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quarta-feira, 19 de julho de 2017

Emmanuel Macron vence eleições 2017


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No dia 7 de maio deste ano, os franceses elegeram em segundo turno seu novo Presidente da República, que sucedeu o famigerado François Hollande (Partido Socialista), sobre o qual pesaria uma herança de terrorismo e estagnação econômica. O escolhido foi Emmanuel Macron (En Marche!), com 66,1% dos votos, enquanto a candidata Marine Le Pen (Front National) obteve 33,9%. Pela primeira vez, os dois principais partidos da França (PS e Republicanos, antiga UMP) ficaram de fora do segundo turno, revelando clara insatisfação popular com a política e a situação do país. O índice de abstenção nessa etapa também foi um dos mais altos da história, chegando a 25,44% do eleitorado.

Emmanuel Jean-Michel Frédéric Macron, de apenas 39 anos e que faz aniversário no mesmo dia que Stalin, diz que não é “nem de direita, nem de esquerda”, e com um discurso pretensamente renovador, diferente e empreendedor, prefere manter a França dentro do quadro do euro e da União Europeia, ao contrário de Le Pen, que desejava seguir o exemplo do “Brexit” britânico. Sempre é ressaltada sua ligação com os bancos e as altas finanças, bem como sua antiga adesão ao PS e, mais tarde, ao governo Hollande como ministro da Economia, o que frustrou em muitos a esperança de mudança.

Macron nasceu em Amiens, e de profissão é administrador público e banqueiro, e como católico, só foi batizado aos 12 anos. Ele tem duas pós-graduações em Filosofia e estudou no Instituto de Estudos Políticos de Paris e na famosa Escola Nacional de Administração em Estrasburgo, de onde saíram vários ex-presidentes. Macron não tem filhos, mas casou-se em 2007 com Brigitte Trogneux, professora de francês 24 anos mais velha e que ele conheceu em 1993, com apenas 15 anos. Ela e seus três filhos do primeiro casamento participaram ativamente da campanha do En Marche!

Eu mesmo traduzi e legendei o vídeo que se encontra sem legendas nesta página, com sua primeira declaração pública após a confirmação da vitória, na noite do domingo mesmo da eleição. A posse foi em 14 de maio, e ele nomeou Édouard Philippe (Republicanos) primeiro-ministro no dia seguinte. Eu o baixei sem legendas do canal da campanha de Macron. Boa parte do texto eu tirei de ouvido, tendo simultânea e imediatamente traduzido e legendado, mas a versão francesa completa pode ser lida nesta página. Seguem abaixo a legendagem, que carreguei no meu canal O Eslavo (YouTube), e a tradução em português:


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Francesas e franceses! Meus caros compatriotas da metrópole, do ultramar e do exterior!

Após um longo embate democrático, vocês decidiram depositar sua confiança em mim, e devo lhes expressar minha profunda gratidão. É uma grande honra e uma grande responsabilidade, pois nada estava predefinido. Quero muito lhes agradecer. Obrigado, do fundo do coração.

Sou grato a todos vocês que me deram seu voto e seu apoio. Não vou me esquecer de vocês. Vou dedicar toda minha atenção e toda minha energia para ser digno de sua confiança. Mas neste instante é a todos vocês, cidadãos de nosso país, que quero me dirigir, qualquer que tenha sido seu voto.

Muitas dificuldades têm nos enfraquecido há tempo demais. Não ignoro nenhuma delas, nem as dificuldades econômicas, nem as fraturas sociais, nem os bloqueios à democracia, nem o enfraquecimento do otimismo do país.

Esta noite quero mandar uma saudação republicana à minha adversária, Marine Le Pen. Sei das divisões de nossa nação, que levaram alguns a votar nos extremos. Eu os respeito. Estou ciente da raiva, da ansiedade e das dúvidas que por isso muitos de vocês exprimiram.

É de minha responsabilidade escutá-los, protegendo os mais frágeis, organizando melhor as solidariedades, combatendo toda forma de desigualdade ou de discriminação, garantindo a segurança de vocês de maneira implacável e decidida e assegurando a unidade da nação. Pois por trás de cada palavra que acabo de pronunciar, sei que há rostos, mulheres e homens, crianças e famílias, vidas inteiras. Aí estão vocês, aí estão os seus.

Esta noite, é a todos vocês que me dirijo, a todos vocês juntos, o povo da França. Nós temos deveres para com nosso país. Somos os herdeiros de uma grande história e da grande mensagem humanista dirigida ao mundo. Nós devemos transmitir essa história e essa mensagem primeiro aos nossos filhos, e mais importante ainda, devemos levá-las para o futuro e lhes dar um novo ânimo.

Vou defender a França, seus interesses vitais, sua imagem e sua mensagem, diante de vocês me comprometo a isso. Vou defender a Europa, essa comunidade de destino de que se proveram os povos de nosso continente. É nossa civilização que está em jogo, nosso estilo de vida, de sermos livres, de portarmos nossos valores, nossas ações comuns e nossas esperanças. Vou trabalhar para restaurar os laços entre a Europa e o povo que a forma, entre a Europa e os cidadãos.

Em nome de vocês, dirijo às nações do mundo a saudação fraternal da França. Digo a seus dirigentes que a França estará presente e atenta à paz, ao equilíbrio entre potências, à cooperação internacional, ao respeito dos compromissos que assumimos sobre desenvolvimento e combate ao aquecimento global. Digo a todos que a França vai estar na primeira fila da luta contra o terrorismo no próprio país e nas ações internacionais. O quanto tiver que durar esse combate, vamos conduzi-lo sem fraquejarmos.

Meus caros concidadãos, está se abrindo uma nova página de nossa longa história esta noite. Quero que ela seja a da esperança e da confiança recuperadas. Renovar nossa vida pública será um dever de todos a partir de amanhã. O moralizar de nossa vida pública, o reconhecimento do pluralismo e a vitalidade democrática serão desde o primeiro dia o esteio de minha ação. Não vou deixar que nenhum obstáculo me detenha. Vou agir com determinação e respeitando cada pessoa. Pois com trabalho, com escola e com cultura, construiremos um futuro melhor.

Francesas e franceses! Meus caros compatriotas!

Esta noite saúdo o presidente Hollande. Ele trabalhou por nosso país durante cinco anos. No novo quinquênio que se abre, minha responsabilidade será a de apaziguar os medos, de fazer com que retomemos o otimismo, de reviver o espírito de conquista que exprime melhor do que tudo o caráter francês.

Meu encargo será unir todas as mulheres e todos os homens prontos para enfrentar os desafios gigantes que nos esperam e para agir. Alguns desses desafios são afortunados, como a revolução digital, a transição ecológica e o relançamento da Europa. Outros são funestos, como o terrorismo. Vou me empenhar com todas as forças contra a divisão que nos racha e nos abate. É assim que poderemos conceder ao povo francês, a cada uma e cada um de vocês, em sua vida profissional, pessoal e familiar, as chances que merecem ter da França.

Amemos a França! Contando a partir desta noite, e nos cinco próximos anos, eu vou com humildade, com devotamento e com determinação servi-la em nome de vocês.

Viva a República!

Viva a França!



A vida é assim: um sai, outro entra, e as coisas se sucedem...