terça-feira, 27 de maio de 2025

CECI N’EST PAS UNE GIFLE


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A mais nova sensação do humor geopolítico foi a chegada, ontem, de Emmanuel Macron, co-príncipe de Andorra, à antiga colônia gaulesa do Vietnã, de onde foram chutados (como também seriam da Arjólia em 1962) bem antes dos ianques, no fim da década de 1950. O UOL foi uma das poucas mídias que traduziu o bafão, mas trago aqui meu próprio material: a câmera da agência Associated Press filmou, dentro do avião, a mão de sua mãesposa Brigitte dando na cara dele o que seria um tapa ou, o que acho mais aparente, um empurrão. Logo que percebeu estar sendo filmado a léguas de distância, o ex-banqueiro disfarçou com um sorrisinho amarelo e um aceno apressado.



Outras pequenas tomadas de vídeo do Marcão também foram recentemente lidas de modo maldoso pela oposição e, pior, pela desinformação do Kremlin, que já manipula muitos Asterix e o detesta acima de tudo pela ajuda que dá à resistência ucraniana. “Ceci n’est pas une gifle”, “Isso não é um tapa”, como reza o famoso meme quadro com o cachimbo. Mas agora é tarde, ficou pra história, rs.


Como também reza outro ditado, “as emendas ficaram piores do que o soneto”. E foram várias em sucessão: primeiro, disseram apressadamente que tinha sido “uma montagem gerada por IA”, mas quando não dava pra negar que o vídeo era verdadeiro, se saíram com esta (canal France 24): “Já vi 50 vezes essa cena. Eles se pegam, se provocam. Ele faz piadas e ela mesma põe as mãos na boca dele pra lhe calar. Pura brincadeira”, segundo o que seria o entorno do presidente. Olha, pra quem foi professora de teatro dele na escola e até dirigiu uma apresentação sua como espantalho, não duvido nada do talento desses dois atores:


Macron: As pessoas fazem um vídeo dizer muitas coisas estúpidas. Nesses três vídeos, recolhi um lenço de papel, apertei a mão de alguém e apenas brinquei com minha esposa, como fazemos muitas vezes. Pra mim totalizam três semanas: se você olhar pra agenda internacional do presidente da República Francesa, de Kyiv a Tirana, chegando a Hanói, há pessoas que viram os vídeos e pensam que partilhei um saco de cocaína, que saí na mão com um presidente turco e, agora, que estou tendo uma briga doméstica com minha esposa. Tudo isso é absolutamente falso. Porém, esses três vídeos são verdadeiros. Então, todos precisam se acalmar e, sobretudo, se interessar pelo essencial das notícias, é isso.

Макрон: On fait dire à une vidéo beaucoup de bêtises. Sur ces trois vidéos, j’ai ramassé un Kleenex, serré la main à quelqu’un et juste plaisanté avec mon épouse, comme on le fait assez souvent. Moi, ça fait trois semaines : si vous faites l’agenda internationale du président de la République française, de Kyiv à Tirana jusqu’à Hanoï, il y a des gens qui ont regardé des vidéos et qui pensent que j’ai partagé un sac de cocaïne, que j’ai fait un mano à mano avec un président turc et que là, maintenant, je suis en train d’avoir une scène de ménage avec ma femme. Rien de tout ça n’est vrai. Pourtant, ces trois vidéos sont vraies. Donc, faut que tout le monde se calme et surtout s’intéresse au fond de l’actualité, voilà.


segunda-feira, 26 de maio de 2025

Rolê aleatório Zelensky/Julio Iglesias


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Xameguinho Iglesias-Kobzon em Moscou, 2015, rs.


Se você pensa que já viu de tudo em matéria de “rolês aleatórios” (sobretudo envolvendo Ronaldinho Gaúcho ou algum ministro do STF), vai aqui mais um pro seu “currico”. Em 2013, Volodymyr Zelensky, então “apenas” um ator, diretor e humorista muito conhecido na Ucrânia e na Rússia (cujo idioma também é o seu materno), foi o apresentador da seção de convidados internacionais de um festival de novos talentos chamado em russo “Nóvaia volná” (Nova Onda), ou “New Wave” pro público internacional. De 2002 a 2014, organizado conjuntamente por russos e letões, era sediado na cidade letã de Jūrmala, mas a partir de edição de 2015, com intervalos, ocorreu em outras cidades da Rússia.

Como escrevi, o “New Wave” é focado na concorrência entre grupos e cantores em começo de carreira, mas há um dia reservado pra apresentações de artistas de renome, russos ou estrangeiros, como foi o caso de Julio Iglesias em 2013. Nos cortes que fiz, “Vladimir Zelenski” começa fazendo umas gracinhas na abertura (sem contar outras piadas ao longo do vídeo integral) e então apresenta o espanhol, cuja imagem demora um pouco pra aparecer, até que enfim ele saúda o público em seu peculiar inglês. Deixei toda a saudação do astro, mas cortei a parte da música, que inclui Caruso e Crazy, esta em dueto com Aleksandr Kogan, seu fã pessoal, ao piano. O hoje presidente da Ucrânia não aparece ao lado do inspirador dos “memes de julho”, mas subitamente sobe ao palco outra lenda, o russo Iosif Kobzon, que cumprimenta e ganha um beijo de Iglesias:



No vídeo do canal oficial do show, o momento da broderagem não fica claro, mas depois ambos aparecem lado a lado, sob os elogios do “palhaço narcômano” (como o chamam os putleristas), enquanto Iglesias diz que “adora” Kobzon. Os dois cantores já se encontraram outras vezes na Rússia, onde o próprio Iglesias se apresentava com frequência. Antes de morrer, contudo, o “Frank Sinatra soviético” era um admirador do Trombadinha de Leningrado, apoiou o começo de suas ações desestabilizadoras na Ucrânia (onde ele mesmo nasceu) e foi até cantar em territórios controlados por terroristas pró-Kremlin. Nos últimos anos, emprestou seu cabelo de boneco Playmobil à intepretação daquelas maceradas canções sobre a “Grande Guerra Patriótica” em eventos estritamente enquadrados pela ditadura.

Sobre o ator e cantor de Kryvy Rih, é curioso como até 2014 ele também era uma presença constante no showbiz russo, de forma que sua apresentação do especial de Ano Novo do Canal 1, junto com Maksim Galkin (com quem ele depois romperia), volta e meia vem à tona. O ponto mais curioso é a própria canção de abertura, em que Vladimir Soloviov (de preto), então um simples jornalista e hoje um dos propagandistas mais sujos da guerra, logo aparece dançando e fazendo um “v” com ambas as mãos. Com o roubo da Crimeia, Zelensky se confinou às fronteiras pátrias e lançou a série O servo do povo, que o tornou conhecido mundialmente ao interpretar um professor que se torna presidente da Ucrânia. A obra é basicamente uma crítica severa aos políticos e à oligarquia (geralmente as mesmas pessoas) do país, cujos laços umbilicais com Moscou, lembremos, nunca foram um segredo pra ninguém.

“No tempo que Dondon jogava no Andaraí, nossa vida era mais simples de viver...”



domingo, 25 de maio de 2025

O tal referendo que manteve a URSS


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Em 2 de setembro de 2024, a Novaia Gazeta Ievropa lançou em seu canal do YouTube o terceiro vídeo de uma ótima série, apresentada pela jornalista Nadezhda Iurova, sobre os motivos que levaram ao fim da URSS e o processo de transição pra Rússia contemporânea. É claro que a série estranhamente se chama “No caminho rumo à liberdade”, tendo em vista o atual Estado terrorista formado em Moscou, tanto que os historiadores que colaboraram dentro do próprio país pra pesquisa sequer desejaram ter as identidades reveladas, temendo represálias. Esse episódio fala mais especificamente do processo político de desintegração da “união indestrutível de povos livres”, e decidi traduzir dois trechos interessantes pra enfiar de vez na cabeça de nossos stalinminions.

O primeiro trecho fala da real natureza do “direito à autodeterminação”, na verdade nunca realizável, e mostra como Beria, “bonzinho” que era pra com seu povo, até nas melhores invenções tinha segundas intenções. (Mas quem o matou também não era melhor...) O segundo trata do famoso “referendo de manutenção da URSS”, esfregado por muitos comunistas na cara de quem simplesmente demonstra a impossibilidade de manter as correntes. Primeiro, veja que nem todas as repúblicas aceitaram participar e aceleraram o próprio processo de independência. Segundo, o tratado que resultaria desse referendo sequer foi implementado, justamente por causa da tentativa de golpe dos trapalhões da “linha dura”, em agosto de 1991; ela acelerou negativamente o processo ao levar, por exemplo, à pura e simples interdição do PC soviético.

E terceiro: não tendo sido implementado o novo tratado, as repúblicas não russas simplesmente fizeram os referendos de independência. Mesmo que até na Ucrânia (como um todo, pois no oeste foi bem menos), por exemplo, a maioria votasse pela preservação da URSS, mais de 90% dos eleitores desse país referendaram a independência após a falência das iniciativas de Gorbachov. É curioso que o “Novo Tratado da União”, jamais assinado, deveria manter até mesmo a sigla URSS, com a marota mudança de nome pra “União das Repúblicas Soberanas Soviéticas” (sotsialistícheskikh se tornando suverénnykh)!


Formalmente, a URSS era uma confederação onde as repúblicas podiam deixar a União a qualquer momento. Mas, na prática, o poder do partido fez da União um estado unitário, inflexível até o final da década de 1980. Logo após a morte de Stalin em 1953, seu colaborador mais próximo, Lavrenti Beria, propôs reformar a União Soviética, dando mais direitos às repúblicas nacionais.

É improvável que essa ideia tenha ocorrido ao ministro do Interior da URSS por razões puramente democráticas. É mais provável que Beria simplesmente tenha feito lobby pelos interesses das elites das repúblicas que o apoiaram na luta pelo poder contra outros membros do Politburo. Mas nunca houve nenhuma discussão séria: Beria foi preso e fuzilado sob acusações de espionagem e alta traição.


Формально СССР был конфедерацией, где республики могли выйти из Союза в любой момент. Но фактически власть партии делала Союз унитарным государством, непреклонным до конца 80-х годов. Сразу после смерти Сталина, в 1953 году, его ближайший соратник Лаврентий Берия предлагал реформировать Советский Союз, дав больше прав национальным республикам.

Вряд ли эта идея пришла министру внутренних дел СССР из чисто демократических соображений. Вероятнее Берия просто лоббировал интересы республиканских элит, которые поддерживали его в борьбе за власть с другими членами Политбюро. Но до серьёзных обсуждений не дошло: Берию арестовали и расстреляли по обвинению в шпионаже и измене Родины.


Num contexto de conflitos interétnicos, Mikhail Gorbachov, presidente da URSS, propôs a conclusão de um novo Tratado da União. Ele poderia ter expandido significativamente os direitos das repúblicas. Em dezembro de 1990, o 4.º Congresso dos Deputados do Povo, então o órgão supremo de poder estatal do país, decide realizar um referendo sobre a preservação da URSS. As repúblicas onde havia maior tensão (Estônia, Lituânia, Letônia, Geórgia, Moldávia e Armênia) se recusam a realizar uma votação centralizada.

Em 17 de março de 1991, 148,5 milhões (ou 79,5%) de cidadãos da URSS participaram da votação. 77% se pronunciam a favor da preservação da União. Se olharmos pros resultados em cada república, a maior porcentagem de apoio à URSS foi no Usbequistão, onde 93,7% dos eleitores apoiaram a preservação da União. A Ucrânia foi o país que menos queria preservar a URSS: pouco mais de 70,2% foram a favor.

Na sequência desse referendo, em abril de 1991, começaram as negociações diretas entre o presidente da URSS e a liderança das repúblicas sobre a conclusão de um novo Tratado da União. As negociações começaram na residência de Gorbachov em Novo-Ogariovo, no entorno de Moscou. Como resultado, todos os signatários concordaram com a separação de seis repúblicas não muito grandes: Letônia, Lituânia, Estônia, Moldávia [agora Moldova], Geórgia e Armênia. O acordo deveria ser assinado cerimonialmente em agosto de 1991, mas a tentativa de golpe em agosto estragou os planos. Depois disso, a assinatura foi adiada por tempo indeterminado.

Contudo, não foi um novo tratado que acabou determinando o destino da URSS, mas os Acordos de Belavezha. Em 8 de dezembro de 1991, na residência governamental de Viskulí, na floresta de Belavezha, os presidentes da Rússia, Boris Ieltsin, e da Ucrânia, Leonid Kravchuk, além do presidente do Soviete Supremo de Belarus, Stanislau Shushkevich, assinaram um acordo que anulava o Tratado da União de 1922. No lugar da União Soviética, foi proclamada a formação da Comunidade de Estados Independentes, ou CEI. A União Soviética deixou de existir.

Apresentador: “A URSS não existe mais. As repúblicas da antiga potência, com exceção da Geórgia e dos Estados Bálticos, totalizando um número de 11, fundaram a Comunidade de Estados Independentes.”


На фоне межнациональных конфликтов, президент СССР Михаил Горбачёв предложил заключить новый Союзный договор. Он мог бы существенно расширить права республик. В декабре 1990 года 4-ый Съезд народных депутатов, теперь высший орган государственной власти в стране, принимает решение провести референдум о сохранении СССР. Республики, где было больше всего напряжения (Эстония, Литва, Латвия, Грузия, Молдавия и Армения), от проведения централизованного голосования отказываются.

17 марта 1991 года в голосовании принимают участие 148,5 миллионов граждан СССР, то есть 79,5%. 77% высказываются в поддержку сохранения Союза. Если смотреть по республиканским результатам, самый высокий процент поддержки СССР в Узбекистане: там сохранение Союза поддержали 93,7% голосовавших. Меньше всего сохранить СССР хотели в Украине: за было чуть больше 88%.

По итогам этого референдума, в апреле 1991 года начались прямые переговоры президента СССР с руководством республик о заключении нового Союзного договора. Переговоры стартовали в подмосковной резиденции Горбачёва в Ново-Огарёво. По итогу все подписанты согласились на отделение шести не самых крупных республик: Латвии, Литвы, Эстонии, Молдавии, Грузии и Армении. Торжественно подписать договор собирались в августе 1991, но помешал Августовский путч. После этого, подписание отложили на неопределённый срок.

Однако, определил судьбу СССР в итоге не новый договор, а Беловежские соглашения. 8 декабря 1991 года президенты России Борис Ельцин и Украины Леонид Кравчук, а также председатель Верховного Совета Беларуси Станислав Шушкевич, в правительственной резиденции Вискули в Беловежской пуще подписали соглашение об аннулировании Союзного договора 1922 года. Вместо Советского Союза было провозглашено образование Содружества независимых государств, или СНГ. Советский Союз прекратил существование.

Телеведущий: “СССР больше нет. Республики бывшей державы, с исключением Грузии и стран Балтии, их 11 учредили Содружество независимых государств.”



“Ilustração meramente ilustrativa”. Por favor, não dê chiliques!

sábado, 24 de maio de 2025

Cresce deserção de soldados russos

ATENÇÃO: CENAS FORTES! Certos conteúdos são tão raros na mídia bananeira, e têm tão pouca probabilidade de aparecer até mesmo nos telejornais mainstream “da gringa” (odeio esse termo!), que às vezes é melhor fazer de tudo pra os traduzir, tamanha é sua contribuição pra desmontar a propaganda do Kremlin. Na edição de sexta-feira, 23 de maio, do boletim de notícias da Radio Svoboda (sucursal em russo da Liberty/Free Europe), revela-se o aumento de deserções entre os porcos que invadiram a Ucrânia, conforme investigação de um famoso portal anti-Putin.

O vídeo com o trecho apresentado pela repórter Melani Bachina segue abaixo, e sugiro cautela ao assistir, pois há cenas de maus tratos a desertores. Na primeira, o comandante zoa da cara dos soldados, lhes dando restos de comida, e na segunda, um fugitivo não identificado relata os abusos dos comandantes, que também são resumidos no texto. Mantive ambos no corte, mas decidi não os transcrever nem traduzir, porque a linguagem era oral demais. Estão indicados com as reticências entre colchetes, e minhas observações também estão entre colchetes. Nesta reportagem da Deutsche Welle em russo, o mesmo assunto é abordado (você pode traduzir com o Google).

Falando em tradução, vou resumir como obtive o texto. Eu extraí as legendas por meio de IA usando o programa Microsoft Clipchamp do Windows 11, que não é perfeito, mas já ajuda pra caramba, poupando dedos e ouvidos. Após polir o texto, eu o joguei no Google Tradutor, cujo resultado cotejei com o original e ao qual dei a forma final abaixo. Tenho usado tanto essas “tecnologias modernas” que nem vou mais as citar, exceto se tiver aparecido um recurso excepcional que achei imprescindível partilhar. No futuro, vou falar mais em “eu mesmo traduzi”, quaisquer que tenham sido as ferramentas, ou em “eu adaptei a tradução”, se já houver alguma publicada, mas que julguei por bem revisar cotejando com o original:


Desde o início da invasão em grande escala, pelo menos 49 mil pessoas fugiram do Exército Russo, de acordo com cálculos de jornalistas do portal Vazhnye istorii. A publicação cita vazamentos de vases de dados, mas observa que o número real de desertores pode ser consideravelmente maior. [...] Pra efeito de comparação, 49 mil pessoas é aproximadamente o tamanho de um corpo de exército [escalão hoje inexistente no Exército Brasileiro], que inclui várias divisões.

Essa estimativa do número de desertores coincide com dados da comunidade OSINT [Inteligência de Fontes Abertas] ucraniana Frontelligence Insight. Eles relataram 50,5 mil desertores em todo mês de dezembro de 2024. E o número de desertores está crescendo: a organização de direitos humanos “Idite lesom” (“Sigam pela floresta”), que ajuda os russos a evitar serem enviados para o front, relata que, no ano passado, recebeu 2,5 vezes mais pedidos de aconselhamento sobre esse assunto.

Combatentes russos reclamam, entre outras coisas, de ameaças feitas pelos comandantes, por exemplo, quando se recusam a cumprir uma ordem de atacar sem cobertura. Os combatentes são colocados em porões ou fossos e enterrados no chão. Uma nova mensagem de vídeo com uma reclamação contra o comandante apareceu no dia anterior no canal do Telegram “Ne zhdi khoroshikh novostei” (“Não espere boas notícias”). Deve-se ressaltar que, em condições de guerra, é impossível verificar prontamente a veracidade do que foi dito. [...]

No final de 2024, o projeto “Khochú zhit” (“Eu quero viver”) publicou listas com os nomes de quase 30 mil militares do Exército Russo que eram procurados por seus comandantes ou pela polícia militar como desertores e que deixaram suas unidades sem permissão. Mais de um quarto deles vem das províncias de Donetsk e Luhansk. No ano passado, foi registrado em tribunais militares russos um total de 10 308 processos criminais por recusa de serviço. É quase o dobro do total do ano anterior.


С начала полномасштабного вторжения из Российской армии сбежали по меньшей мере 49 000 человек, подсчитали журналисты “Важных историй”. Издание ссылается на утечки из баз данных, но при этом отмечает, что по факту количество дезертиров может быть значительно большим. [...] Для сравнения, 49 000 человек – это примерно как состав армейского корпуса, в который входит несколько дивизий.

Такая оценка количества дезертиров совпадает с данными украинского OSINT-сообщества Frontelligence Insight. Они сообщали о 50 500 сбежавших по состоянию на декабрь 2024. И количество дезертиров растёт: правозащитная организация “Идите лесом”, которая помогает россиянам избежать отправки на фронт, сообщает, что за последний год к ним стали в 2,5 раза чаще обращаться за консультациями на этот счёт.

Российские военные, в том числе, жалуются на угрозы со стороны командования, например, при отказе выполнять приказ идти в штурм без прикрытия. Военных сажают в подвалы, ямы, закапывают в землю. Очередное видеообращение с жалобой на командира появилось накануне в Телеграм-канале “Не жди хороших новостей”. Отмечу, что проверить достоверность, сказанного в условиях войны, оперативно невозможно. [...]

В конце 2024 года проект “Хочу жить” опубликовал поимённые списки почти 30 000 военнослужащих Российской армии, которых их командиры или военная полиция объявили в розыск как дезертиров и самовольно оставивших часть. Более четверти из них выходцы из Донецка и Луганской областей. Всего за прошедший год в российские военные суды поступили 10 308 уголовных дел об отказе от службы. Это почти вдвое больше, чем годом ранее.



sexta-feira, 23 de maio de 2025

Livros didáticos do mundo paralelo


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No universo paralelo da ditadura moscovita, os novos livros escolares públicos de História apresentados hoje [2023] contêm citações do Grande Líder, acompanhadas de fotos suas de quando ele ainda tinha cara de manga chupada, e os mapas apresentam as regiões roubadas à Ucrânia como novas partes do grande Império!

Bem, esta publicação do referido ano está sendo reciclada porque hoje consegui finalmente traduzir uma reportagem transmitida pelo canal britânico Sky News em 2 de setembro de 2024 e apresentada por Ivor Bennett, genial correspondente em Moscou e um dos que encarou o Capeta na famigerada coletiva de imprensa de fim de ano. Embora as imagens sejam de uma reportagem da France 24 de novembro de 2023, achei que elas viriam a calhar com o relato da volta às aulas seguinte, pois trazem exatamente o citado capítulo sobre a “operação militar especial”. Aliás, as férias de verão estão chegando no Hemisfério Norte, e o ano letivo que Bennett viu começar está prestes a terminar...

Desde então, muita coisa mudou. A Ucrânia ocupou longamente boa parte da província russa de Kursk. A fragilidade russa se revelou quando Putler mandou moleques no serviço militar e até escravos norte-coreanos pra “libertar a Pátria”, ao custo de milhares de vidas. E na região ainda há ucranianos, que começam a adentrar a província de Belgorod aos poucos. O presidente dos EUA é outro, mas sua aparente propensão pró-Moscou não ajudou em nada a rapina imperial. Os jovens têm cada vez mais depressão, fogem cada vez mais pro exterior e têm cada vez menos filhos. A economia resiste, mas está cada vez mais arranhada. Os “objetivos iniciais da operação” estão fora de cogitação, assim como a própria tomada completa das quatro regiões ucranianas “incluídas na Constituição”. O Ossidentx Mauvadaum nunca esteve tão coeso na defesa militar. E, como tenho publicado aqui, a elite política se entrega a delírios cada vez mais ridículos.

É curioso que, embora o pretexto da agressão tenha sido “desnazificar o regime de Kyiv”, nesse meio-tempo a fascistização do regime putinista seguiu a passos acelerados e a repressão superou até os níveis sob Leonid Brezhnev. E mais curioso ainda: o burocrata entrevistado por Bennett é Vladimir Medinski, doutor em História que esteve justamente esses dias na Turquia com a delegação que encenou aquela “negociação” fajuta! Bem, pelo menos é melhor mandar um historiador do que um ex-corretor imobiliário, como fez a Galinha Ruiva mandando o tal Steve Witkoff pro Kremlin. Sem mais, aproveite esta noa tradução, embora atrasada, com o original em inglês abaixo:


Pra celebrar o novo ano letivo na Rússia, as crianças trazem flores a seus professores, mas este ano estão recebendo algo em troca. É uma nova matéria sobre a segurança e a defesa da pátria: elas vão aprender sobre drones de combate, regras do Exército e como manusear um Kalashnikov.

“Você nunca sabe em que tipo de situação pode se encontrar, então acolho isso com satisfação. É ótimo! Sem educação militar básica, nossos filhos não são nossos filhos. Isso alimenta o patriotismo.”

Na República de Tyva, uma aula do líder da Rússia sob o título “Conversa sobre Coisas Importantes” [Razgovór o vázhnom]. “Quanto você dorme pra se manter em tão boas condições?”, perguntou um menino. “Seis horas”, respondeu Vladimir Putin. Um momento mais leve em meio a tópicos mais pesados, como a incursão da Ucrânia no sul da Rússia, onde muitas escolas estão fechadas. “É claro que nosso país e as Forças Armadas vão fazer de tudo pra garantir que sejam restauradas uma vida normal nessas regiões e uma vida normal pra essas crianças. Tenho certeza de que isso vai acontecer. Não há dúvida.”

Mas não é o que parece. No fim de semana, houve um ataque massivo de drones, alguns dos quais atingindo Moscou. E tropas ucranianas já controlam território russo há quase um mês. Nos últimos dois anos e meio, a guerra tem sido uma perspectiva distante pra muitos russos, com a vida aqui continuando normalmente. Mas os eventos recentes a aproximaram muito mais de seus lares.

O Kremlin, porém, continua minimizando a ameaça: não quer que o público entre em pânico, e então continua apresentando sua própria versão dos eventos, tanto presentes quanto passados. Isso inclui reescrever livros didáticos de história, que afirmam que a Rússia não começou a guerra.

“Por que há necessidade de novos livros de história? A história não muda, muda?”

“Bem, sim, a história não muda, mas precisamos da verdade e precisamos que a história seja uma ciência, e não ideologia ou propaganda.”

“Por que então, ao longo do capítulo sobre a operação militar especial, não há menção ao fato que a Rússia disparou o primeiro tiro, que a Rússia invadiu seu vizinho? Isso é reescrever a história, não é?”

“Agora... Leia-o atentamente e você vai entender. Leia-o, certo?”

Pra quem leu, é o mais recente vislumbre da realidade alternativa do Kremlin.


To mark the new school year in Russia, children bring flowers for their teachers, and this year they’re getting something in return. It’s a new subject on the security and defense of the motherland: they’ll learn about combat drones, Army rules, and some how to handle a Kalashnikov.

“You never know what kind of situation you might be in, so I welcome it. It’s great! Without basic military education, our children are not our children. This breeds patriotism.”

In the Republic of Tuva, a lesson from Russia’s leader called “Conversations about Important Things”. “How much do you sleep to stay in such good condition?,” one boy asked. “Six hours,” Vladimir Putin replied. A lighter moment among heavier topics like Ukraine’s incursion in southern Russia, where many schools are closed. “Of course, our country and the Armed Forces will do everything to ensure normal life in these regions and normal life for these children is restored. I’m sure this will happen. There’s no doubt.”

But that’s not what it looks like. Over the weekend, a massive drone attack with some reaching Moscow. And Ukrainian troops have held Russian territory for nearly a month now. For the past two and a half years, the war has been a distant prospect for many Russians, with life here continuing as normal. But recent events have brought it much closer to home.

The Kremlin, though, continues to downplay the threat: it doesn’t want the public to panic, then continues to put forward its own version of events, both present and past. That includes rewriting history textbooks, which claim Russia didn’t start the war.

“Why is there a need for new history books? History doesn’t change, does it?”

“Well, yes, history doesn’t change, but we need the truth and we need history to be science, not to be ideology or propaganda.”

“Why then, during the chapter on the special military operation, is there no mention of the fact that Russia fired the first shot, that Russia invaded its neighbor? That’s rewriting history, isn’t it?”

“Now... Read it carefully and you understand. Read it, okay?”

For those who do, it’s the latest glimpse into the Kremlin’s alternate reality.



quinta-feira, 22 de maio de 2025

A URSS pode não ter sido extinta?


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Em meio à embriaguez causada pela agressão e pilhagem à Ucrânia e pela total inutilidade de seus cargos, os políticos próximos ao ditador Putin estão se entregando a surtos que causariam somente riso se não se baseassem numa vontade bem real de tiranizar e saquear cada vez mais pessoas, em qualquer lugar do mundo. Um tal Anton Kobiakov, assessor presidencial, delirou após um fórum jurídico internacional, dizendo que não havia bases legais sustentando a dissolução da URSS e que, portanto, os acordos de Belavezha eram inválidos. Assinados em Belarus pelos presidentes desse país (Stanislau Shushkevich), da Rússia (Boris Ieltsin) e da Ucrânia (Leonid Kravchuk), representaram a verdadeira sentença de morte da “união indestrutível de povos irmãos”, e não o discurso de renúncia de Mikahil Gorbachov. Apunhalado pelas costas pelo ex-aliado pinguço, o odiado político já tinha se tornado líder de um país inexistente...

O comunista (o que mais podia ser?) Vladislav Iegorov, deputado da Duma Estatal, reverberou a mentira e disse que o assunto deveria ser levado a sério pelos órgãos estatais. Em brilhante entrevista à exilada Novaia Gazeta Ievropa, uma das poucas fontes em russo ainda disponíveis sobre o que realmente acontece dentro do Khuilostão, a jurista Ielena Lukianova demonstrou por que isso não passa de um absurdo e como o tal assessor Kobiakov sequer entende do que está falando. Pra desmentir antes que algum maluco webcomunista ou putinminion divulgue por aqui com atraso, eu mesmo traduzi os dois artigos trazendo as visões contrastantes, tendo sido o primeiro lançado pelo serviço de imprensa da bancada do KPRF na Duma. As observações entre colchetes são minhas:



Vladislav Iegorov sobre a declaração de Kobiakov: a Rússia deve renunciar publicamente aos Acordos de Belavezha e formalizar legalmente essa decisão – A URSS continua existindo, e a operação militar especial na Ucrânia é um “processo interno”, diz o assessor de Putin.

Quando a União Soviética se dissolveu, o procedimento legal foi violado, o que significa que a URSS ainda existe, disse o assessor presidencial Anton Kobiakov numa entrevista coletiva após o Fórum Jurídico Internacional de São Petersburgo.

Kobiakov disse que a URSS foi criada por decisão do Congresso dos Deputados do Povo, portanto, deveria ter sido dissolvida por decisão do mesmo órgão. Além disso, ele disse que os Conselhos Supremos [parlamentos] das repúblicas soviéticas não tinham autoridade para ratificar os Acordos de Belavezha. Assim foi comunicado no canal do Telegram “Путин в Telegram”. Vladislav Iegorov, deputado da Duma Estatal da Federação Russa e chefe do comitê provincial de Nizhny Novgorod do Partido Comunista da Federação Russa, comentou a referida declaração do assessor presidencial:

“A declaração do assessor presidencial sobre a invalidade jurídica dos Acordos de Belavezha de 1991 sobre a dissolução da URSS pode ter consequências de longo alcance. Na década de 1990, o PC da Federação Russa apresentou um projeto de denúncia desses acordos à Duma Estatal para discussão. Embora com dificuldade, o projeto foi apoiado pela maioria dos deputados. Porém, Ieltsin apresentou uma iniciativa sobre ‘manter a estabilidade do sistema político na Rússia’, que também foi aprovada por maioria e desautorizou a decisão anterior da Duma.

“O fato de essa questão estar sendo levantada hoje na Administração Presidencial é absolutamente correto. No contexto da operação militar especial, o repúdio público ao documento assinado por Ieltsin indicaria o desejo da Rússia de recuperar a importância geopolítica que detinha durante a era soviética. Acredito que chegou a hora de adotar uma declaração correspondente no nível da Assembleia Federal.”


“Legalmente, a URSS ainda existe” – Assim pensa Anton Kobiakov, assessor de Putin. A “Novaia” conversou com a jurista Ielena Lukianova sobre a razão disso não ser verdade.

Em 21 de maio, numa entrevista coletiva após o Fórum Jurídico Internacional de São Petersburgo, o assessor presidencial russo Anton Kobiakov declarou que a URSS continua existindo e, portanto, a invasão da Ucrânia é um “processo interno”. Ele se apoiou nas opiniões de certos especialistas em direito constitucional.

A Novaia, junto com a constitucionalista Ielena Lukianova, explica por que a URSS não existe mais.

“Se a URSS não foi dissolvida” – Anton Kobiakov afirmou que a URSS, do ponto de vista jurídico, pode continuar existindo, já que sua dissolução em 1991 não obedeceu ao procedimento estabelecido.

“Se o Congresso dos Deputados do Povo, também conhecido como Congresso dos Sovietes, fundou a URSS em 1922, então ela deveria ter sido dissolvida por decisão em congresso desses mesmos deputados”, disse Kobiakov.

Segundo ele, a assinatura dos Acordos de Belavezha em 8 de dezembro de 1991 foi um “evento estranho”, e sua ratificação pelos Sovietes Supremos da RSFS da Rússia, da RSS da Ucrânia e da RSS da Bielorrússia, uma fuga do limite das competências desses órgãos.

“E se o procedimento legal foi violado, conclui-se que legalmente a URSS ainda existe. É o que dizem os especialistas em direito constitucional. [...] Mas se a URSS não foi dissolvida, então logicamente, do ponto de vista jurídico, conclui-se que a crise ucraniana é um processo interno”, disse.

Kobiakov acrescentou que a dissolução da URSS precisa passar por uma avaliação jurídica completa e enfatizou que tal discussão já começou no âmbito do fórum.

“Enquanto não acabarmos com isso nem definirmos, do ponto de vista jurídico, em que consiste a dissolução da URSS, continuaremos tendo esses problemas”, disse.

Por que a URSS não existe mais? – “Precisamos citar pelo menos seis ou sete leis. Mas o principal é que a URSS não existe, porque o tratado de formação da URSS em 1922 foi denunciado pelo Soviete Supremo da RSFS da Rússia”, explica Ielena Lukianova, doutora em Direito.

Mesmo assim, ela observa que a extensão em que a assinatura dos Acordos de Belavezha foi legítima continua sendo uma questão controversa. “Naquela época, havia na URSS não três, mas 12 repúblicas. Os países bálticos já tinham conquistado a independência. Mas pelo menos essas três repúblicas tinham o direito de dizer que não faziam mais parte da União Soviética. A formulação pode ter sido radical, mas àquela altura a Ucrânia já tinha adotado uma declaração de independência e votado num referendo. A Rússia também teve uma declaração de independência. Mas apesar dessa história controversa, o fato é que a URSS não existe.”

Lukianova também ressalta que o próprio Kobiakov não é jurista nem tem formação jurídica. O assessor de Putin é kandidat em Biologia e doutor em Economia.

“Ele não sabe nada sobre a formação da URSS, porque afirma que o tratado sobre a formação da URSS foi concluído pelo Congresso dos Deputados do Povo, também conhecido como Congresso dos Sovietes. Em primeiro lugar, há uma grande diferença entre ambos. Em segundo lugar, o acordo foi concluído não pelo Congresso dos Sovietes (29 de dezembro de 1922), mas na véspera, numa reunião de representantes de quatro repúblicas: Rússia, Bielorrússia, Ucrânia e Transcaucásia. Geórgia, Azerbaijão e Armênia tinham assinado o acordo cada uma separadamente”, enfatiza a jurista.

Na mesma declaração, Kobiakov mencionou que a URSS deveria ter sido dissolvida pelo mesmo órgão que a criou. Lukianova observa que a regra de que qualquer tratado internacional deve ser contestado da mesma maneira como foi assinado só foi introduzida em 1969, na Convenção de Viena sobre o Direito dos Acordos Internacionais. As disposições dessa convenção não se aplicam aos documentos assinados antes de sua adoção.

“Além disso, é totalmente falso que o tratado de formação da URSS seja internacional. Trata-se mais de um documento fundador”, afirma a entrevistada da Novaia.

Perseguições – A ideia de Kobiakov de que a URSS ainda existe não é nova. Ainda na década de 1990, começaram a surgir na Rússia comunidades dos chamados “cidadãos da URSS” – pessoas que acreditam que a União Soviética continua existindo e que o governo atual é ilegítimo ou controlado por forças externas. Eles estão convencidos de que a Federação Russa não é um Estado, mas uma estrutura comercial e, portanto, se recusam a pagar impostos e quitar dívidas.

Na primeira metade de 2020, o número de processos criminais contra “cidadãos da URSS” na Rússia aumentou drasticamente – mais de dez em seis meses. Na época, em Kirov, três pessoas foram acusadas de participar da organização extremista proibida “União das Forças Eslavas da Rus”, e em Samara, um processo foi aberto pela repostagem de um vídeo sobre a restauração da URSS.

Aleksandr Verkhovski, do Centro Sova, acreditava que o FSB percebia os “cidadãos da URSS” como uma ameaça potencial devido a sua atividade e opiniões de oposição.

No verão de 2022, um tribunal da província de Samara declarou o grupo de “cidadãos da URSS” de Novokuibyshevsk, conhecido como “União das Linhagens Luminosas Soviéticas” [SSSR, na sigla em russo, igual à da URSS], como uma organização extremista. Depois disso, começou uma perseguição massiva em todo o país por participação em atividades da organização extremista ou em sua criação.

Em 2024, em Ecaterimburgo, 11 membros do movimento foram condenados a penas entre dois a seis anos de prisão por participarem da organização extremista. Na República de Altai, Andrei Kartopolov [não confundir com Andrei Kartapolov deputado da Duma pelo Rússia Unida e um dos defensores mais vocais da invasão à Ucrânia] recebeu dois anos e meio de prisão por participar de reuniões e divulgar a ideologia dos “cidadãos da URSS”. Em Omsk, três ativistas receberam sentenças entre nove meses de trabalhos forçados a um ano e dois meses de prisão por participar da organização proibida.

Em 23 de abril de 2025, no Tribunal Distrital de Basmanny, policiais espancaram Aleksandr Tsopov, de 70 anos, advogado de defesa e ex-funcionário do FSB que representava Valentina Reunova, autoproclamada chefe do Presidium do Soviete Supremo da URSS. A briga começou depois que os policiais expulsaram rudemente os visitantes e Tsopov tentou proteger a filha de Reunova da retirada forçada. Durante a briga, um policial ameaçou Tsopov e agrediu-o, e outra funcionária chutou-o. Tsopov ficou ferido e foi levado ao Instituto Sklifosovski, mas depois escreveu uma declaração contra o policial por abuso de autoridade – e ele próprio ficou detido durante a noite.

Mais tarde, foi aberto contra ele um processo criminal por violência contra funcionário do governo (artigo 318 do Código Penal), e ele recebeu um compromisso por escrito de não deixar a cidade.



O porteiro do hospício faltou???

quarta-feira, 21 de maio de 2025

Trolando a Si Liao e um bragantino


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Este é o trecho quase final de uma live do canal Clube de Chinês (recomendo mais que tudo, junto com a Xiao Mandarim!) em 27 de junho de 2022, apresentada pela imigrante chinesa Liao Si (mais conhecida por “nome e sobrenome” mesmo, ou seja, Si Liao) e seu marido brasileiro Lucas Brand e que só tive tempo de editar hoje. Ela é a mesma criadora do canal Pula Muralha, mas este é mais dedicado à cultura chinesa e à vida do casal entre os dois países. Naquela época, eu estava consumindo os materiais dela mais intensivamente, e no referido dia um policial militar natural de Bragança Paulista, SP, onde vivo desde 1994, contou ao público sua experiência no aprendizado e uso do idioma mandarim (a forma padronizada do chinês, entre os muitos dialetos no interior e convivendo com línguas aparentadas).

Minha cidade de adoção é famosa por sua linguiça calabresa, porque no passado fomos um grande centro de criação suína, com vendas pra todo o país. Sinceramente, enquanto amante mais estritamente das culinárias italiana e mineira, não vejo nada de especial na receita tão louvada, e apesar de algumas ótimas lojas e restaurantes (como a do Rosário e a Famosa, perto de meu bairro), eles mais é inventam um monte de “firulas” pra pegar turista: pratos banais preparados de várias formas com linguiça calabresa, um monte de porcaria colocada no embutido (e se exageram na pimenta, eu detesto!), embalagens que lembram mais o MC Lanche Feliz etc. Mesmo assim, com uma conta que já não era o finado Pan-Eslavo Brasil, resolvi trolar meu vizinho de cujo nome sequer lembro mais, rs.

Eu perguntei pra Si (ou “Sissi”, como às vezes a professora é conhecida) como se diz “linguiça calabresa” em mandarim, provocando um riso com sua típica sonoridade oriental... No fim, o estudante até brincou que “sempre tem um bragantino” pra aparecer e zoar, mas ela nos ensinou apenas como se diz “linguiça” naquele idioma, não podendo na hora traduzir “calabresa” (que significa “da Calábria”, isto é, uma das regiões mais ao sul da Itália). Eis o resultado:



terça-feira, 20 de maio de 2025

A volta do Danny Danoninho


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Como você pode ver acima, a anexação de Israel por “Gavva” já começou, e todos os extremistas já estão se assimilando a outros extremistas. Mas parece que a língua presa não é exclusiva dos irmãozinhos do sul: esse embaixador Danny Danoninho... ops, Danon fica cada vez mais fofo na Sky News tentando defender a “intidadj cyoneshta”, rs:


Mudando de assuntos: ótima nova iniciativa do canal belarusso Vot Tak (exilado em Varsóvia): um programa diário de cerca de 15 minutos sobre a Moldova (E NÃO Moldávia), ainda em experiência piloto. Um país que está “em acelerada transformação” (segundo eles mesmos), mas geralmente é esquecido mesmo pelas grandes mídias europeias:


Esta palestra sobre o jenossídeo dos tártaros da Crimeia pelos bolcheviques malvadões foi transmitida hoje, recomendo:


segunda-feira, 19 de maio de 2025

Eu, poetinha: sonetos de 2004 (3)


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A primeira vez em que publiquei sonetos inéditos escritos no ano de 2005 (eu tinha 17 anos) foi ainda em agosto de 2018, achando-os menos “bregas” (hoje se diria “cringe”) por eu os ter escrito como atividade de Português. No final de 2004, durante o ano de 2005 e ocasionalmente em anos posteriores, tive “surtos líricos” em que escrevi diversos sonetos relativos aos temas mais díspares e prosaicos: tratava-se tanto de dar vazão a uma criatividade contida quanto de praticar a versificação e aspectos linguísticos a ela ligados.

Pra terminar a série, seguem alguns sonetos e “haicais” (de haikai) (ou “haikus”, micropoemas de origem japonesa com três linhas) que realmente ficaram legais e que escrevi em 2004 pra matéria de Português, pro mesmo professor Syll, rs Silvano. Gostei muito do conceito de haicai quando o descobri, e cheguei a ter um caderninho com dezenas em português (ainda em 2017, publiquei aqui diversos haicais da época que escrevi, porém, em esperanto), começando já em janeiro de 2004, com ideias aleatórias que surgiam do nada. Pena que não o guardei e que não reproduzi a maioria (na verdade, nenhum, acho), talvez porque muitos expressavam até sentimentos melancólicos que tinha então...

Mas voltando à diversão, seguem abaixo alguns dos que eu adorava fazer e dos quais, obviamente, o Silvano gostava muito. Veja que numa das folhas tá escrito até “Show!!! 9,0” (curioso, né? Se tava show, eu merecia no mínimo 10, rs). Na segunda folha, a “Nota” que parece ter sido preenchida com um “Sh” cursivo na verdade é o visto do professor... É notável também a leviandade com que eu preenchia alguns dados da folha, e resolvi não os editar pra deixar minha bobeira à apreciação geral. Atualizei a ortografia, mas não fiz nenhuma alteração na redação e no conteúdo:


Soneto do observador (sem data)

Vendo aquela pintura na parede,
Meus olhos começaram a buscar
Elementos, cada um com seu par,
Criando juntos uma grande rede.

De compor e decompor tenho sede,
De saber o que o retrato a expressar
Nos diz sobre um rosto em seu limiar,
De decifrar uma paisagem verde.

Li famílias em descanso sublime,
Conheci Sampa no auge do esplendor,
Vi Nadar na câmera pegar firme.

De todas as artes não sou senhor,
Mas nem se me atarem as mãos com vime
Seu porte não perderá meu amor.


Novos olhos (mesmo papel)

Decompor o artístico
e ler de todos os ângulos:
foi isso que eu fiz.


Tetralogia do doce (21/5/2004)

I
Dizem que se come.
Mas vermelha de vergonha?
É melhor assim...

II
Só numa dentada
sinto o doce de uma vida
ideal pra mim.

III
Pego-a em minhas mãos
deslizando sobre os dedos,
sem o que te cobre.

IV
Sentirei saudades
do frescor e do açúcar:
sempre a lembrarei.


domingo, 18 de maio de 2025

Eu, poetinha: sonetos de 2005 (2)


Endereço curto: fishuk.cc/eupoeta2

A primeira vez em que publiquei sonetos inéditos escritos no ano de 2005 (eu tinha 17 anos) foi ainda em agosto de 2018, achando-os menos “bregas” (hoje se diria “cringe”) por eu os ter escrito como atividade de Português. No final de 2004, durante o ano de 2005 e ocasionalmente em anos posteriores, tive “surtos líricos” em que escrevi diversos sonetos relativos aos temas mais díspares e prosaicos: tratava-se tanto de dar vazão a uma criatividade contida quanto de praticar a versificação e aspectos linguísticos a ela ligados. Ao mesmo tempo, enquanto menino de poucos namoros, eu parecia idealizar encontros e relações amorosos...

Alguns realmente terminei jogando fora, mas outros guardei digitalizados, e os que restaram aparecem aqui hoje. Realmente, devido à pieguice da linguagem e à estranheza dos temas, tive vergonha de os expor até agora, mas preciso fazer você rir um pouco! Em cada soneto, o ritmo da métrica é constante, mas talvez a escolha de fazer algumas ligações, elisões ou reduções possa não ter sido feliz. Amanhã vou publicar outros que fiz pra escola, além de “haicais” (ou “haikus”, micropoemas de origem japonesa com três linhas) pra mesma ocasião: esses, sim, ficaram legais. Atualizei a ortografia, mas não fiz nenhuma alteração na redação e no conteúdo:


Soneto aos sotaques brasileiros (29/4/2005)

Os falares do Brasil são diversos
E as palavras são muito diferentes.
As pronúncias, variadas entre as gentes,
Não podem ser descritas nestes versos.

O “tchê” e o “uai”, para mim, são congruentes:
Semanticamente, não são diversos.
O “mano” e o “cabra” se encontram imersos
Até nas bocas dos inteligentes.

Sendo puxada para o italiano,
Baseada no espanhol ou no holandês,
A fala muda, tal como um cigano.

Seja praticada pelo cortês,
Seja modificada pelo insano,
Quão rico é o idioma português!

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Soneto à má distribuição
demográfica brasileira
(25/4/2005)

Um Brasil Central vazio, sem população,
E muita gente e pobreza no litoral:
É um problema que tomou dimensão formal
E que, com muito trabalho, tem solução.

Deslocar ao centro aquele que não é mau:
Trabalho em ferrovia e pavimentação
Para trazer a soja e toda produção
Do Norte, das chapadas e do Pantanal.

Rios como vias de transporte aproveitadas,
Urbanização onde ocupar é possível:
Famílias em novos serviços empregadas.

Ocupações que melhorem da vida o nível
São a chave para o sucesso de empreitadas
Que visem redistribuir um povo incrível.

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Soneto ao amor de mulher (31/5/2005)

As mãos que ternamente acariciam
Meus braços, meus cabelos e meu peito,
Agarram-me e seguram-me de jeito
Para viver as noites que aliciam.

Meu corpo também é seu de direito
E o seu é meu, pois minhas mãos o amaciam
E, enquanto meus pulmões mágoas tossiam,
Dava-me a cura: desfrutes no leito.

Seu coração repleto de verdades
É fogareiro aceso que me esquenta
Sem ver nossa diferença de idades.

Seu beijo é lança que arrebenta
Todas as minhas insalubridades
E todos meus dizeres acalenta.

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Soneto ao uso da energia nuclear (1/6/2005)
(inspirado pelo workshop de bomba atômica, rs)

Núcleos são o problema do momento,
Pois fala-se sobre suas consequências
Durante o uso sem interferências
Para a geradores dar movimento.

Seu emprego já gerou displicências,
O que para muitos foi um lamento,
Porque suas radiações são um tormento
E preocupam as cabeças das potências.

Creio que o Brasil não precisa disso
Por possuirmos coisas alternativas,
Como um sistema de rios movediço.

Eu não sou contra suas forças altivas,
Mas se um dia houver uso mais maciço,
Controlemos suas partes destrutivas!

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Amor em Arcádia (31/7/2005)

Ao raiar dos olhos lacrimejantes,
A moça sobre a grama, mãos no rosto.
“Bela, qual a razão de teu desgosto?”,
Pergunto-lhe, sem que ela me visse antes.

“Choro pelo castigo a mim imposto
De viver sobre os campos verdejantes
Sozinha, à mercê dos ventos cortantes”,
Responde, doce, um pouco a contragosto.

“Não mais desprezada estás, ficarei,
Ó, dona destes lábios que murmuram
Méis e néctares para o meu frescor.”

“Por isso, em meu peito te guardarei,
Ó, pastor dos prados limpos que asseguram
Momentos naturais ao nosso amor.”

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Soneto de Natal (24/12/2005)

O Verbo de Deus se fez carne e habitou
Entre os viventes que a Ele próprio mataram,
Aquele que, ao aparecer, anjos louvaram
E, ao falecer, em três dias ressuscitou.

Ave à Mulher que, na gravidez, rejeitaram,
A quem o Anjo a gerar o Senhor incitou,
Cujo ventre o Espirito Santo fitou
E fez nascer o Homem-Deus que profetizaram.

Salve, Belém, cidade santa, manjedoura
Sobre a qual nasceu o Profeta Salvador,
Arauto da prosperidade duradoura.

Ao Nascido, meio mundo dá seu louvor
E agarra os dedos de Sua mão acolhedora
Em busca do verdadeiro divino amor.

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Soneto de Dia de Ano (1/1/2006)

Um ano vai-se para dar lugar
A mares de promessas e pedidos
A ser por divindades atendidos,
Agentes da vivência salutar.

Então, mais nos tornamos aguerridos,
Com forças e vontade de lutar
Por tudo o que se preste a melhorar
As sinas nossa e dos irmãos sofridos.

Mais uma cachoeira de esperança,
Depósito das oportunidades,
Presente dos que esperam por bonança.

Os sonhos verterão realidades
A quem não se debate nem se cansa
Até diante de adversidades.