Este homem de boina é Lincoln Secco, professor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH/USP). Lindo, tesão, bonito e gostosão, todos já sabemos. Mas este é um momento peculiar: a aplicação da prova escrita, na manhã de 9 de dezembro de 2025, pro concurso de professor doutor em História do Brasil República no Departamento de História da mesma FFLCH. Sim, foi pouco antes do início da aplicação. Sim, o evento não era público. Sim, Lincoln não me deu autorização pra que eu o fotografasse. Porém, ele não está fazendo nada de mais (tipo usando uma sunguinha de onça), não estou revelando nenhum segredo protegido por contrato e não há qualquer montagem por IA, essa praga que hoje assola nossas relações sociais. Ele está apenas de pé, apoiado numa mesa e segurando seu exemplar do dia da Folha de S. Paulo com o novo tamanho zoomer.
Como se pode deduzir do que eu escrevi acima, participei do concurso: era a primeira vez que ia à FFLCH sozinho, de carro, desde maio de 2019, quando conheci o local ao ler uma comunicação num evento de Humanas. A prova escrita teve a peculiaridade de não ter “nenhuma chamada”, ou seja, sorteado um dos pontos anunciados no edital (neste caso o 9, isto é, “O uso da violência como política de Estado: fundamentação e políticas repressivas”), simplesmente tínhamos que nos virar. Minha primeira ideia foi fazer um texto dissertativo, no modelo de uma redação de vestibular, versando sobre o tema, com o tamanho e conteúdo que você pode ver abaixo. Novamente, pra tornar as coisas “mais rápidas”, não digitei nem digitalizei o texto, mas apaguei as rubricas dos cinco professores da banca, que estavam embaixo. Na primeira hora, antes de começarmos a redigir o texto final, pudemos consultar todo o material que conseguíssemos trazer; como na parte propriamente “histórica” eu achava que me garantia, tentei apenas trazer livros sobre temas “transversais”, como gênero, raça e esse ponto 9 que caiu.
Por sorte, me deu na cachola de trazer o Estratégias da ilusão, de Paulo Sérgio Pinheiro, sobre a estratégia da Comintern pra América Latina, mas que tem o famoso “livro dentro do livro” – um capítulo que trata da violência institucionalizada pelo Estado e seu recorte classista –, e duas coletâneas com artigos publicados pelo centro de pesquisa ao qual eu era afiliado na Unicamp, o CECULT, sobre cultura popular e manifestações sociais. Não tive problemas em redigir tudo à mão de uma vez, embora eu não ache ideal minha própria letra manuscrita; na verdade, ninguém nunca gosta da própria, mas garanto que se eu optasse pela cursiva que aprendemos na escola, ia sair muito pior do que esse estilo “americano”. À tarde, li esta cópia da prova, que me foi dada, em voz alta diante da banca, procedimento considerado arcaico e que muitas universidades já abandonaram.
No dia seguinte, as “leituras” continuariam, mas o primeiro imprevisto foi um acidente nesse mesmo dia 10 com uma das membras da banca, dia em que São Paulo também sofreu com uma ventania histórica como não se registrava desde a década de 1960. O processo foi imediatamente suspenso, e recebemos por e-mail o comunicado de que as outras leituras e o anúncio do resultado parcial tinham sido postergados pra 3 de fevereiro de 2026. Minha ansiedade continuou nesses quase dois meses, pois ainda por cima não sabia se valeria a pena estudar mais um pouco, mesmo não sabendo se passaria ou não pra segunda fase (arguição do dossiê e prova didática). No dia marcado, fui à capital só pra saber que eu tinha sido eliminado, portanto, acredito que tudo o que se encontra aqui pode “passar pra história”...
Se você não gosta de homens maduros de boina apoiados numa mesa e segurando um jornal, deixo outras duas imagens mais saborosas, antes do “saber sabor”: meus respectivos almoços dos dias 8 (estrogonofe) e 9 (lasanha) de dezembro no restaurante italiano que fica no subsolo do “prédio das Letras” da FFLCH e que recomendo fortemente, rs:









Nenhum comentário:
Postar um comentário