terça-feira, 8 de setembro de 2020

Música traduzida de Peppino Di Capri


Link curto pra esta publicação: fishuk.cc/peppino1


Estou trazendo aqui as três primeiras traduções e legendagens que fiz de canções interpretadas pelo astro italiano Peppino Di Capri, em 2019 e neste ano. Os três vídeos seguem o modelo que chamo de “legendas duplas”, trazendo ao mesmo tempo o texto em italiano e, embaixo, a tradução em português. É uma ótima oportunidade pra ver cada vídeo duas vezes, sobretudo pra quem estuda italiano!

Giuseppe Faiella nasceu em 1939 na cidade de Capri, próxima de Nápoles, e começou sua carreira em 1956, adotando mais tarde o nome artístico Peppino Di Capri (“Peppino” é apelido de “Giuseppe”, como “Zé” ou “Zezinho” é de “José”). Pianista, consagrou-se nos anos 60, incursionou pela música leve, pelo twist e pela canção napolitana, em cuja língua gravou várias faixas, e acumulou 54 álbuns. Além do Festival de Sanremo de 1973, venceu também o de 1976 com Non lo faccio più, além do Festival de Nápoles em 1970 com Me chiamme ammore. Começou cantando numa banda de rock nos anos 50, mas também atuou em filmes e programas especiais, até gravar em 2019 seu álbum mais recente. Nesse mesmo ano, em 4 de julho, também faleceu sua segunda esposa. Quem ainda dá alguma atenção à TV aberta de domingo, já deve ter se deparado com Peppino di Capri no programa do Faustão, quase sempre no quadro “Ding Dong”.

A primeira canção se chama Roberta, uma homenagem a Roberta Stoppa, de Turim, com quem se casou em 1961. Em 1963 ele lançaria um compacto com Roberta (melodia dele e letra de Luigi Naddeo e Paolo Lepore) e, do outro lado do disco, com Nustalgia. Lançada pela gravadora Carisch, a canção se tornou um dos maiores sucessos de Peppino e da música romântica italiana, conhecido inclusive entre os descendentes de italianos e frequentadores de cantinas no Brasil. Peppino teria em 1970 seu primeiro filho com Roberta, mas o casamento já estava em crise e ele se casou com outra em 1978. Da nova relação nasceram mais dois homens.

A segunda canção, Champagne (Champanhe), foi lançada como um álbum single em dezembro de 1973. Era o lado A, com o lado B chamando-se La prima sigaretta. Com letra de Depsa (pseudônimo de Salvatore De Pasquale) e Sergio Iodice e melodia de Mimmo Di Francia, é de longe o maior sucesso do artista nascido em Capri, a mais pedida nos bares com piano na Itália. Foi gravada por ocasião da apresentação de Peppino no festival “Canzonissima” daquele ano, e logo ganhou o mundo.

Segundo os autores, a canção surgiu “pensando em Charles Aznavour e Domenico Modugno” como possíveis intérpretes, mas colou-se fatalmente à imagem de Peppino Di Capri. O próprio cantor a regravou várias vezes, com diferentes arranjos, e já nos anos 70 seu maior impacto fora da Itália foi exatamente na América do Sul, em especial Brasil, Argentina (onde surgiu a primeira versão espanhola) e Uruguai. Vários artistas italianos, incluindo Andrea Bocelli, também a gravaram, e no Brasil podemos citar a Banda Careda (versão disco-samba), Agnaldo Timóteo e até Roberto Carlos num de seus especiais de fim de ano na Globo. Champagne se tornou popular por ter aparecido nos filmes Profumo di Donna, Il Commissario Lo Gatto, A spasso nel tempo, Terra bruciata e, em forma de paródia, Rimini Rimini.

O livro Cameriere, champagne!... (sem tradução brasileira) foi escrito pelo próprio Mimmo Di Francia e pelo jornalista Michelangelo Iossa, contando todas as vicissitudes por que passou a música. O tema da bebedeira por amor num bar público é recorrente até mesmo no Brasil, como conhecemos pelo célebre Garçom de Reginaldo Rossi ou pelas “sofrências” de Marília Mendonça. O falecido cantor Marciano gravou uma versão estúdio e outra ao vivo, chamada Um brinde e depois não sei, traduzida por Rhael e Silvio José.

A terceira e última canção é Un grande amore e niente più (Um grande amor e nada mais), gravada em 1973 no álbum Peppino Di Capri e i New Rockers. Ela foi composta pelo próprio Peppino, em colaboração com Ernest John Wright e Franco Califano, e foi lançada no Festival de Sanremo daquele mesmo ano, quando obteve a vitória. A canção saiu também num single de 1973, tendo por faixa 2 Per favore non gridare, e vários artistas também gravaram a versão em espanhol Un gran amor y nada más. Leia também esta entrevista de Peppino Di Capri de 2013, relembrando Franco Califano.

Roberta, Champagne e Un grande amore e niente più tiveram seus áudios baixados do YouTube, conforme esses links dos vídeos. Eu mesmo traduzi do italiano e fiz as montagens com legendas, e elas seguem abaixo, junto às letras e às traduções:


Lo sai,
Non è vero
Che non ti voglio più.
Lo so,
Non mi credi,
Non hai fiducia in me.

Roberta, ascoltami,
Ritorna ancor, ti prego.

Con te
Ogni istante
Era felicità.
Ma io non capivo,
Non t’ho saputo amar.

Roberta, perdonami,
Ritorna ancor vicino a me.

Roberta, ascoltami,
Ritorna ancor, ti prego.

Con te
Ogni istante
Era felicità.
Ma io non capivo,
Non t’ho saputo amar.

Ascoltami, perdonami,
Ritorna ancor vicino a me,
Vicino a me,
Vicino a me...

Você sabe,
Não é verdade
Que não te quero mais.
Eu sei que você
Não acredita em mim,
Não confia em mim.

Roberta, me escute,
Volte de novo, te peço.

Cada momento
Com você
Era de felicidade.
Mas eu não entendia,
Não soube te amar.

Roberta, me perdoe.
Volte pra junto de mim.

Roberta, me escute,
Volte de novo, te peço.

Cada momento
Com você
Era de felicidade.
Mas eu não entendia,
Não soube te amar.

Me escute, me perdoe,
Volte pra junto de mim,
Pra junto de mim,
Pra junto de mim...


Champagne... per brindare a un incontro
Con te... che già eri di un altro
Ricordi... c’era stato un invito
Stasera si va tutti a casa mia

Così... cominciava la festa
E già... ti girava la testa
Per me... non contavano gli altri
Seguivo con lo sguardo solo te

Se vuoi, ti acompagno se vuoi
La scusa più banale
Per rimanere soli io e te

E poi, gettare via il perchè
Amarti come sei
La prima volta e l’ultima...

Champagne... per un dolce segreto
Per noi... un amore proibito
Ormai resta solo un bicchiere
Ed un ricordo da gettare via...

Lo so, mi guardate lo so
Vi sembra una pazzia
Brindare solo senza compagnia

Ma io, io devo festeggiare
La fine di un amore
Cameriere... champagne

____________________


Champanhe... pra brindar um encontro
Com você... que já era de outro.
Lembra... foi feito um convite:
Essa noite vamos todos à minha casa.

Assim... começava a festa
E você... já estava ficando bêbada
Pra mim... os outros não importavam,
Só seguia você com meu olhar.

Se quiser, te acompanho se quiser,
A desculpa mais esfarrapada
Pra eu ficar sozinho com você.

E depois, jogar fora o pretexto,
Amá-la como você é,
A primeira vez e a última...

Champanhe... pra um doce segredo,
Pra nós... um amor proibido.
Agora resta apenas um copo
E uma lembrança pra jogar fora...

Sei que vocês estão me olhando,
Estão achando que sou louco
Brindando só, desacompanhado.

Mas eu preciso festejar
O fim de um amor.
Garçom, por favor... champanhe.


1) Io, lontano da te
Pescatore lontano dal mare
Io, chiedo da bere
A una fonte asciugata dal sole
Solitudine e malinconia
I soprammobili di casa mia
Qualche libro, una poesia
E sul piano una fotografia

Ritornello:
Io e te
Un grande amore e niente più
Io e te
Le nostre corse fin laggiù
Là dove c’è
La capanna scoperta da noi
Dove tu mi dicesti “Vorrei...”
“Amore vorrei... stasera vorrei...”

2) Notti, notti d’amore
Nel silenzio il mio nome, il tuo nome
Ma non risale l’acqua di un fiume
E nemmeno il tuo amore ritorna da me
Solitudine e malinconia
In ogni angolo, in ogni via
Ti rimprovero una sola cosa
Che potevi almeno dirmi “Scusa...”

(Ritornello)

Io e te
Un grande amore e niente più
Io e te
Le nostre corse fin laggiù
Io e te…

____________________


1) Eu sou, longe de você
Como pescador longe do mar
Estou pedindo pra beber
A uma fonte que o Sol secou
Solidão e melancolia
Os bibelôs da minha casa
Algum livro, uma poesia
E sobre o piano uma fotografia

Refrão:
Eu e você
Um grande amor e nada mais
Eu e você
Nossos passeios até la embaixo
Lá onde se encontra
A cabana que nós descobrimos
Onde você me disse “Eu queria...”
“Amor, queria... esta noite eu queria...”

2) Noites, noites de amor
No silêncio meu nome, seu nome
Mas água de rio não sobe de volta
E nem seu amor volta pra mim
Solidão e melancolia,
Em cada esquina, em cada rua
Lhe reprovo só uma coisa
Que podia ao menos me pedir desculpas

(Refrão)

Eu e você
Um grande amor e nada mais
Eu e você
Nossos passeios até la embaixo
Eu e você...


Também traduzi Roberta pra língua russa:

Это итальянская песня Roberta (Роберта), которую записал певец Пеппино ди Капри (Peppino di Capri) в 1963 году. Он тоже сложил музыку, а текст написали Луиджи Наддео и Паоло Лепоре (Luigi Naddeo, Paolo Lepore). Эта песня посвящена Роберте Стоппе (Roberta Stoppa), тогда жена Пеппино. У них родился первый сын в 1970 году, но потом они развелись и Пеппино женился на другой девушке в 1978 году.

«Giuseppe Faiella» ‒ настоящее имя Пеппино ди Капри. Он родился в 1939 году в городе Капри, недалеко от Неаполя. Победил на Фестивалях песни в Сан-Ремо (1973 и 1976 гг.) и Неаполе (1970 г.) и выпустил до сих пор 54 альбома. Пеппино тоже поет песни на неаполитанском языке. «Peppino» ‒ это популярная форма итальянского имени «Giuseppe» (Иосиф, Осип).

Я сам перевел текст с итальянского языка на русский, сделал монтаж и положил субтитры на видео.

Ты знаешь, это неправда,
Что я больше тебя не хочу.
Я знаю, ты не веришь в меня,
Ты не доверяешь мне.

Роберта, слушай меня,
Вернись опять, прошу тебя.

Каждое мгновение с тобой
Было счастливым.
Но этого я не понимал,
Я не сумел любить тебя.

Роберта, прости меня,
Вернись опять ко мне.

Роберта, слушай меня,
Вернись опять, прошу тебя.

Каждое мгновение с тобой
Было счастливым.
Но этого я не понимал,
Я не сумел любить тебя.

Слушай меня, прости меня,
Вернись опять ко мне,
Опять ко мне,
Опять ко мне...



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