quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

A ciência de viver bem... em 2006

Nunca assinei revistas, mas de 2003 a 2005 eu comprava na banca toda semana a revista Mundo Estranho, que inicialmente era mais voltada pra educação e curiosidades, mas depois foi se tornando um pastiche chato de entretenimento nerd (do qual nunca gostei). Ela era fininha, portanto, mais confortável de manejar e mais rápida de ler, mas depois fiz minha transição pra realmente densa Superinteressante, com matérias mais longas e mais exigentes de atenção, a qual comprei até 2007. Achei nela o mesmo conteúdo de que a Mundo Estranho, a meu ver, começou a carecer, mas com o tempo os temas também se tornaram desinteressantes ou apelativos e minhas horas livres pra concentração, agora dedicadas à graduação em História, foram escasseando.

Pode parecer estranho, mas não fui um nerd “típico” como se podia pensar de um adolescente da primeira metade dos 2000. Meu lance sempre foram os estudos normais e a busca por conhecer mais assuntos internacionais, e não diversões, filmes, jogos e literatura com conteúdo peculiar, fantástico ou complexo, em comparação com o padrão idiota de uma revista Capricho ou de uma MTV da vida. Por isso, curiosamente, assuntos que já em 2006-2007 não me atraíam muito eram incursões exaustivas em exatas e biológicas e até mesmo séries (incluindo as distópicas) estrangeiras! E quanto mais as revistas iam passando pra essa pegada de “cultura pop”, mais eu as ia deixando.

Mesmo assim, mantive pequenas coleções de ambas as revistas por alguns anos (eu tinha guardadas até mesmo umas Veja com matérias que tinham me agradado muito, rs), mas antes de me desfazer delas, escaneei esta matéria não muito longa, saída há pouco mais de 20 anos e que me impressionou muito na época. Eu guardo um afeto por ela porque exatamente nessa época fiz o vestibular e entrei na faculdade, olha só, duas décadas redondas! Com texto de uma tal Mariana Sgarioni e somada ao “descolado” editorial do jornalista Denis Russo (que se tornaria um objeto de ódio do finado Olavo de Carvalho no futuro), essa peça em pleno apogeu do Orkut e pouco anterior à era dos smartphones me impressiona em retrospecto por duas razões: a pertinência, até maior e muito mais comprovada, de vários dos conselhos citados e o abismo entre o tipo de sociedade a que leitores e editores aspiravam na época e o fosso civilizacional, com pitadas do velho apocalipse nuclear da “guerra fria”, em que parecemos nos encontrar em 2026!

Se “Está bom 2006” pra quem ainda se informava basicamente pela imprensa e pela TV, quando até os portais de notícias estavam engatinhando e Denis Russo externalizava seu humor de tiozão pra comemorar o sucesso de vendas, 2026 consegue estar medonho até pra quem, com o celular na chupeta (não aquele, claro, de telinha azul e que só suportava ligação e SMS!), já nasceu no início daquela década, quando mendigamos curtidas, visualizações e comentários num oceano de violência gratuita e, coroando a “era da pós-verdade”, montagens por IA. A passagem do tempo consegue tornar as coisas tão engraçadas ou constrangedoras que só a capa acima já traz elementos sobre os quais poderia passar horas dissertando:

  • A copa da Alemanha, quatro anos depois da euforia do “penta” sobre a mesma Alemanha e que inauguraria nossa “maldição das quartas” com aquela suspeita “arrumada na meia” por Roberto Carlos e a derrota por um único gol da França após esse arroubo estético.
  • Como assim, “Por que os gays são gays”??? Cada um faz o que quiser da vida, e hoje já nem cabe tanta letra no antigo “GLS”, pra não falar das “dezenas de gêneros” (como diria Putin) que atemorizam os criadores de formulários!
  • “A revolução do software livre”... caí de rir de minha cadeira! Esse era o mantra de meus conhecidos fissurados em Linux, mas depois dos GAFAM, foi mais um sonho que passou.
  • O melhor drone, ops, avião de papel do mundo... A Ucrânia não gostou nada disso!
  • “Você já quis matar alguém?” Melhor ficar quieto, ainda mais que hoje, com as redes antissociais, você não precisa “querer”, mas já ameaça alguém diretamente! E tenho um pensamento sério pelas cada vez mais frequentes vítimas de feminicídio.

Por preguiça e ânsia de produção, não copiei o texto de meu PDF codificado, mas apenas transformei o arquivo em várias imagens separadas. Se alguém se interessar pela cópia original, pode entrar em contato comigo por comentário ou outros meios, e eu repasso por e-mail. O legal é que o “Desligue a TV” me lembra muito uma comunidade orkutiana chamada “Desligue a TV e vá ler um livro”, que pelo jeito não deixou adeptos, rs. Não colar a cara no computador (que nem era visto como um “perigo”), então, nem previa o dano generalizado que os smartphones iam causar em nosso organismo. Pra não falar das vacinas.

Tire suas próprias conclusões sobre 2006 ou 2026 (e 2016, Dilma?) estar ou ter sido bom ou ruim... E lembre-se: use camisinha antes de comer macacos!























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