O aplicativo de mensagens MAX, que Vladimir Putin praticamente obrigou o serviço público a usar e pelo qual ele quer substituir o WhatsApp e o Telegram, só está disponível num punhado de países, a maioria deles antigas repúblicas da União Soviética ou membros da CEI, países ainda socialistas e alguns “párias” globais que ainda acham frequentável o ditador cuja crueldade só perde pra de Stalin. Isso, apesar da Jararaca ir até a Praça Vermelha lamber o saco do ex-espião, ornar-se com uma fita de são Jorge suja com o sangue dos ucranianos e frequentar a ritualmente esvaziada Parada da Vitória em 9 de maio de 2025, como se a Europa Oriental não estivesse neste exato momento sendo palco de alguns dos piores crimes contra a humanidade (sem contar República Democrática do Congo, Sudão, Mianmar, Iêmen, região do Sahel etc.).
Essa é a tela que encontramos quando queremos baixar pela Play Store “o aplicativo que funciona até sem sinal”: indisponível na Banânia. Ora, mas quem é que precisa da intermediação de estadunidense monopolista imperialista capitalista sionista taxista onanista revista autopista? Vamos ligar o VPN como se estivéssemos na Moscóvia, usemos um navegador menos suspeito e entremos diretamente no website oficial pra baixar a versão pra computador! (Tá, confesso, tive uns enroscos com meu smartphone, mas acho que o resultado não ia ser diferente...)
Cinão vegemos: o MAX afirma nos oferecer “O máximo de possibilidades pra vida: um aplicativo rápido e leve pra se comunicar e resolver as tarefas do dia a dia”. Sinceramente, pra um regime xenofóbico como o putinista atual, me impressiono como ele tenha escolhido um nome latino pra batizar seu próprio WeChat (“Weixin”, ou “micromensagem”, na China). Em prol da coerência e conforme o significado, deveria se chamar Bolsh, que deve te evocar alguma coisa e, portanto, certamente faria um baita sucesso entre as viúvas ocidentais do stalinismo:

Após enjoar de ver tanta cara branca, magra, feminina, bem arrumada e feliz da vida nas animações de propaganda, rolo um pouco mais a tela e encontro as fontes possíveis pra baixar. Devemos obviamente escolher a última, “Para computador”, já que os GAFAM são “russofóbicos”, pela definição atual da Vulgata:

Chegando na tela “Bolsh MAX para computador”, devemos escolher nosso sistema operacional. Já que sou mais uma vítima do monopólio, preciso optar por baixar o programa pra Windows, pois a “Versão web” à direita e abaixo só funcionam, assim como o WhatsApp, escaneando um QR-code com o aplicativo já instalado no celular:

A uma incrível taxa de transferência, pouco menos de duas horas depois (eu acho, não calculei bem), baixei os enormes 296 MB, levando em conta, claro, o fato de estar com VPN, localizado na RSFSR etc...

Após nos saudar (rs), o instalador nos pergunta se queremos seguir adiante (dáleie) ou se queremos cancelar o processo (otména). Claro que quero entrar nesse novo mundo:

Tudo “aprontado”, temos a opção de “voltar pra trás” pra corrigirmos alguma coisa (nazád), instalar logo de uma vez (ustanovít) ou, mais uma vez, desistir enquanto temos tempo de escapar das malhas do FSB:

Enfim, a instalação está pronta! Com o botão “Pronto” (gotóvo), finalmente podemos desfrutar dessa belezura! Poderia ser mais fácil e intuitivo?

Só que não... O Máximo Bolchevique finalmente nos pergunta “Com que número de telefone você deseja entrar? Vamos enviar para ele um SMS com o código.” E pra nossa surpresa são permitidos apenas telefones de um punhado de países, além do próprio Império (copiei os prints do menu rolado numa imagem só): Belarus, Azerbaijão, Armênia, Vietnã, Geórgia, Indonésia, Cazaquistão, Camboja, Cuba, Quirguistão, Laos, Malásia, Moldova, Emirados Árabes Unidos, Tajiquistão, Tailândia, Turcomenistão, Turquia e Usbequistão.
Quase toda a rabeira do Índice Global de Democracia. Todos socialistas, “ex-soviéticos” ou muito hesitantes em condenar as agressões moscovitas. Nenhum país “ocidental”, exceto Cuba, muito menos da UE, nenhum país africano, que dirá a Pequena Rússia Ucrânia e sua “junta de Quiévi”. Nem mesmo a “amiga indestrutível” China. A Coreia do Norte só não tá porque eles têm intranet. A Turquia corta pra todo lado, com um hiperlateralismo que mais parece o símbolo do CHP da oposição kemalista do que o partido bolsoislâmico no poder. A Tailândia é um ninho de golpes (nos dois sentidos). A Moldova (milagre: não está escrito “Moldávia”, assim como está “Belarus”, e não “Bielorrússia”!), cuja situação conheço bastante bem, tem uma “minoria russa” considerável e ótima como fator de desestabilização das atuais tentativas de aproximar o país cada vez mais da adesão à UE:

E assim acabou minha aventura. Obrigado pela atenção, pessoal, e ótimo Carnaval, sem repressão nem aplicativos espiões!
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