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quarta-feira, 29 de março de 2017

Himno de Riego (República Espanhola)


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Este é o Himno de Riego (Hino de Riego), oficialmente o hino nacional da Espanha em três breves ocasiões: durante o chamado “Triênio Liberal” (1822-1823), durante a Primeira República, junto com a “Marcha Real” (1873-1874), e durante a Segunda República (1931-1939), quando ele se tornou mais conhecido. A letra consiste num poema escrito por Evaristo de San Miguel em 1820, mas entre as várias melodias que foram usadas, a tocada no vídeo abaixo não tem autor conhecido, embora seja mais ou menos de 1820.

A canção era cantada pela coluna militar do tenente-coronel Rafael del Riego (1784-1823), o qual se insurgiu contra o rei espanhol Fernando 7.º em 1.º de janeiro de 1820 e se tornou na cultura popular, por isso, um símbolo da luta pelas liberdades políticas e constitucionais contra o autoritarismo. Um de seus companheiros de luta era Evaristo Fernández de San Miguel y Valledor (1785-1862), nobre, militar, político e historiador espanhol, que compôs a letra desse hino. Na época, em geral se entendia por “hino” principalmente a letra, ocorrendo de se cantarem melodias diversas, conforme a ocasião, e o mesmo ocorreu com o Himno de Riego. Várias melodias foram empregadas, mas a letra também variou bastante, tanto que a original possuía nove estrofes, fora o refrão; no hino de 1931 a 1939, eram cantadas apenas três. Não se sabe ao certo quem compôs a melodia mais famosa, mas acredita-se que tenha sido o compositor romântico de ópera José Melchor Gomis y Colomer (1791-1836), embora nenhuma pesquisa tenha conseguido dar a palavra final.

Por um século, a canção continuou muito popular, sendo sempre adaptada diversamente em variados locais. Entre as inúmeras comoções que ocasionalmente abalavam a monarquia, houve a fuga, mas não abdicação, do rei Alfonso 13.º em 14 de abril de 1931 e a consequente instauração de um regime republicano. Algumas fontes, inclusive a Wikipédia, apontam o Himno de Riego como o novo hino oficial desse período, mas no próprio verbete sobre a Segunda República Espanhola, diz-se que ele nunca teria sido ratificado, abrindo-se vasta polêmica sobre uma nova música, mas outras propostas também foram rejeitadas. Niceto Alcalá-Zamora y Torres (1877-1949) foi o primeiro chefe de um governo provisório e em 11 de dezembro tomou posse como o primeiro presidente eleito, mas após sucessivas conturbações e uma guerra civil, o golpe militar de Francisco Franco derrubou a República em 1.º de abril de 1939. Foi restaurada como hino nacional, então, a antiga Marcha Real, vigente ainda hoje e que jamais teve uma letra oficial, embora, entre as várias existentes, a mais usada até 1975 fosse a de José María Pemán.

Até hoje, ela permanece como símbolo máximo dos republicanos espanhóis, que desejam o encerramento da monarquia e têm, entre seus lemas, “¡Y a por la Tercera!” (ou seja, uma “Terceira República”), sendo por isso muito popular na internet. Além de outras letras e paródias alternativas, há também versões muito satíricas e até violentas, muitas compostas na época da guerra civil (1936-1939), populares entre os catalães, sobretudo, e extremamente opostas à realeza. Eu tirei a letra da Wikipédia em espanhol (que difere muito da existente nas versões em outras línguas), embora tenha feito umas poucas mudanças pra ajustá-la como o áudio, que baixei desta página da Izquierda Republicana, onde há informações sobre mais outros símbolos. O vídeo mais famoso do YouTube em que há legendas com o mesmo áudio está nesta página, porém o design é amadorístico e o texto não bate com o que achei na Wikipédia.

Na letra, há algumas referências históricas que precisam ser entendidas: “El Cid” (Rodrigo Díaz de Vivar), cavaleiro castelhano do século 11 que passou à posteridade como herói nacional, a menção ao próprio Riego, já explicado acima, e Marte, o deus da guerra para os antigos romanos (“martes” em espanhol é “terça-feira”). Não procurei fazer uma tradução literal, mas segui dois princípios: 1) considerar o contexto geral de uma batalha, uma guerra, e não as frases como entidades ou afirmações isoladas; 2) reconstruir em português as frases de forma a gerar compreensão rápida, e não correspondência poética. Infelizmente, não achei informações sobre o cantor e a banda do áudio. Seguem abaixo a montagem que fiz com as legendas de minha tradução (postada no meu canal O Eslavo no YouTube, como sempre), a letra em espanhol e a tradução em português:


____________________


1. Serenos y alegres,
valientes y osados,
cantemos, soldados,
el himno a la lid.
Y a nuestros acentos
el orbe se admire
y en nosotros mire
los hijos del Cid.

Estribillo:
Soldados, la patria
nos llama a la lid,
juremos por ella
vencer o prefiero morir.

2. El mundo vio nunca
más noble osadía
ni vio nunca un día
más grande en valor,
que aquel que inflamados
nos vimos del fuego
que excitara a Riego
de Patria el amor.

(Estribillo)

3. La trompa guerrera
sus ecos da al viento,
horror al sediento,
ya ruge el cañón;
y a Marte sañudo
la audacia provoca,
y el ingenio invoca
de nuestra nación.

(Estribillo)

____________________


1. Serenos e alegres,
valentes e ousados,
cantemos, soldados,
o hino para a luta.
Que nossos acordes
extasiem o planeta
e que ele veja em nós
descendentes do Cid.

Refrão:
Soldados, a pátria
nos chama a combater,
juremos vencer
por ela, ou então morrer.

2. O mundo nunca viu
ousadia mais nobre
e jamais viu um dia
alguém mais valoroso
do que aquele cujo fogo
vimos a nos inflamar
e que incitara em Riego
o amor pela Pátria.

(Refrão)

3. O clarim de guerra
ecoa pelo vento,
o canhão já ruge
odiando o impulsivo;
e a audácia provoca
o enfurecido Marte
e impele a armar-se
a nossa nação.

(Refrão)



Eles diziam: “¡Viva la República!”