Mostrando postagens com marcador Língua portuguesa. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Língua portuguesa. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Dilma “esqueceu” o que tava falando?

Ha messo la prima ed è partita. E come fermarla? È impossibile!” Hahaha!


Há muito tempo queria abordar esta viagem de Dilma Rousseff à Itália, que foi outro exemplo em que ela se pôs em maus lençóis na relação com os idiomas. Eu achava que ainda tinha sido sob seu mandato, porém, descobri que o referido discurso foi feito em 27 de janeiro de 2017, ou seja, durante o que foi apelidado de “turnê do gópi” pela Europa. Uma dessas paradas incluiu a Espanha, onde junto a militantes socialistas ela proferiu alguns dos discursos em ibero-dilmês (ou “dilmunhol”, como outros batizaram), um portunhol particular cuja exibição foi realmente vexatória e desnecessária.

Mesmo que na Universidade de Salento, na cidade de Lecce, bem no sul da Itália, Dilma não estivesse tentando balbuciar a língua de Dante, mantive o padrão das outras vezes em que ela realmente desembestou seus talentos, usando o endereço curto “dilmait” (it = italiano, óbvio), como fiz por ocasião do francês (“dilmafr”, mesma turnê) e do búlgaro (2011). Foi uma questão de organização mesmo. Mas a razão desta publicação não foi lançar mais um meme da família do “saudar a mandioca” e do “estocar vento”, mas tentar desmentir uma injustiça e desfazer um mal-entendido.

Quem me conhece há anos e quem acompanha meu trabalho desde o início, conhece mais ou menos minhas opções político-ideológicas e como escolho candidatos na latrina eleitoral urna. Votei em Dilma duas vezes, na primeira porque apostei que podia fazer melhor o que eu achava que Lula (com cuja pessoa nunca simpatizei) tinha feito de bom, e na segunda porque simplesmente Aécio Neves não me desce. A retórica dela era péssima, mas jamais foi comprovado um único caso de corrupção contra ela; pelo contrário, a faxina que ela tentou promover mesmo no próprio governo acelerou sua queda (a qual, aceitemos, teve base legal). Ainda prefiro ter apoiado uma vítima da tortura do regime terrorista imposto em 1964 do que justamente um de seus bajuladores, saudosistas e defensores: o boca de esgoto Jair Messias, toda a família Bolsonaro e seus apoiadores fanáticos e agressivos.

Outra coisa: nunca poupei um político, partido, regime ou ideologia, meu pensamento sempre foi estilo Casseta & Planeta, isto é, não perdoar ninguém, ainda que a zoeira seja relativamente leve. Não é por menos que publiquei todas as outras “poliglotices” de Dilma e volta e meia chamo nosso futuro presidente “tetracampeão” de Jararaca e Molusco. Porém, se tem uma coisa que abomino é injustiça, calúnia e manipulação, algo recorrente na mídia tradicional antes que as redes sociais as engolissem e regra geral entre as milícias digitais em tempos de conteúdo completamente artificial. E mesmo mídias reputadamente “sabão-em-pó” como UOL e Veja se deixaram embarcar na mentira rancorosa.

Um desses exemplos é o de um tal Reinaldo Polito, que no UOL se apresentava como especialista em oratória e propagou a distorção de que Dilma tinha “esquecido o que estava falando” na Itália. Porém, ninguém aproveitou mais a ocasião pra destilar sua misoginia reacionária quanto Augusto “Covarde” Nunes quando ainda trabalhava pra Abril, em seu compilado que (pra nossa alegria, convenhamos) traz também a transcrição das alocuções em “dilmunhol”. Pra todos os efeitos, ele foi minha fonte principal, mas vamos pôr “Os Pingos nos Is”. (Se duvidam da grave acusação de misoginia, reparem que ele e um comparsa mantiveram por anos no portal a etiqueta “dilmês” não tanto pra atacar os delírios da “nova matriz econômica”, mas sobretudo, como todo crácico do gênero, pra chamar a primeira mulher eleita chefe de Estado de burra, louca e petulante.)

Nunes jamais usou esse tom e linguagem com seu ex-milico de estimação que dispensa nomeação, apesar dos ataques contra mulheres jornalistas, do negacionismo científico, do baixíssimo calão nas mais diversas ocasiões (mesmo que o Véio do Chapéu volta e meia recaia no mesmo vício) e do ódio que propaga contra diversos grupos vulneráveis ou meramente discordantes. Ao modo de Alexandre Garcia, ele “se chutou” de todos os veículos que ainda dependiam da mamata foderal e encontrou seu nicho entre a escumalha bolsonarista que se reagrupou na “revista” Oeste. O duplo padrão é asqueroso, mas há nove anos ele ainda propalava que Dilma “esquecia” seus discursos, quando na verdade não foi bem assim.



Não pude localizar a íntegra, e infelizmente a publicação de Nunes é um dos poucos registros daquele dia do qual me lembro mais ou menos bem. Não vamos julgar Dilma politicamente nem mesmo a utilidade de sua “euroturnê”, mas nos ater ao óbvio: ela estava sendo interpretada por uma profissional, isto é, não incorreu em fazer o imbróglio que abriu tanto flanco a seus detratores naqueles dias. Qual foi o problema? Ela simplesmente “desembestou” a falar e literalmente esqueceu que precisava dar pausas porque a interpretação era consecutiva.

Claro que numa hora dessas, em que os próprios nervos não ajudam muito, a gente nem sempre expressa limpidamente nossos pensamentos, e “Esqueci que tava falando” (e não “o que tava falando”, o que faz toda a diferença!) deve ser interpretado como esquecer que estava sendo interpretada e, portanto, continuar discursando como se a audiência a estivesse entendendo. Sim, dois lapsos típicos do “dilmaware”: ignorar a intérprete e não achar as palavras certas pra se fazer entender. Mas a oposição babante lhe atribuiu um terceiro lapso, inexistente, e seguiu divulgando “esqueci o que tava” no lugar de “esqueci que tava” sem o menor escrúpulo.

Porém, nunca compro passagem pra uma viagem perdida. Portanto, quem vai ganhar nosso Troféu Joinha de hoje é a intérprete, cuja identidade e destino não localizei, rs. Ela pelo menos, depois de uma gargalhada muito mais engraçada que qualquer verborreia de político, aproveita pra tirar uma da cara da ex-presidentA quando esta se lembra (mas não se esquece!) de sua existência, dizendo “Esqueci” (que havia uma intérprete, claro), e responde “Mas eu tento” (isto é, “Vou tentar retomar tudo e traduzir do dilmês pro toscano”...). Quando Dilma profere um “Engrenei uma primeira e fui”, ela traduz, curiosamente na terceira pessoa, “Ha messo la prima ed è partita” e acrescenta da própria lavra “E come fermarla? È impossibile! Allora ci provo” (E como a parar? É impossível? Então vou tentar [traduzir]).



“Modus bolsonarandi”!


Não sei se foi exigido atestado ideológico pra moça atuar como intérprete, se ela já integrava a trupe, se simplesmente foi contratada como autônoma ou se fazia mesmo parte dos membros da universidade. Porém, tenha sido ou não a tirada interpretada “na boa”, foi muito melhor que o fechamento da matéria da Veja com um “Já foi tarde” pelo “Covarde”. Afinal, o Mito dele foi tarde até demais, e como diria Cid Gomes, também “está preso, babaca!”.

Antes que eu é quem me esqueça, descobri por acaso, pesquisando material pra esta humilde publicação, que o Verdevaldo recentemente deu uma entrevista pra seu ex-agressor no vlogueco em que este atua, na ocasião do que seria uma “reconciliação”. Título constrangedor demais... Tanto mais quando sabemos que agora é o ex-Intercept quem passou pro lado do conspiracionismo e se uniu ao antigo desafeto pra ambos centrarem fogo no Xandão. Igual o Picolé de Chuchu, que em 2006 disse que “ele quer voltar à cena do crime”, mas em 2022 o chamou de “maior líder popular da história desse país”: é politicalha que chama???


terça-feira, 21 de abril de 2026

Leozinho e Chiquinho falando português

Há quem diga que o papa polonês João Paulo 2.º não era poliglota, mas apenas (cito de memória) “decorava e exibia algumas frases”. A opinião é suspeita, pois há muitos anos eu era inscrito numa lista de e-mails de uma falecido professor universitário aposentado “anti-imperialista” (leia-se pró-Putin, embora ele não declarasse), materialista e que expressou essa ideia, embora eu prefira não citar seu nome. Mas a verdade é que o bispo Karoł Wojtyła estudava, sim, vários dos idiomas em que se expressava, inclusive o português, que teria aprendido com um cardeal na década de 1970. Prova de seu relativo domínio são as várias visitas que fez ao Brasil durante seu pontificado, em que falava – inclusive com repórteres – ou discursava sem ler nenhum papel. Realmente, é muito rancor pra pouco acadêmico...

Isso fez com que no imaginário popular, o “João de Deus” (não o abusador de Abadiânia!) ficasse associado à figura de um poliglota. Dessa forma, seria redundante republicar aqui qualquer vídeo seu falando português. Seja como for, esse não parece ter sido o caso de seus sucessores alemão (Bento 16), argentino (Francisco) e americano (Leão 14). Pros dois últimos pontífices, temos registros de discursos seus completos na língua de Camões e de Machado, ainda que a pronúncia pareça ter sido aprendida em seu básico. Mas creio que apenas o bispo Robert Prevost realmente tenha estudado alguns idiomas, pois o bispo Jorge Bergoglio se recusava a rezar missa em inglês até mesmo nos EUA.

O que quero lhes trazer aqui hoje são dois discursos completos em português, apenas com o vídeo (cujos trechos cortei das publicações originais) e sem as transcrições, do papa Francisco no Brasil, em 28 de julho de 2013 (pouco depois de assumir e por ocasião da Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro), e do papa Leão 14 em Angola, em 18 de abril de 2026 (recebido por autoridades na capital Luanda).

Um fato curioso sobre a estadia do argentino em nosso país é que eu vi a despedida, na data mencionada, ao vivo pela TV Globo e a tinha até hoje na recordação, mas só alguns dias atrás resolvi procurar o vídeo no YouTube. Achei no canal da televisão estatal, e duas coisas chamam a atenção: a presença do então “vice-presidente decorativo” Michel Temer no lugar da titular Dilma Rousseff e a rara execução instrumental completa da Marcha Pontifícia, o hino não oficial do Vaticano. Mais engraçado ainda é ver o Vampirão Maçom com as mãos entrelaçadas como se fosse o Drácula, sem que suspeitássemos da iminente vinda do “gópi de 16”, rs.





Pra sua diversão e prazer, também separadas, seguem abaixo as execuções instrumentais da Marcha Pontifícia e do Hino Nacional Brasileiro em 2013, que quase fizeram o “Papa Chico” dormir em pé, apesar dos gritos histéricos da multidão que cantava frases estranhas:




quinta-feira, 16 de abril de 2026

FARMAR AURA


Hoje começamos com o alto astral dessa moçada bacana e pé-quente rumo ao Équiça, expressando meus votos pra essa Copa de Vinte e Seis, rs. Mas o assunto principal é outro: há uns dias, o portal Jeum lançou uma interessante matéria sobre “farmar aura”, uma gíria das gerações Z (nascida a partir de 1996) e alfa (nascida a partir de 2010 – haja alfabeto pra tanto capirotinho!) que eu mesmo, obviamente, não conhecia. Só cheguei no “tankar” e olhe lá:


Eles só se esqueceram de dizer que já entre 2004 e 2014, quando o computador de mesa ainda dominava sobre os smartphones, o povo já “farmava aura” no Orkut com as famosas pontuações de carinha (simpático), gelo (legal, ou seja, cool) e coração (atraente):


Esta publicação teve o patrocínio da Charcutaria Beirute. Frios, embutidos e tudo pro seu lanche com o Chico Anysio levantino, rs:


domingo, 18 de janeiro de 2026

O Véi Gagá não quer gente no país “dele”

Como diria aquele meme do bandido do Pica-Pau: “A gente se sente tão querido!” Mesmo não sendo de sua própria autoria, é muito gratificante ver o Véi Gagá se lembrando do público de língua portuguesa (brasileiros em específicos, acredito, porque português só migra pra França e Luxemburgo, e é muito difícil pros lusófonos africanos remarem até o outro lado do Atlântico). O problema é quando não sabemos se quem escreve essas coisas é alguém que tem o idioma de Camões como materno ou alguém que na verdade o aprendeu tardiamente, mas traduz as coisas conforme estruturas anglo-saxãs... Sim, é entendível, mas é robótico, ou, como dizem os tradutores, “não soa como português falado de verdade”!

Vou abstrair a neura xenofóbica e anti-imigração e me focar no ridículo comunicativo e linguístico, derivado justamente da raiva patológica. Primeiro, quem em sã consciência usaria ênclise (envia-OS) na linguagem coloquial? E mesmo que fosse proclítico (OS envia), o uso do pronome no “caso reto” (eles, vocês) seria muito mais comum. Se pegarmos a frase literal (“send them back”), a mesma forma é aceitável em muito mais contextos, pois ao contrário das tão flexionáveis e sintéticas línguas românicas e banto, o supremo e dominante inglês tem uma gramática que por vezes parece a de idiomas mais ou menos “isolantes”, como o chinês, o uolofe e o haitiano. Isso, claro, pode dar margem a muitas ambiguidades, e provavelmente foi a ambiguidade tradutória que pirou o cabeção do tradutor, quase certamente não nativo.

Outra possibilidade é que o ser tenha simplesmente jogado no Google e obtido essa nheca. De qualquer maneira, cabe reiterar mais um postulado da arte tradutória: não traduzimos apenas palavras, mas também estilos, e esse “estilo” (se é que dá pra chamar assim) nada tem a ver com nenhuma variante do português praticada no mundo. Ou melhor, em inglês soa normal na maioria das ocasiões; vertido literalmente fica parecendo a linguagem infantil do próprio Véi Gagá, cujo vocabulário é de uma criança entre 5 e 11 anos (“O limite de meu poder é minha própria moralidade”: valha-me Trotsky!). Ou seja, se trocarmos lugares, situações, verbos etc. por, digamos, um programa da Super Nanny ou um dia qualquer na pré-escola, está perfeito.

Se você já viu programas de humor antigos zoando com “gringos” e suas invasões de outros países ou falta de jeito no contato com outras culturas, parece mesmo seu jeito de falar. Agora, pra ficar perfeito, mentalize pra si ou imite você mesmo o texto abaixo com a voz do putinista Glenn “Verdevaldo” Greenwald: tente não explodir de rir após ver o resultado! Contudo, voltando à questão de estilo, não temos apenas a questão de como alguém expressaria a mesma ideia em português, mas temos também a imagem que o falante tem do mundo, neste caso, que o Véi Gagá tem de imigrantes, pobres, latinos, negros, não cristãos etc. em geral. Portanto, pra soar mais “brasileiro” ou de acordo com o fantasma que os WASP nutrem sobre seu público-alvo, eu recomendaria imitar o que chamamos de linguagem ou jargão “de mano” ou “de traficante”.

Mas no final das contas, como diria o sábio Dollynho, o mais brasileiro dos refrigerantes: “Ninguém quer ir mesmo pra sua droga de país, seu mongolão!”



Sigo sendo um leitor assíduo do portal Jeum, porque é minha fonte de informação imediata mais objetiva e, além de tudo, gratuita, sem os bloqueios da Foia e do Estabão. Porém, justamente por isso me sinto no direito de reclamar dos erros de digitação e, vez ou outra, zoar com eles. Este, por exemplo, até que fez sentido, pois depois de ser sequestrado pelo Véi Gagá e enfiado numa jaula e levando em conta sua alta estatura, o Saddam Tropical agora se tornou um “presão dos EUA” e um tesão do Véi, rs:


E finalmente, este trecho de uma reportagem sobre a política externa do Brasil, que traz entrevistas com duas especialistas em relações internacionais, aparentemente com inclinação lulista e, por isso, ambas concordando quanto a um possível papel do Itamaraty enquanto “mediador de conflitos” (a meu ver, muito mais ao modo do meme dos sírios pró e contra Al-Asad na TV jordaniana...). Fiquei impressionado ao saber que o presidente da Alemanha, cujo sistema infelizmente não lhe angaria quase nenhum poder, realmente disse isso sobre nosso país: que diferença abissal do chanceler Rambozambo, que chupa o saco do Véi Gagá e disse na COP30 que não via a hora de ir embora daqui (e espero que nunca volte)!


segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

Feliz 2026, e “VAI SE PHODÉREM”!

A vida de cada um anda em seu próprio ritmo, e não posso me queixar de coisas boas que me aconteceram em 2025 e que podem acontecer em 2026. Porém, enquanto “sociedade de massas”, não escapamos a tentar decifrar como andam as coisas no nível coletivo, mesmo que possa ser uma conjetura ilusória. E garanto que na “percepção geral”, geralmente aumentada ou deturpada pelas redes sociais, o primeiro ano do segundo quarto do século 21 não augura muita coisa boa, especialmente na Banânia.

Vamos ter Copa, ou seja, tudo vai parar e o psicológico das pessoas vai entrar num modo estranho. Vamos ter eleições presidenciais, as primeiras sem o “fenômeno Mito” (mesmo que ele deixe rebentos), isto é, todo mundo vai brigar e a internet vai ficar poluída de ódio e falsidades. Vamos ter também legislativas federais, que a cada 4 anos se tornam uma aposta pra saber o quanto o Regresso Irracional vai ficar pior, e pela primeira vez desde 2010 corremos o risco de perder o ilibado tribuno Tiririca. As guerras mais comentadas pela mérdia jeguemônica provavelmente não vão acabar, mas no mínimo se agravar e gerar consequências ainda mais desastrosas pro futuro pós-acordos. O clima vai mudar pra pior, e vamos ver fenômenos extremos com cada vez mais frequência, em todos os estados: calorão, friozão, chuvão, ventão, enchentes, deslizamentos, secas prolongadas e os negacionistas de sempre pondo a culpa no “ciclo natural da Terra”. As pessoas vão ficar cada vez menos “conversáveis” nas mídias digitais, os apps de namoro vão se transformar num lixão de desespero e vergonha alheia, e o pior de tudo: vão chegar à idade adulta cada vez mais zoomers, cuja falta de referência sobre o que foi o mundo pré-digital vai tornar nossa população economicamente ativa mais birrenta, mais ansiosa e mais dispersiva.

Aliás, pra que os próximos 12 meses não sejam desagradáveis pra quem “surfa na rede mundial” muito mais intensamente do que eu, estou lançando uma promoção: se você era inscrito ou assistia com frequência aos vídeos de meu finado canal Pan-Eslavo Brasil (2010-2021) no YouTube, escreva nos comentários, use a caixa de recados à direita ou me mande uma mensagem pedindo a cópia de um dos vídeos (legendas, montagens, memes) que você queria, mas não consegue mais encontrar. Única exceção: os vídeos de mim mesmo com aulas enormes sobre determinados temas, a maioria dos quais apaguei devido à total inadequação do modelo. É claro que quase todos já se encontram incorporados nesta página, mas nem sempre são fáceis de achar, até que eu crie um mecanismo pra otimizar a localização.

Minhas motivações básicas são 3: não ter conseguido arranjar um único “reupador” oficial fiel (já que eu mesmo não quero fazer isso) que desse ao material a dignidade que ele merece; democratizar a distribuição de material educativo, fazendo com que ele atraia mais visualizações e, talvez, inscritos pra outros canais; e manter acesa no YouTube a chama do velho canal, que só esporadicamente ressurgiu entre alguns heróis isolados (e não autorizados). Só ponho uma condição: referenciar diretamente na descrição meu nome, esta página e minha autorização expressa!

Portanto, se você me acompanha desde os tempos em que tive o Sites Sobre Idiomas (SSI) ou o blog Pensadores Libertos e militava como um esperantista fanático (saudosos anos 2000!), desde que criei o Pan-Eslavo Brasil e militava como um anticatólico ressentido (anos 2010 que não voltam mais!), ou desde que lancei esta página em agosto de 2014 ou em algum tempo posterior, ou simplesmente acabou de cair aqui de paraquedas agora... Como quer que seja, não lhe desejo um feliz 2026. Eu espero que seu ano-calendário seja razoável, que haja o menos possível de desgostos e que as meldas que acontecerem sejam de curto impacto, prejuízo mínimo e agonia passageira. E, claro, se vier repleto de “momentos felizes”, como os chama o filósofo Odair José, melhor ainda!

Pois minha maior felicidade é estar rodeado, pessoal ou virtualmente, de pessoas que tentam se aperfeiçoar e têm a busca de cada vez mais conhecimento como um ideal de vida, do que decorre a humildade sobre nosso papel na Terra. Não que eu me ache melhor que todo mundo e que, naturalmente, atraia tais seres, mas realmente elas são um presente em meu percurso e como que ajudam a formar a meu redor uma espécie de “campo repelente” contra qualquer um que encarne a negatividade, a autopiedade, o culto da ignorância, o narcisismo egoísta, o espírito de manada e a autossuficiência arrogante. É verdade, mesmo que eu tente me aproximar de pessoas assim, elas se afastam de mim, tal qual os polos iguais de dois ímãs, parece incrível!

Não é o caso do senhor Mirosmar José de Camargo, um poço de empáfia de incríveis 1,63 m de altura e alguns meses mais velho que minha mãe. Na década de 1990, ele resolveu gravar uns discos com seu irmão mais novo, Welson David, e eu até que gostava das composições desse tempo. Mirosmar também compunhetava pra outros intérpretes e assim continuou, mas a qualidade de sua voz decaiu a olhos vistos com o passar dos anos. Descontando o fato que Welson passava praticamente inaudível, escutá-lo em apresentações na TV deixou de ser um entretenimento agradável pra se tornar uma angústia diante de seu desgaste físico visando obter um mínimo de voz discernível e afinada. Pior ainda, sua crescente irrelevância no showbiz (exceto nos gordos cachês que obtinha de prefeituras de cidades pobres e pequenas no esquema panis et circenses) deformou ainda mais sua personalidade, levando-o a passar do lulismo de “festa da posse” ao apoio mais ridículo e constrangedor ao Jeno, cuja amostra já tivemos aos montes, entre as quais o insone vídeo “Dormindo com o Bozo”.

Apesar de desentendimentos ocasionais e de constantes boatos de separação da “dupra de dôi”, o afastamento parece ter sido natural e silencioso. Enquanto Mirosmar ainda se prende a um passado que não volta mais, Welson parece ter optado pela discrição, evitou as polêmicas e conservou seu instrumento vocal pra novos projetos, mirando um público, digamos, de mentalidade bastante peculiar (e sim, eu não uso YouTube no app, mas no Chrome mesmo!):



Cheguei até a planejar uma publicação de fim de ano com alguns memes e outras passagens engraçadas, mas decidi os descartar e fiquei com as seguintes passagens de outro vídeo igualmente patético, referente a uma polêmica envolvendo a TV dos Abravanel e sobre o qual não vou nem quero explicar porque você talvez já esteja sabendo. Só ontem, não sei bem por que razão, acabei vendo a presepada completa e quase caí de costas com a revolução gramatical no campo da concordância verbal realizada pelo sr. Mirosmar, provavelmente sob o efeito de seu inseparável companheiro álcool.

Se não é pra virar meme, é pra virar pelo menos bordão de amigos numa mesa de bar e material pra que linguistas do futuro tentem desvendar o mistério de sua concordância baseada no sentido de “coletivo”, e não no número gramatical dos substantivos em questão. Começando com o São uma hora da manhã e eu estou aqui, todo mundo sabem... Primeiro, a assimilação de “uma hora” com as demais horas plurais, ao modo de quando eu era criança e falava pra minha mãe “Às uma!”, com o som de “azuma”. Segundo, o sentido plural implícito em “todo mundo”, ao modo de seus conterrâneos que falam “a gente semos filiz”. E finalmente, Vai se phodérem, com uma abertura vocálica inexplicável (sem ser por seu estado de embriaguez sonolenta) e o deslocamento da marca do plural (“vão”) de um verbo pra outro.

Que inovação, que genialidade! Antes de eu lançar os célebres discursos de fim de ano, que vão aparecer aqui nos próximos dias a partir de 31 de dezembro, não pude deixar de eternizar esta pérola da linguística com as devidas glosas explicativas:




Enquanto tirava uma dúvida pra escrever este texto, me lembrei de algo que aconteceu há muitos anos. Quando eu estava em algum momento do fim do Ensino Fundamental 1 ou início do Médio (antigos ginásio e colegial/2.º grau), uma querida professora de português que tive na 5.ª série (atual 6.º ano) aplicou um ditado conjunto pra nossa classe e outras mais novas. Consistia de 50 palavras, das quais acertei 49. Qual delas, afinal, errei?

Era “pára-quedista”. Embora esta fosse então a forma correta, tinha escrito exatamente como segue, e acabei de descobrir que agora está no Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa. O finado Bechara fez justiça tardia pra que eu gabaritasse o ditado:


E pra não perder o costume, algumas notícias de hoje às quais não pude deixar de tecer comentários relativamente chistosos:




Adendos humorísticos (30/12): o Spotify me arranja cada coincidência na hora de apresentar conteúdo relacionado, rs. E é assim que o “yaldanejo” resume o mundo em 2025 (e como ele pode ficar em 2026):

E não poderíamos deixar de citar dois discípulos pros quais Mirosmar já compunhetou: um colega goiano que tentou emplacar nos anos 90 o sucesso em japonês Aracaxá macaxô, aracumara na vaca e o jovem gagaúzo Vladimir Dobrovolski que... enfim, dispensa apresentações:




terça-feira, 12 de agosto de 2025

Alguém achou uma boceta por aí?


Endereço curto: fishuk.cc/boceta

Não conhecia este professor, mas como gerencio o Instagram da União Brasileira Pró-Interlíngua, naturalmente vai aparecer no feed muita coisa relacionada a gramática e idiomas. Não que eu fique o tempo todo rolando a tela, mas apenas por acaso bati o olho na seção de sugestões e me apareceu isso... A título de curiosidade, e como gosto de fazer um “humor culto” por aqui de vez em quando, segue sua publicação “Por que o nome abaixo passou a designar também o órgão genital feminino?”, reproduzida em imagem e texto:



O anúncio antigo da imagem traz a expressão “Boceta perdida” e refere-se, no corpo do texto, a uma “boceta d’ouro para tabaco”. No português de época, “boceta” não possuía a conotação sexual que hoje lhe é associada no uso coloquial. Tratava-se de um substantivo feminino empregado para designar uma pequena caixa, cofre ou bolsa portátil, geralmente de uso pessoal, na qual se guardavam objetos de valor, como joias, tabaco ou moedas. Essa acepção é registrada em dicionários antigos e deriva do francês “bocette”, diminutivo de “boce” (caixa), que por sua vez tem origem no latim “buxida”, ligada a “buxis” (caixa de buxo, madeira nobre utilizada para pequenos recipientes). Portanto, no contexto do anúncio, “boceta” significava apenas um pequeno recipiente valioso e não possuía carga erótica.

A passagem de “pequena bolsa” ou “estojo” para a designação de parte da anatomia feminina foi motivada por metáfora baseada em forma e função. O mesmo se observa no caso da palavra “vagina”, que hoje designa um órgão do sistema reprodutor feminino, mas cuja origem latina “vagina” significava “estojo” ou “bainha”, usada para guardar espadas ou facas. Essa origem, por sua vez, conecta-se à ideia de invólucro protetor, conceito também presente na palavra “vagem”, que se refere à estrutura vegetal que contém e protege sementes. A associação metafórica entre recipiente e órgão feminino decorre do fato de ambos funcionarem como espaço que abriga e protege algo, seja um objeto, uma lâmina, sementes ou, no caso anatômico, um pênis durante o ato sexual e o feto durante a gestação.

Assim, tanto “boceta” (que na oralidade é dita com inicial “bu”) quanto “vagina” e “vagem” têm, em suas origens, a ideia de “estojo” ou “recipiente protetor”.



quinta-feira, 8 de maio de 2025

História como processo cíclico (2005)


Endereço curto: fishuk.cc/ciclo-hist


Prosseguindo com os textos de meu ensino médio (2003-2005) que ainda julgo serem interessantes, trago hoje uma redação da aula de Português, intitulada “Os ciclos da história” e datada de 20 de junho de 2005, e uma atividade de Geografia, intitulada “Soluções políticas” e datada de 9 de setembro de 2005. Minha professora Graça Moraes Hosokawa, grande pesquisadora da língua portuguesa, infelizmente só nos deu aula nesse último ano, mas José Augusto, o “Zé”, nos acompanhou com Geografia durante todo o ciclo. Rígido, mas humorado, em grande parte devo a ele, assim como a minha professora de História, Flávia, minha opção pela graduação que segui.

Publiquei estes dois textos juntos porque, apesar das matérias diferentes, seus temas são bem afins, o que se deve à abordagem interdisciplinar adotada por minha escola. Eles são bem peculiares em vários aspectos, a começar pelas estranhas crenças que eu professava: a de que a história é “cíclica” (concepção herdada de vários povos não europeus e de nossa mentalidade pré-científica) e a de que o regime socioeconômico ideal seria uma espécie de “socialismo” estatista e centralizador, mas sem a “necessidade da ditadura” ou “de se chegar ao comunismo” (influência da leitura do artigo Por que o socialismo? de Einstein). Alguns pontos são obscuros ou tão curiosos que decidi indicar meu assombro entre colchetes, como fiz na publicação anterior.

Confesso: minha “esquerdização” não começou na faculdade, e sim no último ano de escola, quando eu me reivindicava “socialista democrático” (mas não social-democrata, vai entender...), aceitava a estrela vermelha como meu símbolo político (mesmo criticando o PT e só votando nele em 2010!) e simpatizava com o Marechal Tito. Na verdade, minha simpatia era pelo PSOL, formado no ano anterior, porque eu me considerava “à esquerda do PT”, mas rejeitava ideias de revolução violenta. Ou seja, já entrei um tanto “amaciado” na universidade, e só “de decepção em decepção” que fui modulando minhas próprias visões, um dos motivos pelos quais, embora tivesse amigos do PSOL e do PSTU, nunca militei ativamente, rs.

Não alterei as palavras, mas apenas atualizei a ortografia e troquei algumas expressões que, de fato, seriam erradas numa correção de nível avançado. Como você pode ver, eu trouxe também a “primeira versão” da redação de Português, que foi vastamente enxugada e reformulada, mas também acabei fazendo trocas na versão final, onde a própria Graça marcou com caneta vermelha, assim “atrasando” em 20 anos o polimento definitivo do texto...






A história do mundo é uma roda que gira na razão constante entre o espaço e o tempo, em um movimento cíclico de alternâncias que tem como combustível a ânsia dos homens de mudar o mundo.

Povos revezam-se no domínio do mundo e ditam as regras sobre como viver. Seus projetos nem sempre coincidem com a ideia do bem comum, gerando também muitas desigualdades. Guerras entre os povos não faltaram, principalmente pela hegemonia global, nem movimentos sociais e artísticos por novas visões de mundo, nem pessoas que lutaram pela mudança da situação, sejam sozinhas ou em conjunto, seja pela igualdade ou por benefícios próprios, provando que as mudanças podem ser feitas com ambição e obstinação. Também foram presenciados ciclos e planos econômicos e a alternância de moedas, tanto no Brasil quanto no exterior, tanto em épocas prósperas quanto em crises financeiras.

Não há História sem tempo e sem espaço. O homem, ao desenvolver sua inteligência, começou a contar o tempo, possuindo referenciais, como o nascimento de Cristo, e eras como a nossa Idade Contemporânea. O tempo multiplicou o espaço e este dividiu o tempo. As civilizações de todos os tempos fracionaram seus feitos em diversas épocas e usaram-nos para contar suas heroicas trajetórias.

O mundo e a História giram. Como crianças brincando de mãos dadas, rodamos e nos movimentamos para sermos alguém na imensidão de nossa trajetória pelo planeta.


É de espantar que não só o Brasil, mas também países desenvolvidos sofram com a descrença nos políticos. Além disso, a política econômica neoliberal atiça essa onda de indiferença, pois há uma fome por poder e posses ilimitadas.

Assim, podemos refletir sobre o que ocorreu com o capitalismo e com os governos liberais nas primeiras décadas do século 20: após a grande crise, houve também uma descrença generalizada no sistema vigente, que levou à ascensão de regimes socialistas ou, no caso da Europa pós-2.ª Guerra, social-democratas. Enquanto o capitalismo levou séculos para perceber seus erros, o socialismo (agora referindo-se a sistemas de filosofia semelhante) desapareceu mais rapidamente, logo percebendo seus erros e tendo a chance de se arrepender [?].

O neoliberalismo volta a vigorar, com a chance de melhorar, porém não o fez e oprime de modo mais cruel o trabalhador, só que mais pelo lado financeiro. Portanto, como em um ciclo, podemos prever que o socialismo, ou governos semelhantes, voltará totalmente modificado, apenas com limitação das grandes propriedades e a centralização do Estado, sem a necessidade da ditadura e sem a obrigação de se chegar ao comunismo.


quarta-feira, 7 de maio de 2025

Redações do ensino médio (2005)


Endereço curto: fishuk.cc/redacao2005


Prosseguindo com os textos de meu ensino médio (2003-2005) que ainda julgo serem interessantes, trago hoje duas redações da aula sobre essa atividade do vestibular: “A graça da vida”, datada de 14 de outubro de 2005, e “Entre o aprender e o decorar”, datada de 28 de setembro de 2005. Naquele ano, meu professor não era o Silvano, mas Graça Moraes Hosokawa, grande pesquisadora da língua portuguesa com quem tive a honra de conviver, infelizmente, apenas na última “série”. Inclusive, o primeiro título é um “gracejo” com o prenome dela, rs.

Sem querer desmerecer o Silvano, a abordagem da Graça era muito mais profissional, a começar pelo fato de nos ter trazido as questões de vestibular mostradas abaixo, que serviram de “chamada” pra gente escrever. Veja também que as correções foram bem mais sutis e que, se a segunda entre as duas notas indicadas em cada papel era a pontuação máxima, eu nunca atingia o topo – apesar, claro, dos belos elogios escritos no rodapé de cada um! Além disso, tive vários professores “top” nesse último ano, e lamento não só o atraso com que chegaram, mas também eu não ter extraído da experiência deles mais do que poderia.

Hoje já trouxe logo duas, pois sendo cada redação pequena demais, não ia ter “Graça” lançar o conteúdo “a conta-gotas”. Não alterei as palavras, mas apenas atualizei a ortografia e troquei algumas expressões que, de fato, seriam erradas numa correção de nível avançado (como “através de”, um indicador espacial, quando o correto seria “por meio de”). Também acabei fazendo trocas onde a própria Graça marcou com caneta vermelha, assim “atrasando” em 20 anos o polimento dos textos, rs.




Comprovou-se cientificamente que o bom humor faz bem ao coração, mas a ciência é desnecessária para mostrar que ele é benéfico na vida das pessoas, o que é feito pela vivência cotidiana, a maior escola de todas.

O humor é um cartão de visita pessoal, ajudando ou atrapalhando nas primeiras impressões. Pessoas de temperamento aberto, que não apresentam aparência carrancuda ou extremamente séria, ganham mais simpatia e confiança. Se ao longo de uma convivência passam o tipo de humor que faz rir e descontrair, elas reforçam com os outros os mais diversos tipos de laços e aumentam seu círculo de relacionamentos, obtendo, assim, numerosas vantagens materiais e sociais.

O prazer gerado pelo riso causa uma sensação de bem-estar que melhora a autoestima das pessoas e lhes dá mais ânimo e forças para encarar as mais diversas situações, inclusive as mais difíceis, porém sem apagar o respeito que uma certa ocasião exige, em especial uma tragédia. No que resta, ironizar pode ser a saída para que se fique menos chocado com fatos corriqueiros, como a corrupção. É essa ironia que caracteriza o bom humor do brasileiro, que sempre satiriza diversos empecilhos ao desenvolvimento do país.

“Estar de bem com a vida” exige uma boa dose de descontração a fim de melhorar a saúde, a vida social, a imagem perante as pessoas e a força diante dos problemas.




É comum o uso de procedimentos associativos para a recordação de fórmulas ou outros conceitos, em especial no meio escolar, no qual são também chamados “macetes”. Esse é um método interessante, mas nem sempre preferível se o desejo é o aprendizado permanente.

Em provas e em outras ocasiões, alunos precisam lembrar-se de ferramentas necessárias à execução das tarefas de modo rápido e fácil, daí a utilidade de recursos mnemônicos, que aliás sempre estiveram presentes na história das civilizações mais antigas. Elas usavam formas e cores para a alusão de ideias de acordo com suas técnicas e seu conhecimento de mundo, deixando uma ferramenta adaptada aos dias de hoje, quando as informações precisam ser processadas em grande quantidade e da forma mais veloz possível.

Porém, o uso inconsciente de conceitos lembrados por meio de “macetes”, além do desconhecimento sobre seu sentido ou origem, não pode ser considerado aprendizado. Ele se afirma quando a pessoa, por meio do uso constante do conhecimento adquirido, fixa sua estrutura em suas lembranças [sua memória?]. No caso de alunos, o meio mais eficaz para que isso aconteça é a prática de exercícios sobre determinada matéria, transformando o conceito em um elemento provido de sentido.

Usar o caminho da memorização forçada ou da fixação pelo uso depende do que melhor for adequado a uma pessoa ou do contexto no qual ela está inserida, como o sistema de ensino, por exemplo.


terça-feira, 6 de maio de 2025

A descoberta do prazer (2003/2004)


Endereço curto: fishuk.cc/prazer

Vou começar uma fase em que estou “exumando” algumas redações e poesias da época de meu ensino médio (2003-2005), não meramente pra “encher linguiça” com trabalho de escola, mas porque são textos até que bem completos e revelam um pouco mais da “história de meu eu”, pra quem se interessa por ela. (E sabe que tem coisas com as quais até este quase quarentão fica impressionado?...) Quem me acompanha há muito, sabe que já publiquei coisas desses anos, e na verdade o material é volumoso, só não tendo ainda vindo a lume porque dei prioridade a outros projetos.

A primeira pérola é uma redação chamada “A descoberta do prazer”, que tendo sido corrigida por Silvano, então meu professor de Português, deve ser de 2003 ou, mais provavelmente, 2004, devido à desenvoltura com que discorri sobre o tema. Apesar do nome pomposo, trata-se de simples dissertação sobre o hábito de “ficar”, que ainda estava começando a se tornar comum entre os adolescentes e gerava arrepios em pais e pedagogos. Então, tratava-se apenas de beijo, mas como hoje há diversos significados, se é que esse termo ainda esteja em uso, me abstenho de outros comentários...

Como é de praxe em tal gênero, eu só descrevo e não julgo, mas um inquisidor moderno poderia atribuir à “doutrinação comunista” a presença dos muitos assuntos relativos a sexualidade, comportamento etc. Mesmo assim, certamente você vai rir do jeito erudito demais com que trato a questão, resultante, sobretudo, do fato principal que norteava então minha vida: eu mesmo ainda era “B.V.”, rs. (E curiosamente, a redação não tomou um tom de crítica, lamento ou testamento de ex-estudante prestes a cometer um tiroteio contra os coleguinhas!)

Embora o arquivo escaneado marque a nota dois, ela significou a nota máxima (veja que quase não há correções), pois as atividades de redação iam acumulando pontos até darem um máximo (acho que dez, obviamente), em algum momento, resultante da soma de outros textos. Não alterei o conteúdo, mas apenas atualizei a ortografia e troquei algumas expressões que, de fato, seriam erradas numa correção de nível avançado (como “em relação a” introduzindo um tópico e “onde” indicando conceitos).



Os últimos anos vivenciaram uma mudança do comportamento juvenil na questão das descobertas corporais interpessoais: a “ficação”, durante a qual dois adolescentes trocam beijos e carícias como se fossem namorados, mesmo que não se conheçam ou não mantenham laços amorosos. Hoje, essa prática, que se tornou tão comum entre os jovens, é objeto de estudo de psicólogos e outros especialistas, que tentam compreender a essência desse fenômeno.

Segundo os próprios garotos e garotas, “ficar” é apenas beijar sem compromisso, sem a necessidade de se estabelecer laços de união amorosos mais firmes e duradouros, um modo prazeroso de se conhecer uma pessoa antes da decisão pelo namoro, além de uma boa oportunidade de aprender a “arte do carinho” e adquirir experiências para futuramente dar uma boa impressão ao companheiro. Alguns jovens se aproveitam desse costume não só para conhecer alguém melhor, mas para adquirir prazer, chegando até mesmo a “ficar” com várias pessoas seguidas em, por exemplo, uma festa (“balada”); mas há outros bem conservadores que se abstêm do “beijar por beijar” e mantêm a convicção de que apenas o namoro é adequado para os atos da “ficação”, realizados após uma verdadeira atração entre o casal. Além disso, há as diferenças entre os mais diversos grupos de jovens com relação tanto às condições necessárias para a conquista, ao conceito de “ficar” e ao que acontece na hora do beijo, quanto à aceitação da pessoa dentro desse grupo, com embasamento em suas experiências amorosas: para alguns, uma pessoa “B.V.” (“boca virgem”, aquela que ainda não beijou) tem mais possibilidades de ser excluída, “isolada”.

Não faltam hipóteses para o surgimento do fenômeno da “ficação”. Uma delas seria a liberação sexual iniciada na década de 1960, que começou a divulgar no Ocidente ideias libertárias quanto a certos tabus antigos: divórcio, homossexualidade, escolha do(a) parceiro(a), uso de preservativos, sexo com finalidade de obter prazer etc.; a “ficação” seria mais um capítulo dessa liberação, ao dar a possibilidade dos jovens trocarem beijos sem compromisso. Pode-se ainda lembrar da chamada “banalização do sexo”, que está chegando ao ápice na atualidade, quando estão sendo quebrados os limites entre o erotismo e a pornografia, que se tornou a prática dominante: não se busca mais a beleza e o sentimento amoroso, que se tornou um “instrumento de opressão” para a sociedade capitalista, mas apenas o prazer, para serem aliviados alguns males da apressada vida moderna.

Qualquer que seja a hipótese, a “ficação” é um reflexo da simplicidade à qual chegou nossa sociedade, que hoje procura não mais se prender a padrões e a laços amorosos, mas descobrir as coisas boas da vida sem mergulhar em utopias sentimentais, sendo isso uma coisa boa ou ruim dependendo da pessoa e da cultura na qual ela está inserida.





segunda-feira, 7 de abril de 2025

Os velhologismos de Castro Lopes

O brasileiro Antônio de Castro Lopes (1827-1901) era um médico de formação, mas também um latinista e filólogo amador (percebeu alguma semelhança com certo oculista polonês que queria acabar com as barreiras linguísticas?...). No final do século 19, período de otimismo no Ocidente, quando se pensava que a humanidade era uma massinha infantil pronta pra ser revolvida e moldada por qualquer maluco com belas ideias grandiloquentes, ele fez publicar uma obra interessante, mas hoje esquecida dos estudiosos em geral. Neologismos indispensáveis e barbarismos dispensáveis data de 1889, mesmo ano da Proclamação da República, e pode ser baixada livremente em formato PDF graças ao maravilhoso trabalho da USP.

Assim como certos Aldos Rebelos que pululam por aqui de tempos em tempos reclamando do uso excessivo de palavras inglesas mal pronunciadas, Castro Lopes (jovens, não confundam com Castro Alves!) resolveu então sugerir meios e exemplos pra substituir a invasão da dominante língua francesa. Não se sabe de que forma ele tentou ou conseguiu (quando conseguiu) influir na adoção dessas palavras – se por leitores jornalistas, professores, escritores, lexicógrafos, publicistas etc. –, mas fato é que, enquanto algumas “pegaram” (como vemos nos artigos abaixo), outras desapareceram com o tempo e se tornaram artigo de curiosidade. Interessante também sua designação como “barbarismos” das palavras estrangeiras que se assimilavam mais ou menos ao português. “Bárbaro” era a palavra grega de origem onomatopaica e um tanto pejorativa pra qualquer povo externo ou desconhecido, matiz que se manteve também no Ocidente moderno, ainda que implicando também desordem, destruição e imoralidade. Nesse ínterim, “povos bárbaros” é uma expressão pros invasores da Europa medieval que deve ser tomada com cautela.

Retorno: talvez o mais famoso dos fracassos de Castro Lopes tenha sido “ludopédio”, termo que os aficionados pelo nobre esporte bretão já devem ter visto alguma vez. Não passava de um neolatinismo com que desejou substituir o inglês (ainda não aclimatado) “football”, empregando os elementos eruditos “lud-” (jogo, ao invés de bola/ball) e “ped-” (pé). Ou seja, nosso oftalmo não interpretou como “bola (ball) no/com o pé (foot)”, ou “bolapé”, como já vi certa vez (rs), mas como “jogo com os pés”. Qual seria o problema? Ele desconhecia se os romanos brincavam de bola, ou achava que inexistiam outros esportes pedestres (corridas ainda não eram populares)? Mas vale a pena conhecer o resto de seu trabalho, portanto, sugiro recorrerem diretamente ao livro citado (segunda edição revista e aumentada por seu filho em 1909, que não consultei pra escrever esta abertura), bem como aos artigos abaixo, que só copiei e cuja edição adaptei, sobretudo, concernente à reforma ortográfica. Mantive os conteúdos integrais, portanto, o todo pode parecer um tanto repetitivo.

A felicidade da alusão a Zamenhof feita acima é que os idiomas humanos, do ponto de vista sociológico, parecem consistir num campo visto, por certos grupos ideológicos e de poder, como maleável, padronizável e simbolicamente carregado. Os Estados nacionais nos séculos 19 e 20 buscaram normatizar, unificar e até “purificar” suas línguas em todo o território sob sua jurisdição. Foi aventada a possibilidade de se planejar uma língua única a ser aprendida em todo o planeta e, assim, supostamente transpor a barreira da incompreensão e das supostas guerras que causaria (era só nisso que sérvios e croatas não se entendiam? E fazia tanta falta assim um Duolingo?). George Orwell usou seu conceito de “novilíngua” pra expressar a manipulação do vocabulário por regimes autoritários – mais atual do que nunca, com a invasão de rapina se tornando “operação militar especial” e a ditadura capitalista, “democracia iliberal”... E por que não citar a linguagem “neutre não binárie”, que confunde o conceito de gênero gramatical com o de gênero biológico, mas cujo impacto e aceitação geral (ou não, devido a seus pregadores extremistas) só veremos em alguns anos?

Tudo pra dizer que, em minha concepção, e na de alguns linguistas, idiomas e linguagens em geral são, sim, maleáveis, mas sua transformação é orgânica, natural, incorporada nas transformações humanas mais gerais, que, assim como aquelas, não podem ser ditadas de antemão. Portanto, sou pelo não proibir, mas também (salvo raríssimos casos, como expressões racistas, preconceituosas etc.) não impor sem critério. Nem Castro Lopes, nem Zamenhof, nem Trumputin, nem a “galere descolade” entenderam a precedência (mas não prevalência!) do descrito sobre a descrição ou a importância de apenas sentar na margem e observar o rio correr sozinho...


Sérgio Rodrigues, Convescote não tem cardápio (Veja, 26 de abril de 2011); ouça também sua coluna na Rádio CBN de 20 de junho de 2017 sobre o mesmo tema, mas que não tive tempo de transcrever.

A propósito daquela tola lei antiestrangeirismo proposta por um deputado gaúcho [Raul Carrion, estadual do PCdoB, que legislou de 2007 a 2014], que comentei aqui no domingo, é bom lembrar as realizações – e os fracassos, bem mais numerosos – de um personagem pitoresco das letras brasileiras do século 19, uma espécie de patrono dos xenófobos linguísticos: o latinista Antônio de Castro Lopes (1827-1901), que Machado de Assis chamava, com ironia, de “nossa Academia Francesa”.

Incomodado com a grande circulação de palavras vindas de fora, especialmente do francês, o idioma imperialista da época, Castro Lopes lançou em 1889 o livro Neologismos indispensáveis e barbarismos dispensáveis, em que propunha uma série de neologismos, forjados por ele mesmo, como substitutos de estrangeirismos que considerava “bárbaros” (atenção, moçada, o sentido aqui é negativo).

De sua quixotesca fábrica de vocábulos saíram termos esquisitos que não tardaram a cair no mais completo esquecimento: cinesíforo (chofer), ludâmbulo (turista), runimol (avalanche) e focale (cachecol) são alguns deles. Outras de suas invenções tiveram uma sobrevivência anêmica como palavras raras e ainda hoje são encontráveis no dicionário, embora não frequentem a língua viva há muito tempo: é o caso de lucivelo (abajur), nasóculos (pincenê) e preconício (reclame, propaganda).

No entanto, Castro Lopes também marcou seus golzinhos. Cardápio, que ele criou a partir das palavras latinas charta (carta) e daps (banquete) para substituir o francês menu, tornou-se termo de grande circulação, embora menu continue sendo usado também.

Se cardápio é seu produto de maior sucesso, meu castrolopismo preferido é outro: convescote. Essa palavra adorável, que quer dizer piquenique, ainda aparece de vez em quando na língua de verdade, quase sempre acompanhada daquela inflexão sarcástica ou brincalhona de quem sabe estar lançando mão de um termo de época. O curioso é que, para forjá-la, o latinista se arriscou a minar sua regra de ouro: convescote vem de “conv(ívio)” e “escote” (cota que cabe a cada um numa vaquinha).

Ocorre que “escote” também é um galicismo, do francês antigo escot. Sua única diferença em relação às palavras que Castro Lopes condenava era a antiguidade: tinha chegado ao português no século 16. Quer dizer que o tempo lava tão bem a estrangeirice dos estrangeirismos que até um purista passa a aceitá-los? Exatamente. O abajur, o turista, o chofer, a avalanche e o cachecol só precisavam de tempo. E o tempo passou, apesar do engenhoso Castro Lopes.


Paulo Nogueira, O último latinista: a saga de Castro Lopes, o homem que tentou substituir a palavra futebol por ludopédio (DCM, 21 de novembro de 2012); mesmo vindo do blogueco pró-Putin que via de regra me recuso até a abrir só pra não monetizar, é curioso como então havia gente aí que fazia jornalismo, e não só propaganda vassala do petê...

Ele achava que neologismos indispensáveis deviam substituir barbarismos dispensáveis, mas sua cruzada foi em vão

Em 1989, a revista Veja fez um suplemento em comemoração aos 100 anos da República. A graça é que os textos foram escritos como se os jornalistas vivêssemos na época da proclamação. Era como se estivéssemos cobrindo-a na semana mesma de 15 de novembro. Eu saíra fazia pouco tempo da Veja para ser editor-executivo da Exame. Mesmo assim, me encomendaram dois artigos: um perfil do Barão de Mauá, o maior empresário brasileiro de então, e um perfil de um latinista arrebatado, Castro Lopes. Lopes quis purificar a língua falada no Brasil de anglicismos e galicismos, e produziu neologismos como ludopédio para substituir o futebol. Quase nada vingou, como você poderá ver no quadro posto no pé deste artigo, exceto por uma ou outra palavra como roupão, que ocupou o lugar do peignoir. Você pode apreciar o esforço titanicamente frustrado de Lopes nas linhas abaixo.

É possível que o leitor esteja lendo esta revista agora em sua cama, com a ajuda de seus nasóculos e à luz suave de um lucivelo. Os artigos escritos pelos alvissareiros misturam-se, harmoniosamente, aos preconícios que louvam as virtudes de sortidos produtos. Faz calor neste final de primavera, e decerto o nosso leitor não retira há muito tempo de sua gaveta o focale que lhe aquece o pescoço no frio. E ele provavelmente terá reparado como é grande, nos últimos tempos, o número de ludâmbulos que, vindos de outros Estados e até de outros países, se abalam a conhecer os encantos da cidade.

Não te sintas o mais ignaro dos brasileiros se, no parágrafo anterior, tropeçaste em vocábulos como “nasóculos”, “Iucivelo”, “alvissareiro”, “preconício”, “focale” e “ludâmbulos”. Consultados sobre o significado de tais palavras, quase todos os jornalistas desta revista que ora tens em mãos tropeçaram exatamente onde foste ao chão. Um, mais curioso, tratou de correr ao Caldas Aulete, mas foi inútil. Cerrou as páginas do dicionário tão no ar quanto as abrira. É que todas aquelas palavras acabam de ser criadas pelo gramático carioca Antônio de Castro Lopes, 62 anos, um latinista de nomeada que é médico por profissão e decidiu investir contra os galicismos e anglicismos que, a seu ver, contaminaram atrozmente a língua pátria. As palavras a que Castro Lopes tenta dar vida e aquelas que ele pretende suprimir estão arroladas no recém-lançado Neologismos Indispensáveis e Barbarismos Dispensáveis, livro que serviu de tema para conversas, e piadas, trocadas entre o ex-imperador Pedro II e o Visconde de Taunay.

“Não é de desenterrar palavras mortas e sepultadas que se trata”, explica o autor no prefácio do opúsculo. “Mas de limpar, de expurgar a linguagem vernácula de vozes bárbaras, de construções contrárias à índole daquela, e de criar com bons elementos termos que no idioma português faltem para traduzir os exóticos”. Castro Lopes não tenta promover reformas apenas na língua portuguesa. Sugere muitas outras. Tem, pronta, uma fórmula para acabar com a dívida interna e externa do país, ou, pelo menos, é o que garante. Tal fórmula apoia-se numa moeda universal, o ponto alto da plataforma com a qual se lançou candidato a deputado provincial pelo Rio de Janeiro. Não se conhece nenhuma adesão de outros países à tal da moeda universal do latinista, mas o fato é que ele se elegeu deputado. Acusem-no, os que quiserem, de purista extremado, mas não o tomem por rabugento. Será um equívoco. Castro Lopes tem um surpreendente bom humor. Daria um excelente cômico se quisesse. Observe-se sua investida contra a palavra peignoir. Não cria, no caso, um neologismo. Vai buscar o vocábulo português que julga correspondente: roupão. Dirigindo-se ao “belo sexo”, Castro Lopes pergunta: “Por que empregareis o termo francês peignoir quando esse traje não serve para o fim que o nome indica?” Logo depois, lança, às damas nacionais, um apelo que revela seu talento humorístico: “Despi, portanto, eu vos suplico, o peignoir francês, e vesti o vosso roupão”.

Se daqui a 100 anos os neologismos do senhor Castro Lopes estarão vivos ou mortos, ninguém pode saber. Alguém usará a expressão “protofonia” como abertura de um ensaio, uma ópera, uma peça? Haverá crianças que peçam aos pais que façam um convescote domingo no parque, em vez de piquenique? Em duas crônicas recentes, o escritor Machado de Assis referiu-se ao trabalho de Castro Lopes com sarcasmo reprovador. O latinista não se intimida. Diz-se à boca miúda que, a cada golpe desferido por um adversário, responde com um toast solitário à cruzada pelo vernáculo – perdão, onde se leu “toast”, leia-se brinde.

Pérolas de um latinista: como é e como fica

  • Abajur – Lucivelo ou lucivéu
  • Avalanche – Runimol
  • Bijuteria – Joalheira
  • Boulevard – Calçada
  • Cachecol – Focale
  • Chalé – Castelete
  • Champignons – Cogumelos
  • Claque – Venaplauso
    [definição 1 do Priberam e do Aulete]
  • Debut – Estreia
  • Engrenagem – Entrosagem
  • Feérico – Fatídico
  • Massagem – Premagem
  • Mise-en-scène – Encenação
  • Nuance – Ancenúbio
  • Pince-nez – Nasóculos
  • Piquenique – Convescote
  • Reclame – Preconício
  • Repórter – Alvissareiro
  • Turista – Ludâmbulo


Helder Guégués, Ementa, menu, cardápio: Escolham o melhor (Linguagista, 12 de janeiro de 2014).

«Encontrei por acaso, outro dia, o cardápio de um dos nossos jantares (para dez pessoas)» (Autobiografia, Agatha Christie. Tradução de Maria Helena Trigueiros. Lisboa: Livros do Brasil, [1978], «Colecção Dois Mundos», p. 50).

Aqui há uns anos, ainda variavam entre «ementa» e o galicismo «menu»; agora, só este lhes sai do bestunto. «Cardápio», então, julgam que foi acabado de inventar por mim. Ah, mas esperem... Foi inventado, sabiam?, por um brasileiro, e a verdade é que pegou mais ou menos. Pelo menos a mim ocorre-me sempre – repito: sempre – que leio a palavra «menu» ou «ementa».

No Brasil “cardápio” é corrente, ao lado de “menu”; usa-se “carta” também em alguns casos, já “ementa” quase nunca, ou nunca.

[Curiosamente, o autor não cita a origem de “cardápio” e alguém escreve em comentário:] O latinista Antônio de Castro Lopes (1827-1901), “inventor” também de abajur, lucivelo ou lucivéu [e ele repete a mesma lista do artigo de Nogueira]. “Estreia” e “encenação” são usados, o resto é história.

E o arrepiante “necrotério” é criação do Visconde de Taunay; e quase ninguém mais sabe aqui o que é “morgue”.

E em junho teremos no Brasil a Copa do Mundo de Ludopédio.



sábado, 31 de agosto de 2024

TV Dozhd chama Brasil de Venezuela


Link curto à publicação: fishuk.cc/brazuela


Até mesmo na edição das 20h (em Brasília, 14h) da TV Dozhd de russos hoje exilados na Holanda, ainda que perto do fim, foi mencionada a proibição do Équis no Brasil pelo ministro Xandão! A âncora Valéria Rátnikova lê informações que não vou traduzir, porque são as que todos nós já conhecemos, mas mesmo que ela não chegue a citar a Venezuela, as imagens de arquivo mostradas ao lado são do país caribenho! Podem ver que não só vários cenários não são identificáveis com o gigante adormecido, como também os celulares e jornais estão em espanhol (e ainda citando Maduro, que também já tinha proibido a plataforma) e aparece um grande painel com o conhecido bigodão...

Não sou essencialmente contra a proibição, já que além da “rede de microblogs” (como era chamado o Twitter de 2010!) ter se tornado uma pocilga fétida, o Ilomasque simplesmente já tinha se recusado a cumprir ordens judiciais básicas e simples. Porém, dado que a Gadolândia tem dito que “o B#stil está virando uma Venezuela” (porque os churras nas portas dos quartéis foram debandados?), esse ato falho foi bem simbólico. Ou será que foi mesmo um ato falho?...



E como já se tornou um clássico do departamento de “humor” aqui na página, não faltaram no portal G1 os tudólogos dissecando o “ukaz” sob todos os pontos de vista: jurídico, filosófico, moral, ético, político, diplomático, ontológico, culinário...






Pra quem tem curiosidade de saber qual a origem, como se pronuncia e qual a forma correta do sobrenome da Angélica: após fuçar muito, consegui achar esta página na Wikipédia em lituano, que fala sobre os lituanos e descendentes no Brasil, da qual copiei o trecho citando exatamente a loira que vai de táxi! Ela mesma tem origem muito diversa, mesmo da parte europeia, mas o sobrenome paterno “Ksyvickis” se escreve em lituano “Kšivickis” e se pronuncia mais ou menos “kchi-víts-kis”, com a tonicidade no “víts”. Existe também a versão polonesa, “Krzywicki”, cuja pronúncia é parecida: “kche-víts-ki”. Esse “e” figurado é bem fechado e se aproxima do “y” russo de “Kosygin”.


Quando a expressão “mais um rapaz latino-americano sem dinheiro no banco” (talvez um argentino hiperinflacionado?) é levada literalmente a sério, rs:


Tu non güestas de hablar português? Rrôdace, kkkkk (ainda por cima, a profe nativa da inculta e bela conseguiu errar o “por que”, que devia ser separado por se tratar de pergunta):


sexta-feira, 21 de junho de 2024

Nas mãos de Alá os arroz tá limitado


Link curto pra esta publicação: fishuk.cc/maosdeala


Eu estava fazendo minha caminhada matinal nas ruas do bairro, quando passou por mim um SUV com um estepe externo coberto por uma lona com a famosa frase e desenho: “Nas mãos de Deus”. Como estudante de árabe que sou, pensei: Báyna yadáyi-llaah (lit. “Entre as [duas] mãos de Alá”), por que não? Rs.


Hoje encontrei no G1 esta foto dizendo que, devido à crise no Rio Grande do Sul e ao consequente aumento dos preços desse produto majoritariamente produzido no estado, “Os arroz está limitado”, ou seja, existe uma quantidade máxima de sacos que cada cliente pode levar. Pelo jeito, os plurais também estão limitados, rs.


Neste vídeo em russo sobre a língua portuguesa, feito por um youtuber que adora aprender idiomas sozinho (além de outros assuntos culturais), achei o mapa acima (em inglês) das principais características dos falares do português no Brasil. No contexto, “Portuguese S” é a pronúncia do esse como “ch” em fim de sílaba, muito característico do falar do Rio de Janeiro e de algumas regiões do Norte e Nordeste brasileiros.

Sobre a distribuição de “tu” e “você”, o mapa não leva em conta uma característica básica: no registro oral, coloquial e familiar, principalmente, usamos “você” (que também pode ser suprimido, se o verbo sozinho já bastar pro contexto), às vezes abreviado pra “cê” (sobretudo em Minas Gerais e no norte de São Paulo, e geralmente em posição proclítica de sujeito, junto ao verbo), como pronome sujeito ou tônico (usado sozinho ou junto a preposições, ao tipo do moi, toi, lui etc. franceses: “Foi você!”, “Você?”, “É você!”, “pra você”, “com você” etc., mas não “contigo”, e sim “com você”, no limite “cocê”, rs). Porém, como possessivo e objeto direto ou indireto, aparece com as formas do “tu”: “teu/tua”, “vou te falar”, “vou te bater” etc. Fenômeno idêntico ocorre com o voseo rioplatense, sobretudo o argentino (Buenos Aires), em que o “vos” convive com “te”, “tu/tuyo” e algumas formas verbais da segunda do singular, mas não com “ti” (a vos, con vos, para vos etc.).

Outra coisa que me irritou um pouco, embora fosse mais fácil de explicar pros gringos estrangeiros, foi chamar o “erre retroflexo” de “American R”, como se ele tivesse alguma influência do inglês, especialmente do falado nos Estados Unidos. Na verdade, ele é uma herança do tupi, que até o século 18 e sua proibição pelo Marquês de Pombal, era muito mais falado que o próprio português em São Paulo e na chamada região histórica da “Paulistânia”. Se você escutar o espanhol paraguaio (procure no YouTube qualquer discurso do ex-presidente Abdo Benítez!), ou mesmo o guarani falado no Paraguai, vai ouvir a mesmíssima articulação com muito mais frequência.


E pra terminar, este comentarista num canal russo que gosto bastante de assistir e cujo conteúdo é bastante maçante pra que não atraia chupadores de saco. Por que que o carinha precisava insistir em sua origem e pedir a todo custo um alô pra sua cidade, a capital da República da Chuváchia: Cheboksáry? Rs!


quinta-feira, 28 de março de 2024

“Em” ou “No Recife/Nas Alagoas?”


Link curto pra esta publicação: fishuk.cc/recife-alagoas



ONDE SE METEU A DROGA DO ESTAGIÁRIO?????


Enquanto escrevia minha tese de doutorado, me deparei com uma dúvida, porque sempre li e escutei as duas formas, mas nunca soube qual delas podia ser considerada gramaticalmente “correta”, sobretudo no registro formal. Afinal, o correto é dizer “em Recife” ou “no Recife”? O correto é dizer “em Alagoas” ou “nas Alagoas”? Quem vive nesses dois lugares já sabe a resposta, ou pelo menos sua resposta, mas perdoem este paulista ignorante que também deseja ajudar outros seres da mesma espécie, rs.

Estou escrevendo este texto porque há várias páginas com a mesma resposta, e outras com apenas uma das duas opções (“em” ou “no/nas”) corretas, e também quero dar minha contribuição pra quem vê mais esta humilde página do que outros sites. Os nativos, obviamente, sempre vão usar as formas “no Recife” e “nas Alagoas”, em concordância com o gênero e o número de cada substantivo. Porém, ao contrário de topônimos como “no Rio de Janeiro”, que se fixaram com o artigo definido (embora em francês se diga “à Rio”, e não “au Rio”), a norma culta manda dizer e escrever “em Recife” e “em Alagoas”, sem artigo. Lembrando que “no = em + o”, e “nas = em + as”, pra quem não manja de gramática.

Na verdade, num sentido mais amplo da linguística e da comunicação, ambas as formas estão corretas, embora no que chamamos de “registros” diferentes. Isto é, na linguagem coloquial, incluindo a escrita informal em redes sociais, é plenamente aceitável dizer “no Recife” e “nas Alagoas”, não só conforme o uso que já é consagrado nessas duas regiões, mas também na concordância natural com os substantivos comuns “recife” e “lagoas” (ao qual se incorporou um “a” protético durante a história). Não é errado, mas se você disser “em Recife” ou “em Alagoas” pra um recifense ou um alagoano, ele vai achar muito estranho, rs.

Contudo, atenção pra quem trabalha com escrita formal, quem vai fazer concurso ou qualquer tipo de prova ou quem atua com a fala em público! No registro estritamente escrito, padronizado (como teses e artigos acadêmicos), jornalístico etc., a única forma aceita é “em Recife” e “em Alagoas”, pois escrever “no Recife” e “nas Alagoas” nesse contexto soa tão errado como “nós tava indo” ou “pra mim ver”. Há várias outras formulações (pra mim, pessoalmente, não exatamente essas duas que citei...) que são totalmente aceitáveis num registro informal, coloquial ou descontraído, não necessariamente familiar, mesmo em certos suportes escritos, mas que se deve evitar em contextos mais rigorosos.

É isso, e não deixe de visitar (o) Recife e (as) Alagoas!



sábado, 11 de novembro de 2023

Macron critica a “linguagem inclusiva”


Link curto pra esta publicação: fishuk.cc/macron-neutro



“Non, Greta, non existe essa coisa de menine!”


No dia 30 de outubro de 2023, o presidente francês Emmanuel Macron inaugurou a chamada Cidade Internacional da Língua Francesa (ou CILF) no castelo de Villers-Cotterêts, situado na cidade de mesmo nome e onde o rei Francisco 1.º assinou em 1539 uma ordenação (ou édito) que transformava o francês, então também conhecido como o “dialeto parisiense” das elites e dos intelectuais, em língua oficial do direito e da administração no lugar do latim medieval. Por essa razão, o documento também é considerado a “certidão de nascimento” do francês como língua de unificação nacional, depois expandida ao redor do mundo. Visando deixar uma grande marca em sua turbulenta administração, Macron aventava já em 2018 a ideia de reformar o castelo pra torná-lo um espaço internacional de reunião e incentivo a escritores e pensadores francófonos de todo o planeta, bem como um espaço de arte e memória, à maneira do Museu da Língua Portuguesa (São Paulo), mas de dimensões bem maiores.

Do nada, enquanto faz seu sonífero discurso de inauguração de quase uma hora, Macron arranca aplausos sinceros (único momento em que isso acontece antes do fim) de uma plateia geriátrica ao atacar dois tipos de “linguagem inclusiva” mais ou menos correntes em nossas línguas europeias modernas. O primeiro, obviamente, é resumido na frase “o masculino faz o neutro”, ou seja, se quiséssemos incluir pessoas de várias identidades de gênero, bastava usarmos o masculino, já que ele seria o “gênero universal por excelência”. Não tenho certeza se foi uma referência às pessoas que se identificam (em bom mussunzês...) como “não bináries” ou à prática, bem mais antiga, de colocar juntas as terminações de gênero masculino e feminino numa só palavra. Explico: em português, por uma questão de etiqueta, é comum separarmos terminações masculinas e femininas com parênteses ou barras, em frases como, por exemplo, “Estimados(as) professores(as) brasileiros(as)” ou “Estimados/as professores/as brasileiros/as”, ou mesmo invertendo a ordem – “Estimadas(os)...” ou “Estimadas/os...”.

Embora por vezes tanto a escrita quanto a leitura (sobretudo em voz alta) fiquem cansativas, ainda mais quando é o radical todo que muda com o gênero, e não apenas a terminação (palavras como “meu/minha”, “seu/sua” etc.), isso jamais incomodou alguém e sempre foi visto como uma evolução do “espírito do tempo”, e não como “modismo”, segundo disse Macron. Porém, alguns problemas se põem. Primeiro, têm se popularizado rapidamente os conversores de texto em voz nos aparelhos eletrônicos pra pessoas de baixa ou nenhuma visão, e esses programas ainda não forma treinados pra verbalizar tais sutilezas (muito menos comuns, aliás, em línguas com marcação de gênero irrisória, como o inglês e o mandarim). A vocalização, pois, fica truncada, o que é especialmente prejudicial em mensagens acadêmicas e institucionais. Segundo, o grafismo do francês é diferente, pois enquanto o português substitui vogais, o francês adiciona letras, sejam vogais ou consoantes, pra formar o feminino, mesmo que nem sempre a pronúncia mude. Isso faz com que ao invés de parênteses, eles prefiram usar pontos (os quais vi mais vezes) pra circundar as formas protuberantes: nossa frase acima ficaria “Estimé.e.s professeur.e.s brésilien.ne.s” (é mais corrente a forma escrita professeur/s pra ambos os gêneros). Realmente, penosa de ler, mais ainda de digitalizar...

E terceiro, ligado tanto à acessibilidade quanto a aspectos culturais: a visibilização das pessoas que em questão de gênero (mas não de sexualidade, atenção!) dizem não se identificar nem como homens, nem como mulheres (como pode ocorrer com homoafetivos ou transgêneros) e se autodenominam “não binárias não bináries”. Confundindo a questão de “gênero” em linguística com a questão de “gênero” em biologia, elas (as pessoas!) não gostam do uso de morfemas masculinos ou femininos, e estão quebrando a cabeça pra se concederem uma representação linguística, algo obtido malemá com vogais não reservadas a gêneros. Em português, já vemos formas nas quais traduziríamos nossa frase-exemplo como “Estimades professôries [sic!] brasileires”, e que realmente ainda não sei se pretendem representar apenas as pessoas “não bináries” ou toda e qualquer identificação de gênero, sem distinção. Outro debate é sobre a compulsoriedade: devem as instâncias oficiais se virarem pra incluir alguma expressão “neutra” ou, pelo contrário, proibirem seu uso inclusive no ensino escolar público? Me divirto muito com bolsominions que nas redes sociais, não juntando lé com cré, pra atacarem os políticos ou conglomerados de mídia que eles odeiam, usam ironicamente “Globe”, “Lule” etc.

As formas com “e”, “u” (“êlu” por “ele” ou “ela”) e o escambau, ao menos, são mais decifráveis pela informática, e talvez por isso começaram a prevalecer, do que as primeiras formas não referentes a nenhum gênero, expressas com sinais não alfabéticos ou consoantes ilegíveis, como “Estimad@s professor_s brasileirxs”. Por razões de sobrevivência, os usuários de leitores automáticos começaram a implorar pela rejeição desses hieroglifos, mas o debate continua, e já vimos que vai além da mera e antiga inclusão das mulheres na linguagem comum. Os principais tópicos: o “não binarismo” exigiria uma expressão linguística? Uma “linguagem inclusiva” passaria pela invenção de formas diferentes? Qual seria a utilidade prática, pro grosso da população que sequer domina a norma culta tradicional, e não pra uma pequena parte? Essas formas deveriam ser impostas ou proibidas? E se fosse deixado ao costume dar a última palavra, será que pegariam ou, como muitos “modismos”, morreriam esquecidas? Na França, a própria Brigitte Macron, professora aposentada de francês, já causou espécie ao condenar publicamente as formas iel, iels, que valeriam respectivamente por il, elle (ele, ela) e ils, elles (eles, elas).

Apenas como disclaimer, quero ressaltar que estou escrevendo aqui apenas fatos, e não minha opinião, sobre a qual eu poderia escrever um longo texto, e mesmo assim sem tirar conclusões definitivas, pois nem os gramáticos normativos, nem as pessoas religiosas, são os formatadores das verdades da vida. Questão diferente, ainda, é a linguagem neutra tecnicamente falando, ou seja, a construção ou tradução de textos que, na medida do possível, usem mínima ou nenhuma forma que faça alusão a gênero e que, segundo gente do ramo, já é uma demanda crescente. Dando meu único exemplo grosseiro, é como se ao invés de dizermos “Bom dia a todos e todas”, “Bom dia a todas e todos” ou “Bom dia a todas, todos e todes” (Alexandre Padilha!), saudássemos “Bom dia pra todas as pessoas” (que já vi professoras usando, até meio constrangidas), “Bom dia pra todo mundo”, “Bom dia, pessoal” ou simplesmente... “Bom dia”.

A versão escrita no site do Palácio do Élysée, que confrontei com meu texto de ouvido, tem algumas diferenças com a fala e até alguns erros, pois quando Macron diz lisible (legível), lemos visible (visível). Como o canal do YouTube da presidência ainda não permitia o download de outras fontes, também acabei tirando o trecho concernente do canal estatal France 24. Seguem o vídeo com uma pequena montagem “humorística”, a transcrição e minha imperfeita tradução:


Il faut permettre à cette langue de vivre, de s’inspirer des autres, de voler des mots, y compris à l’autre bout du monde, et j’y reviendrai tout à l’heure, de continuer à inventer... mais d’en garder aussi les fondements, les socles de sa grammaire, la force de sa syntaxe, et de ne pas céder aux airs du temps. Dans cette langue, le masculin fait le neutre. On n’a pas besoin d’y rajouter des points au milieu des mots, ou des tirets, ou des choses pour la rendre lisible.

É preciso permitir que essa língua viva, inspire-se nas outras, roube palavras, inclusive do outro lado do mundo, e voltarei a isso daqui a pouco, continue inventando... mas também preserve seus fundamentos, as bases de sua gramática, a força de sua sintaxe, e não ceda aos modismos de cada época. Nesta língua, o masculino faz o neutro. Não é necessário, no meio das palavras, acrescentar pontos, hifens ou coisas para torná-la legível.


domingo, 8 de outubro de 2023

URSS caceteia Rússia + “lulaciata”


Link curto pra esta publicação: fishuk.cc/mix-politica7


Em 3 de outubro de 1993 (ou seja, há pouco mais de 30 anos) estourou a crise constitucional que em outra publicação chamei de “Os 13 dias em que a URSS quase voltou” e que levou Boris Ieltsin a receber muito mais poderes como presidente, sistema que vigora até hoje (com as reformas que Putin impôs em 2020), esmagando o antigo Soviete Supremo. Neste “parto dolorido” em que literalmente um país estava aos trancos e barrancos nascendo a partir de outro e cuja transição, a meu ver, jamais se completou, a URSS literalmente tava caindo de pau contra a Rússia moderna pra ressuscitar e não morrer mais, rs! (Contexto: um tiozinho manifestante tava batendo num policial, enquanto o Exército bombardeava o prédio do Parlamento...)


Se depender deste senhor, parece que começaremos nos próximos tempos a ver “lulaciatas” e até “chuchuciatas”. É oportuni$$$mo que isso chama???




Após a fuga massiva de todos os armênios da região azerbaijana então conhecida como República do Artsakh (agora uma finada entidade política jamais enraizada), sua capital autoproclamada, Stepanakert, que pelo jeito vai ser mais conhecida no futuro pelo nome túrquico Khankendi, agora está assim. Vazia, suja, bagunçada e abandonada, como mostram alguns poucos youtubers que ainda andam por lá.


Mais uma direto do centro acadêmico de graduação das Humanas na Unicamp. O Google pira tanto com o tal “gênero neutro” (que não é a mesma coisa que linguagem neutra!) que ele nem consegue reconhecer como português, rs. Querem revolucionar nosso coitado idioma, mas saberem usar corretamente a crase que é bom, nada, né?


E falta reestudar a concordância também...


    

Em dois dias, uma húngara ganha um Nobel de Medicina e um húngaro ganha um Nobel de Física. Ambos são pesquisadores que vivem e trabalham fora da Hungria. A primeira teve a bolsa cortada pelo governo, pesquisando sobre a covid!

O ditador reacionário e clerical Orbán está acabando com a pesquisa científica na Hungria. Imaginem se Bolsonaro governasse mais um fulo ano na Banânia? Tendo nos tornado um pântano feudal obscurantista, todos os cientistas teriam fugido. Mas como temos concidadãos participando de importantes projetos coletivos ao redor do mundo, não duvido que nessa brincadeira poderíamos ter sacado um Nobel!

E pra encerrar, um pouquinho de humor popular dos comentários do YouTube com nossa comediante Neusa Araújo “3811”, rs. Bom finde!