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domingo, 2 de julho de 2017

Francisco Franco proclama sua vitória


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A alocução da qual o vídeo abaixo é apenas um trecho, pronunciada em 1939, costuma ser chamada “discurso da vitória”, em que o general Francisco Franco Bahamonde, após ter vencido a Guerra Civil Espanhola (1936-1939) contra o governo republicano de esquerda, do qual era adversário, proclama os princípios do novo Estado que deseja implantar, sob inspiração dos vitoriosos regimes nazista e fascista, em voga naquele momento. O alemão Hitler e o italiano Mussolini, aliás, ajudaram abertamente as tropas de Franco com munição e homens.

O general Franco, servindo na parte do Marrocos que pertencia em 1936 à Espanha, sublevou-se nesse ano contra o governo republicano da Frente Popular, eleito recentemente por sufrágio universal. O temor de Franco, das Falanges que o ajudaram, de várias forças reacionárias e direitistas e da Igreja Católica era o de que, ideologicamente à esquerda, esse governo se aproximasse cada vez mais da União Soviética e implantasse no país um regime comunista. Na época, entre os conservadores ocidentais, o bolchevismo era o maior medo político, associado à ditadura, ao coletivismo e ao terror estatal. Alcançando a península Ibérica, Franco e suas tropas, porém, encontraram séria resistência de comunistas (trotskistas e stalinistas), anarquistas e socialistas armados, além das Brigadas Internacionais reunidas pela Comintern pra defender o regime legal.

Ocorreu que os governos de extrema-direita da Alemanha e da Itália forneceram uma incondicional ajuda crucial pra que as tropas revoltosas chegassem facilmente a Madri e derrubassem, em três anos, o governo republicano, enquanto França e Inglaterra, mesmo contrariadas com o nazifascismo, abstiveram-se de intervir. Além disso, temendo desagradar a ingleses e franceses, dos quais se aproximava lentamente, Stalin teve uma postura ambígua no conflito, ao apoiar as Brigadas, fornecer clandestinamente material bélico às esquerdas e, mais tarde, cessar sua intervenção e mandar os voluntários retirarem-se ainda em 1938. Pra piorar, as rixas dos stalinistas com os trotskistas e anarquistas enfraqueceram as fileiras defensivas e, em meio a sabotagens e atentados mútuos, abriram a via pro avanço franquista.

A vitória direitista foi arrasadora, milhões de refugiados deixaram a Espanha (muitos, fugidos pra França, teriam de sair daí novamente com a invasão nazista em 1940) e Franco, denominando-se Caudillo (o equivalente ao Führer e ao Duce), tomou sozinho o governo e buscou edificar um governo baseado no fascismo, embora não idêntico a ele. No final dos anos 60, Juan Carlos foi designado rei pra sucedê-lo, o que ocorreu com a morte do general, em 1975, iniciando a transição do país pra uma democracia rica, após a ditadura pobre. Alguns dos slogans do governo de Franco, ainda usados por seus admiradores, são ¡Viva España! (Viva a Espanha!) e ¡Arriba, España! (Avante, Espanha!).

Como eu disse, este vídeo é apenas um trecho do “discurso da vitória”, o único disponível no YouTube. Na resolução original e sem legendas, ele se encontra nesta página. Eu mesmo traduzi o texto, sem buscar ser totalmente literal, e legendei o vídeo, postando-o então no meu canal O Eslavo (YouTube). Seguem abaixo a legendagem, o texto em espanhol (que retirei da seção pra Francisco Franco do Wikiquote) e minha tradução em português:


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Un estado totalitario armonizará en España el funcionamiento de todas las capacidades y energías del país, en el que, dentro de la Unidad Nacional, el trabajo, estimado como el más ineludible de los deberes, será el único exponente de la voluntad popular. Y merced a él, podrá manifestarse el auténtico sentir del pueblo español a través de aquellos órganos naturales que, como la familia, el municipio, la asociación y la corporación, harán cristalizar en realidades nuestro ideal supremo.

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Um Estado totalitário viabilizará na Espanha a ativação de todas as capacidades e energias do país, na qual, dentro da Unidade Nacional, o trabalho, reputado como o mais inescapável dos deveres, será a única expressão da vontade popular. E graças a ele, poderá florescer a verdadeira opinião do povo espanhol por meio daqueles órgãos naturais que, como a família, o município, a associação e a corporação, farão tornar-se uma realidade nosso ideal supremo.