sábado, 18 de abril de 2026

“Dansons” (Céline Dion, lançamento 2026)

Após uma pausa na carreira pra tratar de uma doença que prejudicou sua voz, a cantora canadense Céline Dion lançou ontem, 17 de abril, a canção Dansons (Dancemos ou Vamos dançar) em formato single, em suas plataformas digitais. Mais adiante, incorporei diretamente o vídeo oficial (clipe) no YouTube, que tem também as legendas em francês. Por essa razão, segue abaixo apenas minha tradução pro português, sem o texto original.

Dansons foi composta pelo cantor, compositor e letrista francês Jean-Jacques Goldman (nascido em Paris em 1951), que também foi um dos responsáveis pela produção e arranjos e já colaborou outras vezes com Dion. O clipe ficou ainda mais bonito com a participação de casais anônimos de diversos tipos, dançando ao ar livre, ideia que está no cerne da letra. Por isso, dedico esta publicação a você que está estressado com o mundo atual (guerras, redes sociais, extremismo, preconceito, incivilidade) e precisa “balançar” um pouco, rs.

Tirei a letra em francês da descrição do próprio vídeo do YouTube, mas a diagramação está um pouco estranha, o que dificulta o entendimento: ora há pontuação final, ora não há; ora os versos começam com letra maiúscula, ora com minúscula. Por isso, tomei a liberdade não só de uniformizar a redação nesse aspecto, mas também, por vezes, de inverter a ordem dos versos pra facilitar a compreensão de quem lê a tradução.

Minha opção mais explícita foi por não usar a 1.ª pessoa do plural do presente do subjuntivo (“dancemos”, “flutuemos”, o que dá um ar meio de igreja: “oremos”, “louvemos”...) e substituir pela locução “vamos + infinitivo”, típica de nossa linguagem oral. Ambas estão certas, mas sempre opto pela naturalidade. Em alguns pontos, a linguagem é figurada ou claramente idiomática, portanto, pesquisei muito ao traduzir, mas sei que pode não ter ficado perfeito. Sinta-se livre pra propor outras opções nos comentários:


Vamos dançar, por cima dos abismos,
Nas cristas dos cumes,
E vamos deixar as baixadas,
Vamos voar, vamos valsear.

Vamos dançar, enquanto o mundo vacila,
Com nossos corpos enredados
A um passo, a um fio [de distância],
Nossas mãos atadas.

Pra esquecermos nossas mágoas,
Que nada nos detenha,
Nos detenha.

Vamos dançar, por cima dos grandes vazios,
Que nossa respiração nos guie,
Os corpos em uníssono,
Que toquem os violinos.

Vamos dançar, tem baile esta noite
Em meio às estrelas,
Doce encontro
Dirigido a nós e contra nós.

Vamos flutuar, testa com testa,
Flocos, sobre o horizonte,
Flocos, sobre o horizonte.

Vamos dançar, pra nos pormos e ficarmos retos,
Porque é uma obrigação
Pra todos os que não se mexem
E que não têm voz nem lei,
Porque é inútil,
Porque você e eu,
Nossos rostos, nossos braços,
Apesar de tudo, já que
Só se pode dançar de pé.

Vamos dançar, inventar nossas vertigens
Antes de ficarmos parados:
Um idílio, uma ilha
Em meio a um universo hostil.

Vamos dançar, por cima dos abismos,
Nas cristas dos cumes,
Vamos girar, porque o mundo
Não está mais dando voltas
[i.e. Não está mais funcionando].



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