Mostrando postagens com marcador Traduções do árabe. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Traduções do árabe. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2025

Abdel Halim Hafez – Sora, sora (final)

Esta montagem, publicada por um usuário anônimo do YouTube e intitulada “A Tribute to Gamal Abdel Nasser”, foi um dos primeiros vídeos que, ainda como jovem graduando em História, consegui encontrar na plataforma sobre o presidente do Egito de 1956, quando ele deu um golpe de Estado no antecessor, a 1970, quando faleceu. Pra nossos padrões, Nasser foi praticamente um ditador, mas é difícil conceber outra forma de governo naquela época, naquele lugar e naquelas circunstâncias, tanto mais que até hoje o povo o considera como herói, apesar de sua brutalidade com a oposição (não muito diferente, aliás, da exercida pelo atual presidente Sissi). Durante o breve período de 1958 a 1961, o Egito e a Síria compuseram a chamada República Árabe Unida, dissolvida com um golpe de Estado em Damasco. O Egito manteve o nome e sigla “R.A.U.” até 1971, quando Anwar al-Sadat, sucessor de Nasser, retomou o antigo nome, e por isso, em livros antigos, ainda vemos esse nome ou os dois: “Egito (R.A.U.)”.

Por anos, tentei descobrir de que música se tratava no começo e no final do vídeo, mas só há alguns meses, com o avanço dos recursos do YouTube, observei que o áudio foi vinculado a alguma faixa musical. Trata-se da canção Sora, sora (صورة، صورة), ou Um retrato, um retrato (abaixo, traduzi como “foto”), interpretada pelo célebre músico egípcio Abdel Halim Hafez, apelidado carinhosamente de “Rouxinol Moreno”, e composta em 1966 pelo poeta Salah Jahin (letra) e pelo compositor Kamal al-Tawil (melodia). Transliterações são sempre arbitrárias, mas o “s” de sora (ص) tem uma pronúncia chamada “enfática”, em que a língua também recua consideravelmente dentro da cavidade bucal. Em tese, consoantes com as mesmas características não existem nas línguas europeias (nem mesmo em maltês, uma língua semítica), por isso, é convenção geral colocar um ponto embaixo das letras. Porém, pra não entupir este texto de informação gráfica, apenas transcrevi o “u” original como “o”, que é a pronúncia que ele geralmente toma junto dessas consoantes.

Pro padrão da cultura de massas ocidental, as “canções” de Hafez são longuíssimas, algumas durando sete ou 15 minutos, meia hora ou até mais. De fato, na verdade são verdadeiras peças com orquestra, e por isso são muito bonitas em geral. Também famoso como ator, Hafez (1929-1977) apoiava o regime socializante e pró-URSS de Nasser e compôs e cantou muitas músicas em louvor ao líder e a seus feitos, na mesma trilha da artista Umm Kulthum (1898-1975), sobre quem tanto a NPR (em inglês) quanto a RFI (em francês) recentemente lançaram podcasts. Por isso, além do “culto à personalidade”, muitas letras exalam metáforas e enredos bem bobos. Sora, sora começa: “Todos nós queremos um retrato do povo feliz sob a bandeira vitoriosa.” O “retrato fotografado pelo tempo” traz uma nova imagem (outra tradução possível de sora) do Egito e de seu povo após a “revolução” de 1952 (na verdade, um golpe militar que derrubou o monarca), especialmente dos novos líderes que teriam saído diretamente do seio do povo.

Sora, sora, na verdade, tem passagens com diversos ritmos e arranjos, e a que selecionei é minha preferida, por ter sido usada na referida montagem antiga do YouTube. Por isso, só traduzi o trecho concernente da letra e também cortei a última repetição do refrão. Curiosamente, tempos depois de eu fazer a seleção, tanto o áudio quanto o clipe oficiais foram removidos da plataforma, mesmo após muitos anos no ar. Por isso, o material abaixo atualmente é uma raridade! Segundo o verbete em árabe padrão sobre a canção, o qual traduzi usando o Google, Hafez apresentaria todo mês de julho, a partir de 1961, pelo menos uma canção patriótica comemorando o dia da “revolução” e geralmente aludindo aos princípios socialistas iniciais. Porém, vendo que o regime estava cada vez mais se degenerando em burocratismo e corrupção, o povo começou a enjoar da ideologia, e o próprio “socialismo” não é mencionado em Sora, sora. O próprio músico al-Tawil contaria, anos depois, que fez a melodia de mau humor, pois teria sido impedido de viajar antes que completasse a encomenda.

Na festa do 23 de Julho em 1966, Hafez estreou Sora, sora e interpretou mais duas canções românticas, mas aquela seria a última de tom patriótico que apresentaria em feriados da “revolução”, já que a derrota na Guerra dos Seis Dias (1967) impediria a realização de concertos semelhantes. Após a morte de Nasser, a própria canção caiu na obscuridade e chegou a ser censurada, já que seu nome é aí mencionado várias vezes (vai entender esses militares, né). Em 2002, nos 50 anos da “revolução”, a TV egípcia voltou a transmitir Sora, sora (a Wikipédia não menciona se se trata do clipe), mas tendo cortado a parte que menciona Nasser. E a única que o menciona é exatamente a que prefiro e que trouxe aqui traduzida... Curiosamente, a Wikipédia em árabe egípcio traz apenas os nomes do cantor e dos compositores, além da letra completa (ausente na versão padrão), que inclui o típico uso local de “ى” final sem pontos (idêntico ao chamado “alif maqsora”) no lugar do “ي” (y) padrão. Recoloquei este último onde fosse necessário.

Como texto-base, usei o dado na Wikipédia em árabe egípcio e joguei no Google Tradutor, tendo confrontado o resultado com uma tradução em inglês que achei, atribuída a um perfil assinado apenas como Farah. Quando necessário, procurei palavras isoladas no Wiktionary ou traduzi no próprio Google mesmo, chegando a um resultado que pode não estar literal, mas parece “soar melhor” em português, embora meu árabe ainda seja incipiente. Não procurei evitar as repetições ao trazer as duas letras: muito pelo contrário, diferente do que acontece nas transcrições, sempre reescrevi os versos repetidos ou indiquei quando isso acontecia.

Tenho muito orgulho desta publicação, porque ela fecha um grande ciclo que começou lá em 2007, quando eu mal sabia mexer no YouTube e o Pan-Eslavo Brasil só apareceria em 2010, e chega até aqui, com um mundo de inovações tecnológicas tornando o conhecimento sempre mais acessível. Dedico a você:




2x:
Juro por Deus, estamos tão bonitos
Meus caros, digo do fundo do coração
Juro por Deus, estamos tão bonitos
Meus caros, digo do fundo do coração
Nossa revolução é nossa foto, como é bonita
Nossa revolução é nossa foto, como é bonita
Na moldura da organização popular

Nasser, estamos todos a seu redor
Nasser, Nasser, Nasser
Nossos olhos estão todos sobre nele
Nasser, Nasser, Nasser
A vitória o persegue
Nasser, Nasser, Nasser
O povo é seu guia e inspiração
Nasser, estamos todos a seu redor
Nasser, Nasser, Nasser
Nossos olhos estão todos sobre nele
Nasser, Nasser, Nasser
A vitória o persegue
Nasser, Nasser, Nasser
O povo é seu guia e inspiração
Aproximem-se de seus pensamentos e sonhos
Se vocês vivem falando mal dele
Aproximem-se de seus pensamentos e sonhos
Se vocês vivem falando mal dele
Na foto, o discípulo está na frente dele
Líderes vindos do povo, o que vocês disseram?

Nasser, estamos todos a seu redor
Nasser, Nasser, Nasser
Nossos olhos estão todos sobre ele
Nasser, Nasser, Nasser
A vitória o persegue
Nasser, Nasser, Nasser
O povo é seu guia e inspiração
Aproximem-se de seus pensamentos e sonhos
Vocês que vivem falando mal dele
Aproximem-se de seus pensamentos e sonhos
Vocês que vivem falando mal dele
Na foto, o discípulo está na frente dele
Líderes vindos do povo, o que vocês disseram?

Dissemos: Ó, líder, aqui estão nossos corações
Aqui estão nossos dias e nossas noites
Dissemos: Ó, líder, aqui estão nossos corações
Aqui estão nossos dias e nossas noites
No dia do sangue, nós demos sangue
Por que deveríamos poupar nossas noites?
No dia do sangue, nós demos sangue
Por que deveríamos poupar nossas noites?
Dissemos: Ó, líder, aqui estão nossos corações
Aqui estão nossos dias e nossas noites
No dia do sangue, nós demos sangue
Por que deveríamos poupar nossas noites?

4x:
Agora a foto está completa
Com os pioneiros de mãos dadas com Nasser

3x:
O povo e sua pátria, o povo e sua pátria
Seu tempo e seu trabalho, seu tempo e seu trabalho
Sua esperança e seu herói, o mais corajoso

Tire uma foto, ó, tempo
Tire uma foto, ó, tempo
Tire uma foto, ó, tempo

____________________

2x:
حلوين قوي كده وحياه ربي
يا حبايبى بقولها من قلبي
حلوين قوي كده وحياه ربي
يا حبايبى بقولها من قلبي
ثورتنا صورتنا ومااحلاها
ثورتنا صورتنا ومااحلاها
في اطار التنظيم الشـعبي

ناصر واحنا كلنا حواليه
ناصر ناصر ناصر
وعيونا الدنيا عليه
ناصر ناصر ناصر
والنصر بيسعي اليه
ناصر ناصر ناصر
والشعب دليله والهامه
ناصر واحنا كلنا حواليه
ناصر ناصر ناصر
وعيونا الدنيا عليه
ناصر ناصر ناصر
والنصر بيسعي اليه
ناصر ناصر ناصر
والشعب دليله والهامه
قربوا من فكره واحلامه
ياللي عليكم كل كلامه
قربوا من فكره واحلامه
ياللي عليكم كل كلامه
في الصورة طالبكم قدامه
قيادات شعبية قلتم ايه؟

ناصر واحنا كلنا حواليه
ناصر ناصر ناصر
وعيونا الدنيا عليه
ناصر ناصر ناصر
والنصر بيسعي اليه
ناصر ناصر ناصر
والشعب دليله والهامه
قربوا من فكره واحلامه
ياللي عليكم كل كلامه
قربوا من فكره واحلامه
ياللي عليكم كل كلامه
في الصورة طالبكم قدامه
قيادات شعبية قلتم ايه؟

قلنا يا زعمنا قلوبنا اهي
ايامنا اهى ليالينا اهي
قلنا يا زعمنا قلوبنا اهي
ايامنا اهى ليالينا اهي
في يوم الدم، وهبنا الدم
هنبخل بالليالي ليه؟
في يوم الدم، وهبنا الدم
هنبخل بالليالي ليه؟
قلنا يا زعمنا قلوبنا اهي
ايامنا اهى ليالينا اهي
في يوم الدم، وهبنا الدم
هنبخل بالليالي ليه؟

4x:
والصورة اكتملت بالرواد
مع ناصر وايدهم في ايديه

3x:
الشعب ووطنه، الشعب ووطنه
وزمنه وعمله، وزمنه وعمله
وامله بطله ابو الشجعان

صور يا زمان
صور يا زمان
صور يا زمان



sexta-feira, 3 de novembro de 2023

Discurso do líder do Hezbollah (2023)


Link curto pra esta publicação: fishuk.cc/hezbollah2023

O Secretário-Geral do Hezbollah, Sayyid Hasan Nasrullah, fez um raro discurso transmitido em telões por todo o Líbano, saudando o povo palestino em Gaza. A expectativa nos analistas geopolíticos era alta, pois como líder supremo do partido e do grupo armado no sul do Líbano, se esperava que ele fosse decretar beligerância total contra as tropas de Israel concentradas no norte deste país. Não foi o que aconteceu, apenas disse que “todas as possibilidades estão abertas”. Cão que ladra, não morde. Mas segue o documento histórico, que procurei o mais rapidamente possível, com a ajuda do Google, traduzir do original árabe, apenas tirando as interrupções na fala (“ele disse”, “ele reforçou”, “ele concluiu”) que infestavam o texto. Também adequei a meu próprio estilo e deixei com cara de algo em português. A Agência Al-Manar, pertencente ao Hezbollah, também lançou a versão em inglês com que você pode confrontar a minha.

Também é comum se escrever Hassan Nasrallah, mas prefiro a versão mais próxima do árabe formal falado.



Todos saúdam o povo lendário que não tem igual neste mundo, o povo de Gaza e seu povo, que vimos como o homem, a mulher e também a criança saíram dos escombros para dizer que tudo o que deram foi um sacrifício pela Palestina, por Al-Aqsa e pela resistência. As línguas não conseguem expressar a grandeza, o poder, a fé, a firmeza e a paciência desse povo, bem como a firmeza e a paciência que estamos testemunhando na Cisjordânia e em todas as arenas. Estendemos nossa saudação a todos os que apoiaram e apoiam em todos os países do mundo, e saudamos especialmente as armas iraquianas e iemenitas que entraram no coração dessa batalha abençoada.

O sofrimento do povo palestiniano é conhecido de todo o mundo há 70 anos, mas ao longo dos últimos anos, as condições infligidas por esse governo israelense extremista e injusto se tornaram mais graves, especialmente a questão dos prisioneiros, o aumento de seu número, e as restrições impostas a eles e a suas famílias, o que tornou a questão humanitária muito precária. A segunda questão, a Mesquita de Al-Aqsa, e o que foi inflingido a ela, especialmente nas últimas semanas, não teve precedentes desde a ocupação de Jerusalém. O terceiro problema são as difíceis condições de vida da população de Gaza, que está sitiada sem que ninguém faça nada. O quarto problema é a Cisjordânia ocupada, com o aumento das ações dos colonos, assassinatos, detenções diárias e demolição de casas por esse injusto governo israelense. Todos esses problemas eram prementes, sem que ninguém nesse mundo tomasse medidas, e a política do inimigo aumentava em opressão, injustiça e humilhação. Portanto, era necessário um grande evento pra abalar a entidade usurpadora e todos os seus apoiadores, especialmente em Washington e Londres, revelar esses problemas ao mundo e reapresentar a questão palestina como uma primeira questão no mundo.

O acontecimento foi uma grande operação jihadista de 7 de outubro, ou seja, a Operação Dilúvio em Al-Aqsa, que foi levada a cabo pelas Brigadas Al-Qassam, na qual participaram as restantes facções da resistência em Gaza. Esta operação foi 100% palestina na decisão e implementação. Seus proprietários a esconderam de todos, até mesmo das facções da resistência em Gaza e do eixo da resistência, e esse sigilo absoluto garantiu o sucesso retumbante da operação. Esse sigilo não incomodou ninguém do eixo de resistência, mas antes o encorajou porque era condição básica pro sucesso da operação, e essa atuação dos irmãos do Hamas confirmou a verdadeira identidade da batalha e bloqueou o caminho pra que os inimigos e hipócritas falsificassem e distorcessem a realidade da relação da resistência na região. Essa batalha se prova inteiramente palestina e em prol da Palestina, de seus problemas e de seu povo, e nada tem a ver com nenhum problema na região. Confirma a credibilidade de tudo o que temos dito ao longo dos últimos anos que a decisão é feita pelos movimentos de resistência.

Essas conquistas, resultados e repercussões merecem todos esses sacrifícios porque estabeleceram uma nova fase histórica no destino do povo palestino e no destino dos povos e países da região. A Operação Dilúvio em Al-Aqsa e o fato de ninguém saber dela provam que essa batalha é inteiramente palestina, em prol do povo da Palestina e de seus problemas, e não tem nada a ver com qualquer processo regional ou internacional. O que aconteceu na Operação Dilúvio em Al-Aqsa confirma que o Irã não exerce qualquer tutela sobre as facções da resistência e que os verdadeiros tomadores de decisões são os líderes da resistência e seus guerrilheiros.

A grande Operação Dilúvio em Al-Aqsa provocou um terremoto nas bases da entidade sionista [o Estado de Israel], que tem repercussões existenciais e estratégicas e vai deixar seus efeitos no presente e no futuro dessa entidade. A coisa mais importante que a operação fez foi revelar fragilidade e fraqueza, e que Israel é de fato mais fraco do que uma teia de aranha. Não importa o que o governo inimigo faça, não vai ser capaz de mudar os efeitos da Operação Dilúvio em Al-Aqsa nessa entidade e em seu futuro.

Essas conquistas, resultados e repercussões merecem todos esses sacrifícios, porque estabeleceram uma nova fase histórica no destino do povo palestino e no destino dos povos e países da região. A outra opção significa silêncio e espera. Portanto, essa escolha foi correta, corajosa e exigida no momento certo.

A administração americana, com seu presidente, ministros e generais, correu pra socorrer essa entidade, que tremia e tremia, para que recuperasse alguma consciência e se levantasse novamente, e ainda não conseguiu recuperar a iniciativa. Essa rapidez americana em abraçar e apoiar Israel revelou a fraqueza, a fraqueza dessa entidade. Generais americanos chegam à entidade e abrem armazéns americanos pro exército israelense. Desde o primeiro dia, Israel pediu 10 bilhões de dólares. É esse um país forte que tem a capacidade de se manter em pé?

Ficou claro desde as primeiras horas da Operação Dilúvio em Al-Aqsa que o inimigo estava perdido. Face a Gaza e ao terrível incidente a que o inimigo foi exposto, parece que os governos inimigos não estão se beneficiando de forma alguma de suas experiências, e o que está acontecendo hoje já aconteceu antes no Líbano, em 2006, e em repetidas guerras em Gaza com uma diferença quantitativa e qualitativa, mas da mesma natureza.

Um dos erros mais importantes que os sionistas cometeram e ainda cometem é estabelecer metas elevadas que não podem alcançar ou realizar. Em 2006, estabeleceram o objetivo de esmagar a resistência no Líbano e recuperar os dois prisioneiros sem negociação ou troca. Durante 33 dias, não alcançaram seus objetivos. Hoje, a situação em Gaza é a mesma, mas com escalada de crimes e massacres. O que os israelenses estão fazendo é matar pessoas em Gaza. A maioria dos mártires são crianças e mulheres, civis. Não há santidade em nada, pois os israelenses estão destruindo bairros inteiros.

Todos testemunhamos em primeira mão o heroísmo dos combatentes da resistência em Gaza. Quando a resistência avançar e colocar a bomba na escotilha do tanque, como o inimigo israelense vai lidar com combatentes desse tipo? As cenas que chegam todos os dias e horas de Gaza dizem a esses sionistas, as cenas de homens, mulheres e crianças emergindo dos escombros, gritando em apoio à resistência, que através de matanças e massacres não vão conseguir alcançar nenhum resultado. Os mártires de Gaza, suas crianças e mulheres derrubam todas essas máscaras falsas com que os meios de comunicação globais e internacionais contribuíram pra cobrir essa entidade.

O que está acontecendo em Gaza revela a responsabilidade direta dos EUA por toda essa matança e hipocrisia estadunidense. O que está acontecendo em Gaza reflete a natureza brutal e bárbara da entidade usurpadora que plantaram em nossa região. As cenas de massacres provenientes da Faixa de Gaza dizem a esses sionistas que o fim da batalha vai ser a vitória de Gaza e a derrota do inimigo. Os EUA são inteiramente responsáveis pela guerra em curso em Gaza e Israel é uma ferramenta. Os EUA são quem impede o fim da agressão contra Gaza e rejeita qualquer decisão de cessar-fogo. São os EUA quem dirige a guerra em Gaza. Portanto, a decisão da Resistência Islâmica no Iraque de atacar as bases de ocupação americanas no Iraque e na Síria foi uma decisão sábia e corajosa.

É dever de cada pessoa livre e honrada nesse mundo, na batalha da opinião pública, esclarecer esses fatos de que falamos. A opinião pública internacional começou a se virar contra esses tiranos criminosos que matam crianças e mulheres, a opinião pública internacional está vendo isso. Cada um deve assumir sua responsabilidade.

O inimigo está se afogando nas areias de Gaza, mas está fortalecendo e ameaçando o povo libanês com o sangue de crianças e mulheres em Gaza e nas mesquitas e igrejas de Gaza. A vitória em Gaza é um interesse nacional egípcio, jordaniano, sírio e, acima de tudo, um interesse nacional libanês. A vitória de Gaza significa a vitória do povo palestino, a vitória dos prisioneiros na Palestina e de toda a Palestina, de Jerusalém, da Igreja do Santo Sepulcro e dos povos da região, especialmente dos países vizinhos. No ano de 1948, quando o mundo abandonou o povo palestino, essa entidade [Israel] foi criada e o povo palestino e todos os povos da região pagaram as consequências e efeitos desse estabelecimento. O Líbano foi um dos países que mais sofreu com a presença dessa entidade usurpadora.

Há dois objetivos que devem ser trabalhados: parar a agressão contra Gaza e fazer com que o Hamas seja vitorioso em Gaza. O que acontece depois da Operação Dilúvio em Al-Aqsa não é o mesmo de antes, e é isso que exige que todos assumam a responsabilidade. É preciso trabalhar pra parar a agressão contra Gaza. Não basta denunciar, mas sim romper relações e retirar embaixadores. Infelizmente, o discurso no passado foi o de cortar o petróleo dos EUA, e hoje exigimos que as exportações pra Israel sejam interrompidas. Vocês [países árabes] não têm forças pra abrir a passagem de Rafah?

Estamos na batalha desde 8 de outubro. O que se passa na fronteira com a Palestina ocupada é único do gênero na história da entidade [Israel], seja através de ataques a marchas, veículos, soldados e suas aglomerações, equipamento técnico e armas diversas. 8 de outubro, uma verdadeira batalha diferente de todas as batalhas que se travaram anteriormente, diferente em todas as suas circunstâncias, tipo e procedimentos, em seus alvos e, portanto, neste grupo de bravos mártires que avançam nas primeiras filas. Essas operações foram pela resistência e pelos mártires que ela proporcionou. Na fronteira, no sábado, 7 de outubro, o inimigo começou a retirar seus soldados da fronteira com o Líbano em direção à Faixa de Gaza sitiada. Ele também convocou reservistas, e as operações que começou e depois aumentou forçou o inimigo a manter suas forças e adicionar forças a elas, e algumas forças. A elite que ele queria transferir da Cisjordânia pra Gaza o trouxe para as fronteiras do Líbano, e assim essas operações aliviaram essas forças de Gaza e os atraiu pra cá. Há quem diga que estamos correndo um risco, mas é uma aventura útil e que tem seus próprios cálculos.

Hoje, a frente libanesa conseguiu atrair um terço do exército israelense pras fronteiras libanesas, e uma parte importante dele é constituída por forças de elite e regulares. Metade das capacidades navais de Israel estão hoje voltadas pro Líbano e Haifa. Metade da defesa antimísseis de Israel está direcionada pro Líbano. Esses são alguns dos frutos diretos da batalha em nossas fronteiras. As operações levaram ao deslocamento de dezenas de milhares de assentamentos e à evacuação de dezenas de milhares no norte, e também em frente a Gaza, 58 assentamentos foram evacuados. Tudo isso constitui uma pressão psicológica, organizativa, econômica e financeira.

Essas operações na fronteira e nas Quintas Shebaa criaram um estado de pânico e ansiedade entre o inimigo israelense e também entre os estadunidenses quanto à possibilidade dessa frente poder entrar numa escalada adicional e evoluir pra amplas possibilidades. Isso pode acontecer, e o inimigo deve tomar mil contas. Lemos essas contas com força através de mensagens ocidentais, estadunidenses e algumas mensagens árabes que recebemos todos os dias desde 7 de outubro.

Esse medo faz com que o inimigo calcule cuidadosamente seus passos em direção ao Líbano, e isso é o que chamamos de dissuasão do inimigo pela resistência. O inimigo hoje suporta todos os golpes e controla seu ritmo porque teme que as coisas aconteçam do jeito que ele teme e alerta. Essas operações, prontidão e ação hoje fazem com que o inimigo seja dissuadido. Caso contrário, todos nós ouvimos o sionista falar sobre a necessidade de se beneficiar do apoio estadunidense pra abrir uma frente voltada ao Líbano. O sangue dos mártires diz ao inimigo que você vai cometer a maior loucura da história de sua existência se abrir a frente do Líbano.

Desde 8 de outubro, a ameaça estadunidense chegou até nós com a possibilidade de entrar na batalha, e aqui digo que o desenvolvimento e a escalada da frente na fronteira com a Palestina ocupada dependem de uma de duas coisas básicas: o curso e o desenvolvimento dos acontecimentos em Gaza, porque nossa frente é uma frente de apoio, apoio a Gaza. O segundo caminho é o comportamento do inimigo sionista pra com o Líbano, e aqui o alerto contra alguma persistência que levou ao martírio de alguns civis, o que pode nos levar a regressar ao governo de civis contra civis. Todas as possibilidades em nossa frente libanesa estão abertas, todas as opções estão abertas e podemos as abordar a qualquer momento. Devemos estar todos prontos pra todas as possibilidades abertas.

Exagerar a nós e a resistência não traz nenhum benefício nem pros países, nem pros movimentos de resistência. Suas frotas [dos EUA] no Mediterrâneo não nos assustam, nunca nos assustaram, e lhes digo com toda franqueza que suas frotas com as quais nos ameaçam, nós também as preparamos. Estadunidenses, vocês devem se lembrar de suas derrotas no Líbano e no Afeganistão, e aqueles que os derrotaram no Líbano ainda estão vivos, juntamente com seus filhos e netos.

O caminho à solução não é intimidar os combatentes da resistência, mas sim parar a agressão contra Gaza. Esse é Israel, seu servo, e vocês, estadunidenses, podem parar a agressão contra Gaza. Quem quiser parar a guerra regional deve parar a agressão contra Gaza. Em qualquer guerra regional, a vítima e o maior perdedor vão ser seus interesses e forças.

Apesar de todas as ameaças, o povo iemenita tomou várias iniciativas e lançou seus mísseis e drones, mesmo que vocês os tenham abatido. Mas no final esses mísseis e drones vão atingir Eilat e as bases militares israelenses no sul da Palestina.

Ainda precisamos de tempo, mas estamos ganhando por pontos. Foi assim que ganhamos em 2006 e em Gaza, e foi assim que a resistência na Cisjordânia obteve resultados. Eu pessoalmente, do ponto de vista da experiência pessoal, com o imã Khamenei, que reiterou sua certeza e crença de que Gaza vai ser vitoriosa e que a Palestina vai ser vitoriosa, foi ele quem nos disse isso nos primeiros dias da agressão de julho. A batalha é uma batalha de firmeza, paciência, resistência, acumulação de conquistas e de impedir que o inimigo atinja seus objetivos. Todos devemos trabalhar pra parar a agressão contra Gaza e pra que a resistência seja vitoriosa em Gaza. Digo ao povo de Gaza e da Cisjordânia que a firmeza de todos nós e nossa determinação vão resultar numa vitória certa, se Alá [Deus] quiser, e nós e vocês iremos nos reunir em breve pra celebrar a vitória da resistência e do povo de Gaza.

Me felicito por essa grande e majestosa presença na celebração de nosso orgulho, orgulho de todos os mártires que celebramos hoje. Celebramos esses mártires, os mártires da Resistência Islâmica, as Brigadas da Resistência, os mártires das Brigadas de Jerusalém, as Brigadas Al-Qassam no Líbano e os mártires civis. Estendemos nossas bênçãos e condolências a esses mártires e suas famílias, e peço a Alá que as aceite de todos.

Nossas bênçãos e condolências se estendem a todas as famílias dos mártires em Gaza, na Cisjordânia e em todos os locais onde os mártires surgiram durante a Operação Dilúvio em Al-Aqsa, que se estendeu por várias arenas. Esses mártires obtiveram uma grande vitória, e foi isso que Alá confirmou no Santo Alcorão. Isso é motivo de orgulho pras suas famílias e pra todos nós, e pra termos a certeza do lugar aonde foram. Os mártires agora estão vivos e se regozijando, desfrutando da graça e das bênçãos de Alá. Parabéns a todos os mártires lutadores e aos oprimidos, homens, mulheres, crianças, jovens e adultos. Parabéns a eles por sua transição àquele mundo ao lado de Alá, Seus mensageiros e profetas, onde não há agressão, matança ou massacres sionistas. Desse ponto de vista ideológico, olhamos pros mártires.

Às famílias dos mártires, dizemos: seus filhos estão numa batalha totalmente legítima, do ponto de vista moral, legal e humanitário, contra esses sionistas que ocupam a Palestina. Essa batalha está fora de dúvida a nível jurídico, moral e humano, e é um dos maiores exemplos de martírio por causa de Alá. Nos dirigimos às famílias pra que as valorizem e tenham orgulho delas. Essa é nossa verdadeira força na fé, visão, consciência, profundo compromisso com a causa e disposição ao sacrifício expressado pelas famílias dos mártires.



E como se estivéssemos precisando de mais brigas e crises, talvez de nível que pode atingir o diplomático, ontem a Pistoleira dos Jardins decidiu acirrar os ânimos com uma montagem de muito mau gosto, de autoria desconhecida, sabe-se lá se de clique próprio ou encomenda. Talvez ela quis dizer que só os terroristas são ratos, mas a bandeira no bichinho não ajuda a entender dessa maneira...

sábado, 13 de maio de 2023

Traduzir corretamente “Allahu akbar”

Nesta lição de uma das séries do YouTube do professor nigeriano Imran Alawiye, o qual considero o melhor canal pro aprendizado do árabe padrão moderno (“MSA” em inglês) – que tem muitas complicações comparado ao árabe coloquial, porém – e que complementa o curso com livros impressos chamado Gateway to Arabic, ele explica a formação e a tradução da forma comparativa em árabe, a partir dos radicais dos adjetivos. Assim como em português, o comparativo (“mais... do que”, “maior”) e o superlativo (“o/a/s mais... de”, “o maior”) têm a mesma forma em árabe, mas o jeito de traduzir vai depender do contexto, até porque nesse caso eles não usam o artigo definido, como nós. Além disso, a mesma forma é usada pra um adjetivo masculino ou feminino, o que não acontece em português, exceto nos comparativos irregulares.

Mostrando como a partir da raiz triconsonantal “k-b-r” se formam o adjetivo kabiir (grande) e o comparativo ou superlativo akbar (maior, o maior), ele aproveita pra explicar que essa ambiguidade de significado (já que em inglês temos duas terminações diferentes: greater e greatest) gera confusão na hora de traduzirmos a famosa expressão muçulmana Allahu (ou Allaahu) akbar, que ora é dada como “Alá é maior”, “Alá é o maior” ou até, em português, “Alá é grande” (por analogia a “Deus é grande”). Imran Alawiye explica que devemos traduzir pelo comparativo, porque o sentido é que “Alá é maior do que qualquer coisa” que exista ou a que se possa referir no mundo. O árabe religioso tem dessas minúcias poéticas, neste caso referir-se ao que estamos fazendo naquela hora em que o muezim da mesquita chama os fiéis à prece. Em outro vídeo, ele também explica que Assalaam alaykum significa literalmente “A paz (de Alá) esteja sobre vocês”, pois o plural evoca a crença de que, mesmo sozinhos, somos circundados pelos anjos da guarda!

Segue o trecho que cortei do vídeo, a transcrição em inglês que pode conter erros (como o inglês não é sua língua materna, Imran Alawiye muitas vezes usa termos coloquiais, termina expressões pela metade, tem uma pronúncia peculiar etc.) e a tradução, que acho mais válida, porque praticamente é a forma explicativa que eu mesmo dei ao conteúdo:


Let’s go back to this section: kabiirun, kabiiratun, that mean “big” or “great”. Now, akbaru, “greater”, or “bigger”, or “larger”. Now, that’s very interesting when people translate Allaahu akbar. Many people will translate it as “Allah is the greatest”. But whereas this is not actually superlative, this is a comparative, “to be greater than...”. And the reason behind that to what we call lugha maftuuḥa [لغة مفتوحة], a very open expression really. So, when for instance the caller to prayer, to us as Muslim[s], we hear Allaahu akbar, and “Allah is greater than”... so, no answer there, that is open. So, whatever we may be doing at that time when we hear the caller to prayer, Allaahu akbar, “Allah is greater than” whatever you’re doing now. “Allah is greater than”... whatever. So, that is a comparative, the more accurate translation of Allaaahu akbar to be “Allah is greater than...”, and then you fill in the gap.

Vamos voltar pra esta seção: kabiirun [masculino], kabiiratun [feminino], que significam “grande”. Agora, akbaru, “maior” ou “mais amplo”. Agora, é muito interessante quando as pessoas traduzem Allaahu akbar. Muitos vão traduzir como “Alá é o maior”. Contudo, isso na verdade não é um superlativo, é um comparativo, “ser maior do que...”. E a razão por trás disso está no que chamamos lugha maftuuḥa [لغة مفتوحة], uma expressão realmente muito aberta. Então, por exemplo, quando somos chamados à prece, nós como muçulmanos ouvimos Allaahu akbar, e “Alá é maior do que”... bem, sem resposta aqui, é algo aberto. Então, o que quer que possamos estar fazendo na hora em que somos chamados à prece, Allaahu akbar, “Alá é maior do que” qualquer coisa que você esteja fazendo. “Alá é maior do que”... o que quer que seja. Então, esse é um comparativo, a tradução mais precisa de Allaaahu akbar é “Alá é maior do que...”, e aí você preenche a lacuna.


quinta-feira, 17 de novembro de 2022

Copa 2022: vinheta da Globo em árabe

Perto do fim de 2017, quando o Brasil se classificou pra Copa da Rússia de futebol a se realizar em 2018, a TV Globo imediatamente lançou uma vinheta musical com o refrão do famoso tema Coração verde e amarelo cantado em russo e com músicos de roupas e instrumentos folclóricos russos. Ele foi cantado pela artista russa Siberia e tão repetido durante os comerciais da Globo, que o público aparentemente se encheu o saco e antes mesmo do torneio a vinheta foi menos exibida, e depois levemente modificada. Porém, os amantes da língua e da cultura russas acharam a produção o máximo, e eu resolvi legendar (tradução e transcrição) e publicar no meu saudoso Pan-Eslavo Brasil no YouTube, tendo sido um dos vídeos mais vistos até a derrubada do canal em agosto de 2021. Em vários pontos, os significados batem, mas a preocupação maior foi manter a métrica e os esquemas de rimas.

Com o fim da copa, e com o Brasil de Neymar já tendo caído nas quartas de final diante da potente Bélgica (mas QUE caída, senhores, a luta até que foi bonita, melhor que o 7 a 1 de 2014!), a Globo fez outra vinheta com o mesmo refrão de Coração verde e amarelo, mas em árabe, já que a Copa de 2022 seria no Catar, pequeno país peninsular monárquico do Oriente Médio. Se não me engano, a primeira exibição foi logo após o heroico jogo da final entre França e Croácia, e também não me recordo se ela foi exibida umas outras poucas vezes até o fim da festa. Acontece que desde então, a vinheta ficou simplesmente... engavetada, e como parece que sou uma das raras pessoas a se lembrar dela, eis que a ressuscito especialmente pouco antes de começarem os jogos pra você se divertir!

Em meados de 2018, eu tinha uma noção de como funcionava a escrita árabe, mas não sabia nadica de nada sobre a pronúncia, o vocabulário e a gramática, os quais só comecei a gradualmente aprender por volta de fevereiro ou março de 2020 e estou estudando até hoje. Como meu conhecimento ainda é rudimentar, não pude de forma alguma transcrever a letra e sequer achei registrada na internet (na verdade nem procurei). Perguntei pelo significado em alguns vlogs de ensino de árabe, e o professor marroquino Yassine Oulgriss, há 4 anos morador da Paraíba, gentilmente fez a transcrição e uma tradução aproximada, à qual só fiz algumas modificações pra ficar mais palatável ao falante brasileiro. De fato, a métrica ficou boa, mas o significado está quase igual, não havendo preocupação com rimas, o que não tira a qualidade da versão, cujo autor não consegui descobrir, assim como os produtores da vinheta e os nomes dos músicos.

Quem se sentir livre pra baixar os vídeos e legendar por conta própria pra republicar no YouTube ou compartilhar nas redes sociais, como o WhatsApp, fique à vontade, porque aqui só estou colocando o texto na escrita árabe, minha própria transcrição simplificada (e vocalizada!) no alfabeto latino e a tradução adaptada do Yassine. Também incorporei a vinheta do próprio YouTube da Globo e de outro canal com registros televisivos, mas neste caso com toda a vinheta de encerramento da Copa da Rússia e com a segunda repetição em árabe (que começa aos 1min 17seg) sem a voz do locutor cobrindo. Minha transcrição é simplificada, de forma que tanto a letra hamza quanto a letra ayin são substituídas por um apóstrofo, uso sistematicamente os dígrafos “sh”, “dh” e “th” e não distingo as consoantes enfáticas das não enfáticas. Também omiti a vogal “a” do artigo “al-” e colei com a palavra anterior quando fosse o caso, pra reproduzir mais fielmente a pronúncia.




Estou indo na direção conhecida.
Gol após gol, inclusive com replay.
Estou indo, e meu coração bate acelerado.
Vamos ganhar a copa, Brasil.

Estou indo na direção conhecida.
Gol após gol, inclusive com replay.
Estou indo, e meu coração bate acelerado.
Vamos ganhar a copa, Brasil.
Vai, Brasil!

إنني ذاهب في الإتجاه المألوف
هدف ورا هدف حتى مع الإعادات
إنني ذاهب و قلبي ينبض بسرعة فائقة
سنحصل على الكأس يا برازيل

إنني ذاهب في الإتجاه المألوف
هدف ورا هدف حتى مع الإعادات
إنني ذاهب و قلبي ينبض بسرعة فائقة
سنحصل على الكأس يا برازيل
يلا، برازيل!

Inanii dhaahib fil-itijaaha-l-ma’luuf
Hadaf waraa hadaf hataa ma’al-i’aadaat
Inanii dhaahib wa-qalbii yanbud bisur ’a faa’iqa
Sanahsul ’alal-ka’s yaa Braaziil

Inanii dhaahib fil-itijaaha-l-ma’luuf
Hadaf waraa hadaf hataa ma’al-i’aadaat
Inanii dhaahib wa-qalbii yanbud bisur ’a faa’iqa
Sanahsul ’alal-ka’s yaa Braaziil
Yallaa, Braaziil!



quinta-feira, 9 de setembro de 2021

Mohammed Assaf – “Dammi falastini”

Dia 14 de maio é a data em que os judeus comemoram a fundação do Estado de Israel, mas em que os árabes palestinos lembram o que consideram o início de seu desalojamento. E no dia 15, os palestinos também recordam a impulsão de seu exílio ao Líbano, Jordânia, Síria, Egito e outras nações, sem concordar com a decisão da ONU de 1948 que transformou o mandato britânico na Palestina na divisão em um Estado judeu e outro árabe.

Nos mesmos dias, mas em 2021, o conflito local teve a pior explosão desde 2014, com forte radicalização dos judeus de extrema-direita, instigados pelo primeiro-ministro Binyamin Netanyahu. Como sempre, a motivação teve a ver com o que os muçulmanos chamam de “provocações” judaicas na área da mesquita de Al-Aqsa, mas soma-se ainda a construção de novos assentamentos hebraicos na Cisjordânia. Aquela violência tinha sido uma ocasião propícia pra eu lançar uma tradução que já pretendia fazer há algum tempo: a canção em dabke, ritmo popular no Mediterrâneo oriental, Meu sangue é palestino (Dammi Falastini/دمي فلسطيني), gravada por Mohammed Assaf em 2015.

Este clipe, porém, é de 2016 e foi filmado no Colégio Católico das Irmãs do Rosário, localizado na parte árabe de Jerusalém, capital de Israel. Não existe uma correlação exata entre “árabes/palestinos muçulmanos” e “israelenses judeus”, pois muitos árabes são cristãos e muitos judeus étnicos são cristãos ou não religiosos, enquanto além dos árabes com cidadania israelense, há também muitos judeus críticos do sionismo e do Estado de Israel como um todo. Eu mesmo legendei o vídeo que pode ser encontrado sem legendas no canal do Studio Sami, que o produziu.

Como ainda estou aprendendo árabe, por isso não me sentindo apto a fazer traduções diretas, eu traduzi a partir de uma versão em inglês dada por “Sara Ba”, que se diz falante de inglês fluente. Apenas algumas palavras árabes submeti individualmente na Wikipédia ou no Wiktionary, como “Al-Quds” (القدس), que não foi traduzida, mas é o nome árabe de Jerusalém, literalmente “o sagrado”. Não confundir com Al-Aqsa, que é a principal mesquita da capital, quase pegada ao Muro das Lamentações judeu e um dos maiores pontos de discórdia. Descobri que acabei não sincronizando alguns trechos conforme o significado, mas decidi não mudar porque também ficou bom.



Adendo (1/6/2024): No dia 28 de maio de 2024, os deputados nacionais franceses Sébastien Delogu e Louis Boyard (que estava fazendo as vezes de DJ), pertencentes ao partido de extrema-esquerda A França Insubmissa (LFI), fundado pelo ex-socialista Jean-Luc Mélenchon, lideraram num subúrbio de Paris uma festinha pró-Palestina. Conforme esta cena curtinha tirada de uma edição do programa C dans l’air, se percebe que eles estão dançando ao som da canção de Assaf, pouco depois de Delogu ter sido punido por brandir uma bandeira palestina em sessão da Assembleia Nacional. Algumas mídias os criticaram por serem assistidos por jovens de classes favorecidas que usavam acessórios de marcas caras e aproveitarem com fins eleitoreiros, visando à campanha pro Parlamento Europeu, uma causa que está levando na Palestina à morte de milhares de civis, incluindo crianças.

امتنع:
على عهدي على ديني
على أرضي تلاقيني
أنا لأهلي أنا أفديهم
أنا دمي فلسطيني فلسطيني فلسطيني
أنا دمي فلسطيني

وقفنالك يا ديرتنا
بعزتنا وعروبتنا
أرض القدس نادتنا
صوت أمي يناديني
فلسطيني فلسطيني
أنا دمي فلسطيني

(امتنع)

يا يمّة ابشري بالعز
دارك قلعة ما تنهز
عليها الروح ما تنعز
ولا دمّي وشراييني
فلسطيني فلسطيني
أنا دمي فلسطيني

(امتنع)

فلسطيني وابن احرار
جبيني بالسما ومغوار
على عهد الوفا يا دار
وعمره ما انحنى جبيني
فلسطيني فلسطيني
أنا دمي فلسطيني

(امتنع)

____________________

Refrão:
Mantendo meu juramento, seguindo minha religião
Você vai me encontrar na minha terra
Pertenço ao meu povo, sacrifico minha alma por ele
Meu sangue é palestino, palestino, palestino
Meu sangue é palestino

1. Temos protegido você, nossa terra natal
Com nosso orgulho e arabismo
A terra de Jerusalém nos chamou
Como a voz de minha mãe me chamando
Palestino, palestino
Meu sangue é palestino

(Refrão)

2. Oh, minha mãe, não se preocupe,
Sua terra natal é um castelo fortificado
Pelo qual eu sacrifico minha alma
E meu sangue, e minhas veias
Palestino, palestino
Meu sangue é palestino

(Refrão)

3. Sou palestino, filho de uma família livre
Sou corajoso e sempre tenho a cabeça erguida
Estou mantendo meu juramento por você, minha pátria
E eu nunca me curvei a ninguém
Palestino, palestino
Meu sangue é palestino

(Refrão)



sábado, 12 de setembro de 2020

Emmanuel Macron fala árabe no Líbano


erickfishuk.blogspot.com/macron-arabe



“Está aberta a temporada de caça ao pobre... Eleições chegando!!!”


Revendo as entrevistas coletivas que Emmanuel Macron, presidente da França, concedeu nos dias 6 de agosto e 1.º de setembro em Beirute, logo após a explosão do porto e a destruição de parte da cidade, percebi que ele ensaiou algumas palavras em árabe libanês. As duas frases se encontram em canções da diva musical do Líbano, a cantora Fayrouz, que o chefe de Estado também encontrou pessoalmente nas visitas. A primeira canção é “بحبك يا لبنان”, muitas vezes transcrita Bhebbak ya Lebnan, e a segunda é “لبيروت” (Li Bayruut), A/Para Beirute.

Eu achei a primeira frase por acaso, enquanto googlava a respeito, mas quem me ajudou em definitivo foram duas moças libanesas anônimas, nos comentários daqueles vídeos, a quem agradeço em espírito. Dando a transliteração padrão “seca” pra primeira frase, título de canção, temos “Baḥibbak yaa Lubnaan”, que se escreve “بحبك يا لبنان” (sem as vogais) em árabe. Porém, a pronúncia varia nos muitos dialetos orais, como no do Líbano, em que a qualidade das vogais é bem mutável. Significa “Eu te amo, Líbano”, e concerne especialmente ao dialeto egípcio, mas também do Mediterrâneo em geral. Como vocês veem, optei por dobrar as vogais longas, e não lhes colocar um traço em cima, o famoso... mácron, rs.

A segunda frase se translitera “Min qalbii salaam li-Bayruut”, em árabe “من قلبي سلام لبيروت”, em que a principal diferença está na pronúncia libanesa do “qaaf” glotal padrão como um simples “golpe de glote” antes da primeira vogal. Significa literalmente “De meu coração, uma saudação a Beirute”, ou mais simplesmente “Saúdo Beirute de (todo) meu coração”, e consiste no segundo verso da referida canção Li Bayruut. É notável que a palavra “سلام” (salaam) tem vários significados em árabe, como “paz”, “saudação” etc., e de fato é a maneira mais popular de dizer “Oi, olá”. E no comentário, a moça me mandou ainda com um sinal na última consoante, “سلامٌ”, indicando a leitura salaamun, com uma terminação de substantivo indefinido (ideia de “um, uma”) geralmente não pronunciada em conversas.

Eu não poderia ter feito esta descrição se não estivesse sendo muito ajudado pelas aulas do professor nigeriano Dr. Imran Alawiye, a que estou assistindo aos poucos em seu canal (língua padrão). O próprio prof. Jihad do canal Fale Árabe também se concentra na variante libanesa, mas seu foco é essencialmente coloquial, e não gramatical.


Adendo (12/4/2025): Eis que Manuíl al-Makron ataca de novo! Voltando do Egito após conferenciar com o faraó careca sobre o futuro da Compressa de Gaze, o pior influencer da Gália grava um vídeo pras suas redes sociais agradecendo aos envolvidos pela visita. No avião imperial, ele inicia com estas profundas palavras, pronunciadas com o claro sotaque gutural da langue d’oïl: “شكرا جزيلا الرئيس سيسي! شكرا جزيلا المصريين!” (Shukran jaziilan, ar-ra’iis Siisii! Shukran jaziilan, al-masriyiin!), ou seja, “Muito obrigado, presidente Sissi! Muito obrigado, egípcios!”. Algumas mídias árabes adicionaram a preposição “li-”, pra ressaltar a ideia de “agradeço/obrigado a” e que naturalmente faz cair a pronúncia “a” do artigo definido: “lir-ra’iis”, “lil-masriyiin”. É o mínimo que ele precisa fazer pra ampliar seu eleitorado entre a ummah, rs:


terça-feira, 7 de maio de 2019

Sura al-Fatiha: trecho que abre o Corão


Link curto pra esta publicação: fishuk.cc/fatiha


E eis que resolvo lançar algo em árabe! Claro que meu sonho antigo é aprender alguma coisa dessa língua e legendar músicas, hinos e discursos históricos. Mas por causa do tempo e de outras prioridades, nunca levei meus estudos a fundo. Há uns meses, eu tinha lido por completo o manual The Arabic Alphabet, de Nicholas Awde e Putros Samano, ensinando a pronúncia e ortografia básicas. Mas como larguei tudo, acabei esquecendo e só agora retomei e fixei pra valer. Apesar dos errinhos, recomendo esse livro, pode ser achado facilmente em PDF na internet! Não reparem na pronúncia, sobretudo dos fonemas glotais, porque não sou iniciado na religião...

No final do livro, o primeiro texto em árabe que eles oferecem pra treinar a leitura é a chamada Sura al-Fatiha (سورة الفاتحة), que apesar da transliteração se pronuncia mais exatamente “suurat-ul-faatiḥah”. O nome significa literalmente “Capítulo (Sura ou Surata) de Abertura”, ou seja, é a primeira sura do Corão, considerada o coração do livro sagrado do islã e composta de apenas sete versos. Na reprodução que aparece em The Arabic Alphabet e que usei no vídeo, as linhas 7 e 8 são na verdade um único verso 7, e como só depois me dei conta disso, devo ter estragado a fluência da leitura.

Segundo o site de estudos islâmicos de Oxford, a sura 1 também é chamada Umm al-Kitab (A Mãe do Livro) ou Sura al-Hamd (O Capítulo de Oração). Resumindo as relações dos seres humanos com Deus (Alá, Allah), é recitada com cada ayat (versículo) separado, repetida 17 vezes por dia e fechada com a palavra amin (amém). Também é repetida pra abençoar pessoas doentes ou sobre os túmulos ao se velarem ou visitarem os mortos, durante a visita a lugares sagrados ou em casamentos. No nome que dei com o alfabeto árabe, não estão representadas as vogais, mas em The Arabic Alphabet, como se pode ver, há vários sinais sobre as palavras (exceto os pontos) que, de fato, representam os sons vocálicos. Estes só aparecem em textos pra crianças, iniciantes ou religiosos, em que o conhecimento das vogais é essencial pra recitação correta.

O primeiro verso, que aparece no começo de todas as suras (exceto a 9), também é conhecido como basmala (بسملة) ou bismillah (“em nome de Alá”) e tem um papel importante na cultura e política de vários países de maioria islâmica. Mesmo entre os cristãos árabes, o nome também é usado às vezes pra indicar a fórmula da Trindade (“Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”). Este vídeo tem uma das leituras da Sura al-Fatiha de que mais gosto, e este arquivo também tem uma leitura muito bonita. Pra descontrair um pouco, também inseri algumas imagens do personagem Profeta, do falecido Ronald Golias, que eu adorava ver em A Praça é Nossa quando criança.

Neste site, que também me agradou muito, também se pode ler o Corão inteiro em vários estilos de letras árabes, em árabe escrito no alfabeto latino ou em diversas traduções, incluindo em português, feita pelo Prof. Samir el-Hayek. Pra fazer minha tradução, como ainda não comecei a aprender o árabe em si (e a língua corânica é muito complexa), comparei a versão inglesa que consta em The Arabic Alphabet com a francesa, espanhola, italiana, russa e portuguesa que estão no referido site. Ela segue abaixo, junto com a videomontagem no meu canal e uma transliteração em alfabeto latino seguindo em parte a que Mamede Jarouche usa na tradução das Mil e uma noites:


1. Em nome de Alá, o clemente, o misericordioso.
2. Louvado seja Alá, senhor do universo,
3. O clemente, o misericordioso,
4. Soberano do Dia do Juízo.
5. Só a ti adoramos e só a ti pedimos ajuda.
6. Guia-nos pelo caminho correto,
7. O dos teus agraciados, não dos que caíram em tua ira e dos extraviados.

1. Bismi-l-laahi-r-raḥmaani-r-raḥiim.
2. Alḥamdu lillaahi rabbi alᶜaalamiin,
3. Ar-raḥmaani-r-raḥiim,
4. Maaliki yawmi-d-diin.
5. Iyyaaka naᶜbudu waiyyaaka nastaᶜiinu.
6. Ihdinaa-ṣ-ṣiraaṭa almustaqiima,
7. Ṣiraaṭa allaẓiina anᶜamta ᶜalayhim ghayri almaghḍuubi ᶜalayhim walaa-ḍ-ḍaalliin.



A Sura al-Fatiha em bela caligrafia razoavelmente inteligível.