Há quem diga que o papa polonês João Paulo 2.º não era poliglota, mas apenas (cito de memória) “decorava e exibia algumas frases”. A opinião é suspeita, pois há muitos anos eu era inscrito numa lista de e-mails de uma falecido professor universitário aposentado “anti-imperialista” (leia-se pró-Putin, embora ele não declarasse), materialista e que expressou essa ideia, embora eu prefira não citar seu nome. Mas a verdade é que o bispo Karoł Wojtyła estudava, sim, vários dos idiomas em que se expressava, inclusive o português, que teria aprendido com um cardeal na década de 1970. Prova de seu relativo domínio são as várias visitas que fez ao Brasil durante seu pontificado, em que falava – inclusive com repórteres – ou discursava sem ler nenhum papel. Realmente, é muito rancor pra pouco acadêmico...
Isso fez com que no imaginário popular, o “João de Deus” (não o abusador de Abadiânia!) ficasse associado à figura de um poliglota. Dessa forma, seria redundante republicar aqui qualquer vídeo seu falando português. Seja como for, esse não parece ter sido o caso de seus sucessores alemão (Bento 16), argentino (Francisco) e americano (Leão 14). Pros dois últimos pontífices, temos registros de discursos seus completos na língua de Camões e de Machado, ainda que a pronúncia pareça ter sido aprendida em seu básico. Mas creio que apenas o bispo Robert Prevost realmente tenha estudado alguns idiomas, pois o bispo Jorge Bergoglio se recusava a rezar missa em inglês até mesmo nos EUA.
O que quero lhes trazer aqui hoje são dois discursos completos em português, apenas com o vídeo (cujos trechos cortei das publicações originais) e sem as transcrições, do papa Francisco no Brasil, em 28 de julho de 2013 (pouco depois de assumir e por ocasião da Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro), e do papa Leão 14 em Angola, em 18 de abril de 2026 (recebido por autoridades na capital Luanda).
Um fato curioso sobre a estadia do argentino em nosso país é que eu vi a despedida, na data mencionada, ao vivo pela TV Globo e a tinha até hoje na recordação, mas só alguns dias atrás resolvi procurar o vídeo no YouTube. Achei no canal da televisão estatal, e duas coisas chamam a atenção: a presença do então “vice-presidente decorativo” Michel Temer no lugar da titular Dilma Rousseff e a rara execução instrumental completa da Marcha Pontifícia, o hino não oficial do Vaticano. Mais engraçado ainda é ver o Vampirão Maçom com as mãos entrelaçadas como se fosse o Drácula, sem que suspeitássemos da iminente vinda do “gópi de 16”, rs.
Pra sua diversão e prazer, também separadas, seguem abaixo as execuções instrumentais da Marcha Pontifícia e do Hino Nacional Brasileiro em 2013, que quase fizeram o “Papa Chico” dormir em pé, apesar dos gritos histéricos da multidão que cantava frases estranhas:
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