quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Пусть всегда будет солнце (URSS ’62)


Link curto pra esta postagem: fishuk.cc/solntse

Esta é mais uma linda canção soviética, sem alusões partidárias ou doutrinárias, que clama pela paz no mundo e pela fraternidade entre os povos, atitudes naturalmente encontradas nas crianças. Ela tem letra de Lev Oshanin e melodia de Arkadi Ostrovski e foi lançada em 1962, conhecendo rápido sucesso também em países vizinhos. É uma pena que as ideias pregadas nem sempre tenham sido praticadas nem pelo governo soviético, nem pelos regimes ocidentais.

A letra foi inspirada num cartaz pintado por Nikolai Charukhin, que se chamava justamente “Пусть всегда будет солнце” (Pust vsegda budet solntse), Que sempre haja sol, o qual, por sua vez, foi inspirado numa quadrinha de Kostia Barannikov, publicada numa revista de psicologia infantil ainda em 1928 e reproduzindo o que uma criança pensava sobre a palavra “sempre”. A quadrinha, pois, virou o refrão da música.

Essa legendagem é dedicada às crianças que fogem das guerras na África e no Oriente Médio, e às vezes não sobrevivem pra contar história, ou filhas e filhos de imigrantes mal recebidos na Europa, e também, claro, às que ficam nos países de origem e são vítimas de todo tipo de barbárie. Não posso me esquecer da Ucrânia. Logo que baixei o vídeo pra legendar veio esse pensamento na cabeça, mas eu já conhecia a música há alguns anos, quando eu sequer imaginava que o mundo ia voltar a ficar desse jeito.

Eu baixei desta página o vídeo sem legendas, na qual não há mais informações sobre a transmissão, mas diz apenas que foi nos anos 1970. A letra em russo eu tirei desta página pra traduzir, tendo feito umas poucas mudanças, e logo depois legendei em português o vídeo. Segue abaixo a legendagem e as letras em russo e em português. No vídeo apenas a segunda estrofe não é cantada:


1. Солнечный круг, небо вокруг –
Это рисунок мальчишки.
Нарисовал он на листке
И написал подписал в уголке:

Припев (2x):
Пусть всегда будет солнце!
Пусть всегда будет небо!
Пусть всегда будет мама!
Пусть всегда буду я!

2. Милый мой друг, юный мой друг,
Людям так хочется мира!
И в тридцать пять, сердце опять
Не устаёт повторять:

(Припев 2x)

3. Тише солдат, слышишь солдат,
Люди пугаются взрывов.
Тысячи глаз в небо глядят,
Губы упрямо твердят:

(Припев 2x)

4. Против беды, против войны
Встанем за наших мальчишек.
Солнце навек, счастье навек –
Так повелел человек:

(Припев 2x)

____________________


1. O sol redondo, o céu em volta:
É o desenho de um menininho.
Ele desenhou numa folhinha
E escreveu num cantinho:

Refrão (2x):
Que sempre haja sol!
Que sempre haja céu!
Que sempre haja mãe!
Que sempre haja eu!

2. Meu jovem amigo, caro amigo,
As pessoas querem tanto paz!
E com 35 anos o coração de novo
Não se cansa de repetir:

(Refrão 2x)

3. Silêncio, soldado, escute,
As explosões assustam as pessoas.
Milhares de olhos se fixam no céu
E os lábios repetem obstinados:

(Refrão 2x)

4. Contra a desgraça e a guerra
Nos poremos por nossas crianças.
Sol e felicidade para sempre,
Assim ordenou o ser humano!

(Refrão 2x)



domingo, 16 de outubro de 2016

Nenhum outro homem (Никой друг)


Link curto para esta postagem: fishuk.cc/nikoidrug

Esta é uma canção da artista búlgara Andrea, gravada em 2013 e que se tornou na época um baita sucesso nos Bálcãs. Chama-se “Никой друг” (Nikoi drug), literalmente Ninguém mais ou Nenhum outro, subentendendo-se “nenhum outro homem”, pois a música trata de uma paixão tão forte que, por mais que a mulher tenha sido machucada pelo parceiro, ela não consegue se esquecer nem se separar dele.

Quem me apresentou por acaso essa canção foi uma garota búlgara de ascendência turca, com quem eu conversava pelo Facebook por volta de 2013, e por muitos anos a escutei sem saber o significado. Só há pouco tempo consegui achar algumas traduções em inglês, tcheco e servo-croata, com que cotejei minha tradução direta do búlgaro!

O nome real da artista Andrea é Teodora Rumenova Andreeva, ela nasceu em 1987 e além de pop-folk (que é um estilo bem notável nessa música, por conta dos instrumentos e da batida) ela também canta pop, dance e house. É muito célebre na Bulgária, concorreu várias vezes ao Eurovision e atua desde 2006, também fazendo duetos e gravações em grupo com outros artistas da região e de outros lugares. Além do próprio site oficial, ela tem também espaços nas redes sociais Facebook, Twitter, YouTube e Instagram.

Eu baixei desta página o vídeo sem legendas, e depois traduzi e legendei em português. Segue abaixo a legendagem, e em seguida as letras em búlgaro e em português:


Колко рани си оставил в мене,
Няма място виждаш ли?
Ако почна сега да броя
Колко пъти съм сама...
Нямат край!
А всеки път се лъжа отново
И всеки път боли, спри!
Ти признаваш и не, не, не, не...
И колкото те мразя,
Не мога с друг не!
Сърцето си не пазя
И мойто тяло не!

Няма да ти кажа не!
Лесно ми разбъркваш мислите!
С дрехите подобно е!
Зная махаш ги добре!

Колко пъти си забравял за мене?
Как се чувствам питаш ли?
Колко нощи приспивам с това,
Че не си ме пожелал!
Нямат край!
А всеки път се лъжа отново
И всеки път боли, спри!
Ти признаваш и не, не, не, не...
И колкото те мразя,
Не мога с друг не!
Сърцето си не пазя
И мойто тяло не!

Няма да ти кажа не!
Лесно ми разбъркваш мислите!
С дрехите подобно е!
Зная махаш ги добре!

____________________


Quantas feridas você me pôs,
Não há vazios, está vendo?
Se eu começo a contar agora
Há quanto tempo estou só...
Não tem fim!
E toda hora me iludo de novo
E dói o tempo todo, chega!
Você também não admite, não, não...
E por mais que eu te odeie,
Não posso estar com outro!
Não controlo meu coração
Nem meu corpo!

Nunca vou te dizer não!
Você tira fácil minhas rédeas!
Assim como minha roupa!
Sei como você a tira bem!

Há muito você me esqueceu?
Não quer saber como me sinto?
Quantas noites dormi pensando
Que você não me queria!
Incontáveis!
E toda hora me iludo de novo
E dói o tempo todo, chega!
Você também não admite, não, não...
E por mais que eu te odeie,
Não posso estar com outro!
Não controlo meu coração
Nem meu corpo!

Nunca vou te dizer não!
Você tira fácil minhas rédeas!
Assim como minha roupa!
Sei como você a tira bem!



quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Khruschov, Stalin e os sufixos do russo


Link curto pra esta postagem: fishuk.cc/sufixos



Este trecho de vídeo raro do líder soviético Nikita Khruschov elogiando seu antecessor Iosif Stalin, que ele terminou detratando no famoso 20.º Congresso do Partido Comunista da URSS, me pareceu no ano passado uma oportunidade pra comentar algo sobre a formação de adjetivos na língua russa por meio de sufixos.

O vídeo sem legendas está no canal YouTube do usuário Anatoli Ushakov, e infelizmente não consegui identificar a data exata, nem havia menção a ela no vídeo. Tempos depois encontrei o mesmo trecho num breve registro documental a respeito dos 70 anos de vida de Stalin (1949), com trechos esparsos de várias homenagens em russo à época, mas talvez ele possa também estar falando em 1936 ou 1937, não só pela qualidade da imagem, mas também porque ele fala da Constituição Soviética de 1936, chamada “Stalinskaia” (Сталинская), ou “de Stalin”, a qual consolidou o poder do georgiano na URSS. Além disso, há um trecho de discurso (áudio) de 1937, em que ele faz vastos elogios a Stalin e é febrilmente ovacionado. Não tenho certeza se se trata da mesma ocasião.

Na época não consegui transcrever o texto de ouvido porque o áudio é muito ruim, mas por sorte alguém postou em comentário o texto do que Khruschov falou, que consistia no seguinte, em alfabeto cirílico e em alfabeto latino no meu sistema de transliteração (a tradução se encontra apenas no vídeo):

“Главное, что нас привело к нашей сталинской конституции, – это наша большевистская ленинская-сталинская партия, это руководство нашего великого товарища Сталина!”

“Glavnoie, chto nas privelo k nashei stalinskoi konstitutsii, – eto nasha bolshevistskaia leninskaia-stalinskaia partia, eto rukovodstvo nashego velikogo tovarischa Stalina!”

Temos aqui um belo exemplo da plasticidade da morfologia russa. Ele usa o adjetivo “stalinski” (сталинский) (aqui na forma feminina “stalinskaia” (сталинская), porque é “a” constituição), que é a adição ao apelido Stalin do sufixo -ski (-ский), prolífico formador de adjetivos. Pode ser traduzido de várias formas, dependendo do contexto: “staliniano” ou apenas “de Stalin”. Acho que “stalinista” fica muito forçado, porque em geral é referência negativa feita por opositores.

Ele faz a mesma coisa com “Lenin” (Ленин) – “leninski” (ленинский), que pode ser traduzido como “leniniano”, “leninista” (neste caso não é forçado, porque naquela época tal forma já era corrente) ou “de Lenin”, como no caso de uma região de Moscou chamada “Leninskie gory” (Ленинские горы), “Colinas de Lenin” (ou mesmo apenas “Colinas Lenin”). Mas na fala de Khruschov há notável junção dos adjetivos em “leninskaia-stalinskaia partia” (ленинская-сталинская партия) como se fossem uma coisa só. Era comum essa referência a Lenin e Stalin como uma só entidade, como se usava em “partia Lenina-Stalina” (партия Ленина-Сталина), literalmente “partido de Lenin-Stalin”. Mas no geral traduzo separado: “partido de Lenin e Stalin”, como no vídeo, com “leninskaia-stalinskaia partia” (ленинская-сталинская партия).


É interessante lembrar que os próprios apelidos de Lenin e Stalin provêm de um sufixo que indica posse e forma adjetivos de pertencimento, também muito empregados como sobrenomes, tais como os nossos sobrenomes antecedidos de “do(s)”, “da(s)” ou “de”. Na língua russa literária são usados os sufixos -ов (-ov), -ев (-ev), -ин (-in) e -ын (-yn) como uma espécie de possessivo junto a qualquer substantivo, tal como o ’s inglês ou o caso genitivo do próprio russo (mas o adjetivo de posse vem antes do substantivo, e o atributo no genitivo, depois). -Ов e -ев se usam com nomes masculinos, -ин e -ын com nomes femininos ou com masculinos de final feminino (-a, -ia); -ев se usa após as chamadas “terminações brandas”, e -ын é mais raro, geralmente empregado apenas após Ц (TS).

O uso desses sufixos é mais comum nas línguas eslavas meridionais, como o sérvio: Titov govor (o discurso de Tito), Lukin album (o álbum do Luka). Em tcheco também se usa para formar sobrenomes de mulheres casadas a partir do sobrenome do marido, em procedimento semelhante ao costume argentino da mulher receber o sobrenome do marido precedido de “de”: Jan Blahuš > Jana Blahušová.

Em russo há mais em sobrenomes ou topônimos consagrados: Иванов (Ivanov, “Ivan”, “de Ivan” ou “dos Ivans”, a partir de Иван/Ivan), Гусев (Gusev, “Ganso” ou “do Ganso”, a partir de гусь/gus), Медведев (Medvedev, “Urso” ou “do Urso”, a partir de медведь/medved), Ленин (Lenin, a partir do rio siberiano Лена/Lena, onde o líder foi desterrado por anos), Сталин (Stalin, “de aço”, a partir de сталь/stal), Царицын (Tsaritsyn, antigo nome de Stalingrado/Volgogrado, relativo ao rio Царица/Tsaritsa, afluente do Volga e cujo nome teria origem túrquica, embora também signifique “tsarina”).

É mais raro com substantivos comuns: папин дом (papin dom, “a casa do pai”, a partir de папа/papa), дядин труд (diadin trud, “o esforço do tio”, a partir de дядя/diadia), дедов портрет (dedov portret, “o retrato do avô”, a partir de дед/ded), отцов характер (ottsov kharakter, “o caráter do pai”, a partir de отец/otets). É mais corrente em expressões consagradas: Христов день (Khristov den, “o dia de Cristo”, isto é, a Páscoa, a partir de Христос/Khristos, sem o -os), сукин сын (sukin syn, “filho da mãe”, a partir de сука/suka – cadela, vagabunda, vadia).

Para se referir a mulheres (com o sobrenome vindo do pai ou do marido) ou ao gênero feminino, basta acrescentar o -a: Иванова (Ivanova), Гусева (Guseva), Медведева (Medvedeva), папина жизнь (papina zhizn, “a vida do pai”), дедова жена (dedova zhena, “a esposa do avô”), Христова невеста (Khristova nevesta, “noiva de Cristo”, isto é, “freira” ou “solteirona”). Cumpre destacar que o gênero dos sufixos se refere ao substantivo originário, e não ao portador da palavra: “Guseva” é uma mulher, embora a palavra “gus” seja masculina e, por isso, receba -ev; “Stalin” é um homem, embora a palavra “stal” seja feminina e, assim, demande -in. Não vou abordar a declinação desses substantivos, que segue um paradigma especial, pois é um tema complexo que não cabe no escopo deste blog.



domingo, 9 de outubro de 2016

Dima Bilan – Поздравляю! (Parabéns!)


Link curto pra esta postagem: fishuk.cc/pozdravliaiu


Posso dizer que esse foi um dos “fiascos” do meu antigo canal no YouTube, pois embora eu tenha postado o vídeo no finzinho de dezembro de 2011, até o final ele teve um número de curtidas e visualizações que em nada equivaliam ao longo tempo de existência... Na verdade, só legendei porque eu precisava encher o canal, e eu já tinha trabalhado essa música no curso de russo da Unicamp no segundo semestre de 2007, então poupei um bom tempo.

Mas essa canção é mais antiga, foi gravada no álbum Na beregu neba de 2004 (faixa 14) pelo famoso cantor pop russo Dima Bilan, que acredito ser muito pouco conhecido no estrangeiro, em especial no Brasil. Ela se chama “Поздравляю!” (Pozdravliaiu!), palavra que literalmente significa “parabenizo” ou “congratulo”, mas em geral se usa como nossa expressão “parabéns!”, tanto em aniversários quanto em outras situações cotidianas. O álbum foi produzido por Iuri Aizenshpis, e o clipe por Georgi Toidze, dois produtores que em grande parte da carreira o acompanharam. Dima Bilan também canta em inglês, língua na qual até gravou três faixas bônus nesse álbum.

Na própria época meu professor de russo já achava “brega” o estilo e atuação daquele que nasceu Viktor Nikolaievich Belan em 1981 e mudou seu nome de registro para Dima Nikolaievich Bilan em 2008 (na língua russa oral, “Belán” se pronuncia “Bilán” mesmo), porque desde criança ele dizia preferir ser chamado de “Dima”, forma afetiva de Dmitri, nome de seu avô materno que ele tanto amava. Desde adolescente já estudava e lidava com música, mas fez uma formação específica apenas de 2000 (quando também começou a carreira profissional) a 2005, e entre clipes, shows e inúmeros álbuns viveu o ápice do sucesso na segunda metade dos anos 2000. Ganhou o concurso Eurovision em 2008 com a canção Believe, participou outras vezes antes e depois da vitória e promoveu também diversos projetos musicais com outros artistas na Rússia. Posicionou-se politicamente em vários momentos, apoiou a eleição de Putin em 2012, reprovou a manifestação das meninas do Pussy Riot numa igreja, mas foi contra sua prisão, e embora dissesse respeitar os direitos homoafetivos, apoiou a lei que proibia a “propaganda do homossexualismo” em 2013. O cantor possui também um site oficial.

Infelizmente não me lembro de que canal tirei o vídeo sem legendas, mas eu mesmo fiz a forma final da tradução e legendei, ainda naquela velha tecnologia do Movie Maker mesmo e sem seguir os padrões profissionais. Abaixo pode ser vista a legendagem e depois a letra em russo, sem a tradução escrita:


1. У тебя сегодня день рождения,
Любимая моя, и я тебе желаю
Чтобы всë-таки сбылись твои мечты
И всë, что хочешь ты, но я тебя теряю

Припев (Refrão):
Поздравляю с днëм рожденья тебя!
Умоляю, будь счастливей меня
И я знаю, не завянут цветы
Оставляю в сердце наши мечты

2. Ну, давай поговорим наедине
Ты подойди ко мне, ведь мы же не чужие
Расскажи мне, почему же вышло так
Ну, вроде бы пустяк, а мы совсем другие

Я бессмысленно меняю города
Меняю имена, и жизнь свою меняю
Расскажи мне, почему же вышло так
Ну, вроде бы пустяк, а я тебя теряю

(Припев/Refrão 2x)

3. В небе полуночная звезда
Может быть, укажет мне дорогу
Знаю я никто и никогда
Не любил тебя так сильно
Не любил тебя

(Припев/Refrão)

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Эшелонная (Canção sobre Voroshilov)


Link curto pra esta postagem: fishuk.cc/echelon

Eu traduzi e legendei esta canção há muito tempo já, no final de dezembro de 2011. Em russo ela se chama “Эшелонная песня” (Eshelonnaia pesnia), ou só “Эшелонная”, que significam Canção do Echelon, também conhecida como “Песня о Ворошилове” (Pesnia o Voroshilove), Canção sobre/para Voroshilov, ou “Боевая красногвардейская” (Boievaia krasnogvardeiskaia), (Canção) de guerra dos guardas vermelhos. Foi composta em 1933 por Aleksandr Aleksandrov (melodia) e Osip Kolychev (letra), dedicada ao famoso marechal da URSS Kilment Voroshilov.

Uma das muitas canções populares lembrando a Guerra Civil Russa (1918-1920), ela trata do que é chamado em inglês railway warfare, e em russo eshelonnaia voina, isto é, a condução e provimento da guerra com amplo papel dos trens (“escalões” de trens, ou “echelons”, palavra de origem francesa) em territórios isolados e com difícil acesso a necessidades básicas. Essa estratégia, essencial no conflito russo, teve lugar em especial na Batalha de Tsaritsyn (1918), quando, segundo a historiografia soviética, Voroshilov e Stalin se tornaram amigos. Vale lembrar que Tsaritsyn, famosa cidade às margens do rio Volga, foi chamada de Stalingrado entre 1925 e 1961, e em 1962 passou a se chamar Volgogrado. A melodia, primeiramente acelerando e aumentando de volume, e depois desacelerando e diminuindo de volume, foi feita justamente para lembrar o som das locomotivas.

Kliment Iefremovich Voroshilov (1881-1969), famoso e heroico marechal soviético, atuou nas duas Guerras Mundiais, na Guerra Civil Russa ao lado dos bolcheviques, na Guerra Russo-Polonesa em 1919-21 e na Guerra de Inverno contra a Finlândia em 1939-40. Foi Comissário do Povo (Ministro) para a Defesa soviético de 1925 a 1940, teve significativo papel nos expurgos de fins dos anos 1930 e também seria Presidente do Presidium do Soviete Supremo da URSS de 1953 a 1960, sendo citado em muitas canções populares da época, entre elas a célebre “Жить стало лучше” (Zhit stalo luchshe), A vida melhorou, ponto alto da propaganda stalinista já publicado aqui. Caído em desgraça durante a era Khruschov, voltou à atividade política sob Brezhnev até morrer, tendo a famosa cidade ucraniana de Luhansk até mesmo se chamado de “Voroshilovgrad” por dois breves períodos.

Antes de escrever esta postagem, não cheguei a fazer uma revisão da tradução, mas apenas o texto apresentado acima, e por isso abaixo segue apenas a letra em russo, devendo ser lida no vídeo a letra em português. Provavelmente eu baixei o áudio no famoso site SovMusic.ru, de onde tirei várias canções nos primeiros tempos do canal. Como se pode notar, o design do vídeo corresponde bem à fuleiragem de minhas estreias, mas descontado o áudio chato, a música agrada bem por ter um caráter bem típico da cultura russa:


Эшелон за эшелоном,
Эшелон за эшелоном,
Путь-дорога широка...

Командарм велел – и точка!
Машет беленьким платочком
Дона синяя рука.
Командарм велел – и точка!
Машет беленьким платочком
Дона синяя рука.

Нас с тобою, Ворошилов,
Жизнь походная сдружила,
Вместе в бой летали вскачь.

Вспоминает враг с тоскою
Бой под Белой Калитвою,
Бой под станцией Калач!
Вспоминает враг с тоскою
Бой под Белой Калитвою,
Бой под станцией Калач!

За Царицын, за Царицын
Дни и ночи будем биться,
Пики с пиками скрестя,

И не смыть ее дождями,
На бугре и в волчьей яме –
Кровь рабочих и крестьян!
И не смыть ее дождями,
На бугре и в волчьей яме –
Кровь рабочих и крестьян!

Командарм велел – и точка!
Машет беленьким платочком
Дона синяя рука.

Эшелон за эшелоном,
Эшелон за эшелоном,
Путь-дорога широка...
Эшелон за эшелоном,
Эшелон за эшелоном,
Путь-дорога широка...



Voroshilov está no canto direito da foto. Simplões esses bolcheviques!

domingo, 2 de outubro de 2016

Hino do Partido Comunista da URSS


Link curto para esta postagem: fishuk.cc/hino-pcus

Esta canção foi composta em 1938 por dois senhores russos já muito conhecidos em nosso blog, Aleksandr Aleksandrov (melodia) e Vasili Lebedev-Kumach (letra), por ocasião do 18.º Congresso do partido comunista soviético, que ocorreria em março de 1939. Sua introdução foi baseada em outra canção de propaganda dos mesmos autores, Zhit stalo luchshe (já publicada aqui também), e foi por eles denominada “Песня о партии” (Pesnia o partii), Canção sobre o partido, recebendo um ritmo de marcha militar. Porém, o próprio Stalin aconselhou que a execução fosse feita no ritmo de um hino solene e que a música se chamasse Hino do partido bolchevique, condição que na verdade ela não ocupava oficialmente, tendo sido a Internacional em russo (ouça aqui a música) aprovada como hino partidário em 1943 após seu uso como hino soviético desde 1918.

Sergei Mikhalkov, um dos compositores da letra do Hino Nacional da URSS que seria adotado em 1943, admitiu que a Canção sobre o partido teve influência nessa encomenda, a qual aproveitou dela a primeira estrofe e a estrutura musical quase inteira, também composta por Aleksandrov. Como sabemos, o hino soviético ganhou uma nova letra em 1977 e a melodia foi novamente adotada para o Hino Nacional da Rússia em 2000, o qual, portanto, tem como raiz distante este hino dos bolcheviques. Por isso, a canção postada aqui hoje, embora não tenha nenhum emprego institucional atual, é um monumento muito interessante da história cultural russa e comunista.

Eu fiz esta tradução e legendagem há muito tempo, em 2011, e o vídeo sem legendas está nesta página. Fiz a tradução da letra e depois legendei, como pode ser visto abaixo. Segue depois a letra em russo, sem a tradução escrita, que pode ser lida nas legendas:



1. Страны небывалой свободные дети,
Сегодня мы гордую песню поём
О партии самой могучей на свете,
О самом большом человеке своём.

Припев (Refrão):
Славой овеяна, волею спаяна,
Крепни и здравствуй во веки веков
Партия Ленина, партия Сталина
Мудрая партия большевиков!

2. Страну Октября создала на земле ты
Могучую Родину вольных людей.
Стоит как утёс государство Советов,
Рождённое силой и правдой твоей.

(Припев/Refrão)

3. Изменников подлых гнилую породу
Ты грозно сметаешь с пути своего.
Ты гордость народа, ты мудрость народа,
Ты сердце народа и совесть его.

(Припев/Refrão)

4. И Маркса и Энгельса пламенный гений
Предвидел коммуны грядущий восход.
Дорогу к свободе наметил нам Ленин
И Сталин великий по ней нас ведёт.

(Припев/Refrão)



quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Батарейка (Bateria), rock russo (1999)


Endereço curto: fishuk.cc/batareika


Esta linda canção romântica foi gravada pela banda russa Zhuki em 1999 e composta pelo seu fundador, Valeri Petrovich Zhukov, conhecido músico moderno atuante desde a dissolução da União Soviética. O nome da música é “Батарейка” (Batareika), que pode significar “pilha” ou “bateria”, mas em todo caso o termo é uma metáfora contemporânea que alude ao esgotamento de um amor para o qual não há mais volta (“acabou a bateria do nosso amor”). A banda de rock Zhuki, liderada por Zhukov desde o início, foi fundada em 1991, mas só gravou seu primeiro álbum em 1999, chamado justamente Batareika e que lhe deu fama em toda a Rússia. Desde os anos 2000, vários outros álbuns foram gravados.

As meninas russas do vídeo, que têm um canal no YouTube chamado “3/4”, são bem jovenzinhas, “musicando” por amor e prazer, elas postam vídeos sem compromisso ou ambição, apenas como lazer, e cantam e tocam violão muito bem, com uma clara e bonita pronúncia da língua russa, o que as torna um ótimo material ao estudante estrangeiro.

Eu tirei a letra em russo desta página e baixei o vídeo das meninas, sem legendas, deste endereço. Depois traduzi a letra e com o texto, sem alterações, fiz a legenda, que pode ser vista abaixo, seguida dos textos em russo e português (tradução não totalmente literal):


Холодный ветер с дождём
Усилился стократно,
Всё говорит об одном,
Что нет пути обратно.
Что ты не мой лопушок,
А я не твой Андрейка,
Что у любви у нашей
Села батарейка.

О-о-и-я-и-ё батарейка,
О-о-и-я-и-ё батарейка.

Я тосковал по тебе
В минуты расставанья,
Ты возвращалась ко мне
Сквозь сны и расстоянья.
Но несмотря ни на что
Пришла судьба-злодейка,
И у любви у нашей
Села батарейка.

О-о-и-я-и-ё батарейка,
О-о-и-я-и-ё батарейка.

И вроде, всё как всегда,
Всё те же чашки-ложки,
Всё та же в кране вода,
Всё тот же стул без ножки.
И всё о том же с утра
Щебечет канарейка,
Лишь у любви у нашей
Села батарейка.

О-о-и-я-и-ё батарейка,
О-о-и-я-и-ё батарейка.
О-о-и-я-и-ё батарейка,
О-о-и-я-и-ё батарейка.

____________________


O vento frio com chuva
Aumentou cem vezes,
Tudo mostra somente
Que não tem mais volta.
Você não é minha florzinha
E eu, não seu Andrezinho,
Que acabou a bateria
Do nosso amor.

Ô, ô, iá, iô... bateria,
Ô, ô, iá, iô... bateria.

Eu tinha saudades suas
Na hora da separação,
Você voltava pra mim
Em sonhos e ao longe.
Mas apesar de tudo
O destino foi malvado
E esvaziou a bateria
Do nosso amor.

Ô, ô, iá, iô... bateria,
Ô, ô, iá, iô... bateria.

Parecem estar como antes
O mesmo conjunto de chá,
A mesma água na torneira,
A cadeira sem uma perna.
E desde manhã sobre isso
Ainda canta o canarinho,
Apenas que o nosso amor
Está sem bateria.

Ô, ô, iá, iô... bateria,
Ô, ô, iá, iô... bateria.
Ô, ô, iá, iô... bateria,
Ô, ô, iá, iô... bateria.

Adendo (29/8/2025): Nesta edição de ontem de um programa matinal de variedades da televisão da Gagaúzia, região da Moldova de maioria túrquica ortodoxa e muito ligada à Rússia, mostra-se um acampamento de verão pra adolescentes. Boa parte da população da região fala russo, língua usada na maior parte do programa e pelos três adolescentes entrevistados no estúdio. Só por curiosidade, resolvi colocar este trecho com um deles, identificado como Vladimir Dobrovolski, tocando no violão Batareika (primeira estrofe e refrão), uma das músicas que eles dizem gostar de cantar no acampamento:


domingo, 25 de setembro de 2016

Жить стало лучше (A vida melhorou)


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Fala-se muito da propaganda soviética sob o governo de Iosif Stalin, mas pouco se conhecem no Brasil os materiais videográficos a respeito. Nos últimos anos, esperei ter suprido algo dessa falta, tendo postado em meu antigo canal do YouTube vários documentários, mais ou menos curtos, sobre a vida da época ou figuras comunistas quase mitológicas, como Vladimir Lenin. Uma das canções mais interessantes então produzidas, que cantava os presumidos feitos da era staliniana, era “Жить стало лучше” (Zhit stalo luchshe), A vida ficou melhor ou A vida melhorou, ou se queremos ser mais literais, “Viver ficou melhor”. Ela foi composta em 1936 por duas pessoas que conhecemos bem aqui no blog como trovadores da “edificação socialista”, Aleksandr Aleksandrov (melodia) e Vasili Lebedev-Kumach (letra), o primeiro por ter composto a melodia do hino soviético, e o segundo por ter escrito poemas e canções que estão entre os mais conhecidos dos nostálgicos ou especialistas da URSS fora da Rússia.

Esta peça soviética de propaganda estatal aludindo aos supostos progressos humanos e sociais da era Stalin nos anos 1930 teve o título inspirado numa frase de discurso do líder, pronunciado a 17 de novembro de 1935 por ocasião da 1.ª Conferência de Trabalhadores e Trabalhadoras Stakhanovistas. Na ocasião, o georgiano disse o seguinte: “Жить стало лучше, товарищи. Жить стало веселее. А когда весело живётся, работа спорится” (A vida ficou melhor, camaradas. A vida ficou mais alegre. E quando se vive feliz, disputa-se no trabalho). Muitos interpretaram o dito como um “humor negro” por ter sido pronunciada pouco antes de se chegar ao pico da repressão em massa, enquanto Stalin teria lhe dado um “otimismo mentiroso” por tentar ocultar as penúrias que grande parte do povo ainda passava.

Para todos os efeitos, tendo a expressão caído na boca do povo por causa da ampla difusão impressa que tinham os discursos de Stalin (e ela é popular ainda hoje, sob muitas variantes, algumas até mesmo irônicas), surgiu a canção aqui legendada, e cuja melodia, de quebra, ainda inspiraria o futuro hino do partido comunista soviético, composto pelos mesmos autores em 1939, este servindo de base, por sua vez, ao hino nacional de 1944 a 1991 (sem letra a partir de 1956 e com letra modificada a partir de 1977) e novamente ao hino da Rússia a partir de 2000. Parece que Aleksandrov gostava de reciclar suas obras, não?... Na letra é citado Kliment Iefremovich Voroshilov, Comissário do Povo (Ministro) para a Defesa soviético de 1925 a 1940, que teve significativo papel nos expurgos de fins dos anos 1930 e também seria Presidente do Presidium do Soviete Supremo da URSS de 1953 a 1960. Aqui mesmo no blog, o célebre trecho com Stalin pode ser assistido e lido em russo e português nesta postagem, na qual há também informações sobre o stakhanovismo.

O vídeo abaixo também foi uma de minhas primeiras legendagens e fez muito sucesso entre os amantes brasileiros da URSS nas redes sociais, mas só agora estou postando no blog. Eu traduzi a letra diretamente do russo, baixei o vídeo sem legendas desta página e então legendei com a primária técnica do Windows Movie Maker, sem grande respeito pelos padrões de legendagem. Nesta página também pode ser baixada a mesma versão em áudio que aparece no vídeo e ser lida a letra, que em todo caso também postei depois do vídeo, sem acompanhá-la da tradução:


Звонки как птицы, одна за другой,
Песни летят над советской страной,
Весел напев городов и полей –
Жить стало лучше, жить стало веселей!
Весел напев городов и полей –
Жить стало лучше, жить стало веселей!

Дружно страна и растёт и поёт,
С песнею новое счастье куёт.
Глянешь на солнце – и солнце светлей.
Жить стало лучше, жить стало веселей!
Глянешь на солнце – и солнце светлей.
Жить стало лучше, жить стало веселей!

Знай, Ворошилов, мы все начеку,
Пяди земли не уступим врагу
Силушка есть у отцов и детей.
Жить стало лучше, жить стало веселей!
Силушка есть у отцов и детей.
Жить стало лучше, жить стало веселей!

Хочется всей необъятной страной
Сталину крикнуть “Спасибо, Родной!”
Долгие годы живи, не болей
Жить стало лучше, жить стало веселей!
Долгие годы живи, не болей
Жить стало лучше, жить стало веселей!

Звонки как птицы, одна за другой,
Песни летят над советской страной,
Весел напев городов и полей –
Жить стало лучше, жить стало веселей!
Весел напев городов и полей –
Жить стало лучше, жить стало веселей!

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Катюша (Katiusha) – canção soviética


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Uma das canções russas mais populares do mundo, “Катюша” (Katiusha), isto é, forma afetiva de Katia, por sua vez forma reduzida de Ekaterina, foi considerada em 2015, segundo pesquisa da revista de sociologia Russki reportior, a 13.ª composição poética mais popular da Rússia, alocando-a também como um clássico universal. Ela foi composta em 1938 por Matvei Blanter (melodia) e Mikhail Isakovski (letra), tendo sido estreada mais provavelmente em 27 de novembro de 1939, na voz de Valentina Batischeva cantando na Sala das Colunas da Casa dos Sindicatos, mas segundo outras fontes os primeiros cantores foram Vera Krasovitskaia, Georgi Vinogradov (o que canta no vídeo) e Vsevolod Tiutiunnik em 28 de novembro de 1938.

Nas décadas seguintes, a canção seria cantada por muitos outros artistas, inclusive nosso famoso Eduard “Trololo” Khil. Ela homenageia o sofrimento das jovens esposas de soldados de fronteira que vão defender o país de invasões estrangeiras, mas o tema não se limita à proximidade da 2.ª Guerra Mundial, quando a música se difundiu ainda mais, pois ele está presente em todas as culturas, em todas as nações. Foi traduzida para inúmeras línguas, especialmente no contexto da resistência militar antifascista, e além de figurar em filmes também foi cantada ou conhecida com outras versões de algumas estrofes. Muitas paródias também foram feitas, usos da melodia em composições musicais ou televisivas e ainda popularização em festivais, torcidas organizadas etc.

Matvei Isaakovich Blanter (1903-1990) foi um compositor laureado com o Prêmio Stalin em 1946 e como Artista Popular da URSS em 1975. Filho de atriz, já cantava desde criança, fez depois estudos superiores em teoria musical e composição e se tornou diretor de setores musicais de vários teatros. Abraçou o estilo “realista socialista” nos anos 1930 e progressivamente granjeou fama como um dos maiores compositores da URSS, também pertencendo à União dos Compositores e sendo um antissionista militante. Mikhail Vasilievich Isakovski (1900-1973), laureado com o Prêmio Stalin em 1943 e 1949 e membro do partido comunista desde 1918, nasceu em pobre família camponesa, tendo estudado com muito custo, mas ótimos resultados, trabalhado em jornais e publicado poesias, em especial para músicas. Seguiu escrevendo muitos livros, traduziu poetas belarussos, canções populares sérvias e parte da obra de Taras Shevchenko, além de ser esperantista habilidoso e apaixonado.

A legendagem da canção, que segue abaixo, foi um dos primeiros vídeos de meu antigo canal do YouTube e sempre foi um dos mais vistos e curtidos, mas só agora estou publicando na página, após ter refeito a descrição no próprio canal, a qual serviu mesmo de base para esta postagem. Fiz uma montagem com a execução de Vinogradov, colocando várias imagens relativas a moças camponesas e soldados no front, mas tudo com a fuleira tecnologia do Windows Movie Maker e, é claro, sem a menor noção de gráfica ou de padrões para legendas. Eu tirei o áudio desta página, cujo link para baixar está perto da palavra “Скачать”, e lá mesmo pode-se ter acesso à letra da canção clicando em “Текст”. Em todo caso, após o vídeo, inseri também a letra em russo dessa versão mais célebre:



Adendo (4/3/2018): Em novembro de 2017, fiz uma nova tradução, mais abreviada e mais moderna, da canção Katiusha e legendei três vídeos com o texto, pelos padrões profissionais da legendagem. Trata-se, respectivamente, da cantora Katerina Zolotar, de uma garotinha anônima do Coral Cossaco de Kuban e da cantora Ielena Vaienga, intepretando em diversas ocasiões. Seguem as três novas legendas naquela ordem mencionada, e o texto escrito dessa nova versão:




Расцветали яблони и груши,
Поплыли туманы над рекой.
Выходила на берег Катюша,
На высокий берег, на крутой.

Выходила, песню заводила
Про степного, сизого орла,
Про того, которого любила,
Про того, чьи письма берегла.

Ой ты, песня, песенка девичья,
Ты лети за ясным солнцем вслед.
И бойцу на дальнем пограничье
От Катюши передай привет.

Пусть он вспомнит девушку простую
И услышит, как она поёт,
Пусть он землю бережёт родную,
А любовь Катюша сбережёт.

Расцветали яблони и груши,
Поплыли туманы над рекой.
Выходила на берег Катюша,
На высокий берег, на крутой.
Выходила на берег Катюша,
На высокий берег, на крутой...

____________________


Floresciam macieiras e pereiras,
Pairavam névoas sobre o rio.
Katiusha saía para a margem,
Para a margem alta e íngreme.

Ela saía entoando uma canção
Sobre a águia cinza da estepe,
Sobre aquele que ela amava
E cujas cartas ela guardava.

Ó, cançãozinha de donzela,
Voe em busca do Sol claro,
Ao lutador na distante fronteira
Mande lembranças de Katiusha.

Lembre-se ele da moça simples,
Que ele escute o canto dela,
Que ele guarde a terra natal
E Katiusha guarde seu amor.

Floresciam macieiras e pereiras,
Pairavam névoas sobre o rio.
Katiusha saía para a margem,
Para a margem alta e íngreme.
Katiusha saía para a margem,
Para a margem alta e íngreme...


Adendo (4/6/2023): E lá vem mais uma novidade! Alguns anos atrás (2021, no mais tardar), decidi fazer duas traduções poéticas em português da canção Katiusha, talvez sendo minha intenção inicial legendar no Pan-Eslavo Brasil. Lembro-me de ter mandado pra algumas pessoas que acharam as duas versões ótimas, mas nunca pensei em publicar em outras páginas nem em revistas artísticas ou acadêmicas. Assim, finalmente decidi inseri-las aqui, pra quem tiver curiosidade, sendo a primeira versão a mais literal possível, apenas rimando os versos pares de cada estrofe, e na segunda versão rimei (nem sempre perfeitamente) versos pares com pares, e ímpares com ímpares. Um dos versos tem outra alternativa que parece possível:

Floresciam peras e macieiras,
Flutuava a névoa sobre o rio,
Para a margem acorreu Katiusha,
Margem alta, íngreme subiu.
[Para a margem íngreme subiu.]

Acorreu cantarolando versos
Sobre a águia cinza do interior,
Sobre aquele que mandava cartas,
Para quem guardou completo amor.

Ó, canção, ó canto de mocinha,
Voe logo em direção ao Sol,
E àquele que luta na fronteira
Dê lembranças da Katiusha só.

Que ele se recorde da brejeira
E que ao longe escute seu cantar,
Que defenda a Pátria em perigo
E Katiusha queira sempre amar.

____________________


Peras e maçãs entre as folhagens,
Névoa flutuando sobre o rio
E Katiusha dirigiu-se à margem,
Margem alta, íngreme subiu.
[Para a margem íngreme subiu.]

Foi cantarolando serenatas
Sobre a águia cinza do interior,
Sobre aquele que mandava cartas,
Para quem guardou completo amor.

Canto, ó, canção de rapariga,
Voe logo em direção ao Sol,
E ao que bate o invasor perigo
Dê lembranças da Katiusha só.

Que ele se recorde da brejeira
E que ao longe escute seu cantar,
Que defenda a Pátria na fronteira
E Katiusha queira sempre amar.

domingo, 18 de setembro de 2016

Discursos de Stalin (excertos, 1943-44)


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Este vídeo contém trechos dos informes do líder soviético Iosif Stalin a duas sessões solenes do Soviete de Moscou de Deputados Trabalhadores com organizações partidárias e sociais da cidade de Moscou, uma de 6 de novembro de 1943, e a outra de 6 de novembro de 1944, ou seja, em plena Segunda Guerra Mundial. Stalin informa aos presentes as últimas e principais conquistas na expulsão dos nazistas do território pátrio e preconiza novos e maiores avanços do Exército Vermelho contra os invasores. Os textos integrais dos informes foram publicados nas edições do jornal Pravda do dia seguinte a cada sessão, e as derrotas de Hitler são o tema central.

Dentro das Obras completas de Stalin, os dois informes completos em russo podem ser lidos no tomo 15, editado em Moscou pela Pisatel em 1997, às pp. 162-174 (texto de 1943) e 192-203 (texto de 1944). O título original deles é “Doklad na torzhestvennom zasedanii Moskovskogo Soveta deputatov trudiaschikhsia s partiinymi i obschestvennymi organizatsiami goroda Moskvy, 6 noiabria 1943/1944 goda”. Eu traduzi os textos diretamente do russo e então legendei, tendo baixado o vídeo de 1943 desta página, e o de 1944, cujo áudio está bem pior, desta página. Uni os dois vídeos num só e ele pode ser visto abaixo, seguido dos trechos em russo dos discursos (em português, só nas legendas):


Para facilitar a leitura, coloquei os numerais por extenso e indiquei onde deve ser lida a letra Ё (io):


1943: Истекший год – от 25-й (двадцать пятой) до 26-й (двадцать шестой) годовщины Октября – является переломным годом Отечественной войны. Этот год был переломным прежде всего потому, что в этом году Красной Армии впервые за время войны удалось осуществить большое летнее наступление против немецких войск, причём немецко-фашистские войска под ударами наших войск оказались вынужденными поспешно оставлять захваченную ими территорию, нередко спасаться бегством от окружения и бросать на поле боя большое количество техники, складов вооружения и боеприпасов, раненых солдат и офицеров. Теперь, когда Красная Армия, развивая успехи зимней кампании, нанесла немецким войскам могучий удар летом, можно считать окончательно похороненной басню о том, что Красная Армия неспособна будто бы вести успешное наступление в летнее время. Истекший год показал, что Красная Армия так же хорошо может наступать летом, как и зимой.

1944: Решающие успехи Красной Армии в этом году и изгнание немцев из пределов Советской земли были предрешёны рядом сокрушительных ударов наших войск по немецким войскам, начатых ещё в январе этого года и развёрнутых затем в течение всего отчётного года. Первый удар был нанесён нашими войсками в январе этого года под Ленинградом и Новгородом, когда Красная Армия взломала долговременную оборону немцев и отбросила их в Прибалтику. Результатом этого удара оказалось освобождение Ленинградской области.