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domingo, 9 de agosto de 2026

Pynia, uma paródia de Putin (2012)

    Em setembro de 2026, vão ocorrer na Rússia as chamadas “eleições” pra Duma Estatal, a câmara baixa (tipo a dos Deputados) da Assembleia Federal, isto é, do parlamento. Coloquei eleições entre aspas porque pelo menos desde 2012, se não antes, o pleito é completamente fraudado pra dar maioria absoluta ao Rússia Unida, partido de Vladimir Putin liderado por seu ex-premiê, Dmitri Medvedev, e hoje comparado ao Partido Comunista único na extinta URSS e países de regime similar. Exceto por outros partidos-satélites e candidatos inofensivos, possíveis críticos ao poder já têm o registro negado pelo Comitê Eleitoral Central, chefiado pela fiel Ella Pamfilova, ou as urnas são descaradamente violadas por funcionários escolhidos a dedo, quase sempre filmados pelas próprias câmeras de circuito interno.

O exemplo mais notório do primeiro caso foi o do político Boris Nadezhdin, quase candidato à presidência em 2024 e que na época César Tralli chamou até de “Nadesim”. Recentemente, recebeu o estatuto jurídico de “agente estrangeiro” (ou inoagent), o que na prática o torna um “cidadão menos igual que os outros”, e foi processado por exibir “simbologia extremista” numa live, na verdade um retrato de Aleksei Navalny. Tudo isso praticamente acabou com suas pretensões de voltar a ocupar uma cadeira de opositor na Duma, onde já esteve de 2000 a 2003.

As fraudes – sem contar os assassinatos políticos – já eram conhecidas desde as décadas de 1990 e 2000, mas elas tomaram uma escala inaceitável pra maioria da população em 2011 (eleições pro Conselho Municipal de Moscou) e 2012 (eleições pra Duma Estatal). Na virada desses dois anos, ocorreram os maiores protestos de rua por todo o país desde o fim da URSS e que só seriam quase igualados pelos rapidamente abortados protestos contra a invasão da Ucrânia, logo depois que ela começou. O “milagre econômico” putinista dos anos 2000, resultante em grande parte, como no Brasil, do “boom das commodities” mundial, não foi acompanhado de reformas estruturais relevantes e começou a demonstrar desgaste antes mesmo da explosão de nossas “Jornadas de Junho” em 2013. Putin sabia que seu reino estava seriamente ameaçado, e as imagens de ditadores árabes depostos ou “cancelados” durante o ano de 2011, dizem, o teriam atemorizado profundamente.

Num cenário desses, a única forma de se manter no poder era pela força, pelo terror e pela eclosão de guerras que despertassem o brio patriótico das massas: assim foi com o roubo da Crimeia em 2014, com o assassinato de Boris Nemtsov em 2015 bem nos arredores do Kremlin e com o assalto à Ucrânia em 2022, o qual, porém, ficou muito longe de ter o mesmo efeito de oito anos antes. Ao contrário dos noviços viciados em Instagram que ainda acham que a Rússia toda ama Putin (e isso independente de língua, etnia e religião!), o povo de verdade já criticava e fazia piadas desde sempre, de fato, com sua fisionomia insossa e sua estatura minguada caindo na zoeira antes mesmo da generalização da corrupção, precarização dos serviços públicos e autoritarismo. O antológico programa Kúkly, em que políticos eram figurados por bonecões manipuláveis e dublados por atores na virada do século, saiu do ar exatamente quando o trombadinha de Leningrado começou a ser retratado como uma cria infeliz de Ieltsin. Na mídia estatal, o burocrata inexpressivo, malvestido e desajeitado foi todo repaginado pra dar essa imagem do “lutador de judô” e “cavalgador de ursos” até hoje idolatrada por viúvas de ditadores no Ocidente.

Mesmo assim, nos tempos mais distendidos ou mais repressivos, a zombaria nunca cessou, e uma das caricaturas de Putin talvez pouco conhecida na Banânia seja a do “Pýnia” (Пыня), surgida dentro da própria propaganda estatal em 2011 e retomada pela oposição em 2017. Segundo o Wikcionário em russo, baseado em outras fontes, o substantivo comum “pynia” é uma gíria típica da região de Kaluga indicando uma pessoa esnobe, arrogante, exibida, orgulhosa, petulante, cheia de si, e geralmente se refere a mulheres. Já segundo o portal YouSlang, pynia também significaria um golpe dado no estômago, mas seu uso mais amplo era o de uma referência irônica a um liberal ocidental ou pró-Ocidente, que defenderia suas ideias de forma burra ou desconexa, mais ou menos o que entendemos por “liberaloide”.

Aqui devo abrir um parêntese. No embate político da Rússia, sobretudo online, “liberal” sempre foi considerado um xingamento, muito mais do que na Terra de Santa Cruz. Aqui, exceto por sua oposição a “conservador” em questões societárias (quando preferimos geralmente usar o termo “progressista”), tendemos a considerar “liberal” alguém que apoia o livre mercado, a democracia política e a redução do papel do Estado na economia ao mínimo necessário. A estigmatização fica mais a cargo de extremos vagamente definidos, como “fascista” e “comunista”. Na Moscóvia, “liberal” se tornou uma ofensa, pelo menos entre os putinistas, exatamente por causa de tudo o que estes defendem: supremacismo russo, fechamento ao mundo exterior, demonização dos EUA e da Europa Ocidental, estatismo econômico, Estado autoritário e centralizado, expansionismo territorial, ortodoxia religiosa, culto à guerra e crença no chefe infalível. É claro que “liberalismo” não tem um sentido unívoco em todas as épocas e lugares, por vezes chegando a combinar um completo laissez-faire com a ditadura militar mais terrorista. Mas fecho o parêntese aqui.

O fórum em língua russa Dvach (também conhecido como “2ch”, em referência à palavra chan) foi a principal plataforma em que surgiram as primeiras manifestações do Pynia, mas também as primeiras tretas entre apoiadores do regime e críticos que começaram a usar o personagem contra o próprio Putin. Conta a lenda que a animação, representando um adolescente “militante de sofá”, sustentado pela mãe e sem vida social, que passava seus dias a atacar o Kremlin por todos os males do país, foi criada por agitadores pagos bem na época desses protestos de 2011-12, mais exatamente contra Aleksei Navalny, então despontando como o maior opositor nacional. Segundo esse estereótipo (curiosamente aplicado no Brasil a esquerdistas, muitos dos quais apoiam Putin), os navalnistas seriam essa figura inútil, descuidada, desocupada e obcecada por fóruns virtuais, como a plataforma de blogs Livejournal, na qual o político angariou fama.

Não sei se a intenção inicial foi fazer uma alusão à fisionomia de “Nalvane” (como o chamou Renata Vasconcellos) – ver o exemplo deste blog abandonado –, mas parece ter sido um dos clássicos casos em que o feitiço se voltou contra o feiticeiro. De fato, se observarmos num dos em que sobreviveu a série de cinco vídeos postados bem no início de 2012 (é impossível retraçar a verdadeira gênese, enquanto o endereço indicado não parece apontar mais a um canal semelhante), o rosto do Pynia tem traços muito mais alusivos aos do ditador, sobretudo antes da primeira presidência e toda vez que ele precisa reaplicar seu botox. Pra piorar, “Pynia” não podia ser mais alusivo sonoramente ao sobrenome “Putin”, de forma que, segundo o mesmo YouSlang e as Wikipédias em inglês e francês, o meme antes referente aos liberais acabou sofrendo reversão e se tornando um sinônimo de Vladimir Vladimirovich.

Antes que as BRICSetes aqui presentes comecem a espernear, aviso que Volodymyr Zelensky também tem seus apelidos, alguns dos quais criados pela própria oposição ucraniana e em referência pejorativa ao fato do ex-ator ter outrora (até 2014) trabalhado muito mais na Rússia e/ou em russo. Escolha o seu: Zélia, Zelúpa, Zielieiób (que joga com a pronúncia russa), Zelebóba... Porém, o “povo” que “venceu os adolfistas” e “lançou o satélite e o homem no espaço” não podia ser menos criativo pra apelidar os próprios governantes. Pynia tem diversos derivados, entre eles “Pynebábve” (“Zimbábue de Putin”), “pyneliúb” (adorador de Putin) e “Pynestán” (“Putinstão”). Meu preferido, porém, é “pynekhódy” (пынеходы, algo como “pyniamóvel”), celebrizado como referência aos supostos calços que o ditador usaria em seus sapatos pra parecer pelo menos 10 cm mais alto do que realmente é.

Vou deixar outras explicações pra dois artigos de época que traduzi abaixo: um escrito pelo ucraniano Ivan Iakovyn, disponível em russo e ucraniano e intitulado “A guerra em torno do Pynia: como os russos garraram ódio de Putin” (15 de novembro de 2018), e outro publicado ainda em 2017 na enciclopédia de memes russos, contando o essencial da história. Coloquei notas explicativas entre colchetes onde achei necessário. Antes deles, os seis vídeos que integravam a série em outro canal e dos quais fiz backup pra qualquer eventualidade, e entre eles, alguns dos principais memes ou montagens do “Pynia” já putinizado que selecionei no Google. Dos vídeos traduzi apenas o título e resumi o conteúdo, pois a transcrição completa daria muito trabalho e não teria tanta graça.

A riqueza linguística do debate na Rússia exige ainda a explicação de outros termos. O primeiro e principal deles é a sigla “PZhiV” (ПЖиВ), que Pynia pronuncia o tempo todo nos primeiros vídeos como “pjif, pjif, pjif...” (daí a ortografia humorística “PZhiFF/ПЖиФФ”) e significa “Pártia zhúlikov i voróv” (Partido de Bandidos e Ladrões). Referência pejorativa ao Rússia Unida de Putin, tem a paternidade reivindicada por vários políticos, mas se popularizou no início da década de 2010 entre Navalny e seus apoiadores durante os protestos de rua e as manifestações online. Num dos vídeos também aparece a gíria “Iá – D’Artanián” (Eu sou D’Artagnan), significando o sentimento ególatra de estar sempre certo e considerar os outros errados. Há ainda a expressão “nashísty”, uma fusão de “Náshi”, movimento de apoio juvenil a Putin de 2005 a 2019, com “nazistas” (natsísty) – por isso também chamado de “Putinjugend”. No sentido inverso, também se referia ao partido “Násha Ukraína”, fundado em 2005 pra apoiar a candidatura do presidente ucraniano Viktor Iushchenko e virtualmente invisível desde 2013.


Este é o verdadeiro primeiro episódio, embora num dos canais ele não apareça e o segundo é que esteja indicado como primeiro. As características básicas do Pynia são apresentadas: adolescente, ele não estuda direito, não socializa e não faz as tarefas de casa, fica o dia inteiro reclamando de Putin na internet. A mãe lhe pede pra comprar coisas, mas ele responde que “a vida está uma porcaria”. Pede-lhe pra estudar visando ser alguém na vida, mas ele responde que está “combatendo a corrupção” e que “nesse país, não adianta nada estudar”. Ela lhe pede até pra ir visitar a avó doente, mas ele critica o governo porque “não cuida dos aposentados e lhes dá uma pensão de nada”.

30 anos depois, Pynia ganha pelos e gordura, mas continua só criticando o governo nos fóruns virtuais. Sua mãe idosa não vive mais lá e se aposentou, mas até a pensão dela ele parasita, porque não faz mais nada na vida. Nem mesmos consertos básicos ele quer fazer na casa dela: só quando Putin cair é que as coisas vão melhorar...


Pynia nasceu na década de 1990, quando a Rússia estava falida e sua mãe precisava trabalhar pra sobreviver. Seus pais são separados e o pai já vive com outra família. Pynia sempre tem que estar “lutando” por alguma coisa porque se sente sozinho, já que não sai pra socializar ou mesmo pra fazer esportes, dos quais não gosta, ou artes, às quais não se adequou. Esteve particularmente ativo online durante os protestos do fim de 2011. Está o tempo todo no computador, mas não vê nem mesmo outros tipos de vídeos mais leves que viralizam – a não ser, claro, que se canse da luta política.

No quadro, a chinchila (que “anda em círculos” o tempo todo) está repetindo a sigla humorística “Pjif, pjif, pjif...” e diz “Meus milhões”, provável referência a acusações de corrupção contra Navalny, jamais comprovadas, envolvendo milhões de rublos.


Aqui é contado como Pynia se tornou popular na internet. Ele tentou ficar popular postando vários vídeos seus no YouTube fazendo coisas engraçadas, mas não teve sucesso e só recebia críticas. Finalmente, ele consegue notoriedade e elogios falando mal de Putin e de Medvedev, ao que recebe muitas visualizações e comentários de apoio.


Pynia não foi aos protestos de 2011 contra a falsificação das eleições em Moscou, mas está assistindo à transmissão online, sentido como se estivesse lá. (É curioso como os próprios governistas não problematizam o termo “falsificação” dos opositores...) Boris Akunin, célebre escritor russo contemporâneo, opositor de Putin e hoje exilado, foi um dos líderes dessas manifestações. Como os protestos eram basicamente coisa de fóruns da internet, segundo os putinistas, foi nesse espaço que Akunin teria dado aos manifestantes a “lição de casa” de derrubar Putin. Pynia pensou longamente como fazer isso, mas basicamente só dizia a si mesmo que se isso ocorresse, tudo na vida e no país seria melhor, como uma “solução mágica”. Até dinheiro, namorada e filhos ele conseguiria!


Neste vídeo, Pynia conversa com um “amigo” virtual seu, provavelmente dos EUA (aliás, meio parecido com Gianni Infantino, rs). O americano usa contas falsas apenas pra zoar com os russos, e ele faz Pynia de trouxa, porque enquanto o elogia “na cara”, demonstra desprezo pela Rússia intimamente. O americano passa a imagem de EUA que funcionam e onde você nem precisa estudar pra ser alguém na vida (aliás, Pynia sequer é bom aluno na escola). Diz que o amigo nasceu no país errado e que a “Rasha” (alusão à pronúncia inglesa de Russia) não serviria pra ele revelar suas “qualidades”. Pynia mimetiza o amigo dizendo “maldita Rasha, maldita Rasha” o tempo todo, até que o americano sai da conversa, mas entra de novo com um perfil diferente. E lá vai ele de novo zoar com Pynia...


Aqui, Pynia participa de um “concurso” virtual pra melhor música contra o “Partido de Corruptos e Ladrões” (o Rússia Unida, lembremos). Ele compõe oito versos bem bobos, que dizem basicamente que Putin não presta e só ele (Pynia) tem razão. Ele publica e obtém novo “sucesso” na internet, mas não dizem se ele ganhou ou não. “Pynia pra presidente”, alguém escreve; afinal, como ele mesmo diz, “Já está comprovado que xingar Putin é o caminho mais curto pra fama”. Em todo caso, o sucesso lhe “sobe à cabeça” e Pynia já planeja todos os detalhes de sua nova “carreira”. No final, lhe vem a indagação sobre se sua mãe já tinha ou não comprado pão...


O último vídeo mostra o que chamam de “Hino a Navalny”, que não deve ser confundido com canções homônimas lançadas por reais apoiadores. Os “Pynias” (ou seja, esses apoiadores “liberaloides de sofá”) são retratados como um exército de zumbis acríticos que seguem e acreditam em tudo o que o oposicionista publicava em seu blog pessoal. Nem preciso dizer que a caricatura cabe muito mais a Putin e aos putinistas, não se podendo descartar a hipótese de uma “sabotagem interna” durante a produção desse clássico...

Segue o que consegui tirar da letra e a tradução, pelo menos as partes mais relevantes, já que em boa parte do tempo a primeira estrofe é repetida várias vezes:

Navalny é tudo pra nós
Somos felizes em servi-lo
Ele semeia bondade, ele traz luz
PZhiV, PZhiV, PZhiv

Somos um pouco jovens e belos
E incrivelmente inteligentes
Escolhemos um caminho importante na vida
Lutar pelo bem do país

Não precisamos trabalhar nem nos esforçar
Assim é nosso método de luta
Devemos urrar o mais alto possível
Contra os bandidos e ladrões

Precisamos grunhir pela internet
Sobre os milhões esbanjados
Não nos importa que tipo de governo é esse
Simplesmente somos oposicionistas

Não precisamos trabalhar nem nos esforçar
Quem foi trouxa, que se esforce
Só precisamos ler o LiveJournal
O LiveJournal é nossa Bíblia

____________________


Навальный – это наше всё
Ему мы рады служить
Он сеет добро, он свет несёт
ПЖиВ, ПЖиВ, ПЖиВ

Молоды и красивы немного
И невероятно умны
Мы выбрали важную в жизни дорогу
Бороться во благо страны

Не надо работать, не надо пахать
Наш метод борьбы таков
Надо как можно громче орать
Про жуликов и воров

Надо в интернетах повизжать
Про списанные миллионы
Что там за власть да нам плевать
Мы просто оппозиционные

Не надо работать, не надо пахать
Глупое было, пусть пашет
Только ЖеЖешечку надо читать
ЖеЖешечка – Библия наша



Há alguns dias, aconteceu na Rússia algo inofensivo, mas, ao que me parece, revelador

Na distante e pacata cidade de Perm, amarraram a um poste Vladimir Putin vestido de presidiário e com a palavra “ladrão” [na foto acima, está “mentiroso”] escrita na testa. É verdade que desta vez não era o próprio presidente que se encontrava no poste, mas um boneco dele. Mesmo assim, até em Moscou tais protestos são raros, e mais ainda no interior. Outro ponto: os passantes não se indignaram com o boneco nem demonstraram qualquer simpatia por Putin. Pior, todos riam e tiravam fotos com ele.

Ao verem a instalação, os policiais ficaram horrorizados e começaram a deter quem tirava fotos com o falso Putin amarrado ao poste. Depois até foram liberados, pois não se conseguiu acusá-los de nada.

Mesmo assim um processo ainda foi aberto. Aleksandr Shabarchin, um dos colaboradores da sede local de Navalny, chegou a ser preso. Como formalmente ele não tinha cometido nenhum crime, as autoridades decidiram o enviar ao exército: agora ele está no comissariado de alistamento militar. Ele próprio diz que não está bem de saúde, mas acho que lá vai se recuperar prontamente.

Seja como for, o protesto teve um momento divertido: outra inscrição sobre o boneco de Putin dizia: “V. V. Pynia, criminoso de guerra”. Esse meme não é muito conhecido na Ucrânia, onde Putin é mais frequentemente chamado de “la-la-la” [provável referência ao lema “Putin Cabeça de Rola”, originalmente seguido do canto]. Porém, na internet russa, travou-se uma verdadeira guerra entre os apoiadores e opositores de Putin.

A mando do Kremlin, blogueiros putinistas elaboraram uma imagem genérica de seu inimigo: um intelectual nulo, patético e mimado, dependente dos pais, sem namorada nem trabalho. Chamaram-no “Pynia” e investiram uma fortuna pra promover essa imagem de quem apoia a oposição. Mas algo deu errado. Os criadores do meme lhe deram um rosto muito parecido com o do presidente. Além disso, “Pynia” soa parecido com o sobrenome “Putin”. Resultou que a imagem do parasita vil, repugnante e inútil na qual o Kremlin investiu terminou colada a seu mandatário.

Oposicionistas começaram a chamar Putin de “Pynia”, o que despertou uma fúria selvagem e insana entre os blogueiros e estrategistas políticos do Kremlin. Eles foram privados da imagem que cultivaram meticulosamente durante vários anos.

Nas vastidões da internet foi travada uma longa guerra em torno do Pynia. Os adoradores de Putin sonhavam em restaurar seu significado original e até acusaram a Ucrânia de roubar o Pynia. Mas o protesto em Perm finalmente colou esse apelido no presidente da Rússia. Agora, para todos os russos, ele vai ser V. V. Pynia, um ladrão e criminoso de guerra.

Esta notícia ficaria incompleta sem as últimas informações sobre as chamadas eleições na Rússia. Na distante República da Cacássia [Khakásia, vai, sejamos justos...], onde a Mongólia é mais próxima que Moscou, esse mesmo Pynia sofreu mais uma grande derrota. Todos os esforços das autoridades pra impedir a vitória do candidato comunista fracassaram.

Já perderam eficácia a propaganda, a dinheirama, as falsificações em massa e os estrategistas políticos da capital. No interior, o povo está cada vez mais odiando o poder. E eu acho isso muito bom.









Pynia é um meme que inicialmente representava uma imagem genérica de um apoiador passivo da oposição, mas que após alguns anos passou a ser associado a Vladimir Putin.

Origem: Tudo começou com uma série de vídeos online sobre o Pynia. O primeiro apareceu no YouTube em 29 de dezembro de 2011. Nele, um típico liberal de sofá [ou “militante de sofá”, como diríamos no Brasil] passava dias inteiros criticando o governo na internet.

Em janeiro de 2017, alguém resolveu reviver o meme e apresentou no Dvach um novo Pynia – “ou, resumindo, uma imagem genérica do gado liberal-ucraniano, permitam lhes apresentar”.

Os usuários do fórum consideraram que o meme estava sendo deliberadamente promovido pelos chamados “olgintsy” ou “savushkintsy” (pessoas pagas pra escrever comentários pró-governo e alimentar disputas políticas online).

Os membros anônimos do Dvach não quiseram suportar isso e decidiram virar o meme contra os próprios trolls:

Os Pynias receberam de seu mestre a tarefa de espalhar o máximo possível de memes com o Pynia. Na verdade, os olgintsy não sabem pra quem estão trabalhando, já que as ordens são encaminhadas usando centenas de pequenas empresas de fachada e podem sinceramente estar “lutando” contra os olgintsy.

Significado: Graças aos esforços dos usuários do Dvach, apareceram inúmeras imagens engraçadas de Putin retratado como o Pynia, e a busca do Google a respeito do assunto começou a indicar artigos sobre o presidente.

Muitos chamam esse confronto de “Guerras Pýnicas”. A vitória foi dos membros anônimos. Agora, ao buscar por “Pynia” na internet, é possível encontrar principalmente fotos de Vladimir Putin, e nas redes sociais, qualquer notícia sobre o presidente é comentada com uma menção ao Pynia.



Uma das versões associando Pynia a Navalny.

sexta-feira, 10 de julho de 2026

Rep. Islâmica do Japão e Volodymyr Putin

Por esta montagem por IA bastante sugestiva feita por aquele amigo que volta e meia colabora com esta página xexelenta, mas sugeriu que esperasse o Vlad falecer antes que eu a publicasse (rs), cheguei novamente pra relembrar mais um adágio: Quem com ferro ferre, com ferro será ferido ou, em latim, Hodie mihi, cras tibi (lit. “Hoje pra mim, amanhã pra você”). Se em 2024, como publiquei aqui, Biden cometeu o crime de “lesa-majestade” de chamar Zelensky de Putin, agora foi a vez de Trump incorrer no mesmo sacrilégio em outra cúpula da OTAN. Se o republicano acusava o democrata de ser velho e senil demais, estamos vendo que o imobiliário falido incorre nos mesmos males... com a desvantagem de ainda ter mais de meio mandato pela frente!


Mais uma situação que deixa qualquer estadunidense tão vexado e desconfortável como a polímata EnfastYalda Hakim quando visitou Havana há algumas semanas e não achou papel higiênico. E foi da edição de 8 de julho de seu programa The World que tirei o recorte abaixo, em que novamente “Volodymyr se torna Vladimir”, e não só isso! O Laranjão estava tão confuso nas rimas que chamou de “República Islâmica do Japão” seu inimigo contra o qual está lutando pelo controle do Golfo. Reconheçamos que a distância fonética entre “Japan” e uma das pronúncias aceitas de “Iran” é menor do que entre “Japão” e “Irã”. Ainda assim, o número de muçulmanos nipônicos está longe de justificar tal fenômeno. (Esse é o vídeo mais novo que achei, existem muitos outros que aparecem numa rápida busca.)



Não adianta, “nosso homem em Washington” sempre tem o ex-espião do KGB na cabeça, é obsessão mesmo devido à afinidade de gênios. Em Ancara, talvez era isto que ele tinha em mente:


Que não é muito diferente disto, esteja o Adolfo localizado na Casa Branca ou no Kremlin (o crédito das ótimas montagens é sempre ao programa semanal de Mikhail Fishman na TV Rain!):


E finalmente, pra distrair um pouco, um gênero que já virou “crácico” depois de toda eliminação do Braziu (todas as vezes, na verdade): o campeão frustrado Craque Neto trovejando na Band, desta vez com muito mais ódio e palavrão, mas tirando todas as palavras de nossa boca! Quem é que não pensou exatamente as mesmas coisas, até a ambígua pronúncia correta do nome “Haaland”?


domingo, 8 de março de 2026

Hoje é o dia delas!

Tive que reprogramar a publicação que já tinha saído hoje, pois não podia perder a oportunidade de divulgar algumas pérolas relacionadas ao Oito de Março, conhecido como o Dia Internacional das Mulheres, ou apenas “de luta das mulheres trabalhadoras”, segundo a extrema-esquerda. A cena acima diz muito sobre um regime que, embora enfraquecido (já tava assim antes do Laranjão e do Bibi do Hamas encherem Teerã de bomba!), insiste em relegar as mulheres ao segundo plano e as obrigar a se vestirem conforme desejam os velhos brochas e recalcados de turbante no comando.

Claro que na Arábia Saudita (que tem feito algumas aberturas), no Afeganistão e em áreas controladas pelo Daesh ou algum de seus afiliados na África, no Levante e na Ásia Central – que são sunitas, e não xiitas, como os aiatolás – é muito pior. Mas não é por isso que devemos passar pano pra qualquer um dos grupos citados, e é sempre bom cutucar os “revoluciotários” sobre por que fazem tanto estardalhaço nas redes antissociais quando chega o Dia das Muié, mas evitam falar sobre a opressão religiosa em países que, ao menos no discurso, empunham o manual antiamericano – e só por causa disso. O movimento iraniano “Mulher, Vida, Liberdade” de 2022, por exemplo, passou em silêncio ensurdecedor entre nossas fe-mimimi-nistas de universidade. Mas se “mexeu com ume, mexeu com todes”, por que a garota curda Jîna Emînî não merece entrar na lista?...

Sempre guardei este corte da Ana Lesnovski, apresentadora e uma das fundadoras do canal Meteoro Brasil, pra divulgar entre amigos, mas quase sempre perdia a data correta. Agora eternizo o meme criado após o Oito de Março em 2023, quando o deputado Nikolas Ferreira fez aquele infame discurso na Câmara dos Deputados em que teve um ataque de transfobia e pôs a peruca loira pra dizer que “se sentia a deputada Nikole” – o que por si só também não deixou de ser motivo de escárnio. Como a Ana mostrou e resumiu nessa frase humorística, os outros discursos com homenagens, inclusive de parte da esquerda, pecaram pelo primarismo e pela condescendência, quando não foram “abridamente” misóginos; apenas lamento que o Meteoro Brasil tenha tomado o mesmo rumo da maior parte dos canais “anti-hegemônicos” e passado pano pro Maduro, bem como silenciado perante Putin e Khamenei:



A moda do karaokê ao vivo na TV estatal, com cantos e clipes patrióticos em meio aos ataques aéreos, está literalmente bombando no Irã. Pena que essa caligrafia nasta’liq “de risquinhos” é difícil de entender até pra quem já domina as escritas persa e árabe (aliás, alguém notou que está escrito “Irã” em vermelho?):

Pelo menos, a se crer no portal Jeum, o ritmo podia ser este, saindo apenas da internet e indo pra transmissão aberta; afinal, só assim mesmo pra Banânia ter alguma utilidade no “issssshterior”, rs:


E pra fechar esta edição especial na felicidade, vamos de homicida gravando um discurso de Oito de Março (feriado celebrado desde os tempos soviéticos, digamos, de forma um tanto hipócrita) pra ser publicado no portal do Creminho, mas que acabou “por acidente” sendo lançado sem edição, com um baita acesso de pigarro no ditador. Esse incômodo, aliás, é muito visível quando o seguimos defecando pela boca por um tempo razoável:


terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Tentei instalar o aplicativo russo MAX

O aplicativo de mensagens MAX, que Vladimir Putin praticamente obrigou o serviço público a usar e pelo qual ele quer substituir o WhatsApp e o Telegram, só está disponível num punhado de países, a maioria deles antigas repúblicas da União Soviética ou membros da CEI, países ainda socialistas e alguns “párias” globais que ainda acham frequentável o ditador cuja crueldade só perde pra de Stalin. Isso, apesar da Jararaca ir até a Praça Vermelha lamber o saco do ex-espião, ornar-se com uma fita de são Jorge suja com o sangue dos ucranianos e frequentar a ritualmente esvaziada Parada da Vitória em 9 de maio de 2025, como se a Europa Oriental não estivesse neste exato momento sendo palco de alguns dos piores crimes contra a humanidade (sem contar República Democrática do Congo, Sudão, Mianmar, Iêmen, região do Sahel etc.).

Essa é a tela que encontramos quando queremos baixar pela Play Store “o aplicativo que pega até em garagem subterrânea”: indisponível na Banânia. Ora, mas quem é que precisa da intermediação de estadunidense monopolista imperialista capitalista sionista taxista onanista revista autopista? Vamos ligar o VPN como se estivéssemos na Moscóvia, usemos um navegador menos suspeito e entremos diretamente no website oficial pra baixar a versão pra computador! (Tá, confesso, tive uns enroscos com meu smartphone, mas acho que o resultado não ia ser diferente...)

Cinão vegemos: o MAX afirma nos oferecer “O máximo de possibilidades pra vida: um aplicativo rápido e leve pra se comunicar e resolver as tarefas do dia a dia”. Sinceramente, pra um regime xenofóbico como o putinista atual, me impressiono como ele tenha escolhido um nome latino pra batizar seu próprio WeChat (“Weixin”, ou “micromensagem”, na China). Em prol da coerência e conforme o significado, deveria se chamar Bolsh, que deve te evocar alguma coisa e, portanto, certamente faria um baita sucesso entre as viúvas ocidentais do stalinismo:



Após enjoar de ver tanta cara branca, magra, feminina, bem arrumada e feliz da vida nas animações de propaganda, rolo um pouco mais a tela e encontro as fontes possíveis pra baixar. Devemos obviamente escolher a última, “Para computador”, já que os GAFAM são “russofóbicos”, pela definição atual da Vulgata:


Chegando na tela “Bolsh MAX para computador”, devemos escolher nosso sistema operacional. Já que sou mais uma vítima do monopólio, preciso optar por baixar o programa pra Windows, pois a “Versão web” à direita e abaixo só funcionam, assim como o WhatsApp, escaneando um QR-code com o aplicativo já instalado no celular:


A uma incrível taxa de transferência, pouco menos de duas horas depois (eu acho, não calculei bem), baixei os enormes 296 MB, levando em conta, claro, o fato de estar com VPN, localizado na RSFSR etc...


Após nos saudar (rs), o instalador nos pergunta se queremos seguir adiante (dáleie) ou se queremos cancelar o processo (otména). Claro que quero entrar nesse novo mundo:


Tudo “aprontado”, temos a opção de “voltar pra trás” pra corrigirmos alguma coisa (nazád), instalar logo de uma vez (ustanovít) ou, mais uma vez, desistir enquanto temos tempo de escapar das malhas do FSB:


Enfim, a instalação está pronta! Com o botão “Pronto” (gotóvo), finalmente podemos desfrutar dessa belezura! Poderia ser mais fácil e intuitivo?


Só que não... O Máximo Bolchevique finalmente nos pergunta “Com que número de telefone você deseja entrar? Vamos enviar para ele um SMS com o código.” E pra nossa surpresa são permitidos apenas telefones de um punhado de países, além do próprio Império (copiei os prints do menu rolado numa imagem só): Belarus, Azerbaijão, Armênia, Vietnã, Geórgia, Indonésia, Cazaquistão, Camboja, Cuba, Quirguistão, Laos, Malásia, Moldova, Emirados Árabes Unidos, Tajiquistão, Tailândia, Turcomenistão, Turquia e Usbequistão.

Quase toda a rabeira do Índice Global de Democracia. Todos socialistas, “ex-soviéticos” ou muito hesitantes em condenar as agressões moscovitas. Nenhum país “ocidental”, exceto Cuba, muito menos da UE, nenhum país africano, que dirá a Pequena Rússia Ucrânia e sua “junta de Quiévi”. Nem mesmo a “amiga indestrutível” China. A Coreia do Norte só não tá porque eles têm intranet. A Turquia corta pra todo lado, com um hiperlateralismo que mais parece o símbolo do CHP da oposição kemalista do que o partido bolsoislâmico no poder. A Tailândia é um ninho de golpes (nos dois sentidos). A Moldova (milagre: não está escrito “Moldávia”, assim como está “Belarus”, e não “Bielorrússia”!), cuja situação conheço bastante bem, tem uma “minoria russa” considerável e ótima como fator de desestabilização das atuais tentativas de aproximar o país cada vez mais da adesão à UE:


E assim acabou minha aventura. Obrigado pela atenção, pessoal, e ótimo Carnaval, sem repressão nem aplicativos espiões!


quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Ajude a Ucrânia congelada por Putler



A Ucrânia enfrenta um dos momentos mais críticos desta guerra.

Em meio a um dos invernos mais rigorosos dos últimos tempos, a infraestrutura do país é atacada diariamente, deixando milhares de pessoas sem energia, aquecimento, luz e água por horas, às vezes por dias. ❄️🇺🇦

Pedimos sua divulgação, colaboração e contribuição para ajudar na compra de geradores e itens de aquecimento.


📲 Contribua via pix:
ajudasocialmetropolia@gmail.com


A Ucrânia precisa de você 🇺🇦


quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Votos de Vladimir Putin pra 2026

O portal do Kremlin, assim como a agência TASS, publicaram a transcrição do discurso, que segue abaixo com minha própria tradução, e cópias do vídeo já foram lançadas no YouTube. Amanhã, como de costume, tem os votos do francês Emmanuel Macron.


Estimados cidadãos da Rússia! Caros amigos!

Nestes momentos que antecedem o Ano Novo, todos sentimos a passagem do tempo. O futuro está diante de nós. E como ele vai ser depende em grande parte de nós.

Contamos com nossas próprias forças. Com quem está a nosso lado e nos é próximo e querido. E estamos sempre prontos a estender a mão. Esse apoio mútuo nos dá a confiança de que tudo o que concebemos ‒ nossas esperanças e planos ‒ sem dúvida vão se realizar.

É claro que em cada um de nós eles são próprios, pessoais, especiais e únicos. Mas são inseparáveis ​​do destino de nossa Pátria, de nosso sincero desejo de a beneficiar. Afinal, juntos somos o povo da Rússia.

O trabalho, os sucessos e as conquistas de cada um de nós criam novos capítulos de sua história milenar. E a solidez de nossa unidade determina a soberania e a segurança da Pátria, seu desenvolvimento e seu futuro.

O Ano Novo é, acima de tudo, a fé no melhor, na bondade e na boa sorte, uma festa única e mágica em que os corações se abrem pro amor, pra amizade, pra compaixão, pra sensibilidade e pra generosidade. Com nossa atenção, nos esforçamos pra levar alegria e calor a quem precisa de compaixão e cuidado. E, claro, pra apoiar nossos heróis ‒ os participantes da operação militar especial ‒ em palavras e ações.

Vocês assumiram a responsabilidade de lutar por sua pátria natal, pela verdade e pela justiça. Milhões de pessoas em toda a Rússia ‒ confiem em mim! ‒ estão com vocês nesta noite de Ano Novo. Elas estão pensando em vocês, se solidarizando com vocês, torcendo por vocês. Estamos unidos em nosso sincero, altruísta e devotado amor à Rússia. Desejo que todos os nossos soldados e comandantes tenham um feliz Ano Novo! Acreditamos em vocês e em nossa Vitória!

Caros amigos! Em poucos segundos vamos ouvir o relógio badalando, e o Ano Novo vai chegar plenamente. Nós o celebramos junto a nossos entes mais queridos ‒ filhos, pais, amigos e companheiros de luta. Mesmo vocês que estão longe agora, ainda assim continuam a nosso lado. Desejo a todos saúde e felicidade, compreensão mútua e bem-estar. E, sem falta, um amor que inspire.

Que nossas tradições, fé e memória unam todas as gerações, nos apoiando sempre e em tudo. Juntos, somos uma grande família, forte e consolidada! E por isso vamos continuar a trabalhando e criando, alcançando os objetivos fixados e seguindo sempre em frente pelo bem de nossos filhos e netos, pelo bem de nossa grande Rússia!

Feliz Ano Novo, caros amigos! Feliz Ano Novo de 2026!


Уважаемые граждане России! Дорогие друзья!

В эти минуты перед наступлением Нового года мы все ощущаем течение времени. Перед нами ‒ будущее. И каким оно будет, во многом зависит от нас.

Мы рассчитываем на свои силы. На тех, кто рядом, кто нам близок и дорог. И всегда сами готовы подставить плечо. Такая взаимная поддержка дает нам уверенность в том, что все задуманное ‒ наши надежды и планы ‒ обязательно исполнится.

Конечно, у каждого из нас они свои, личные, особенные, по-своему неповторимые. Но они неотделимы от судьбы нашей Родины, от искреннего стремления принести ей пользу. Ведь мы вместе ‒ народ России.

Труд, успехи и достижения каждого из нас слагают новые главы ее тысячелетней истории. А прочность нашего единства определяет суверенитет и безопасность Отечества, его развитие, его будущее.

Новый год ‒ это прежде всего вера в лучшее, в добро и удачу, неповторимый и волшебный праздник, когда сердца открываются для любви, дружбы и милосердия, для чуткости и великодушия. Мы стремимся порадовать, согреть своим вниманием тех, кто нуждается в участии и заботе. И, конечно, словом и делом поддержать наших героев ‒ участников специальной военной операции.

Вы взяли на себя ответственность сражаться за родную землю, за правду и справедливость. Миллионы людей по всей России ‒ уверяю вас! ‒ вместе с вами в эту новогоднюю ночь. Думают о вас, сопереживают, надеются на вас. Мы едины в искренней, беззаветной преданной любви к России. Поздравляю всех наших бойцов и командиров с наступающим Новым годом! Верим в вас и нашу Победу!

Дорогие друзья! Через несколько секунд мы услышим бой курантов, и новый год вступит в свои права. Мы встречаем его вместе с самыми близкими ‒ с детьми, родителями, друзьями, боевыми товарищами. Даже те, кто сейчас далеко, ‒ вы все равно рядом с нами. Желаю всем здоровья и счастья, взаимопонимания и благополучия. И непременно ‒ любви, которая вдохновляет.

Пусть наши традиции, вера, память соединяют все поколения, поддерживают нас всегда и во всем. Мы вместе ‒ одна большая семья, сильная и сплоченная! И потому будем и дальше работать и созидать, добиваться поставленных целей и идти только вперед ради наших детей и внуков, ради нашей великой России!

С Новым годом, дорогие друзья! С новым 2026-м годом!



segunda-feira, 25 de agosto de 2025

A bomba atômica artística de Bush


Endereço curto: fishuk.cc/bush-pintor

Eu estava procurando uma simples cópia do retrato oficial da primeira presidência de Vladimir Putin pra fazer uma correção na página, quando me deparo com este troço. Sim, a vítima retratada é facilmente identificável, mesmo após passar uma temporada num balneário em Chornobyl. Mas o contexto não é tão simples assim, e se pra mim foi uma descoberta interessante, pra você não sei, caso já soubesse dessa curiosa “habilidade”.

George W. Bush, membro do Partido Republicano dos EUA (mas saudavelmente afastado de Trump) e, por dois mandatos (2001-2009), um dos piores presidentes que o país já teve, parece ter começado uma carreira de artista plástico amador, depois de ter se retirado da política. Se julgarmos por suas redes sociais, algumas pinceladas em seu peculiar estilo contemporâneo não parecem tão intragáveis. Porém, após uma pesquisa mais demorada no Google, li alguns internautas comparando as obras a desenhos infantis ou de jovens com pouca habilidade.

Claro que a arte, sobretudo depois que nos aposentamos ou sofremos um grave problema de saúde, pode ser uma ótima terapia, como mostra o trabalho de minha amiga psicóloga Patrícia, de linha vygotskiana e cujo foco, não exclusivo, são as crianças. Mas se você der uma olhada melhor no referido perfil do Flickr (quem ainda usa isso?...) que indiquei, o conhecido vingador do Onze de Setembro e invasor do Afeganistão e do Iraque chegou a dedicar uma exposição inteira a vários chefes de Estado e de governo que ele conheceu pessoalmente, e o pior de tudo: pintados nesse mesmo estilo... na falta de um nome melhor, Cecilia Giménez. Se houve um, como teria ficado o do Lula?



O bizarro é que em meio a prováveis crises diplomáticas em potencial, a foto no Flickr, tirada por Grant Miller, traz a seguinte legenda (Google adaptado): “Trabalhei duro pra ter uma relação pessoal com Vladimir Putin, de modo que, quando discuto coisas com ele, posso encontrar pontos de acordo, mas também tenho uma relação que me permite, sem romper contatos, levantar pontos que preocupam.” (I’ve worked hard to have a personal relationship with Vladimir Putin so that when I discuss things with him, I can find areas of agreement – but I’ve also got a relationship such that I can bring up areas of concern without rupturing relations.)

Exceto pela estética, que ele talvez considerasse “arte degenerada”, poderia ser muito bem assinado pelo Laranjão sem tirar nem pôr uma vírgula, não?





Estranhamente, não é a primeira vez que um criminoso de guerra que levou seu país à crise, em algum momento de sua vida, revela dons artísticos não reconhecidos por todos. No caso do americano, foi bem depois de sua atuação pública e, ao que parece, não esteve entre as motivações de suas ações posteriores...



sexta-feira, 23 de maio de 2025

Livros didáticos do mundo paralelo


Endereço curto: fishuk.cc/manual-ru


No universo paralelo da ditadura moscovita, os novos livros escolares públicos de História apresentados hoje [2023] contêm citações do Grande Líder, acompanhadas de fotos suas de quando ele ainda tinha cara de manga chupada, e os mapas apresentam as regiões roubadas à Ucrânia como novas partes do grande Império!

Bem, esta publicação do referido ano está sendo reciclada porque hoje consegui finalmente traduzir uma reportagem transmitida pelo canal britânico Sky News em 2 de setembro de 2024 e apresentada por Ivor Bennett, genial correspondente em Moscou e um dos que encarou o Capeta na famigerada coletiva de imprensa de fim de ano. Embora as imagens sejam de uma reportagem da France 24 de novembro de 2023, achei que elas viriam a calhar com o relato da volta às aulas seguinte, pois trazem exatamente o citado capítulo sobre a “operação militar especial”. Aliás, as férias de verão estão chegando no Hemisfério Norte, e o ano letivo que Bennett viu começar está prestes a terminar...

Desde então, muita coisa mudou. A Ucrânia ocupou longamente boa parte da província russa de Kursk. A fragilidade russa se revelou quando Putler mandou moleques no serviço militar e até escravos norte-coreanos pra “libertar a Pátria”, ao custo de milhares de vidas. E na região ainda há ucranianos, que começam a adentrar a província de Belgorod aos poucos. O presidente dos EUA é outro, mas sua aparente propensão pró-Moscou não ajudou em nada a rapina imperial. Os jovens têm cada vez mais depressão, fogem cada vez mais pro exterior e têm cada vez menos filhos. A economia resiste, mas está cada vez mais arranhada. Os “objetivos iniciais da operação” estão fora de cogitação, assim como a própria tomada completa das quatro regiões ucranianas “incluídas na Constituição”. O Ossidentx Mauvadaum nunca esteve tão coeso na defesa militar. E, como tenho publicado aqui, a elite política se entrega a delírios cada vez mais ridículos.

É curioso que, embora o pretexto da agressão tenha sido “desnazificar o regime de Kyiv”, nesse meio-tempo a fascistização do regime putinista seguiu a passos acelerados e a repressão superou até os níveis sob Leonid Brezhnev. E mais curioso ainda: o burocrata entrevistado por Bennett é Vladimir Medinski, doutor em História que esteve justamente esses dias na Turquia com a delegação que encenou aquela “negociação” fajuta! Bem, pelo menos é melhor mandar um historiador do que um ex-corretor imobiliário, como fez a Galinha Ruiva mandando o tal Steve Witkoff pro Kremlin. Sem mais, aproveite esta noa tradução, embora atrasada, com o original em inglês abaixo:


Pra celebrar o novo ano letivo na Rússia, as crianças trazem flores a seus professores, mas este ano estão recebendo algo em troca. É uma nova matéria sobre a segurança e a defesa da pátria: elas vão aprender sobre drones de combate, regras do Exército e como manusear um Kalashnikov.

“Você nunca sabe em que tipo de situação pode se encontrar, então acolho isso com satisfação. É ótimo! Sem educação militar básica, nossos filhos não são nossos filhos. Isso alimenta o patriotismo.”

Na República de Tyva, uma aula do líder da Rússia sob o título “Conversa sobre Coisas Importantes” [Razgovór o vázhnom]. “Quanto você dorme pra se manter em tão boas condições?”, perguntou um menino. “Seis horas”, respondeu Vladimir Putin. Um momento mais leve em meio a tópicos mais pesados, como a incursão da Ucrânia no sul da Rússia, onde muitas escolas estão fechadas. “É claro que nosso país e as Forças Armadas vão fazer de tudo pra garantir que sejam restauradas uma vida normal nessas regiões e uma vida normal pra essas crianças. Tenho certeza de que isso vai acontecer. Não há dúvida.”

Mas não é o que parece. No fim de semana, houve um ataque massivo de drones, alguns dos quais atingindo Moscou. E tropas ucranianas já controlam território russo há quase um mês. Nos últimos dois anos e meio, a guerra tem sido uma perspectiva distante pra muitos russos, com a vida aqui continuando normalmente. Mas os eventos recentes a aproximaram muito mais de seus lares.

O Kremlin, porém, continua minimizando a ameaça: não quer que o público entre em pânico, e então continua apresentando sua própria versão dos eventos, tanto presentes quanto passados. Isso inclui reescrever livros didáticos de história, que afirmam que a Rússia não começou a guerra.

“Por que há necessidade de novos livros de história? A história não muda, muda?”

“Bem, sim, a história não muda, mas precisamos da verdade e precisamos que a história seja uma ciência, e não ideologia ou propaganda.”

“Por que então, ao longo do capítulo sobre a operação militar especial, não há menção ao fato que a Rússia disparou o primeiro tiro, que a Rússia invadiu seu vizinho? Isso é reescrever a história, não é?”

“Agora... Leia-o atentamente e você vai entender. Leia-o, certo?”

Pra quem leu, é o mais recente vislumbre da realidade alternativa do Kremlin.


To mark the new school year in Russia, children bring flowers for their teachers, and this year they’re getting something in return. It’s a new subject on the security and defense of the motherland: they’ll learn about combat drones, Army rules, and some how to handle a Kalashnikov.

“You never know what kind of situation you might be in, so I welcome it. It’s great! Without basic military education, our children are not our children. This breeds patriotism.”

In the Republic of Tuva, a lesson from Russia’s leader called “Conversations about Important Things”. “How much do you sleep to stay in such good condition?,” one boy asked. “Six hours,” Vladimir Putin replied. A lighter moment among heavier topics like Ukraine’s incursion in southern Russia, where many schools are closed. “Of course, our country and the Armed Forces will do everything to ensure normal life in these regions and normal life for these children is restored. I’m sure this will happen. There’s no doubt.”

But that’s not what it looks like. Over the weekend, a massive drone attack with some reaching Moscow. And Ukrainian troops have held Russian territory for nearly a month now. For the past two and a half years, the war has been a distant prospect for many Russians, with life here continuing as normal. But recent events have brought it much closer to home.

The Kremlin, though, continues to downplay the threat: it doesn’t want the public to panic, then continues to put forward its own version of events, both present and past. That includes rewriting history textbooks, which claim Russia didn’t start the war.

“Why is there a need for new history books? History doesn’t change, does it?”

“Well, yes, history doesn’t change, but we need the truth and we need history to be science, not to be ideology or propaganda.”

“Why then, during the chapter on the special military operation, is there no mention of the fact that Russia fired the first shot, that Russia invaded its neighbor? That’s rewriting history, isn’t it?”

“Now... Read it carefully and you understand. Read it, okay?”

For those who do, it’s the latest glimpse into the Kremlin’s alternate reality.



quinta-feira, 15 de maio de 2025

Bin Salman “se rende” ao YMCA


Endereço curto: fishuk.cc/mix-politica24



“Wilayage Beoble”!!!


Nada melhor do que esse assunto pra começar meu “Mix de política ao redor do mundo” número “24”, rs. No último dia 13 de maio, Donald Trump participou de um fórum de investimentos saudita-americano na presença do príncipe herdeiro Rei do Picadinho Mohammad bin Salman na capital da Arábia Saudita, Riad (que em inglês se costuma transcrever “Riyadh”), enquanto viajava pelos países do Golfo. Essa turnê está sendo vista como uma ruptura nos hábitos geopolíticos ianques, mesmo pro padrão MAGA, pois as viagens do hoteleiro falido pelo genérico “Oriente Médio” não podem dispensar uma parada no posto Frango Assado do evangelismo antissemita, que é o Israel do Bibi do Hamas.

Hamas com quem, aliás, Trump negociou diretamente a libertação de um soldado israelo-americano, dando um passa-moleque em sua marionete orelhuda. E pra coroar o tabefe, o Rei do Mundo se encontrou com o Joãozinho Xará, boneco da Turquia que derrubou a Girafa al-Asad, e retirou duma vez só todas as sanções contra a Síria! Resultado: o Tsahal se vingou metendo o louco em Gaza, sem autorização “de cima”, com a UE criticando e até Trump, pela primeira vez na história, “se preocupando com o destino dos palestinos”...

É verdade que os bombardeios israelenses enfraqueceram o último vizinho baathista, mas foi só chegar o governo ex-corno “ex-terrorista” que Jerusalém começou a azucrinar as colinas do Golã, tão cobiçadas quanto o Papa-Léguas pelo Coiote. O aparente enfoderamento do Fidel Castro jihadista (e é sintomático que seu apelido binladesco, “al-Jawlani”, signifique exatamente “vindo do Golã”) pelos Esteites deixou os “cyoneshtas” pê da vida, mas faz parte da ideologia que chamo de “dinheirista” do inquilino da Bely Dom: negócios, negócios, negócios... e se favorecerem a própria família (patrimonialismo bananeiro inédito no país), melhor ainda!

Mas do que mais gosto na geopolítica são situações ou entrevistas que podem virar memes mais ou menos inteligentes. O primeiro, obviamente, é a execução de YMCA no final do referido fórum, em que não só faltou apenas Trump e Bin Salman se atracarem como também boa parte da família real enforcadora saudita estava lá. Realmente, só quem queria “acabar com todas as guerras” pode realizar um feito de$$$es: veja que até um hóspede americano dá uma risadinha em certo ponto, rs.

Na verdade, considera-se que os dois tiranetes estejam até mais poderosos do que no período 2017-2021, e além de poderem definir juntos o cenário global (a começar pelos palestinos, que é a última das preocupações do Guardião das Duas Mesquitas), essa festa parece ter sido feita sob medida pro convidado norte-americano se sentir num comício próprio. Se você abrir o vídeo original, pode ver que a própria abertura conta com o “hino MAGA” I’m Proud to Be an American. E pra anedota: segundo o próprio Village People, seu hit mais famoso não é originalmente nem deve ser interpretado como um “hino gay”. Aham, Cláudia, senta lá...



Também circulou esses dias pelas redes, sobretudo pelo WhatsApp, esta montagem em IA (tá virando um perigo já!) que acredito ser, se não uma das maiores obras do século, pelo menos da época atual. Meu amigo e rei dos memes Raphael me mandou uma interpretação peculiar de Iarnuou We Are the World na voz dos principais chefes de Estado em exercício (spoiler: tem Milei, mas não tem Lula...).

Não sei quem foi que teve tempo e paciência pra desenhar os rostos e adaptar as vozes, e o pior, imitando os respectivos sotaques! Pena que não assinou, mas suspeito que tenha sido um francês, pois inseriu Jean-Luc Mélenchon e Marine Le Pen, duas nêmeses políticas que só têm importância dentro do país:


Nem parece que uma semana atrás, o mundo tava atemorizado com uma possível guerra entre duas potências nucleares: Índia (que já tá mandando brinquedinhos pra Lua, coisa que nem o petê fez) e Paquistão (que muitos até consideram um “Estado falido”). Foi só assinarem um “cessar-fogo” pra submergirem nas inacabáveis notícias sobre as viagens de Trump, mas antes os programas de geopolítica requentaram o alarmismo e as explicações históricas remontando a 1947.

Por exemplo, nesta entrevista de Mohammad Faisal, alto comissário do Paquistão no Reino Unido, ao programa The World with Yalda Hakim, ele critica os indianos por supostas violações do direito internacional. Expõe sua opinião usando o pronome “vocês” (you) como se estivesse falando diretamente aos vizinhos, mas quando percebe que pode ser mal interpretado, acaba se corrigindo e criando uma pérola poética: “Com ‘vocês’, quero dizer, você sabe, ‘eles’”, rs. Recorte inteiro ou quadrado, à sua escolha:






E antes de encerrar, uma rodada aleatória de arte anti-Putin que achei num grupo de WhatsApp do qual até já saí. Bom proveito:












Até a próxima, pessoal!


terça-feira, 29 de abril de 2025

Votos de fim de ano dos presidentes da Rússia desde 1992

Esta publicação reúne a tradução direta do russo pro português de todos os discursos de fim de ano dos presidentes da Federação Russa desde 1992, sendo atualizada com o passar dos anos. Desde que o Pan-Eslavo Brasil, meu canal no YouTube, foi “suicidado” pelo Google em agosto de 2021, tomei como tradição obrigatória publicar aqui, todo começo de ano, pelo menos os discursos comemorativos dos presidentes da França, da Rússia, da Bulgária e da Moldova. Os dois últimos, por mera afinidade cultural, e os dois primeiros, devido a minha familiaridade com suas línguas e meus longos anos de pesquisa sobre a antiga URSS e de contato com a história da Rússia contemporânea.

Sempre fui muito perfeccionista, portanto, legendar pra mim sempre foi uma atividade meio penosa, mesmo que em se tratando de uma atividade amadora e de uns poucos minutos de audiovisual. Como o Pan-Eslavo Brasil era focado nos países eslavos, os votos de Feliz Ano Novo de Vladimir Putin saíam com maior regularidade, a partir de 2018, 2019, mais ou menos, e, sobretudo, quando chegou em casa a internet por fibra óptica. Além disso, a cada novo ano, seus discursos ficavam mais curtos e mais repetitivos, o que tornava a tarefa ainda mais fácil, sem contar que tenho pleno domínio do vocabulário soviético e burocrático de Putin.

O YouTube acabou, o doutorado também, mas “Ainda estou aqui” na página, e como ela é hoje meu único meio de comunicação, tento atualizar com uma publicação por dia, embora nem sempre isso seja possível. Devido a premências que surgem em meu cotidiano, por vezes tenho que fazer pausas mais ou menos longas. Outra vantagem é que, ao contrário dos discursos anteriores, traduzidos palavra por palavra e com ocasionais consultas ao dicionário, agora tomei a coragem de usar o Google Tradutor, mas de forma sábia: a “máquina” me dá o texto central, mas o reviso todo, confrontando com o original. É o mínimo que se espera de alguém que, mesmo sem formação oficial, se arroga o título de tradutor!

Portanto, esta iniciativa vem preencher uma lacuna, pois em anos anteriores, tanto na página quanto no antigo canal, apareceram discursos isolados com votos de fim de ano de Putin (também listados abaixo, quando já antigos), François Hollande e Emmanuel Macron – sem contar Aliaksandr Lukashenka, dono de Belarus que, pra minha “alegria”, só fala russo. A iniciativa também se alinha a minha atividade preferida de tradução, que foi a razão de eu ter fundado tanto meu finado canal quanto está página: disponibilizar ao público leigo ou especializado documentos que podem servir pra pesquisa e compreensão históricas, contornando as barreiras linguísticas e dando a oportunidade pra que todo mundo tire criticamente suas próprias conclusões por meio do acesso direto às fontes.

Fazendo a busca no portal do Kremlin, podemos encontrar todas as publicações desde 2000 que contêm o título “Новогоднее обращение к гражданам России” (Novogódneie obraschénie k grázhdanam Rossíi), Alocução de Ano Novo aos Cidadãos da Rússia. Ao contrário da França, cujos votos presidenciais também traduzi todos desde o governo Sarkozy, a formação do Estado russo moderno é bastante recente, e a Constituição Federal de 1993, mutilada em 2020 e diariamente desrespeitada, só existe no papel. Um reflexo disso é a usurpação do poder por Putin e seu partido Rússia Unida, fazendo com que ele ocupasse a presidência a partir de 2000, exceto no curto interregno de 2008 a 2012, com seu companheiro de legenda Dmitri Medvedev.

Eu já publiquei os votos de Boris Ieltsin pro ano 2000 transmitidos em 1999, discurso que teve uma tripla importância: foi o último de Ieltsin pro grande público, foi o anúncio de sua renúncia do cargo e foram os primeiros votos de Putin dados logos depois, enquanto primeiro-ministro que assumia interinamente até as próximas eleições (e daí não saiu mais...). Procurei manter um estilo mais formal e padronizado, sem as constantes abreviações e oralidades que emprego aqui, e com recursos gramaticais que também costumo evitar (futuro do presente simples, pronome enclítico). Cada ano se refere ao que vai começar no dia seguinte, ou seja, pro qual o presidente está fazendo votos ainda na noite de Réveillon (votos pra 2010 feitos em 31/12/2009, votos pra 2025 feitos em 31/12/2024 etc.).

No portal do Kremlin, o material datado a partir de 2000 é extremamente organizado, muito mais, por exemplo, que no portal do Élysée francês. Sublinho que entre os navegadores Chrome e Edge, neste a navegação é otimizada, e fica ainda melhor se você puder acionar seu VPN pra se localizar na Rússia. Os votos russos costumam ser bem mais curtos e com pouca variação vocabular, sem grandes balanços políticos nem desculpas sinceras, mas nem todos estavam disponíveis em resolução HD. Apenas a partir de 2005 (votos pra 2006) aparece a abertura com a Fanfarra Presidencial e o encerramento com os sinos do Kremlin tocando e a execução do hino nacional (tudo tornando o vídeo em si bem mais longo). Além dos textos, o portal permite baixar diretamente os vídeos, e em cada uma das publicações está listada a fonte pro respectivo ano.

Eu tirei algumas das fotos, relacionadas ao ano pelo qual se fazem os votos, diretamente do portal especial lançado em homenagem aos 20 anos da primeira posse de Putin: antigo, mas, se você entende russo, com um material audiovisual riquíssimo! Lembrando, claro, que devido à agilização produtiva, decidi manter sem legendas os vídeos posteriores ao Pan-Eslavo Brasil e publicar apenas os textos. Portanto, se você tem vontade de se voluntariar pra colocar legendas, sinta-se livre pra me contatar! Se você tiver essa coragem, também permito que coloque em seu próprio YouTube ou outra rede social as legendas com meu texto, mas por favor, em prol da educação, pelo menos cite o autor (i.e. eu) e o link da tradução original.

Adendo (14/3/2026): Embora não fosse minha intenção inicial, traduzi também, ao longo dos últimos meses, os discursos de Boris Ieltsin na noite de Ano Novo durante a década de 1990. Dada a desordem do Estado russo naquele período, o ritual não era tão regular, e cada publicação descreve as vicissitudes da alocução do respectivo ano, além das dificuldades pra encontrar o vídeo e a transcrição. Demorou bem mais tempo do que pra completar a “Era Putin”, mas agora que a coleção está completa, ela apenas vai ser atualizada com o passar dos anos.


Boris Ieltsin (1991-1996 e 1996-1999):

1992    1993    1994

1995    1996    1997

1998    1999    2000


Vladimir Putin (2000-2004 e 2004-2008):

2001    2002    2003    2004

2005    2006    2007    2008


Dmitri Medvedev (2008-2012):

2009    2010    2011    2012


Vladimir Putin (desde 2012):

2013    2014    2015    2016

2017    2018    2019    2020

2021    2022    2023    2024

2025    2026



segunda-feira, 28 de abril de 2025

Votos de Vladimir Putin pra 2018


Endereço curto: fishuk.cc/novygod2018


Finalizando meu projeto documental, terminei de publicar na página os discursos com os votos de Feliz Ano Novo dos presidentes da Federação Russa a partir de 2000, no caso, apenas Vladimir Putin e, no curto interregno de 2008 a 2012, Dmitri Medvedev, ambos do partido Rússia Unida. Eu já publiquei os votos de Boris Ieltsin pro ano 2000 transmitidos em 1999, discurso que teve uma tripla importância: foi o último de Ieltsin pro grande público, foi o anúncio de sua renúncia do cargo e foram os primeiros votos de Putin dados logos depois, enquanto primeiro-ministro que assumia interinamente até as próximas eleições. Sem surpresa, ele não saiu mais do cargo...

Fazendo a busca no site do Kremlin, percebemos que o material a partir do ano 2000 é extremamente organizado, muito mais, por exemplo, que no portal do Élysée francês. Sublinho que entre os navegadores Chrome e Edge, neste a navegação é otimizada, e fica ainda melhor se você puder acionar seu VPN pra se localizar na Rússia. Os votos russos costumam ser bem mais curtos e com pouca variação vocabular, sem grandes balanços políticos nem desculpas sinceras, mas nem todos estavam disponíveis em resolução HD. Apenas a partir de 2005 (votos pra 2006) aparece a abertura com a Fanfarra Presidencial e o encerramento com os sinos do Kremlin tocando e a execução do hino nacional (tudo tornando o vídeo em si bem mais longo).

Eu traduzi o texto a partir do original disponível e baixei o vídeo da publicação oficial contendo os votos presidenciais pro Ano Novo de 2018, transmitidos na noite de 31 de dezembro de 2017. Todas as publicações desse tipo contêm o mesmo título “Новогоднее обращение к гражданам России” (Novogódneie obraschénie k grázhdanam Rossíi), Alocução de Ano Novo aos Cidadãos da Rússia:


Caros amigos!

O novo ano de 2018 está às portas. É claro que essa festa chega até nós todos os anos, mas ainda assim a percebemos como nova, bondosa e desejada; acreditamos que tudo o que planejamos nesses minutos, todas as nossas esperanças se realizarão.

Para nós, o Ano Novo é, antes de tudo, uma festa de família. Nós a celebramos como fazíamos na infância: com presentes e surpresas, com um calor especial, com a expectativa de mudanças importantes.

E certamente elas chegarão a nossas vidas se cada um de nós sempre se lembrar de seus pais, cuidar deles, valorizar cada minuto passado com eles, se compreendermos mais nossos filhos, suas aspirações e sonhos, apoiarmos os que estão próximos e que precisam de nossa participação e generosidade espiritual.

A capacidade de ajudar, de ser sensível e de fazer o bem preenche a vida com um autêntico sentido humano. Onde quer que estejamos – seja à mesa familiar, em alegre companhia ou nas ruas em festa –, estamos unidos por um elevado clima de Ano Novo, e as tecnologias modernas nos permitem partilhar nossos sentimentos com pessoas queridas que podem estar a centenas ou milhares de quilômetros de distância.

E, como sempre, meus parabéns especiais a todos que estão agora trabalhando, cumprindo um dever militar ou profissional, fazendo plantão em hospitais ou operando aviões e trens.

Estamos juntos nesta maravilhosa noite de Ano Novo. Também estamos juntos em nossos assuntos cotidianos comuns. Coesão, amizade e amor altruísta pela Rússia multiplicam nossas forças para ações dignas e altas conquistas.

Gostaria de agradecer sinceramente a todos por acreditarem em si e em nosso país, por seu trabalho e seus resultados. Que a confiança e a compreensão mútua sempre nos acompanhem.

Caros amigos!

Faltam literalmente poucos segundos para 2018. É hora de dizermos uns aos outros as palavras mais sentimentais, perdoarmos erros e ofensas, abraçarmos, confessarmos nosso amor e aquecermos com carinho e atenção.

Que o novo ano traga mudanças para melhor à vida de cada pessoa e cada família, para que todos tenham saúde, que nasçam crianças e que elas nos tragam alegria.

Desejo sinceramente sucesso e bem-estar a todos vocês. Paz e prosperidade para nossa grande Rússia, nossa amada e única!

Sejam felizes! Boas festas e feliz Ano Novo de 2018 para vocês!