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domingo, 18 de outubro de 2026

[REPOST] Meu BBB dos sonhos


    Esta publicação foi originalmente ao ar em junho de 2024 sob o rótulo do antigo “Mix de política”, que estou gradualmente desmantelando pra criar novas publicações originais (como a do “Sarkolula” de anteontem) ou inserir parte do conteúdo em publicações já existentes. Portanto, ocasionais referências datadas são dessa época. Além disso, a publicação era uma das que está com a incorporação “quebrada” do vídeo, e agora tive a chance de consertar. No mais, aproveito o relançamento pra ressaltar o lado “televisão brega” das décadas de 1990 e 2000, que pode ser o que unifica essas montagens!

Quem nunca pensou em sua própria lista pro Big Brother Brasil, ou quem nunca brincou com novas possibilidades bizarras entre amigos? Inspirado numas conversas que tive com um amigo, fiz minha própria lista com personalidades mais ou menos conhecidas da internet e do mundo da cultura, sabendo que pensei em muitas outras mais e que você pode a achar incompleta e ter esperado outros nomes, rs. Mesmo tentando ser representativo entre gênero, sexualidade, ideologia, idade e cor, foi a isto que cheguei. Uma das primeiras montagens dessa monta que consegui fazer, relembrando a primeira edição, única da qual tenho alguma “nostalgia”:


Foi revelado que Liza, filha de Dmitri Peskov, porta-voz de Vladimir Putin pra imprensa, está sob sanções ocidentais (porque ela vive nas custas do papai, e como este está sancionado...), mas ainda consegue fazer compras de luxo no Cazaquistão. As fotos mostradas outro dia na Radio Svoboda são tão fofas que decidi fazer uma montagem orkutizada com o trecho, usando uma canção ainda mais brega de Rick & Renner sobre o “amor de pai”, rs (dedicada à memória do Rick agora em 2026!):


A canção Moshiach (ou Mashiach, “Messias”), típica do judaísmo hassídico, é interpretada nesta versão pelo cantor Mordechai Ben David, também conhecido como MBD. Há também a versão mais célebre de Eitan Masuri, com tradução em português no link, mas em todo caso, pra quem não sabe do que se trata nem entende hebraico, não vai distinguir do tema de abertura de qualquer desenho japonês que fazia sucesso na extinta TV Manchete na primeira metade da década de 1990, rs. Publiquei primeiro em junho de 2024, mas já tinha feito esta montagem um tempo antes, com parte da versão do MBD pra mostrar como pode não fazer nenhuma diferença. Meu próprio amigo que me apresentou a música adorou a montagem, e outros comentaristas nos vídeos da gravação também acharam parecida com o gênero nipônico:


domingo, 24 de maio de 2026

José Roberto do Amaral Lapa (Globo Ciência)

Há alguns dias, terminei a leitura da coletânea O garimpeiro dos cantos e antros de Campinas: homenagem a José Roberto do Amaral Lapa, organizada por Olga Rodrigues de Moraes von Simson e publicada em 2000 pela Editora da Unicamp. Inicialmente concebida como um presente-surpresa pra marcar a aposentadoria compulsória do querido professor do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH), ocorrida quando ele completou 70 anos em 1999, acabou se tornando um monumento póstumo, já que o docente viria a falecer em plena preparação do livro. Idealizada pelo Centro de Memória-Unicamp (CMU) que ele ajudou a fundar, reúne transcrições de entrevistas dadas por Lapa em anos bem diferentes, fotos de vários momentos da carreira, depoimentos de ex-colegas, ex-funcionários e ex-estudantes (em alguns dos quais foi mantido o tempo presente, dado o inesperado de sua morte), artigos sobre temas de sua predileção e uma lista exaustiva de seus cargos, livros, artigos científicos e jornalísticos, entrevistas e prêmios.

Embora ele fosse historiador, não conheci o “professor Lapa”, ou simplesmente “o Professor”, como diziam que ele era chamado, pois só ingressei na graduação em 2006, e mesmo que tenha ouvido falar seu nome de passagem, não o associei à pessoa, só agora totalmente conhecida por mim. Nascido em Campinas em 1929, formou-se em História e em Direito no que seria a futura PUC de Campinas, lecionou na Unesp de Marília e foi um dos primeiros professores do IFCH, onde concluiu sua carreira, tendo realizado seu sonho de voltar à terra natal. Após publicar muitas obras seminais sobre a economia colonial brasileira, Lapa realizou outro grande sonho de se tornar “o historiador” por excelência de Campinas, quando lançou A cidade: os cantos e os antros em 1995, com excelente reimpressão apenas em 2008. Apaixonado pela história local, esse livro se tornou referência obrigatória de toda uma prolífica área que se formaria, mas seu papel na fundação do CMU, iniciado com arquivos do Judiciário quase incinerados e no qual ele trabalhou até falecer, foi a realização maior de sua paixão de sempre.

Em meio à listagem exaustiva de suas entrevistas, consta na p. 324 uma participação na edição de 21 de janeiro de 1994 do antigo programa Globo Ciência (1984-2014) da TV Globo (onde mais?), sem mais detalhes. Há muitas outras participações suas em jornais e programas da EPTV, a afiliada da Globo em Campinas e região (mas não em Bragança Paulista, abarcada pela TV Vanguarda). Nunca assisti ao Globo Ciência assiduamente, mas sempre escutava falar, sobretudo nos intervalos comerciais, e seu próprio formato me dá um pouco de nostalgia da infância, quando a TV aberta era mais rica em conteúdo educativo e quando nos aferrávamos aos poucos suportes existentes pra nos informar, na ausência da saturante abundância da internet contemporânea. Apesar da imagem de benevolência passada por fundações de financiamento como a de Roberto Marinho e a do Banco do Brasil, o pouco destaque dado a esse tipo de conteúdo, influindo no generalizado atraso cultural do país atual, se nota pelo tempo dedicado (menos de meia hora) e aos horários na grade (sábado ou domingo no começo da manhã).

Todavia, não posso dizer que esse modelo não deixou frutos nas mídias modernas, em especial o YouTube, os quais, além de terem sido inspirados por mitos como Carl Sagan, Susan Greenfield, Neil deGrasse Tyson e, em menor medida, Richard Dawikins, certamente tinham idade (não tô chamando de velhos, rs!) e disposição pra assistir a essas relíquias. Entre muitos divulgadores de ciência e conhecimento, longe de fazer uma lista exaustiva, presto minha homenagem ao Pirulla, ao também unicamper Sérgio Sacani, a Átila Iamarino, Natália Pasternak, Dráuzio Varella, Marcelo Gleiser, a Leon e Nilce, bem com aos canais mais recentes “Olá Ciência” e “Nunca vi 1 cientista” e os que agora também avançam a outras ciências além das exatas e biológicas. Confesso que, mesmo eu sendo “dotô”, essa não é uma seara que assisto com tanta frequência quanto boletins de notícias, youtubers de atualidades e alguns semanários geopolíticos. Portanto, se você quer lembrar algum outro divulgador ou mídia (sem esquecer as revistas da própria Editora Globo...) que marcou ou marca sua juventude, escreva nos comentários, por favor. E faça teu próprio merchã, se quiser!

Voltando ao assunto: boa parte das informações sobre o Globo Ciência vem da Wikipédia, mas também há um bom texto de 2021 com as mesmas informações, reorganizadas e acrescidas de dois vídeos da abertura, no próprio portal Memória Globo. Em 2011, o programa foi incorporado ao Globo Cidadania, chamado de “bloco” (sequer de programa!) e conduzido por Sandra Annenberg (hoje no Globo Repórter com o mítico William Bonner). Finalmente esse “bloco” foi fundido em 2014 com vários outros “Globo alguma nerdice” no esquecido Como Será, sob a mesma liderança e, embora mais longo, sob o mesmo horário sonífero de começo das manhãs de sábado. Ele mesmo foi extinto em 2019 e reprisado até 2022, quando foi substituído por reprises do próprio Globo Repórter.



Conhece essa careca? Rs.


Entre as várias mudanças de horário e formato, a edição com o professor Lapa, que falava sobre a preservação de arquivos e também abordou instituições no Rio de Janeiro, foi feita no período aberto em 1991, quando o Globo Ciência foi relegado ao domingo cedinho, e fechado em outubro de 1995, quando voltou aos sábados. Mais exatamente, desde 1992 era apresentado pela simpática jornalista Anna Terra, que aparece no vídeo abaixo, e contava com apenas uma ou duas reportagens. Curiosamente, o dia citado na coletânea caiu numa sexta-feira, o que poderia indicar que se trata da data de gravação, e não de exibição. A edição disponível mais próxima que localizei foi a de 16 de janeiro de 1994, realmente um domingo, sendo plausível, pois, que o CMU possa ter aparecido no dia 23, uma semana depois, e não 21.

Sem muita expectativa, procurei por esse episódio no YouTube (sabia que talvez fosse praticamente impossível achar pelos arquivos públicos da própria Globo), e entre as poucas edições completas, achei uma sem data, nem mesmo o ano. E eis que, apesar da imagem passável com um áudio bem nítido, encontro na segunda metade do vídeo o professor Lapa, eternizado pelo herói Rodolfo Paes, que acredito ser o dono do canal! Não tentei discernir outras características do vídeo que pudessem confirmar a data certa, mas não há dúvidas de que seja o episódio mencionado na coletânea em sua homenagem. Pra que a descoberta se torne pública, e como minha própria homenagem a quem fez grande diferença em nossa historiografia e no IFCH, mesmo eu não o tendo conhecido, segue o episódio completo, seguido da transcrição da reportagem sobre os centros de documentação. Após um oferecimento comercial das Americanas com a cômica e saudosa Nair Bello, ela começa aos 14 min 05 seg, enquanto o próprio Lapa aparece aos 26 min 14 seg.

Infelizmente não localizei nada a respeito de Anna Terra, ainda mais que há várias homônimas, sobretudo no Instagram, e com a profissão parecida. O único registro fiável parece ser esta publicação de janeiro de 2012 no blog do jornalista cearense Wilson Ibiapina, cujas últimas postagens antecedem em pouco sua própria morte, em 2023. Anna é descrita como gaúcha e incluída com o próprio Wilson e outros quatro ex-colegas entre “globais dos anos 80”, tendo ela trabalhado na emissora em Brasília e então residindo em São Paulo. Os seis teriam se reunido na capital federal pra um almoço, e Anna aparece à frente, de blusa branca. Único registro online da profissional, nenhuma menção ao Globo Ciência no texto... Quanto ao repórter Wilson Ferreira Junior (se não falarmos ainda do cinegrafista João de Andrade), ele parece ter tido bem mais êxito, a julgar por seu LinkedIn e Instagram, que acredito serem dele devido à semelhança física.

Pra aumentar o mistério, buscando no Google pelo nome do repórter, achei o que se apresenta como parte do anuário de produções da Unicamp, relacionado à participação dos docentes do Departamento de História do IFCH em diversos tipos de eventos em 1993. Há uma menção ao professor Lapa, com a seguinte observação (acredito que redigida em primeira pessoa): “Recebemos no dia 29/10 [deve ser isso, há um ele minúsculo no lugar do número um], uma equipe do Programa Globo Ciência, da TV Globo, chefiada pelo jornalista Wilson Ferreira Júnior, que veio produzir uma matéria sobre todos os serviços que este Centro presta à Unicamp e à comunidade, Centro de Memória-Unicamp.” Era possível na época produzir algo em outubro e só exibir em janeiro? Como alguém acostumado ao imediatismo das lives, me parece estranho, o que deixa este texto ainda mais aberto a contribuições e correções externas, se necessárias!


Anna Terra: Fotografias, filmes, documentos, jornais. Sem esses registros do passado e do presente, os pesquisadores não podem reconstruir a história das cidades, dos países, das civilizações. A reportagem principal do Globo Ciência de hoje mostra três instituições brasileiras especializadas na preservação da memória do nosso país. São arquivos privados e públicos que estão abertos a especialistas e também a qualquer um de nós. O repórter Wilson Ferreira Junior e o cinegrafista João de Andrade trabalharam no Rio de Janeiro e em Campinas para mostrar como funcionam os centros de documentação.

Wilson Ferreira Junior: Nos primeiros anos do século 20, um prefeito do Rio de Janeiro mudou a cara da cidade. Pereira Passos, o prefeito, construiu grandes avenidas, derrubou as casas velhas do Centro, encomendou novos quiosques e até banheiros públicos. O que Pereira Passos fez trouxe consequências para o Rio e para o país, já que a cidade era capital da República. O saneamento melhorou, diminuiu a incidência de doenças infectocontagiosas e a cidade ficou mais parecida com as capitais europeias.

Essa história só pode ser contada porque existem fotos, documentos e outros registros guardados em arquivos como o da cidade do Rio de Janeiro. São os arquivos que permitem aos historiadores [e ao público em?] geral reconstituírem e analisarem a história de sua cidade, de seu próprio país. Mas isso não é um privilégio de profissionais. A Constituição brasileira garante a todos o acesso à informação: qualquer cidadão que estiver interessado pode recorrer aos arquivos públicos para fazer consultas a respeito do que quiser. Desde fatos importantes da história até simples curiosidades, como saber, por exemplo, qual era a cara desse lugar onde estamos agora há mais ou menos 90 anos.

Esta foto faz parte do acervo do Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro, que guarda 30 mil fotos, 40 mil negativos e 1 220 metros de documentos, além de outros tipos de material que reconstituem trechos da história da cidade desde o século 17 até a década passada [de 1980]. O acervo do Arquivo da Cidade do Rio de Janeiro, de certa forma, conta a história da própria cidade. E nesse acervo existem documentos muito antigos, alguns deles muito valiosos, que datam inclusive do tempo em que o Brasil era um Império. Esses documentos, os mais valiosos, estão guardados num cofre. E nós vamos ter a oportunidade de conhecer alguns desses documentos agora com a ajuda do Roberto Paulo, que é um museólogo aqui do Arquivo da Cidade do Rio de Janeiro. Vamos, portanto, abrir o cofre e vamos dar uma olhada nesses documentos. Vamos lá, Roberto!

Aqui há um auto de juramento da coroação de Dom Pedro 1.º. 1.º de dezembro de 1822, quando ele jurou a coroa depois da Independência. Aqui nós temos outros documentos: esse, por exemplo, assinado por José Bonifácio de Andrade e Silva. Veja aqui a assinatura.

Roberto Paulo Freire: Aqui é a respeito do matadouro lá em Santa Cruz. Inclusive Dom Pedro 1.º ia a cavalo até Santa Cruz.

WFJ: Além desses livros, que basicamente datam da época do Império, existem muitas outras... né?

RPF: Muitos outros que estão à disposição aqui no nosso arquivo, vários assuntos quem contam nossa história...

WFJ: O arquivo da cidade está completando 100 anos de vida, mas as pessoas que o procuram não têm acesso a todos os documentos do acervo. Isso porque só estão identificados e catalogados 25% deles. O resto permanece em depósitos e vai sendo colocado à disposição do público a conta-gotas.

José Maria Jardim: 75% do acervo não se sabe ainda. E isso que nós estamos fazendo no momento: de que se trata, como chegaram e como estão. O nosso esforço nesse momento é de abrir essa caixa-preta. Mas essa caixa-preta só é compreensiva se nós abrirmos também uma outra dimensão dessa caixa-preta, que é o que se encontra, na verdade, nos arquivos da prefeitura. Reverter isso significa uma política arquivística, significa o reconhecimento desses acervos que se encontram nos órgãos da administração municipal, o recolhimento imediato daqueles que são de valor histórico, de valor para a pesquisa científica e, mais do que isso, uma política de intervenção na produção da documentação hoje.

Locutor: Uma vida a serviço do Brasil. [Toca parte do refrão Hino à Bandeira.] Getúlio Vargas, em contato direto com os trabalhadores do Brasil, presta conta dos atos do seu governo, num exemplo do mais puro sentimento democrático e prova de respeito e amor ao povo.

WFJ: Você e todos nós podemos ver esse filme hoje porque o Centro de Pesquisa e Documentação da Fundação Getúlio Vargas o conservou. O CPDOC, ao contrário do arquivo da cidade, que guarda documentos públicos, é especializado em guardar arquivos pessoais de homens públicos brasileiros que tiveram projeção nacional a partir de 1930. Aqui se pode ver um dossiê sobre o nazismo no Rio Grande do Sul, que pertencia ao general Cordeiro de Farias, ou a carta de demissão de João Goulart do cargo de ministro do Trabalho, ou ainda o manuscrito do discurso escrito por Amaral Peixoto quando da fusão dos estados do Rio e da Guanabara. São mais de 1,5 milhão de documentos que pertenceram a 110 pessoas importantes, principalmente políticos.

Suely Braga: São os documentos que essas pessoas julgaram interessante em algum momento da vida preservar. São os documentos pessoais, como cartas, telegramas, discursos, tem originais de discursos, tem manuscritos, nós temos muitas fotografias, discos, filmes, impressos. Quer dizer, toda a natureza, todo o documento que se julgou por bem, por um motivo ou por outro, guardar ao longo do exercício da sua vida pública.

WFJ: É comum, então, que pesquisadores procurem aqui arquivos pessoais de políticos, de pessoas proeminentes para fazer um confronto com arquivos públicos, por exemplo?

SB: A natureza do documento privado, pessoal, é diferente. É um documento muito mais solto, muito mais fluido. Quer dizer, não teve toda a pressão que tem o documento público, que ele tem que estar num formato, num padrão, você tem regras de como se pronunciar, como expressar uma ideia. No arquivo privado, não. Você vai ver o político falando livremente sobre determinado assunto. Você vai ver o original de um discurso que muitas vezes não é exatamente a versão que ele proferiu em plenário. Quer dizer, esse trabalho de confronto, poder ter esses vários tipos de fonte, é fundamental para o desenvolvimento de qualquer pesquisa.

WFJ: Apertado em um andar do prédio da GV [a FGV, Fundação Getúlio Vargas] no Rio, o CPDOC tem 50 funcionários, dos quais 33 são pesquisadores. Fundado em 1973, recebe pesquisadores externos e também promove pesquisas próprias.

Alzira Abreu: Houve uma primeira parte das atividades dos primeiros anos [em que] nós trabalhamos muito com os anos 30, 37. Houve um outro período que trabalhamos já com os anos 50, e nesse momento nós estamos muito voltados já para o período 64, que nós estamos trabalhando com o regime militar. Não só com a articulação do regime, da revolução de 64, do golpe, mas também como é que ele se desenvolveu.

WFJ: Todos os arquivos, museus, bibliotecas e instituições que lidam com documentos históricos têm uma preocupação permanente com a conservação e a restauração desses documentos. Tanto que várias dessas instituições têm laboratórios próprios de restauração. É o caso do Centro de Memória da Unicamp, em Campinas, que tem no seu laboratório técnicos especializados em mexer com documentos como esses, que ilustram, aliás, as causas mais frequentes de deterioração, como mordidas de roedores, ação de insetos, de fungos e de inundações. Aqui no laboratório de restauração, documentos como esses são totalmente recuperados e se transformam em documentos como esse daqui, já totalmente recuperado e pronto para ser manuseado pelos pesquisadores.

O processo de restauração começa com uma limpeza feita com pincel largo e bisturi. Nos documentos mais sujos, os restauradores aplicam também pó de borracha. Depois de limpos, os papéis passam por três banhos diferentes: um com água destilada aquecida a 50 °C, o segundo com hidróxido de cálcio para diminuir a acidez do papel – a acidez é a responsável pela fragilidade dos papéis velhos –, o terceiro com uma cola à base de celulose, que impede o ressecamento e devolve a maciez ao documento. O próximo passo é a secagem natural. O processo termina na mesa de luz, onde é feita a reconstituição estética com tiras de papel natural e cola neutra.

Quanto tempo se leva, em média, para restaurar um livro daqueles que nós vimos todos deteriorados, para transformar num livro reconstituído?

Dulce Fernandes Barata: Olha, depende muito dos materiais disponíveis. Depende inclusive dos equipamentos. Eu acredito que de seis meses a um ano.

WFJ: E as técnicas de restauro, elas são sempre artesanais, como a senhora faz aqui, com o seu pessoal no laboratório, ou já existem equipamentos modernos que podem fazer isso em substituição ao trabalho manual?

DFB: Ah, existe com certeza, em outras instituições nacionais e internacionais. As pessoas têm usado muito o que eles chamam de restauração em massa, usado principalmente com auxílio das máquinas, máquina de obturação de papel, tem as máquinas, as câmeras de desacidificação de papéis, e isso auxilia enormemente, a produção do trabalho ganha muito na qualidade e no tempo. Porque se os trabalhos são feitos artesanalmente, nós vamos ter uma luta contra o tempo, ao passo que se tiver equipamentos, tecnologias avançadas como várias instituições têm, então a restauração vai ganhar demais em termos de quantidade e qualidade.

WFJ: Os documentos que são restaurados no Centro de Memória da Unicamp fazem parte de um acervo que reúne material histórico de Campinas e região dos últimos 200 anos. São processos do Tribunal de Justiça, arquivos da Santa Casa local, registros de escravos, da Estrada de Ferro Mogiana e das antigas fazendas de café. As fotos, negativos e todo o material visual também são conservados caprichosamente. Tudo é arquivado em sala especial, com temperatura e umidade controladas, embalado em papel neutro. Além de conservar o arquivo, o Centro de Memória tem um setor de publicações que divulga o acervo através de livros, revistas e boletins. O diretor do Centro diz que instituições como a sua ajudam a diminuir os efeitos de um dos grandes problemas brasileiros: a falta de memória.

Qual é o papel dos arquivos e centros de memória nessa resistência contra a perda do patrimônio cultural brasileiro?

José Roberto Lapa: Simplesmente recolher a documentação escrita, a documentação que pode ser por via oral, a documentação, no sentido mais largo que possa ter a palavra, representa muito, mas não tudo. A preservação da memória deve envolver forçosamente o direito e cidadania de acesso à informação. Isto é, se nós recolhermos o acervo que está correndo perigo, que está correndo o risco de se perder, não nos basta depositar esse acervo e salvá-lo. É preciso organizá-lo, é preciso acessá-lo da maneira mais ágil, mais fácil que se consiga. É preciso universalizar o seu uso e, sobretudo, transformá-lo num gerador de conhecimento, a fim de que o documento na sua frieza, o documento muitas vezes até naquilo que não está nele escrito, naquilo que ele deixa implícito, possa ter uma dinâmica e ir ao encontro do interessado e permitir a ele que a partir do documento, através do documento, além do documento, ele possa ter conhecimento histórico e contribuir para que, com esse conhecimento histórico, ele possa, quem sabe, até mudar para melhor a sociedade em que ele vive.



domingo, 12 de abril de 2026

Viktor Orbán admite derrota a Péter Magyar

Reaparecendo aqui pra tentar cobrir o que parece ser um evento histórico, rs. Hoje, 12 de abril de 2026, o primeiro-ministro húngaro Viktor Orbán, de extrema-direita e amiguinho de Bolsonaro, Trump e Putin, admitiu sua derrota pro dissidente do partido de centro-direita Tisza, Péter Magyar, mais conhecido como Pedro Húngaro ou, pros íntimos, Pepê Gulache. Em ato inusual pra um líder reputado autoritário, Orbán reconheceu a derrota avassaladora e publicou há pouco mais de uma hora o seguinte discurso em seu YouTube oficial.

Consegui fazer esta transcrição (cuja qualidade não pude verificar) usando uma ferramenta de IA voltada pra plataforma do Google no site Maestra.ai e joguei o resultado no Tradutor do mesmo Google. Como tá difícil achar até mesmo uma transcrição original, decidi botar o resultado pra documentação, enquanto revisei levemente a redação, mas não o significado, da tradução.



Boa noite a todos, meus queridos amigos. O resultado das eleições, embora ainda não esteja completo, é compreensível e claro. O resultado é doloroso para nós, mas é claro. A responsabilidade e a oportunidade de governar não nos foram concedidas. Parabéns ao partido vencedor e agradeço o enorme trabalho realizado. Nunca trabalhamos tanto, nem em nenhuma campanha eleitoral. Isso transparece, pois conseguimos reunir 2,5 milhões de eleitores; 2,5 milhões de pessoas confiaram em nós hoje também. Meus queridos amigos, gostaria de agradecer especialmente pelo apoio esmagador que recebemos do outro lado da fronteira, e enviamos uma mensagem a todos que podem contar conosco no futuro. Meus queridos amigos, não sabemos agora o que este resultado significa para o destino do nosso país e da nação, e qual o seu significado mais profundo ou elevado; só o tempo vai dizer. Mas, independentemente do resultado, nós, como oposição, vamos servir a nosso país e à nação húngara. Meus queridos amigos, a tarefa que temos pela frente é clara. O peso da governança não está sobre nossos ombros, então agora é nossa missão fortalecer nossas comunidades. 2,5 milhões de eleitores confiaram em nós. Vamos lhes enviar uma mensagem daqui. Jamais vamos os decepcionar. E talvez, talvez eu não devesse dizer isso, porque estamos juntos aqui há mais de 30 anos. Vivemos anos difíceis e fáceis, anos belos e tristes, mas uma coisa todos nesta sala e em todo o país sabem: jamais, jamais, jamais, jamais desistiremos. Os dias que se aproximam ainda são para curar feridas, mas então o trabalho vai recomeçar, e neste trabalho conto com todos vocês, todos os nossos 2,5 milhões de eleitores. Senhoras e senhores! Desejo a todos muita força, saúde e noites mais belas do que a de hoje. Que Deus nos abençoe a todos, e a Hungria acima de tudo. Força, Hungria! Força, húngaros! Muito obrigado. Obrigado por tudo! Boa noite a todos!

Jó estét kívánok mindenkinek, kedves barátaim, a választási eredmény, bár még nem teljes, de érthető és világos. A választási eredmény számunkra fájdalmas, de egyértelmű. A kormányzás felelősségét és lehetőségét nem nekünk adták. A győztes pártnak gratuláltam nektek, önöknek köszönöm a rengeteg munkát. Soha ennyien és soha ennyit nem dolgoztunk egyetlen választási kampányban sem. Van is ennek látszatja hisen két és fél millió szavazót sikerült összegyűjtenünk két és fél millió ember bízott bennünk a mai napon is. Kedves barátaim, hogy a különösen is, különösen is köszönöm a határon túl érkezett elsöprő erejű támogatást, és üzenjük a határon túlra, hogy ránk a jövőben is számíthatnak. Kedves barátaim, hogy a hazánk és a nemzet sorsa számára ez a ma esti választási eredmény mit jelent, és mi ennek a mélyebb vagy magasabb értelme, azt most nem tudjuk, ezt majd az idő eldönti. De akárhogyan is alakult, mi ellenzékből is a hazánkat és a magyar nemzetet fogjuk szolgálni. Kedves barátaim, a feladat, amely előttünk áll, világos. A kormányzás súlya nem nyomja a válunkat, ezért most az a dolgunk, hogy a közösségeinket megerősítsük. 2 500 000 szavazó bízott bennünk. Üzenjük meg nekik innen. Soha nem fogjuk őket cserben hagyni. És talán és talán mondanom sem kellene, hiszen több mint 30 éve vagyunk itt együtt. Élt már meg nehéz és könnyű, szép és szomorú éveket, de egy dolgot mindenki tudhat itt ebben a teremben és az egész országban. Mi nem adjuk fel soha, soha, soha, de soha nem adjuk fel. Ezek a napok, amelyek előttünk állnak, még a sebek gyógyításáról szólnak, de aztán újra indul a munka, és ebben a munkában mindenkire, mindannyiotokra, mind a 2 500 000 szavazónkra számítok. Tisztelt hölgyeim és uraim! Mindannyiuknak sok erőt, jó egészséget, és a maiál szebb estéket kívánok a jó Isten mindannyiunk fölött, Magyarország mindenek előtt. Hajrá Magyarország! Hajrá magyarok! Köszönöm szépen. Köszön minden! Jó éjszakát mindenkinek!



Reportagem do Fantástico de hoje (TV Globo, 4 min) sobre a vitória de Péter Magyar (Tisza) e a derrota de Viktor Orbán (Fidesz):


quarta-feira, 4 de março de 2026

Quem ri por último, chora melhor

Ci tá na Grobe, é pruquê é verdadj. E de fato, não esperei só o Plim-Plim, mas também a confirmação do morrimento do óia-tô-lá “Ale Camenei” pelo próprio regime iraniano. A Moçada do Bibi do Hamas disse? O Laranjão disse? Não acredito totalmente. Mas dada a bagunça provocada em Teerã, o resultado era esperável, abrindo mais um capítulo histórico dos tempos modernos. Se ainda antes do Jornal Nacional houve um “Plantão terrível” quando Washington anunciou o feito, o genro da Garota de Ipanema só apareceu na propaganda da novela Três Graças quando a própria ditadura confirmou mais um cancelamento de CPF seu.

Desta vez não houve a vinheta da diarreia imediata, e embora no domingo eu tenha hackeado o vídeo do portal G1, no sábado à noite consegui voltar a programação ao vivo por meio da transmissão aberta ao vivo na plataforma Globoplay, assim que soube em outros sites, pouco antes de ir dormir, que “é verdade esse bilete”. Como em Bragança Paulista assistimos à afiliada TV Vanguarda (que transmite de Mas Bom Mesmo é Viver em São José dos Campos), logo antes estava passando um boletim do tempo pras regiões cobertas, e mal terminou a trilha sonora, já apareceu a cara do Tralha. Mas isso foi aqui: já no Irã, pelo menos dois necrológios rodaram as redes, e num deles, o apresentador irrompeu em prantos, bem ao estilo Coreia do Norte.

Em dois momentos, seu “soluço” parece tão fingido (alguém viu as lágrimas?) que chegamos a ter a impressão dele estar rindo, ou se segurando pra não rir e ir parar na forca. Note que aparentemente, mesmo atrás das câmeras, alguém deixa soltar uma risada; já pode ser considerado um dos momentos mais constrangedores da geopolítica televisada, e por isso separei os dois trechos pra que você possa fazer memes à vontade, bem como incorporei a publicação original do portal Metrópoles:



Mais legal ainda foi nesta segunda ter aparecido uma propaganda no portal G1, paga pra ser mostrada pelo Google, em que a Moçada sugere aos iranianos, em persa, que vejam a situação em seu país por sobre a censura oficial. Parece que uma versão ampliada dessa mensagem também foi publicada nas redes oficiais israelenses e nas ligadas aos apoiadores do Pahlanada. Eu hein, depois daquela dos beeps do Hezbollah, eu que não clico nisso! (Eu mesmo transcrevi e joguei no tradutor, fazendo poucas mudanças.)

سازمان موساد
برادران و خواهران ایرانی ما،
اینجا کلیک کنید و عکسها و ویدیوهایی
از آنچه اکنون در خیابانها اتفاق می افتد.
را با ما به اشتراک بگذارید ما با شما هستیم!

[Organização] Mossad
Nossos irmãos e irmãs iranianos,
Cliquem aqui para ver fotos e vídeos
do que está acontecendo nas ruas agora.
Estamos com vocês!





Afinal, é assim que nascem as revoluções:


Depois de ver isso, me veio à memória algo que eu teria visto na adolescência, e eu estava certo. A Turquia de 2001, segundo o Livro do ano 2001-2002 editado pela mesma casa da velha Enciclopédia Barsa, também teve um dólar milionário. Aliás, o valor crescia a cada ano: mais de 400 mil liras turcas em 1999, mais de 600 mil em 2000... Mas daí veio o Tobogã e transformou o Império Otomano num país deter-gente, ops, emergente, rs:


Após o morrimento de Ali Khamenei, Carlos Henrique de Brito Cruz, físico e engenheiro brasileiro e ex-reitor da Unicamp, foi escolhido pra ocupar o cargo de líder supremo temporário. Quando a publicação for ao ar, não se sabe se ele ainda vai estar vivo:




terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

O que Sergey falou em russo no Domingão

Após meses de espera de acordo com as regras do quadro, este peculiar Homo sovieticus chamado Sergey (ou Sergio) Loewitz finalmente participou do “Quem quer ser um milionário?”, apresentado por Luciano Huck em seu Domingão. Professor de idiomas e casado com uma brasileira, com quem tem uma filha e mora em Niterói, é falante nativo de russo e nasceu na antiga RSS da Moldávia, atualmente a República da Moldova independente. Embora o país seja multicultural, o romeno (chamado pelos soviéticos de “moldávio”) é a língua predominante e o russo, falado desde a ocupação tsarista da Bessarábia histórica (século 19), ainda tem um papel relevante; é majoritário, por exemplo, na região separatista da Transnístria.

Volta e meia escrevo aqui na página sobre esse pequeno país, mas essa é mais uma ocasião pra eu pegar no pé de quem faz pouca ou nenhuma pesquisa sobre o que está falando. O Gonzo, por exemplo, ao invés de fazer uma breve leitura sobre a história recente da Moldova, repetiu várias vezes a versão russa do nome (“Moldávia”), usada predominantemente na Rússia e em sua mídia estatal, enquanto mesmo entre os moldovos russófonos se usa “Moldova”. Pra quem combate o colonialismo do Kremlin e convive diariamente com o assunto, soa como o arranhar de um disco ouvir “Moldávia” o tempo todo, ou pior, ocasionalmente misturando as duas formas e soltando um “Moldóvia”! Não sei se o Trololó fluminense o “assessorou” de alguma forma, mas nem ele deve entender ou sequer ligar pra essas “minúcias”.

Em todo caso, ao contrário de minha bisavó Tekla, que nasceu justamente na Bessarábia histórica e era o cão chupando manga, a inocência e bom coração de Sergey evocam muito mais meu bisavô Basílio, nascido, porém, em Kyiv. Como os dois se casaram e tiveram uma penca de filhos, só a NASA explica. Porém, fiquei muito tocado com sua iniciativa de dedicar o dinheiro ganho no Domingão distribuindo bolsas a alunos pobres, embora não tenha ganhado o prêmio máximo e, pior, errado uma pergunta sobre biquíni! Mesmo assim, seu Instagram pessoal, que passou de pouco mais de 600 seguidores pra mais de 29 mil até a tarde da segunda-feira seguinte, se tornou um registro permanente da aguardada façanha.

No encerramento do quadro, depois de Sergey ter errado uma das perguntas, ele pediu pra mandar um recado pra sua família, acredito que pra sua mãe e seu irmão, embora ele não os tenha mencionado antes. Embora ele também fale romeno, sua mãe só fala russo, e nessa língua ele pediu pra se comunicar, ocasião que aproveitei, obviamente, pra fazer uma “média” no WhatsApp entre meus amigos, rs: filmei com o celular a transmissão no Globoplay após voltar alguns minutos em meu computador e espalhei o vídeo com a transcrição (como acredito que deve ser) e a tradução. Foi uma pena que não consegui lançar esta publicação ainda ontem.

O que me chamou a atenção foi a palavra “taliánchik”, que tirei de ouvido e não sabia se estava certa, porque parecia algo relacionado à “Itália”. De fato, o significado mais corrente é o de “qualquer pedra ou cristal precioso”, “ametista”, “quartzo puro”, e em russo dialetal (não descobri o lugar exato) é um sinônimo de “querido”, “amado”, ou seja, faz sentido neste contexto. Se você tem outra tradução, favor escrever nos comentários. Além disso, pra obter uma versão de melhor qualidade, infelizmente o vídeo baixado da fonte original com a extensão que costumo usar ficou danificado exatamente no trecho concernido, e acabei usando outra extensão que “despedaçou” o vídeo e tive de juntar as partes desejadas. Apesar de não estar límpido como sempre, vale muito a pena pra nossos fins:


“Мамочка, люблю тебя! Братишка-тальянчик, спасибо вам огромное за всё, за жизнь, за любовь вашу. Люблю тебя, мамуля!” (Mámochka, liubliú tebiá! Brátishka-taliánchik, spasíbo vam ogrómnoie za vsió, za zhizn, za liubóv váshu. Liubliú tebiá, mamúlia!)

“Mamãe, eu te amo! Meu irmãozinho querido, muito obrigado por tudo, pela vida, pelo amor de vocês. Eu te amo, mãezinha!”


Aliás, aproveitando a ocasião pra descarregar um print cômico: numa das edições do jornal diário Vot Tak Moldova, transmitido em russo a partir da Polônia, a apresentadora com um dos deputados do PAS, partido de Maia Sandu, parece a Ana Castela entrevistando o Zohran Mamdani, rs.


sábado, 24 de janeiro de 2026

Onde fica a Magnólia?

Até parece implicância quando zoo os repórteres da Grobe, sobretudo os mais jovens, mas a quantidade de memes tá superando minha capacidade de enfrentar a realidade. Na edição da última quinta-feira do Jornal Hoje, Leonardo Monteiro chamou a Mongólia de “Magnólia”, uma espécie de flor. Baseado em Lisboa desde 2015, ele estava comentando a iniciativa do Véi Gagá de criar um “Board of Peace” (Conselho da Paz) pra cuidar da restauração de Gaza, junto a países que formalizaram em Davos, Suíça, sua adesão à iniciativa.

Bizarro como a própria mentalidade do criador (que vai ser o líder perpétuo, ter poder de veto etc.), o conselho já está sendo chamado de “ONU paralela”, já que o Bibi do Hamas e o próprio ditador de Uoxto desmantelaram as estruturas humanitárias internacionais na região, embora eles aleguem que vão trabalhar “em cooperação” com a velha instituição. Presidentes menos pernósticos, como a Jararaca e seu amigo Marcão, não deram a mínima pelota pra essa palhaçada.

Enquanto isso, nosso funcionário grobá incorpora Charlie Chaplin, que em seu filme O grande ditador, parodiando a Europa do entreguerras, chamou a Alemanha de “Tomânia”, a Itália de “Bactéria” e criou guetos com letreiros em esperanto. Se você não acredita no vídeo abaixo, veja também o print da mesma matéria sobre o assunto no portal Jeum, com a lista atualizada até o momento da exibição: são praticamente os mesmos nomes, na mesma ordem, incluindo “Côzovo” (que é tão país quanto o Hopi Hari), rs:





Em 2023, o mesmo Monteiro teve uma gafe viralizada, depois que chamou a GloboNews de “Globo Lixo” durante uma entrada ao vivo:


sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Crarrembú e o Trampe: o retorno

A publicação em que alguns anos atrás zoei com o fato da rara pérola do jornalismo da Grobe, Raquel Krähenbühl, mais conhecida como Crarrembú devido à inépcia dos jornaleiros bananianos médios em pronunciar seu encapetado nominho, alcançou um número de visualizações que eu não podia imaginar. Não é lá grande coisa em se tratando de um blog e em comparação com as mídias modernas, mas dentro dos padrões de minha página, se tornou uma das peças mais acessadas. Confesso que fui um pouco injusto com ela, já que na própria Voice of America (hoje calada pelo fascismo laranja) alguns locutores falavam mesmo “Volodomôr”, mas acho que a cara de desespero do Zelensky fez muito mais pelo humor da cena, rs.

Nesta movimentada semana em que os donos do dindim global planejam novamente seus sadismos e em que o Véi Gagá resolveu encasquetar de novo com a “Terra Verde” coberta de gelo, se valendo pra isso de um sonífero discurso de uma hora e 25 minutos em linguagem destinada antes a suas bases fanáticas, o canal mais chupa-saco dos EUA fez a festa. Qualquer aparição destacada ou “chegada na frente da fila” era tratada pelos noticiários como um grande feito nada extraordinário. Há de se fazer jus à autoglorificação tão típica do Grupo Marinho, tanto mais que nunca vi nossos cão-peões nacionais darem sinais em tantos veículos estrangeiros. Além da célebre Crarrembú ter sido “a primeira a fazer a pergunta” na coletiva do Laranjão, o noticiário da France 24 da última quarta-feira se dignou até a traduzir a já célebre pergunta sobre a ONU paralela que a NOM tá querendo criar, rs.

Claro que nada vai superar a Ilze Scamparini, maior conhecedora de telhados do que os gatos romanos, estampando no peito sua insinuação aeronáutica sobre o bonde da sopa de letrinhas ao então estreante Bispo Bergóio, que então lhe respondeu, como que macetando o catecismo: “Chi sono io per giudicare?” Mas a Loira da Boina que já é feliz só por morar na Suíça também quis ostentar sua quase trombada com o Véi Gagá lhe questionando sobre seus planos a respeito da ilha de Itu. E embora ela não tivesse percebido, sua ousadia (sem alegria, Thiaguinho?) diante de Emmanuel al-Asad com um francês mais afiado que o meu apareceu até na Radio Svoboda, valiosa mídia anti-Putin em russo financiada pelo Congresso ianque que, apesar dos cortes recentes, “envergou mas não quebrou”. Depois de quase fazer o Rei Sol paraguaio chupar o microfone que nem um picolé, quem sabe os patrões não a promovam trocando sua boina por uma touca ou um chapéu aveludado do Chaves? Rs:







Descoberto único jeito de acabar com Vladimir Putin:


Também na quarta-feira, a Sky News chamou a Eslovênia de “Solvenia”. Esqueceram de dizer que quem se “solveu” não foi a Eslovênia, mas a Iugoslávia, rs:


Após a vergonhosa punhalada do Parlatório Európico contra o acordo milenar com o Mercoçú que nunca saía do lugar, mas podia os proteger um pouco diante das constantes ameaças do Véi Gagá de lhes encher o fiofó com tarifas, só posso dizer uma coisa:


domingo, 2 de novembro de 2025

Quando o JN tenta ser Casseta & Planeta

    No último 31 de outubro, bem na festa ianque do Relouim que resolveram bobamente importar pra cá, William Bonner se despediu da bancada do Jornal Nacional, outrora voz da ditadura civil-militar a partir de 1969 e agora o maior telejornal brasileiro visto por quem ainda só entende português e se senta no sofá com o cérebro desligado pra descansar da lida diária. A Grobe é um gigante com ótimos jornalistas de todas as cores, gêneros, origens, sotaques, formas e tamanhos, mas quem foram escolher pra substituir o ex da Fátima? César Tralli, com sua cara de bobo, esguias pernas arqueadas e cujos pitacos irritantes no fim das matérias deixavam o Jornal Hoje com pelo menos 1/3 a mais de duração do que o suficiente.

Você pode estar se perguntando: Ué, o Bonner vai, sair, f*da-se, não tenho nada com isso, já faz sei lá quantos anos que não assisto mais a essa m*rda. Por mais que a famiglia Marinho tenha irritado tanto lulaminions quanto bolsominions meramente por trazer fatos de cuja interpretação podemos duvidar, mas que incomodam a um montão de gente, o JN e seu mais famoso âncora se tornaram parte da cultura popular nos últimos 29 anos. Sem contar Cid Moreira, que apresentou a primeira edição e se tornou um ícone do jornalismo nacional. E em qualquer país é assim, pois seus jornalistas e telejornais noturnos mais famosos de canais abertos sempre viram alvo de piadas, bordões e memes. Até no Orkut, por exemplo, havia uma comunidade chamada “Eu dou boa noite pro Bonner”, e não sei se alguém chegou a fazer um print dela (sinta-se livre pra me enviar). Posso comprovar na prática: minha vó faz isso até hoje, rs.

Embora alguns critiquem Bonemer por seu jeito de trabalhar e atuar, ele tem qualidades que o distinguem de outros colegas, como a boa retórica improvisada (compare-o com o marido da Ticiane falando na edição daquele dia), a inteligência e, o melhor, um senso de humor que transborda até mesmo em reportagens cotidianas. Porém, esse humor aflora mais plenamente nos bastidores, entre quem já o viu imitando até mesmo Paulo Francis e Clodovil, e parece que nessa “festa da firma” ele resolveu mostrar ao país todo seu dom pro stand up. Não passaram despercebidas suas imitações de “si mesmo aos 8 ou 9 anos” cobrindo um piriri do Chapeleta pela primeira vez e de seu próprio companheiro de bancada, o locutor da Bíblia Sagrada, com quem conferenciava sobre o fato de ficar nervoso antes do programa.

Portanto, eu correria o risco de estar sendo redundante, porém, além de meus próprios comentários, só aqui você vê os trechos selecionados sem edição. E decidi aproveitar também a ocasião pra descarregar inúmeros memes vindos de diversos telejornais da Grobe, que estavam represados desde a queda do canal Pan-Eslavo Brasil ou que fui acumulando depois, além de coisas aleatórias mais recentes. Afinal, como já publiquei aqui constantemente, o JN e seus congêneres (H1, JH, JG e sei lá que outras siglas) nem sempre se tornam o Casseta & Planeta Urgente voluntariamente, mas muitas vezes “sem querer querendo”. Diverte-te:



O “beijo no Bonner” que o Genocida queria ter dado em 2022, rs.


O vídeo “principal” (em cujo fim Bonner diz estar nervoso) e outro vídeo em que ele faz uma gracinha com o sucessor (em que ele diz que “finge estar nervoso”, igual o menino fã do Raça Negra que dizia “fingir estar chorando” no Silvio Santos, rs):




Mais recentemente, o repórter Matheus Croce de uma afiliada em São Vicente, SP, quase morreu de susto quando entrou na Mansão do Medo, montada num shopping center bem antes do Dia das Bruxas (edição minha). De fato, segundo o próprio G1, depois ele teve uma queda súbita de pressão e quase passou mal:


Uma das intervenções mais fora de contexto do genro da Garota de Ipanema em 10 de setembro de 2025. Tão fora de contexto que nem me lembro mais de qual reportagem se tratava, rs:


Glenda Kozlowski e Rodrigo DesBocardi dispensam comentários.

Sobre a Glenda, sempre paira a dúvida sobre a data exata, mas vamos por partes. Ela fala de uma “próxima terça” em que Parreira anunciaria a primeira convocação da Seleção. Tirando a conquista do Tetra em 1994, sabemos que ele foi o técnico na Copa de 2006, quando o Brasil foi pra casa mais cedo. Mesmo Scolari tendo liderado o Penta em 2002, Parreira o sucederia ainda no final do ano. Se procuramos no Google pela tal primeira convocação, descobrimos que ela se deu em 28 de janeiro de 2003, exatamente uma terça-feira. Se lembramos que o Globo Esporte também ia ao ar de sábado, mas o Sítio não, é pouco provável que fosse segunda, 27, pois ela diria “amanhã”. Portanto, podemos fixar a data entre 21 (terça-feira) e 24 de janeiro de 2003:




Tirado a partir de um canal nostálgico da década de 1990. A vinheta “Serviço” era uma as que eu mais achava interessantes em minha infância, mas imagine toda reunida a “família tradicional brasileira”, com casal, vó e filhos pequenos, e de repente um locutor de voz cavernosa joga um “mucosa do pênis, vagina e ânus” na cara dura:


Reportagem de 12 de setembro de 2024 em que Renata Vasconcellos quase põe em órbita aquele catarrão logo no começo. Sem muita graça particular:


A mesma, anunciando o novo dono da Grobe:


Ainda a mesma, resumindo a essência do “sotaque paulistano”, mas provavelmente com fome, porque o jornal tava acabando e ela queria confirmar o pedido do Bonner no Aifode:


E, claro, o famoso “Alô, técnica” de 17 de novembro de 2020, que viralizou, sobretudo, no então chamado Twitter, porque parecia que “a técnica” tinha simplesmente morrido, revelando uma baita fragilidade na organização dos jornalistas. Não sei por que inseri o Jeno rindo no final (nunca o apoiei e nunca vou apoiar suas crias) quando publiquei em meu antigo YouTube, mas deve ter sido uma lembrança da entrevista eleitoral em 2018, quando “ela o sodomizou sem vaselina” depois de insinuação sobre o salário da apresentadora:


Maju Coutinho cobrindo um campeonato de arremesso de bebedouro após o jogo de futebol entre um time brasileiro e outro argentino, ou “Gente, foi isso mesmo, um jogador arremessando lá um bebedouro” (JH, 22 de julho de 2021):


Fora do mundo, Ana Maria Braga anuncia no Mais Você de 28 de junho de 2021 a captura e execução sumária do assassino em série Lázaro Barbosa de Sousa, que fez uma fuga espetacular pelo país e atemorizou os moradores por onde passava. Primeiro ela diz que “Lázaro não tinha relação com Lázaro”, e depois tenta chamar o repórter ao vivo dizendo “Oi, Lázaro, temos Lázaro?”:


Em meados de julho de 2021, no auge da segunda grande vaga da covid-19 com que o desgoverno nos tinha presenteado, Bonner afirma que “a Terra é redonda” e recomenda que todos tomem a segunda dose da vacina:


De novo Bonner, mas ainda sem a barba que o caracterizaria nos últimos anos, anuncia em 26 de dezembro de 2019 um “eclipse solar com Lula”, mal disfarçando que já sentia saudades e não via a hora do retorno do “ex-presidiário”:


Na década de 1980, Renato Machado está em Xernobiu Chornobyl tempos depois da explosão. Mas, como disse certa vez um inscrito de meu YouTube, parecia que ele estava descrevendo o Twitter, invertendo o famoso meme de Éric Jacquin usado quando alguma discussão estava ficando tóxica demais:


Além do “ônibus” (2006) e do “avião do JN” (2010), em que Bonner percorria o Brasil todo queimando a fortuna dos Marinho, entre as muitas iniciativas ridículas lançadas em época de eleições presidenciais estava a vinheta “O Brasil que eu quero” de 2018. Esta era muitíssimo mais econômica, pois em todos os telejornais apareciam vídeos breves de celular, com pedidos que os cidadãos faziam aos candidatos a diversos cargos. Um dos melhores certamente foi o da estudante paraense “Maria Bolacha”:


Após (uma das muitas) enchentes na periferia de São Paulo, em março de 2019, uma senhora identificada como “dona Florentina” elogia a ajuda que a Igreja Universal do Reino de Deus estava dando aos desabrigados ou prejudicados. A graça não está nisso, mas em que o repórter da GloboNews, por mais que tente tirar a IURD da conversa, se vê frustrado e constrangido pela insistência da idosa, rs:


No JH de 13 de fevereiro de 2020, Andréia Sadi e “o nome cotado para a vaca” involuntariamente resumiam como todos os partidos alternantes, sem exceção, sempre tentam “mamar nas tetas do Estado”:


O Fantástico entrevistava um eleitor de Joe Biden nas eleições americanas de 2020, quando uma passante patriota bolsonarista apoiadora de Trump, sem ser chamada, foi argumentar na única linguagem que sabe usar. Spoiler: a polarização mencionada só ia piorar e Biden daria tanta vergonha alheia que o Laranjão voltaria em 2024.


No JH de 2 de junho de 2020, Maju inventou um novo ministério pro milico golpista Augusto Heleno, que era o do “Gabinete de Segurância Institucional”:


Adendo (5/6/2026): Agora não é só Jorge Pontual imitando a Chewbacca na GloboNews, mas também Flávio Fachel falando em “baleiês” e imitando um golfinho! Isso foi na edição de ontem do Bom Dia RJ, mas dizem que não foi a primeira vez que ele fez tal imitação:


Alguém consegue falar diretamente pra ele a “verdade coprológica”?

Vamos mudar de canal (e de país, e de língua). Na ditadura dinástica totalitária do Tajiquistão, mais uma daquelas Boratlândias de economia dependente da Rússia, o telejornal noturno da TV estatal conseguiu dedicar uma edição inteira somente à inauguração de inúmeros prédios frescos, incluindo escolas, numa cidade perdida chamada Danghara.

Óbvio que o dono do país, Emomali Rahmon, devia estar lá, e a lambeção de saco, que passa pela linguagem e pela reverência temerária, chega à recitação decorada de versos laudatórios (de fato, uma tradição do mundo persa) e a apresentações dignas de uma festa de formatura de pré-escola brasileira. Escolha seu ritmo preferido entre uma batida mais tradicional ou uma mixagem techno:




No fim de outubro, viralizou um vídeo em que um prefeito Mamãe Falei calvo de cidade russa destrata e demite em público um burocrata de cujo trabalho ele não gostou. Não lembro mais do que se tratava a obra, mas sinta-se livre pra usar o corte da Radio Svoboda, totalmente fora de contexto, “– O que é isto? – É uma pedra” (“– Что это такое? – Камень”):


E pra terminar de um jeito nada a ver, é curioso como entre as recomendações de canais do WhatsApp, o recurso mais mal copiado pra tentar fazer frente ao Telegram, aparecem coisas completamente aleatórias, sem relação com interesses gerais ou mesmos os seus próprios e de conteúdo absolutamente carente de nexo. Um desses “buracos” (nome mais apropriado) que me sugeriram foi um chamado “Meu FC [fã clube] Do Daily da Vavá”, o troço mais orkutizado que já vi desde a emergência das novas redes sociais. Não faço ideia de quem seja a Vavá, quem faça parte de seu fã clube e se a foto de perfil é da Vavá ou de alguma fã dela.

Embora eu tenha algum receio que isso seja um golpe ou um perfil falso, talvez até escondendo uma situação de abuso (eu denunciei à Meta), é incrível como de fato alguns adolescentes, sobretudo meninas, se expõem elas mesmas dessa maneira, apesar dos discursos mainstream sobre “adultização”. Mais cômico ainda é o pedido pra que os internautas parem de reagir com “emojis inapropriados” (o que é comum, aliás, quando canais bizarros são sugeridos do nada), solenemente desobedecidos com ainda mais berinjelas e dedos medianos. É mais uma prova de que os memes não são feitos, mas aparecem:



quarta-feira, 25 de junho de 2025

Encontrado compromisso no Irã


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Após mais de uma semana de guerra de alta intensidade com Israel, finalmente parece ter sido encontrada uma solução de compromisso pra crise política no Irã! A monarquia dos antigos xás não vai voltar, mas Reza Pahlavi, o príncipe herdeiro exilado, aceitou não abolir a república islâmica... e se tornar o novo aiatolá!

Inclusive, achei a segunda montagem num portal de fóruns chamado Iroon.com (“Irun” é uma pronúncia iraniana popular e coloquial de Irān), grandemente humorístico. Recomendo uma visita se quiser encontrar vários ótimos cartuns geopolíticos, criticando tanto Khāmenei quanto Netanyahu, bem como Trump, e muito mais inteligentes do que os rabiscos do jihadista Latuff!

Até que foi uma sábia decisão. O vendedor de tecidos paulistano mais uma vez escapou de ser alvo de imagens constrangedoras; afinal, como dizia seu pai, “Pahlavi rima com...”


Aproveitando o gancho, recomendo esta ótima reportagem do Jornal Nacional de 20 de junho de 2025, apresentada por Ilze Scamparini, descrevendo uma breve biografia do aiatolá “Ale Camenei” e sua trajetória até suceder “Rurrolá Comeíne”, rs. Hackeei especialmente pra você:




É “posição do vampiro” que chama isso? Rs:


O Kim Kataguiri iraniano, sem auxílio parlamentar, abastecendo o carro no meio do racionamento. A única coisa que ele não racionou foi o laquê:


Recebi esta montagem e só tô repassando. A julgarmos pela foto pertencente a um portal pró-teocracia (se for mesmo ela, e talvez não seja recente), a repórter-bomba Sahar Emami, nascida em 1985, se não fosse essa necessidade de parecer uma velha caduca se vestindo que nem um urubu e falando que nem uma vizinha histérica, até que seria linda... Se pra você pareci machista, então, sim, assumo, phodasse, porque não passo pano pra ditadura, e Jin, Jîyan, Azadî:




Dois países fortemente armados entram em guerra. Ele inventa que obteve um cessar-fogo entre os dois, nenhum dos quais sequer está sabendo da iniciativa, e ele os culpa por terem rompido o cessar-fogo que só existia em sua própria cabeça. Não perca, em breve nos cinemas, O Pacificador:


quarta-feira, 2 de abril de 2025

Cuscuz Clã no Fantástico + Endrigo


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Eu estava procurando imagens de Sergio Endrigo no Google, e de repente me deparei ao acaso com este clipe gravado por ele e Fafá de Belém, cantando juntos o Samba em Prelúdio pro Fantástico, quando esse tipo de quadro era bem mais frequente e, diga-se, muito mais bem elaborado. Não consegui determinar a data, mas pode ser entre o fim da década de 1970 e o início da de 1980, quando Endrigo estava fazendo muitos trabalhos culturais no Brasil. O gigante de Pula até que não pronunciava mal o português (embora certamente não o falasse), e sendo esta uma raridade, resolvi “hackear” e republicar aqui!

Infelizmente, não havia mais nenhuma informação a respeito no Globoplay, e também não fui atrás. O mais engraçado é que o vídeo apareceu numa playlist aleatória de reportagens, talvez da mesma época, sem qualquer identificação, a não ser pela marca d’água com o nome do programa. E na mesma lista estava também uma reportagem de 15 minutos gravada nos EUA pela equipe da Globo sobre grupos que ainda reivindicavam a herança da Cuscuz Clã Ku Klux Klan, a famosa “KKK”, grupo racista e supremacista de branquelos que não toleravam partilhar ônibus e bebedouros com seus compatriotas de pele escura.

Mais uma raridade que outros também já republicaram inteira ou em parte no YouTube, mas que eu só soube ser de 1979. Conheço esse jornalista cabeludo de outras reportagens do arquivo do Fantástico, mas não consegui o identificar, e mesmo no portal não havia mais informações, a não ser uma descrição bem vaga. Portanto, quem quiser colaborar com possíveis dados, por favor comente ou entre em contato! Realmente eram tempos heroicos, e além da Cuscuz estar explicitamente recrutando crianças e adolescentes, suas caras são mostradas sem censura na TV. Bons tempos, em que o programa era muito mais cultural e instrutivo (até começo da década de 2010), e não essa sucessão de reportagens nojentas e indignantes que tornam a “revista eletrônica semanal” muito mais parecida com uma edição dominical do Jornal Nacional!





domingo, 16 de março de 2025

40 anos do fim da ditadura militar


Endereço curto: fishuk.cc/democracia40


Ontem, 15 de março, fez 40 anos que a ditadura civil-militar no Brasil acabou oficialmente e foi empossado presidente da República o primeiro civil desde João Goulart (gov. 1961-1964). “Oficialmente”, porque o regime já estava carcomido desde a década de 1970, e vários de seus “entulhos” (legislativos, materiais e humanos) permaneceram vivos e atuantes, alguns chegando até a atualidade. Nunca fui simpático à figura de José Sarney enquanto pude acompanhar sua atuação contemporânea, já que não tenho memórias do tempo em que ele presidiu o país (nasci em 1988!). Em outras palavras, conheci Sarney já senador, com toda sua nova carga de acusações dessa época, enquanto o Sarney presidente (assim como o Collor presidente, não o Collor senador do meme “bufando” em bate-boca com Pedro Simon) só conheci pelos livros de História e pelos documentários audiovisuais.

Mas, parafraseando Lula ao se dirigir a um próprio colega de partido, não quero me focar na figura do “cabeçudão do Maranhão”. A foto acima traz uma provocação pelo fato do último general-ditador, João Figueiredo (gov. 1979-1985), ter se recusado a passar a faixa presidencial naquele fatídico dia 15. Ele considerava Sarney um “traidor” por ter deixado o PDS (sucessor da ARENA, partido de apoio à ditadura, desde 1980) pra se filiar ao PMDB (sucessor do MDB, única oposição legal até 1979) e se candidatar à vice-presidência na chapa com Tancredo Neves nas eleições indiretas de 1985. Confesso que só vi algo semelhante a tal pirueta ideológica na Rússia moderna: antigos comunistas ateus, obedientes e militantes se tornaram ricaços religiosos, nacionalistas e amantes do luxo da noite pro dia...

Resumindo rapidamente pros jovens que nasceram ontem: apesar das lutas populares, das muitas manifestações de rua e do sangue operário corrido, o fim da ditadura civil-militar (por favor, não há outro nome pra essa aberração!) implantada em 1964 foi negociado entre os próprios esbirros e os políticos, geralmente empresários e grandes proprietários, menos conservadores. Entre as bizarrices dessa “transação” estão a anistia a todos os crimes contra a humanidade cometidos no período pelo Estado e “pelos terroristas de esquerda” (1979), a obrigação de todo novo partido a partir de 1980 ter no início de seu nome a palavra... “Partido” (rs) e a extensão do mandato de Figueiredo dos cinco anos constitucionais pra seis anos. Ofensa das ofensas, o Congresso Nacional rejeitou em 1984 um projeto de emenda constitucional (ainda vigorava a imposta em 1967) que previa eleições diretas (i.e. por sufrágio popular universal) pra presidência da República em 1985, bandeira que tinha mobilizado o país todo na famosa campanha das “Diretas Já”. Tecnicamente, o Brasil voltava a ter um presidente civil, mas ele tinha que ser eleito, assim como os cinco anteriores, por um Colégio Eleitoral (a Câmara e o Senado juntos), adiando a escolha do povo pra 1990.

Sem me aprofundar, mas a história foi apimentada pelo fato de que o popular político mineiro Tancredo Neves (avô do Aécio de Papelão!), do PMDB e vocal opositor da ditadura, foi eleito por esse colégio, mas morreu antes de tomar posse. As circunstâncias do óbito ainda hoje são alvo de teorias malucas, mas ocorria, como escrevi acima, que Sarney (que não é um sobrenome, mas o prenome do pai dele tornado sobrenome... que nem “Rui Barbosa”, entendeu?) se filiou ao partido dos milicos logo em seu surgimento e até presidiu a ARENA-PDS de 1979 a 1984. Porém, nesse ano entrou no PMDB pra apoiar Neves e ganhar em troca a candidatura à vice-presidência, embora também tivesse entrado em choque no PDS com Paulo Maluf, ex-governador de São Paulo e cúmplice de assassinatos políticos que se tornaria o “candidato indireto” apoiado pela ditadura.

O mineiro venceu, mas por não estar em condições de assumir, a posse de Sarney chegou a ser contestada, em prol de uma nova eleição, o que terminou não ocorrendo. O maranhense assumiu como interino até sua efetivação no cargo em 21 de abril de 1985, quando Neves morreu. Seu governo foi marcado por forte preocupação social e pelo estabelecimento das futuras bases de nossa política externa e integração regional, mas não conseguiu debelar a hiperinflação que se anunciava desde o final da ditadura e deixou uma economia em frangalhos.

Esses são os fatos. Antes de continuar, quero fazer um exercício de “história contrafatual”: imagine Maluf presidindo o país durante cinco longos anos. Quem tem mais de 30 anos sabe o significado de um elemento desse assumindo qualquer cargo público. Ele destrói o funcionalismo (e não é por desejo de eficiência!) por onde quer que passa. É o padrinho político de Jair Bolsonaro. Seria uma continuação da ditadura muito pior do que a democracia cambaleante que tivemos no início... Pegando esse gancho, quero ressaltar como é tão importante relembrar esses 40 anos do restabelecimento da democracia no Brasil, com suas negociações e conchavos, suas limitações e ineficiências.

Desde a Primeira República (1889-1930), que na prática não tinha representação popular, e sem contar o instável Império, é o período mais longo em que vivemos sem um regime de exceção. Ninguém precisa assistir a Ainda estou aqui pra usar seu único neurônio e concluir que os militares no poder não foram algo normal, muito menos positivo. A “democracia” não é um valor em si, mas uma forma de governo, pois também pode funcionar mal e se voltar contra a maioria ou contra grupos vulneráveis. O sufrágio universal direto, o equilíbrio entre os poderes e a igualdade perante a lei não são “bons” ou “ruins” em si, mas apenas a melhor garantia já encontra pela humanidade pra manutenção, incremento e aperfeiçoamento das liberdades civis, estas sim, o verdadeiro conteúdo de uma democracia saudável. E elas não podem ser garantidas nem por um tirano paternal, nem por uma oligarquia esclarecida e nem, em nosso estágio atual de evolução (e me perdoem os mais exaltados!), pela extinção do Estado e um governo direto sem intermediários ou fiscalização.

E tendo em vista essa vontade de aperfeiçoar a democracia (reitero, como forma de governo que pode garantir melhor o real conteúdo das liberdades civis!), um processo lento, às vezes doloroso e sempre exigente de responsabilidade pessoal, que louvo a iniciativa do portal G1 em ter relembrado ontem os 40 anos da posse de quem não foi nosso melhor presidente, mas abriu um período muito especial e teve a nobreza de convocar a Constituinte. Tomei a coragem de “roubar” os vídeos que a Globo inseriu na matéria e que podem ser vistos na seguinte ordem: uma ótima reportagem sobre a transição; uma reportagem de Daniela Lima na GloboNews sobre os 40 anos das “Diretas Já” (2024); a reportagem de época sobre a posse de Sarney como presidente em exercício (interino); idem, sobre a manhã de 15 de março; e um trecho do discurso do político antes de assumir o cargo. (E lá estava também, à esquerda, a igualmente inamovível Roseana...).

P.S. André Franco Montoro foi um dos melhores políticos que São Paulo já teve, é uma alegria o ver em tantos momentos nesse período tão importante:











terça-feira, 10 de dezembro de 2024

Queda de Bashar al-Asad: TV Globo


Endereço curto: fishuk.cc/alasad-globo

Pra fins de registro histórico, reuni nesta publicação toda a cobertura jornalista da TV Globo sobre a queda da ditadura da família al-Asad na Síria, finalizada no último domingo, 8 de dezembro, por meio da ofensiva contra Damasco de vários grupos rebeldes capitaneados pela Organização pela Libertação do Levante (HTS, na sigla em árabe). Até alguns anos, este grupo e seu líder, que está ocupando a presidência provisória do país, eram considerados terroristas pelos países ocidentais e estavam com a cabeça a prêmio pelas autoridades americanas. Só pra não pagar de isentão: como dizem os especialistas, embora a guerra civil possa resfriar por enquanto, é pouco provável que acabe, pois agora todos os muitos grupos que fracionam o país devem (em teoria) se entender entre si.

Eu sei que muitos grupos políticos amam odiar a “Grobe”, mas esses mesmos “nerds em geopolítica” adoram procurar no YouTube a cobertura de grandes eventos nacionais e internacionais passados com a narração de Cid Moreira ou Celso Freitas. Apesar da oscilação nos termos a serem usados e do rabicho excessivo com a mídia anglo-saxã, a TV dos Marinho, pelo menos, consegue passar um mínimo de informação necessária sem ser partidária, seja exagerando na detração dos árabes e muçulmanos, seja culpando o “Ossidentx Mauvadaum” por todos os males do mundo. E por ser ainda a referência jornalística em língua portuguesa, certamente os vloggers do futuro vão procurar loucamente por estas pérolas pra jogar no YouTube. Segue a cobertura de todos os jornais, exceto o Hora 1 de hoje (10 de dezembro), capturada do Globoplay com a extensão Video Downloadhelper, que funciona (pelo menos) no Edge e no Chrome.

A evolução começa no Jornal Nacional de 7 de dezembro, quando o avanço ainda estava se dando, e bem no fatídico dia 8, um domingo, o Fantástico era o único programa jornalístico do dia. Mesmo ficando um arquivo muito pesado, fundi tudo o que se referia a uma mesma edição, apenas indicando cada fonte individual, e parei no Jornal Hoje deste dia 10, sem esperar “o Bonner e a Renata”. Perceba que em contraste com a intensidade da cobertura do dia 9, já há um “rescaldo” do assunto na manhã de hoje, tanto porque tem coisas que num certo momento “enjoam” o Homer Simpson quanto porque o noticiário tem sido preenchido pela hospitalização da Jararaca e dos sucessivos recordes batidos na cotação das “verdinhas”:



“Rebeldes extremistas chegam à terceira maior cidade da Síria e avançam em direção à capital”, Jornal Nacional, 7 de dezembro de 2024


“Ditador Bashar Al Assad fugiu da Síria depois que rebeldes extremistas tomaram Damasco”, Fantástico, 8 de dezembro de 2024


“Milhares de sírios que viviam no exílio voltam para o país depois da queda de Assad”, Jornal da Globo, 9 de novembro de 2024


“Rússia confirma que deu asilo a Bashar Al-Assad por razões humanitárias”, Hora 1, 9 de dezembro de 2024
(Nota pessoal: embora estejam abrigando um dos maiores assassinos da atualidade e tenham sido colaboradores de seus crimes, esses cachorros se recusaram a dar asilo pros refugiados sírios comuns, jogando todo o peso na Europa!)


“Festa e incerteza na Síria após queda de Bashar Al Assad”, Bom Dia Brasil, 9 de dezembro de 2024

“Refugiado sírio que mora no Brasil fala sobre expectativa após queda do regime Assad”, idem

“Itamaraty orienta brasileiros a buscarem orientações na embaixada em Damasco”, idem

“Rússia convoca Conselho de Segurança da ONU em meio à pressão por estabilidade na Síria”, idem

“Guga Chacra: cai ditadura sanguinária, mas futuro da Síria é incerto”, idem


“Sírios comemoram a queda do governo de Bashar al Assad” Jornal Hoje, 9 de dezembro de 2024

“Queda de ditador sírio Bashar al-Assad enfraquece Vladimir Putin”, idem

“Governo brasileiro retira funcionários da embaixada em Damasco, na Síria”, idem

“Conselho de Segurança da ONU vai se reunir nesta segunda para discutir situação na Síria”, idem

“Brasileiros na Síria relatam alívio e apreensão com a queda de Bashar al-Assad” idem


“Governos avaliam se reconhecem ou não transição na Síria com participação de terroristas”, Jornal Nacional, 9 de novembro de 2024

“Refugiados e brasileiros na Síria relatam misto de alívio com queda da ditadura e angústia sobre futuro”, idem


“Oliver Stuenkel analisa se o grupo que derrubou Assad tem condições de estabelecer um governo”, Jornal da Globo, 10 de dezembro de 2024


“Parentes buscam informações de sírios detidos em um dos presídios mais cruéis do regime Assad”, Bom Dia Brasil, 10 de dezembro de 2024

“Israel continua ataques na Síria e nega que Exército ultrapassou zona desmilitarizada ocupada”, idem


“Líderes europeus monitoram situação na Síria”, Jornal Hoje, 10 de dezembro de 2024

“Rebeldes escolhem primeiro-ministro interino para a Síria”, idem