quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Por que Maduro era a Dilma caribenha


Uma amiga minha me mandou esta publicação de um Instagram humorístico em língua espanhola, datada de 2 de agosto de 2024, portanto, logo após as “eleições” fraudadas contra Edmundo González e María Corina Machado, mas muito antes do sequestro de Nicolás Maduro por Donald Trump, no último dia 3 de janeiro. Ela foi intitulada “Maduro é uma mina de memes”; podíamos traduzir “poço” também, levando em conta a situação a que o chavismo levou a Venezuela, rs.

Eu já preferi chamar de “Maduro era a Dilma da Venezuela”, em alusão a gafes semelhantes que ela cometia, apesar de sua formação e educação muito mais avançadas. Se você duvida, veja o trecho abaixo, tirado de uma coletânea muito maior que fiz sobre o “ibero-dilmês” há alguns anos:

Sei que os áudios podem parecer meio óbvios pra precisarem de tradução, mas a cada um dos trechos seguem a transcrição e uma versão aproximada em português, com ocasional explicação. Às vezes tive que pesquisar no Google pra saber exatamente do que ele tava falando ou quais eram as outras palavras; porém, nenhum deles vem acompanhado da data ou do contexto:


“Que me parta un rayo pues si eso no es verdad” (Que então um raio me parta se isso não for verdade). Então cai o raio, e ele completa: “Naguará, bueno, cayó el rayo aquí” (Ô louco, bem, o raio caiu aqui). Segundo informou em 2023 um portal que desmente notícias falsas, essa cena foi uma montagem que inverteu os momentos. O que não tira a graça do vídeo, “naguará”, rs.


“[...] meternos allí, multiplicarnos, así como Cristo multiplicó los penes... perdón, los peces” (inserir-nos aí, multiplicar-nos, assim como Cristo multiplicou os pênis... perdão, os peixes). Um dos memes mais famosos, ele queria dizer “los peces y los panes” (os peixes e os pães), mas sem querer criou um híbrido com partes de cada palavra.

E você, prefere “multiplicar os pênis” ou “saudar a mandioca”???


“[...] de los capitalistas que especulan y roban como nosotros” (dos capitalistas que especulam e roubam como nós [também fazemos, subentende-se]).


“[...] apenas a los diecisiete, dieciocho años fue huérfano de esposa” (com apenas 17, 18 anos se tornou órfão de esposa), referindo-se a Simón Bolívar.


“En el deporte hoy tenemos millones y millonas de Bolívar” (Nos esportes temos hoje milhões e “milhãs” de Bolívar), novamente se referindo ao herói anticolonial.


“Hay que hacer como los delfines... y las delfinas” (É preciso fazer como os golfinhos... e as golfinhas).


“Perejil, espinaca, no sé, tanta cosa... Bueno, se cultiva pollo, por ejemplo” (Salsinha, espinafre, não sei, tanta coisa... Bem, se cultiva/planta frango, por exemplo). Não é errado, recorrendo-se à analogia, usar em espanhol “cultivar” também pra animais, mas além de se referir originalmente a plantas, a graça está em que o frango veio numa sequência de vegetais.


“‘Sos Venezuela’, ¿ah? Yo te diría, fascista: vos no sos Venezuela, vos sos gringo” (“Você é a Venezuela”, hein? Eu te diria, fascista: você não é a Venezuela, você é um gringo). Talvez conscientemente, ele confunde ou faz um trocadilho do sinal de SOS (socorro) num ônibus com a forma “(vos) sos”, ou “(tu) és, (você) é”, usada no lugar de “(tú) eres” em alguns dialetos latino-americanos ditos “voseantes”. Há variações, mas é uma forma corrente no Caribe e no espanhol rioplatense (sobretudo Uruguai e boa parte da Argentina).


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