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domingo, 16 de agosto de 2026

Mahi Binebine, o Bob Esponja marroquino

O escritor (sobretudo romancista), pintor e escultor marroquino Mahi Binebine, nascido em Marrakesh em 1959, é daquelas figuras pouco conhecidas no Brasil devido à barreira linguística, mas que certamente seria muito divertido encontrar. De origem pobre, a história de sua família foi usada no enredo de alguns romances, notadamente Le fou du roi (O bobo da corte) e La nuit nous emportera (A madrugada vai nos levar embora), ainda não traduzidos pro português. Ele justamente chama a trajetória dela de “shakespeariana”, pois seu pai foi exatamente bobo da corte do autoritário rei Hassan 2.º do Marrocos (pai do atual, Mohammad 6.º), a quem basicamente deveria contar histórias pra o entreter antes de dormir, e seu irmão participou de um golpe de Estado que fracassou em derrubar o monarca, obtendo com isso 20 anos na prisão.

Em 1980 Binebine se mudou pra Paris, onde estudou matemática e lecionou a disciplina por oito anos. Depois, passando a se ocupar como escritor e pintor, morou em Nova York de 1994 a 1999, onde seus quadros obtiveram grande sucesso. Em 2002 se instalou definitivamente em Marrakesh, mas partilha seu tempo entre o Marrocos, a França (cuja língua é a usada em sua obra) e os EUA. Em parceria com amigos, também trabalha na inserção psicossocial e econômica, por meio da arte e da cultura, de jovens marroquinos desfavorecidos. Autor de 13 romances (até agora), teve sua produção plástica e literária amplamente reconhecida e premiada nos dois lados do Atlântico e do Mediterrâneo.

Isso é o que a Wikipédia em francês diz sobre Mahi Binebine. O que fica pra conferência do próprio internauta, porém, é a posse de uma das risadas asmáticas mais engraçadas que alguém pode ter visto e a fina voz idêntica, ou quase, à do personagem de desenho Bob Esponja! Posso parecer maldoso, mas hoje trago uma seleção das melhores gargalhadas desse figura, a partir das seguintes fontes: uma conversa no antigo programa INA Arditube, uma entrevista ao jornalista Patrick Simonin no programa L’Invité da TV5MONDE, uma entrevista a Fatimata Wane, sua parceira de iniciativas, ao Journal de l’Afrique da France 24 e, a melhor de todas, uma entrevista com o apresentador marroquino Oussama B (de “Benjelloun”). Esta última deve ter se dado na língua oral marroquina (de forte extração amazigue), na qual, como podemos ver, abundam as palavras e frases inteiras em francês.

A fruição dessa pérola dispensa conhecer as línguas envolvidas, pois sua alegria contagia tanto quanto a do comediante espanhol Juan “El Risitas” Joya Borja, um dos maiores memes da história. Sua risada banguela num programa de entretenimento em 2002 foi publicada no YouTube pela primeira vez em 2007, e a Irmandade Muçulmana egípcia fez a primeira “falsa legenda” com ele pra zombar do ditador militar presidente As-Sissi em 2014. A partir daí, várias outras versões foram sendo feitas em diversas línguas sobre diversos assuntos, com o pico de popularidade atingido em 2015. Como eu mesmo não entendo árabe marroquino, o vídeo com Oussama B, em que Binebine ainda por cima parece muito mais à vontade, serve ainda mais a propósito parecido. Se você conhece francês, alguns fragmentos ainda podem ficar engraçados dentro do contexto.

Porém, cabe traduzir duas falas do Leandro Karnal gaulês, que deixei mais ou menos na íntegra e traduzem bem o sentimento despertado por um espírito como Mahi Binebine: “O riso é uma forma de sobrevivência, uma forma de resistência” (Ele responde: “Na África, quanto mais alguém afunda, mais dá risadakkkkkk”!); “Os que gostam de Mahi Binebine, o artista que tenho diante de mim, sabem que essa risada que escutamos testemunha uma força, mas também uma profunda humanidade dentro de você” (Resposta: “Foi a natureza que fez isso, oras”).

Nesta publicação deixo uma lembrança (e não tanto uma homenagem) aos pobres jovens marroquinos e de outros países africanos, sem perspectiva de emprego em sua terra natal e que, enganados por gente inescrupulosa nas redes sociais, acha que mais um “rolezão na praia” em Ceuta como o tencionado pra hoje pode resolver seus problemas. É o Magrebe pra além dos destinos paradisíacos ao estilo O Clone, esquecido pelos influenciadores nômades...



Opinião de dois jornalistas da Sky News sobre esta publicação:




terça-feira, 10 de março de 2026

Memes e vídeos sobre a covid-19 (2)

Há quase exatos três anos, comecei uma coleção que não sabia se teria uma sucessão ou continuidade linear. É um pouco triste, mas trata-se da maioria dos vídeos do Pan-Eslavo Brasil, meu antigo canal no YouTube, relativos à pandemia de covid-19 (inicialmente chamado apenas de “coronavírus”, o popular “coronga” ou “coronha”...) e de caráter histórico, político ou mesmo humorístico. Os primeiros lançados ao redor do mundo dão instruções de proteção, às vezes de forma descontraída, mas com o tempo, descoberta a periculosidade do vírus e manifestada a inação de Jair Bolsonaro e Donald Trump no combate à doença, o teor vai ficando cada vez menos deglutível.

Dessa forma, obviamente muita coisa que publiquei na época imediatamente após surgir, somente pra viralizar e indignar, nem vou fazer aparecer de novo, porque em geral se trata de chiliques do marido da Michelle ou tem nula importância informativa. Já alguns absurdos e violências inspirados por este senhor podem e até devem ser resgatados, pra que os futuros jovens não sofram de amnésia coletiva (como os de hoje sofreram com relação ao adolfismo e à ditadura militar), saibam de fato o que foi essa época e não botem de novo na cadeira do Planalto um falso Messias. Hoje estou terminando de “ressuscitar” o material restante que eu tinha.

Algumas coisas eu mesmo editei, outras me chegaram por meio de um antigo grupo de WhatsApp que mantive pra admiradores do Pan-Eslavo Brasil de 2018 a 2020 e outras ainda achei assistindo à mídia de outros países. Dada a distância temporal da produção e da publicação em meu extinto YouTube, não tenho mais as fontes originais nem as descrições que eu mesmo redigi, portanto, os vídeos estão apenas com uma breve descrição ou contextualização. Alguns hoje são pérolas ou raridades perdidas, certamente apagadas da memória pública. Me perdoe se eu acabar provocando algum “gatilho” ou se tal conteúdo não te agradar, devido ao peso desses anos passados...

(Devido ao recarregamento recente no Google Drive, alguns podem ainda não estar rodando sob pretexto de “lentidão no processamento”, mas talvez apareçam dentro de alguns dias.)




Vídeos “premonitórios” do Chaves: no primeiro (episódio “Estatísticas”), Professor Girafales afirma que “a cada vez que o Chaves respira, morre uma pessoa na China”; no segundo, o mesmo Mestre Linguiça dá dicas de prevenção de infecções na barraca de sucos do Chaves e na escolinha da vila.


No começo, o tom das mídias é leve. Primeiro, o Canadian Specialist Hospital de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, dá dicas de como agir pra prevenir a contaminação (embora pareçam até leves pras consequências posteriores...).


“Proteger da vacina e de Deus lá em cima” (Jornal Hoje, 2 de junho de 2020). Será que ele quis dizer “proteção”? Rs.


Uma máscara e um rolo de papel higiênico conversam e comparam a dureza de suas funções.


Governo da província argentina de Buenos Aires faz uma paródia de Aserejé, sucesso internacional da década de 2000, pra ressaltar a importância da prevenção.


Com o tempo, as relações entre as pessoas e entre elas e o Estado, assim como a eficácia em aplicar as medidas emergenciais, vão ficando mais tensas e mais difíceis. Aqui, um cliente se recusa a usar máscara e apanha de atendente no Brasil (11 de agosto de 2020, com uma canção do povo komi da Rússia ao fundo).


Rússia é acusada por três países de roubar dados sobre vacinas (Jornal Nacional, 16 de julho de 2020).


Idosa de Bragança Paulista, minha cidade de adoção, dá chilique no Lago do Taboão por se recusar a usar máscara (17 de março de 2021).


Homem no Usbequistão foge da polícia pra escapar da quarentena.


Depois da série americana Smallville, senhor inventa o “Coronaville” no Jornal Nacional em 11 de setembro de 2020.


A pior parte está na razão pela qual Jair Bolsonaro é propriamente chamado de “genocida” por seus detratores. Este infame clipe lançado nas redes do governo, mas depois apagado, se intitulava “O Brasil não pode parar”, logo quando especialistas começavam a recomendar o lockdown.


Governistas fanáticos diziam (acho que numa praia do Rio de Janeiro) que eram “a galera do coronavírus, vamo infectá todo mundo!”... Espero que tenham sofrido bastante!


O ciclista paulistano que ficou famoso em setembro de 2020 com a frase “Não queremos a vacina, nós temos a cloroquina” (e a voz feminina que ficou famosa gritando “Não queremos a va-China!”). Também espero que não tenham tomado e tenham ficado com sequelas do vírus!


E, finalmente, enfermeiras protestam pacificamente, em silêncio, na Praça dos Três Poderes no auge da pandemia, contra a precarização de seu trabalho e o negacionismo do Planalto. São incomodadas e até agredidas por bolsominions aloprados...


Mas é claro que, se até “Trump Sempre Arrega” (TACO), o Coiso ia ter de aceitar o óbvio alguma hora, após, claro, provocar umas centenas de milhares de perdas, abrir caminho a tantas mais e deixar incontáveis cidadãos com sequelas. O que ele chamava de “va-China do Doria” agora era a “vacina do Brasil”!


Tudo isso, embora Xi Jinping tenha decretado o “fim” da pandemia na própria China ainda na segunda metade de 2020.


quarta-feira, 4 de março de 2026

Quem ri por último, chora melhor

Ci tá na Grobe, é pruquê é verdadj. E de fato, não esperei só o Plim-Plim, mas também a confirmação do morrimento do óia-tô-lá “Ale Camenei” pelo próprio regime iraniano. A Moçada do Bibi do Hamas disse? O Laranjão disse? Não acredito totalmente. Mas dada a bagunça provocada em Teerã, o resultado era esperável, abrindo mais um capítulo histórico dos tempos modernos. Se ainda antes do Jornal Nacional houve um “Plantão terrível” quando Washington anunciou o feito, o genro da Garota de Ipanema só apareceu na propaganda da novela Três Graças quando a própria ditadura confirmou mais um cancelamento de CPF seu.

Desta vez não houve a vinheta da diarreia imediata, e embora no domingo eu tenha hackeado o vídeo do portal G1, no sábado à noite consegui voltar a programação ao vivo por meio da transmissão aberta ao vivo na plataforma Globoplay, assim que soube em outros sites, pouco antes de ir dormir, que “é verdade esse bilete”. Como em Bragança Paulista assistimos à afiliada TV Vanguarda (que transmite de Mas Bom Mesmo é Viver em São José dos Campos), logo antes estava passando um boletim do tempo pras regiões cobertas, e mal terminou a trilha sonora, já apareceu a cara do Tralha. Mas isso foi aqui: já no Irã, pelo menos dois necrológios rodaram as redes, e num deles, o apresentador irrompeu em prantos, bem ao estilo Coreia do Norte.

Em dois momentos, seu “soluço” parece tão fingido (alguém viu as lágrimas?) que chegamos a ter a impressão dele estar rindo, ou se segurando pra não rir e ir parar na forca. Note que aparentemente, mesmo atrás das câmeras, alguém deixa soltar uma risada; já pode ser considerado um dos momentos mais constrangedores da geopolítica televisada, e por isso separei os dois trechos pra que você possa fazer memes à vontade, bem como incorporei a publicação original do portal Metrópoles:



Mais legal ainda foi nesta segunda ter aparecido uma propaganda no portal G1, paga pra ser mostrada pelo Google, em que a Moçada sugere aos iranianos, em persa, que vejam a situação em seu país por sobre a censura oficial. Parece que uma versão ampliada dessa mensagem também foi publicada nas redes oficiais israelenses e nas ligadas aos apoiadores do Pahlanada. Eu hein, depois daquela dos beeps do Hezbollah, eu que não clico nisso! (Eu mesmo transcrevi e joguei no tradutor, fazendo poucas mudanças.)

سازمان موساد
برادران و خواهران ایرانی ما،
اینجا کلیک کنید و عکسها و ویدیوهایی
از آنچه اکنون در خیابانها اتفاق می افتد.
را با ما به اشتراک بگذارید ما با شما هستیم!

[Organização] Mossad
Nossos irmãos e irmãs iranianos,
Cliquem aqui para ver fotos e vídeos
do que está acontecendo nas ruas agora.
Estamos com vocês!





Afinal, é assim que nascem as revoluções:


Depois de ver isso, me veio à memória algo que eu teria visto na adolescência, e eu estava certo. A Turquia de 2001, segundo o Livro do ano 2001-2002 editado pela mesma casa da velha Enciclopédia Barsa, também teve um dólar milionário. Aliás, o valor crescia a cada ano: mais de 400 mil liras turcas em 1999, mais de 600 mil em 2000... Mas daí veio o Tobogã e transformou o Império Otomano num país deter-gente, ops, emergente, rs:


Após o morrimento de Ali Khamenei, Carlos Henrique de Brito Cruz, físico e engenheiro brasileiro e ex-reitor da Unicamp, foi escolhido pra ocupar o cargo de líder supremo temporário. Quando a publicação for ao ar, não se sabe se ele ainda vai estar vivo:




terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

O que Sergey falou em russo no Domingão

Após meses de espera de acordo com as regras do quadro, este peculiar Homo sovieticus chamado Sergey (ou Sergio) Loewitz finalmente participou do “Quem quer ser um milionário?”, apresentado por Luciano Huck em seu Domingão. Professor de idiomas e casado com uma brasileira, com quem tem uma filha e mora em Niterói, é falante nativo de russo e nasceu na antiga RSS da Moldávia, atualmente a República da Moldova independente. Embora o país seja multicultural, o romeno (chamado pelos soviéticos de “moldávio”) é a língua predominante e o russo, falado desde a ocupação tsarista da Bessarábia histórica (século 19), ainda tem um papel relevante; é majoritário, por exemplo, na região separatista da Transnístria.

Volta e meia escrevo aqui na página sobre esse pequeno país, mas essa é mais uma ocasião pra eu pegar no pé de quem faz pouca ou nenhuma pesquisa sobre o que está falando. O Gonzo, por exemplo, ao invés de fazer uma breve leitura sobre a história recente da Moldova, repetiu várias vezes a versão russa do nome (“Moldávia”), usada predominantemente na Rússia e em sua mídia estatal, enquanto mesmo entre os moldovos russófonos se usa “Moldova”. Pra quem combate o colonialismo do Kremlin e convive diariamente com o assunto, soa como o arranhar de um disco ouvir “Moldávia” o tempo todo, ou pior, ocasionalmente misturando as duas formas e soltando um “Moldóvia”! Não sei se o Trololó fluminense o “assessorou” de alguma forma, mas nem ele deve entender ou sequer ligar pra essas “minúcias”.

Em todo caso, ao contrário de minha bisavó Tekla, que nasceu justamente na Bessarábia histórica e era o cão chupando manga, a inocência e bom coração de Sergey evocam muito mais meu bisavô Basílio, nascido, porém, em Kyiv. Como os dois se casaram e tiveram uma penca de filhos, só a NASA explica. Porém, fiquei muito tocado com sua iniciativa de dedicar o dinheiro ganho no Domingão distribuindo bolsas a alunos pobres, embora não tenha ganhado o prêmio máximo e, pior, errado uma pergunta sobre biquíni! Mesmo assim, seu Instagram pessoal, que passou de pouco mais de 600 seguidores pra mais de 29 mil até a tarde da segunda-feira seguinte, se tornou um registro permanente da aguardada façanha.

No encerramento do quadro, depois de Sergey ter errado uma das perguntas, ele pediu pra mandar um recado pra sua família, acredito que pra sua mãe e seu irmão, embora ele não os tenha mencionado antes. Embora ele também fale romeno, sua mãe só fala russo, e nessa língua ele pediu pra se comunicar, ocasião que aproveitei, obviamente, pra fazer uma “média” no WhatsApp entre meus amigos, rs: filmei com o celular a transmissão no Globoplay após voltar alguns minutos em meu computador e espalhei o vídeo com a transcrição (como acredito que deve ser) e a tradução. Foi uma pena que não consegui lançar esta publicação ainda ontem.

O que me chamou a atenção foi a palavra “taliánchik”, que tirei de ouvido e não sabia se estava certa, porque parecia algo relacionado à “Itália”. De fato, o significado mais corrente é o de “qualquer pedra ou cristal precioso”, “ametista”, “quartzo puro”, e em russo dialetal (não descobri o lugar exato) é um sinônimo de “querido”, “amado”, ou seja, faz sentido neste contexto. Se você tem outra tradução, favor escrever nos comentários. Além disso, pra obter uma versão de melhor qualidade, infelizmente o vídeo baixado da fonte original com a extensão que costumo usar ficou danificado exatamente no trecho concernido, e acabei usando outra extensão que “despedaçou” o vídeo e tive de juntar as partes desejadas. Apesar de não estar límpido como sempre, vale muito a pena pra nossos fins:


“Мамочка, люблю тебя! Братишка-тальянчик, спасибо вам огромное за всё, за жизнь, за любовь вашу. Люблю тебя, мамуля!” (Mámochka, liubliú tebiá! Brátishka-taliánchik, spasíbo vam ogrómnoie za vsió, za zhizn, za liubóv váshu. Liubliú tebiá, mamúlia!)

“Mamãe, eu te amo! Meu irmãozinho querido, muito obrigado por tudo, pela vida, pelo amor de vocês. Eu te amo, mãezinha!”


Aliás, aproveitando a ocasião pra descarregar um print cômico: numa das edições do jornal diário Vot Tak Moldova, transmitido em russo a partir da Polônia, a apresentadora com um dos deputados do PAS, partido de Maia Sandu, parece a Ana Castela entrevistando o Zohran Mamdani, rs.


domingo, 4 de janeiro de 2026

Todos os bigodes se parecem...


Sou do Levante, tô com Mad... NÃO, PERA:


Adendo (17/5/2026): Eu sei que já ficou inatual e que quem publicou foi uma página do Facebook ligada ao Partido Kataeb libanês, de extração cristã maronita, antixiita e fundado sob inspiração do fascismo italiano. Porém, achei a montagem por IA bastante interessante, embora eu esteja na dúvida por que tenham colocado o liberal canadense Mark Carnê do Baú na ala dos “esquerdistas” – talvez pelo mero fato de ser anti-Trump, rs:


quarta-feira, 27 de agosto de 2025

34 anos da Ucrânia (Rio de Janeiro)


Endereço curto: fishuk.cc/ucrania2025

No último domingo, 24 de agosto, foi feita manifestação no bairro carioca de Copacabana em comemoração aos 34 anos da independência da Ucrânia e a favor da resistência contra a invasão de Putin. Meu amigo Claudio, que vive no interior do Paraná e defendeu em março sua tese de doutorado na UFRJ sobre a identidade dos ucranianos no Brasil, é um grande militante da causa e me enviou as fotos e vídeos abaixo dos arredores do Copacabana Palace. Sim, o braço com a bandeira é dele, rs. Selecionei as melhores versões e evitei algumas fotos com conteúdo repetido ou não muito relevante. Espero que você goste, e SLAVA UKRAINI:





























terça-feira, 19 de agosto de 2025

Mais um dia comum em Quiévi... ops, Kyiv


Endereço curto: fishuk.cc/sirenes

Esses dias, Vitório Sorotiuk, ex-presidente da Representação Central Ucraniano-Brasileira (RCUB) e de quem já publiquei vários textos aqui na página, esteve na capital ucraniana e registrou pra posteridade (e pros idiotas que ainda não acreditam) uma cena que tem se tornado cotidiana: as sirenes que tocam a qualquer momento do dia e da noite, indicando a possível iminência de um bombardeio ruSSo e a necessidade de se abrigar numa das muitas estações de metrô feitas igualmente à maneira de um bunker. É curioso como ele registra a aparentemente tranquilidade dos passantes e dos motoristas e, ao final, fala que finalmente ele não pode adiar a busca por um abrigo antiaéreo.

Por prosaica que possa parecer, a cena é triste, na medida em que meu amigo Claudio, que me repassou o vídeo, ressaltou que eles acabaram se “habituando” a essa situação. Pra mim, também é indignante, pois sabemos como os zumbis de Putler não só atacam deliberadamente alvos civis não usados pra fins militares, mas também aprenderam a sobrevoar o espaço aéreo ucraniano de forma a apenas “despertar” as sirenes e gerar um falso alerta de bombardeio!

Ah, e se você quer uma dica de pronúncia aproximada, basta mandar um Quíiv ou Quêiv mesmo...


Embora na sexta-feira passada tenha havido o vergonhoso encontro entre Trump e o ditador do Kremlin no Alasca, e na segunda-feira o encontro da Galinha Ruiva com Zelensky e outros governantes europeus, não fiz nenhum conteúdo especial a respeito. Porém, não pude deixar de trazer algumas coisas, como a animação humorística de André Guedes ainda relativa ao primeiro encontro fracassado em fevereiro (repassada por uma amiga) e duas montagens referentes ao fato de Sergei Lavrov ter ido aos EUA com um moletom com as iniciais da URSS em russo (o apelido oficial do Claudio ao diplomata é justamente “cara de cavalo”, rs):






Outro babado forte foi a justa verbal em inglês que os ministros do Exterior da Hungria, Péter Szijjartó, e da Ucrânia, Andrii Sybiha, tiveram no Équis na segunda-feira após um ataque ucraniano ter atingido um oleoduto que leva petróleo da Rússia até o país de Viktor Orbán e à Eslováquia. As duas nações se recusaram a condenações mais firmes à invasão moscovita e à redução de seus intercâmbios com o agressor.

Não é citado o local, mas acredito que embora ele passe pela Ucrânia, tenha sido avariado na Rússia, interrompendo temporariamente o fornecimento no domingo anterior. Após a típica passada de pano no genocida, o que em qualquer hipótese o faz perder toda a razão, o cabelo de Pica-Pau levou uma fantástica invertida do ucraniano, apesar da tréplica chorosa:






quarta-feira, 28 de maio de 2025

As piores unções pentecostais

Quem curtiu a internet “das antigas” (até 2015, quando muito) conhece essa figurinha aí em cima: é o chamado “Pastor Pilão”, “Pastor Pião (da Casa Própria)” ou ainda “Pastor Zangieff” (em referência ao personagem do jogo e desenho Street Fighter), que numa dessas “possessões” comuns, sobretudo, em igrejas evangélicas pentecostais e neopentecostais, começou a girar rápida e compulsivamente, como se fosse um místico sufi ou um bailarino do noroeste do Cáucaso. Supostamente fora de controle e com as forças esgotadas, é finalmente amparado por um certo pastor Marco Feliciano, hoje conhecido por ser a ponta de lança mais execrável do evangelofascismo no Legislativo bananeiro. Não sei se chegou a circular por e-mail, como ocorria no começo, pois só o conheci muitos anos depois, mas as primeiras publicações no YouTube ganharam rapidamente o país.

Esse foi um dos primeiros casos em que tais “manifestações do Espírito Santo” se tornaram virais, primeiro cortadas de programas de TV, depois gravadas diretamente em celulares antigos e smartphones, tornando a vergonha alheia prontamente palatável. Não vou julgar do ponto de vista religioso, porque não tenho uma “fé” que sirva de “metro” pra tanto, e porque muitos evangélicos também condenam tais práticas, sobretudo em suas formas mais espetaculares, e reclamam que nossas igrejas estão “virando circos”. Também pouco me importo se mesmo os defensores das cenas mais inusitadas me julgarem intolerante, pois meu objetivo não é fazer humor com a crença em si, e sim com aspectos que realmente podem parecer risíveis ou mesmo, como qualquer coisa nessa vida, inusitados.


O raizíssimo “Pastor Pilão” foi pioneiro num gênero que inspira piadas até entre os próprios “crentes”. Porém, às vezes basta procurarmos uma coisinha no Google que de repente brota um mundo de informações do nada... e enquanto cientista social, é realmente isso que me interessa rs. Segundo este blog evangélico que encerrou suas atividades em 2018, o famoso meme seria um certo “cantor Moser”, falecido em novembro de 2011 e de quem alguns álbuns podem ser encontrados no YouTube. Pra adiantar aqui, internautas comentaram que ele teria sido gay até se converter, mas então já teria contraído HIV e falecido precocemente. As duas únicas publicações em seu Twitter no longínquo 2011 parecem apenas ser mensagens pra um tal “Pastor Juvenil”, até pedindo que ele o contatasse pelo Orkut, rs. E um de seus seguidores é justamente outra conta sua, um pouco mais ativa, em que se denomina “Presbítero (Levita) Moser”. Não há mais informações biográficas.

Voltando ao tema principal, demorei uns anos pra lançar esta publicação, primeiro porque fui acumulando alguns vídeos, e segundo porque não tinha tempo de fazer algumas edições básicas. Hoje, elas aparecem aqui com pequenas alterações e com as fontes citadas, caso ainda estejam disponíveis. Chamei genericamente de “unções”, como ocorre em alguns casos, mas esse nome pode ser impreciso: perdoe-me pela eventual ignorância terminológica que eu possa ter demonstrado até aqui! Portanto, aí vão As piores unções pentecostais (ou “melhores”, depende do ponto de vista...).

A “unção da galinha” é de longe minha preferida, porque a música, tirada não sei donde, combinou pra caramba! Embora tenha sido publicada por um brasileiro, é de origem afro-americana:


A “unção do helicóptero” é de 2010, brasileiríssima e editada por mim. Segundo os comentários, mistura louvor com exercício físico:


A “unção do macaco” parece ter vindo dos EUA, mas do mundo branco mesmo. Os internautas acharam mais parecido com uma britadeira ou com... Guilherme Boulos, rs:


Este pastor guatemalteco é conhecido como Cash Luna, mas não me lembro qual foi a fonte de onde tirei o vídeo, portanto, segue só o backup que eu já tinha desde a época do Pan-Eslavo Brasil. Os detratores desse Edir Macedo da Guatemala o chamam de “Cash Lucra” (imaginem por quê...), e aqui ele aparece morrendo de rir com outro religioso que também parece estar em transe. Se considerarmos apenas os dois amigos sentados na calçada, podemos simplesmente chamar de “unção do riso”. Mas percebendo mais homens deitados pelo palco e que parecem ter consumido a mesma substância que pode ter gerado o efeito na dupla, parece haver no conjunto uma “unção da cachaça” ou “unção do porre”:


A “unção do cadeira”, tupiniquim, foi publicada por um canal não por menos chamado “Apostasia”. Tirei os avisos iniciais e finais e fiz uma edição que vai pirar os saudosos dos anos 90! Os comentários estão fechados, mas recomendo altamente o conteúdo do canal, que traz outras unções malucas e “denúncias” de “macumba gospel” (!) e que vai nos informar que “Silas Malafaia é maçom”:


A “unção do axé”, assim denominada por mim mesmo, não foi editada exatamente porque ela justifica o próprio apelido. A conta do Équis foi apagada, mas denunciava (algo assim) as “heresias” que estavam transformando os cultos num “circo”:


A “unção da luta livre” (ou do UFC) é mais um crácico brazuca com edição minha, embora o axé também pareça muito animado. Porém, exceto pela hora em que o pastor leva as ovelhas nas costas, parece mais é um atracamento de machos safados, rs:


Dois vídeos com edições minhas vêm de nossos irmãozinhos africanos: a “unção do futebol” e a “unção do soco”. Não tenho confirmação, mas parecem ter vindo do Quênia ou de países próximos, que foram colônias inglesas (as ex-francesas e ex-portuguesas são mais católicas) e onde essas igrejas estão fazendo muito estrago se expandindo rapidamente:




Em homenagem a meu cabeleireiro Lucas Franco, que também é pastor da Igreja El Roi, segue esta “unção da prótese capilar”, rs! Um belo dia, ele resolveu me mandar uma demonstração desse serviço seu, mas colocou de fundo uma trilha cristã e... Louvai, carecas:


E pra terminar com animação, não exatamente uma unção, mas um pastor da Quadrangular que achei hoje por acaso, imitando várias vezes o passo moonwalk do Michael Jackson, ao som de uma canção deles mesmos. Ouvi um amém???


Adendo (25/3/2026): Desde que começou o bombardeio massivo do Irã pelos EUA e por Israel no último 28 de fevereiro, têm surgido muitas análises sobre a possível influência extremista evangélica sobre as decisões militares de Trump. Neste caso, além do “sionismo cristão” que curva a cabeça a tudo o que diz o Estado judeu, setores enxergam o combate ao país muçulmano como uma “luta do bem contra o mal” (a seu critério escolher quem é quem...). Este vídeo de 2020 da pastora pentecostal Paula White, “assessora presidencial pra assuntos religiosos” no primeiro e neste mandato, viralizou entre mídias e youtubers do mundo todo como uma espécie de indicação da “loucura” que estaria rondando os assessores da Casa Branca. Ela também aparece em vídeos recentes rezando com outros burocratas no Salão Oval, com as mãos “impostas” sobre o Laranjão.

Se você é tupiniquim e viu todos os vídeos acima, não deve lhe parecer estranho, mas é curioso que os comentários ianques da época mostram uma estranha “incredulidade”, enquanto em 2026 tal fenômeno religioso parece mais uma bizarrice em países pouco habituados a ele. Porém, a ênfase tem sido dada no início, em que Trump devia “strike” (golpear) seus inimigos, verbo repetido sete vezes seguidas e associado à sevícia aérea contra Teerã. Ela também pronuncia sequências sem sentido (parecidas com alfabetos), fica repetindo “I hear the sound of victory” (Estou ouvindo o som da vitória) e chega a falar de anjos que estariam vindo da África e da América do Sul. Os internautas não pouparam: “Eles não vieram porque não conseguiram visto”, rs.

Já o cara que fica passando calmamente de toalha por trás dela (“como se tivesse indo pra uma piscina”, comentaram...) é outro show à parte. Pra temperar esta publicação com os azares da geopolítica, por que não lançar agora a unção da bomba ou do bombardeio?


segunda-feira, 26 de maio de 2025

Rolê aleatório Zelensky/Julio Iglesias


Endereço curto: fishuk.cc/iglesias-ru



Xameguinho Iglesias-Kobzon em Moscou, 2015, rs.


Se você pensa que já viu de tudo em matéria de “rolês aleatórios” (sobretudo envolvendo Ronaldinho Gaúcho ou algum ministro do STF), vai aqui mais um pro seu “currico”. Em 2013, Volodymyr Zelensky, então “apenas” um ator, diretor e humorista muito conhecido na Ucrânia e na Rússia (cujo idioma também é o seu materno), foi o apresentador da seção de convidados internacionais de um festival de novos talentos chamado em russo “Nóvaia volná” (Nova Onda), ou “New Wave” pro público internacional. De 2002 a 2014, organizado conjuntamente por russos e letões, era sediado na cidade letã de Jūrmala, mas a partir de edição de 2015, com intervalos, ocorreu em outras cidades da Rússia.

Como escrevi, o “New Wave” é focado na concorrência entre grupos e cantores em começo de carreira, mas há um dia reservado pra apresentações de artistas de renome, russos ou estrangeiros, como foi o caso de Julio Iglesias em 2013. Nos cortes que fiz, “Vladimir Zelenski” começa fazendo umas gracinhas na abertura (sem contar outras piadas ao longo do vídeo integral) e então apresenta o espanhol, cuja imagem demora um pouco pra aparecer, até que enfim ele saúda o público em seu peculiar inglês. Deixei toda a saudação do astro, mas cortei a parte da música, que inclui Caruso e Crazy, esta em dueto com Aleksandr Kogan, seu fã pessoal, ao piano. O hoje presidente da Ucrânia não aparece ao lado do inspirador dos “memes de julho”, mas subitamente sobe ao palco outra lenda, o russo Iosif Kobzon, que cumprimenta e ganha um beijo de Iglesias:



No vídeo do canal oficial do show, o momento da broderagem não fica claro, mas depois ambos aparecem lado a lado, sob os elogios do “palhaço narcômano” (como o chamam os putleristas), enquanto Iglesias diz que “adora” Kobzon. Os dois cantores já se encontraram outras vezes na Rússia, onde o próprio Iglesias se apresentava com frequência. Antes de morrer, contudo, o “Frank Sinatra soviético” era um admirador do Trombadinha de Leningrado, apoiou o começo de suas ações desestabilizadoras na Ucrânia (onde ele mesmo nasceu) e foi até cantar em territórios controlados por terroristas pró-Kremlin. Nos últimos anos, emprestou seu cabelo de boneco Playmobil à intepretação daquelas maceradas canções sobre a “Grande Guerra Patriótica” em eventos estritamente enquadrados pela ditadura.

Sobre o ator e cantor de Kryvy Rih, é curioso como até 2014 ele também era uma presença constante no showbiz russo, de forma que sua apresentação do especial de Ano Novo do Canal 1, junto com Maksim Galkin (com quem ele depois romperia), volta e meia vem à tona. O ponto mais curioso é a própria canção de abertura, em que Vladimir Soloviov (de preto), então um simples jornalista e hoje um dos propagandistas mais sujos da guerra, logo aparece dançando e fazendo um “v” com ambas as mãos. Com o roubo da Crimeia, Zelensky se confinou às fronteiras pátrias e lançou a série O servo do povo, que o tornou conhecido mundialmente ao interpretar um professor que se torna presidente da Ucrânia. A obra é basicamente uma crítica severa aos políticos e à oligarquia (geralmente as mesmas pessoas) do país, cujos laços umbilicais com Moscou, lembremos, nunca foram um segredo pra ninguém.

“No tempo que Dondon jogava no Andaraí, nossa vida era mais simples de viver...”



sábado, 24 de maio de 2025

Cresce deserção de soldados russos

ATENÇÃO: CENAS FORTES! Certos conteúdos são tão raros na mídia bananeira, e têm tão pouca probabilidade de aparecer até mesmo nos telejornais mainstream “da gringa” (odeio esse termo!), que às vezes é melhor fazer de tudo pra os traduzir, tamanha é sua contribuição pra desmontar a propaganda do Kremlin. Na edição de sexta-feira, 23 de maio, do boletim de notícias da Radio Svoboda (sucursal em russo da Liberty/Free Europe), revela-se o aumento de deserções entre os porcos que invadiram a Ucrânia, conforme investigação de um famoso portal anti-Putin.

O vídeo com o trecho apresentado pela repórter Melani Bachina segue abaixo, e sugiro cautela ao assistir, pois há cenas de maus tratos a desertores. Na primeira, o comandante zoa da cara dos soldados, lhes dando restos de comida, e na segunda, um fugitivo não identificado relata os abusos dos comandantes, que também são resumidos no texto. Mantive ambos no corte, mas decidi não os transcrever nem traduzir, porque a linguagem era oral demais. Estão indicados com as reticências entre colchetes, e minhas observações também estão entre colchetes. Nesta reportagem da Deutsche Welle em russo, o mesmo assunto é abordado (você pode traduzir com o Google).

Falando em tradução, vou resumir como obtive o texto. Eu extraí as legendas por meio de IA usando o programa Microsoft Clipchamp do Windows 11, que não é perfeito, mas já ajuda pra caramba, poupando dedos e ouvidos. Após polir o texto, eu o joguei no Google Tradutor, cujo resultado cotejei com o original e ao qual dei a forma final abaixo. Tenho usado tanto essas “tecnologias modernas” que nem vou mais as citar, exceto se tiver aparecido um recurso excepcional que achei imprescindível partilhar. No futuro, vou falar mais em “eu mesmo traduzi”, quaisquer que tenham sido as ferramentas, ou em “eu adaptei a tradução”, se já houver alguma publicada, mas que julguei por bem revisar cotejando com o original:


Desde o início da invasão em grande escala, pelo menos 49 mil pessoas fugiram do Exército Russo, de acordo com cálculos de jornalistas do portal Vazhnye istorii. A publicação cita vazamentos de vases de dados, mas observa que o número real de desertores pode ser consideravelmente maior. [...] Pra efeito de comparação, 49 mil pessoas é aproximadamente o tamanho de um corpo de exército [escalão hoje inexistente no Exército Brasileiro], que inclui várias divisões.

Essa estimativa do número de desertores coincide com dados da comunidade OSINT [Inteligência de Fontes Abertas] ucraniana Frontelligence Insight. Eles relataram 50,5 mil desertores em todo mês de dezembro de 2024. E o número de desertores está crescendo: a organização de direitos humanos “Idite lesom” (“Sigam pela floresta”), que ajuda os russos a evitar serem enviados para o front, relata que, no ano passado, recebeu 2,5 vezes mais pedidos de aconselhamento sobre esse assunto.

Combatentes russos reclamam, entre outras coisas, de ameaças feitas pelos comandantes, por exemplo, quando se recusam a cumprir uma ordem de atacar sem cobertura. Os combatentes são colocados em porões ou fossos e enterrados no chão. Uma nova mensagem de vídeo com uma reclamação contra o comandante apareceu no dia anterior no canal do Telegram “Ne zhdi khoroshikh novostei” (“Não espere boas notícias”). Deve-se ressaltar que, em condições de guerra, é impossível verificar prontamente a veracidade do que foi dito. [...]

No final de 2024, o projeto “Khochú zhit” (“Eu quero viver”) publicou listas com os nomes de quase 30 mil militares do Exército Russo que eram procurados por seus comandantes ou pela polícia militar como desertores e que deixaram suas unidades sem permissão. Mais de um quarto deles vem das províncias de Donetsk e Luhansk. No ano passado, foi registrado em tribunais militares russos um total de 10 308 processos criminais por recusa de serviço. É quase o dobro do total do ano anterior.


С начала полномасштабного вторжения из Российской армии сбежали по меньшей мере 49 000 человек, подсчитали журналисты “Важных историй”. Издание ссылается на утечки из баз данных, но при этом отмечает, что по факту количество дезертиров может быть значительно большим. [...] Для сравнения, 49 000 человек – это примерно как состав армейского корпуса, в который входит несколько дивизий.

Такая оценка количества дезертиров совпадает с данными украинского OSINT-сообщества Frontelligence Insight. Они сообщали о 50 500 сбежавших по состоянию на декабрь 2024. И количество дезертиров растёт: правозащитная организация “Идите лесом”, которая помогает россиянам избежать отправки на фронт, сообщает, что за последний год к ним стали в 2,5 раза чаще обращаться за консультациями на этот счёт.

Российские военные, в том числе, жалуются на угрозы со стороны командования, например, при отказе выполнять приказ идти в штурм без прикрытия. Военных сажают в подвалы, ямы, закапывают в землю. Очередное видеообращение с жалобой на командира появилось накануне в Телеграм-канале “Не жди хороших новостей”. Отмечу, что проверить достоверность, сказанного в условиях войны, оперативно невозможно. [...]

В конце 2024 года проект “Хочу жить” опубликовал поимённые списки почти 30 000 военнослужащих Российской армии, которых их командиры или военная полиция объявили в розыск как дезертиров и самовольно оставивших часть. Более четверти из них выходцы из Донецка и Луганской областей. Всего за прошедший год в российские военные суды поступили 10 308 уголовных дел об отказе от службы. Это почти вдвое больше, чем годом ранее.



sexta-feira, 4 de abril de 2025

Milei não tá nem aí pras Falklands?


Endereço curto: fishuk.cc/milei-malvinas


O dia 2 de abril é lembrado todos os anos na Argentina como de lembrança pela reivindicação de sua soberania sobre o arquipélago das Malvinas, que inclui duas grandes ilhas principais e várias outras menores, abrangendo um espaço marítimo que inclui diversos recursos minerais e pesqueiros importantes. Desde o início do século 19, ela está ocupada pelo Reino Unido, que chama a área de “Falklands” e na época formava o maior império territorial não contíguo de toda a história, e mesmo com a independência da Argentina ante a Espanha e seu império, os britânicos se recusaram a ceder seu controle a Buenos Aires. A reivindicação do país sul-americano nunca cessou e continua até hoje, num movimento que teve altos e baixos.

Já fiz duas publicações a respeito da questão: a primeira traz a história e a tradução da Marcha das Malvinas, hino oficial de celebração do 2 de Abril, mas composto muitos anos antes, e a segunda mostra uma canção de propaganda televisionada pela ditadura militar (1976-83, que chamava a si mesma “Processo de Reorganização Nacional” ou apenas “Processo”), geralmente chamada Argentinos a vencer. O que importa relembrar aqui, algo não muito confortável pro patriotismo platino, é que o ditador Leopoldo Galtieri resolveu aproveitar sua baixa popularidade pra tentar resolver a questão de uma vez por todas, manu militari, invadindo o arquipélago a 2 de abril de 1982 e unindo todo o povo numa onda de ufanismo histérico e anestésico. (Até Zelensky, que só era aprovado por pouco mais de 30% dos ucranianos, viu subitamente mais de 90% a seu favor após a invasão dos porcos ruSSos...) Todo mundo sabia que a Argentina não tinha as mínimas condições militares de enfrentar uma das maiores potências da época, mesmo arrastando o conflito por dois longos meses.

Margaret Thatcher, primeira-ministra conservadora do Reino Unido na época, também se via às voltas com os críticos de suas espartanas reformas econômicas e Galtieri também acabou lhe dando de graça um presente a sua popularidade. Contudo, não só a utilidade de manter as Malvinas foi contestada até mesmo pelo então presidente dos EUA, Ronald “Alma Gêmea” Reagan (que terminou adotando uma “neutralidade conivente”), como também o afundamento em águas internacionais do cruzador General Belgrano, apinhado de centenas de recrutas argentinos inofensivos e inexperientes, foi considerado um crime de guerra pela comunidade internacional. O desfecho quase natural foi a vitória britânica, mas ao custo de vários mortos e centenas de feridos, muitos dos quais graves e com permanentes traumas mentais, o que gerou críticas à “Dama de Ferro” mesmo dentro do próprio país – e ao uso político da “questão das Falklands”, que levou a reeleições prolongando seu mandato até 1990.

Mas não se engane: quase nenhum argentino contesta a soberania nacional sobre as Malvinas, que eles consideram um território usurpado por Londres, e é talvez a única questão (à parte o futebol?) que une pessoas de todas as ideologias, literalmente de um extremo ao outro do espectro político. Os veteranos, por exemplo, não se sentem tendo sido usados como bucha de canhão por um regime carcomido, e sim heróis da maior causa pátria moderna, e por isso são religiosamente respeitados. Por isso, a linha do presidente Javier Milei de dar pouca importância à contenda tem gerado incômodo entre a população, embora sua popularidade, a despeito do descalabro socioeconômico, se mantenha relativamente alta. Pra piorar, “El Loco” demonstrou abertamente várias vezes sua admiração (ao menos) pela política econômica de Thatcher, mulher considerada, porém, o KPta encarnado pelos hermanos, que jamais perdoariam qualquer elogio a ela. Os atos oficiais de 2025 parecem ter começado a fazer o vaso transbordar.

Primeiro, sua vice, Victoria Villarruel, não participou do ato no memorial da Praça San Martín com Milei e preferiu se encontrar com militares na Terra do Fogo. Seu pai, militar acusado de exações durante a última ditadura, também foi veterano das Malvinas; o tema lhe é tão caro que em 2024 chegou até a entrar em choque com a ministra do Exterior, Diana Mondino, que buscou diálogos mais condescendentes com o Reino Unido. Segundo, o trêmulo discurso de dez minutos de Milei na capital nacional, no último dia 2, foi considerado “desconjuntado”, por praticamente conter diversas defesas de seu próprio programa de governo e culpar a “casta política” (sempre ela...) pela derrota na guerra de 1982. Causou rebuliço a afirmação de que os “malvinenses” (“kelpers”, em inglês, que Buenos Aires considera não uma população, mas gente implantada pelo colonialismo) poderiam decidir “por conta própria” se tornar argentinos quando o país “se tornasse uma potência” (???). Um imperdoável alinhamento à tese britânica da “autodeterminação”, reafirmada por diversos referendos locais, contestados pelos presidentes anteriores, podendo se traduzir num suicídio político.



E terceiro, vários veteranos da Guerra das Malvinas foram proibidos de participar do evento em Buenos Aires, mesmo tendo vindo de longe pra estar no ato comemorativo, e se sentiram profundamente ofendidos. No ano passado, alguns chegaram até a se recusar a participar de outros desfiles na presença de Milei. O memorial foi fortemente cercado, reunindo um pingo de pessoas, muitas delas ligadas ao conflito, mas que não estiveram na mira do inimigo nem pegaram em armas. Entre os influenciadores, tantas contradições não passaram despercebidas, e um deles, o advogado e escritor Tomás Rebord, lembrou a data cívica no famoso streaming de humor político Blender, alinhado com ideias “progressistas”, segundo La Nación.

Mais uma vez consegui o grosso da transcrição usando o recurso de IA do Microsoft Clipchamp (que distingue entre os vários dialetos do espanhol!) e traduzi usando o Google, mas nas duas etapas, como sempre, dando meu toque final e tirando cacoetes orais. Decidi também terminar a publicação com outro vídeo de uma conta anônima anti-Milei no Équis, que não mencionou as circunstâncias da montagem do vídeo, mas que passa a mesma mensagem e, tendo sido legendado em espanhol (inclusive nas partes em inglês), preferi não traduzir:


Dar el obvio, pero no por eso menos importante. Mañana es 2 de abril, Día del Veterano y de los Caídos en la Guerra de Malvinas, es el día en el que se reivindica nuestra irrestricta e irrenunciable soberanía nacional sobre las Islas Malvinas y Atlántico Sur. Por más que estemos circunstancialmente en un gobierno al que eso no le importe tanto y permanentemente recalque su admiración por figuras como, por ejemplo, la criminal de guerra Margaret Thatcher. Así que me parece importante también desde este lugar irnos con algo parecido a un poquito de sentimiento patriótico, para lo que nos vamos a encontrar el día de mañana, como va a pasar absolutamente todos los años y siempre que quede un argentino en pie en el planeta Tierra. Muchísimas gracias por este espacio, por acompañarnos.

Dando o óbvio, mas não menos importante. Amanhã é 2 de abril, Dia dos Veteranos e dos Tombados na Guerra das Malvinas, dia em que reivindicamos nossa soberania nacional irrestrita e inalienável sobre as Ilhas Malvinas e o Atlântico Sul. Mesmo que eventualmente tenhamos um governo que não se importa muito com isso e enfatiza constantemente sua admiração por figuras como, por exemplo, a criminosa de guerra Margaret Thatcher. Então, me parece importante que também saiamos daqui com algo parecido com um pouquinho de sentimento patriótico, pelo qual vamos nos encontrar amanhã e como vai ocorrer todos os anos, enquanto houver um único argentino de pé no planeta Terra. Muitíssimo obrigado por este espaço e por nos acompanhar.



terça-feira, 25 de fevereiro de 2025

Ieltsin de papelão inspirou Aécio?

Domingo eu estava assistindo a este documentário sobre nações e nacionalistas do canal Redáktsia, criado e comandado pelo jornalista russo Alekséi Pivovárov. Quando ele lança vídeos sobre temas específicos, o conteúdo costuma ser muito bom, sobretudo quando ele viaja pra vários países na série “Kak v...” (Como em...), pra fazer comparações com a Rússia e, assim, cutucar indiretamente o Trombadinha de Leningrado. Isso, embora ele se “autocensure” por ser considerado “agente estrangeiro” (inoagént) pela mafiocracia e preferir ficar no próprio país, mas seu trabalho é muito melhor, por exemplo, do que o do pool de mídias da desvairada Ksénia Sobchák, filha riquinha e mimada do finado ex-prefeito de São Petersburgo que propulsionou Putler à carreira cleptopolítica.

Perto do fim do vídeo, me deparei com a seguinte cena curtíssima, que decidi separar pra republicar aqui: por volta das décadas de 1980 ou 1990 (seria nas eleições presidenciais de 1991, de 1996?), as pessoas andavam na rua e topavam com bonecos de papelão (“kartónnaia figúra” ou “rostováia figúra”) de Borís Iéltsin, primeiro presidente da Rússia moderna, algo muito comum que os políticos e outras personalidades costumam fazer em várias partes do mundo. Acima, reproduzi uma foto em que havia também um boneco de Mikhaíl Gorbachóv, último líder da URSS, por isso fico na dúvida se foi em 1991 (mas “Gorby” já estava com a cabeça a prêmio) ou em 1996 (quando ele igualmente se candidatou à presidência, mas obteve ínfimos 0,51% dos votos válidos, amargando o sétimo lugar).



O brasileiro Aécio Neves (PSDB) não foi pioneiro, mas quando ele se candidatou à presidência em 2014 contra Dilma Rousseff e mandou colocarem vários bonecos de papelão de si mesmo pra que os militantes tirassem foto numa convenção, virou alvo de piada e memes nas redes sociais, com várias montagens sendo feitas com o artigo em lugares inusitados. Na época, surgiu até mesmo um perfil humorístico no Équis chamado justamente “Aécio de Papelão”, que ficou então muito famoso e, embora hoje não seja muito grande, ainda tem suas publicações antidireita e pró-PT muito compartilhadas. Existe também uma versão muito ativa no Bluesky, bem como o nome de usuário “AecioPapelao” no Facebook e no Équis, que não deve ser, porém, da mesma pessoa e parece abandonado.

Contudo, as coisas não param por aqui, e mesmo sendo odiado por grande parte da população, Aécio... ops, Ieltsin ainda desperta boas lembranças entre alguns russos, pois foi o primeiro “presidente meme” da era pós-soviética e seu sistema de governo não era altamente repressor e concentracionário, como o de seu pupilo do KGB/FSB. Não sei quem caralhas compraria isso, mas esta loja online ainda oferece bonecos de papelão (“rostovaia figura”) do bebum a partir da bagatela de 3400 rublos, ou seja, mais de R$ 218,45, segundo o conversor do BC. Se você preferir apenas apreciar alguns dos artigos disponíveis, segue a seleção, inclusive com uma ótima sugestão pra nosso Carnaval, rs:







E nesta época de folia, com este tempo que está, previnam-se: abusem da água e do protetor solar, rs!


Adendo (11/8/2025): Mais uma espécie veio se juntar esses dias à família política. Depois de ter sido condenado e proibido de usar redes sociais por conta própria, os arrombados do PL inventaram o Bolsonaro de papelão pra o levarem em qualquer evento! Esta foto do Globo, que inclui também um bunequim inflável, documenta a continuidade da tradição de Ieltsin e Aécio:

Adendo (30/8/2025): E a família não para de aumentar! Se você pensava que isso era fenômeno do Quinto Mundo, saiba que na onda dos protestos de extrema-direita contra os hotéis pra imigrantes no Reino Unido, esta senhora enfiou em casa um Nigel Farage de papelão. Ela afirma que nunca tinha participado de protestos, mas agora estava saindo pra essas presepadas... Por razão desconhecida, a “avó” colocou esse KPta no meio da sala, e espero que não leve pra sala de jantar, a fim dos dentes podres do político não tirarem a fome de ninguém:



Adendo (10/4/2026): Após a corajosa reportagem de Yousra Elbagir, da britânica Sky News, no Burquina-Fasso e da entrevista sem tradutor com o capitão golpista Ibrahim Traoré, mais um membro se juntou! O Thomas Sankara do hospício e quenga de Vladolf Putler no Sahel agora também tem várias opções de versão em papelão:

Adendo (3/7/2026): “A família aumentou, a família aumentou...” Após “sair” da ala feminina do PL (Penca de Ladrões) na sequência da briga com Flávio Rachadinha, Micheque recebeu uma “homenagem” de seus antigos comparsas. Dispensa explicações: