domingo, 18 de janeiro de 2026

O Véi Gagá não quer gente no país “dele”

Como diria aquele meme do bandido do Pica-Pau: “A gente se sente tão querido!” Mesmo não sendo de sua própria autoria, é muito gratificante ver o Véi Gagá se lembrando do público de língua portuguesa (brasileiros em específicos, acredito, porque português só migra pra França e Luxemburgo, e é muito difícil pros lusófonos africanos remarem até o outro lado do Atlântico). O problema é quando não sabemos se quem escreve essas coisas é alguém que tem o idioma de Camões como materno ou alguém que na verdade o aprendeu tardiamente, mas traduz as coisas conforme estruturas anglo-saxãs... Sim, é entendível, mas é robótico, ou, como dizem os tradutores, “não soa como português falado de verdade”!

Vou abstrair a neura xenofóbica e anti-imigração e me focar no ridículo comunicativo e linguístico, derivado justamente da raiva patológica. Primeiro, quem em sã consciência usaria ênclise (envia-OS) na linguagem coloquial? E mesmo que fosse proclítico (OS envia), o uso do pronome no “caso reto” (eles, vocês) seria muito mais comum. Se pegarmos a frase literal (“send them back”), a mesma forma é aceitável em muito mais contextos, pois ao contrário das tão flexionáveis e sintéticas línguas românicas e banto, o supremo e dominante inglês tem uma gramática que por vezes parece a de idiomas mais ou menos “isolantes”, como o chinês, o uolofe e o haitiano. Isso, claro, pode dar margem a muitas ambiguidades, e provavelmente foi a ambiguidade tradutória que pirou o cabeção do tradutor, quase certamente não nativo.

Outra possibilidade é que o ser tenha simplesmente jogado no Google e obtido essa nheca. De qualquer maneira, cabe reiterar mais um postulado da arte tradutória: não traduzimos apenas palavras, mas também estilos, e esse “estilo” (se é que dá pra chamar assim) nada tem a ver com nenhuma variante do português praticada no mundo. Ou melhor, em inglês soa normal na maioria das ocasiões; vertido literalmente fica parecendo a linguagem infantil do próprio Véi Gagá, cujo vocabulário é de uma criança entre 5 e 11 anos (“O limite de meu poder é minha própria moralidade”: valha-me Trotsky!). Ou seja, se trocarmos lugares, situações, verbos etc. por, digamos, um programa da Super Nanny ou um dia qualquer na pré-escola, está perfeito.

Se você já viu programas de humor antigos zoando com “gringos” e suas invasões de outros países ou falta de jeito no contato com outras culturas, parece mesmo seu jeito de falar. Agora, pra ficar perfeito, mentalize pra si ou imite você mesmo o texto abaixo com a voz do putinista Glenn “Verdevaldo” Greenwald: tente não explodir de rir após ver o resultado! Contudo, voltando à questão de estilo, não temos apenas a questão de como alguém expressaria a mesma ideia em português, mas temos também a imagem que o falante tem do mundo, neste caso, que o Véi Gagá tem de imigrantes, pobres, latinos, negros, não cristãos etc. em geral. Portanto, pra soar mais “brasileiro” ou de acordo com o fantasma que os WASP nutrem sobre seu público-alvo, eu recomendaria imitar o que chamamos de linguagem ou jargão “de mano” ou “de traficante”.

Mas no final das contas, como diria o sábio Dollynho, o mais brasileiro dos refrigerantes: “Ninguém quer ir mesmo pra sua droga de país, seu mongolão!”



Sigo sendo um leitor assíduo do portal Jeum, porque é minha fonte de informação imediata mais objetiva e, além de tudo, gratuita, sem os bloqueios da Foia e do Estabão. Porém, justamente por isso me sinto no direito de reclamar dos erros de digitação e, vez ou outra, zoar com eles. Este, por exemplo, até que fez sentido, pois depois de ser sequestrado pelo Véi Gagá e enfiado numa jaula e levando em conta sua alta estatura, o Saddam Tropical agora se tornou um “presão dos EUA” e um tesão do Véi, rs:


E finalmente, este trecho de uma reportagem sobre a política externa do Brasil, que traz entrevistas com duas especialistas em relações internacionais, aparentemente com inclinação lulista e, por isso, ambas concordando quanto a um possível papel do Itamaraty enquanto “mediador de conflitos” (a meu ver, muito mais ao modo do meme dos sírios pró e contra Al-Asad na TV jordaniana...). Fiquei impressionado ao saber que o presidente da Alemanha, cujo sistema infelizmente não lhe angaria quase nenhum poder, realmente disse isso sobre nosso país: que diferença abissal do chanceler Rambozambo, que chupa o saco do Véi Gagá e disse na COP30 que não via a hora de ir embora daqui (e espero que nunca volte)!


Nenhum comentário:

Postar um comentário