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terça-feira, 19 de agosto de 2025

Mais um dia comum em Quiévi... ops, Kyiv


Endereço curto: fishuk.cc/sirenes

Esses dias, Vitório Sorotiuk, ex-presidente da Representação Central Ucraniano-Brasileira (RCUB) e de quem já publiquei vários textos aqui na página, esteve na capital ucraniana e registrou pra posteridade (e pros idiotas que ainda não acreditam) uma cena que tem se tornado cotidiana: as sirenes que tocam a qualquer momento do dia e da noite, indicando a possível iminência de um bombardeio ruSSo e a necessidade de se abrigar numa das muitas estações de metrô feitas igualmente à maneira de um bunker. É curioso como ele registra a aparentemente tranquilidade dos passantes e dos motoristas e, ao final, fala que finalmente ele não pode adiar a busca por um abrigo antiaéreo.

Por prosaica que possa parecer, a cena é triste, na medida em que meu amigo Claudio, que me repassou o vídeo, ressaltou que eles acabaram se “habituando” a essa situação. Pra mim, também é indignante, pois sabemos como os zumbis de Putler não só atacam deliberadamente alvos civis não usados pra fins militares, mas também aprenderam a sobrevoar o espaço aéreo ucraniano de forma a apenas “despertar” as sirenes e gerar um falso alerta de bombardeio!

Ah, e se você quer uma dica de pronúncia aproximada, basta mandar um Quíiv ou Quêiv mesmo...


Embora na sexta-feira passada tenha havido o vergonhoso encontro entre Trump e o ditador do Kremlin no Alasca, e na segunda-feira o encontro da Galinha Ruiva com Zelensky e outros governantes europeus, não fiz nenhum conteúdo especial a respeito. Porém, não pude deixar de trazer algumas coisas, como a animação humorística de André Guedes ainda relativa ao primeiro encontro fracassado em fevereiro (repassada por uma amiga) e duas montagens referentes ao fato de Sergei Lavrov ter ido aos EUA com um moletom com as iniciais da URSS em russo (o apelido oficial do Claudio ao diplomata é justamente “cara de cavalo”, rs):






Outro babado forte foi a justa verbal em inglês que os ministros do Exterior da Hungria, Péter Szijjartó, e da Ucrânia, Andrii Sybiha, tiveram no Équis na segunda-feira após um ataque ucraniano ter atingido um oleoduto que leva petróleo da Rússia até o país de Viktor Orbán e à Eslováquia. As duas nações se recusaram a condenações mais firmes à invasão moscovita e à redução de seus intercâmbios com o agressor.

Não é citado o local, mas acredito que embora ele passe pela Ucrânia, tenha sido avariado na Rússia, interrompendo temporariamente o fornecimento no domingo anterior. Após a típica passada de pano no genocida, o que em qualquer hipótese o faz perder toda a razão, o cabelo de Pica-Pau levou uma fantástica invertida do ucraniano, apesar da tréplica chorosa:






segunda-feira, 5 de junho de 2023

Estes memes de Putin são da guerra!


Link curto pra esta publicação: fishuk.cc/putin-memes3

Nesta publicação extra especial, estou repassando memes sobre a invasão de Putin à Ucrânia passados por alguns amigos anti-Kremlin no WhatsApp. De fato, eles se mobilizam muito pra ajudar de alguma forma os ucranianos, mas pessoalmente, como gosto dos dois países e nunca fui particularmente simpático a Zelensky desde sua eleição, em 2019, sou muito mais anti-Putin do que pró-Ucrânia, embora isso implique estar do mesmo lado de meus colegas na barricada e rejeitar a narrativa falsa que boa parte de nossa ex-querda engoliu sem bebida. Por isso, ao invés de dedicar o nome de “memes da guerra” ou algo assim, estou adicionando à boa e velha seção “memes sobre Putin”, só por desaforo e pra reiterar minha posição contra o Kremlin e o imperialismo “eurasiano” nesta invasão de rapina! Selecionei apenas os mais engraçados ou mais fáceis de entender, evitei os que estavam em inglês, e ocasionais esclarecimentos estão embaixo de cada figura.












Referência a Ravil Maganov, ex-magnata russo do petróleo que morreu em setembro de 2022 após “cair” da janela do hospital em Moscou onde estava internado.












Infelizmente, foram meus amigos que mandaram com a forma Kiev, e não Kiev (curiosamente, Luhansk está correto), mas preferi não mudar.


Novamente, os erros de acentuação já estavam no original!







sexta-feira, 17 de março de 2023

Antiqüíssimo Espaço Soviético


Link curto pra esta publicação: fishuk.cc/pensamentos5

Mais uma leva de memes autorais extremamente sem graça. Reza Pahlavi, o último soberano da milenar monarquia perso-iraniana, caiu porque concentrou cada vez mais poderes em torno de si e ficou sempre mais alheio à realidade da população nos últimos anos de governo. Por que os mulás xiitas mais radicais conseguiram se acaparar do Estado, aí já é outra questão. Porém, Reza Pahlavi, em sua sanha ultraocidental, imprudentemente foi se alinhando ao clero muçulmano pra isolar e minar a influência do Tudeh (“tudê”), o Partido Comunista. Já vimos esse filme: enquanto na Banânia normalizamos o pior esgoto em nome do lema “Tudo menos o PT”, o monarca cavou a própria cova tendo como divisa “Tudo menos o Tudeh”...

Pelo menos, nosso amigo de nariz grande nos deixou margem pra uma bela lição de ortografia:


A expressão “Antigo Espaço Soviético” (AES) é usada em geopolítica pra indicar os 15 países que até 1991 faziam parte da hoje extinta União Soviética (URSS), incluindo obviamente a Rússia, mas se referindo muitas vezes aos vizinhos que Moscou ainda considera seu quintal. A Albânia nunca fez parte da URSS e rompeu com Moscou no início da década de 1960, porque achava que Khruschov tinha “traído o comunismo”. Enfim, de pureza em pureza, o ditador Enver Hoxha pulou pro colo da China, mas quando Deng Xiaoping, no início da década de 1980, começou as saudáveis reformas que o incompetente e agressivo Xi Jinping está hoje desmantelando, Tirana também rompeu com Pequim, e ficou no isolamento total. (Nem preciso falar da Iugoslávia de Tito, porque desde o começo da “guerra fria” eles já não se bicavam...)

O PC do B se separou do PCB em fevereiro de 1962, mas inicialmente tentou reivindicar junto à URSS o direito de ser “o único Partido Comunista verdadeiro no Brasil”. Negada a prerrogativa, a solução foi surfar na onda da cisão sino-soviética, em que “Rôdja” escolheu o lado rebelde. Ainda estava longe a hora em que o partido de Manuela D’Ávila resolveria seguir o novo “farol do socialismo”, mas os militantes Pedro Pomar (à esquerda) e Consueto Callado, cujo filho Daniel seria assassinado pela ditadura civil-militar, já estavam desfrutando de atrações turísticas de qualidade duvidosa em 1963, hehehe.

Esta foto e a seguinte foram digitalizadas a partir do caderno de imagens que acompanha o livro Contribuição à história do Partido Comunista do Brasil (isto é, o PC do B), organizado em 2010 por José Carlos Ruy e Augusto Buonicore:


João Amazonas (à esquerda) e Diógenes Arruda Câmara, também dirigentes do PC do B e ex-veteranos do PCB, num certo dia após a aprovação da Lei da Anistia em 1979...


Ele saiu do “AES”, mas o AES não saiu dele: Sergei Lavrov, ministro das Relações Exteriores da mafiocracia de Putin, disse em inglês, num encontro em Nova Délhi, que “o Ocidente está promovendo uma guerra contra a Rússia por intermédio da Ucrânia”. A resposta do público: