабочих Депутатов, избрать по одному представителю от рот, которым и явиться с письменными удостоверениями в здание Государственной Думы к 10 часам утра 2-го сего марта.
3) Во всех своих политических выступлениях воинская часть подчиняется Совету Рабочих и Солдатских Депутатов и своим комитетам.
4) Приказы военной комиссии Государственной Думы следует исполнять только в тех случаях, когда они не противоречат приказам и постановлениям Совета Рабочих и Солдатских Депутатов.
5) Всякого рода оружие, как-то: винтовки, пулеметы, бронированные автомобили и прочее, должно находиться в распоряжении и под контролем ротных и батальонных комитетов и ни в коем случае не выдаваться офицерам, даже по их требованиям.
6) В строю и при отправлении служебных обязанностей солдаты должны соблюдать строжайшую воинскую дисциплину, но вне службы и строя в своей политической, общегражданской и частной жизни солдаты ни в чем не могут быть умалены в тех правах, коими пользуются все граждане.
В частности, вставание во фронт и обязательное отдание чести вне службы отменяется.
7) Равным образом отменяется титулование офицеров: ваше превосходительство, благородие и т. п. и заменяется обращением: господин генерал, господин полковник и т. д.
Грубое обращение с солдатами всяких воинских чинов и, в частности, обращение к ним на “ты” воспрещается, и о всяком нарушении сего, равно как и о всех недоразумениях между офицерами и солдатами, последние обязаны доводить до сведения ротных комитетов.
Настоящий приказ прочесть во всех ротах, батальонах, полках, экипажах, батареях и прочих строевых и нестроевых командах.

Meu colega de um curso online de língua ucraniana, Luciano Klusczkowski, está cada vez mais empenhado em trabalhos musicais de diversos tipos, e entre aulas e apresentações, ele quase não para, rs. Morador de Guarapuava, cidade do Paraná com importante colônia de descendentes de ucranianos, ele fez a gentileza de me enviar a execução coral da canção popular anônima “Летіла зозуля через мою хату” (Letíla zozúlia cheréz moiú khátu), Um cuco estava voando através de minha choupana, na qual ele toca o harmônio, instrumento de foles usado primordialmente na música indiana. Luciano está muito feliz por avançar na unificação dos corais das igrejas ucranianas locais de São Nicolau Madeirit e da Assunção de Nossa Senhora, que aparecem no belo vídeo abaixo.
Infelizmente, a letra completa não é cantada, e segue também uma interpretação no YouTube. Dada a falta de tempo, não traduzi diretamente do original ucraniano indicado acima, o qual, porém, usei a título de comparação. Usei as traduções em inglês do coral (que curiosidade!) Béloie Zláto, deste arquivo em formato DOC (que também tem a partitura) e, em menor grau, de um dos maiores portais de letras traduzidas do mundo. Traduzi tanto kozák quanto kozachénko como “cossaco”, ignorando o sufixo diminutivo. E o verbo que designa especificamente o canto do cuco na segunda estrofe, kuváty, não tem tradução exata em português.
Em todas as estrofes, os dois últimos versos são repetidos, o que não indiquei na escrita. E como bônus, segue ao final um vídeo exclusivo com Luciano e outros amigos tocando Щедрик (Shchédryk), composta por Mykóla Leontóvych e considerada a melodia ucraniana mais conhecida no mundo, embora poucos conheçam seu uso original como canção de Ano Novo. Ele mesmo pediu pra divulgar sua arte sempre mais frutífera, portanto, colabore você também pra viralização desse talento:
Um cuco estava voando
“Oh, pelo quê, cuco
“Se eu não tivesse ouvido
“Oh, meu Deus
O cossaco é casado
“Eu vou alugar
O cossaco foi passear
“Oh Deus, meu Deus,
Não tanto pela mulher
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Летіла зозуля
“Ой, чого ж, зозуле
“Як би не чувала
“Ой, Боже ж мой, Боже
Козак має жінку
“А я й тих діточок
Гуляв козаченько
“Ой, Боже ж мой, Боже
Не так вже й за жінку
|
Outra canção que eu queria ver legendada no antigo Pan-Eslavo Brasil, mas pra qual não sobrou tempo! Como dever de honra, mesmo que seja um material já muito difundido na internet, trago nesta quase virada de ano a canção ídiche “דזשאַנקױע” (Dzhankoye), às vezes também conhecida como Hey, Zhankoye!, em referência a uma pequena cidade na Crimeia chamada Dzhankói (tanto em russo quanto em ucraniano). Há também referência às linhas férreas que se cruzavam lá e causavam muita impressão na população. A adição da letra “e” é exclusividade do idioma judaico-germânico, que era muito mais falado na Europa, sobretudo Oriental, antes do Holocausto e da escolha do hebraico moderno como língua oficial do novo Estado de Israel.
Segundo este site que traz a letra original, a transliteração pro alfabeto latino e uma tradução em inglês, Dzhankoye é uma canção folclórica sem autor definido, executada pelos agricultores judeus na Crimeia a partir de meados da década de 1920. Como a península tem grande influência turca (e lá também vivem tártaros e os chamados “tártaros da Crimeia”, de línguas túrquicas), muitos internautas sugeriram uma relação da repetição de “dzhan” com a palavra turca can (“querido/a”), que tem a mesma pronúncia “dján”. A primeira publicação foi feita em 1938 por Moishe Beregovski-ltsik Fefer, e desde então várias gravações antigas e recentes têm sido feitas, dentre as quais se destacam as dos grupos The Limeliters e Klezmatics e dos cantores Pete Seeger e Theodore Bikel.
Neste tópico de discussão numa página no Reddit, há também outras traduções alternativas em português e outras informações sobre o contexto da canção. Abaixo coloquei minhas versões preferidas (primeira, do cantor Frieder Breitkreutz, e segunda, do grupo Oy Vey), além da tradução em português que fiz confrontando a disponível no referido portal e a que achei num comentário do YouTube, ambas em inglês. Os áudios, obviamente, podem variar com o que publiquei aqui, baseado essencialmente naquele site:
1. אַז מען פֿאָרט קײן סעװאַסטאָפּאָל
רעפֿרײן:
2. ענטפֿערט, ייִדן, אױף מײַן קשיא
(רעפֿרײן) 3. װער זאָגט, אַז ייִדן קאָנען נאָר האַנדלען
(רעפֿרײן) ____________________
Refreyn:
2. Ver zogt, az yidn konen nor handlen
(Refreyn) 3. Entfert, yִidn, oyf mayn kashe
(Refreyn) ____________________
Refrão:
2. Pessoal, respondam à minha pergunta
(Refrão) 3. Quem disse que judeus só sabem comerciar
(Refrão) |
