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terça-feira, 21 de abril de 2026

Leozinho e Chiquinho falando português

Há quem diga que o papa polonês João Paulo 2.º não era poliglota, mas apenas (cito de memória) “decorava e exibia algumas frases”. A opinião é suspeita, pois há muitos anos eu era inscrito numa lista de e-mails de uma falecido professor universitário aposentado “anti-imperialista” (leia-se pró-Putin, embora ele não declarasse), materialista e que expressou essa ideia, embora eu prefira não citar seu nome. Mas a verdade é que o bispo Karoł Wojtyła estudava, sim, vários dos idiomas em que se expressava, inclusive o português, que teria aprendido com um cardeal na década de 1970. Prova de seu relativo domínio são as várias visitas que fez ao Brasil durante seu pontificado, em que falava – inclusive com repórteres – ou discursava sem ler nenhum papel. Realmente, é muito rancor pra pouco acadêmico...

Isso fez com que no imaginário popular, o “João de Deus” (não o abusador de Abadiânia!) ficasse associado à figura de um poliglota. Dessa forma, seria redundante republicar aqui qualquer vídeo seu falando português. Seja como for, esse não parece ter sido o caso de seus sucessores alemão (Bento 16), argentino (Francisco) e americano (Leão 14). Pros dois últimos pontífices, temos registros de discursos seus completos na língua de Camões e de Machado, ainda que a pronúncia pareça ter sido aprendida em seu básico. Mas creio que apenas o bispo Robert Prevost realmente tenha estudado alguns idiomas, pois o bispo Jorge Bergoglio se recusava a rezar missa em inglês até mesmo nos EUA.

O que quero lhes trazer aqui hoje são dois discursos completos em português, apenas com o vídeo (cujos trechos cortei das publicações originais) e sem as transcrições, do papa Francisco no Brasil, em 28 de julho de 2013 (pouco depois de assumir e por ocasião da Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro), e do papa Leão 14 em Angola, em 18 de abril de 2026 (recebido por autoridades na capital Luanda).

Um fato curioso sobre a estadia do argentino em nosso país é que eu vi a despedida, na data mencionada, ao vivo pela TV Globo e a tinha até hoje na recordação, mas só alguns dias atrás resolvi procurar o vídeo no YouTube. Achei no canal da televisão estatal, e duas coisas chamam a atenção: a presença do então “vice-presidente decorativo” Michel Temer no lugar da titular Dilma Rousseff e a rara execução instrumental completa da Marcha Pontifícia, o hino não oficial do Vaticano. Mais engraçado ainda é ver o Vampirão Maçom com as mãos entrelaçadas como se fosse o Drácula, sem que suspeitássemos da iminente vinda do “gópi de 16”, rs.





Pra sua diversão e prazer, também separadas, seguem abaixo as execuções instrumentais da Marcha Pontifícia e do Hino Nacional Brasileiro em 2013, que quase fizeram o “Papa Chico” dormir em pé, apesar dos gritos histéricos da multidão que cantava frases estranhas:




sábado, 31 de maio de 2025

Duas Romas: Francisco e Cirilo (2022)


Endereço curto: fishuk.cc/duasromas

Nesta crônica de Slimane Zeghidour ao Journal international da TV5MONDE, em 17 de abril de 2022, ele dá uma interessante explicação sobre as diferenças persistentes entre o papa de Roma e o patriarca de Moscou. Sempre gosto de todas as suas análises, embora em meados de fevereiro daquele ano ele não acreditasse que a Rússia pudesse invadir a Ucrânia! O jornal vai ao ar todos os dias, ao meio-dia, e a âncora Isabelle Malivoir segue no comando, mas pessoalmente a achei meio mal-educada: imagine, duvidar da capacidade de compreensão da audiência ou talvez da habilidade explicativa de Zeghidour!

No começo da invasão, Francisco ainda mantinha uma posição crítica, mas com o tempo foi sendo cada vez mais acusado de leniência diante de Putin, até sua morte, em 21 de abril de 2025. O novo pontífice, Leão 14, foi mais incisivo contra a agressão, mas enquanto líder espiritual, permanece a necessidade permanente de ser mais “pragmático” quanto a uma aproximação com o patriarca Cirilo. Apesar do atraso, ainda acho uma tradução interessante.



– Junto-me a Slimane Zeghidour, nosso colunista e especialista em religião. Olá, Slimane. Então, uma bênção Urbi et Orbi repleta de uma mensagem aos grandes e poderosos neste tempo de guerra. Trata-se de uma mensagem política do papa ou ele está agindo em sua capacidade de chefe da Igreja Católica?

– Ambos, porque ele é o chefe da Santa Sé e, portanto, o líder espiritual de dois bilhões de católicos, mas também é o monarca do Estado da Cidade do Vaticano. E ele usa, por assim dizer, dois bonés, e é nessa capacidade que ele fala hoje. Agora, com relação à Rússia, devemos lembrar que o Estado russo só reconhece quatro crenças que são consideradas religiões nacionais: o cristianismo ortodoxo, o islã – sim, há 20 milhões de muçulmanos na Rússia –, o judaísmo e o budismo. Nesse contexto, a Igreja Católica, assim como as igrejas evangélicas, é uma igreja estrangeira. Não somente estrangeira, mas rival desde o cisma de 1054, agravado pela queda de Constantinopla, a “segunda Roma”, perante os turcos em 1453. E foi nesse momento que Moscou se tornou a “terceira Roma”, ou seja, o centro, o coração da cristandade no mundo.

E desde então, existe uma rivalidade entre Moscou e Roma. A diferença é que a Igreja Católica tem um único líder, o papa, enquanto as igrejas ortodoxas são, como se costuma dizer, autocéfalas, ou seja, cada país tem seu próprio patriarca. Mas o Patriarca de Moscou e de Todas as Rússias – é seu título completo, Patriarca de Moscou e de Todas as Rússias – governa os ortodoxos russos, mas também uma parte dos ortodoxos do Cazaquistão, da antiga União Soviética e da Ucrânia. Assim, na Ucrânia, a Igreja Ortodoxa Ucraniana decidiu romper sua ligação umbilical com o Patriarcado de Moscou pra se tornar uma Igreja Ortodoxa Ucraniana autônoma. Mas nesse instante, parte da Igreja Ortodoxa Ucraniana se cindiu de sua própria igreja pra permanecer ligada a Moscou. Você pode ter uma noção do cenário.

– Daí a complexidade da posição geral da Igreja com relação a isso.

– Isso. Pra simplificar o quadro, uma grande parte dos cristãos ucranianos são o que chamamos de uniatas, ou seja, ex-cristãos ortodoxos que se uniram ao papado e são chamados de uniatas. Eles são católicos e vivem na parte ocidental do país. É nessa parte, aliás, que se encontram os maiores partidários da independência da Ucrânia e da incorporação à Europa.

– Sim, não tenho certeza se isso simplifica muito as coisas na mente dos telespectadores. A Ucrânia é um espinho no pé da Santa Sé, Slimane? Porque é necessário ao mesmo tempo, como posso dizer, manter o diálogo justamente com a Igreja Ortodoxa Russa e também não ofender todos os cristãos da Ucrânia.

– Pois bem, quanto aos cristãos da Ucrânia, como eu disse, são os uniatas, assim, são ex-cristãos ortodoxos que se uniram a Roma. E isso alimenta uma espécie de paranoia entre os russos, em Moscou, como se a Igreja Católica considerasse toda a ortodoxia russa como uma terra missionária onde mais pessoas deveriam ser convertidas ao catolicismo. É por isso, por exemplo, que o papa de Roma pôde visitar países muçulmanos, incluindo ultraconservadores, mas nunca pôde ir a Moscou. 20 anos atrás, um dos assessores do então patriarca de Moscou e de Todas as Rússias disse à imprensa que o papa em Moscou era como Bin Laden na Casa Branca. Você pode ter uma noção da comparação.

– Muito obrigado, Slimane Zeghidour, e tudo o que você está dizendo, na verdade, faz comprometer esse futuro encontro que o papa desejava.

– Será muito difícil, mas não está fora de questão.


– Je rejoins Slimane Zeghidour, notre éditorialiste et spécialiste des religions. Bonjour, Slimane. Alors, une bénédiction Urbi et Orbi empreinte d’un message aux grands de ce monde en cette période de guerre. Est-ce que c’est un message politique du pape ou est-ce qu’il est dans ses fonctions de chef de l’Église catholique ?

– Les deux, parce qu’il est le chef du Saint-Siège, donc le chef spirituel de deux milliards de catholiques, mais il est aussi le monarque de l’État de la Cité du Vatican. Et il a, si on peut dire, deux casquettes, et c’est à ce titre qu’il parle aujourd’hui. Maintenant, s’agissant de la Russie, il faut rappeler que l’État russe ne reconnait que quatre cultes qui sont considérés comme des religions nationales : le christianisme orthodoxe, l’islam – oui, il y a 20 millions de musulmans en Russie –, le judaïsme et le bouddhisme. Dans ce cadre-là, l’Église catholique, comme les églises évangéliques, est une église étrangère. Non seulement étrangère, mais rivale depuis le schisme de 1054 qui a été aggravée par la chute de Constantinople, « deuxième Rome », en 1453 devant les Turcs. Et c’est à ce moment-là que Moscou est devenue la « troisième Rome », c’est-à-dire, le centre, le cœur de la chrétienté dans le monde.

Et depuis lors, il y a une rivalité entre Moscou et Rome. La différence, c’est que l’Église catholique a un seul chef, c’est le pape, tandis que les églises orthodoxes sont, comme on dit, autocéphales, c’est-à-dire, chaque pays a son propre patriarche. Mais celui de Moscou et de toutes les Russies – c’est son titre complet, patriarche de Moscou et de toutes les Russies – gouverne les orthodoxes russes, mais aussi une partie des orthodoxes du Kazakhstan, de l’ex-Union soviétique et de l’Ukraine. Alors, en Ukraine, l’Église orthodoxe ukrainienne a décidé de rompre son lien ombilical avec le Patriarcat de Moscou pour devenir une Église ukrainienne orthodoxe autonome. Mais à ce moment-là, une partie de l’Église orthodoxe ukrainienne a fait un schisme par rapport à sa propre église pour rester rattachée à Moscou. Vous voyez un peu le paysage.

D’où la complexité du positionnement de l’Église de manière générale face à ça.

Voilà, pour simplifier le tableau, qu’une bonne partie des chrétiens ukrainiens sont ce qu’on appelle des uniates, c’est-à-dire, ce sont d’ex-chrétiens orthodoxes qui se sont ralliés à la papauté et on les appelle les uniates, qui, eux, sont des catholiques et habitent dans la partie ouest du pays. C’est dans cette partie d’ailleurs qu’on trouve les plus grands partisans de l’indépendance ukrainienne et du rattachement à l’Europe.

– Ouais, pas sure que ça simplifie beaucoup dans l’esprit des téléspectateurs. L’Ukraine, c’est une épine dans le pied du Saint-Siège, Slimane ? Parce qu’il faut à la fois, comment dirais-je, maintenir le dialogue avec justement l’Église orthodoxe russe et puis ne pas froisser non plus tous les chrétiens d’Ukraine.

– Alors, pour les chrétiens d’Ukraine, je vous ai dit, ce sont les uniates. Donc ce sont des chrétiens ex-orthodoxes qui se sont ralliés à Rome. Et cela entretient chez les Russes, à Moscou, une sorte de paranoïa, comme si l’Église catholique considérait toute l’orthodoxie russe comme une terre de mission dans laquelle il faudrait encore convertir des gens au catholicisme. C’est pour cela, par exemple, que le pape de Rome a pu aller dans des pays musulmans, y compris ultraconservateurs, mais n’a jamais pu aller à Moscou. Il y a 20 ans, un des conseillers du patriarche de Moscou et de toutes les Russies de l’époque avait dit à la presse que le pape à Moscou, c’est comme Bin Laden à la Maison-Blanche. Vous vous rendez compte un peu de la comparaison.

– Merci beaucoup, Slimane Zeghidour, et tout ce que vous dites effectivement laisse compromettre cette future rencontre que le pape souhaitait.

– Elle sera très difficile, mais pas exclue.



sexta-feira, 2 de maio de 2025

Igreja Católica Apostólica Brasileira


Endereço curto: fishuk.cc/icab-papa

Poucos sabem, mas a Terra de Santa Cruz engendrou em 1945 um “cisma” do papado romano, chamado “Igreja Católica Apostólica Brasileira” (ICAB). Ela foi obra de um bispo de esquerda, que achava o Vaticano muito reacionário e (que novidade!) criticava sua intransigência em ignorar nossa realidade. Roteiro conhecido, ele foi excomungado e “virou santo” após falecer, mas curiosamente a ICAB não tem cardeais, como a “ICAR”, e sim um conselho superior de bispos que preside a denominação. Há poucas diferenças nos rituais e ornamentos em relação a Roma, cujo “bispo” eles não chamam de papa e cuja autoridade eles (óbvio, né?) não reconhecem, mas sua presença já se estende pra fora de nossas fronteiras. Uma busca rápida na zinternetx dá várias referências em sites e redes sociais.

Queria destacar apenas esta matéria do Diário do Grande ABC, datada de 10 de março de 2013, exatamente perto da posse do agora finado Jorge Bergoglio, passado à história como Papa Francisco. Focado numa paróquia em Santo André, o artigo já dá bastantes informações básicas sobre a história e a doutrina, suficientes pra uma apresentação rápida. Dois de seus maiores “atrativos” saltam aos olhos: a abolição do celibato sacerdotal e o casamento religioso de divorciados, o que pra um descrente como eu é algo absolutamente irrelevante. Outro “atrativo” é o batismo de filhos de mães solo ou de casais não unidos no papel, embora ele nunca tivesse sido negado, até onde eu saiba, pelos católicos, e que o próprio Francisco tenha mesmo estimulado essa prática, criticando quem a rejeita e citando a necessidade de “não negar sacramentos a quem deseja” e “acolher pessoas já excluídas em outros âmbitos”. Importante: essa página está marcada como “Doutrina da Fé”, ou seja, praticamente o Tribunal da Inquisição!

Se essa proibição pelo menos era “tácita”, isto é, padrecos recalcados que recusavam tais batismos, ela em todo caso ficou na mentalidade do povo, que sempre achou que era impossível batizar seus filhos “não planejados” ou “de pais solteiros”. Meus próprios pais não eram casados e, salvo engano, a Paróquia de Santa Luzia em Guarulhos, SP, onde minha mãe e meus padrinhos me batizaram, era da ICAB, informação que não consegui confirmar por meio de buscas no Google. Inclusive, contatei no Instagram o perfil oficial da igreja e alguns padres que se reivindicam dela pra obter alguma confirmação a respeito, mas jamais obtive retorno. Seja como for, pra todos os efeitos fui católico romano depois, em Bragança Paulista: primeira comunhão, eucaristia e outras formalidades (não sou crismado) jamais negadas, e talvez até pudesse casar “de véu e grinalda” (o que jamais pretendo, aliás, rs) sem levantar suspeitas. Como sempre diz minha mãe: “É tudo a mesma coisa, o que importa é a fé da gente...”

Uns meses atrás, cheguei a ler coisas sobre a ICAB na rede, mas fiquei particularmente pensando sobre como reagiram à passagem do argentino a quem chamam simplesmente “bispo de Roma”. Você sabe que está página sebenta é feita por curiosos, pra curiosos, portanto, a xeretagem daquela histórica segunda-feira me trouxe até esta publicação no perfil pessoal do Facebook pertencente a Dom Antonio Rodrigues, que se descreve como “bispo diocesano de Barra de São João, RJ, da Igreja Católica Apostólica Brasileira”.

Mesmo sem autorização, achei interessante a republicar aqui, pois levanta muitas inquietações que perpassaram o próprio papado de Bergoglio e ainda coligam os progressistas. Descontada a redação por vezes sofrível, que corrigi enquanto tentava mexer o menos possível no original, segue a íntegra do “textão”, mais três comentários de contatos, igualmente revisados, que achei representarem as tendências mais visíveis na atualidade:


NASCEU PARA A VIDA ETERNA O BISPO DE ROMA, PAPA PARA OS SEUS

O Bispo de Roma, Francisco se destacou em muitos campos: sociais, políticos, ambientais, doutrinários e ecumênicos.

Quero frisar o último tema: ecumenismo; este foi o Papa que, enquanto chefe de sua instituição, mais se destacou na busca do diálogo, sobretudo com as grandes religiões, de forma destacada com o islamismo [sic]. Não é surpreendente que tenha sido com o islamismo, afinal, este é o grupo religioso que mais entraves [sic] tem com os cristãos mundo afora e impõe muitas perseguições nos mais diversos países onde são maioria. Nestes locais, os cristãos e parte destes católicos romanos sofrem muito, portanto, a [há?] política necessária de um diálogo, pois sendo minoria, há que ser mais humilde...

No entanto, é lamentável que nos países em que são maioria, como no Brasil, [em] todo clero romano, desde o episcopado até os diáconos, COM RARÍSSIMAS EXCEÇÕES, as práticas e discursos ecumênicos apregoados pelo agora falecido Papa são apenas LETRAS VERBORRÁGICAS.

No Brasil, o clero romano, em sua maioria, é alheio ao ecumenismo, muitos são medievais em seus pensamentos, outros se travestem de ecumênicos, sobretudo, nos organismos como o CONIC [Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil], onde exercem poder, tal como o poder exercido este ano para vetar a entrada da ICAB, dizendo que se a ICAB fosse aceita, eles sairiam. Resultado? O CONIC cedeu à pressão, afinal, os romanos provêm a maior cota financeira de manutenção daquela instituição.

A mentira do diálogo no Brasil é vergonhosamente visível. A tal semana de oração pelos cristãos em muitas, mas muitas paróquias no Brasil, nem acontece.

Lamentavelmente a mensagem deste papa não pegou no clero romano. Existem amizades pessoais entre clero romano e clero nacional, mas algo quase ao estilo das catacumbas, pois o medo de uma relação pública e a possível punição por esta amizade amedrontam o baixo clero romano. Deus sabe que a mensagem ecumênica deste papa NÃO CHEGOU AO BRASIL, pelo menos com as igrejas de tradição católica ou ortodoxas independentes. E onde chegou, com as igrejas chamadas canônicas e protestantes tradicionais, não passa de verdadeiro teatro, pois lá na base, nos seminários, o ecumenismo NÃO É ENSINADO E MUITO MENOS VIVIDO.

Enquanto Bispo católico brasileiro, lastimo a morte deste homem, que sim, muito lutou para que a “cara” romana mudasse, mas não mudou. Rezaremos, sim, por sua alma, embora para os romanos nossa oração não tenha validade alguma. Ainda assim, vamos oferecer nossas orações, com a sincera esperança de que Deus o tenha em sua guarda e proveja à igreja de Roma um novo Papa verdadeiramente católico e sobretudo com horizontes de unidade sem opressão e que tenha coragem de IMPOR o ecumenismo verdadeiro, sem medo de disciplinar os que apenas fazem teatros ecumênicos.

A análise dura, não é sobre quem tentou ser coerente, mas sobre quem acena sim com a cabeça, mas vira as costas e age como se nada tivesse ouvido.

Nesta diocese de Barra de São João – RJ celebraremos, junto da Missa de São Jorge no próximo dia 23/04, por seu descanso eterno.


+Dom Antonio Duarte Santos Rodrigues
Diocesano de Barra de São João RJ.


Padre Wagner Neto: Se no Brasil o senhor acha que o clero romano parou na Idade Média, no que tange ecumenismo, cá na Europa, Portugal e Espanha, eles estão nas cruzadas contra os hereges e, atenção, TODOS que estão fora da Igreja Católica são considerados SEITAS HERÉTICAS... O ecumenismo que Francisco pregoava simplesmente foi distorcido por caras e bocas tortas da maioria do clero romano... Não esqueças que na JMJ [Jornada Mundial da Juventude] DE LISBOA, o finado Papa citou que a Igreja deveria acolher TODOS 102 VEZES... daí pergunto-vos: onde está este acolhimento? No vazio do limbo, infelizmente...

Padre Luiz Bergara (Ortodoxia de Rito Ocidental): Excelência, bom dia. Peço a vossa benção e Deus o abençoe. Retirei a minha marcação de sua publicação. O Sr. Jorge Mario Bergoglio foi um dos maiores promotores do relativismo, do sincretismo religioso e do falso ecumenismo, ou seja, de uma religião totalmente estranha aos tempos apostólicos. Do ponto de vista administrativo, os próprios Sacerdotes Romanos dizem da confusão que foi feita por ele. Enquanto homem, esperamos que ele tenha tido tempo do arrependimento dos seus atos e da conversão sincera, pois enquanto há vida há esperança e sempre devemos lutar pela salvação das almas.

Marlon Misko: Pois é, hoje é um dia de ver e ler muita hipocrisia de católicos romanos sobretudo, que desejavam o mal e a morte do Papa, que o chamavam de comunista por seguir o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, que esnobavam, enfim, desde grande homem e Papa Francisco. Hoje lastimam e se fazem de comovidos por sua morte, escrevem longos textos e tudo mais, não são nem um terço ecumênicos, as palavras de Francisco entravam num ouvido e saiam pelo outro, como diz o ditado popular. Enfim, Deus conhece o coração de todos!!! Que o bom Deus o receba em seu Reino Eterno!


Muitos acharam esta montagem de mau gosto, porque pensavam que se estava zoando com a morte do papa, rs. Mas na verdade, ela representa muitos mais a aura tóxica do atual vice-presidente dos EUA, que se diz “católico conservador”, embora seu embarque no trumpismo após críticas virulentas revele bem sobre o caráter do sujeito...


quinta-feira, 10 de abril de 2025

Noite belarussa e outros aleatórios


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Pra quem está em São Paulo capital ou arredores, deixo este convite com antecipação. Não sei se posso aparecer, morando no interior do estado, mas por favor, prestigiem, pois uma amiga minha belarussa, que me fez o convite, vai estar lá tocando sanfona!


Se você também quiser fazer seu próprio meme Fight Like a Masoud, Dudayev, Syrskyy, fique à vontade! A borda branca inferior é pra cortar a marca d’água do gerador online, caso você prefira.



Um amigo meu imaginou usando o IA como seria uma possível conversação de paz entre Putin e Zelensky, “os dois Valdemar”. Imaginou também que um estaria mandando o outro tomar primeiro a xícara de chá, rs!


Fonte: canal Nova Lectio, que provavelmente tirou de um terceiro lugar!




sexta-feira, 16 de junho de 2023

Ser pai é uma honra... 🥰



... e ser “papa” é inestimável, rs. (Não sei se traduzi bem, mas desculpem por qualquer erro, e podem falar comigo. Valendo um exemplar pro Frederico D’Ávila!)


terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

Orações feitas em latim eclesiástico (2)


Endereço curto: fishuk.cc/reze-latim2


Quando legendei a mensagem de Natal e a bênção Urbi et Orbi (Para Roma e para o mundo), seguida de indulgência plenária, pronunciadas pelo papa Francisco, líder supremo da Igreja Católica Romana, em 25 de dezembro de 2018 na Praça São Pedro, na cidade-Estado do Vaticano, não reparei de antemão que ele tinha falado ainda outras duas orações conhecidas no mundo católico. Elas ocorrem em horas solenes, e se tratam do “Ângelus” (tem esse nome porque começa com “O Anjo do Senhor...”) e da curta “Oratio pro Fidelibus Defunctis” (Oração pelos Fiéis Defuntos), postas antes da Urbi et Orbi.

As bênçãos estão na língua latina, idioma litúrgico dos católicos, e decidi reservar um vídeo só pra essa parte, que fica bem no meio do vídeo integral principal. É possível encontrar uma versão diretamente dublada em português, oficial do Vaticano, pra quem dispensa ouvir a voz de Francisco (íntegra). Pra traduzir o “Ângelus”, eu comparei as versões publicadas na Wikipédia e nos sites Aleteia e A Caminho, e neste localizei também a Oração pelos Defuntos. Pra esta oração, consegui achar uma versão pra comparação na Wikipédia apenas no verbete “Ladainha de Todos os Santos”, e aparece nas orações finais. Pra Urbi et Orbi, a mesma tradução pode ser encontrada no site iCatólica e no site da Canção Nova. Quanto à fala do cardeal, eu mesmo transcrevi e traduzi direto do italiano.

A “Hora do Ângelus” (ou “das Ave-Marias”) são três momentos do dia (às 6, 12 e 18 horas) em que os católicos tradicionalmente meditam sobre o mistério da Anunciação, quando o anjo Gabriel teria anunciado à Virgem Maria sua gravidez e concepção de Jesus Cristo. Consiste em algumas ladainhas acompanhadas de três ave-marias, além de uma oração e um Glória. Muitas TVs e rádios católicas do Brasil e de Portugal ainda transmitem essa meditação, algumas delas diretamente do Vaticano. Não traduzi nem legendei as ave-marias porque é uma oração muito conhecida e nesta postagem pode ser lida e ouvida em latim. A presente postagem foi feita como continuação dessa primeira, buscando documentar a maior parte das preces católicas.

Na expressão Urbi et Orbi, as palavras Urbs e Orbis estão no caso dativo (objeto indireto), e tradicionalmente Urbs se refere também à cidade de Roma, em especial na Antiguidade, quando era um modelo por excelência. Essa bênção é dada na Páscoa e no Natal, junto com uma mensagem com a qual o papa se dirige diretamente ao público. Realizada na varanda central da Basílica de São Pedro, é precedida pela entrada de uma cruz processional e dos cardeais diáconos e também se concede após a eleição do pontífice, ou seja, no final do conclave. O traço maior da bênção é que dá uma penitência e uma indulgência plenária sob condições definidas pelo direito canônico (ter confessado e tomado a comunhão, e não ter caído em pecado mortal).

Vou fazer umas observações sobre a linguagem. Minha escolha mais evidente foi o uso da letra “j” pro som do “i” semivocálico, e o uso das ligaturas “æ” e “œ” no lugar das letras “ae” e “oe” separadas. Neste segundo caso, as ligaturas indicam os ditongos “ái” e “ói” clássicos, que na língua medieval passaram a pronunciar-se “é” aberto. A escolha pelo “j” explica por que se leem, por exemplo, Jesus, judicare, Jordanem, bajulavit (Jesus, julgar, Jordão, carregou – cf. “bajular”), e não Iesus, iudicare, Iordanem, baiulavit. Lembre-se, então: a letra “i” é sempre vogal, nunca consoante, então dizemos “fi-li-us”, e não “fi-lius”, “ter-ti-a”, e não “ter-tia”, “ho-di-e”, e não “ho-die”. A sílaba tônica também vem marcada com um acento agudo nas transcrições abaixo, embora textos latinos usualmente não levem sinais diacríticos. Pra comodidade do leitor, acentuei todas as palavras com duas ou mais sílabas, inclusive as de fácil dedução, e removi a distinção entre vogais curtas e longas, sem as marcar com braquia ou mácron. Assim, perde-se a diferença entre terra (nominativo) e in terrā (ablativo).

Seguem minha legendagem do evento, o texto latino das orações, o texto italiano da introdução do cardeal e a tradução em português de tudo isso:


ÁNGELUS:

– Ángelus Dómini nuntiávit Maríæ. – Et concépit de Spíritu Sáncto. (Ave-Maria)
– Écce Ancílla Dómini. – Fíat míhi secúndum Vérbum túum. (Ave-Maria)
– Et Vérbum cáro fáctum est. – Et habitávit in nóbis. (Ave-Maria)

Óra pro nóbis, Sáncta Déi Génetrix. Ut dígni efficiámur promissiónibus Chrísti.

Orémus: Grátiam túam quǽsumus, Dómine, méntibus nóstris infúnde; ut qui, ángelo nuntiánte, Chrísti Fílii túi Incarnatiónem cognóvimus, per passiónem éjus et crúcem, ad resurrectiónis glóriam perducámur. Per eúndem Chrístum Dóminum nóstrum. Ámen.

Glória Pátri, et Fílio, et Spíritui Sáncto. Sícut érat in princípio, et nunc et sémper, et in sǽcula sæculórum. Ámen.


ORÁTIO PRO FIDÉLIBUS DEFÚNCTIS:

Pro fidélibus defúnctis: réquiem ætérnam dóna éis Dómine. – Et lux perpétua lúceat éis. – Requiéscant in páce. Ámen.

O cardeal: Il Santo Padre Francesco, a tutti i fedeli presenti e a quelli che ricevono la sua benedizione a mezzo della radio, della televisione e delle nuove tecnologie di comunicazione, concede l'indulgenza plenaria nella forma stabilita dalla Chiesa. Preghiamo Dio Onnipotente perché conservi a lungo il Papa a guida della Chiesa e conceda pace e unità alla Chiesa in tutto il mondo.


ÚRBI ET ÓRBI:

Sáncti Apóstoli Pétrus et Páulus: de quórum potestáte et auctoritáte confídimus ípsi intercédant pro nóbis ad Dóminum. (Amen) Précibus et méritis beátæ Maríæ sémper Vírginis, beáti Michaélis Archángeli, beáti Joánnis Baptístæ, et sanctórum Apostolórum Pétri et Páuli et ómnium Sanctórum misereátur véstri omnípotens Déus; et dimíssis ómnibus peccátis véstris, perdúcat vos Jésus Chrístus ad vítam ætérnam. (Ámen) Indulgéntiam, absolutiónem et remissiónem ómnium peccatórum vestrórum, spátium véræ et fructuósæ pœniténtiæ, cor sémper pœnitens, et emendatiónem vítæ, grátiam et consolatiónem Sáncti Spíritus; et finálem perseverántiam in bónis opéribus tríbuat vóbis omnípotens et miséricors Dóminus. (Ámen) Et benedíctio Déi omnipoténtis, Pátris et Fílii et Spíritus Sáncti descéndat súper vos et máneat sémper. (Ámen)

ÂNGELUS:

– O Anjo do Senhor anunciou a Maria. – E ela concebeu do Espírito Santo. (Ave-Maria)
– Eis aqui a escrava do Senhor. – Faça-se em mim segundo a vossa palavra. (Ave-Maria)
– E o Verbo se fez carne. – E habitou entre nós. (Ave-Maria)

Rogai por nós, Santa Mãe de Deus. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.

Oremos: Derramai, Senhor, como vos pedimos, a vossa graça em nossos corações, para que, conhecendo pela mensagem do anjo a Encarnação de Jesus Cristo, vosso filho, sejamos conduzidos, por sua Paixão e Cruz, à glória da Ressurreição. Por Cristo, nosso Senhor. Amém.

Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo. Assim como era no princípio, agora e sempre, pelos séculos dos séculos. Amém.


ORAÇÃO PELOS FIÉIS DEFUNTOS:

Oremos pelos fiéis defuntos: concedei-lhes, Senhor, o eterno descanso. – E que a luz perpétua brilhe sobre eles. – Que eles descansem em paz. Amém.

O cardeal: O Santo Padre Francisco, a todos os fiéis presentes e aos que recebem sua bênção por meio do rádio, da televisão e das novas tecnologias de comunicação, concede a indulgência plenária na forma estabelecida pela Igreja. Oremos a Deus Todo Poderoso para que mantenha longamente o Papa à frente da Igreja e conceda paz e unidade à Igreja no mundo todo.


PARA ROMA E PARA O MUNDO:

Que os santos apóstolos Pedro e Paulo, em cujo poder e autoridade temos confiança, intercedam por nós junto ao Senhor. (Amém) Que por meio das orações e dos méritos da santíssima Virgem Maria, de são Miguel Arcanjo, de são João Batista, dos santos apóstolos Pedro e Paulo e de todos os santos, Deus todo-poderoso tenha misericórdia de vós, perdoe os vossos pecados e vos conduza à vida eterna em Jesus Cristo. (Amém) Que o Senhor todo-poderoso e misericordioso vos conceda indulgência, absolvição e remissão de todos os vossos pecados, em tempo para uma verdadeira e frutuosa penitência, sempre com coração contrito, e a benção da vida, a graça, a consolação do Espírito Santo e perseverança final nas boas obras. (Amém) E que a bênção de Deus todo-poderoso, Pai e Filho e Espírito Santo desça sobre vós e permaneça sempre. (Amém)



sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

Papa Francisco saúda pelo Natal 2018


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No dia 25 de dezembro de 2018, que caiu numa terça-feira, o papa Francisco, chefe supremo da Igreja Católica Romana, pronunciou na Praça São Pedro, na cidade-Estado do Vaticano, a famosa mensagem de Natal e a conhecida bênção Urbi et Orbi (Para Roma e para o mundo), acompanhada de indulgência plenária. O Sumo Pontífice leu seu discurso na língua italiana e deu a bênção na língua latina, idioma litúrgico dos católicos.

No texto desse ano, Francisco destacou a necessidade das pessoas resgatarem a fraternidade como princípio de suas vidas e das relações entre elas. Sua preocupação maior foi com as zonas de guerra e as epidemias de fome, que parecem ter aumentado nos últimos anos ao invés de cair. O papa criticou as formas de discriminação e associou a fragilidade do Menino Jesus à vulnerabilidade das crianças no mundo: “Nossas diferenças não são um dano ou um perigo, são uma riqueza. Como para um artista que quer fazer um mosaico: é melhor estar munido com pastilhas de muitas cores do que de apenas algumas”.

Notavelmente, o pontífice faz uma referência à Ucrânia e à escassa expectativa de que a guerra civil entre os separatistas e o governo de Kyiv chegue logo ao fim. O país tem um razoável número de católicos, e na região oeste eles constituem uma sólida reserva nacionalista e antirrussa. Ao falar dos direitos das “nações”, acredito que Francisco aludiu veladamente à intransigência de certos setores do poder central em reconhecer um status diferenciado às províncias de maioria russa. O plano dos extremistas que desejam “a Ucrânia para os ucranianos”, claro, fracassou. O que também não implica ceder ao imperialismo da Rússia, cujo governo sempre viu católicos como espiões em potencial.

Na expressão Urbi et Orbi, as palavras Urbs e Orbis estão no caso dativo (objeto indireto), e tradicionalmente Urbs se refere também à cidade de Roma, em especial na Antiguidade, quando era um modelo por excelência. Essa bênção é dada na Páscoa e no Natal, junto com uma mensagem com a qual o papa se dirige diretamente ao público. Realizada na varanda central da Basílica de São Pedro, é precedida pela entrada de uma cruz processional e dos cardeais diáconos e também se concede após a eleição do pontífice, ou seja, no final do conclave. O traço maior da bênção é que dá uma penitência e uma indulgência plenária sob condições definidas pelo direito canônico (ter confessado e tomado a comunhão, e não ter caído em pecado mortal).

Numa próxima postagem vou pôr os textos completos em latim e em português da prece do “Ângelus”, que Francisco também pronunciou, e da Urbi et Orbi, incluindo o vídeo desses momentos legendado em português. Por enquanto, na descrição original do vídeo abaixo, vocês podem ler o texto latino da Urbi et Orbi. O texto em italiano eu mesmo traduzi, tendo tirado o escrito de um jornal da Itália. Mesmo assim, também é possível encontrar uma versão diretamente dublada em português, oficial do Vaticano, caso não queira ouvir a voz de Francisco. No original em italiano eu apenas cortei trechos desnecessários e as preces que legendei depois.

Em vários momentos do vídeo é possível também escutar as bandas militares italianas e vaticanas executando a Marcia Pontificale, hino da Cidade do Vaticano, e Fratelli d’Italia, hino nacional italiano desde 1945. A bênção Urbi et Orbi mesma só começa aos 11 min 36 seg. Espero que os católicos tenham gostado desse presente, e que quem não é católico entenda a importância histórica de tais documentos. Seguem a legendagem e a tradução em português. Aos 21 min 28 seg leia-se “Queridos irmãos e irmãs”, e não uma repetição do masculino!


Queridos irmãos e irmãs, feliz Natal!

A vocês, fiéis de Roma, a vocês, peregrinos, e a todos vocês que estão acompanhando de todos os cantos do mundo, renovo o jubiloso anúncio de Belém: “Glória a Deus no mais alto dos céus, e paz na terra aos homens por ele amados” (Lc 2, 14).

Como os pastores que primeiro se dirigiram à gruta, seguimos atônitos diante do sinal que Deus nos deu: “Um menino envolto em faixas, deitado numa manjedoura” (Lc 2, 12). Em silêncio, ajoelhamo-nos, e adoramos.

E o que nos diz aquele Menino, que nasceu para nós da Virgem Maria? Qual é a mensagem universal do Natal? Diz-nos que Deus é Pai bondoso e que todos nós somos irmãos.

Esta verdade está na base da visão cristã da humanidade. Sem a fraternidade que Jesus Cristo nos deu, nossos esforços por um mundo mais justo têm fôlego curto, e também os melhores projetos correm o risco de tornar-se estruturas inanimadas.

Por isso, o meu voto de um feliz Natal é um voto de fraternidade.

Fraternidade entre pessoas de todas as nações e culturas.

Fraternidade entre pessoas com ideias diferentes, mas capazes de respeitar-se e de escutar o outro. Fraternidade entre pessoas de religiões diferentes. Jesus veio para revelar a face de Deus a todos aqueles que o procuram.

E a face de Deus se manifestou numa face humana concreta. Não apareceu num anjo, mas num homem, nascido num tempo e num lugar. E assim, com sua encarnação, o Filho de Deus nos indica que a salvação passa através do amor, da acolhida, do respeito por esta nossa pobre humanidade que todos nós compartilhamos numa grande variedade de etnias, de línguas, de culturas... mas todos irmãos em humanidade!

Portanto, nossas diferenças não são um dano ou um perigo, são uma riqueza. Como para um artista que quer fazer um mosaico: é melhor estar munido com pastilhas de muitas cores do que de apenas algumas!

A experiência da família nos ensina isto: entre irmãos e irmãs, somos diferentes uns dos outros, e nem sempre estamos de acordo, mas há um laço indissolúvel que nos une, e o amor dos pais nos ajuda a amar-nos entre si. O mesmo vale para a família humana, mas aqui o “genitor” é Deus, o fundamento e a força de nossa fraternidade.

Que este Natal nos faça redescobrir os laços de fraternidade que nos unem como seres humanos e ligam todos os povos. Que ele permita a israelenses e palestinos retomarem o diálogo e ingressarem num caminho de paz que ponha fim a um conflito que há mais de setenta anos dilacera a Terra escolhida pelo Senhor para mostrar a sua face de amor.

Que o Menino Jesus permita à amada e atormentada Síria reencontrar a fraternidade depois desses longos anos de guerra. Que a Comunidade Internacional se empenhe resolutamente numa solução política que deixe de lado as divisões e interesses particulares, de forma que o povo sírio, especialmente todos os que tiveram de deixar as próprias terras e buscar refúgio em outro lugar, possa voltar a viver em paz na própria pátria.

Penso no Iêmen, esperando que a trégua intermediada pela Comunidade Internacional possa finalmente trazer alívio a tantas crianças e às populações exauridas pela guerra e pela carestia.

Penso, depois, na África, onde milhões de pessoas estão refugiadas ou evacuadas precisando de assistência humanitária e de segurança alimentar. Que o Divino Menino, Rei da paz, faça calarem-se as armas e surgir uma nova aurora de fraternidade em todo o continente, abençoando os esforços de todos os que se empenham em facilitar processos de reconciliação em nível político e social.

Que o Natal reforce os vínculos fraternos que unem a Península Coreana e permita-lhe prosseguir no caminho de aproximação escolhido e alcançar soluções consensuais que garantam desenvolvimento e bem-estar a todos.

Que este tempo de bênçãos permita à Venezuela reencontrar a concórdia e a todos os setores sociais trabalharem fraternalmente pelo desenvolvimento do País e pela assistência às camadas mais frágeis da população.

Que o Senhor que nasce traga alívio à amada Ucrânia, ansiosa por reconquistar uma paz duradoura que está demorando a chegar. Somente com a paz, em respeito aos direitos de todas as nações, o País pode reerguer-se dos sofrimentos vividos e restabelecer condições de vida dignas aos próprios cidadãos. Mantenho proximidade com as comunidades cristãs daquela Região e rezo para que se possam tecer laços de fraternidade e amizade.

Que diante do Menino Jesus se redescubram irmãos os habitantes da querida Nicarágua, a fim de que não prevaleçam as divisões e as discórdias, mas que todos se empenhem em facilitar a reconciliação e construir juntos o futuro do País.

Desejo recordar-me dos povos submetidos a colonizações ideológicas, culturais e econômicas, vendo dilacerada sua liberdade e sua identidade, e que sofrem com a fome e com a falta de serviços educativos e sanitários.

Dedico uma lembrança especial aos nossos irmãos e irmãs que festejam o Natal do Senhor em situações difíceis, para não dizer hostis, especialmente onde a comunidade cristã é minoritária, às vezes vulnerável ou desconsiderada. Que o Senhor permita a eles e a todas as minorias viver em paz e ver reconhecidos os próprios direitos, sobretudo a liberdade religiosa.

Que o Menino pequeno e resfriado que contemplamos hoje na manjedoura proteja todas as crianças da Terra e cada pessoa frágil, indefesa e desprezada. Que todos nós possamos receber paz e conforto com o nascimento do Salvador e, sentindo-nos amados pelo único Pai celeste, reencontrar-nos e viver como irmãos!

Reitero os meus votos de Natal a todos vocês. Um Feliz e Santo Natal!

Queridos irmãos e irmãs vindos da Itália e de diversos países, bem como aqueles que nos acompanham pelo rádio, pela televisão e por outros meios de comunicação, agradeço-os pela sua presença neste dia em que contemplamos o amor de Deus, surgido no mundo com o nascimento de Jesus. Que este amor favoreça o espírito de colaboração pelo bem comum, reavive a vontade de sermos solidários e dê a todos a esperança que vem de Deus.

Feliz e Santo Natal!