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4 de julho de 2018

Hino do México: sua origem e tradução


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O Hino Nacional Mexicano se fixou em 1943, mas a letra de Francisco González Bocanegra (1824-1861) é de 1853, e a melodia de Jaime Nunó Roca (1824-1908), de 1854. Embora fosse usado desde então, adotou-se apenas por decreto do presidente Manuel Ávila Camacho (1897-1955), que governou em 1940-46 e reverteu traços socializantes e anticlericais da Revolução Mexicana. Também chamado Mexicanos, al grito de guerra (a primeira estrofe), o texto grande tem refrão e 10 estrofes, mas hoje só se cantam as estrofes 1, 5, 6 e 10.

O Hino Nacional Mexicano é um dos três símbolos pátrios, junto com a bandeira e o brasão, e desde 1984 o uso é regulado por secretaria especial. Nesse ano, também se fixaram as quatro estrofes correntes, tendo Ávila Camacho já mandado cortar em 1943. Contudo, ainda se publicaram então todas as 10 estrofes, e houve a redução porque o poema aludia a Antonio López de Santa Anna (1794-1876), ditador do México na época da composição. Político controverso, o militar Santa Anna ocupou a presidência várias vezes, em horas pontuais de crise política e econômica, foi ditador e teve outros cargos.

Nos primeiros anos após a independência (1821), a adoção de um hino nacional não foi preocupação dos nacionalistas mexicanos. Os presidentes e vice-presidentes mandavam tocar em eventos oficiais marchas e melodias que fossem do próprio agrado. Nos anos de 1840, fizeram-se várias propostas informais e concursos de escolha, mas nenhum texto obtinha sucesso geral, num clima de derrota e desonra após a guerra contra os EUA de 1846 a 1848. O país perdeu então metade de seu território, e diz-se que a indignação teria sido um dos motivos do ditador Santa Anna ter chamado novo concurso. Finda a ditadura, os sucessores imediatos recusaram o novo hino, e os autores caíram no anonimato, mas aos poucos entrou no gosto popular.

Ao mesmo tempo, outras canções serviam de hino nacional, inclusive satíricas, enquanto os liberais da metade do século 19 preferiam A Marselhesa. Porém, Mexicanos, al grito de guerra gradualmente se firmou nos arroubos patrióticos, e já durante a revolução de 1910 era chamado Hino Nacional Mexicano, mesmo não oficial. Na década de 1900, inclusive, Nunó Roca (então cidadão dos EUA vivendo em Nova York) e os descendentes de González Bocanegra receberam tardia compensação financeira. Após polêmicas sobre direitos autorais, a composição passou a domínio público em 2008, mas muitos ainda criticam o tom bélico demais ou o suposto caráter de direita (por ter surgido sob o odiado Santa Anna). Mesmo assim, volta e meia a mídia afirma, sem provar com fatos, que o hino nacional do México seria considerado um dos mais belos do mundo.

O poema do hino foi traduzido pra diversas línguas indígenas locais, mas apenas algumas versões foram sancionadas pelo governo. Desde 2005 seu ensino em todos os níveis escolares é obrigatório, e por isso um concurso anual escolhe a melhor interpretação por corais infantis. Eu baixei o vídeo sem legendas do canal do coral que venceu o 31.º concurso em 2013, e nesta página há outra bela montagem legendada em espanhol e inglês. E apesar do áudio ruim, vocês podem conhecer ainda, com legendas em espanhol, a versão original de 10 estrofes. Eu mesmo traduzi direto do espanhol e legendei: a tradução não é literal, pois a linguagem do poema é muito formal e arcaica, e muitos termos são usados em sentido figurado. Seguem a legendagem que postei no meu canal Eslavo (YouTube), o texto em espanhol e a tradução:


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Estribillo:
Mexicanos, al grito de guerra
El acero aprestad y el bridón;
Y retiemble en sus centros la tierra
Al sonoro rugir del cañón,
Y retiemble en sus centros la tierra
Al sonoro rugir del cañón.

1. Ciña ¡Oh Patria! tus sienes de oliva
De la paz el arcángel divino,
Que en el cielo tu eterno destino
Por el dedo de Dios se escribió.
Mas si osare un extraño enemigo
Profanar con su planta tu suelo,
Piensa ¡Oh Patria querida! que el cielo
Un soldado en cada hijo te dio,
Un soldado en cada hijo te dio.

(Estribillo)

2. ¡Guerra, guerra sin tregua al que intente
De la patria manchar los blasones!
¡Guerra, guerra! los patrios pendones
En las olas de sangre empapad.
¡Guerra, guerra! en el monte, en el valle,
Los cañones horrísonos truenen
Y los ecos sonoros resuenen
Con las voces de ¡Unión! ¡Libertad!,
Con las voces de ¡Unión! ¡Libertad!

(Estribillo)

3. Antes, Patria, que inermes tus hijos
Bajo el yugo su cuello dobleguen,
Tus campiñas con sangre se rieguen,
Sobre sangre se estampe su pie.
Y tus templos, palacios y torres
Se derrumben con hórrido estruendo,
Y sus ruinas existan diciendo:
De mil héroes la patria aquí fue,
De mil héroes la patria aquí fue.

(Estribillo)

4. ¡Patria! ¡Patria! tus hijos te juran
Exhalar en tus aras su aliento,
Si el clarín con su bélico acento
Los convoca a lidiar con valor.
¡Para ti las guirnaldas de oliva!
¡Un recuerdo para ellos de gloria!
¡Un laurel para ti de victoria!
¡Un sepulcro para ellos de honor!,
¡Un sepulcro para ellos de honor!

(Estribillo)

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Refrão:
Mexicanos, ao grito de guerra
Preparem a espada e o cavalo;
E que o centro da terra tremule
Sob o rugido sonoro do canhão,
E que o centro da terra tremule
Sob o rugido sonoro do canhão.

1. O arcanjo divino da paz ponha
Oliveiras em sua testa, ó Pátria,
Pois no céu o dedo de Deus
Escreveu seu eterno destino.
Mas se um inimigo externo ousar
Profanar seu solo com os pés,
Pense, Pátria querida, que o céu
Deu-lhe um soldado em cada filho,
Deu-lhe um soldado em cada filho!

(Refrão)

2. Muita guerra cruel a quem tentar
Manchar os renomes da pátria!
Muita guerra, e ondas de sangue
Encharquem as bandeiras pátrias!
Muita guerra no monte, no vale,
Retumbem os terríveis canhões
E ressoem os ecos altissonantes
Com vozes de União e Liberdade,
Com vozes de União e Liberdade!

(Refrão)

3. Antes que seus filhos desarmados
Baixem a cabeça perdendo, Pátria,
Que suas lavouras recebam sangue
E os pés deles estampem o sangue.
Se os templos, palácios e torres
Desabarem sob horrível estrondo,
Que as ruínas persistam dizendo:
Aqui foi a pátria de mil heróis,
Aqui foi a pátria de mil heróis.

(Refrão)

4. Ó Pátria, seus filhos lhe juram
Deixar a vida em seus altares
Se o clarim com acorde bélico
Convocá-los a valoroso combate!
Grinaldas de oliveira para você,
Lembranças gloriosas para eles!
Os louros da vitória para você,
Um sepulcro honroso para eles,
Um sepulcro honroso para eles!

(Refrão)